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Migração Artigos Valinor

Michael Martinez 49/23
Valinor 42/41
  • Editoriais 26/25
  • Tutoriais 2/2
  • Eleni 14/14

Os Filmes 89/55

  • Elenco 3/0
  • Curiosidadade 19/13
  • Trilha Sonora 20/5
  • Armas 5/5
  • Diálogos 32/32
  • Outros 10/0

Lingüística 9/0

 

As Cartas de Tolkien 10/10
Tirith Aear 32/32
Heren Quentaron 44/44
Textos & Ensaios 69

Música 75/75
Coluna do Deriel 22/22
J.R.R. Tolkien 48

Entrevistados Valinor 11
Coluna da Éowyn 3
Grimorium 2
Portos Cinzentos 2

 
Legenda:
já concluídos
parcialmente concluídos ou não iniciado
não migrados

Trívia Valinor Retorna

Aha! Depois de algum período turbulento estamos nós retornando com a [url=”http://forum.valinor.com.br/quiz.php”]Trívia Valinor[/
 

Aha! Depois de algum período turbulento estamos nós retornando com a [url=”http://forum.valinor.com.br/quiz.php”]Trívia Valinor[/url] (é preciso estar logado na Valinor para participar). São 21 questões sobre o primeiro capítulo dO Senhor dos Anéis e mais 20 perguntas serão colocadas a cada quinzena pelo Valarcan, confiável componente da Equipe Valinor :joy:

Agora as questões estão bem mais diversas podendo ser escolha simples, múltipla ou (o terro! o terror!) resposta aberta. Também podem ter duração limitada para o tempo de resposta e podem ficar aberta até somente certa período. Boa diversão e sorte a todos!

J.R.R. Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Seu pai, Arthur Reuel Tolkien, era empregado de um banc
 

John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Seu pai, Arthur Reuel Tolkien, era empregado de um banco inglês instalado na África, e sua mãe, Mabel Suffield Tolkien, era dona de casa. A família provavelmente viveria muitos anos no continente africano, se Arthur não tivesse falecido em 1896. Mabel decidiu, então, retornar à Inglaterra com o jovem Ronald (como era chamado) e o irmão mais novo deste, Hilary.

Ronald passou quase toda a sua infância dividido entre as regiões rurais das Midlands Ocidentais e a cidade industrial de Birmingham, onde freqüentou a Kings Edward School. A proximidade dessa região com o País de Gales ajudou a desenvolver, muito precocemente, a paixão de Tolkien por línguas: nos vagões de trem carregados de carvão, o garoto via palavras em galês como “Nantyglo” e “Senghenydd”, que o fascinavam e inspirariam a criação das línguas élficas. Em 1900, Mabel Tolkien decidiu converter-se ao catolicismo juntamente com seus filhos. John Ronald permaneceria profundamente católico até o fim da vida.

Embora modesta, a vida levada por Mabel e seus filhos era relativamente tranqüila. A situação mudou em 1904, quando Mabel faleceu. A partir de então, a educação e bem-estar de Tolkien e seus irmãos passaram a ser responsabilidade do Padre Francis Morgan, amigo de Mabel. John Ronald passou a morar na hospedaria de uma certa senhora Faulkner, onde conheceu a jovem Edith Bratt, então com 19 anos (Tolkien tinha 16). Os dois se apaixonaram, mas o Padre Morgan, ao descobrir o namoro, proibiu que eles se vissem até que Tolkien completasse 21 anos. Obedecendo a seu tutor, mas sem esquecer Edith, Tolkien ingressou na Universidade de Oxford em 1911, mostrando-se um aluno brilhante no estudo das línguas germânicas, do inglês antigo, do galês e do finlandês. Esta última língua, uma das paixões de Tolkien, também seria uma das bases primordiais para as língua élficas.

