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A Carta 144 - As dúvidas de Naomi Mitchison

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Fëaruin Alcarintur ¥, 4 Fev 2003.

  1. Fëaruin Alcarintur ¥

    Fëaruin Alcarintur ¥ Alto-rei de Alcarost

    Essa é um Carta interessantíssima, a meu ver. Aqui a gente nota como Tolkien se sentia lisonjeado quando mostravam grande respeito pela sua obra. Pudera, algo que tomara tanto tempo e tanto labor por parte do professor.
    Essa é uma das Cartas em que ele mostra-se mais simpático com o remetente e mais alegre, vamos assim dizer. E também nota-se a sinceridade e a preocupação de iluminar Naomi que o Professor tem, pelas suas palavras.
    Ele menciona aqui que ele iria trabalhar nos Apêndices para esclarecer muitas dúvidas, entre outros esclarecimentos de Naomi Mitchison, uma leitora realmente perspicaz e com perguntas bastante relevantes. Ah sim, nessa Carta o Big T fala um pouco sobre o nosso bom amigo Tom Bombadil. Também diz que ele mesmo duvida que tenha restado alguma Entesposa, e mesmo assim, o curioso é que a gente vê ele fazendo suposições tão parecidas quanto faríamos nós aqui no Obras. Bom, chega de fala, e vamos ao que interessa.


    A Carta 144

    As dúvidas de Naomi Mitchison



    Carta 144 - Para Naomi Mitchison



    [A Sra. Mitchison tinha lido páginas provas dos primeiros dois volumes da trilogia do Senhor dos Anéis, e escreveu a Tolkien com várias perguntas sobre o livro, perguntas que envolviam nomenclatura, geografia, fatos históricos e biograficos, e outros pequenos detalhes que apenas os leitores mais atentos iriam se dar ao trabalho de perceber. Infelizmente a carta original enviada pela Sra. Mitchison não pode ser recuperada, mas os arquivos de meu pai (o professor Tolkien) tinham uma cópia de sua carta enviada em resposta, a qual transcrevo abaixo:]


    --------------------------------------------------------------------------------

    25 de abril de 1954
    76 Sandfield Road, Headington, Oxford,

    Cara Sra. Mitchison,

    Foi rude e ingrato de minha parte não ter acusado o recebimento, ou não ter lhe agradecido pelas suas cartas, presentes, e recordações anteriores - ainda mais assim, uma vez que seu interesse, de fato, tem sido um grande conforto para mim e encorajamento no desespero que naturalmente acompanha o labor de publicar de fato tal trabalho como O Senhor dos Anéis. Mas é muito infortunado que isto tenha coincidido com um período de trabalhos pesados e deveres em outras funções excepcionalmente, de forma que eu tenha estado às vezes quase enlouquecido.

    Eu tentarei responder suas perguntas, e posso dizer que elas são muito bem-vindas. Gosto das coisas desenvolvidas em detalhes, e de respostas fornecidas a todas as perguntas razoáveis. Sua carta vai, eu espero, me guiar em escolher o tipo de informação a ser fornecida (como prometido) em um apêndice, e consolidar meu estilo com os editores. Uma vez que o terceiro volume será bem mais fino que o segundo (os eventos se movem mais rapidamente, e menos explicações são necessárias), haverá, eu acredito uma certa quantia de espaço para tal assunto. Meu problema não é a dificuldade de fornecer isto, mas de escolher a parcela de material que seja absolutamente relevante a partir da massa de material que eu já compus.

    Existe é claro um conflito entre técnica 'literária', e a fascinação de elaborar uma Era mítica imaginária em detalhes (mítica, não alegórica: minha mente não trabalha alegoricamente). Como uma história, eu penso que seja bom que houvesse muitas coisas inexplicadas (especialmente se uma explicação na verdade existe); e tenho talvez deste ponto de vista errado em tentar explicar demais, e mostrar muita história passada. Por exemplo, muitos leitores mais propriamente toleraram a longa discussão que inseri no Conselho de Elrond do que a apreciaram. E até mesmo em uma Era mítica devem haver alguns enigmas, como sempre há. Tom Bombadil é um (intencionalmente).

