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No Final da Busca, Vitória

tolkien-archives.gifContinuando com a publicação de resenhas da época do lançamento dos livros de Tolkien, desta vez vocês poderão conferir "No Final da Busca, Vitória", resenha sobre O Retorno do Rei, escrita em 22 de janeiro de 1956 por W.H. Auden, renomado poeta de língua inglesa que também escrevia resenhas para o jornal The New York Times. Aproveitem para mais uma vez, ler sobre Tolkien sem o peso de anos de crítica, através deste texto traduzido por Jorge "Passolargo" Marsolla.
 
 
No Final da Busca, Vitória (por W.H. Auden, traduzido por Jorge "Passolargo" Marsolla)

No “O Retorno do Rei”, Frodo Bolseiro cumpre sua Busca, o reino de
Sauron acaba para sempre, a Terceira Era chega ao final e a trilogia de
J. R. R. Tolkien “O Senhor dos Anéis” se completa. Não me recordo de
outro livro sobre o qual tive tantas discussões violentas. Ninguém
parece ter uma opinião moderada sobre ele: um ou outro, como eu,
acham-no uma obra-de-arte do seu gênero; outros não o suportam e, no
meio, há alguns hostis – cujos julgamentos literários, devo confessar –
tenho grande respeito. Alguns poucos desses podem ter deixado de lado
as primeiras quarenta páginas do primeiro capítulo do primeiro volume,
no qual o dia-a-dia dos hobbits é descrito; é uma comédia leve até
então, e isso não é o forte do Sr. Tolkien. Na maior parte dos casos,
de qualquer modo, a objeção deve ir mais a fundo. A princípio, eu só
posso supor que algumas pessoas contestam as Buscas Heróicas e Mundos
Imaginários por sentirem que isso não pode ser nada além de uma leve
leitura “escapista”. Que um homem como o Sr. Tolkien, um filólogo
inglês que ensina em Oxford, esbanje tais esforços incríveis sobre um
gênero o qual é para eles superficial por definição é bastante chocante.

A dificuldade de apresentar uma completa imagem da realidade reside no
abismo entre a realidade subjetiva, uma experiência de sua própria
existência, e a realidade objetiva, sua experiência das vidas de outros
e do mundo sobre ele. A Vida, como eu vivencio, é primariamente uma
contínua sucessão de escolhas entre alternativas feitas por um
propósito de curto-prazo ou um longo-prazo; as ações que tomei são
menos significantes para mim do que os conflitos de motivos, tentações
e dúvidas das quais elas se originaram. Mais além, minha experiência
subjetiva de tempo não é um movimento cíclico exterior a mim, mas uma
irreversível história de momentos únicos os quais são feitos por minhas
decisões.

Para materializar essa experiência, a imagem natural é de uma jornada
com um propósito, envolvida por riscos perigosos e obstáculos, alguns
meramente difíceis, outros efetivamente hostis. Mas quando observei meu
próximo, tal imagem pareceu falsa. Eu posso ver, por exemplo, que
somente os ricos e aqueles que estão no ócio aceitam as jornadas; a
maioria dos homens, na maior parte do tempo, precisam trabalhar em um
lugar.

Eu não posso enxergá-los fazendo escolhas, mas sim as ações que eles
tomam, e se eu conheço bem alguém, posso freqüentemente prever
corretamente o quanto este irá agir em determinada situação. Eu vejo,
com muita freqüência, homens em conflitos uns com os outros (guerras e
ódio), mas raramente, algo nítido entre o Bem de um lado e o Mal do
outro; embora também observe que, geralmente, ambos os lados
interpretem como tal. Então, tento descrever o que vejo como se eu
fosse uma câmera impessoal, produzindo não uma Busca, mas um documento
“naturalista”.

Ambos os extremos, é claro, falsificam a vida. Há Buscas medievais as
quais merecem o criticismo feito por Erich Auerbach no seu livro
“Mimesis”:
“O mundo de nobreza provando ser um mundo de aventuras. Isso não apenas
contém uma série de aventuras praticamente interrompidas, mas sim,
especificamente, nada além dos requisitos de uma aventura… Exceto as
façanhas de guerras e do amor, nada acontece no mundo elegante, mesmo
que esses dois sejam algo especial; eles não são acontecimentos ou
emoções as quais se pode abster por um tempo, pois estão
permanentemente conectados com a pessoa do cavaleiro perfeito; são
parte de sua definição, portanto, ele não pode estar por um momento sem
façanhas e nem sem um envolvimento amoroso… Suas bravuras vêm da
perícia em guerras, não da “guerra em si”; para eles, existem feitos
alcançados ao acaso os quais não servem dentro de nenhum modelo
politicamente vantajoso.”

E existe o “romance” contemporâneo no qual a identificação de herói e
vilão com sua política é deprimentemente óbvia. Na outra mão, há as
novelas naturalistas nas quais os personagens são meros fantoches do
destino, ou melhor, do autor, cujo ponto de liberdade misterioso
contempla os trabalhadores do destino.

Como eu acredito, o Sr. Tolkien foi bem mais sucedido do que o escritor
anterior nesse gênero, no que se diz respeito ao uso das propriedades
tradicionais da Busca, tais como a jornada heróica, o objeto divino e o
conflito entre o Bem e o Mal enquanto que, ao mesmo tempo, satisfazia
nosso senso de realidade história e social. Para começar, nenhum
escritor anterior, no meu conhecimento, criou um mundo imaginário e uma
história fictícia com tantos detalhes. Na hora que o leitor termina a
trilogia, incluindo os apêndices deste último volume, ele sabe muito
aproximadamente sobre a Terra-Média de Tolkien, seu cenário, sua fauna
e flora, seus povos, suas linguagens, suas histórias e seus hábitos
culturais, assim como fora desse campo especial, ou seja, o mundo atual.

O mundo do Sr. Tolkien pode não ser o mesmo que o nosso: isso inclui,
por exemplo, elfos, seres que conhecem o Bem e o Mal, mas que não
sucumbiram, e, ainda que não sejam fisicamente indestrutíveis, não
sofrem morte natural. Atormentados por Sauron, o Mal absoluto
encarnado, temos criaturas como Laracna, a aranha monstro, ou os orcs
que foram corrompidos passada a esperança de salvação. Mas esse é um
mundo de leis inteligíveis, não um mero desejo; o senso de confiança do
leitor nunca é violado.

Mesmo o Um Anel, a arma física e psicológica absoluta que corrompe
qualquer um que ouse usá-lo, é uma hipótese perfeitamente plausível de
tarefa política que motiva as buscas de Frodo em querer destruí-lo.

Apresentar o conflito entre o Bem e o Mal como uma guerra na qual o
lado do Bem é derradeiramente vitorioso é um trabalho sensível. Nossa
experiência histórica nos diz que o poder físico e, em uma extensão
mais ampla, o poder mental são moralmente neutros e efetivamente reais:
guerras são vencidas pelo lado mais forte, justo ou injusto. Ao mesmo
tempo, a maioria de nós acredita que a essência do Bem é o amor e a
liberdade de modo que o Bem não pode se impor a força sem deixar de ser
bom.

As batalhas do Apocalipse e do “Paraíso Perdido”, por exemplo, são
difíceis de suportar por causa da combinação de duas noções
incompatíveis de divindade, ou seja, um Deus do Amor que cria seres
livres que podem rejeitar seu amor, e um Deus de absoluto Poder o qual
ninguém pode se opor. O Sr. Tolkien não é tão grande escritor quanto
Milton, mas nesse assunto, ele foi bem sucedido onde Milton falhou.
Como os leitores dos volumes antecedentes irão lembrar, a situação da
Guerra do Anel é a seguinte: Chance ou Providência colocam o Anel nas
mãos dos representantes do Bem (Elrond, Gandalf e Aragorn). Usando-o,
eles poderiam destruir Sauron, a encarnação do Mal, mas ao custo de se
tornarem seu sucessor. Se Sauron recuperasse o Anel, sua vitória seria
imediata e completa, mas mesmo sem isso, seu poder era maior do que
qualquer ameaça que algum de seus inimigos pudesse fazer contra ele, de
modo que, a menos que Frodo fosse bem sucedido na destruição do Um,
Sauron deveria vencer.

