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A Morte

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Anara Lis, 24 Jul 2011.

  1. Anara Lis

    Anara Lis Usuário

    (só um sonho louco)

    [align=justify]Tenho que chegar logo no prédio da minha amiga!
    Já consigo vê-lo, mas ainda está distante! Vou acelerar o passo. Nossa como estou cansada!
    Agora que reparei: o céu está ficando negro! Vai cair uma tempestade a qualquer instante! Meu Deus! Nunca vi coisa igual!
    O ar está pesado, eletrizado. O tempo parece parado, silencioso. Raios de luz cortam o céu negro. Melhor correr!
    Ainda bem que cheguei antes da chuva! O porteiro me conhece e já abre o portão... droga, a luz acabou! Vou ter de subir pelas escadas até o sétimo andar! Droga, droga! Mas é o jeito.
    Esse corrimão é liso, dá até para descer escorregando por ele. Pena que tenho é de subir! Puf... puf... 17, 18, 19... Será que o irmão dela vai estar lá? 29, 30... Ele é um gatinho! Tão fofo e tão simpático! 43, 44, 45, 46... Preciso tomar um folego. Não estou acostumada a subir escadas! Caramba! Hoje parece estar dando tudo errado para mim! Perdi R$ 5,00. Um cachorro correu atrás de mim, o elevador não funciona. O que mais falta acontecer?! Melhor continuar subindo. Onde eu parei...? Ah... 47, 48...
    Cheguei. Vou bater por educação.
    - Oi! Até que enfim. Fiquei com medo de você pegar essa chuva!
    - Vim correndo. Você viu a cor do céu? Está tudo preto!
    - A luz já acabou.
    - É. Tive de subir de escada!
    - Nossa. Senta aí, que vou pegar algo para você beber.
    - Obrigada. Oi gente!
    - Oi, linda!
    Oh meu Deus! Ele está vindo na minha direção! Como ele consegue ser tão lindo?!
    Acho que não vou mais lavar meu rosto depois desse beijo!... Droga! Fiz cara de boba! Ai, o que falo para puxar conversa...? Quem é aquela moça deitada no sofá? Nunca a vi antes! Que cabelo bonito ela tem! Tão liso e tão preto e brilhante!
    - Quem é ela?
    - Não toque nela!
    - Por quê?!
    - ela, ela tem problemas... Só não chegue perto!
    Que estranho. Por que puxaram uma cortina? Assim a cobrem e ninguém a vê. Eles têm vergonha dela! E ela é tão bonita! Parece com a Mi e o lindo do Adriano, mas é mais bonita que eles... E eu achava impossível alguém ser mais bonito que o Dri...! Nossa, o raio quase me cegou agora! A tempestade desabou, parece uma cachoeira lá fora! Nunca vi chuva assim...! Outro raio... O barulho é horrível...! Será que estou vendo direito mesmo?! O que é aquilo na sacada?! Um vulto com capuz... O que é aquilo comprido na mão dele...?! É uma...
    - Gente! Olhem is...
    Fiquei cega agora com esse último raio... O vidro da porta da sacada se estilhaçou! O Dri está me protegendo dos cacos... Mas acho q é tarde demais...
    ...
    Nossa que tontura... O que aconteceu...?
    Estou de olhos abertos, mas, não consigo enxergar! Tem muita claridade... Que som é esse? Parece um riacho... Minha roupa está molhada... Será que é por causa da água da chuva? Agora me lembro! A casa da Mi, o beijo do Adriano, a moça bonita, a tempestade... E, e, o homem de capuz e a explosão da porta e... Os cacos...! Meu corpo está inteiro, mas lembro de que fui ferida! Meu Deu! O Adriano deve estar ferido! Preciso levantar! Meus olhos se acostumaram com a claridade, vejo agora onde estou... Mas deve ter algo de errado! Não estou mais no apartamento! Estou em uma campina verde, sem árvores grandes, só alguns arbustos, pedras grandes e espalhadas, grama verde e um riacho! Como vim parar aqui?! Cadê todo mundo? Meu corpo está mole. Não sinto nada! Nem a água, nem o vento, nem cheiros... A moça bonita! Vejo-a! Ela está pulando entre as pedras do riacho e sorri!
    Seu sorriso é lindo!
    [/align]
     
  2. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Mas acho q é tarde demais...

    Sim, é tarde demais. A narradora não consegue mais completar as palavras. Um q é tão rápido quanto um raio ou quanto a sequência de preparação-execução das reticências-exclamação. Você lembra muito os artistas do Sturm nund Drang narrando. Na primeira parte do Fausto do Goethe e, principalmente no Urfaust, Goethe relembra esta fase, com um grande número de exclamações e reticências.

    Então, a narradora morreu com um raio? Zeus/Júpiter adorava fulminar raios e pessoas com raios. Virgílio narra isso no começo da Eneida [ainda que de feitoria de Palas Atena]:

    (...) Pallasne exurere classem
    Argivom atque ipsos potuit submergere ponto,
    unius ob noxam et furias Aiacis Oilei?
    Ipsa, Iovis rapidum iaculata e nubibus ignem,
    disiecitque rates evertitque aequora ventis,
    illum expirantem transfixo pectore flammas
    turbine corripuit scopuloque infixit acuto.
    (I, 39-45)

    Ou sempre esteve morta? Tempestade e prenúncios de tempestades não costumam ser tão silenciosos (Haec ubi dicta, cavum conversa cuspide montem / impulit in latus: ac venti, velut agmine facto, / qua data porta, ruunt et terras turbine perflant., I, 81-83). Talvez a aquela moça deitada no sofá seja o reflexo metafórico da narradora. Ou talvez seja a amiga da narradora. Ou talvez seja simplesmente quem você sempre esperou encontrar mas que, descortinadas as cortinas (como nos espetáculos teatrais onde os personagens passam a desconhecer as pessoas [aquele homem que achou o espetáculo uma droga, o crítico que odiou]), pode encontrar com mais calma e vislumbrar o sorriso (quem dirá que ela nunca esteve sorrindo?).

    Ela está pulando entre as pedras do riacho e sorri!


    Coi piè ristretti e con li occhi passai
    di là dal fiumicello, per mirare
    la gran variazion d'i freschi mai;

    e là m'apparve, sì com'elli appare
    subitamente cosa che disvia
    per maraviglia tutto altro pensare,

    una donna soletta che si gia
    e cantando e scegliendo fior da fiore
    ond'era pinta tutta la sua via.
    (Purgatorio, XXVIII, 34-42).
     

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