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16 melhores contos do século XX

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por RodrigoF, 28 Ago 2010.

  1. RodrigoF

    RodrigoF Usuário

    Os 150 anos do nascimento do escritor russo Anton Tchecov (1860-1904), considerado o pai do conto moderno, motivaram uma bela edição do Babelia, suplemento literário do jornal espanhol “El País”. Um dos destaques é o artigo de abertura, “Pistolas e mares”, em que Luis Magrinyà reflete sobre o paradoxo que envolve aquela famosa tirada do autor – em referência ao teatro – sobre a pistola que se mostra no início da trama ter que ser disparada antes de cair o pano. Esse argumento poderoso contra a gratuidade, o mero adorno, foi em geral acatado como lei pela arte narrativa do século 20. O problema é que a frase da pistola, observa Magrinyà, acabou por obscurecer o fato de que os contos tchecovianos tiram sua maior força de elementos aparentemente desamarrados, sugestões inconclusivas que produzem um efeito duradouro na cabeça do leitor. A pistola não dispara, mas escapa de ser gratuita porque, calada, ressoa ainda mais. A conclusão do autor do artigo é, numa paráfrase livre, a de que Tchecov inventava assim o realismo que sucederia a onisciência do século 19, um espelho lacunar do que a vida tem de essencialmente amorfo e indomável, “como o mar”.

    Outro atrativo da edição, este mais polêmico, é a lista dos 16 (por que 16?) “melhores contos do século 20”:

    Raymond Carver: “Catedral” (1983)
    James Joyce: “Os mortos” (1914)
    Henry James: “A fera na selva” (1903)
    Juan Rulfo: “Não ouves ladrar os cães” (1953)
    Julio Cortázar: “Graffiti” (1981)
    Ramón del Valle-Inclán: “O medo” (1902)
    Truman Capote: “Deslumbramento” (1982)
    Jorge Luis Borges: “O espelho e a máscara” (1975)
    J.D. Salinger: “O homem risonho” (1953)
    Francis Scott Fitzgerald: “Regresso a Babilonia” (1929)
    Ingeborg Bachmann: “Problemas, problemas” (1972)
    Katherine Mansfield: “A mosca” (1922)
    Ring Lardner: “Campeão” (1924)
    Medardo Fraile: “O álbum” (1959)
    Flannery O’Connor: “A boa gente do campo” (1955)
    Katherine Mansfield: “Na baía” (1921)

    A lista é intessante e, como sempre, cheia de furos. Reconheço minha incapacidade de julgar, por absoluta ignorância, a propriedade de incluir nesse Olimpo a austríaca Ingeborg Bachmann e o espanhol Medardo Fraile. Mas estranho que Truman Capote e Ring Lardner sejam titulares da forte seleção americana (nada menos que sete dos 16 nomes são nativos dos EUA, embora o europeizado Henry James não caiba bem no figurino), barrando jogadores que considero indispensáveis nessa partida, como Ernest Hemingway (“Colinas como elefantes brancos”, talvez) e John Cheever (“O nadador”, quase certamente). E, para não sair do velho Império Austro-Húngaro, convocar Ingeborg Bachmann em vez de Franz Kafka (“Um artista da fome”, sem dúvida) não é meio como levar o Júlio Batista e deixar o Ganso?

    Duas curiosidades: uma das herdeiras mais diretas de Tchecov, a neozelandesa Katherine Mansfield é a única que comparece com duas histórias; e o país de Maradona brilha com um par de nomes, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, que considero acima de contestação, embora a escolha de seus contos seja duvidosa. Nesse ponto confesso que me enchi de brios nacionalistas e tentei desencavar um Machado de Assis do século 20 para meter em campo. Fracassei por muito pouco: “Missa do galo” saiu em livro em 1899, maldição! Mas, se os espanhóis podem ir de Medardo Fraile, por que não poderíamos recorrer a Guimarães Rosa (“A terceira margem do rio”) ou Clarice Lispector (“Uma galinha”)? Qualquer lista, afinal, revela mais sobre quem a faz do que sobre o mundo.

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  2. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    Não conheço nenhum dos contos, mas o legal dessas listas é exatamente isso, faz a gente descobrir coisas interessantes, mesmo que depois se discorde e pense: "mas o que essa pessoa viu nesse conto pra coloca-lo entre os X melhores ?"

    E como a maioria das pessoas, quando se depara com a maioria das listas, sinto falta de alguns autores, nesse caso de algo de Karen Blixen/Isak Dinesen e principalmente de O. Henry ( "O Presente dos Magos" podia fazer parte dessa lista, tranquilamente).
     
  3. Concordo Clara :sim:

    O. Henry é um dos melhores contistas que eu já li.

    Dos contos que ele escreveu, destaco Caminhos do Destino - simplesmente espetacular
     
  4. aces4r

    aces4r Usuário

    Puxa vida, não li um sequer. :(
     

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