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J.R.R. Tolkien's The Lord of the Rings (1978)

Pôster de O Senhor dos Anéis de 1978
J.R.R. Tolkien’s The Lord of the Rings
é um filme de animação feito em
1978 sob a direção de Ralph Bakshi. É uma adaptação da primeira metade
do livro O Senhor dos Anéis. O diretor Ralph Bakshi se deparou com as
obras de Tolkien bastante cedo em sua carreira, e fez diversas
tentativas de produzir O Senhor dos Anéis como um filme de animação até
que recebeu investimento do produtor Saul Zaentz e da distribuidora
United Artists.

 

 
O filme é notável por seu extensivo uso de rotoscopia (veja aqui no ValinorTube a cena Minas de Moria, com "ótimos" exemplos de rotoscopia), uma técnica na qual as cenas são primeiramente filmadas ao vivo e depois desenhadas em células de animação. Embora o filme tenha sido um sucesso financeiro, ele teve uma recepção mista dos críticos, e os distribuidores originais se recusaram a financiar a continuação que cobriria o restante da história. Contudo, o filme criou uma nova onda de interesse na obra de Tolkien, inspirando a produção de várias outras adaptações da história.

Roteiro

O filme segue a história dos livros até o ponto em que Gollum concorda em mostrar a Frodo e Sam um caminho para a Montanha da perdição e até a conclusão da batalha do Abismo de Helm, se encerrando de forma bastante abrupta neste ponto.

Elenco

Ralph Bakshi e Elenco
 
* Christopher Guard …. Frodo Baggins (voz)

* William Squire …. Gandalf (voice)
* Michael Scholes …. Samwise Gamgi (voz)
* John Hurt …. Aragorn (voz)
* Simon Chandler …. Meriadoc (voz)
* Dominic Guard …. Pippin (voz)
* Norman Bird …. Bilbo Baggins (voz)
* Michael Graham Cox …. Boromir (voz)
* Anthony Daniels …. Legolas (voz)
* David Buck …. Gimli (voz)
* Peter Woodthorpe …. Gollum (voz)
* Fraser Kerr …. Saruman (voz)
* Philip Stone …. Rei Théoden (voz)
* Michael Deacon …. Língua-de-Cobra (voz)
* André Morell …. Elrond (voz) (como Andre Morell)
* Alan Tilvern …. Cerveijeiro Carrapicho (voz)
* Annette Crosbie …. Galadriel (voz)
* John Westbrook …. Barbárvore (voz)
 
 
Produção

O diretor Ralph Bakshi foi apresentado ao Senhor dos Anéis durante meados da década de 1950 enquanto trabalhava como um animador para o estúdio Terrytoons. Em 1957, o jovem animador começou a tentar convencer as pessoas de que a história poderia ser contada em animação. Neste momento os direitos de filmagem pertenciam a Walt Disney, mas em 1968 os direitos passaram para a United Artists (UA), onde os diretores Stanley Kubrick e John Boorman tentaram adaptar a história.

Em meados da década de 1970, Bakshi, que então já havia atingido sucessos de bilheteria produzindo filmes de animação para adultos como Fritz the Cat de 1972, aprendeu com as tentativas da UA e de Boorman em adaptar a história. Ele ficou sabendo que Boorman planejara produzir todas as três partes de O Senhor dos Anéis como um único filme e comentou: "Eu acho que aquilo era loucura, certamente uma falta de caráter por parte de Boorman. Por que você iria querer alterar qualquer coisa que Tolkien tenha feito?". Quando a proposta de adaptação de Boorman caiu por terra, Bakshi entrou em contato com o estúdio e se propôs a dirigir uma adaptação do livro em forma de filme de animação, dividida em três partes:

"Eles disseram tudo bem, porque Boorman entregou este roteiro de 700 páginas e perguntaram se eu gostaria de lê-lo? Eu disse, ‘bem, são todos os três livros em um?’. Eles disseram, ‘Sim, mas ele mudou um monte de personagens e acrescentou novos. Ele colocou alguns calçados dos quais está fazendo propaganda no meio.’ Eu disse, ‘Não, prefiro não ler. Prefiro fazer os livros o mais próximo que pudermos, usando os diálogos e cenas exatos de Tolkien’. Eles disseram, ‘Tudo bem’, o que me derrubou, ‘porque nós não entendemos uma palavra do que Boorman escreveu. Nós nunca lemos os livros. [...] Nós não temos tempo de lê-lo. Você o entende, Ralph, então vá fazê-lo’" — Diretor Ralph Bakshi

