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Por que Tolkien não ganhou o Nobel?

Qualquer fã mais entusiasmado da obra de J.R.R. Tolkien já deve ter pensado por que no final das contas ele nunca ganhou o Nobel de Literatura. Pois a pesquisa de Andreas Ekström parece trazer uma resposta bem ruim: o comitê sueco simplesmente considerava sua prosa fraca. Conforme noticiado pelo jornal sueco Sydsvenska Dagbladet, o nome de Tolkien chegou a ser cogitado em 1961 junto com outros nomes como Robert Frost e Graham Greene. Mas naquele ano quem ganhou o nobel foi o iugoslavo Ivo Andrić, por causa da “força épica com a qual ele traçou temas e retrata os destinos humanos retirados da história de seu país”.

As reuniões que decidem quem será o ganhador do prêmio Nobel são secretas, mas passados cinquenta anos da reunião os arquivos dessa são abertos para o público, e foi a partir desse estudo que Ekström pescou a informação de que um jurado chamado Andres Osterling chegou a dizer que Tolkien “de forma alguma chega ao nível de narrativa de alta qualidade”.

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Novo livro de Tolkien no Brasil – A Lenda de Sigurd e Gudrún

Não sei se já foi anunciado aqui na Valinor, mas não custa falar de novo. Deu no site da editora Martins Fontes que entre os próximos lançamentos está A lenda de Sigurd e Gudrún. Uma boa notícia para nós leitores brasilieros. O texto do site é o seguinte:

“Muitos anos atrás, J.R.R. Tolkien compôs sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade setentrional, em dois poemas estreitamente relacionados, aos quais deu os títulos de A Nova Balada dos Völsungs e A Nova Balada de Gudrún.

Na Balada dos Völsungs é contada a linhagem do grande herói Sigurd, matador de Fáfnir, o mais celebrado dos dragões, cujo tesouro ele tomou para si; de como despertou a valquíria Brynhild, que dormia cercada por uma parede de fogo, e de como foram prometidos um para o outro; e de sua chegada à corte dos grandes príncipes chamados Niflungs (ou nibelungos), com quem contraiu fraternidade de sangue. Nessa corte nasceu grande amor, mas também grande ódio, provocado pelo poder da feiticeira, mãe dos Niflungs, habilidosa nas artes da magia, da mudança de forma e das poções de esquecimento.

Em cenas de dramática intensidade, de identidades confundidas, paixão frustrada, ciúme e amarga contenda, a tragédia de Sigurd e Brynhild, do Niflung Gunnar e de sua irmã Gudrún, escala até o desfecho com o assassinato de Sigurd pelas mãos de seus irmãos de sangue, o suicídio de Brynhild e o desespero de Gudrún. Na Balada de Gudrún, contam-se seu destino após a morte de Sigurd, seu casamento a contragosto com o poderoso Atli, soberano dos hunos (o Átila histórico), como este assassinou seus irmãos, senhores dos Niflungs, e como ela se vingou de modo horrendo.

Numa versão derivada primariamente dos detalhados estudos da antiga poesia norueguesa e islandesa conhecida por Edda Poética (e, nos casos onde não existe poesia antiga, da obra posterior em prosa, a Völsunga Saga), J.R.R. Tolkien empregou uma forma poética de estrofes curtas cujos versos corporificam em inglês os exigentes ritmos aliterantes e a energia concentrada dos poemas da Edda.”

O site não informa data de lançamento ou qualquer informação sobre a publicação, mas está listada nos próximos lançamentos.  Agora é esperar.

O livro já foi comentado em dois momentos aqui na Valinor:

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Elfos de Tolkien

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No legendarium de J. R. R. Tolkien, um Elfo é um indivíduo membro de uma das raças que habita as terras de Arda. Eles aparecem em O Hobbit e em O Senhor dos Anéis, mas a sua história mais complexa é descrita por completo apenas em O Silmarillion, editado e publicado após a morte de Tolkien. Mais detalhes sobre eles são dados nos outros trabalhos do autor, editados e publicados desde então, tais como Contos Inacabados e The History of Middle-earth (12 volumes). The History of Middle-earth também revela sua história textual e conceitual, como Tolkien havia escrito sobre os Elfos antes de O Hobbit ser publicado.

Desenvolvimento

 

Primeiras escritas

Tradicionais fadas dançantes da era Vitoriana e Elfos aparecem em muitas das primeiras poesias de Tolkien, e têm influência em seus trabalhos mais recentes em parte devido à influência de uma produção de Peter Pan, de J. M. Barrie em Birmingham em 1910 e sua familiaridade com o trabalho do poeta católico místico, Francis Thompson, que Tolkien adquiriu em 1914. Como filólogo, o interesse de Tolkien em línguas o levou a inventar várias linguagens próprias como passatempo. Ao considerar a natureza de quem virá a falar essas línguas, e que histórias eles venham a contar, Tolkien mais uma vez voltou ao conceito dos Elfos.

 

O Livro dos Contos Perdidos (c. 1917-1927)

Nas primeiras formas das estórias que apersentam contexto para as linguagens Élficas, O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien desenvolve um tema no qual a diminuta raça parecida com fadas, os Elfos, foram um grande e poderoso povo, e como os Homens tomaram o mundo e esses Elfos ”diminuíram”. Esses Elfos maiores são influenciados por aqueles das mitologias do norte da Europa, especialmente os semi-deuses do tamanho de humanos, Ljósálfar Nórdico, e são derivados de trabalhos medievais como Sir Orfeo, Mabinogion Gaulês, romances Arthurianos e as lendas de Tuatha Dé Danann. John Garth também referenciou o Tuatha Dé Danann ao sugerir que Tolkien estava essencialmente rescrevendo as tradições dos contos Irlandeses.

A mitologia céltica teve grande influência nos escritos de Tolkien sobre Elfos e algumas das estórias que ele escreveu como ‘lendas Élficas’ são diretamente influenciadas por ela. Por exemplo, o “Vôo dos Noldoli” é baseado no Tuatha Dé Danann e Lebor Gabála Érenn, e sua natureza migratória vêm das primeiras histórias Irlandesas/Célticas. O nome ‘Inwe’ (no primeiro rascunho – ‘Ing’), dado por Tolkien para o mais velho dos Elfos e seu clã é similar ao nome encontrado na mitologia Nórdica como “Ingwi-Freyr” (e Ingui-Frea no paganismo Anglo-Saxão), um deus que recebe Álfheim (o mundo Élfico) para governar como presente. Terry Gunnell também diz que a relação entre belos navios e os Elfos é remanescente de Njörðr e Skíðblaðni, navios de Freyr.
Os Elfos maiores também são inspirados pela teologia católica de Tolkien – ao representar o estado do Homem no Eden que ainda não havia caído – similares a humanos, porém mais belos e sábios, com maiores poderes espirituais, sentidos intensificados e uma empatia mais próxima com a natureza.
Tolkien escreveu sobre eles:
Eles são todos feitos pelo homem em sua própria imagem e semelhança; mas libertos daquelas limitaões que ele sente pesarem mais sobre ele. Ele são imortais, e sua vontade é diretamente efetiva para o alcançe de imaginação e desejo.
No Livro dos Contos Perdidos Tolkien inclui os mais sérios tipos ‘medievais’ de Elfos, como Fëanor e Turgon, junto com os Elfos do tipo Jacobino, mais frívolos, como os Solosimpi e Tinúviel. Ele também mantém o uso do termo Céltico e popular ‘fada’ para as mesmas criaturas. Junto com a idéia dos Elfos maiores, Tolkien também desenvolveu a idéia de crianças visitando Valinor, a ilha que é a terra dos Elfos em seu sono. Elfos também visitariam as crianças de noite e as confortariam se tivessem sido reprimidas ou estivessem chateadas. Esse tema, ligando Elfos com sonhos de crianças e viagens noturnas foi completamente abandonado.
O Hobbit (c. 1930-1937)
Junto com o Livro dos Contos Perdidos, Douglas Anderson mostra que em O
Hobbit, Tokien novamente inclui os mais sérios tipos ‘medievais’ de Elfos, como Elrond e o rei dos Elfos da Floresta das Trevas, e os mais frívolos, como aqueles de Valfenda.
O Quenta Silmarillion (c. 1937)
Em 1937, tendo o seu manuscrito para O Silmarillion rejeitado por um editor que desprezou todos os nomes “com origens celta” que Tolkien havia dado a seus Elfos, Tolkien negou que os nomes tivessem tal origem:

Não é necessário dizer que não são Celtas! Nem o são os contos. Eu conheço coisas Célticas (muitas em sua linguagem original, Irlandês e Gaulês), e sinto por eles um certo desgosto: mais por sua fundamental falta de razão. Eles têm cores brilhantes, mas são como uma janela com vidros manchados e quebrados, reunidos sem design. Eles são, de fato, ‘loucos’ como o seu leitor diz – mas eu não acredito que eu seja. (Carpenter 1981, 26).

