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Dia dos Professores – Uma Homenagem a Tolkien

Dia 15 de Outubro é uma data comum para muitos, que passa por
despercebida, mas para professores de todo o Brasil é uma data para se
comemorar. Nada tão belo quanto tornar uma simples data dos professores
em algo mágico. Portanto, mais uma vez, estamos aqui para fazer uma
homenagem a um professor especial, ele é J. R. R. Tolkien, o filólogo
naturalizado inglês que durante sua vida nos ensinou muito e seus
frutos foram bem aproveitados. Reunimos então algumas das informações
mais importantes na carreira de Tolkien, com as devidas fontes citadas
abaixo.
 

 

John Ronald Reuel Tolkien além de ser conhecido pela sua área de
escritor, foi antes de tudo, um professor no ramo da filologia, na
universidade de Oxford, Inglaterra.

Tolkien, quando estava na Universidade de Oxford, foi um dos criadores de um grupo denominado Inklings
(nome de origem anglo-saxã), o qual os componentes (tais como Coghill,
Dyson e Charles Williams) tinha interesses literários semelhantes. E
este tinha como integrante mais especial C.S. Lewis (autor de
As Crônicas de Nárnia), um dos maiores amigos do Professor nessa época.
Lewis ajudava Tolkien ouvindo os contos recém feitos pelo mesmo, e
dando opiniões, e assim, vice versa. O grupo se encontrava num bar,
para tomar uma cerveja, perto da Universidade de Oxford, este chamado
The Eagle and Child, também conhecido como The Bird and the Baby.

Depois da primeira guerra mundial, Tolkien evoluiu na carreira
acadêmica: em 1920 ele foi escolhido para Leitor (Professor Associado)
de Língua Inglesa na Universidade de Leeds. Em 1925, passou a exercer o
posto de professor de Anglo-saxão na sua universidade. Como professor,
Tolkien se dedicou principalmente ao estudo da literatura em inglês
antigo e médio e também às aulas na graduação. Pode-se perceber em seus
estudos, que Tolkien tinha um grande apego à mitologia nórdica, a qual
é palco de várias discussões aqui mesmo na Valinor.

Um dos mais grandiosos trabalhos de J.R.R. Tolkien com certeza foi a
criação de novas línguas. E não foi apenas uma, mas pelo menos duas
línguas bem estruturadas, e mais umas tantas das quais não se possui
tanta informação, que são Entes, Adûnaico, Khuzdul, entre outras. Há
quem diga que as futuras obras de Tolkien foram apenas para ambientar
as línguas que ele havia criado (principalmente o quenya ou
alto-élfico).

Em 1972, um ano antes de morrer, a universidade de Oxford o conferiu o
Doutorado em Letras Honorário, deixando claro que premiavam seus
trabalhos filológicos e não suas histórias. No fim de sua vida, quando
morreu em 2 de Setembro de 1973, deixou umas obras inacabadas, e algum
tempo depois, editada por seu filho Christopher: O Silmarillion & Contos Inacabados, além de vários textos e histórias reunidos nas HoMe.

Para entendermos a vida de Tolkien, temos o poema Mythopoeia (do livro Tree and leaf e traduzido por Imrahil),
o qual é de tamanha importância para que possamos entender a causa do
trabalho de Tolkien e o que o próprio pensava. Durante a obra pode-se
notar bem a colisão de idéias de Philomythus, o que ama mitos, e seria
Tolkien; e Misomythus, o que odeia mitos e seria Lewis.

Fontes:

Biografia de Tolkien – em espanhol

Artigo Valinor

D̼vendor РBiografia Tolkien

The Eagle and Child

Mythopoeia – o poema

Devir – Biografia Tolkien

29 de Abril: 59 anos de Humphrey Carpenter

Humphrey Carpenter completaria 59 anos, em 29 de Abril deste ano, se
estivesse vivo. Nasceu em Oxford, vivendo lá sua vida inteira. Mas o
consagrado Biógrafo de Tolkien morreu em 4 de janeiro de 2005, aos 58
anos de idade, curiosamente 1 dia depois do aniversário de 113 anos de
Tolkien, sendo vítima de uma embolia pulmonar e após sofridos anos
convividos com o Mal de Parkinson.

 

Estudou na Dragon School, antes de ir para o Keble College, onde seu
pai trabalhou como guarda por muitos anos. Em 1968 ele começou a
trabalhar na rádio BBC, em sua cidade natal, Oxford, e trabalhou por
alguns anos como produtor de rádio, até que iniciou sua carreira como
biógrafo, escrevendo a biografia de Tolkien.

Carpenter também escreveu as biografias de W.H. Auden (1907-1973), um aluno de Tolkien, poeta e famoso crítico de sucesso em Nova York; Benjamin Britten (1913-1976), um respeitável compositor de músicas; Ezra Pound (1885-1972), também músico e crítico, além de um notável poeta; Robert Runcie, ex-arcebispo da Cantuária; e C.S Lewis (1898-1963), um grande amigo de Tolkien, autor de “As Crônicas de Nárnia”.

Em 1984, foi publicado o famoso The Oxford Companion To Childrens Literature,
que foi editado por Humphrey, ao lado de Mary Prichard, sua esposa, com
quem casou-se em 1973, e com quem teve dois filhos, Clare e Kate. No
mesmo ano deste lançamento, recebeu o prêmio de E.M. Forster, pelo
livro sobre Auden. Humphrey também escreveu muitos livros infantis,
além de peças de teatro e rádio.

