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Aventuras de Tom Bombadil no Brasil!

A imagem “http://www.valinor.com.br/images/stories/categorias_noticias/tolkien.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O projeto da editora Martins Fontes de lançar no país o livro "As Aventuras de Tom Bombadil" aparentemente está de volta para valer. O livro, já disponível em português de Portugal, está na fase da revisão técnica, ou seja, na reta final de editoração.

 

Como eu sei? Bem, é que este Cisne que vos fala foi convidado para fazer esse serviço. Tenho dois meses de prazo para concluí-lo, e portanto parece seguro supor que o livro chegará às livrarias no segundo semestre do ano que vem, se tudo caminhar normalmente.

A tradução ficou a cargo de Ronald Kyrmse. O volume deverá incluir, além das "aventuras" propriamente ditas (as quais, é bom lembrar, são uma coleção de poemas, e não uma nova história envolvendo Bombadil), os contos "Leaf by Niggle" e "Smith of Wooton Major", que se passam fora do universo da Terra-média.

Segundo a Martins Fontes, ainda não há previsão para o lançamento da nova tradução de "O Senhor dos Anéis". Também estou participando da revisão da obra, e pretendo trazer em breve algumas novidades sobre o texto, que adota algumas escolhas polêmicas de mudança em relação ao SdA atual. Fiquem de olho!

As Aventuras de Tom Bombadil

Todos os que se encantaram com a beleza singela das canções e poemas em O Senhor dos Anéis têm outra oportunidade de apreciar a poesia de Tolkien em As Aventuras de Tom Bombadil. O livro é uma coletânea de 16 canções que fariam parte do Livro Vermelho, o relato da Guerra do Anel escrito por Bilbo e Frodo.
 

Os poemas, pertencentes à tradição do Condado ou compostos por Bilbo, Frodo ou Sam, primam pelo bom humor e pela agilidade da rima. Algumas canções já conhecidas dos leitores graças a O Senhor dos Anéis reaparecem na coletânea, como a canção do Velho Troll (cantada por Sam), "A Vaca pulou pra Lua" (cantada por Frodo em Bri) e a canção do Olifante (também cantada por Sam).

O poema-título do livro, As Aventuras de Tom Bombadil, é um divertido passeio pela Floresta Velha e seus inconfundíveis personagens: Bombadil, Fruta DOuro, o Velho Salgueiro e as Criaturas Tumulares. Em outras canções, como "Jornada" ou "O tesouro", as lendas dos Dias Antigos são retrabalhadas pelos hobbits, enquanto o décimo-sexto poema, "O último navio", trata da partida dos elfos da Terra-média. Uma pequena introdução explicando as influências e a temática dos poemas acompanha a coletânea.

O Senhor dos Anéis

No ano passado, a maior livraria virtual do mundo, a americana Amazon.com, pediu que os internautas respondessem à seguinte pergunta: "Qual o livro do milênio?". O vencedor disparado foi "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien, só perdendo mesmo para a Bíblia, que não foi escrita neste milênio. Traduzido em mais de 24 idiomas, "O Senhor dos Anéis" é um épico que vem encantando os leitores desde 1954, ano de sua primeira publicação.

 
"O Senhor dos Anéis" começou, de acordo com o próprio Tolkien, como uma seqüência de "O Hobbit"; entretanto, a história tomou rumos próprios e passou a relatar os acontecimentos grandiosos do final da Terceira Era da Terra-média, o mundo ficcional criado por Tolkien.

O livro relata a luta dos povos da Terra-média para livrar-se da ameaça de Sauron, o Senhor do Escuro, o Inimigo do Mundo. Em eras passadas, Sauron, uma espécie de anjo caído detentor de um imenso poder, forjou o Um-Anel, artefato mágico no qual colocou grande parte de sua potência malévola. De posse do Um-Anel, o Senhor do Escuro era capaz de subverter praticamente qualquer vontade à sua. Entretanto, o Um-Anel foi retirado dele, e durante milênios seu terrível poder permaneceu adormecido.

No final da Terceira Era da Terra-média, porém, Sauron voltou a se fortalecer e a procurar incessantemente pelo seu antigo anel. O que ele não sabe é que sua maior arma foi parar nas mãos do hobbit Bilbo Baggins, que por sua vez a entregou a seu herdeiro, Frodo.

Com a ajuda do mago Gandalf, o Cinzento e de outros companheiros, pertencentes aos povos livres da Terra-média, Frodo precisa empreender a mais perigosa das jornadas: chegar à terra de Mordor, onde Sauron governa supremo, e destruir o Um-Anel, jogando-o dentro do vulcão Orodruin, onde foi forjado. Só assim o poder de Sauron será destruído para sempre e a Terra-média poderá viver em paz.

Resumo de O Senhor dos Anéis

Os resumos foram gentilmente cedidos por Janez Brank [http://www.brank.org/tolksumm/], traduzidos do inglês pelo nosso leitor Luciano Soares e revisados por Imrahil.

Capítulo 1: Uma festa muito esperada

Sessenta anos passaram desde que Bilbo Bolseiro, o herói de O Hobbit, tinha voltado de sua jornada. Ele é conhecido por muitos, tanto pela sua riqueza legendária como pelo fato de que a idade não parece afetá-lo. Ele anuncia uma grande celebração em honra do 111o aniversário dele e o 33o aniversário do seu sobrinho Frodo, que ele tinha adotado como herdeiro alguns anos atrás e trouxera para viver no Bolsão. A festa estava esplêndida, e um grande número de hobbits foi convidado. Mas Bilbo sentia-se estranho ultimamente, e decidiu que precisava de umas "férias" e deixaria o Condado; assim, depois de fazer um discurso depois do jantar, na frente dos 144 amigos mais íntimos dele e de Frodo, e também de seus parentes, ele coloca o anel mágico e desaparece, causando grande surpresa. Ele fala mais uma vez com Gandalf antes de partir, e quase muda a sua intenção original de deixar o anel com Frodo; mas o mago o convence a manter a idéia, e Bilbo parte, muito aliviado e mais feliz do que nunca. Gandalf adverte Frodo para não usar o anel. No dia seguinte Frodo está ocupado, pois Bilbo tinha deixado presentes de despedida para muitos hobbits, e agora uma multidão de pessoas se encontra no Bolsão, muitos deles cavando ao redor e procurando os tesouros imaginários de Bilbo. Gandalf parte, e não volta por muito tempo.

Capítulo 2: A Sombra do Passado

Gandalf visita Frodo só algumas vezes pelos anos que seguem. Frodo se acostuma a ser o mestre do Bolsão, e faz amizade com alguns dos hobbits mais jovem [por exemplo com Peregrin Tûk e Merry Brandebuque] enquanto a maioria o considera esquisito, como Bilbo. Rumores de eventos estranhos fora do Condado surgem, como o da ascensão do Poder Escuro na Terra de Mordor, embora a maioria dos hobbits não acreditasse nisso. No qüinquagésimo ano da vida de Frodo, Gandalf o visita novamente e eles têm uma conversa longa sobre o anel que Frodo tinha herdado de Bilbo. Gandalf explica a Frodo a natureza e a história do anel, que é de fato o maior dos Anéis de Poder e foi feito há muito tempo por Sauron, o Senhor do Escuro de Mordor. Sauron o está procurando agora avidamente. Achando o anel o seu poder cresceria imensamente. O anel deveria ser destruído para que Sauron perdesse seu poder, mas só poderia ser destruído em Orodruin, a Montanha da Perdição em Mordor. Parece que Sauron já tinha ouvido falar de Bilbo e do Condado através de Gollum; assim, o Condado provavelmente não é mais um lugar seguro para Frodo. Ele decide partir, acompanhado por Sam Gamgi, o seu jovem jardineiro, que [ao contrário da maioria dos hobbits] acredita nas antigas histórias e adoraria ver os Elfos.

Capítulo 3: Três não é demais

Frodo vende o Bolsão aos Sacola-Bolseiros e compra uma casa na Terra dos Buques, a leste do Condado, onde ele tinha passado sua infância. No seu qüinquagésimo aniversário, ele deixa o Bolsão e parte com seu amigo Pippin [Peregrin Tûk] e Sam Gamgi; Gandalf o deixou por algum tempo para procurar notícias do que acontecia na Terra-média, e ainda não voltou, o que preocupa muito Frodo. No dia seguinte, os três hobbits notam que estão sendo seguidos pelos misteriosos Cavaleiros Negros. Não sabem exatamente quem eles são, e Frodo, cuidadoso, decide não deixar que os Cavaleiros os vejam. Eles conhecem, durante a noite, um grupo vagante de Altos-elfos conduzido por Gildor Inglorion; Frodo fala por muito tempo com Gildor, e o elfo o aconselha a tentar alcançar Valfenda apesar da ausência de Gandalf, e conta-lhe que os Cavaleiros Negros são os perigosos Servos do Inimigo.

Capítulo 4: Um atalho para cogumelos

No dia seguinte, Frodo decide pegar um atalho para o rio Brandevin, onde Merry deveria encontrá-los naquele dia; queriam chegar lá mais cedo, e evitar serem vistos novamente pelos Cavaleiros Negros. De fato, eles percebem que um dos Cavaleiros está na estrada e decidem sair dela. Depois de uma passagem longa e desagradável pelos bosques, eles alcançam a propriedade de Fazendeiro Magote, que é conhecido por soltar seus cachorros em qualquer invasor que venha a colher os seus cogumelos [como o próprio Frodo tinha experimentado na sua mocidade]. Contudo, ele é bastante amigável, especialmente por conhecer bastante Pippin; ele conta a Frodo e seus amigos que pouco tempo antes um cavaleiro negro estranho e amedrontador perguntara-lhe por um Bolseiro . Para ajudar Frodo a alcançar a balsa do Brandevin da maneira mais segura e rápida possível, Magote leva os três hobbits com sua carroça , e eles acham Merry esperando-os ansiosamente.

Capítulo 5: Conspiração Desmascarada

Conforme eles cruzam o Rio, notam uma figura negra parada, e cada vez mais próxima. Eles vão para a casa nova de Frodo em Cricôncavo, e falam sobre as suas aventuras na viagem. Frodo pretende falar finalmente para os amigos que vai partir o mais cedo possível quando, para o seu assombro, eles dizem que já sabem sobre o Anel, e sobre o propósito de sua viagem, e que pretendem acompanhá-lo e ajudá-lo. Depois do choque inicial, Frodo aceita a ajuda deles alegremente, e eles decidem partir no dia seguinte, bem cedo, pela Floresta Velha, um lugar conhecido como esquisito e perigoso, para evitar as estradas que provavelmente serão vigiadas pelos Cavaleiros.

Capítulo 6: A Floresta Velha

Os hobbits entram na Floresta Velha e logo começam a sentir sua estranheza, como se as árvores estivessem vigiando-os e os odiassem. Eles chegam à Clareira onde os hobbits queimaram uma grande quantidade de árvores há muito tempo atrás. De lá, eles seguem um caminho que os conduz a uma colina que sobe fora da Floresta, e de lá, como eles eventualmente notam, para o Rio Withywindle, a parte central e mais estranha da floresta. Eles querem evitar isso e deixar o caminho, mas acham o terreno sempre mais difícil na direção em que gostariam de ir. Eles caem em um barranco que é muito íngreme para ser escalado novamente e, seguindo-o, chegam ao Withywindle e acham um caminho que corre ao longo dele. Este caminho os traz a um velho salgueiro, perto do qual começam a sentir-se sonolentos de repente. Frodo, Merry e Pippin dormem, e a árvore lança Frodo na água e captura Merry e Pippin debaixo de suas raízes. Sam e Frodo não podem salvá-los, e correm ao longo do caminho, enquanto pedem por ajuda, desesperados. Eles encontram Tom Bombadil, um homem estranho que canta canções absurdas. Tom canta a melodia certa, e o salgueiro liberta Merry e Pippin; então Tom convida os hobbits para irem à casa dele, onde vive com Fruta D"Ouro.

Capítulo 7: Na Casa de Tom Bombadil

Eles comem um jantar magnífico e então vão dormir, e cada um deles tem sonhos diferentes e estranhos. No dia os hobbits falam com Tom Bombadil durante o dia inteiro. Tom lhes fala muito sobre a Floresta, os tipos de árvores e animais, o Velho Homem-Salgueiro, e a história antiga da Terra-média, embora de maneira enigmática. Para a surpresa deles, descobrem que o Anel não tem nenhum poder sobre Bombadil. Ele lhes dá conselhos no dia seguinte, e lhes ensina uma rima parra chamá-lo se eles precisarem da ajuda dele.

Capítulo 8: Névoa nas Colinas dos Túmulos

No dia seguinte, os hobbits deixam a casa de Tom, pretendendo cruzar os Túmulos. Eles fazem um progresso bom pela manhã, e ao redor de meio-dia param para descansar. Estranhamente há um grande pedra fria que se levanta no topo plano de uma colina. Eles adormecem e são despertados por um pôr-do-sol cercado pela névoa. Eles imediatamente se encaminham na direção que eles acreditam ser a mais direta para a Estrada; algum tempo depois Frodo, que estava na frente, passa entre duas pedras paradas e nota que os outros se foram. Ele começa a gritar por ajuda, e é capturado por uma Criatura Tumular. Ele desperta novamente dentro de um túmulo, nota que os outros estão inconscientes perto dele e que uma mão está rastejando na direção deles. Frodo canta a rima que Tom Bombadil tinha lhes ensinado um dia antes, e realmente Tom vem muito rápido, e a luz do dia destrói a Criatura Tumular. Tom desperta os outros três hobbits, e dá a cada um deles uma espada, tirada dos tesouros que estavam dentro do túmulo. Ele também traz os pôneis deles que fugiram à noite, e os acompanha durante algum tempo, até as fronteiras das terras dele. Os hobbits partem, e chegam à aldeia de Bri pela noite.

Capítulo 9: No Pônei Saltitante

O hobbits entram no Pônei Saltitante, uma hospedaria grande em Bri. Um grupo diversificado de hóspedes já esta reunido lá: hobbits locais e homens, anões em viagem, homens estranhos do Sul, e um Guardião misterioso conhecido como Passolargo. Depois da ceia, Frodo, Sam e Pippin decidem unir-se aos hóspedes; Pippin chama a atenção contando uma história sobre o Prefeito do Condado e, empolgado, começa a contar sobre a festa de despedida de Bilbo. Frodo não quer mencionar o desaparecimento de Bilbo, e para interromper Pippin salta sobre uma mesa e começa a cantar e dançar. Ele salta e cai da mesa, e enquanto cai o Anel desliza para o dedo dele, e ele desaparece. Isto causa muita ansiedade, e apesar das explicações posteriores a maioria dos hóspedes deixa o aposento. Passolargo parece saber o real nome de Frodo, e a verdadeira causa do seu desaparecimento, e lhe pede que tenham uma conversa depois. Carrapicho, o estalajadeiro, também se lembra de algo e pede para ter uma conversa particular com Frodo.

Capítulo 10: Passolargo

Passolargo vai falar com Frodo, Sam e Pippin. Ele se oferece para ser o guia deles, e parece já saber muito de Frodo; porém, por causa da sua aparência, os hobbits não confiam nele. Então Carrapicho chega e explica que Gandalf tinha deixado uma carta para um certo Frodo Bolseiro, que Carrapicho esquecera de enviar ao Condado há vários meses atrás. Frodo e seus companheiros batem com a descrição que Gandalf dera a Carrapicho, e este dá a carta a Frodo. Entre outras coisas, essa carta contém um conselho de Gandalf para aceitar a ajuda de um amigo seu, um homem chamado Passolargo [com o verdadeiro nome Aragorn], se eles chegassem a conhecê-lo. Assim, Frodo decide aceitar a ajuda dele como um guia para Valfenda. Merry, que saiu para pegar um ar fresco antes, agora volta e conta que viu os Cavaleiros Negros, e parece que eles têm espiões em Bri. Eles decidem não ir para os quartos designados a eles, e dormem no quarto de hóspedes, depois de trancarem as janelas e a porta.

Capítulo 11: Uma Faca no Escuro

Naquela mesma noite, os Cavaleiros Negros arrombam a casa de Frodo em Cricôncavo, descobrem que Frodo não esta lá, e cavalgam para Bri com grande pressa. Eles arrombam a hospedaria, ou mais especificamente o quarto onde os hóspedes hobbits normalmente dormem. Os hobbits não são descobertos, mas todos os cavalos e pôneis da hospedaria fugiram com medo. No dia seguinte eles compram um pônei e mantimentos [muito mais do que eles poderiam carregar em suas costas]; eles vão em direção a Valfenda, e Passolargo os conduz pela floresta para uma colina chamada Topo do Vento, que oferece uma visão de cima de uma área circunvizinha bem grande. Parece que Gandalf tinha estado lá três dias antes deles. Naquela noite eles são atacados por cinco dos Cavaleiros em uma depressão debaixo do Topo do Vento; Frodo não consegue resistir ao desejo de colocar o Anel, e imediatamente depois de fazer isso percebe que ele pode ver os Cavaleiros muito claramente apesar da escuridão. O capitão dos Cavaleiros ataca Frodo, que o golpeia nos pés mas acaba ferido e perde a consciência .

