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A VALINOR coloca à disposição dos visitantes mais um serviço: Newsletter VALINOR. É um serviço semanal de envio de resumo de notícias, atualizações da VALINOR, novidades e promoções.

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Julho: Um Mês Agridoce

 
Saudações!

Estarei tentando começar uma cultura de editoriais aqui na Valinor, sem muito prazo especificado entre cada um, para tentar levar e explicitar para os fãs e visitantes um panorama geral de como vai e que está acontecendo com a Valinor e o "fandom" (que eu prefiro chamar de "Comunidade Tolkieniana Brasileira" – acho mais pomposo).

Julho foi um mês bom em seu começo e tétrico em seu final por vários motivos.

O começo foi bastante bom e marcou um ano de Valinor no ar! Tanto a homepage Valinor como o Fórum Valinor foram colocados no ar numa sexta-feira, dia 6 de julho de 2001, após quase 4 meses de intensas conversas discussões, encrencas, decisões sobre layouts, etc, etc, etc entre a Calaquendi e o Pelennor.Nesse um ano muita coisa aconteceu (eu diria que até demais para comentar apenas em um parágrafo) muito erros e muitos acertos, mas acho que entre erros e acertos conseguimos ficar no positivo. Nunca é demais lembrar que nós da Valinor somos apenas um grupo de fãs "mais ou menos" organizados que tenta utilizar um pouco do pouco tempo livre que temos para produzir, traduzir, gerar e coletar informações para todos os fãs (inclusive nós mesmos). A tarefa não rende um centavo (de forma nenhuma) a ninguém… até mesmo os poucos brindes que porventura a Valinor recebe aqui e ali são todos sorteados na página, fórum, lista ou nos encontros. Mas também sei que algumas vezes ficamos aquém do que alguns esperam de nós… afinal, nem sempre podemos nos dedicar muito, sempre tem um chefe olhando, um cliente chamando, um professor cutucando Também o fórum é motivo de orgulho para toda a Equipe. COm muito esforço e cooperação, ele está firme forte e crescendo, ainda mais agora, que conseguimos unificar o antigo fórum (contendo mensagens entre julho/2001 e março/2002) com o novo fórum (de abril/2002 em diante).

O final de julho foi bastante complicado, tivemos problemas sérios de hardware tanto com a Valinor como com o fórum (em semanas distintas e consecutivas). Primeiro foi o fórum, na terceira semana de julho, que ficou cerca de uma semana fora… mas no final deu tudo certo, pois conseguimos recuperar todos os dados e agora estamos firmes e fortes em novos e reconfigurados servidores (Valeu, Réurraidi!). A Valinor foi mais problemática, pois não houve possibilidade de recuperação de dados e perdemos quase uma semana de informações que estavam nos Banco de Dados e quase um mês das informações que não estavam. Foram cerca de dez dias de bateção de cabeça pra conseguirmos colocá-la de volta no ar com um mínimo de funcionalidade. Mas estamos aí, firmes e fortes novamente, tentando seguir o caminho.

Esses problemas com a Valinor e com o Fórum praticamente nos impediram de trazer novidades por uns quinze dias, forçando-nos a trabalhar em recuperações e backups praticamente em período integral, o que atrasou várias das promoções, concursos e avaliações que a Valinor estava promovendo, inclusive os sorteios do Nazgul/Aragorn e a escolha do(s) novo(s) webdesigner(s) para a Valinor. Bom, aos pocuos estamos deixando tudo em ordem, e tudo vai ser colocado nos trilhos.

Como nem tudo são más notícias, esse meado de agosto nos reservou boas novidades, com novas parcerias com a "Encyclopedia de Arda" e o "Gwaith-i-Phthdain" para troca de material, o que nos propicia fornecer mais e mais material em português para todos os fãs. Um primeiro sinal disso já pode ser visto na seção filme, onde encontram-se as primeira análises dos diálogos do filme em Quenya/Sindarin.

