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Review do DVD de As Duas Torres

 Nem bem foi lançado o DVD de "As Duas Torres", segunda parte da trilogia de Peter Jackson, e aqui estamos para um review completo dele. Num panorama geral, podemos dizer que ele está no mesmo nível do DVD do primeiro filme, o que podem todos considerar um grande elogio.

Mas antes de entrarmos no assunto conteúdo, um detalhe importante. A embalagem, ao contrário do que aconteceu no DVD de "A Sociedade do Anel", é de plástico, substituindo o papelão pouco durável em que a Warner costuma colocar seus DVDs. Visualmente segue o mesmo padrão do primeiro DVD, com direito a uma sobrecapa de papelão.

Analisado o exterior, é hora de vermos o que está reservado a nós nos disquinhos.

 

O filme

É realmente magnífico rever ADT com imagem perfeita. O formato digital realça toda a beleza e imponência de Rohan e suas paisagens, assim como também aumenta o clima sombrio do Pântano dos Mortos. O fato de podermos ver o filme frame por frame prova definitivamente a perfeição de Gollum. A textura, os movimentos… Enfim, todo o trabalho da WETA pode ser conferido com cuidado e admiração nesse DVD.

Arwen em Helm

A batalha do Abismo de Helm continua funcionando tão bem quanto no cinema, e dessa vez, sem a polêmica que rondou essa seqüência, depois que fotos revelaram indícios de Arwen na batalha, que escaparam da vista da produção e acabaram sendo vistos por muitos. Assim como no DVD do primeiro filme, onde o carro que aparecia foi cortado, a vestimenta roxa de Arwen em Helm também desapareceu.

Os extras

Especial da Starz Encore – Pros fãs que acompanham de perto a produção do filme, e já conhecem basicamente a história, esse programa é bem meia-boca. Ele basicamente dá um panorama geral da produção do filme, comentando o que há de novo em relação ao primeiro filme. Vale a pena conferir pela entrevista de Christopher Lee, que cita a presença da essência de Tolkien nos filmes, de forma bem legal.

Especial da WB – Esse sim é um making of de primeiro nível. Até agora, é o melhor dentre os que tiveram nas edições normais dos DVDs dos dois filmes. Ele apresenta o que o especial da Starz mostra, só que de forma mais completa, além de aprofundar-se mais nas filmagens e rotina do elenco na Nova Zelândia, desde os dias de filmagem, momentos difíceis (como um corte profundo no pé de Sean Astin e Andy Serkis tendo que entrar num rio quase congelado), até as saídas deles durante as folgas. Algumas imagens também mostram os momentos mais descontraídos entre todos os membros da produção, trazendo um aspecto mais íntimo do que nos outros especiais. Imperdível.

"The Long and Short of It" – Curta-metragem que Sean Astin(Sam Gamgi) filmou num dia de folga das filmagens da trilogia, com a ajuda de diversos membros da produção e do elenco. O filminho em si, uma pequena história muda sobre solidariedade, não é nada demais, um pouco piegas até. Mas não deixa de ser um extra interessante e diferente das mesmices que temos em DVDs.

Making of de "The Long and Short of It" – Mais divertido que o curta em si, esse making of reforça o clima descontraído de intimidade e parceria que o especial da WB nos mostrou. É divertido ver os membros da equipe com ocupações diferentes, num clima leve, brincando entre si. O destaque desse extra é certamente Andy Serkis, engraçadíssimo, e sua "escalada ao poder" na hierarquia do filme. Muito bom.

Destaques do lordoftherings.net – Nada mais que os pequenos documentários que saem periodicamente no site oficial da trilogia. Para os que não acompanham a produção, é interessante ver os videozinhos com diversos temas (Forças das Trevas; Criando os Sons da Terra-Média; Edoras: A Capital de Rohan; Criaturas da Terra-Média; Gandalf, o Branco; Armas e Armaduras; A Batalha do Abismo de Helm; e Dando Vida a Gollum). Os melhores são o de Armaduras, que mostra o cuidado processo de conceituação e criação das armas e adereços de guerra da trilogia, e o sobre o Gollum, apresentando com mais foco a criação do personagem digital.

Trailers – Parte indispensável de qualquer DVD. Vale sempre a pena rever os dois trailers fantásticos, em especial o trailer final, um dos melhores de todos os tempos.

Spots de TV – Chega a ser chato e repetitivo assistir a todos, já que muitos são parecidíssimos. Mais recomendável pra quem gosta de analisar as pequenas variações na forma de "vender" um filme pouco a pouco, ainda mais se vermos todos juntos, podendo notar a cronologia regendo as pequenas mudanças.

Clipe de Gollums Song – Pra quem gosta da música é uma boa pedida, mas não chega a ser nada demais. Apenas cenas da cantora Emiliana Torrini cantando num estúdio enquanto cenas de ADT aparecem.

Prévia do Video Game "O Retorno do Rei" – Ao contrário do DVD passado, onde tivemos um vislumbre amplo do que teríamos no game "As Duas Torres", nesse preview, o jogo de ADT é mais citado que o próprio "O Retorno do Rei". É uma espécie de anúncio das qualidades do jogo que está nas lojas desde o ano passado, apenas com um breve comentário sobre a chegada do novo game em novembro. Meio decepcionante.


Prévia do filme "O Retorno do Rei"
– Muitos já conferiram aqui pela Valinor essa prévia, que saiu alguns dias antes do lançamento desse DVD, mas recomendo bastante que revejam. Com a qualidade de DVD, dá pra se apreciar melhor as imagens de Pelennor e Minas Tirith, assim como os comentários sobre ambas. E é claro, temos a cavalgada dos rohirrim. Muitos, assim como eu, se arrepiaram ao ver no PC as imagens da filmagem da cavalgada, e depois um trechinho da cena. Vocês não viram nada! No DVD, a sensação é alucinante! É um extra excelente, mas que deixa um efeito péssimo em quem assiste… Uma vontade desesperadora de que dezembro chegue logo.


Prévia do DVD Especial de "As Duas Torres"
– Sinceramente, não esperava tanto por esse DVD Especial. No primeiro filme, havia coisas pelas quais eu ansiava muito em ver no filme e que foram cortadas. Já em "As Duas Torres", nada me deixou realmente indignado por não ver. Pois bem, essa prévia mudou totalmente a minha opinião. Vemos Pippin bebendo a água de Ent, e Merry comentando com ele que ele está mais alto. A cara de Pippin nessa cena é impagável! Também temos a cena em que os orcs fogem de Helm, desesperados, em direção às &a
acute;rvores (na verdade Huorns – ou talvez Ents, caso PJ altere um pouco a cena em relação ao livro), com os rohirrim gritando pra eles não irem até as árvores. Mas o principal são as cenas de Boromir, Faramir e Denethor. Desde Denethor desprezando Faramir em uma conversa em que Boromir tenta mostrar ao pai o amor que Faramir tem por ele, até uma emocionante cena em que Boromir (Sean Bean, tão magistral quanto no primeiro filme) contemplando o exército de Gondor, pendurado no mastro da bandeira de Gondor, reivindicando a possa de Osgiliath para seu povo. Ainda temos Frodo e Sam com a corda élfica, o enterro de Théodred e um diálogo de Gandalf e Aragorn sobre Sauron temer ele (já visto numa prévia de ADT). Excelente. Dá tanta água na boca quanto à prévia de ORDR.

Nota final: 9.0

No geral tem um pouco menos de extras que o DVD (alguns destaques do site oficial e um especial), mas alguns dos extras simplesmente são maravilhosos, em especial os Making ofs da WB e do curta, e as prévias do DVD Especial e do próximo filme. E por falar nesses dois… Que venham os DVDs Especiais, e que chegue logo O Retorno do Rei!

Valinor resenha O Retorno do Rei

[ Este texto foi publicado em formato de três notícias na Valinor e agora seu conteúdo foi unificado em um texto único e longo. A formatação e piadinhas foram mantidas para não prejudicar o texto original do autor. As notícias originais podem ser vistas em:

Valinor resenha "O Retorno do Rei" – parte I

Valinor resenha "O Retorno do Rei" – parte II
Valinor resenha "O Retorno do Rei" – parte III ]
 
 
É exatamente o que vocês estão pensando, pessoal. Hoje (aliás, ontem, porque já passou da meia-noite), tive a alegria e o privilégio de assistir a pré-estréia de imprensa de "O Retorno do Rei", das 9h45 às 13h. Esta a primeira parte das minhas impressões (e descrições!) sobre o filme – peço desculpas a todos pela demora, mas o dia foi pesado pra burro!

Bem, antes de mais nada, é bom avisar: SPOILERS E MAIS SPOILERS À FRENTE!

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OLHA OS SPOILERS!

Não digam que eu não avisei! Vamos à cena então.

Pra começar, sintomático da loucura circundando esses filmes e da dimensão gigantesca que a Trilogia do Anel ganhou foi que a gente não conseguiu assistir a cópia definitiva do filme, que, segundo a Warner, acabou ficando presa na alfândega e não foi liberada a tempo. A nossa versão era uma "cópia de trabalho" com marcas dágua – WB Brazil no canto esquerdo superior e Marcia Sandy (não me perguntem quem é!) no canto direito inferior. Por sorte, foi possível se habituar a essas marcas e assistir o filme decentemente.

Nossa história começa com uma minhoca se debatendo – não, não é arte conceitual, apenas o flashback da dupla Sméagol e Déagol preparando as iscas de seus anzóis nos Campos de Lis. Finalmente podemos ver Andy Serkis com seu verdadeiro rosto interpretando o hobbit. Os dois estão no seu barquinho quando um peixe dos grandes arrasta Déagol para o fundo do rio e ele agarra o Anel, trazendo-o para a margem.

A coisa é extremamente bem-feita e quase uma cópia da descrição dada por Gandalf em "A Sombra do Passado". Estranha, no entanto, é a voz de Sméagol – já idêntica à que ele tem como Gollum. "Dê ele pra nós, Déagol, meu amor", sussurra o hobbit – e uma luta violenta, tensa e muito bem-feita tem início. A gente já sabe o resultado – Sméagol estrangula seu parente e toma seu Precioso.

A sucessão é assustadora – em poucos minutos, presenciamos toda a transformação horrenda do hobbit em Gollum, com direito a peixxxe devorado vivo, e a fuga dele para o interior das Montanhas Sombrias. Andy Serkis dá um show mais uma vez, com maquiagem, o que faz pensar que o cara teria segurado perfeitamente a barra do personagem sem o computador.