Dimitra Fimi porpõe que esses comentários são um produto de sua Anglofilia mais do que um comentário sobre os textos própriamente ditos ou sua influência atual sobre seus escritos, e cita evidência para esse efeito em seu ensaio Elfos “Loucos” e ”beleza esquiva”: algumas vertentes da mitologia Céltica de Tolkien.
O Senhor dos Anéis (c. 1937-1949)
Terry Gunner nota que os títulos dos deuses germânicos Freyr e Freyja (senhor e senhora) também são dados a Cleborn e Galadriel em O Senhor dos Anéis. De acordo com Tom Shippey a diminuição do tema, de Elfo para ”Fada” resurge em O Senhor dos Anéis no diálogo de Galadriel. Escrito em 1954, a meio caminho de provar O Senhor dos Anéis, Tolkien assumiu que a linguagem Élfica Sindarin tinha:
… um caráter linguístico muito parecido (embora não seja idêntico) com o Britânico-Gaulês … pois parecia se encaixar mais no tipo ‘Celta’ de lendas e estórias ditas por seus usuários. (Carpenter 1981, 26)”.
Na mesma carta, Tolkien chega a dizer que os Elfos tinham pouco em comum com os elfos europeus ou Fadas, e que eles realmente representam homens com uma maior habilidade artística, beleza e um maior tempo de vida. Tolkien também diz que a linhagem de sangue Élfico era a única afirmação de ‘nobreza’ que os Homens da Terra-média podem ter. Tolkien também escreveu os Elfos de O Senhor dos Anéis como sendo os primeiros culpados por muitas das doenças da Terra-média, tendo criado independentemente os Três Anéis com o intuito de evitar que seus domínios nas terras mortais fossem ‘se acabando’ e a inevitavel mudança
e novo crescimento

História

1 – Origens.

Originalmente, nas décadas de 1910 e 1920, Ingwë, Finwë e Elwë (seus nomes finais) eram os mais velhos dos Elfos. Em 1959 ou 1960, Tokien escreveu um relato detalhado do despertar dos Elfos, chamado Cuivienyarna, parte de Quendi e Eldar. Ingwë, Finwë e Elwë agora se tornaram os primeiros embaixadores e Reis dos Elfos. Esse texto somente foi impresso em A Guerra das Jóias, parte da série analítica The History of Middle-earth, em 1994, porém uma versão similar foi incluída em O Silmarillion em 1977. De acordo com o primeiro relato, os primeiros Elfos foram despertados por Eru Ilúvatar perto da baia de Cuiviénen durante os Anos das Árvores na Primeira Era. Eles despertaram sob um céu estelado, pois o Sol e a Lua ainda não haviam sido criados. Os primeiros Elfos a despertarem formaram três pares: Imin (“Primeiro”) e sua esposa Iminyë, Tata(“Segundo”) e sua esposa Tatië e Enel (“Terceiro”) e sua esposa Enelyë.

Imin, Tata e Enel e suas esposas se agruparam e andaram pelas florestas. Eles encontraram seis, nove e doze pares de Elfos, e cada ”patriarca” assumiu os pares como seus parentes respectivamente. Os Elfos, agora em um grupo maior, viviam às margens dos rios, e inventaram poesia e música no continente da Terra-média. Fazendo mais longas viajens, eles encontraram dezoito pares de Elfos que observavam as estrelas, cujo grupo Tata assumiu como “seu”. Esses são altos e de cabelos negros, os pais da maioria dos Noldor. Os noventa e seis Elfos inventaram muitas novas palavras. Continuando sua jornada, encontraram vinte e quatro pares de Elfos, cantando sem linguagem, e Enel os incluiu em seu povo. Esses são os ancestrais de muitos dos Lindar ou ”cantores”, mais tarde chamados de Teleri. Eles não encontraram mais Elfos; o povo de Imin, o grupo menor, são os ancestrais dos Vanyar. Ao final os Elfos eram 144. Pelo fato de os Elfos terem sido encontrado em grupos de doze, doze se torna a sua base numérica e 144 seu maior número (por um bom tempo), e nenhuma das linguagens Élficas recentes tem um nome comum para um número maior.
Foram descobertos pelo Vala Oromë, quem levou a notícia de seu despertar para Valinor. O Silmarillion afirma que Melkor, o Senhor do Escuro, já havia capturado alfuns Elfos errantes e os desfigurado e mutilado até se tornarem Orcs. Todavia, Tolkien acabou ficando desconfortavel com essa origem Élfica e criou diferentes teorias sobre a origem dos Orcs.
2 – Divisão.
Os Valar decidiram convocar os Elfos para Valinor ao invés de os deixarem morando no lugar onde eles despertaram, perto do Lago Cuiviénen na extremidade oriental da Terra-média. Eles enviaram Oromë, que levou Ingwë, Finwë e Elwë como embaixadores para Valinor. Ao retornarem para a Terra-média Ingwë, Finwë e Elwë convenceram uma grande hoste a fazerem a jornada para Valinor. Nem todos os Elfos aceitaram a convocação, e os que ficaram foram conhecidos como os Avari, “os Relutantes”.
Os outros foram chamados Eldar, o Povo das Estrelas por Oromë, e eles aceitaram Ingwë, Finwë e Elwë como seus líderes, e se tornaram, respectivamente, os Vanyar, Noldor e Teleri. Em sua jornada, alguns dos Teleri temeram as Montanhas Nebulosas e não se atreveram a cruzá-la, voltaram para trás e permaneceram nos vales do Anduin, e foram chamados de Nandor, liderados por Lenwë. Oromë liderou os outros através das Montanhas Nebulosas e Montanhas Azuis até Beleriand. Lá Elwë se perdeu, e os Teleri ficaram para trás procurando por ele. Os Vanyar e Noldor caminharam até uma ilha flutuante que foi rebocada por Ulmo até Valinor.
Após anos, Ulmo voltou para Beleriand para buscar os remanescentes Telei. Como Elwë ainda não havia sido encontrado, uma grande parte dos Teleri elegeram seu irmão, Olwë, como seu líder e foram levados para Valinor. Laguns Teleri ficaram para trás, ainda procurando por Elwë, e outros ficaram nas praias, sendo chamados por Ossë. Eles elegeram Círdan como seu líder e se tornaram os Falathrim. Todos os Teleri que ficaram em Beleriand mais tarde foram chamados de Sindar.
3 – Exílio.
Em Valinor, Fëanor, filho de Finwë, e o maior dos Noldor, criou as Silmarils nas quais ele colocou parte da luz das Duas Árvores que iluminavam Valinor. Após três eras nos Salões de Mandos, Melkor foi libertado. Ele espalhou sua maldade e no final assassinou Finwë e roubou as Silmarils. Fëanor então o chamou de Morgoth (O Inimigo Escuro) e, junto com seus sete filhos, fez um juramento para trazer as Silmarils de volta e liderou um imenso exército dos Noldor até Beleriand.
4 – Guerras de Beleriand
Em Beleriand, Elwë foi finalmente encontrado, e casou-se com Melian, a Maia. Ele se tornou o senhor de Beleriand, renomeando-se Thingol (Manto Cinzento). Após a Primeira Batalha de Beleriand, durante a primeira ascenção da Lua, os Noldor chegaram em Beleriand. Eles fizeram um cerco ao redor de Angband, a fortaleza de Morgoth, mas foram derrotados ao final.
Então Eärendil, o Marinheiro, um meio-Elfo da Casa de Finwë, navegou para Valinor para pedir ajuda aos Valar. Então a Punição dos Elfos foi esquecida e os Valar começaram a Guerra da Ira, na qual Morgoth foi finalmente derrotado.
5 – Segunda e Terceira Eras
Após a Guerra da Ira, os Valar tentaram convocar os Elfos de volta para Valinor. Muitos atenderam à convocação, mas alguns ficaram. Durante a Segunda Era eles fundaram os Reinos de Lindon, Eregion e Floresta das Trevas. Sauron, antigo servo de Morgoth, fez guerra contra eles, porém com o auxílio dos Numenóreanos, os Elfos o derrotaram. Durante o final da Segunda Era e começo da Terceira Era eles mantiveram alguns reinos protegidos com a ajuda dos Anéis de Poder, mas após a Guerra do Anel eles ficaram mais fracos e a maioria dos Elfos deixou a Terra-média indo para Valinor. Os trabalhos publicados de Tolkien apresentam algumas dicas contraditórias sobre o que aconteceu aos Elfos da Terra-média após o Um Anel ter sido destruido ao final da Terceira Era.
Após a destruição do Um Anel, o poder dos Três Anéis dos Elfos também chegou ao fim e a Era dos Homens teve início. Elfos que permaneceram na Terra-média foram condenados a um lento declínio até, nas palavras de Galadriel, sumirem e se tornarem um “povo rústico habitante de cavernas” e diminuíram bastante em poder e nobreza. Enquanto o poder dos Noldor remanescentes foi imediatamente diminuido, o ”desaparecimento” de todos os Elfos foi um fenômeno que duriaria centenas e até mesmo milhares de anos; até, de fato, os dias de hoje, quando lampejos ocasionais de Elfos rústicos alimenta nossos contos e fantasias. Existem muitas referências em O Senhor dos Anéis sobre a continuidade da existência dos Elfos na Terra-média durante os primeiros anos da Quarta Era. Elladan e Elrohir, filhos de Elrond, não acompanham seu pai quando o Navio Branco carregando o Portador do Anel e os principais líderes Noldorin navegou dos Portos Cinzentos para Valinor; é dito que eles permaneceram em Lindon por um tempo. É dito também que Celeborn (apêndice A) adicionou a maior parte sul da Floresta das Trevas ao seu reino de Lórien ao final da Terceira Era, porém em algum lugar Tolkien escreveu que Celeborn viveu por um tempo em Lindon antes de finalmente deixar a Terra-média e ir para Valinor.
Tolkien também escreveu que os Elfos se mudaram para Ithilien durante o reinado do Rei Elessar, e auxiliaram na reconstrução de Gondor. Eles moraram primeiro em Ithilien do Sul, perto das praias do Anduin. Também é dito que os Elfos continuaram a morar nos Portos Cinzentos, ao menos por um certo período. Tolkien afirma que Sam Gamgee navegou dos Portos décadas após a partida de Elrond, implicando que alguns Elfos permaneceram em Mithlond naquela época. Legolas também navegou para Valinor após a morte de Elessar, e como é dito em O Senhor dos Anéis, foi o próprio Legolas que construiu o navio.
Em “O Conto de Aragorn e Arwen” que está no Apêndice A, Tolkien descreve uma Terra-média onde muitos Elfos já haviam partido. A maioria daqueles que ficaram viviam na Floresta das Trevas, enquanto apenas uma pequena população havia ficado em Lindon. Aragorn fala do jardim vazio de Elrond em Valfenda. O mais admiravel é que, após a morte natural de Elessar, Arwen vai para uma Lórien descrita como completamente abandonada e desiste de sua vida nesse triste e silencioso cenário.

