Minha posição definitiva sobre Orques e Gobelins

A treta sobre o uso de termos como Orques e Gobelins nas novas edições da obra de Tolkien, publicadas pela editora HarperCollins Brasil, voltou com toda a força nos últimos dias. Eduardo Oliferr, do site Tolkien Brasil, que já tinha escrito uma série monumental (embora profundamente equivocada; stay tuned) de artigos sobre o tema condenando as novas traduções, iniciou uma verdadeira campanha em sua página do Facebook, conclamando outros fãs a manifestar sua contrariedade e praticamente exigindo que a editora altere os termos. Há uma ameaça mal-disfarçada de boicote no ar.

Bem, como vocês sabem, eu sou parte interessada nessa história. Sou o tradutor de A Queda de Gondolin, O Silmarillion e O Hobbit e membro do Conselho de Tradução da HarperCollins Brasil junto com os colegas tradutores Gabriel Brum (também aqui da Valinor) e Ronald Kyrmse. Creio firmemente, porém, que temos argumentos muito bons do nosso lado. E me parece claríssimo que a análise feita pelo Eduardo é parcial, enviesada e, em última instância, errada. Abaixo, explico o porquê disso ponto a ponto, aproveitando para citar várias críticas ou dúvidas das pessoas que estão atacando as novas traduções.

1)“Tolkien odiava/não aceitava adaptações fonéticas de qualquer tipo nos termos de suas obras”

Isso é, no máximo, sendo muito generoso, uma meia-verdade. O problema é tomar como verdade absoluta uma “fotografia” de UM momento específico citado nas Cartas de Tolkien, nos anos 1950, e extrapolar isso pra todos os lugares e todas as épocas em que foram feitas traduções da obra tolkieniana.

Não sei se vocês sabem, mas Tolkien era… gente. Um ser humano, que mudava de ideia, negociava, avançava e recuava, esquecia as coisas. Isso tem de ser levado em consideração.

Sim, Tolkien ficou chocado quando tradutores holandeses e suecos, nos anos 1950, resolveram traduzir ou adaptar a nomenclatura inglesa do Condado e dos nomes dos hobbits. A primeira reação dele foi vetar tudo, e aí teremos edições totalmente anglicizadas por aí. Mas lentamente ele foi levando em consideração que suas obras são, em tese, supostas traduções de manuscritos antigos em línguas que não têm nada a ver com o inglês, e que, portanto, tudo o que está em inglês – segundo essa teoria – seria “traduzível” ou adaptável foneticamente, em alguma medida.

Ele continuou meio infeliz com a ideia num nível visceral, mas sabia que era o certo a fazer.

E ele próprio sugere a possibilidade de adaptações ortográficas e fonéticas na Nomenclatura de O Senhor dos Anéis, documento que preparou para os tradutores nos anos 1960. Dois exemplos claros são os nomes Sharkey (o apelido de Saruman, traduzido como Charcote na edição da Martins Fontes) e Maggot, sobrenome do fazendeiro Magote.

Sobre Sharkey, Tolkien escreve: “A palavra, portanto, com uma modificação de ortografia para se adequar à LT [língua de tradução]; a alteração do sufixo diminutivo e quase afetuoso –ey para se adequar à LT também seria adequada”. Daí “Charcote” (a terminação lembra “mascote”, “filhote” em português).

Eis um trecho do verbete sobre Maggot: “A ideia é que seja um nome ‘sem significado’ (…) provavelmente é melhor deixá-lo intacto, embora alguma assimilação ao estilo da LT também fosse adequada”. Isso explica a remoção do “g” duplo e a vogal no final em “Magote”.

(Aliás, notem o “provavelmente”. Tolkien sabia que o trabalho de tradução comporta incertezas e soluções que variam – diferentemente de alguns de seus fãs…)

2)Mas ele jamais permitiria esse tipo de coisa com as palavras mais importantes de sua obra!!!

Errado. Um dos volumes da obra “The J.R.R. Tolkien Companion & Guide”, obra de referência organizada por Christina Scull e Wayne Hammond, mostra Tolkien totalmente aberto a negociar mudanças sutis e mesmo brutais para o termo “hobbit”. Sim, “hobbit”.

