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The Children of Húrin FAQ

The Children of Húrin
O Tolkien Estate disponibilizou há algum tempo um excelente FAQ sobre o mais recente livro de J. R. R. Tolkien, The Children of Húrin. Este FAQ a Valinor traduziu e publicou abaixo, divirtam-se!
 
 
Quanto tempo Christopher Tolkien levou para produzir The Children of Húrin?
Sem os trabalhos prévios de Christopher Tolkien no papéis de seu pai – começando com O Silmarillion em 1977, e concluindo com o décimo-segundo volume da série The History of Middle-earth, The Peoples of Middle-earth, em 1996 – com certeza seria quase impossível para ele produzir uma versão tão completa e fiel como esta do conto sobre os filhos de Húrin. Como tal, este livro pode ser descrito como o ponto culminante de um trabalho de trinta anos.

De acordo com Christopher, a estimativas mais precisa possível seria de que para compilar todo o material necessário foram necessários vários anos de um trabalho complexo, durante o curso completo de seus estudos sobre os papéis do pai.

 
 
Por que está sendo publicado agora?
Christopher Tolkien está publicando o livro neste momento por duas razões principais: porque ele acredita que é um ótimo exemplo da prosa de seu pai, e da qualidade de suas histórias; e porque, por se passar em uma era mais antiga da Terra-média, muito antes do período retratado em O Senhor dos Anéis, ele mostrará àqueles que apenas conhecem este trabalho e O Hobbit o quão ampla a História da Terra-média realmente é.

E mais, sempre foi a principal preocupação de Christopher com relação aos escritos de J. R. R. Tolkien que estes fossem publicados de uma maneira apropriada ao seu tema e sua natureza essencial como literatura. O mundo da Terra-média é visto por muitos como um parque de diversões. A verdadeira natureza do mundo inventado por Tolkien e os temas e assuntos de suas histórias são freqüentemente sérios e sombrios, como The Children of Húrin irá mostrar.

 
Por que uma edição ilustrada?
Nós sempre admiramos o trabalho de Alan Lee, desde que ele foi contratado para ilustrar O Senhor dos Anéis no centenário de J. R. R. Tolkien. Enquanto preparava a história para publicação, Christopher decidiu que ter o livro ilustrado desde a primeira publicação iria ressaltar sua qualidade essencial como uma história ao invés de um trabalho acadêmico.

 
Existem planos de se produzir edições similares dos outros dois "Grandes Contos" da mitologia de J. R. R. Tolkien?
Infelizmente, nem A Queda de Gondolin nem Beren e Lúthien foram desenvolvidos extensiva e suficientemente  por J. R. R. Tolkien para que podussem ser publicados de forma similar ao The Children of Húrin. Mesmo que fosse possível – por exemplo – fazer edições ilustradas destes contos, os textos existentes já foram publicados e continuariam incompletos.

 
Posso eu/alguma pessoa escrever/completar/desenvolver a própria versão de um desses contos inacabados? (ou qualqer outro)
A resposta simples é NÃO.

Você pode, claro, fazer o que quiser para seu próprio divertimento particular, mas não há qualquer possibilidade sobre qualquer exploração comercial desta forma de "ficção-de-fã".

E mais, nestes dias de Internet, e de itens de colecionador produzidos por particulares à venda no eBay, devemos deixar tão claro quanto possível que o Tolkien Estate nunca autorizou e jamis autorizará a comercialização ou distribuição de quaisquer trabalhos deste tipo.

O Estate existe para defender a integridade dos escritos de J. R. R. Tolkien. O trabalho de Christopher Tolkien como o executor literário de seu pai foi sempre publicar de forma mais fiel e honesta possível as obras completas e incompletas de seu pai, sem adapatação ou embelezamento.

 
Há planos de se produzir um filme de The Children of Húrin?
Não há planos desta natureza em um futuro previsível.
 
 
Quanto / quais partes de The Children of Húrin já haviam sido publicadas?
Uma resposta rápida é que aproximadamente 75% da história aparecem de forma interrompida no Contos Inacabados. Também uma breve versão co conto pode ser encontrado em O Silmarillion e há variações de partes da história e referências a ela por toda a série History of Middle-earth, mais notavelmente nos volumes II, III, IV, V e XI.

Há alguma razão para ler este livro se eu já li o Contos Inacabados / The Lays of Beleriand / etc ?
Isto fica a seu critério. Se você leu qualquer um ou todos as obras citadas acima, haverá pouco com o que se surpreender na história agora publicada. Contudo, você estará lendo uma história estanque do conto, construída com o prazer do leitor em mente, ao invés de dar uma explicação precisa e analítica de com a história evoluiu, e que é a forma utilizada em The History of Middle-earth. Dessa forma, você pode descobrir que o fluir da história trás um novo prazer e dimensão à sua leitura.

 
Como o The Children of Húrin de encaixa na mitologia de J. R. R. Tolkien? Onde ele se passa, relativamente a O senhor dos Anéis?
O Conto se passa durante a Primeira Era da Terra-média. Túrin nasceu no ano 464 desde o primeiro nascer do Sol após Morgoth ter destruído as duas ávores de Valinor, e morreu no ano 499.

Isto seria 5000 anos após o acordar dos Elfos na Terra-média, e 978 anos após Fëanor ter completado as Silmarils. Os homens chegaram com o primeiro Nascer d Sol, e Beren e Lúthien, que se encontraram no ano de nascimento de Túrin, empreenderam sua busca pela Silmaril quando Túrin era um jovem rapaz.

Túrin morreu aproximadamente 100 anos antes do Afundar de Beleriand, que marcou o início da Segunda Era, a qual durou três milênios e meio. Sauron forjou o Um Anel durante o ano 1600 da Segunda Era. Bilbo encontrou Gollum no ano 2941 da Terceira Era, e a Sociedade foi formada em Valfenda no ano de 3018. O Um Anel foi destruído em 3019. Frodo, Bilbo, Gandalf e Elrond (que a esta época tinha 6500 anos de idade, tendo nascido 33 anos após a morte de Túrin) partiram da Terra-média em 3021, marcando o final da Terceira Era.