O escritório da Metro-Goldwyn-Mayer era localizado no mesmo prédio, e Bakshi conversou com o então presidente Dan Melnick. "Eu pensei que ele entenderia o que O Anéis significava, porque a UA não entendia". Bakshi e Melnick fizeram um acordo com Mike Medavoy da UA para comprar o roteiro Boorman. "O roteiro Boorman custou U$ 3 milhões, então Boorman estava feliz, gritando e rindo e bebendo, porque ele recebeu U$ 3 milhões por seu roteirom que seria jogado fora". Contudo, após Melnick ser demitido da MGM, o acordo ruiu. Bakshi então entrou em contato com Saul Zaentz (que havia ajudado a financiar Fritz the Cat) pedindo a ele para produzir O Senhor dos Anéis, e Zaentz concordou. Antes de a produção começar, a adaptação original em três partes foi negociada para duas partes pela United Artists, e Baksgi se encontrou com a filha de Tolkien, Priscilla, para discutir como o filme seria feito. Ela lhe mostrou o quarto onde seu pai escrevia e desenhava. Bakshi disse, "Minha promessa à filha de Tolkien era de ser puro para com o livro. Eu não iria dizer, ‘Hey, jogue fora Gollum e mude esses dois personagens’. Meu trabalho era dizer, ‘Isto é o que o gênio disse’".

Direção

Ralph Bakshi por trás das câmeras
Ralph Bakshi afirmou que um dos problemas com a produção foi o filme ser um épico, porque "épicos tendem a se arrastar. O maior desafio era ser fiel ao livro". Quando perguntado o que ele estava tentando alcançar com o filme, Bakshi afirmou "O objetivo era trazer tanta qualidade quanto possível ao trabalho. Eu queria ilustrações reais e não cartuns". Bakshi afirmou que descrições foram removidas porque eram vistas no filme:

"Não é tão importante para mim a aparência de um hobbit. Todo mundo tem sua própria idéia de como os personagens se parecem. É importante para mim que a energia de Tolkien sobreviva. É importante que a qualidade da animação seja igual à qualidade de Tolkien. Quem se importa com quão grande o nariz de Gandalf seja? A tendência da animação é apenas se preocupar com o desenho. Se o filme funciona, concorde você com o rosto de Bilbo ou não, o resto se torna inconseqüente". — Ralph Bakshi

As maiores influências artísticas de Bakshi no filme foram ilustradores clássicos como Howard Pyle e N. C. Wyeth: ele afirmou que nenhum ilustrador contemporâneo influenciou no estilo do filme.

"O filme é uma colisão de uma porção de estilos como todos os meus filmes. Eu gosto de histórias soturnas. Eu gosto de drama. Eu gosto bastante de cores saturadas. E claro, o grande problema era controlar os artistas de forma que desenhassem da mesma forma. Como você consegue que 600 pessoas desenhem um personagem da mesma forma? A tendência é querer deixar alguma liberdade ao artista, mas então alguém deixa de fora um chapéu ou coloca um chapéu em um personagem. [...] Eu acho que nós conseguimos animações reais e não cartuns. Artisticamente, podemos fazer qualquer coisa que quisermos". — Ralph Bakshi

 
Roteiro e Desenvolvimento
Um rascunho preliminar do roteiro foi feito por Chris Conkling, que contou a maior parte da história em flashback, do ponto de vista de Merry Brandebuque. Após Bakshi e Zaentz terem visto o primeiro rascunho de Conkling, o autor e fantasia Peter S. Beagle foi chamado para reescrevê-lo. De acordo com o website do editor Conlan Press, Beagle escreveu vários rascunhos do roteiro por apenas U$ 5.000, sob promessas de Saul Zaentz de contratá-lo para outros projetos com melhores pagamentos. Zaentz mais tarde renegou estas promessas.

O filme se desvia em alguns pontos do livro, mas no geral segue a narrativa de Tolkien de forma bastante próxima. Sobre o processo de adaptação, Bakshi afirmou que elementos da história "tinham que ser deixados de fora, mas nada na história foi realmente alterado". O filme condensa bastante a jornada de Frodo de Bolsão até Bri. Paradas na casa do Fazendeiro Magote, e a causa do misterioso Tom Bombadil no interior da Floresta Velha foram omitidas. Magote e sua família e Bombadil e sua esposa Fruta d’Ouro são, portanto todos omitidos, bem como Fatty Bolger, um hobbit que acompanhou Frodo no início. De acordo com Bakshi, o personagem de Tom Bombadil foi "eliminado" porque "ele não fazia a história andar". Assista no ValinorTube a Abertura do Filme, contanto a história dos Anéis.

