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A Lesma

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Anara Lis, 4 Set 2010.

  1. Anara Lis

    Anara Lis Usuário

    Como jornalista já vi muitas coisas estranhas na vida, mas dizem ser este o caso mais estranho e incomum, apesar de não impossível. Mas por que será que ninguém quis me contar o que é? Tenho de ir na casa dessa família sem saber a razão. Meu chefe disse que é matéria de primeira página, mas que eu teria de ir e descobrir. O que de tão apavorante terá na filha daquele casal? E se é tão incomum, como é que ainda não apareceu na tv?! Por que nem a tv quis falar desse caso se estão sempre procurando coisas esquisitas para chamar a atenção do público?!
    Bem, pelo jeito, só vou descobrir quando chegar lá.
    - É ali, naquela casa, Marcio, estaciona aí na frente.
    É, chegamos, vamos desvendar o mistério agora. Vou tocar a campainha.
    - Quem é você?
    - Eu sou a repórter. Marquei uma hora. Aqui está meu crachá. Queria falar da sua filha. Soube que ela tem algo de... como posso dizer?
    - Anormal? Esquisita?
    - Desculpe-me senhora, não quis usar esses termos.
    - Não me importa o que todos dizem ou pensam. Meu marido e eu amamos nossa filha e só isso importa!
    - Certamente, senhora. Mas vocês poderia me conceber uma entrevista?
    - É claro. Entre.
    A casa não tem nada de anormal. É bem comum. Apenas uma coisa é esquisita; soube que o casal tem duas filhas e nas fotos da parede só aparece a filha mais velha. Por que a menor, a razão de estarmos aqui, não tem fotos?!
    - Ela não gosta de tirar fotos?
    - Como senhora?
    - Você deve estar se perguntando por que minha filha mais nova não aparece nas fotos.
    - Sim, senhora.
    - É aqui que ela fica, pode se aproximar. Ela não morde.
    - Não chegue perto dessa coisa, moça!
    Quem disse isso? Uma garotinha vem correndo na minha direção. Deve ser a filha mais velha do casal. Mas por que tratou a irmã de “coisa”? O que tem a menina mais nova para repugnar a própria irmã?!
    - Não ligue para minha filha, ela tem ciúmes da irmã.
    - Essa cosia não é minha irmã!
    O que tem de tão anormal essa menina?! Preciso saber agora! Ah meu Deus! O que é isso?! Que coisa nojenta! Ah meu Deus! Isto não pode ser uma criança! Não, não pode! Não é humano... preciso recuperar a calma... preciso fazer meu trabalho.
    - Des.. Desculpe-me, senhora. Eu não esperava que sua filha fosse assim.
    - Claro, a primeira vez que as pessoas a vêem é sempre assim. Mas ela é muito meiga.
    - Claro. Posso começar a fazer as perguntas. Vou chamar o câmera e começar a reportagem.
    Como pode essa mulher chamar tal coisa de filha?! Aquilo... aquilo não passa de uma espécie de... de lesma gigante e nojenta! Acho que vou vomitar! Ah meu Deus! Coitada da menina, ter de conviver com tal aberração da natureza como irmã! Aquele ser acinzentado, gosmento... Preciso fazer meu trabalho!
    - Estou de volta. Pronto câmera? Ok. Vamos começar. Aqui é Verônica Martins, com mais uma reportagem surpreendente! Estamos na casa do casal Souza, para falar de sua filha mais nova. Que apesar de ter nascido com um problema genético é o orgulho da família. A senhora pode me dizer como foi que se sentiu ao ver sua filha após o nascimento? Ao ver sua... forma?
    - Amei a minha filha desde o primeiro momento! Sua “forma” não foi problema para mim, nunca! Mas os médicos não queriam que eu a visse. Disseram que era melhor não vê-la. Que eu não tinha dado a luz a uma criança e sim a um monstro. Mesmo assim quis vê-la. E ao vê-la, ali em uma mesa, abandonada, pois todos se recusavam sequer a chegar perto dela. Mas eu me apaixonei por ela. Tão inofensiva, indefesa, tão solitária. Peguei-a nos braços. Enquanto médicos e enfermeiras me olhavam espantados eu a beijei. Mandaram trazer um psiquiatra. Tentaram me convencer que era melhor acabar com a vida de “tal ser”, termo que usaram para a minha pequenina...
    A mulher é louca! Como pode chamar de filha uma lesma gosmenta?!Ela está andando, ou melhor, rastejando e deixando uma trilha nojenta e grudenta por onde passa.
    - Aqui está meu marido. Que ama minha filha tanto quanto eu. Não é querido?
    - Claro! Quem não irá amar um a criança tão boa e amorosa?! Senhorita reporte, toque a nossa filha. Garanto-lhe que ela é completamente inofensiva. Veja que colar lindo comprei para ela. É rosa, sua cor favorita.
    Ah meu Deus. Ele está tocando a lesma cinzenta! Cruzes! Ela tem olhos de gente! Que aberração! Ela parece estar sorrindo!
    - Chega! Eu não aguento mais!
    A garotinha acabou de entrar aos prantos. O que ela vai fazer? Está pulando o cercado da criança-lesma?! Oh! Ela está pisando na lesma! Está esmagando-a! Meu Deus!
    - Ela não é minha irmã! Não é filha de vocês! Não é gente! Tem que morrer! Tem que morrer! Ela me roubou o amor de vocês!
    - Não fala isso, menina! Nós a amamos mais! Não!
    O casal acabou de jogar a garotinha no chão e estão agachados ao lado da lesma. Estão chorando. A garota matou a lesma!
     
  2. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Eu me deparava com um mendigo frequentemente no ônibus que pego pra ir pra faculdade. Ele tinhas as pernas, mas não conseguia andar. Só rastejava. E além disso não conseguia falar. Só balbuciava palavras ininteligíveis. E erguia a palma da mão aberta, pedindo esmolas pelo corredor. E pensava, com um toque de psicopatia: "Sacrificá-lo seria uma boa ação?" Não seria eutanásia. Não seria o mais sofrível ser humano na face da terra também. Seres vivos querem viver, mesmo que eu não quisesse viver na pele de muitos deles.

    Esse conto me lembra de um caso de um bebê acéfalo. A mãe poderia abortar, mas ela decidiu que não, que queria dar a luz a um bebê que viveria no máximo algumas horas. Grande influência de sua religião, o catolicismo. O bebê sobreviveu uns dois meses. Não era um caso comum de anencefalia. Também não era caso de metamorfose.

    Crianças cometem crimes. Às vezes por acidente. Ou por gênio difícil. É difícil condenar menores de idade. E mesmo no caso de maiores de idade, se a opinião pública é a favor do criminoso, não há muito o que ser feito.
     
  3. Anara Lis

    Anara Lis Usuário

    Minha mãe contava uma história assim, quando era pequena, sobre uma mulher que teve um filho de um mandruvá (alguma coisa parecida com uma lagarta), essas histórias de pessoas da roça , igual pessoas que tem filhos de botos. E esse conto foi um sonho que tive.
     
  4. Tayana

    Tayana Usuário

  5. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Mandruvá... já ouvi essa palavra antes. E histórias. Mas eu era muito criança. Essa lembrança está muito apagada. Vou aproveitar que minha avó está aqui pra ela me ajudar a lembrar. A diferença que na minha memória não tem nenhuma jornalista. :]
     

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