Além de tudo, era um músico talentoso, e fundou um grupo musical de
jazz, o Vile Bodies, onde ele tocava tuba, saxofone, contrabaixo e
teclado. Na lista que segue abaixo, há 21 trabalhos citados dele:

– A Thames Companion (1975) a literary anthology, with Mari Prichard

– J.R.R. Tolkien: Uma Biografia (1977)

– The Inklings (1978)

– W.H. Auden (1981)

– The Oxford Companion to Childrens Literature (1984), with Mari Prichard

– Secret Gardens: A Study of the Golden Age of childrens literature (1985)

– Geniuses Together: American writers in Paris in the 1920s (1987)

– A Serious Character: The life of Ezra Pound (1988)

– The Brideshead Generation: Evelyn Waugh and his friends (1989)

– Benjamin Britten (1992)

– Robert Runcie: The Reluctant Archbishop (1996)

– Dennis Potter (1998)

– Spike Milligan

– A Great, Silly Grin: The British Satire Boom of the 1960s

– Jesus, with Thomas Keith

– Shakespeare Without the Boring Bits

– More Shakespeare Without the Boring Bits

– The Puffin book of classic childrens stories

– The Envy of the World: Fifty Years of the BBC Third Programme and Radio 3, 1946-1996

– The Joshers: Or, London to Birmingham with Albert and Victoria: A Story of the Canals

– The Captain Hook Affair, illus. by Posy Simmonds

A biografia de Tolkien
foi lançada em 1992, dois anos antes do lançamento oficial da trilogia
“O Senhor dos Anéis”, aqui no Brasil. A edição esgotou-se e desde
então, passados 12 anos, a editora Martins Fontes não se interessou em
fazer uma nova tiragem. Sobre Tolkien, Humphrey escreveu também sobre o
clube que o escritor freqüentava, “The Inkilgns
de 1978, com 284 páginas da edição norte-americana. O livro nos dá
infrmações sobre os integrantes do grupo: Tolkien, Lewis e Charles
Williams. Além de “The Letters of J.R.R. Tolkien
(As Cartas de J.R.R. Tolkien) onde ele foi seu organizador e editor na
ajuda de Christopher Tolkien; é uma coletânea de 354 cartas que Tolkien
trocou com seus amigos, leitores, editores e filhos: uma fonte de
informações única. A sua tradução está sendo feita por Gabriel O. Brum
pela Arte & Letra Editora, com previsão de lançamento para o final
do ano.

Dentre as mais simpáticas fotos do biógrafo, podemos citar esta e esta. Sobre a notícia de sua morte, divulgada em inglês, pode ser conferida aqui. E finalizando esta homanegam ao grande estudioso de J.R.R. Tolkien, é bom conferir através da Dúvendor um artigo com trechos do livro oficial.

Fontes:

Everything 2

Times online

Livraria Cultura

A Guerra do Anel & Suas Datas – Parte 2

Apresentação:

Estamos de volta com a 2º Parte de “A Guerra do Anel & Suas Datas�?. Após O Conselho de Elrond, ocorrido dia 25 de Outubro, onde representantes dos povos livres da Terra-média contaram suas histórias ligadas ao Anel de Sauron, e A Partida da Sociedade onde foi relatado como a Sociedade foi formada e da saída dela de Valfenda, na noite do dia 25 de Dezembro, agora chegamos nas primeiras partes emocionantes e empolgantes da jornada.

O leitor irá ter nesta parte uma breve passagem por Azevim, um rápido encontro com wargs, passará por Caradhas, uma montanha de neve que torna-se o primeiro problema da Sociedade. Logo entrará junto com a Comitiva em Moria, um antigo reino de anões, onde é travada uma batalha com um demônio do mundo antigo.

Estas e outras aventuras, que ocorreram desde a saída da comitiva até dia 17 de Janeiro, você acompanha agora com a 2º Parte da “Guerra do Anel & Suas Datas�?. Boa Leitura!

 

 

Parte II – De Azevim à Caras Galadhon:

No dia 8 do primeiro mês do ano, a comitiva chega a Azevim, antigamente chamada de Eregion, onde os três anéis élficos foram forjados. Apesar de ninguém mais residir na região, Aragorn e Gandalf estranham o silêncio absoluto e o fato de não haver nem pássaros ou qualquer animal na região. Durante a noite, um enorme grupo de corvos crebain passa sobre suas cabeça e eles podem notar que estão sendo vigiados, mas mesmo assim seguem para o Passo do Chifre Vermelho na encosta sul da Montanha de Caradhras.

No dia 11 de janeiro, Gandalf guia a Comitiva do Anel através do Passo do Chifre Vermelho. Apesar dos esforços de Gandalf, Boromir, Aragorn e Legolas contra o mau tempo, a neve vence a comitiva e eles não podem continuar. Eles não têm muita alternativa do que fazer a seguir a não ser atravessar Moria.

Porém, enquanto acampam, na noite do dia 12, percebem que wargs estão se aproximando. Eles se refugiam no topo duma colina e acendem uma fogueira. Alguns wargs atacam, a Comitiva se defende como pode. Gandalf faz uso de seu poder como mago para matar o líder e espantar os outros. 

 
 
No fim da tarde do dia 13 de janeiro de 3018, a Comitiva chega aos Portões de Moria, a última alternativa após o fracasso na travessia de Caradhras. O perigo associado ao nome de Moria é famoso, e muitas incertezas pairam sobre a cabeça de Gandalf. Ele cogita, para a alegria de Gimli, que talvez Balin, seu primo, esteja morando lá. O Portão Oeste, que outrora permanecia aberto para elfos e anões, encontra-se fechado agora. Finalmente, após alguns insucessos, Gandalf resolve a charada inscrita no Portão e consegue abri-lo. Porém, uma criatura com muitos tentáculos verde-claros agarra Frodo e espanta Bill, o pônei. Frodo se desprende do monstro com a ajuda de Sam, e a Comitiva corre para dentro de Moria fechando o portão para manter o monstro do lado de fora.

Apenas Aragorn e Gandalf haviam entrado em Moria antes, e Gandalf é o que melhor conhece o local. Portanto, ele vai à frente da Comitiva, conduzindo-os pelos caminhos escuros, rumo ao Portão Leste.

Eles seguem descendo até chegarem a um lugar com três portas, a da direita sobe, a do meio continua reto e a da esquerda desce. Gandalf descide parar para descançar numa sala que outrora foi uma guarita, onde há um poço. Pippin joga uma pedra lá e leva uma bronca de Gandalf por isso. De manhã, dia 13 de janeiro, Gandalf leva-os pela porta da direita. Eles caminham durante o dia todo até chegarem num grande salão com colunas. Essa salão tem uma porta dando para o norte, outra para o leste, outra para o sul e outra para o oeste, de onde eles vieram. Lá eles passam a noite. Quando amanhece, eles percebem que vem luz do leste, e que também há um pouco vindo de além da porta norte. Eles decidem ir para lá, e encontram uma sala.