Então, você porvavelmente pode se basear nisso, e de qualquer forma é seguro dizer que o Conto dos Filhos de Húrin se passou "há muito tempo atrás"!

Uma discussão detalhada do registro do tempo na Primeira Era pode ser encontrado no Morgoth’s Ring e no The War of the Jewels, que são os volumes X e XI do The History of Middle-earth.

 
Qual a importância do conto dos filhos de Húrin nos escritos de J. R. R. Tolkien?
O conto era de grande importância pessoal para oautor, e provavelmente uma dos principais nascedouros para seu Legendarium. Ele trabalhou no conto durante toda sua vida, retornando a ele de nvo e de novo, e foi uma grande fonte de frustração para ele nunca ter conseguido completá-lo.

É uma história da Terra-média de um modo literário completamente diferente de O Senhor dos Anéis, acontecentendo em um período diferente. Mas também se destaca de outros contos da Primeira Era por sua elaboração muito maior, e seu estudo de personagem. Nós acreditamos que ele é um trabalho de grande poder emocional e interesse trágico, a seu próprio modo.

 
Já existe uma versão em português?
Sim, publicada sob o título Os Filhos de Húrin, pela Publicações Europa-América. Não existe tradução no Brasil, nem datas para tal.
 
 

Fonte do FAQ: Tolkien Estate (exceto última questão, que é original do tradutor)

The Children of Húrin entre os Melhores de 2007

The Children of Húrin foi eleito pelo Library Journal como um dos melhores lançamentos de 2007.

 

 

The Children of HúrinOs livros não estão em ordem de preferência é The Children of Húrin aparece citado desta forma:

Tolkien, J.R.R. The Children of Húrin. Houghton. editado por Christopher Tolkien. ISBN 978-0-618-89464-2. $26.
Iniciado em 1918, retrabalhado por Tolkien durante toda sua vida e colocado em sua forma final pelo filho Christopher, este conto de heroísmo trágico e terrível mal que se passa em uma Terra-média 6.000 anos antes de O Senhor dos Anéis é uma gloriosa adição ao cânon Tolkieniano. Chamando Peter Jackson.

Parabéns a Christopher Tolkien pelo ótimo e bem sucedido lançamento!

 

Fonte: Library Journal

 

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Christopher-Tolkien

Christopher Tolkien

Christopher Reuel Tolkien (nascido em 21 de Novembro de 1924) é o filho mais novo do autor J. R. R. Tolkien (1892 – 1973) e mais conhecido como o editor da maior parte das obras de seu pai que foram publicadas postumamente. Ele desenhou os mapas originais para O Senhor dos Anéis, os quais ele assinou como C. J. R. T. com o J significando John, um nome de batismo que ele não usa normalmente.
Vida

Christopher Tolkien
Christopher Tolkien nasceu em Leeds, Inglaterra, o terceiro e mais novo filho de J. R. R. Tolkien. Ele estudou na Dragon School em Cherwell e depois na Oratory School. Devido a um problema de coração ele foi forçado a permanecer em casa e trabalhar com um tutor. Ele gosta de observar as estrelas com um telescópio e também é apaixonado por trens. Com a idade de 5 anos já estava preocupado com a consistência dO Hobbit.

“Da última vez você disse que a porta da frente de Bilbo era azul, e você disse que Thorin tinha um adorno dourado em seu capuz mas você acabou de dizer que a porta da frente de Bilbo era verde e que o capuz de Thorin era prateado.”
  – Christopher Tolkien, prefácio aO Hobbit
Christopher provou-se ser de imenso valor na correção dO Hobbit e ganhou dois pence por erro encontrado.
Juventude

 

Em Julho de 1943 ele entrou na Royal Air Force e em 1944 ele foi enviado para a África do Sul para receber treinamento de piloto. Sua ausência, contudo, não diminuiu suas contribuições aos trabalhos de seu pai uma vez que este continuamente lhe enviava trechos de O Senhor dos Anéis. Em 1945 ele retornou à Inglaterra e ficou comissionado em Shropshire e mais tarde no mesmo ano retornou a Oxford. Em 9 de Outubro de 1945 seu pai o informou que os Inklings desejavam considerá-lo como um membro permanente. A tarefa de ler O Senhor dos Anéis aos Inklings passou para Christopher  e era consenso geral que ele era melhor leitor que seu pai.

Idade Adulta

 

Em 1946 ele retornou ao Trinity College para concluir seus estudos e se graduar em Inglês. Por algum tempo seu tutor foi ninguém menos do que C.S. Lewis. Sua tese foi uma tradução de The Saga of King Heidrek the Wise (“A Saga do Rei Heidrek o Sábio”) e colou grau como bacharel em 1949. Christopher também se tornou um Lecturer (professor universitário iniciante) em Inglês Arcaico e Médio bem como em Islandês Arcaico em Oxford. Ele trabalhou como editor nos Contos da Cantuária (Canterbury Tales) de Chaucer, Tale de Pardoner e Prist’s Tale de Nun. De 1963 a 1975 ele foi um Fellow (professor sênior) do New College em Oxford, mas deixou o cargo quando começou a se dedicar aos assuntos literários de seu pai.

Por muito tempo ele foi parte da audiência crítica para os trabalhos de ficção de seu pai, primeiro como criança ouvindo os contos de Bilbo Bolseiro e depois como adolescente e adulto lendo e criticando O Senhor dos Anéis durante os 15 anos de sua gestação. Ele tinha a tarefa de interpretar os algumas vezes autocontraditórios mapas da Terra-média desenhados por seu pai, de forma a produzir as versões utilizadas nos livros, e ele redesenhou o mapa principal no final da década de 1970 para clarificar a escrita e corrigir alguns erros e omissões.

