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1º de agosto - Dia do Poeta da Literatura de Cordel

Fúria da cidade

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Por Profª Ms. Kênia Brant*​
A poesia de cordel e o poeta cordelista fazem parte daquele recôndito da memória e fantasia do universo infantil, como se lenda fosse avistar um folheto e um poeta cordelista. É bem comum ao iniciante leitor de poesia vincular o poeta cordelista ao poeta matuto.

O poeta matuto difere do poeta cordelista exatamente pelo tipo de literatura. O cordelista deve seguir a métrica do cordel na organização da escrita poética. Já o poeta matuto, mesmo utilizando de rimas e de cadência, age com maior liberdade na escrita, o que não o impede de também trilhar pelos rastros da literatura de cordel.

Um erro recorrente é comparar e fazer equivaler esses dois poetas na literatura oral, e mais, a determinação de que todos os poetas da literatura oral são semialfabetizados ou iletrados, por isso mesmo optam pela oralidade. Na realidade eles optam pela palavra, que memorizada é entoada, a palavra em sua “vocalidade”, como bem alcunhou Paul Zumthor. De fato, os pioneiros poetas detinham de pouca formação. Havendo dentre eles semianalfabetos, esses tomavam de outras mãos para a escrita de suas poesias.

No Brasil esses poetas tiveram suas poesias propagadas entre 1920 e 1930. Essa divulgação era rudimentar, pois a imprensa dava seus primeiros passos para produção seriada, daí é que a forma de “gravar” utilizada por eles era, antes mesmo da impressão manual, a declamação nas feiras livres, espaço nato para divulgar a poesia popular e logo em seguida, vender o folheto de cordel, um misto de escrita e oralidade, recheada ainda de muita representação performática ao expor e vender suas narrativas poéticas aos passantes das ruas e mercados.

Muitos desses poetas cordelistas eram também confundidos com os poetas repentistas, visto que eles também usavam a rima e a métrica para dar sonoridade à literatura tipicamente oral. À primeira geração desses poetas populares coube estabelecer as regras dessa literatura, que na realidade foi recebida como herança portuguesa seguindo a métrica de rimas por sextilhas, décimas, e outras rimas de repetição, para difundir as diversas narrativas que, depois de impressas, passaram a ocupar os espaços em extensos varais de barbantes ou cordas, a similitude com a palavra Cordel, ou seja, aquilo que está sob a corda. Assim, a poesia rimada passa a ser conhecida como Poesia de Cordel. E em nada esses poetas deixam a desejar em suas narrativas ficcionais e biográficas como qualquer outra boa literatura da tradição.
Vale também ressaltar que essa literatura oportunizou a divulgação da gravura, especialmente da xilogravura, que nos primórdios das impressões dos folhetos era uma forma de garantir a autenticidade da autoria do poeta e do gravador. O ilustrador do folheto utilizava da técnica rudimentar da xilogravura, para “deformar” a matriz original de forma que ela não fosse reutilizada como original. O poeta por sua vez, recorria a acróstico nos versos iniciais ou finais. Na atualidade, a questão da autoria está regimentada pelo código civil que ordena sobre os direitos autorais.

O cordel já aclimatado no Brasil, em adiantado enraizamento (final sec. XIX), todavia não há registro de quem seria o iniciador dessa forma cordelista. Câmara Cascudo indica que teria sido do poeta Pirauá os primeiros registros impressos, seguido de Leandro Gomes de Barros que recebe como mérito o reconhecimento de fundador da poesia cordelista no Brasil.

Foram muitos poetas cordelistas que encantaram o Brasil afora com seus versos, ora dóceis, ora malvados, ora romanescos e até mesmo depravados. Para fazer honra e cumprir a memória histórica dos primeiros cordelistas, citamos alguns nomes da primeira geração (Poetas Pioneiros – 1900-1920) Antônio Ferreira da Cruz, Francisco das Chagas Batista, João Melquíades Ferreira da Silva, Severino Milanês da Silva, Silvino Pirauá de Lima, José Camelo de Melo Resende, Leandro Gomes de Barros.

As biografias, desses poetas e dos demais da segunda geração, estão disponíveis no site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. E para aqueles que ainda deduzem que na atualidade são poucos os poetas cordelistas, verifiquem no site da Fundação Casa de Rui Barbosa. Lá estão listados outros tantos poetas cordelistas contemporâneos brasileiros.

Por fim, para registrar esteticamente a riqueza da cultura popular, a literatura de cordel continua impactante. No cordel a seguir a narrativa é um embate com a lógica de mercado como mediadora do pacto midiático. Gustavo Dourado é um desses contemporâneos que se posiciona sobre a questão da mídia, faz valer da sua escrita e vocalidade em tempos mudos para bradar alerta máximo à “Midiótica”:
[...]
A mídia invade a alma
O cérebro...o coração
Subliminar controle
Na tela da televisão
Na ondas da Internet
A mando do Grande Irmão...

A mídia con$ome o ser
Com propaganda e novela
Aliena o pensamento
Big Brother gere a tela
Fomenta a inconsciência:
Faz do sonho: triste cela...

A mídia amamenta
O político trambiqueiro
Cria imagem collorida
Para porco no chiqueiro
Faz galo botar ovo
E bode virar carneiro...

(DOURADO, s/d)

Referências Bibliográficas:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL. História do cordel. Rio de Janeiro: ABLC, 2005. Disponível em: ttp://www.ablc.com.br/historia/hist_cordel.htm>. Acesso em: 1 set. 2018.
CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura Oral no Brasil. São Paulo: Global, 2006.
DOURADO, Gustavo. Midiótica. Site Gustavo Dourado. Disponível em:
http://www.gustavodourado.com.br/cordel/Bai%E3o%20do%midi5otica.htmAcesso em: 03 fev. 2012.
ZUMTHOR, Paul. Performance, Recepção, Leitura. 2ª. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
FUNDAÇÃO CASA DE RUI FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/poeta.html# Acesso em: 28 jul 2019.

Fonte: http://www.ifmg.edu.br/governadorva...sto-2013-dia-do-poeta-da-literatura-de-cordel

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Parabéns aos escritores de cordel, um estilo de publicação bem tradicional em pequenos folhetos.
 
Maravilhoso. A poesia do cordel, repentista, e as cantorias em geral, especialmente a dos poetas analphabetos do sertão Nordestino, é talvez pra mim um dos poucos exemplos de poesia artisticamente autentica e sincera em todo o Brazil hoje em dia, porque sobreviveu às cartilhas, pamphletos, ideologismos, pseudointellectualismos, e toda sorte de degeneração vanguardista do seculo passado, cuja herança, ainda que por um lado constructiva, por outro, destruiu quase toda a produção poetica actual, com raras exceções.

Quanto á differença do Cordel e do poeta matuto, dos repentistas, etc: mera systematização. A oralidade da palavra, que historicamente sempre foi o coração da poesia, une a todos elles e se conserva como tradicção.
Deixo aqui uma "cantoria", que tenho de cor; não é cordel, propriamente dicto, mas compartilha o mesmo sangue deste rhythmo provençal, da redondilha maior, que tanto me parece characteristico do estylo:

A sombra que me acompanha
Não é a que me socorre:
Se eu andar, ella anda,
Se eu correr, ella corre;
Mas é mais feliz que eu:
Não adoece, nem morre.

- Leonardo Sebastião
 

Fúria da cidade

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Sempre que passo em algum lugar que tem alguma publicação no formato cordel e devidamente pendurada na cordinha como manda a tradição, eu sempre paro, folheio e compro. Já presenteei muita gente com esse formato.
 

Fúria da cidade

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Pra quem não conhece
https://www.recantodasletras.com.br/cordel/1482607
Grandes autores da Literatura de Cordel

ANTONIO ALVES DA SILVA nasceu em Mata de São João - Bahia, no dia 7 de junho de 1928, e morreu aos 14 de agosto de 2013. Começou a escrever Literatura de Cordel aos 18 anos. Seus primeiros folhetos foram adquiridos por Rodolfo Coelho Cavalcante, poeta alagoano radicado em Salvador-BA. Antonio já morou na capital baiana e no Rio de Janeiro, onde trabalhou ao lado do lendário Mestre Azulão, seu melhor amigo no campo da poesia popular. Há mais de 40 anos reside em Feira de Santana-BA. Casado, era pai de seis filhos. Escreveu mais de 100 cordéis e já venceu cinco concursos do gênero, sendo três em Salvador, um em Feira de Santana, e o mais recente em São Paulo, no qual ganhou um computador completo. Todos os concursos foram vencidos em 1º lugar. Bibliografia básica: João Terrível e o dragão vermelho, Maria Besta Sabida, João Azarento na corte da rainha Maravilha, As palhaçadas de João Errado, Últimos dias de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos. Sua produção foi divulgada nacionalmente durante a passagem do poeta Marco Haurélio pela Luzeiro, entre os anos de 2005 e 2007.