É a Câmara de Mazarbul, onde está o Túmulo de Balin, o que faz Gimli perder suas últimas esperanças de encontrar seus parentes vivos. Lá eles são surpreendidos pelos orcs de Moria, acompanhados de um troll das cavernas, algo ainda mais nefasto.

Quase toda a comitiva prossegue, mas Gandalf fica na sala tentando fazer com que algo muito poderoso não consiga passar. Porém o poder do mago não é o suficiente e a sala desmorona, soterrando o túmulo de Balin e alimentando esperanças no mago de que o mal tivesse sido soterrado também, esperança essa que não se cumpre.

O mago segue atrás de seus amigos, mas não por muito tempo. Na ponte de Khazad-dûm, Gandalf encontra-se com a fonte de seus temores em Moria, um terrível balrog, que avança em direção ao mago. Gandalf, que ficara por último para proteger a fuga de seus companheiros, faz a ponte se quebrar, derrubando o balrog. Entretanto, acaba sendo levado junto, laçado pelo chicote do demônio de fogo, desaparecendo no abismo da ponte.

O restante da comitiva consegue fugir de Moria, saindo finalmente pelo Portão Leste, ao som dos tambores dos orcs atrás deles. Agora, do outro lado das montanhas sombrias, o sol brilhava novamente para eles. Mas a tristeza pela queda de Gandalf era maior, e a comitiva derramou suas lágrimas.

Mesmo minguadas as esperanças, eles não podiam parar ali. Continuaram então, liderados agora por Aragorn, passando por Kheled-zâram, o Lago-Espelho.

Seguindo na direção do Rio Veio de Prata, eles avistaram a floresta de Lothlórien. Aragorn indicou cinco léguas de distância, e eles respiraram aliviados por encontrarem um lugar seguro. Prosseguiram. Entraram na primeira milha da floresta. E Legolas lhes apresentou o Nimrodel, um riacho lembrado em várias canções dos elfos.

Mas a ponte sobre o riacho estava quebrada, então guiados pelo elfo, eles atravessaram a água, que segundo ele tinha um alto poder curativo. Continuaram na direção Oeste, para longe do veio de Prata. Foi então que se encontraram com os elfos da floresta e Legolas conversou com seus parentes.

Legolas conversou com Haldir, apresentando os membros, e ao falar do anão, Haldir ficou preo
cupado e decidiu falar com os outros elfos. Propôs que ele fosse vendado, mas o anão não concordou com isso. Aragorn então resolveu que todos os membros da comitiva, inclusive Legolas, deveriam ir de olhos vendados.

Depois de um pouco de caminhada, um elfo veio avisar Haldir que um grupo de orcs havia sido exterminado e uma criatura que andava como um animal, mas se parecia com um humano, havia fugido a salvo – era a segunda vez que Gollum escapava com vida.

Após isso, outro mensageiro, desta vez da Senhora Galadriel, veio avisar que toda a comitiva poderia andar sem as vendas nos olhos, o que deixou todos muito mais confortáveis.

Ao tirar as vendas, os viajantes notaram que estavam num lugar aberto, a esquerda ficava um grande monte, coberto por um gramado verde e a sobre ele cresciam dois círculos de árvores, como uma coroa dupla. Era Cerin Amroth.

Depois de mais alguns dias de caminhada, a comitiva finalmente chegou a Caras Galadhon, onde residia Galadriel, a senhora de Lothórien.

Continua…

Mais Imagens:

Confira mais ilustrações que os desenhistas profissionais de Tolkien fizeram para estas passagens que você leu no texto:

No Portão de Moria, de Ted Nasmith.
O Portão de Moria, de Alan Lee.
A Comitiva em Frente ao Portão, de Alan Lee.
Vista Aérea de Lothlórien

Fontes das Imagens:

Aumania
Fas Zination
Ted Nasmith
Imered

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Parte 1

Apresentação:

O grupo Heren Quentaron está de volta com um novo projeto que será desenvolvido em capítulos ao longo dos próximos meses. Mas diferente do que você leu em "A Guerra do Anel & Suas Datas", que contou a saga de O Senhor dos Anéis, este não será narrativo. Viemos com "Lá e De Volta…" com a intenção de poder passar muitas análises, opiniões, curiosidades e diversas histórias sobre a obra "O Hobbit", do nosso escritor J.R.R. Tolkien.

Para começar, trazemos neste: a biografia ilustrada de Bilbo; uma breve história dos Trolls; uma galeria muito bacana de imagens; alguns mapas das trilhas percorridas; o histórico de como surgiu a história e de onde veio as inspirações. Além de muitas informações, que esperamos de coração ser bem recebido por vocês, leitores.

 

Das Datas e dos Acontecimentos:

No Conto dos Anos (Apêndice B), de "O Retorno do Rei", Tolkien nos dá os exatos dias em que os acontecimentos da Guerra ocorreram em seus respectivos meses, localizações e escalas. Mas em relação aos fatos de "O Hobbit" ele nos dá mais informações vívidas, de paisagem, do que sobre escalas ou datas. Sendo assim, os episódios deste projeto irão ser lançados baseando-se no profundo estudo que a falecida e renomada cartógrafa Karen Wynn Fonstad publicou em "O Atlas da Terra-média".

Para começar, o evento descrito por Bilbo como sendo sua "Aventura inesperada" aconteceu 77 anos antes da Guerra do Anel, isso significa, o ano de 2941 da Terceira Era. Ele que tinha 51 anos na época, nem imaginava que passaria longos meses fora de sua Toca para ir em busca de um tesouro perdido pelos anões.

Tudo iniciou-se quando o velho mago Gandalf chegou no Condado em busca de alguém disposto a participar de uma aventura lucrativa. Este com certeza era Bilbo, que o mago havia conhecido alguns anos antes. Era uma manhã do dia 25 de Abril de 2941. Bilbo fechou a porta na cara de Gandalf após uma breve conversa, mas o mago pegou seu cajado e marcou um sinal na porta redonda. Era para quando fosse voltar no dia seguinte, uma quarta-feira, não se esquecer onde esteve no meio de tantas entradas de tocas.