Em 2001 ele recebeu alguma atenção por sua posição contrária à trilogia O Senhor dos Anéis dirigida por Peter Jackson. Ele expressou suas dúvidas quanto a viabilidade de uma interpretação cinematográfica que conservasse a essência da obra, mas destacou que era apenas a sua opinião:

“…Eu reconheço que esta é uma questão artística complexa e discutível, e os rumores feitos de que eu ‘desaprovo’ os filmes, seja qual for sua qualidade cinematográfica, que chegaram a ponto de que desejei mal àqueles com os quais possa discordar, são totalmente sem fundamento” – Christopher Tolkien

 Apesar disso, em 2012, depois de um longo período sem fazer declarações à imprensa, Christopher Tolkien concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Monde em que falou com profunda tristeza sobre a exploração excessivamente comercial do legado de seu pai e que acompanhou o sucesso da adaptação cinematográfica de Peter Jackson.
“Eles arrancaram as vísceras do livro [O Senhor dos Anéis], tornando-o um filme de ação para jovens entre 15 e 25 anos. E parece que O Hobbit será o mesmo tipo de filme. Tolkien tornou-se um monstro, devorado por sua própria popularidade e absorvido pelo absurdo da nossa época. Ampliou o abismo entre a beleza e a seriedade do trabalho, e o que ele se tornou. E já foi longe demais para mim. A comercialização reduziu o impacto estético e filosófico da obra a nada. Há apenas uma solução para mim: Virar meu rosto para outro lado”.

Família

A primeira esposa de Christopher, Faith (1928) se formou em Inglês em Oxford e tiveram um filho, Simon Tolkien. Simon é um advogado de tribunal (um barrister) e romancista. Um busto de Tolkien feito por Faith foi exibido na Royal Academy: Tolkien pagou para fazê-lo em bronze. Agora está na Biblioteca de Inglês de Oxford.

 

A segunda esposa de Christopher, Baillie (1941) é canadense e filha do cirurgião de Winnipeg Alan Klass e Helen Klass. Ela tem bacharelado em Inglês pela Universidade de Manitoda e mestrado em Oxford. Ela trabalhou como secretária de J.R.R. Tolkien e era responsável pela seção de poesia no índice de 1965 de O Senhor dos Anéis. Mais tarde ela editou The Father Christmas Letters (“As Cartas do Papai Noel”, lançado no Brasil em 2012 pela WMF Martins Fontes). Ela e Christopher têm dois filhos, Adam Tolkien e Rachel Tolkien.
Christopher Tolkien atualmente vive na França com sua segunda esposa.


Trabalho
Christopher Tolkien
J. R. R. Tolkien escreveu uma grande quantidade de material conectado à mitologia da Terra-média que não foi publicado durante sua vida. Embora originalmente ele pretendesse publicar O Silmarillion junto com O Senhor dos Anéis, e embora partes dele estivessem finalizadas, ele morreu em 1973 com o projeto incompleto.Após a morte de seu pai, Christopher Tolkien iniciou o projeto de organizar a enorme quantidade de notas de sue pai, algumas delas escritas em pedaços de papel com mais de cinqüenta anos. Muito do material era escrito a mão; freqüentemente uma cópia boa era escrita sobre um primeiro rascunho semi-apagado, e nomes de personagens rotineiramente mudavam entre o começo e fim do mesmo texto. Decifrar tudo isso era uma tarefa árdua, e possivelmente apenas alguém com experiência pessoal em J. R. R. Tolkien e a evolução de suas histórias poderia colocar ordem nos papéis. Christopher Tolkien admitiu que ocasionalmente tentou adivinhar qual a intenção de seu pai.Com o auxílio de Guy Gavriel Kay ele conseguiu compilar O Silmarillion em apenas quatro anos. Christopher Tolkien teve que tomar algumas decisões editoriais difíceis sobre a apresentação do material e algumas dessas decisões foram criticadas mais tarde, inclusive por si mesmo. Durante este tempo ele também editou as traduções de seu pai de Sir Gawain and the Green Knight (Sir Gawain e o Cavaleiro Verde, sem tradução em português) e Sir Orfeo. Ele também trabalhou no Nomenclature of The Lord of the Rings (Nomenclatura de O Senhor dos Anéis, sem tradução em português) que foi publicado inicialmente em 1975 como Guide to the Names in The Lord of the Rings (Guia para os Nomes em O Senhor dos Anéis, sem tradução em português) em A Tolkien Compass (Um Guia para Tolkien, sem tradução em português).

 

Foto de Christopher Tolkien aos 87 anos
Foto de Christopher Tolkien aos 87 anos

Christopher passou os anos seguintes continuando a estudar os trabalhos de seu pai e assumindo as responsabilidades do Tolkien Estate. Ele gravou trechos de O Silmarillion em 1977 e 1978 que foram lançados pelas Caedmon Records de Nova Iorque. Em 1979 ele escreveu sobre as ilustrações e desenhos de seu pai para a publicação nos calendários Tolkien e Pictures by J.R.R. Tolkien (Imagens por J.R.R. Tolkien, sem tradução em português) . De 1980 a 1983 Christopher editou Contos Inacabados, As Cartas de J.R.R. Tolkien, The Monsters and Critics and Other Essays (O Monstro e os Críticos e Outros Ensaios, sem tradução em português) e The Book of Lost Tales Part 1 (O Livro dos Contos Perdidos, sem tradução em português) que foi o primeiro volume da série The History of Middle-Earth, contendo doze volumes. Em 1998 ele editou uma nova edição de Tree and Leaf incluindo o poema Mythopoeia. Depois de um longo tempo, sua mais recente publicação seria a edição de The Children of Húrin (“Os Filhos de Húrin”, lançado no Brasil pela Editora Martins Fontes), lançada em 2007 e o último livro dedicado a contar uma história da Terra-média.