Em 1962, a editora Fabril, de Buenos Aires, estava negociando a publicação de uma tradução de O Hobbit, e Tolkien disse o seguinte: “Numa língua latina, o termo ‘hobbits’ parece horroroso e, se eu tivesse sido consultado antes, teria concordado imediatamente com alguma naturalização da forma: p. ex. ‘hobitos’, que combina melhor com ‘elfos’, palavra adotada há muito, além da boa sorte de conter o sufixo normal diminutivo do espanhol [-ito, no caso].”

A editora chegou a propor ‘jobitos’, uma vez que, como em português, o “h” do espanhol é mudo, enquanto o “j” do castelhano é aspirado. Tolkien disse que preferia “hobitos” e acrescentou que muitos hobbits provavelmente abandonavam o “h” aspirado no começo das palavras, tal como os camponeses da Inglaterra. Ou seja, alguns hobbits diziam ser “óbits”!

Em outra negociação, desta vez em 1968, com a editora francesa Editions Stock, a empresa propôs alterar “hobbit” para “hopin” porque “hobbit” parecia um palavrão francês (eles não dizem qual). Tolkien fez birra, jogou-se no chão e chamou os franceses de bobos, feios e chatos. Né?

Não. Tolkien embarcou na ideia.

“De qualquer modo, ‘hopin’ me parece uma solução apropriada e engenhosa: ‘hopin’ está para ‘lapin’ [“coelho” em francês] assim como ‘hobbit’ está para ‘rabbit’ [“coelho” em inglês].” Para quem não se lembra, essa comparação entre hobbits e coelhos aparece várias vezes no livro. Ele só pediu para os ilustradores não desenharem Bilbo com cara de coelho por causa disso.

Mas fiquem tranquilos – estamos sendo conservadores e não vamos mexer em “hobbit”. Mais conservadores que o próprio Tolkien, pelo visto…

3)Ah, mas nenhuma tradução europeia acabou seguindo essas ideias. Dois grandes especialistas em Tolkien também são contra elas. Vocês querem saber mais que eles?

Verdadeiro, porém irrelevante. Esse raciocínio parte de uma visão binária: se a nossa escolha de tradução é boa, a deles é ruim, e vice-versa.

Bom, em tradução isso é relativamente raro. A não ser que a gente estivesse errando o significado ou o tom de uma palavra (trocando um termo formal por gíria, por exemplo), não existe 100% errado ou certo nessa área. O que existe são ESCOLHAS que podem ser defensáveis ou não, por diferentes motivos.

Manter o termo original é defensável? Totalmente. Ligeiras adaptações ao estilo da língua de tradução são defensáveis? A resposta, como o próprio Tolkien deixou entrever, também é SIM.

Ah, e só pra arrematar, isso é, no fundo, argumento de autoridade. Ou seja, uma falácia lógica.

4)Vocês não estão traduzindo, estão só inventando palavra!

Bom, não sei se vocês sabem, mas palavras são inventadas o tempo todo. Tipo “futebol”, “upar”, e “shippar”. Isso normalmente acontece quando a língua de tradução não tem equivalentes considerados precisos para o termo designado na chamada língua de partida (o idioma original).

“Duendes”, em português, são entidades com associações fofinhas e naturebas que não dão conta dos “goblins” de Tolkien – daí a opção por “gobelim/gobelins”. Quanto a “Orc”, nunca tivemos uma palavra que sequer se aproximasse em sentido ou tom no nosso idioma.

A opção mais lógica é abraçá-las como neologismos – desde que a adaptação fonética necessária seja feita. Aliás, no caso de “Orc” a adaptação fica na fronteira entre o fonético e o gráfico. Ou você conhece algum brasileiro que pronunciasse “Orc” de um jeito que não soasse como “Orque” (aliás, “orqui”, né)?

5)O próximo passo vai ser “robitos” e “Tomás Bombadinho”! É um absurdo!

Temer essa possibilidade é simples falta de atenção com a maneira como temos trabalhado. As mudanças só afetaram essas palavras porque elas não foram criadas por Tolkien nem são nomes pessoais, mas estão em uso na língua inglesa faz tempo e, portanto, podem ser pensadas como substantivos comuns “adaptáveis”. E, de novo, Tolkien ressalta que o importante é o SOM de “Orc”, não a grafia.

