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History of Middle-earth XI – The War of the Jewels

"The War of the Jewels" ou "A Guerra das Jóias" se refere, é claro, à terrível contenda entre os Noldor e seus aliados élficos e humanos contra Morgoth, o Inimigo do Mundo, pela posse das Silmarils. O livro continua o esquema iniciado em "Morgoths Ring" ao mostrar como as lendas dos Dias Antigos foram sendo reelaboradas por Tolkien depois que ele terminou "O Senhor dos Anéis".

 

O foco do livro é o período que segue a chegada dos Noldor à Terra-média até o fim da Primeira Era. O Quenta Silmarillion continua, acompanhada pelos chamados Anais Cinzentos. Não há grandes novidades para quem já conhece "O Silmarillion", com a notável exceção de um belo texto que descreve a relação entre o sindarin e o quenya e como os Noldor se adaptaram, na marra, ao novo idioma (no caso, o élfico-cinzento).

Os grandes atrativos e surpresas do livro vêm depois. O primeiro deles é "The Wanderings of Húrin" (As Andanças de Húrin), que relata parte do que aconteceu ao maior guerreiro humano da Primeira Era depois de ser libertado de Angband. Acredite se quiser, Christopher Tolkien acochambrou em "O Silmarillion": a idéia de Tolkien era que Húrin entrasse em Brethil para vingar a morte de seu filho Túrin, causando uma guerra civil entre os Haladin. Infelizmente, como essa versão estava inacabada, Christopher precisou criar seu próprio final para Húrin.

Fechando com chave de ouro o livro, temos "Quendi and Eldar", um monumental texto filológico que também traz novas revelações sobre a história élfica.

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Dos Anões e Homens

Importante texto da série HoME que trata dos Anões, seus clãs, suas alianças com os Homens e também relata sobre os Homens do Norte.
[Christopher Tolkien:Este longo ensaio não possui título, mas em uma página de rosto meu pai escreveu:

“Uma história e comentário extenso sobre a inter-relação das linguagens em O Silmarillion e em O Senhor dos Anéis, originadas de considerações sobre o Livro de Mazarbul, mas tentando clarificar e onde necessário corrigir ou explicar as referências a tais assuntos espalhadaos por O Senhor dos Anéis, especialmente no Apêndice F e na Fala de Faramir no SdA II”

