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Elendil

Elendil foi um dos maiores guerreiros dos Homens que já viveram. Ele
liderou os exilados de Númenor que partiram para a Terra-média e
sobreviveram ao seu afundamento, e lá fundou os reinos de Anor e
Gondor. Foi ainda um dos comandantes das tropas da Última Aliança e,
juntamente com Gil-Galad, venceu o próprio Sauron em combate, pondo um
fim ao seu reinado de terror por centenas de anos.
 
 
Tendo nascido em Númenor no ano de 3119 da Segunda Era, filho de
Amandil, Elendil cresceu e tornou-se num homem nobre e sábio, fiel aos
seus princípios e, apesar da decadência de valores que se verificava na
sua pátria. Sempre se opôs à hostilidade contra os Valar e os Elfos,
com quem manteve boas relações de amizade ao longo de toda a sua vida.
Ele morava em Romenna, na costa de Númenor, e teve dois filhos, Isildur
e Anárion.

O pai dele, Amandil era senhor de Andúnië, uma das casas nobres de
Númenor, e durante muito foi amigo de Ar-Pharazôn, vindo inclusive a
conquistar um lugar na corte como seu conselheiro, quando este se
tornou rei. Já neste momento havia grande instabilidade em Númenor,
pois cada vez mais eram aqueles que sentiam inveja dos Elfos e da sua
imortalidade, criticando os Valar e o fato de terem de partilhar da
decisão de Elros, o fundador de Númenor, que optou por fazer parte dos
Edain. Númenor era cada vez mais uma nação bélica e que preferia
subjugar os outros povos pela força, e a inveja, mesquinhez e revolta
crescia entre o seu povo.

Então, em 3262, Ar-Pharazôn decidiu atacar Sauron, cujo poder crescente
punha em causa o domínio de Númenor. Venceu, e, na cegueira do seu
orgulho, trouxe Sauron para Númenor como prisioneiro. Este aproveitou a
oportunidade para dar o golpe final na corrupção dos numenorianos.

Virou o desejo que tinham por poder e imortalidade contra eles mesmos;
convenceu-os de que a vida eterna era um direito deles, de que os
Valar, na sua ganância, os privavam. Não demorou até que Sauron
deixasse de ser um prisioneiro e ganhasse grande influência junto do
rei, que em tudo seguia uma decisão que, mesmo sem se aperceber, Sauron
tinha congeminado.

Depressa Amandil foi também afastado da corte, pois recusava-se a
aceitar as mentiras de Sauron e o culto a Morgoth que este havia
instaurado, mantendo-se fiel aos Valar. Também Elendil pensava desta
forma. Eles, juntamente com parte do povo de Andúnië e outros
numenorianos que renegavam Sauron, formavam os Fiéis.

Então Sauron convenceu Ar-Pharazôn de que conseguiria vida eterna se
fosse para as Terras Imortais, o que era uma mentira. Começou então a
preparar uma grande frota, como nunca antes havia sido visto em Arda,
para atacar os Valar e reclamar para si Aman. Quando Elendil e Amandil
souberam disto, este último decidiu partir para Valinor e avisar os
Poderes; mas perdeu-se na neblina que cercava e escondia estas terras,
e não foi visto nunca mais.

Então Elendil, que tal como o seu pai era um grande marinheiro, decidiu
preparar a sua própria frota para fugir de Númenor. Arranjou nove
navios, quatro sob o seu comando, três de Isildur, e dois de Anárion. A
bordo levaram muitos tesouros preciosos de Númenor, incluindo as sete
palantiri e um rebento da Árvore Branca, que Isildur roubou com muito
custo.

Foi em 3319 que Ar-Pharazôn e a sua imensa frota rumaram para Valinor.
Então Elendil, que se recusou a ir nela, partiu nos barcos que havia
preparado, levando consigo todos os Fiéis – tudo o que restaria de
Númenor. A armada foi destruída, e ilha foi engolida pelo oceano. Um
grande vento empurrou os barcos dos Fiéis para Leste, e passado um
tempo eles chegaram finalmente à Terra-média.

Isildur e o seu irmão desembarcaram junto às Bocas do Anduin, no Sul,
enquanto que o seu pai Elendil desembarcou em Lindon, terra onde
habitava um grupo de elfos governado por Gil-Galad, de quem Elendil se
tornaria um grande amigo. Ao desembarcar, Elendil disse:

"Et Eärello Endorenna utúlien. Sinome maruvan ar Hildinyar tenn' Ambar-metta!"
(Do Grande Mar para a Terra-média eu venho. Neste lugar subsistirei, e os meus herdeiros, até ao fim do mundo.)

Aragorn em "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei", capítulo "O Regente e o Rei".

Elendil e o seu povo atravessaram o Rio Lune, perto das Montanhas
Sombrias, e estabeleceram-se em Eriador, onde criaram o reino de Anor;
a capital era Annuminas, nas costa do lago Evendim, onde Elendil
habitava com a sua corte. Os Dúnedain de Arnor estabeleceram-se
preferencialmente ao longo dos rios Lune e Brandevin, e nas regiões de
Cardolan a sul e Rhudaur a este.

Por seu lado, Isildur e Anárion criaram o Reino de Gondor no sul da
Terra-média, junto às Montanhas Brancas e a leste de Mordor. Elendil
era o Alto Rei de Arnor e Gondor, enquanto que Isildur e Anárion
governavam conjuntamente Gondor em seu nome.

Elendir transportava o cetro de Annuminas, como uma marca da sua
soberania – era uma vara prateada que outrora pertencera aos seus
antepassados, os senhores de Andúnië. Em vez de uma coroa, Elendil
usava uma tiara com uma gema branca chamada Elendilmir; usava também o
Anel de Barahir, que salvara da destruição de Númenor.

Ele também contribuiu para preservar a história de Númenor, escrevendo
o Akkalabeth, a história da Queda de Númenor, e que era guardada nos
arquivos e Gondor. Os sobreviventes de Númenor passaram a ser
conhecidos na Terra-média como Dúnedain, os Homens do Oeste.

As palantiri que Elendil trouxera foram distribuídas pelos dois reinos,
e eram usadas entre eles para se comunicarem. Três foram guardadas em
Arnor – uma na cidade Annuminas, outra na fortaleza de Amon Sûl, também
conhecido como o Topo do Vento, e outra em Elostirion, a mais alta das
três Torres Brancas construídas por Gil-Galad e os Elfos para Elendil.
Esta última só olhava para o mar, e Elendil usava-a por vezes para
observar Tol Eressëa e as Terras Imortais.

Ao início pensou-se que Sauron tinha morrido na Queda de Númenor, mas
erradamente; e ele acabou por retornar a Mordor, de onde reconstruiu as
forças. Estava irado porque os Dunedain sobreviveram, e odiava
particularmente Elendir, que fora um forte opositor dele em Númenor.

Formou um grande exército, não só de orcs mas de Homens de Rhun e
Harad, inimigos de Arnor e Gondor. Também os Nazgûl, os seus servos
mais poderosos, apareceram pela primeira vez. E quando a Montanha da
Perdição explodiu novamente em chamas, os Dúnedain e os Elfos
perceberam que o seu grande inimigo havia retornado.

O ataque iniciou-se em 3429. Um enorme exécito atacou Gondor
repentinamente, tomando Minas Ithil, onde vivia Isildur, antes que os
exércitos dos Dúnedain pudessem responder. Isildur fugiu para Arnor,
mas Anárion ficou para trás e conseguiu impedir que o inimigo tomasse
Osgiliath, a capital do reino, e Minas Anor. As forças de Sauron
recuaram então para Mordor e a guerra cessou durante um tempo.

Mas Elendil não seria apanhado desprevenido mais uma vez. Consultando
Gil-Galad, os dois decidiram formar um exército conjunto de Elfos e
Homens, que viria a ser chamado de Última Aliança, para atacar Sauron
em Mordor e derrotá-lo em definitivo. O exército reunido era uma força
como não se via desde que o exército de Valinor chegara a Beleriand e
começara a Guerra da Ira, e nunca mais se viu nada assim na Terra-média.

“ – Lembro-me do esplendor das suas bandeiras –disse [Elrond] –
recordaram-me a glória dos Tempos Antigos e as tropas de Beleriand,
tantos e tão grandes príncipes e chefes guerreiros estavam reunidos.”

"O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", capítulo "O Conselho de Elrond"

De Imladris o exército atravessou as Montanhas Nebulosas, por muitos
desfiladeiros, e desceu o rio Anduin abaixo, alcançando finalmente as
forças de Sauron em Dagorlad, antes dos Portões de Mordor.