Bom, na Comunidade Tolkieniana como um todo, tivemos boas e más notícias. A Warner nos propiciou um bom momento junto a outro terrível. Lançou o DVD do SdA:SdA ao mesmo tempo que o mundo todo, e de uma qualidade impressionante, com legendas de qualidade e extras legendados (uma raridade em se tratando de DVDs da Warner!) mas também nos confirmou que (por enquanto) o DVD especial, com 30 min de cenas inéditas, não deve sair por aqui (pelo menos durante este ano). A outra boa notícia foi o retorno da minha, da sua, da nossa "Universo Fantástico de J.R.R. Tolkien" às bancas. O motivo do atraso entre os números 6 e 7 serão explicados na própria homepage deles, como fui informado pelo editor.

As previsões para os próximos meses não poderiam ser melhores (com excessão do DVD, claro). Teremos o "Grande Encontro" nos dias 21/22 de setembro no Rio de Janeiro (previsão de presença de algumas centenas de fãs) e o aumento da presença de Tolkien na mídia, agora que o lançamendo do SdA:ADT se aproxima. E saiba que sempre pode contar conosco da Valinor pra o que der e vier! Enquanto Morgoth não voltar do Vazio ou cair algum tipo de meteoro na Terra, estaremos aqui, firmes e fortes tentando sempre trazer o máximo possível de informações e conteúdo para todos nós, fãs de Tolkien!

P.S. Qualquer dúvida, comentário ou correção a este editorial pode e deve ser enviado à Equipe Valinor, no valinor@valinor.com.br

25 Hobbits

Vocês devem ter reparado que na página inicial da Valinor existe um banner pro 25 Hobbits. Pois bem, peço a todos que votem, podem
 

Vocês devem ter reparado que na página inicial da Valinor existe um banner pro 25 Hobbits. Pois bem, peço a todos que votem, podem votar bastante mesmo. Vamos mostrar que os brasileiros existem e são muito ativos do mundo de Tolkien. Vamos colocar a Valinor no TOP 10 do 25 Hobbits!

VALINOR – O pq de não termos Downloads (ainda)

Saudações,

Vocês devem ter reparado que a Valinor não tem downloads. Pois bem, acho que é justo explicar o pq di

 

Saudações,

Vocês devem ter reparado que a Valinor não tem downloads. Pois bem, acho que é justo explicar o pq disso.

Quando formamos a Valinor, tivemos uma escolha complicada a ser feita [deixa eu explicar o que é limitação de transferência: o servidor da Valinor possui um limite de 2 GB de transferência por mês, ou seja, 2GB de coisas podem sair do servidor da Valinor. Se você baixa um vídeo de 10 MB, esse valor soma-se ao total transferido da Valinor. Se 200 pessoas baixarem esse video, já estoura o limite de 2 GB]:
1. Provedor rápido, mas com menor limite de transferência
2. Provedor lento, mas sem limitação de tranferencia

Pois bem, optamos pela primeira opção. Uma página num provedor mais rápido.

Eu tenho muita coisa de download pra colocar, masestou restrito por causa disso… devo ter uns 2 GB ou coisa assim, mas não posso colocar por causa do limite de transferência. Acima desse valor, pagamos uma taxa de R$ 0,15 por MB transferido, o que causaria um grande aumento dos gastos. Como a Valinor não tem receita e é mantida de forma idealista por meia dúzia de abnegados, fica dificil colocar ainda mais dinheiro na mesma.

Portanto, se alguém quiser patrocinar a melhor e maior página de Tolkien no Brasil (ou ouber de algum provedor que queira), com mais de 25 mil usuários únicos por mês e público cativo, é só entrar em contato comigo.

Manter uma página séria é complicado, galera, em termos de grana…

:)

O que aconteceria se Frodo mantivesse o Um Anel?

Por incrível que pareça, Tolkien manteve uma correspondência bastante
ativa com os fãs depois do lançamento de O Senhor dos Anéis,
esclarecendo os temas e personagens de seu universo ficcional. E sem
dúvida um dos exemplos mais fascinantes disso é uma longa carta escrita
em 1963 para Eileen Elgar, na qual Tolkien fala sobre o possível
“fracasso” de Frodo em resistir ao Anel e, além disso, tenta imaginar o
que aconteceria se o hobbit realmente tivesse vencido Gollum e tentado
manter o Anel para si.
 