ANTÔNIO FRANCISCO TEIXEIRA DE MELO nasceu em Mossoró-RN aos 21 de outubro de 1949. É filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo. Antes de se dedicar só ao cordel fazia placas de carro e xilogravuras., Fez muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste. Cresceu no bairro de Lagoa do Mato, ao qual dedicou um poema antológico em ritmo de galope à beira-mar, onde reside ainda hoje. É Bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Aos 46 anos iniciou sua carreira literária e sua primeira poesia foi “Meu Sonho”. Sua obra abrange dezenas de folhetos de cordel, reunidos em duas antologias: Dez Cordéis num Cordel Só e Por Motivos de Versos. Eleito para a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ocupa a cadeira de número 15, do patroneada pelo poeta cearense Patativa do Assaré. Outro poema seu, Os animais têm razão, foi transformado em livro infantil e publicado pela editora IMEPH, de Fortaleza, Ceará.

ANTÔNIO TEODORO DOS SANTOS (O Poeta Garimpeiro), nasceu em Jaguarari, BA, em 24 de março de 1916, e faleceu em 23/10/1981, no em Senhor do Bonfim, BA, perto da sua cidade natal, Jaguarari, onde estava residindo desde 1979. Antigo garimpeiro (de onde surgiu seu cognome), foi vendedor de folhetos de versos populares, além de poeta. Autor bastante fecundo, sua obra principal foi Vida e tragédia do Presidente Getúlio Vargas (publicado pela Editora Prelúdio), da qual se venderam 280 mil exemplares, e que mereceu uma análise especial do Prof. Raymond Cantel, diretor do Instituto de Estudos Portugueses e Brasileiros da Sorbonne, Paris. Teodoro foi o grande nome dos primórdios do cordel na Prelúdio, tendo sido autor de muitos sucessos lançados pela antecessora da Luzeiro.
Bibliografia básica: A grandeza de São Paulo, João Soldado, o valente praça que meteu o diabo num saco, Maria Bonita, a mulher cangaço, O encontro de Lampião com Dioguinho, O jogador na igreja, O Neto de José de Souza Leão, Piadas do Bocage.

APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS nasceu em Serraria, PB, aos 20 de setembro de 1926. Em seus documentos, no entanto, consta como nascido em Guarabira-PB, cidade para onde foi levado e onde foi criado desde a infância por seus pais, Francisco Alves dos Santos e Antonia Maria da Conceição. Começou a escrever folhetos aos vinte anos. Seu primeiro romance foi Maria Cara de Pau e o Príncipe Gregoriano, que, não podendo publicar, vendeu a José Alves Pontes, lá mesmo em Guarabira. A venda se efetuou em 1948, mas o romance só foi impresso no ano seguinte. Em 1950, tentando melhorar de vida, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na construção civil como pedreiro ladrilheiro, e, em 1960, foi trabalhar na construção de Brasília, mas sempre escrevendo e vendendo seus folhetos. É dessa época sua obra A construção de Brasília e sua inauguração, que se esgotou pouco tempo depois de publicada. Em 1961, logo após a inauguração de Brasília, voltou ao Rio de Janeiro. Passou os últimos anos em Guarabira, Paraíba, vindo a falecer em 1998, em Campina Grande. Já escreveu cerca de 120 folhetos, sendo os principais : O herói João Canguçu, Façanhas de Lampião, O aventureiro do Norte, Epitácio e Marina, O pau de arara valente, O pistoleiro da vila, Olegário e Albertina entre o crime e o amor e O noivo falso engenheiro.
Bibliografia básica : A moça que se casou 14 vezes e continuou donzela, A morte de Leandro : saudades, O herói João Canguçu.

ARIEVALDO VIANA LIMA, poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário, nasceu em Fazenda Ouro Preto, Quixeramobim-CE, aos 18 de setembro de 1967. Desde criança exercita sua verve poética, mas só começou a publicar sistematicamente os seus folhetos em 1999, quando lançou, juntamente com o poeta Pedro Paulo Paulino, uma caixa com 10 títulos chamada Coleção Cancão de Fogo. De 1988 a 1998 fez pequenas tiragens de seus folhetos em xerox, sistema bastante rudimentar, que foi completamente abolido pelo poeta após o lançamento da Coleção Cancão de Fogo. É o criador do Projeto ACORDA CORDEL na Sala de Aula, que utiliza a poesia popular na alfabetização de jovens e adultos, adotado pela Secretaria de Educação, Cultura e Desporto de Canindé-CE. Em 2000, foi eleito membro da ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL, na qual ocupa a cadeira de nº 40, patronímica de João Melchíades Ferreira.

CÍCERO VIEIRA DA SILVA nasceu em 31 de maio de 1936 em Alagoa Nova, Paraíba, e faleceu em 2008, no Rio de Janeiro. Começou a escrever em 1952, época em que produziu cerca de trinta romances para a Folhetaria Santos, de propriedade Manoel Camilo, sediada em Campina Grande – PB. Em 1958, ganhou a medalha de ouro como o melhor glosador no Festival de Poetas populares de Salvador – BA, e em 1984 obteve um prêmio no Concurso Leandro Gomes de Barros. Vivia em Caxias – RJ. Casado, pai de oito filhos, Cícero Vieira, que também era conhecido como Mocó, escreveu mais de 50 folhetos, alguns dos quais ainda inéditos. Dentre aqueles que publicou, destacam-se: Um Amor Supliciado nas Grades da Detenção; Um Cidadão Generoso Traído pela Consorte; A Sofredora do Bosque ou Uma Noiva Perdida; A Filha de Uma Mendiga na Esquina do Pecado; A Vitória de uma Inocente; Os Sofrimentos de Elisa ou Os Prantos de uma Esposa; Os Martírios do Nortista Viajando para o Sul; A Morte do Presidente Getúlio Vargas, A filha de um pirata, Os olhos de dois amantes por cima da sepultura.

CAETANO COSME DA SILVA nasceu em Nazaré da Mata, PE, no dia 25 de novembro de 1927. Autor muito fecundo, seus temas favoritos são histórias dramáticas, algumas delas "continuações" de outras obras conhecidas (A filha da louca do jardim, O filho de João de Calais). Compôs também algumas "pelejas". É falecido. Viveu na cidade paraibana de Campina Grande. Bibliografia básica : A filha da louca do jardim, A louca no jardim, Jerônimo o grande herói do sertão, Lágrimas de amor ou A vingança de um condenado, O filho do herói João de Calais.

DELARME MONTEIRO DA SILVA ( DELARME, nos acrósticos ), nasceu aos 17 de abril de 1918, em Recife, PE, onde reside. Aos 20 anos, em 1938, publicou seu primeiro romance em versos (A feiticeira do bosque), impresso na tipografia de João Martins de Athayde; a partir dessa data ficou trabalhando com Athayde, como aprendiz de tipógrafo, e ao mesmo tempo editando seus trabalhos, todos assinados, pelos quais recebia 200$000 ( duzentos mil réis ) em folhetos, que ele mesmo revendia. Chegou ao cargo de gerente da tipografia, e é muito conceituado entre os poetas do Nordeste, por seus dotes de cultura e inspiração. Delarme é autor de uma obra extensa e de muito boa qualidade. De sua excelente bibliografia destacamos: O Enjeitado de Orion, O Mistério dos Três Anéis, O Sino da Torre Negra, O Morcego Humano, A Fada e o Guerreiro. É indubitavelmente um dos poucos autores de cordel que merecem o qualificativo de gênio, tendo composto uma obra vibrante, cheia de descrições minuciosas e aprofundamento psicológico das personagens. Bibliografia básica : A duquesa de Sodoma, Joana D'Arc, a heroína da França, O Enjeitado de Orion, O Mistério dos Três Anéis, O Sino da Torre Negra.

ENÉIAS TAVARES DOS SANTOS ( ENÉIAS ou TAVARES, entre outros pseudônimos nos acrósticos ), nasceu em Marechal Deodoro, AL, aos 22 de novembro de 1931. Filho de agricultores, teve instrução primária incompleta, e, já adulto, estudou música, desenho e pintura, não chegando a completar os estudos por razões econômicas. Aprendeu xilogravura sozinho, tendo realizado, entre inúmeros outros trabalhos, uma Via-Sacra para a Galeria de Arte de Aracaju - SE. Na Bahia, em 1947, travou conhecimento com a Literatura de Cordel, e, ao voltar para Alagoas, tornou-se vendedor de folhetos. Em 1953 escreveu seu primeiro livro – O cavalo Ventania -, seguido depois de O cangaceiro Isaías (seu maior sucesso), O pai traidor, A carta de Satanás a Roberto Carlos e muitos outros. Até 1973 foi servente do Conservatório de Música de Sergipe; atualmente é funcionário do Museu Théo Brandão, em Maceió, AL.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A briga de dois matutos por causa de um jumento, A morte, o enterro e o testamento de João Grilo, A verdadeira história de Chico Xavier, A vingança de uma fada e um anão misterioso, A Recompensa do Diabo, Carta do Satanás a Roberto Carlos, Lamentação de um cavalo indo para o matadouro, O amor entre a verdade e o punhal, O homem que pagou a promessa enganando o santo, O prêmio da consciência, O rapaz que desejava ser cachorro, Teres e proezas de Enéias.