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Glorfindel

Glorfindel

No verão de 1938, quando meu pai estava refletindo sobre O Conselho de Elrond no O Senhor dos Anéis, ele escreveu: ‘Glorfindel fala de sua origem em Gondolin’ [VI.214]. Mais de trinta anos depois ele levantou a questão se Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda eram realmente um e o mesmo, e esta foi discutida em duas discussões, junto com outros escritos breves ou fragmentários associados com eles. Eu irei me referir a estes como ‘Glorfindel I’ e ‘Glorfindel II’. A primeira página de Glorfindel I está faltando, e a segunda página começa com as palavras ‘como guardas ou assistentes’. Então se segue:
Um Elfo que conhecesse a Terra-média e tivesse lutado nas longas guerras contra Melkor seria uma companhia realmente adequada para Gandalf. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel [possivelmente como um de um pequeno grupo, mais provavelmente como uma companhia única] desembarcou com Gandalf-Olórin por volta de 1000 da Terceira Era. Esta suposição pode realmente explicar o ar de poder especial e santidade que cercava Glorfindel – percebava como o Rei-Bruxo fugiu dele, enquanto todos os outros [como o Rei Eárnur] embora corajosos não conseguiam fazer seus cavalos encará-lo [Apêndice A [I, iv]]. De acordo com os registros [completamente independente deste caso] sobre a natureza Élfica dados em outro local, e suas relações com os Valar, quando Glorfindel foi morto seu espírito foi para Mandos e foi julgado, e então permaneceu nos Salões de Espera até que Manwë lhe concedesse liberdade. Os Elfos eram por natureza destinados a serem ‘imortais’, até os limites desconhecidos da vida na Terra como um mundo habitável, e seus desligamentos corporais eram mortificantes. Era o dever dos Vala, então, restaurá-los, se eles fossem mortos, para a vida encarnada, se eles assim o desejassem – a não ser por alguma razão grave [e rara]: como os feitos de grande mal, ou quaisquer feitos de malícia dos quais permanecessem obstinadamente sem arrependimento. Quando eles eram re-incorporados eles podiam permaneceer em Valinor ou retornar para a Terra-média se seu lar tivesse sido lá. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel, após a purificação ou perdão de sua parte na rebelião dos Noldor, foi liberto de Mandos e tornou-se ele mesmo novamente, mas permaneceu no Reino Abençoado – pois Gondolin foi destruída e todos ou a maioria de seus parentes tinham perecido. Nós podemos dessa forma compreender porqeu ele parecia uma figura tão poderosa e quase ‘angelical’. Pois ele tinha retornado à primitiva inocência dos Primogênitos, e tinha então vivido entre aqueles Elfos que nunca se rebelaram, e em companhia dos maiar por eras: desde os últimos anos da Primeira Era, através da Segunda Era até o final do primeiro milênio da Terceira Era: antes dele retornar à Terra-média. É também bastante provável que ele já em Valinor tenha se tornado um amigo e um seguidor de Olórin. Mesmo nos breves vislumbres dados sobre ele em O Senhor dos Anéis ele aparece como especialmente preocupado com Gandalf, e foi um [o mais poderoso, ao que parece] daqueles mandados de Valfenda quando as preocupantes notícias de que Gandalf não reaparecera para guiar ou proteger o Portador do Anel chegaram a Elrond.O segundo ensaio, Glorfindel II, é um texto de cinco páginas manuscritas que sem dúvida segui-se ao primeiro depois de um curto intervalo; mas um pedaço de papel no qual meu pai apressadamente colocou alguns pensamentos sobre a matéria presumivelmente veio entre eles, visto que ele disse ali que enquanto gandalf poderia ter vindo com Gandalf, ‘parece bem mais verossímel que ele tenha sido mandado na crise da Segunda Era, quando Sauron invadiu Eriador, para auxiliar Elrond, e embora não [ainda] mencionado nos anais relatando a derrota de Sauron ele representou um notável e heróico papel na guerra.’ Ao final desta nota ele escreveu as palavras ‘navio Numenoriano’, presumivelmente indicando como Glorfindel poderia ter cruzado o Grande Mar.Seu nome é de fato derivado do mais antigo trabalho na mitologia: A Queda de Gondolin, escrito em 1916-1917, no qual a linguagem Élfica que no final das contas tornou-se aquela do tipo conhecido como Sindarin estava em uma forma primitiva e desorganizada, e sua relação com o tipo chamado Alto Élfico [por si mesmo bastante primitivo] ainda era aleátorio. A intenção era que significasse ‘Tranças Douradas’, e foi o nome dado ao ‘Gnomo’ [Noldo] heróico, um líder de Gondolin, que na passagem de Cristhorn [‘abismo das �?guias’] lutou com um Balrog [>Demônio], a quem ele matou ao custo de sua própria vida.Seu uso em O Senhor dos Anéis é um dos casos do uso de alguma forma aleatório dos nomes encontrados nas antigas lendas, agora conhecidas como sendo O Silmarillion, e que escapou à reconsideração na versão final publicada de O Senhor dos Anéis. Isto é desafortunado, uma vez que agora o nome é difícil de encaixar no Sindarin, e possivelmente não pode ser Quenyarin. Também na agora organizada mitologia, dificuldades estão presentes nas coisas anotadas sobre Glorfindel em O Senhor dos Anéis, se Glorfindel de Gondolin é supostamente a mesma pessoa que Glorfindel de Valfenda.