O Mal, como é, tem toda vantagem, exceto uma inferior na imaginação. O
Bem pode imaginar a possibilidade de se tornar o Mal, por isso a recusa
de Gandalf e Aragorn em usar o Anel, mas o Mal (desafiante escolhido),
não consegue mais imaginar nada além de si mesmo. Sauron não pode
imaginar nenhum motivo exceto o desejo pela dominação e o medo; desse
modo, quando ele soube que seus inimigos estavam com o Anel, a idéia de
que esses poderiam tentar destruí-lo jamais passou pela sua cabeça, e
seu olho então se fixou ao redor de Gondor e ficou longe de Mordor e da
Montanha da Perdição.

Mais adiante, a veneração pelo poder é seguida, como deveria ser, por
raiva e um desejo de crueldade: sabendo da tentativa de Saruman em
roubar o Anel, Sauron fica tão enfurecido que, por dois dias cruciais,
não presta atenção a um rumor sobre um espião nas escadas de Cirith
Ungol, e quando Pippin é tolo o suficiente para olhar no palantir de
Orthanc, Sauron poderia ter aprendido tudo sobre a Busca. Seu desejo de
capturar e torturar faz com que perca sua preciosa oportunidade.

As necessidades das capacidades do escritor em um épico tão longo
quanto “O Senhor dos Anéis” são enormes e aumentadas na medida em que a
história prossegue, as batalhas ficam mais espetaculares, a situação
mais crítica e as aventuras mais emocionantes. Eu só posso dizer que o
Sr. Tolkien provou ser igual a eles. Dos apêndices, os leitores
conseguirão vislumbres torturantes da Primeira e Segunda Era. A lenda
desses já foi escrita e eu espero que, assim que os editores virem “O
Senhor dos Anéis” dentro de uma edição de brochura, não deixem o
crescente exército de fãs do Sr. Tolkien esperando por muito tempo.

O Sr. Auden é o autor de “Nones” e “The Shield of Achilles” dentre outros volumes de verso.

 

Análise do Filme O Senhor dos Anéis:O Retorno do Rei, Parte 1

A Valinor dá continuidade à publicação da Análise Psicológica dO Senhor dos Anéis, agora com a primeira parte da análise dO Retorno do Rei. As primeiras partes podem ser lidas neste endereço.
 
 
DENETHOR : IDENTIFICAÇÃO COM A PERSONA E COM O COMPLEXO DE PODER
 
"O orgulho seria tolice, se desdenhasse ajuda e aconselhamento na
necessidade, mas você distribui essas dádivas de com seus próprios
desígnios. Apesar disso, o Senhor de Gondor não deve ser transformado
na ferramenta dos propósitos de outros homens, não importa quanto sejam
valorosos.E para ele não há propósito mais alto no mundo, como ele se
apresenta agora, do que o bem de Gondor e a lei de Gondor, meu senhor,
é minha e de nenhum outro homem, a não ser que o rei retorne."
  (1)

 

Logo de início podemos observar que, Denethor é alguém  identificado com seu posto, o regente de Gondor. Denethor não se coloca como o administrador e responsável pelo cumprimento das leis em Gondor, ele diz ser a própria lei. O Senhor de Gondor é um sujeito identificado com a persona de regente. Esta é a definição do conceito de  persona :

"Persona :  Designa originalmente, no teatro antigo, a máscara usada pelos atores. A persona é o sistema de adaptação ou a maneira por que se dá a comunicação com o mundo.Cada estado ou cada profissão, por exemplo, possui sua persona característica.O perigo está, no entanto, na identificação com a persona; o professor com seu manual, o tenor com sua voz.Pode-se dizer, sem exagero,que a persona  é aquilo que não é verdadeiramente, mas o que nós mesmos e os outros pensam que somos." (2)

A identificação com a persona traz grandes prejuízos ao desenvolvimento da personalidade.O sujeito identificado com a persona tem um grande obstáculo pela frente caso venha desejar atingir a meta do processo de individuação, o obstáculo de interagir e de se relacionar com o mundo apenas através desta persona.No caso do Regente, ele se vê como o regente em todos os aspectos de sua vida, fator este que veio a ser o responsável por fazer com que o mesmo viesse a exercer um papel de pai questionável no relacionamento com seus dois filhos.

Denethor exerceu papel de Regente com os seus filhos Boromir e Faramir, não há uma relação fraternal e amorosa do pai com os filhos. Há uma relação de poder entre o Regente e seus filhos, que são vistos  como subordinados da Lei de Gondor, e não como filhos de Denethor.

"Por quê? Por que fogem os tolos?- Disse Denethor- É melhor ser queimado mais cedo que mais tarde, pois esse será nosso fim.Voltem para a sua fogueira! E eu?Irei agora para a minha pira.Para a minha pira.Nada de túmulo para Denethor e Faramir.Nada disso!Nada de longos sonos de morte embalsamada.Vamos arder como arderam os reis bárbaros antes que qualquer navio tivesse vindo do oeste para cá.O ocidente fracassou.Voltem e queimem!"
  (3)

Minas Tirith estava sendo arrasada  pelos exércitos de Sauron, a ajuda de Rohan  estava demorando a chegar e o poder de Denethor começava a desmoronar. Denethor estava perdendo o controle das coisas, estava perdendo seu poder e ainda que a guerra   pela Terra Média não existisse, ele teria de entregar a lei de Gondor ao rei, que estava por vir. Se desprender de seu cargo e entregar a autoridade de Gondor ao herdeiro de Isildur, era  algo contra Denethor  resistia. A forma como o regente compreendeu que poderia manter seu posto, sem ter de entregá-lo a Aragorn, foi morrendo ainda no posto com a lei de Gondor sob sua responsabilidade e autoridade.Aqui, fica clara a onipotência e arrogância de Denethor, para ele é preferível morrer a deixar de ter poder. É preferível morrer "no topo" vítima de seu apego ao poder, do que viver de maneira simples e equilibrada.

"- O que é isso, meu senhor? – disse o mago – As casas dos mortos não são lugar para os vivos.E por que há homens lutando aqui no Recinto Sagrado, quando já existe guerra o suficiente diante do Portão? Ou será que nosso Inimigo conseguiu até mesmo chegar à Rath Dinen?- Desde quando o Senhor de Gondor te deve explicações? Disse Denethor.- Ou será que não posso comandar meus servidores? – Você pode- disse Gandalf –Mas outros podem contestar sua vontade, se ela voltar para a loucura e a maldade.Onde está Faramir, seu filho?
– Está deitado lá dentro – disse Denethor, queimando, já está queimando.Atearam fogo à sua carne.Mas em breve todos estarão queimando.O oeste fracassou.Tudo irá pelos ares numa grande fogueira, e tudo estará terminado.Cinzas! Cinzas e fumaça carregadas pelo vento!"
(4)

" – A autoridade não lhe foi dada, Regente de Gondor, para ordenar a hora de sua morte- respondeu Gandalf – E apenas os reis bárbaros, sob o domínio do Poder Escuro, fizeram isso, matando-se por orgulho e desespero, assassinando seus parentes para aliviar a própria morte." (5)