FIRMINO TEIXEIRA DO AMARALl, segundo informação do pesquisador Ribamar Lopes, nasceu na localidade de Bezerro Morto, então pertencente a Amarração, hoje Luís Correia, Piauí, em 1896, e faleceu em 1926, na cidade de Parnaíba, Piauí. Outras fontes o apresentam como natural de Tutoia, Maranhão ou, ainda, Parnaíba, Piauí. Ainda muito jovem fixou-se em Belém do Pará, tornando-se o principal autor da Editora Guajarina, fundada pelo pernambucano Francisco Lopes. A sua obra mais famosa, a Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, foi escrita por volta de 1916, com o fito de ajudar Aderaldo, à época doente, a angariar algum recurso. Nesta obra, Firmino introduz uma modalidade até então desconhecida do universo da cantoria: o trava-língua. O personagem Zé Pretinho, confundido com um homônimo natural do Crato, Ceará, inventor do galope à beira-mar, é fictício. Além do folheto citado, são de autoria de Firmino: Festa dos bichos ou as aventuras de um porco embriagado (também publicado pela Luzeiro), Peleja de cego Aderaldo com Jaca Mole, primo de Zé Pretinho, O casamento do bode com a raposa, Bataclan, História de Carlos e Adalgisa, A princesa Magalona e seu amante Pierre, Peleja de João Peroba com o menino Pericó(que com 8 anos de idade venceu um antigo cantador), Peleja do Cego Aderaldo com Frankalino.

FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA nasceu no município de Teixeira, PB, aos 5 de maio de 1882, sendo filho de Luís da França e de Cosma Felismina Batista. Em 1900, mudou-se para a cidade de Campina Grande, onde trabalhou carregando água e lenha, e foi operário da Estrada de Ferro de Alagoa Grande. Começou a escrever suas histórias rimadas em 1902. Em 1909 casou-se com Hugolina Nunes da Costa, filha de seu tio materno, o cantador Hugolino Nunes da Costa. Morou em Guarabira e depois na capital do estado da Paraíba, onde se fixou, estabelecendo-se com a Livraria Popular Editora, na Rua Barão do Triunfo, que sobreviveu até 1932. Foi autor de inúmeros folhetos rimados, e fez coletâneas de poetas populares ( A lira do poeta, Poesias escolhidas e Cantadores e poetas populares ). Considera-se sua melhor obra o folheto Antonio Silvino, vida, crimes e julgamento. Faleceu aos 26 de janeiro de 1930, em João Pessoa, PB.

FRANCISCO DE SOUZA CAMPOS ( FSOUZA, FSOUZACAMPOS ou ainda FSCAMPOS, nos acrósticos ), nasceu em Timbaúba, PE, aos 26 de setembro de 1926. Poeta popular, residente em São Lourenço, PE, Francisco é irmão dos poetas Manoel e José de Souza Campos. Escreve sobre temas tradicionais, e a maioria de suas obras são folhetos de 8 páginas.

FRANCISCO FIRMINO DE PAULA nasceu em Pilar, Paraíba, a 2 de abril de 1911 e faleceu em recife, Pernambuco, a 3 de dezembro de 1067. Construiu uma máquina de impressão, depois vendida a José de Souza. Começou a escrever por volta de 1926.
Bibliografia básica : História do Boi Leitão ou O Vaqueiro que não Mentia, O Herói do Ar.

FRANCISCO SALES DE ARÊDA ( FSALES nos acrósticos ), nasceu aos 26 de outubro de 1916, em Campina Grande, PB, passando a residir em Caruaru, PE. Poeta popular e vendedor de folheto nas feiras, foi também cantador de 1940 a 1954. Em suas obras, explorava temas de bravura, encantamento e astúcia, mas escreveu três obras sobre motivos políticos, tendo como personagem o ex-presidente Getúlio Vargas. Durante muito tempo viveu da renda de uma barraca de folhas e raízes de plantas medicinais, na feira de Caruaru. Arêda faleceu no dia 20 de dezembro de 2005.
Bibliografia básica : A mal-assombrada peleja de Francisco Sales com o Negro Visão, As palhaçadas de Pedro Malazarte, O Coronel Mangangá e o seringueiro do norte, O encontro de Antônio Cobra Choca com o Sertanejo Valente, O encontro do irmão do Negrão do Paraná com o seringueiro do Norte, O Homem da vaca e o poder da fortuna, O negrão do Paraná e o seringueiro do Norte, O Príncipe João Sem Medo e a Princesa da Ilha dos Diamantes, O romance de João Besta e a Jia da Lagoa.

INACIO CARIOCA nasceu em Carpina, Pernambuco, a 22 de fevereiro de 1932. Seu nome de Batismo é Ailton Francisco da Silva, sendo mudado para Inácio Francisco da Silva e, por fim, Inácio Carioca. Sua obra mais conhecida é o Romance de João Cambadinho e a Princesa do Reino de Mira-Mar, negociado com João José da Silva, então diretor da tipografia Luzeiro do Norte. Outros títulos de sua bibliografia: o Amor de Juvanete e a Ingratidão do Príncipe Lourival, Os Homens Voadores da Terra até a Lua, Sidraque e Juscelina.
Folheto lançado pela Editora Luzeiro: Romance de João Cambadinho e a.

JOÃO ANTÔNIO DE BARROS ( JOTABARROS ) nasceu aos 24 de junho de 1935, em Glória de Goitá, PE. Marceneiro, entalhador, xilógrafo, poeta repentista e escritor de Literatura de Cordel, publicou 33 folhetos e ainda tem vários inéditos. Residia em São Paulo desde 1973, vivendo exclusivamente da venda de livretos de cordel e das cantigas de improviso, ao som da viola. Grande divulgador da poesia nordestina, dava frequentes entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto. Faleceu em agosto de 2009. Seu maior sucesso é Lampião e Maria Bonita no paraíso.

JOÃO DAMASCENO NOBRE nasceu a 6 de maio 1910, na Fazenda Bebedouro, distrito de Serraria, município de Inhambupe, estado da Bahia. Em 1917, acompanhando a família, foi trabalhar na lavoura cacaueira no mesmo estado em que nasceu. Em 1955, publicou seu primeiro folheto, As Aflições do Presente e as Glórias do Porvir. Editou pela extinta Editora Prelúdio, antecessora da Luzeiro, As Profecias do Boi Misterioso, A História do Perverso Barba Roxa e O Quengo de Pedro Malazarte no Fazendeiro, sendo este último reeditado há quase cinquenta anos.

JOÃO FIRMINO CABRAL nasceu em Itabaiana, SE, a 1º. de janeiro de 1940. Agricultor desde menino, começou já na juventude a demonstrar interesse pelas letras: comprava então folhetos de literatura de Cordel , que usava como cartilha, pois com eles aprendeu a ler. Aos 17 anos descobriu sua vocaçào poética e escreveu uma Profecia do Padre Cícero. Dai por diante não lhe faltou mais inspiração, e todas as obras de sua autoria são bem aceitas pelo povo. Mora atualmente em Aracaju, vivendo exclusivamente da venda de folhetos de Literatura de Cordel.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A coragem de um vaqueiro em defesa do amor, Amor e martírio de uma escrava, Entre o amor e o cangaço, História, vida e morte Luiz Gonzaga, O encontro de Lampião com o Coronel Pinga-Fogo, O exemplo do ateu e o vaqueiro que tinha fé em Deus, O monstro sem alma, Os heróis do destino e o monstro da Mata Escura.

JOÃO GOMES DE SÁ nasceu em Água Branca, no sertão alagoano, e mora em São Paulo. É formado em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).Em 1977trabalhou como bolsista da Funarte no Museu de Antropologia e Folclore Dr. Théo Brandão, dessa mesma Universidade. Foi aí, na verdade, que conheceu as manifestações de cultura espontânea de seu povo. E é por isso que, volta e meia, o que escreve revela influência do folclore da região. Morando em São Paulo há algum tempo, além de suas atividades como professor de Português, dá orientações técnicas sobre o folclore e escreve poesia popular e literatura de cordel – muitas vezes, para ilustrar suas aulas. Utilizando elementos da cultura popular escreveu e editou Ressurreição do Boi, Canto Guerreiro e Meu Bem-Querer e os cordéis A Briga de Zé Valente com a Leide Catapora e A Luta de um Cavaleiro contra o Bruxo Feiticeiro. Pela premiada Coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova Alexandria, publicou O Corcunda de Notre-Dame, adaptação em versos do célebre romance do grande escritor francês Victor Hugo. Adaptou para o cordel, com enorme sucesso, o livro infantil de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas (Nova Alexandria).