    Mas como muita história adicional (voltada ao passado) como qualquer um poderia desejar de fato existe no Silmarillion e histórias relacionadas e poemas, compondo a História dos Eldar (Elfos). Eu acredito que no caso (que parece muito para esperar) de pessoas suficientes estarem interessadas em O Senhor dos Anéis para pagar o custo de sua publicação, os editores valentes podem considerar imprimir algo disso. O Silmarillion foi escrito, de fato, em primeiro lugar, e eu desejava ter a matéria emitida em ordem histórica, o que teria economizado muita alusão e explicação no livro presente. Mas não pude conseguir que isto fosse aceito. O terceiro volume foi concluído, é claro, há anos atrás, até onde o conto vai. Terminei tal revisão, como parecia necessário, e irá ser montado quase imediatamente. Enquanto isso estou aplicando os fragmentos de tempo que eu tenho para fazer versões comprimidas de tal material histórico, etnográfico, e lingüístico à medida que possa entrar no Apêndice. Se lhe interessar, eu lhe enviarei uma cópia (bastante rústica) do material que lida com Idiomas (e Escrita), Povos e Tradução.

    A última me incumbiu muito raciocínio. Esta parece raramente ser considerada importante por outros criadores de mundos imaginários, porém talentosos como narradores (como Eddison). Entretanto sou um filólogo, e muito embora devesse gostar de ser mais preciso em outros aspectos e características culturais, isso não está dentro da minha competência. De qualquer maneira 'o idioma' é o mais importante, pois a história tem que ser contada, e o diálogo conduzido em um idioma; mas o Inglês não pode ter sido o idioma de quaisquer povos naquele tempo. O que eu tenho de fato feito é comparar o Westron ou a amplamente propagada Linguagem Comum da Terceira Era com o inglês; e traduzir tudo, inclusive nomes como O Condado que estava no Westron em termos ingleses com alguma diferenciação de estilo para representar diferenças dialetais. Idiomas bastante diferentes da Linguagem Comum foram deixadas exclusivas. Com exceção de alguns fragmentos na Fala Negra de Mordor, e alguns nomes e um grito de batalha no Idioma dos Anões, esses são quase totalmente Élficos (Eldarin).

    Porém, Idiomas que eram relacionados ao Westron apresentaram um problema especial. Eu os transformei em formas de linguagem relacionadas ao inglês. Uma vez que os Rohirrim são representados como recém chegados do Norte, e usuários de um idioma Masculino arcaico relativamente não afetado pela influência do Eldarin, eu transformei os seus nomes em formas como (mas não idênticas a) o Inglês Antigo. O idioma de Vale e do Grande Lago iria, se aparecesse, ser representado como mais ou menos Escandinavo em caráter; mas somente é representado por alguns nomes, especialmente aqueles Anões que vieram desta região. Estes são todos nomes Escandinavos Antigos dos Anões.

    (Anões são representados como mantendo a sua própria língua nativa mais ou menos secreta, e usando para todos propósitos 'exteriores' o idioma dos povos que morassem próximos; eles nunca revelam os seus próprios 'verdadeiros' nomes pessoais na sua própria língua.)

    O Westron ou Linguagem Comum é suposto para ser derivado do idioma Adûnaic Masculino dos Númenorianos, se estendendo dos Reinos Númenorianos nos dias dos Reis, e especialmente de Gondor onde permanece falado em estilo mais nobre e bastante mais antigo (um estilo também usualmente adotado pelos Elfos quando eles usam este idioma). Mas todos os nomes em Gondor, com exceção de alguns de origem supostamente pré-histórica, são de forma Élfica, uma vez que a nobreza Numenoriana ainda usava um idioma Élfico, ou poderia usar. Isto era porque eles tinham sido aliados dos Elfos na Primeira Era, e a eles tinha sido concedida a ilha Atlantis de Númenor por essa razão. Duas das línguas Élficas aparecem neste livro. Elas têm algum tipo de presença, uma vez que eu as compus em alguma integralidade, como também a sua história e relato da sua relação. Elas são planejadas (a) para ser definitivamente de um tipo Europeu em estilo e estrutura (não em detalhes); e (b) ser especialmente agradável. O anterior não é difícil de alcançar; mas o último é mais difícil, uma vez que as predileções pessoais dos indivíduos, especialmente na estrutura fonética de idiomas, varia amplamente, até mesmo quando modificadas pelos idiomas impostos (incluindo sua denominada língua 'nativa').

