Arquivo da tag: Balrogs

Fëanor

Nascido em Aman durante as Eras das Árvores, morto na Terra-média no ano 1 da na 1ª Era do Sol

“E não lamentavam mais a perda das Árvores do que o desencaminhamento de Fëanor: das obras de Melkor, uma das mais perversas. Pois em todas as partes do corpo e da mente, em valentia, em resistência, em beleza, em compreensão, em talento, em força e em sutileza, no mesmo grau, Fëanor havia sido o mais poderoso de todos os Filhos de Ilúvatar, e nele ardia uma chama brilhante. As obras maravilhosas para a glória de Arda que ele poderia ter criado, se tudo tivesse sido diferente, somente Manwë poderia de certo modo conceber. E os vanyar que estavam em vigília junto aos Valar relataram que, quando os mensageiros repetiram a Manwë as respostas de Fëanor a seus arautos, Manwë chorou e baixou a cabeça”

(Silmarillion: Cap. XI – Do Sol, da Lua e da ocultação de Valinor)


Fëanor foi um príncipe entre os Noldor, filho mais velho e mais amado do Alto Rei Finwë com Míriel, nascido em Tírion. Habilidoso tanto com as palavras quanto com as mãos, era um artesão de renome e um guerreiro fabuloso.

Fëanáro Curufinwë, seu nome original, (hábil espírito de fogo) veio ao mundo sugando toda força vital de sua mãe, que desistiu de viver pouco depois de seu nascimento. Seu pai, o rei, assumiu outra esposa lhe dando dois irmãos: Fingolfin e Finarfin e duas irmãs: Findis e Irimë.

Cresceu de forma rápida e por ser muito talentoso aprendeu com Mahtan os segredos de um bom artesão, casou-se também com sua filha, Nerdanel, tendo com ela sete filhos: Maedhros , Maglor , Celegorm , Caranthir , Curufin , Amrod e Amras.

Com seu ofício, criou suas maiores obras, lâmpadas com luz própria, Palantiri que podiam comunicar-se umas com as outras vendo através de grandes distâncias, mas foi com as Silmarils que teve seu nome mais conhecido e sua ruína decretada!

“Pois Fëanor, atingindo seu poder máximo, foi dominado por uma nova idéia, ou talvez lhe tivesse ocorrido alguma sombra de presságio do triste destino que se acercava. E ele se perguntava como a luz das Árvores, a glória do Reino Abençoado, poderia manter-se imperecível. Começou, então, um trabalho longo e secreto, para o qual recorreu a todo o seu conhecimento, seu poder e sua habilidade sutil. E, ao final de tudo, fez as Silmarils.”

(Silmarilion: Cap. VII – Das Silmarils e da inquietação dos Noldor.)

As Silmarils eram três grandes jóias feitas em Valinor, no qual Fëanor aprisionou a luz emanadas das duas Grandes Árvores, Laurelin e Telperion antes que estas fossem destruídas. No período de sua fabricação, Melkor cumpria sua primeira pena nos salões de Mandos, mas Manwë acreditando em seu arrependimento autorizou sua liberdade.  Dissimulando sua bondade, Melkor usou do ciúmes que Fëanor tinha de seus meio-irmãos para jogar uns contra os outros, e o elfo ameaçou e enfrentou Fingolfin acreditando que este queria seu lugar como herdeiro e suas jóias.

Fëanor em sua inquietação falava em rebelião contra os Valar e começara a fabricar armas, e com isso a farsa de Melkor fora descoberta e Fëanor partiu de Valmar. No exílio ao norte de Valinor, foram com ele seus filhos e seu pai (nada consta de sua esposa), construíram uma grande fortaleza e em seus cofres foram guardadas as Silmarils.

Aproveitando da ausência de Fëanor em sua fortaleza, Melkor a invadiu, roubando as Silmarils e assassinando Finwë, o primeiro dos eldar a ter seu sangue derramado. Neste momento Fëanor amaldiçoou Melkor, chamando-lhe de Morgoth, O Sinistro Inimigo do Mundo.

Convocando os Noldor a seguir consigo, agora como herdeiro de Finwë, Fëanor fez um juramento terrível, com seus sete filhos a seu lado fizeram juntos o mesmo voto. Com o poder do juramento, as oito espadas brilharam vermelhas como sangue.