Capítulo 12: Fuga para o Vau

Passolargo faz o melhor possível para curar Frodo, mas este só poderia receber o tratamento em Valfenda, que eles deveriam alcançar o mais cedo possível. Eles cruzam o Rio Fontegris e, evitando a estrada, caminham pelos ermos e acabam alcançando a região dos trolls onde Bilbo tivera a sua primeira aventura tantos anos atrás. Eles têm que cruzar uma linha de colinas para se pôr mais perto novamente da Estrada, já que a única esperança deles de alcançar Valfenda a tempo é seguir a Estrada que cruza o rio Ruidoságua, ou Bruinen, no vau de Bruinen. Na Estrada eles conhecem Glorfindel, um Senhor Élfico que foi enviado de Valfenda para achá-los e ajudá-los. Eles se aproximam do Vau de Bruinen e são emboscados pelos Cavaleiros Negros. Frodo consegue escapar e cruzar o rio no cavalo de Glorfindel. Então uma grande inundação vem rio abaixo e leva os Cavaleiros.

Capítulo 1: Muitos Encontros

Frodo desperta em Valfenda, onde esteve durante três dias aos cuidados do próprio Elrond. Seu braço agora está quase completamente curado. Gandalf também está lá e explica brevemente a Frodo o que aconteceu. Um grande banquete é dado à noite para celebrar a vitória no Vau do Bruinen, e os quatro hobbits estão lá como convidados de honra. Frodo vê muitas caras novas: Elrond, a filha dele, Arwen, e Glóin, um do doze anões que tinham acompanhado Bilbo na sua grande viagem. E, para sua grande alegria, ele encontra também Bilbo, que estava vivendo em Valfenda desde que deixara o Condado. Bilbo recita uma canção sobre Eärendil que ele tinha escrito há pouco. Então, enquanto os elfos cantam e escutam histórias, Bilbo e Frodo falam por muito tempo sobre suas aventuras.

Capítulo 2: O Conselho de Elrond

Um grande conselho acontece em Valfenda, com o objetivo de determinar o que fazer na situação presente para impedir Sauron de dominar todo o mundo. Nesse Conselho estavam Elrond, Gandalf, Frodo, Bilbo, Glóin, Glorfindel, Aragorn, muitos elfos de Valfenda, e também os estrangeiros Legolas, filho de Thranduil, o Rei dos elfos-silvestres, e Boromir, filho de Denethor, o Regente de Gondor. Glóin conta que os mensageiros de Mordor vieram aos Anões, buscando informações sobre Bilbo e o seu Anel. Então, a história inteira do Anel é contada. Gandalf relata suas ações durante o verão, quando ele foi capturado por Saruman, o Branco, um Mago poderoso que se tornou um traidor. O Conselho conclui que o Anel não pode ser usado por ninguém exceto Sauron e que, já que o Anel não pode ser mantido fora do alcance de Sauron para sempre, deveria ser destruído em Orodruin. Finalmente, Frodo diz que aceitaria essa tarefa [e fica pasmo com as próprias palavras]. Elrond aprova a decisão de Frodo.

Capítulo 3: O Anel Vai para Sul

Muitos mensageiros são mandados de Valfenda em todas as direções para procurar notícias de qualquer servo do Inimigo, e voltam aproximadamente dois meses depois. Elrond escolhe os companheiros para Frodo: a Companhia do Anel é formada por Frodo, Sam, Gandalf, Passolargo, Legolas, Gimli, Boromir, Merry e Pippin. Bilbo dá a sua espada, Ferroada, e sua cota de malha dos anões para Frodo. A Companhia parte para o sul, e viaja a oeste das Montanhas Sombrias durante muito tempo, principalmente à noite. Eles notam muitos corvos e falcões que voam sobre eles, e se preocupam ao imaginar que os pássaros possam ser os espiões do Inimigo. A Companhia tenta cruzar as Montanhas Sombrias pela Passagem de Caradhras, mas parece que a montanha os odeia: uma grande tempestade e quantidades enormes de neve os detêm, e eles são forçados a retroceder para não congelarem até a morte na neve.

Capítulo 4: Uma Jornada no Escuro

A única escolha restante para a Companhia alcançar o outro lado das Montanhas agora é atravessar as minas de Moria, ou Khazad-dûm, antigamente um reino esplêndido dos anões, mas agora um lugar desolado e terrível. A Companhia é atacada por wargs, grandes lobos de Sauron, e embora tenham sucesso em reprimir o primeiro ataque, parece que o caminho de Moria é agora o único modo para evitar serem mortos pelos lobos. Eles acham os Portões de Moria e Gandalf descobre a senha que os abre. Quando eles estão a ponto de entrar, tentáculos que pertencem a uma criatura desconhecida saem do lago na frente dos Portões, e quase têm sucesso em arrastar Frodo para a água. A Companhia foge para dentro, e depressa descobre que as Portas foram barradas pelo lado de fora. Eles viajam pela escuridão das Minas por dois dias, e Frodo freqüentemente acha que ouve passos distantes que os seguem. Na manhã do terceiro dia eles alcançam a tumba de Balin e acham um diário lá.

Capítulo 5: A Ponte de Khazad-dûm

Gandalf lê o diário durante algum tempo e descobre, entre outras coisas, a localização da tumba dentro de Moria, o que deveria facilitar a saída deles. Porém, quando decidem ir em busca da saída, eles são atacados por um número grande de orcs, acompanhados por trolls. Eles se defendem com muita valentia na câmara da tumba, e com os intervalos entre os ataques eles escapam pela outra porta. Gandalf tenta fechar a porta com um feitiço, mas é impedido por um contra-feitiço de um desconhecido, mas aparentemente um oponente muito forte. Debaixo da pressão dele, Gandalf quebra a porta e destrói a câmara inteira. Isto bloqueia a passagem e livra a Companhia durante algum tempo da perseguição. Eles continuam descendo e alcançam o nível debaixo dos portões. Nesse ponto os Orcs prepararam uma armadilha de fogo para eles, mas a Companhia não desceu a estrada principal e os Orcs a desceram, separando assim a Companhia dos perseguidores. O caminho segue por uma ponte estreita sobre uma fenda, que foi feita como uma defesa pelos Anões de antigamente. Os trolls trazem lajes de pedra para cruzar a barreira de fogo, e antes de a Companhia conseguir cruzar a ponte, um balrog aparece: uma grande criatura humanóide que brande uma espada e um chicote ígneo. Gandalf luta com ele na ponte; o mago quebra a ponte com seu bastão e os dois caem na fenda. O resto da Companhia escapa em segurança para fora de Moria.

Capítulo 6: Lothlórien

Gimli e Frodo visitam o Espelho de Durin. A Companhia continua o seu caminho, e Aragorn cuida das feridas de Frodo e Sam. Eles entram na floresta de Lórien, e cruzam o rio Nimrodel. Eles são parados por três guardas, elfos de Lothlórien que lhes permitem dormir nas suas plataformas sobre as árvores. Os orcs passam em baixo das árvores naquela noite, e Gollum, que os está espionando, também é visto. Graças às mensagens de Elrond, que já haviam alcançado Lórien, é permitida a passagem dos membros da Companhia, mas com os olhos vendados e acompanhados por dois guardas. No dia seguinte eles conhecem mais elfos que trazem uma mensagem do Senhor e Senhora dos galadhrim, permitindo à Companhia caminhar com os olhos abertos. Lórien é uma terra estranha e maravilhosa, onde muitas coisas antigas e belas ainda vivem como nos Dias Antigos. Eles alcançam Cerin Amroth, a Colina de Amroth, da qual Aragorn parece ter recordações muito felizes.

Capítulo 7: O Espelho de Galadriel

A Companhia passa vários dias em Caras Galadhon, a cidade dos elfos; eles conhecem Celeborn e Galadriel, Senhor e Senhora de Lórien, e falam com eles sobre a missão e sobre Gandalf. Certa noite, Galadriel leva Frodo e Sam para um jardim; ela enche uma bacia prateada de água de uma fonte, e cria um Espelho mágico. Ela lhes permite olhar no espelho, mas os adverte que este pode mostrar o passado ou o futuro, e que pode ser traiçoeiro guiar suas ações de acordo com as visões no espelho. Sam olha primeiro no espelho, e vê árvores serem cortadas por toda parte no Condado. Então Frodo olha no espelho, e vê muitas coisas: Gandalf com uma roupa branca; Bilbo, caminhando no quarto dele, o Mar e o Olho de Sauron. Frodo vê no dedo de Galadriel um dos Três Anéis dos elfos, e lhe oferece o Um Anel, mas ela o rejeita.

Capítulo 8: Adeus a Lórien

A Companhia está a ponto de deixar Lórien, e os Elfos lhes dão três barcos leves para facilitar a viagem deles Anduin abaixo; eles também dão para a Companhia mantos élficos cinzentos, várias cordas boas, e um pouco de lembas, um tipo especial de pão do qual pequenos pedaços podem dar força suficiente para um dia inteiro. Após descerem o rio por algum tempo, eles vêem um barco cuja forma se assemelha a um cisne. A bordo estão Celeborn e Galadriel, e a Companhia é convidada a bordo para um banquete de despedida. Galadriel dá um presente a cada membro da Companhia, entre eles um frasco cristalino com a luz de Eärendil para Frodo, uma caixa de terra de Lórien para Sam, e um broche prateado com uma pedra preciosa verde para Aragorn. Então a Companhia deixa Lórien finalmente e continua a viagem; deixar aquela terra tão maravilhosa é uma grande aflição para todos eles. Nota: várias passagens que dão informações importantes sobre os elfos aparecem neste capítulo, como também nos dois capítulos anteriores.

Capítulo 9: O Grande Rio

A viagem da Companhia para o sul Anduin abaixo dura vários dias. Gollum os está seguindo em um tronco de madeira, colocando a Companhia em perigo, não só por causa do próprio Gollum, mas também porque ele poderia chamar a atenção de orcs que estavam a leste do rio. Eles também notam uma águia, longe no céu, e decidem viajar à noite para minimizar as chances de serem percebidos. Uma noite eles chegam muito perto das Cataratas de Sarn Gebir, e são atacado por orcs. Uma forma escura estranha voa por cima deles, e Legolas atira uma flecha com o seu arco, derrubando a criatura; isto espanta os inimigos, o ataque pára e a Companhia se retira em uma baía por um atalho rio acima. Neste momento eles notam que tinham passado quase um mês em Lórien. Eles levam os barcos e as bagagens ao longo de um caminho velho além das Correntezas, e a viagem continua além dos Argonath, os Pilares dos Reis, grandes estátuas de Isildur e Anárion construídas há muito tempo pelo numenoreanos. Eles chegam perto das Quedas de Rauros, onde o curso final deles deveria ser decidido: ir para leste rumo a Mordor, ou virar ao sul para Minas Tirith.

Capítulo 10: O Rompimento da Sociedade

A Companhia passa a noite no lado ocidental do Rio. Ferroada, a espada de Frodo, está cintilando, indicando que aqueles orcs não estão distantes. No dia seguinte eles têm que decidir o curso que seguirão; a escolha está nas mãos de Frodo, já que o caminho do Portador do Anel só pode ser decidido pelo Portador, ele mesmo. Frodo sente que poderia tomar a decisão mais facilmente se estivesse só, e os outros lhe dão uma hora para se decidir. Ele caminha sem rumo e tenta sem sucesso tomar uma decisão clara. Enquanto isso, Boromir deixa a Companhia sem ser notado, acha Frodo na floresta e lhe ordena que entregue o Anel a ele. Frodo ainda está determinado, e agora firmemente, a ir para Mordor e tentar destruir o Anel; Boromir começa a ficar nervoso e começa a ameaçá-lo. Assim, Frodo coloca o Anel e sai correndo. Ele vai para o topo da colina de Amon Hen, onde pode ver [ainda usando o Anel] terras próximas e distantes até a terra de Mordor. Ele sente o Olho de Sauron que o procura, e finalmente reúne forças para tirar o Anel. Ele decide deixar a Companhia secreta e imediatamente, pois caso contrário ele não poderia reunir coragem para partir em outra ocasião. Enquanto isso, Boromir volta à Companhia e eles começam a procurar Frodo; enquanto os outros estavam procurando, Sam percebe que Frodo estava provavelmente tentando deixá-los, e retorna para os barcos no momento em que Frodo estava arrastando um deles para a água. Logo depois eles partem juntos, cruzam o rio e tomam o rumo de Mordor

Capítulo 1: A Partida de Boromir

Aragorn segue o rastro de Frodo até o topo do Amon Hen; lá ele ouve o som da corneta de Boromir entre os gritos de muitos orcs, e ele corre para ajudá-lo. Mas Aragorn chega tarde demais: Boromir já está agonizando, e em suas últimas palavras ele conta para Aragorn sobre o ataque dele a Frodo e sobre a luta com os orcs, os quais levaram os hobbits como prisioneiros. Gimli e Legolas retornam logo depois, e juntos eles levam o corpo de Boromir em um barco e deixam-no flutuar rio abaixo. Eles também notam que um barco e a bagagem de Sam não estão mais ali, e concluem que Frodo e Sam devem ter cruzado o Rio e ido em direção a Mordor enquanto todos estavam procurando Frodo. Assim, parece improvável que os três companheiros ainda pudessem achá-los, e Aragorn decide que eles vão perseguir os orcs e tentar salvar Merry e Pippin. Eles começam a perseguição imediatamente e com maior velocidade, pois os orcs já ganharam uma vantagem de várias horas.

Capítulo 2: Os Cavaleiros de Rohan

Aragorn, Gimli e Legolas continuam a perseguição durante três dias, correndo com velocidade notável pela terra de Rohan, mas para o desânimo deles parece que os orcs quase não estão descansando, e a vantagem deles sempre é crescente. No quarto dia eles encontram uma companhia dos rohirrim, os homens de Rohan, conduzidos por Éomer, o Terceiro Marechal de Rohan e sobrinho de Théoden, o Rei de Rohan. Aragorn explica a eles o propósito da caçada, e Éomer conta que os Rohirrim atacaram e destruíram aquele grupo de Orcs dois dias atrás, e não acharam nenhum hobbit entre eles. Eles trocam algumas notícias, e Éomer fica impressionado com Aragorn e a viagem rápida que ele e os seus dois companheiros fizeram nos últimos dias. Ele lhes dá permissão para viajar por Rohan, e lhes dá cavalos excelentes. Aragorn, Gimli e Legolas continuam seguindo o rastro e chegam, naquela noite, ao local da batalha perto da grande floresta de Fangorn. Eles não acham nenhum rastro dos hobbits. Na mesma noite um homem velho aparece [e desaparece depressa] próximo ao acampamento deles, e todos os seus cavalos fogem; eles suspeitam que o homem venha a ser o feiticeiro mau Saruman.

Capítulo 3: Os Uruk-hai

Enquanto isso, Pippin e Merry sofrem muito como cativos dos orcs. Estes estão sob ordens de não matar nenhum dos cativos; durante algum tempo, os Orcs os levam, mas eles são forçados a correr, e os Orcs lhes dão um liquido estranho e asqueroso que os fortalece durante algum tempo. O grupo consiste em tipos diferentes de orcs: pequenos das Montanhas Sombrias, alguns orcs de Mordor [conduzidos por Grishnákh] e os grandes Uruk-hai de Isengard, liderados por um capitão chamado Uglúk. Uma discussão surge sobre o destino dos prisioneiros, e Uglúk prevalece. Durante a noite, quando eles se aproximam de Fangorn, são cercados por um grupo dos Cavaleiros de Rohan. Os Cavaleiros acendem fogueiras e esperam o amanhecer antes do ataque final. À noite Grishnákh esperava achar o Anel com os hobbits; ele os leva e tenta escapar, mas é descoberto e morto pelos Cavaleiros. Os hobbits rastejam na floresta, desapercebidos na escuridão. Ao amanhecer os Cavaleiros atacam o acampamento orc e todos eles são mortos na batalha.

Capítulo 4: Barbárvore

Merry e Pippin continuam seu caminho na floresta, e logo conhecem Barbárvore, o ent. Ents são criaturas estranhas, altas e muito velhas, cuja aparência se assemelha à das árvores. Eles falam sobre muitas coisas maravilhosas: os hobbits contam a Barbárvore sobre a viagem deles, e ele lhes fala sobre os ents, a história deles, e a Floresta de Fangorn. Os ents são ameaçados por Saruman, que envia orcs para destruir a floresta e as árvores. Barbárvore sente que é tempo de se fazer algo sobre isso, e ele convoca um Entebate, um reunião de ents, onde eles discutem esse assunto. Considerando que os Ents nunca são precipitados, a assembléia dura dois dias e duas noites, mas no fim eles decidem atacar Isengard [o anel de pedras no meio do qual esta a Torre de Orthanc, a habitação de Saruman]. Barbárvore leva os hobbits em sua marcha, e muitos ents se unem a ela.