Aliás, nota de rodapé: “hobbit” também tinha registro em certos compêndios antes da obra de Tolkien, mas parece que era o termo usado para falar de um ente sobrenatural que não tem nada a ver com Bilbo e companhia. Para todos os efeitos, faz mais sentido tratá-la como invenção de Tolkien e, portanto, mais “intocável”.

6)Mas gobelim é nome de tapeçaria!

Meia-verdade, mas irrelevante. Na verdade o termo preferido pelos dicionários, como o Houaiss, é “gobelino”.

Mas e daí? Será que, a esta altura do campeonato, preciso mesmo apresentar a alguém supostamente tão douto quanto o Eduardo o conceito de homófono e homógrafo?

“Pena” pode ser de galinha, de dó ou de tempo passado na prisão. Isso por acaso faz a palavra ser proibida em português? De mais a mais, quantas pessoas com nível superior que você conhece vão imediatamente gritar “tapete!” quando você diz “gobelim”?

7)Vocês estão fugindo do debate!

Parafraseando Bilbo, parece que tem gente que sabe mais do que acontece dentro da minha própria casa do que eu mesmo (ou da casa dos demais membros do Conselho de Tradução).

O convite para o debate veio em janeiro, o mês em que eu tenho duas crianças pequenas de férias em casa o dia todo, quando eu também preciso trabalhar como repórter, atualizar meu blog (que sou pago pra fazer), escrever meu próprio livro (que tá atrasado…), traduzir O Hobbit, cozinhar, arrumar a casa, cuidar das porquinhas-da-índia… e eu ainda não defini data pra debater com o rapaz porque estou com medo. Então tá.

Debato com a maior tranquilidade – quando eu tiver tempo, e quando houver honestidade intelectual e um mínimo de cortesia pra debater. Nem um minuto antes disso.

Essa história toda me lembra a obra do psicólogo Jonathan Haidt sobre como as decisões humanas são tomadas. Ele resume os achados dele da seguinte maneira: “As intuições vêm primeiro, o raciocínio estratégico vem depois”.

A estranheza inicial de “Orques” e “Gobelins”, a “feiura”, fez com que intuitivamente muita gente achasse que as traduções estavam erradas. Correram, então, atrás de todo tipo de argumento para tentar justificar racionalmente essa intuição.

Faltou, porém, olhar os argumentos por todos os lados possíveis. Tudo bem você achar as palavras feias ou, em termos tolkienianos, “pouco eufônicas”. Tudo bem você achar que outra solução seria melhor. Mas dizer que as nossas opções estão “erradas” e “contrariam Tolkien” não é opinião, meu amigo. É puro autoengano.

E agora, se vocês me dão licença, tenho de entregar a tradução de O Hobbit até o dia 10 de fevereiro.

47 comentários em “Minha posição definitiva sobre Orques e Gobelins”

  1. Não sei pra que tanto Chilique de muitos. Estou lendo aqui e não está atrapalhando em nada minha experiência.
    Ta certo que estão indo em uma linha diferente de nomenclaturas como foi estabelecido em filmes e outras coisas em português, mas pra mim não está errado nada aí, e sim só seguiram outra linha.
    Eu pelo menos não entendo toda essa repercussão negativa.

  2. (EU), entre o correto em Português soar estranho e o correto em Inglês soar “comum” aos nossos ouvidos por já estarmos acostumados, deixaria na língua inglesa, mesmo sabendo que essa nova tradução está correta de acordo com Tolkien e a lingua portuguêsa. Mas vai do povo acostumar com a nova maneira e torcer para não mudarem mais, né. Outra opção que poderia ter sido cogitada é uma pesquisa online com os leitores, sei que isso dá trabalho, mas a voz do povo é a voz de Ilúvatar.

  3. Eu particularmente gostava mais da tradução anterior, mas acredito que seja mais por estar acostumado com ela. Pretendo comprar a nova tradução e ver como ficou ao invés de ficar preso em questões particulares…

  4. Quer um bom argumento pelo qual vocês estão errados nessa tradução?

    Todas palavras que são questionaras já entraram no imaginário e no vocábulo dos falantes da língua portuguesa em razão das décadas em que todas as obras traduzidas de Tolkien foram disponibilizadas no Brasil.