Voltamos para o Gollum do presente ao lado de Frodo e Sam. Os hobbits estão se encaminhando para Minas Morgul e além e Sam tenta fazer com que Frodo coma um pouco de lembas. O detalhe do pão-de-viagem élfico logo vai se tornar importante – vocês vão ver por que em breve.

Corta para uma floresta estranha, meio fora de lugar, embaralhada – na verdade, parece ser a "mata" artificial de huorns que Théoden, Aragorn, Gandalf e os demais cruzam para chegar à Isengard. "O Retorno do Rei", o título, finalmente aparece na tela enquanto todos se aproximam de Merry e Pippin, comendo e bebendo em meio aos despejos. "Bem-vindos, meus senhores, à Isengard", diz Merry – a dupla parece ter bebido um pouquinho a mais e agora está aproveitando seu cachimbo.

Gandalf aproveita para deixar Isengard e Saruman nas mãos de Barbárvore, dizendo que o mago não é mais uma ameaça. Confesso que não senti falta do confronto entre os dois Istari. Pippin vê, no fundo do "lago" que cerca Orthanc, o palantír brilhando e o pega, mas Gandalf logo retoma o artefato. Dá pra ver na cara do jovem Tûk, no entanto, que ele está louco para dar uma nova olhada.

Voltamos para Edoras. As imagens são lindas. Théoden pede que todos "honrem os mortos vitoriosos" no Abismo de Helm e Rohan celebra o triunfo, enquanto Éowyn leva uma taça para Aragorn – "Waesthu hál!", diz ela. Merry e Pippin não se fazem de rogados e dançam em cima de uma mesa, cantando uma canção sobre a famigerada taverna do Dragão Verde no Condado!

Enquanto todos estão dormindo, Pippin se prepara para fazer besteira. Ele pega o palantír dos braços de Gandalf, olha e dá de cara com o Olho. O efeito, para ser bem sincero, é meio tosco: é como se Pippin tivesse segurado um fio desencapado e estivesse levando um choque da pedra. Ele começa a gritar e o barulho acorda os outros. Aragorn tenta tirar o palantír e leva o mesmo "choque", deixando a pedra cair – é aí que Gandalf intervém cobrindo-a com um manto e resolvendo o problema.

O incidente faz com que um conselho de guerra se reúna. Peter Jackson parece mesmo teimar em exibir um Théoden relutante, que diz não ter certeza de que valeria a pena mandar ajuda para Gondor… De qualquer maneira, Gandalf decide partir para falar com Denethor e leva o pobre Pippin junto com ele. A despedida dele e Merry é de partir coração de pedra.

Nisso, temos dois fios narrativos paralelos rolando. Um é Osgiliath: Faramir tenta impedir que a velha cidade seja retomada por orcs de Mordor. O combate é emocionante, mas os Dúnedain do Sul não têm a menor chance e acabam tendo que recuar. Detalhe: o líder dos orcs é a cara do Slot, de "Goonies"! Talvez seja uma homenagem de PJ.

A outra trama, claro, é a de Frodo, Sam e Gollum. As discussões esquizofrênicas do hobbit corrompido recomeçaram enquanto Frodo e Sam dormem, só que dessa vez Sam o escuta e parte para cima dele. Sam é violento em demasia e chega a arrancar um pouco de sangue da testa de Gollum – um exagero, na minha opinião. Sméagol, é claro, nega, e Frodo o defende. Fica claro que Gollum está usando toda a sua malícia para envenenar lentamente Frodo contra Sam, mas nada sério acontece – ainda.

A cena agora é uma floresta por onde um cortejo élfico passa – são os elfos de Valfenda escoltando Arwen para os Portos! Undómiel, no entanto, têm uma visão do futuro que poderia haver se ela ficasse – o pequeno Eldarion, seu filho, brincando ao lado de Aragorn. Confesso que derramei as primeiras lágrimas nesse ponto – e a elfa volta para Valfenda e tenta convencer Elrond a reforjar Narsil para ajudar seu amado.

O senhor de Valfenda continua pessimista, mas de repente Arwen sofre uma tontura – e a maior forçação de barra desta adaptação acontece. Elrond segura a mão da filha e
diz "a vida dos Eldar a está deixando! Enquanto o poder de Sauron cresce, sua força diminui!". HEIN??? COMO ASSIM??? Na ânsia de consertar a própria cagada (um Elrond não só relutante, mas covarde e totalmente pessimista que não quer ajudar), a equipe de produção precisou achar uma razão irrefutável para que o meio-elfo concordasse em ajudar na luta contra Sauron, e se saiu com essa. Desnecessário dizer que não faz o menor sentido. Mas tudo bem, finalmente a espada de Elendil é reforjada; nasce Andúril, a Chama do Oeste.

Ufa! Por enquanto chega! Até Tolkien-repórteres precisam dormir. Mais no decorrer do domingo, pessoal!

Estamos de volta, amigos da Valinor! Antes que alguém queira me amaldiçoar até a octagésima geração, esclareço que precisei dar uma palestra de manhã e trabalhar que nem louco a tarde inteira na Folha. Cisne sofre…

Mas vamos à cena. Que agora se volta outra vez para Mordor (o vaivém é comum, mas não se torna irritante, graças a Eru). Os hobbits e Gollum escalam o caminho tortuoso até Torech Ungol e recomeça o lento "envenenamento" de Frodo contra seu fiel escudeiro. "O hobbit gordo vai pedir o Anel do mestre para carregá-lo", diz o pérfido Gollum. Frodo faz uma cara incrédula, mas fica claro que vem merda pelo caminho.

Pra aliviar um pouco o clima, Gandalf e Pippin chegam à Cidade Branca. Minas Tirith é lindíssima, e a fidelidade do cenário em relação à descrição que vemos no livro é absurda; há até o veio de pedra que corta todos os níveis, o Pátio da Fonte e a Árvore Branca perto da Torre de Ecthelion. Detalhe: ao olhar no palantír, Pippin diz ter visto a Árvore sendo destruída, e ele a reconhece agora. Antes de entrarem, um pouco de alívio cômico: Gandalf diz "Pippin, Denethor é o Regente, o pai de Boromir. É melhor não mencionar a morte dele. Também não diga nada sobre Frodo e o Anel. Ah, e não mencione Aragorn também… pensando bem, é melhor você não abrir a boca de jeito nenhum". Hilário!

Começa então outro problema sério do filme: Denethor. Mais uma vez a equipe mostra que tem dificuldade com sutilezas e retrata o sujeito como alguém completamente escroto, sem nobreza. Mesmo depois da oferta de serviço de Pippin (que Gandalf, aliás, até empurra para que ele pare!), ele NÃO aceita a ajuda do mago, diz que JÁ está sabendo de Aragorn e que não vai aceitá-lo (as frases, aliás, vêm direto do livro; pelo menos isso). Ah, e que NÃO vai acender os faróis pra pedir a ajuda de Rohan. O exagero é patente: tudo bem, Denethor era arrogante, mas só virou suicida no último momento.

Não vemos a transição, mas sabemos que Pippin acaba sendo aceito porque ele aparece numa sacada olhando a roupa de Guarda da Cidadela. "Eles não vão querer que eu lute realmente, não é, Gandalf?". O mago logo tira as ilusões de Pippin, mas confia ao Pequeno uma tarefa valorosa: acender os faróis!

A cena não está no livro e é até bastante inverossímil, mas as imagens compensam. Pippin escala furtivamente a torre onde está a madeira que inicia o sinal e consegue pôr fogo nela. Pronto: o farol de Amon Dîn se acende em resposta! E lá se vão eles, Erelas, Nardol e os demais, chama saltando de montanha em montanha em socorro de Gondor – é arrepiante só de lembrar! Aragorn vê de Edoras a última chama e corre, até perdendo o fôlego, para avisar Théoden. "Gondor pede ajuda!". Suspense e…. "E Rohan vai atender!". Ufa!

A reunião das tropas da Marca dos Cavaleiros começa. Éowyn prepara seu cavalo e Aragorn estranha. "É costume das mulheres da corte dizer adeus para os cavaleiros", disfarça ela. Aragorn vê, no entanto, que tem uma espada debaixo da sela, mas fica quieto. Éomer grita: "Juramentos vocês fizeram, agora o cumpram todos a senhor e terra" – outra frase idêntica ao do livro, faltou só o "a liga de amizade". Eles partem para o Templo da Colina.

Nisso, a retirada de Osgiliath começa a se aproximar dos muros de Minas Tirith. Os Nazgûl estão no encalço deles e as Bestas Cruéis chegam a arrancar cavaleiros da sela, ou até cavalos inteiros do chão. Gandalf põe Pippin sobre Scadufax (por que cargas dágua, só PJ sabe) e corre ao socorro dos cavaleiros. A luz de seu cajado afasta os Espectros e Faramir consegue voltar para dentro da cidade. Ele conta a Gandalf sobre a derrota e de repente vê Pippin. "Esse não é o primeiro Pequeno que você viu, não é?". Ele então conta a Gandalf sobre a ida de Frodo e Sam para o vale de Morgul e…

Corta de novo para as vizinhanças de Torech Ungol. Gollum tem a manha de pegar o lembas que sobrou durante o sono de Sam, espalhar migalhas no manto do hobbit e jogar o resto nas montanhas. Sam acorda, depois de algum tempo vê a merda que aconteceu e começa a estapear – aliás, a esmurrar com fúria – Gollum, diante do atônito Frodo. Gollum diz que Sam fica comendo escondido e, distraídamente, diz: "Oh! O que é isso?", apontando para uma migalha na capa de Sam. O coitado nega tudo. Pede para ajudar Frodo a carregar o Anel e aí a casa cai – Frodo diz que Sam não pode mais continuar a Demanda. O pobre hobbit chora amargamente enquanto Frodo e Gollum seguem em frente.

De volta para Minas Tirith, Pippin faz seu juramento de fidelidade – usando o belo texto tolkieniano – enquanto Denethor cobra de Faramir a derrota. Diz, na cara do filho, que preferiria que ele tivesse morrido no lugar de Boromir, e exige que ele tente retomar a cidade. Faramir sofre terrivelmente mas concorda. "Quando eu voltar, no entanto, pense melhor a meu respeito, pai". "Isso dependerá da maneira do seu retorno". O peixe morre pela boca…

Mais uma cena que me fez chorar convulsivamente: os cavaleiros liderados por Faramir partem passando pelas ruas de Minas Tirith e o povo joga flores no caminho deles; um ou outro guerreiro até pega as flores na mão. Lembrei de uma passagem do Evangelho, quando Jesus diz que lhe passaram perfume para prepará-lo para a sepultura – essas flores são a mesma coisa!

