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A Cozinha Das Escritoras - Stefania Aphel Barzini

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Helena's, 8 Fev 2014.

  1. Helena's

    Helena's Usuário

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    As escritoras e a cozinha

    A partir de biografias curtas, mas suculentas, livro traz dez mulheres míticas à mesa

    FERNANDA MENEGUETTICOLABORAÇÃO PARA A FOLHA


    "Porque a mulher, responsável por excelência pela nutrição, sabe que por meio da comida transmite-se muito mais, não somente sabores e sensações, mas também histórias, emoções, medos, dores e sentimentos. E sabedoria".

    A tese é da italiana Stefania Aphel Barzini, autora do recém-lançado "A Cozinha das Escritoras". O livro reúne mulheres para quem os aromas, sabores e preparos no fogão foram mais do que receitas.

    Stefania é obcecada por comida. Ao buscar o significado dos espaços em que dez escritoras famosas cozinhavam ou comiam, a autora achou na literatura reflexos da relação delas com os alimentos.

    A partir desta intimidade, analisou suas biografias. E, por sorte, até descobriu que algumas dessas cozinhas, como a de Agatha Christie, a rainha dos crimes, ainda resistem fisicamente.

    Pode não ser óbvio ligar Virginia Woolf à culinária, afinal, ela era anoréxica. No entanto, assim como era animada e extrovertida quando não estava deprimida, ela também valorizava o deleite da comida, fosse em romances, ensaios, cartas ou diários.

    Dias antes de se suicidar escreveu: "Ter interesses é essencial. E agora, com certo prazer, percebo que são 19h e devo preparar o jantar. Bacalhau e linguiças".

    A relação da inglesa com a comida era turbulenta, ia do amor ao ódio --Virginia chegava a se convencer que ficava mal por ser gulosa, mas, internada, via os alimentos (ainda que chocolates e biscoitos) como instrumentos de cura, de vida.

    Na ficção, ela recorria a analogias "gastronômicas", o corpo de uma menina que era como bacon, o rosto gordo de uma senhora parecia um muffin, homens tinham olhos acinzentados como os de peixe cozido.

    "Amo comer, livros e comida, comida e livros. Desde que eu era pequena, sempre gostei de me sentir entupida de tanto comer", registrou a americana Gertrude Stein.

    Seu casamento homossexual com Alice B. Toklas, apelidada de "cake" (bolo) e "lobster" (lagosta), foi todo permeado pela gula. Os jantares que ofereciam em Paris, aos sábados, ganharam fama, tanto por receber artistas, como pelos banquetes em si.

    Nesse sentido, o "robalo Picasso", coberto por maionese e molho de tomate e salpicado por ervas e trufas é um símbolo. Suas viagens eram pautadas pelo que poderiam comer e a fome durante a Segunda Guerra foi driblada pela horta cuidada com afinco, pelos peixes do rio Ródano e pela adega.

    Quem sentiu mais as asperezas desse período foi Simone de Beauvoir. A francesa desprezava o esforço de cozinhar e preferia comer em restaurantes.

    Na teoria, achava que a culinária até poderia exercitar a criatividade da mulher, mas era uma atividade opressora, burguesa. No fundo, gostava de comer e usava a comida para acarinhar: no início de seu relacionamento com o filósofo Jean-Paul Sartre, roubava queijos, embutidos e pães de mel na casa dos pais para servir ao amante.

    Ao longo de dez curtas biografias, o livro traz uma cozinha feminina. Uma cozinha mais afetiva do que cerebral, na qual os sabores à mesa podem ser menos importantes que uma boa história, a noção de ritual ou o simples gesto de compartilhar.

    VIRGINIA WOOLF
    Quando criança, a inglesa que escreveu "Mrs. Dalloway", era louca por torta de ameixa. Ao longo da vida, seus três ingredientes favoritos foram: chocolate, maçã e pão

    COLETE
    Entre as predileções da romancista francesa, cassoulet e kulibiac de salmão (uma massa folhada envolve o peixe, espinafre e cogumelos)

    KAREN BLIXEN
    Autora de "A Festa de Babette", a dinamarquesa morreu de desnutrição, acreditando que jejuns traziam grandeza. Apesar disso, adorava chocolate e vinho

    GERTRUDE STEIN
    Glutona e apaixonada pela culinária francesa, a poeta era fã de gelatina de foie gras. Rosbifes e tortas de frutas ao estilo americano também lhe falavam ao coração

    AGATHA CHRISTIE
    A dama dos best-sellers policiais era fascinada por creme de leite. Deixava uma xícara cheia ao lado de sua máquina de escrever

    GRAZIA DELEDDA
    A italiana, vencedora do Nobel de literatura de 1926, cultivava alface e alcachofra e passou boa parte da vida entre a escrita e o fogão. Para ela, o pão era o mais sagrado dos alimentos

    HARRIET BEECHER STOWE
    Para a abolicionista americana, a comida unia as pessoas --a família, os escravos e os patrões. O milho foi usado como símbolo de harmonia

    ELSA MORANTE
    Aos quatro anos de idade, a poeta e romancista italiana aprendeu a ler e a amar sorvetes

    A COZINHA DAS ESCRITORAS
    AUTORA Stefania Aphel Barzini
    EDITORA Benvirá
    QUANTO R$ 32,90 (240 pgs.)
     

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