Nesta quarta-feira, dia 26, chegam os 13 anões enviados por Gandalf. Essa é a chamada "Festa Inesperada", pois o hobbit teve que se virar para atender os anões com tantos bolos e chás. Neste evento, eles conversam durante o dia inteiro sobre a aventura que iriam trilhar. Após muitos pratos e copos, eles vão dormir. Ao acordar, o Sr. Bolseiro começa a se perguntar se aquilo foi um sonho. Não, não foi de jeito nenhum. Apesar de não ter nenhum anão ali, a louça estava toda suja e em montes na pia.

Gandalf finalmente aparece às 10h30min, indagando ao morador da Toca quando ele iria ir. "Se tivesse tirado o pó do consolo da lareira, teria encontrado isto bem debaixo do relógio", disse o mago. É verdade! Bilbo não viu o envelope que Thorin & Cia havia deixado. Lá eles agradeciam pela hospitalidade, mas diziam que esperavam ele em pessoa pontualmente na estalagem do Dragão Verde, na localidade de Beirágua. Ele teria que partir rapidamente, pois faltavam apenas 10 minutos. Pobre hobbit, nunca vira-se saindo de casa tão desesperado, sem lenço, chapéu ou bengala!

E foi assim que ele chegou na estalagem, encontrou com os anões, montaram em pôneis e partiram. Gandalf chegou cavalgando depois, com um cavalo branco, trazendo lenços e o cachimbo de Bilbo; desse modo podemos imaginar que o mago ficou organizando os objetos do hobbit após este ter saído às pressas de sua Toca, e assim fechado a porta por um longo tempo.

Em O Hobbit, temos "[…] saindo da estalagem numa bela manhã do fim de abril […]"; o dia que a comitiva saiu foi 27. Esta é a primeira data que Tolkien nos deu. E Karen nos explica no seu capítulo dedicado a esta aventura: "O número de dias passados na estrada entre Bolsão e Valfenda só pôde ser calculado retroativamente". Isso é, o grupo partiu do abrigo élfico no Dia do Meio do Ano, após ter ficado lá, segundo estimativa de Fonstad, 27 dias; e ter andado durante 38 dias numa marcha lenta na maior parte do tempo, mas apressada no final devido a chuva e o frio que se aproximava.

E assim, à 10,7 milhas por dia, para ser preciso, por incrível que pareça, o grupo foi andando. Lembrando que a distância entre Bolsão e Valfenda é um pouco mais que 400 milhas. Talvez até mesmo pelo ambiente inicial do livro não envolver preocupação, os anões fossem devagar em seus pôneis, cantando. E no meio deste percurso, eles toparam com a Mata dos Trolls. O cálculo do Atlas indica 29 de Maio, pois em O Hobbit há o próprio Bilbo falando "E pensar que logo estaremos em junho".

Para conferir o percurso desta aventura em Eriador, que fica entre a cordilheira das Montanahs Sombrias e as Montanhas Azuis, portanto a parte Oeste, veja o 1º mapa da imagem De Bolsão à Valfenda, no qual há a comparação, em inglês, com a aventura de Frodo e seus companheiros na época da Guerra do Anel.

Do surgimento de O Hobbit:

Afinal, de onde veio a inspiração para compor a história narrada, segundo Tolkien, descrita pelo próprio Bilbo, publicada sob o título de ‘O Hobbit’ e em que época iniciou-se? Ao que se refere o ano em que se iniciou esta aventura, nem o próprio Tolkien soube responder exatamente. Já das influências, temos muitos exemplos e alguns depoimentos.

Tudo começou quando o professor corrigia uma pilha de trabalhos de seus alunos. Eram dissertações, muitas, mas Tolkien já estava no final. Finalmente pegou mais um trabalho, mas antes de vê-lo, satisfeito por estar acabando as correções, olhou em devaneio para o chão. Havia uma mesa em frente, e em baixo, um tapete. Conta-se que tinha uma pequena falha, um buraco, nele. Daí, Tolkien voltou a si e abriu o trabalho. E lá tinha uma folha em branco. “Num buraco do chão morava um hobbit�?, ele escreveu. Bom, mas e o que era isso?

“Hobbits? Bem, você os encontra. Hobbits pela natureza, pela estatura, e Hobbits que são os dois�?, disse o professor, sorrindo, em uma entrevista áudio-visual, muitos anos depois. Mas naquela época, naquele exato dia, quando não havia nada mais que aquela frase e sequer algum manuscrito de história, era a hora de investigar para saber o que eram hobbits.

Disse o filho de Tolkien, Padre John: "Acho que Hobbit começou em 1926 ou 1927, quando fomos para Oxford e nos era contada na época do Natal em capítulos. É por isso que ela têm capítulos de aventuras. Se tivéssemos sorte, conseguíamos dois capítulos extras em cada Natal e os outros tinham que ser repetidos e eles ficavam cada vez mais longos."

Das influ&ecirc
;ncias na narrativa:

Ronald Tolkien estudou os Clássicos, o Inglês Antigo, assim como o Nórdico Antigo, Gótico, Galês e Finlandês. Ou seja, ele teve acesso a muitas histórias e contos medievais. Desde sua infância ele já se envolvia com contos onde apareciam dragões, como os de Andrew Lang. Ou, mais explícito, são os acontecimentos pessoais: sua tia Jane morava num chalé apelidado pelos moradores de ‘Bag End’ (Ponta do Bolsão), em Worcestershire.

E assim J.R.R. Tolkien foi escrevendo a história: contando aos seus filhos, e compartilhando com seus amigos de grupo, o The Inklings: C.S. Lewis, Charles Williams e outros. O autor de ‘As Crônicas de Nárnia’, Lewis, disse numa carta para um amigo seu, Arthur Greeves, o seguinte: “Desde que começou o período letivo, tenho tido momentos deliciosos lendo uma história infantil que Tolkien escreveu�? e também acrescenta algo interessante: “é exatamente o que nós dois teríamos desejado escrever (ou ler) em 1916…�?

