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Uma resenha de O Hobbit: A Desolação de Smaug – por Fëanor

desolation_of_smaug_poster_largeEis que a segunda parte de O Hobbit finalmente estreou! Encarei a estreia em 48 fps e 3D (preferia 2D, mas não tinha opção disponível) e, com o nível da empolgação em alta pela expectativa de ver Smaug, Beorn, Esgaroth e Erebor na telona, me afundei na cadeira. As duas horas e quarenta minutos do filme passaram rápido pelos meus olhos, e saí da sala com sentimentos mistos sobre o que eu havia acabado de assistir. Destaco a seguir aqueles que considero os pontos positivos e negativos do filme para tentar fazer um balanço geral da experiência. E para fazer isso naturalmente revelarei partes do filme, ou seja: SPOILERS ABAIXO.

Começamos com um flashback de Thorin em uma Bri chuvosa. Mas antes do chegar no anão, PERAÍ! Quem é o primeiro sujeito que aparece na tela saindo de uma casa? Ninguém menos que o próprio diretor Peter Jackson, naquele que é provavelmente o cameo mais precoce da história do cinema! Ok, voltemos ao flashback. Thorin se encontra com Gandalf no Pônei Saltitante, e o mago revela ao anão que colocaram um preço em sua cabeça. Gandalf encoraja-o a recuperar Erebor. Thorin argumenta que necessita da Pedra Arken para poder reunir as forças dos reinos dos anões – e surge aí a primeira adaptação que julgo ser meio sem sentido: Thorin não é mais ou menos rei devido à pedra. Mas ok, PJ julgou que esse seria um gancho interessante para dar o motivo pelo qual Bilbo foi escolhido por Gandalf para fazer parte da comitiva: entrar em Erebor sem ser notado para recuperar a gema.

O filme volta para o momento presente. Bilbo espia orcs montados em wargs caçando a comitiva, quando repentinamente avista algo maior e ainda mais assustador: Beorn! Bilbo avisa o resto da trupe e Gandalf, adivinhando se tratar do troca-peles, conduz todos para a “casinha” do ursão, que persegue-os mas no último momento é impedido de abocanhá-los pela porta da própria residência, que é fechada pelos nossos heróis. A sequência é bacana, mas infelizmente é praticamente a única coisa que vemos de Beorn em sua forma animal em todo o filme. Depois disso ele reaparece em sua forma humanoide (que é um tanto exagerada na quantidade de pelos faciais, mas não chega a comprometer a ideia mental que eu tinha do personagem), mas também por pouco tempo. Realmente uma pena, já que era um dos personagens que mais esperei para ver. Resta agora aguardar pela participação do metamorfo no terceiro filme.

Próxima parada: Floresta das Trevas. Gandalf tem uma comunicação telepática com Galadriel (ou foi uma lembrança de uma conversa anterior? Ainda não tenho certeza, preciso rever) e decide rumar para Dol Guldur, onde forças malignas se reúnem. Para quem conhece a história do livro, ok. Já quem não conhece ficou com uma sensação de “ahn?” (assim como com praticamente toda a sequência de Gandalf na fortaleza do necromante)
A floresta ficou bem caracterizada, e as aranhas também. Gostei bastante da sequência em que elas aparecem capturando os anões e Bilbo resgata-os. E o CGI ficou muito bom, diga-se.

Em seguida, os anões são capturados pelos elfos da floresta e encarcerados no reino de Thranduil. Aí aparecem novos personagens que já eram esperados por todos: Legolas e Tauriel. A elfa, criação pura de PJ, não chega a comprometer per se, e é bastante carismática. O problema, julgo eu, é a paixonite que Kili desenvolve pela elfa, e a maneira como ela parcialmente corresponde. Não é a mesma coisa que a relação Gimli-Galadriel que vimos em O Senhor dos Anéis e que estava muito mais para uma admiração profunda e deslumbrada do anão pela rainha de Lothlórien, bastante próxima ao que Tolkien descreve no livro. No caso “Kili S2 Tauriel” o anão realmente se apaixona pela elfa, chegando a causar ciúmes em Legolas (que também tem uma queda pela ruivinha). E Tauriel dá alguns sinais de correspondência. Me pareceu um romance forçado, uma espécie de tentativa de preencher a ausência de cenas românticas no filme, ao mesmo tempo em que parece querer passar uma mensagem de tolerância inter-racial. Para quem é minimamente familiarizado com o mundo de Tolkien, o negócio pareceu estar à beira do absurdo. Elfos e anões não se bicam. Sim, existem exceções (os já mencionados Gimli e Galadriel, bem como o próprio Gimli e Legolas), mas forçar para o lado romântico ficou meio apelativo. Se PJ queria algum romance no filme, poderia ter se limitado ao relacionamento de Tauriel com Legolas.

Após os anões lerem libertados por Bilbo, vemos uma sequência de ação mirabolante retratando a fuga nos barris pelo rio. Orcs aparecem atacando anões e elfos, Legolas e Tauriel encarnam o espírito de super heróis da Marvel e um ridículo Bombur rola para fora do rio em seu barril, derrubando dezenas de orcs pelo caminho. A comitiva escapa ilesa, exceto por Kili, acertado na perna por uma flecha de Morgul, que dará a deixa para Tauriel reaparecer posteriormente.

Paralelamente, Gandalf adentra Dol Guldur e é atacado por Azog e sua trupe de orcs. O Mago enfrenta-os, e enquanto tenta escapar da fortaleza depara-se com uma sombra que parece ser o chefão local. Os dois se enfrentam, Gandalf é subjugado e descobre de quem se trata o inimigo: Sauron, vulgo Necromante, vulgo coisa ruim.