Ciclo de Vida

Como dito em History of Middle-earth e nas Cartas de Tolkien, Elfos tinham um ciclo de vida diferente do ciclo dos Homens. Muito das informaçõs a seguir refere-se somente aos Eldar, como encontrado em seu ensaio Leis e Costumes entre Eldar, encontrado em O Anel de Morgoth.
1 – Início da Vida.
Elfos nascem após um ano de gestação. O dia de sua concepção é celebrado, não o dia de seu nascimento em si. Suas mentes se desenvolvem mais rápido do que seus corpos; em seu primeiro ano, eles já conseguem falar, andar e até mesmo dançar e o rápido alcance de maturidade mental faz com que os jovens Elfos pareçam, para os Homens, mais velhos do que realmente são. Puberdade física acontece entre seus 50 ou 100 anos (aos 50 eles atingem sua estatura adulta), e aos seus 100 anos de vida fora do ventre todos os Elfos estão completamente desenvolvidos. Os corpos dos Elfos deixam de envelhecer fisicamente enquanto os corpos de Humanos continuam.
2 – Sexualidade, casamento e paternidade.
Elfos se casam livres e por amor logo cedo. Monogamia é praticada e adultério é impensável; eles apenas se casam uma vez (Finwë, primeiro Alto Rei dos Noldor, foi uma exceção ao se casar novamente após a morte de sua primeira esposa) Casais podem escolher seus parceiros mesmo antes de se casarem, se tornando noivos. O noivado é sujeito à aprovação dos pais a menos que os dois sejam adultos e desejem se casar logo, assim o noivado é anunciado. Eles trocam anéis e o noivado dura ao menos um ano e é revogável pela devolução dos anéis; entretanto isso raramente acontece.
Após o noivado formal, o casal indica uma data para o casamento. Apenas as palavras trocadas pela noiva e noivo (incluindo a menção ao nome de Eru Ilúvatar) e a consumação são requisitos para o casamento. Mais formalmente, as famílias do casal celebram o casamento com um banquete. Os dois devolvem seus anéis de noivado e recebem outros para serem usados em seus dedos indicadores. A mãe da noiva dá ao noivo uma jóia para usar (o presente de Galadriel (a Pedra Élfica) para Aragorn reflete essa tradição; ela é a avó de sua noiva, Arwen, pois a mãe dela havia deixado a Terra-média e foi para Valinor após graves abalos  psicológicos quando foi capturada por Orcs e libertada por seus filhos).
Os Elfos vêem o ato sexual como algo extremamente especial e íntimo, pois ele leva à concepção e nascimento de seus filhos. Sexo fora do casamento (mesmo sendo ates) é algo impensável, adultério também nunca houve e a fidelidade entre casais é absoluta. Porém, separação durante a gravidez ou durante os primeiros dias de paternidade (causada por guerra, por exemplo) é tão deprimente para o casal que eles preferem ter filhos em tempos de paz. Elfos vivos não podem ser estuprados ou forçados a manter relações sexuais, antes de isso acontecer eles perderão a vontade de viver e irão para Mandos.
Elfos têm poucos filhos, como regra (Fëanor e Nerdanel foram uma exceção, concebendo sete filhos), e existem intervalos relativamente grandes entre cada filho. Eles logo são preocupados com outros prazeres; sua libido desaparece e eles focam seu interesse em qualquer outra coisa, como artes. Mesmo assim eles sentem grande prazer na união do amor, e eles celebram os dias desde a concepção até a educação dos filhos como sendo os mais felizes de suas vidas. Aparentemente existe apenas um exemplo conhecido de extremo desentendimento entre casais na mitologia de Tolkien. Eöl e Aredhel, no qual Aredhel deixou Eöl sem seu conhecimento, resultando no assassinato dela por Eöl. Todavia, esse casamento estava muito além de ser típico dos Elfos.
3 – Vida Diária.
Os Elfos, particularmente os Noldor, se preocupavam com várias coisas, como trabalho com metais, escultura, música e outras artes, e claro, com o que comer. Os machos e fêmeas podem fazer praticamente as mesmas coisas, entretanto, as fêmeas freqüentemente se especializam nas artes da cura enquanto os machos iam para a guerra. Isso acontece por que eles acreditam que tirar a vida interfere com a habilidade de preservar a vida. Todavia, Elfos não são presos a regras rígidas; fêmeas podem se defender, quando necessário, tão bem quanto os machos, e muitos machos são curadores exímios também, como Elrond.
4 – Vida Adulta.
Eventualmente, se não morrem em batalha ou por alguma outra causa, os Elfos da Terra-média vão se cansando dela e desejam ir para Valinor, onde os Valar originalmente acolheram sua raça. Aqueles que desejam ir para as Terras Imortais geralmente o fazem de barco, que são providenciados nos Portos Cinzentos, onde Círdan, o Armador, vive com seu povo.
5 – “O terceiro ciclo da vida”, envelhecimento e pelos faciais.Apesar das afirmações de Tolkien em O Hobbit de que Elfos (e Hobbits) não têm barba, Círdan de fato possui barba, o que parece ser uma anomalia. Todavia, Tolkien mais tarde descreveu três “ciclos de vida” para os Elfos, por volta da década de 60; Círdan tinha barba por que ele estava em seu terceiro ciclo de vida. (Mahtan, pai de Nerdanel, tinha barba já em seu segundo ciclo de vida, um raro fenômeno). Não é claro o que são exatamente esses ciclos de vida, pois Tolkien não deixou notas explicando mais detalhadamente. Aparentemente, barbas eram o único sinal de um envelhecimento físico além da maturidade.
Ainda assim, Tolkien deve ter mudado de idéia sobre os Elfos terem pelos faciais. Como Christopher Tolkien afirma em Contos Inacabados, seu pai escreveu, por volta de Dezembro de 1972, que o traço Élfico nos Homens, como Aragorn, era “observável na falta de barba daqueles que deles descendessem”, pois “era uma característica de todos os Elfos não ter barba”. Isso praticamente contradiz a informaçção acima. Algumas vezes os Elfos pareciam envelhecer sobre grande stress. Círdan parecia ter envelhecido bastante, pois é descrito como parecendo velho, salvo pelas estrelas em seus olhos; isso pode ser devido a todo o sofrimento que ele viu e viveu desde a Primeira Era. Também, o povo de Gwindor de Nargothrond teve problemas para reconhecê-lo depois de seu tempo como prisioneiro de Morgoth.
6 – Morte
Elfos são naturalmente imortais, e permanecem imutáveis com a idade. Em adição à sua imortalidade, Elfos podem se recuperar de ferimentos que normalmente matariam um Homem comum. Todavia, Elfos podem ser mortos, ou morrer de tristeza e preocupação. Espíritos de Elfos Mortos vão para os Salões de Mandos em Valinor. Após um certo período de tempo e descanso, que servem como “purificação”, seus espíritos são colocados em corpos idênticos aos seus antigos. Porém, eles quase nunca voltam para a Terra-média e ficam em Valinor. Uma exceção foi Glorfindel em O Senhor dos Anéis; como mostrado em livros mais recentes, Tolkien decidiu que ele “renasceu” como herói em O Silmarillion ao invés de um indivíduo com o mesmo nome. Um exemplo raro e mais incomum ainda de um Elfo voltando dos Salões de Mandos é encontrado no conto de Beren e Lúthien, pois Lúthien foi o segundo membro dessa raça a ir de volta para a Terra-média – porém, como mortal. As palavras de Tolkien para ”espírito” e “corpo” são fëa (fëar no plural) e hröa (hröar no plural) respectivamente.
Finalmente, seu espírito imortal irá se apossar e consumir seus corpors, deixando-os sem “forma”, quer eles optem por ir para Valinor ou permanecer na Terra-média. No fim do mundo, todos os Elfos terão de se tornar invisíveis aos olhos mortais, exceto aqueles que desejarem se manifestar. Tolkien chamou os Elfos da Terra-média que escolheram esse processo de “Persistentes”. As vidas dos Elfos apenas duram enquanto o mundo existir. É dito na Segunda Profecia de Mandos que ao final dos tempos os Elfos se juntarão aos outros Filhos de Ilúvatar na canção da Segunda Música dos Ainur. Todavia, é questionável se a Profecia é canônica, e a publicação de O Silmarillion afirma que apenas os Homens deverão participar da Segunda Música, e que o destino final dos Elfos é desconhecido. Porém, eles não acreditam que Eru irá abandoná-los.

Nomes e Convenções de nomeação.