O grupo incentivou Tolkien a continuar a história, que durante um tempo ficou esquecido nas gavetas. Nas primeiras versões, o dragão se chamava “Pryftan�?; o mago era “Bladorthin�?; e o chefe dos anões, portanto Thorin, era “Gandalf�?. Mas, afim de ter uma versão final dos nomes, num certo dia, se encontrou com Lewis onde escolheu os nomes dos anões numa coletânea de poemas antigos islandeses, o Elder Edda.

A tradição do Nórdico Antigo é usado de várias formas por Tolkien. Seus personagens anões assemelham-se aos heróis das sagas Nórdicas Antigas: são valentes, teimosos e inexoráveis em sua perseguição de vingança por danos e maldades feitos a eles. Em ‘O Hobbit’, temos uma história de vingança de anões: liderados por Thorin, a comitiva parte para buscar o tesouro roubado pelo temível Smaug.

O estudioso Aryk Nusbacher diz: "Então temos uma pequena sociedade buscando cumprir uma tarefa e há ecos dos Vikings nisso. Há ecos de todos tipos dos pequenos grupos de pessoas, especialmente mitologia Nórdica, mas ao longo da história da Europa pequenos grupos partem para cumprirem uma tarefa."

Bilbo Bolseiro:

Bilbo Bolseiro era um hobbit do Condado. Filho de Bungo Bolseiro e Beladona Tûk, Bilbo sempre havia sido um hobbit normal para os padrões do Condado, a não ser talvez por uma certa dose a mais de curiosidade.

Assim havia sido desde seu nascimento, na distante data de 22 de setembro de 2890 (1290 RC). Porém, a partir do dia em que Gandalf, Thorin e companhia bateram à sua porta, sua vida começou a mudar. Gandalf lhe "convidou" para auxiliar uma companhia de anões que tinham a missão de recuperar um antigo reino anão e seu tesouro que haviam sido tomados pelo terrível dragão Smaug.

Nessa aventura Bilbo acabaria por encontrar o Um Anel na caverna de Gollum, além de conquistar outros tesouros, como o colete de Mithril dado a ele por Thorin, e a espada Ferroada. Conquistou também fama no Condado. Nunca antes um hobbit havia agido de tal maneira, e por isso Bilbo ganhou os títulos de indiscreto, aventureiro e estranho por seus conterrâneos. Porém também ganhou o respeito dos elfos e anões e de Gandalf que passou a visitá-lo constantemente (o que só piorou sua imagem perante os hobbits do Condado).

Desde então, Bilbo passara a ter uma vida pacata, e passou a ter contato com seu sobrinho Frodo, que por ele seria adotado após a morte dos pais do jovem hobbit, que possuía então apenas 22 anos, enquanto Bilbo atingia os seus 90.

Tudo permaneceu calmo, até que chegou o aniversário de 111 anos de Bilbo (e 33 de Frodo). Após uma pomposa festa com a presença de praticamente todos os hobbits do Condado, Bilbo desapareceu, deixando Bolsão e todo seu legado (inclusive o Um) para Frodo, indo então viver em Valfenda na companhia dos elfos que tanto estimava. Lá viveu por 20 anos, a não ser por uma pequena viajem à Valle e Erebor, as terras de suas antigas aventuras.

Na Casa de Elrond ele permaneceu escrevendo sobre suas aventuras com Gandalf e os Anões e estudando a sabedoria élfica até o fim da Guerra do Anel, quando, em 3021 (1421 RC), partiu para o oeste junto de Frodo, Gandalf, Elrond, e Galadriel. Ao partir sobre o Mar, Bilbo era o hobbit mais velho de que se teve notícia, atingido os 131 anos de idade, fato que talvez se devesse um pouco à ação do Anel sobre ele.

Os relatos de Bilbo foram registrados no Livro Vermelho do Marco Ocidental, que ele deu à Frodo, o qual contribuiu com a história de O Senhor dos Anéis, e depois repassou o mesmo à Samwise Gamgi e sua família, até que o professor J. R. R. Tolkien o encontrou e publicou sob os nomes de “O Hobbit�? e “O Senhor dos Anéis�?.

Bilbo em Imagens:

Os irmãos Hildebrant, consagrados ilustradores das história de Tolkien, nos dão 2 cenas marcantes na "biografia" de vida. A primeira é "Gandalf visita Bilbo", na bela manhã de 25 de Abril. E a outra, bastante interessante, é "Bilbo em Valfenda", que refere-se à época em que o hobbit esteve hospedado na Casa Élfica escrevendo os relatos de sua viagem à Erebor, já com sua idade avançada. Repare que a perna direita de Bilbo, que fica em baixo da mesa, não apareçe; só podemos ver o contorno do pé dele. Curiosa a imagem, ela porém está como manda o figurino: Bilbo com sua jaqueta vermelha com os botões de ouro.

John Howe, outro respeitável desenhista, nos ofereçe uma imagem com traços élficos. É "Bilbo em Valfenda", com uma aparência física mais avançada que a dos Irmãos Hildebrant, mas que mantêm um sorriso simpático do hobbit. Ali vemos as janelas e decorações de Valfenda, e os escritos de Bilbo já em estado avançado de elaboração.

Mas se é para falar de cenas bem hobbitescas, então nada melhor do que a comentada festa dos 111 anos do Sr. Bolseiro. "A Festa de Bilbo", por Inger Edelfeldt, demonstra muito bem isso, com muitas crianças dançando, hobbits comendo e o Bilbo discursando. Mas também temos uma, em preto e branco, de Demétrius Surdi, com o título da ilustração escrito em runas, "A Festa de Bilbo".

E se Tolkien disse que Bilbo estava preocupado com os "Copos trincados/ Pratos partidos", então John Howe conseguiu trasmitir essa preocupação nesta ilustração chamada "Uma Festa Inesperada", pois "É isso que em Bilbo causa gemidos".