De lá para cá, Christopher Tolkien dedicou-se também a lançar obras de seu pai que não abarcavam a Terra-média, mas cujas fontes exerceriam enorme influência na criação de seu Legendarium. Dentre elas, C. Tolkien lançou em 2009 A Lenda de Sigurd & Gudrún (Martins Fontes), em 2013 A Queda de Artur (Martins Fontes) e em 2014 Beowulf: A Translation and Commentary (“Beowulf: Uma Tradução e Comentário”, em tradução livre e que também chegará ao Brasil pela Martins Fontes em 2015). Assim, pela paixão e admiração de Christopher Tolkien pela obra de seu pai e sua dedicação em preservá-la e divulgá-la, o mundo e os fãs de J. R. R. Tolkien podem conhecer hoje, e cada vez mais, o fantástico, incansável, e aparentemente infindável, trabalho do “Autor do Século”.

Os Filhos de Húrin / The Children of Húrin

Os Filhos de Húrin (The Children of Húrin) é um romance de alta fantasia épica com origem em um
conto inacabado de J.R.R. Tolkien, que escreveu a versão original da
história no final da década de 1910, revisou-a inúmeras vezes depois
disso, mas não a completo até sua morte em 1973. Seu filho, Christopher
Tolkien, editou os manuscritos para formar uma narrativa consistente e
o publicou em 2007 como um trabalho independente.

 

 
Capa do Os Filhos de Húrin
Os Filhos de Húrin foi publicado em 17 de abril de 2007, pela HarperCollins no Reino Unido e Canadá, e pela Houghton Mifflin nos Estados Unidos. Alan Lee, ilustrador de outras obras de fantasia de J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) criou a sobrecapa, bem como as ilustrações internas do livro. Christopher Tolkien também incluiu um artigo sobre a evolução do conto, várias árvores genealógicas e um redesenho do mapa de Beleriand.

 
Pano de Fundo

A história e descendência dos personagens principais são dadas nos parágrafos iniciais do livro, e a história de fundo é elaborada nO Silmarillion. Ela começa 500 anos antes das ações do livro, quando Morgoth, um ser imortal encarnado possuindo grandes habilidades sobrenaturais e que é o poder maligno primevo, escada do Reino Abençoado de Valinor para o noroeste da Terra-média. De sua fortaleza de Angband ele iniciou a reconquista de toda a Terra-média, iniciando uma guerra com os Elfos que residiam mais ao sul, em Beleriand.

Contudo, os Elfos conseguiram resistir a seu ataque e a maioria dos reinos permaneceu sem ser conquistada; o mais poderoso destes sendo Doriath, governado por Thingol Capa-cinzenta. Em adição a isso, após algum tempo os Elfos Noldor deixaram Valinor e seguiram Morgoth até a Terra-média para se vingarem. Juntos com os Sindar de Beleriand, eles iniciaram um Cerco a Angband, e estabeleceram novas fortalezas e reinos na terra-média, incluindo Dor-lómin por Fingon, Nargothrond de Finrod Felagund e Gondolin de Turgon.

Após três séculos, os primeiros Homens apareceram em Beleriand. Estes eram os Edain, descendentes daqueles Homens que se rebelaram contra o governo dos servos de Morgoth e partiram para o oeste. A maioria dos Elfos lhes deu boas-vindas e a eles foram dados feudos em Beleriand. A Casa de Bëor governou sobre a terra de Ladros, o Povo de Haleth recuou para a floresta de Brethil e governo de Dor-lómin foi dado à Casa de Hador. Mais tarde outros homens adentraram Beleriand, os Orientais, muitos dos quais estavam em acordos secretos com Morgoth.

Eventualmente Morgoth conseguiu furar o Cerco de Angband na Batalha das Chamas Repentinas. A Casa de Bëor foi virtualmente destruída e os Elfos e Edain sofreram grandes baixas; contudo, muitos reinos permaneceram sem serem conquistados, incluindo Dor-lómin, onde o governo havia passado a Húrin Thalion.

 
 
Resumo

O livro Os Filhos de Húrin começa com um registro da chegada de Húrin e seu irmão Huor à cidade oculta de Gondolin. Após morarem lá por um ano, eles juraram jamais revelar a localização da mesma a ninguém e foi-lhes permitido partir para Dor-lómin. Lá Húrin se casou com Morwen Edhelwen e tiveram dois filhos, Túrin e Lalaith. O livro continua com a história da criação de Túrin, a morte prematura de Lalaith e a partida de Húrin para a guerra.

Na desastrosa derrota da Batalha das Lágrimas Incontáveis Húrin foi capturado vivo. O próprio Morgoth o torturou, tentando forçá-lo a revelar a localização de Gondolin mas, apesar de seus esforços, Húrin resistiu e mesmo debochou de Morgoth. Por isso Morgoth o amaldiçoou e a toda sua família.

Sob o comando de Morgoth os Ocidentais sobrepujaram Hithlum e Dor-lómin. Morwen, temendo a captura de seu filho, enviou Túrin ao reino de Doriath, por segurança. Logo depois Morwen deu a luz a uma segunda filhas, Nienor. Em Doriath, Túrin foi tomado como filho adotivo pelo Rei Thingol e se tornou um guerreiro poderoso, tornando-se amigo de Beleg Arco-forte, como um dos guardas das fronteiras. Contudo, após muitos anos Túrin causou a morte de um dos conselheiros de Thingol, o Elfo Saeros. Recusando a se desculpar por suas ações, Túrin foge de Doriath e entra nas terras ermas.

Túrin se uniu a um grupo de foras-da-lei, os Gaurwaith, e logo se tornou seu líder. Enquanto isso, Thingol descobriu as circunstâncias da morte de Saeros e  perdoou o ato de Túrin, enviando Beleg para procurá-lo. Ele teve sucesso em encontrar o bando, mas Túrin se recusou a retornar para Doriath. Beleg então partiu para participar das batalhas nas fronteiras norte de Doriath.