    Eu, entretanto, agradei a mim mesmo. O idioma arcaico de tradição é tencionado para ser um tipo de 'Latim-Élfico', e transcrevendo este em uma ortografia que se assemelha proximamente aquela do Latim (exceto que o y só é usado como uma consoante, como y em Inglês Yes) a semelhança com o Latim foi aumentada visivelmente.

    De fato poderia ser dito que é composto em uma base de Latim com dois outros ingredientes (principais) que acontecem para me dar 'prazer fonoestético': Finlandês e Grego. É, porém menos consonantal que qualquer dos três. Este idioma é chamado de Alto-Élfico ou em seus próprios termos, Quenya. O idioma ativo dos Elfos Ocidentais (Sindarin ou Elfos-cinzentos) é o idioma usualmente encontrado, especialmente em nomes. Este é derivado de uma origem comum a este e ao Quenya; mas as mudanças foram deliberadamente inventadas para conferir a este um caráter lingüístico muito semelhante (entretanto não idêntico) ao Galês Britânco: porque esse é um caráter que eu acho, em alguns modos lingüísticos, muito atraente; e porque parece se ajustar com o estilo bastante 'Céltico' de lendas e histórias contadas por seus oradores.

    'Elfos' é uma tradução, talvez agora não muito satisfatória, mas originalmente boa o bastante, da palavra Quendi. Eles são representados como uma raça semelhante em aparência (e mais então o passado mais distante) aos Homens, e em dias anteriores da mesma estatura. Eu não entrarei aqui nas suas diferenças dos Homens! Mas eu suponho que os Quendi são de fato nestas histórias muito pouco aparentados com os Elfos e Fadas da Europa; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu deveria dizer que eles realmente representam os Homens com faculdades estéticas e criativas grandemente melhoradas, maior beleza e vida mais longa, e nobreza - os Filhos Mais Velhos, predestinados a desvanecer antes dos Seguidores (os Homens), e a viver em última instância somente pela linha fina do seu sangue que fora misturado com aquele dos Homens, dentre os quais estava o único clamor real para 'nobreza'.

    Eles são representados como tendo ficado logo divididos em duas ou três, variedades. 1º, Os Eldar que ouviram a convocação dos Valar ou dos Poderes para passar da Terra-média através do Mar para o Oeste; e 2º, os Elfos Inferiores que não responderam a este chamado. A maioria dos Eldar depois de uma grande marcha chegou às Orlas Ocidentais e passaram através do Mar; estes eram os Altos Elfos que foram aumentados imensamente em poderes e conhecimento. Mas parte deles na ocasião permaneceu nas terras costeiras do Noroeste: estes eram os Sindar ou Elfos Cinzentos. Os Elfos inferiores dificilmente aparecem, exceto como parte dos povos do Reino dos Elfos; da Floresta das Trevas Do norte, e de Lórien, regidas pelos Eldar; seus idiomas não aparecem.

    Os Altos Elfos encontrados neste livro são Exilados, que retornaram através do Mar para a Terra-média, depois de eventos que são a questão principal do Silmarillion, parte de um dos principais clãs dos Eldar: os Noldor (os Mestres da Tradição). Ou melhor, um último vestígio destes. Pois o próprio Silmarillion e a Primeira Era terminaram com a destruição do mais antigo Senhor do Escuro (de quem Sauron era um mero tenente), e a reabilitação dos Exilados que voltaram novamente através do Mar. Aqueles que hesitaram eram aqueles que estavam apaixonados pela Terra-média e ainda desejavam a beleza inalterada da Terra dos Valar. Por isso a fabricação dos Anéis; pois os Três Anéis foram precisamente dotados com o poder da preservação, não do nascimento. Embora inviolados, porque eles não foram feitos por Sauron nem foram tocados por ele, eles eram, todavia parcialmente produtos da sua instrução, e em última instância estavam sob o controle do Um Anel. Assim, como você verá, quando o Um se vai, os últimos defensores da tradição e da beleza dos Altos-Elfos são despojados de poder para deter o tempo, e partem.