De volta à Torre Branca, Denethor come como um cachação (porco velho, pra quem não sabe) e pede que Pippin cante para ele. Ele obedece com relutância e a bela voz de Billy Boyd serve de fundo para o ataque suicida diante de milhares de orcs arqueiros – enquanto tomatinhos ficam estourando na boca do Regente e ele baba o sumo como se fosse sangue. Disgusting.

Claro que é um alívio voltar pra Rohan. Merry experimenta suas armas de cavaleiro incentivado por Éowyn, enquanto Éomer não bota a menor fé que o hobbit pode ajudá-los em batalha. Os cavalos estão inquietos pela proximidade da Dwimorberg, a Montanha Assombrada dos Mortos. Seis mil lanças se reuniram para ajudar Théoden – pouco contra a força de Mordor.

Aragorn é desperta
do no meio da noite por um mensageiro de Théoden. Ele chega à tenda do rei que, sem jeito, se despede, deixando-o a sós com um sujeito encapuzado. É Elrond! Ele conta sobre a doença de Arwen (blergh!), aconselha-o sobre as Sendas dos Mortos e sobre o exército que o herdeiro de Isildur pode granjear lá – e lhe passa Andúril! Dá para ler as belas runas na lâmina enquanto Aragorn a desembainha.

Ele tenta partir sozinho, mas Legolas e Gimli o seguem. Passando no meio dos incrédulos Rohirrim, eles atravessam a bruma em direção ao desfiladeiro onde está a Porta Proibida. Os cavaleiros chegam mesmo a dizer que não adianta lutar e se perguntam porque Aragorn está fugindo antes da batalha, mas Théoden diz que Aragorn está fazendo o que deve ser feito. "Podemos não ser capazes de vencer Mordor, mas os encontraremos em batalha mesmo assim". Uau!

Acompanhamos então os Três Caçadores em sua jornada até a Porta. "O caminho está fechado. Foi feito pelos mortos e os mortos o guardam!", diz Legolas. "Eu não temo a morte!", diz Aragorn, resoluto, e entra. Legolas o segue e fica Gimli. "Essa é uma coisa nunca ouvida antes, que um elfo entre debaixo da terra quando um anão não o ousa!", diz Gimli, e entra também.

Os três vão parar numa estranha construção de pedra quando os Mortos aparecem! O visual é fantástico: as criaturas usam armaduras, seu Rei é coroado, mas estão só ossadas, decadência à mostra. Desafiam Aragorn e ele brande Andúril – que se mostra capaz de "materializar" o Rei dos Mortos! Aragorn pede que eles lutem a seu lado e recuperem sua honra. Depois de certo suspense, eles topam.

Voltamos para Mordor. Agora, Gollum entra com Frodo na toca de Laracna e logo começa a se esconder nos corredores paralelos, desorientando o hobbit. Teias de aranha estão por toda parte (não diga, Cisne!) e Frodo caminha, um tanto perdido, até que de repente surge a filha de Ungoliant. Todas as palmas para PJ e o pessoal da Weta: o monstro é tudo o que você sonhou (ou seria "pesadelou"?) e mais. Frodo se apóia ofegante na parede, lembra-se do frasco de Galadriel e enfrenta o monstro com espada, coragem e Quenya: Aiya Eärendil elenion ancalima, sussurra. Começa a correr, se enreda num lugar cheio de teias, consegue cortar tudo com Ferroada e se esgueira para fora.

Gollum está lá fora esperando e Frodo pula para cima dele. Sméagol dá um jeito de embromar o pobre hobbit mais uma vez e Frodo poupa sua vida, caminha mais alguns passos e cai desmaiado. Numa visão, ele está em Lórien e Galadriel lhe estende a mão, sorrindo. Ele a pega com força e se levanta de novo, caminhando. Sente o perigo de novo à sua volta, mas é tarde demais – do alto das pedras, Laracna preparara seu golpe de ferrão e atordoa o hobbit, enrolando-o instantaneamente num casulo numa cena pavorosa.

Eis que chega Sam, que tomou Ferroada em suas mãos (o frasco na outra) e luta de forma emocionante com o monstro. Por um triz, ele consegue feri-la nos olhos e na barriga. Ela foge. Sam acha que Frodo está morto – é desesperador. Ouve a voz dos orcs, que acabam revelando que ele está só atordoado. Eles o carregam para a torre de Cirith Ungol.

Pessoal, aguardem para a próxima e última parte o final da saga. Ou "Como deixar os olhos de um sujeito inchados de tanto chorar". Vai valer a pena esperar, tenham certeza!

Bem, amigos da Valinor, estamos de volta para a sensacional última parte da nossa resenha de "O Retorno do Rei". Preparem-se para MEGA-SPOILERS!!!

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Todo mundo aí ainda, hein? Pois vamos lá.

É noite no Templo da Colina e Théoden se despede de Éowyn. Pede que ela cuide de Edoras: "Por muito tempo você a defenderá, se a batalha andar mal". A jovem tem uma tristeza de morte recobrindo seu rosto por causa de Aragorn, mas diz: "O que mais gostaria que eu fizesse, senhor?". Théoden se aproxima dela, carinhoso: "Gostaria que sorrisse novamente, e não chorasse por aqueles para quem a hora chegou. E nada mais de desespero", diz ele, tocando a testa contra a dela.

Os cavaleiros montam. Merry pede para seguir Théoden, em vão. "Cavalguem agora, cavalguem! Cavalguem para Gondor!", grita o rei. Um cavaleiro veloz agarra o hobbit e o coloca sobre seu corcel. "Minha senhora!", diz Merry – claro, é Éowyn. Não há o suspense em relação à identidade de "Dernhelm", mas, convenhamos, ia ficar difícil de fazer isso no cinema de forma crível. As roteiristas mandaram bem desta vez!

Voltamos para Gondor. As forças de Mordor, imensas, já cobrem o Rammas Echor, e à frente delas vai um cavaleiro solitário, ferido de flecha, arrastado por seu cavalo – é Faramir! Os gondorianos abrem rápido o portão e o pobre capitão de Gondor entra, sendo levado para o Pátio da Fonte. Denethor entra completamente em parafuso e começa a se lamuriar. Ordena que os homens abandonem seus postos (!!!). E aí vem mais uma falta de sutileza absurda da adaptação: Gandalf, emputecido (ok, com razão) dá TRÊS CAJADADAS NA CABEÇA DO REGENTE DE GONDOR e ainda faz uma cara do tipo "Humpf! Que viado esse sujeito!". Denethor se estatela no chão. O mago chama os soldados e organiza a resistência da cidade. Gandalf, pra todos os efeitos, agora é o general de Minas Tirith (nada de Imrahil. Snif!).

O exército de Mordor está perto do indescritível, tamanho é o horror que carrega. Imensas torres de guerra de madeira aproximam-se dos portões, orcs de todos os tipos urram e balançam suas armas (liderados por Gothmog-Slot, claro!) e trolls, muitos trolls horrendos e bem-armados empurram catapultas. Slot diz: "Não vamos deixá-los sofrendo lá dentro pensando nos prisioneiros. Homens, libertem-nos!".

E aí, meus caros, taí o que vocês queriam, como diria Galvão Bueno: cabeças dos Dúnedain mortos em Osgiliath, ainda com os belos capacetes de Gondor, voam para dentro das muralhas, instaurando o horror. E logo são seguidas por pedras imensas, que começam a esmigalhar as muralhas de Minas Tirith como se fossem de gesso. Muitos morrem. Gandalf logo reorganiza a resistência e Minas Tirith esmaga parte do exército e das torres com suas catapultas.

Voltamos para Mordor. Os orcs da torre remexem nos pertences de Frodo e brigam entre si, enquanto Sam se aproxima. No fim, só sobraram quatro nêgos ali dentro, e o pequeno hobbit consegue se aproximar. Ele mata os quatro – "Este é pelo sr. Frodo! Este é pelo Condado! E este é pelo MEU VELHO FEITOR!" – e conta a Frodo que conseguiu salvar o Anel. A dupla veste-se como orcs e inicia o longo caminho para a Montanha da Perdição.

No Pelennor, ntram em ação os Nazgûl, que, com seus gritos horrendos, põem os guerreiros de Gondor em pânico e derrubam muitos deles das muralhas, quebrando até as catapultas. Ao longe, monstros que lembram búfalos africanos deformados arrastam atrás de si Grond, o Aríete d
e Sauron, na forma de um lobo como descrito no livro. Os portões começam a ser martelados. Projéteis em chamas queimam parte da cidade. O portão cede e muitos orcs entram.

Nisso, Pippin, que já havia ajudado na defesa e matado um orc, corre para avisar Gandalf: Denethor quer queimar Faramir e a si mesmo! "Nada de longo sono de morte embalsamada para Faramir e Denethor!", diz o enlouquecido Regente – as falas vêm direto do livro. Gandalf e Pippin conseguem entrar em Rath Dínen. "Parem essa loucura!", grita o mago, enquanto Denethor e Faramir já estão encharcados de óleo e o fogo já começou a lamber a pira. Pippin não se faz de rogado: salta sobre a pira e arrasta Faramir consigo para fora. E aí vem outra cagada do filme: Denethor tenta enfrentar Gandalf, Scadufax empina e dá um coice com as patas dianteiras e lança Denethor sobre o fogo. Este sai correndo, em chamas, e se joga das muralhas – é quase como se Gandalf tivesse matado o Regente, meu Eru!

Os gondorianos tiveram que recuar até o segundo nível da cidade. Pippin e Gandalf, lado a lado, falam sobre a morte, e o mago usa palavras belíssimas para dizer ao hobbit que esta não é o fim de tudo – usando a mesma descrição de Valinor que aparece na chegada de Frodo no fim de "O Senhor dos Anéis" – um distante país verde sob um rápido nascer do sol. É lindo.