Capítulo 5: O Cavaleiro Branco

Na manhã seguinte, Aragorn, Legolas e Gimli procuram o local da batalha, e acham uma folha de mallorn e alguns miolos de lembas. Isso confirma a presença dos hobbits. Eles continuam a procura na floresta de Fangorn e alcançam a colina onde os hobbits tinham conhecido Barbárvore. Então eles encontram o velho que eles acreditavam ser Saruman, mas este revela ser Gandalf, que derrotou o Balrog e voltou mais forte do que nunca, usando uma roupa branca. Gandalf lhes conta algumas notícias, particularmente que o hobbits conheceram Barbárvore e que os ents estão indo em direção a Isengard; ele lhes aconselha a ir para Rohan e ajudar na guerra que está começando lá. Ele chama o seu cavalo, Scadufax, e ele vem também com os cavalos de Aragorn e Legolas, que o conheceram na noite anterior depois de terem fugido em pânico. Gandalf e os três companheiros rumam para Edoras, a corte de Théoden, o Rei de Rohan.

Capítulo 6: O Rei do Palácio Dourado

Eles vão para Meduseld, o palácio do rei Théoden. Eles não são muito bem-vindos no princípio, e é exigido que eles deixem as armas do lado de fora antes de ver o rei. Théoden está sob a influência de seu conselheiro Gríma [também chamado Língua de Cobra] que o convenceu de que Gandalf é sempre um sinal de problemas se aproximando, e não deveria ser bem-vindo. Gandalf silencia Língua de Cobra com um raio mágico, e leva o rei para fora, no ar fresco e à luz do dia. Então Théoden percebe que, escutando os sussurros de Gríma, ele se sentia muito mais velho e mais fraco do que ele realmente era, e agora ele abre o seu coração ao conselho de Gandalf, ordenando que os Rohirrim deveriam se preparar para ir imediatamente para Isengard, enquanto os não capazes de entrar no exército deveriam se retirar aos refúgios das montanhas. Língua de Cobra contesta isso, mas Gandalf o revela como o espião de Saruman; Théoden lhe dá a escolha de se juntar à guerra ou partir para sempre, e Gríma parte. Então o rei dá presentes aos companheiros: ele presenteia Gandalf com Scadufax, e dá armaduras excelentes a Aragorn, Legolas e Gimli. Finalmente o exército parte, e Éowyn, a irmã de Éomer, é escolhida para governar o resto do povo de Rohan na ausência do rei.

Capítulo 7: O Abismo de Helm

Gandalf vai para Isengard com a maior velocidade possível, enquanto o resto dos anfitriões vai para o Abismo de Helm, uma fortaleza; lá, na torre do Forte da Trombeta, a habitação de Erkenbrand, o mestre do Folde Ocidental, vários dos rohirrim daquela região já tinham buscado refúgio. O exército entra no Abismo de Helm e se prepara para a defesa; eles são atacados por um exército grande de orcs e homens selvagens da Terra Parda, e apesar de sua quantidade os defensores têm que se retirar para o Forte da Trombeta e para as cavernas do Abismo. No amanhecer do dia seguinte, porém, o exército dos rohirrim sai da fortaleza e os orcs espantados fogem diante disso. Ao mesmo tempo, Gandalf aparece, e também Erkenbrand e o seu exército; os orcs são cercados e empurrados para uma floresta recentemente crescida que é na verdade um exército de huorns [ents que tinham se tornado arvorescos], e nenhum sai vivo.

Capítulo 8: A estrada para Isengard

Gandalf, Aragorn, Gimli, Legolas, Théoden, Éomer, e uma parte do exército dos rohirrim cavalgam para Isengard. Gimli conta para Legolas sobre a beleza das Cavernas do Abismo de Helm, e eles decidem que algum dia irão juntos e verão a Floresta de Fangorn e as Cavernas. A companhia viaja pela floresta dos Ents e passa por um grande montículo onde foram enterrados os rohirrim que tombaram nas batalhas. À noite eles vêem uma grande sombra que voa para Isengard. Finalmente eles alcançam o Anel de Isengard onde Saruman morou por muito tempo e transformou em uma grande fortaleza; mas agora ele foi derrotado e arruinado pelos ents. Nos portões eles encontram Merry e Pippin, desfrutando todos os confortos de comida, vinho e erva-de-fumo, e os dois levam Gandalf e Théoden para a parede do norte onde eles poderiam encontrar Barbárvore.

Capítulo 9: Escombros e Destroços

Enquanto isso Aragorn, Legolas e Gimli ficam com os dois hobbits, que lhes falam sobre as suas aventuras com o rompimento da Sociedade do Anel: a viagem com os Orcs, o encontro com Barbárvore e o ataque dos ents em Isengard. Os ents não são muito afligidos por setas ou machados, e eles demoliram os portões e paredes de Isengard; não puderam danificar a torre de Orthanc, entretanto, e Saruman ficou encurralado lá. Os huorns formaram uma floresta ao redor de Isengard, onde todos os orcs pereceram. Os ents construíram represas e cavaram trincheiras, e dirigiram a água do rio Isen para Isengard, inundando as cavernas subterrâneas e sufocando as fornalhas de Saruman. Gandalf veio e pediu ajuda [daí a floresta miraculosamente crescida depois da batalha do Abismo de Helm]; e depois Língua de Cobra veio, fingindo ser um mensageiro de Théoden. Porém Barbárvore, a quem Gandalf tinha advertido contra Gríma, lhe deu uma escolha: entrar em Orthanc ou esperar pela vinda de Théoden. Língua de Cobra passou com dificuldade pela inundação e entrou na torre.

Capítulo 10: A Voz de Saruman

Gandalf, Théoden, Éomer, Aragorn, Gimli e Legolas vão para os degraus de Orthanc para falar com Saruman, enquanto os outros esperam um pouco mais longe. Saruman tem uma voz poderosa, que pode persuadir muito facilmente. Ele tenta primeiro com Théoden, propondo paz e aliança entre Isengard e Rohan e prometendo grandes benefícios que poderiam vir disso. A voz dele encanta os Cavaleiros, e parece que convenceu Théoden também; entretanto, este recusa e claramente demonstra que nunca haverá tal paz. Então Saruman fala com Gandalf e tenta convencê-lo a se unir a ele. Gandalf ri disto e então dá a Saruman uma última chance para descer e os ajudar na causa deles, ou permanecer trancado em Orthanc. Saruman rejeita esta oferta, e Gandalf quebra o bastão dele e o bane da ordem dos Magos. Um globo cristalino estranho, aparentemente lançado por Língua de Cobra, cai de uma janela; Gandalf o pega, indicando que poderia ser um objeto de grande importância. A companhia diz adeus a Barbárvore [que promete que os ents vigiarão Orthanc e impedirão Saruman de escapar] e prepara-se para partir.

Capítulo 11: O Palantír

A companhia pretende ir a Edoras e começa na direção do Abismo de Helm. Pippin está muito curioso sobre a bola de vidro que ele tinha pego, e à noite, quando todos estavam adormecidos, ele a pega debaixo do braço de Gandalf. Ele não pode resistir a olhar nela, e pouco depois ele desmaia com um grito. Gandalf lhe pergunta o que ele viu e fez: na pedra ele viu a Torre Escura, e foi interrogado por Sauron. Sauron achou que a pedra ainda estava em Orthanc, e que o hobbit era prisioneiro de Saruman, e apenas ordenou que Pippin dissesse a Saruman para entregar o prisioneiro a ele, sem fazer mais perguntas. A pedra parece ser um palantír, uma das sete pedras usadas pelos reis do passado, para se comunicar entre lugares distantes; assim, estando com essa pedra, Saruman poderia falar com o Senhor do Escuro. Uma sombra passa sobre o acampamento: é um dos Espectros do Anel, que estão montados agora em horríveis criaturas aladas, e parece estar indo em direção a Isengard. Gandalf propõe que os outros partam imediatamente com a máxima pressa, enquanto ele toma Pippin consigo e cavalga para Minas Tirith tão rápido quanto possível.

Capítulo 1: Sméagol Domado

A ação se volta para Frodo e Sam, que estão atravessando as colinas dos Emyn Muil, e sofrem com as paredes íngremes que os impedem de descer. Eles acham um lugar onde uma descida poderia ser possível, e Frodo tenta descer; um grito terrível atravessa o céu naquele momento [provavelmente de um dos nazgûl], e Frodo cai. Felizmente ele cai em uma saliência na rocha. Sam se lembra da corda que os elfos de Lórien lhe deram, e salva Frodo com ela; então ambos descem pela corda, e para a surpresa deles, conseguiram recuperá-la facilmente, como se não tivesse sido amarrada. Eles planejam passar a noite debaixo do precipício. Notam então Gollum, que os tinha seguido todo o tempo; ele escala facilmente, quase como uma aranha, mas cai na parte final da subida. Sam o ataca, e com a ajuda de Frodo eles forçam Gollum a prometer que os conduziria até Mordor. Logo depois Gollum tenta escapar, mas eles o pegam e descobrem que a corda élfica, com a qual eles quiseram amarrá-lo, o machuca muito. Ele jura pelo Anel que os obedeceria, e eles o desamarram. Um tempo depois, quando a lua estava no céu, eles partem novamente.

Capítulo 2: A travessia dos pântanos

Os dois hobbits, conduzidos por Gollum, estão fazendo o seu caminho lentamente para os Portões Negros de Mordor. Já que atravessar por campo aberto, cheio de estradas orc, seria muito perigoso, Gollum os conduz ao longo de caminhos menos conhecidos pelas terras pantanosas. Eles cruzam os Pântanos Mortos, onde foram enterrados muitos guerreiros caídos durante a guerra entre a Última Aliança e o Senhor do Escuro no final da Segunda Era; agora luzes estranhas chamejam, e podem ser vistas horríveis faces de mortos debaixo da lama. Espectros do Anel voam freqüentemente sobre eles, aparentemente procurando o Anel e sentindo sua presença de alguma maneira; e o fardo do Anel sempre parece maior a Frodo conforme eles se aproximam de Mordor. Dentro de Gollum duas "personalidades" estão lutando pela dominação: o Sméagol bom, e o Gollum mau; e o desejo pelo anel parece estar vencendo novamente. Finalmente eles chegam às terras desoladas e estéreis diante de Mordor, e somente com o comando rígido de Frodo é que Gollum os guiará mais além.

Capítulo 3: O Portão Negro está fechado

Os companheiros chegam ao Portão Negro de Mordor. O Portão é vigiado pelos Dentes de Mordor, duas torres altas erguidas há muito tempo pelos Homens de Gondor, mas depois abandonadas e então ocupadas pelas forças de Sauron. Também há muitas outras muralhas e números enormes de orcs; várias estradas conduzem ao portão, e numerosos exércitos do Leste e do Sul estão entrando em Mordor. Entrar em Mordor parece absolutamente impossível. Neste momento Gollum sugere outro caminho: ir para o sul na cidade fantasma de Minas Ithil, e então até a passagem de Cirith Ungol. Lá as chances de não serem notados são um pouco maiores; naquela direção Sauron conquistou terras até o Anduin, e sente-se mais seguro. Assim, não é provável que o lugar seja vigiado completamente. Gollum afirma ter escapado de Mordor ao longo daquele mesmo caminho; entretanto, parece provável que essa "fuga" era conhecida e aprovada pelo Senhor do Escuro. No entanto Frodo, depois de um pouco de hesitação, decide aceitar esse plano.

Capítulo 4: De ervas e coelho cozido

Viajando para o sul, os hobbits alcançam Ithilien, que só foi conquistada recentemente pelo Senhor do Escuro, e não foi devastada nem maculada. Sam está cada vez mais preocupado com a comida: a única comida deles é lembas, que apenas durará até que eles alcançam Orodruin, e certamente não mais que isso. Assim, certo dia, enquanto eles descansam em uma floresta, Sam pede para Gollum que pegue algo comestível. Gollum pega um par de coelhos jovens e Sam prepara um ensopado. Porém, logo que eles terminam de comer , o fogo começa a fazer fumaça e o dois hobbits são rodeados por quatro soldados de Gondor, um deles sendo Faramir, o Capitão. Frodo explica algo sobre a sua missão, e Faramir parece muito interessado nisso; mas no momento ele deixa dois homens para os vigiar, e vai embora preparar-se para a batalha: os homens de Minas Tirith vieram a Ithilien para atacar exércitos que vieram de Harad, ao sul de Mordor, para se juntar às forças de Sauron. Sam vê uma coisa surpreendente durante esta batalha: um "olifante", um dos grandes animais cinzentos que só são conhecidos no Condado através de velhas canções.

Capítulo 5: A janela no oeste

Depois da batalha, Faramir [que é o irmão de Boromir] volta e questiona Frodo durante algum tempo; ele é no princípio um pouco desconfiado, e conta que tinha visto o barco com o corpo de Boromir flutuando no Anduin. Depois ele decide que Frodo e Sam deveriam vir com ele e seu exército a um refúgio escondido, uma caverna oculta atrás de uma cachoeira. Diferente de Boromir, que sempre buscou ganhar glória com sua coragem nas guerras, Faramir não é tão hostil e tem um maior respeito pelas coisas antigas e tradições [e pelos elfos]. Ele fala por muito tempo com os dois hobbits, e conta muito sobre Minas Tirith e as suas guerras, a história de Gondor, sua aliança com os rohirrim; Frodo descreve a viagem dos Nove Andantes, evitando o assunto do Anel cuidadosamente. Quando o assunto da conversa são os elfos e Lórien, Sam menciona o Anel acidentalmente. Aqui Faramir prova que ele é verdadeiro em suas palavras, e não tenta pegar ou mesmo ver o Anel.

Capítulo 6: O lago proibido

Depois, naquela noite, Gollum aparece no lago perto da caverna, pegando peixes, sem saber do lugar escondido. As leis de Gondor requerem que qualquer um que chegar perto da caverna deve ser morto; mas Faramir desperta Frodo e lhe pergunta a opinião dele. Frodo explica que a criatura que eles viram era Gollum, e que ele os guiou, e que ele não deveria ser morto. Faramir não deixa Gollum vagar livremente sobre a área, e Frodo vai até o lago e convence Gollum a segui-lo. Dois dos guardas pegam-no e o levam para a caverna, vendado e amarrado. Faramir interroga Gollum, e Gollum jura que ele nunca voltará à caverna escondida. Então Faramir dá permissão a Frodo para andar livremente por Gondor, e o adverte, dizendo que Minas Morgul é um lugar mau e perigoso.

Capítulo 7: Viagem às Encruzilhadas

Faramir dá a cada um dos hobbits um cajado e também algumas provisões, e então os hobbits e Gollum partem. Eles viajam para o sul durante dois dias e chegam perto da estrada das ruínas de Osgiliath para Minas Ithil. Gollum continua dizendo-lhes para se apressarem, enfatizando o perigo que estão correndo. Eles viram para o leste, para as Encruzilhadas, o cruzamento da estrada de Osgiliath e a estrada norte-sul. No dia seguinte a escuridão começa a emergir de Mordor; grandes nuvens cobrem o céu, e o dia é tão escuro quanto a noite. Eles alcançam as Encruzilhadas; uma grande estátua de pedra de um rei está lá. Sua cabeça estava derrubada, aparentemente cortada pelos servos de Sauron, e jazia no chão perto da estátua; o sol aparece detrás de uma nuvem escura e um de seus últimos raios brilha na cabeça como uma coroa, dando a Frodo esperança nova.

Capítulo 8: As Escadas de Cirith Ungol

Os viajantes passam pela cidade de Minas Morgul, e Frodo sente que o Anel atraía-o na direção dela. Eles vêem um grande ajuntamento de exércitos da cidade, indo aparentemente em direção a Gondor, conduzido pelo Capitão dos Espectros do Anel. Então os hobbits e Gollum sobem uma escada longa e íngreme, seguida por outra, mais longa mas não tão íngreme. Eles decidem descansar durante algum tempo, e enquanto Frodo e Sam estão falando Gollum desaparece; ambos caem adormecidos, e Sam desperta para ver Gollum, que se agacha na direção de Frodo. Embora pareça que ele não teve nenhuma intenção má naquele momento, Sam está cheio de desconfiança. Ele desperta Frodo, que diz para Gollum partir livremente, como se os hobbits pudessem continuar sozinhos dali. Mas Gollum diz que eles não podem alcançar o topo da passagem por si próprios, e os três se preparam para continuar.

Capítulo 9: A Toca de Laracna

Pouco tempo depois eles alcançam uma grande parede onde o caminho continua por um túnel. Um fedor terrivelmente asqueroso está vindo dali. O túnel é muito longo, e sobe sempre, com passagens laterais em alguns lugares. Os hobbits, enquanto caminham alguns passos atrás de Gollum, notam que o fedor está se tornando cada vez pior, até que eles alcançam uma passagem lateral de onde o cheiro desagradável parece estar vindo. Eles passam por ela, e o ar começa a melhorar; mas logo eles chegam a uma bifurcação do túnel principal. Gollum parece tê-los abandonado; eles tentam uma das passagens e descobrem que está bloqueada. Naquele momento eles notam os olhos de alguma criatura terrível atrás deles. Frodo se aproxima dela com o Frasco de Galadriel em uma mão e Ferroada na outra, e os olhos se retiram da luz. Os hobbits continuam depressa pelo túnel, mas acham a saída bloqueada por uma barreira que se mostra ser a teia de uma aranha gigantesca. Frodo corta a teia com a espada dele, e começa a correr para a passagem, que está distante só alguns passos. Sam vem atrás dele; contudo a criatura que eles viram no túnel faz o mesmo: Laracna, uma aranha enorme. Laracna surge de uma entrada lateral no túnel e começa a correr na direção de Frodo. Antes que Sam pudesse ajudá-lo é atacado por Gollum; depois de uma briga desesperada, Gollum foge.