"Pois continua alimentando esperanças! – disse rindo Denethor – Então não te conheço Mithrandir? Tua esperança é governar em meu lugar, ficar atrás de todos os tronos, do norte, do sul ou do oeste. Li tua mente e suas políticas. Achas que não sei que tu ordenaste a este Pequeno que ficasse calado?Que tu o trouxeste aqui para ser um espião em meu próprio aposento? Apesar disso, em nossa conversa eu soube os nomes e os propósitos de todos os teus companheiros. Eu sei! Com a mão esquerda tu me usarias por um tempo como um escudo contra Mordor, enquanto com a mão direita trarias este Guardião do Norte para me suplantar.
– Mas eu te digo, Gandalf  Mithrandir, não serei teu brinquedo! Sou um Regente da Casa de Anárion. Não vou me rebaixar para ser o camareiro caduco de um arrivista. Mesmo que a reivindicação dele se mostrasse autêntica, ainda assim ele apenas pertence à linhagem de Isildur. Não me curvaria diante desse sujeito, o ultimo representante de uma casa destruída, há muito tempo desprovida de realeza e dignidade.
 – Então, o que escolheria você – disse Gandalf  -, se seu desejo pudesse ser realizado?
– Eu escolheria as coisas como elas sempre foram em todos os dias de minha vida – respondeu Denethor – e nos dias de meus antepassados que me precederam: ser o Senhor desta Cidade em paz, e deixar meu lugar para um filho depois de mim, um filho que fosse dono da própria vontade, e não o pupilo de um mago.Mas, se o destino me nega isso, então não quero nada: nem a vida diminuída, nem o amor pela metade, nem a honra abalada.
– A mim não pareceria que um Regente que com fidelidade entrega seu cargo fica diminuído em amor ou em honra – disse Gandalf – E pelo menos você não privaria seu filho do poder de escolha, enquanto ainda há dúvidas sobre sua morte."
(6)

Neste diálogo de Denethor com Gandalf , podemos notar que a maior motivação para o Regente de Gondor decidir pelo suicídio se deve ao fato de ter de entregar o poder a Aragorn, herdeiro por direito do trono. Outra característica de alguém identificado com o complexo de poder, é a paranóia e o constante sentimento de ameaça em que vive este sujeito.

Nota-se também a falsa idéia de ser o portador de uma onisciência divina, uma vez que Denethor diz ter lido a mente de Gandalf. Sendo o poder  o único fator  a ter espaço e importância na vida do Regente, acaba-se por perder o equilíbrio psicológico, o bom senso, o amor, a cordialidade e o respeito por si mesmo e pelas outras pessoas.Pois,  o contato com a totalidade da personalidade foi perdido e assim desta maneira, vive-se uma unilateralidade, arbitrária e centralizadora.

A consciência e o discernimento de Denethor se encontram de tal forma prejudicados, que faz com o mesmo chegue a se achar no direito de decidir sobre a vida ou morte de Faramir. Pois uma vez que Denethor vive sua vida para ser o regente, nada mais passa a ter sentido ou significado o bastante, que o motive a viver. O triste fim do Senhor de Gondor, nos remete ao mito de Ícaro, mito este que nos conta sobre o perigo que existe quando o excesso, o desejo pelo poder e a unilateralidade se tornam mais importante do que outras coisas na vida de alguém, podendo levar o portador deste desejo a trágicas conseqüências .

Os textos abaixo nos conta sobre o mito:

"Filho de Dédalo e de uma escava, Ícaro morreu vítima das invenções do pai, que ele utilizou sem fazer caso das advertências paternas.Eu te previno, Ícaro, tens de fixar teu curso numa altura média.Aprisionado no labirinto, com seu pai que ajudara Ariana e Teseu a matar Minotauro, ele consegue evadir-se com o auxílio de Parsífae e graças ás asas que Dédalo lhe fez e que ele fixou com cera sobre os ombros.Ícaro voou por cima do mar.E desprezando todos os conselhos de prudência, elevou-se cada vez mais alto,cada vez mais perto do Sol. A cera derrete e ele se precipita no mar.Imagem das ambições desmesuradas do espírito, Ícaro é o símbolo do intelecto que se tornou insensato… da imaginação pervertida. É uma personificação mítica da deformação do psiquismo caracterizada pela exaltação sentimental e vaidosa. Ícaro representa o emotivo e a sorte que o espera. A tentativa insana de Ícaro é proverbial pela emotividade no mais alto grau, por uma forma de aberração do espírito: a mania das grandezas, a megalomania (DIES, 50).Ícaro é o símbolo do excesso e da temeridade, a dupla perversão do juízo e da coragem." (7)

 
analise_rdr_1.jpg
´´A Queda de Ícaro“, quadro de Jacob Peter Gowy, feito entre 1636-1637
 
"… tendo engenhosamente fabricado para si e para o filho dois pares de asas de penas, presas aos ombros com cera, voou pelo vasto céu, em companhia de Ícaro, a quem recomendara que não voasse muito alto, porque o sol derreteria a cera, nem muito baixo, porque a umidade tornaria as penas assaz pesadas. O menino, no entanto, não resistindo ao impulso de se aproximar do céu, subiu demasiadamente. Ao chegar perto do sol, a cera fundiu-se, destacaram-se as penas e ele caiu no mar Egeu, que daí por diante, passou a chamar de Ícaro…" (8)

"Apesar da admoestação paterna, para que guardasse um meio termo, "o centro", entre as ondas do mar e os raios do sol, o menino insensato ultrapassou o métron, foi além de si mesmo e se destruiu. Ícaro é o símbolo da temeridade, da volúpia ´das alturas`; em síntese: a personificação da megalomania." (9)

Como se pode observar nestes textos, o mito de Ícaro traz algumas semelhanças com a relação de Denethor com o poder e com Gandalf. Denethor se porta da mesma forma como o menino alado, não dando atenção aos conselhos  que viriam a se tornar apelos posteriormente vindos da parte de Gandalf .

No mito de Ícaro, Dédalo é um pai preocupado com a segurança e o futuro do filho, da mesma forma Gandalf pensa a respeito de Denethor. Porém a obsessão em manter o posto, cega o entendimento do Senhor de Gondor, que confunde seu mandato com a própria vida, pois a conclusão de Denethor é  de que com o fim do mandato de regente, chega-se o fim da própria vida. Tanto Dédalo, como Gandalf aconselham para que Ícaro e Denethor não se postem  nem no  mais alto e nem na mais baixa profundidade, e sim que busque o caminho do meio, ou seja o equilíbrio psicológico.Retomamos o seguinte trecho:

"Mas, se o destino me nega isso, então não quero nada: nem a vida diminuída, nem o amor pela metade, nem a honra abalada.
– A mim não pareceria que um Regente que com fidelidade entrega seu cargo fica diminuído em amor ou em honra – disse Gandalf – E pelo menos você não privaria seu filho do poder de escolha, enquanto ainda há dúvidas sobre sua morte."
(10)

O equilíbrio psicológico diz respeito a você conciliar pólos opostos em sua vida, adotar posturas diferentes em contextos diferentes.
Como foi dito anteriormente, no momento em que se exigiu de Denethor para que este assumisse a postura de pai diante de Boromir e Faramir, seus filhos o mesmo não conseguiu se desvencilhar de seu posto de regente para assumir o papel paterno. A relação de Denethor e seus filhos é baseada no poder, e não no amor, pois o poder é inerente ao cargo de regente.E, o amor é inerente ao papel de pai. A questão não é optar pelo amor ou pelo poder, a solução é conciliar ambos e saber se utilizar destes recursos nos momentos apropriados durante a vida.

A filosofia chinesa, já há séculos atrás falava sobre o homem saber conciliar os opostos dentro de si. É o Tao, que significa "um modo, um caminho." O Tao reúne os opostos yin e yang, e da mesma forma a psicologia nos dias de hoje propõe a todos aqueles que desejem alcançar o equilíbrio interno.