“ O exército de Gil-Galad e Elendil obteve a vitória, pois a força
dos Elfos ainda era grande nesse tempo e os Numenorianos eram fortes e
altos na sua terrível ira. A Aeglos, a lança de Gil-Galad, ninguém
resistia; e a espada de Elendil enchia os orcs e homens de medo, pois
brilhava como a luz do Sol e da Lua e chamava-se Narsil.”

Então o exército da Última Aliança entrou em Mordor. Cercaram
Barad-dûr, onde Sauron se escondeu, e sitiaram-na durante sete anos,
sofrendo baixas pesadas devido ao fogo e aos dardos e setas do inimigo;
e Sauron fazia muitas surtidas contra eles.

Anárion morreu no sexto ano do cerco, quando o seu capacete foi
esmagado por uma pedra atirada de Barad-dûr. Mas o cerco tornou-se tão
rigoroso que o próprio Sauron avançou, numa tentativa de o quebrar; e
foi enfrentado por Gil-Galad e Elendil, que o combateram corajosamente
e o derrotaram, embora isso tenha custado a vida a ambos; e Narsil
partiu-se debaixo de Elendil quando este caiu.

Então o espírito de Sauron abandonou o corpo derrotado e fugiu,
escondendo-se em regiões ermas, de onde não regressaria até passados
muitos anos. Usando os estilhaços de Narsil, Isildur cortou o Anel do
Poder do corpo caído de Sauron, e, contra o conselho de Elrond e
Círdan, guardou-o para si mesmo.

Isildur, novo rei de Gondor, enterrou o pai num túmulo no topo do monte
Halifirien, no meio do reino de Gondor. O túmulo foi marcado com uma
pedra negra onde estavam gravadas as letras lambe, ando, lambe, as
consoantes do nome de Elendil. O túmulo permaneceu lá até 2510 da
Terceira Era, quando Círdan cedeu terras a leste do Halifirien à Rohan,
e moveu os restos mortais de Elendil para a Casa dos Reis em Minas
Tirith.

Assim caiu Elendil. Mas foi uma morte em glória e o seu nome para
sempre foi recordado com grande reverência por Elfos e Homens. E apesar
de Sauron não ter sido destruído, Isildur ter morrido pouco depois e os
seus reinos se desagregarem, sua linhagem perdurou através dos tempos e
os seus herdeiros acabariam, um dia, por concluir o seu trabalho e
trazer de novo a paz aos reinos dos Homens.

Nome:

Elendil significa, em Quenya, "Amigo de Elfo" ou "Adorador das
Estrelas" – Eldar é o nome dado aos Elfos, ou "Povo das Estrelas", e a
terminação ndil significa "devoção".

Outros Nomes:

Elendil, o Alto – diz-se que Elendil tinha perto de 2 metros e 40 centímetros.
Elendil, o Justo – nome que lhe era dado pelo seu forte sentido de justiça.
Elendil Voronda – Elendil era chamado de O Fiél – Voronda em Quenya – pela sua lealdade para com os Valar.
Alto Rei de Arnor e Gondor – Elendil foi o primeiro Alto Rei de Arnor e Gondor, os dois reinos que fundou na Terra-média.

Cronologia:

Segunda Era:

3119
Nascimento de Elendil em Númenor.

3209
Nascimento de Isildur, filho mais velho de Elendil.

3219
Nascimento do seu segundo filho, Anárion.

3262
Ar-Pharazôn derrota Sauron e o traz para Númenor como prisioneiro.

3310
Ar-Pharazôn começa a construir uma frota para atacar as Terras Imortais.

3310 ou 3316
Amandil, pai de Elendil, parte para Aman em busca da intervenção dos Valar e nunca mais é visto.

3319
Ar-Pharazôn ataca Valinor mas a sua frota é destruída. Númenor é
engolida pelo oceano e Elendil escapa com os Fiéis para a Terra-média.

3320
Elendil e os seus filhos fundam os reinos de Gondor e Arnor. Sauron regressa secretamente à Mordor.

3429
Sauron ataca Gondor e captura Minas Ithil. Anárion consegue defender
Osgiliath e Minas Anor e os exércitos de Sauron recuam para Mordor
temporariamente.

3430
Elendil e Gil-Galad formam a Última Aliança entre Elfos e Homens.

3431
O exército da Última Aliança reúne-se em Valfenda.

3434
As forças de Sauron são derrotadas em Dagorlad. Início do cerco a Barad-dûr.

3440
Anárion é morto em batalha.

3441
Sauron é derrotado por Elendil e Gil-Galad, que morrem. O espírito de
Sauron foge e esconde-se. Isildur guarda o Um Anel de Sauron e sucede
ao seu pai como Alto Rei de Arnor e Gondor. Fim da Segunda Era.

Árvore Genealógica
elendil-tree

(clique na imagem para ampliá-la)

Fontes:
The Thain's Book
The Complete Tolkien Companion
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel – O Conselho de Elrond
O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei – O Regente e o Rei
O Senhor dos Anéis – Apêndice A – O Reino do Norte e os Dunedain
O Silmarillion – Akallabêth

Uma História da Última Aliança de Elfos e Homens, Parte 3

Notas

1. O Silmarillion, pág. 365. “Sauron descobriu que os Homens eram os mais fáceis de influenciar dentre todos os povos da Terra; mas por muito tempo procurou convencer os Elfos a lhe prestarem serviço, pois sabia que os Primogênitos tinham maior poder. E andava livremente em meio a eles, e sua aparência ainda era de alguém belo e sábio.

2. Contos Inacabados, pág. 266. “…A nota prossegue dizendo que Galadriel não foi enganada, pois aquele Aulendil não pertencia ao séqüito de Aulë em Valinor….” Esta e todas as referências subseqüentes à Galadriel e Celeborn fazem uso do ensaio “Acerca de Galadriel e Celeborn”, fornecido no Contos Inacabados, que na maior parte encaixa-se com os eventos detalhados em outras obras de Tolkien. Entretanto, esta narrativa determina que Amroth era filho deles, uma idéia que Tolkien posteriormente abandonou, cuja decisão é aceita e incorporada nesta obra.

3. Ibid., pág. 229. “Uma nova sombra ergue-se no Leste…” A carta que Gil-galad escreveu para Tar-Meneldur foi composta em 882 S.E. Uma vez que Tolkien declara em outro lugar Sauron começara a movimentar-se novamente por volta de 500 S.E., é possível que Gil-galad estivesse ciente de algum mal crescente bem antes do final do nono século.

4. Ibid., pág. 268-69. “…Finalmente os atacantes irromperam em Eregion com ruína e devastação, e capturaram o principal objeto do ataque de Sauron…Então Celebrimbor foi torturado…Acerca dos Três Anéis, Sauron nada pôde saber por Celebrimbor; e mandou matá-lo.

Apesar de outras partes desta história divergirem de algumas das fontes, esta concorda em muito com “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era “ em O Silmarillion (pág. 367), o qual indica que Celebrimbor morrera lá.

5. O Retorno do Rei, pág. 1147. “O Conto dos Anos” relata apenas que os Númenorianos começaram a construir portos permanentes por volta do ano 1800 S.E. O Contos Inacabados revela algo de Lond Daer (Vinyalondë) nas seções sobre Númenor e a História de Galadriel e Celeborn. Umbar e Pelargir são mostrados em várias fontes, e outros portos sem nome são ditos terem sido construídos mais ao sul e ao leste.

6. O Silmarillion, pág. 340. “Sauron, porém, sempre fora astuto. E o que se diz é que, entre aqueles que ele apanhou na armadilha dos Nove Anéis, três eram grandes senhores da raça númenoriana.” Uma vez que Sauron não visitou Númenor anteriormente ao seu “aprisionamento” lá, ele teria que ter seduzido os três Númenorianos na Terra-média. É interessante que ele fora capaz de fazer isto em relativamente pouco tempo após a Guerra dos Elfos e Sauron. Talvez eles já fossem muito velhos para sua raça quando aceitaram os Anéis.

O Contos Inacabados (pág. 251) indica que a Sombra primeiro caiu sobre Númenor nos dias de Tar-Atanamir, mas seu pai, Tar-Ciryatan, foi o primeiro rei “voluntarioso”, e seu registro em “A Linhagem de Elros” sugere que a Sombra pode ter caído em sua época. Então, é possível que os Númenorianos estivessem se tornando desconfortáveis com sua mortalidade na época da Guerra dos Elfos e Sauron e, logo, três idosos senhores Númenorianos poderiam ser facilmente seduzidos por Sauron.

7. O Silmarillion., pág. 343. “…Pois Pharazôn, filho de Gimilkhâd…muitas vezes viajara como líder nas guerras que os Númenorianos iniciavam então na região litorânea da Terra-média…Pois ele soubera na Terra-média da força do reino de Sauron, e de seu ódio por Ponente. E agora lhe chegavam os mestres de navios e comandantes que voltavam do leste, a relatar que Sauron vinha demonstrando seu poder desde que Ar-Pharazôn deixara a Terra-média e estava investindo contra as cidades litorâneas….