Como mencionado anteriormente: ele foi morto na Queda de Gondlin ao final da Primeira Era, e se um líder daquela cidade deveria ser um Noldo, um dos Senhores Élficos na tropa do Rei Turukáno [Turgon]; de qualquer maneira quando A Queda de Gondolin foi escrito ele certamente foi pensado como um. Mas os Noldor em Beleriand eram exilados de Valinor, tendo se rebelado contra a autoridade de Manwë, supremo líder dos Valar, e Turgon fora um dos apoiadores mais determinados e sem arrependimento da rebelião de Fëanor. Não há’como escapar disso. Gondolin no O Silmarillion é dita ter sido construída e ocupada por um povo de origem quase inteiramente Noldorin. Poderia ser possível, embora inconsistente, supor que um príncipe de origem Sindarin uniu-se à tropa de Turgon, mas isto iria contradizer inteiramente o que é dito de Glorfindel em Valfenda em O Senhor dos Anéis, onde é dito ele ser um dos ‘senhores dos Eldar de além do mais distantes mares… que havia morado no Reino Abençoado.’ Os Sindar nunca haviam deixado a Terra-média.

Esta dificuldade, muito mais séria que a linguística, deve ser considerada primeiro. De qualquer modo a solução mais simples à primeira vista deve ser abandonada: aquela na qual temos uma mera duplicação de nome, e que Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda são pessoas diferentes. Esta repetição de um nome tão impressionante, embora possível, não é crível. Nenhum outro personagem de destaque nas lendas Élficas como relatadas em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis tem um nome usado por outra personalidade Élfica de importância. Também pode ser percebido que a aceitação de Glorfindel de antigamente e da Terceira Era realmente explica o que é dito dele e aprimora a história.

Quando Glorfindel de Gondolin foi morto seu espírito deveria, de acordo com as leis estabelecidas pelo Um, ser obrigado a retornar imediatamente para a terra dos Valar. Lá então ele deveria ser julgado, e permaneceria nos ‘Salões de Espera’ até que Manwë lhe concedesse perdão. Elfos foram destinados a serem ‘imortais, isto é não morrer dentro dos limites desconhecidos estabelecidos pelo Um, que no máximo seria até o fim da vida da Terra como um mundo habitável. Suas mortes – por qualquer ferimento a seus corpos que fosse tão severo que não pudesse ser curado – e o desligamento corporal de seus espíritos era um assunto ‘não-natural’ e doloroso. Era então dever dos Valar, por comando do Um, restaurá-los à vida encarnada, se assim o desejassem. Mas esta ‘restauração’ poderia ser adiada por Manwë, se o fëa enquanto vivo tivesse cometido atos malignos e recusado a se arrepender deles, ou ainda mantinha qualquer malícia contra qualquer outra pessoa entre os vivos.

Agora Glorfindel de Gondolin era um dos Noldor exilados, rebeldes contra a autoridade de Manwë, e eles estavam todos sob a proibição imposta por ele: eles não poderiam retornar em forma corpórea ao Reino Abençoado. Manwë, contudo, não estava preso à suas próprias regrasm e sendo o governante supremo do Reino de Arda poderia colocá-las de lado, quando desejasse. Pelo que é dito em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis é evidente que ele era um Elda de espírito nobre e elevado e pode-se assumir que, embora tenha deixado valinor na tropa de Turgon, então incorrendo na proibição, ele o fez relutantemente devido ao parentesco e lealdade para com Turgon , e não teve parte no fratricídio de Alqualondë.

Mais importante: Glorfindel sacrificou sua vida na defesa dos fugitivos das ruínas de Gondolin contra um Demônio saído de Thangorodrim, e assim permitindo Tuor e Idril filha de Turgon e seus filho Eärendil escapar, e buscar refúgio nas Bocas do Sirion. Apesar dele não ter sabido a importância disto [e teria defendido-os mesmo eles sendo fugitivos de qualquer nível], este feito foi de vital importância para os desígnios dos Valar. É então inteiramente para manter o propósito geral de O Silmarillion a descrição da história subsequente de Glorfindel. Após a purificação de qualquer culpa que ele tivesse assumido na rebelião, ele foi liberto de Mandos, e Manwë o restaurou. Ele tornou-se então novamente uma pessoa vivente encarnada, e foi-lhe permitido morar no Reino Abençoado; pois ele tinha recuperado a graça e inocência primordial dos Eldar. Por longos anos ele permaneceu em valinor, em reunião com os Eldar que não se rebelaram, e em companhia dos Maiar. Para estes ele tinha se tornado quase um igual, pois embora ele fosse um encarnado [para quem uma forma corporal não feita ou escolhida por si mesmo é necessária] seu poder espiritual foi grandemente aumentado pelo seu auto-sacrifício. Em algum momento, provavelmente no início de sua residência provisória em Valinor, ele tornou-se um seguido, e um amigo, de Olórin [Gandalf], que como é dito em O Silmarillion tinha um amor e preocupação especiais pelos Filhos de Ilúvatar. Aquele Olórin, como era possível a um dos Maiar, já tinha visitado a Terra-média e tinha conhecido não apenas os Elfos Sindarin e outros no âmago da Terra-média, mas também com os Homens, mas nada é [>ainda foi] dito sobre isto.