Denethor não venceu o conflito, se apegou ao seu posto , não seguiu o conselho de Gandalf quis o poder, ou seja quis se manter no alto e não no meio assim como Ícaro voou próximo ao sol, ocasionando assim sua morte trágica. Embora a morte trágica esteja longe de muitos de nós por conta de uma conduta não saudável psicologicamente, as conseqüências prejudiciais por conta de uma postura similar a de Denethor não estão distantes de quem a praticar. Denethor era alguém apegado à sua persona de regente, fato este que fez com que  o mesmo tivesse conseqüências trágicas por conta desta atitude. Muitos de nós podemos ter a atitude semelhante a de Denethor sem percebermos.

Como exemplos podemos citar a boa filha ou bom filho que deseja agradar a todo mundo a todo o momento, o pai e a mãe que são workaholics, são exemplos de como podemos nos distanciar de quem nós somos em nossa totalidade, doutores e deputados que acreditam terem seus títulos e cargos impressos na  cédula de identidade. Que o caminho do meio, a meta da individuação, seja a escolha a ser feita.

GOLLUM E OS HOBBITS : CONDENAÇÃO E SALVAÇÃO, UNIÃO DOS OPOSTOS

"- Gollum – disse Pippin – Como é que eles poderiam estar andando com ele, até mesmo seguindo-o ?E pude perceber que Faramir não gostou mais do que você no lugar para o qual ele os estava levando. Qual é o problema?
– Não posso responder isso agora – disse  Gandalf – mesmo assim, meu coração de alguma forma sabia que Frodo e Gollum iriam se encontrar antes do fim. Para o bem ou para o mal.
Mas sobre Cirith Ungol não falarei esta noite. Traição, é a traição que receio; traição daquela criatura miserável. Mas precisava ser assim vamos nos lembrar de que um traidor pode trair-se a si mesmo e fazer o bem que não pretende. Pode ser assim algumas vezes.Boa noite!"
(11)

"A piedade de Bilbo pode governar o destino de muitos.
Bilbo foi destinado a encontrar o anel , e você destinado a carregar o anel.
Gollum ainda tem um papel a cumprir."
(12)

Foram distribuídos: 3 anéis aos elfos,7 anéis aos anões mineradores e 9 anéis aos homens. A raça dos hobbits foi a raça excluída e desprezada, na distribuição maligna e destruidora de Sauron. Este fator, contribui de maneira significativa para que através dos hobbits, o Anel fosse resgatado e destruído.

Desta forma ao observarmos o tema do "4 – 1" , isto nos remete a um tema bastante comum dentro do processo de análise, o tema do conteúdo oculto, reprimido ou desprezado pela consciência. A raça dos hobbits é relatada algumas vezes durante a obra como sendo desconhecida por boa parte dos habitantes da Terra Média. Desprezados, desconhecidos e tidos até como uma raça inferior os hobbits, simbolizam os conteúdos do inconsciente, mediante o contexto das outras três raças, que reunidas simbolizam a consciência.

Na alquimia a lapis philosophorum, a pedra ou o ouro filosófico, embora seja a meta a ser alcançada por todo alquimista , também  é rejeitada e desprezada pelos homens que buscam apenas os valores materiais, pois a lapis representa os valores elevados e ou espirituais, distantes da sociedade na Idade Média e distante de nós nos dias de hoje.
Os alquimistas traçavam um paralelo da lapis com Cristo:

1 Pedro 2; 6-8 a.
"6- Pois na Escritura se diz:
Vede, ponho em Sião uma pedra angular eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.

7- Ora, para vós, os que credes, essa pedra é preciosa. Mas para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como principal de esquina,

8- e: Uma pedra de tropeço e rocha de escândalo."(13)

A pedra filosofal simboliza a união da psique consciente com a psique inconsciente, a totalidade, o Self, a meta da individuação
E assim como a lapis a raça dos hobbits também simboliza o Self, a totalidade da psique. Então, podemos pensar na raça dos hobbits como sendo um conteúdo que antes era desprezado pelo ego que agora vem à tona e passa a ser assimilado, enriquecendo a personalidade do indivíduo.

Ao acompanharmos a Trilogia do Anel, ficamos sabendo do papel de suma importância que a raça do hobbits teve ao longo da jornada.
Tendo como representantes Bilbo, Frodo, Sam, Merry, Pippin e Gollum.Gollum? Sim, Gollum.Não fosse Gollum, a jornada não poderia estar completa.

O papel de Frodo competia em carregar o Anel e o papel de Gollum competia em destruir o Anel. Frodo tinha o desprendimento e desapego pelas questões envolvendo o poder e a ganância.Gollum reunia em si o apego ao poder e a ganância, características complementares e  opostas as de Frodo. Gollum e o Um  Anel eram um só, há uma relação fusionada, simbiôntica entre ambos, a vida de Gollum, estava ligada ao Um Anel, da mesma forma como a vida de Denethor estava ligada ao cargo de Regente, e caso este não pudesse  mais ser o Senhor de Gondor, era preferível a morte.E esta acabou por ser a escolha do Regente. Esta fala de Gollum deixa claro que ele e O Um Anel, estavam ligados simbioticamente, eram um só :

" – Não mate nós – chorava ele – Não machuque nóss com aço cruel e mau! Deixe nós viver, é sim, viver um pouco mais. Perdidos, perdidos! Estamos perdidos. E quando o Precioso se for vamos morrer, é sim,  morrer na poeira ssuja . – Levantou um pouco das cinzas da trilha com os dedos descarnados – Ssuja ! – chiou ele." (14)

Porém, a destruição de Gollum juntamente com o Um Anel, vai além de uma morte egoísta , pois com este fato veio a salvação da Terra Média.
Na alquimia durante o opus, a obra alquímica, o processo que visava a obtenção da pedra filosofal, eram sempre utilizadas duas espécies de matérias-primas; o enxofre e o mercúrio. Numa correlação com estes dois símbolos alquímicos, podemos traçar o paralelo da seguinte forma:

 Frodo/ Ego              +         Gollum/ Inconsciente            = Self (pedra filosofal)
  (mercúrio, princípio passivo)         (enxofre, princípio ativo)  
 
"MERCÚRIO
O mercúrio é um símbolo alquímico universal e geralmente aquele do princípio passivo, úmido, yin. O retorno ao mercúrio é, em termos de alquimia, a solução, a regressão ao estado indiferenciado.Do mesmo modo que a mulher está sujeita ao homem, o mercúrio é o servidor do enxofre. Segundo certas tradições ocidentais, o mercúrio é a semente feminina e o enxofre, a masculina: sua união subterrânea produz os metais. O mercúrio tem o poder de purificar e fixar o ouro. É um  alimento de imortalidade, mas também um símbolo de libertação."
(15)

A descrição  acima a respeito do mercúrio, traz algumas características relacionadas a Frodo. Assim como o mercúrio no processo alquímico de obtenção da lapis, Frodo é o elemento passivo, ele é o portador do Anel. Frodo escolheu ser o portador voluntariamente, sem coação, sem ameaças violentas, sem apelos. Frodo compreendeu qual era seu papel, qual era sua parte na jornada, ele é o servidor que se desprende, se abstém e se sacrifica em prol do sucesso da empreitada da Sociedade do Anel.

Frodo representa simbolicamente o ego em processo de individuação, que se vê obrigado a se desvencilhar e recusar a satisfazer apenas as vontades e objetivos  egoístas, que são de natureza unilaterais e parciais.  E de maneira voluntária  o ego se torna o servidor do Self, objetivando atingir os objetivos da totalidade da personalidade que englobam também o inconsciente, e não apenas os do ego.

Outras características relacionadas ao mercúrio e Frodo, são as de terem o papel de purificador e libertador. Frodo tinha como objetivo salvar o Condado da malignidade dominadora de Sauron, tomando sobre si o peso de ser o Portador do Um Anel. Assim como o ego no processo de individuação que resolve tomar sobre si o peso, o desconforto e constrangimento de sua confrontação com a sombra.