Já Bilbo e os anões se aproximam dos domínios de Valle, e encontram Bard. O arqueiro aceita uma graninha do grupo para colocá-los dentro de Esgaroth, por onde precisam passar para continuar rumo à Erebor (e onde precisam conseguir algumas armas, já que as suas foram tomadas pelos elfos). Na Cidade do Lago, Bard é mal visto pelo Mestre da cidade, que julga-o um agitador que quer unir a população para derrubá-lo. Os anões tentam passar despercebidos até a residência de Bard e seus filhos, e chegando lá logo descobrem que as armas que o arqueiro lhes conseguiu não são nada adequadas. Enquanto isso, é contada a história do último ataque de Smaug à Valle, quando o rei Girion, ancestral de Bard, falhou em derrubar o Dragão com as imensas flechas negras atiradas de uma balestra gigante (ou uma balista). Aqui surge outra parte incômoda: é dito que somente uma dessas flechas tamanho família pode derrubar o dragão. Além de tornar o destino do lagartão previsível demais, PJ descartou a possibilidade de Bard conseguir derrubar Smaug usando um arco e uma flecha de tamanho comuns.

Em seguida, os anões decidem dar um jeito de entrar no depósito de armas da cidade para conseguir algo melhor. A missão falha graças à uma trapalhada de Kili, e os mesmos são presos e levados ante o Mestre da cidade. Thorin revela-se, e promete ao povo de Esgaroth que a cidade voltará a ser próspera caso consigam retomar Erebor. Bard intervém, relembrando a todos da desgraça que lhes acometeu outrora, culpando a ganância dos anões. Mas não parece ser o suficiente para impedir que a comitiva ganhe a simpatia da cidade e do Mestre. E com isso o grupo consegue finalmente se armar e partir para a Montanha Solitária. Kili fica para trás devido ao seu ferimento, e com ele Óin, que fica ali para cuidar do anão caçula. E ainda Bofur, que encheu a cara e perdeu a hora da partida.

Chegando em Erebor exatamente no Dia de Durin, a comitiva precisa encontrar a porta secreta, cuja fechadura é revelada pela última luz do dia. O sol se põe, a fechadura não aparece, e os anões perdem as esperanças. Bilbo não desiste e permanece sozinho diante da porta ainda não revelada, tentando se lembrar das palavras do mapa que indicavam como encontrá-la. E eis que surge a lua, revelando finalmente a fechadura. A porta é aberta, e Thorin revela à Bilbo sua missão: adentrar sozinho na Montanha e recuperar a Pedra Arken. Bilbo, ainda que atemorizado, decide provar seu valor e cumprir a tarefa. E isso nos leva ao momentos mais bacanas do filme, isto é, ao dragão! Mas antes de chegar nisso, vamos voltar para a Cidade do Lago.

Em Esgaroth Bard é preso, e os orcs, liderados por Bolg (filho de Azog), atacam a cidade. Tauriel aparece para salvar Kili (que tá indo dessa pra melhor por causa do veneno da flecha), e junto com Legolas expulsam os inimigos. Legolas e Bolg se enfrentam, mas sem concluir o combate: Bolg foge e o elfo vai atrás dele. Já Tauriel fica na cidade e usa de seus poderes medicinais para curar o ferimento de seu novo amor, digo, Kili.

Voltemos à Erebor: Bilbo procura pela pedra Arken, mas acaba despertando Smaug. O diálogo do hobbit com a besta é excelente e bastante fiel ao livro. O CGI do danado é impecável. E a voz poderosa ficou perfeita. Bilbo foge do dragão, mas é barrado por Thorin, que lhe pergunta sobre a Pedra Arken. Bilbo nada diz, Thorin se irrita, e é aí que chega o resto da comitiva. E também chega Smaug. O grupo foge do dragão, e seguem-se cenas de ações que, apesar de serem bastante longas, são muito bem feitas (sobretudo pelas altas doses de Smaug com que somos presenteados). O plano dos anões é meio mirabolante demais, mas ao mesmo tempo funcionou para duas coisas: criou a deixa para Smaug ir atacar Esgaroth e permitiu a deslumbrante cena final de um Smaug sacudindo o ouro do corpo e indo para o ataque, enquanto um incrédulo Bilbo se questiona: “o que nós fizemos?”

E eis que é justamente aí que o filme acaba. Provavelmente muitos ficaram descontentes com um final que foi um corte súbito na trama, sem fornecer um desfecho de fato para essa parte da história. Já eu achei bacana, justamente por isso. Na verdade eu já estava gritando internamente pelo fim do filme justamente ali, para que se criasse esse suspense em torno do ataque de Smaug, que deverá propiciar um início de terceiro filme de tirar o fôlego.

De uma maneira geral, o filme tem suas óbvias distorções e acréscimos à obra original. Entendo alguns como naturalmente necessários pela opção dos três filmes, mas outros realmente extrapolaram o limite do que seria razoável. O filme poderia ter aí uns 40 minutos a menos, cortando muita baboseira e cenas de ação demasiadamente longas (como aquela dos barris). Não bastasse a opção do PJ pelos três filmes, eles quis fazer cada um com quase 3 horas, o que me parece criar espaços demais para embromation e deslizes feios. 3 filmes de duas horas cada teria sido uma opção mais sábia.