Em O Senhor dos Anéis, Tolkien se faz passar por meramente um tradutor das memórias de Bilbo e Frodo, coletivamente conhecidas como o “Livro Vermelho do Marco Oeste”. Ele diz que aqueles nomes e termos no trabalho (assim como na primeira versão de O Hobbit) que aparecem em Inglês é para serem suas traduções da Língua Comum. Tolkien repetidamente expressou suas dúvidas em relação ao nome “elfo” e suas “associações de um tipo que eu deveria particularmente desejar não estar presente [...] e.g. aqueles de Drayton ou de Um Sonho de Uma Noite de Verão“, para o propósito das traduções afirmando sua preferência de que “a forma mais velha disponível do nome a ser usado, e deixar que ele adquirisse suas próprias associações para os leitores do meu conto“. Ele queria evitar as noções Vitorianas de “fadas” ou más impressões associadas à palavra e buscava as mais elevadas noções de seres “que eram supostos a terem formidáveis poderes mágicos na primeira mitologia Teutônica“(OED viz. o Velho Inglês ælf, do Proto-Germânico *albo-z).
Os Elfos também são chamados de “Primogênitos” (em Quenya Minnónar) ou os “Parentes mais Velhos” (como oposto aos Homens, os Sucessores) pois eles foram “despertados” antes dos Homens por Eru Ilúvatar (Deus). Os Elfos se chamaram de Quendi (“os Falantes”), em honra ao fato de que, quando foram criados, eles foram as únicas criaturas vivas capazes de falar. Os Dúnedain os chamaram de Nimîr (“os Belos”), enquanto seu nome comum em Sindarin era Eledhrim. Em outros escritos, parte de The History of Middle-earth, Tolkien detalha as convenções de nomes Élficos. A palavra Quenya para “nome” era essë. Um Elfo de Valinor tipicamente recebia um nome (ataressë) de seu pai ao nascer. Geralmente refletia o nome do pai ou da mãe, indicando a ascendência da pessoa, à qual mais tarde alguns prefixos distintivos poderiam ser adicionados. Com o Elfo ficando mais velho, ele recebia um segundo nome (amilessë), dado pela mãe. Esse nome era extremamente importante e refletia personalidade, habilidade ou destino, algumas vezes era ‘profético’. O terceiro nome (epessë) ou “nome definitivo” era dado em um estágio mais avançado da vida e não necessariamente por algum parente, como um título de admiração e honra. Em algumas circunstâncias, mais um outro nome era escolhido pelos próprios Elfos, chamado de kilmessë que significa “nome-próprio”. Os “nomes verdadeiros” permaneciam como os dois primeiros, embora um Elfo pudesse ser chamado por qualquer um deles. Nomes de mãe geralmente não eram usados por aqueles que não conheciam bem o Elfo. Na história e canção recente qualquer um dos quatro puderia se tornar o mais usado e reconhecido.
Após o seu Exílio na Terra-média e adoção do Sindarin como a fala diária, muitos dos Noldor também escolheram para sí um nome que se encaixava no estilo daquela linguagem, traduzindo ou alterando um de seus nomes Quenya. Um sobrenome patriarquico também é usado – o nome do pai com o sufixo “-ion” sendo adicionado. Dessa forma, Gildor Inglorion significa “Gildor, filho de Inglor”.
Vários exemplos incluem:
  • Galadriel é a tradução Sindarin de Alatáriel, o Telerin Quenya epessë originalmente dado à ela por Celeborn, que significa “Donzela Coroada por uma Grinalda Radiante”. Seu nome-paterno é Artanis (mulher nobre) e seu nome-materno é Nerwen (donzela-homem).
  • Maedhros, o filho mais velho de Fëanor, foi chamado Russandol (cabelo de cobre) por seus irmãos: Ele adquiriu esse epessë por causa de seu cabelo avermelhado. Seu nome-paterno era Nelyafinwë (Finwë Terceiro: o nome-paterno de Fëanor era (Curu)Finwë), e seu nome-materno Maitimo (o de bela forma). Maedhros é uma mistura no Sindarin de partes de seu nome-materno e seu epessë.
  • Finrod é geralmente conhecido como Felagund (cavador de cavernas), um nome que os Anões deram a ele (originalmente Felakgundu) devido à suas moradas em Nargothrond. Finrod adotou o nome, e fez dele um título de honra.
  • Círdan (Armador de Navios) é o epessë de um Elfo Telerin que permaneceu em Beleriand, e mais tarde Lindon, até o fim da Terceira Era. Seu nome original era raramente lembrado, apenas em tradições, como Nowe, e ele era conhecido sempre como Círdan, um título que havia sido dado a ele como Senhor das Falas.
Linguagens Élficas.Tolkien criou muitas linguagens para os Elfos. Seu interesse era primeiramente folológico, e ele disse que suas estórias cresceram a partir de suas linguagens. De fato, as linguagens foram a primeira coisa que Tolkien havia criado para seus mitos, começando com o que ele originalmente chamou “Qenya”, a primeira forma primitiva de Élfico. Essa foi chamada mais tarde de Quenya (Alto Élfico) e, junto com Sindarin (Élfico Cinzento), é uma das mais completas linguagens de Tolkien. Em adição à essas duas ele também criou muitas outras (parcialmente derivadas) linguagens. Elfos também são tidos como os criadores dos escritos rúnicos Tengwar (por Fëanor) e Cirth (Daeron).

Obituário

Última foto de J. R. R. Tolkien
J. R. R. Tolkien morreu aos 81 anos; Escreveu “O Senhor dos Anéis”
3 de Setembro de 1973
Pelo “The New York Times”

Londres, 2 de Setembro – J. R. R. Tolkien, lingüista, acadêmico e autor
de "O Senhor dos Anéis", morreu hoje em Bournemouth. Ele tinha 81 anos
de idade. Deixou para trás três filhos e uma filha.

 

 
Criador de um Mundo

John Ronald Reuel Tolkien lançou um feitiço sobre dezenas de milhares de americanos nos anos 60 com sua trilogia de 500.000 palavras, "O Senhor dos Anéis", em essência uma fantasia da guerra entre o bem e o mal fundamentais.

Criando o complexo mas consistente mundo da Terra-média, completo com mapas elaborados, Tolkien o povoou com hobbits, elfos, anões, homens, magos e Ents, e Orcs (goblins) e outros servos do Senhor do Escuro, Sauron. Em particular, ele descreveu as aventuras de um hobbit, Frodo, filho de Drogo, que tornou-se o Portador do Anel e a figura chave na destruição da Torre Escura. Como Gandalf, o mago, observou, havia mais nele do que se podia ver.

A história pode ser lida sob muitos níveis. Mas o autor, um acadêmico e lingüista, professor por 39 anos, negou enfaticamente que fosse uma alegoria. O Anel, descoberto pelo tio de Frodo, Bilbo Bolseiro, em um livro anterior, "O Hobbit", tem o poder de tornar seus usuários invisíveis, mas ele é infinitamente maligno.

Os admiradores de Tolkien o compararam favoravelmente com Milton, Spenser e Tolstoy. Seu editor inglês, Sir Stanley Unwin, especulou que "O Senhor dos Anéis" provavelmente viveria mais além de seu tempo e de seu filho do que qualquer outro trabalho que ele havia impresso.

"Literatura Escapista"




Mas detratores, entre eles o crítico Edmund Wilson, citaram "O Senhor dos Anéis", a mais famosa e mais séria fantasia de Tolkien, como um "livro infantil que de alguma forma fugiu do controle". Um crítico do Observer de Londres o condenou em 1961 como "pura literatura escapista… enfadonho, mal escrito e excêntrico" e expressou o desejo de que o trabalho de Tolkien passasse logo ao "misericordioso esquecimento".

Foi tudo menos isso. Foi apenas quatro anos depois, impresso em brochura neste país pela Ballantine e Ace Books, que um quarto de milhão de cópias da trilogia foi vendida em 10 meses. No final dos anos 60, brotaram fãs-clubes por toda América, tal como a Sociedade Tolkien da América, e membros do culto – muitos deles estudantes – decoravam suas paredes com os mapas da Terra-média. A trilogia foi também publicada em capa dura pela Houghton Mifflin e foi um Livro-do-Mês da Seleção do Clube.

O criador desse monumental e controverso trabalho (ou subcriador, como ele preferia chamar escritores de fantasia) foi uma autoridade em anglo-saxão, inglês médio e Chaucer. Ele era gentil, de olhos azuis, um homem de aparência meticulosa que preferia lã, fumava um cachimbo e gostava de fazer caminhadas e andar em uma bicicleta velha (embora ele a tenha substituído por um carro elegante com o sucesso de seus livros).

De 1925 a 1959, ele foi professor em Oxford, e por fim Professor de Língua Inglesa e Literatura de Merton e um fellow da universidade Merton. Ele ficou um tanto estupefato pela aclamação que sua fantasia extracurricular recebeu – das interpretações intermináveis que variavelmente a chamaram de grande parábola Cristã, a última obra-prima literária da Idade Média e um jogo filológico.

Tolkien insistia, no entanto, que não ela não fora planejada como uma alegoria. "Eu não gosto de alegorias. Eu nunca gostei de Hans Christian Andersen porque eu sabia que ele estava sempre se insinuando a mim", disse.

A trilogia foi escrita, ele lembrou, para ilustrar uma aula sua de 1938 na Universidade de Glasgow sobre contos de fadas. Ele admitiu que contos de fadas eram algo como uma fuga, mas não via por que não poderia ser uma fuga do mundo de fábricas, metralhadoras e bombas.

Era a alegria, disse, que era a marca do verdadeiro conto de fadas: "…Por mais selvagens que sejam os acontecimentos, por mais fantásticas ou terríveis que sejam as aventuras, pode dar para uma criança ou homem que a ouvir, quando o ‘clímax’ vem, uma tomada de fôlego, uma batida e aceleração do coração, próximo a (ou de fato acompanhado por) lágrimas, tão penetrante quanto aquele dado por qualquer forma de arte literária, e tendo uma qualidade peculiar".

Sua própria fantasia, foi dito, tinha começado quando ele estava corrigindo provas um dia e acabou por rascunhar no topo de uma das mais maçantes "em um buraco no chão vivia um hobbit". Então os hobbits começaram a tomar forma.