Capítulo 10: As Escolhas de Mestre Samwise

Sam corre e acha Laracna, que se agacha sobre o corpo de Frodo. Isto deixa Sam furioso, e ele ataca a aranha gigantesca; ele fere os olhos da criatura e corta uma de suas garras, mas ela coloca seu corpo enorme por cima dele e tenta esmagá-lo. Porém, Sam mantém sua espada erguida, e Laracna acaba recebendo um ferimento profundo com sua própria força. Ela então abandona os hobbits e foge. Sam tenta acordar Frodo, que não mostra nenhum sinal de vida. Sam se desespera e não pode decidir o que fazer; no fim das contas, sabendo que tudo pereceria se desistisse, ele decide continuar a Demanda, e toma consigo a espada de Frodo, o Frasco de Galadriel e o Anel. Depois de dar os primeiros passos, porém, ele ouve vozes de orcs que se aproximam, e coloca o Anel. Ele descobre que pode entender a língua dos orcs quando usa o Anel: parece que há duas companhias, uma da torre de vigia na passagem e uma de Minas Morgul. Eles levam o corpo de Frodo e atravessam um túnel; Sam os segue, e escutando os capitães orc ele descobre que Frodo provavelmente ainda está vivo, e que será preso, e não morto. A companhia de orcs atravessa portas grandes, que se fecham antes que Sam pudesse atravessá-las.

Capítulo 1: Minas Tirith

Depois de uma longa e rápida viagem, Gandalf e Pippin chegam à grande cidade de Minas Tirith nas primeiras horas da manhã, e têm uma audiência com Denethor, o Senhor e Regente de Gondor e pai de Boromir e Faramir. Denethor é um homem de grande poder e linhagem, capaz de perceber muito do que se esconde atrás das palavras de alguém. Pippin conta sobre a jornada deles, e sobre Boromir, e faz um juramento de fidelidade a Gondor. Depois da audiência, Gandalf vai tratar de assuntos urgentes e Pippin sai para explorar a Cidade. Ele conhece Beregond, um soldado da guarda da cidade, que foi mandado para lhe fazer companhia por algum tempo. Eles conversam sobre Gondor e seus costumes, sobre a viagem de Pippin e as terras distantes que ele viu, e sobre a guerra que se aproxima, na qual Gondor não parece ter esperança alguma. Mais tarde, quando Beregond precisa cuidar de seus deveres, Pippin vai ao encontro do filho dele, Bergil, e juntos eles vão para os portões da cidade para ver a chegada dos exércitos de Gondor, que irão fortalecer a defesa de Minas Tirith. No começo da noite Pippin retorna a seus aposentos, e de madrugada Gandalf também volta, parecendo muito preocupado.

Capítulo 2: A Passagem da Companhia Cinzenta

Logo depois da partida de Gandalf, a companhia do rei Théoden é alcançada por um grupo de Guardiões do Norte, parentes de Aragorn, acompanhados por Elladan e Elrohir, os filhos de Elrond. Eles cavalgam juntos para o Abismo de Helm, onde Aragorn olha para o palantír e o tira do controle da mente de Sauron. Ele decide ir tão rápido quanto possível para Gondor, tomando as aterrorizantes Sendas dos Mortos, acompanhado por Legolas, Gimli, os filhos de Elrond e os Dúnedain. Levará vários dias para que Théoden [com quem Merry permanece como escudeiro] consiga concentrar as tropas de Rohan; enquanto isso, Aragorn e seus companheiros cavalgam na direção de Edoras e do Templo da Colina. Lá Éowyn quer se juntar a eles, mas Aragorn não o permite, dizendo que apenas Théoden poderia liberá-la de seu dever. Na manhã seguinte a companhia adentra as Sendas dos Mortos: uma espécie de túnel que leva ao outro lado das montanhas, ao sul de Rohan. Os "Mortos" são as sombras de um povo antigo que quebrou seu juramento a Isildur, e Isildur os amaldiçoou a não ter paz enquanto o juramento não fosse cumprido. Aragorn, sendo o herdeiro de Isildur, convoca-os para ajudá-lo na guerra, para que dessa forma cumpram seu juramento. A companhia, seguida por um grande exército das sombras dos Mortos, cavalga para o leste, na direção de Pelargir.

Capítulo 3: A Concentração das Tropas de Rohan

Enquanto isso, Théoden e seu exército cavalgam para o Templo da Colina, onde o exército de Rohan está se reunindo. Éowyn os espera, e conta que Aragorn foi para as Sendas dos Mortos; pouco se sabe sobre elas entre os rohirrim, apenas algumas lendas assustadoras, e eles têm certeza de que Aragorn nunca mais será visto. Um mensageiro de Gondor chega, trazendo um aviso de Denethor sobre o perigo em que está Minas Tirith, e pedindo aos rohirrim [que têm sido aliados de Gondor por séculos] que o ajudem na guerra. Théoden se prepara para partir no dia seguinte, pretendendo agora cruzar abertamente a planície, pois a grande nuvem de Mordor cobriu o céu inteiro com escuridão. Ele decide que Merry deve permanecer em Edoras, onde Éowyn irá liderar o povo até a volta do rei. Contudo, um jovem cavaleiro chamado Dernhelm diz em segredo a Merry que pode levá-lo em seu cavalo para Gondor, e Merry aceita a oferta prontamente.

Capítulo 4: O Cerco de Gondor

Na manhã seguinte, quando a escuridão já tinha coberto o céu, Gandalf leva Pippin até Denethor, e Pippin recebe um uniforme da Torre. Mais tarde ele encontra Beregond e conversa por algum tempo com ele nas muralhas da cidade. Naquela mesma tarde Faramir retorna a Minas Tirith, mal escapando dos nazgûl alados que estavam perseguindo a ele e a alguns poucos companheiros. Pippin acompanha Gandalf e Faramir num encontro com Denethor; Faramir relata os eventos na fronteira e seu encontro com Frodo. Denethor não está contente com as ações de Faramir, e preferiria que o Anel tivesse sido trazido até ele. No dia seguinte, Faramir deixa a cidade outra vez para ajudar na defesa das passagens através do Anduin. Os defensores não conseguem resistir ao bem preparado ataque; entretanto, um dia mais tarde, sobreviventes recuam para a cidade, perseguidos pelos inimigos; Faramir é trazido para dentro por último, ferido por uma seta envenenada. Grande número de inimigos, liderados pelo próprio Capitão dos Espectros do Anel, se espalham em torno da cidade e iniciam um cerco, cavando trincheiras de fogo e preparando grandes máquinas de assalto. Denethor se descontrola ao ver Faramir mortalmente ferido, e abandona qualquer esperança e a defesa da cidade, enfurnando-se nas casas dos mortos, com intenção de incinerar a si próprio e a Faramir. Ele libera Pippin de seu serviço, e Pippin corre em busca de Gandalf, que ainda pode impedir Denethor de cometer alguma loucura. Enquanto isso, os inimigos atacam o portão da cidade com um grande aríete, e o destroem depois de várias tentativas. O Senhor dos nazgûl entra na cidade e é confrontado apenas por Gandalf; nesse mesmo momento, porém, os chifres de Rohan soam ao longe.

Capítulo 5: A Cavalgada dos Rohirrim

O exército de Rohan cavalga rapidamente na direção de Gondor por quatro dias. Certa noite, Merry escuta Théoden e Éomer falando com Ghân-buri-Ghân, um líder dos Homens Selvagens dos bosques próximos. Orcs parecem ter barrado a estrada para Minas Tirith, e Ghân se oferece para mostrar um caminho há muito abandonado e desconhecido através da floresta. Dessa forma, eles chegam ao campo de Gondor sem oposição, pois todos os inimigos estão ocupados atacando os muros da cidade. No momento em que os exércitos de Mordor estão atacando os portões com seu grande aríete, Théoden sopra em seu chifre o sinal de ataque e os rohirrim entram na batalha.

Capítulo 6: A Batalha dos Campos do Pelennor

Na primeira investida, Théoden mata um líder dos sulistas. Então o Capitão dos Espectros do Anel, cavalgando sua terrível criatura alada, desce perto de Théoden; o cavalo deste, enlouquecido pelo medo, cai de lado e esmaga o rei sob seu peso. Apenas Éowyn, que estava disfarçada como Dernhelm, fica ao lado de Théoden nesse momento. A coragem de Merry finalmente desperta e ele ataca o Espectro do Anel por trás, e Éowyn, com sua força derradeira, mata o rei dos Espectros. Antes de morrer, Théoden diz adeus a Merry, e saúda Éomer como o novo rei. Os defensores remanescentes de Minas Tirith saem da cidade para ajudar os rohirrim; o Príncipe Imrahil encontra os homens que carregam Théoden e Éowyn, e nota que ela ainda está viva, e chama os curadores. As forças de Rohan e Gondor estão lentamente perdendo a batalha com os enormes exércitos do Inimigo. Uma frota dos navios de Umbar sobe o Anduin, e para a surpresa de atacantes e defensores ela não traz os Corsários, inimigos de Gondor, mas Aragorn e seus companheiros, bem como os exércitos de Gondor meridional. Agora a batalha vira a favor do Oeste, e no fim do dia nenhum inimigo vivo resta no campo de batalha.

Capítulo 7: A Pira de Denethor

Pippin encontra Gandalf e o leva até as Casas dos Mortos, para impedir que Denethor incinere a si próprio e a Faramir. Lá eles encontram Beregond [a quem Pippin havia avisado sobre a loucura de Denethor] lutando com os servos do Regente. Gandalf tenta convencer Denethor de que a hora e a maneira da morte de alguém não devem ser decididas por essa pessoa, e que seu dever é liderar a defesa da Cidade; mas Denethor acredita firmemente que o poder de Mordor é agora grande demais, e que tudo é sem esperança. Beregond o impede de matar Faramir; então Denethor agarra uma tocha e a joga no monte de lenha preparado ali, e se lança sobre a fogueira, e queima. Parece que um palantír, mantido secretamente na Torre Branca, foi a origem da loucura de Denethor, pois ele havia olhado nele longamente, e não vira nada além da reunião dos grandes exércitos de Mordor. Gandalf e Pippin levam Faramir para as Casas de Cura, embora ninguém saiba se ele será capaz de se recuperar.

Capítulo 8: As Casas de Cura

Totalmente exausto, Merry havia seguido os que carregavam o corpo de Théoden, mas se perdera. Ele é finalmente encontrado por Pippin, e levado para as Casas de Cura. Lá Gandalf escuta uma velha mencionar a lenda de que as mãos de um rei são as mãos de um curador; e ele procura por Aragorn, que poderia ainda ter essa habilidade. Aragorn decide não reivindicar sua realeza até que a guerra com Mordor termine, mas ele entra na cidade para ajudar os feridos. Primeiro ele cuida de Faramir, Éowyn e Merry. Faramir foi atingido por uma flecha envenenada, mas principalmente foi afetada pelo "

Amor nas árvores – Um Ensaio sobre Tom Bombadil e Ents

Tom Bombadil e os Ents se enterraram em pequenos nichos, e parece impossível desenterrá-los para uma nova discussão. Devemos tentar mudar isso. A questão mais comum acerca de Bombadil é “Por quê o Anel não o afeta?”. Na verdade, essa questão deveria ser: “Por quê Bombadil não queria o Anel?”. Há uma diferença. Acredito que o Anel afetou o velho Tom, pelo menos a ponto de ter atiçado sua curiosidade e o interessado por tempo suficiente para o satisfazer a si mesmo, considerando se ele ainda era seu próprio mestre.

Quanto aos Ents, praticamente o que todos sempre perguntam é: “Os Ents encontraram as Estesposas?”. E deve ser notado que Tolkien providenciou respostas para ambas as questões. Seus leitores estavam tão intrigados com Bombadil e os Ents que eles indagaram essas questões mais de uma vez. E, no entanto, agora eu percebo que todos perdemos algo importante relacionado ao Tom Bombadil e aos Ents. Eu acho que, talvez, até mesmo Tolkien perdeu.

Ao discutir a importância simbólica de Bombadil, Tolkien escreveu para Naomi Mitcheson na Letter 144:

“Bombadil não é uma pessoa importante – para a narrativa. Eu suponho que ele tenha alguma importância como um “comentário”. Quero dizer, eu não escrevi exatamente daquele jeito: ele é apenas uma invenção (que apareceu primeiramente na Oxford Magazine em 1933), e ele representa algo que sinto ser importante, apesar de que eu não estaria preparado para analisar tal sentimento precisamente. Eu, no entanto, não o manteria, se ele não tivesse algum tipo de função. Posso colocar desta forma. A estória é lançada em termos de um lado bom e mau, beleza contra a feiúra implacável, tirania contra reinado, liberdade moderada com consentimento contra a compulsão que há muito perdera qualquer objetivo a não ser mero poder, e por aí vai; mas ambos os lados em algum grau, conservativo ou destrutivo, querem uma medida de controle. Mas se você tem o controle renunciado, como se fosse tomado um “voto de miséria”, e você se deleita em coisas para o povo sem referência para si próprio, e até certo ponto tendo consciência disso, então a questão dos certos e errados do poder e controle podem se tornar completamente insignificantes para você, e os meios do poder um tanto sem valor. É uma visão pacifista natural, que sempre surge em mente quando há uma guerra. Mas a visão de Valfenda parece ser que há algo excelente a ser representado, mas há, de fato, coisas impossíveis de se arcar; e sobre quais sua existência, no entanto, depende. No fundo, somente a vitória do Oeste permitirá que Bombadil continue, ou mesmo sobreviva. Nada seria deixado para ele no mundo de Sauron.”

“Ele não tem nenhuma conexão na minha mente com as Entesposas. O que acontecera a elas não está resolvido neste livro. Ele é, de certa forma, uma resposta a elas, no sentido que ele é quase o oposto, sendo como Botânica e Zoologia (como ciências) e Poesia, que são opostas à Pecuária e Agricultura e Praticidade”.

Mitcheson leu as páginas-prova para o Senhor dos Anéis antes do livro ser publicado. Ela foi literalmente a primeira dos fãs de Tolkien a perguntar a ele questões sobre a estória e seus personagens. Suas questões (e as respostas de Tolkien) se estenderam através de um amplo espectro de temas. Mas a parte desta carta, que é freqüentemente citada por leitores modernos é a que eu providenciei acima. O breve comentário de Tolkien sobre a importância simbólica de Bombadil gera raivosos infernos relacionados à importância global de Bombadil para o livro.

E, no entanto, ninguém parece perguntar a única questão que seria a mais fácil de responder: Bombadil era feliz no casamento com Fruta D’Ouro? Agora tenho certeza que a maioria das pessoas diriam de imediato “ABSOLUTAMENTE!”. Qual homem não gostaria de ter uma esposa como Fruta D’Ouro? E qual mulher não gostaria de ter um marido como Bombadil? Bem, ok, talvez ele tenha ficado com a melhor parte do trato. E, no entanto, o casamento de Bombadil com Fruta D’Ouro toca em muitas questões que atiçaram o interesse dos leitores ao longo dos anos.

Por exemplo, uma crítica freqüentemente levantada na estória é a de que é um conto de garotos, cheio de caras indo para aventuras, lutando contra monstros terríveis e deixando as garotas em casa. E, no entanto, a aventura de Bombadil se comporta, em parte, dessa forma. Enquanto é verdadeiro que Fruta D’Ouro não encara o Velho Salgueiro-Homem ou a Criatura Tumular, ela, de fato, exerce sua vontade sobre algo mais aterrorizante e poderoso: Bombadil. E antes que você ridicularize isso, pense quem você preferiria enfrentar num duelo: Bombadil, que cospe Criaturas Tumulares antes do café da manhã ou a repugnante Criatura Tumular que não pode prevenir Frodo de chamar Bombadil? Eu escolheria a Criatura de qualquer jeito. Pelo menos eu teria chance de chamar por ajuda.

A única criatura que controla Bombadil, além dele próprio, é Fruta D’Ouro. Ele pertence a ela completamente. Quando Elrond sugere que talvez ele devesse ter chamado Bombadil para seu conselho em Valfenda, Gandalf se opõe, apontando que “Ele não teria vindo.” Ele continua, explicando seu ponto de vista sobre Bombadil: “É melhor dizer que o Anel não tem poder sobre ele. Ele é seu próprio senhor. Mas não pode alterar o próprio Anel, nem desfazer o poder deste sobre os outros. E agora se retirou para uma região pequena, dentro de limites que ele mesmo fixou, embora ninguém consiga enxerga-los, talvez esperando uma mudança dos dias, e não sai dali.”

Por que Bombadil se retirou para sua “pequena terra” e quando? As pessoas perguntam essas questões muitas vezes. É claro que a maioria dos leitores parece sentir que Bombadil nunca tivera liberdade para se mover além de sua terra, que ele deve sempre ter vivido na, ou próximo da, Floresta Velha, desde que o Tempo começara (que deve ser bastante longo – Bombadil “apenas” assumiu que se lembrava da primeira gota de chuva na Terra-Média). Bombadil contou a Frodo e seus companheiros que ele estava lá quando os Elfos passaram em sua jornada para o Oeste, e ele estava lá quando o Senhor do Escuro veio de Fora (presumivelmente quando Melkor escapou de Valinor e retornou à Terra-Média).