A trilha sonora cumpriu muito bem seu papel, de uma maneira até superior ao primeiro filme. Martin Freeman foi mais uma vez incrível no papel de Bilbo, consolidando muito bem a imagem do hobbit, de personalidade ao mesmo tempo simples em sua natureza e complexa em suas reações ao Anel, aos seus companheiros e a toda uma aventura longe de seu lar. Os demais atores principais também estiveram bem: Gandalf (Ian McKellen), Thorin (Richard Armitage), Balin (Ken Stott), e também Tauriel (Evangeline Lilly). Já Legolas (Orlando Bloom) não fedeu nem cheirou, e seu pai Thranduil (Lee Pace) foi o ponto baixo dos personagens, com pouquíssimo carisma e cheio de trejeitos que não caíram bem.

Enfim, apesar de pecar novamente em vários pontos e tomar liberdades que nada acrescentaram (pelo contrário!) à trama, PJ entregou um filme que diverte e que é visualmente muito bom. Não é o tipo de filme que vá agradar puristas, nem mesmo àqueles que esperam algo ao mesmo nível de O Senhor dos Anéis. Mas é um filme que ainda assim garante seus momentos de empolgação e de encher os olhos. E agora é esperar pela conclusão da saga em 2014, que também nos permitirá saber se PJ realmente perdeu a mão para filmar a Terra-média ou se ele ainda é capaz de nos entregar uma trilogia que, no fim das contas, seja satisfatória para a maior parte do público e dos fãs.

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Resultado da Promoção O Hobbit – Uma jornada inesperada

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Uau, essa promoção surpreendeu. Vocês participaram em peso e enviaram um monte de respostas bacanas pra gente (foram quase 100!) e acabamos demorando mais do que o esperado para avaliar e divulgar. Os ganhadores deveriam enviar a resposta para a pergunta:

No primeiro filme da trilogia O Hobbit, junto com Gandalf e Bilbo, os anões começaram uma grandiosa e arriscada jornada atras de um objetivo – resgatar o próprio lar. E você? O que faria você se arriscar em uma jornada emocionante?

 

Sem mais enrolação, vamos aos quatro ganhadores da promoção  O Hobbit – Uma jornada inesperada.

 

Letícia
Eu não me arriscaria, aventuras são desconfortáveis e atrasam o jantar!

 

Bráulio Lopes (enviado via Facebook)
Eu sair da minha toca de hobbit, ou seja, sair do conforto?
Acompanhar anões ignorantes, enfrentar um dragão e com isso atrasar meu lanche?
Acho que está procurando aventureiros no lugar errado…
Falando em aventuras tenho lembranças de meus parentes Tûks, hobbits não muito respeitados devido à frequentes problemas, envolvendo aventuras..
Aventuras com seus temperos viravam grandes histórias.
Histórias com elfos.. ah os elfos, eles e suas construções, belezas tiradas da terra por anões, grandes cidades de homens, e os elfos…
Quando partimos?!

 

Leonardo Venzon
Resposta: Eu costumava pensar que eu precisava de pelo menos 13 anões e um mago para conseguir me tirar de casa para uma aventura, mas no mes passado eu descobri que minha esposa está grávida do nosso primeiro filho. Para garantir um lar para minha nova família eu seria capaz de enfrentar qualquer fera, inclusive Azog, o Profanador ou Smaug, o Terrível!

 

Emiliano Kelm
Resposta: O que me levaria a sair em uma grande jornada inesperada seria a certeza de que, quando retorná-se, eu não seria mais o mesmo. Tampouco minha casa e meu ambiente familiar seria o mesmo, pois apenas saindo do lar aprendemos a vê-lo de uma outra perspectiva. Apenas saindo aprendemos a valorizar o que possúimos, e então encontrar nosso lugar no mundo. Bem como Bilbo refeltiu: “Sou apenas uma criaturinha pequena nesse mundo gigante…ainda bem”.

 

Os ganhadores devem enviar e-mail para ttone@valinor.com.br com o Assunto “Resultado da Promoção O Hobbit – Uma jornada inesperada” contendo nome completo e endereço para envio do DVD. Parabéns! :D

Que tal ganhar o dvd de O Hobbit – Uma jornada inesperada?

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Então você adorou a primeira parte de O Hobbit nos cinemas e gostaria de ter o dvd? E se for de graça, então? Moleza!

A Valinor, em parceria com a Warner, está sorteando 4 dvds de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada! Para participar basta responder:

No primeiro filme da trilogia O Hobbit, junto com Gandalf e Bilbo, os anões começaram uma grandiosa e arriscada jornada atras de um objetivo – resgatar o próprio lar. E você? O que faria você se arriscar em uma jornada emocionante? As melhores respostas podem ganhar um DVD do sucesso de bilheteria O Hobbit – Uma jornada inesperada.

 

Para concorrer, você deve deixar a sua resposta aqui mesmo nos comentários da notícia ou no post da notícia na nossa página no Facebook  O resultado sai dia 10 de Maio, aqui mesmo na Valinor, no Facebook e também no nosso Twitter.

Gostou? Dá um curtir na nossa página, siga a gente no Twitter e boa sorte!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - Poster Oficial

Um review de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – por Fëanor

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - Poster OficialApós 9 anos do fim da trilogia do SdA, aquela sensação de novo: entrar numa sala de cinema para ver as criações de Tolkien tomando forma na tela. E novamente pelas mãos de Peter Jackson. Como não manter altas expectativas?

Então vou trazer a pergunta que deveria estar no final de um review normal aqui para o começo: as expectativas foram atendidas?
E a minha resposta é: em grande parte sim. Naturalmente tenho minhas ressalvas, e vou fazê-las abaixo, pontuando algumas partes do filme. Se você ainda não o assistiu, não leia (i.e., spoilers ahead!).

A introdução é de tirar o fôlego. Talvez a melhor parte do filme, com cenários muito bem construídos, uma Erebor magnífica e a ótima sacada de não mostrar Smaug: apenas partes do lagartão aparecem, deixando todo mundo com altas expectativas, que deverão aguentar até os próximos filmes. Primeiro ponto pra você, PJ!