Algum tempo depois Túrin e seus homens capturaram Mîm o não, que resgatou sua vida conduzindo o bando às cavernas da colina de Amon Rûdh onde ele tinha sua morada.  Os foras-da-lei se entrincheiraram nas cavernas e logo Beleg retornou e se uniu a eles. O bando gradualmente se tornou mais ousado e bem sucedido na guerrilha contra as tropas de Morgoth, e Túrin e Beleg chegaram a estabelecer o reino de Dor-Cúarthol. Contudo, após alguns anos, Mîm os traiu, revelando o quartel-general do bando às forças de Morgoth. Os foras-da-lei foram vencidos, Túrin foi capturado mas Beleg escapou.

Túrin frente a Orodreth em Nargothrond
Beleg seguiu a companhia de Orcs, encontrando um Elfo mutilado, Gwindor de Nargothrond, no caminho. Eles encontram Túrin dormindo e solto de suas amarras, mas Túrin, pensando que um Orc veio atormentá-lo, mata Beleg antes de perceber seu erro. Gwindor conduz Túrin a Eithel Sirion, onde Túrin recupera o juízo, e mais tarde a Nergothrond. Lá Túrin obtém o favor do Rei Orodreth e o amor da filha deste, Finduilas. Após liderar os Elfos a consideráveis vitórias, ele se tornou o conselheiro chefe de Orodreth e virtual comandante de todas as forças de Nargothrond.

Contudo, após cinco anos Morgoth enviou uma grande força de Orcs sob o comando do dragão Glaurung e derrotou o exército de Nargothrond no campo de Tumhalad, onde tanto Gwindor quando Orodreth foram mortos. As forças de Morgoth saquearam Nargothrond e capturaram seus moradores. Em um tentativa de evitar isso, Túrin encontrou Glaurung, que enfeitiçou Túrin e o fez retornar a Dor-lómin para procurar sua mãe e irmão ao invés de resgatar Finduilas e os outros prisioneiros.

Quando Túrin retornou a Dor-lómin, ele descobriu que Morwen e Nienor já haviam fugido para Doriath. Em um ataque de fúria, Túrin incitou uma luta e teve que fugir novamente. Ele seguiu os captores de Finduilas até a floresta de Brethil, apenas para descobrir que ela havia sido morta pelos orcs quando os homens-da-floresta tentaram resgatá-la. Quase destruído por seu pesar, Túrin pediu asilo entre o Povo de Haleth, que mantinha uma resistência tenaz contra as forças de Morgoth. Em Brethil túrin se renomeou Turambar, "Senhor do Destino" em Alto-élfico, e gradualmente superou o Chefe Brandir.

Enquanto isso, Morwen e Nienor ouviram rumores dos feitos de Túrin em Nargothrond e tentaram encontrá-lo. Lá foram atacadas por Glaurung, que enfeitiçou Nienor de tal forma que ela esqueceu tudo enquanto Morwen se perdia. Eventualmente Morwen chegou a Brethil, onde foi encontrada por Turambar; sem perceber seu parentesco eles se apaixonaram e se casaram, apesar dos conselhos de Brandir.

Após algum tempo Glaurung partiu ao extermínio dos Homens de Brethil, mas Turambar o matou, perfurando por baixo enquanto este cruzava a ravina de Cabed-en-Aras. contudo, quando Turambar puxou a espada, o sangue envenenado de Glaurung escorreu por sua mão, fazendo-o ficar inconsciente. Nienor, grávida, encontrou Turambar caído inconsciente, e o moribundo Glaurung fez sua memória retornar. Percebendo com horror que seu marido era também seu irmão, ela se atirou do despenhadeiro próximo no rio Taeglin, e foi levada por este. Quando Turambar acordou e ouviu de Brandir que Nienor estava morta, o matou em sua fúria e mais tarde se jogou sobre sua própria espada.

A parte principal da narrativa termina com o enterro de Túrin. Anexo a este há um trecho extraído de As Andanças de Húrin, o próximo conto do legendarium de Tolkien. Este reconta como Húrin foi finalmente libertado por Morgoth e chegou ao túmulo de seus filhos. Ali encontrou Morwen, que também conseguiu encontrar o local, mas morria agora nos braços de seu marido, ao pôr-do-sol.

 

História do Conto

Uma breve versão da história forma a base do capítulo XXI dO Silmarillion, colocando o conto no contexto das guerras de Beleriand. Embora baseado nos mesmos textos utilizados para completar o novo livro, o Silmarillion deixa de fora grande parte do conto. Outras versões incompletas que foram publicadas em outros livros:

    * O Narn i Hîn Húrin no Contos Inacabados.
    * A série The History of Middle-earth (HoME), com destaque a:
          o Turambar e o Foalókë, do The Book of Lost Tales (HoME 1)
          o O Lay of the Children of Húrin, uma narrativa antiga em forma de poema.
          o Versões em prosa do Lay (ou Húrinssaga), eventualmente levando a versões mais antigas e alternativas do Narn e também ao Os Filhos de Túrin.

Nenhum destes textos forma uma narrativa completa e madura. O Os Filhos de Húrin publicado é uma síntese dessas fontas e de outros textos, inéditos até então.

 
 
Críticas 

HarperCollins lança edições luxo de Tolkien

HarperCollins inaugurou um novo site vendendo edições de luxo limitadas
de The Children of Húrin (Os Filhos de Húrin), de J.R.R. Tolkien. A
editora produziu 500 cópias do livro, assinadas e encapadas em couro,
que serão vendidas exclusivamente on-line pelo preço de £350
(aproximadamente R$ 1.300,00) em http://store.tolkien.co.uk.

 
The Children of Húrin, edição de luxoThe Children of Húrin, que Tolkien nunca completou em vida, foi retrabalhado e terminado por seu filho, Christopher Tolkien, e finalmente publicado em abril deste ano. Christopher Tolkien assinou cada uma das cópias limitadas, assim como o ilustrador, Alan Lee.
 
