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A Lágrima do Dragão de Gelo (Infantil)

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Ariane, 20 Mai 2009.

  1. imported_Ariane

    imported_Ariane Usuário

    Essa eu escrevi ano passado para as minhas crianças do jardim de infância (onde eu dou aulas de inglês duas vezes por semana).:timido:


    [align=justify]Era uma vez no reino pequeno de Felicia, em algum lugar perdido na Terra, uma pequena princesa feiticeira chamada Ciranda.

    As criaturas que lá viviam eram felizes e amáveis, eram gentís com os outros e estavam sempre em harmonia, havia até quem acreditasse que aquele era o lugar mais perfeito do mundo. Os reis cuidavam com muito amor de seus suditos, que eram alegres e sempre prontos a ajudar a quem precisa.

    Eles pensavam que aquela perfeição duraría para sempre, mas acontece que Zaír, um feiticeiro muito malvado passava os seus dias tentando acabar com a felicidade de todo o reino e preparou um plano cruel.

    Em um dia de verão, quando a princesa Ciranda havia saído com uma amiga fada para brincar em um bosque fora do reino, o terrível Zaír preparou um ataque. Ele chegou de repente, em sua capa preta. O rei e a rainha ainda tentaram salvar a todos, mas a magia do velho Zaír foi ainda mais forte. O dia virou noite, trovejava e o feiticeiro gritava:

    “Vocês viverão, por toda a eternidade, tristes, maus e irritados, pararam de se falar, não terão amigos e odiarão suas familias até fiacre completamente sozinhos e quando isso acontecer eu me tornarei rei.”

    O rei e a rainha estavam nervosos, as pessoas corriam tentando se proteger, ninguém queria perder o amor por suas famílias, mas não adiantou, uma luz vermelha apareceu e quando ela se foi, todos já estavam mudados, ai já começou a brigaria, os vizinhos brigavam, os pais birgavam, até mesmo os animais brigavam. Aquele seria o fim de Felicia.

    No início da tarde a princesa Ciranda volta para casa, mas no caminho para o castelo ela percebeu algo muito estranho, não havia ninguém na rua, normalmente todos ficavam até o anoitecer do lado de fora, conversando com os seus vizinhos, enquanto seus filhos terminavam a brincadeira, mas ela não via nada. Ao chegar em casa as surpresas foram ainda piores. Dentro do castelo todos brigavam até mesmo os seus pais, que normalmente jamais falavam alto. Muito quieta e nervosa a princesa Ciranda foi falar com sua mãe, que estava na cozinha a brigar com os empregados.

    “Mamãe… - disse a princesa preocupada. - O que está acontecendo? Por que estão todos tão irritados?” Com o rosto fechado a rainha virou para Ciranda e gritou:

    “Eu quero você fora daqui! Para o seu quarto, já!”

    A princesa ficou muito assustada, nunca havia visto sua mãe, que sempre tão bondosa fora, falar naquele tom. Ciranda permanence ali, com lágrimas nos olhos, sem nada dizer.

    “O que é que você está fazendo aqua ainda, Ciranda? Para o seu quarto, agora!” - gritou a rainha mais uma vez.

    A menina saiu correndo de medo e tristeza, não sabia porque sua mãe estava tão má. Ela deitou em sua cama e por lá ficou até o amanhecer. Mas o que Ciranda pensava ser só um dia ruim, permaneceu. E por uma semana inteira todos no reino estavam ruins, azedos e irritados, brigavam o tempo todo e nem sequer sorriam. Ela já começava a ficar muito triste quando ouviu alguém reclamar:

    “Tudo culpa do velho Zaír.” - disse a voz de um menino.

    Ciranda andou devagar até ele, o menino olhou assustado para ela.

    “Princesa Ciranda… Você… não… foi enfeitiçada? - perguntou ele, com medo.

    “Não… - respondeu a princesa, também com medo. - E você?

    “Eu também não… - disse o menino. - Eu não estava em Felicia. Sabe, princesa, os meus pais estão muito maus comigo… Nem boa noite mais eles me dão, também não lêem mais para eu dormir… O que faremos agora?” - ele estava muito triste.

    “Os meus também…" - disse ela.

    A princesa Ciranda colocou a mão no queixo e apertou os olhos para pensar melhor. De repente, ela pareceu mais feliz.

    “Eu acho que eu sei o que fazer. Obrigada pela informação.”