A transição do Bilbo velho contando a história para o Bilbo novo à porta de casa é bem bacana, e o diálogo com Gandalf ficou excelente. A discussão sobre o significado do “bom dia” arrancou boas risadas do público.

A reunião dos Anões em Bolsão também é muito bem retratada, e é possível sentir a perturbação de um Bilbo que nunca recebeu tais companhias para um jantar daqueles em seu lar. E as canções? Ótimas! Misty Mountains foi de arrepiar. PJ scores again.

Pulando para a parte em que Balin conta a história de Thorin: essa foi a primeira grande mudança que não me agradou muito. Azog maneta que fica vivo? Para quem não lembra das obras, Azog foi morto na Batalha de Azanulbizar por Dáin. Quem deveria aparecer mais tarde na história seria seu filho, Bolg. Mas essa escolha por um segundo antagonista para os filmes bagunçou um pouco a história. Por um lado, eu entendo o PJ: sustentar um filme de quase 3 horas sem um antagonista presente seria dureza. Para não cair no marasmo, a escolha foi dar ao filme várias cenas de ação, e nesse aspecto Azog tem um papel importante. Ok, vilão justificado. Mas ainda assim não curti muito. Talvez eu ainda mude de opinião com os demais filmes. Veremos. Aqui você não pontuou comigo, PJ.

Chegamos aos trolls e numa parte que eu julgava delicada: como retratá-los de modo a não parecerem tão bobos a ponto de descaracterizar os trolls que vimos na trilogia do Anel, mas ao mesmo tempo mantendo aquele elemento mais “infantil”? Seria preciso uma boa dose de sutileza. E acho que no fim das contas o PJ conseguiu dosar bem a mão. Outro ponto pro baixinho na direção.
Quanto ao Radagast: a caracterização visual dele me agradou, mas não o personagem em si. Ele passou mais um ar de lunático do que de um mago preocupado com a natureza. E aquele trenó puxado por coelhos foi um tanto quanto, hm, forçado. O Radagast que tem minha simpatia nos livros não a conseguiu na tela. Pô, PJ!

Vamos à Valfenda. A última casa amiga continua deslumbrante aos olhos. Temos uma pequena dose da antipatia entre elfos e anões, mas que logo se resolve com comida. E temos também o encontro de Gandalf com os demais membros do Conselho Branco: Elrond, Galadriel e Saruman. Em relação à trilogia do Anel Elrond pareceu-me exatamente igual, Galadriel teve um up no visual e Saruman causou-me uma estranheza inicial, possivelmente graças a uma barba um pouco mais escura. Nada que prejudicasse a sensação de ver quatro fodões da Terra-média juntos num debate.

Próxima parada: montanhas. Começando com uma cena que realmente não gostei: os gigantes. Talvez não seja nem pelo fato de que PJ resolveu interpretar literalmente aquilo que tinha sentido figurado (e eu não vou me aprofundar sobre esse ponto aqui), mas pela dimensão que ele deu à coisa. Gigantes do tamanho de montanhas envolvidos em um conflito que desde o começo parece completamente sem sentido e que torna a sobrevivência dos anões algo extremamente improvável. Sinceramente, pura encheção de linguiça pra ver se ganha mais uns pontinhos pra levar a estatueta de efeitos visuais.

Dentro da montanha, um misto de coisas boas e ruins. Por um lado, a representação da cidade dos orcs é muito boa, e eu gostei do Grão-orc-da-papada-grotesca – o feioso ficou muito parecido com a imagem mental que eu tinha do livro. Por outro, a fuga dos anões é recheada de momentos inverossímeis. Não dá pra engolir aquelas quedas abismais que não causam sequer um arranhão na companhia. Não é por se tratar de uma obra de ficção fantástica que você pode sair por aí extrapolando sem critérios o limite do que é real. Mesmo em uma obra de tom mais infantil como é O Hobbit, Tolkien tem um cuidado todo especial com esse tipo de coisa. Mas nosso amigo PJ, nesse ponto, perdeu a mão.

Ainda na montanha, também não me agradou a maneira como Bilbo encontra o Anel. Custava deixar igual à descrição dada no livro, que por sinal é igual àquela que vemos em A Sociedade do Anel? Não teria alterado em nada a compreensão dos leigos, e funcionaria como mais um elo entre os dois filmes (além da introdução). PJ vacilão!

Mas ao menos essa falha é compensada na sequência com um dos pontos altos do filme: as adivinhas no escuro entre Bilbo e Gollum. Gollum está ótimo, e ele fazendo lanchinho de orc foi uma sacada muito boa para dar ao contexto do personagem um tom mais sinistro. A dupla se sai muito bem na parte das adivinhas em si, e a parte final, quando Bilbo poupa a vida de Gollum, é o ápice. Claro que na hora todo lembrou da frase de Gandalf, mas o mais tocante é o close na cara do Gollum – quem não ficou com pena ao ver aquele olhar?

Por fim, a companhia sai da frigideira para o fogo, perseguidos por Azog e sua tropa de orcs e wargs, e temos mais uma cena saída da cabeça do PJ, mas que não ficou ruim. Não, eu não concordei com o Azog no filme como já disse, mas já que o orc albino é o principal antagonista desta primeira parte, então foi uma boa dar-lhe mais vulto usando-o nesse final – se PJ não o fizesse teria falhado em falhar.  Thorin leva uma surra do orc (ou seria do warg?) e quanto tá todo ferrado, surgem as águias. É um momento de êxtase ver as aves gigantes chegando pra acabar com a farra dos orcs e salvar a companhia. E nem preciso dizer que elas ficaram belíssimas, né?