Mas, no meio desse desespero todo, um chifre soa! ROHAN CHEGOU! Lá no alto, perto da entrada do Pelennor, o sol nasce enquanto a hoste dos Rohirrim, imensa, se prepara para a batalha. Éowyn encoraja Merry. Théoden dispõe suas tropas. Discursa, como no livro, e o meu coração quer se despedaçar de alegria: "Lança será sacudida, escudo estilhaçado! Um dia de espada, um dia vermelho, antes de o sol raiar! Cavalguem agora, cavalguem para a ruína e para o fim do mundo!" Ele passa em revista os soldados, batendo sua espada contra as lanças deles: "Morte! Morte! MORTE!", ele grita três vezes, e Merry e Éowyn entram no coro. Esses sujeitos estão diante da morte certa e não a temem – mas a abraçam. Outro chifre é soado, seguido por milhares de outros…

… e o ataque de Rohan naquela hora foi como relâmpago na planície e trovão nas montanhas, e as hostes de Mordor gritaram, e o terror as tomou, e elas gritaram, e fugiram, e os cascos da ira cavalgaram sobre elas. Parece que os Cavaleiros vão chegar até o portão e acabar com o cerco, mas um grito selvagem faz com que eles virem suas cabeças. Mûmakil! Os selvagens homens de Harad chegaram com seus monstros imensos, e Théoden hesita. Mas isso não dura muito: os Rohirrim refazem sua linha de combate e ATACAM OS OLIFANTES num rompante sem igual de coragem suicida. Muitos morrem, pisoteados ou flechados pelos Haradrim, mas Éomer ordena que todos flechem as cabeças e os olhos dos monstros e a situação se reverte. Na confusão, Éowyn acaba perdendo Merry de vista.

Nesse momento chega o Rei Bruxo, e só Théoden ousa resistir a ele – em vão. Um golpe da Besta Cruel é suficiente para jogar Snawmana sobre o rei. O Nazgûl diz para o monstro: "Delicie-se com a carne dele!", mas eis que Éowyn grita: "Eu o mato se tocar nele!". "Seu tolo! Nenhum homem vivo pode me matar", diz o Rei Bruxo. Éowyn não se faz de rogada: três golpes de espada arrancam a cabeça da montaria alada do Espectro, que cai ao chão. Ele ergue sua maça, quebra o escudo da guerreira, mas Merry o atinge. Éowyn grita: "Eu não sou homem nenhum!" e enfia sua espada elmo adentro do monstro. Um grande mal parte da Terra-média.

Éowyn se aproxima do tio ferido. "Reconheço seu rosto! Éowyn!", ele diz, sorrindo. Ela quer curá-lo, mas ele replica: "Vou agora para junto dos meus pais, em cuja poderosa companhia não me sentirei agora tão envergonhado", e fecha os olhos para sempre. Palmas para os adaptadores que confiaram na força e emoção do texto tolkieniano.

De repente, vemos o rio Anduin atrás da cidade, e barcos com velas negras (os Corsários, que já tinham sido mencionados por Gandalf) aportam no Harlond. "Piratas nojentos, sempre atrasados", diz Slot. Mas quem salta do navio é Aragorn, filho de Arathorn, usuário da Espada Reforjada, o herdeiro de Elendil! Atrás dele vêm os Mortos trazendo terror aos orcs e seus aliados, não deixando ninguém no caminho. Legolas e Gimli matam inimigos aterrorizados à vontade e continuam a velha competição "quem mata mais".

De repente, um Mûmak se aproxima e Aragorn grita: "Legolas, acabe com ele!". E aí vem a forçada de barra mais divertida de toda a Trilogia: Legolas vai escalando o bicho como quem sobe uma escada, mata um por um TODOS os Haradrim que estão em cima dele, dirige-se à cabeça e acerta três flechas no côco do bicho, que despenca. Lépido, Legolas salta ao chão. Gimli olha com aquela cara e comenta: "Esse aí continua contando como um só!". Hilário!

Gandalf caminha pelo campo de batalha e Pippin encontra Merry. Aragorn libera os Mortos de seu fardo e todos partem para um conselho de guerra na Torre Branca. A decisão é unânime: atacar Mordor para distrair Sauron e permitir que Frodo cumpra sua missão.

Diante do Portão Negro, Aragorn, Legolas com Gimli na garupa, Gandalf com Pippin na garupa e Éomer com Merry na garupa desafiam Sauron. "Apareça! Que o senhor da Terra Negra apareça! Justiça há de ser feita com ele!", grita Aragorn. A única resposta é a abertura dos portões para revelar uma multidão incontável de inimigos.

Aragorn recua e organiza seu exército num círcula, como num livro, e discursa: "Vejo em seus olhos o mesmo medo que tiraria a coragem de mim. Um dia pode vir no qual a força dos homens falhe, no qual abandonemos nossos amigos e esqueçamos todos os laços do companheirismo, mas não é este o dia! Uma hora de lobos e escudos quebrados, na qual a Era dos Homens se despedace, mas não é este o dia! Por tudo o que vocês prezam nesta boa Terra, eu os conclamo a resistir, HOMENS DO OESTE!!!". E eu choro, choro, choro e acredito no que aquele bando de poucos e corajosos acreditam naquele momento.

"Por Frodo!", grita Aragorn – e ataca. Eles sofrem com o excesso de inimigos, reforçados pelos Nazgûl. Mas eis que chega Gwaihir, o senhor dos ventos! "As Águias! As Águias estão chegando", grita Pippin. Tudo agora é suspense.

Frodo e Sam vêem que Mordor está se esvaziando e conseguem seguir caminho. Começam a escalada. Perto das Sammath Naur, Gollum os ataca de novo mas Sam consegue impedi-lo. Frodo entra nas Fendas da Perdição, Sam pouco atrás. "O que está esperando?", diz o pobre escudeiro, enquanto Frodo hesita. Ele finalmente diz "O Anel é meu!" e desaparece! Gollum então salta sobre Sam e começa desesperadora luta com seu inimigo invisível. Morde seu dedo e o arra
nca. Enquanto olha maravilhado para o Anel, Frodo o ataca de novo, os dois se desequilibram e Gollum cai na lava ainda olhando maravilhado para o Anel, enquanto Frodo se segura na borda de pedra. Sam o puxa de volta.

Barad-dûr e o Olho caem em ruínas. O Portão Negro se despedaça. Todos gritam "Frodo", enquanto este e Sam escapam até um lugar cercado de lava, esperando o próprio fim. "Estou feliz que você esteja comigo – aqui, no fim de todas as coisas, Sam". As luzes se apagam na tela…

…mas não é o fim. Ouvimos alguns momentos depois o grito das águias que levam os hobbits e os salvam. Frodo acorda, em Minas Tirith, diante de um amoroso Gandalf. Toda a Sociedade reaparece e se abraça.

E vemos a coroação do rei Elessar, que canta a frase que Elendil disse ao chegar à Terra-média nas asas do vento: Et Eärello Endorenna utúlien! Sinome maruvan ar Hildinyar tennambar-metta! Arwen é trazida por Elrond até ele e os dois se beijam. Todos se curvam diante do rei, que chega até os hobbits. Aragorn fica atônito: "Meus amigos! Vocês não se curvam a ninguém!". E TODO O PÁTIO DA FONTE, lotado de generais, nobres e guerreiros élficos e humanos, se curva diante dos quatro viajantes do Condado. É lindo.

Um voice-over de Frodo conta rapidamente a volta deles para o Condado. No Dragão Verde, eles brindam juntos e Sam reencontra Rosinha, e se casa com ela. Frodo não consegue retomar sua velha vida, mas apenas escreve o livro. E num dia de outono, Gandalf chega ao Bolsão carregando numa charrete o bom e velho Bilbo. Todos os hobbits o acompanham até os Portos Cinzentos, onde Galadriel, Elrond, Círdan e Celeborn o esperam.

Eles sobem no barco e só então Sam e os outros percebem que Frodo está indo também. Eles se abraçam e choram, e Frodo dá um beijo na testa de Sam, passando-lhe também o livro: "As últimas páginas são para você". Eles partem para o Oeste e Sam volta para casa, ouvindo ainda a voz de Frodo: "Você não pode continuar sempre dividido em dois Sam. Tem tanto ainda para aproveitar, e fazer – e ser". Sam abre o portão, Rosinha, Elanor e sua outra filhinha esperando por ele. Ele suspira: "Bem, estou de volta". E a porta se fecha atrás de nós. E eu, ao invés de chorar, sorrio.

O que dizer depois desse carrossel de emoções? Só posso ser grato, apesar das muitas falhas do filme, que existem, pelo espírito ter se mantido tão fiel, ao menos nesse capítulo final. E por ter vivido para ver uma das maiores histórias de todos os tempos ganhar vida. A força emocional de quem acredita no que está sendo dito e contado – essa é a dádiva de "O Senhor dos Anéis", e dos filmes que o livro fez nascer.

Nai Anar caluva tielyanna,

Reinaldo/Imrahil.

SdA – As Duas Torres

Quando eu falo para alguém que já assisti As Duas Torres, depois da pessoa me amaldiçoar até a sétima geração, a pergunta mais freqüente é: “é melhor do que o primeiro?” A resposta é inevitavelmente incompleta e carece de uma explicação subseqüente: sim… e não.
 
Calma, eu disse que tinha uma explicação. O fato é que As Duas Torres é indiscutivelmente mais impressionante visualmente do que A Sociedade do Anel. Mas o roteiro é pior. Simples assim. Ao passo que o primeiro tinha um ritmo bem trabalhado e uma edição precisa, esse peca em alguns desses aspectos, o que vai resultar em muitas críticas desfavoráveis.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que não faço ressalvas a mudanças. Não sou “purista”, aliás nem sei direito o que é isso. 90% dos filmes são baseados em livros e todos eles tem modificações, uns mais, outros menos. Assim sendo, mudanças não me incomodam. Pretendo analisar esse filme do ponto de vista cinematográfico apenas, para que isso não se torne uma resenha tendenciosa de um fã exaltado.

Tendo deixado isso claro, vamos ao que interessa: o filme é bom? Não, é excelente. Tem cenas fantásticas, tanto as grandiosas quanto as mais íntimas. Aliás, esse é um aspecto que é bom ressaltar: Peter Jackson se concentrou bastante nos personagens e na interação entre eles, e apesar do filme ter bastante ação, os diálogos fazem muita diferença. Nesse âmbito, dou destaque para a participação de Grima Língua-de-Cobra, que para mim pelo menos, estava impecável. Não deixa de ser um coadjuvante, mas tem motivações claras e reais. Théoden também merece destaque, uma vez que tem uma grande participação e não deixa a peteca cair em nenhum momento. Protagoniza uma das cenas mais emocionantes, que levou a platéia ao delírio.