O ego ao se confrontar com a sombra, se purifica e se liberta de seus hábitos nocivos e velhos vícios de comportamento que dominam o indivíduo muitas vezes por uma vida toda. O papel de Frodo consistia em ser o portador do Anel. Porém, destruí-lo não cabia ao portador.

"ENXOFRE
O enxofre é o princípio ativo da alquimia, aquele que fecunda, ou o mata. O enxofre corresponde ao fogo, como o mercúrio à água. É o princípio gerador masculino, cuja ação sobre o mercúrio produz os metais subterraneamente. A ação do enxofre sobre o mercúrio o mata e , ao transmutá-lo, produz o cinabre*, que é uma droga da imortalidade. A constante relação do enxofre com o fogo por vezes também o associa ao simbolismo infernal (ELIF, GUET). Em Jó, 18, 15, o enxofre aparece como um símbolo de esterilidade, à maneira de um desinfetante. Espalha-se na morada do Rei dos terrores. É o aspecto infernal  e destruidor do símbolo, o seu sentido positivo invertido em sentido contrário.

Segundo outra tradição esotérica, que se associa à primeira, o enxofre simboliza o sopro ígneo e designa o esperma mineral.  É,  portanto, igualmente associado ao princípio ativo. Produz a luz ou a cor (ALLA, 245). Para os alquimistas, o enxofre estava para o corpo como o sol está para o universo (MONA, 60). O ouro, a luz, a cor amarela, interpretadas no sentido infernal de seu símbolo, denotam o egoísmo orgulhoso que só busca a sabedoria em si mesmo, que se torna a sua própria divindade, seu princípio e seu fim (PORS, 84).

A chama amarela esfumaçada com enxofre é,  para a Bíblia, essa antiluz atribuída ao orgulho de Lúcifer; a luz transformada em trevas … vê bem se a luz que há em ti não é treva (Lucas, 11, 36).

É um símbolo de culpa e punição, razão pela qual era empregado no paganismo para a purificação dos culpados, segundo G. Portal (PORS, 86)." (16)

O texto acima traz uma descrição a respeito das características do enxofre e sua representatividade simbólica. Podemos notar que as características descritas a respeito do enxofre, também são características pertencentes a Gollum. Assim como o enxofre é o princípio ativo no processo da obtenção da pedra filosofal, Gollum também é o princípio da ação na destruição do Um Anel.

Pois Gollum foi o responsável pela ação direta na destruição do Precioso. O Um Anel  e Gollum tinham se tornado um só tal como uma relação fusionada e simbiôntica entre ambos, desta forma se o Um tinha de ser destruído, Gollum também deveria ser destruído, pois eram um só.
Outras características, dizem respeito ao egoísmo orgulhoso que busca a sabedoria em si mesmo, se tornando sua própria divindade, seu princípio e seu fim.

Na luta pela obtenção do Precioso, Sméagol assassinou Déagol, com  medo, com culpa e desesperado,  Sméagol passa a viver uma vida de isolamento e solidão, por conta de seu sentimento de culpa e por egoísmo orgulho, ele se torna auto-suficiente pois todo aquele que é culpado merece ser punido, a punição é o isolamento e distanciamento de tudo e de todos.

Gollum simboliza o ego orgulhoso que se recusa a admitir suas falhas e insuficiências , que ao mesmo tempo vive se culpando e se punindo ao persistir nos mesmos erros, a conseqüência por muitas vezes são os relacionamentos superficiais com as pessoas, podendo chegar até mesmo ao isolamento social. Mas, como Gandalf disse:
 

"Gollum ainda tem um papel a cumprir." (17)

Ao guiar Frodo até a toca de Laracna, Gollum tinha por objetivo se apossar de seu Precioso,após a aranha gigante atacar e devorar Frodo. Porém,  este poderia não ser o objetivo de Sméagol.Sméagol e Gollum, representam duas personalidades opostas, pertencentes a um mesmo indivíduo. Sméagol representa a personalidade de um pacato e humilde hobbit, sociável, simples e sem ambições egoísticas.

Gollum representa um padrão de personalidade que não é  aceito dentro da sociedade do Condado, logo as características referentes a Gollum, devem ser reprimidas pela consciência de todo hobbit, pois caso contrário, seria rejeitado e considerado não apto para o convívio em sociedade. Gollum simboliza a sombra coletiva de todo o povo hobbit, uma vez que ele expressa um padrão de comportamento oposto ao da consciência da sociedade do Condado.

Porém, todo conteúdo reprimido pela consciência, não é eliminado, tal conteúdo que é rejeitado, considerado hostil e não aceitável pela consciência, continua vivo e atuante na sombra do indivíduo. Estamos falando de um povo, que considera como sendo referentes ao seu padrão de comportamento as características de serem simples, humildes, pacatos, sociáveis e sem ambições egoísticas. Em contrapartida, o povo hobbit rejeita e reprime os conteúdos referentes a serem agressivos, individualistas, orgulhosos, e de ambições egoísticas.

Uma vez que, todo o conteúdo reprimido retorna a consciência, logo os conteúdos reprimidos iriam tomar a forma de uma personalidade autônoma e tomariam o controle da consciência de um hobbit que expressaria todo o drama de um povo.Este hobbit é Sméagol . Sméagol simboliza a neurose e cisão do povo hobbit. Como resultado desta cisão a personalidade autônoma de conteúdos considerados hostis pela consciência dos Pequenos, tomou todo o espaço e controle na consciência de Sméagol. Esta personalidade autônoma, recebeu o nome de Gollum. Agora, desta vez a personalidade de Sméagol é a que fora reprimida, passando a ocupar o lugar na sombra, lugar que antes  era de Gollum.

E assim como Gollum pretendia tomar seu lugar na consciência, desta vez, Sméagol passa a ser a personalidade reprimida na sombra, que buscará novamente seu espaço na consciência do hobbit atormentado. Vamos retomar a seguinte fala de Gandalf :

"…– mesmo assim, meu coração de alguma forma sabia que Frodo e Gollum iriam se encontrar antes do fim. Para o bem ou para o mal.
Mas sobre Cirith Ungol não falarei esta noite. Traição, é a traição que receio; traição daquela criatura miserável. Mas precisava ser assim vamos nos lembrar de que um traidor pode trair-se a si mesmo e fazer o bem que não pretende. Pode ser assim algumas vezes."
(18)

Enquanto Gollum deseja o Um Anel e tem sua vida ligada a ele, Sméagol vive com sua culpa por ter assassinado Déagol . Sméagol é a sombra de Gollum, e como já foi dito, todo conteúdo na sombra deseja retornar a consciência. Afim de que o ego se conscientize a respeito dos conteúdos reprimidos, a sombra, passa verdadeiras "rasteiras" no ego. Um grande exemplo, do que pode ser uma "rasteira" ou atuação da sombra, é este aqui :

"Mas Gollum, dançando como um louco erguia o anel, com um dedo ainda enfiado no circulo, que agora brilhava como se realmente fosse feito de fogo vivo.
– Precioso, precioso, precioso!  – gritava Gollum – Meu Precioso! Ó, meu Precioso! – E assim, no momento em que erguia os olhos para se regozijar com sua presa, deu um passo grande demais, tropeçou, vacilou por um momento na beirada, e então com um grito agudo caiu. Das profundezas chegou seu último gemido, Precioso, e então ele se foi."
(19)

No texto acima, temos um belo exemplo de como a sombra se manifesta, atuando de maneira autônoma, decisiva e às vezes, até de  forma trágica, como no caso de Gollum. Podemos entender este passo grande demais, o tropeço e o vacilo, como a atuação da personalidade de Sméagol, querendo ocupar seu lugar na consciência novamente.