Glorfindel permaneceu no Reino Abençoado, sem dúvida a princípio por sua própria escolha: Gondolin fora destruída, e todos os seus parentes tinham perecido, e estavam nos Salões de Espera inacessíveis pelos vivos. Mas sua longa residência temporária durante os últimos anos da Primeira Era, e pelo menos vários anos na Segunda Era, sem dúvida estavam de acordo com os desejos e desígnios de Manwë.

Quanto então Glorfindel retornou para a Terra-média? Isto deve provavelmente ter ocorrido antes do final da Segunda Era, e a ‘Mudança do Mundo’ e o Afundamento de Númenor, após o que nenhuma criatura viva corpórea, ‘humana’ ou de tipos inferiores poderia retornar dos Reinos Abençoados que haviam sido ‘removidas dos Círculos do Mundo’. Isto de acordo com uma regra geral procedente de Eru; e de qualquer forma, até o final da Terceira Era, quando Eru decretou que o Domínio dos Homens deveria começar, Manwë poderia ter recebido a permissão de Eru para fazer uma exceção em seu caso, e para ter planejado alguns modos de transporte para Glorfindel até a Terra-média, isto é improvável e faria de Glorfindel ter poder e importâncias maiores do que parecia ajustar-se a ele.

Nós então podemos melhor supor que Glorfindel retornou durante a Segunda Era, antes que a ‘sombra’ se estendesse em Númenor, e enquanto os Numenorianos ainda eram saudados pelos Eldar como poderosos aliados. Seu retorno deve ter sido para o propósito de fortalecer Gil-galad e Elrond, quando crescente mal das intenções de Sauron foi finalmente percebido por eles. Poderia, então, ter sido tão cedo quanto 1200 da Segunda Era, quando Sauron veio em pessoa para Lindon e tentou ludibriar Gil-galad, mas foi rejeitado e mandado embora. Mas poderia ter sido, talvez mais provavelmente, tão tarde quanto 1600, o Ano do Terror, quando Barad-dûr foi completada e o Um Anel forjado, e Celebrimbor finalmente tomou consci6encia da armadilha em que caíra. Pois em 1200, embora cheio de ansiedade, Gil-galad sentia-se forte e capaz de lidar com Sauron com descaso. E também a este tempo seus aliados Numenorianos tinham começado a fazer portos permanentes para seus grandes navios, e também muitos deles tinham começado a morar lá definitivamente. Em 1600 tornou-se claro a todos os líderes dos Elfos e Homens [e Anões] que a guerra contra Sauron era inevitável, agora desmascarado como um novo Senhor Escuro. Eles então começaram a se preparam para seu ataque; e sem dúvida mensagens e pedidos urgente por ajuda foram recebidos em Númenor [e em Valinor].

O texto acaba aqui, sem indicação de que está incompleto, embora a ‘dificuldade linguística’ a que ele se refere não foi levantada.