Éowyn, por sua vez, está desenvolvida de forma satisfatória, mas nunca extraordinária. Para quem não leu o livro, ela vai parecer uma chorona. Jackson até tentou inserir um pouco da revolta dela em não poder fazer nada para ajudar, mas não foi feliz. Uma linha de diálogo passa despercebida por quem está conhecendo a personagem naquele momento. Algo similar ocorre na participação de Éomer, que pode causar uma sensação de “quem é esse cara?” – ele aparece no começo do filme, some, e volta só no final. Mas nada disso chega a incomodar, pois todas as interpretações estão no mínimo satisfatórias. Bem, quase todas. Faramir é um problema, e eu não estou falando de descaracterização da personagem, desrespeito à obra, nem nenhuma bobagem desse naipe. A questão é que ele não convence nem na concepção apresentada no filme. Não há uma justificativa convincente para a decisão radical que ele toma no final, contradizendo todas as suas ações até então (o que é um problema do roteiro) e em nenhum momento ele parece realmente motivado a fazer qualquer coisa (o que é um problema da interpretação do ator). Não há sequer um fiapo de identificação, nenhuma característica marcante é apresentada ao público. Ele é o irmão de Boromir – e só. Realmente decepcionante.

Por outro lado, todos os personagens que estavam presentes no primeiro filme têm uma participação bem coerente e satisfatória, até aqueles que tem pouco tempo de tela. Aliás, isso me leva a outro problema: a edição tem uma falta de ritmo que incomoda um pouco. Os ganchos utilizados quando a narrativa pula de um grupo para outro poderiam ter sido melhor trabalhados. Eu entendo a preferência de Jackson pelo núcleo de Aragorn, Legolas e Gimli, pois envolve mais personagens e acontecimentos mais importantes. Mas há uma cena absolutamente desnecessária, onde Aragorn sonha com Arwen, que poderia perfeitamente ser substituída por outra coisa mais relevante. Não o sonho em si, mas o que acontece antes. Fora isso, as cenas com os três (que são inegavelmente os heróis do filme), foram muito boas. A participação de Legolas e Gimli foi sensivelmente maior do que no primeiro filme, e a amizade entre o elfo e o anão é bem explorada, sem apelar para nada que dê margem a piadinhas de duplo sentido. E por falar em piadinhas, muita gente vai se incomodar pelo jeito que o Gimli é retratado. Enquanto no primeiro filme eles usaram o Pippin como “comic relief”, nesse o pobre anão foi explorado à exaustão. Há um pouco de humor com Gollum, e um momento engraçado envolvendo Barbárvore e sua lentidão, mas é de Gimli que vem a maior parte da comicidade presente no filme. Devo dizer que isso não me incomodou muito, mas houve de fato um certo exagero. Só que há uma compensação desse lado cômico. Gimli não é apresentado como um palhaço, como muitos devem estar pensando. O humor vem da situação, não do personagem em si. Fica claro que ele é um guerreiro a ser respeitado, e várias das cenas de batalha mais legais o têm como protagonista.

E por falar em batalha, você deve estar querendo saber sobre a batalha de Helm. Bom, vai ficar querendo. Não vou dar minha opinião sobre isso pelo simples fato de que ela vai ser idêntica a todas as outras. Só vou dizer uma coisa: se o seu queixo não cair, é porque está amarrado.
Mas vamos deixar Aragorn, Legolas, Gimli e as batalhas um pouco de lado, e vamos falar sobre aqueles que são os principais protagonistas desta epopéia: sim, os hobbits. Bom, Merry e Pippin aparecem pouco, e isso implica que Barbárvore também tem uma participação relativamente reduzida (na verdade, faltou um pouco de personalidade ao ent, decorrência de suas pouquíssimas falas. Nada que estrague o filme, é verdade, mas pode incomodar os fãs mais fervorosos. Todavia, os efeitos então bastante convincentes. Gostei muito da aparência de Barbárvore na tela, e só tenho ressalvas quanto à voz. Não que Rhys-Davies tenha feito um trabalho ruim, longe disso. Mas achei que ele pudesse fazer uma voz bem diferente da de Gimli, e não foi o caso. Ao invés de encher a voz dele de efeitos, podiam ter chamado o James Earl Jones e mandado ele falar devagar, que ficaria bem melhor). Os dois hobbits obviamente têm o mesmo tempo de tela, mas as ações de Pippin são mais decisivas para a história – de fato, ele compensa toda sua estupidez no primeiro filme.

Pessoalmente, eu gostaria de ver mais de Frodo, Sam e Gollum, mas a participação deles é perfeitamente satisfatória. Principalmente no que tange a Gollum. Ah, sim, o Gollum. Vamos falar do Gollum. Para começar, ele não está tão perfeito quanto pintam. Os efeitos realmente beiram a perfeição fotográfica quando o personagem é mostrado de perto. Mas quando ele aparece d
e corpo inteiro, alguns movimentos ficaram estranhos, artificiais. Ainda assim, está anos-luz à frente de Jar Jar Binks. Contudo, o que chama a atenção, mais do que a aparência, é o desenvolvimento de sua personalidade. Os momentos de crueldade se alternam com os de “cachorrinho obediente” de forma absolutamente competente, culminando num monólogo que é ao mesmo tempo assustador, dramático e engraçado. Simplesmente brilhante. Gollum transmite ao público tudo o que devia transmitir, de asco a pena. Um dos melhores personagens no filme, com toda certeza. E também um dos mais importantes, pois nos lembra do perigo do anel e sugere o que poderia acontecer a Frodo, caso este fosse dominado por seu poder.

A influência de Sauron fica evidente nessas horas, e como se não bastasse, Peter Jackson ainda nos lança vertiginosamente a Barad-Dúr, de quando em quando, mostrando o Olho em toda sua glória aterrorizante, só pra garantir. Aliás, coisa muito falada sobre A Sociedade do Anel foi a competência de Peter Jackson em mostrar o “lado negro” da Terra-Média. Nesse filme há um equilíbrio maior, talvez porque não houve a urgência em mostrar “coisas bonitas”. Não me entendam mal, Edoras está belíssima. Mas ainda assim, não tem a necessidade de ser algo singelo como Lothlórien. Rohan é um reino rústico, e isso foi uma grande vantagem na hora de caracterizá-lo visualmente. Porém, o mal ainda leva vantagem. Mordor é absolutamente tudo que poderia se esperar de Mordor. O Portão Negro se abrindo para a entrada dos easterlings foi apenas um detalhe, mas foi uma das coisas que mais me chamou a atenção no filme (talvez porque ele seja aberto por dois trolls imensos, umas três vezes maiores que o de Moria). Os wargs estão absolutamente nojentos, você quase pode sentir o cheiro deles. As montarias dos nazgul são de tirar o fôlego. E os orcs estão relativamente melhores do que no primeiro – a maquiagem me pareceu mais convincente, embora isso possa ter sido só impressão. O conflito entre os orcs comuns e os uruk-hai é mostrado, apesar de só um pouco, e está coerente. Aliás, os uruk-hai estão muito bem retratados, salvo numa cena que me lembrou a abertura dos jogos olímpicos (você vai entender quando vir).

E Saruman… bem, Saruman é uma questão problemática. Ele não tem uma participação pequena, não é bem isso. O problema é que na maioria de suas cenas, ele aparece como narrador, contando seus planos, descrevendo seus objetivos. A única hora em que ele interage com outro personagem é em uma cena com Grima, e eles trocam apenas meia dúzia de palavras. Não chega a estragar o personagem, mas ele acaba parecendo meio inútil (e não devia). É com o mago, aliás, que uma das cenas mais incômodas acontece – Gandalf tem que “exorcizar” Théoden, tirando o Satanás, digo, o Saruman do corpo dele. A cena ia muito bem até esse ponto, onde a direção fica um tanto histérica, lembrando aquela parte no primeiro filme onde o Gimli tenta quebrar o anel com o machado. Além de ter ficado meio ridícula, essa passagem anula um pouco a importância do Grima.

Bom, eu disse que não ia falar de mudanças. Na verdade quis dizer que não ia reclamar de mudanças. Falar sobre elas é um tanto inevitável se você já leu o livro. Pois bem, Peter Jackson já havia dito que esse filme seria o que traria mais modificações em relação à obra. Realmente há muitas delas. Mas mesmo assim, os fãs serão bastante recompensados com pequenos detalhes, como a presença do lembas, e com cenas grandiosas que fazem justiça à imaginação de qualquer um. Destaque para a destruição de Isengard – indubitavelmente a melhor cena do filme. No que diz respeito ao aspecto técnico, As Duas Torres no mínimo se equipara à primeira parte da trilogia, superando-a muitas vezes. A fotografia está belíssima, a trilha sonora excelente e os efeitos visuais extremamente convincentes – só achei meio estranho e artificial o rejuvenescimento de Théoden, mas isso é detalhe. A edição, como eu já disse, tem falhas, mas a história é contada de forma competente e compreensível. Realmente, não houve a necessidade de um prólogo, pois a situação foi relembrada ao longo do filme (aliás, a Galadriel aparece só para isso, numa cena um tanto “jogada”).

Eu poderia ainda falar da luta de Gandalf com o Balrog, de Scadufax, dos olifantes e de muitas outras coisas, mas vou parar por aqui. Deixo apenas uma recomendação: não seja um chato. Não vá assistir o filme para ficar reclamando que isso ou aquilo está “errado”. Coloque na sua cabeça que não está errado, apenas diferente. Tenha em mente que aquilo é apenas um filme, e garanto que você terá uma experiência inesquecível. Só mais um adendo: o final (ou a ausência dele) vai incomodar as mesmas pessoas que o final do primeiro filme incomodou, e quanto a isso, nada pode ser feito.

As Duas Torres

A maior parte dos reviews de AdT traz as palavras perfeito, impecável e impressionante. Por outro lado, há também muitas críticas e a sensação é de que alguma coisa está incomodando. Na verdade, quando tentamos contar o que vimos, sai algo mais ou menos assim: é excelente e ruim, mas adoramos! Confuso, não é? Vou tentar explicar.
 