Fizeram um voto que ninguém deveria quebrar, ou melhor, que ninguém deveria sequer fazer. Caso não o cumprissem, sobre si e suas famílias cairiam as Trevas Eternas. Ainda assim, o fizeram, jurando perseguir até o fim do mundo com sua vingança, focados no ódio para com qualquer vala, demônio, elfo, homem ou qualquer criatura, grande ou pequena, boa ou má, que viesse a surgir até o final dos tempos, quem quer que segurasse, tomasse ou guardasse uma Silmaril, impedindo que eles dela se apoderassem.

Embora seus meio-irmãos fossem contra tal juramento e contra a partida dos Noldor, com ele foi  Fingolfin que fizera um juramento de segui-lo em oportunidade de acertar as diferenças, e não querendo dividir seu povo. Com a mesma idéia seguia Finarfin, porém mais relutante com a partida. Aapenas uma pequena fração se recusou a ir, uns por amor aos Valar, alguns por amor a Tirion e pelas muitas coisas que ali haviam realizado, mas nenhum por medo dos perigos que os aguardavam. Na partida Manwë mandou falar à Fëanor que não mais poderia voltar à Valinor e que conheceria sofrimento e amargura de imensidões desconhecidas, mas Fëanor rebateu chamando Manwë de ocioso e alegando que mesmo que não destruísse Morgoth, lhe causariam sofrimentos maiores que os seus.

No caminho Fëanor tentou convencer os elfos Teleri a seguirem com ele em sua vingança, mas quando os mesmos não se comoveram ou compartilharam com sua demanda, o Noldor lhes roubou os barcos dos Portos de Cisne desencadeando assim uma batalha, onde elfos lutaram uns contra os outros, havendo mais mortes do que podemos mencionar. Entretanto socorrido por seus meio-irmãos e os que os seguiam, derrotaram Teleri, tomando-lhes de vez os barcos e partindo.

A batalha fora conhecida como Fratricídio de Alqualondë. É contado que as lágrimas de Uinen fizeram o mar crescer em fúria afundando e matando muitas das embarcações que fugiam, mas ainda assim, mas a maioria ainda resistiu chegando em Araman. Mas ao longo de sua jornada, viram uma figura escura a qual julgaram ser o vala Mandos, e este lhe lançou uma maldição, a Profecia do Norte ou Condenação dos Noldor. Onde pressagiou um fim sombrio, triste e doloroso para todos da Casa de Fëanor e seus seguidores, bem como o eterno fracasso de seu juramento.

Neste momento, Finarfin abandonou a causa e, recebendo o perdão dos Valar, governou os elfos que com ele permaneceram. Em Araman fica Fingolfin, abandonado por Fëanor quando este se lança ao mar com seus filhos e seguidores nos barcos remanescentes, que eram insuficientes para as duas casas dos meio-irmãos.

Aqui começa a última parte do verdadeiro legado de Fëanor, uma vez que com seus filhos jurou resgatar as jóias e através de tal juramento e da maldição de Mandos nunca teve cumprida sua missão. Fëanor e seus filhos destroem a maior força de orcs seguidoras de Morgoth, e nessa luta, conhecida como a Batalha sob as estrelas.

Após a derrota dos seus inimigos, o espírito de Fëanor queimou dentro de si e o elfo partiu para lutar com Morgoth, mas antes que pudesse realmente atacar Angband encontrou Balrogs em seu caminho, e com eles a morte, pois embora tenha lutado com muitos dos balrogs, chegando a derrotar alguns, foi mortalmente ferido por Gothmog, o Senhor dos  Balrogs, sendo por fim derrotado. Seus filhos ainda o encontraram vivo, porém em ruína, e antes de seu fogo começar a queimar e transformar seu corpo em cinzas, com seu último suspiro, Fëanor amaldiçoou Morgoth e Angband, convocando novamente seus filhos a cumprirem seu juramento.

Seu legado foi deixar o seu povo em Beleriand, que jurou a impossível tarefa de sobrepujar o Senhor do Escuro e recuperar as Silmarils.

—————————————————-

Juramento de Fëanor

Seja ele amigo ou inimigo, seja ele sujo ou limpo,
cria de Morgoth ou brilhante Vala,
Elda ou Maia ou Sucessor,
Homem ainda não nascido sobre a Terra-média,
nem lei, nem amor, nem liga de espadas,
terror nem perigo, nem o próprio Destino
há de defendê-lo de Fëanor, e da raça de Fëanor,
se esconder ou entesourar, ou na mão tomar,
se achar guardar ou se longe jogar
Uma Silmaril. Assim juramos nós todos:
Morte havemos de trazer a ele antes do fim do Dia,
Opróbrio até o fim do mundo! Nossa palavra ouve tu,
Eru Pai-de-Todos! À eterna
Escuridão condena-nos se nosso feito falhar.
Na montanha sagrada ouvi em testemunho
E nosso voto lembrai, Manwë e Varda!