No fim das contas, o filme me agradou bastante (eu não senti as quase 3 horas passarem!), apesar de algumas falhas que me causaram desconforto. E ainda tem um ponto que não mencionei, mas merece destaque: a trilha sonora. Howard Shore fez mais um trabalho impecável, conseguindo recuperar a magia sonora que já nos deliciou na trilogia anterior, mas ao mesmo tempo imprimindo uma característica própria para essa nova. Toda vez que surgia o leitmotif da companhia eu me arrepiava!

Agora é esperar mais um ano para ver o que mais nos aguarda. Quem aí não está louco para ver Smaug, Beorn, a Cidade do Lago?

Minha nota: 8/10

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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – Crítica

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A gente percebe que está ficando velho e meio escravizado quando não consegue mais vomitar de imediato uma resenha gigantesca do filme tolkieniano que acabou de ver na pré-estreia de imprensa. Lembro que eu escrevia páginas e mais páginas de uma hora pra outra e tinha uma memória fotográfica de cada cena na época em que a Saga do Anel estreou nos cinemas (tinha gente que me zoava dizendo que eu tinha passado a sessão de cinema anotando tudo, o que definitivamente eu não fazia).

Acho que não vou conseguir a mesma façanha com “O Hobbit”, mas vou tentar chegar perto. Antes de mais nada, quero deixar claro que a resenha está REPLETA de SPOILERS. Muitos SPOILERS mesmo. Cheinha. Resenha sem SPOILERS não tem graça. Então, se você ainda não viu o filme, só leia o próximo parágrafo e depois pare de ler.

Bem, arrogando-me o direito de cagar regra um pouquinho e dar meu veredicto logo de cara: o filme não tem o impacto de assistir “A Sociedade do Anel” em 2001 pela primeira vez, claro. Exagera na ação desnecessária e dá umas escorregadas de caracterização dos personagens e de humor. Não tem, nem de longe, o tom mais infantil e inocente que predomina nos primeiros capítulos do livro. Mas ainda assim é um filme para os fãs, que captura uma quantidade impressionante de informações e texturas sobre o mundo de Tolkien e dá linda forma visual a elas. Ademais, as canções, Bilbo, Gollum e até as pontinhas de Smaug valem cada minuto. E a coisa só promete melhorar daqui pra frente. O filme é arrastado? Só nas cenas de batalha, paradoxalmente. Nas passagens mais “pensadas”, o tempo te ajuda a sentir os personagens, o cenário e a história. E isso é uma grande virtude.

OK, agora vamos aos SPOILERS.

A coisa começa em Bolsão, pouco antes da Festa Muito Esperada de “A Sociedade do Anel”. O narrador, claro, é Bilbo (Ian Holm, como sempre ótimo). Vemos o velho hobbit escrevendo o Livro Vermelho e um simpático desenho dele quando jovem retratando, é claro, Martin Freeman, nosso “novo” Bilbo. Como todo mundo já viu nos trailers, Bilbo está contando a história para Frodo (Elijah Wood também aparece rapidamente, em mais de uma cena, o que me deu uma sensação de estranheza porque, afinal, o Elijah está mais velho, com uma cara bem diferente).

De qualquer jeito, Bilbo começa sua história contando sobre o reino anão de Erebor e o reino humano de Valle. As imagens são de deixar qualquer um zonzo. Com uma cara meio de Leste Europeu ou Rússia dos czares, a junção dos dois reinos é lindíssima. Vemos, por exemplo, a linhagem dos anões – o rei Thrór, seu herdeiro Thráin e, é claro, o então jovem príncipe Thorin (que ainda não era o Escudo de Carvalho).

Fica muito clara a paixão dos anões pela estrutura da terra, pelos metais e pelas pedras preciosas, aquela coisa #Aulefeelings que a gente conhece em “O Silmarillion”. E uma das cenas mais bonitas pra mostrar isso é o momento em que a Pedra Arken é encontrada — se um dia filmarem o Silma, é mais ou menos esse o look que uma Silmaril deve ter — embora a Pedra Arken NÃO seja uma Silmaril, claro.

Algumas coisas desnecessárias, porém: mostrarem o Thranduil inclinando a cabeça para o Thrór, como se fosse vassalo dele; e a ideia de que o Thrór “passou a achar que governava por direito divino”. Hein?

OK, vamos em frente. A maneira como resolvem visualmente o grande ataque de Smaug é genial, a começar pela delicada cena de uma pipa com forma de dragão antes da pancadaria. Não vemos o bicho em momento nenhum, só seu fogo e, em determinada cena, suas patas. Os pobres anões lutam bravamente, mas são detonados. E, em mais uma cena desnecessária, Thorin vê Thranduil e seu exército ao longe — desculpa, a Floresta das Trevas não fica na esquina de Erebor… — e pede ajuda. Thranduil, montado num cervo (!?), dá as costas. Essa é uma tendência do filme como um todo: tentar dar um up na inimizade entre elfos e anões sempre que possível.

Voltamos para o Condado e para o encontro fatídico entre Bilbo e Gandalf. É muito legal ver como o texto original é engraçadinho — a conversa sobre os vários sentidos da palavra “bom-dia”, o histórico familiar de Bilbo e o medão dele de aventuras etc.

Também é preciso dar muito crédito ao filme por fazer o que quase não aconteceu na Saga do Anel: realmente incorporar as canções do livro na trama. Eu fiquei cantando comigo várias vezes “that’s what Bilbo Baggins hates!” conforme os anões arrumavam a louça cantando. E a canção da Montanha Solitária, como já sabemos pelo trailer, é de deixar qualquer um arrepiado.