HC também produziu um novo conjunto de edições de luxo de O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, cada uma das quais em uma caixa especial marcada com o símbolo do próprio Tolkien.

"Esta é uma notícia muito excitante para todos os fãs leais de J.R.R. Tolkien", disse o diretor de publicações David Brawn. "Nós acreditamos que haverá uma forte demanda por estes belos livros. Tolkien é um dos autores mais populares e duradouros do mundo, e estas edições de colecionador serão um fantástico presente aos amantes de livros".

A melhor resenha de "Os Filhos de Húrin"

Continuamos trazendo a você, nobre leitor da Valinor, o melhor publicado por enquanto sobre "Os Filhos de Húrin", o novo livro de J.R.R. Tolkien editado por seu filho Christopher. Confira abaixo uma das melhores resenhas publicadas por enquanto na imprensa internacional, feita pela revista eletrônica Salon.com. E aguarde a nossa resenha exclusiva em breve!

 


Senhor das ruínas

Christopher, filho de J.R.R. Tolkien,
passou mais de 30 anos montando fragmentos que seu pai deixou para
trás. Agora, os leitores podem descobrir o que aconteceu 6.000 anos
antes de Bilbo Bolseiro encontrar o Um Anel.

por Andrew o'Hehir

Depois de alguns capítulos da narrativa de "The Children of Húrin", o
livro mais ou menos novo mais ou menos escrito por J.R.R. Tolkien, um
carpinteiro aleijado chamado Sador contempla seu trabalho abandonado
com emoções misturadas. Sador é um servo fiel de Húrin, senhor da Casa
de Hador na terra de Dor-lómin, e estava esculpindo uma grande cadeira
para seu mestre. Mas, meses antes, Húrin cavalgou para uma batalha que
terminou em derrota terrível. Ele não retornou, e suas terras foram
conquistadas e pilhadas por forasteiros. Assim, Sador deixou de
trabalhar na cadeira, e ela "foi enfiada num canto, incompleta".

Enquanto tenta decidir se deve desmontar a cadeira e usá-la como lenha
no inverno, Sador conversa com Túrin, o filho pequeno de Húrin que logo
será mandado para o exílio e tornar-se-á o herói andante e amaldiçoado
dessa história sombria, sangrenta e apaixonante. "Perdi meu tempo", diz
Sador sobre sua longa labuta, "embora as horas parecessem agradáveis.
Mas todas as coisas desse tipo são de vida curta; e a alegria da
criação é seu único fim, imagino."

É impossível não ouvir John Ronald Reuel Tolkien repreendendo ou
consolando a si mesmo com essas palavras. Ao morrer, em 1973, Tolkien
deixou para trás as ruínas impublicáveis de um imenso conjunto de
literatura lendária, englobando uma história imaginária inteira do
mundo, da criação até épocas quase modernas. Os grandes episódios
heróicos dessa história – os elementos que ele considerava os mais
importantes – foram escritos apenas de forma sumária ou em fragmentos,
apesar de numerosas tentativas de transformá-los em prosa narrativa ou
poesia épica. Ele teve um sucesso acadêmico significativo como
lingüista e filólogo em Oxford, mas a maior parte de sua carreira
literária foi gasta desperdiçando energia em projetos que Tolkien nunca
completava. Ele era atormentado por bloqueios criativos, humores
sombrios e numerosas mudanças de rumo. Enfiou muitas cadeiras
incompletas num canto.

Tolkien ainda poderia ser recordado dessa maneira por algum grupelho
minúsculo de admiradores, se não fosse pela única parte de sua história
– na mente dele algo relativamente sem importância, tirado dos estágios
posteriores de seu "legendarium", mas que tinha um foco unicamente
íntimo e pessoal – que ele transformou numa narrativa de larga escala.
Tolkien tinha 62 anos quando publicou o primeiro volume de "O Senhor
dos Anéis", sua obra-prima de fantasia responsável por definir esse
gênero, e mais de 70 quando a popularidade explosiva do livro o tornou
rico e famoso. Não há como negar que a história do hobbit Frodo e de
seu pequeno grupo de companheiros, que encaram uma perigosa jornada com
o Um Anel de Sauron, o Senhor do Escuro, está entre os livros mais
queridos já publicados. Inevitavelmente, para a maioria de seus
leitores o enorme conjunto de tradições por trás do livro não passa de
um pano de fundo curioso, cheio de genealogias incompreensíveis,
línguas inventadas e nomes impronunciáveis.

Contudo, como bem sabe o universo de fãs viciados de Tolkien – um
universo que nem é tão pequeno, aliás – o autor tinha imaginado e
examinado cada detalhe de sua criação, de forma tão detalhada quanto
havia feito Ilúvatar, o equivalente de Javé que criou a Terra e deu
vida a Elfos e Homens. (A linguagem de Tolkien, assim como sua visão de
mundo, nunca é neutra em termos de gênero.) Nenhum autor de fantasia ou
de qualquer outro gênero jamais construiu um mundo com tanta densidade
histórica e lingüística; chega a parecer que esse imenso trabalho de
arquiteto exauriu Tolkien e, com exceção da narrativa de "O Senhor dos
Anéis", não lhe tenha sobrado energia para contar suas histórias.

Por mais de 30 anos, Christopher Tolkien, que trabalha como
testamenteiro literário de seu pai, tem revelado fragmentos e pedaços
do baú tolkieniano, quase como um ferreiro anão tentando reforjar uma
grande espada élfica a partir de agulhas e lascas espalhadas. Embora "O
Silmarillion" tenha sido um best-seller quando foi publicado em 1977,
por exemplo, só os fãs mais durões de Tolkien atravessaram seus
sumários secos e empolados de grandes feitos do passado distante. O
próprio Christopher Tolkien escreveu, com seu circunlóquio
característico, que "o estilo e forma de compêndio ou epítome de 'O
Silmarillion', com sua sugestão de eras de poesia e 'tradição' por trás
deles, evoca fortemente um senso de 'histórias não-contadas', mesmo
quando elas são contadas. A 'distância' nunca se perde. Não há urgência
narrativa, a pressão e o medo do evento imediato e desconhecido. Não
vemos as Silmarils do mesmo jeito que vemos o Anel."

