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"A Noite"

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por rocca, 11 Jul 2009.

  1. rocca

    rocca Usuário

    Olá, membros do Meia Palavra. Este é meu primeiro post, então dou uma contribuição. Espero que gostem do estilo que, confesso, é antiquado. Mas é sempre bom retornar às origens, como nos diz o grande Joãozito.



    Esmorece o calor diurno e
    Se esvai o cheiro do dia.
    Uma brisa, que do sul vem,
    Enleva o corpo como éter,
    Mentolado, polar;
    Substitui o castanho do crepúsculo
    O retinto estelar de um longe
    A perder a vista.
    Os sóis da cidade dão às almas
    A resplandescência d’um plenilúnio,
    Paz inerte recai sobre a cabeça
    Dos sonhadores, que interiormente se atiçam.

    É, então, tempo de devaneios, de reminiscências
    De tempos idos, enclausurados nos desvãos umbrosos
    Da alma d’um sentimental poeta.
    A lua beija suas almas, se existente, ou
    Incendeia ânsias maviosas, se ausente.
    Todo o belo se concentra n’um instante;
    Todo o mundo se faz pleno
    Em sua miniatura.

    O cheiro de cedros, eucaliptos e de flores
    Se imiscuem entre si:
    Trazem ao devaneador o inerte prazeiroso
    D’um balanço infantil vazio.
    A vida ali repousa, plena, enquanto
    Gênese da alma.

    É tempo, são horas, de lembranças,
    Quase maternais,
    Do filho que fugiu ao mundo
    Para criar um mundo dentro de si.
    Como Ela, carrega sempre um quê
    De saudade daquilo que se amou.

    O cheiro de relva se intensifica,
    Comprimido em suas folhas o
    Leve gelo do orvalho, que tanto a
    Alimenta como a mitiga.
    Alguém pára na rua e longamente
    Inspira.
    Em sua volta, tudo se evade, como magia,
    Às memórias de um sertão que ficou para trás:
    Ranchos, vargedos, tropéis, trotes e sons;
    A Noite personifica, reconstrói, refaz.

    Leva-se então do dia o que lhe sobrara de
    Ânsias, de temores e tribulações;
    Incute ao pensar soluções de todos tipos,
    Formas, tamanhos, cores,
    Para que haja somente um único momento,
    Em que o céu responde ao sonhador,
    E o sonhador replica, evolando poesia,
    Que ainda se faz.

    E a noite, com um sorriso leve,
    Responde que é o que já se fez.



    Até!
     
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Que noite mais rica, hein Rocca? Repleta de cores e sensações, movimentos, verdadeiramente pulsante. Apesar de tudo, sua escrita combinada com as imagens serenas, formam um belo casamento, tornando o escrito muito agradável de se ler. Parabéns!
     
  3. rocca

    rocca Usuário

    Muito obrigado pelo elogio!
     

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