—————————————————-

Fontes: Tolkien Gateway, WikiLingue, The Encyclopedia of Arda, Silmarillion

A Questão das Asas de Balrogs, sob o Ponto de Vista da Obra Literária do Autor

A discussão sobre terem ou não asas os Balrogs de Tokien se estende há vários anos, com os mais diversos argumentos pró e contra aqueles apêndices nos nefastos demônios corrompidos por Morgoth. Em vários sítios da Internet tais argumentos são apresentados, uma versão em português bastante completa e elucidadora encontra-se nas páginas Valinor (http://www.valinor.com.br) .
Entretanto, a análise efetuada quase sempre se prende a discussões de cunho secundário, que são mais baseadas na interpretação do texto, segundo a visão de cada um. Um exemplo claro desse fato é a argumentação sobre a dimensão das asas face aos vãos de Moria. Uma lacuna importante na discussão é a falta da abordagem original sobre o tema, ou seja, qual a opinião do autor do texto (SdA)[/B] sobre a existência ou não daquelas asas. Existem alguns pontos importantes que não são normalmente listados e que sugerem (fortemente, na minha opinião) de que Tolkien jamais cogitou dar apêndices de vôos aos Balrogs, mas apenas procurava realçar sua obra em termos da qualidade literária da linguagem empregada.

Nas obras de Tolkien encontramos os seguintes argumentos (que classifico de “fracos”?) sobre a questão dos Balrogs terem ou não asas:

1. Na versão do Silmarillion publicada (chamo a atenção para o fato de que a edição e revisão final não foram efetuadas por Tolkien mas sim por seu filho) quando Morgoth é ameaçado por Ungoliant seu grito desperta os Balrogs que correm em seu socorro:

“… and passing over Hithlum they came to Lammoth as a tempest of fire…”?


O uso do “passing over”? não caracteriza diretamente o vôo com asas, mas é uma maneira de indicar a travessia. Da mesma forma, o capítulo é denominado “The Fligth of the Noldor”? que é apenas uma alusão a sua viagem (fuga) de Valinor, sem a mínima conotação com o fato dos elfos voarem ou não. Na versão do Silmarillion revisada por Tolkien e enviada aos seus editores no final dos anos 30 aquela expressão é usada como


“to his aid there came the Balrogs that lived yet in the deepest places …”? (em seu socorro vieram os Balrogs que viviam anda nos mais profundos lugares)


isto é, sem nenhuma menção sequer a voar sobre Hithlum.

O uso daquela expressão é apenas figura de linguagem, da mesma forma que um autor pode se referir aos olhos da heroína como “brilhando como estrelas”? ou “lábios doces como mel”?. Assim não pode ser levada muito a sério… Até mesmo em português temos o hábito de dizer “vá e volte voando”? !

2. As descrições de lutas com Balrogs, como em “The Fall of Gondolin”?, embora sugiram que eles não possuiam asas não são também conclusivas.

3. Outro argumento é o uso frequente, nos textos de Tolkien, do adjetivo “winged”? para descrever os seres estranhos voadores. Isso ocorre no Silmarillion (Ancalagon) e no Senhor dos Anés (as montarias dos Nazgul). Entretanto em nenhum dos textos por ele escritos para as histórias da primeira ou terceira era, mesmo considerando as múltiplas versões encontradas nos volumes da “History of Middle Earth”?, os Balrogs recebem aquele adjetivo.

Por outro lado, existem dois argumentos que podem ser classificados (na minha opinião) como “fortes”? na discussão:

1. A descrição da luta de Gandalf com o Balrog de Moria na ponte de Khazad-Dum

Aqui se baseiam, de modo consistente, as afirmações de que o Balrog tenha asas, embora por alguma estranha razão não as utilize em seu favor durante a luta ou na queda da ponte. Esses argumentos estão exaustivamente analisados naquela referência já mencionada de modo que a discussão a seguir centra-se no aspecto literário da obra.

Em primeiro lugar, o texto publicado por Tolkien não se refere explicitamente a asas. Ao longo da descrição sobre a luta sobre a ponte de Khazad-Dum surgem as expressões :

(a) “…, and the shadows about it reached out like two vast wings”?


(b) “It stepped forward slowly on to the bridge, and suddenly it
drew itself up to a great height, and its wings were spread from wall to wall; …”?