JOÃO JOSÉ DA SILVA nasceu em 24 de junho de 1922, em Vitória de Santo Antão, PE. Filho de agricultores, revelou-se poeta desde menino. Aos 10 anos de idade já improvisava versos para seus amigos e conhecidos. Por falta de recursos, só conseguiu nessa época fazer o curso primário, vindo a se aperfeiçoar somente na meia idade, como autodidata. Em 1947 se tornou profissional da poesia, escrevendo então seu primeiro livro em versos, O macaco misterioso. Escreveu mais de 164 obras, distinguindo-se entre as mais procuradas O macaco misterioso e A fera de Petrolina. Viveu em Recife, PE, onde chefiou sua família trabalhando no ramo de Literatura de Cordel. Faleceu em 1997.
Bibliografia básica : A condessa Rosa Negra, A fera de Petrolina, O caçador sertanejo.

JOÃO LUCAS EVANGELISTA nasceu em 6 de maio de 1937, em Crateús, CE. Aos 19 anos, abandonou todas as outras atividades, para viver somente de Literatura de Cordel. Tem mais de 60 trabalhos publicados, entre poemas, folhetos e romances, todos de grande aceitação popular, tendo também gravado dois discos de poemas populares. Além de poeta, é compositor, cantor, violonista, pintor e sócio da U.P.I. ( União dos Profissionais da Imprensa ). Viveu em Taguatinga do Norte, DF, e usava como transporte uma perua, transformada em biblioteca volante da cultura popular, e equipada para sua hospedagem e palco de trabalho. Participa ativamente na divulgação da poesia popular, fazendo palestras e seminários em escolas de todos os níveis. Atualmente, mora em Crateús (CE). Seu maior sucesso é o romance jocoso As aventuras de João Desmantelado.

JOÃO MARTINS DE ATHAYDE nasceu em Ingá de Bacamarte, PB, em 1880, e faleceu em Recife, PE, no ano de 1959. Durante sua vida como poeta, instalado em Recife com gráfica própria, foi o maior editor de folhetos de seu tempo, entre 1920 e 1950. Editava também obras de outros poetas, compradas ou adquiridas por permuta. Em 1950 vendeu os direitos da gráfica para José Bernardo da Silva, estabelecido com a tipografia São Francisco em Juazeiro do Norte, CE, que passou a editar toda a coleção comprada. Athayde, bom poeta, bom glosador, notabilizou-se em versejar romances em prosa e filmes de sucesso. Entre seus vários sucessos, distinguem-se O Conde de Monte Cristo, em dois volumes, com os títulos Romance de um sentenciado e Vingança de um sentenciado; O prisioneiro de Zenda, com o título O prisioneiro do Castelo da Rocha Negra, Amor de perdição, com o mesmo título, e muitos outros, sempre com títulos sugestivos e versificação de primeira categoria. João Martins de Athayde foi figura controvertida e chegou a ser elogiado por Mário de Andrade e por Tristão de Ataíde, recebendo até votos para Príncipe dos Poetas Brasileiros (quando da eleição e Guilherme de Almeida). Foi acusado de comprar originais de dezenas de poetas populares e publicá-los sem mencionar os nomes dos autores, fato que tem ocasionado sérias dificuldades na identificação da autoria de histórias rimadas da Literatura de Cordel.

JOÃO MELCHÍADES FERREIRA DA SILVA nasceu em Bananeiras-PB aos 7 de setembro de 1869 e faleceu em João Pessoa-PB, no dia 10 de dezembro de 1933. Foi sargento do exército. Combateu na Guerra de Canudos (1897) e na questão do Acre (1903). Autodenominado O CANTOR DA BORBOREMA, com este cognome figura na PEDRA DO REINO, de Ariano Suassuna. Embora cantasse, não era repentista nato, conforme Átila Almeida e José Alves Sobrinho. Envolveu-se na maior controvérsia da história da Literatura de Cordel, ao publicar como obra sua o ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO, de José Camelo de Melo Resende, com quem chegou a cantar. Mas Melchíades, poeta imaginoso, é autor de obras originais que estão entre as mais apreciadas por leitores de várias gerações, a exemplo da HISTÓRIA DO VALENTE SERTANEJO ZÉ GARCIA COMBATE DE JOSÉ COLATINO COM O CARRANCA DO PIAUÍ e ROLDÃO NO LEÃO DE OURO.

JOAQUIM LUIZ SOBRINHO nasceu em Jatobá do Brejo, município de Belo Jardim, PE. Começou a vender folhetos de Literatura de Cordel na feira de Belo Jardim, ocasião em que escreveu a sua primeira obra, O Príncipe que trouxe a sina de morrer enforcado, conseguindo com ela muito sucesso. Dessa oportunidade em diante não parou mais de escrever. Muitos de seus folhetos ainda permanecem inéditos. Faleceu em idade bastante avançada ( não conseguimos dados sobre a data e local de seu falecimento )
Bibliografia básica : História do menino dos bodinhos e a Princesa interesseira, O príncipe que Trouxe a sina de morrer enforcado, Os Martírios de uma Mãe ou A Desventura de um Filho Ingrato.

JOSÉ ALVES PONTES nasceu em 8 de fevereiro de 1920, no município de Pilar, PB, e morreu em Guarabira, PB, em 2009. Filho de João Alves Pontes e Cândida Alves Pontes, ajudou seu pai na agricultura até os 23 anos de idade, mas sempre teve vocação para a poesia popular. Com o falecimento do pai em 1948, começou a vender folhetos de cordel nas feiras vizinhas. Empregou-se na tipografia A Folha, em Itabaiana, PB, depois em outra gráfica situada em Timbaúba, PE, das quais saiu como gráfico profissional. Em 1951 foi morar em Guarabira, PE, passando a trabalhar na tipografia de Manoel Camilo dos Santos até 1957; em seguida passou a trabalhar por conta própria com uma máquina manual que ele mesmo construiu, de ferro e madeira. Economizando, em poucos anos conseguiu comprou uma máquina impressora, e em 1962 instalou sua tipografia, chamada "Tipografia e Folhetaria Pontes". Especializou-se então em publicar seus próprios folhetos, e também trabalhos de encomenda para todo o Nordeste e demais regiões do país. Foi muito caprichoso na confecção dos folhetos de Literatura de Cordel. Escreveu apenas dois folhetos: História de Geraldo e Silvina e Ronaldo e Antonieta, os quais tiveram grande sucesso, com milhares de exemplares impressos e várias edições esgotadas. Em 1985, por questões financeiras, vendeu sua tipografia. Trabalhou de empregado e revisor na tipografia de um amigo seu, lá mesmo em Guarabira, PE, onde residia.
Folheto lançado pela Editora Luzeiro : História de Geraldo e Silvina.

JOSÉ CAMELO DE MELO RESENDE (JOSÉ CAMELO) nasceu na povoação de Pilõezinhos, município de Guarabira, PB, e morreu em Rio Tinto, PB, aos 28 de outubro de 1964. Foi filho de Manuel Alves. Poeta popular, cantador, carpinteiro e xilógrafo, era homem imaginoso e brilhante. Começou a versar romances por volta de 1923, mas não escrevia suas composições: guardava-as na memória para cantá-las onde se apresentasse. Meteu-se em situações atrapalhadas; entre 1927 e 1929, por causa de uma delas, fugiu para o Rio Grande do Norte. Foi nessa época que João Melquíades, ajudado por Romano Elias, se apossou dos originais de O pavão misterioso, publicando-os como obra sua; tornando-se o romance um dos maiores sucessos da Literatura de Cordel em todos os tempos. O caso gerou uma polêmica que dura até hoje (apesar de já estar provada e documentada a verdadeira autoria ). Além de O pavão misterioso, José Camelo foi autor de vários romances que se tornaram clássicos no gênero: Aprígio Coutinho e Neusa, A verdadeira história de Joãozinho e Mariquinha, Coco Verde e Melancia, História de três cavalos encantados e três irmãos camponeses, O Bom Pai e o Mau Filho, O pavão misterioso, Pedrinho e Julinha, Uma das maiores proezas que Antônio Silvino fez no sertão de Pernambuco, Entre o amor e a espada.