Mas Bombadil não falou que ele sentou na mesma colina por eras incontáveis. Ele somente fala que ele estava por perto quando coisas antigas aconteceram. Ele passa a dividir sua sabedoria considerável, por exemplo, sobre a história de Arnor e seus estados sucessivos, Arthedain, Cardolan e Rhudaur. Poderia Bombadil realmente ter aprendido tanto sobre os Dunedáin – até a ponto de se lembrar da beleza de uma princesa ou dama Dunadan – se ele não tivesse viajado e conhecido pessoas? E por que Gandalf falaria “agora se retirou para uma região pequena, dentro de limites que ele mesmo criou”, se Bombadil nunca tivesse vagado para mais além de seus “limites que ele mesmo fixou, embora ninguém consiga enxergá-los”?

A familiaridade de Elrond com Bombadil é revelada através de um breve catálogo de nomes que ele revela no conselho: “Mas tinha me esquecido de Bombadil, se é que esse é o mesmo que caminhava nas florestas e colinas há muito tempo, e mesmo naquela época ele era mais velho que os velhos. Nesse tempo tinha outro nome. Chamavam-no de Iarwain Ben-adar, o mais antigo e sem pai. Mas outros nomes foram dados por vários povos: Forn pelos anões, Orald pelos homens do Norte, e outros nomes além desses.” Bom, as histórias não sugerem que os Anões tenham passado algum tempo nas Colinas dos Túmulos ou na Floresta Velha, então por que eles se incomodariam em dar um nome a Bombadil, a não ser que ele tenha viajado entre eles em algum ponto?

Bombadil é muitas vezes descrito como um espírito livre. De fato, antes de escrever O Senhor dos Anéis, Tolkien se referiu a Bombadil como o “espírito do interior (desaparecendo) de Oxford e Berkshire”. Bombadil existia antes do Senhor dos Anéis, tendo sido introduzido em um mundo não desconfiado através de um poema publicado na Oxford Magazine. Ele se originou de um boneco de um dos filhos de Tolkien, e as aventuras de Bombadil eram somente uma coleção em uma série de coleções de aventuras que Tolkien fez para seus filhos. Então a existência pré-SdA é muito diferente da sua existência em das. Ele é muito menos sofisticado e um tanto variável, um pouco mais volátil. Ele é um clássico jovem aventureiro, andando por aí sem se preocupar com o mundo.

Mas a ênfase deve ser colocada no homem quando Tolkien incorpora Bombadil no mundo da Terra-Média. Em The Road to Middle-Earth, Tom Shippey dispensa Bombadil como um episódio sem importância na estória, mas em seguida concorda com o aspecto mais intrigante de Bombadil: Aquilo que gostaríamos de saber sobre Bombadil é o que ele é, mas isto nunca é perguntado ou respondido diretamente. No capítulo 7, Frodo toma coragem para perguntar quem ele é, apenas para receber as respostas de Fruta D’Ouro, (1) “Ele é”, (2) “Ele é, como já viram”, (3) “Ele é o Senhor da floresta, das águas e das colinas”, e de Bombadil, (4) “Ainda não sabe meu nome? Esta é a única resposta.”

Após recontar a origem poética de Bombadil e sua ressurreição nas páginas de aventuras dos Hobbits, Shippey conclui sua introdução sobre Bombadil dizendo: “O que ele é pode não ser conhecido, mas o que ele faz é dominar.” E, de fato, isto é precisamente o que Bombadil faz, apesar da afirmação de Tolkien que Tom previamente declarara a dominação de outros vontades.

Estará então Tolkien mentindo, ou Bombadil não está dominando vontades? Eu não acho que Tolkien procurasse intencionalmente enganar seus leitores. Por exemplo, note que Fruta D’Ouro não reivindica Bombadil como seu senhor. Ele é “o Senhor da floresta, das águas e das colinas”. Isto é, Bombadil controla coisas que não possuem vontades. Mas Fruta D’Ouro aponta que ele não governa até mesmo as coisas que ele controlou. “Isso seria um fardo pesado demais”, diz ela. “Ninguém jamais prendeu o velho Tom quando ele caminhava pela floresta, atravessava as águas, ou pulava nos topos das colinas, seja de noite, seja de dia”, ela conta a Frodo.

A esse respeito, Tom é muito viril. Ele é o maior lenhador, o verdadeiro esportista, se você quiser, pois ele sempre aceita o desafio, e sempre ganha, mas tendo vencido ele libera seu oponente. Ele é confiante em si mesmo e todos que o conhecem expressam uma tremenda fé nele e em sua habilidade de resolver qualquer situação. Muitos meses depois, no momento em que Laracna está prestes a lançar-se sobre Sam e Frodo, Sam pensa melancolicamente em Bombadil:

“É uma armadilha! – disse Sam, colocando a mão sobre o punho de sua espada; e no momento em que fez isso, pensou na escuridão do túmulo de onde ela vinha. ´Gostaria que o velho Tom estivesse por perto agora’, pensou ele”.

Como Bombadil teria enfrentado a Aranha? Nunca saberíamos, é claro, mas muitos provavelmente argumentariam que a Laracna viraria sopa de aranha para o próximo banquete de Fruta D’Ouro, se ela e Tom viessem a se encontrar. Ele não conhece o medo, e somente respeita os limites que ele próprio criou. E, no entanto, Bombadil reconhece suas limitações. “Tom não é o senhor dos Cavaleiros da Terra Negra, que fica distante de sua região”, ele admoesta os Hobbits, quando estes pedem seu auxílio contínuo em seu caminho. Talvez ele também não seja o mestre das aranhas gigantes. Laracna, afinal, tinha seu próprio objetivo – como os Nazgul uma vez tiveram, mesmo que agora eles estão sob a vontade de Sauron.

Bombadil assim alegoriza muitas das coisas que Tolkien achava que eram boas qualidades em um homem: ele é honesto, fiel, um bom amigo, amado e devoto marido, e ele sabe que não deve exceder suas próprias capacidades. Bombadil é tão certo de si mesmo, pois ele aprendeu tudo o que precisava saber sobre si mesmo. Mas apesar de ter aprendido um bocado sobre “bosques, águas e montanhas” – o suficiente para ser o mestre deles – ele ainda é curioso, e ainda faz perguntas sobre o que está acontecendo além de sua pequena terra.

Bombadil não se senta silenciosamente em seu castelo, fechado para o mundo. Ele é muito consciente do que está acontecendo ao seu redor. Ele continua a interagir com pelo menos alguns de seus vizinhos. No poema “Bombadil goes boating” (Bombadil vai remar), ele visita o fazendeiro Magote no Condado. E apesar de Tolkien ter decidido, enquanto escrevia O Senhor dos Anéis, que Bombadil não visitaria Bri, ele conhece Bri e sabe alguma coisa sobre Cevado Carrapicho, “um homem respeitável” da estalagem Pônei Saltitante. Mais tarde, após Bombadil ter cuidado dos pôneis de Merry por um tempo, chega a Bombadil a informação da quantia que Carrapicho teve que pagar a Merry por aqueles pôneis, após eles terem sido soltos do estábulo da estalagem. Como Bombadil sabia disso? Algo ou alguém deve ter contado a ele, e a fonte de informações mais provável deve ter sido um Elfo ou um Guardião.

Eu acho que Tom se dava bem com os Guardiões. Aragorn o conhecia, e Bombadil conhecia Aragorn (descrevendo Aragorn para os Hobbits, numa visão que ele comunicou a eles após liberta-los dos Túmulos). Desde que os Guardiões passaram a visitar Bri com maior freqüência, e vigiavam o Condado por muitos anos, eles devem ter tido muitas oportunidades de passar pela terra de Bombadil e trocar notícias com ele. Bombadil, afinal, também manteve contato com Gildor Inglorion, uma vez que Gildor pediu para que Bombadil ajudasse Frodo em seu caminho para fora do Condado.

Bombadil, portanto, tem amigos, e ele não é um verdadeiro recluso. Ele permanece interessante e até mesmo poderoso. E isso pode explicar porque Fruta D’Ouro casou-se com ele. No poema The Adventures of Tom Bombadil (As Aventuras de Tom Bombadil), Fruta D’Ouro puxa a barba de Tom, puxando-o para dentro da água e roubando seu chapéu de uma maneira infantil:

There his beard dangled long down into the water:
up came Goldberry, the River-woman’s daughter;
pulled Tom’s hanging hair. In he went a-wallowing
under the water-lilies, bubbling and a-swallowing.

‘Hey, Tom Bombadil! Whither are you going?’
said fair Goldberry. ‘Bubbles you are blowing,
frightening the finny fish and the brown water-rat,
startling the dabchicks, and drowning your feather-hat!’

‘You bring it back again, there’s a pretty maiden!’
said Tom Bombadil. ‘I do not care for wading.
Go down! Sleep again where the pools are shady
far below willow-roots, little water-lady!’

Back to her mother’s house in the deepest hollow
swam young Goldberry. But Tom, he would not follow;
on knotted willow-roots he sat in sunny weather,
drying his yellow boots and his draggled feather.

Up woke Willow-man, began upon his singing,
sang Tom fast asleep under branches swinging;
in a crack caught him tight: snick! it closed together,
trapped Tom Bombadil, coat and hat and feather.*

*Tradução adaptada para o poema:

“Ali sua barba balançava na água. Chega Fruta D’Ouro, Filha do Rio. Puxou o cabelo dependurado de Tom. Para dentro ele foi. Rolando debaixo dos nenúfares, borbulhando e engolindo água.

“Hey, Tom Bombadil! Onde você está indo?”- disse a bela Fruta D’Ouro. “Bolhas você está soprando. Assustando os peixinhos e o rato d´água castanho. Assustando os pintinhos, e afogando seu chapéu de penas!”

“Traga-o já de volta, linda donzela”- disse Tom Bombadil. “Eu não ligo para isso. Afunde! Durma novamente, onde os charcos são sombrios, muito abaixo das raízes de salgueiro, pequena dama da água!”

De volta a casa de sua mãe, no mais profundo e vazio pântano, nadou a jovem Fruta D’Ouro. Mas Tom, ele não a seguiria. Em raízes retorcidas de salgueiro ele se sentou, em tempo ensolarado, secando suas botas amarelas e sua pena”.

Este é um clássico ritual de cortejo. A mulher faz a escolha e testa o homem para ver se ela consegue domina-lo. Se ela conseguir, o ele falha no teste e ela deixa de se interessar por ele. Tom não participaria de jogos infantis e, apesar disso, ele continua com seus afazeres, dispensando Fruta D’Ouro como se ela não tivesse importância para ele. Então ele passa no teste, e mais adiante, no fim do poema, quando Tom chega para toma-la, Fruta D’Ouro está preparada para ser sua esposa.

No entanto, o afastamento de Tom não é presunçoso. Ele é autoconfiante e sabe para onde está indo e o que está fazendo. Ele tem suas prioridades. Ele pode, se um amigo pede, deixar de lado suas preocupações por um tempo e encarregar-se de qualquer outra coisa. Ele faz isso ao pedido de Gildor, quando ele fica de olho em Frodo e seus companheiros. Mas Gandalf rapidamente nota que Bombadil seria uma má escolha para ser o guardião do Um Anel, se o Conselho de Elrond decidisse esconder novamente o Anel de Sauron. O medo de Gandalf é de que Bombadil não entendesse por que todos iriam querer que ele ficasse com o Anel, e de que Bombadil poderia, por fim, esquecer-se sobre isso.

Essas preocupações estão totalmente de acordo com o retrato que Tolkien faz de Bombadil, de um homem decidido e focado. Homens não podem, de fato, ser confiáveis para cuidar de negócios de outrem. Eles têm suas próprias preocupações. Há um jogo de futebol hoje. Terão que esperar para mudar o sofá até amanhã.

A pureza entre Tom e Fruta D’Ouro reside no fato de que ela é sua prioridade número um. Ela está a salvo em casa (como todos que ali visitam), e segura, enquanto Tom estiver por perto. E Tom não deixará que ela enfrente o mundo sozinho. Ele sabe que Sauron está perseguindo os Hobbits. Ele parece até mesmo saber o que o Um Anel é. Mas ele se recusa a deixar sua terra para ajuda-los mais. Seria uma grande aventura, com certeza, e Tom provavelmente aprenderia coisas novas. Mas “Tom tem sua casa para cuidar, e Fruta D’Ouro está esperando”, ele fala aos Hobbits.

De sua parte, Fruta D’Ouro é a Senhora sem falas. Tolkien é cuidadoso em não dá-la título ou status, mas há limites claros entre Tom e Fruta D’Ouro. Enquanto pode parecer que Fruta D’Ouro é rebaixada aos papéis tradicionais na casa (lavar e cozinhar), na realidade a ela é concedida a dignidade de realizar decisões cruciais. “Hoje é o dia de Fruta D’Ouro lavar tudo. O dia de fazer a limpeza do outono”, Bombadil conta aos Hobbits. Tom não designa a ela esses serviços. Ela decide quando irá fazer essas coisas.

À noite, Tom e Fruta D’Ouro se revezam para entreter suas visitas. Ela prepara a comida que eles servem juntos, e ela canta canções junto à lareira antes de recolher à cama. Apesar disso, é Tom quem ensina aos Hobbits muito sobre os perigos do mundo. O mundo além da porta de Tom, com suas árvores malvadas e criaturas tumulares, é um lugar verdadeiramente perigoso.

A imagem que Tolkien retrata, com Tom e Fruta D’Ouro graciosamente fornecendo comida e abrigo para o Povo Pequeno, é tão familiar ao leitor como uma família se reunindo para jantar. Papai Tom e Mamãe Fruta D’Ouro estão cuidando de suas crianças até que eles tenham idade suficiente para sair para o mundo por conta própria. De fato, quando está na hora dos Hobbits partirem e eles se dão conta de que esqueceram de se despedir de Fruta D’Ouro, eles retornam para encontra-la no topo de uma colina:

” – Fruta D’Ouro – gritou ele. – Minha linda senhora, toda vestida de verde-prata! Não lhe dissemos adeus, nem a vimos desde ontem à noite! – Estava tão perturbado que já ia voltando; mas naquele momento um chamado, uma voz cristalina, desceu ondulando colina abaixo. Ali, no topo, estava ela, acenando para eles: os cabelos esvoaçavam soltos, e, conforme captavam a luz do sol, brilhavam e reluziam. Uma luz como o brilho da água sobre a grama orvalhada vinha de seus pés, enquanto dançava.

Os Hobbits correram ladeira acima, e pararam sem fôlego ao lado dela. Fizeram reverências, mas, com um aceno de braço, ela pediu que olhassem em volta; ali, no topo da colina, puderam ver a paisagem sob a luz da manhã. Agora tudo estava claro e podia-se enxergar longe. Na vinda, quando tinham parado no outeiro da Floresta, quase não puderam enxergar nada, por causa da névoa que lhes velava a visão, mas agora o outeiro aparecia, erguendo-se claro e verde por entre as árvores escuras do oeste. Naquela direção, o terreno coberto de vegetação se levantava em cordilheiras verdes, amarelas, avermelhadas sob o sol. Atrás delas se escondia o vale do Brandevin. Ao sul, sobre a linha do Voltavime, havia um brilho distante, como de vidro claro, no ponto em que o rio Brandevin fazia uma grande curva no terreno mais baixo, para depois correr para regiões desconhecidas dos hobbits. Ao norte, além das colinas que iam sumindo, a terra fugia em espaços planos e protuberâncias cinzentas, verdes e cor de terra, até desaparecer na distância sombria e sem forma. Ao leste, as Colinas dos Túmulos se erguiam, topo atrás de topo dentro da manhã, sumindo da visão numa conjetura: não passava de uma conjetura azul, com pontos de um branco remoto, que se misturava ao céu no horizonte, mas que mesmo assim falava-lhes das montanhas altas e distantes, presentes na memória de antigas histórias.

Encheram os pulmões de ar, sentindo que um salto e alguns passos largos os levariam aonde quisessem. Parecia fraqueza de espírito irem andando em direção à estrada ao longo das bordas enrugadas das montanhas, quando na verdade deveriam ir aos pulos, com o mesmo vigor de Tom, sobre os degraus de pedra das colinas, diretamente até as Montanhas.

Fruta D’Ouro dirigiu-lhes a palavra, chamando sobre si seus olhares e pensamentos. – Apressem-se agora, belos convidados! – disse ela. – E continuem firmes em seus propósitos! Rumo ao norte com o vento no olho esquerdo, e sorte em seus passos! Apressem-se enquanto o sol brilha. – E para Frodo, ela disse: – Adeus, amigo-dos-elfos, foi um encontro feliz!

Mas Frodo não teve palavras para responder. Fez uma grande reverência, montou o pônei e, seguido pelos amigos, avançou lentamente, pela descida suave atrás da colina. Perderam de vista a casa de Tom Bombadil e o vale, e depois a Floresta. O ar ficou mais quente entre as paredes verdes formadas pelas encostas das colinas; o cheiro da turfa subia forte e doce. Voltando-se, ao atingirem o fundo do vale verde, viram Fruta D’Ouro, agora pequena e esguia como uma flor ensolarada contra o céu: ainda estava ali, olhando-os, com as mãos estendidas na direção deles. No momento em que olharam, saudou-os com a voz cristalina, e levantando a mão virou-se e sumiu atrás da colina.”