Um pouco antes, quando é descrito o surgimento do Balrog, já Tolkien usava um indicativo de que o terror oriundo da besta se propagava ao seu redor:

(c) “… It was like a great shadow, in the middle of which was a dark form, of man-shape maybe, yet greater; and a power and  terror seemed to be in it and to go before it.”?


A expressão (a) não implica na existência das asas, apenas que as sombras (decorrentes dos poderes do Balrog) se estendiam como se fossem duas grandes asas. O verbo “to reach”? pode significar o desdobrar, estender de poderes (mentais). Por outro lado, no inglês se usa a mesma palavra (reach) como substantivo para indicar a envergadura de um movimento (com as mãos, por exemplo) ou o alcance no qual se podem usar poderes mentais. Assim, além de várias outras explicações já publicadas, a frase de Tolkien pode simplesmente estar se referindo à envergadura dos poderes do Balrog. O fato de estar sendo usada aquela palavra na forma verbal pode simplesmente ser uma maneira mais elegante de escrever.

A expressão (b), que justamente é onde se centram os argumentos a favor das asas nos Balrogs, por outro lado tem em inglês o sentido de “desenvolver poderes ao máximo”? ( spread one’s wings = develop one’s full power). Então aquela frase poderia ser traduzida (ou entendida, no caso dos leitores nativos em inglês e suficientemente versados em expressões idiomáticas) por “… subitamente ele se ergueu a sua grande altura e estimulou seus poderes ao máximo, por toda a extensão do salão”?. Essa interpretação é coerente com a visão que Tolkien já havia dado sobre o Balrog, traduzida na expressão (c) “… era como uma grande sombra, no meio da qual existia um ser escuro, de forma humana talvez, embora maior; e um poder e terror pareciam estar nele e ir na sua frente.”? Ou seja, o poder do Balrog permeava de seu corpo e assim, quando estimulado ao máximo (para combater Gandalf) conseguia preencher todo o ambiente existente.

Embora alguns argumentem que o uso do “from wall to wall”? se refira à dimensão de um objeto físico, novamente esse é um argumento fraco. Tem tanta força quanto o “brilho de estrelas”? para os olhos de uma pessoa ou “doces como mel”? para os lábios de Iracema. Trata-se apenas de uma metáfora, figura muito usada por autores. Tolkien preocupava-se com a “veracidade”? de sua obra para que ela fosse crível para os leitores, mas também era um escritor detalhista que revisava e re-escrevia inúmeras vezes um trecho de suas obras até que ficasse satisfeito. Muitas dessas versões diferiam apenas pelo uso de uma palavra ou expressão. Sendo ainda um profundo conhecedor do inglês (foi editor do Oxford English Dictionary) é razoável supor que procurou expressões que traduzissem o espírito daquele poder emanado pelo Balrog em uma forma literária mais alta.

Outros argumentos que evidenciam essa opinião sobre o uso literário do inglês para descrever na verdade os poderes do Balrog são dados nos volumes do “History of Middle Earth”?, no qual várias versões dos textos de Tolkien são apresentadas, com as sucessivas revisões, marcas e anotações do autor. Versões anteriores do capítulo “The Bridge of Khazad-Dum”? são encontradas no vol. VII, “The Treason of Isengard”?.

Observa-se ali (p. 197) que uma das primeiras versões é detalhista quanto à aparência do Balrog, embora não mencione nenhum apêndice voador:

“A figure strode to the fissure, no more than man-high yet terror seemed to go before it. They could see the furnace-fire of its yellow eyes from afar; its arms were very long; it had a red tongue… Its streaming hair seemed to catch fire.”? (Uma figura avançou para a fenda, não mais alta que um homem porém o terror aparentava vir na sua frente. Eles puderam ver o fogo intenso de seus olhos amarelos de longe, seus braços eram muito longos, ele tinha uma língua vermelha … Seus cabelos ondulados pareciam ser de fogo.”?


Mais adiante, na hora do combate, ele diz

“The creature made no reply, but standing up tall so that it loomed above the wizard …”? (A criatura não respondeu, mas ficou ereta aparentando ameaçar o mago).


Nessa versão, há uma nota a lápis nas margens indicando “alterar a descrição do Balrog, Ele parece ser de forma humana, mas sua aparência não é claramente discernível. Ele aparenta maior do que parece”?, logo após  Tolkien ainda adiciona “e uma grande sombra parece bloquear a luz”?.  Há um grifo original no “aparenta”? (felt) usado para indicar a sensação da forma.