Falando sobre diferenças, e não semelhanças: Bilbo na verdade se recusa, inicialmente, a partir com os anões, e só muda de ideia de manhã, quando eles foram embora. Acho que OK, é só uma maneira mais “for dummies” de mostrar o medo e a indecisão dele.

A cena dos trolls é um bocado diferente também — nada de carteira falante, o que, cá entre nós, era esperado –, e começa aqui a tendência meio irritante de tentar mostrar os anões como superguerreiros o tempo todo, mas o humor funciona bem, em especial quando Bilbo tenta convencer os trolls a não comer os anões porque eles têm parasitas.

Enquanto nossos heróis continuam sua jornada rumo às montanhas, um parêntese: Radagast. Não é nem que seja um personagem de fazer você passar vergonha. É só meio… bobo. Desnecessário. OK, ele faz massagem cardíaca em ouriços de CGI, e isso é fofinho, e eu já sabia do tal trenó puxado por coelhos – “coelhos de Rhosgobel”, diz Radagast -, mas sei lá, a troco de quê?

Outra coisa que não me parece grande ideia é mostrar a transformação da Grande Floresta Verde em Floresta das Trevas “em tempo real”, durante a jornada dos anões. Isso tira um pouco do peso de estrutura histórica de milhares de anos que pra mim é um dos grandes charmes do legendarium da Terra-média. De novo, é muito for dummies a coisa. Pelo menos, ao falar com Gandalf sobre o mal que avança na floresta, Radagast diz que as aranhas parecem ser “filhas de Ungoliant”, o que é bacana.

Também acho que funcionou apenas mais ou menos a ideia de fazer com que o grande inimigo do primeiro filme fosse Azog, o Orc Fodão Albino. A perseguição e os combates constantes, bem como o flashback da batalha de Azanulbizar – a grande guerra entre anões e orcs na qual Thorin ganhou seu apelido ao usar um tronco de árvore como escudo –, até conseguem mostrar a antiga inimizade entre orcs e anões, mas acabam se tornando cansativos, e Azog, apesar de ser feioso e fortão, simplesmente não impõe muito respeito como vilão.

Ponto positivo em meio à correria: a cena em que os companheiros precisam se esconder numa “passagem secreta” que leva a Valfenda vale porque os anões são salvos pela “cavalaria élfica” de Elrond, e ela dá uma ideia muito boa, na minha opinião, de como eram os cavaleiros élficos da Primeira Era em Ard-galen, flechando os orcs de Morgoth.

A Valfenda do filme é aquela mesma que já conhecemos do das: linda e um tanto afrescalhada. Elrond até que se mostra um bom anfitrião para os anões. As cenas em que ele conta para os anões o nome das espadas Orcrist e Glamdring, bem como o momento da leitura das runas especiais do mapa de Thrór, ficaram muito bem feitas.

E, claro, temos Galadriel. Ela está bem mais bonita e bem menos creepy do que em “A Sociedade do Anel”, então ponto para o novo filme nesse sentido. Já a reunião do Conselho Branco é menos tosca que o Conselho de Elrond em “A Sociedade do Anel”, mas incomoda um pouco a ideia de que o Gandalf precisava da permissão do Saruman pra organizar a demanda de Erebor. E o papo sobre o Rei Bruxo ter sido enterrado não sei onde… alguém entendeu aquilo? Rápida nota pros fãs do livro: bacana o aspone do Elrond se chamar Lindir, não?

Seguindo em frente: a passagem das montanhas conta com uma versão absurdamente elaborada da batalha entre os gigantes descrita rapidinho no livro. Os anões simplesmente se veem presos entre os JOELHOS dos gigantes, que parecem Transformers de pedra dando porrada uns nos outros. Achei bobo, mas é questão de gosto, certo?

Mas tudo bem, isso é compensado com a chegada de Bilbo e dos anões à cidade subterrânea dos orcs e, finalmente, ao encontro entre Bilbo e Gollum. A coisa começa de um jeito assustador porque Bilbo acaba espiando, de longe, nosso preciossso amigo basicamente abatendo um orc pra comer no jantar, o que dá um certo medo dele.

Mas o jogo de adivinhas é simplesmente perfeito, até porque o texto original de Tolkien foi usado quase na sua totalidade. Que eu me lembre, só as adivinhas do girassol e a do homem, gato e peixe (four-legs, no-legs etc.) ficaram de fora – corrijam-me se eu estiver errado. E o “salto no escuro” – Bilbo, afinal, decidindo poupar a vida de Gollum – ficou genial, talvez um dos únicos pontos de sutileza num filme que não é lá muito sutil. Até o detalhe dos botõezinhos de latão caindo da jaqueta de Bilbo aparece.

Ufa – finalmente chegamos ao clímax da história. A batalha nas árvores, o fogo assustando os wargs etc. ficou bem coreografada. Thorin acaba tomando muita porrada num mano a mano com Azog, cena que em si é até bacana e emocionante. Eu só teria uma crítica mais ou menos séria a fazer: embora seja legal ver Bilbo arriscando sua vida para defender o nobre líder anão, parece-me cedo demais dar uma personalidade tão heroica ao pequeno hobbit. Por que não “guardar” isso para o confronto com as aranhas? Mas OK, é emocionante. E, quando as Águias chegam pela primeira vez, é de tirar o fôlego, certamente a cena mais caprichada envolvendo nossos amigos alados já feita, deixando no chinelo até as da Saga do Anel. Tudo coroado com o abraço de Thorin em Bilbo, reconhecendo o valor do hobbit, que me deixou emocionado.

Chave de ouro: o olhão de Smaug aparecendo debaixo do tesouro dos anões. Chega logo, dezembro de 2013!