8. Ibid., pág. 370. “…Lá [Sauron] descobriu que o poder de Gil-galad se tornara imenso nos anos de sua ausência; e agora cobria vastas regiões do norte e do oeste, tendo ultrapassado as Montanhas Nevoentas e o Grande Rio até chegar aos limites da Grande Floresta Verde, e se aproximava dos locais fortificados onde no passado ele se sentia seguro.

9. Contos Inacabados, pág. 276. “…Mais tarde ele [o Glanduin], juntamente com o Gwathló, que era formado por sua confluência com o Mitheithel, representou o limite sul do Reino do Norte.

10. O Silmarillion diz de Elendil que “seu povo habitava muitos lugares em Eriador, junto aos cursos do Lûn e do Baranduin; mas sua cidade principal era Annúminas, às margens do Lago Nenuial. Em Fornost, nas Colinas do Norte, também moravam os Númenorianos; assim como em Cardolan e nas Colinas de Rhudaur…” (pág. 370).

11. Contos Inacabados, pág. 277. “…Antes da decadência do Reino do Norte…ambos os reinos tinham um interesse compartilhado nessa região [Enedwaith], e juntos construíram e mantiveram a Ponte de Tharbad bem como os longos diques que levavam a estrada até ela, de ambos os lados do Gwathló e do Mitheithel, atravessando os pântanos das planícies de Minhiriath e Enedwaith….

12. O Retorno do Rei, pág. 1193. “…Também estranha, ou apenas remotamente aparentada, era a língua dos habitantes da Terra Parda. Estes eram remanescentes dos povos que haviam habitado os vales das Montanhas Brancas em épocas passadas. Os Mortos do Templo da Colina eram da sua estirpe. Mas nos Anos Escuros outros haviam se mudado para os vale meridionais das Montanhas Sombrias, e de lá alguns haviam migrado para as terras vazias ao norte, até as Colinas do Túmulos. Deles descendiam os Homens de Bri…

13. Ibid., pág. 1104. “Este [Lossoth] é um povo estranho e hostil, remanescente dos Forodwaith.” Onde os Forodwaith realmente viviam no final da Segunda Era é matéria de especulação, na medida em que Tolkien realmente não nos conta nada de sua história. Cf. nota 14 abaixo.

14. The War Of The Jewels, pág. 61. “Não era sabido que o povo de Ulfang já estavam secretamente a serviço de Morgoth antes que chegassem a Beleriand. Assim não era com o povo de Bór, que era um povo valoroso e lavradores da terra. Deles, é dito, vieram os mais antigos dos Homens que habitavam o norte de Eriador na Segunda Era e posteriormente.

A conexão entre o Povo de Bór (e Ulfang) e os homens mais setentrionais de Eriador na Segunda Era indica que os Lossoth (e, portanto, os Forodwaith, dos quais os Lossoth eram “remanescentes”) eram de fato os descendentes destes clãs.

15. O Retorno do Rei, pág. 1099. “…Elendil tornou-se o Alto Rei e morava no norte, em Annúminas; o governo do sul foi entregue a seus filhos, Isildur e Anárion. Ali eles fundaram Osgiliath, entre Minas Ithil e Minas Anor, não muito longe das fronteiras de Mordor. Acreditavam que pelo menos uma coisa boa resultara da ruína, que Sauron também perecera.

16. O Silmarillion, pág. 371. “…A principal cidade desse reino meridional era Osgiliath, que era cortada ao meio pelo Grande Rio…” De fato, a narrativa não faz tal conexão. Mas por que Isildur e Anárion contruiriam suas cidades ao norte de Pelargir e Emyn Arnen? O fato de que a narrativa menciona Herumor e Fuinur indica que eles eram de algum modo significantes para os historiadores de Gondor.

17. Ibid., pág. 371. “…e a oeste, Minas Anor…como um escudo contra os homens selvagens das várzeas…

Tolkien diz muito pouco sobre as “tribos” que compunham esta raça. O grupo que quebrou seu juramento a Isildur prestou-o em Erech mas assombrava a Senda dos Mortos, no lado setentrional das montanhas. Havia provavelmente outras tribos no que se tornou Lamedon, uma habitando os vales superiores na fonte do Lefnui, outra morando próxima ao Adorn, outra ao norte do Isen, e outra tribo morando em Calenardhon. Obviamente outros grupos viviam ao norte daquela região até Bri.

18. O Silmarillion diz “outras construções fortes e maravilhosas [os Númenorianos] realizaram na Terra nos tempos de seu poder, nas Argonath, e em Aglarond, assim como no Erech. E no círculo de Angrenost…” (pág. 371). Nenhuma data específica é dada para quando essas obras foram erguidas, embora o contexto indique os primeiros anos da história de Gondor.

Contudo, O Retorno do Rei diz que Minalcar “construiu os pilares dos Argonath e a entrada para Nen Hithoel” (pág. 1108), enquanto é dito que Isildur erigiu a pedra em (pág. 826). Também sabemos que um dos Palantíri, dados a Amandil pelos Eldar de Tol Eressëa e levadas para a Terra-média por Elendil e seus filhos, foi colocado em Orthanc, em Angrenost; logo, a fortaleza deve ter sido construída não muito depois do início do reino de Gondor.

Se Angrenost e Aglarond eram mais antigas do que Gondor, então talvez foram construídas como uma defesa contra Mordor; mas se Isildur e Anárion construíram a fortaleza, eles as teriam usado para proteger Calenardhon contra os Terrapardenses (os quais por muito tempo haviam sido inamistosos aos Dúnedain), já que os Dúnedain pensavam que Sauron havia perecido na Queda de Númenor.

19. O Silmarillion, pág. 193. Tolkien diz aqui que somente (após a morte de Fingolfin) “seu jovem filho Ereinion (que mais tarde foi chamado de Gil-galad) [Fingon] enviou para os Portos.” “Jovem” indica que Ereinion ainda não era um Elfo completamente adulto. O Morgoths Ring afirma que os Elfos precisavam de cerca de cinqüenta anos (do Sol) para atingir a maturidade completa (pág. 210). Assim, Ereinion provavelmente nasceu algum tempo após o ano 405 P.E. (supondo que a Dagor Bragollach e a morte de Fingolfin ocorreram em 455 P.E.).

20. O Retorno do Rei, pág. 364. Esta entrada no “Conto dos Anos” concorda com a decrição dada no Contos Inacabados em “Acerca de Galadriel e Celeborn”, que descreve a guerra detalhadamente publicada até esta data.

21. O Silmarillion, pág. 137. Na Mereth Aderthad, Tolkien escreve, os Elfos fizeram juramentos de aliança. Círdan era um dos senhores que estavam presentes na festa. Ele subsequentemente ajudou os Noldor em várias ocasiões (págs. 157-58, 201 e 247).

22. Contos Inacabados., págs. 193, 196. “…Mas existiam armadores entre eles que haviam sido formados pelos Eldar…” e “…Diz-se que seu atraso [de Aldarion] foi devido à sua avidez em aprender de Círdan tudo o que pudesse, tanto na feitura e manejo dos navios quanto na construção de muralhas que resistissem à ânsia do mar.

23. A Sociedade do Anel, pág. 252. “…Fazia-me recordar da glória dos Dias Antigos e das tropas de Beleriand, nas quais tantos príncipes importantes e capitães foram reunidos. E, mesmo assim, nem tantos, e nem tão belos como na ocasião em que as Thangorodrim foram quebradas…

24. Contos Inacabados, pág. 269. Como com o destino de Celebrimbor, parece razoável usar “Acerca de Galadriel e Celeborn” como uma fonte com respeito a outros indivíduos, tais como Elrond. A fundação deThe Imladris é certamente confirmada no “Conto dos Anos”. Cf. nota 20 acima.

25. Ibid, pág. 290. “…Oropher…retirara-se para o norte, além dos Campos de Lis. Fez isto para livrar-se do poder e das transgressões dos Anões de Moria…e também se ressentia das intrusões de Celeborn e Galadriel em Lórien.” Os motivos e a história de Oropher, como os de Galadriel e Celeborn, contêm algumas inconsistências. Cf. também págs. 291-2.

26. Ibid. Na verdade, a passagem afirma que “os Elfos Silvestres eram vigorosos e valentes, mas mal equipados com couraças ou armas em comparação com os Eldar do Oeste. Eram também independentes e não estavam dispostos a se submeter ao comando supremo de Gil-galad.