[b] Casamento, guerra, academia [/b]

Finalmente, por volta de 1914, o relacionamento de John Ronald e Edith pôde seguir seu curso. Ela se converteu ao catolicismo, enquanto Tolkien concluiu o curso de Língua e Literatura Inglesa em 1915. Foi também durante essa época que o qenya (hoje chamado “quenya”), o mais importante dos idiomas ficcionais criados por Tolkien, começou a tomar forma. Entretanto, a Primeira Guerra Mundial já estava varrendo a Inglaterra, e o jovem John Ronald não escapou da maré negra. Convocado para servir como segundo-tenente nos Fuzileiros de Lancashire, Tolkien casou-se com Edith em 22 de março de 1916 e, logo depois, embarcou para a França.

Tolkien participou da terrível ofensiva de Somme, na Bélgica, e após quatro meses no front contraiu a chamada “febre das trincheiras”, uma infecção semelhante ao tifo que grassava devido às péssimas condições de higiene no exército. Mandado de volta à Inglaterra, Tolkien começou a rascunhar, enquanto se recuperava, as primeiras versões de sua mitologia, com as primeiras histórias de elfos, anões e homens, e os relatos originais da queda de Gondolin e de Nargothrond. Em 1917, nasceu o primeiro filho de Edith e Ronald, John Francis Reuel. Além dele, o casal também teria Michael, Christopher, e uma menina, Priscilla.

Depois do fim da guerra, a carreira acadêmica de Tolkien decolou: ele foi escolhido Leitor (Professor Associado) de Língua Inglesa na Universidade de Leeds em 1920 e, em 1925, passou a ocupar o posto de professor de Anglo-saxão em Oxford. Como professor, Tolkien se dedicou principalmente ao estudo da literatura em inglês antigo e médio (seus estudos do poema anglo-saxão “Beowulf” estão entre os mais imporantes do gênero) e também às aulas na graduação.

[b] A Terra-média irrompe[/b]

Era costume de Tolkien contar histórias, criadas por ele próprio, para seus filhos. Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele se deparou com uma folha em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu nela: “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Tolkien decidiu então “descobrir” o que era o tal hobbit, e a partir disso criou mais uma história para seus filhos, com as aventuras do hobbit Bilbo. A história, datilografada, chegou às mãos de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin, que pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenhá-la. O garoto adorou o livro, e Stanley Unwin decidiu publicá-lo em 1937 com o título “O Hobbit”. O sucesso foi tamanho que o editor pediu a Tolkien uma continuação das aventuras de Bilbo.

Tolkien decidiu escrever a continuação, mas a história, atraída irresistivelmente na direção das velhas lendas élficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita e se tornou um épico de mais de mil páginas. A essa altura, Rayner já havia crescido e passado a ocupar o cargo de seu pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou “O Senhor dos Anéis” em três volumes, lançados de 1954 a 1955. O sucesso, estrondoso, surpreendeu a todos, inclusive a Tolkien. Uma edição pirata do livro, lançada nos Estados Unidos em 1965, ampliou ainda mais tal êxito, já que os adeptos da contracultura e do movimento hippie se identificaram profundamente com a narrativa.

[b] Beren e Lúthien [/b]

Surgira como que um culto em torno da figura e dos escritos de Tolkien. Se de um lado o autor se sentia lisonjeado, o homem Tolkien não estava tão contente: pessoas de todos os cantos do mundo se achavam no direito de ligar para a sua casa ou simplesmente bisbilhotá-lo do outro lado da rua. Assim, depois de se aposentar e com os filhos há muito crescidos, ele decidiu se mudar para o pacato balneário de Bournemouth em 1969, em companhia de Edith. Em 22 de novembro de 1971 ela faleceu, e Tolkien voltou para Oxford. Ele próprio morreria em 2 de setembro de 1973. Os dois estão enterrados juntos no cemitério de Wolvercote, em Oxford. Na lápide, num eco da mais bela história de amor de sua mitologia, pode-se ler:

[b]Edith Mary Tolkien, Lúthien, 1889-1971
John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973 [/b]

Valinor – Terra Imperfeita

Das altas torres da cidade de Tirion, os noldor observavam com alegria, a enorme multidão que passava aos pés do monte T

 

Das altas torres da cidade de Tirion, os noldor observavam com alegria, a enorme multidão que passava aos pés do monte Túna. Milhares de atani, naugrins e outros povos da Terra-média percorriam a estrada que atravessava a região que um dia fora chamada de Calacirya. À leste, era possível avistar diversas embarcações trazendo um número ainda maior de visitantes, que eram recebidos pelo belíssimo canto dos teleri. E a oeste já se via uma enorme agitação ao redor de Laurelin, que junto com Telperion, era a fonte de luz de toda Arda. Era tempo de festa em Valinor.