Eles eram, decidiu, "pessoas pequenas, menores que os barbudos anões. Hobbits não têm barbas. Há pouca ou nenhuma magia eles, exceto do tipo comum que os ajuda a desaparecer discreta e rapidamente quando gente grande e estúpida como você e eu aproxima de modo desajeitado, fazendo barulho como elefantes que eles podem ouvir a uma milha de distância. Eles tendem a ser gordos na barriga; vestem cores claras (principalmente verde e amarelo); não usam sapatos porque em seus pés crescem solas naturais como couro e pêlos espessos e castanhos; têm dedos morenos, longos e habilidosos, rostos amigáveis e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois do jantar, que eles têm duas vezes por dia, quando podem)."



Descobrindo a Inglaterra

Ele instalou esses inocentes reservados em uma terra chamada Condado, modelado  com base no campo inglês que ele havia descoberto quando era uma criança de 4 anos, chegando de sua terra natal na África do Sul, e enviou alguns deles em perigosas aventuras. A maioria deles, no entanto, ele concebeu como amigáveis e aplicados, mas ligeiramente tolos, o que ocasionou seu rabisco sobre aquele fortuito exame.

"Se você realmente quer saber no que a Terra-média é baseada, é no meu encanto e deleite pela terra como ela é, particularmente a natureza", Tolkien disse uma vez. Sua trilogia é recheada com seus conhecimentos sobre botânica e geologia.

O autor nasceu em Blomfontein em 3 de Janeiro de 1892, filho de Arthur Reuel Tolkien, um gerente de banco, e Mabel Suffield Tolkien, que serviu como missionária em Zanzibar. Seus pais vieram de Birmingham, e quando o pai do garoto morreu, sua mãe levou ele e seu irmão para morar na região central da Inglaterra.

A Inglaterra parecia-lhe "uma árvore de Natal" depois da aridez da África, onde ele fora picado por uma tarântula e mordido por uma cobra, onde ele fora "seqüestrado" temporariamente por um empregado negro que quis exibi-lo em seu vilarejo. Foi bom, depois daquilo, estar em um lugar confortável onde as pessoas moravam "afastadas de todos os centros de distúrbio".

Ao mesmo tempo, ele uma vez observou em um ensaio de contos de fadas, "Cobicei dragões com um profundo desejo. Claro, eu em meu corpo tímido não os quis para estarem na vizinhança, intrometendo-se em meu mundo relativamente seguro…"


Sua mãe foi sua primeira professora, e seu amor pela filologia, assim como seu anseio por aventuras, foram atribuídos à influência dela. Mas em 1904 ela morreu.

Os Tolkiens eram convertidos ao Catolicismo, e ele e seu irmão tornaram-se os pupilos de um padre em Birmingham (Alguns críticos afirmaram que a desolação de Birmingham industrial foi a inspiração para a maligna terra do Inimigo, Mordor, de sua trilogia).


Serviu na 1ª Guerra Mundial

O jovem Tolkien cursou a Escola Secundária King Edward’s e seguiu para a Faculdade Exeter, Oxford, com bolsa de estudos. Ele recebeu seu diploma em 1915. Mas a 1ª Guerra Mundial começou, e, com 23 anos, ele começou a servir nos Fuzileiros de Lancashire. Um ano depois, ele casou com a senhorita Edith Bratt.

A guerra, foi dito por seus amigos, o afetou profundamente. O escritor C. S. Lewis insistiu que isso estava refletido em alguns dos mais sinistros aspectos de sua obra e no prazer de seus heróis pela camaradagem. O regimento de Tolkien sofreu duras perdas e, quando a guerra acabou, apenas um de seus amigos próximos ainda estava vivo.

Invalidado dos Fuzileiros, Tolkien decidiu no hospital que o estudo de línguas seria sua profissão. Ele retornou para Oxford para receber seu mestrado em 1919 e para trabalhar como assistente no Oxford Dictionary. Dois anos depois ele começou sua carreira de ensino na Universidade de Leeds.

Dentro de quatro anos, ele era professor, e publicou também um "Vocabulário do Inglês Médio" e uma edição (com E. V. Gordon) de "Sir Gawayne and the Green Knight". Ele recebeu um chamado de Oxford, onde suas aulas de filologia logo deram a ele uma reputação extraordinária.

Seus alunos lembram dele por realizar esforços sem fim para interessá-los. Uma aluna recordou que havia algo de hobbit nele. Ele caminhava, ela disse, "como se tivesse pés peludos"  e possuía uma alegria atraente.

Enquanto isso, uma vez rabiscada aquela palavra "hobbit" em um exame, sua curiosidade sobre hobbits foi estimulada, e o livro com esse nome – o precursor do mais sério "O Senhor dos Anéis" – começou a crescer.

Ele foi estimulado pelos encontros semanais com seus amigos e colegas, inclusive o filósofo e romancista C. S. Lewis e seu irmão, W. H. Lewis, e o romancista místico Charles Williams. Os Inklings, como eles se chamavam, reuniam-se na Faculdade Magdalen ou em um pub para beber e compartilhar uns com os outros seus manuscritos.

C. S. Lewis pensava bem o suficiente de "O Hobbit", que Tolkien começou a escrever em 1937 (e contou aos seus filhos), para sugerir que ele o submetesse à publicação para a George Aleen e Unwin, Ltd. A sugestão foi aceita, e a edição americana ganhou um prêmio Herald Tribune como melhor livro infantil.

O autor sempre insistiu, porém, que nem "O Hobbit" nem "O Senhor dos Anéis" foram destinados para crianças.

"Não é mesmo muito bom para crianças", disse de "O Hobbit", que ele mesmo ilustrou. "Escrevi uma parte dele em um estilo para crianças, mas isso é o que elas detestam. Se eu não tivesse feito isso, no entanto, as pessoas teriam pensado que eu era louco".

"Se você é um homem consideravelmente jovem", ele contou a um repórter de Londres, "e não quer ser zombado, você diz que está escrevendo para crianças".

"O Senhor dos Anéis", ele admitiu, começou como um exercício em "estética lingüística" e também como uma ilustração de sua teoria sobre contos de fadas. Então a própria história o prendeu.

Levou 14 anos para ser escrito

Em 1954, "A Sociedade do Anel", o primeiro volume da trilogia, apareceu. "As Duas Torres" e "O Retorno do Rei" foram a segunda e a terceira partes. O trabalho, que tinha um apêndice de 104 páginas e levou 14 anos para ser escrito, é cheio de jogos verbais, alfabetos desconhecidos, nomes do nórdico, anglo-saxão e galês. Sua história invoca, entre outros, a lenda de "O Anel dos Nibelungos" e o antigo clássico escandinavo, o "Edda Poético".

Enquanto isso, Tolkien também estava ocupado com escritas acadêmicas, que incluíam "Chaucer As a Philologist", "Beowulf, the Monster and the Critics" e "The Ancrene Wisse", um guia para as ermitãs medievais.

Após a aposentadoria, ele morou em Headington, no subúrbio de Oxford, "trabalhando pra diabo", disse, estimulado a reiniciar sua escrita sobre um mito da Criação e Queda chamado "O Silmarillion", que ele tinha começado antes mesmo de sua trilogia. Como ele disse em uma entrevista há poucos anos atrás, "Uma caneta está para mim como um bico está para uma galinha".

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Mitos Transformados X – Orcs

The History of Middle-earth 10

Forneço aqui1 um texto de um tipo completamente diferente, um ensaio praticamente finalizado sobre a origem dos Orcs2. É necessário explicar algo sobre as relações deste texto.

 

Existe um trabalho maior, o qual eu espero publicar no The History of Middle-earth, chamado Essekenta Eldarinwa ou Quendi e Eldar. Ele existe em uma boa cópia datilografada feita por meu pai em sua última máquina de datilografia, tanto a cópia principal quanto a cópia em carbono; e é precedido em ambas as cópias por uma página manuscrita descrevendo o conteúdo do trabalho:Questionamento sobre as origens dos nomes Élficos para os Elfos e seus variados clãs e divisões: com Apêndices sobre seus nomes por outros Encarnados: Homens, Anões e Orcs; e sobre a análise de sua própria língua, Quenya: com uma nota sobre a “Língua dos Valar”.Contando com os apêndices, Quendi e Eldar ocupa perto de cinqüenta páginas datilografadas, e sendo um trabalho altamente finalizado e lúcido do maior interesse.A uma das páginas de rosto meu pai acrescentou o seguinte:Ao qual está acrescentado um resumo do Ósanwë-kenta ou “Comunicação de Pensamento” que Pengolodh colocou ao final de seu Lammas ou “Registro das Línguas”Este é um trabalho em separado ocupando oito páginas datilografadas, paginadas separadamente, mas encontrado junto com ambas as cópias de Quendi e Eldar. Em adição, e não citado nas páginas de rosto, existe ainda outro texto datilografado de quatro páginas (também encontrada com ambas as cópias de Quendi e Eldar) intitulado Orcs; e este é o texto fornecido aqui.Todos os três elementos são idênticos em aparência geral, mas Orcs fica à parte dos demais, não tendo nenhuma relação lingüística; e em vista disso eu pensei que seria legítimo resumi-lo e imprimi-lo neste livro junto com as outras discussões sobre a origem dos Orcs dadas como os textos VIII e IX.Para datar este grupo de textos, uma das cópias está preservada em um jornal dobrado de Março de 1960. Neste meu pai escreveu: “’Quendi e Eldar’ com Apêndices”, e abaixo há uma breve lista dos Apêndices, todos os itens escritos à mesma época, e incluem tanto o Ósanwë quanto Origem dos Orcs (o mesmo é verdade com relação à capa da outra cópia do grupo de textos Quendi e Eldar). Todo o material, portanto já existia quando o jornal foi utilizado para este propósito, e embora, como em outros casos similares, não forneça um terminus ad quem perfeitamente certo, não há razão para duvidar que ele pertença a 1959 – 60.O Apêndice C de Quendi e Eldar, “Nomes Élficos para os Orcs”, é primariamente relacionado com etimologia, mas inicia-se com o seguinte trecho:

Não é aqui o lugar para debater a questão da origem dos Orcs. Eles foram engendrados por Melkor, seu engendramento era o mais maligno e lamentável de seus trabalhos em Arda, mas não o mais terrível. Pois claramente eles, em sua malícia, representariam um escárnio aos Filhos de Ilúvatar, mas completamente subservientes à sua vontade, e criados com um implacável ódio a Elfos e Homens.