Christopher Tolkien tem hoje 81 anos, a mesma idade que o pai dele
quando morreu, e pode-se imaginar que "The Children of Húrin" é sua
última e melhor tentativa de contar uma das grandes "histórias
não-contadas" de Tolkien em algo próximo a uma forma completa. Ele
trabalhou de forma contínua e árdua para reunir pedaços de manuscritos
que aparentemente recuam até 1918, quando Tolkien concebeu
originalmente a história, e que continuam quase até o fim da vida dele.
A história de Húrin de Dor-lómin, de seu filho Túrin e da luta fadada
ao fracasso dos dois contra Morgoth (o "Grande Inimigo" de Elfos e
Homens, senhor e mestre de Sauron) foi contada duas vezes antes,
primeiro em "O Silmarillion" e novamente no volume "Contos Inacabados"
(1980), editado por Christopher. Ela emerge aqui pela primeira vez como
um relato de aventura, com toda a sua urgência narrativa, medo do
desconhecido e personagens reconhecivelmente humanos.

"The Children of Húrin" vai empolgar alguns leitores e deixar outros
desanimados, mas vai surpreender quase todo mundo. Se você está
procurando a acessibilidade, o lado lírico e acima de tudo o otimismo
de "O Senhor dos Anéis", bom, é melhor ir lê-lo de novo. Não há hobbits
nem Tom Bombadil, nada de estalagens aconchegantes na beira da estrada
e muito pouca alegria à beira do fogo de qualquer tipo. Esta é uma
história cujo herói é culpado de traição e assassinato múltiplo, uma
história de estupro e pilhagem e incesto e ganância e gloriosas
batalhas que nunca deveriam ter sido travadas.

Se "O Senhor dos Anéis"
é uma história na qual o bem vence o mal, esta aqui caminha
inexoravelmente para o outro lado.
Embora os leitores casuais de "O Senhor dos Anéis" possam se assustar,
"The Children of Húrin" não exige nerdice nível Silmarillion. Qualquer
fã médio de Tolkien com apetite pelos cantos mais escuros e estranhos
de seu reino vai se deixar prender rapidamente pela saga sangrenta de
Húrin, que desafia o temido Morgoth e é torturado sem piedade, e Túrin,
o guerreiro lendário cujos grandes feitos arrastam tudo e todos que ele
ama para o desastre completo. Ou, pelo menos, vai se deixar prender se
conseguir atravessar as primeiras páginas.

Inicialmente, "The Children of Húrin" tem aquele estilo empolado de
Tolkien em seus momentos mais emperrados. Esta é a terceira sentença do
capítulo 1: "Sua filha Glóredhel desposou Haldir, filho de Halmir,
senhor dos homens de Brethil; e na mesma festa seu filho Galdor, o Alto
desposou Hareth, a filha de Halmir". (Aliás, nenhuma das pessoas nessa
sentença aparece de novo.) Eu ainda precisei consultar os mapas,
índices e apêndices completos e muito úteis de Christopher Tolkien de
vez em quando para recordar a nomenclatura geográfica e genealógica – e
voltei a "O Silmarillion" algumas vezes para entender o contexto
histórico – mas me incomodei cada vez menos com isso conforme as horas
passavam e a luta terrível de Túrin contra o mal interno e externo
ficava cada vez mais horrenda.

As aventuras de Túrin se passam na "Primeira Era" da Terra-média de
Tolkien, uns 6.000 anos antes de Bilbo Bolseiro achar o Um Anel, de
forma que, fora algumas referências a Sauron, o lugar-tenente de
Morgoth, quase não há intersecção entre essa história e "O Senhor dos
Anéis". (Eu disse quase; preste atenção!) Túrin nasce num mundo em
guerra, onde a antiga aliança de Elfos e Homens está perdendo terreno
gradualmente numa longa luta com Morgoth, o qual lançou de sua
fortaleza em Angband o equivalente do mundo antigo das armas de
destruição em massa.

Ele conjurou ou criou ou perverteu uma raça de
demônios letais chamados Balrogs (um dos quais aparece em "A Sociedade
do Anel") e revelou um grande dragão chamado Glaurung, cujas armas
incluem tanto o fogo quanto o diálogo sarcástico. (Ele é provavelmente
o pai ou o avô de Smaug, que Bilbo encontra em "O Hobbit".) Logo depois
que as forças de Húrin e os outros grandes exércitos de Elfos e Homens
são estraçalhadas por Morgoth na Nirnaeth Arnoediad ("a Batalha das
Lágrimas Incontáveis"), o mundo ocidental é engolfado pelo caos. (Ainda
estamos muito no começo do livro, e eu não citei nenhum grande spoiler.

Mas saia agora se não quiser mais detalhes da trama.) Uns poucos reinos
élficos ocultos continuam protegidos, incluindo a fortaleza de
Nargothrond, a cidade secreta de Gondolin e a floresta de Doriath – uma
espécie de precursora de Lothlórien em "O Senhor dos Anéis" -, mas os
reinos dos Homens são tomados pelas forças de Morgoth.
Mandado para longe de sua mãe e de sua irmã ainda não-nascida quando
garoto, Túrin se torna o filho adotivo de Thingol, o rei élfico de
Doriath, e torna-se um guerreiro feroz quando adulto.

Mas elfos
imortais e homens mortais não se misturam com facilidade, e nem
Thingol sabe que Morgoth, que está mantendo aprisionado o desafiador
Húrin, colocou a família inteira do herói sob uma maldição horrenda.
Morgoth, aliás, não é só aquele típico demônio de romance de fantasia –
na origem, ele era o maior dos Ainur, os espíritos divinos que cantaram
com Ilúvatar e criaram o mundo. "A sombra do meu propósito jaz sobre
Arda [a Terra]", diz Morgoth, "e tudo o que está nela se inclina lenta
e certamente à minha vontade."