 
 
“É um problema interessante: como Sauron teria agido ou Frodo teria resistido”, diz Tolkien. “Sauron
imediatamente enviou os Espectros do Anel. Eles estavam, naturalmente,
perfeitamente instruídos, e não se deixavam enganar quanto ao real
senhor do Anel. [...] Mas a situação agora era diferente da que
ocorrera no Topo dos Ventos. Frodo havia crescido desde então. Será que
os Espectros estariam imunes ao poder do Anel se Frodo o reivindicasse
como instrumento de comando e dominação?

Não totalmente. Não acho que eles poderiam tê-lo atacado com
violência [...]; teriam obedecido ou fingido obedecer a quaisquer
comandos menores dele que ṇo interferissem com sua misṣo Рimposta a
eles por Sauron, que através dos Anéis [que ele tinha consigo] exercia
o controle primário de suas vontades. [...] Frodo havia se tornado uma
pessoa considerável, mas de um tipo especial: em crescimento espiritual
ao invés de em aumento de força física ou mental; sua vontade era muito
maior do que fôra, mas até aquele momento havia sido exercida para
resistir ao uso do Anel [...]. Ele precisava de tempo, muito tempo,
antes que pudesse controlar o Anel [...].


A situação de Frodo em relação aos Oito [nota de rodapé: O Rei Bruxo
havia sido reduzido à impotência] era semelhante à de um homem pequeno
e corajoso equipado com uma arma devastadora, enfrentado por oito
guerreiros selvagens de grande força e agilidade, armados com lâminas
envenenadas. A fraqueza do homem é que ele ainda não sabia como usar
sua arma, e era por temperamento e treinamento avesso à violência; a
fraqueza dos guerreiros era que essa arma era algo que os enchia de
medo por ser um objeto de terror em seu culto religioso, e que fazia
com que eles tratassem quem o usasse com servilismo. Acho que eles
teriam mostrado “servilismo”. Teriam saudado Frodo como “Senhor”. Com
belas palavras o teriam induzido a deixar as Sammath Naur – por
exemplo, “para ver seu novo reino e contemplar de longe com sua nova
visão a morada de poder que ele agora deveria reivindicar e adequar a
seus próprios propósitos”
.

Assim que ele saísse, um deles provavelmente destruiria a câmara,
mas Frodo já estaria imerso demais em grandes planos de domínio
reformado para dar atenção a isso. Mas se ele ainda conservasse alguma
sanidade e entendesse parcialmente o significado daquilo, de maneira
que se recussasse a ir com eles até Barad-dûr, eles simplesmente
esperariam. Até que Sauron em pessoa viesse. Em qualquer caso, um
confronto entre Frodo e Sauron logo teria lugar se o Anel ainda
estivesse intacto. O resultado seria inevitável. Frodo seria
completamente derrotado; desfeito em poeira, ou preservado em tormento
como um escravo gaguejante. Sauron não teria temido o Anel! Era dele, e
sujeito à sua vontade”
.

Tolkien prossegue, considerando as possibilidades de vitória se outros
personagens confrontassem pessoalmente Sauron com seu próprio Anel. “Dos “mortais”, nenhum – nem mesmo Aragorn”. Entre os elfos, nem mesmo Elrond e Galadriel seriam capazes de tal feito, pelo menos não num confronto direto: “Eles
teriam construído um império com generais poderosos e completamente
subservientes e exércitos e máquinas de guerra, até que pudessem
desafiar Sauron e destruí-lo pela força”
.

Entre todas essas possibilidades, quem poderia então tentar realmente
enfrentar Sauron cara a cara? Acertou quem apostou em Gandalf. “Apenas
Gandalf poderia dominá-lo – sendo um emissário dos Poderes e uma
criatura da mesma ordem, um espírito imortal tomando forma visível.
[...] Seria um equilíbrio delicado. De um lado, Sauron e a verdadeira
fidelidade do Anel a ele; do outro força superior, porque Sauron não
estava realmente em posse [do Anel], e talvez também porque ele estava
enfraquecido por longa corrupção e gasto de sua força para dominar
inferiores. Se Gandalf provasse ser o vencedor, o resultado seria para
Sauron idêntico à da destruição do Anel. [...] Mas o Anel e todas as
suas obras durariam. Seria ele o mestre no fim”
.

