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A arte da Guerra de Sun tzu presente na quinta batalha: Nirnaeth Arnoediad – Erros e acertos

O que é a arte da guerra?

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A arte da guerra é um compacto manual construído em treze capítulos, pelo filosofo e general chamado Sun Tzu, escrito no século III antes de cristo, sendo este um dos mais antigos tratados militares do mundo. Este livro acabou exercendo uma grande influência em guerras no decorrer do tempo e hoje é utilizado por empresas, políticos e estudiosos de diferentes áreas. 

Segundo Sun Tzu “A guerra é uma questão vital para o Estado. Por ser o campo onde se decidem a vida ou a morte, o caminho para a sobrevivência ou para a ruína…” (Ttzu,2001,p.25).  Os leitores de Tolkien bem sabem que sua obra é repleta de guerras, sendo utilizada como meio de resolver sua desavenças políticas, lutas por joias riquezas, como no caso das Silmarills, desavenças entre as raças, entre outras. As guerras na obras de Tolkien sempre representam essa linha tênue entre a sobrevivência e ruína das raças bem como sendo utilizadas para marcar a mudanças das eras.

A Batalha de Nirnaeth Arnoediad

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No livro Silmarillion é relatado que Maedhros, reuniu todas as forças que pôde de elfos, homens e anões,com o objetivo de atacar Angband e acabar de uma vez por todas com Morgoth, porém um de seus erros foi realizar um ataque cedo demais, antes que suas seus planos estivessem completos e embora tenha expulsado os orcs do norte de Beleriand, acabou avisando a Morgoth do levante, podendo assim se preparar.

Segundo Sun tzu, um dos melhores planos de ataques é desfazer-lhes as alianças, provocando o rompimento dos seus adversários, o que foi realizado por Morgoth, fato este que fica presente:
“…Muitos espiões e traidores mandou para o meio dos homens, como agora era mais capaz de fazer, pois os homens desleais de sua aliança secreta ainda estavam muito enfronhados nos segredos dos filhos de Fëanor.” (TOLKIEN, 2011, p.239))

Seguindo essa estratégia Morgoth utiliza-se de espiões, ao qual para Sun-tzu “Há cinco tipos tipos de espiões a poderem ser empregados: nativos, internos, duplos, dispensáveis e vivos.” (Tzu,2001, p.118).  Destes Morgoth utiliza-se então de agentes dispensáveis, ou seja, espiões nossos em que são deliberadamente dadas informações falsas, presente no trecho abaixo:
“Maedhros fora impedido na partida pelas astúcia de Uldor, o Maldito, que o enganara com advertências falsas de um ataque proveniente de Angband.” (TOLKIEN, 2011, p.240)
Além disso utiliza-se de mais dois tipos de espiões. Os nativos- são naturais da terra rival que nos servem. Os espiões vivos que são os que conseguem voltar com as informações para seu soberano.

Em outro front de batalha, o capitão de Morgoth no oeste havia recebido ordens de rapidamente atrair Fingon para fora das colinas, pelos meios que lhe fossem possíveis.

Então os arautos, pegaram “Gelmir, filho de Guilin, aquele senhor de Nargothrond que haviam capturado na Bragollach, e eles o haviam cegado. E deceparam os pés e as mãos de Gelmir, acabando por decapitá-lo, à vista dos elfos” (TOLKIEN, 2011, p.241)

Este apresenta-se como um grande erro nessa batalha, pois segundo Sun tzu, um dos principais motivos pelo qual as tropas abatem o inimigo, está no fato de se sentirem enraivecidas, já que a raiva pode tornar os inimigos cerca de 10 vezes mais fortes.
Fato este que se mostra presente na batalha, já que nas colinas estava Gwindorde Nargothrond, irmão de Gelmir que em um ataque de raiva ele seus homens mataram os arautos e atacaram o corpo principal do exercito de Morgoth, fazendo com que Fingon fosse a seu auxílio com os noldor. Dessa maneira o exercito mandado por Morgoth a oeste foi dizimado, configurando uma vitória aos noldor e humanos, que continuaram avançando e atacaram os portões de Angband, porém para tal feito eles tiveram que passar por Tangorodrim. Para quem não lembra, Tangorodrim eram montanhas erguidas à frente de Angband, servindo de muralhas ao norte da terra-média.

“Por muitas portas secretas nas Thangorodrim, Morgoth permitira a investida de sua força principal, que mantinha de reserva. E Fingon foi rechaçado das muralhas com perdas enormes”( TOLKIEN,2011, p.242)

Para o Mestre Sun Tzu, Montanhas e pântanos apresentam-se como terrenos difíceis pois a deslocação é árdua e promove cansaço as tropas.  Para, além disso: “o terreno cujo acesso é apertado e sua saída tortuosa e onde uma pequena força inimiga  pode atacar a minha embora maior é cercado.”(Sun tzu,2001,p.106)

Na planície de Anfauglith, no quarto dia da guerra, teve início Nimaeth Arnoediad, as Lágrimas Incontáveis e Haldir, Senhor dos haladin, foi morto assim como a maioria dos homens de Brethil, até que chegou Turgon com seu exército, abrindo o cerco dos orcs a até chegar a Fingon e Húrin, também chegou Maedhros, vindo do leste abatendo-se sobre os orcs, então Morgoth soltou sua última força, e Angband ficou vazia. Vieram lobos, vieram balrogs, dragões eGlaurung, pai dos dragões.

 “E Glaurung avançou entre as hostes de Maedhros e Fingon, separando-as.” ( TOLKIEN,2011, p.243) A atitude de Glaurung, que sempre foi um dragão muito astuto, foi  dividir as forças do adversário, esta era uma estratégia muito usada, desde a época de Sun Tzu.

Contudo, se não fosse pela traição dos homens em que muitos dos orientais se voltaram e fugiram, com o coração cheio de mentiras e pavor, enquanto outros como os filhos de Ulfang, porém de repente passaram para o lado de Morgoth e investiram contra a retaguarda dos filhos de Fëanor.

Mais uma vez volta-se par ao ponto de desfazer as alianças dos inimigos uma estratégia essencial, fazer promessas e alianças militares promovendo uma traição em meio as fileiras adversárias, tem um grande impacto numa batalha, em que uma fuga de uma porção das tropas, faz com que se percam os ânimos, enquanto que ao mesmo tempo uma traição, leva os soldados de homens e elfos que ainda estavam do lado de Fingon, Turgon, Húrin a se sentirem perdidos momentaneamente em meio ao campo de batalha. Dessa forma a traição foi essencial para vitória de Morgoth.

Referencia:

Sun Tzu, A arte da guerra. São Paulo: Editora Martin Claret Ltda, 2001.

Tolkien, J. R. R., O Silmarillion;organizado por Christopher Tolkien. 5 ed, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.

Autor:Patrick Queiros