Duas outras versões ainda existem da escrita desse capítulo, denominadas por B e C pelo filho de Tolkien. Nelas não há menção das palavras “to a great heigth”? ou “wings”? quando o Balrog enfrenta Gandalf na ponte.

Do conjunto desses textos percebe-se que em nenhum momento Tolkien pretendeu que o Balrog tivesse asas reais, ou que pudesse voar com elas. As indicações apontam mais para a forma (indefinida) da besta e do poder que dela permeava. Também não parece ser muito aceitável que Tolkien tivesse escrito sobre Balrogs alados sem ter feito alguma anotação nas margens para consolidar essa referência com suas outras obras (ligadas ao Silmarillion).

Um comentário final é de que a história da queda de Gandalf nas Minas de Moria estava prevista há bem mais tempo (era necessário retirar Galdalf da trama para que Frodo e Sam pudessem separar-se do resto da companhia), embora o seu adversário não estivesse definido. As primeiras versões do rascunho da história (HoME VI, p.462) trazem versões em que um dos Cavaleiros Negros seria tal oponente na ponte de Khazad-Dum e, como tal, a história foi originalmente concebida sem qualquer menção a asas.

2. A descrição da aparição de Ancalagon na Batalha da Ira

Outro argumento forte contra as asas dos Balrogs pode sem encontrado nos escritos do próprio Tolkien, quando ele finalizou sua versão do que hoje é o Silmarillion, enviando-o para apreciação de seus editores (Allen & Unwin). Essa versão descreve assim o aparecimento de Ancalagon durante a Guerra da Ira, ao final da primeira era (HoME V, p. 363):

“But he (Morgoth) loosed upon his foes the last desperate assault that he had prepared, and out of the pits of Angband there issued the winged dragons, that had not before been seen; for until that day no creatures of his cruel thought had yet assailed the air. … for the coming of the dragons was like a great roar of thunder, and a tempest of fire, and their wings were of steel.”? (Mas ele lançou sobre seus adversários o último e desesperado assalto que havia preparado, e das profundezas de Angband surgiram os dragões alados, que não haviam  ainda sido vistos, pois até aquele dia nenhuma criatura de seu cruel desígnio tinha ainda ameaçado os ares… pois a chegada dos dragões foi como o rugir do trovão, e uma tempestade de fogo, e suas asas eram de aço.”?


Claramente o próprio autor diz que nenhuma criatura de Morgoth tinha alçado aos ares antes do surgimento dos dragões alados, nos estertores do poder de Morgoth. Mais ainda, percebe-se uma preocupação em caracterizar as asas desses dragões não como apêndices normais (evolutivos) mas sim como uma “ferramenta de guerra”? neles “inserida”? (sabe-se lá por quais poderes). Isso está aparente na última sentença, onde as asas são ditas serem de aço. Esse subterfúgio de indicar criações de Morgoth como “maquinaria”? já havia aparecido no “The Fall of Gondolin”? onde dragões de aço (e outras máquinas bélicas assemelhadas) foram usados para assaltar a cidade (A versão desse texto é anterior à digressão de Tolkien sobre Morgoth não poder criar, apenas corromper.)

Ora, os Balrogs já tinham aparecido no início da era e tiveram papel importante em algumas batalhas dessa mesma era. Assim, se nenhuma criatura tinha ainda assaltado os ares, fica evidente que os Balrogs não possuiam apêndices voadores, na opinião de Tolkien (e não na interpretação de outros).

Conclusão:

Deve ainda ser fortemente considerada a qualidade do inglês usado por Tolkien. Provavelmente nenhum outro escritor inglês no século XX usou tão explicitamente o inglês em suas estruturas mais arcaicas ou antigas (nos primeiros volumes do HoME, Christopher Tolkien anexa um dicionário de termos e expressões antigas para auxiliar a compreensão). Exemplos claros dessas estruturas estão na Profecia de Mandos (Silmarillion) e nas histórias de Beren e Lúthien, Idril e Tuor. É assim muito mais lógico adotarmos uma linha de pensamento baseada simplesmente nos aspectos literários de suas obras. Sem necessidade de exaustivas explicações sobre o tamanho dos Balrogs, ou de suas asas, sem necessidade de criarmos hipóteses mirabolantes sobre tais bestas, sobre sua evolução ou “modus vivendis”?, mas apenas apreciando a criação literária, podemos ficar plenamente convencidos de que Balrogs não possuem asas!