Ao contrário de Sauron em "O Senhor dos Anéis", o Morgoth de "The
Children of Húrin" aparece como um ser físico malévolo mas sofisticado,
tal como os deuses da mitologia grega e nórdica aparecem para os seres
humanos. De fato, toda essa história apresenta uma visão sombria e
visceral da vida, muito mais próxima do fatalismo dos antigos mitos
europeus do que do bom-senso rural e inglês dos hobbits, que funciona
como base moral de "O Senhor dos Anéis".

Parte disso vem do fato de que "The Children of Húrin" é principalmente
uma história sobre seres humanos, sempre as figuras moralmente mais
ambíguas do universo de Tolkien. Embora seja claramente o herói da
história e um grande guerreiro de sua época, Túrin não pode ser
descrito adequadamente como bom ou mal. Como Édipo ou Siegfried ou o
herói do épico finlandês "Kalevala" (um dos modelos de Tolkien), ele é
definido pela nuvem escura do destino que jaz sobre ele. É amaldiçoado
por um poder grande demais para ser derrotado ou eludido, mas seu
próprio temperamento só torna as coisas piores, como uma mosca que se
sacode numa teia de aranha.

Ele é arrogante, cabeça-dura, de
temperamento explosivo e inclinado à violência, e os que o amam e se
tornam seus amigos são sugados por seu vórtex sombrio.
Túrin torna-se um famoso amigo-dos-elfos e matador dos Orcs de Morgoth;
no fim do livro, realiza um ato de heroísmo lendário, o tipo de coisa
sobre a qual as pessoas ainda estavam cantando baladas na época de
Frodo. Mas, ao longo do caminho, ele também se torna um fora-da-lei que
tolera banditismo e brutalidade entre seus homens, um conselheiro
prestigioso cujas palavras só levam à perdição, um homem que mata um de
seus melhores amigos e depois rouba o amor de seu outro amigo. (É claro
que ela acaba se revelando exatamente a mulher errada para ele,
responsável por selar seu destino.) Não fica muito claro se Morgoth
realmente precisa amaldiçoar esse sujeito; ele faz um serviço muito bom
ao amaldiçoar a si mesmo a cada passo.

Terminei "The Children of Húrin" com um apreço renovado pelo fato de
que a narrativa de Tolkien é muito mais ambígua em tom do que
normalmente se nota. Como já se disse várias vezes, ele era um católico
devoto que tentou, com sucesso imperfeito, harmonizar a violenta
cosmologia pagã por trás de seu universo imaginativo com a crença numa
salvação cristã. A salvação parece muito distante em "The Children of
Húrin". O que fica em primeiro plano é aquela sensação tolkieniana
persistente de que o bem e o mal estão travando uma luta maniqueísta
não-resolvida com fronteiras amorfas, e que o mundo é um lugar de
tristeza e perda, cujos habitantes humanos freqüentemente são os
agentes de sua própria destruição.

Estudo “The History of The Hobbit”: Lançamento em 8 de Maio

“The History of The Hobbit” ou “A História dO Hobbit” é um novo estudo do livro “O Hobbit”, de J. R. R. Tolkien, a ser lançado em dois volumes, o primeiro dia 8 de maio e o segundo em 4 de junho. Eles conterão os até então inéditos rascunhos do livro, acompanhados por comentários escritos por John D. Rateliff. Também detalhará as várias revisões feitas por Tolkien nO Hobbit, incluindo revisões abandonadas para a terceira edição do livro, planejada para 1960, bem como mapas originais inéditos e ilustrações do próprio Tolkien.
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O primeiro volume é intitulado “The History of The Hobbit: Volume I: Mr. Baggins” (algo como “A História dO Hobbit: Volume 1: Sr. Bolseiro”) e conterá a primeira metade do material rascunhado por Tolkien para “O Hobbit”, comentado. Será lançado em 8 de maio de 2007. O segundo volume tem o título “The History of The Hobbit: Volume II: Return to Bag-End” (ou “A História dO Hobbit: Volume 2: Retorno a Bolsão”), contendo a segunda metade dos rascunhos e está agendada para 4 de junho de 2007.

 

“The History of Middle-earth” e “The History of The Hobbit”

Quando Christopher Tolkien começou a publicar a série “The History of Middle-earth”, uma coleação de doze volumes documentando o processo criativo de J. R. R. Tolkien na elaboração da Terra-média, com textos datando de 1920 a 1970, ele tomou a decisão consciente de não lançar nenhum volume contendo detalhes da criação dO Hobbit. De acordo com ele, O Hobbit originalmente não tinha intenção de ser parte do universo da Terra-média e foi anexado ao legendário mais antigo e mais sério de seu pai apenas superficialmente, embora a existência dO Hobbit tenha alterado para sempre o legendário. O tom dO Hobbit é muito mais leve e mais apropriado às crianças do que os demais textos de Tolkien.

Assim, como Christopher Tolkien não iria publicar um estudo dO Hobbit, a tarefa foi delegada a Taumhoh_2 Santoski na década de 1980. Santoski possuía conexões com a coleção Marquette de material de Tolkien,  que é onde os manuscritos originais estão. Ele morreu em 1991 e a tarefa ficou a cargo de John Rateliff. Embora Christopher Tolkien não tenha trabalhado diretamente no “The History of The Hobbit”, o trabalho é bastante similar à “arqueologia literária” de seu “The History of Middle-earth”.

Rateliff enviou um rascunho do livro terminado pata Christopher Tolkien que, aprovando o trabalho, deu ao “The History of The Hobbit” sua benção pessoal para que fosse publicado em conjunto com as demais obras de seu pai.

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