27. O nome deste Rei-elfo é duvidoso. Em uma narrativa ele é chamado Amdír e em outra Malgalad (Contos Inacabados, pág. 272, 276, 291). Christopher Tolkien é incapaz de estabelecer qual nome seu pai preferia para este personagem; assim, adotei a convenção de me referir a ele como Amdír Malgalad, ou simplesmente Amdír, que é usado mais freqüentemente e é compatível com o estilo de Amroth, o nome de seu filho.

28. O Silmarillion, pág. 367. “Daquela época em diante, a guerra nunca mais cessou entre Sauron e os Elfos….” Sendo o mais perto de Mordor de todos os reinos élficos, o reino de Amdír em Lorinand deve ter suportado o impacto deste período prolongado do conflito, e o fluxo de Noldor e Sindar vindos de Eregion após a queda daquele reino élfico teria fornecido impulso para uma amizade entre o povo de Amdír e os Anões, embora certamente não uma tão próxima como existia entre Eregion e Khazad-dûm.

29. Ibid, pág. 347. “…Pois [Isildur] entrou sozinho e disfarçado em Armenelos e chegou aos pátios do Rei, acesso que agora era proibido aos Fiéis. Foi ao local da Árvore, que era interditado a todos por ordens de Sauron; e a Árvore era vigiada dia e noite por guardas a seu serviço…E Isildur passou pelos guardas, tirou da Árvore um fruto que dela estava suspenso…

30. Ibid, pág. 373. “Portanto, quando Sauron julgou chegada a hora, investiu com força enorme contra o novo reino de Gondor, tomou Minas Ithil…Contudo, Isildur escapou…e, velejando, partiu das Fozes do Anduin à procura de Elendil. Enquanto isso, Anárion resistia em Osgiliath contra o Inimigo, e por algum tempo conseguiu rechaçá-lo para as montanhas…

31. Ibid, pág. 294. Sustentar que este rei era realmente chamado Durin pode ser errôneo. A passagem diz apenas: “Dos Anões, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro. Mas a linhagem de Durin de Moria combateu Sauron.” Se ele fosse chamado Durin, então ele não poderia ter sido Durin III, porque este era o Durin que se opôs a Sauron a Guerra dos Elfos e Sauron (Contos Inacabados, pág. 269). Assim, ou ele era Durin IV, ou Durin V. Preferi chamá-lo Durin IV pela falta de qualquer informação acerca dos dois.

Também é estranho que Tolkien diga “…a linhagem de Durin…” ao se referir a estes Anões. Em outro lugar ele escreve que a maioria dos Anões de Nogrod e Belegost migrou para Khazad-dûm no início da Segunda Era. Eles parecem ter mantido suas linhagens distintas até o final da Teceira Era como o Apêndice em O Retorno do Rei diz “Bifur, Bofur e Bombur descendiam dos Anões de Moria mas não eram da linhagem de Durin” (pág. 1144).

32. O Silmarillion, pág. 373. Também, O Retorno do Rei, pág. 1148.

33. O Silmarillion, pág. 373. Cf. nota 30 acima.

34. O Retorno do Rei, pág. 826. “…Pois em Erech se ergue uma pedra negra…e ela foi colocada sobre uma colina, e sobre ela o Rei das Montanhas jurou fidelidade a ele [Isildur] no início do reino de Gondor. Mas, quando Sauron retornou e ficou outra vez poderoso, Isildur convocou os Homens das Montanhas para que cumprissem seu juramento, e eles não cumpriram: tinham adorado Sauron durante os Anos Escuros.

35. The Treason Of Isengard, pág. 310. Este passo era a nascente do rio Harnen nas montanhas meridionais de Mordor.

36. O Silmarillion, pág. 374. A existência de tal conselho é especulativa. A passagem diz apenas “Ora, Elendil e Gil-galad examinaram juntos a questão…” Entretanto, é improvável que uma decisão tão séria fosse tomada apenas por esses dois.

37. Deduzi que Gildor e Glorfindel podem ter se envolvido na Última Aliança. A história de Gildor só é mostrada a partir do ano 3001 da Terceira Era, quando Bilbo diz adeus ao povo de Gildor no Condado (A Sociedade do Anel, pág. 82). Contudo, ele era o senhor de uma companhia de Noldor e seu sobrenome, Inglorion, significa “filho de Inglor”. Inglor era o nome original de Finrod Felagund. Gildor também disse ser “da Casa de Finrod”, e Finrod era o nome original de Finarfin. Parece que Tolkien originalmente pretendia uma conexão entre a família de Gildor e Galadriel, mas esta conexão não foi mantida quando revisões foram feitas a’O Senhor dos Anéis. Logo, Gildor é enigmatico, mas supondo que ele estivesse cansado das terras mortais ao final da história, concluí que ele devia ser muito velho no final da Terceira Era.

Glorfindel é mais provavelmente um participante na guerra. De acordo com Christopher Tolkien, seu pai “chegou à conclusão de que o Glorfindel de Gondolin, que caiu para morte em combate com um Balrog após o saque da cidade, e o Glorfindel de Valfenda eram a mesma pessoa; ele foi liberado de Mandos e retornou à Terra-média na Segunda Era” (The Return Of The Shadow, págs. 214-5). A implicação profunda dessa conclusão é que Glorfindel desempenhou algum papel na Guerra da Última Aliança, embora talvez um não tão grande como é aqui pressuposto.

38. O Silmarillion, pág. 374. “…Criaram portanto aquela liga que é chamada de Última Aliança, e marcharam para o leste, para o interior da Terra-média, reunindo um imenso exército de Elfos e Homens…

39. A Sociedade do Anel, pág. 192. “…Conta-se que Elendil ficava ali [na torre de Amon Sûl] olhando, à espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da Última Aliança.

40. O Retorno do Rei, pág. 1156. “O Conto dos Anos” indica apenas a duração da estada em Imladris. Realmente não há algum texto que conte como Gil-galad convenceu Oropher e Amdír a se unirem à Aliança.

41. Sauron de fato enviou tropas para o norte, pois os Orcs que emboscaram Isildur vários anos mais tarde eram de tal grupo. Contudo, o exército pressuposto aqui é admitido como sendo uma força qualquer que se dirigiu para o sul e entrou na Batalha de Dagorlad.

42. Em algum ponto durante a guerra, Isildur enviou seus filhos Aratan e Ciryon para defender Minas Ithil contra a fuga de Sauron: “Todos os três [filhos de Isildur] haviam combatido na Guerra da Aliança, mas Aratan e Ciryon não haviam estado na invasão de Mordor e no cerco a Barad-dûr, pois Isildur os enviara para guarnecer sua fortaleza de Minas Ithil, para que Sauron não escapasse a Gil-galad e Elendil e tentasse forçar uma passagem através de Cirith Duath…” (Contos Inacabados, pág. 484).

43. The Letters of J.R.R. Tolkien, pág. 179. “Eu penso que as Entesposas desapareceram para sempre, sendo destruídas com seus jardins a Guerra da Última Aliança…quando Sauron insistiu em uma política de terra queimada e incendiou sua terra contra o avanço dos Aliados descendo o Anduin….

44. Os Dúnedain parecem não ter usado a cavalaria nesta época. O Contos Inacabados (pág. 305, Cf. nota 7) diz que a maioria do cavalos usados pelos Dúnedain na guerra foram mortos, mas se os animais eram usados por emissários ou para mover arqueiros mais leves, os Dúnedain provavelmente não possuíam uma força de cavalaria efetiva.

Lindon, por outro lado, representava a última grande nação Noldorin na Terra-média, e Gil-galad provavelmente ainda possuía muitos cavalos élficos. É possível que os Elfos vivendo em e perto de Imladris também tenham contribuído para tal força.

Em O Hobbit, o Rei-élfico cavalga para caçar várias vezes, mas ele não usa cavalos na Batalha dos Cinco Exércitos; logo, não parece provável que Oropher possuísse uma cavalaria. O exército de Amdír era pequeno, mas possuía Noldor e Sindar de Eregion. Apesar disso, os poucos fatos publicados sobre a guerra não indicam que Lorinand tinha cavalaria.

45. Contos Inacabados, pág. 290. “…Malgalad e mais da metade de seus seguidores pereceram na grande batalha de Dagorlad, pois foram apartados da hoste principal e expulsos para os Pântanos Mortos.” Os sobreviventes podem ter sido subseqüentemente incorporados ao exército de Oropher, mas talvez tenham sido mantidos na reserva as batalhas seguintes.

46. Ibid., pág. 280. A suposição da participação de Edhellond na guerra é sustentada apenas por uma passagem em “Dos anéis de poder e da Terceira Era”: “Naquele dia, todos os seres vivos estavam divididos; e alguns de cada espécie, mesmo entre os animais selvagens e as aves, eram encontrados dos dois lados, à única exceção dos Elfos. Somente eles não se dividiram e seguiram a liderança de Gil-galad” (O Silmarillion, pág. 374).