 


 

Mas nem todos estavam comemorando. Alheio a agitação que tomava conta do reino sagrado, o filho mais velho de Finwë £aminhava pelo jardim de sua casa, observando a jóia em sua mão. Fë¡®or contemplava a luz da última Silmaril, enquanto sua mente vagava entre as lembranças dos dias antigos. Mesmo assim, ele não deixou de notar o pequeno intruso, que se esgueirava entre as árvores de seu jardim.


– A festa do ano novo em Valinor é uma oportunidade única para os de sua raça, criança. – disse Fë¡®or, escondendo rapidamente a Silmaril no bolso de sua roupa. – Essa é uma das poucas épocas em que é permitido que os Atani pisem no solo sagrado de Valinor. São poucos os mortais que tem a chance de participar deste evento e ainda assim você prefere perder tempo invadindo a minha casa?


– Perdoe-me senhor, eu não tive a intenção… – disse o jovem, que saiu de trás de uma pequena árvore, a apenas alguns metros de Fë¡®or. Era uma criança da raça dos homens.

 

– O que você quer aqui? Visitas a minha casa não estão incluídas nas festividades. – disse Fë¡®or num tom severo.


– Mais um vez eu peço seu perdão meu senhor, pois o que me trouxe aqui foi um poder além de minha vontade. – disse o jovem, que encarava o olhar frio e severo de Fë¡®or. – Assim que coloquei os meus pés na praia desta terra maravilhosa, um brilho distante, vindo da cidade de Tirion, atraiu mais a minha atenção do que a própria luz das Árvores. Enquanto eu e minha família caminhávamos em direção a Tirion, eu me sentia atraído por aquela luz magnífica e ficava me indagando que tipo de artefato poderia produzir um brilho tão intenso. O poder que ela exercia sobre mim era tanto, que eu acabei me separando de meu grupo e comecei a vagar sozinho pela cidade. A luz me guiava pelas ruas de Tirion e, sem que eu percebesse, ela me trouxe até o jardim de sua casa.


Fë¡®or já sabia aonde aquela história iria acabar. Mas preferiu deixar que ele a terminasse, enquanto segurava o riso e tentava manter uma expressão severa. Foi quando ele se deu conta de que fazia tempo que ele não tinha vontade de rir.


– Muitas história são contadas na Terra-média sobre as Silmarils e seu grande criador, o mestre Fë¡®or. – continuou o rapaz. – E agora eu percebo que a luz que me trouxe até aqui, só poderia ser a luz da última Silmaril: a jóia cujas irmãs foram sacrificadas para que as Árvores de Valinor voltassem a brilhar. O que me leva a supor que estou diante do grande Fë¡®or. Sendo assim, sou obrigado a pedir o seu perdão uma terceira vez, pois me dei conta de que ainda não lhe cumprimentei da forma que merece. – o jovem fez uma grande reverência diante de Fë¡®or, permanecendo por algum tempo de cabeça baixa. O jovem ia falar novamente quando foi interrompido por Fë¡®or.


– Para alguém de vida tão curta, você fala demais meu jovem. Você desperdiça muito tempo com histórias e elogios quando deveria ir direto ao assunto. Creio que, depois de ter sido enfeitiçado pelo poder da Silmaril e de ter procurado tanto por ela, nada mais justo que você a veja, não é mesmo? – o rapaz ameaçou falar alguma coisa mas foi interrompido novamente.