Dos Trolls:

Os Trolls foram criados por Morgoth na primeira era das estrelas, eles são serem maléficos, canibais, têm uma grande força e boa agilidade, além disso, são muito pouco inteligentes.

Melkor criou essas criaturas imitando os ents, ele invejava as criações dos Valar, portanto tentava imitá-las.Acontece que ele não conseguiu que eles se tornassem tão fortes e sábios como os pastores de árvores. A criação do Senhor do Mal tem mais um problema: não é resistente à luz. Se os Trolls entrarem em contato com a luz do sol, se transformam no material de que foram feitos, ou seja: rochas.

Posteriormente, Sauron aperfeiçoou os Trolls, criando assim a raça dos Olog-Hai. Esses trolls são resistentes à luz, espertos e mais fortes que os trolls de Morgoth.

Dentre todas essas criaturas, três chamam atenção em particular: Tom, Bert e William. Um trio de Trolls Rochosos de estatura mediana que se fixara na floresta. Esses três infelizes cruzaram o caminho da Comitiva em 2941 da 3ª Era do Sol. O que sua inteligência limitada não conseguiu lhes mostrar é que a comitiva de Bilbo Bolseiro e os anões era pequena apenas na estatura, mas grande na braveza e na astúcia.

Ao aprisionar os viajantes, Tom, Bert e William conversaram em uma espécie de idioma Westron, típico dos Trolls originais das regiões rochosas. Foi a conversa que impediu os maléficos seres de devorarem Bilbo e seus amigos, pois Gandalf, que ainda estava junto da comitiva, entreteu os três numa discussão que durou até o nascer do sol, quando o trio se transformou em pedra.

Galeria de Imagens:

Nesta seção, o leitor é convidado a conhecer as ilustrações dos diversos profissionais desta área. Todas baseadas na passagem de "Da visita de Gandalf ao encontro com os Trolls". Só que além do link para a imagem, você também verá a passagem do livro que se refere à arte.

A Colina: Vila dos Hobbits – "Os Bolseiros viviam nas vizinhanças da Colina."
"A Colina, como todas as pessoas num raio de muitas milhas a chamavam". (Capítulo I)

A visita inesperada de manhã – "Eu sou Gandalf. E Gandalf significa eu!"
"Tudo o que Bilbo, sem suspeitar de nada, viu naquela manhã foi um velho com um cajado. Usava um chapéu azul, alto e pontudo, uma capa cinzenta comprida, um cachecol prateado sobre o qual sua longa barba branca caía até abaixo da cintura, e imensas botas pretas". (Cap. I)

Visita de Gandalf – "Você usa Bom dia para um monte de coisas!"
"Se você tiver um cachimbo com você, sente-se e tome um pouco do meu fumo! Não há pressa, temos o dia todo pela frente! – E então Bilbo se sentou numa cadeira à sua porta, cruzou as pernas e soprou um belo anel de fumaça cinzento que se ergue no ar sem se desmanchar e foi flutuando sobre a Colina". (Cap. I)

Bilbo encontra Gandalf – "Estou procurando alguém para participar de uma aventura…"
"Nós somos gente simples e acomodada, e eu não gosto de aventuras. São desagradáveis e desconfortáveis! Fazem com que você se atrase para o jantar! Não consigo imaginar o que as pessoas vêem nelas – disse o nosso Sr. Bolseiro, colocando um polegar atrás dos suspensórios e soprando outor anel de fumaça ainda maior". (Cap. I)

Uma Festa Inesperada – "Multidão! Isso não soa bem…"

"Eram mais dois anões, ambos com capuzes azuis, cintos de prata e barbas amarelas; e cada um deles carregava um saco de ferramentas e uma pá. Quando saltaram para dentro, assim que a porta começou a se abrir, Bilbo não ficou nem um pouco surpreso" (Cap. I)

Gandalf chega batendo – "Alguém estava batendo com um cajado!"

"Bilbo correu pelo corredor, muito zangado e totalmente desnorteado e desconcentrado – era a mais estapafúrdia quarta-feira de que ele se lembrava. Abriu a porta com um solavanco e todos caíram para dentro, um em cima do outro. Mais anões, mais quatro! E gandalf estava atrás, inclinando-se sobre seu cajado e rindo." (Cap. I)

A Festa Inesperada – "Se eu digo que ele é um ladrão, isso é o que ele é…"

"Sobre a mesa, à luz de uma grande lamparina com um quebra-luz vermelho, ele desenrolou um pergaminho muito parecido com um mapa." (Cap. I)

Glóin – "O azar parecia ter contaminado o fogo…"

"Lá estavam eles sentados, carrancudos, molhados e resmungando, enquanto Oin e Gloin continuavam tentando acender o fogo, e brigando por causa disso." (Cap. II)

Trolls – "Não comemos nem sobra de carne de homem faz um tempão"

"Três pessoas muito grandes e sentadas em volta de uma fogueira muito grande de troncos de faia. Estavam assando pedaços de carneiro em longos espetos de madeira e lambendo o caldo dos dedos. Havia um cheiro agradável, de comida saborosa. Também havia um barril de boa bebida por perto, e eles estavam bebendo em canecas. Mas eram trolls. Obviamente trolls." (Cap. II)

Os Trolls – "Um ladrhobbit?"

"Excelente! – disse Gandalf, enquanto saía de trás de uma árvores e ajudava Bilbo a descer de um espinheiro. Então, Bilbo entendeu. Fora a voz do mago que mantivera os trolls discutindo e brigando." (Cap. II)

Tornando-se Pedra – "… até que a luz chegou e acabou com eles."

"Pois bem naquele momento a luz surgiu sobre a colina e ouviu-se um grande alvoroço nos galhos. Não foi William quem falou, pois transformou-se em pedra no momento em que se agachou; Bert e Tom ficaram como rochas no momento em que olharam para ele." (Cap. II)

Trolls – "Precisamos olhar lá dentro!"

