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2666 (Roberto Bolaño)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Anica, 15 Jul 2010.

  1. Anica

    Anica Usuário

    A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir 2666 em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, “o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou”.

    E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de 2666) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de A parte dos críticos, primeira parte de 2666. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?

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  2. Pips

    Pips Old School.

    Eu ainda não comecei a minha jornada pelo 2666, preciso de mais tempo. Geralmente quando leio Bolaño vou numa tacada só e não gostaria de ter pausas imensas na leitura.
     
  3. Anica

    Anica Usuário

    né? eu comprei o 2666 já tem um tempo, só comecei a ler qdo entrei em licença, pq sabia que poderia ler sem ficar parando (e não é bem o tipo de livro que vc lê de boa no ônibus, né. eu só consigo ler no sofá ou na cama, hehehe)
     
  4. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    a
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    fez uma entrevista recente com o tradutor, eduardo brandão.

     
  5. Anica

    Anica Usuário

    que foi publicada ontem aqui no meia -> http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5007 e comentada/linkada no artigo que abre o tópico...
     
  6. Izze.

    Izze. What? o.O

    Também quero ler Bolaño, e espero começar com 2666 também huhuhu

    Tava meio com o pé atrás, porque teve gente dizendo que outros livros poderiam ser mais "tranquilos", mas se o livro chegar pra mim vou ler sem medo =D
     
  7. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    o legal é q este tópico não aparece pra mim no fórum. só entrando no teu link.
     
  8. Anica

    Anica Usuário

    Não tem pq ter medo mesmo, Izze. Aquela coisa, não dá para dizer que não é uma narrativa complexa, até pelo tamanho dela (mais eventos interligados, digamos assim). Mas não tem nada de hermético, que só quem estude o cara pode tirar algum prazer da leitura. É o primeiro dele que estou lendo e estou me divertindo um monte.

    é, deve ser um bug.
     
  9. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Tô lendo, mas tô bem no começo ainda, lá pela página 100. Até agora não me empolguei o suficiente pra ler o livro sem parar. Tô intercalando com mais duas leituras, e devo começar mais duas amanhã, então devo terminar lá por setembro. A não ser que emplaque.
     
  10. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

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    de
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    , do Estadão.

    Bolaño em demasia

    Na literatura, um dos maiores sucessos de crítica na última década é o chileno Roberto Bolaño, morto prematuramente em 2003, aos 50 anos. Ele começou a publicar aos 40 anos fazendo uma média de um livro por ano, entre contos, novelas, ensaios e romances. A edição póstuma de suas obras em países como EUA e França lhe deu uma reputação intelectual que havia muito um intelectual latino-americano não desfrutava. Gosto muito de livros como Noturno do Chile e Putas Assassinas, mas suas obras mais festejadas nos círculos intelectuais são os romances, Os Detetives Selvagens e 2666. Levei este para a África do Sul e ao longo do mês atravessei suas 850 páginas.

    Soube que Bolaño pretendia provar com eles que era capaz de fazer ficção de fôlego, de grande dimensão, não apenas contos e novelas. Deixou instruções para que 2666 fosse publicado em cinco partes, e o fato de ter dado um título ao conjunto justificou que sua família o publicasse num único volume. Mas confesso que achei chato. Bolaño ora assume um tom secamente objetivo, quase relatorial, ora solta sua conhecida verve, sobretudo contra “círculos intelectuais”, como fizera em Detetives Selvagens. Mas a energia de sua imaginação crítica se perde na infinidade de referências e em frases sem cor como “Lia um gibi e tinha alguma coisa na boca, provavelmente uma bala” e no abuso de “então” como locução.

    Sei que o efeito é intencional, mas os fatos vão se encadeando e os personagens se acumulando, entre cenas de sexo e violência, mas são poucas as recompensas, quer linguísticas, quer existenciais. A história gira em torno da busca de quatro intelectuais por um autor recluso, com o pomposo nome Benno von Archimboldi. A última parte, que se passa na Segunda Guerra, ganha do tema uma força maior, apesar de frases como “o amor é a aparência da paz”. Desconfio que boa parte do prestígio de Bolaño venha dessas tramas sobre escritores, desse pós-modernismo sem muito artifício. Prefiro muito mais o Bolaño dos livros curtos ou, para ir atrás, Borges e Onetti, cada um em seu estilo.

    [spoiler/]
     
  11. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

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    de
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    , do Estadão.

    O artigo não chega a conter um "spoiler", mas acho justo colocar oculto para evitar contaminações na leitura, ainda mais que tem um povo já lendo a "Bíblia"... E eu acho que todo mundo tem que ter direito à sua leitura. Eu sinceramente estou curioso, mas prefiro ler outras coisas no momento e esperar passar a "onda" ou ficar com suas histórias menores...

    Bolaño em demasia

    Na literatura, um dos maiores sucessos de crítica na última década é o chileno Roberto Bolaño, morto prematuramente em 2003, aos 50 anos. Ele começou a publicar aos 40 anos fazendo uma média de um livro por ano, entre contos, novelas, ensaios e romances. A edição póstuma de suas obras em países como EUA e França lhe deu uma reputação intelectual que havia muito um intelectual latino-americano não desfrutava. Gosto muito de livros como Noturno do Chile e Putas Assassinas, mas suas obras mais festejadas nos círculos intelectuais são os romances, Os Detetives Selvagens e 2666. Levei este para a África do Sul e ao longo do mês atravessei suas 850 páginas.