Existe uma grande diferença entre a SdA e AdT. O primeiro, é um filme fantástico no conjunto, é sólido, o tempo todo a sensação é de magia. Já AdT intercala momentos impressionantes e grandiosos com cenas em que é inevitável pensar: para quê isso?? Ou então, com cortes em momentos errados, que fragmentam aquela magia. Sim, acho que é isso: em AdT a emoção está fragmentada, concentrada em alguns grandes momentos e ausente naqueles em que parece que Peter Jackson errou a mão. Temos Abismo de Helm, Gollum e olifantes, mas também temos exorcismo, um Faramir descaracterizado e cenas desnecessárias.

Por que então todo mundo sai do cinema dizendo que o filme é excelente? Simplesmente porque aqueles grandes momentos de que falei, aqueles que estão sendo chamados de impecáveis e perfeitos são tão fortes e tão emocionantes, que só nos resta gostar de AdT. Vou tentar lembrar aqui de alguns destes momentos e fazer também algumas críticas.

O começo:

É de arrepiar. A câmera passeia pelas montanhas enquanto ouvimos a voz de Gandalf: “You shall not pass!”. Revemos a cena na ponte de Khazad-dûm e ficamos de queixo caído com Gandalf e o Balrog mergulhando na escuridão para dentro do abismo.

Em seguida, Peter Jackson nos mostra como andam os outros personagens: Sam e Frodo ( perdidos, andando em círculos sem encontrar um caminho para Mordor), Gimli, Aragorn e Legolas seguindo o grupo dos uruk-hai e os hobbits Merry e Pippin ( sendo carregados por orcs que estão ainda mais assustadores que os de Moria).
A partir daqui, tendo visto o filme apenas uma vez, fica difícil contar a seqüência correta das cenas, pois são muitos cortes e coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Frodo, Sam e Gollum:

É ainda no começo do filme que encontramos Gollum. A seqüência em que ele ataca Frodo e Sam e tenta pegar o anel deixa todo mundo vidrado. A raiva de Gollum, a velocidade da cena e a nossa surpresa diante da perfeição do personagem se misturam. Dá vontade de entrar lá e fazer alguma coisa! Se você rói as unhas, cuidado, pode sair do cinema sem elas. Quando Frodo coloca Ferroada contra a garganta de Gollum e diz: “This is Sting, you’ve seen it before” dá um arrepio danado. Frodo e Sam colocam a corda feita pelos elfos em torno do pescoço de Gollum, que se contorce, esperneia e chora. É realmente intrigante: ao mesmo tempo em que você quer esganá-lo, ele te comove. Em uma cena muito emocionante, Frodo o chama de Smeagol. Por um momento ele esboça um sorriso e se lembra do passado. Sentimos então uma profunda tristeza e, assim como Frodo, nos damos conta do que o anel fez a Gollum. Realmente muito tocante.

Como já foi dito em outros reviews, há também humor no personagem. É impossível conter o riso quando ele chama Sam de gorducho, pergunta o que são “tatas” ou canta alegremente enquanto bate seus peixinhos contra as pedras.

O ponto alto da participação de Gollum, no entanto, são os conflitos do personagem. Conflitos entre o Gollum que diz: “Mestre bonzinho, mestre cuida de nós” e o Gollum cruel, que precisa recuperar o anel a qualquer custo. A cena do monólogo que confronta os dois lados deste Gollum atormentado não pode ser descrita, tem que ser vista. Gollum está perfeito e ponto. Andy Serkis e a equipe de efeitos especiais estão de parabéns. Nunca pensei que o resultado final fosse ficar tão bom. Ponto também para Elijah Wood e Sean Astin, afinal, não foi fácil contracenar com um personagem virtual, gravar a mesma cena várias vezes, com tela azul, sem tela azul, com e sem Andy Serkis. Eles se saíram muito bem.

Já elogiei demais, hora de dar uma alfinetada. Que cena foi aquela da capa élfica?? Sam, e em seguida Frodo, rolam morro abaixo derrubando pedras e não são vistos pelo exército que passava pelo Portão Negro porque se cobrem com a capa de Frodo. Os dois somem num efeito que mais parecia uma pedra de papel machê, daquelas que se usa em presépios. Lamenável.

Faramir:

Tudo começa bem, já que é na cena que precede o encontro dos hobbits com Faramir que vemos os olifantes. Belíssimos, imponentes, não conheço ninguém que não tenha gostado. Pena que quando Faramir surge, a vaca vai para o brejo. Temos dois problemas aqui. Primeiro, o personagem foi descaracterizado, mais parece um cafajeste . Segundo, David Wenham é muito ruim de serviço. O ator não tem a mesma expressividade de alface de Marton Csokas ( Celeborn), mas também não fica muito longe do reino vegetal. Nem quando Frodo toca no nome de Boromir ele reage.

O fato de Faramir levar Frodo e Sam para Osgiliath também incomodou muita gente. Não acho que tenha sido esse o grande erro de PJ com relação a Faramir. Para mim, o erro está na distorção do personagem e na atuação sofrível de David Wenham. Talvez um Faramir mais próximo do que temos o livro, levando Frodo e Sam para Osgiliath fosse uma mudança mais tolerável. Do jeito que ficou, realmente, é difícil engolir.
Nem tudo nesta parte do filme foi ruim. Além dos olifantes que deixaram todos boquiabertos, o esconderijo de Faramir e seus homens na cachoeira é lindíssimo. É exatamente como eu imaginava, assim como a cena em que Faramir e Frodo observam Gollum lá embaixo, pescando.

Nazgûl:

As montarias aladas ficaram muito boas. Confesso que imaginava a cabeça delas um pouco diferente. No filme é meio pequena e me lembra a de um dinossauro. As que eu imaginava eram maiores e lembravam mais a de um dragão. De qualquer forma, o vôo delas é incrível. Atenção para o barulho quando batem as asas e também para o grasnado, dá medo, muito medo.

Aragorn, Legolas e Gimli:

As cenas em que os três estão perseguindo os orcs têm paisagens fantásticas. O encontro com Éomer e os cavaleiros é de arrepiar. Os cavaleiros passam por eles e quando Aragorn os chama, eles fazem a volta e cercam os três, fechando cada vez mais o círculo, exatamente como no livro. Na verdade, a primeira parte do encontro com os cavaleiros está muito boa, com Gimli e Éomer se estranhando, Legolas defendendo o anão, e muitas falas idênticas às do livro. Porém, Éomer entrega Hasufel e Arod meio do nada, de repente. Quem não leu o livro não deve ter entendido muito bem.

Éomer só aparece aqui, com Grima em Edoras e no final da seqüência do abismo de Helm. Uma pena, já que pelo po
uco que vimos, é possível dizer que Karl Urban trabalha muito bem. Gostaria que Éomer pudesse ter aparecido um pouco mais.

Legolas e Gimli tiveram mais destaque desta vez. O anão realmente foi o Pippin do segundo filme, mas (ok, podem me bater) não foi tão ruim assim. Houve um certo exagero, como na cena em que ele cai do cavalo (Gimli nem sequer montaria sozinho naquele cavalo), mas não acho que Gimli tenha sido ridicularizado. Nas cenas de batalha ele estava lá, um guereiro, cortando pescoços de orcs, enfrentando wargs.

Scadufax:

Quem não chorou tem coração de pedra.

Edoras:

Imagens arrebatadoras. É lindo ver Gandalf, Aragorn, Gimli e Legolas cavalgando em direção a Edoras enquanto Éowyn os observa. É aqui que estão alguns dos trechos mais bonitos da trilha sonora.

Miranda Otto brilhou. Sua interpretação literalmente deixa a cabeça de ovo Liv Tyler no chinelo, e os fãs, ansiosos para acompanhar sua personagem no terceiro filme. A cena com a espada e a conversa com Aragorn ficou belíssima.

Bernard Hill também esteve ótimo. A cena no túmulo de Theodred é comovente e o ator protagoniza algumas das seqüências mais fortes e emocionantes do filme. Realmente, a declamação do poema Where now the horse and the rider , que muitos já tinham visto nos trailers, deixa qualquer um arrepiado. Quanto a já famosa cena do exorcismo, realmente exagerada. Peter Jackson não foi feliz com o efeito que faz

Théoden “rejuvenescer” instantaneamente. Mas, para ser sincera, me incomodou mais a cena que acontece um pouco antes, quanto Legolas, Aragorn e Gimli, digamos, “saem na porrada” com os guardas do palácio. A platéia caiu na risada no meio de uma cena que antes e depois disso é tensa. Não deu para entender muito bem qual foi a intenção de PJ com isso.

Hora de falar de Brad Dourif, mais um dos destaques do elenco. Grima está perfeito. Seu olhar, sua voz, o jeito como fala com Théoden. Nas cenas envolvendo Gandalf, Théoden e Grima também foram mantidas falas do livro, com um resultado muito bom.

Wargs:

Não se parecem muito com lobos, mas não importa, dá para ter pesadelos com eles do mesmo jeito. São rápidos, pulam, têm dentes enormes e vêm com um orc de brinde.

Aragorn e Arwen:

Mais uma vez, temos um grande momento intercalado com cenas desnecessárias. Peter Jackson surpreende, e conta um pouco da história de Aragorn e Arwen que está nos apêndices do livro. Elrond é o narrador desta cena, que é um presente para os fãs que temiam que a história dos dois fosse mostrada como um “e eles viveram felizes para sempre”.
Mas como eu disse, há cenas desnecessárias aqui e Aragorn teve que cair de um penhasco para que algumas delas acontecessem. A cena do sonho e a lengalenga de beijo para cá e beijo para lá poderiam ser cortadas sem pena.

Abismo de Helm:

Théoden, Aragorn, Legolas e Gimli estão nas muralhas. Começa a chover. Ouvimos o som metálico da água batendo nas milhares de armaduras. Um raio cruza o céu, os olhos de Legolas brilham e o clarão ilumina uma multidão de formas negras lá em baixo. Daí para a frente, não dá para descrever. Falar das saraivadas de flechas, das escadas, de Gimli e Legolas disputando, nada disso dá idéia do que Peter Jackson conseguiu fazer. Impressionante, grandiosa, arrebatadora, uma batalha fabulosa. Melhor que vocês vejam por si mesmos. Só posso dizer que quando a aurora chega e Gandalf surge no leste você tem a sensação de que o coração vai sair pela boca.