E, além de retomar seu espaço, Sméagol também tinha sua culpa, sua autocondenação de séculos, que poderia ser compensada por um ato de bravura,  como interferindo de forma decisiva na destruição do Um Anel, frustrando para sempre os planos de Gollum e de Sauron, consecutivamente, livrando a Terra Média para sempre do poder maligno do agora ex- Senhor de Mordor. O hobbit Gollum / Sméagol trouxe a paz e a salvação não pretendidas por ele, através da resolução de seu conflito interno. Embora , tenha sido de forma trágica, ainda assim foi uma resolução de conflito psíquico.

Outra representatividade simbólica que encontramos em Sméagol / Gollum, é referente a um símbolo encontrado na alquimia, o símbolo da serpente ou dragão Uroboros (também conhecida como Ouroboros). Este símbolo é a imagem de uma serpente ou dragão, que devora o próprio rabo ou cauda, formando a figura de um circulo, uma mandala, símbolo do Self, a totalidade psíquica. Esta é a definição de mandala :

" Mandala : Círculo mágico. Na obra de C.G.Jung, símbolo do centro da meta, e do si-mesmo, enquanto totalidade psíquica; auto-representação de um processo psíquico de centralização da personalidade, produção de um centro novo desta última. A mandala exprime-se, simbolicamente por um círculo, um quadrado ou um quatérnio, num dispositivo simétrico do número quatro e de seus múltiplos." (20)

De acordo com a definição acima , a respeito do símbolo da mandala, podemos traçar um paralelo com Sméagol Gollum e o Uroboros. O Uroboros ao devorar sua própria cauda, representa o início e o fim de um ciclo de evolução em si mesmo, um símbolo de morte e renascimento, de desenvolvimento e renovação da personalidade.

 
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 Dragão Uroboros devorando a própria cauda, símbolo da totalidade psíquica, o Self.
 
 
Basta lembramos que Sméagol / Gollum é responsável direto pela ressurreição e  destruição do Um Anel. Ou seja a jornada do Um Anel tem o seu começo e o seu final em Sméagol / Gollum.
 
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Serpente Uroboros devorando a própria cauda, símbolo do Self.
 
 
O começo, quando ele se apossa do seu Precioso na beira do lago após assassinar Déagol, o final quando o Anel é destruído  na Montanha da Perdição. Sméagol / Gollum representa também o início e o fim de uma era da Terra Média. O fim da terceira era, a era dos elfos, e o início da quarta era, a era dos homens, vemos aqui o símbolo do quatérnio, outro símbolo representante da totalidade psíquica, já explorado na análise de "As Duas Torres". E, como não poderia deixar de ser, o próprio Um Anel por ser um circulo e por estar fusionado com Gollum, também simboliza uma mandala, símbolo do Self.
 
 
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Um Anel, símbolo da mandala, outro símbolo representante da totalidade psíquica.
 
 
(Fim da parte 1. Continua)

A Vida Pós-SdA: Orlando Bloom

orlando_bloom_total.jpg
Orlando Jonathan Blanchard Bloom completou 30 anos em 2007 (é de 13 de
janeiro de 1977) e, apesar de sua dislexia, conseguiu se tornar ator e
mais, um ator que aparece em quatro do quinze filmes com maior
bilheteria em toda a história. E a explosão de popularidade aconteceu
justamente com "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" em 2003.
 

Trabalhos Pós-SdA
Após o trabalho em "O Senhor dos Anéis", pelo qual recebeu prêmios de melhor elenco mas nunca um prêmio individual, Orlando Bloom estrelou a trilogia "Piratas do Caribe", ao lado de Keira Knightley e Johnny Depp, onde arrematou U$ 2,5 bilhões para seus já impressionates números. Além disso, ele fez o papel principal em dois blockbusters do Cinema, Kingdom of Heaven e Troy.

Também participou de produções menos conhecidas como Ned Kelly, The Calcium Kid, Elizabethtown, Love and Other Disasters e Haven, fazendo uma média de dois filmes por ano, além de aparecer na série de humor "Extras" onde representou uma versão narcisista e arrogante de si mesmo que absolutamente detesta Johnny Depp.


Prêmios e Destaques
Em 2002 ele foi escolhido pela Teen People como um das "Mais Quentes Estrelas com Menos de 25" e foi consagrado pela People como o mais "quente" solteiro de Hollywood na lista de 2004. Mas, apesar disso, ele não recebeu maiores indicações a prêmios (nem prêmios) por atuações pessoais nos filmes em que atuou.

Os filmes dos quais participou arrecadaram mais de U$ 6,2 bilhões mundialmente e ele está presente em 5 dos 15 filmes com maior bilheteria na história do cinema. Em 2006 ele foi a pessoa do sexo masculina mais procurada no Gooogle News.

        
Futuro Profissional
Bloom, que tem a intenção de se tornar um ator de tetro após se graduar na Guildhall School of Music and Drama, afirmou que gostaria de deixar os filmes por algum tempo e aparecer em papeis nos palcos, e está "avidamente procurando pelo tipo certo de material com o qual ele possa fazer algo" e "retornar ao básico". Bloom atualmente está participando de um Londoin revival de "In Celebration", uma peça de David Storey. Seu personagem é um de três irmãos que retornam para casa para o aniversário de 40 anos de casamento de seus pais. Em 24 de agosato de 2007 ele fez sua primeira aparição em um comercial de TV, tarde da noite na TV japonesas, promovendo a marca Uno de cosméticos, de Shiseido. Uma versão "uma única noite" de 2 minutos  do comercial, com temática sci-fi, deu início à campanha de marketing dos produtos.

Filmografia pós-SdA
2003    Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, como Will Turner     
        Ned Kelly, como Joe Byrne
2004    Troy, como Paris     
2005    The Calcium Kid, como Jimmy Connelly
        Elizabethtown, Drew Baylor     
        Kingdom of Heaven, como Balian of Ibelin     
2006    Love and Other Disasters, Hollywood Actor playing Paolo
        Haven, como Shy
        Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest, como Will Turner     
2007    Pirates of the Caribbean: At World’s End, como Will Turner

A Vida Pós-SdA: Ian McKellen

A Valinor começa hoje uma série de artigos "A Vida Pós-SdA" onde
acompanharemos um pouco da vida pós-Senhor dos Anéis dos atores que
interpretaram no cinema os personagens principais na trilogia de Peter
Jackson. O primeiro ator retratado é Sir Ian "Gandalf" McKellen, cuja
biografia completa pode ser conferida aqui mesmo na Valinor.
 
 

ianmckellen_aknightout.jpgNascido em 25 de Maio de 1939 Sir Ian McKellen completou 69 anos em 2007 e continua levando uma vida bastante ativa em três áreas principais: Teatro, Cinema e Defesa do Direito dos Homossexuais.


Teatro
Desde 1994 McKellen trabalha em uma peça de um homem só chamada, A Knight Out. A peça obteve grande sucesso e continua a ser encenada ainda hoje e Sir Ian a considera como permanentemente "em construção". Ele é uma das pessoas que auxilia o Rose Theatre em Londres e em janeiro de 2006 inaugurou uma "blue plaque" no prédio deste. Em 2007 ele retorna para a Royal Shakespeare Company, nas produções de Trevor Nunn , atuando em The Seagull  e no papel de Rei Lear, grandemente aclamado.

Cinema e TV
ianmckellen_magneto.jpgEm 2003, McKellen apareceu nOs Simpsons, em um episódio com temática britânica chamado "The Regina Monologues", junto com Tony Blair e J. K. Rowling. Em abril e maio de 2005 ele realizou um sonho antigo: participou da mais longa novela da história – ainda em andamento – chamada Coronation Street ("Rua da Coroação"). Essa novela estreou em 9 de dezembro de 1960 e está, portanto, há quase 47 anos no ar! Ian McKellen atuou no papel de Mel Hutchwright. Em 2006 ele faz uma ponta na série de comédia "Extras", do ator Rick Gervais, onde faz o papel de si mesmo dirigindo Andy Millman (Ricky Gervais) em uma peça sobre amantes gays. McKellen recebeu uma indicação ao Emmy de 2007 por esta atuação.