– Entretanto, estou curioso com uma coisa. – continuou Fë¡®or. – Como você pode ter visto a Silmaril das praias de Aman, se ela estava trancada dentro de minha casa? Fazem apenas quinze minutos que eu a trouxe para fora. Será que a raça dos homens é assim tão formidável que consegue enxergar até mesmo através das paredes?


– Não meu senhor, é que… – disse o jovem, que tentava encontrar as palavras certas, enquanto tentava esconder a vergonha.

 

– A verdade é o melhor coisa a se falar num momento como esse. – disse Fë¡®or. – Você já veio a Valinor com a intenção de ver a Silmaril. Provavelmente, você até já sabia onde eu morava, não estou certo?

 

– Sim, senhor – disse o jovem, que agora já não encarava o elfo, preferindo manter a cabeça baixa.


– Mas agora estou curioso. Como já disse, essa é uma oportunidade única para os mortais. Afinal, os anos em Valinor, apesar de agora serem mais curtos do que eram na primeira Era das Árvores, ainda são mais longos do que a vida de qualquer raça mortal da Terra-média. A festa do ano novo em Valinor é um evento que poucos tem o privilégio de participar. E mesmo com tantas coisas maravilhosas a se ver, ainda assim, você veio para cá com a firme intenção de ver a Silmaril. Por quê?


– Eu prometi para alguém senhor. – disse o jovem. – Na verdade, foi quase uma aposta. Eu apostei que quando viesse a Valinor, eu conseguiria ver a luz da última Silmaril.

 

– É mesmo? E para quem você fez tal promessa? – perguntou o noldor.

 

– Para a bela filha do grande rei de Doriath. – respondeu o jovem.


– É mesmo? – Fë¡®or não conseguia mais esconder o sorriso. – E que tipo de prova você pretende levar para ela, caso consiga colocar os olhos na Silmaril? Por acaso pretende levar a própria jóia, roubando-a de mim?

 

– Não, não meu senhor. Eu não ousaria fazer isso nem em pensamento. Na verdade, ela não me pediu prova nenhuma. Ela me disse que saberia, simplesmente olhando em meus olhos.


– Muito bem então. Estou quase propenso a lhe dar um privilégio que poucos mortais tiveram. Mas antes, eu quero que você me prometa que não contará a ninguém que a viu. Nem mesmo a jovem Lúthien. Afinal, se ela disse que saberia apenas olhando em seus olhos, não é necessário que você conte.

 

– Sim senhor. Em nome da casa de B믲, eu juro. – respondeu o jovem, com uma expressão séria.


– Então aqui está. – E Fë¡®or a tirou do bolso e a colocou na palma da mão do menino. Os olhos dele se arregalaram, incrédulos, pois jamais imaginara que a jóia pudesse ser assim tão linda. Fë¡®or também estava maravilhado, pois agora entendia o que a filha de Thingol queria dizer. Pois os olhos do jovem refletiam de tal forma a luz da Silmaril, que parecia que eles tinham luz própria. Para Fë¡®or, parecia que as três Silmarils estavam unidas novamente.


O jovem ficou parado
, em silêncio, observando a Silmaril em sua mão por algum tempo. Foi quando ele percebeu o olhar melancólico de Fë¡®or para ele.

 

– Foi difícil não foi? – disse o jovem, enquanto devolvia a jóia para seu dono. – Foi difícil ter que desfazer as outras duas, quando a hora chegou?


– Mais do você pode imaginar. – respondeu Fë¡®or. – Pois naquela época, eu já havia perdido muito, e eu não queria me desfazer da última coisa que ainda me era cara.

 

Os dois permaneceram sem dizer nada por um longo tempo.

 

– Obrigado! – disse o jovem, quebrando o silêncio. – Por ter tomado a decisão certa.


Fë¡®or olhou para ele com um sorriso, mas não conseguiu responder.

 

– Agora já é hora de você ir. Acho que seus pais devem estar procurando por você neste momento.

 

– Sim senhor! Muito obrigado, senhor. – disse o jovem, enquanto fazia uma longa reverência. E quando ele já estava quase indo embora, o elfo o chamou mais uma vez.