    Eu sinto muito pela Geografia. Deve ter sido terrivelmente difícil sem um mapa ou mapas. Haverá no volume I um mapa de parte do Condado e um mapa geral em pequena escala do cenário inteiro de ação e referência (de qual o mapa ao término de O Hobbit é o canto Nordeste). Estes foram desenhados a partir de mapas menos elegantes pelo meu filho, Christopher, que é instruído neste conhecimento. Mas tive só uma prova e essa teve que voltar. Eu comecei sabiamente com um mapa, e fiz a história ajustada a este mesmo mapa (geralmente com cuidado meticuloso para distâncias). O outro modo quase conduz a pessoa a confusões e impossibilidades, e em todo caso é um trabalho cansativo compor um mapa a partir de uma história - como eu receio que você tenha achado.

    Eu não posso lhe enviar meus próprios mapas de trabalho; mas talvez estes desenhos muito rústicos e não inteiramente precisos, feitos apressadamente e em momentos diferentes para os leitores, seriam de alguma ajuda. Talvez quando a senhora tiver terminado com estes mapas ou feito algumas notas não se importe em os mandar de volta. Eu os acharei úteis em fazer um pouco mais; mas não posso chegar a isso ainda. Posso dizer que os mapas de meu filho estão lindamente claros, até onde a redução na reprodução permite; mas eles não contêm tudo, ai de mim!

    Algumas respostas perdidas. Dragões. Eles não tinham sido abolidos; uma vez que foram ativos em tempos distantes tardios, próximos do nosso próprio tempo. Eu disse qualquer coisa que sugere o desenlace final dos dragões? Nesse caso deveria ser alterado. A única passagem de que posso pensar é Vol. I pág. 70: 'agora não sobrou nenhum dragão na terra cujo velho fogo seja quente o suficiente'. Mas isso implica, eu penso, que ainda há dragões, se não com a sua completa estatura primitiva. Eu tenho uma longa tabela histórica de eventos do princípio ao Fim da Terceira Era. Está bastante cheia; mas concordo que uma forma pequena, contendo eventos importante para este conto seria bastante útil. Se você quiser cópias digitadas de algum deste material: eg. Os Anéis de Poder; A Queda de Númenor; as Listas dos Herdeiros de Elendil; a Casa de Eorl (Genealogia); Genealogia de Durin e dos Senhores-Anões de Moria; e O Conto dos Anos (especialmente aqueles da Segunda e Terceira Eras), eu tentarei e conseguirei estas cópias logo.

    Orcs (a palavra é até onde me diz respeito derivada de fato do Inglês Antigo orc 'demon', mas só por causa de sua adequação fonética) não é em nenhuma parte claramente declarado para ser de qualquer origem em particular. Mas desde que eles são os servos do Senhor do Escuro, e depois de Sauron, nenhum dos quais poderia, ou iria, produzir coisas viventes, eles devem ser 'corrupções'. Eles não são baseados em minha experiência direta; mas devem, suponho, uma boa porção a tradição dos goblins (orcs) (goblin é usado como uma tradução em O Hobbit onde orc só ocorre uma vez, eu penso), especialmente como aparece em George MacDonald, com exceção dos pés suaves nos quais eu nunca acreditei. O nome tem a forma orch (plural yrch) em Sindarin, e uruk na Fala Negra de Mordor.A Fala Negra só era usada em Mordor; só ocorre na inscrição do Anel, e uma oração articulada pelos Orcs de Barad-dûr (Vol. II pág. 48) e na palavra Nazgûl (cf. nazg na inscrição do Anel). A Fala Negra nunca era usada espontaneamente por quaisquer outras pessoas, e conseqüentemente até mesmo os nomes de lugares em Mordor estão em inglês (para a Linguagem Comum) ou Élfico. Morannon é apenas o Élfico para Portão Negro; cf. Mordor significa Terra Negra, Mor-ia Fenda Negra, Mor-thond Raiz-negra (nome de um rio). Rohir-rim é o nome Élfico (Gondoriano) para as pessoas que se chamavam os Cavaleiros do Marco ou Eorlings. A formação não é planejada para se assemelhar ao hebreu. Os idiomas Eldarin distinguem em formas e uso entre um 'partitivo' ou plural 'particular', e o plural geral ou total. Assim yrch 'orcs, alguns orcs, des orques' ocorrem no vol I pp. 359,402; os Orcs, como uma raça, ou o todo de um grupo previamente mencionado teria sido orchoth. No Élfico-Cinzento os plurais gerais muito freqüentemente eram feitos somando a um nome (ou a um nome de lugar) alguma palavra significando 'tribo, tropa, horda, povo'. Assim Haradrim os Sulistas: Quenya rimbe, Sindarin rim, tropa; Onod-rim os Ents. Os Rohirrim é derivado de roch (rocha) (Quenya rokko) horse (cavalo), e o Élfico stem kher - 'possuir'; de onde Sindarin Rochir 'senhor dos cavalos', e Rochir-rim 'a tropa dos Senhores dos cavalos'. Na pronunciação de Gondor o ch (como em Alemão, Galês, etc) tinha sido suavizado a um som de h; assim em Rochann 'Hippia' para Rohan.