"Procuraram, e logo encontraram marcas das botas de pedra dos trolls, distanciando-se por entre as árvores. Seguiram as pegadas colina acima, até que, oculta pelos arbustos encontraram uma grande porta de pedra que dava acesso a uma caverna. Mas não conseguiram abri-la, embora empurassem todos juntos e Gandalf tentasse vários encantamentos" (Cap. II)

Créditos das Imagens:
Abe Papakhian
Alan Lee
Angelo Montanini
Irmãos Hildebrandt
Jamie Chang Ponine
John Howe
J.R.R. Tolkien
Patrick Gely
Paul Greogory
Ted Nasmith

Fontes:
Livro "Tolkien: Uma Biografia" de Michael White, Ed. Imago. 2001.
DVD "J.R.R. Tolkien: Master of the Rings".
Wikipedia – Enciclopédia da Valinor
Galeria Tolkienianos
Livro: "O Atlas da Terra-média", de Karen Wynn Fonstad, Ed. Martins Fontes. 2004.

Sobre Karen:
Renomada, mestre em geografia pela Universidade de Oklahoma e professora de geografia na Universidade de Wisconsin. É autora de The Atlas of Pern, The Atlas of the Dragonlance World, The Atlas of the Land e The Forgotten Realms Atlas.

A Guerra do Anel & Suas Datas – Parte 3

Apresentação:

Uma das lutas mais marcantes em O Senhor dos Anéis é sem dúvida na Ponte de Khazad-dûm, num lado o poderoso mago servidor da chama de Anor, Gandalf, o Cinzento e do outro o dêmonio do mundo antigo, um ser corrompido pelo primeiro senhor do escuro Morgoth, Balrog.

A luta que se inicia na Ponte, no dia 15 de Janeiro, extende-se até o dia 25, onde o Balrog é derrotado no pico de Zirak-Zigil e Gandalf morre.

Se você está perdido, acompanhe toda esta aventura desde como ela se iniciou através dos links: O Conselho de Elrond, A Partida da Comitiva e De Azevim à Caras galadhon. Bom divertimento!

 

 

Parte III – Gandalf vs Balrog

Descendo aos tropeços as tortuoas escadas de Moria e escutando os sons das batidas dos tambores dum, dum a Comitiva fugia dos Orcs e de uma força maior ainda. Podiam ver no alto o cajado de Gandalf brilhando, parado, como se ele estivesse bloquando a passagem desta força maior.

De repente um clarão de luz branca iluminou os paredões de Moria, ao som de um estrondo e um baque surdo. E de lá vinha Gandalf correndo. Tão rápido que estava, caiu no lugar onde a Sociedade esperava. Gandalf fez o que pôde, mas o inimigo estava a sua altura, então tiveram de correr.

Dum-bum, dum dum, dum-bum

E cada vez mais batidas soavam na direção deles. Gandalf e Gimli iam na frente, seguidos pela Comitiva, um atrás do outro, nas longas fileiras de escadas que de tantos em tantos degraus chegavam a um nível inferior.
O mago só podia confiar na sua sorte e no seu cajado, que servia de auxilio como que para um cego, na escuridão completa da montanha.

Depois de uma milha percorrdia em uma hora, eles pararam. Gandalf encontrava-se exausto e decidiu descansar, mesmo que todos orcs do mundo estivessem no encalço deles. Gimli pegou pelo braço de Gandalf e ajudou a sentar na escadaria.

Perguntou se o mago havia encontrado aquele que bate os tambores, mas Gandalf não soube responder. Disse que estava em tensão, lançou um encantamento para impedir a passagem das forças inimigas, mas não foram o suficientes.

Alegrou-se por ter escutado a voz de Frodo, pensou que Aragorn estivesse carregando um hobbit morto. Mas Frodo disse estar inteiro, pelo menos era o que pensava – graças ao colete de mithril.

Prosseguiram na fuga. Passaram pelos grandes corredores e finalmente atingiram o Primeiro Salão de Moria. A Ponte de Khazad-dûm estava próxima. Gandalf coordenava a Sociedade, ao momento em que falava mais fortes os sons de dum, dum eram e se aproximavam.

Flechas cortavam o ar e caíam perto do grupo. Finalmente avistaram a Ponte num abismo escuro onde o chão desaparecia numa profundidade desconhecida. Gimli foi o primeiro a atravessar a ponte, seguido de Pippin e Merry.

Legolas tentou atirar algumas de suas flechas, mas a distância era grande para seu arco pequeno. E então gritou de medo, pois Orcs vinham com dois Trolls das cavernas e logo atrás a grande sombra de fogo.

Todos membros da Comitiva haviam atravessado a Ponte, mas um ainda permanecia no meio da Ponte. Gritou:

"Você não pode passar! Sou um servidor do Fogo Secreto, que controla a chama de Anor. Você não pode passar. O fogo negro não vai lhe ajudar em nada, chama de Udûn. Volte para a sombra! Não pode passar."

Era Gandalf, o mago Cinzento que gritava. Mas o Balrog, a sombra de fogo, não fez sinal de resposta. Sainda da escuridão, surgiu uma espada vermelha em chamas. E do outro lado a espada Glamdrig brilhou branca e fria em resposta.

Gritando mais uma vez e reunindo as forças que lhe restavam, Gandalf golpeou a ponte. O Balrog avançou no exato momento e a ponte se rachou. O mostro caiu no abismo, mas ainda chicoteou os ares, agarrando pelas pernas o mago. Gandalf perdeu o equilíbrio e caiu junto, suas últimas palavras foram Fujam, seus tolos! e assim desapareceu no abismo.

A Sociedade seguiu os últimos conselhos de Gandalf e partiu saindo da montanha, rumo a Lothlórien.

Gandalf e o Balrog cairam através das fundações de Durin, pelo abismo, até chegarem no final, nas remotas fundações de pedra. E lá lutaram durante algum tempo. O demônio de fogo virara um ser de lodo mais forte que uma serpente estranguladora.

O mago sempre atacava e derrubava o Balrog, mas este o agarrava novamente. Assim, depois de muita luta, o ser fugiu na direção dos caminhos secretos de Khazad-dûm. E como última esperança, Gandalf se agarrou aos calcanhares do ser. Até que chegaram nas Escadas Intermináveis.