McKellen também apareceu em alguns filmes de lançamento limitado, como Emile (filmado em pouco dias, durante a filmagem de X-Men 2), Neverwas e Asylum. Sir Ian atuou também como Sir Leigh Teabing no The Da Vinci Code, um dos poucos atores elogiados do filme.

Ativismo
ianmckellen_simpsons.pngSir Ian continua sendo um ativista em prol dos direitos dos homossexuais, nunca escondendo sua opção sexual quando perguntado e tornando-a amplamente pública em 1988. No premiação do Oscar de 2002 ele compareceu com seu então namorado, o neo-zelandês Nick Cuthell. Em 2006, McKellen discurson no pré-lançamento do "2007 LGBT History Month" no Reino Unido, levando seu apoio à organização e à sua fundadora, Sue Sanders, uma amiga pessoal (vídeo do discurso). Em 5 de janeiro de 2007 McKellen se tornou patrono do "The Albert Kennedy Trust", uma organização que dá apoio a jovens gays, lésbicas e transexuais sem lar.

Prêmios
2004: Manila, Philippines Pride International Film Festival – Prêmio de Distinção e Carreira
2006: Eleito pelo Independent como a personalidade homossexual mais influente na Grã-Bretanha (em 2007 ficou na quinta posição)
2007: Annie Award por Melhor Atuação de Voz em uma Produção de Desenho Animado, por Flushed Away

Projetos
ianmckellen_lear.jpgSegue uma lista dos projetos dos quais Ian McKellen participou após O Senhor dos Anéis:
2003        – Cinema – Emile, como Emile
2003        – Cinema – X2: X-Men United, como Eric Lensherr/Magneto
2004        – Cinema – Eighteen, como Jason Anders
2004 e 2005 – Teatro – Aladdin, como Old Vic
2005        – Cinema – Neverwas, como Gabriel Finch
2005        – Cinema – Asylum, como Dr. Peter Cleave     
2005        – Cinema – The Magic Roundabout, como a voz de Zebedee
2006        – Teatro – The Cut, como Donmar Warehouse
2006        – Cinema – Displaced (voz)     
2006        – Cinema – Flushed Away, como a voz do Sapo
2006        – Cinema – X-Men: The Last Stand, como Eric Lensherr/Magneto     
2006        – Cinema – The Da Vinci Code, como Sir Leigh Teabing     
2007        – Teatro – King Lear de William Shakespeare, como Lear
2007        – Teatro – The Seagull de Anton Chekov, como Sorin
2007        – Cinema – Magneto, como Eric Lensherr/Magneto (anunciado)
2007        – Cinema – The Colossus, como Cecil Rhodes (pré-produção)

Karl Urban

Karl-Heinz Urban (Karl Urban) nasceu em Wellington, Nova Zelândia, em 7 de Junho de 1972. Seu pai, um fabricante de couros local, esperava que ele seguisse seus passos nos negócios da família, mas o então garoto preferiu aventurar-se no ramo das artes cênicas. Seu primeiro papel foi aos oito anos de idade, em um show de TV, onde tinha apenas uma fala. Apesar de ter estreado na televisão relativamente cedo, Karl Urban só voltaria a atuar novamente após terminar o colégio.
 

 

karl23Após a conclusão do colegial, enquanto Karl se preparava para ingressar
na Universidade de Victoria, lhe foi oferecido o papel do para-médico
Jamie Forrest no drama televisivo neozelandês “Shortland Street
(1992), dirigido por Simon Benett e Nicholas Bufalo. O ator logo
aceitou o papel, e depois de permanecer no show por duas temporadas,
entre 1992 e 1993, voltou à universidade por apenas um ano, pois era
seu desejo dar segmento à carreira de ator.

Nos próximos anos ele interpretaria diversos papéis teatrais em sua
cidade natal, tendo mudado depois para Auckland, onde havia mais
oportunidades de trabalho. Lá um de seus primeiros papéis foi o de um
viciado em “Shark In The Park” (1989). Também fez uma participação de pouca importância no filme “Once in Chunuck Bay” (ou Chunuk Bair) (1992), de Dale G. Bradley. Karl interpretou também outros papéis na televisão, incluindo a série “White Fang”, de 1993, mas seu trabalho de maior destaque do ator foi mesmo o de Éomer em “The Lord of The Rings” (O Senhor dos Anéis), de Peter Jackson, onde participou de dois dos três filmes da trilogia: The Two Towers (As Duas Torres) e The Return of The King (O Retorno do Rei).

Assim como outros atores que participaram de O Senhor dos Anéis, Karl Urban também atuou em diversos papéis no seriado Xena: A Princesa Guerreira, sendo os mais marcantes os de Cupido, deus do amor, e Júlio César, ditador romano. Além desses, ele fez um papel bíblico (Mael, irmão de Isaac – Altared States(#1.19) em 1996), e o de um selvagem (Kor – Lifeblood (#5.16)).
Seus últimos sucessos foram os longas-metragens The Bourne Supremacy (A Supremacia Bourne) (2004), onde fez o papel de Kirill, e Doom (Doom – A Porta do Inferno) (2005), filme baseado no jogo homônimo, em que protagonizou o personagem John Grimm.

No ano de 2000 nasceu-lhe Hunter, seu primeiro filho com a mulher, Natalie

Curiosidades

  • Karl Urban é uma pessoa muito ativa. Para fazer o personagem Éomer, em O Senhor dos Anéis, por exemplo, ele passou oito semanas tendo aulas de equitação cinco vezes por semana, pelo menos duas horas por dia. O processo foi facilitado pelo fato de o ator ter trabalhado na fazenda de seus tios na juventude.
  • Karl tem um cão da raça black lab terrier chamado Ire (pronuncia-se eye-ree), nome originado de uma canção de Bob Marley, do álbum Uprising.
  • Seus hobbies incluem pesca, surfe, golfe e jardinagem.
  • Karl recebeu um bônus de U$ 400.000,00 por seu trabalho como Éomer em O Senhor dos Anéis [cf. London Daily Mail, Dezembro 5, 2003].
  • É grande amigo do ator Viggo Mortensen, que interpretou Aragorn na trilogia de O Senhor dos Anéis, e também de Renee O’Connor, atriz do seriado Xena.
Filmografia
 
"Comanche Moon" (2007); (minissérie para TV) (pós-produção) … Woodrow F. Call
Pathfinder (Desbravadores) (2007); (completo) … Fantasma
Out of the Blue (2006); … Nick Harvey
Doom (2005); … John Grimm
The Bourne Supremacy (A Supremacia Bourne) (2004); … Kirill
The Chronicles of Riddick (Riddick) (2004); … Vaako
The Lord of the Rings: The Return of the King (O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei) (2003); … Éomer
The Lord of the Rings: The Two Towers (O Senhor dos Anéis: As Duas Torres) (2002); … Éomer
Ghost Ship (Navio Fantasma) (2002); … Munder
"Xena: Warrior Princess" (Xena: A Princesa Guerreira);
– When Fates Collide (2001) Episódio de TV … Júlio César
– Lifeblood (2000) Episódio de TV … Kor
– Ides of March (1999) Episódio de TV … Júlio César
– Endgame (1999) Episódio de TV … Júlio César
– A Good Day (1998) Episódio de TV … Júlio César
The Price of Milk (Amor e Vacas) (2000); … Rob
The Irrefutable Truth About Demons (Demônios – Toda a Verdade) (2000); … Harry Ballard
The Privateers (2000); (TV) … Cap. Aran Dravyk
"Hercules: The Legendary Journeys" (Hércules);
– Render Unto Caesar (1998) Episódio de TV …. Júlio César
– The Green-Eyed Monster (1996) Episódio de TV … Cupido
Via Satellite (1998); … Paul
Heaven (1998); … Sweeper
Amazon High (1997); (TV) … Kor
"Riding High" (1995); (série de TV) … James Westwood
"Shortland Street" (1992); (série de TV) … Para-médico Jamie Forrest (1993-1994)
"Homeward Bound" (1992); (série de TV) … Tim Johnstone
Chunuk Bair (1992); … soldado de Wellington
"Shark in the Park"
    – Suffer Little Children (1990) Episódio de TV
 