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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – Primeiras Impressões, por Vinicius Reis

Estou chegando agora da pré-estreia de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, no Rio de Janeiro. A pré foi promovida pela Warner, na noite do dia 11/12, no Cinemark Downtown, na Barra da Tijuca e contou com a presença de fãs e outros convidados. O meu convite foi dado pela Toca-RJ, entidade regional do Conselho Branco, que forneceu convite aos fãs cadastrados. Depois de um longo engarrafamento numa noite extremamente quente, consegui chegar vivo ao cinema, onde estava acontecendo uma bela festa, com fãs fantasiados, imprensa, etc. A minha exibição foi em uma sala 2D, com 24 quadros por segundo e estas são as minhas primeiras impressões. Vale lembrar que outros membros da Equipe Valinor podem ter outras impressões e que este texto reflete apenas a minha opinião:

 * O texto abaixo está livre de spoilers* 

- O filme é uma delícia de assistir e em nenhum momento fiquei cansado, apesar da longa duração.

- Erebor é incrível, provavelmente a cidade mais imponente que eu já vi em qualquer filme de fantasia. A riqueza de detalhes é imensa e a beleza ganha facilmente de Moria. A cena que mostra a tomada de Erebor por Smaug é uma das coisas mais incríveis que eu já vi.

- Existe um vilão claro neste filme e não é Smaug. Muito bacana isso.

- O filme não segue o livro a risca, como também foi em O Senhor dos Anéis. PJ toma liberdades de contar coisas que estão em outros livros e também cria momentos que estão apenas no filme. Isso não me pareceu um problema em momento nenhum e o filme segue uma boa narrativa. O respeito às obras está claramente ali.

- Reconhecer os anões não é um problema, como eu achei que poderia ser. Todos os anões diferenciam bastante entre si.

- O tom do filme é bem mais leve que O Senhor dos Anéis. É mais divertido, mais colorido, de certa forma até mais ingênuo e infantil que a trilogia, exatamente como o livro é.

- Várias cenas remetem à trilogia, inclusive com a mesma trilha sonora da saga anterior. Isso me soou um pouco repetitivo, mas conversando com o pessoal na saída do cinema, ninguém reclamou disso. Todos gostaram desta referência aos filmes anteriores.

- Trolls. Goblins. Smaug. Incríveis.

Conclusão: quero ver de novo. Agora em 3D (apesar de não ter sentido falta nenhuma). Comprem seus ingressos. Agora!

Quanto Vale a Fortuna de um Dragão?

Recentemente, a revista Forbes divulgou sua lista anual dos personagens mais ricos da ficção, a Fictional 15. A surpresa para os fãs de Tolkien foi que Smaug, o dragão maligno de O Hobbit, figurou na sétima posição da lista!

A lista, como é natural, acaba gerando controvérsias. Muitos questionam quais critérios são levados em conta para chegar nos valores estimados. Smaug, por exemplo, tem “sua” fortuna avaliada em 8,6 bilhões de dólares. Mas como esse valor foi obtido? Terá sido apenas um chute?

Justamente para responder isso, um dos editores da Forbes, Michael Noer, publicou um artigo onde ele apresenta o criterioso cálculo realizado para chegar na cifra bilionária. Confira a matéria traduzida:

 

Quanto Vale a Fortuna de um Dragão?

Ao longo dos anos houve muita curiosidade a respeito de como a equipe da Forbes calcula o valor das fortunas imaginárias do rank anual The Fictional 15, que classifica os personagens mais ricos da ficção. Certa vez eu até fui acusado por um apresentador de um programa de rádio – com um público pequeno, graças a Deus! – de simplesmente “chutar” os números.

Para silenciar o ceticismo e dar aos fãs da lista alguma idéia de quão profunda é a toca do coelho, eu decidi jogar alguma luz sobre uma investigação típica da Fictional 15, neste caso a investigação de Smaug, o dragão cuspidor de fogo do livro (e dos futuros filmes da Warner) O Hobbit , de J.R.R. Tolkien.

Certamente Smaug é descrito como sendo muito rico na história. Em um certo ponto, Bilbo Bolseiro, o herói do livro, se dirige a ele como “Smaug, o incalculavelmente opulento” e seu ouro é descrito como “além de qualquer preço ou conta”. Mas quanto, precisamente, vale a fortuna desse dragão? (esqueça o papo-furado de “incalculavelmente opulento”; certa vez eu avaliei Donald Trump para a Forbes, então estou acostumado a bilionários que soltam muita fumaça).

Nós sabemos da história que a riqueza de Smaug é oriunda de três componentes primários: o monte de ouro e prata sobre a qual ele dorme, dos diamantes e outras pedras preciosas incrustadas em seu dorso, e da “Pedra Arken de Thrain”, que é descrita como sendo o Diamante Hope com esteróides. (Existem certamente outros itens valiosos no tesouro de Smaug – raras armaduras e coisas assim – mas o ponto da investigação é estabelecer um valor mínimo, conservador, do patrimônio líquido, e o valor total de uma pilha de armamentos provavelmente não é mais do que um erro de arredondamento em um fortuna estimada em bilhões de dólares).

Vamos começar com os metais.

O livro descreve Smaug como “enorme”, com séculos de idade e “vermelho-dourado”. De acordo com um site de Advanced Dungeons e Dragons¹ , The Hypertext d20 SRD, um dragão dessa idade e cor mede por volta de 64 pés (19,5 metros) do nariz à ponta da cauda. Contudo, uma grande parcela dessa medida é pura cauda. Para fim de comparação, 70% do comprimento dos Dragões de Komodo é representado pela cauda, então podemos estimar o corpo de Smaug como tendo aproximadamente 19,2 pés ( 5,85 metros).