A suposição de que ainda outros reinos élficos (isto é, Avari) estavam envolvidos é vagamente sustentada por uma passagem anterior descrevendo como Sauron eventualmente seduziu os Elfos de Eregion (Cf. nota 1 acima).

47. O Silmarillion, pág. 374. “Dos Anões, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro…” Tolkien não oferece nenhuma explicação de quem eram esses Anões ou por que eles lutaram por Sauron. Pode ser que ele fosse capaz de influenciar um ou dois de seus reis através de um Anel de Poder, a despeito de sua incapacidade de dominá-los completamente como ele dominou os Nazgûl. Ou pode ser que houvesse um grupo malicioso de Anões que escolheram ficar ao lado do Senhor do Escuro.

48. As Duas Torres, pág. 659. Sam, Frodo, e Gollum viram as faces dos Homens, Orcs e Elfos mortos nos pântanos. Os Orcs obviamente serviam Sauron, mas talvez também os Homens. Cf. nota 45 acima.

49. A Sociedade do Anel, pág. 252. “…Estive na Batalha de Dagorlad diante do Portão Negro de Mordor, onde vencemos: pois à Lança de Gil-galad e à Espada de Elendil, Aiglos e Narsil, ninguém podia resistir…

50. Contos Inacabados, pág. 290. “…Oropher foi morto no primeiro ataque a Mordor, precipitando-se à frente de seus guerreiros mais audazes antes que Gil-galad tivesse dado o sinal para avançar.

51. Ibid. “Seu filho Thranduil sobreviveu; mas, quando a guerra terminou…ele levou de volta para casa menos de um terço do exército que marchara para a guerra.

52. O Silmarillion, pág. 374. “Então Gil-galad e Elendil entaram em Mordor e cercaram o reduto de Sauron. Sitiaram a fortaleza por sete anos e sofreram graves perdas pelo fogo, por lanças e por setas do Inimigo, e Sauron fez muitas investidas contra eles.

53. Ibid. “…Ali, no vale de Gorgoroth, Anárion, filho de Elendil, foi morto, além de muitos outros.

54. Morgoths Ring, pág. 420. “Mas Sauron conseguiu em tempo unir a todos em ódio irracional a elfos e aos homens que se associaram a eles; enquanto que os orcs de seus próprios exércitos treinados estavam tão completamente sob sua vontade que sacrificariam a si mesmos, sem hesitação, ao seu comando.

O Retorno do Rei, pág. 1006. “…Como formigas que vagam sem destino e sem propósito, para depois morrerem exauridas, quando a morte golpeia o ser inchado e incubante que habita o formigueiro e a todas mantém sob controle, da mesma maneira as criaturas de Sauron, orcs ou trolls ou animais escravizados por encantamento, corriam de um lado para o outro sem rumo; alguns se matavam ou se jogavam em abismos, ou ainda fugiam gemendo para se esconderem em buracos e lugares escuros e sem luz, distantes de qualquer esperança.

55. Ibid., “…Mas os Homens de Rhûn e Harad, Orientais e Sulistas, viram a destruição de sua guerra e a grande majestade e glória dos Capitães do Oeste. E aqueles que havia mais tempo estavam mais envolvidos na servidão maligna, odiando o oeste, e contudo eram homens altivos e corajosos, por sua vez se ajuntaram numa resistência desesperada.

56. O Silmarillion, pág. 375. “A Torre Escura caiu ao chão, arrasada, mas seus alicerces permaneceram, e ela não foi esquecida. Os Númenorianos com efeito montaram guarda sobre a terra de Mordor…

57. Ibid., pág. 379. “Em Eriador, Imladris era a principal morada dos Altos-Elfos; mas nos Portos Cinzentos de Lindon vivia também um remanescente do povo de Gil-galad, o Rei élfico.” Círdan de fato manteve Elfos suficientes, ou seus números recuperaram-se o suficiente, para ajudar os Dúnedain de Arnor em pelo menos três ocasiões na Terceira Era, mas ele nunca foi capaz de erguer um exército como o de Gil-galad.

Bibliografia:

Tolkien, J.R.R.. O Senhor dos Anéis, vol. único, Martins Fontes Editora, 2001.

Carpenter, Humphrey. The Letters Of J.R.R. Tolkien, Houghton Mifflin Company, 1981.

Tolkien, Christopher, ed.

Contos Inacabados, Martins Fontes Editora, 2002.

Morgoths Ring, Houghton Mifflin Company, 1993.

O Silmarillion, Martins Fontes Editora, 1999.

The Return Of The Shadow, Houghton Mifflin Company, 1988.

The Treason Of Isengard, Houghton Mifflin Company, 1990.

The War Of The Jewels, Houghton Mifflin Company, 1994.

Uma História da Última Aliança de Elfos e Homens, Parte 2

A guerra real começou com o ataque à Minas Ithil, em 3429 S.E. [32]. Quando a cidade foi perdida, Isildur e sua família escaparam para Osgiliath [33]. De lá eles navegaram, deixando Anárion para defender o reino. Pode ser que nessa hora Isildur tenha parado em Edhellond, e passado para o norte em direção a Erech pra convocar o Rei das Montanhas para cumprir o juramento feito por seus predecessores; ou, pode ser que nesse momento Isildur tenha tomado o juramento do Rei, para ser cumprido posteriormente, quando o Oeste estivesse pronto para marchar contra Sauron [34].

Em todo caso, Anárion aparentemente não foi incomodado pelos homens das Ered Nimrais, embora ele possa ter prudentemente montado uma vigília contra uma traição do oeste. De qualquer forma, a presença do porto élfico em Edhellond pode ter sido um conforto para os Dúnedain. Além disso, visto que Sauron havia reunido seus aliados em Mordor, os exércitos de Herumor e Fuinur não atacaram vindos do sul. Eles devem ter passado para o norte e para Mordor através do Passo de Nargil [35], se não eles marcharam para o norte ao longo das Ephel Dúath para ajudar no ataque a Osgiliath.
Elendil e Gil-galad convocaram um conselho em 3430 S.E., onde a Aliança foi oficialmente criada [36]. O conselho deve ter sido uma grande reunião de senhores de Arnor, Gondor, Lindon, e outras terras. Além de Gil-galad e Elendil, podemos supor que Isildur e Círdan estavam presentes, e talvez também Elrond, Celeborn, Galadriel, Gildor Inglorion, e Glorfindel [37]. Os filhos de Isildur, Elendur, Aratan, e Ciryon podem ter estado presentes também; pelo menos Elendur provavelmente estava lá.

Podem ter havido também emissários dos Vales do Anduin (se não dos próprios Durin IV, Oropher, e Amdír). Possíveis emissários dos Elfos incluiriam Thranduil e Amroth. Entretanto, é possível que a Aliança originalmente incluísse apenas Lindon, Arnor, Gondor, e Imladris.

A Aliança só poderia ter um único propósito militar: marchar sobre Mordor e alcançar uma vitória completa e total contra Sauron. Eles sabiam que podiam derrotá-lo no campo de batalha, conforme isto fora realizado em mais de uma ocasião em guerras passadas. O verdadeiro problema deve ter sido sobre o que eles fariam uma vez rompidas as defesas de Sauron. Até quando ele poderia resistir à Aliança, e o que ele seria capaz de tramar contra seus inimigos enquanto sitiado em Barad-dûr? As forças de Sauron eram consideráveis, pois ele comandava não somente os Orcs e Trolls, mas também muitos homens, e seus principais servidores eram os Nazgûl.

Gil-galad e Círdan marcharam para o leste saindo de Lindon em 3431 [38]. Elendil já havia reunido seu exército em Amon Sûl e ele esperou lá pela hoste élfica [39]. Mas eles pararam em Imladris por três anos, aparentemente para treinar e equipar seus exércitos, e talvez também para persuadir Oropher, Amdír, e Durin a unirem-se à Aliança, se eles ainda não o tinham feito [40]. Naquela época, Sauron deve ter estabelecido um exército nas terras entre a Floresta Verde e Mordor [41]. Tal expansão certamente teria sido persuasiva para com Oropher. pode ser que nessa época Elendil tenha mandado um exército a Gondor para fortalecer Anárion [42].

Havia duas linhas de marcha prováveis para os exércitos da Aliança quando eles finalmente começaram a se mover em 3434. Pode ser que Oropher e Amdír tenham avançado pela costa oriental do Anduin, enquanto Gil-galad, Elendil, e Durin passavam a oeste de Lorinand em direção ao Parth Celebrant. Ou talvez Gil-galad e Elendil tenham atravessado o rio pela Men-I-Naugrim, usando o vau onde houve uma vez uma antiga ponte. Oropher pode ter precedido ou seguido eles em sua estrada para o sul, e Amdír e Durin teriam atravessado o Anduin com barcos (assim como Celeborn milhares de anos mais tarde quando ele atacou Dol Guldur).