JOSÉ COSTA LEITE nasceu em Sapé - PB, em 27 de julho de 1927. Filho de Paulino Costa Leite e Maria Rodrigues dos Santos. Poeta popular e xilógrafo, vive em Condado - PE. Representou o Brasil em Paris, em 2005, por ocasião da celebração do Ano do Brasil na França.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro: A Garça Misteriosa, A Peleja de Zé Pretinho com Manoel Riachão, Peleja de Ivanildo Vila Nova com Guriatã do Norte.

JOSÉ GALDINO DA SILVA DUDA ( ZÉ DUDA ) nasceu em 1866 e faleceu em 1931. Foi almocreve e comboieiro, tendo se tornado depois cantador famoso. É o autor da História de D. Genevra, inspirada numa novela do Decamerão de Boccacio, que mereceu apreciação crítica favorável do folclorista Luís da Câmara Cascudona obra Vaqueiros e Cantadores. Seu maior sucesso é o romance Os Martírios de Genoveva, por vezes erroneamente atribuído a Leandro Gomes de Barros.

JOSÉ JOÃO DOS SANTOS (AZULAO, nos acrósticos), mais conhecido como MESTRE AZULÃO, nasceu em Sapé – PB, a 08 de janeiro de 1932, e faleceu no Rio de Janeiro, a 12 de abril de 2016. Filho de João Joaquim dos Santos e de Severina Ana dos Santos. Aos 17 anos, na carroceria de um pau-de-arara, embarcou para o Rio de Janeiro, onde foi um dos fundadores da Feira de São Cristóvão. Cantador e poeta popular dos melhores, começou a ser conhecido após uma apresentação no programa de rádio de Almirante, no início da década de 1950. Como cantador já se apresentou na Europa e nos Estados Unidos. Após o atentado de 11 de setembro de 2001, escreveu o folheto O Terror nas Torres Gêmeas, pois, pouco tempo antes, havia se apresentado no World Trade Center. É autor, entre outros, dos seguintes folhetos: A Deusa e o Caçador, A Escravidão Moderna, Peleja de Azulão com Zé Limeira, O Homem do Arroz e o Poder de Jesus, O Mártir de San Quentin – Chessman, Peleja de Azulão com Palmeirinha, A Moda do Chifre, Os Loucos da Moda, O Trem da Madrugada.
Folhetos Lançados pela Luzeiro: Peleja de Azulão com Palmeirinha, Peleja de Azulão com Zé Limeira, A Vitória de Renato e o Amor de Mariana.

JOSÉ PACHECO DA ROCHA ( ou JOSÉ PACHECO , conforme é mais conhecido ) nasceu no município de Correntes. PE, e morreu em Maceió. AL, aos 27 de abril de 1954. Deixou uma filha, Julieta Pacheco Rocha, que vive no estado do Rio de Janeiro. Além de poeta popular bastante fecundo, caracterizado pela jocosidade e variedade de temas de suas composições, dedicou-se a várias atividades paralelas : trabalhou em feiras, ora vendendo folhetos, ora comerciando gêneros alimentícios. Segundo informações de sua filha, chegou também a ser proprietário de um circo. Morreu pobre, mas não à míngua, como se tem divulgado.
Bibliografia básica : A chegada de Lampião no inferno, A festa dos cachorros, A grande briga de Lampião com a moça que virou cachorra, A guerra e a corrupção geral, A intrigado cachorro com o gato, A morte do famigerado Lampião, Discussão de Joaquim Sertanejo e Francisco Peia-Onça, História de Vicente e Josina, História do caçador que foi ao inferno, Lampião e a velha feiticeira, O grande debate de Lampião com São Pedro, O prazer do rico e o sofrimento do pobre, Os mamadores da negra dum peito só, Os prantos de Cacilda e a vingança de Raul, Os sofrimentos de Cristo, Peleja de um cantador de coco com o Diabo.

JOSÉ SOARES DO NASCIMENTO nasceu em Caruaru, PE, em 9 de outubro de 1906. Bom cantador e poeta popular, viveu muito tempo em Caruaru. Dentre sua inúmeras obras, distinguem-se : História de Josina, a menina perdida, Saudades do sertão, O túmulo de Pedro de Souza. etc.

JOSÉ FAUSTINO VILA NOVA nasceu em Caruaru, Pernambuco, a 30 de março de 1911 e morreu na mesma cidade, a 24 de abril de 1969. Cantador e poeta popular, pai do famoso repentista Ivanildo Vila Nova, seu forte eram as histórias de valentia.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro: O sertanejo Antônio Cobra Choca, Zé Mendonça, o Sertanejo Valente e O Nero do Amazonas.

Josenir Amorim Alves de Lacerda — JOSENIR LACERDA — nasceu em Crato (CE) no dia 16 de janeiro de 1953. Com trabalho alicerçado na cultura popular, tem publicados vários cordéis, entre eles O matuto e o orelhão, O segredo de Marina, e O linguajar cearense, obra reeditada recentemente pela Tupynanquim Editora e incluída em livros didáticos. São de sua lavra também De volta ao passado, A fábula do peru, O menino que nasceu falando, A danação de Julita, entre outros. É uma das fundadoras de Academia de Cordelistas do Crato, na qual a cadeira n° 03. Recentemente tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

KLÉVISSON VIANA nasceu em 1972, em Quixeramobim, Sertão Central do Ceará. É cartunista, poeta, editor, membro da ABLC-Academia Brasileira de Literatura de Cordel (RJ) e presidente da AESTROFE –Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará. Artista que transita por vários gêneros da poesia popular, através da sua Tupynanquim Editora já publicou uma centena de títulos de sua autoria e mais de quatrocentas obras de outros autores. É autor do infantojuvenil Os Miseráveis em Cordel (ed. Nova Alexandria). No campo da literatura de cordel, escreveu ainda: O romance da quenga que matou o delegado, O cangaceiro do futuro e o jumento espacial, O príncipe do Oriente e o pássaro misterioso, A chegada de Michael Jackson no portão celestial (com João Gomes de Sá), João da Viola e a princesa interesseira, Pedro Malasartes e o urubu adivinhão e vários outros folhetos.

LEANDRO GOMES DE BARROS nasceu no município de Pombal, PB, em 19 de novembro de 1865 , e morreu em Recife, PE, em 4 de março de 1918. Disputa com Pirauá o pioneirismo na publicação de histórias versadas em folhetos. Até os 15 anos viveu em Teixeira, centro de poesia popular; mudou-se então para Pernambuco, tendo vivido então em Vitória, Jaboatão e Recife. Começou a escrever em 1889, e sempre viveu do que lhe rendiam suas histórias versadas; escrevendo e vendendo folhetos sustentou enorme família. Câmara Cascudo o descreve como : "baixo, grosso, de olhos claros, bigodão espesso, meio corcovado, risonho contador de anedotas... parecia mais um fazendeiro que um poeta...". De espírito crítico, satírico e contestador, em seus versos criticou os desmandos de seu tempo, principalmente os políticos, religiosos e os referentes à interferência estrangeira no Nordeste. Não há certeza quanto ao número de suas obras, mas sabe-se que foram muitas e de boa qualidade, tanto que são reimpressas e procuradas até hoje. Depois de sua morte, sofreu (infelizmente) o processo habitual de se apossarem da autoria de suas obras, adulterando o acróstico final, quando havia, e omitindo o seu nome. É o maior clássico da poesia popular brasileira, consideram-no o primeiro sem segundo.
Bibliografia básica : A batalha de Oliveiros com Ferrabrás, A confissão de Antonio Silvino, A força do amor, A morte de Alonso e A vingança de Marina, A prisão de Oliveiros e seus companheiros, A peleja de Leandro Gomes com uma velha de Sergipe, Como Antônio Silvino fez o diabo chocar, Donzela Teodora, História da Índia Neci, História de João da Cruz, História do Boi Misterioso, História de Roberto do Diabo, Juvenal e o dragão, O cachorro dos mortos, Os sofrimentos de Alzira, Peleja de Manoel Riachão com o diabo, Suspiros de um sertanejo, Vida e testamento de Cancão de Fogo.

LUIZ DA COSTA PINHEIRO ( também Luiz da Costa ) nasceu em Goianinha, RN, e faleceu em Fortaleza, CE. É autor de grandes romances, como Perdidos no deserto, ABC da Saudade, História de João Jogador, O casamento de Lusbel, O papagaio misterioso, Os sofrimentos de Jobão, O boi mandingueiro e o cavalo miosterioso, e vários outros.

MANOEL APOLINÁRIO PEREIRA nasceu em Pernambuco, e morreu em 1955, em Juazeiro do Norte, CE. Poeta popular de boa inspiração, sobressaiu nos romances, embora tenha se dedicado a outros gêneros, esporadicamente.
Bibliografia básica : Horácio e Enedina entre o amor e o orgulho, O filho de Evangelista do Pavão Misterioso.