Os Orcs das guerras tardias, após a fuga de Melkor-Morgoth e seu retorno à Terra-média, não eram nem espíritos nem fantasmas, mas criaturas vivas, capazes de falar e de algumas habilidades e organização, ou pelo menos capazes de aprender tais coisas de criaturas superiores ou de seu Mestre. Eles procriavam e se multiplicavam rapidamente sempre que deixados imperturbados. É improvável, como uma consideração da origem última desta raça deixará claro, que os Quendi tenham encontrado quaisquer Orcs deste tipo, antes de serem encontrados por Oromë e da separação entre Eldar e Avari.

Mas é sabido que Melkor tornara-se ciente dos Quendi antes dos Valar terem começado sua guerra contra ele, e a felicidade dos Elfos na Terra-média já havia sido escurecida pelas sombras do medo. Formas terríveis começaram a assombrar os limites de suas moradias, e alguns de seu povo desapareceram na escuridão e deles não se ouviu mais nada. Algumas dessas coisas podem ter sido fantasmas e ilusões, mas algumas eram, sem dúvida, formas assumidas pelos servos de Melkor, escarneando e degradando as próprias formas dos Filhos. Pois Melkor tinha a seu serviço um grande número de Maiar, que tinham o poder, assim como seu Mestre, de tomar forma visível e tangível em Arda.

Sem dúvida meu pai foi levado por suas próprias palavras “É improvável, como uma consideração da origem última desta raça deixará claro, que os Quendi tenham encontrado quaisquer Orcs deste tipo, antes de serem encontrados por Oromë” e escrever aquela “consideração”, que segue abaixo. Será visto que uma passagem desta afirmação inicial foi re-utilizada.

 


Orcs3

A origem dos Orcs é um assunto de discussões. Alguns os chamaram de Melkorohíni, os Filhos de Melkor; mas os mais sábios dizem: não, os escravos de Melkor, mas não seus filhos; pois Melkor não tinha filhos4. Contudo, foi pela malícia de Melkor que os Orcs surgiram, e claramente eles representariam um escárnio aos Filhos de Ilúvatar, sendo gerados para ser completamente subservientes à sua vontade e cheios de um implacável ódio a Elfos e Homens.Os Orcs das guerras tardias, após a fuga de Melkor-Morgoth e seu retorno à Terra-média, não eram nem espíritos nem fantasmas, mas criaturas vivas, capazes de falar e de algumas habilidades e organização, ou pelo menos capazes de aprender tais coisas de criaturas superiores ou de seu Mestre. Eles procriavam e se multiplicavam rapidamente sempre que deixados imperturbados. Tanto quanto pode ser vislumbrado a partir das lendas que chegaram até nós de nossos dias mais antigos5, parece que os Quendi ainda não haviam encontrado nenhum Orc deste tipo antes da chegada de Oromë a Cuiviénen.Aqueles que acreditam que os Orcs foram gerados a partir de alguma raça de Homens, capturados e pervertidos por Melkor, afirmam que seria impossível para os Quendi ter conhecimento dos Orcs antes da Separação e da partida dos Eldar. Pois, embora o tempo do acordar dos Homens não ser conhecido, mesmo os cálculos dos mestres de conhecimento que o colocam mais cedo não dão a ele uma data muito anterior ao início da Grande Marcha6, certamente não suficiente antes dela de forma a permitir a corrupção de Homens em Orcs. Por outro lado, é claro que logo após seu retorno Morgoth tinha a seu comando um grande número dessas criaturas, com as quais ele sem demora começou a atacar os Elfos.  Houve ainda menos tempo entre seu retorno e esses ataques para a geração dos Orcs e para a transferência de suas hordas para o oeste.Esta visão das origens dos Orcs, portanto, encontra dificuldades de cronologia. Mas embora Homens possam se confortar com isso, a teoria ainda permanece como a mais provável.

Ela está de acordo com tudo que é conhecido de Melkor, e da natureza e comportamento dos Orcs – e dos Homens. Melkor era impotente para produzir qualquer coisa viva, mas habilidoso na corrupção de coisas que não procediam de si mesmo, se ele pudesse dominá-las. Mas se ele de fato tivesse tentado fazer criaturas de si mesmo em imitação ou escárnio dos Encarnados, ele teria, como Aule, tido sucesso em produzir apenas títeres: suas criaturas agiriam apenas enquanto a atenção de sua vontade estivesse sobre elas, e elas não mostrariam nenhuma relutância em executar qualquer comando dele, mesmo se fosse para destruírem a si mesmas.Mas os Orcs não eram desse tipo. Eles certamente eram dominados por seu Mestre, mas seu domínio era pelo medo, e eles estavam cientes desse medo e o odiavam. Eles eram, de fato, tão corrompidos que eram impiedosos, e não havia crueldade ou vileza que eles não cometeriam; mas esta era a corrupção de vontades independentes, e eles tinha  prazer em seus feitos. Eles eram capazes de agir por si mesmos, realizando feitos malignos para seu próprio divertimento, sem terem sido ordenados; ou se Morgoth ou seus agentes estivesse longe, eles poderiam negligenciar seus comandos. Eles algumas vezes lutavam [> Eles odiavam uns aos outros e freqüentemente lutavam] entre eles mesmos, em detrimento dos planos de Morgoth.Além disso, os Orcs continuavam a viver e se reproduzir e a continuar com seus próprios atos destrutivos e saques após Morgoth ter sido derrubado. Eles possuíam também outras características dos Encarnados. Eles tinham idiomas próprios, e falavam entre eles em várias línguas de acordo com as diferenças de linhagem que eram dicerníveis entre eles. Eles precisavam de comida e bebida, e descanso, embora muitos fossem, por treinamento, tão resistentes quando os Anões em resistir a interpéries. Eles poderiam ser mortos, e estavam sujeitos a doenças; mas mesmo sem doenças eles morriam e não eram imortais, nem mesmo de acordo com as maneiras dos Quendi; de fato eles parecem naturalmente ter vidas curtas comparadas com Homens de raça superior, como os Edain.Este último ponto não era bem compreendido nos Dias Antigos. Pois Morgoth tinha muitos servos, dos quais os mais antigos e mais poderosos eram imortais, pertencendo aos Maiar, inicialmente; e estes espíritos malignos, assim como seu Mestre, podiam assumir formas visíveis. Aqueles cujas responsabilidades eram comandar os Orcs freqüentemente assumiam formas Órquicas, embora fossem maiores e mais terríveis7. Por isso que as histórias contam de Grandes Orcs ou capitães-Orc que nunca eram mortos, e que reapareciam em batalhas através de períodos muito maiores do que a duração das vidas dos Homens8. ((* [nota de rodapé ao texto] Boldog, por exemplo, é um nome que ocorre muitas vezes nos contos da Guerra. Mas é possível que Boldog não seja um nome pessoal e sim um título ou mesmo o nome de um tipo de criatura: os Maiar em forma de Orc, apenas menos formidáveis do que os Balrogs)) 

E finalmente, há um ponto relevante, embora horrível de se relatar. Com o tempo ficou claro que os Homens poderiam, sob a dominação de Morgoth ou de seus agentes, em algumas poucas gerações ser reduzidos quase a um nível Órquico em mente e hábitos; e então eles iriam ou poderiam ser induzidos a cruzar com Orcs, produzindo novas linhagens, freqüentemente maiores e mais espertos. Não há dúvida de que muito mais tarde, na Terceira Era, Saruman redescobriu isto, ou aprendeu sobre isso no conhecimento passado, e em seu desejo por comando ele o cometeu, eu feito mais vil: o intercruzamento de Orcs e Homens, produzindo tanto Homens-orc grandes e espertos quanto Orcs-homens traiçoeiros e vis.

Mas mesmo antes de existirem suspeitas quanto a esta maldade de Morgoth os Sábios dos Dias ensinavam que os Orcs não foram ‘feitos’ por Morgoth, e, portanto, não eram originalmente malignos. Eles podem ter se tornado irredimíveis (ao menos para Elfos e Homens), mas eles permaneciam dentro da Lei. Ou seja, embora por necessidade, sendo os dedos da mão de Morgoth, eles devessem sem combatidos com a máxima severidade, eles não poderiam ser lidados nos próprios termos de crueldade e traição. Cativos não deveriam ser torturados, nem mesmo para descobri informação para a defesa das casas dos Elfos e Homens. E se qualquer Orc se rendesse e pedisse misericórdia, isso lhe deveria sem concedido, mesmo a um custo.9 Este era o ensinamento dos Sábios, embora no horror da Guerra ele nem sempre fosse seguido.