É Fruta D’Ouro que se despede dos Hobbits, e não eles. Ela os leva ao seu caminho com palavras de amizade e encorajamento, mas o rompimento é definitivo. Os Hobbits passaram por uma aventura adolescente que só pode levar para um inevitável rito de passagem, em que Tom (o Pai) observa sua transição final na idade adulta metafórica. Fruta D’Ouro (a Mãe) preparou, assim como Tom, os Hobbits para desafiar o mundo maior. E a alegoria, quer seja intencional ou coincidência, de uma vida familiar harmônica estabelece uma fundação de criação sólida. O leitor está moralmente assegurado de que os Hobbits foram criados sob os valores corretos: eles foram ensinados a ser curiosos, cuidadosos e firmes. A qualquer hora que eles se afastarem de seu caminho escolhido, eles lembrarão de Tom e Fruta D’Ouro de certo modo, tanto quanto uma criança entende o conselho do pai anos depois, após ter feito algo que o pai aconselhou a criança a não fazer.

Desta metáfora para o trabalho, Fruta D’Ouro deve ser tanto mulher como Tom é um homem. Isto é, ela deve ser bonita, tentadora, calorosa, apaixonada e provedora. Fruta D’Ouro é tudo isso e muito mais. Ela acolhe os Hobbits em sua casa, onde está cercada por nenúfares em tigelas. Seu vestido é verde, salpicado de prata, e ela usa um cinto dourado. As primeiras palavras de Frodo a ela são: “Bela senhora Fruta D’Ouro”.

Quando os Hobbits passam a conhecê-la, eles observam Fruta D’Ouro ir e vir. Algumas vezes ela está ali, algumas vezes ela está fora, e Tom somente explica que ela está fazendo suas coisas. Ela é, portanto, um pouco misteriosa, e mantém os Hobbits interessados por não estar sempre lá. Sempre que Fruta D’Ouro entra numa sala, ela deixa todos sem fôlego. Os Hobbits observam ela se mover graciosamente pela sala sem pronunciar uma palavra.

Quando o jantar termina, Tom e Fruta D’Ouro dão aos Hobbits banquinhos para os pés junto à lareira, e Fruta D’Ouro segura uma vela em suas mãos após apagar a maioria das luzes. Ela senta junto à lareira e canta muitas canções para suas visitas. Então, ela é calorosa e amigável, muito franca, mas uma fonte radiante de inspiração poética. Tom, é claro, adora Fruta D’Ouro, e ele constantemente traz presentes para ela, e a acorda cantando debaixo de sua janela. Ele pode ser seu próprio homem, mas ele deixa claro que ele também é o homem de Fruta D’Ouro. E Fruta D’Ouro circula pela casa e coração de Tom como uma primavera refrescando jorrando de um lado da montanha.

Na simbologia dos sonhos, a água é um símbolo de sexualidade quando está relacionada a uma linda mulher. Tolkien cuidadosamente associa Fruta D’Ouro com a água, através de nomeá-la Filha do Rio, os presentes de nenúfares de Tom, assim como seus movimentos fluidos, sua dança encantadora na chuva e sua fala e idioma. Fruta D’Ouro é muito sensual, mas ela é reservada e distante. Isto é, ela se preserva para Tom, e não se abre completamente (sexualmente) para seus hóspedes. O leitor pode tentar imaginar como Tom pode ficar tanto tempo conversando com seus convidados enquanto Fruta D’Ouro está esperando, mas o fato de que Fruta D’Ouro está esperando, e de que Tom volta para ela à noite, mostra que eles não estão tendo nenhum problema com sua intimidade.

E por fim, Fruta D’Ouro toma conta das refeições. Ela seleciona o menu e anuncia quando a comida está pronta. Ela também tenta satisfazer a curiosidade de Frodo sobre Tom, e acalmar os medos dos Hobbits. “Vamos trancar a noite lá fora, pois talvez ainda estejam com medo da neblina, das sombras das árvores, das águas profundas e das coisas hostis. Nada temam! Pois esta noite estão sob o teto de Tom Bombadil.”

Fruta D’Ouro serve como mediadora entre Tom e os Hobbits, assim como uma mãe serve como mediadora entre um pai e seus filhos. Ela abre a casa de Tom para seus hóspedes e se despede deles. Ela mantém a casa em ordem e estabelece o ritmo no qual a vida caseira segue. As coisas acontecem quando Fruta D’Ouro decide que elas devem acontecer, e ela e Tom têm uma vida satisfatória e realizada juntos. Pois cada um procura satisfazer o outro, e não pensam em seus próprios desejos. Cada um está contente.

Mas agora contraste o relacionamento de Bombadil e Fruta D’Ouro com aquele entre os Ents e as Entesposas. Os Ents e as Entesposas se distanciaram talvez porque os Ents eram muito distantes e desinteressados nas prioridades das Entesposas. Enquanto Bombadil e Fruta D’Ouro dividem uma casa, igualmente atendendo às necessidades de seus hóspedes, dividindo o trabalho e as responsabilidades cuidadosamente, as Entesposas, por fim, viviam separadas dos Ents.

Barbárvore conta a Merry e Pippin, de um modo um tanto quanto melancólico, como ele costumava vagar através de centenas de milhas de florestas sem pista, de Beleriand ao Anduin. Ele passou estações inteiras em diferentes partes das terras nórdicas. As Entesposas, por sua vez, queriam vidas estabelecidas e ordenadas. E essa organização incluía dominar outras coisas:

“- É uma história muito triste e estranha – continuou ele depois de uma pausa. – Quando o mundo era jovem, e as florestas eram vastas e selvagens, os ents e as entesposas – e havia entezelas naquela época: ah! como era adorável Fimbrethil, Pé-de-Fada, a dos passos leves, nos dias de minha juventude! – , eles andavam juntos e moravam juntos, mas nossos corações não continuaram crescendo do mesmo modo: os ents devotavam seu amor a coisas que encontravam no mundo, e as entesposas devotavam o seu a outras coisas; pois os ents amavam as grandes árvores e as florestas, e as encostas de colinas altas, e bebiam das nascentes das montanhas, e só comiam frutas que as árvores deixavam cair em seu caminho; e aprenderam com os elfos e conversavam com as árvores. Mas as entesposas se dedicaram a árvores menores, e a campinas ao sol além dos pés das florestas; viram o abrunheiro nas moitas e a macieira selvagem e a cerejeira florescendo na primavera; e as ervas verdes nas terras banhadas pela água e a grama descente nos campos durante o outono. Não desejavam conversar com esses seres, mas eles desejavam ouvi-las e obedecer ao que lhes diziam. As entesposas ordenaram que crescessem conforme seus desejos, e que produzissem folhas e frutos como queriam; pois as entesposas desejavam a ordem, e paz (que para elas queria dizer que as coisas deviam permanecer como elas as tinham colocado). Então as entesposas fizeram jardins nos quais pudessem morar. Mas nós, ents, continuamos vagando, e só íamos aos jardins de vez em quando. Então, quando a Escuridão chegou ao Norte, as entesposas atravessaram o Grande Rio, e fizeram novos jardins, e araram novos campos, e nós as víamos com menos freqüência. Depois que a Escuridão foi derrotada, a terra das entesposas floresceu ricamente, e seus campos ficaram cheios de trigo. Muitos homens aprenderam os ofícios das entesposas e prestavam grandes honras a elas; mas nós ficamos sendo para eles apenas uma lenda, um segredo no coração da floresta. Mas ainda estamos aqui, enquanto que os jardins das entesposas estão abandonados: os homens os chamam agora de Terras Castanhas.”

Enquanto os Ents se viam apenas como gentis pastores de árvores, as Entesposas acreditavam que elas podiam melhorar as coisas ao redor das quais viviam. Aquelas árvores favorecidas pelas Entesposas – macieiras, laranjeiras – foram domesticadas, crescendo em pomares. As Entesposas praticavam agricultura enquanto os Ents praticavam uma silvicultura semi-nômade. Assim como a clássica história de conflito entre os nômades das estepes e as civilizações sedentárias da Europa ou China, os Ents e as Entesposas dedicavam-se a diferentes prioridades. As Entesposas, de fato, sucumbiram aos mesmos desejos dos Elfos: “desejavam a ordem, e paz (que para elas queria dizer que as coisas deviam permanecer como elas as tinham colocado)”.

As Entesposas se tornaram muito dominadoras, muito decididas. Os Ents tinham que visitar as Entesposas. As Entesposas deixaram de pensar nas florestas antigas de onde vieram. Os Ents, em troca, afastaram-se das terras abertas que as Entesposas procuravam. O resultado final provou ser desastroso para a raça. Os Ents não podiam ser encontrados quando os exércitos de Sauron invadiram a terra das Entesposas. Do destino delas, Tolkien pode apenas tristemente especular que “as Entesposas desapareceram por bem, sendo destruídas junto de seus jardins na Guerra da Última Aliança (Segunda Era 3429-3441), quando Sauron exercia uma política de queimadas e queimou suas terras, contra o avanço dos Aliados pelo Anduin…”

Diferentemente de Fruta D’Ouro, as Entesposas se recusavam a ser submissas a seus parceiros. Diferentemente de Tom Bombadil, os Ents se recusavam a ser dominantes. Cada gênero se acostumou tanto a viver se o outro que passaram-se muitos anos após a destruição das terras das Entesposas até os Ents descobrirem sua perda. Era tarde demais para salvar a raça deles.

E enquanto alguns podem inferir, a partir da perda das Entesposas, que Tolkien defendia um papel doméstico para as esposa, era, de fato, a necessidade da domesticação que levou as Entesposas à ruína. Elas queriam que tudo fosse fixo e permanente, de tal forma que os Ents não podiam suportar viver com elas. Fruta D’Ouro, pelo menos, suporta o constante vagar de Bombadil através das paisagens, desde que ele volte para casa à noite.

Ambos, Bombadil e os Ents, exerciam grande poder. Os Ents podiam destruir vastas fortalezas, mudar o curso dos rios, e alterar a paisagem ao liderar seus rebanhos de árvores para novos “pastos”. O poder de Bombadil não é tão claramente revelado ao leitor, mas ele trabalha mais sutilmente. Apesar dos Ents comandarem as árvores e os Huorns, Bombadil opõe-se dominando vontades (tal como a do Velho Salgueiro Homem), apenas suficientemente para assegurar de que tudo continua a salvo e em harmonia.

Ambos, Bombadil e os Ents, acumularam conhecimento, mas enquanto Tolkien descreve Bombadil em termos de “Botânica e Zoologia (como ciências) e Poesia, como opostas à Pecuária e Agricultura e Praticidade”, os Ents (e Entesposas) quase possuem os mesmos atributos contrastantes: os Ents como pastores, as Entesposas como agricultoras, e enquanto Bombadil cria novas poesias, os Ents se contentam em apenas preservá-la.

Se as diferenças entre os relacionamentos pudessem ser resumidas em uma palavra, esta palavra seria arriscar, isto é, ambos Bombadil e Fruta D’Ouro arriscam algo ao permitir ao outro certas liberdades. Os Ents e as Entesposas, por outro lado, eram relutantes ou incapazes de chegar a um meio termo quanto aos seus desejos e necessidades, e, por fim, eles se divorciaram. Tal rejeição não seria natural no ponto de vista católico de Tolkien. Abandonar o casamento seria algo vergonhoso ou até mesmo pecaminoso. Mais importante ainda, tal ato remove toda a esperança de alimentar o relacionamento e os filhos da casa. Não há equilíbrio, harmonia, e o resultado de tal divisão é desastroso para todos os envolvidos.

Bombadil e Fruta D’Ouro vivem bem ao lado da Floresta Velha, mas não dentro dela. Eles são livres para passar por baixo das árvores, mas eles também podem perambular pelas colinas descampadas. Os Ents aprisionaram a si próprios dentro dos limites de seus bosques, enquanto as Entesposas recusavam deixar seu conforto (e falsa segurança) de suas terras altas. Bombadil e Fruta D’Ouro experimentam o melhor de ambos os mundos, enquanto os Ents e as Entesposas polarizaram seus mundos.

Quando Gandalf deixa os Hobbits, virando-se para visitar Bombadil, ele fala, “Ele é um coletor de musgo, e eu tenho sido uma pedra fadada a rolar”. Os dias de “rolar” de Bombadil acabaram-se. Ele fez o que os Ents não puderam: se fixou. Fruta D’Ouro, de sua parte, fez o que as Entesposas não puderam: aceitar um lugar no mundo de seu marido.

Enquanto eu não aconselharia ninguém a modelar suas vidas em Tom e Fruta D’Ouro, seu casamento, sem dúvida, representa tudo o que há de melhor nos relacionamentos, na visão de Tolkien. De fato, Bombadil representa a mitologia de Tolkien: ele é antigo, com uma bela história que encanta os outros, mas ele adquiriu certa maturidade em sua tenra idade, que é estável e permitiu que ele prosperasse. No fim das contas, Bombadil sobreviverá aos Ents, porque apesar de seus modos nômades, ele permanece flexível bastante para realizar quaisquer mudanças que forem necessárias em sua vida. Ele é vibrante e possui um coração jovem. Ele não possui arrependimentos, e nunca olha para trás. Bombadil e Fruta D’Ouro estão fazendo novas memórias.

Tudo o que resta para os Ents, enquanto um por um cai num sono profundo e permanente, é a memória de suas vidas que uma vez foi compartilhada com as Entesposas.

[Tradução de Helena 'Aredhel' Felts]

Quem ou o Que é Tom Bombadil?

Tolkien inseriu Tom em O Senhor dos Anéis em um estágio bem inicial, quando ele continuava a pensar nele como uma sequência para O Hobbit, em vez de para O Silmarillion [a forma alterou-se durante os primeiros capítulos de O Senhor dos Anéis]. Tom encaixa-se na forma original [levemente infantil] dos primeiros capítulos [que lembra aqueles de O Hobbit], mas com a progressão da história ele aumentou de tom e tornou-se de natureza mais pesada. Tolkien mais tarde comentou que deixou Tom no livro porque ele decidiu que de qualquer forma Tom providenciaria um ingrediente necessário [veja o último parágrafo deste texto]. Algumas razões muito convincentes são dadas em algumas cartas maravilhosas [Letters, 144 & 15].
Esta questão tem sido amplamente debatida, algumas vezes veementemente demais. Parte da dificuldade é a complexidade da história literária de Tom. Tom era originalmente um boneco [com casaco azul e botas amarelas] possuído por Michael, filho de Tolkien. O boneco inspirou um fragmento de história, como os que ele frequentemente inventava para o divertimento de seus filhos. O fragmento foi por sua vez base para o poema “As Aventuras de Tom Bombadil”, publicado em 1933, que também introduziu Fruda d’Ouro, os espectros tumulares, o Velho Salgueiro [o poema foi a fonte dos eventos dos capítulos 6 a 8 de O Senhor dos Anéis]. Em uma carta da mesma época [1937] Tolkien explicou que Tom tinha a intenção de representar “o espírito do campo [que está desaparecendo] de Oxford e Berkshire”

Sobre a natureza de Tom, existem várias escolas de pensamento:

 

  • Ele era um Maia [a noção mais comum]. A explicação aqui é simples: dado o grupo de personagens conhecidos da Terra-média, seria o papel mais conveniente para colocá-lo [e Fruta d'Ouro também]. Grande parte dos outros indivíduos de O Senhor dos Anéis com origens “misteriosas”, como Gandalf, Sauron, os Magos, os Balrogs são de fato Maiar.

 

  • Ele é Ilúvatar. O único apoio para esta noção esté em terrenos teológicos: alguns interpretaram a frase de Fruta d’Ouro para Frodo [Frodo: "Quem é Tom Bombadil?" Fruta d'Ouro: "Ele é".] com uma forma do Cristão “Eu sou o que eu sou”, que realmente poderia sugerir o Criador. Tolkien rejeitou esta afirmação de maneira bastante firme.

 

  • T.A. Shippey [em The Road to Middle-earth] e outros sugeriram que Tom é um tipo único. Esta noção recebeu apoio indireto do próprio Tolkien:  “Como uma história, eu acho bom que haja uma porção de coisas não explicadas [especialmente se uma explicação de fato existe]; …  E mesmo na Era mítica deve haver alguns enigmas, como sempre existem. Tom Bombadil é um deles [intencional]“.  Existem referências esparsas a outras entidades que não parecem se encaixar nos padrões usuais.
Seja lá qual for a correta, a função de Tom dentro da história era, evidentemente, demonstrar uma atitude particular em relação ao controle e poder. “A história é colocada em termos de um lado bom e um lado mau, beleza contra feiúra rude, tirania contra realeza, liberdade moderada contra compulsão que há muito perdeu qualquer objetivo a não ser o simples poder, e assim por diante; mas ambos os lados, em algum grau, conservativo ou destrutivo, deseja uma medida de controle. Mas se você possui, ou toma para si “um voto de pobreza”, renuncia ao controle, e tem prazer nas coisas por eleas mesmas sem referência para si mesmo, assistindo, observando e aumentando seu conhecimento, então a questão sobre os acertos e erros do poder e controle podem se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder absolutamente sem valor.”- [Letters].
Tom representa “Botânica e Zoologia [como ciências] e Poesia como oposição à Criação de Gado e Agricultura e comodidade.” [Letters].