Tolkien conclui afirmando que nem Mithrandir [como o próprio mago bem sabia] ficaria imune à corrupção do Um Anel. “Gandalf
como Senhor do Anel seria muito pior que Sauron. Ele continuaria
“justo”, mas levando em conta apenas suas próprias idéias. Ele
continuaria a governar e ordenar as coisas para o “bem”, e o benefício
de seus próprios súditos de acordo com sua sabedoria”
.

Númenor, Elendil e viagens no tempo – parte II

O abandono da narrativa de The Lost Road marcou uma virada importante
na obra tolkieniana. Com efeito, em fins de 1937, Tolkien abandonou
pela primeira vez a grande mitologia dos Dias Antigos que vinha
desenvolvendo há mais de 20 anos, e se voltou para a “seqüência de O
Hobbit”, um pedido insistente dos fãs de Bilbo e do editor de Tolkien,
Stanley Unwin. Essa decisão surgiu principalmente da avaliação que os
manuscritos de O Silmarillion receberam da editora de Stanley, a Allen
& Unwin. Embora reconhecessem o interesse e a qualidade de algumas
passagens [na verdade, apenas trechos da história de Beren e Lúthien
chegaram a ser lidos pelos avaliadores da editora], a opinião dos
editores era de que o livro não alcançaria um público grande o
suficiente para compensar seu lançamento comercial.
 
 
 
Tolkien parece não ter se abatido; nesse momento,
considerava sua mitologia um assunto praticamente privado, e não
acreditava que ela chegasse a ser efetivamente publicada. Voltou-se
então com afinco à criação da “seqüência de O Hobbit”. O resultado,
porém, foi que o novo livro tomou um rumo completamente inesperado. Em
vez de simplesmente continuar a história de O Hobbit, a “seqüência” se
transformou na continuação e conclusão das lendas heróicas de O
Silmarillion. É claro que estamos falando de O Senhor dos Anéis.

A história de Númenor e de sua queda, bem como a dos reinos
numenoreanos na Terra-média, começou a ser esboçada em 1937, mas só
alcançou desenvolvimento verdadeiro durante a elaboração de O Senhor
dos Anéis. Como sabemos, o livro foi sendo escrito em meio a muitas
hesitações e interrupções. Uma das maiores talvez tenha acontecido em
fins de 1944, quando quase todo O Retorno do Rei ainda não havia sido
escrito. Durante mais de um ano e meio Tolkien não conseguiu progredir,
ao mesmo tempo em que uma nova narrativa tomava forma. A única
referência do próprio Tolkien a esse texto está numa carta a Stanley
Unwin, de julho de 1946:

“Em uma quinzena de comparativa folga, por volta do Natal passado,
escrevi três partes de um outro livro, utilizando num escopo e
ambientação completamente diferentes aquilo que possuía algum valor em
The Lost Road” [Letters of J.R.R. Tolkien, 105].

Esse “outro livro”, que viria a se chamar The Notion Club Papers [As
palestras do clube Notion], foi publicado no nono livro da série The
History of Middle-earth, chamado Sauron Defeated. The Notion Club
Papers foi talvez a mais ambiciosa tentativa de Tolkien de entrelaçar
sua mitologia com o mundo moderno através de uma “viagem no tempo”, não
física, mas onírica e até “mediúnica” [se é que se pode usar um termo
espírita, um tanto estranho à mentalidade do católico Tolkien].

O cenário da história não podia ser mais familiar para quem conhece a
biografia do Professor: um grupo de acadêmicos de Oxford, que se
reuniam regularmente para discutir literatura e ler suas obras em
desenvolvimento uns para os outros. O fato curioso, porém, é que
Tolkien coloca esse círculo [muito similar aos Inklings, que o próprio
autor freqüentava junto com C.S. Lewis] no futuro. Isso mesmo: a
história se passa em algumas reuniões do clube Notion em 1987, das
quais as misteriosas atas teriam sido descobertas num saco de lixo em
Oxford no ano de 2012.

