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1933 foi um ano ruim (John Fante)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Meia Palavra, 20 Fev 2011.

  1. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Alguns livros são gratas surpresas, nos prendem, tem um tom especial que nos chama a atenção e nos fazem por alguns momentos suspender nossa realidade e mergulhar em outra, não necessariamente melhor, mas certamente diferente. Cada vez mais procuro fugir da expectativa (embora goste de ouvir opiniões acerca do livro , desde que devidamente livres de spoilers), pois ela costuma deixar a leitura condicionada, esperando algo que não costuma corresponder ao que você pensou ou imaginou.

    Foi com esse pensamento que iniciei 1933 foi um ano ruim, de John Fante, procurei entrar o mais desprovido possível de pretensões pré-concebidas. Posso dizer que o resultado foi muito bom, encontrei uma literatura leve e espirituosa, simples mas não simplista, cuja narrativa e não-complacência lembraram-me o Holden Caufield, de O Apanhador no Campo de Centeio.

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  2. Gigio

    Gigio Usuário

    Muito boa a resenha, Lucas! Acho que deu para pegar o espírito da história, o que devem ser os pontos altos e baixos...

    Uma vez comecei a ler "Pergunte ao Pó", mas acabei desistindo, impliquei com o fato de ser mais uma vez a história do jovem escritor miserável... Mas agora quero tentar de novo, com "1933..." :sim:
     
  3. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]1933 é uma história legal. Como eu disse, quem leu O Apanhador vai lembrar em alguma medida do Holden, mas, tenho que admitir como fã do Salinger que sou, que acho o Holden mais espirituoso, com um humor mais sarcástico e ácido, ele é de fato um personagem cheio de vida, com o qual fica difícil não se identificar.

    O Molise também tem acessos de sarcasmos, só que menos cortantes e menos frequentes do que do Holden, o mote da história parece realmente ser o de mostrar as dificuldades que se interpunham no caminho do protagonista e como ele está preso a esse vida de constância, cheia de mesmices, com altos e baixos sim, mas sem grandes reviravoltas ou eventos memoráveis, tudo parece meio saturado, parado, deixa a gente com um sentimento de piedade em relação ao Molise, que poucas chances tem de sair dessa vida a que parece estar agrilhoado como a uma bola de ferro no tornozelo.[/align]
     
  4. Diego-

    Diego- Usuário

    Comecei e terminei o livro durante uma viagem de avião, ao final só pude soltar um: 'Porra...'. Bukowski definiu bem dizendo que o Fante é alguém que não tem medo da emoção. Dá uma certa angustia pela situação do Dominic, não exatamente por ele mas pelo futuro da família Molise. Leitura bastante fluida, só impliquei um pouco com os momentos Dominic/Kenny, as desavenças entre eles não convencem, em compensação cheguei a dar risada das situações com a Dorothy, como por exemplo quando ela dá um simples oi e o Dominic começa a dizer como ela é inteligente, se expressa bem e tem desenvoltura, completamente diferente das outras meninas, tudo isso a partir de um oi.

    Enquanto eu lia também me perguntei se era só eu que via um pouco de Holden ali naquela história. Boa resenha, Lucas!
     
  5. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Valeu Diego. O que é que não te convenceu com relação ao Kenny e o Dominic? Achou forçado?

    As situação com 'O Braço' também são maneironas, né? É quase um ser vivo dotado de vontade própria, hehe. Vou ler 'Sonhos de Bunker Hill' daqui a umas duas ou três semanas, se tiver o livro fácil a mão e quiser me acompanhar...
     
  6. Diego-

    Diego- Usuário

    Achei a relação deles muito instável, nunca entendia quando os diálogos entre eles pendiam para brincadeira ou para seriedade. Para quem se considerava melhores amigos, parece que a amizade deles vivia à beira do término, pode ser exagero meu mas fiquei com essa impressão.

    Ahamn, também gostei dessa personificação do braço, quase como se tivesse vontade própria, se sentindo mais ou menos a vontade dependendo da situação.
     
  7. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    É, isso lá é verdade mesmo, Diego. Parece que eles sempre estão de birra, mas ainda acho que isso faz parte daquelas amizades em que um dos amigos fica só tirando sarro do outro, fazenda troça com os cacoetes dele, mas no fundo, ambos sabem que podem contar um com o outro. Enfim, não gosto muito do Kenny, acho ele meio ensimesmado demais, se irrita muito fácil e fica lá, emburradão. Sei lá, pessoas assim me dão nos nervos.

    Aquela relação platônica do Dominic com a irmã do Kenny também é engraçada, né?

    Acho o livro um misto de esperança (não aquela sentimentalóide e melancólica) numa situação que parece querer comportar poucas esperanças. O destino de Dominic parece estar traçado, ele será ajudante de seu pai e ponto final, mas o protagonista não se deixa abater e procura contornar o fardo em seus ombros com um senso de humor ácido e meio desacreditado, às vezes até meio fatalista (só não é fatalista porque lhe resta 'O Braço'), usando de suas tiradas sarcásticas como reação ao seu quase-karma. Acho que é por isso que ele me lembra o Holden, mesmo numa situação em que parece estar em um beco sem saída ele não se deixa esmorecer, ele continua e, mesmo sabendo que existem poucas chances dele não se dar mal, ele é tão espirituoso e carismático que não podemos deixar de torcer pra ele.
     

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