    E correndo muito rápido, a princesinha voltou para o castelo, tomou muito cuidado para que ninguém a visse. Olhou para um lado, depois para o outro e entrou na biblioteca, por uma grande porta.

    “Vô?” - perguntou ela, assutada.

    Nada. ninguém respondia.

    “Vô?” - disse ela andando devagar.

    “Vô?”

    Foi quando ela ouviu um som abafado:

    “umí inhíma”

    “O quê? Vô… É o senhor?”

    “umí inhíma”

    "Não estou entendendo. O quê?"

    “umí inhimaaa”

    Ciranda procurou por todos os lugares, até que viu seu avô na prateleira mais alta. Ela pegou uma escada e subiu. Pegou o livro, que começou a tossir e respirar fundo. Ela desceu.

    “Ai, obrigada minha filha… Muito obrigada… Eu achei que fosse morrer!” Ela olhou confusa.

    “Vô… O senhor já está morto há um tempão… É por isso que o seu fantasma está dentro do livro… - ela respirou fundo, ele sempre se esquecia disso. - O senhor não se lembra?”

    “Ah!" - disse ele rindo. - "Agora me lembro.”

    “Mas o que o senhor estava fazendo lá em cima?” - perguntou ela curiosa.

    “Eu não sei… Eu estava dormindo e quando acordei vi que estava de cara para a prateleira."

    “Avô, eu preciso da sua ajuda.” - disse a princesa, aflita.

    Mas o avô estava novamente perdido em suas lembranças.

    “Eu digo a você, essa juventude de hoje em dia… Você sabe que no meu tempo… quando…”

    “Vô… Eu adoraria ouvir pela milésima vez as suas estórias que quando o senhor era criança… Mas acontece que eu estou com pressa.” - disse ela, nervosa.

    “É exatamente isso que eu digo. Todos com tanta pressa hoje em dia. Mas no meu tempo…”

    A princesa Ciranda já estava ficando vermelha de irritação e sem pensar, soltou um grito:

    “VÔ, EU JÁ DISSE QUE PRECISO DE AJUDA!”

    Rapidamente ela colocou a mão na boca e arregalou os olhos. Ela sabia que não deveria gritar com o seu avô. E disse envergonhada, bem baixinho:

    “Desculpa… é que eu estou nervosa e preocupada.”

    “Está certo…" - disse o vô. "O que foi que aconteceu de tão grave para você sair berrando com o seu próprio avô?” - perguntou ele.

    “Sabe o que é?…" - ela olhou para os lados e sussurou. - “O velho Zaír lançou um feitiço em Felícia.”

    “Quem fez o que com a Fabrícia?” - perguntou o velho em voz alta.

    Ciranda tinha esquecido que ele era meio surdo e falou um pouco mais alto.

    “O velho Zaír lançou um feitiço sobre Felícia… Todos agora estão maus e nervosos… Ninguém compra mais pão, porque o padeiro está com muita raiva para falar com os fregueses, ninguém tem mais leite porque o leiteiro está muito estressado porque o sol brilha o dia todo e quando chove é porque a chuva é molhada.” - disse ela muito triste.

    “Compreendo." - disse o vô. - Isso é realmente um motivo para estar ansiosa". - disse ele.

    Então princesa falou:

    “Eu vim até aqua porque pensei que o senhor talvez tenha um feitiço que possa destruír o feitiço do velho Zaír.”

    O avô pensou por alguns segundos e disse:

    “Não. Eu sinto muito. Não tenho nenhum.”

    A princesa Ciranda ficou ainda mais triste.

    “Mas eu sei quem pode ajudar. Me abra na página 42.”

    Mais do que depressa, Ciranda abriu o vô e acabou batendo com o rosto dele com muita força no chão.

    “Ai! Cuidado com o nariz” - gritou ele.

    “Desculpa.”

    Ela olhou a página.

    “Aqui diz… ‘Em uma caverna no topo da montanha azul, mora o velho dragão de gelo, uma lágrima dele é capaz de curar até o mais perverso feitiço.”

    Ela fechou o livro e o avô falou:

    “Exatamente. Você terá que ir até o Dragão de Gelo e fazer com que ele chore.”

    A princesinha ficou confusa.

    “E o que eu vou fazer? Pisar no pé dele?”

    O vô riu.

    “Mas é claro que não. Tem que ser um choro de felicidade. Mas tem uma coisa… Só se pode acordar um dragão de gelo falando a seguinte frase, na antiga língua mágica.”