 

– Em tempo dificeis, seu nome poderia ter sido famoso, jovem Beren, filho de Barahir.


O rapaz parou, e com uma expressão de espanto, tentou dizer alguma coisa. Sem conseguir dizer nada, o jovem apenas sorriu para o elfo, e saiu correndo.

 

 

Fë¡®or ainda ficou parado por um tempo, segurando a Silmaril em sua mão. Então ele se dirigiu para uma sacada, de onde ele conseguia avistar a multidão, que ainda chegava a Valinor. E ficou pensando nas palavras do jovem Beren.


E Fë¡®or se lembrou daquele dia, no Círculo da Lei, quando decidiu abrir mão das Silmarils, para que as Árvores de Valinor pudessem ser salvas do ataque traiçoeiro de Morgoth e Ungoliant.

 

Por causa de sua decisão, quando chegou a notícia da morte de Finwë ¥ do saque de Formenos, todo o poder dos Valar e dos Elfos das três casas se uniram a ele. Um exército, cuja marcha fazia a terra tremer, caçou Melkor, que mal conseguira chegar a Angband. Mas mesmo em sua fortaleza, e com o apoio de suas criaturas, ele nada conseguiu fazer contra o poder unificado de Valinor. Melkor foi derrotado, de maneira rápida e definitiva. Com as Silmarils recuperadas, as Árvores de Valinor voltaram a brilhar, pois duas jóias foram sacrificadas para que duas árvores voltassem a viver. E uma vez que o mal havia sido totalmente extinto e Valinor não corria mais riscos, os Valar puderam descer as muralhas das Pelóri, permitindo que a luz das Árvores iluminassem toda Arda. Sem as mentiras de Morgoth, a raça dos homens aceitou a sua mortalidade como uma dádiva dada por Ilúvatar, e passaram a viver em total harmonia. Os reinos de Elfos, Homens e Anões foram prósperos em toda parte.


E Valinor, mesmo que ainda permaneça como uma terra proibida para os mortais, se tornou um santuário para todas as raças, que se reunem em épocas de festa para celebrar a obra de Ilúvatar. Valinor era a terra perfeita com que os Valar tanto sonharam.

 

– A decisão certa. – disse para si mesmo. – Sim, acho que você tem razão.


Fë¡®or sorriu e olhou em direção a Laurelin. Ela já começava a diminuir para dar lugar a luz de Telperion. Depois ele olhou para a última Silmaril. E então, guardando-a em segurança dentro de sua casa, Fë¡®or saiu para se juntar a festa. Foi quando ele sentiu uma dor aguda em seu peito.

 

Ele sentiu um gosto estranho e viu que um líquido vermelho descia pelo canto de sua boca. Demorou para ele perceber que era seu próprio sangue, que subia pela sua garganta.


Fë¡®or olhou em volta, e se assustou ao ver a terra árida e os céus escuros de Dor Daedeloth. Foi então que a dor dos ferimentos causados por Gothmog o trouxeram de volta a realidade. Percebeu que seu corpo mutilado estava sendo carregado pelo seus filhos. Sentindo que a morte se aproximava, pediu-lhes que parassem. E nas encostas das Ered Wethrin, enquanto olhava para os cumes das Thangorodrim, Fë¡®or teve uma segunda visão. E ele viu toda a tristeza e destruição que sua decisão ainda iria causar. Pois se antes ele havia visto a Valinor que poderia ter sido, agora ele via a Valinor que um dia será: uma terra de deuses omissos, um asilo para elfos cansados e arrependidos, um objeto de cobiça para os homens.


E seu ódio por Morgoth ardia com uma intensidade ainda maior dentro dele, pois foram suas mentiras que influenciaram sua decisão naquele dia, quando fora convocado ao Círculo da Lei. E Fë¡®or amaldiçoou o nome de Morgoth três vezes e mesmo sabendo de toda a desgraça que ainda recairia sobre seus filhos, os incumbiu de cumprir a sua vingança. Então seu espiríto partiu e seu corpo, transformado em cinzas, se dissipou como fumaça.