    Valfenda será para sempre Valfenda.
    Hobbits serão hobbits e Orcs serão Orcs.

    Pela mesma razão que sempre falaremos sobre a Rainha Elizabeth e não Izabel ou airbags e não qualquer outro nome.

    Se fosse uma tradução inédita, tudo bem, mas nesse próprio site temos quase duas décadas de falantes da língua portuguesa usando as palavras na tradução da Martins Fonte.

    O que me parece é que vocês estão simplesmente buscando alguma forma de ineditismos, bobo, inclusive, que poderia ser resolvido com fartas notas explicativas da etimologia de cada palavra.

    Minha experiência como leitor e estudioso de Tolkien não foi inferior pq li sobre Orcs e não sobre orques.

    1. Essa é justamente a minha posição. Insistir nessas mudanças, inclusive sabendo que isso geraria uma certa reação, não passa de preciosismo estúpido. Além da arrogância né?!

      Mesmo fora do universo de Tolkien muitas dessas palavras já estão estabelecidas, em filmes, jogos, e outro livros. Basicamente é desconsiderar toda uma tradição já estabelecida de tradução, criando mais confusão em alguns termos.

  5. Claro, sou apenas mais uma consumidora, mas essa tradução lamentavelmente não irei comprar e nem recomendarei. Pouca importa aliás, não é mesmo?! é apenas mais uma leitora que não comprará e nem indicará. Sucesso pra vcs

  6. Estou abismado e inacreditavelmente decepcionado com essas escolhas de traduções, principalmente com palavras centrais da obra. Decepcionado.
    Infelizmente, essas edições não irão pra minha prateleira.
    Como disse o Reinaldo em alguma resposta, de forma bem irônica.
    Beijos de luz.

    P.S. ser doutor em alguma porcaria, não te torna o mais sabedor, pelo contrário só mostra sua limitação devido ao intenso foco. Volta umas casas aí e tente de novo.

  7. Caraca, não tava ciente dessa confusão com as traduções. Achei um tanto quanto grosseira essa “entrevista” pra explicar o porquê estão enfiando essa tradução goela abaixo dos brasileiros. Só posso lamentar que estejam fazendo isso. No exemplo dado para se usar Gobelin ao invés de Goblin, disse e não falou nada, não explicou nada. Ficou a impressão de que é assim porque eles querem e ponto.
    Revela uma falta de educação tão grande nessas respostas. Realmente estou abismado, já nem tanto pela tradução, mas pela soberba e arrogância desse tradutor.
    Triste ver a obra do professor sendo vilependiada dessa forma.
    Até usar argumentos que contrariam falas do próprio professor foi usado, isso é injustificável. Estou realmente chateado. No primeiro momento, po ver edições tão primorosas como as HarperCollins, fiquei extasiado, em catarse. Agora, estou completamente decepcionado.

  8. Eu, num primeiro instante, achei esquisito. Não posso dizer o contrário. Li Senhor dos Anéis, pela primeira vez, aos 13 anos. Não pude deixar de sentir uma certa dificuldade com essas mudanças. Mas, reconheco que minha reação foi puramente afetiva. Hoje, já estou mais familiarizado com tudo isso. Acredito que os novos leitores não irão se importar com nada disso. Parabéns pelo trabalho Reinaldo. Li A Queda de Gondolin e fiquei fascinado com a erudição do estilo do texto. Aumenta a vontade de degustar os diálogos. É viciante… Estou louco esperando pela nova tradução do Senhor dos Anéis. Agora faz sentido para mim, quando Gildor elogia a fala cortês de Frodo.