Fontes: 

Marton Csokas

Apesar de ter nascido em 30 de junho de 1966 em Invercargill, Nova Zelândia, Marton
Csokas tem origens húngaras. Começou sua carreira como ator em
1989, logo após concluir sua graduação na “Escola de Drama Nova
Zelândia” (The New Zealand Drama School), atuando em peças teatrais e com uma grande participação em uma novela neozelandesa, Shortland Street (1993-1994), na qual fazia o personagem Dr. Leonard Rossi-Dodds. Seu primeiro papel nas telonas foi no filme Um Gênio Chamado Jack (Jack Brown Genius, 1994), no qual atuou como Dennis.
 

marton
Marton escrevia suas próprias peças teatrais e era co-fundador de uma companhia de teatro na Nova Zelândia, The Stronghold Theatre, quando recebeu o convite para participar de um episódio do seriado Hércules (Hercules: The Legendary Journeys, 1995), no qual fez Tarlus. Depois disso, Csokas volta aos estúdios de cinema no papel de Darko, no filme Broken English (1996),
e mantém seus trabalhos com a Renaissance Pictures, onde consegue os
papéis de Khrafstar e Borias no seriado Xena: A Princesa Guerreira (Xena: Warrior Princess), nas temporadas de 1997-1998.

Os anos passaram e Csokas continua promovendo-se como ator, fazendo grandes participações em seriados, como Farscape (2000), Beastmaster (2000), Cleopatra 2525 (2001), e em alguns filmes, entre eles, The Monkey's Mask (2000), no qual fez o papel de Nick Maitland. É nesse momento que ganha o papel de Celeborn nos filmes O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring – 2001) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King – 2003), que na trama é o marido de Galadriel, a senhora de Lothlórien.

Daí em diante sua carreira decola; em 2002 tem sua voz na dublagem de Star Wars Episodio II: Ataque dos Clones (Star Wars Episode II: Atack of the Clones – 2002), e participações em Triplo X (XXX – 2002), A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy – 2004), e outro grande papel em Cruzadas (Kingdom of Heaven – 2005), no qual fazia Guy de Lusignan.

Csokas é um ator de grande sucesso na Nova Zelândia, onde continua com
seus trabalhos teatrais, minisséries e seriados. Muitos fãs
consideram-no como o melhor ator coadjuvante existente.

Filmografia:

2007 – Romulus, My Father – Hora
2005 – Æon Flux – Trevor Goodchild
2005 – Kingdom of Heaven – Guy de Lusignan
2005 – The Great Raid – Captain Redding
2005 – Asylum – Edgar
2004 – The Bourne Supremacy – Jarda
2004 – Evilenko – Vadim Timurovic Lesiev
2003 – The Lord of the Rings: The Return of the King – Celeborn
2003 – Timeline – Sir William De Kere/ William Decker
2003 – Kangaroo Jack – Mr. Smith
2002 – Garage Days – Shad Kern
2002 – XXX – Yorgi
2002 – Star Wars Episode II: Attack of the Clones – Poggle the Lesser
2001 – The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring – Celeborn
2001 – Rain – Cady
2001 – Cleopatra 2525 – Krider (ep "No Thanks For The Memories")
2001 – The Farm – Adrian Beckett (mini series)
2000 – The Lost World – Kenner (ep "Tourist Season")
2000 – The Monkey's Mask – Nick Maitland
2000 – Beastmaster – Qord (eps "Revelations", "Rescue" & "Golden Phoenix")
2000 – The Three Stooges – Ted Healy (minisséries)
2000 – Farscape – Br'Nee (ep "Bone to be Wild")
2000 – Accidents (curta) – Chug
1999 – Water Rats – Robert Tremain (ep "Shark Bait")
1999 – Wildside – Larry Lodans (ep #2.18)
1999 – All Saints – Brother Thomas (ep "More Things in Heaven & Earth")
1999 – Halifax f.p. – John Garth (ep "Swimming with the Sharks")
1998 – Hurrah (otherwise known as Heaven Sent) – Raoul
1996 – Broken English – Darko
1996 – Hercules: The Legendary Journeys – Tarlus (ep "Promises")
1995 – Twilight of the Gods – Soldier (short-metragem)
1997;2001 – Xena: Warrior Princess – Krafstar, Borias/Belach
1994 – A Game With No Rules (curta) – Kane
1994 – Jack Brown Genius – Dennis
1993;1994 – Shortland Street – Dr. Leonard Rossi-Dodds
1992 – The Ray Bradbury Theater – Sid (ep "By The Numbers")


Fontes:

Wikipedia.org
IMDb

Brad Dourif

Bradford Claude Dourif nasceu em 18 de março de 1950, na cidade de
Huntington, EUA. Seu pai era dono de uma fábrica de tintas e morreu em
1953, quando Brad tinha apenas três anos. Após a morte do marido, sua
mãe casou-se com o golfista Bill Campbell. Foi ele quem a ajudou a
criar os seis filhos.
 
 
 
brad
No período compreendido entre 1963 e 1965, Dourif estudou no Colégio
Preparatório de Aiken, na Carolina do Sul, onde viu nascer seu
interesse pelas artes cênicas. Uma vez decido a se tornar um artista,
ele passou a investir na carreira, sempre inspirado por sua mãe, que
fizera uma participação como atriz num teatro comunitário.

Tendo começado a carreira em produções escolares, Brad passou a participar do teatro comunitário, entrando para a Huntington Community Players, ao mesmo tempo em que cursava a Marshall University of Huntington. No ano de 1969, ele abandonou os estudou e mudou-se para a cidade de Nova Iorque, onde se uniu à Circle Repertory Company.

A década de 70 marcou a sua participação em diversas peças teatrais e
também sua estréia no cinema, com um pequeno papel no filme "W.W. e
Dixie". Ainda em 1975, Dourif atuou em "Um Estranho no Ninho", ganhando
um Globo
de Ouro como melhor ator estreante e um British Academy Film Award de melhor ator
coadjuvante, além de uma indicação para o Oscar.

Cético quanto ao seu estrelato instantâneo, Brad volta para Nova Iorque
e permanece atuando nos palcos e ensinando esta arte na Universidade de
Columbia. Em 1988, ele decide-se pela carreira cinematográfica e se
muda definitivamente para Hollywood.

Apesar de sua tentativa de evitar a distribuição de papéis de acordo com a personalidade de ator,
Dourif acabou por dar vida a muitas personagens perturbadas, dementes e
problemáticas, além de ter grande presença em filmes de terror, atuando
ou dublando, como é o caso de "Brinquedo assassino", onde ele fez a voz
do boneco Chuck na versão americana da série.


O principal trabalho de Brad Dourif foi, com certeza, Gríma Língua de
Cobra, aliado de Saruman em O Senhor dos Anéis. Na verdade, ele não foi
a primeira opção para a personagem, mas o ator escolhido não pôde
filmar e Brad foi chamado para substituí-lo.

Dourif admite que ainda não havia lido os livros de Tolkien, e diz
ficou ainda mais excitado com a possibilidade de fazer Gríma depois de
lê-los. Para desenvolver bem o personagem, conversou durante horas com
os escritores e com Peter Jackson, a fim de traçar exatamente o que
devia ser feito.

Para dar vida a este vilão, o ator teve que raspar as sobrancelhas e
dedicar dez semanas às gravações. Foi um esforço retribuído pelo
sucesso do filme e da personagem.

Fontes:
-IMDb
-Wikipedia
-Movie City News