MANOEL CÂNDIDO DA SILVA ( MANOEL CÂNDIDO, nos acrósticos ) nasceu em Piancó, PB, aos 10 de setembro de 1922, e faleceu a 22 de agosto de 2005, após um longo período internado. Foi poeta popular, vendedor de folhetos e ourives e, depois, pastor evangélico. No tempo em que vendia folhetos pelas feiras, era muito querido por seus colegas poetas e pelo público em geral. Residia à Rua Alto de Aracaju, 229, em Propriá, Sergipe. Segundo informação do vate sergipano, João Firmino Cabral, Manoel Cândido faleceu recentemente. Entre suas obras, destacam-se : Jônatas e Mauricéia, Edgar e Estelita, Risoleta e Juvino, Manassés e Marili.

MANOEL MONTEIRO DA SILVA (em arte, MANOEL MONTEIRO) nasceu em Bezerros, Pernambuco, no dia 4 de Fevereiro de 1937, e faleceu em Belém do Pará, a 7 de junho de 2014. Foi um dos mais inspirados poetas populares brasileiros, e um dos grandes responsáveis pela difusão da literatura nas escolas. Propagandista do NOVO CORDEL, reivindicando a atualização dos temas e a adequação da linguagem aos novos tempos, imprescindíveis à sobrevivência da literatura popular em verso. Detalhista, meticuloso, abordava em seus folhetos temas variados e polêmicos, com surpreendente objetividade. Dentre os muitos títulos de sua autoria, destacam-se: O Castigo da Soberba; Uma Tragédia de Amor; Peleja de Manoel Camilo com Manoel Monteiro; Padre Cícero: Político ou Padre? Cangaceiro ou Santo?. Morou durante quase toda a sua vida em Campina Grande – PB, divulgando a cultura e a história do estado que o acolheu através do Projeto Paraíba, Sim Senhor!, no qual apresentava resumos biográficos de ilustres filhos deste estado. Era membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, onde ocupava a Cadeira de número 38, patroneada pelo poeta pernambucano Manoel Tomaz de Assis.

MANOEL D’ALMEIDA FILHO nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, a 13 de outubro de 1914 e faleceu em Aracaju, Sergipe, a 8 de junho de 1995. Filho de Manoel Joaquim D’Almeida e Josefa Pastora da Conceição. Durante algum tempo foi cantador; porém é como poeta de bancada que se sobressaiu com uma obra extensa e de admirável qualidade. O seu primeiro folheto foi escrito em 1936: A Menina que Nasceu Pintada com as Sobrancelhas Raspadas. Por muitos anos manteve uma banca de folhetos em Aracaju, cidade em que viveu a maior parte de sua vida, exercendo salutar influência sobre um grupo de bons poetas da região, lutando pela atualização e correção da literatura de cordel. Em 1955 ajudou Rodolfo Coelho Cavalcante a organizar o primeiro Congresso de Trovadores e Violeiros, realizado em Salvador. Por esta ocasião, entrou em contato com a Editora Prelúdio (antecessora da Luzeiro) de São Paulo, onde publicaria boa parte de sua obra. Entre os muitos títulos que legou à posteridade destacam-se: A Sorte do Amor, Rufino, o Rei do Barulho, Padre Cícero, o Santo do Juazeiro, Os Quatro Sábios do Reino, A Vitória de Floriano e a Negra Feiticeira, Vicente, o Rei dos Ladrões, Jesus e o Mestre dos Mestres, Josafá e Marieta, O Monstro Misterioso, O Feitiço Por Cima de Feiticeiro, O Lobisomem Encantado, A Noiva do Diabo, Os Três Conselhos da Sorte, O Comprador de Barulho, Quando a Coragem Triunfa, Os Amigos do Barulho e o Bandido Carne Frita, O Sacrifício do Amor e o Noivo Ressuscitado, O Homem que numa Hora Passou Cem Anos Andando, O Príncipe Enterrado Vivo e a Rainha Justiceira, Os Dois Amigos Leais, A Camponesa e o Príncipe Encantado, O Vaqueiro do Barulho, A Luta de Zé do Caixão com o Diabo. As suas obras sobre o cangaço ocupam lugar privilegiado na poesia popular, destacando-se na sua extensa bibliografia Os Cabras de Lampião, a obra-prima do autor e, indubitavelmente, a melhor biografia em versos sobre o famoso cangaceiro. Almeida era revisor e selecionador de textos da Editora Luzeiro. Seu desaparecimento, em 1995, deixou uma lacuna impossível de ser preenchida. Em numero de versos, sua obra é a mais extensa da poesia popular brasileira.

MANOEL PEREIRA SOBRINHO (PEREIRA, MANOEL PEREIRA ou MANOEL nos acrósticos) nasceu no Distrito de Passagem, município de Patos de Espinhara, PB, aos 6 de agosto de 1918. Poeta popular, entre 1948 e 1956 foi editor em Campina Grande, PB. Nos fins da década de 50, mudou-se para São Paulo, ligando-se à Editora Prelúdio (antecessora da Editora Luzeiro), para a qual reescreveu romances de Leandro e de outros autores famosos, conservando os títulos originais. Sua produção é muito grande, e nela se destacam os romances. Caracterizou-se por dizer o que pensava em termos rudes, tendo às vezes sido malquisto por isso. Sobrinho, Morto em 1996, é um dos grandes versificadores da história do cordel.
Bibliografia básica : A escrava do destino, Dimas e Madalena nos labirintos da sorte, Helena, a virgem dos sonhos, Os sofrimentos de Célia ou As três espadas de dores, Rosinha e Sebastião, Tiradentes, o Mártir da Independência.

MARCO HAURÉLIO nasceu na localidade Ponta da Serra, município de Riacho de Santana, sertão baiano, no dia 05 de julho de 1974. Filho de Valdi Fernandes Farias e Maria Fernandes de Souza Farias. Poeta, pesquisador da cultura popular, é um dos mais fecundos poetas em atividade. Cursou Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB, Campus VI - Caetité. Atualmente, coordena a Coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova Alexandria, para a qual escreveu A megera domada e O Conde de Monte Cristo. Autor, entre outros folhetos, de Galopando o Cavalo Pensamento, A maldição das sandálias do pão-duro Abu Kasem, editados pela Tupynanquim, de Fortaleza, Ceará. Ministra palestras e oficinas sobre cordel e cultura popular.
Pela Editora Luzeiro lançou : A briga do major Ramiro com o Diabo, A idade do diabo, As Três Folhas da Serpente, O herói da Montanha Negra, Nordeste, terra de bravos, História de Belisfronte, o filho do pescador, História da Moura Torta, O romance do príncipe do reino do Limo Verde, Serra do Ramalho, um Brasil que o Brasil precisa conhecer, Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo, Os Três Conselhos Sagrados.
Pesquisador do folclore brasileiro, lançou as coletâneas de histórias tradicionais Contos Folclóricos Brasileiros (Paulus), Contos e Fábulas do Brasil (Nova Alexandria), O Príncipe Teiú e Outros contos brasileiros (Aquariana) e a antologia de quadras e cantigas Lá detrás daquela serra (Peirópolis). Transita com desenvoltura pela literatura de cordel, pela literatura infantojuvenil e pela pesquisa das nossas tradições. Como estudioso do cordel, lançou, ainda, Breve História da Literatura de Cordel e Literatura de Cordel: do sertão à sala de aula. É o mais erudito dos poetas populares do Brasil.

MINELVINO FRANCISCO SILVA nasceu na Fazenda Olhos D'água de Belém, município de Mundo Novo, BA, aos 29 de novembro de 1926, e faleceu no dia de seu aniversário, em 1998. Além de trovador, era xilógrafo, fotógrafo e tipógrafo. Incansável batalhador pelos direitos dos poetas populares, em 1956 apresentou um projeto à Câmara de Vereadores de Itabuna, BA, dando a denominação de Rua dos Trovadores a uma das vias públicas da cidade. Lutou também para conseguir o direito de aposentadoria para os trovadores. Profundamente religioso, místico até, denominava-se O Trovador Apóstolo. Muito fecundo, sua obra aproxima de meio milhar de folhetos. Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A segunda vida de Cancão de Fogo, Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, Encontro de Cancão de Fogo com Pedro Malazarte, História do bicho de sete cabeças, História do gigante Quebra-Osso e o castelo mal-assombrado, História do valente João Acaba-Mundo e a serpente negra, História do vaqueiro Damião, João Valente e a montanha maldita, O Cangaceiro do Nordeste, O Martim Tomba-Serra e o gigante do deserto.