  9. “E agora, se vocês me dão licença, tenho de entregar a tradução de O Hobbit até o dia 10 de fevereiro.” Uiui, perdão por tomar o seu tempo, majestade! hahaha

    1. A arrogância e soberba não são fáceis de disfarçar.
      Orc vira orqUE e goblin vira goBElin, claro, pronúncias idênticas. Essa grafia e pronúncia me faz pensar em alguém que nunca leu nenhum livro da obra.
      Fui pesquisar sobre esse “tradutor” e para minha surpresa (ou não) quando o rapaz se formou, eu (mesmo não sendo velho) já tinha lido e relido muita coisa da obra de Tolkien. Pegaram alguém que “nasceu ontem” porém acha que pode ignorar ou “melhorar” o trabalho que já havia sido feito.
      Como eu já deveria imaginar (sendo formado em Humanas e tendo abandonado a área acadêmica por estar contaminada por gente assim) é só mais um acadêmico que, sem saber o que fazer depois da graduação, seguiu na vida universitária “estudando” e trabalhando em “bicos” no caso, as traduções.
      Me desculpe, já vi muita gente de fora da área acadêmica com dezenas de livros MUITO BEM TRADUZIDOS, é vergonhoso o trabalho feito.
      Se fosse bom, não precisaria tentar justificar nada, não é mesmo?
      A USP já era, faz tempo…

      1. Nenhuma pessoa que seja falante nativa do português jamais pensará em pronunciar “Orque” com a sílaba tônica sendo a última. Basta ver como pronunciamos “parque”, “torque” etc. Reductio ad absurdum não cola aqui não.

  10. Estranhei quando descobri. Aí pensei por 5 minutos, pesquisei um pouco, e aí entendi o objetivo. Me senti lisonjeado por poder receber uma obra mais próxima da original do Tolkien. É como se eu adorasse uma pintura que algum museu tivesse trocado algumas cores e agora vcs me apresentassem a obra original. Alguns aplaudem a arte, outros a ignorância.

  11. Confesso que no inicio achei as adaptações estranhas, principalmente pela fonética, entretanto, apos se familiarizar com estas, passei a entender o quão bom é o trabalho do conselho de tradução das obras do Tolkien. Parabéns a todo o Conselho de tradução e a todos que estão envolvidos nas questões gráficas, por seus trabalhos e o devido tratamento que tem sido dado pela editora HC as obras desse mestre.

  12. Vai mudar “Anão” para “Duàrfu”? Afinal, a palavra “anão” tem uma etimologia totalmente diferente e não representa a origem da palavra em relação ao mito.

    Porque usar esse textão todo para justificar o uso de Gobelins e Orque, mas não mudar “Anão”, é bem um tiro no pé da própria ideologia que usara para “justificar” as mudanças.

    1. Não dá pra dizer que é o mesmo caso. Anões de contos de fadas, cuja origem no folclore germânico é a mesma, já circulam amplamente em português desde pelo menos o começo do século 19. O próprio Tolkien compara os anãos de O Hobbit com os de Grimm. Nice try, though 😉

      1. Goblin, Orc também são amplamente utilizados desde a década de 50, porque mudar agora???
        Tente de novo, Reinaldo. Vocês estão destruindo a obra para as novas gerações e estragando a edição mais primorosa em termos de acabamento físico que temos desde sempre.

        1. Quanto mais ele fala mais a gente vê as incongruências surgindo. Essa editora não ta vendo essa arrumação não, cadê o editor responsável pelas revisões finais ? ALOOOOOU ?

  13. Da Editora: não conseguiriam revender os mesmos livros inovando só na parte física do produto, a tradução devia vir pra “causar” e tb ser um diferencial no marketing. Nada melhor q polêmicas pra isso.

    Dos tradutores: egos GIGANTES. Ronald só ta no meio pra chancelar com sua reputação oq os outros fazem, um voto vencido bem remunerado. Lamento por ele ter aceito esse papel e pela escolha dos outros dois.

    O público: tratado como criança, depois de décadas de uso de termos centrais na obra, já consolidados dentre os fãs de tolkien, agora tem que aceitar güela abaixo as mudanças adotadas por DUAS pessoas, e ai de quem discordar.

    direitos comerciais de uma obra, nao imbute direitos para aquele q os detem se outorgue o papel de revisor oficial e inquestionável destas no país, sem surpresa muitos aceitam essa carteirada com alegria (outros como os da Tolkien Talk nem tão ingênuos).

    É muita prepotência da parte de uns e jequice passiva da parte de outros.