As discussões do clube Notion são quase sempre a respeito de
“literatura imaginativa”: viagens no tempo e no espaço, mundos
imaginários, a possibilidade do homem chegar a outros planetas. A
maioria dos membros parece concordar [num ponto de vista tipicamente
tolkieniano] que o tempo e o espaço [ao menos o espaço interestelar]
dificilmente serão vencidos por máquinas. A discussão está nesse ponto
quando Michael Ramer, um dos membros do clube e professor de línguas
fino-úgricas [o grupo lingüístico do finlandês] vem como uma sugestão
desconcertante: e se for possível observar outros tempos, e outros
lugares, nos sonhos?

Ramer expõe um “método” que teria desenvolvido para esse fim, e os
membros do clube sentem-se tocados [embora um tanto incrédulos] por
essa estranha possibilidade. As conversas do grupo começam, então, a se
concentrar nas relações entre os sonhos, o “inconsciente” humano e os
mitos e lendas. Ramer tenta demonstrar a força que mitos e sonhos,
especialmente os coletivos, podem ter sobre o mundo real:

“- Não acho que vocês se dêem conta, não acho que nenhum de nós se
dê conta da força, da força demiúrgica que os grandes mitos e lendas
têm. Da profundidade das emoções e percepções que os geraram, e da
multiplica̤̣o delas em muitas mentes Рe cada mente, vejam bem, um
mecanismo de obscuras mas imensuráveis energias. Eles são como um
explosivo: podem gerar lentamente um calor constante para mentes vivas,
mas se detonados de repente, poderiam explodir num estrondo; sim,
poderiam produzir um distúrbio no mundo primário real. [...]

Pensem na força emocional gerada por toda a borda ocidental da Europa
pelos homens que finalmente chegaram ao fim do continente, e olharam
para o Mar Sem-litoral, não-cultivado, não-atravessado, inconquistado!
E, contra esse pano de fundo, que estatura prodigiosa outros eventos
adquiririam! Digamos, a vinda, aparentemente daquele Mar, cavalgando
uma tempestade, de homens estranhos com conhecimento superior,
navegando barcos até então não imaginados. E se eles trouxessem
histórias de uma catástrofe distante: batalhas, cidades incendiadas, ou
da destrui̤̣o de regi̵es em algum tumulto da Terra Рfico pasmo ao
pensar em tais coisas nesses termos, mesmo agora”.

Quando a discussão está mais animada do que nunca, Arundel Lowdham, um
professor de anglo-saxão e islandês [isso lembra alguém pra vocês?] faz
finalmente o mundo antigo irromper entre o clube Notion:

“De repente Lowdham falou numa voz mudada, clara e terrível, palavras
numa língua desconhecida; e então, virando-se furiosamente na nossa
direção, ele gritou: ” Eis as águias dos Senhores do Oeste! Elas estão
vindo sobre Númenor!”

Ficamos todos assustados. Vários de nós foram até a janela e ficaram em
pé atrás de Lowdham, olhando para fora. Uma grande nuvem, vindo devagar
do Oeste, estava devorando as estrelas. Conforme se aproximava ela
abria duas vastas asas negras, espalhando-se para o norte e para o sul”.

A partir daí, os eventos se sucedem de maneira vertiginosa na
narrativa. Lowdham revela que, em sonhos [assim como o personagem
Alboin Errol de The Lost Road] ele ouvia estranhos fragmentos de duas
línguas desconhecidas: o avalloniano [quenya] e o adûnaico – isso
mesmo, o idioma dos homens de Ponente! Mais que isso: Lowdham revela
dois textos, um em avalloniano e outro em adûnaico, que relatam a queda
de Númenor [Anadûnê em adûnaico], graças à influência malévola de Zigûr
[Sauron].

Durante um dos encontros do clube, enquanto uma terrível tempestade
vinda do Atlântico se abate sobre a Inglaterra, Lowdham e Jeremy, outro
membro do grupo, têm uma experiência quase mediúnica: os dois falam
entre si como Nimruzîr [Elendil] e Abrazan [Voronwë], e como que
vivenciam mais uma vez a destruição de Númenor. Diante de seus atônitos
colegas, os dois saem no meio da tempestade – a mais devastadora já
registrada na Gṛ-Bretanha Рe partem em busca de respostas sobre
Númenor.