[tradução de Fábio 'Deriel' Bettega]

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Quem é Tom Bombadil?

tom-bombadil-goldberry-by-anneth-lagamoNa família de Tolkien Tom Bombadil era originalmente um boneco holandês pertencente a um dos filhos de Tolkien [Carpenter, Tolkien; Grotta-Rurska, Tolkien]. Tolkien mais tarde escreveu um poema sobre ele chamado “As Aventuras de Tom Bombadil”, publicado no Oxford Magazine em 1934, muito antes de começar a escrever O Senhor dos Anéis. Quando Tolkien decidiu inserir Tom na trilogia, pouco precisou ser alterado sobre ele ou seu poema exceto pela pena em seu chapéu – mudada de pavão para cisne, uma vez que não existem pavões na Terra-média [Tolkien, Letters, pp. 318-19].

Muito leitores de O Senhor dos Anéis consideram a presença de Tom no primeiro livro uma intrusão desnecessária na narrativa, que poderia ser omitida sem perda. Tolkien estava ciente de seus sentimentos, e em parte seus julgamentos era corretos. Como Tolkien escreveu em uma carta de 1954, “… muitos o acharam um ingrediente estranho e verdadeiramente discordante. De fato historicamente eu o coloquei porque já o havia inventado… e queria uma “aventura” no caminho. Mas eu o mantive, e como ele eram porque ele representa certas coisas que de outro modo ficariam de fora”. Julgando por estas observações, os leitores críticos estão corretossobre a arbitrariedade da introdução de Tom na história; contudo, como Tolkien continua, ele deliberadamente [não-arbitrariamente] manteve Tom para preencher uma função específica, para proporcionar uma dimensão adicional.
Em uma carta escrita para os revisores originais da trilogia em 1954, Tolkien revela pouco sobre qual seria o papel ou função literária de Tom. No início da carta ele escreve que “mesmo em uma Era mitológia devem existir alguns enigmas, como sempre existem. Tom Bombadil é um [intencionalmente]” [Ibid., p. 174]. Mais tarde ele acrescentou que “Tom não é uma pessoa importante – para a narrativa. Eu suponho que ele tem alguma importância como um “comentário””. Então ele segue explicando que cada lado na Guerra do Anel está lutando por poder e controle. Tom, em contraste, embora muito poderoso, renunciou ao poder em um tipo de “voto de pobreza”, “uma visão natural pacifista”. Neste sentido, Tolkien diz, a presença de Tom revela que existem pessoas e coisas no mundo para as quais a guerra é bastante irrelevante ou ao menos desimportante, e não podem ser facilmente incomodados ou perturbados com ela [Ibid., pp. 178-79].

Ainda que Tom devesse cair se o Senhor do Escuro vencesse ["Nada seria deixado para ele no mundo de Sauro", Ibid.], ele poderia provavelmente ser “o Último como ele fora o Primeiro” [SdA, 1].

Na tentativa de desvendar o que Tolkien tinha em mente é muito importante, acredito, distinguir entre um enigma e uma anomalia, pois o interesse de Tolkien envolve a primeira enquanto a insatisfação dos leitores trata Tom mais em termos da segunda. Uma anmolia é alguma coisa discordante, sem relação, fora de lugar. Neste sentido pode-se dizer que Tom poderia ser deixado de fora. Um enigma, por outro lado, é um mistério, um quebra-cabeça, alguma coisa que parece ser discordante,sem relação, fora de lugar, mas não é. Esta distinção torna-se essencial na discussão de Tom Bombadil quando considera-se as três ocasiões da história na qual a questão da identidade de Tom ou sua natureza são trazidas à tona, duas vezes por Frodo na casa de Tom e mais tarde no Conselho de Elrond. Se não existe resposta para a questão, então Tom é anômalo. Se existe ele é, como Tolkien afirma, enigmático.

Quanto leva-se em consideração a maneira pela qual Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis, especialmente o cuidado que ele deu em ordenar as conexões históricas entre povos, coisas e eventos, eu pessoalmente acho inconcebível que não exista resposta na estrutura da história pra a questão de Frod: “Quem é Tom Bombadil?”. Ainda que Tolkien não queira responder a seus leitores diretamente, parece-me certo que ele sabia muito bem. Tolkien era bastante protetor do que escreveu, incluindo seus erros. Quando ele encontrava alguma coisa má escrita em seus manuscrito, ele tendia mais a ponderar, em termos da Terra-média, como seus personagens vieram a fazer tal erro, ou que significação especial este poderia ter, do que simplesmente corrigi-lo. Dessa forma, uma palavra estrangeira má pronunciada tenderia mais a permanecer como um exemplo de dialeto regional do que ser alterada. Problemas com os nomes e as identidades dos personagens foram resolvidos de maneira similar. Existe, por exemplo, dois Glorfindel em sua história da Terra-média, um que morreu lutando contra um Balrog na Primeira Era, e outro de Valfenda que cedeu seu cavalo a Frodo na corrida para Imladris. Esta situação era, se não um problema, bastante incomum, e exigiu especial atenção de Tolkien, uma vez que em geral os nomes de Elfos eram únicos a um indivíduo em particular. De preferência, ao invés de simplesmente renomear um dos Elfos, Tolkien concluiu que eles eram a mesma pessoa e que ele tropeçara em um raro caso de reencarnação entre os Elfos. Ele então devotou algum tempo em uma examinação das implicações teológicas deste caso especial [Becker, Tolkien Scrapbook, pp. 92-93].

Dada esta visão geral da composição da trilogia, eu sugiro [1] que seria impossível para Tolkien trazer o assunto sobre a identidade e natureza de Tom por três vezes e não ter continuado a pensar sobre isso até que tivesse uma resposta, e [2] que, embora ele não quisesse contar aos leitores a resposta correta, sentindo que enigma são importantes, ele sem dúvida deixou algumas pistas para aqueles que desejassem persistir no assunto, assim como ele fez. O resto deste ensaio é uma examinação destas pistas. Embora a evidência seja circunstancial, ela é, acredito, convincente.

Começando tão do princípio quanto o livro de Issac e Zimbardo, Tolkien and His Critics, puclidado em 1968, Tom Bombadil é quase universalmente considerado como um espírito da natureza. Naquele volume, Edmund Fuller declara que ele é “inclassificável exceto como algum tipo de espírito natural primário” [p. 23]. De acordo com Patricia Meyer Spacks, Tom possui poderes naturais para o bem e ele “está na mais íntima comunhão com as forças naturais; ele tem o poder da “terra como ela mesma”” [p. 131] e argumenta que “quando Tom Bombadil fala, é como se a natureza por si mesma – não-racional, interessada na vida e coisas que crescem – falasse [p. 139]. Esta visão de Tom, como um espírito da natureza não-racional, como personificação da natureza, tem sido a visão dominante desde então. Ruth S. Noel no The Mythology of Middle-earth, publicado em 1977, na talvez mais longa e elaborada discussão sobre ele, começa com a advertência que “Tom Bombadil é um personagem como Puck ou Pan, um deus da natureza em forma diminuída, metade humorístico, metade divino” [p. 127] e ela conclui com a observação de que Bombadil e Fruta d’Ouro são personificações indistingüíveis da terra intocada por humanos, baseados por um poder oculto mais potente, representando tanto o perigo da terra selvagem como seu potencial em servir o homem” [p. 130]. Anne C. Petty em One Ring to Bind Them, publicado em 1979, resume todas as afirmações acima com a declaração de que Tom é “a divindade da natureza por excelência” [p. 38].

Tão exato quanto eu posso determinar, a base textual para a idéia de que Tom é um espírito da natureza é a discussão sobre ele no Conselho de Elrond, especificamente as seguintes afirmações: “o Poder de desafiar nosso Inimigo não está nele, a não ser que este poder estivesse na própria terra” e “…agora ele é restrito a uma pequena terra, com limites que ele próprio impôs, embora ninguém possa vê-los, esperando por uma mudanças nos dias, e ele não irá ultrapassá-las”. Eu suspeito que muitas pessoas concluíram da segunda passagem que Tom, como um espírito da natureza, tornou-se gradualmente confinado com a diminuição da Velha Floresta. A passagem, contudo, não diz isso. Seus limites não são impostos a ele pelos limites da floresta; ao contrário, ele os impôs a si mesmo. Além disso, o trecho não fala que ele não pode cruzar tais fronteiras, mas apenas que ele não o fará. A afirmação de que ele não pode não é nem mesmo realmente correta: Tom frequentemente visitava o Fazendeiro Maggot no Condado e presumivelmente tinha previamente feito outras visitas a outros “antigamente em dias dificilmente lembrados” ["Bombadil Goe Boating" e SdA, 1]. Em relação à primeiro trecho, ele não diz que Tom é ou tem o poder da terra. É ambíguo. O enunciado “Tim não possui habilidade para dirigir tão longe, a menos que a habilidade esteja em seu carro”, não implica que Tim é um carro. Da mesma forma, o fato de que Tom não tem o poder para desafiar Sauron não precisa ser porque tal poder não está na terra. Explicarei melhor no devido tempo.

É possível que a teoria do espírito da natureza tenha se mantido por tanto tempo porque ninguém pensou em uma alternativa. Considere o tratamento de Jarred Lobdell sobre Tom Bombadil no England and Always, publicado em 1981. Declarando Tom como sendo “a menos bem sucedida criação” na trilogia, ele continua:
“Sem único, ele poderia ser um espírito da natureza… mas ele não é único… ele não é o gênio da terra, uma vez que é restrito a uma parte dela… ele é aparentemente um homem, uma vez que claramente não é um Elfo ou Anão ou Ent ou Hobbit ou um das raças caídas, mas ele não é um dos Homens do Oeste. Suponho que poder-se-ia salvar as aparências fazendo dele um anjo, ou de uma ordem diferente da dos Istari, ou fazendo dele um deus, mas em ambos os casos ele estaria em conflito com a mitologia de Tolkien. [pp 62-63]”

Lokdell eventualmente conclui que Tom é uma anomalia “Ainda que eu encontre nele uma criação anômala, eu posso mudar a visão para vê-lo teologicamente – mas apenas com o desagradável sentimento de que mudando a visão é tudo que estou fazendo” [p. 63].

Enquanto possa concordar que Tom não seja um espírito da natureza, um Homem, um Elfo, um Anão ou um Hobbit, eu não vejo razão pela qual Lobdell deveria rejeitar a possibilidade dele ser um anjo ou deus – nos termos da mitologia de Tolkien, um Maia ou Vala. Nós sabemos a partir do Silmarilion que Oromë caçava na Terra-média, Ulmo tinha relacionamento com os Elfos ali, Olorin caminhava despercebido entre os Elfos antes de ser Gandalf e Melian passou um grande tempo em Beleriand com Thingol. Existe então amplas evidência para ocasionais visitas de tais seres, mesmop as razões mais frívolas e pessoais.

Além disso, Tolkien extrai algumas conexões literárias em relação a Tom que ajudam a apoiar seu status divino. Primeiro, como Noel percebeu [Mythology, p. 128], Tolkien faz referência em “Bombadil Goes Boating” a uma história do Antigo Edda sobre Odin, um dos mais importantes deuses nórdicos, através disso relacionando Tom a ele. Segundo, em “In the House of Tom Bombadil” Fruta d’Ouro responde a questão “Quem é Tom Bombadil?” com a simples afirmação “Ele é” [Sda, 1]. Em termos de fantasia medieval isto poderia significar que a existência é um predicado de Tom Bombadil e que ele é então Deus. Embora Tolkien tenha refutado esta afirmação em uma carta, escrita em 1954 [Letters, pp. 191-92], dizendo que Fruta d’Ouro, como Tom mais tarde, estava apenas provando seu ponto de vista sobre a natureza de nomear, eu continuo perseguido pela afirmação. Assim como a referência a Odin não implica que necessariamente devemos concluir que Tom é Odin, a alusão à terminologia da filosofia medieval em descrevê-lo não precisa ser interpretada como uma crise da teologia cristã. Enquanto que a refutação de Tolkien elimina as chances de Tom ser Iluvatar, eu não vejo que ela elimina a possibilidade de que ele seja originário dos pensamentos de Iluvatar, um Vala ou um Maia, pois eu não vejo nenhum problema teológico na existência ser um predicado de uma parte de Deus.

E finalmente, existe Tom cantando. A incapacidade de Tom separar a música de suas outras atividades, falando, andando, trabalhando, sugere que ela é bastante fundamente para seu ser de uma forma profunda que o distingue de todos os outros seres encontrados na trilogia. Os magos, por exemplo, que eram Maiar, recitam [na moderna acepção da palavra] ao invés de cantar, e nunca inconscientemente. Este contínuo cantar pode ser uma indicação do alto status de Tom. O mundo foi, apesar de tudo, trazido à existência por um grupo de cantores, os Sagrados, alguns dos quais tornaram-se Valar. Segundo, a canção básica de Tom é estruturalmente similar à “Song of the Sea” de Legolas [SdA, 3], sugerindo a possibilidade que a canção de Tom é uma corrupção da um pedaço original de música do Oeste Distante comum a ambos. Terceiro, as músicas de Tom, embora aparentemenre cômicas e sem sentido, possuem poder de controlas elementos individuais e coisas na floresta. Quando foi dito que o Velho Salgueiro era a causa dos problemas dos Hobbits, Tom responde, “isto pode ser rapidamente consertado. Eu conheço a melodia para ele” [Ibid., 1], o que eu acredito que significa algo como, “não se preocupe. Eu tenho os planos para aquela coisa e posso consertá-lo agora mesmo”. Este é o tipo de conhecimento que um Vala, que cantou a Música, poderia ter, e cantando seria o modo natural de aplicá-lo.

Ainda que esta interpretação da cantoria de Tom seja inconsistente com a afirmação geral de que Tom e não-racional, não é inconsistente com a caracterização de Tom feita por Tolkien em duas cartas em 1954, nas quais Tom é associado com o estudo cientificamente puro da natureza. Tolkien escrever:

“… [Tom] é então uma “alegoria”, ou um exemplar, uma incoporporação particular da pura [real] ciência natural: o espírito que deseja conhecimento de outras coisas, suas histórias e naturezas, porque são “outras” e completamente indiferente com “fazer” exterminandocom o conhecimento: Zoologia e Botânica, não Criação de Gado ou Agricultura.” [Letters, p. 192; ver também p. 174]

Como a exemplificação da ciência pura, Tom dificilmente pode ser não-racional. A pureza de Tom, além disso, resulta de seu desejo de se deleitar nas coisas como elas são, sem dominá-las ou controlá-las. O primeiro é o objetivo da ciência pura, os últimos a ess6encia da ciência aplicada. O conhecimento de Tom sobre a natureza permite-lhe controlar a natureza quando necessário, mas porque este controle não é seu objetivo, ele está mais ligado à ciência do que à engenharia.

Se nós tomarmos a afirmação de Tom como completamente literal que ele “estava aqui antes do rio e das árvores… da primeira gota de chuva e da primeira bolota” [Sda, 1], ele estaria dizendo que estava na Terra-média quando os Valar chegaram ou que ele chegou como um dos Valar. Ele afirma que “ele conheceu o escuro sob as estrelas quando este era sem medo – antes do Senhor do Escuro vir de Fora” refere-se ao tempo antes de Morgoth, o Senhor do Escuro original, ter se tornadp um renegado – o tempo quando as estrelas “antigas” ou originais foram feitas. Uma vez que o mundo estava incompleto àquele tempo e nada vivia na terra esceto os Valar, é difícil acreditar que Tom seja qualquer coisa exceto um Vala.

Uma dica interessante de que Tom seja um Vala pode ser retirada da confusão afirmação de que Tom é “o mais antigo” mesmo que Barbárvore supostamente também seja “o mais antigo ser vivo que continua a andar sob o Sol”. No The Road to Middle-earth, publicado em 1982, T. A. Shipley, que considera Tom “único membro de uma categoria”, luta com essa “inconsistência” e conclui que se a afirmação de que barbárvore é a mais antiga coisa viva, se verdadeira, implica que Tom não está vivo, assim como os Nazgul não estão mortos [p. 82]. Ainda ques esta analogia provavelmente não esteja correta, é sugestiva. A palavra viva provavelmente significa minimamente que Fangorn é biótico, ou seja, um elemento pertencente ao sistema de vida da terra, a biosfera. Existe de fato duas classes de seres “vivendo” na Terra-média, que, sendo seres de fora de Eä, não fazem parte desde sistema: os Valar e seus servos, os Maiar. Seus corpos são “véus” ou “vestuários”, apar6encias, nas quais são encarnados por si mesmos [Road Goes Ever On, p. 66]. Como registrado no ensaio “Istari”, no Unfinished Tales, os Maiar que se tornaram os magos da Terra-média – e que tinham a mesma natureza dos Valar – foram convertidos em seres vivos temporariamente pelo consentimento especial de Iluvatar: “Pois com o consentimento de Eru eles… [foram] vestidos com os corpos de Homens, reais e não dissimulados, mas sujeitos aos medos e dores e fraquezas da terra, capazes de sentir fome e sede e serem mortos…”. A necessidade desta conversão sugere que os Valar e Maiar eram de fato não-viventes, mas de uma maneira bastante diferente dos Nazgul. Enquanto os Espectros do Anel era antigos seres viventes mantidos na existência de maneira não-natural através do poder de seus anéis em associação com o Um Anel, os Valar e Maiar eram seres de outro plano de existência [o Vazio] que, como resultado, não combinavam completamente com o mundo da Terra-média. Ao contrário de colocar Tom em uma categoria anômala única, ou associá-lo com os não-vivos, a “inconsistência” de Shipley pode simplesmente ser uma dica que Tom possui um status extraterrestre como um Vala ou Maia.