    1. Mais um que acha que sabe mais sobre as nossas discussões privadas do que nós mesmos. Ou sobre a nossa personalidade sem nos conhecer pessoalmente. Deve ser telepata. Mas tá tudo documentado nos nossos fóruns interno: como eu argumentei até o último minuto contra Orques justamente pra evitar essa reação previsível dos fãs, e como eu já disse repetidas vezes que não teria problema em voltar atrás nas decisões pra não prejudicar a boa vontade com o projeto. O resto, meu querido, é psicologia barata da parte de vocês. Beijos de luz!

      1. Baseado em inúmeras ilações sobre mim você refuta que alguém faça ilações sobre os tradutores. Ué …

        Cada um que se manifesta e sai da toca se expõe e permite o julgo alheio, eu não sou pessoa pública mas aqui comentei e aceito crítica, você o é por escolha pessoal tua mas não aceita. Não faço julgamentos sobre sua pessoa pois ela não me interessa, mas seu trabalho no caso sim e nele há como ver muitos traços do Reinaldo que se expõe em público.

    2. Em breve mais um Mestre Doutor desempregado procurando uma “bolsa de pesquisa” para não precisar trabalhar.

  14. Li o texto. Honestamente, o achei de mau tom (o suficiente para me fazer desistir de comprar as futuras edições de Tolkien desses tradutores).

    Primeiramente, continuo achando as referidas escolhas de tradução ruins. O texto não mudou esse fato.

    Eu comprei o “A Queda de Gondolin” no evento de lançamento (se não me trai a memória, na Saraiva do Rio Sul, no Rio de Janeiro, onde, no mesmo evento, comprei “O Dom da Amizade” e a biografia do Tolkien de autoria do Humphrey Carpenter — ambos dessa editora) e as escolhas de tradução arrefeceram o meu ânimo de comprar o Beren e Lúthien.

    Por tal motivo, como consumidor, destinatário final de vossas traduções, vim e apresentei a minha impressão sobre algo que achei ruim na tradução. Tanto para os tradutores quanto para a Editora. Muitas empresas apontam que o feedback do cliente é interessante. Pensei que essa seria uma delas.

    Vocês poderiam pensar que um único cliente reclamando de um ponto não é um fato relevante. Porém, se muitos reclamam do mesmo ponto, talvez seja algo que demandaria atenção.

    Porém, a resposta que vocês enviaram via editora (presumivelmente através do representante dela no tal Conselho de Tradução) continha o seguinte trecho: “A editora reitera que está aberta às críticas e, a partir de argumentos sólidos, não descarta a possibilidade de repensar escolhas que se provarem equivocadas. Contudo, o critério para determinar a adequação ou não de um termo não pode ser o gosto pessoal ou mesmo a consolidação do termo em uso ‘por costume’ por parte de alguns leitores”.

    Eu, até hoje, só tinha encontrado esse tipo de inversão da realidade no serviço público brasileiro. Quando eu li esse trecho eu pensei que um servidor público brasileiro havia escrito.

    Não sou eu (ou qualquer consumidor dos seus livros) quem deve convencer os funcionários dessa editora a adotar conduta X ou Y. É essa editora quem deve me convencer a comprar os seus livros.

    Antes desse trecho o texto era unicamente pedante. Uma argumentação pedante não é o fim do mundo, mas tão somente algo chato. Depois desse trecho e também nestas laudas recém-publicadas, tudo ganhou ares de afetação de superioridade olímpica. Deu-se um volteio imenso para passar a seguinte mensagem “nós somos quem entende do assunto; vocês, não. Contudo, na remotíssima hipótese de alguém conseguir provar que sabe mais do que nós, talvez — dissemos talvez — mudemos a forma como o texto foi traduzido”.

    Enfim, eu não quis, nem quero, entrar em um debate filológico com vocês. Como consumidor tão somente apontei algo que não gostei. Contudo, os textos que vocês apresentaram me convenceu a não comprar os livros.

    Isso talvez seja até um indicativo de que vocês deveriam editar o texto.

    Boa sorte.

    1. Depois de inúmeros argumentos em prol de suas escolhas, Reinaldo mostra que ele seus colegas ignoraram talvez o principal: o público.