Algumas mudanças foram de natureza cosmética. Por exemplo, Saruman o Branco adota o título "Saruman de Muitas Cores" como no romance de Tolkien. Neste ele inicialmente usa branco, mas modifica sua vestimenta. Contudo, no filme suas roupas não são nem brancas nem multicoloridas, mas possuem diferentes tons de vermelho. Legolas veste roupas prata e cinza enquanto que no livro ele está "vestido de verde e marrom". Aragorn também veste "verde amarronzado e marrom" no livro, mas suas vestimentas são em diferentes tons de marrom no filme. Boromir usa um capacete com chifres, o qual não tem precedentes no livro.

A cena aonde os Espectros do Anel chegam ao quarto dos hobbits e acertam suas camas, apenas para descobrir que eles não estão ali, não estão no livro, apenas a descoberta disso após o ocorrido. E mais, Tolkien deixa implícito que o ataque foi feito por agentes dos Espectros do Anel em Bri, possivelmente incluindo Bill Ferny, e não os próprios Espectros (embora estes estivessem presentes na cidade).

Gollum de Ralph Bakshi
A apresentação da batalha do Abismo de Helm difere em alguns detalhes do livro. Notavelmente, a própria fortaleza é chamada "Abismo de Helm" no filme, enquanto no livro é chamada "Forte da Trombeta" e "Abismo de Helm" é o nome do vale onde esta está localizada, ou, mais precisamente, a ravina atrás da fortaleza. O "fogo explosivo", aqui chamado de "Fogo de Isengard", aparece como projéteis mágicos atirados diretamente de Isengard. Éomer é retratado como um renegado encontrado por Gandalf; juntos, eles salvam o dia no Abismo de Helm. No livro, ele estava presente na batalha e Gandalf chega com Erkenbrand.

 
Animação

A publicidade do filme anunciava que Bakshi havia criado "o primeiro quadro que se movia" utilizando "uma técnica inteiramente nova de direção". Muito do filme utilizou cenas reais que foram então rotoscopadas para produzi uma aparência de animação. Isto gerou economias na produção e deu aos personagens animados uma aparência mais realística. O historiador da animação Jerry Beckescreveu no The Animated Movie Guide que "até aquele momento, os filmes animados não haviam mostrado amplas cenas de batalha com centenas de personagens. Ao utilizar rotoscopia, Bakshi podia traçar cenas altamente complexas a partir de cenas reais e transformá-las em animação, tomando vantagem, portanto, da complexidade do filme em tempo real podia capturar sem incorrer nos custos exorbitantes de produzir um filme de verdade".

"Contaram-me que na Disney era dito aos atores para interpretar como num cartum, com todo aquele exagero. Em Senhor dos Anéis, eu fiz os atores interpretarem normalmente. A rotoscopia no passado era utilizada nas cenas e então exagerada. A ação se tornava cartunesca. A questão que existia era se você não pretende ser cartunesco, porque utilizar animação? [..] É o método tradicional de rotoscopia mas o uso não é o tradicional. É um realismo rotoscópico diferente de tudo que havia sido visto. Realmente é uma coisa única para a animação. O número de personagens se movendo em uma cena é estrondoso. Em O Senhor dos Anéis, você tem centenas de pessoas em cena. Nós temos células com mil pessoas nelas. Era tão complexo que algumas vezes só conseguíamos uma célula por semana, de um artista. As cenas simples eram aquelas onde tínhamos apenas quatro pessoas". — Ralph Bakshi

Para a parte real da produção, Bakshi e seu elenco e equipe foram para a Espanha, onde os modelos de rotoscopia atuaram já caracterizados em suas partes. Muitos dos atores que contribuíram com voz nesta produção também atuaram em suas cenas rotoscopadas. As ações de Bilbo Bolseiro e Samwise Gamgi foram executadas por Billy Barty, enquanto Sharon Baird serviu como modelo de atuação para Frodo Bolseiro. Embora algumas células de animação tenham sido produzidas para o filme muito pouco aparece no filme, confira Gandalf e Frodo descobrindo sobre o Um Anel, no ValinorTube. A maior parte das cenas de batalha e de multidão usa uma técnica diferente, na qual cenas reais são posterizadas para produzir um visual mais tridimensional. Em algumas poucas cenas as duas técnicas são combinadas.

Bakshi afirmou que "não comecei a pensar em fazer o filme completamente real até que percebi que realmente começou a funcionar muito bem. Eu aprendi muitas coisas sobre o processo, como rippling. Em uma cena, alguns personagens estão parados em uma colina e uma grande lufada de vento chega e as sombras se movem para frente e para trás nas roupas e ficou inacreditável na animação. Eu acho que não conseguiria obter a mesma sensação de frio na tela sem mostrar neve ou gelo no nariz de alguém. Os personagens tinham peso e se moviam corretamente".