Ents:

Barbárvore é bem mais magro do que eu imaginava, mas os olhos, pelo menos para mim, ficaram muito próximos daqueles que Tolkien descreveu como : “ castanhos, carregados de uma luz esverdeada.” Realmente é impossível não notar a voz de John Rhys Davies por trás de Barbárvore, mas isso não me incomodou tanto. Acho que Merry, Pippin e o ent tiveram pouco espaço, quase não há diálogo entre eles, e como o encontro com Barbárvore é uma das minhas partes favoritas no livro, achei que o filme deixou um pouco a desejar. Mas, como eu já disse, AdT é feito de grandes momentos, e a destruição de Isengard é um deles.

Esta seqüência acontece logo depois do Abismo de Helm, num corte que ficou mal colocado. Daquela cena belíssima em que Gandalf surge , pulamos de repente para Isengard e fica uma sensação de : “Ei, espera, eu queria ver aquilo!”. De qualquer forma, é muito emocionante ver os ents marchando, a água do Isen subindo e Saruman desesperado no alto de Orthanc.


O fim:

Impossível não ir às lágrimas com o diálogo entre Frodo e Sam, assim como também é impossível não sentir um frio na barriga quando Gollum fala, ou melhor, pensa em Laracna. Os créditos sobem junto com aplasos, e não poderia ser diferente.

Vale a pena? Claro que sim. Ninguém deve perder Gollum, Scadufax, olifantes, wargs, Abismo de Helm, Cavaleiros de Rohan, Éowyn e companhia. Juntando tudo, o flme é belíssimo, emocionante. Eu sei que vou ver de novo. E vocês?

Foi há um ano…

 
Introdução:

Era dia 17 de Dezembro de 2003 quando, depois de anos de espera, a última parte da trilogia que contava a Saga do Anel estreiava nos cinemas. Em pouco tempo O Retorno do Rei crescia nas posições das bilheterias da semana e logo começava a ganhar os melhores elogios.

Passavam semanas e meses e O Retorno do Rei continuava a conquistar o público. O ano de 2004 iniciava e o filme ganhava os primeiros prêmios. Logo viria o Globo de Ouro e em seguida a mais glamurosa festa de premiação do Cinema: o Oscar.

Em 29 de Fevereiro de 2004, num ano bissexto, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei se glorificou na história do Cinema, conquistando os 11 Oscar das 11 indicações. Além de ter conquistado a 2º maior bilheteria de todos os tempos. O tempo passou e hoje estamos comemorando o 1º ano desta conquista.

 

 

O Retorno do Rei comemora 1 ano dos 11 Oscar:

A 76º festa de entrega dos prêmios Oscar se aproxima do dia 29 de Fevereiro de 2004. Homens preparam os detalhes para enfeitar o local da cerimônia, o Teatro Kodak, com capacidade de 3.500 pessoas, que promete lotar. Em Hollywood, o favorito da noite é O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, que recebeu 11 indicações, disputando ao lado de filmes como Encontros e Desencontros, Mestre dos Mares e Seabiscuit – Alma de Herói.

Nesta noite a cerimônia trasBilly Crystal como apresentador principal, cerimônia esta que começa às 10 horas da noite, do horário de Brasília. Os atores que fizeram os 4 principais hobbits apareceram na festa para acompanhar a entrega das estatuetas douradas. O brasileiro Cidade de Deus concorre em quatro categorias: Fernando Meirelles por Melhor Diretor, Edição e Roteiro Adaptado ao lado de Peter Jackson e de seu Retorno do Rei, e na Fotografia contra dois fortes, Cold Mountain e Mestre dos Mares.

Como é de costume da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a festa começa com uma apresentação de montagens de cenas dos filmes principais do ano e que concorrem. Numa das cenas um Olifante pisa em cima do diretor Michael Mooore, de Tiros em Columbine e a platéia de astros solta a gargalhada.

O primeiro prêmio entregue é de Ator Coadjuvante, que vai para Tim Robins, por Sobre Meninos e Lobos. Em seguida a categoria é de Melhor Direção de Arte, no qual desbancando O Último Samurai, o filme baseado no livro de J.R.R. Tolkien ganha, é o primeiro prêmio das 11 indicações. E mais 10 estão na expectativa da equipe de Peter e de todos fãs.

Chega a hora das crianças torcerem por seus desenhos, era a vez da Melhor Animação, e Procurando Nemo ganhou o seu Oscar. Depois disso o segundo prêmio de O Retorno do Rei era entregue por Melhor Figurino, ganhando de Moça com Brinco de Pérola. As emoções dos fãs de Tolkien começavam a ficarem mais fortes.

O 5º Oscar da noite vai para Reneé Zelgeer, como a Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Cold Mountain. O 6º é de Melhor Curta Dramático, onde o Two Soldiers ganha. E também de Melhor Curta, mas de Animação, vai para Karvie Krumpt.

Após esse breve intervalo de ansiedade para quem está na espectativa, O Retorno do Rei volta a disputar em 3 categorias seguidas. Melhor Efeitos Visuais, ao invés de Especiais, sai para a empresa Weta Work Shop que trabalhou na trilogia brilhantemente. O Oscar seguinte é entregue para a Maquiagem, e neste momento o 3º filme se iguala com o 1º da série. E para a alegria de quem torce, o 5º Oscar do filme sai na categoria de Melhor Mixagem de Som.

Um dos grandes indicados da noite, Mestre dos Mares, ganha por sua vez o Oscar de Melhor Edição de Som, e em seguida é a vez de Melhor Curta Documentário, que vai para Chernobyl Heart. E aumentando a ansiedade por mais Oscar ao Retorno do Rei, o The Fog of War ganha de Melhor Longa Documentário.

Chega um dos prêmios mais importantes da noite, a Melhor Trilha Sonora, que embala o clima dos filmes, quem recebe? Howard Shore é quem recebe por músicas primorosas como Minas Tirith e The Grey Havens. Shore também foi responsável por trilhas sonoras de outros filmes, como Silêncios dos Inocentes e Seven – Os Sete Pecados Capitais. Howard havia levado o mesmo prêmio por A Sociedade do Anel mas não pela segunda parte, As Duas Torres.

Para a Melhor Montagem, deu O Retorno do Rei com suas 3 horas e 30 minutos de duração. Apesar disso muitos fãs reclamaram pela falta de cenas como O Expurgo do Condado, entretanto críticos avaliam que estas partes poderiam baixar o nível e clima que o filme manteve excelentemente bem conduzido.

Na categoria de Melhor Canção, O Retorno do Rei foi indicado com a música de Annie Lennox e composta com Fran Walsh, Into the West. Cold Mountain tinha dois concorrentes: You Will Be My Own True Love, do Sting, e Scarlet Tide, de T. Bone Burnett e Elvis Costello. As Bicicletas de Belleville concorria com uma música homônima, de Benoit Charest e Sylvian Chomet. A Mighty Wind tinha A Kiss at the End of the Rainbow, com Michael McKean e Annette OToole. Os artistas apresentavam suas canções no palco separadamente, ao longo da cerimônia. Por fim, entretanto, o prêmio foi para Annie Lennox, acumulando o número de Oscars para O Retorno do Rei.

 
 
Annie Lennox

As emoções continuavam fortes, já que o filme sobre a destruição do Anel havia angariado 8 Oscar das 8 indicações. E ainda faltavam 3 indicações a serem disputadas, tudo estava à favor do Retorno do Rei. Assim veio a premiação de Melhor Filme Estrangeiro, com as Invasões Bárbaras, do Canadá. Chega o mome
nto em que Cidade de Deus disputa o Oscar de Melhor Fotografia, porém o prêmio vai para Mestre dos Mares, o segundo do filme.

Finalmente chega a premiação de Melhor Roteiro Adaptado. O 19º envelope aberto da noite diz quem é o ganhador, e para a imensa alegria de muitos, O Retorno do Rei recebe mais uma estatueta. Prêmio este muito bem merecido pela adaptação de um livro complexo como o Volume 3 de O Senhor dos Anéis que contém uma imensa rede de ligações de personagens e fatos.

E para Melhor Roteiro Original a estatueta do Oscar vai para o Encontros e Desencontros de Sofia Coppola e com o ator Bill Muray, ganhando de filmes como "Procurando Nemo" e "Invasões Bárbaras". Em seguida viria o Oscar de Melhor Diretor, será que Peter Jackson ganharia este prêmio?

Quando Peter Jackson recebeu o Oscar por Melhor Diretor, ele disse: "Vocês estão nos proporcionando uma noite sensacional, e nós agradecemos muito." Era a consagração maior em reconhecimento à todo o trabalho que Peter teve. A noite era dO Retorno do Rei, e todos ali reconheciam isso. Tanto que, quando o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro foi entregue, o seguinte comentário foi feito por sua diretora: "Obrigado Deus, o Senhor dos Anéis não estava nessa categoria".

Restavam apenas duas categorias para depois chegar no mais esperado. Charlize Theron ganhou como a Melhor Atriz, por sua atuação em Monster – Desejo Assassino. E Sean Penn ganhou de Johnny Depp como Melhor Ator em Sobre Meninos e Lobos.

A maior alegria da noite, para todos os fãs de Tolkien, foi no momento em que a premiação de Melhor Filme seria entregue, e a clássica frase "And the Oscar goes to…." foi complementada por "… The Lord of The Rings: The Return of The King!"

Com a conquista em todas as categorias em que disputou, O Retorno do Rei empata com Ben Hur, e Titanic, como filme mais premiado na história do Oscar, arrebatando 11 estatuetas. E para conferir, veja a Equipe do Filme comemorando a conquista no final da festa.

Agradecimentos especiais à Dirhil pela ajuda.

Fontes:
Oscar
Cercat Cinema
Terra: Lista de Indicados 2004
Veja a lista de todos os prêmios da Trilogia até agora!

 
 
[texto do grupo Heren Quentaron] 

As Duas Torres (com spoilers!)

"Meu Deus! O filme não tem começo e nem fim!" Com certeza essa será a frase mais ouvida nos cinemas neste verão. O que não deixa de ser verdade já que “O Senhor dos Anéis As Duas Torres” não tem nem sequer um pequeno prólogo lembrando dos acontecimentos do primeiro filme, portanto antes de ir ao cinema vale uma passada na locadora para relembrar a história mostrada em “A Sociedade do Anel”, para quem já não ta cansado de saber. A trilogia com certeza já é um sucesso, o primeiro filme, lançado em janeiro de 2002 no Brasil, arrecadou US$ 860 milhões em todo mundo e recebeu 13 indicações para o Oscar das quais venceu quatro, entre elas, Melhor Efeito Visual.
 