Escrito ao mesmo tempo que os textos ‘Glorfindel’ existe uma discussão da reincarnação Élfica. Ele tem duas versões, uma um rascunho bastante bruto [parcialmente escritos de fato no manuscrito de Glorfindel I] em relação ao outro. Este texto não está incluído aqui, exceto sua parte conclusória, que se refere à crença dos Anões no renascimento ou reaparição de seus pais, mais notavelmente Durin. Eu entrego esta passagem na forma em que está no rascunho original. Ela foi escrita rapidamente [com pontuação omitida, e formas variantes ou frases atropelando0se umas às outras] que na versão impressa que se segue não foi de modo algum transportada; mas são anotados pensamentos emergentes de uma matéria relativa à qual muito pouco é encontrada nos escritos de meu pai.

Esta falsa noção está conectada com várias idéias estranhas que tanto Elfos quanto Homens tinham em relação aos Anões, as quais eram de fato grandemente derivadas dos próprios Anões. Pois os Anões afirmavam que os espíritos dos Sete Pais de suas raças de tempos em tempos renasciam entre seus clãs. Isto é notável principalmente no caso da raça dos barbalongas cujo antepassado primeiro era chamado Durin, um nome tomados de tempo sme tempos por um de seus descendentes, mas não por outros exceto aquels em linha direta de descendência de Durin I. Durin I, o mais antigo dos pais, ‘acordou’ a muito tempo atrás na Primeira Era [suipostamente logo após o despertar dos Homens], mas na Segunda Era vários outros Durin apareceram como reis dos barbalongas [Anfagrim]. Na Terceira Era Durin VI foi morto por um Balrog em 1980. Foi profetizado [pelos Anões], quando Daín Pé-de-Ferro assumiu a realeza em 2941 da Terceira Era [após a Batalha dos Cinco Exércitos], que na sua linha direta apareceria um dia um Durin VII – mas ele seria o último. Sobre estes Durin os Anões reportaram que eles retinham na memória suas vidas anteriores como Reis, como se fosse real, e natualmente incompleta, como se eles tivessem vivido anos consecutivos como uma única pessoa.

Como isto poderia ter chegado ao Elfos não é conhecido; nem os Anões falam muito mais sobre o assunto. Mas os Elfos de Valinor conhecem um estranho conto sobre a origem dos Anões, o qual os Noldro trouxeram para a Terra-média, e declaram que o aprenderem do próprio Aulë. Este poderá sem encontrado entre vários assuntos menores encluídos em notas dou apêndices de O Silmarillion, e não é relatado completamente aqui. Para o presente propósito é suficiente recordar que o criador direto da raça dos Anões foi o Vala Aulë.

Aqui está uma breve versão da lenda da Criação dos Anões, a qual eu omiti; meu pai escreveu no texto: ‘Não é o lugar para contar a história de Aulë e os Anões.’ A conclusão então se segue:

Os Anões acrescenta que àquele tempo Aulë conquistou para eles este privilégio que os distinguia dos Elfos e dos Homens: que os espíritos de cada um dos Pais [como Durin] poderiam, ao final da longa duração da vida destinada aos Anões, adormeceriam, e então descansariam em um túmulo de seus próprios corpos, em descanso, e ali seus cansaços e ferimento que sofreram seriam curados. Então após longos anos eles deveriam acordar e tomar sua realeza novamente.

A segunda versão é bem mais breve, e sobre a questão do ‘renascimento’ dos pais diz apenas: ‘… a reaparição, a longos intervalos, da pessoa de um dos Pais dos Anões, nas linhas de seus reis – especialmente Durin – não é, quando examinada, provavelmente um caso de renascimento, mas da preservação do corpo de um prévio Rei Durin [é dito] para o qual a certos intervalos seu espírito retorna. Mas as relações dos Anões com os valar e especialmente com o Vala Aulë são [ao que parece] bastante diferentes daquelas de Elfos e Homens.’

[Tradução de Fábio Bettega]

Gil-galad

O Parentesco de Gil-galad

Meu pai originalmente supôs que Gil-galad era o filho de Felagund Rei de Nargothrond. Esta informação provavelmente é encontrada pela primeira vez no texto FNII da Queda de Númenor (HoME 5 pag 33); e continuou sendo sua crença até após o término de O Senhor dos Anéis, como visto no principal texto inicial do Conto dos Anos e no Sobre os Anéis de Poder, onde, no texto publicado (O Silmarillion) Fingon é uma alteração editorial de Felagund.