 

Asas de Balrog

– Balrogs tem asas!

– Ai meu Deus! Lá vamos nós de novo… – disse Alan.

 

– Balrogs tem asas!

– Ai meu Deus! Lá vamos nós de novo… – disse Alan. – Myrian, quanta vezes eu vou ter que te explicar? Balrogs não tem asas.

– Mas está bem claro lá no livro: “e suas asas se abriram de parede a parede…” – respondeu Myrian.

– Tudo bem, mas no parágrafo anterior está escrito que “a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes asas”. Não eram asas de verdade…

Sentada ao lado deles, Viviani apoiava a cabeça nas mãos e olhava entediada para a sua amiga, que discutia um assunto que para ela, era completamente sem sentido. De vez em quando ela olhava para o homem sentado ao seu lado, esperando que ele falasse alguma coisa ou tomasse alguma atitude. – Detesto encontro às escuras. – pensava ela. Paulo parecia distraído, alheio à discussão dos dois amigos e à mulher sentada ao seu lado. Os quatro estavam sentados em um banco, num shopping qualquer da cidade de São Paulo.

A discussão continuava quando de repente, uma voz vinda de trás deles a interrompeu.

– Tolos.

O quarteto olhou para trás e Viviani conteve um grito, quando viu a figura sentada no banco que ficava de costas para eles. Era um homem velho, com longos cabelos e barba castanhos. Suas vestimentas, que mais pareciam trapos, eram marrons e não se podia distinguir a sujeira do tecido. Em seus ombros, duas pombas repousavam calmamente. E os três, o velho e as duas aves, encaravam o pequeno grupo.

– Tolos. Vocês crêem nos escritos de Tolkien como se eles fossem uma verdade absoluta. Como se os fatos ali descritos fossem exatos. Mas nem tudo o que está nos livros aconteceu da maneira como foi escrito.

Myrian olhou para os amigos e sorriu. – Esse cara deve ser louco. – pensou ela.

– Espera um pouco! – disse ela, se esforçando para não rir. – O senhor está querendo nos dizer que os tempos antigos não foram do jeito como está descrito nos livros? Então tudo aquilo que Tolkien escreveu é falso? Não passa de uma fantasia?

– Não, não. Não é isso que eu quis dizer. Tolkien tinha um dom especial. Seus sonhos e visões o levaram a uma época tão antiga, que poucos ainda se lembram dela. Ele conseguiu escrever sobre eventos e locais que não estão mais registrados em lugar nenhum. No entanto, ver é muito diferente de viver. Tolkien não viveu naquela época. O que ele escreveu, foi de acordo com aquilo que ele pôde interpretar de seus sonhos e visões. E apesar de muitos fatos terem sido descritos com uma exatidão surpreendente, outros acabaram sendo alterados e até mesmo esquecidos. Pequenos detalhes na verdade, que são percebidos somente por aqueles como eu, que ainda se lembram daquela época…

Myrian olhou para os amigos. Enquanto tampava a boca com uma mão, para sufocar uma gargalhada, com a outra, ela fazia movimentos circulares com o dedo apontado para a própria cabeça. – Com certeza ele é completamente louco. – pensou ela.

Viviani olhou para ela com um olhar de reprovação. Ela não achava muito certo ficar se divertindo com os delírios daquele pobre homem. Alan e Paulo nada diziam. Apenas observavam o velho, com uma expressão de surpresa estampada em suas faces.

– Vejam por exemplo, o caso das asas dos balrogs, que vocês estavam discutindo agora há pouco. – continuou o velho. – Tolkien nunca foi muito claro com relação a elas, pois ele próprio não conseguiu ter uma visão muito clara daqueles demônios. Não podemos culpá-lo, é claro, pois balrogs são mesmo criaturas difíceis de descrever.

Myrian tentou interromper o velho, mas ele parecia empolgado e não parava de falar.