A narrativa foi abandonada no momento em que Lowdham e Jeremy voltam de
suas buscas e começam a relatar ao clube Notion o que descobriram.
Christopher Tolkien, na análise que faz do livro, acredita que a
concepção dele se tornara complicada demais para ser completada. Um
último fato dos mais interessantes: Christopher diz que seu pai errou
na previsão da Grande Tempestade por apenas quatro meses. No livro, ela
acontece em 12 de junho de 1987; de acordo com Christopher, a maior
tempestade já registrada na Inglaterra caiu sobre o país em 16 de
outubro do mesmo ano. Nem os Senhores do Oeste seriam capazes de
explicar essa…

Um vislumbre de Arda Curada

Creio que uma pergunta que sempre passa pela cabeça de todos os fãs de
Tolkien é como a sua profunda fé cristã [evidenciada incontáveis vezes
em suas cartas e em sua biografia] se relacionava com o universo
ficcional por ele criado. Uma das mais belas amostras dessa conexão
entre fé e obra literária pode ser encontrada no Athrabeth Finrod ah
Andreth [O Debate de Finrod e Andreth], texto publicado no décimo livro
da série The History of Middle-earth, Morgoth"s Ring.
 
 
 
O Athrabeth, estruturado de forma muito semelhante
[inclusive na temática] aos diálogos platônicos, é o registro de uma
conversa entre o rei de Nargothrond, Finrod Felagund, e Andreth, uma
mulher sábia da casa de Bëor, pouco antes do fim do Cerco de Angband. O
mais sábio dos Noldor exilados e a filósofa humana procuram entender os
destinos de Elfos e Homens em Arda, e principalmente os motivos da
mortalidade humana, e as razões para a existência do Mal.

A discussão travada entre os dois, na qual as feridas geradas pelas
diferenças entre Homens e Elfos surgem com amargura, é complexa demais
para ser tratada de uma só vez. Mas Finrod, depois de ouvir Andreth
dizer que os Sábios entre os Homens acreditavam que estes não eram
mortais por natureza, mas graças à sombra de Morgoth, descobre também a
existência entre os Edain da "Antiga Esperança": a de que Eru iria em
pessoa curar os males de Arda.

"Os da Antiga Esperança dizem que o próprio Único entrará em Arda e irá
curar os Homens e toda a Desfiguração, desde o princípio até o Fim. E
isso eles também dizem, ou fingem acreditar, que é um rumor vindo até
nós de anos incontáveis, até mesmo da época em que fomos feridos".

Mas a própria Andreth parece não acreditar na Velha Esperança, pois crê
que seria impossível que Eru, o Idealizador de Arda, entrasse em sua
Obra e não a destruísse com seu poder. Finrod, contudo, afirma que nada
seria impossível para o Único, e se sente tomado de alegria pela
esperança que as palavras de Andreth lhe haviam dado. A resposta de
Finrod merece ser reproduzida na íntegra:

"Para falar com humildade, Andreth, não consigo imaginar de que
outra maneira tal cura poderia ser realizada, já que certamente Eru não
permitiria que Melkor dirigisse o mundo para sua própria vontade e
triunfasse no fim. Contudo, não há poder concebivelmente maior que
Melkor, salvo apenas Eru. Portanto Eru, se não desejar abandonar sua
obra para Melkor, que do contrário a dominaria, deve entrar nela para
derrotá-lo".

Mais do que isso: Finrod crê que é através dos Homens, e por eles, para
livrá-los da Sombra de Melkor, que Eru entraria em sua obra. E, dessa
forma, ele viria também encarnado em forma humana, como Tolkien explica
no comentário que faz ao Athrabeth. No coração de Tolkien, a esperança
de uma Arda Curada é a mesma que ele tinha, como cristão, na encarnação
de Deus em Jesus.

Tudo sobre J. R. R. Tolkien, o Senhor dos Anéis e O Hobbit