O novo filme tem o mesmo ritmo do primeiro, alternando seqüências de ação com cenas mais calmas, mas mantendo sempre o perfeito equilíbrio entre a história e os efeitos especiais, que nesse filme estão mais presentes. O diretor Peter Jackson teve o cuidado de construir a maior parte possível dos cenários, seja em tamanho real como a cidade de Edoras que foi construída em uma montanha perdida no meio da Nova Zelândia, ou a fortaleza do Abismo de Helm feita em miniatura, dando assim um ar mais realista ao filme.

Novos atores juntam-se ao elenco original, que está praticamente todo presente, como Miranda Otto no papel da corajosa Éowyn sobrinha do Rei de Rohan, Bernard Hill como o Rei de Rohan Théoden, Brad Dourif no papel de Gríma Língua de Cobra conselheiro do rei e servo de Saruman, David Wenham interpreta Faramir, irmão de Boromir, de Gondor e Karl Urban no papel de Éomer, sobrinho do Rei. Todos estão muito bem nos seus papeis, mas Éowyn merece um destaque especial, assim como Gríma.

Andy Serkis merece um destaque na pele do miserável Gollum/ Sméagol um antigo hobbit consumido e obcecado pelo Um Anel. Já foi divulgado que a New Line está apostando alto no personagem e teria inscrito Serkis para disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, o que seria algo inédito já que Gollum é um personagem digital feito em cima da atuação de Serkis. Mas o estúdio está certo, Gollum atingiu um nível de perfeição inédito no cinema. Os animadores da WETA Digital conseguiram criar um personagem extremamente real, expressivo e que chega a causar pena pela sua aparência miserável e corrompida. Gollum é perfeito quando começa a ter crises de identidade, ou persegue peixes nos lagos. O engraçado é que o personagem, que devia ser alvo de pena, já que é um ser atormentado, chega a dividir a parte cômica com Gimli.

Outro destaque dos efeitos digitais são os Ents, eles são perfeitos, lentos e aterradores. A fúria de Barbárvore ao invocar a marcha dos Ents é assustadora. Pena que não mostraram nada referente a bebida dos Ents e nem as entesposas. As imagens do personagem foram totalmente geradas por computação gráfica e a voz é do ator John Rhys-Davies, o mesmo que interpreta o anão Gimli. É lindo ver a marcha dos Ents ou presenciar, por mais rápido que seja, o Entebate.
A destruição de Isengard é mostrada inteira praticamente, os Ents arremessando as pedras, pisando nos Orcs e inundando o circulo de Orthanc e enquanto isso Saruman com cara de “não acredito” olhando de cima da torre. Só achei que podia ter tido mais cenas com Barbárvore e os hobbits, e que os Ents estavam “rápidos” demais.

O ponto alto do filme é a batalha do Abismo de Helm, um combate entre os exércitos de Rohan junto com um grupo de Elfos, liderados por Haldir de Lorien, contra 10 mil Orcs Uruk-hai enviados por Saruman para destruir o mundo dos Homens. Nela a equipe da WETA pode mostrar todo o potencial do software Massive, capaz de criar batalhas grandiosas e realistas, onde mais de dez mil personagens se movem e lutam por contra própria. Uma amostra dessa tecnologia foi mostrada no começo do primeiro filme, durante a batalha da Última Aliança. É simplesmente magnífico ver aquela multidão de Orcs avançando contra as muralhas. A desculpa de que Elrond e Galadriel resolvem reviver a antiga aliança entre elfos e homens mandando um grupo de arqueiros para a fortaleza de Helm, vai contra tudo o que Tolkien dizia nos livros, que os elfos eram poucos e estavam se retirando da Terra-Média, mas mesmo assim, o exercito de elfos torna mais credível que um grupo tão pequeno de homens derrote um exército tão monstruoso.

O que fica devendo é Faramir. A primeira cena onde ele encontra Frodo e Sam quando atacam os orientais a caminho de Mordor é muito bem feita. Os Olifantes são um show. Mas a parte boa fica ai. Tudo que não queríamos que acontecesse aconteceu, Faramir não resiste ao anel e leva Frodo, Sam e Gollum, que foi capturado no lago proibido, para Osgiliath, sim a cidade ainda não foi atacada! É só lá, quando Frodo quase entrega o anel a um Nazgul alado que Faramir decide deixa-lo partir com Gollum.

As cenas que mostram Valfenda e a partida dos elfos é bem bonita, triste, mas com uma quantidade desnecessária de “Arwen Pensativa”. Eu achei legal, eles terem ampliado o papel dela na SDA mas nesse filme não precisava. Não posso acabar sem falar de Scadufax!!! Sim o cavalo é mais um personagem que não será esquecido tão facilmente.

Realmente é um filme mais sombrio e violento que o primeiro, já que a guerra realmente começou. Os cenários, as paisagens são de tirar o fôlego, as batalhas, graças à computação gráfica, são as mais realistas possíveis. O que incomoda um pouco é a quantidade de alterações em relação à história original escrita por J.R.R. Tolkien feita neste segundo capítulo da saga. Jackson já havia avisado que este filme foi o que ele teve mais liberdade de realizar alterações, mas ele realmente exagerou um pouco, apagando seqüências inteiras do livro e acrescentando outras totalmente novas. Mas mesmo assim o filme é excelente e vai satisfazer muitos fãs inteligentes de Tolkien. Agora só falta mais um…

Mudanças Gerais

Muitas Músicas e Poemas Cortados

FILMES: A maioria (embora não todas) das músicas e dos poemas dos livros foram eliminados. Porém, Philippa Boyens escreveu um poema chamado “A Revelação dos Espectros do Anel” para a trilha sonora.

LIVROS: Existem muitas músicas e poemas.

PRÓ: De acordo com Peter Jackson, “É uma coisa difícil de inserir na dramatização da história”.

CONTRA: As músicas e os poemas dão para a história muito de sua profundidade e encanto.

 

FONTES:

· AICN Peter Jackson Q&A 8/30/98 (primeira divulgação)

· AICN Script Review (confirmação)

· McKellen E-Post 6/16/00 (confirmação)

· McKellen E-Post 3/27/01 (confirmação)

· Sc(i)pt Magazine – Entrevista com Fran Walsh / Philippa Boyens 1/11/01 (confirmação)

· SoundtrackNet Howard Shore Interview 11/20/01 (confirmação)

CREDIBILIDADE: 4/5

 

Diálogos Mais Engraçados

FILMES: Muitos diálogos serão tirados dos livros, porem, haverá várias alterações. Particularmente, a disputa entre Legolas e Gimli vai ser mais cômica, e Gimli vai usar expressões como “rapazinho” (“laddie”). De acordo com uma entrevista com Sean Astin, o personagem Sam se inclina para o “alívio cômico”.

LIVROS: Os diálogos tem relativamente pouco humor.

PRÓ: O rítmico dramático de filmes precisa de “alívio cômico” para reduzir a tensão. Além disso, humor ajuda a nos familiarizarmos com as personagens mais rápido.

CONTRA: O roteiro exigiria diálogos adicionais escritos pelos roteiristas e não por Tolkien e esse diálogo cômico deixaria as personagens triviais.

FONTES:

· AICN Peter Jackson Q&A 8/30/98 (primeira divulgação)

· TORN Script Review (confirmação)

· GIMLI Audition Script 1/13/99 (primeira divulgação)

· McKellen E-Post 2/22/00 (confirmação)

· TORN Set Report (detalhe)

· E! Online On Location 5/1/00 (detalhes)

· Entertainment Weekly 11/16/01

Sam e Frodo Conversam Como Iguais

FILMES: Sam se dirige a Frodo pelo primeiro nome, como faria a um igual.

LIVROS: Sam é mais subserviente, se dirigindo a Frodo como “Sr Frodo” ou “Mestre”.

PRÓ: Audiências modernas não entenderiam ou aceitariam um relacionamento servo-mestre.

CONTRA: O relação servo-mestre é um elemento importante do relacionamento das personagens e da cultura hobbit. Mudar isso dá um toque “politicamente correto”.

FONTES:

· FRODO – CENA 2 Roteiro do Teste 13/01/99 (primeira divulgação)

· SAM –CENA 2 Roteiro do Teste 13/01/99 (detalhes)

CREDIBILIDADE: 1/5

Estórias Intercaladas

FILMES: A cena de Frodo e Sam viajando do Parth Galen para a Montanha da Perdição e aquelas envolvendo os outros personagens serão intercaladas. (Similar a “O império contra-ataca”, para usar um exemplo familiar, que intercala as cenas de Luke em Dagobah e as que envolvem os outros personagens).

LIVROS: As respectivas estórias são separadas em “Livros” extensos.

PRÓ: De acordo com a roteirista Fran Walsh, a “estória separada” do livro é uma estrutura narrativa que se aplica muito mais à literatura do que a filmes”. Quando Tolkien estava escrevendo o livro, intercalar não era algo tão prevalente na literatura – apesar de estar começando a ser agora, em parte, acredito eu, por causa de filmes.

CONTRA: Intercalar as estórias interferiria drasticamente com a linha de tempo da trama e estragaria muitas surpresas que acontecem quando um grupo de personagens não sabe o que aconteceu com o outro

FONTES:

· AICN Peter Jackson Q&A 12/31/98 (primeira divulgação)

· Leonides Tolkien-Movies messageboard post 3/9/01 (confirmação)

· Sc(i)pt Magazine – entrevista com Fran Walsh / Philippa 01/11/01(confirmação)

CREDIBILIDADE: 4/5

Papel de Gollum Expandido

FILMES: De acordo com a roteirista Philippa Boyens, “Gollum, um dos nosso favoritos, foi provavelmente expandido ao invés de limitado. Eu acho que quando você assistir o filme, o que vai ser interessante é o quão enorme o papel dele é, quando representado no filme. Por que ele é uma presença forte no livro, e muito mais no filme”.

PRÓ: Focar a estória no Anel e no seu efeito sobre as personagens necessariamente aumenta a presença de Gollum na trama, já que ela é central ao tema.

CONTRA: Expandir o papel de Gollum requer a criação de diálogos não escritos por Tolkien.

FONTE:

· Sc(i)pt Magazine – Entrevista com Fran Walsh / Philippa Boyens 1/11/01 (primeira divulgação)

CREDIBILIDADE: 3/5

[Tradução de Nénar]