    Beorn está morto; veja vol. I pág. 241. Ele apareceu em O Hobbit. Era então o ano 2940 da Terceira Era (Na contagem do Condado 1340). Nós estamos agora nos anos 3018-19 (1418-19). Entretanto, apesar de sua mudança de pele que sem nenhuma dúvida tinha um pouco de mágica, Beorn era um Homem.

    Tom Bombadil não é uma pessoa importante - para a narrativa. Eu suponho que ele tenha um pouco de importância como um 'comentário'. Eu quero dizer, eu realmente não escrevo assim: ele é apenas uma invenção (que apareceu primeiro na Revista de Oxford por volta de 1933), ele representa algo que eu sinto ser muito importante, embora não esteja preparado para analisar este sentimento precisamente. Porém, não o teria deixado lá, se ele não tivesse algum tipo de função. Poderia pôr isto deste modo: a história é projetada em termos de um lado bom, e um lado mau, beleza contra feiúra desumana, tirania contra monarquia, liberdade moderada com consentimento contra compulsão que perdeu há muito tempo qualquer objetivo exceto mero poder, e assim por diante; mas ambos os lados em algum grau, conservador ou destrutivo, querem uma medida de controle. Mas se você tem, como isto foi tirado 'um voto de pobreza', controle renunciado, e tira seu encanto em coisas para eles mesmos sem referência para você, assistindo, observando, e até certo ponto sabendo, então a questão dos certos e errados do poder e controle poderia ficar totalmente sem sentido, e os meios de poder bastante sem valor. É uma visão pacifista natural que sempre surge na mente quando há uma guerra. Mas a visão de Valfenda parece ser que esta é uma excelente coisa para se ter representada, mas que há de fato coisas que não se pode enfrentar; e das quais sua existência todavia depende. No final das contas só a vitória do Oeste permitirá a Bombadil continuar, ou até mesmo sobreviver. Nada seria deixado para ele no mundo de Sauron.

    Tom não tem nenhuma conexão na minha mente com as Entesposas. Qualquer que tenha sido o destino das Entesposas, ele não está resolvido neste livro. Tom é, de certo modo, a resposta para elas no sentido que ele é quase o oposto, sendo digamos, Botânica e Zoologia (como ciências) e Poesia como oposto a prática da Pecuária e Agricultura.

    Eu penso que de fato as Entesposas tenham desaparecido para sempre, sendo destruídas com os seus jardins na Guerra da Última Aliança (Segunda Era 3429-3441) quando Sauron perseguiu uma política de terra devastada, e queimou a terra delas tentando retardar o avanço dos Aliados descendo o Anduin (o vol. II pág. 79 se refere a isso). Elas só sobreviveram na 'agricultura' transmitida aos Homens (e Hobbits). Algumas, naturalmente, podem ter fugido para o leste, ou até mesmo foram escravizadas: tiranos até mesmo em tais contos devem ter um acompanhamento econômico e agrícola para os seus soldados e forjadores. Se qualquer uma sobreviveu então, elas realmente seriam alienadas para longe dos Ents, e qualquer reaproximação seria difícil - a menos que a experiência da agricultura industrializada e militarizada as tivesse feito um pouco mais anárquicas. Eu espero que sim, mas não sei.

    As crianças Hobbits eram deleitáveis, mas eu receio que os únicos vislumbres delas neste livro são encontrados no começo do volume I. Um epílogo que dá um vislumbre adicional (entretanto de uma família bastante excepcional) foi tão condenado por todos que decidi não inseri-lo no livro. A pessoa tem que parar em algum lugar.