Sauron provavelmente encontrou as forças da Aliança em algum lugar próximo aos Meandros mas, vendo que era superado em número, ele recuou, destruindo o antigo domínio Entesco ao norte das Emyn Muil (posteriormente conhecido como “As Terras Castanhas”) em uma tentativa de retardar o avanço da Aliança [43]. A retirada para Mordor deve ter sido rápida, ainda sim a Aliança foi capaz de surpreender o exército de Sauron em Dagorlad. É possível que a força de cavalaria de Lindon [44] tenha forçado o exército de Sauron a parar e se reorganizar no norte de Udûn, e que as duas forças se prepararam para a batalha ao curso de um ou mais dias que se seguiram.

Ainda que não tenhamos registro da Batalha de Dagorlad em si, podemos deduzir algumas prováveis formações. Gil-galad, sendo o líder da Aliança (ou, o mais provável, o mais velho dos quatro “iguais”), provavelmente comandava o centro. Visto que Elrond era o arauto de Gil-galad nesta campanha, é possível que os flancos de Gil-galad fossem comandados por Celeborn e Círdan (Glorfindel ou Gildor Inglorion podem ter comandado um flanco “Noldorin”).

Sabemos que no curso da batalha, o exército de Amdír foi isolado da hoste principal e feito em pedaços nos pântanos [45]. Entretanto, podemos supor que Oropher tomou a face direita do campo, com Amdír guardando o outro flanco. Deste modo, os Elfos Silvestres de “idéias próprias” estariam em uma posição para apoiar Gil-galad sem serem cercados pelas próprias forças dele. Elendil e Durin podem ter, então, permanecido na face esquerda (leste) do campo.

O que não podemos supor é se Anárion, com o exército de Gondor, estava presente na Batalha de Dagorlad. Teria Sauron dividido suas forças durante os anos anteriores para manter Anárion ocupado? Os únicos aliados possíveis que Anárion poderia ter convocado seriam os Elfos de Edhellond, dito serem na maioria de origem Nandorin ou Sindarin [46]. Eles não teriam constituído de modo algum uma grande força, e podem ter sido apenas um contingente do exército de Anárion.

As forças de Sauron teriam sido retiradas dos Orcs e Trolls, provavelmente vivendo em sua maioria em Mordor naquela época; os Orientais, talvez muito primitivos; os Haradrim, governados por Númenorianos Negros e incluindo um grande número dos mesmos; e quaisquer Homens que possam ter vivido em Mordor (se algum). Conta-se que uns poucos Anões também lutaram por ele, embora nada seja mencionado de suas moradas ou casas [47].

Se Anárion foi impedido de se unir imediatamente a Gil-galad por um exército no sul, Sauron pode ter tido somente alguns Haradrim na Batalha de Dagorlad. Assim, ele teria apenas dois exércitos: os Orientais e suas próprias forças de Mordor e Harad. O flanco esquerdo de Sauron pode ter sido a parte mais forte de seu exército, uma vez que ele foi capaz de impelir os Elfos Silvestres de Amdír, empurrando-os para os pântanos [48]. É possível que os Orientais não tenham ficado à direita de Sauron, mas talvez tenham ido contra o flanco oriental da hoste da Aliança (onde podem ter permanecido os exércitos de Arnor e Khazad-dûm). Esta estratégia teria ao menos dado uma oportunidade ao flanco esquerdo de esmagar os Elfos Silvestres enquanto o exército principal mantinha a atenção de Gil-galad no centro.

Gil-galad pode ter usado uma estratégia cautelosa, contendo-se de atacar a fileira de Sauron. Talvez Sauron tenha repelido Amdír com um ataque e talvez tenha ele mesmo lançado o ataque. A vantagem em lançar o ataque estaria na chance de Sauron de dividir a hoste élfica e destruir os Elfos Silvestres. Uma vez que Amdír e mais da metade de seu exército foram mortos, as forças de Sauron nesta área foram bastante efetivas. Mas visto que Sauron, por fim, abandonou o campo [49], seu flanco direito deve ter desmoronado sob o ataque dos outros exércitos da Aliança. É possível que a força inteira que combateu Amdír nos pântanos tenha sido abandonada por Sauron na retirada.

Embora não saibamos se partes do exército de Sauron sobreviveram à Batalha de Dagorlad, podemos estar certos de que suas forças foram muito diminuídas. Ele ainda aparentemente foi capaz de manter mais uma resistência fora de Barad-dûr, pois Oropher liderou um ataque prematuro a Mordor [50]. Os Elfos Silvestres podem ter se enfurecido com o massacre que ocorrera nos pântanos, e talvez Oropher tenha pensado que as forças de Sauron eram mais fracas do que realmente eram.

Mas embora os Elfos Silvestres tenham novamente sofrido graves perdas [51], Gil-galad e a Aliança penetraram em Mordor, empurrando Sauron de Udûn por todo o caminho de volta a Barad-dûr, onde eles começaram o cerco de sete anos. Nessa hora Anárion deve ter levado o exército de Gondor para Mordor, talvez passando através das Ephel Dúath para assegurar que Sauron não pudesse escapar para o sul.

A defesa de Sauron de Barad-dûr não foi passiva. Ele enviou muitos ataques [52]. A própria fortaleza usava armas de projéteis para infligir grandes perdas aos exércitos da Aliança, incluindo a tomada da vida de Anárion em 3440 [53].

A breve descrição de Elrond da última luta entre Sauron e seus adversários indica que Gil-galad fixara uma posição em Orodruin. Esta parece ser uma distância bem grande de Barad-dûr, mas pode ser que, durante os anos do cerco, Gil-galad tivesse que lidar com forças fora de Barad-dûr, nas terras ao leste e ao sul. Sendo assim, então Orodruin teria se tornado um excelente posto de comando, mas isto também significaria que os exércitos da Aliança (enfraquecidos pelas batalhas no norte) deviam estar pouco espalhados.

Desse modo, parece que, ou Sauron foi capaz de pegar Gil-galad de surpresa, ou ele liderou uma última e massiva investida contra Orodruin. Logo que Sauron alcançou as encostas da montanha de fogo, apenas Elendil permaneceu próximo o suficiente para ajudar diretamente o rei élfico, embora Elrond, Círdan, e Isildur estivessem mais próximos do que outros. Como Sauron conseguiu chegar tão perto de Gil-galad? Teria talvez o rei élfico oferecido a Sauron um desafio para um combate único (assim como seu avô Fingolfin desafiou Morgoth)? Sauron esperava matar Gil-galad e assim desencorajar seus inimigos?

No evento, Gil-galad caiu ante o ataque de Sauron e foi Elendil quem desferiu o golpe “mortal” que derrubou o Senhor do Escuro. Sauron, apesar disso, devia ter guardado força suficiente e presença de espírito para se projetar sobre Elendil, uma vez que fora o calor de seu corpo que matou o rei Dúnadan. Isildur então subiu a encosta para cortar o Anel da mão de Sauron, mas ele fez isso sabendo que o espírito de Sauron escaparia ou ele foi atraído imediatamente pelo poder do Anel?

O combate final deve ter resultado em uma perda de força de vontade quase completa entre os Orcs e Trolls sobreviventes [54]. Se quaisquer Orientais ou Haradrim continuaram a existir fora de Barad-dûr, eles ou fugiram ou lutaram até serem destruídos, como aconteceu com as forças de Sauron no final da Terceira Era [55]. Mas a própria Barad-dûr teve que ser demolida, e fortalezas foram construídas nas Ephel Dúath e em Udûn para manter uma vigilância sobre [56].

A maioria dos líderes originais da Aliança nunca viu o final que eles se esforçaram tanto para atingir: Gil-galad, Elendil, Oropher, Amdír, e Anárion: todos pereceram. As forças élficas sofreram perdas terríveis, como aparentemente também sofreu o exército de Arnor. Nada é dito do que aconteceu com o exército e o rei de Khazad-dûm.

Um dos prováveis benefícios da guerra para os Povos Livres foi a diminuição de Númenorianos Negros que, embora não destruídos, foram incapazes de estabelecer um grande reino como Gondor ou Arnor (a menos que este fosse Umbar, que eventualmente foi conquistado). Mas um dos grandes custos da guerra teria sido a virtual ruína da antiga civilização Beleriândica em Lindon. O povo de Círdan incorporou o restante do povo de Gil-galad em Mithlond e alguns podem ter se assentado em ou próximo a Imladris, mas a maioria dos sobreviventes abandonou a Terra-média [57].