NATANAEL DE LIMA ( NDELIMA nos acrósticos ) nasceu aos 11 de janeiro de 1922, na então vila ( hoje cidade ) de Fagundes, município de Campina Grande, PB. De família pobre, não pode estudar, e começou a vida como agricultor.Em 1940 cantava emboladas. Em 1942 comprou uma viola, por influência do cantor violeiro Manoel Fabricio da Silva ( Asa Branca ), com quem passou a cantar no sertão paraibano, ganhando renome em pouco tempo. Em 1946 publicou seu primeiro livro, O Brasil em decadência, que teve grande êxito em todo o Nordeste; em seguida publicou Zuzu e Carmelita, Josino e Nestorina, João sem Direção, Genival e Belinha e muitos outros. Em 1950, vindo ao Rio de Janeiro, conquistou o primeiro lugar cantando no programa Onde está o poeta, de Almirante; ainda nessa viagem ganhou um prêmio, desafiando seis poetas cantadores no Teatro João Caetano. Voltando à Paraíba, negligenciou a poesia e foi trabalhar como carpinteiro, na construção civil. É falecido.
Bibliografia básica : O ferreiro das três idades, O escravo fiel, O romance de João sem Direção.

NEZITE ALENCAR nasceu no sítio Olho D’água dos Guálteres, distrito de Quixariú-Campos Sales-CE. É graduada em História pela Universidade Regional do Cariri, com especialização em História do Brasil. Professora aposentada, escreve poesia desde a adolescência. Publicou em 1987 seu primeiro livro Em Forma de Coração, seguido por Flor do Mato (poesia) em 2006. Na Coleção Cordel da Editora Paulus tem três títulos publicados: Canudos, o movimento e o massacre em cordel, Tiradentes e a Inconfidência Mineira e Afro-Brasil em cordel. Pela mesma editora lançou recentemente o paradidático Cordel das Festas e Danças Populares. Foi selecionada para o Prêmio Mais Cultura de Literatura De Cordel - 2010, do Ministério da Cultura, com o livro infantil Juanito e o monstro marinho. Membro da Academia dos Cordelistas do Crato desde 2006, Nezite ocupa a cadeira 21.

PAULO NUNES BATISTA nasceu em João Pessoa, Paraíba, em 1924. Cordelista, advogado e jornalista, é filho do famoso poeta Francisco das Chagas Batista. O autor desfruta de grande prestígio na Literatura de Cordel, tendo seu nome citado na Grande Enciclopédia Delta Larousse. Seus textos poéticos foram traduzidos até para o japonês. Escreveu e editou dezenas de livros, sendo, no cordel, o ABC a modalidade que mais abraçou. Autor, entre outros títulos, de Zé Bico Doce, o Rei da Malandragem, Os Crimes do Goianão, As Astúcias de Bertoldo, As Novas Proezas de João Grilo, Um Drama nas Selvas do Amazonas, O Negrinho do Pastoreio, As Lábias de Coré Mãozinha, O Desafio de João Fava com Juca Baiacu etc. Vive presentemente em Anápolis, Goiás.

RODOLFO COELHO CAVALCANTE nasceu em Rio Largo, AL, aos 12 de março de 1919, sendo filho de Artur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante. Morreu atropelado, em 1987. Aos 13 anos de idade, deixou a casa paterna. Percorreu todo o interior dos estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Piauí e Maranhão, como propagandista, palhaço de circo e camelô. Fixando-se em Salvador, BA, desde 1945 escreve suas histórias em versos e milita no jornalismo. Era membro fundador da Associação de Imprensa Periódica da Bahia, e filiado à Associação Baiana de Imprensa. Trovador entusiasta, fundou A voz do trovador, O trovador e Brasil poético, órgãos do movimento trovadoresco. Tem idealizado e realizado muitos movimentos, visando à união dos cantadores. Em julho de 1955, com Manoel D'Almeida Filho e outros expoentes da poesia popular, realizou o 1º Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocasião em que foi fundada a Associação Nacional de Trovadores e Violeiros, hoje Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador, BA. Sua obra é extensa e das mais variadas.Bibliografia básica : A chegada de Lampião no céu, ABC dos namorados, do amor, do beijo, da dança, História do Príncipe Formoso, O mundo vai se acabar, Quem ama mulher casada não tem a vida segura, A moça que bateu na mãe e virou cachorra.

ROUXINOL DO RINARÉ nasceu em Rinaré, Quixadá-CE, aos 28 de setembro de 1966. Recebeu na pia batismal o nome de Antonio Carlos da Silva. Poeta cordelista, com mais de 50 títulos publicados em cordel, a maioria pela Tupynanquim Editora. Seu trabalho como cordelista já foi citado nos principais jornais e revistas do Brasil, e também na França nas revistas Latitudes, Quadrant e Infos Brésil. Seu cordel Antonio Conselheiro e a guerra de Canudos (em parceria com Queiroz de França) foi citado numa prova de história do vestibular da UFC. Foi premiado nacionalmente com o 1º lugar no I Concurso Paulista de Literatura de Cordel (2002) e 2º lugar na segunda edição do mesmo concurso, em 2003. Entre outras atividades ministra oficinas de Literatura de Cordel. Três títulos de sua autoria figuram, certamente, entre os clássicos do cordel: O Justiceiro do Norte, O Alienista e O Guarda-Floresta e o Capitão de Ladrões.

SÁTYRO XAVIER BRANDÃO é um poeta popular natural de Propriá, SE. Costuma assinar suas obras simplesmente como Sátyro. Faleceu na primeira metade do século XX, tendo registrado boa parte de sua sofrida existência no folheto O Exemplo da Mocidade. Fez parte das levas de sergipanos pioneiros que desbravaram o sul da Bahia, quando da introdução da cultura do cacau. Seu maior sucesso, ainda hoje editado pela Luzeiro, é A triste sorte de Jovelina.

SEVERINO BORGES SILVA nasceu aos 8 de outubro de 1919, em Aliança, PE. Faleceu em 1991. Violeiro improvisador e poeta popular, criou e versou muitos folhetos de Literatura de Cordel. Estudioso e inteligente, era um dos mais inspirados improvisadores do nordeste. Vendia folhetos, esporadicamente, pois sua maior fonte de renda era a viola, da qual tirava a manutenção de sua numerosa família. Residia em Timbaúba, PE. Entre suas inúmeras obras, destacam-se : O verdadeiro romance do herói João de Calais, A princesa do reino do Mar Sem Fim, O valente Felisberto e Amor de mãe. Faleceu em 1991. Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A Princesa Anabela e o filho do lenhador, Amor de mãe, O cavaleiro das flores, O romance da Princesa do Reino do Mar Sem Fim, O valente Felisberto ou O Reino dos Encantos, O verdadeiro romance do herói João de Calais, Peleja de Severino Borges com Patativa do Norte.

SEVERINO GONÇALVES DE OLIVEIRA ( também conhecido por Cirilo de Oliveira, ou simplesmente Cirilo, como usava nos acrósticos ), foi xilógrafo e trovador. Na temática de suas obras de Literatura de Cordel, predominam a religião e a bravura. Morreu assassinado no município de Gravatá, estado de Pernambuco. É autor dos clássicos : A vitória do príncipe Roldão no Reino do Pensamento, As perguntas do rei e as respostas de Camões, Cidrão e Helena.

SEVERINO MILANÊS SILVA nasceu em Bezerros, PE. Foi cantador e poeta popular, e entre suas obras distinguem-se: A greve dos animais, História de Luís e Noêmia, História do Valentão do Mundo, Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês, entre outras. Já faleceu.

SILVINO PIRAUÁ DE LIMA nasceu em Patos, PB, em 1848, ou 1860, e morreu em Bezerros, PE, em 1913. Foi quem popularizou o romance rimado, no nordeste brasileiro. Autor dos seguintes folhetos, entre muitos outros : História de Zezinho e Mariquinha, História do capitão do navio, Três moças que quiseram casar com um só moço, A vingança do sultão, Descrição da Paraíba, Descrição do Amazonas.

Fontes: Editora Luzeiro (www.editoraluzeiro.com.br/)
Câmara Brasileira de Jovens Escritores

Cordel Atemporal (http://marcohaurelio.blogspot.com/2011/06/dicionario-basico-de-autores-de-cordel.html)
 

Fúria da cidade

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Poetas populares no Instagram resgatam a literatura de cordel


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Imagem: Reprodução/Instagram

É de um celular em São Bento (PB), município do sertão paraibano a 375 quilômetros de João Pessoa, que o pedagogo Carlos Fernandes, 34, posta suas rimas e versos de cordel no Instagram. Com 3.300 seguidores, o perfil Poesia no Tamborete é um reflexo dos novos tempos para a literatura de cordel, que ultrapassou os limites das feiras do Nordeste para invadir a tela do smartphone.

Na rede social, são mais de 66 mil postagens com a hashtag #cordel. Além de Fernandes, outros jovens poetas aderiram à plataforma para renovar a tradição das rimas populares, levando para a internet a herança recebida dos avós nordestinos.