    Soube que Bolaño pretendia provar com eles que era capaz de fazer ficção de fôlego, de grande dimensão, não apenas contos e novelas. Deixou instruções para que 2666 fosse publicado em cinco partes, e o fato de ter dado um título ao conjunto justificou que sua família o publicasse num único volume. Mas confesso que achei chato. Bolaño ora assume um tom secamente objetivo, quase relatorial, ora solta sua conhecida verve, sobretudo contra “círculos intelectuais”, como fizera em Detetives Selvagens. Mas a energia de sua imaginação crítica se perde na infinidade de referências e em frases sem cor como “Lia um gibi e tinha alguma coisa na boca, provavelmente uma bala” e no abuso de “então” como locução.

    Sei que o efeito é intencional, mas os fatos vão se encadeando e os personagens se acumulando, entre cenas de sexo e violência, mas são poucas as recompensas, quer linguísticas, quer existenciais. A história gira em torno da busca de quatro intelectuais por um autor recluso, com o pomposo nome Benno von Archimboldi. A última parte, que se passa na Segunda Guerra, ganha do tema uma força maior, apesar de frases como “o amor é a aparência da paz”. Desconfio que boa parte do prestígio de Bolaño venha dessas tramas sobre escritores, desse pós-modernismo sem muito artifício. Prefiro muito mais o Bolaño dos livros curtos ou, para ir atrás, Borges e Onetti, cada um em seu estilo.

     
  12. Anica

    Anica Usuário

    uia, só 3 parágrafos para falar de uma obra daquele tamanho ele realmente não se empolgou muito. anyway, sobre isso aqui que ele comenta:

    eu acho um comentário meio perigoso quando você está falando de uma tradução (o que parece ser o caso). o vício de linguagem pode ser do brandão, e não do bolaño. não estou querendo justificar nem nada, até pq não li o bolaño no original (e na verdade nem senti qualquer incômodo sobre abuso de "entãos"), mas acho interessante ter um pouco mais de cuidado na hora de criticar quando não estamos falando de uma leitura a partir do original. :think:
     
  13. Luciano Altoé

    Luciano Altoé Usuário

    Anica, parabéns pelo seu comentário sobre a primeira parte de 2666. Eu a estou terminando e concordo plenamente com tudo o que você disse. O ritmo da narrativa é lento e com passagens aparentemente irrelevantes para o desenrolar da trama, porém, já é possível notar que cada trecho funciona como uma pequena peça para um quebra-cabeça gigantesco. Por enquanto, é impossível dizer onde tudo isso vai dar.

    Com relação ao modo de Bolaño narrar a história, tem um pequeno ponto que, em mim, deixou a impressão que qualquer coisa pode acontecer no futuro: o texto segue um ritmo formal por 99% do tempo (adequando-se à natureza acadêmica dos protagonistas), porém, Bolaño acrescenta em alguns palavrões ou expressões pesadas que, no meio do texto, parecem perdidas ou fora do contexto. Por exemplo, quando vai descrever o sexo entre os personagens, inicia a descrição da cena de uma maneira formal, às vezes até fria, para logo após dizer secamente que eles "treparam". É como estivéssemos diante de um animal aparentemente domesticado e que dá o bote sem avisar.

    Esses detalhes salpicados no meio do texto, provavelmente, dirão muito sobre a personalidade dos protagonistas no desenrolar da trama. Tenho certeza que a construção será lenta e que muitas reviravoltas acontecerão. Algumas expressas, outras veladas.

    Um abraço!
     
  14. kika_FIL

    kika_FIL Usuário

    Comentário flooder :happyt: Faz alguns posts que o Zeca Camargo tem falado de 2666 no blog dele... quando sair a resenha volto aqui...
     
  15. Pips

    Pips Old School.

    Tony Belloto escreveu na coluna dele um texto bem humorado sobre o processo de ler 2666:

     
  16. Lilian Sinfronio

    Lilian Sinfronio Usuário

    Pips, achei muito bom o texto.

    Passei na livraria ontem procurando pelo Bolañaço (como disse Belloto) mas a bagatela de $56,00 não me permitiu a extravagancia (principalmente no meio do mês XD)
     
  17. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

  18. Anica

    Anica Usuário

    Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar aqui.

    Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um – até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.

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  19. Anica

    Anica Usuário

    Dando continuidade à leitura de 2666 de Roberto Bolaño, acabo de terminar A parte de Fate. Para quem chegou aqui agora, vale lembrar que estou escrevendo sobre a obra aos poucos, seguindo a ideia inicial de Bolaño de que cada parte seria um livro. Sobre A parte dos críticos você pode ler o artigo clicando aqui, e sobre A parte de Amalfitano você pode ler clicando aqui. Vamos seguir então aos comentários sobre a terceira parte de 2666.

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  20. Eduardo Simantob escreveu um texto sobre Roberto Bolaño que achei bem interessante.

    Fonte:
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