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Mirkwoord

Mirkwood, de Steve Hillard

Quando leio um livro, consigo me identificar com um ou mais personagens a ponto de desejar que ele (ou ela) fosse real. Então, é óbvio que não gostaria que esse personagem (ou qualquer outro, aliás) fosse simplesmente apagado da história. Acho que a maioria das pessoas que tem na leitura um agradável passatempo pensa do mesmo jeito. Então, o que vocês fariam se um personagem favorito fosse simplesmente apagado da história? Quais os desafios que vocês topariam enfrentar para preservar a existência desse mundo secundário tão agradável? O livro de Steve Hillard gira em torno dessas questões.

O livro começa com Tolkien chegando em Manhattan. Seu objetivo é deixar sob a proteção de um velho amigo alguns papéis (de autoria desconhecida) que falam da jornada de uma heroína em um universo que serviu de inspiração para a criação da Terra-média. Quase cinqüenta anos depois, um homem é ameaçado por uma criatura maligna, mas consegue fugir. A história dá um salto de um ano, quando encontramos uma das heroínas da história, Cadence Grande, neta do homem desaparecido. Há um ano, na noite do Halloween, seu avô Jess desapareceu e Cadence está só no mundo. Ela acaba se tornando uma espécie de inventariante do avô, quando descobre entre os pertences dele uma valise repleta de documentos que parecem ser muito antigos. Mais tarde, ela percebe que o desaparecimento do avô pode estar ligado a esses misteriosos papéis. Tais escritos, em uma língua élfica muito antiga, contêm a história de Ara, a segunda heroína do livro. Então, Cadence começa uma investigação por conta própria e é a partir daí que muitas respostas serão dadas as suas perguntas e o enredo do livro começa a se desenvolver.

Algumas coisas me chamaram bastante atenção:

1- Certos capítulos relatam alguns encontros dos Inklings. Foi ótimo ver retratado como poderiam ter sido as conversas entre os integrantes do grupo. As discussões giram em torno de vários assuntos, e as que mais gostei foram aquelas sobre a mitologia de Tolkien (que estava tomando forma) e o papel feminino nas histórias que aqueles renomados autores criaram.

2- Caramba, como eu queria saber desenhar. Um livro ilustrado, mesmo que sejam poucos os desenhos, faz toda a diferença na hora de imaginar determinado acontecimento. Os tons em preto e branco caíram bem com o clima de mistério da história.

3- Algumas passagens do livro assemelham-se sutilmente a certos episódios d’O Senhor dos Anéis. Logo no início, percebi algumas palavras emprestadas (um Espectro a serviço do Senhor do Escuro, a heroína da história faz parte do povo dos Pequenos, uma hobbit, dentre outros).

4- O autor acertou em cheio ao colocar como pano de fundo a principal discussão de Tolkien: sobre a realidade contida nos contos de fadas, sobre o mundo secundário (de fantasia) ser passível de realidade pela perspectiva do leitor.

5- Ao contrário do que se possa pensar, Mirkwood não é uma versão romanceada da vida de Tolkien. Apesar de retratar encontros do Inklings, o enredo da história gira em torno de uma (simples e fictícia) decisão de Tolkien.

Fonte: Meu Cantinho Literário