Ali, o Balrog subiu até o topo, na Torre de Durin, em Zirakzigil, o pináculo do Pico de Prata. Era o dia 23 de Janeiro de 3019 da Terceira Era. Lá os dois brigaram por dois dias. O Sol brilhava violentamente no topo, já que ficava acima das nuvens.

Nos últimos momentos da luta o Balrog explodiu em chamas novamente. A neve derretia muito rápido e quem estivesse abaixo veria chuva e logo acima fogo. É claro que não haveria ninguém ali para relatar o acontecimento em canções ou até mesmo nos registros, mas era uma briga fenomenal.

E no golpe final, Gandalf jogou o Balrog para baixo, onde caiu e quebrou a encosta da montanha. Ali, o ser corrompido de Morgoth, morreu.

E assim, neste dia 25 de Janeiro Gandalf morria, caindo de extremo cansaço no topo de Zirakzigil. A escuridão dominou-o e ele vagou durante as eras passadas.

Continua…

História Por Trás dos Livros:

Asas. Toda vez um fã de Tolkien ouve ou lê essa palavra no meio de uma discussão sobre Tolkien, na maioria, deve surgir em sua mente a famosa questão se Balrogs, demônios de fogo, tem ou não asas. Essa discussão já virou, se nos permitem dizer, um mito, uma lenda no meio tolkieniano.

Muito bate boca, milhares de página discutindo uma questão que possivelmente não tem fim, que ficou "pelas metades" quando escrito no livro pelo Professor.

A queda de Gandalf em Moria e sua luta com o Balrog geram muitas discussões e teorias. No caso dessa questão em específico, podemos associá-la ao episódio de Gandalf, por ser esse um dos momentos em que Tolkien mais nos dá descrições sobre os Balrogs. Mesmo assim não são informações suficientes, principalmente quando mencionamos asas.

A questão de asas de Balrog pode ser no final das contas um enigma, pois há dois pontos controversos:

1º: "Seu inimigo parou novamente
, encarando-o, e a sombra ao redor dele estendeu-se como duas grandes asas" (A Sociedade do Anel – A Ponte de Khazad-dûm).

2º: "…ele adiantou-se em grande altura, e suas asas estenderam-se de parede a parede…" (Idem).

No 1º ponto, Tolkien sugere que a sombra abre-se como se fossem duas grandes asas. Mas no 2º ponto sugere que as asas ali são físicas.

Bom, na Internet, já foram lançados muitos textos, e temos alguns aqui na Valinor. Confiram:

1 – A Questão das Asas de Balrogs, sob o Ponto de Vista da Obra Literária do Autor;
2 – …E Será Que Balrogs Possuem Asas?;
3 – Asas de Balrog ;
4 – Balrogs Têm Asas? Balrogs Voam?

Outro ponto, não tão controverso, mas mesmo assim interessante, é o fato da morte do corpo de Gandalf, e seu posterior retorno, em um corpo aperfeiçoado. Gandalf, antes de morrer, era o Cinza, o segundo de sua ordem, e possuidor de um hröa. Após sua morte, ele retorna em um fána, e é nomeado pelos Valar líder da Ordem dos Istari. Ele torna-se então Gandalf, o Branco, em sucessão ao traidor Saruman.

Fontes:

Imagens:
Aumania
Ted Nasmith

Textos:
Valinor

22 de Setembro – Uma Festa Muito Esperada

Dia 22 de Setembro é uma das datas mais importantes na mitologia criado por Tolkien. É aniversário de dois hobbits aventureiros e corajosos: Bilbo e Frodo Bolseiro. Então acompanhe a festa tipicamente de hobbit que acontece todos os anos no distante Condado.
 
 
Dia 22 de Sacromês¹ os hobbits do Condado se reúnem para a festa mais esperada do ano, nos arredores de Bolsão, sob as folhas da grande �?rvore. É a festa de Bilbo e seu sobrinho Frodo, filho de Drogo. Todos os hobbits das quatro quartas foram convidados. A festa estava repleta de alegria, muita comida e muitas canecas de cerveja. As ruas estavam decoradas de faixas e balões coloridos.

Havia muitos hobbits importantes, dentre eles destacavam-se as famílias dos Bolseiros, Boffins, Tûks, Brandebuques, Fossadores, Roliços, Covas, Bolgers, Justa – Correias, Texugos, Boncorpos, Corneteiros e Pés – Soberbos. Muitos vinham de longe com a mesma empolgação dos que moravam perto, tudo em nome da magnífica festa dos Bolseiros.

Então chegou o mago, com seus incríveis poderes, e os seus fogos deslumbrantes. Afinal Gandalf jamais perderia a festa de seu velho amigo Bilbo. Ele veio de uma de suas longas jornadas pela Terra-média, depois de anos em não reencontrar Bilbo e Bolsão, pois era também um canto de descanso para ele. Seus famosos fogos eram fenomenais. Inesquecíveis para quem já os viu. E quem nunca teve o prazer de presencia-los ficava curioso pelos relatos daqueles que já viram.

Então começou a festa, com muitos cantos, alegrando a todos. A comida era abundante e a bebida era da melhor qualidade, pois Bilbo tinha encomendado-as de todos os fabricantes de vários lugares do Condado, sendo assim, era uma enorme variedade até mesmo da cidade de Bri. Foi então que os aniversariantes da festa se pronunciaram: Bilbo e Frodo agradeceram a vinda dos hobbits e contaram boas e velhas histórias.

E assim, depois do discurso, todos hobbits ficaram horas e horas festejando até os barris ficarem vazios e a comida se acabar. As musicas cessaram e pouco a pouco os hobbits foram se dirigindo para suas tocas e casas, após se despedirem dos anfitriões. Mas não era o fim. Gandalf soltou um enorme fogo de artifício no formato de uma imensa árvore e os seus ramos cresceram até encherem o céu, enfeitando-o como estrelas, até se desvanecerem no nada, abençoando todo o Condado. Quando todos tinham ido embora, Gandalf e Bilbo sentaram juntos e fumaram uma erva do Condado. Assim acabou a festa mais esperada de toda a história do Condado

 

Nota:
¹ – Sacromês: mês de Setembro no calendário d’O Condado.