Depois as cenas serem filmadas, cada quadro era impresso e colocado atrás de uma célula de animação. Os detalhes de cada quadro eram copiados e pintados na célula. Tanto as cenas reais quanto as seqüências animadas eram quadrinhadas. Durante a produção Bakshi é citado dizendo

"Fazer dois filmes [o real e o equivalente animado] em dois anos é loucura. A maioria dos diretores quando terminam de editar já terminam seu trabalho; estamos apenas começando. Eu tive mais do que esperava. A equipe é jovem. A equipe adora o filme. Se a equipe adora, é geralmente um ótimo sinal. eles não são animadores antigos tentando obter de mim trabalhos nos próximos anos".

Orcs de Moria Embora tenha continuado a usar rotoscopia em American Pop, Hey Good Lookin’ e Fire and Ice, Bakshi mais tarde lamentou seu uso da rotoscopia, afirmando que ele sentia ser um erro traçar a filmagem de base ao invés de utilizá-la como guia. Tim Burton trabalhou como um pintor de células no filme. Ele mais tarde se tornou um animador para a Disney e então um diretor de filmes.

Música

A trilha sonora do filme foi composta por Leonard Rosenman. Bakshi desejava incluir músicas do Led Zeppelin, mas o produtor Saul Zaentz insistiu em uma trilha orquestrada porque ele não seria capaz de lanças músicas da banda em seu selo Fantasy Records. Bakshi mais tarde afirmou que ele odiou a trilha de Rosenman, a qual achou ser muito clichê. Em Lord of the Rings: Popular Culture in Global Context, Ernest Mathijs escreve que a trilha de Rosenman "é um meio termo entre suas trilhas anteriores, mais sonoras mas dissonantes, e suas músicas mais tradicionais (e menos desafiadoras) [...]. Em [última análise, a trilha sonora de Rosenman possui pouco que a marca como distintivamente Terra-média, fixando-se mais em músicas tradicionais (incluindo trilhas sonoras) do que em uma tentativa de retratar musicalmente as diferentes terras e pessoas da imaginação de Tolkien". A trilha sonora foi lançada como um LP duplo em 1978. Uma edição limita de colecionador foi criada pela Fantasy Records como um LP duplo com quatro cenas nas capas: Os Hobbits deixando a Vila dos Hobbit, Os Espectros do Anel em Bri, Gandalf e o Balrog, Jornada com os Orcs. Em 2001 o álbum foi relançado em CD, com trilhas bônus.

 
Continuação

O filme foi originalmente planejado para ser distribuído como O Senhor dos Anéis Parte Um. De acordo com Bakshi, quando ele completou o filme, os executivos da United Artists lhe contaram que planejavam lançar o filme sem indicar que uma continuação se seguiria, porque eles achavam que as audiências não pagariam para ver metade de um filme.

"Eu disse a eles que eles não podiam tirar o Parte Um, porque as pessoas iriam assistir pensando que estavam vendo o filme completo, e não era verdade. Nós tivemos uma imensa discussão, e eles o lançaram como Senhor dos Anéis. Então, quando ele terminou, as pessoas ficavam paralisadas no cinema, muito pior do que eu imaginei que seria, porque estavam esperando ver o filme completo. As pessoas continuam me falando que eu nunca terminei o filme. E eu continuo dizendo ‘É isso mesmo!’"

"Se ele tivesse o ‘Parte Um’, eu acho que todo mundo o teria respeitado. Mas porque ele não diz ‘Parte Um’, todo mundo veio esperando ver todos os três filmes, e é aí que a confusão se forma".


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O Livro Filme de J.R.R. Tolkien’s the Lord of the Rings, publicado pela Ballantine Books em 12 de outubro de 1978 ainda se refere a uma continuação, dentro da capa do livro. Nakshi afirma que ele nunca teria feito o filme se soubesse o que poderia acontecer durante a produção. Ele é citado dizendo que a razão pela qual ele fez o filme era "salvá-lo para Tolkien, porque eu amava muito o [Senhor dos] Anéis".

Bakshi também afirmou que ele sentia que o filme "tomou mais do que deu em troca".