– Temos também o caso do sábio Radagast, que foi praticamente ignorado nas histórias. Como pode, um Istari de tamanho poder e sabedoria, ser reduzido a um papel tão pequeno e insignificante? É um absurdo…

– Peraí, senhor! – interrompeu Myrian bruscamente. – Não muda de assunto não. Ninguém aqui quer saber do inútil do Radagast. Você estava falando de balrogs. Então diz aí pra gente, eles tinham asas, não é?

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O velho subitamente se levantou e os dois pássaros que haviam permanecido quietos em seus ombros alçaram vôo, assustados. Myrian se calou.

– O que foi que você disse? – disse o velho, nitidamente irritado. – Como ousa chamar a mim, Radagast, o Castanho, de inútil? Eu, que pertenço à ordem dos Istari, não terei meu valor questionado por uma reles mortal.

Myrian não parecia assustada com a ameaça do velho, mas Viviani levantou e se afastou. Alan e Paulo permaneceram sentados. Só eles haviam notado o grande número de pássaros que, de repente, começavam a entrar no shopping. Rápida e silenciosamente, eles se reuniram acima e ao redor do velho. As aves pareciam focar os olhares sobre o pequeno grupo. O velho parecia ter crescido em tamanho e continuava gritando. Sua voz agora era assustadora e chamou a atenção de várias pessoas no shopping.

– Preste atenção minha jovem, pois eu não fui deixado para trás à toa. Meu papel na grande Música ainda não está concluído e chegará o dia em que todos se lembrarão do grande Radagast. No dia em que Morgoth escapar de sua prisão e as luzes do Sol e da Lua forem para sempre extintas, vocês virão a mim. E eu estarei lá para guiá-los, quando o fim chegar…

O velho foi interrompido por dois seguranças do shopping, que apareceram e o pegaram pelos braços. Os pássaros bateram asas e levantaram vôo, fazendo um grande alvoroço.

– Venha vovô. – disse um dos seguranças. – O senhor já causou muito tumulto por hoje.

O velho foi arrastado para fora, mas continuou esbravejando. Mas agora, a sua voz havia diminuído e ele perdera toda a imponência que demonstrara há apenas alguns instantes.

– Lembrem-se disso. – continuou. – A hora está chegando. A espada negra… a espada negra de Túrin foi reforjada. Meu papel neste mundo ainda não terminou…

E voltando seu olhar para Alan e Paulo.

– … e nem o de vocês.

Então o velho finalmente foi arrastado para fora e aos poucos, a multidão que se formara ao redor dele, foi se dispersando.

– Que cara mais doido… – disse Myrian.

– Doida é você! – disse Viviani. – Tinha que ficar provocando o pobre homem? Você não tem jeito mesmo, né?

– Me desculpe, mas eu não consegui resistir. Você ouviu o papo do cara? Além de acreditar em tudo aquilo que Tolkien escreveu, o cara ainda pensa que é um mago? Meu, isso é muita viagem. Não é mesmo, Alan?

Alan e Paulo pareciam distantes.

– Ei! Vocês dois. – gritou Myrian. – O que foi? Não vão me dizer que vocês ficaram assustados com um pobre coitado igual àquele?

De repente Alan pareceu despertar de um transe e sua expressão séria voltou a ter aquele ar alegre e descontraído que lhe é peculiar.

– Que é isso, Myrian. Eu só estava um pouco distraído. O velho Paulo aqui também, não é meu amigo? – e dizendo isso, deu uma cotovelada na barriga dele.

– É… é sim.

– Nossa, que dupla mais esquisita… – disse Myrian com uma risada. – Ei Viviani, você vem comigo até o banheiro? Enquanto isso, você dois aí aproveitem e se recuperem do susto.

– Tudo bem! – disse Alan, rindo. – Vou ficar esperando por você, minha Lúthien!

Myrian sorriu. As duas já estavam se afastando quando ela olhou para trás e disse:

– Porque vocês dois também não aproveitam para dar uma olhada nas lojas e comprar algumas roupas? Pelo amor de Deus, será que vocês só se vestem de azul?

Alatar ficou admirando as duas jovens enquanto elas se afastavam, com um sorriso bobo na cara. Quando olhou para o lado, seu amigo o estava encarando, enquanto balançava a cabeça negativamente.