    O vô falava e Ciranda prestava muita antenção.

    “A frase é: ’ Anê charnýanê al untín’aniê ertandí’aniê Vig’hamný‘.

    “Ah… - disse ela. - Essa língua mágica? Sem problemas! Eu sei tudo de cor.” O vô disse.

    “Ciranda…tome muito cuidado, essa é uma língua muito complicada…”

    “ Pode deixar… - disse a princesa, colocando o avô de lado. - Eu não erro não. Obrigada vô.”

    A princesa saiu correndo, foi até o seu quarto, pegou uma capa, sua varinha de condão e partiu sem dizer nada a ninguém.

    Durante dez dias e dez noites a princesinha andou. Ela dormia protegida pela árvores e animais da floresta; e comia sempre frutas que os pássaros traziam.

    Quando já estava muito cansada, a princesa viu, finalmente, a Montanha Azul e partiu para lá cheia de esperanças. Ela escalou. Quando estava lá no alto, logo avistou a caverna e correu para ela. Lá chegando ela gritou:

    “Zandíandê naian al Cardeniá ni jin mantchandê yan Mahtená ninhê hartzení.”

    Ela apontou sua varinha e ficou esperando. De repente ela ouviu passos se aproximando e de dentro da caverna saiu o enorme Dragão de Gelo. Ele respirava fundo, estava irritado e foi falando.

    “Você, bruxinha abusada… Vem até a minha casa para me pedir uma coisa dessas?”

    Ciranda ficou confusa, ela havia dito uma coisa tão bonita. Mas aí o dragão falou.

    “Você disse: ‘Vá até a padaria e me traga um sorvete de frango!’ - disse o dragão, soltando vapor de gelo seco pelo nariz.

    A princesa encolheu-se.

    “Oops…" - disse ela. - "Mas não foi isso que eu quis dizer". - ela coçou a cameça. - "Como era mesmo?…" ela pensou, pensou, até que lembrou. "Já sei!" - gritou ela e respirando fundo, disse devagar. “Anê charnýanê al untí’aniê ertandí’aniê Vig’haminý. - ela olhou para ele e perguntou: “Agora eu disse: 'Você é a nossa única esperança'. Não disse?”

    Ele bufou.

    “É… agora você disse. Mas isso não me interessa não. Dá o fora!" - disse ele, voltando para sua caverna.

    Muito chateada e decepcionada a princesa perguntou.

    “Você não vai me ajudar?”

    Muito seco, ele respondeu.

    “Não!” - disse ele, andando para a caverna.

    A princesa tentou falar.

    “Mas…”

    “Não me interessam os seus motivos… Vá embora.”

    Ciranda ficou tão triste; e gritou com ele.

    “Escuta aqui seu dragão velho e rabugento. Eu viajei dez dias e dez noites para vir até aqui te implorar por ajuda e você não vai nem mesmo me escutar!”
    O dragão disse calmamente.

    “Exato.”

    Ciranda ficou com raiva.

    “Você é um... É um... Rabugento!” - disse ela bem alto, não encontrando uma palavra melhor.

    O dragão virou e disse com sua voz estridente:

    “Cuidado com as suas palavras, eu sou muito maior que você… "- disse ele. "Não tem medo de mim.”
    A princesa cruzou os braços e disse.

    “Na-na-ni-na-não”

    O dragão ficou com raiva e falou ainda mais alto.

    “Eu posso soprar e te congelar.”

    Mas a princesa não era boba e levantou a varinha.

    “E eu posso te enfeitiçar.”

    Ficou um silêncio no ar. Ciranda quebrou-o:

    “Sabe o que é?… O velho Zaír enfeitiçou o meu reino, ele fez todo mundo ficar mau. Até a minha mamãe e o meu papai. Eles parecem que nem gostam mais de mim, ficam brigando comigo o tempo todo, até quando eu não falo nada… E eu sinto falta do meu beijinho de boa noite, do jantar e das estórias antes de dormir… Eu tenho medo de perder os meus pais, porque eles vão acabar morrendo de tanta maldade e infelicidade. Por isso eu preciso de uma lágrima sua, só uma. Senão eu vou perder o meu papai e a minha mamãe.”

    A princesinha já estava chorando e o dragão falou:

    “Isso não é problema meu.”

    Ciranda respirou fundo.

    “Você não tem nem compaixão? Nasceu de um ovo, por
    acaso?!”
    - perguntou ela, enxugando os olhos.