 

Em adições de data incerta feitas no Quenta Silmarillion (HoME 11 pag 242) é dito que Felagund enviou sua mulher e filho Gil-galad de Nargothrond para os Portos de Falas para garantir-lhes segurança. Deve ser notado também no texto do Conto dos Anos acima referido que não apenas Gil-galad era o filho de Felagund mas Galadriel era irmã de Gil-galad (e portanto filha de Felagund). Surgiu, contudo, nos Anais Cinzentos de 1951 (HoME 11 pag 44 $108) que Felagund não tinha esposa, pois à Vanya Amarië a quem ele amava não foi permitido deixar Aman.

 

Aqui algo deve ser dito sobre Orodreth, filho de Finarfin e irmão de Felagund, que  tornou-se o segundo Rei de Nargothrond. Nas árvores genealógicas dos descendentes de Finwë, que podem ser datadas de 1959 mas que meu pai continuava utilizando e alterando quando esreveu o texto sobre The Shibboleth of Feanor, a curiosa história de Orodreth pode ser traçada. Colocada o mais concisamente possível, Finrod (Felagund) a início tinha um filho chamado Artanaro Rhodothir (e portanto contradizia a história dos AnaisCinzentos de que ele não tinha esposa) o segundo Rei de Nargothrond e pai de Finduilas. Portanto “Orodreth” fora agora movido para uma geração abaixo, tornado-se o filho de Finrod ao invés de seu irmão. No próximo estágio meu pai (recordando, aparentemente, a história dos Anais Cinzentos) anotou que Finrod “não tinha filhos {ele deixara a esposa em Aman)” e moveu Artanaro Rhodothir para se tornar,

ainda na mesma geração, o filho do irmão de Finrod, Angrod (que com Aegnor manteve Dorthonion e foi morto na Batalha das Chamas Repentinas).

 

O nome do filho de Angrod (ainda mantendo a identidade de “Orodreth”) foi então alterado de Artanaro para Artaresto. Em uma nota isolada encontrada com as genealogias, escrita com grande rapidez mas ainda assim datada, Agosto de 1965, meu pai sugeriu que a melhor solução para o problema do parentesco de Gil-galad era encontrá-lo como “o filho de Orodreth”, ao qual aqui é dado o nome de Artaresto, e continua:

 

Finrod deixou sua esposa em Valinor e não tinha filhos no exílio. O filho de Angrod era Artaresto, que era amado por Finrod e escapou quando Angrod foi morto, e morou com Finrod. Finrod fez dele seu “regente” e ele o sucedeu em Nargothrond. Seu nome Sindarin era Rodreth (alterado pata Orodreth devido ao seu amor pelas montanhas ……. Seus filhos eram Finduilas e Artanaro = Rodnor mais tarde chamado Gil-galad. (A mãe deles era uma dama Sindarin do Norte. Ela chamou seu filho Gil-galad). Rodnor Gil-galad escapou e eventualmente chegou à Foz do Sirion e foi Rei dos Noldor lá.


 

As palavras que eu não consegui ler aparentemente contém uma preposição e um nome próprio, e este último pode ser Faroth (o Alto Faroth a oeste do rio Narog). Na última das tabelas genealógicas Artanaro (Rodnor) chamado Gil-galad aparece, com uma nota de que “ele escapou e morou na Foz do Sirion”. A única mudança posterior foi a rejeição do nome Artaresto e sua substituição por Artaher, Sindarin Arothir; e portanto nos apêndices Arothir [Orodreth] é nomeado como o “parente e regente” de Finrod, e Gil-galad é “o filho de Arothir, sobrinho de Finrod”.


A genealogia final era:

 

                              Finrod Felagund ---- Angrod
                                               |
                                   Artaher/Arothir [Orodreth]
                                               |
                                  Artanaro/Rodnor/Gil-galad

Uma vez que Finduilas permaneceu sem correção na última genealogia como a filha de Arothir, ela tornou-se irmã de Gil-galad.* 

Portanto não há dúvidas de esta era a última palavra de meu pai sobre o assunto; mas nada de sua concepção tardia e radicalmente alterada tocou as narrativas existentes e foi obviamente impossível incluí-las no Silmarillion publicado. De qualquer modo teria sido muito melhor deixar o parentesco de Gil- Galad obscuro [N.T. no Silmarillion publicado].