Alguém poderia, claro, querer objetar que Tom Bombadil ralmente não se parecia ou agia como um Vala ou um Maia, parecendo e agindo mais como um Hobbit super-crescido. Eu sugiro, contudo, o contrário, que não existe um modo particular com o qual os Valar e Maiar deveriam parecer. Particularmente apareciam da maneira que escolhessem, vestindo seus “véus” ou “vestimentas” de maneira similar à que usamos roupas. Em “The Voice of Saruman”, por exemplo, Gimli fala a Gandalf que ele quer ver Saruman para comparar os dois magos. Em uma resposta pensada, Gandalf informa a Gimli que não existe maneira para ele fazer tão comparação ter sentido, uma vez que Saruman pode mudar sua aparência à vontade conforme preencha suas necessidades [Sda, 2]. Ao invés de diminuir a possibilidade de Tom ser um Vala, sua aparência hobbitesca realmente a aumenta, pois sugere que Tom possui a habilidade de “adaptar-se” às suas vizinhanças. Se um Vala desejasse visitar os Hobbits, ele poderia, com certeza, aparecer a eles de uma maneira de alguma forma humorística e familiar, a através disso colocando-os à vontade. Desta forma, pode ser argumentado que a aparência hobbitesca de Tom conta a favor dele ser um Vala ou Maia, não contra.

Robert Foster, no The Complete Guide [p. 496] também parece estar na pista certa quando sugere que “é possível que ele seja um Maia “que tornou-se nativo””. O problema é que não existe um Maia em O Silmarillion que se encaixa nas características gerais de Tom. É apenas quando nos viramos para os Valar que os candidatos potenciais emergem.

Devido à maioria dos Valar serem casados, determinando a possível identidade de Fruta d’Ouro pode ser uma ajuda na determinação da identidade de Tom. Existem três possíveis Valier que poderiam gostar de viver por um tempo na Velha Floresta: Nessa, Vana e Yavanna. Nessa, que ama os cervos e a dança, não se encaixa muito bem, uma vez que nenhuma dessas caracteríticas é especialidade de Fruta d’Ouro. Seu marido, Tulkas, o melhor guerreiro entre os Valar, além disso, é provavelmente muito combativo para ser Tom. Vana, que se importa com flores e pássaros, também não se encaixa muito bem, uma vez que Fruta d’Ouro preocupa-se com uma grande variedade de plantas, e pássaros não têm um destaque especial. Oromë, o marido de Vana, além do mais é um caçador, especialmente de monstros. Se ele fosse Tom, poderiam não existir Espectros nas Colinas dos Túmulos. Com Yavanna, contudo, nós temos a ênfase correta, pois ela é responsável por todas as coisas viventes, com especial preferência pelas plantas. Uma vez que ela é a Rainha da Terra, é fácil imaginá-la sua rega da floresta com cuidado especial, como Fruta d’Ouro fez durante a visita dos Hobbits.

Em O Silmarillion a aparência de Yavanna é caracterizada como se segue:
“Na forma de uma mulher ela é alta, e vestida em verde; mas algumas vezes toma outras formas. Alguns a viram parada como uma árvores sob o céu, coroada com o Sol; e de todos os seus galhos pingava um orvalho dourado sobre a terra árida, e ela crescia verde com o milho; pois as raízes da árvores estavam nas águas de Ulmo, e os ventos de Manwë falavam em duas folhas.”

Quando encontramos Fruta d’Ouro pela primeira vez, ela está vestida de verde: “seu vestido era verde, verde como jovem gramado, pontilhado de prata como gotas de orvalho” [Sda, 1]. Quando Tom oficialmente apresenta Fruta d’Ouro, ele diz “Aqui está minha Fruta d’Ouro toda vestida em verde-prateado…”. Quando ela diz adeus aos Hobbits, ela está novamente vestida de verde e Frodo, em resposta a seus apelos, se refere especificamente a esta cor quando ele começa falando para ela: “Minha bela dema, vestida toda em verde!”. Esta caracterização da vestimenta comum de Fruta d’Ouro suporta a hipótese dela ser Yavanna.

Para ser correto, quando nós encontramos com ela pela primeira vez, seus pés estavam rodeados por água, aparentemente dando suporte à história de ninfa da água. Esta cirscunstância, contudo, não é inconsistente como sua imagem árvore, a qual, como registrada, tinha seus pés ou raízes nas “aguas de Ulmo”.

Enquanto a despedida continua, além disso, uma descrição análoga à da descrição da árvore é dada:
“Ali, no topo, estava ela, acenando para eles: os cabelos esvoaçavam soltos, e, conforme captavam a luz do sol, brilhavam e reluziam. Uma luz como o brilho da água sobre a grama orvalhada vinha de seus pés, enquanto dançava”.

Embora continuasse em forma humana, seus cabelos esvoaçantes parecem “os ventos de Manwe” e a reflexão do sol em seu cabelo sugere que ela estava “coroada com o Sol”. O brilho da água sobre a grama orvalhada” sugere o gotejar do orvalho dourado na terra bem como as “águas de Ulmo”. Quando os Hobbits a vêem pela última vez, ela é muito como uma planta: “viram Fruta d’Ouro, agora pequena e esguia como uma flor ensolarada contra o céu: ainda estava ali olhando-os, com as mãos entendidas na direção deles”. Neste caso, ela é provavelmente mais flor do que árvore porque os Hobbits em geral gostam de flores e têm receio de árvores. A “ensolarada” imagem é notavelmente similar à aparência primária não-humana de Yavanna.

Com
certeza um importante problema com esta hipóteses é a afirmação de que Fruta d’Ouro é Filha do Rio. Se a história for verdadeira, então Fruta d’Ouro não pode ser Yavanna. Contudo, existe muitoa coisa dita em o Senhor dos Anéis que não é literalmente verdade e muitas matérias são deixadas misteriosas e inexplicadas. Por exemplo, é acreditado por muitos que Rohan estava vendendo cavalos a Mordor. Gandalf nunca revela que é um Maia. As águias são são reveladas serem Maiar [embora sejam “Espíritos na forma de falcões e águias” que “podem ver nas profundezas do mar, e penetrar as cavernas ocultas debaixo do mundo”[Silmarillion]. Como calramente visto em “The Hunt for the Ring,” no Unfinished Tales, muitos detalhes são apresentados de forma confusa e desconexa em O Senhor dos Anéis, porque é assim que apareceram para as pessoas que escreveram o livro. Existe, enfim, dois contos dados por Tolkien sobre a origem dos Orcs, sendo que ambos não podem ser verdadeiros. Dessa forma, o fato de que certas pessoas acreditam que Fruta d’Ouro seja a Filha do Rio não tem absolutamente, literalmente, que ser verdade.

Assim como Fruta d’Ouro é bastante similar a Yavanna, Aule o Ferreiro, divide muitas características comuns com Tom e esta identificação ajuda a explicar alguns dos eventos que ocorrem na casa de Tom – especialmente seu controle sobre o Anel sem nenhum medo ou tentação. Aule é o sub-criador de todos as substâncias da terra: minerais, gemas e metais. Durante a criação da Terra-média ele esteve envolvido em praticamente cada aspecto de sua sub-criação. Ele preparou o leito dos oceanos para receberem as águas e preparou a terra para plantas e animais. Como o Sub-Criador ele desenvolveu e ensinou todas as artes, trabalhos manuais e habilidades, De todos os valar, ele tinha o maior interesse nos Filhos de Iluvatar. Tão impaciente estava ele para vê-los que criou os Anões. De acordo com o “Valaquenta” no Silmarillion, embora Aule e Melkor fossem os mais parecidos de todos os valar em pensamento e poder, suas atitudes perante os produtos de seus trabalhos e o trabalho dos outros eram significativamente diferentes. Enquanto Melkor cuidadosamente guardava seus trabalhos para si mesmo e destruía o trabalho dos outros cheio de inveja, Aule deleitava-se em fazer, não possuir, e “ele não invejava o trabalho dos outros, mas observava e dava conselhos”. Foi, de fato, a falta de possessividade de Aule e sua aceitação em submeter seu trabalho à vontade de Iluvatar que salvou os Anões da destruição e fez possível para eles receber o dom do livre arbítrio de Iluvatar.

Quando considera-se as características morais especiais de Aule, as similaridades com Tom são mais impressionantes e reveladoras. Como Aule, Tom não é possessivo. Embora seu poder para dominar e controlar esteja sempre enfatizado – ele é o mestre – ele não interfere com outros seres exceto quando estes interferem com ele. Embora possua o poder de possuir o que desejar, ele não escolhe possuir ou ter a floresta. Como Fruta d’Ouro explica, os animais, as plantas os objetos naturais da floresta são todos permitidos pertecerem a si mesmos. Esta distância da posse ou controle é a razão pela qual Tom é capaz de manusear o anel sem medo. No final das contas, todas as outras criaturas poderosas encontradas na trilogia, a menos que já tivessem caído, temem tocar o anel para que o desejo de possuí-lo não os direcionasse para o mal. Uma vez que Tom não deseja possuir ou controlar nada, o Anel não tem poder sobre ele. Nós simplesmente vemos seu interesse, curiosidade e deleite enquanto ele estuda a arte envolvida em sua confecção. De fato, Tom se aproxima do anel criticamente, quase com desdém. Enquanto todos os outros se referem ao Anel como precioso em uma forma reverente, o uso da palavra por Tom, “motre-me o precioso anel” [SdA, 1], sugere ironia ou dúvida sobre seu valor. Uma vez que a falta de desejo de possuir ou controlar era extremamente rara entre os Valar e seres da Terra-média, nenhum outro Valar é dito exibir este traço moral, parece razoável assumir que Tom e Aule são a mesma pessoa.

É também importante notar o tremendo poder e controle que Tom tem sobre o Anel. Ele é, em primeiro lugar, capaz de suplantar seus efeitos normais. Quando ele o põe em seu dedo, ele não se torna invisível. Quando Frodo o coloca em seu dedo, Tom continua capaz de vê-lo: ele “não é tão cego ainda” [Ibid.]. Segundo, tom é capaz de facilmente utilizar o anel de formas não pretendidas por seu criador, pois ele é capaz de fazer o Anel sumir. [É possível que mesmo Sauron fosse incapaz de fazer isso, pois o anel incroporava uma grande parte do poder próprio de Sauron, drenado dele durante sua confecção]. Tal poder sobre o anel, apresentado quase como um truque de salão, acredito, não pode ser explicado classificando-se Tom Bombadil como um espírito da natureza anômalo. A habilidade de dominar o anel sugere um Vala; a facilidade com que é dominado sugere o fundamentou criador de todas as coisas na Terra-média, Aule o Ferreiro, de quem Sauron e Saruman eram meros servos no início antes do tempo.

Se Tom é Aule, contudo, duas outras questões precisam ser respondidas. Primeira de todasm o que ele e Yavanna faziam na Velha Floresta, pra começar? Até o ponto em que Yavanna é preocupada, ela provavelmente estava apenas visitando as coisas que crescem e tendo férias com seu marido. Aule, por outro lado, estava ali pelo propósito de estudar os Hobbits. Nós não devemos esquecer que de todos os Valar Aule era o mais ansioso para conhecer os Filhos de Iluvatar. Ele é também o único a fazer seres sencientes e racionais por si mesmo. Dado seu interesse por tais criaturas, não é não razoável assumir que, como gandalf, ele achava os Hobbits fascinantes. Como as canções Hobbit sobre Tom Bombadil sugerem, além disso, ele teve bastante contato com os Hobbits na Terra dos Buques e Humanos, sem dúvida permitando ampla oportunidade para o estudo dos Hobbits.

Segundo, se ele é Aule, e ele é tal deus maravilhoso e gentil, porque ele não escolher ser de mais ajuda? Por outro lado, porque não estava nele o poder de lutar contra o inimigo? A resposta a esta questão é mais simples do que pode-se pensar a princípio. Quando Ulmo emerge do mar em “Of Tuor and His Coming to Gondolin” para dar instruções a Tuor, que supostamente vai entregar a mensagem aos Elfos de Gondolin, ele apressa-se com as instruções temendo que ser próprio servo Osse atirasse uma onda na praia e afogasse seu emissário. Como ele coloca no Unfinished Tales: “Vá agora… antes que o mar te devore! Pois Osse obedece à vontade de Mandos e ele é colérico, sendo um servo do Destino”. Ainda que as ações de Ulmo fossem contrárias à vontade dos demais Valar tanto que seu próprio servo não o ajudaria [ e estava realmente preparado para agir contra ele], Ulmo, todavia, iniste que não estava realmente se opondo aos outros Valar, mas meramente fazendo sua “parte”:
“…embora nestes dias de escuridão eu pareça me opor à vontade de meus irmão, o Senhores do Oeste, esta é minha parte entre eles, que foi fixada antes da criação do mundo”

A frase chave é “que foi fixada antes da criação do mundo”. Primeiro, isto deixa claro que Ulmo não estava agindo em desafio de maneira alguma, meramente seguindo ordens, assim como seu servo estaria apenas eguindo ordens se lançasse uma onda e matasse Tuor. Segundo, se refere ao tempo da canção que criou o mundo. É esta canção, suponho, que continha as instruções conflitantes que tanto Ulmo quanto Osse estavam seguindo, deiferentes partes, elementos ou temas do todo. Se eu estou correto, o poder de Ulmo em auxiliar os Elfos é tanto limitado quanto determinado pela Música dos Ainur, uma vez que esta estabelesceu a existência da terra e determinou seus eventos principais. Enquanto Ulmo poderia ter tido livre arbítrio enquanto cantava a sua parte na canção naqueles tempos longíquos, ele estava agora atado pela canção e não podia ir além ou alterar sua parte. Se Tom é Aule, então ele também estão atado pelo que ele cantou e embora simpático e interessado, ele apenas pode ajudar os Hobbits e os Povos Livres do Oeste de poucas formas.

Esta consideração de Tom como Aule não é de fato inconsistente com a observação de Tolkien de que Tom renunciou ao poder em uma espécie de “voto de pobreza” e que ele exemplifica como “uma visão antural pacifista”. Ao tempo da canção da Grande Música, é verdade que Aule, junto à maioria dos outros Sagrados, eventualmente parou de cantar, deixando Melkor cantando sozinho. Contudo, eles não pararam porque a canção atordoante e diferente de Melkor os venceu, mas sim porque eles não desejavam competir com ele e consideraram a música corrompida por seu comportamento. Isto não é derrota, uma vez que obviamente cantando juntos os outros poderiam ter superado Melkor. Particularmente é uma rejeição do conflito por ele mesmo – portanto, uma visão pacifista. É de fato o Terceiro Tema cantado por Iluvatar, representado a parte dos Filhos de Iluvatar, que superou a interrupção de Melkor. COm relação ao “voto de pobreza”, Aule de fato já tinha tal voto – como exemplificado pela sua atitude perante seu trabalho e o trabalho dos outros – sua falta de orgulho excessivo, inveja e possessividade.

Em contraste, se Tom é um espírito da natureza, então nenhum voto de pobreza foi tomado, e não existe visão pacifista natural. De acordo com a tese do espírito da natureza, como Veryln Flieger cooloca em Splintered Light, publicado em 1983: “Tom Bombadil, no qual o Anel não tinha efeito, é uma força natural,um tipo de espírito da terra, e então o poder sobre a vontade, que o Anel exercia, simplesmente não tinha significado sobre ele” [p. 128, note]. Como uma força natural, Tom teria o mesmo status que uma pedra caindo ou o vento ou a chuva – ele seria uma atividade cega sem direção ou sentido. Como tal ele não seria um agente noral, e não poderia tomar decisões morais. A dimensão moral seria então completamente ausente. Rom é imune à influência do anel não por causa de sua personalidade com alto moral, mas porque ele não seria capaz de ter nenhuma personalidade moral.

Se Tom é Aule, contudo, existe uma dimensão moral, realmente, uma elevada, pois a aparição de Tom na história, embora apenas um “comentário”, serve como um afiado e claro contraste aos dois Maiar malignos, Sauron e Saruman, ambos uma vez seus servos antes de se voltarem para o mal e a escuridão. Ao contrário de seu antigo mestre, estes dois seguiram o caminho de Melko: inveja, ciúmes, orgulho excessivo e o desejo de possuir e controlar. Como Tolkien explicou para seu revisor, o papel de Tom era mostra que existiam coisas além e não relatadas à dominação e ao controle. Na superfície, esta visão de Tom parece torná-lo afastado de todas as outras coisas e eventos na Terra-média, mas especialmente estava localizada no núcleo da moralidade como esta existia na Terra-média, como a exemplificação final da própria moral ante o poder, orgulho e posse. De fato, em termos dos traços morais que mais fascinaram Tolkien tanto como autor como acadêmico, Tom Bombadil seria o ideal de moral de Tolkien.