É verdade, claro, que Morgoth mantinha os Orcs em selvagem servidão; pois em suas corrupções eles tinham perdido quase toda a possibilidade de resistir à dominação de suas vontades. Tão grande, de fato, esta pressão sobre eles se tornou antes da queda de Angband que, se ele colocasse seu pensamento em direção a eles, eles estariam conscientes de seu ‘olho’ seja lá onde estivesse; e quando Morgoth foi finalmente removido de Arda os Orcs que sobreviveram no Oeste se espalharam, sem líder e quase sem juízo, e estiveram por um longo tempo sem controle ou propósito.

Esta servidão a uma vontade central que quase reduziu os Orcs a uma vida parecida com a de formigas foi vista ainda mais claramente na Segunda e Terceira Era sob a tirania de Sauron, segundo-em-comando de Morgoth. Na verdade Sauron conseguiu um controle ainda maior sobre seus Orcs do que Morgoth conseguira. Ele estava, claro, operando em um escala menor, e ele não tinha inimigos tão grandes e tão sinistros quanto os Noldor em ápice nos Dias Antigos. Mas ele também tinha herdado daqueles dias  algumas dificuldades, como a diversidade de linhagens e línguas dos Orcs, e a disputas entre eles;e em muitos lugares da Terra-média, após a queda de Thangorodrim e durante o tempo de ocultamento de Sauron, os Orcs, recuperando-se de sua impotência, estabeleceram pequenos reinos próprios e se tornaram acostumados à independência. Apesar disso Sauron conseguiu uni-los todos em um ódio sem limites a Elfos e a Homens que se unissem a eles; e os Orcs de seus próprios exércitos treinados estavam tão completamente sobre sua vontade que se sacrificariam sem hesitação a seu comando.* E ele também se provou ainda mais habilidoso do que seu Mestre na corrupção de Homens que estavam além do alcance dos Sábios, e em reduzi-los à vassalagem, na qual eles marchariam com os Orcs, e competiriam com eles em crueldade e destruição.

É, portanto, provavelmente a Sauron que devemos olhar em busca da solução do problema de cronologia. Embora imensamente menor em poder nativo do que seu Mestre, ele permaneceu menos corrupto, mais frio e mais calculista. Isso ao menos nos Dias Antigos e antes dele ter sido afastado de seu mestre e cair na tolice de imitá-lo, se esforçando para tornar a si mesmo supremo Senhor da Terra-média. Enquanto Morgoth continuava, Sauron não buscou sua própria supremacia, mas trabalhou e manipulou para outro, desejando o triunfo de Melkor, a quem no começou ele adorou. Então ele era freqüentemente capaz de obter coisas, inicialmente escondido de Melkor, as quais seu mestre não concluía ou não podia concluir na furiosa velocidade de sua malícia.

(* [nota de rodapé ao texto] Mas restou uma falha em seu controle, inevitável. No reino de ódio e medo, a coisa mais forte é o ódio. Todos os seus Orcs odiavam uns aos outros, e deveriam ser mantidos em guerra com algum ‘inimigo’ para prevenir que se matassem uns aos outros.)

Nós podemos assumir, então, que a idéia da geração dos Orcs veio de Melkor, inicialmente não tanto para a provisão de servos ou infantaria para suas guerras de destruição, como para a desecração dos Filhos e o blasfemo escárnio dos desígnios de Eru. Os detalhes da realização desta vilania foram, contudo, deixados principalmente à sutileza de Sauron. Neste caso a concepção mental dos Orcs pode ter sido muito antes na noite dos pensamentos de Melkor, embora o começo de sua geração de fato devesse esperar o acordas dos Homens.

Quando Melkor foi feito cativo, Sauron fugiu e se escondeu na Terra-média; desta forma pode-se compreender como o cruzamento de Orcs (sem dúvida já iniciado) seguiu em frente com velocidade acelerada durante a era que Noldor residiram em Aman; de tal forma que quando eles retornaram à Terra-média encontraram-na já infestada com esta praga para o tormento de todos que ali residiam, Elfos ou Homens ou Anões. Também foi Sauron que secretamente reparou Angband para o auxílio de seu mestre quando ele retornasse10; e lá os escuros lugares subterrâneos já estariam povoados com hordas de Orcs antes de Melkor finalmente retornar, como Morgoth o Inimigo Negro, e enviá-los para trazer ruína sobre tudo quer fosse belo. E embora Angband tenha caído e Morgoth removido, eles continuam a surgir de locais sem luz e com a escuridão em seus corações, e a terra murchava sob seus pés impiedosos.

Esta então, como parece, foi a visão final de meu pai sobre o assunto: Orcs foram gerados dos Homens, e se ‘a concepção mental dos Orcs pode ter sido muito antes na noite dos pensamentos de Melkor’ foi Sauron quem, durante as eras de prisão de Melkor em Aman, trouxe à existência os exércitos negros que estavam disponíveis a seu Mestre quando este retornou.

Mas, como sempre, não é assim tão simples. Acompanhando uma cópia do texto datilografado deste ensaio estão algumas páginas manuscritas das quais meu pai usou o reverso em branco de papéis dados pelos editores, datado de 10 de Novembro de 1969. Estas páginas possuem duas notas sobre o ensaio ‘Orcs’: uma discutindo a grafia da palavra orc; a outra é uma nota surgida de algo do ensaio que não está citado, mas que obviamente é a passagem discutindo a natureza de títeres das criaturas trazidas à existência por algum dos próprios grandes Poderes: a note tinha a intenção de estar relacionadas às palavras ‘Mas os Orcs não eram desse tipo’.

Os orks, é verdade, algumas vezes pereciam ter sido reduzido a uma condição bastante similar, embora continue a existir uma diferença profunda. Aqueles orks que por muito tempo viveram sob a atenção imediata de sua vontade – como vigias de suas fortalezas ou elementos dos exércitos treinados para propósitos especiais em seus desígnios de guerra – agiriam como rebanhos, obedecendo instantaneamente, como tendo uma única vontade, seus comandos mesmo se ordenados a sacrificar suas vidas a seu serviço. E como foi visto quando Morgoth foi finalmente subjugado e excluído, aqueles orks que haviam sido assim absorvidos se espalharam impotentes, sem propósito a não ser fugir ou lutar, e logo morreram ou se mataram.

Outras criaturas originalmente independentes, e Homens entre elas (mas não Elfos ou Anões), também poderiam ser reduzidas a uma condição semelhante. Mas ‘títeres’, sem vida ou vontade independentes,  iria simplesmente parar de se mover  ou fazer qualquer coisa quando a vontade de seu criador fosse reduzida a nada. Em qualquer caso o número de orks que era de tal forma ‘absorvida’ sempre foi uma pequena parte de seu total. Mantê-los em absoluta servidão requeria um grande esforço de vontade. O poder possuído por Morgoth no início era vasto, mas finito; e foi este gasto de vontade nos orks, e ainda mais sobre as outras e muito mais poderosas criaturas a seu serviço, que eventualmente dissiparam tanto seus poderes mentais que a derrubada de Morgoth. Então a maior parte dos orks, embora sob suas ordens e com a sombra escura de seus medos dele, eram apenas intermitentemente objetos de seu pensamento e preocupações imediatas, e quando este era removido eles retornavam à independência e se tornavam consciente de seu ódio dele e de sua tirania. Então eles poderiam negligenciar suas ordens ou se engajar em

 


Aqui o texto é interrompido. Mas a coisa curiosa é que um rascunho para o segundo parágrafo desta nota (escrito no mesmo papel, tendo a mesma data) assim começa:

Mas Homens podiam (e ainda podem) ser reduzidos a tal condição. ‘Títeres’ simplesmente parariam de se mover ou ‘viver’, quando não colocados em movimento pela vontade direta de seu criador. De qualquer forma, embora o número de orks no ápice do poder de Morgoth, e ainda após o retorno dele da prisão, pareça ter sido muito grande, aqueles que eram ‘absorvidos’ foram sempre uma pequena parte do total.

As palavras que eu coloquei em itálico refutam uma concepção essencial do ensaio.A outra nota diz assim:

Orcs
Esta grafia foi retirada do Inglês Antigo. A palavra parecia, por si mesma, bastante adequada às criaturas que eu tinha em mente. Mas o significado de orc no Inglês Antigo – tanto quanto é sabido – não se encaixava11. Também a grafia do que, na situação lingüística posterior mais organizada deve ter sido uma forma na Língua Comum de uma palavra ou grupo de palavras similares, deveria ser ork. Se nenhuma outra razão então pelas dificuldades de grafia no Inglês moderno: um adjetivo orc + ish se torna necessário, e orcish não satisfaria12. Em qualquer publicação futura eu usarei ork.
No texto IX (a texto breve no qual meu pai declarou a teoria da origem Élfica ser correta) ele grafou a palavra Orks, e disse ‘dessa forma eu deverei grafar em O Silmarillion’. No atual ensaio, obviamente posterior ao texto IX, está gravado Orcs; mas então, em 1969 ou mais tarde, ele afirmou novamente que deveria ser Orks.
Notas
  1. Christopher Tolkien escrevendo em primeira pessoa []
  2. Este é o terceiro dos três artigos (numerados de VIII a X) sobre Orcs contidos no Mitos Transformados do The History of Middle-earth X e que a Valinor tem a honra de publicar. Os dois anteriores podem ser vistos em VIII e IX.  []
  3. a partir deste ponto, o texto é do próprio J. R. R. Tolkien []
  4. E uma cópia do texto meu pai escreveu a lápis ao lado desta sentença os nomes Eruseni, Melkorseni.  []
  5. ‘lendas que chegaram até nós de nossos dias mais antigos’; isto tinha a intenção de ser um texto Élfico. Sauron é citado subseqüentemente como estando no passado; mas na última sentença do ensaio os Orcs são uma praga que ainda aflige o mundo  []
  6. O tempo do Acordar dos Homens é agora colocado bem para trás; compare com o texto II, A Marcha dos Eldar atravessa grandes Chuvas? Homens despertam em uma ilha em meio à enchente’; ‘A chegada dos Homens será, portanto, muito anterior’; ‘Homens devem acordar enquanto Melkor ainda está [na Terra-média] – por causa de sua Queda. Portanto em algum período durante a Grande Marcha’. Na cronologia dos Anais de Aman e Anais Cinzentos a Grande Marcha começa no Ano das Árvores 1105, e as companhias mais avançadas de Elfos chegaram ao litoral do Mar em 1125; Homens acordaram em Hildorien no ano do primeiro nascer do Sol, que foi no Ano das Árvores 1500. Portanto, se o Acordar dos Homens está colocado mesmo na parte final do período da Grande Marcha dos Eldar ele terá sido trazido mais de 3500 Anos do Sol para trás.  []
  7.  Confira com o texto IX: ‘Mas sempre entre eles [Orcs] (como servidores especiais e espiões de Melkor, e como líderes) devem ter existido numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas similares; e também o texto VIII. []
  8. A nota de rodapé neste ponto, iniciando com ‘Boldog, por exemplo, é um nome que ocorre muitas vezes nos contos da Guerra’ e ‘é possível que não seja um nome pessoal’, é curiosa. Boldog aparece inúmeras vezes na Balada de Leithian como o nome do capitão-Orc que lidera um ataque a Doriath (referência no Índice para As Baladas de Beleriand); ele reaparece no Quenta (HoME IV), mas não é mencionado depois. Eu não conheço nenhuma outra referência a um Orc chamado Boldog.  []
  9.  [nota de rodapé ao texto] Poucos Orcs o fizeram nos Dias Antigos, e em qualquer época nenhum Orc trataria com um Elfo. Pois uma coisa que Morgoth conseguira fora convencer os Orcs além de refutação que os Elfos era mais cruéis que eles mesmos, fazendo prisioneiros apenas para ‘divertimento’ ou para comê-los (como os Orcs faziam, em caso de necessidade)   []
  10. Sobre a história posterior de que Angband fora construída por Melkor nos dias antigos e que esta era comandada por Sauron ver HoMe 10, “The Later Quenta Silmarillion”. Lá não há referência a uma reparação de Angband ao retorno de Morgoth, e confira o último desenvolvimento da narrativa no Quenta Silmarillion da história de seu retorno: Morgoth e Ungoliant ‘estavam chegando perto das ruínas de Angband onde sua grande fortaleza ocidental havia estado’  []
  11. Ver os Comentários à Quinta Seção dos Anais de Aman.  []
  12. orcish não satisfaria’: porque seria pronunciado ‘orsish’. A língua Orkish (Órquica) foi grafada dessa forma em O Senhor dos Anéis desde a Primeira Edição.  []

Mitos Transformados

The History of Middle-earth 10J. R. R. Tolkien começou a rever e reanalisar vários aspectos de seu legendarium, de sua mitologia, principalmente na época pós-Senhor dos Anéis. Estas reconsiderações – embora nunca tenha passado do estágio de rascunhos criativos – são de imenso valor ao revelar a opinião de Tolkien sobre certos aspectos de sua obra.

Os textos originais são do The History of Middle-earth 10, com introdução e comentários de Christopher Tolkien. Este artigo introdutório serve de base para os demais textos bem como de índice para os mesmos, na Valinor.

Nesta última seção do livro eu forneço alguns textos tardios de meuc pai, variados em natureza, mas relacionados a, genericamente falando,  uma reinterpretação de elementos centrais na “mitologia” (ou  legendarium, como ele chamava) de acordo com os imperativos de uma  concepção fundamental grandemente modificada.
Alguns destes papéis (há notáveis exceções) oferecerem uma dificuldade excepcional: fluidez de idéias, expressão ambígua e alusiva, passagens ilegíveis. Mas o maior dos problemas é que existe pouca indicação de data externa ou relativa: ordená-los, mesmo em uma seqüência aproximada de composição, parece impossível (embora eu acredite que virtualmente todos eles vieram dos anos que viram a escrita de Leis e Costumes entre os Eldar, o Athrabeth e revisões tardias de partes do Quenta Silmarillion – o final dos anos de 1950, na pós-publicação de O Senhor dos Anéis)

Nestes textos pode ser lido o registro de um prolongado debate interior. Anos antes deste tempo, os primeiros sinais de idéias emergentes puderem ser vistos, sinais que se perseguidos causariam um distúrbio massivo em O Silmarillion: eu mostrei, como acredito, que quando meu pai começou a revisar e reescrever as narrativas existentes dos Dias Antigos, antes de O Senhor dos Anéis estar completo, ele escreveu uma versão do Ainulindalë na qual introduziu uma transformação radical do mito astronômico, mas àquele tempo ele conteve a mão. Mas agora, como será visto em muitos dos ensaios e notas que se segue, ele veio a acreditar que tal vasta agitação era uma necessidade, e ao mesmo tempo ele foi impelido a tentar construir uma base “teórica” ou “sistemática” mais segura para os elementos no legendarium que não seriam removidos. Com seus questionamentos, suas certezas dando espaço à dúvida, suas resoluções contraditórias, estes escritos devem ser lidos tendo-se consciência do estresse intelectual e imaginativo em face de tal desmantelamento e reconstituição, acreditada ser uma necessidade inescapável, mas nunca alcançada.

Os textos, organizados em uma seqüência frouxamente “temática”, são numerados com numerais Romanos. Quase todos receberam pequenas edições menores (assuntos de pontuação, inserção de palavras omitidas e afins). Notas numeradas (não presentes em todos os casos) seguem os textos individuais.

I

II – Criação do Sol e da Lua

III

IV

V

VI – Melkor Morgoth

VII – Notas sobre os motivos no Silmarillion

VIII – Orcs (i)

IX- Orcs (ii)

X- Orcs (iii)

XI- Aman

Orc_freaky

Mitos Transformados IX – Orcs

The History of Middle-earth XEsta é outra nota, bastante distinta, sobre a origem dos Orcs, escrita rapidamente a lápis e sem nenhuma indicação de data.
 
 

 
Isto sugere – embora não seja explícito – que os "orcs" eram de origem élfica. Sua origem é tratada mais claramente em outro lugar. Um ponto apenas é certo: Melkor não poderia "criar criaturas" vivas de vontades independentes.

Ele [e todos os "espíritos" dos "Criados–primeiro", conforme seus limites] poderia assumir formas corpóreas; e ele [e eles] poderia dominar as mentes de outras criaturas, incluíndo elfos e homens, pela força, medo, ou por engôdos, ou por pura magnificência. Os elfos de épocas remotas inventaram e usaram uma palavra ou palavras com uma base [o]rok para indicar qualquer coisa que causasse medo e/ou terror. Isto teria sido originalmente aplicado a "fantasmas" [espíritos assumindo formas visíveis] tão bem quanto a quaisquer criaturas existindo independentemente. Sua aplicação [em todas as línguas élficas] especificamente às criaturas chamadas orcs – assim devo escrevê-la no Silmarillion – foi posterior.

Uma vez que Melkor não poderia "criar" espécies independentes, mas tinha imensos poderes de corrupção e distorção daquelas que caíam em seu poder, é provável que estes orcs tivessem uma origem mista. A maioria deles claramente [e biologicamente] eram corrupções de elfos [e, posteriormente, de homens provavelmente também]. Mas sempre entre eles [como servos especiais e espiões de Melkor, e como líderes] deviam haver numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas semelhantes. [Estes apresentariam personalidades aterrorizantes e demoníacas]

Os elfos teriam classificado as criaturas chamadas "trolls" [no Hobbit e Senhor dos Anéis] como orcs – em personalidade e origem – mas eles eram maiores e mais lentos. Pareceria evidente que os orcs eram corrupções de tipos humanos primitivos.

 

 
No rodapé da página meu pai escreveu: "Ver O Senhor dos Anéis Apêndice p. 410"; este é o trecho do Apêndice F relativo aos Trolls.

Parece possível que sua palavras iniciais nesta nota "Isto sugere – embora não seja explícito – que os ‘orcs’ eram de origem élfica" na verdade se refere ao texto anterior fornecido aqui, VIII, onde ele inicialmente escreveu "elfos, como uma fonte, são muito improváveis", mas mais tarde concluiu que "permanece, portanto, terrivelmente possível que houvesse uma linhagem élfica nos orcs". Mas se realmente for isso, as palavras que se seguem "Sua origem é tratada mais claramente em outro lugar" deve se referir a alguma outra coisa.

Ele agora expressamente afirma a visão inicial de que os Orcs eram originalmente Elfos corrompidos, mas observa que "mais tarde" alguns provavelmente derivaram de Homens. Ao dizer isto (como o último parágrafo e a referência ao Apêndice F de O Senhor dos Anéis sugerem) ele parece estar pensando nos Trolls, e especificamente nos Olog-hai, os grandes Trolls que aparecem no final da Terceira Era (como dito no Apêndice F): "Ninguém duvidava que tivessem sido engendrados por Sauron,  mas não se sabia a partir de que linhagem. Alguns afirmavam que não eram trolls e sim orcs gigantes; mas os olog-hai eram, na conformação do corpo e da mente, bem diferentes até mesmo dos maiores orcs, a quem sobrepujavam amplamente em tamanho e força".

A concepção de que entre os Orcs "deviam haver numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas semelhantes" aparece também no texto VIII: "Melkor corrompeu muitos espíritos – alguns grandes, como Sauron, ou menores, como balrogs. Os menores poderiam ter sido primitivos (e muito mais poderosos e perigosos) orcs"