 

Também devo mencionar que no texto publicado sobre Aldarion e Erendis (Contos Inacabados) a carta de Gil-galad para Tar-Meneldur abre “Ereinion Gil-alad filho de Fingon”, mas o original era “Finellach Gil-galad da Casa de Finarfin” (onde Finellach foi mudado de Finhenlach, e este de Finlachen). E também no texto de Uma Descrição da Ilha de Númenor (Contos Inacabados) eu imprimi “Rei Gil-galad de Lindon” onde o original era “Rei Finellach Gil-galad de Lindon”; eu mantive, contudo, as palavras “sua parente Galadriel”, uma vez que Fingon e Galadriel eram primos de primeiro grau. Não há traços entre as muitas notas e sugestões escritas nas tabelas genealógicas da descendência proposta de Gil-galad a partir de Finarfin; mas de qualquer forma Aldarion e Erendis e o proximamente relacionado Descrição de Numenor precediam por algum tempo (eu agora sou inclinado a datá-los de cerca de 1960) a tranformação de Gil- Galad no neto de Angrod, com o nome Artanaro Rodnor, que aparece pela primeira vez como uma nova decisão na nota de Agosto de 1965 citada acima. Uma análise muito mais detalhada do admitidamente complexo material do que a que eu fiz vinte anos atrás torna claro que Gil-galad como filho de Fingon (ver HoME 11 pag 243) era uma idéia efêmera.

 

[Nota do Tradutor]* O texto acima é de Christopher Tolkien, com excessão do trecho em itálico, que é do próprio Tolkien. Interessante reparar nesse texto, além do mea culpa de Christopher quanto ao parentesco incorreto de Gil-galad publicado no Silmarillion, o número de “influências editoriais” exercidas por ele sobre os textos do pai.
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The History of Middle-earth VII – The Treason of Isengard

No sétimo livro da série "The History of Middle-earth", entitulado "The Treason of Isengard" (A Traição de Isengard), Christopher Tolkien continua seu relato da evolução de "O Senhor dos Anéis", chegando ao fim da narrativa de "A Sociedade do Anel" e aos primeiros capítulos de "As Duas Torres". Como acontece em "The Return of the Shadow", aqui também vemos diferenças surpreendentes entre as primeiras versões dos textos e a versão finalmente publicada por Tolkien.
 

É nesse momento (por volta de 1940) que o personagem Saruman e o papel de sua traição finalmente emergem. No Conselho de Elrond, após muitas incertezas a respeito dos membros da Sociedade do Anel, os Nove que conhecemos são finalmente definidos.

Outro fato curioso é a grande indecisão sobre o nome verdadeiro de Trotter (depois Strider/Passolargo). Embora esse personagem finalmente se transforme num humano, já que antes era concebido como um hobbit, o Professor hesitou muito quanto ao seu nome: Aragorn, Ingold, Tarkil e Elfstone foram cogitados, até a definição de Aragorn.

Lothlórien e sua rainha Galadriel, elementos fundamentais na estrutura narrativa de "O Senhor dos Anéis", apareciam de forma bastante distinta: basta dizer que Frodo olharia no espelho do rei de Lórien, chamado Galdaran.

Contudo, talvez a diferença mais chocante dos textos de "The Treason of Isengard" em relação ao texto publicado seja a ausência completa de Arwen e de seus irmãos Elladan e Elrohir. Nessa fase da história, Elrond não possuía filhos, e Aragorn deveria se casar com Éowyn no fim do livro.

"The Treason of Isengard", além de traçar essa interessante evolução, traz também outros atrativos para o fã de Tolkien: a versão completa do poema de Bilbo sobre Eärendil, nunca publicada, mapas e desenhos feitos pelo próprio Tolkien e um apêndice sobre as runas dos anões.