    E ele disse:

    “Nasci. Eu sou um dragão!”

    Mas ela não se deu por vencida e respondeu.

    “Mas tinha, com certeza, uma mãe!”

    O Dragão de Gelo ficou quieto por um momento e depois falou.

    “Se era só isso o que queria, pode ir…”

    Ciranda abaixou a cabeça e muito, mas muito triste, pegou o
    caminho de volta para casa, até que uma voz atrás dela disse:

    “Eu vou com você". - era o Dragão de Gelo, que parecia arrependido. - "Te levo até em casa. Já é lua cheia e os monstros saem na lua cheia para caçar… Mas não me peça para chorar, porque isso eu não faço.”

    Mais aliviada, mas ainda chateada, Ciranda aceitou a companhia do Dragão de Gelo. E por dez dias e dez noites eles viajaram até Felícia, percorrendo os perigos da floresta e conversando. Para a surpresa da princesinha, o dragão falou de sua vida, de como se perdeu de sua famíla e como foi parar sozinho na caverna da Montanha Azul.

    Então, após lutarem contra monstros e rirem bastante, eles chegaram em Felícia, e foi exatamente no momento em que o velho Zaír ia tomar o reino para si. Porque o rei e a rainha já estavam tão doentes de raiva, que já não se importavam mais com ninguém.

    Ciranda pensou ser o fim de tudo, não haveria mais Felícia, nem alegria, nem seu pai, nem sua mãe e nem os seus amigos, ela começou a chorar, e com o barulho que fazia chamou a atenção do velho Zaír.

    “Ora, ora…" - disse ele - "Eu já ia me esquecendo da princesinha… E ela até trouxe o Dragão de Gelo para ajudar sua família, que bonitinho! Sinto muito, nada vai adiantar, porque eu já tenho o reino.” - disse Zaír, que levantou as suas mãos e preparou-se para enfeitiçar Ciranda.

    Rapidamente o Dragão de Gelo pulou na frente da menina e soprou a mágia para longe.

    O velho ficou irritado e falou:

    “Você há de pagar, velho dragão!”

    E se preparou para jogar um feitiço muito mau e sem cura no Dragão de Gelo, quando, de repente, a princesa Ciranda gritou:

    “Não faça nada com ele, ele é meu amigo”

    Tudo ficou em silêncio e no coração do Dragão ele sentiu uma coisa estranha, era amizade, e com esse sentimento desconhecido veio uma enorme vontade de chorar e assim ele fez. As lágrimas do Dragão de Gelo cairam no chão, fazendo acordar todo o reino de feitiço de Zaír. Com medo da multidão enfurecida, o velho feiticeiro saiu correndo para nunca mais voltar.

    Ciranda abraçou seu pai e sua mãe, que estavam bons
    novamente. O reino todo estava sorrindo. Tudo voltara a normalidade. E dizem que depois deste dia, o Dragão de Gelo passou a morar e proteger Felícia, para que nunca mais faltasse felicidade e amor em nossos corações.[/align][align=justify][/align]

    [attachment=1260]
    Esse é o Vovô, eu fiz para contar a história para as crianças! hahahahaha:rofl:
     
  2. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    Legal.
    Principalmente o avô no livro.
     
  3. imported_Ariane

    imported_Ariane Usuário

    Obrigada, Clara.
    O vovô também é o favorito das crianças!:rofl:
     
  4. Marcileia

    Marcileia Usuário

    Parabéns
    Uma ótima história!!!
     
  5. imported_Ariane

    imported_Ariane Usuário

    Obrigada, Marcileia.

    Quando eu escrevi esta histórinha não pensei que ia dar certo.:rofl: Jamais acreditei que seria capaz de escrever alguma coisa para crianças, porque eu sou muito dramática, tudo o que eu escrevo tem uma mensagem sobre o sentido da vida, morte, destino e por aí vai. Mas depois eu senti o termômetro das crianças. O Feedback foi incrível, nunca imaginei que eles iam gostar tanto!:timido:
    Depois eu escrevi uma série para eles, começando por: Laíla e os Piratas da Ilha Saluá.
    Quem sabe eu não poste aqui?:timido:

    Abraços. :tchauzim:
     
  6. Marcileia

    Marcileia Usuário

    Poste mesmo!!!
    Quero ler esse para o meu afilhado!!!! Acho que ele vai gostar!!!!
     

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