    Sim, Sam Gamgee é de certo modo uma relação de Dr. Gamgee, em que o seu nome não teria tomado aquela forma, se eu não tivesse ouvido falar do 'tecido de Gamgee'; havia, eu acredito, um Dr. Gamgee (sem dúvida da família) em Birmingham quando eu era criança. O nome foi de qualquer modo sempre familiar para mim. Gaffer Gamgee surgiu primeiro: ele era um personagem legendário para minhas crianças (baseado em um capataz da vida real, não naquele nome). Mas, como você achará explicado, neste conto o nome é uma 'tradução' do real nome Hobbit, derivado de uma aldeia (dedicada à feitura de cordas) anglicanizado como Gamwich (pronúncia Gammidge), perto do Campo da Corda (veja vol. II pág. 217). Uma vez que Sam era amigo íntimo da família Cotton (Algodão) (outro nome de aldeia), eu fui desviado para a brincadeira Hobbit de ortografia Gamwichy Gamgee.

    Não há nenhum oposto preciso aos Magos - uma tradução (talvez não satisfatória, mas ao longo distinguida de outros termos 'mágicos') do Quenya Élfico, Istari. A origem deles não foi conhecida a qualquer um senão a uns poucos (como Elrond e Galadriel) na Terceira Era. É dito que apareceram primeiro por volta do ano 1000 da Terceira Era, quando a sombra de Sauron começou a crescer novamente sob uma nova forma. Eles sempre pareceram velhos, mas ficaram mais velhos com os seus trabalhos, lentamente, e desapareceram com o fim dos Anéis. Eram considerados por serem os Emissários (nos termos deste conto do Oeste Distante além do Mar), e sua função própria, mantida por Gandalf, e pervertida por Saruman, era encorajar e instigar os poderes nativos dos Inimigos de Sauron. O oposto de Gandalf era, estritamente, Sauron, em uma parte das operações de Sauron; como Aragorn era em outra parte.

    O Balrog é um sobrevivente do Silmarillion e das lendas da Primeira Era. Assim é Shelob. Os Balrogs, de quem os chicotes eram as armas principais, eram os mais antigos espíritos de fogo destruidor, principais servos do mais antigo Senhor do Escuro da Primeira Era. Era suposto que eles tivessem sido todos destruídos na subversão das Thangorodrim, sua fortaleza no Norte. Mas aqui é encontrado (normalmente há um declínio nele especialmente do mal de uma era para outra) que um deles tinha escapado e obtido refúgio sob as montanhas de Hithaeglin. É interessante observár que só o Legolas, o elfo, sabe o que a coisa era - e indubitavelmente Gandalf.

    Shelob (em inglês representando da Linguagem Comum 'she-lob ' = aranha fêmea) é uma tradução de Élfico Ungol 'aranha'. Ela é representada no vol. II pág. 332 como descendente das aranhas gigantes dos vales de Nandungorthin que entram nas lendas da Primeira Era especialmente a principal delas, o conto de Beren e Lúthien. Esta é constantemente referida, uma vez que como Sam aponta (vol. II pág. 321) esta história é de certo modo somente uma continuação adicional desta lenda. Ambos Elrond (e a sua filha Arwen Undómiel, que se assemelha proximamente a Lúthien em aparência e destino) são descendentes de Beren e Lúthien; e assim muito mais afastado é Aragorn. As aranhas gigantes eram só a descendência de Ungoliant a mais antiga devoradora de luz que em forma de aranha que ajudou o Senhor do Escuro, mas em última instância disputou com ele. Não há assim nenhuma aliança entre Shelob e Sauron, o representante do Senhor do Escuro; só um ódio comum.

    Galadriel é tão antiga ou mais antiga que Shelob. Ela é a última remanescente dos Grandes entre os Altos-Elfos, e nasceu em Eldamar, além do Mar Ocidental, muito tempo antes que Ungoliant viesse para a Terra-média e produzisse suas ninhadas lá. Bem, depois de um longo silêncio você evocou uma resposta bastante longa. Não longa demais, eu espero, até mesmo para tal interesse delicioso e encorajador. Eu estou profundamente agradecido a este; e eu espero que todos que ficam em Carradale aceitem meu obrigado.

    Seu sinceramente,
    J. R. R. Tolkien.
     

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