Arnor emergiu da luta enormemente enfraquecido. Gondor, entretanto, cresceu em poder daquela época em diante, e por mais de 1600 anos manteve uma vigília sobre Mordor contra o eventual retorno de Sauron. A Aliança falhou em atingir uma vitória permanente sobre Sauron, em grande parte porque no final Isildur falhou em destruir o Um Anel quando teve a chance. E ainda assim, tivesse ele seguido o conselho de Círdan e Elrond, o que seria dos Elfos na Terra-média? A tolice de Isildur foi o triunfo da Aliança, pois os Eldar foram assim capazes de usar seus três Anéis de Poder remanescentes por mais de 3000 anos para melhorar seu mundo.

Tolkien escreveu que a Terceira Era era “os últimos anos dos Eldar. Viveram em paz por um longo tempo, controlando os Três Anéis, enquanto Sauron dormia e o Um Anel estava perdido; mas não tentaram nada de novo, vivendo de recordações do passado”. (O Retorno do Rei, p. 1148). Eles talvez não estabeleceram novos reinos, mas as canções élficas relatando as trágicas histórias de Nimrodel e a busca dos Ents pelas Entesposas mostram que os Elfos continuaram a prosperar e interagir com outros povos ao redor deles, muito após a guerra ter terminado.

Fim da parte 2.

Uma História da Última Aliança de Elfos e Homens, Parte 1

A lenda da guerra de Gil-galad e Elendil contra Sauron no final da Segunda Era da Terra-média tem sido assunto de muita pesquisa e especulação entre os fãs de Tolkien. Assim como com todos os aspectos de sua mitologia, as poucas menções desta grande luta implicam uma profundidade que direciona a imaginação à uma descrição completa que certamente deve ter existido na mente do autor, se não em alguma de suas obras existentes. A maioria de nós está familiarizada com linhas gerais da guerra, e muitos podem traçar os eventos em uma progressão geral a partir do primeiro ataque à Minas Ithil até o combate final em Orodruin.

Mesmo assim muitas questões permanecem, as quais alguém pode imaginar se Tolkien não as fez a si mesmo. Quem eram os grandes príncipes e capitães, cuja lembrança de seus estandartes fez Elrond parar e suspirar em seu conselho uma Era mais tarde? De onde vieram estes exércitos, e quais eram suas razões para se unirem à Aliança? Se não sabemos os números deles, sabemos realmente algo da sua ordem e progressos de batalha?Talvez.

Muito do que se segue é necessariamente especulativo. Não pode ser de outra forma, pois existem lacunas no que está registrado. Mesmo Tolkien espalhou aqui e ali partes de informações a respeito desta grande guerra na qual “todos os seres vivos estavam divididos…à única exceção dos elfos” (O Silmarillion, p. 374).

A guerra final da Segunda Era reuniu muitos povos em ambos os lados para um combate cataclísmico que rivalizou com a grande Guerra da Ira no final da Primeira Era do Sol. Apesar de os Valar não terem participado nesta guerra, o conflito culminou em uma série longa e pendente de disputas entre Sauron, os Elfos e os Homens de Númenor. A guerra representou a última ação desesperada de Sauron pelo poder na Terra-média na sua antiga campanha para ganhar controle sobre os Elfos e Homens.

As sementes da guerra foram estabelecidas um milênio antes, quando Sauron, na aparência de “Aulendil” (“Annatar”), começou a se aproximar dos Elfos em uma tentativa de seduzi-los [1]. Galadriel não confiou nele, afirmando não ter conhecido tal Maia em Valinor [2], e Gil-galad desconfiou dele, tendo há muito sentido que algum poder maligno havia se erguido na Terra-média [3]. De fato, a maioria dos senhores élficos recusou-se a tratar com Sauron, exceto pelo ferreiro Celebrimbor, cujas razões para recusar o conselho de Gil-galad não são dadas. Mas talvez ele tivesse herdado o grande orgulho de sua casa, e como o último herdeiro sobrevivente de Fëanor, tenha rejeitado o aviso de Gil-galad em um ato de rebelião.

Celebrimbor não viveu para ver os frutos das sementes que ele ajudou Sauron plantar e nutrir nos Anéis de Poder. Embora ele tenha vindo a entender sua tolice ates da Guerra dos Elfos e Sauron, Celebrimbor pereceu quando Sauron tomou Ost-in-Edhil [4]. Como Fëanor antes dele, Celebrimbor conduziu os Noldor a um caminho cujo final ele nunca viu, e a trágica história deles tanto foi enriquecida como reduzida por causa das escolhas que ele fez.

Por terem auxiliado Gil-galad durante a Guerra dos Elfos e Sauron, os Dúnedain ficaram enredados de maneira irrevogável nos acontecimentos da Terra-média, obtendo a inimizade eterna de Sauron. Dentro de 100 anos da guerra, os Dúnedain começaram a construir portos permanentes a Terra-média: Lond Daer Ened, Pelargir, Umbar, e outros agora esquecidos [5]. Destes portos vieram pelo menos três dos Nazgûl, os Espectros do Anel que por volta do ano 2251 revelaram-se pela primeira vez, conduzindo os exércitos de Sauron contra seus inimigos [6].

Os conflitos entre os Dúnedain e Sauron eventualmente diminuíram a progressiva luta entre Sauron e os Elfos. Enquanto muitos dos Eldar abandonavam a Terra-média, mais e mais Dúnedain lá se assentavam, vindos de ambas as facções de Númenor: os Homens do Rei e os Fiéis. Os Dúnedain buscaram conquistas próprias, confrontando-se com os tenentes de Sauron e obtendo seu imenso ódio [7]. A rivalidade de Sauron com os Dúnedain levou ao seu aprisionamento voluntário em Númenor, onde ele seduziu a maior parte dos Dúnedain para sua causa. Suas fortalezas na Terra-média ao sul de Pelargir estenderam assim o verdadeiro poder de Sauron, onde antes eles o haviam contestado.

Sobrevivendo à destruição de Númenor, Sauron retornou para a Terra-média muito transformado. Gil-galad havia recuperado seu antigo poder e estendido seu poder à novas terras [8]. Todos os Elfos estavam agora aparentemente unidos em propósitos e fortalecidos pelo longo período de paz que sua ausência lhes havia dado. Os Dúnedain que sobreviveram à Queda de Númenor ainda estavam divididos em dois grupos, mas os Fiéis haviam agora estabelecido dois reinos que, embora cultivados pelo poder de Gil-galad, guarneceram Lindon com uma barreira mais poderosa contra a invasão do que Eregion ou Imladris jamais tiveram.

O reino de Elendil em Arnor era maior em tamanho e força do que o reino de Gondor de seus filhos. Os Dúnedain e os povos que lá se assentaram entre eles viviam entre os rios Lhûn e Gwathló [9]. O povo de Elendil vivia principalmente entre os rios Lhûn e Baranduin, e entre as Colinas de Vesperturvo e as Colinas do Norte [10]. Alguns também se assentaram em Tyrn Gorthad e nas Colinas do Sul. Tharbad, um antigo porto e posto avançado Dúnadan no rio Gwathló, tornou-se um elo entre os dois reinos com uma fortaleza dos dois lados do Gwathló e uma ponte atravessando o rio [11].

Outros Homens viviam em Eriador além dos Dúnedain. Os Homens de Bri, a maioria representantes nortistas de sua raça, possuíam parentesco com a maior parte dos povos de Minhiriath e Enedwaith, assim como com as tribos selvagens das Ered Nimrais e Calenardhon que viviam na fronteira ocidental de Gondor [12]. As tribos das colinas que viviam entre o Bruinen e o Mithieithel podem ter sido amigáveis aos Elfos, mas parece que não reconheciam a autoridade de Elendil. Nem o fazia as tribos que viviam no norte, membros de Forodwaith que mais tarde deram origem a Lossoth e talvez aos Homens de Carn Dum [13]. Entretanto, o povo de Elendil provavelmente também incluía descendentes dos clãs relacionados ao Povo de Bór e Ulfang na Primeira Era [14].

O povo de Gondor vinha principalmente dos Dúnedain e seus parentes que viviam em e próximo a Pelargir, assim como ao longo da costa de Belfalas. Eles construíram as novas cidades de Osgiliath, Minas Anor, e Minas Ithil, imaginando que Sauron não era mais uma ameaça [15]. Os filhos de Elendil também estenderam seus domínios para o norte em direção a Calenardhon.