"[O filme] me fez se dar conta que não estou interessado [em adaptar a história de outra pessoa]. Que a coisa que parecia me interessar mais era falar arrogantemente, ou sentar em uma sala e pensar sobre como você se sente sobre este assunto ou sobre aquele outro assunto e como você obtém aquilo com a audiência, era a parte mais excitante da minha vida"

 
Recepção

O Senhor dos Anéis foi um sucesso financeiro. O filme obteve U$ 30,5 milhões nas bilheterias, tendo custado cerca de U$ 4 milhões. No livro de Leonard Maltin entitulado Of Mice and Magic: A History of American Animated Cartoons, Maltin cita O Senhor dos Anéis e Fritz the Cat como os únicos grandes sucessos financeiros da carreira de Bakshi. O filme foi indicado ao Hugo Awards na categoria Melhor apresentação Dramática e ao Saturn Awards na categoria Melhor Filme de Fantasia. A trilha sonora de Leonard Rosenman foi indicada ao Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original de Filmes, e Bakshi ganhou um Grifo de Ouro pelo filme no Giffoni Film Festival.

 
Resposta dos Críticos

Os críticos estão geralmente em suas opiniões sobre o filme. No Hollywood Reporter, Frank Barrow escreveu que "a principal recompensa do filme é uma experiência visual como nenhuma outra animação está fazendo atualmente". Roger Ebert chamou o trabalho de Bakshi de "benção misturada" e ‘um trabalho completamente respeitável e ocasionalmente impressionante… que ainda fica distante do charme e extensão da história original". Vincent Canby do New York Times chamou o filme de "tanto impressionante quanto indiferente". O website de cinema Rotten Tomatoes, que compila críticas de variados profissionais, dá ao filme uma pontuação de 47%.

 
Reconhecimento

Legolas e Gimli
O filme tem sido citado como uma influência na trilogia O Senhor dos Anéis do diretor Peter Jackson. Após inicialmente ter negado ter visto o filme de Bakshi, Jackson admitiu que conhecido O Senhor dos Anéis através do filme de Bakshi, afirmando que embora o filme tenha sido uma "tentativa brava e ambiciosa", ele não foi inspirado por ele a ler os livros. Em outra entrevista, Jackson afirmou que ele "gostou [do filme] e desejou saber mais".

Bakshi é citado como tendo dito "Peter Jackson disse que o primeiro filme o inspirou a seguir em frente com a série, mas isso só após eu ter reclamando e esperneado para muitos entrevistadores sobre ele inicialmente ter dito que nunca havia visto o filme. Eu achei que aquilo era meio distorcido". A adaptação de Jackson tem algo da versão de Bakshi. Na trilha de comentário em áudio para o DVD de The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Jackson reconhece uma cena, um ângulo baixo de um hobbit na festa de aniversário de Bilbo, gritando "Proudfeet!", era uma homenagem intencional ao filme de Bakshi.

Bakshi também é citado dizendo que ele tinha "sentimento opostos" sobre as adaptações de Jackson, embora ele não tenha visto o filme. "Sob certo ângulo eu me sinto bem que Peter Jackson tenha continuado até o fim, e em alguns aspectos eu me sinto mal que Saul Zaentz, o produtor, e várias outras pessoas nunca tenham me chamado, me agradecido ou pedido minha permissão para fazer o filme. [...] [Nem] ninguém me mandou uma garrafa de vinho, devido ao tremendo sucesso. [...] Mas eu tenho mais sentimentos com relação ao lado negocial do que com relação ao lado criativo. Fico feliz que Peter tenha um filme para o qual olhar – eu nunca tive. E certamente há um monte de coisas a aprender assistindo qualquer filme, tanto quanto ele erra quanto quando acerta. Então ele teve uma tarefa um pouco mais fácil que a minha, e um orçamento muito melhor".

 
Legado

O filme foi adaptado para quadrinhos com a arte do artista espanhol Luis Bermejo, sob licença da Tolkien Enterprises. Três edições foram lançadas no mercado europeu, começando em 1979, e não foram publicadas nos Estados Unidos ou traduzidas pata o inglês por problemas de direitos autorais.

O filme de Bakshi gerou interesse suficiente no trabalho de Tolkien para provocar um especial animado de TV produzido pelo estúdio de animação Rankin-Bass baseado em o Retorno do Rei e mais uma adaptação completa de O Senhor dos Anéis para a Rádio BBC. Nesta produção, Michael Graham Cox e Peter Woodthorpe reprisaram seus papéis como Boromir e Gollum, respectivamente.

A Warner Bros. (a detentora dos direitos da biblioteca da Rankin-Bass pós-1974 e da maior parte do histórico teatral de Saul Zaentz) lançou O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Retorno do Rei em VHS e DVD, tanto em separado como em uma caixa, Em 2003, a Online Film Critics Society ranqueou a animação como a 90ª melhor de todos os tempos.

 
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