No perfil de Fernandes, a língua é o "nordestinês". Ele diz se inspirar na forma singular do nordestino se comunicar quando decide publicar algo no Instagram. Quando criança, o poeta lia cordéis para os avós analfabetos à luz de uma lamparina, onde nem energia elétrica havia. Hoje, se orgulha quando fala que seus versos ultrapassaram fronteiras por meio do celular.

É a forma de modernizar a literatura de cordel, às vezes muita gente não tem acesso ao folheto. Ao publicar meus versos, estou divulgando meu trabalho, e as pessoas estão lendo, estão consumindo Carlos Fernandes

Os posts dos novos poetas populares, em geral, seguem a mesma métrica e estrutura de uma poesia em cordel impressa, com seis ou sete versos. O design também lembra os folhetos vendidos nos mercados das cidades do interior nordestino. O humor com crítica social e política, marcas do cordel em papel, continuam sendo retratados nas mídias digitais. Há perfis dos mais variados tipos, desde histórias em botecos a enredos que enaltecem o Nordeste.

Filho de cearenses, o jornalista Ailton Mesquita, 33, tem quase 60 mil seguidores no perfil Um Repente por Dia. O primeiro contato com o cordel foi na escola, quando a professora de português fez um trabalho sobre o tema, e os versos e rimas vieram de forma espontânea, lembra ele, que mora na capital federal. "Brasília também tem muito de Nordeste, o sotaque daqui é uma mistura de vários. Mesmo não sendo nordestino, acabo tendo essa aproximação", diz ele.

A inspiração para a página surgiu após postar uma reclamação em versos no Facebook, destinada a uma casa de câmbio. O post viralizou, e a empresa decidiu responder o questionamento também em forma de cordel, concedendo descontos na compra de moeda estrangeira para Mesquita. Com o sucesso e a ajuda de colegas designers, criou o perfil no Instagram. "Vi que tinha como brincar com isso, com humor no cordel."

Manuela Maia, professora da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) e pesquisadora de cordel há 13 anos, acredita que esse movimento da poesia popular nas redes sociais dá visibilidade à literatura nordestina em um espaço ainda mais heterogêneo como é o caso do Instagram, mantendo viva a tradição do cordel. Isso faz com que surjam novos poetas fora do Nordeste, com motes mais atuais, afirma.

"É um movimento de resistência e de registro. O que muda é o dispositivo, a forma de ler. É a visão do povo, que continua na oralidade e na escrita desses novos poetas", resume a especialista. Para Mesquita, o espaço das redes permite levar poesia até para quem não conhece literatura de cordel. "Na internet, você encontra muita arte. É o contato que muitas pessoas nunca tiveram antes", ressalta.
Resistência e crítica popular

Como manifestação da cultura popular, o cordel nem sempre foi bem visto por intelectuais, que viam a literatura que se espalhava pelo Nordeste como poesia "analfabeta", afirma o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva. "Eles [os intelectuais] não botavam muita fé no cordel. Percebendo a força de inteligência dos cordelistas, preferiam evitá-los e tachá-los de semianalfabetos porque não sabiam produzir texto", lembra o poeta.

Até pelo cunho popular, o cordel sempre foi instrumento de luta e resistência no Nordeste, usado por camponeses, por exemplo, para denunciar os políticos da região, as arbitrariedades de autoridades e o cangaço. "Quando você conhece a história e a riqueza do cordel a partir de poetas portugueses, como Camões, Gil Vicente, você pede desculpas [pelas críticas]", diz Ferreira da Silva.

Recentemente, após o presidente Jair Bolsonaro chamar os governadores do Nordeste de "paraíba" - termo pejorativo usado em partes do Sudeste - o cordel fez valer seu histórico de denúncia e resistência em versos de crítica social no Instagram. O poeta Ailton Mesquita conta que chegou a perder seguidores pelas postagens em seu perfil. "Falar do Nordeste é assumir um lado, o lado da diversidade e do respeito", afirma, contando que foi chamado até de comunista nos comentários.

Versos ao vivo

Para vender seus folhetos nas feiras livres, os poetas populares usavam da oralidade para narrar seus enredos. Dessa forma, conquistavam a plateia atenta. É o que passou a fazer - só que em rede nacional - o cordelista e declamador Bráulio Bessa no programa "Encontro com Fátima Bernardes", da Globo.

O sucesso de Bessa contribuiu para motivar outros poetas a fazerem literatura de cordel nas redes sociais. Aos 24 anos e apaixonado por fotografia, o jornalista paraibano Luís Eduardo Andrade criou a página Verso e Foto, onde posta fotos acompanhadas de um versinho. "Uma vez por semana eu também publico uma poesia completa em vídeo. Não esperava esse sucesso", conta.

Nascido em João Pessoa, Andrade passou parte da infância e da adolescência no município de Serra Redonda (PB), a 105 quilômetros da capital. É de lá e da relação com a família do interior que busca inspiração para os versos e rimas que publica. Nessa "brincadeira", a página já alcançou mais de 10 mil seguidores. O chapéu de vaqueiro, que usa desde os tempos de criança, virou uma característica em seus vídeos. "Na última vez que estive em Campina Grande (PB), algumas pessoas até me reconheceram por causa do chapéu".

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Imagem: Reprodução/Instagram
Quem também ganhou notoriedade com posts em vídeos no Instagram foi o bacharel em Direito Hugo Novaes, 31, de Maceió. Hoje, com mais de 191 mil seguidores, ele é destaque em diversas feiras literárias pelo país e faz participações especiais no programa "É de Casa", da Globo.

Em 2016, após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a vaquejada no país, Hugo decidiu postar um vídeo onde criticava a decisão em formato de rima. Na época, como o Instagram só aceitava vídeos de até um minuto, a poesia foi compartilhada pela metade. Foi aí que teve a ideia de criar o perfil 1 Tema, 1 minuto, 1 Poema, com poesias pautadas por assuntos escolhidos pelos internautas e narradas no limite máximo de um minuto. A página passou de 1.000 seguidores para 10 mil em apenas uma tarde.
Diversidade nos cordéis

As redes sociais também deram visibilidade ao trabalho de mulheres cordelistas num universo dominado por homens. Atual presidente da Academia Sergipana de Cordel, a pedagoga Izabel Nascimento diz que as dificuldades na literatura de cordel não são diferentes de outras áreas. "Mesmo sendo crescente o número de mulheres, [o cordel] é predominantemente masculino. A dificuldade que enfrentamos é a mesma, com preconceitos e machismo", diz.

Filha de cordelistas, Izabel declama críticas por mais igualdade no próprio perfil para um público de 3.100 seguidores, em posts que foram reunidos em um livro. Apesar do sucesso online, ela não deixa de publicar seus próprios folhetos. "O cordel existe até hoje porque tem essa capacidade de se transformar. Tem uma tradição, não podemos abandonar. As redes sociais ampliam, mas não acabam com os folhetos", defende.

A desigualdade de gênero que a pedagoga critica está refletida na própria formação da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro. Das 40 cadeiras, 36 são ocupadas por homens". O patriarcalismo no Nordeste também era um fenômeno no cordel. Mas há um movimento de mulheres que começam a ter voz nesses espaços", diz a pesquisadora Manuela Maia, da UEPB.

Uma dessas vozes é a da poetisa e cordelista Jarid Arraes, 28, de Juazeiro do Norte (CE). Uma das novas expoentes do cordel pelo país, Jarid levou seus versos para o palco da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) como convidada oficial na edição deste ano.

Nascida no sertão do Cariri, no Ceará, ela é filha e neta de cordelistas. As poesias de Jarid são dedicadas principalmente às mulheres negras, a exemplo da Coleção Heroínas Negras da História do Brasil. Na obra, são resgatadas biografias de negras que marcaram a história brasileira, como Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Tereza de Benguela, Laudelina de Campos, Dandara, entre outras. Além de trazer a mulher para o centro das narrativas do cordel, poetas como Jarid contribuem para resgatar o gênero da literatura brasileira.

Um cordel para contar a história do cordel

Foi através dos portugueses
Vindos na colonização
Que o Cordel chegou no Brasil
Instalando-se na nação
Por volta do século 16
Conquistando corações
Irradiando na Bahia
Passou de mão em mão
No Nordeste encontrou refúgio
Para perpetuação
Em folhetos eram contados,
narrados com emoção.
A década de 1890
é o marco da inauguração
Do cordel brasileiro
Tendo na primeira publicação
de Leandro Gomes de Barros
Sua aparição.
O povo todo já sabia
das histórias de Lampião
Narradas nas rimas
como meio de comunicação.
O cordel era o jornal
da época de então.
Mesmo com a tecnologia
Os poetas não deixam de narrar
Suas lutas e vivências
pela tela do celular
mantendo vivos o cordel
e a cultura popular.

*Com informações da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e Fundação Casa de Rui Barbosa
 

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