Mas a escolha da localização para suas novas cidades indica que os Númenoreanos Negros do sul eram motivo de preocupação [16]. E embora o antigo porto élfico de Edhellond se situasse a oeste do coração de Gondor, os vales das Ered Nimrais de Lamedon até as nascentes dos rios Lefnui e Adorn eram o lar de uma raça de homens que havia servido Sauron em séculos anteriores [17]. Quando se tornou evidente que Sauron havia sobrevivido à Queda de Númenor, Isildur concluiu uma aliança com pelo menos um grupo destes homens, mas seu rei temia demais Sauron para cumprir seu juramento.

Havia outros homens em Enedwaith, aparentados com o povo das montanhas das Ered Nimrais e com os Homens de Bri, que por muito se opuseram às incursões Númenoreanas. Sua antipatia forçou Gondor a construir as fortalezas gêmeas de Angrenost e Aglarond, que guardavam o passo de Calenardhon contra o oeste, ao invés do leste [18]. Desse modo, a necessidade de uma forte guarnição em Tharbad foi ressaltada pela necessidade de uma forte guarda na própria Enedwaith.

Embora Sauron fosse um Maia de grande poder e sabedoria, ele parece ter subestimado a determinação e a habilidade de seus adversários. Gil-galad, nascido em Beleriand na Primeira Era [19], era um filho nativo da Terra-média, governando seu povo no último vestígio da própria Beleriand, agora chamada de Lindon. Ele pode ter parecido fraco a Sauron, não tendo feito algo contra Morgoth na Primeira Era, e incapaz ou não disposto a derrotar os exércitos do próprio Sauron em Eriador sem o auxílio dos Dúnedain. Mas a estratégia que os Eldar usaram na sua guerra com Sauron era de Gil-galad, que liderou o exército vitorioso de Lindon e Númenor, varrendo as forças de Sauron do norte. Como Alto Rei dos Elfos do Oeste, ele enviou Elrond contra Sauron nos primeiros anos da Guerra dos Elfos contra este [20].

Ao lado de Gil-galad ficou Círdan, o mais velho dos senhores Élficos e sábio pelas amargas lições aprendidas na longa guerra contra Morgoth. Círdan havia sido o único senhor Élfico Sindarin a se aliar com os Noldor contra Morgoth na Guerra das Jóias [21]. Uma vez que Gil-galad viveu com Círdan desde uma idade prematura, o rei Noldorin deve ter sido grandemente influenciado por Círdan, que era tão corajoso e valente quanto qualquer rei Élfico. Na Segunda Era ele auxiliou os Dúnedain, ensinando-lhes como construir e navegar navios, e como administrar os portos que eles construíram na Terra-média [22]. Círdan, também, via profundamente nos corações dos outros, e ele nunca se absteve da necessidade de se opor tanto a Morgoth quanto a Sauron. Círdan parece ter sido um oponente formidável a Sauron.

Elrond, sendo meio-elfo, não esquecera seus laços com os Dúnedain. Ele marchou com os pais deles contra Thangorodrim na Guerra da Ira [23], e ele estava em Lindon quando Veantur velejou primeiro para a Terra-média. Ele teria conhecido Aldarion em sua juventude, o grande rei navegador de Númenor. Apesar de ter falhado em abrir caminho através das forças de Sauron para socorrer Eregion, Elrond salvou muitos Elfos e Homens da morte ou captura na Guerra dos Elfos e Sauron, e ele impôs um cerco prolongado. Descendendo de uma poderosa Maia e tanto de reis Sindarin quanto Noldorin, Elrond foi educado por um filho de Fëanor, permaneceu com o Exército de Valinor na destruição das Thangorodrim e, ao escolher ser da raça Élfica, teve aumentadas sua sabedoria e suas habilidades por Eönwë. Come ele era o vice-regente de Gil-galad em Eriador [24], Elrond pode então ter representado o Alto Rei dos Elfos do Oeste nas suas relações com outros senhores élficos.

Oropher era provavelmente o maior dos outros senhores Élficos. Orgulhoso e independente, um sobrevivente de Doriath, seu reino dominava a Floresta Verde, a Grande, além do Anduin. Embora não amigável tanto aos Noldor como aos Anões [25], ele pode ter reverenciado a linhagem Sindarin de Elrond, e evidentemente viu a necessidade de se unir à aliança contra Sauron. Oropher, porém, era resoluto e orgulhoso, e ele se recusou a marchar sob o estandarte de Gil-galad, pois via a si mesmo como um igual [26].

Amdir, também conhecido como Malgalad [27], era provavelmente o menos poderoso dos reis Élficos da Segunda Era. Ele governava um povo menor do que o de Oropher, ainda que fosse favorável aos Noldor, recebendo muitos refugiados de Eregion em seu reino. Ele também deve ter mantido termos amigáveis com os Anões de Khazad-dûm, seus vizinhos e, talvez, às vezes aliados [28].

Isildur era o mais imprudente dos reis Dúnedain. Ele era orgulhoso e bravo, renomado por salvar uma muda de Nimloth, a Árvore Branca de Númenor, a despeito das precauções de Sauron contra tal tentativa [29]. Ele ousadamente estabeleceu-se (e plantou a muda) nas Ephel Dúath, na fronteira de Sauron. Mas Isildur pode não ter sido um capitão na guerra como o eram seu pai e irmão, e talvez não fosse o líder de Homens que Elendil era. Ainda assim, foi a cidade de Isildur que Sauron escolheu para o primeiro ataque, talvez buscando vingança contra o senhor Dúnadan por seus feitos em Númenor.

Elendil, o Alto, era um poderoso capitão marítimo, um mestre de tradição e, como Alto Rei dos Dúnedain-em-Exílio, reuniu um grande exército de Homens em Arnor. Ele parece não ter tido disputas com subalternos e aliados, diferente de Isildur, apesar de que a distância entre Sauron e os povos de Eriador certamente fez sua influência lá bastante fraca. Elendil foi profundamente afetado pela destruição de Númenor, e pela perda de seu pai, Amandil.

Após Isildur partir para Arnor, Anarion governou Gondor sozinho, defendendo-o contra as forças de Sauron [30]. Anárion parece ter comandado a campanha meridional inteira para a Aliança. Ele não apenas empurrou os exércitos de Sauron de volta a Mordor: ele mesmo, eventualmente, atravessou as montanhas.

Dúrin IV de Khazad-dûm também se uniu à Aliança [31]. Uma vez que seu reino situava-se tão perto de Lorinand, ele deve ter reunido seu exército próximo ao de Amdir. E ainda, a conhecida antipatia de Oropher pelos Anões pode ter forçado Dúrin a marchar ao lado do exército de Gil-galad, talvez ainda para se colocar como um quarto igual entre os líderes da aliança completa: Gil-galad, como senhor dos Elfos do Oeste; Elendil, como senhor dos Homens do Oeste; Oropher, como senhor dos Elfos do Leste; e Dúrin, como senhor dos anões de Khazad-dûm (abrangendo duas ou três casas de Anões). Pelos Anões de Nogrod e Belegost terem há muito tempo aumentado os números de Khazad-dûm, o exército de Dúrin pode ter sido a maior hoste de Anões reunida naquele tempo ou em qualquer outro.

[Fim da parte 1]

Romance relata saga de Isildur

Embora esboçada em muitos livros de Tolkien, a história da derrota de Sauron pelos exércitos da Última Aliança, no final da Segunda Era, nunca foi contada numa narrativa completa. Os irmãos americanos Brian e Gary Crawford, fãs de carteirinha de O Senhor dos Anéis, decidiram remediar isso, e escreveram uma das mais elaboradas fans fictions já inspiradas por Tolkien: o romance Isildur.

A intenção dos dois irmãos, a julgar pela leitura do livro, foi realmente esclarecer os “cantos escuros” deixados por Tolkien na narrativa sobre a Última Aliança. Na verdade, a história se passa depois que as tropas de Elendil e Gil-galad conseguiram invadir Mordor, impondo um cerco de sete anos a Barad-dûr. Isildur, liderando os soldados de Gondor, percorre praticamente toda Rhovanion, reunindo forças para o ataque final a Sauron.

Mas o herdeiro de Elendil enfrenta a oposição dos Numenoreanos Negros de Umbar, liderados pelo cruel Malithôr (que, no decorrer das Eras, se tornaria o terrível Boca de Sauron). Através de ameaças, Malithôr consegue dissuadir muitos aliados de Gondor a ajudar Isildur, entre eles os homens de Erech, que são amaldiçoados pelo filho de Elendil (outra história que fica na sombra em O Senhor dos Anéis). Um último conselho de Elfos e Homens é reunido em Osgiliath, e a Aliança parte para sua cartada final.

O romance é uma leitura agradável e bastante fiel ao clima do universo tolkieniano, embora os autores pequem em alguns detalhes.

A boa notícia é que a obra se encontra disponível para download, traduzida para o Português por Victor Luiz Barone Júnior e Luis Fernando C. Fogaça para a antiga e offline Dúvendor.

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