Dragões são compridos e estreitos, então podemos seguramente assumir que Smaug pode se enrolar confortavelmente em um monte de tesouro com o mesmo diâmetro que o comprimento de seu corpo – 19,2 pés.

Quão alto é o monte? Bem, em certo ponto em O Hobbit, Bilbo escala o monte, e nós sabemos que Hobbits possuem aproximadamente 90 centímetros de altura. Assumindo que o monte possui o dobro da altura de Bilbo, podemos dizer que o monte possui uma altura de aproximadamente 6 pés (1,80 metros) – como um homem de 1,80m escalando um monte de 3,6 metros (12 pés) de moedas; considerável, mas não insuperável.

Para manter a matemática relativamente simples e evitar complicações como integrar o volume parcial de uma esfera,podemos aproximar a cama de ouro e prata de Smaug como sendo um cone, com um raio de 9,6 pés (2,93 metros, metade do diâmetro) e uma altura de 7 pés (2,13 metros, assumindo que o peso do dragão vá reduzir a ponta do cone em cerca de 30 centímetros).

Agora podemos calcular o volume do tesouro de Smaug:

V=1/3 π r2 h = 1/3 * π * 9,62 * 7 = 675,6 pés cúbicos (19,13 metros cúbicos)

Mas, obviamente, o monte não é puramente ouro e prata. Sabemos que ele possui itens como uma grande taça de duas alças – que Bilbo rouba – e provavelmente restos mortais, para não mencionar o ar entre as moedas. Vamos assumir que o monte seja 30% ar e ossos. Isso faz o volume do tesouro que é puro ouro e prata ser de 472,9 pés (13,4 metros) cúbicos.

Sabemos que Bilbo tomou sua parte do tesouro em dois pequenos baús, um cheio de ouro e o outro cheio de prata, então parece seguro assumir que o tesouro é aproximadamente ½ ouro e ½ prata, ou 236,4 pés (6,7 metros) cúbicos de cada metal.

Um Krugerrand, a moeda Sul-africana contendo uma onça troy de puro ouro, mede 32,6mm de diâmetro e 2,84mm de espessura. Resolvendo para o volume de um cilindro (V = π r2 h), e então convertendo milímetros cúbicos para polegadas cúbicas, e depois polegadas cúbicas para pés cúbicos, dá um volume de 8,371354e-05 (ou 0,00008371354) pés cúbicos para uma única moeda, contendo uma onça de ouro.

Usando lógica similar, uma American Silver Eagle (40,6mm de diâmetro, 2,98mm de espessura) que contém uma onça troy de prata, possui um volume de 0,000136 pés cúbicos.

Então é uma questão trivial determinar o número de moedas de uma onça de ouro (2,8 milhões) e de moedas de uma onça de prata (1,7 milhões) na pilha. No momento o ouro está sendo comercializado a U$$1423,8/onça e a prata a US$37,5/onça, fazendo as moedas de ouro valer pouco mais que US$4 bilhões e as de prata US$65 milhões, ou US$4,1 bilhões para as duas juntas.

Agora, aos diamantes:

Após todas essas décadas de sono em cima de seu tesouro, o dorso macio de Smaug ficou incrustado com diamantes (“que magnífico possuir um colete de finos diamantes!”), tornando-o amplamente invulnerável à flechas e lanças, exceto, claro, pelo “bom pedaço no lado esquerdo do peito” que é “descoberto como um caracol fora da casca

Qual o valor de todos esses diamantes?

Bem, sabemos que o corpo de Smaug (com cauda) possui 64 pés (19,5 metros),e  sabemos que dragões são compridos e estreitos, então parece seguro assumir que a proporção entre o comprimento e a largura para um dragão adulto é de cerca de 6 para 1, deixando-nos com 10,7 pés (3,26 metros) para a largura do corpo do monstro. Seis polegadas (15,24 cm) por seis polegadas parece um tamanho razoável para uma única escama de dragão, o que significa que existem 822 escamas no dorso de Smaug.  Subtraindo 5% pelo espaço descoberto deixa-nos com 781 diamantes escamas incrustadas com diamantes.

De acordo com o Diamond Helpers, diamantes acima de 5,99 quilates (1,198 gramas) são precificados individualmente, então vamos simplificar e assumir que todos os diamantes de Smaug possuem 5,99 quilates, precificados a aproximadamente US$16.700 por quilate, ou simplesmente US$100.000 cada. Cinqüenta diamantes para cada escama de seis polegadas quadradas parece adequado para proteger contras a maioria das flechas, então Smaug está incrustado com 38.900 diamantes, com um valor total de US$3,9 bilhões.

Adicionando os diamantes aos US$4,1 bilhões em metais preciosos nos dá um valor de US$8 bilhões.

Finalmente, a Pedra Arken de Thrain:

Na narrativa, a Pedra Arken é explicitamente avaliada a exatamente 1/14 de todo o tesouro, dado que Bilbo a toma como total de sua parte e então altruisticamente a negocia para prevenir uma guerra entre anões e uma coalizão de homens e elfos. Se 13/14 do tesouro é avaliado em US$8 bilhões, então o tesouro todo deve valer aproximadamente US$8,6 bilhões, confortavelmente colocando Smaug em 7º lugar na Fictional 15 de 2011.

“Chutar” os números? Ha.

 

N.T.:

¹ Na realidade o site Hypertext D20 SRD não é de Advanced Dungeons & Dragons. O D20 é um sistema que surgiu com a 3ª edição de Dungeons & Dragons. Advanced D&D eram a primeira e segunda edições do jogo.

 

Fonte: How Much is a Dragon Worth?