      Eles não estão escrevendo suas teses universitarias sem repercussão pra fora da universidade, ou um vídeo no YouTube de alcance limitado. Em ambos os casos o público geral não é atingido, mas infelizmente se portaram da mesma forma diante da obra de Tolkien. Vi entrevista dos responsáveis pelas traduções em que se orgulhavam por “elevar” Tolkien ao nível acadêmico, só se esqueceram que a tiragem e público alvo é o comercial, se fosse o de livros acadêmicos nós nem ouviriamos sobre o projeto, não estariam disputando prateleiras nas livrarias de rodoviária.

      Revisar termos já consolidados é desrespeitoso ao público geral e ao próprio idioma que já viu pacificado a incorporação destes.

      É prepotência de mais uma empresa querer mudar o emprego de palavras usadas há décadas e impor ao idioma suas escolhas ignorando abrangente emprego por leitores de Tolkien ou não, tudo isso baseados pura e simplesmente nos seus direitos editoriais recém adquiridos, aí os esquerdistas do “conselho” de tradução adoram o capitalismo malvado.

        1. Como disse nosso amigo ali em cima. Vocês ignoraram o público, ignoraram quem vai comprar (ou não) os livros.

          “Deu-se um volteio imenso para passar a seguinte mensagem “nós somos quem entende do assunto; vocês, não. Contudo, na remotíssima hipótese de alguém conseguir provar que sabe mais do que nós, talvez — dissemos talvez — mudemos a forma como o texto foi traduzido”

          Triste ver como vocês respondem o público. Triste.

    2. Então, tudo é uma questão de pressupostos. Meu ponto de vista — aí é totalmente pessoal, mas acho que tenho o respaldo dos meus colegas — é que a obra de Tolkien não é só um produto, algo que precisa ser formatado pura e simplesmente com base no gosto do público. Os livros são OBRAS LITERÁRIAS. São obras de arte. O critério literário tem de vir em primeiro lugar. De mais a mais, se Tolkien estivesse exclusivamente preocupado em fazer o que supostamente agradaria o público, ele nunca teria publicado O Senhor dos Anéis. E O Silmarillion então nem se fale (tanto que a publicação acabou sendo póstuma). Abraço!

      1. Mas mesmo assim, por insistência de amigos e parentes, Tolkien resolveu publicar a SUA OBRA e se pré dispôs a criar toda uma regra de tradução pois sua obra sempre lhe foi preciosa. Aqueles que possuem o desígnio de traduzir uma obra dessa calibre e além do mais possui amplo conhecimento da obra, com certeza iria querer respeitar os desejos do autor, pois o respeita e o admira, correto??

        1. Sem dúvida. O que estamos tentando fazer é interpretar os desejos do autor da melhor maneira. Na nossa interpretação, nossas escolhas foram corretas e não violam os desejos de Tolkien, considerando tudo o que ele já disse sobre o tema da tradução. Pode ser que a gente esteja errado, sem dúvida — mas a nossa decisão é que os textos dele dão margem para decisões como a que tomamos. Veja, o negócio é difícil, não é um troço simples, depende de interpretação de informações incompletas e ambíguas e, portanto, não existe 100% errado nem 100% certo. Abraço!

          1. Eu sei o quão complicado é tudo isso, se tratando de livros que já foram publicados e tudo mais, não é simplesmente questão de “Ah! Ta “todo mundo” descontente, então vamos simplesmente mudar. Imagino a dificuldade que seria e o prejuízo que traria não só para a editora como para todos os envolvidos voltar a utilizar os termos corretos… Mas eu acredito que há grande necessidade de se debater novamente o assunto sabe… Entre vocês da equipe mesmo, ou se caso desejem com alguém fora de seu âmbito. Eu peço desculpas, mas creio que vocês estão interpretando as intenções do Eduardo erroneamente. Eu sei o quão estressando e pesado está sendo todo esse trabalho para vocês, mas eu sei que ele não possuí más intenções para com vocês ou com o sucesso da editora, tanto que ele apoiou grandemente a mudança de editora e a notícia de novas traduções, ele é, como todos nós fã de Tolkien, porém um pouco mais assíduo e dedicado. Espero que vocês repensem um pouco essas mudanças realizadas, nem que seja à longo prazo, pois eu tenho certeza que mal algum irá trazer, mas enfim. Boa sorte nessa empreitada, abraços!

      2. “como eu argumentei até o último minuto contra Orques justamente pra evitar essa reação previsível dos fãs” LOPES, Reinaldo José

        A dança dos argumentos mudam conforme a música.