[page]

– Você é patético… – disse Pallando.

– Ah vai! Vai me dizer que elas não são lindas?

– Sim, elas são muito bonitas, mas compará-las com a bela Lúthien já é demais.

– Ei, nós não estamos mais nos tempos antigos! Hoje em dia, é raro encontrar uma mulher que caia nessa cantada. Eu tenho que aproveitar.

– Por Erú! Você prestou atenção no que acabou de dizer? Alatar, você já foi um Maia! Onde está a sua dignidade?

– Ei, vai com calma. Não é bem por aí. Eu só estou tentando me adaptar à cultura e ao modo de vida dos atani. Não há nada de indigno nisso.

– Adaptação? Sei muito bem o tipo de adaptação que você andou fazendo nesses últimos séculos. As histórias de suas tentativas de se “adaptar” aos atani, mais especificamente às do sexo feminino, se espalharam muito rápido. Soube que algumas chegaram até a causar escândalo em Valinor. Você é uma vergonha para a nossa ordem.

– Fazem mais de 100 anos que a gente não se vê, mas pelo visto você continua ranzinza como sempre.

– Eu não sou ranzinza. Sou apenas sério, coisa que você não é. Eu marco uma reunião com você, para nós discutirmos a nossa missão, e você me convida duas mortais?

– Era pra tentar te descontrair um pouco. Mas pelo visto, isso deve ser impossível…

– Eu tenho um trabalho a cumprir nesta terra e não posso ficar perdendo tempo…

– Trabalho? – interrompeu Alatar. – É só nisso que você pensa? Você por um acaso faz idéia de qual é o nosso trabalho? Não vemos um orc há séculos e a única sombra que ainda existe é aquela que habita o coração e a alma dos mortais. Acorda, Pallando. O nosso trabalho aqui acabou. O último navio para Valinor partiu há muito tempo e nós fomos esquecidos aqui. E não sei quanto a você, mas não quero acabar como o pobre Radagast…

O silêncio tomou conta dos dois. Ver Radagast, um colega Istari, naquele estado tão deplorável, deixou os dois bastante abalados.

– Estranho, não? – disse Pallando, depois de algum tempo. – Encontrarmos Radagast assim, de repente, depois de tanto tempo…

– É verdade. Mas o que será que ele quis dizer com “o nosso papel ainda não terminou”?

– Eu não sei…

– A espada negra de Túrin, o fim do Sol e da Lua, o retorno de Morgoth… Ele estava falando da segunda profecia, não é mesmo?

– Sim. Ele disse que está chegando. A hora está chegando…

Mais uma vez, os dois ficaram em silêncio. Silêncio que foi quebrado somente pela voz de Myrian, chamando os dois.

– Ei, dupla dinâmica! Acho melhor a gente ir embora. Parece que uma tempestade está chegando.

– Sim… está chegando… – disse Pallando.

Viviani percebeu a tristeza em sua voz e se aproximou. Ela se sentou do lado dele e agarrou gentilmente seu braço.

– Está tudo bem com você?

Pallando olhou para a jovem. Ela estava muito longe de ter a beleza de uma elfa, mas ainda assim, era muito bonita para os padrões dos mortais. Ele sorriu.

– Está sim. Obrigado por perguntar.

Viviani devolveu o sorriso. Alatar, que observava os dois, ficou contente ao ver o sorriso no rosto do amigo.

Myrian já estava ficando impaciente quando finalmente os três se levantaram e, junto com ela, se dirigiram para a saída do shopping. As preocupações desapareceram da cabeça dos dois Istari por alguns momentos e a descontração tomou conta do grupo.

Quando estavam próximos da saída do shopping, Alatar se aproximou de Pallando e perguntou bem baixinho para ele.

– Ei, Pallando! Quando foi a última vez que você viu um balrog?

– Sei lá. Já faz tanto tempo. Porquê?

– É que também já faz um tempão desde a última vez que eu vi um e eu não consigo mais me lembrar… balrogs tinham asas?

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