        Tolkien fez LOTR sem se preocupar com o público? Isso está longe de ser consenso, aliás, vc é o primeiro q o diz dentre outros Tolkionistas, e olha que nem entro na questão: se alguém fala ou escreve não o faz só pra si. Você por óbvio sabe disso.

        Tudo é ponto de vista? Não concordo, o relativismo desconstrucionista é um mal que tem na linguagem sua frente mais nociva, mas concordo que a clareza dos pressupostos faz-se necessária pra qualquer começo de conversa.

        Como uma obra de arte deve ser encarada modernamente têm sido tratada de formas cada vez mais dispares, discordo de sua abordagem sobre o tema e não acredito que os tradutores também neles creiam e se nortearam.

        Por tanto carinho a obra e ao autor, me importo com fatos a eles relacionados, minhas opiniões divergem da sua e me reservo o direito de não acreditar nos seus argumentos; por mais que leio ou ouço sobre o tema mais me oponho às suas escolhas.

        Não pretendo mudar nada, não faço parte de grupo algum, sou apenas um consumidor sem impacto em nada… seguirei com minhas escolhas de consumidor individual…

        Reservo-me, porém , o direito de manifestar minha opinião sobre tema pequeno que expõe coisas muito grandes que envolvem o projeto HC BR. E lamento muito.

        Agradeço, porém, sua resposta em seu site mesmo não sendo o conteúdo ou forma que gostaria.

  15. Qual o problema de apreciar a obra? boicota só piora a situação para nos que somos fãs de Tolkien Eu mesmo não gostei de Orque prefiro Orc mais vida que segue uma coisa dessas não vai afetar o meu gosto pela leitura e nem pela obra de Tolkien!

  16. Arrasou, parabéns e obrigado por falar dessas questões.
    A chegada da Harper e dessa equipe de tradução foi a melhor coisa que aconteceu pro público tolkeniano brasileiro. Fica difícil de crer que tem gente arrumando picuinha por coisas pequenas. Continuem com o ótimo trabalho! Finalmente as obras estão recebendo o carinho que merecem.

  17. Parabéns Reinaldo pelo excelente trabalho e pela resposta clara e profissional. Eu estou lendo Beren e Lúthien e adorando! A tradução está excelente! É muito superficial dizer que a tradução está “uma porcaria” apenas por não gostar dos novos termos. Claro que gera estranheza, mas isso não desqualifica a obra. Na verdade, vocês estão dando à obra de Tolkien a atenção minuciosa que deveria ter recebido desde o início. Parabéns!

    1. Resposta clara e profissional: “O que tem a ver o cu com as calças”.
      Impressionante o profissionalismo. Adequadíssimo à uma personalidade tão relevante.

  18. Gostar ou não é questão de escolha pessoal. Eu mesmo achei estranho o plural de “anão” sendo “anãos”, todavia, todas as modificações são bem fundamentadas, sendo assim, será apenas uma questão de adaptação às novas palavras.

    Ótimo trabalho de toda a equipe de tradução!

  19. Não sabia que o Professor havia deixado margem pra tradução até da palavra “hobbit”. Que legal isso, mostra uma maturidade dele e uma preocupação, como autor, de outros povos captarem os significados da sua obra, escrita em outra língua.

    Assim como a Amanda Abila também acabei acostumando com a nomenclatura “tradicional”. Embora a 1a versão de SdA em portugês use “Pipinho” para o “Pippin”, se não me engano (o que é tradicional?).

    Entendo a escolha – corajosa – de mudança, e dou o maior apoio.

    Particularmente achei a palavra “orque” fantástica.
    Enquanto “orc” não me remete a nada, orque me lembra de torque, associado à torção. Considerando que os orques são “dis-torções” dos elfos, achei de um bom gosto incrível.
    Parabéns!

  20. Arrasou! Eu sou uma dessas pessoas que achou as palavras feias. Mas eu já passei a gostar delas, e agora ainda mais após ler seus argumentos, Reinaldo. Parabéns pelo seu trabalho e da equipe de tradutores, e parabéns pela postura de vocês durante essa treta toda. Vocês são admiráveis. Obrigada pelo texto.

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