A Floresta de Fangorn / Barbárvore Imprimir E-mail
por Artigos Valinor   
25 de junho de 2005
"Veja todas aquelas barbas e suíças de líquen, chorosas e rastejantes! E a maioria das árvores parece estar meio coberta de folhas secas e despedaçadas que jamais caíram. Desmazeladas. Não consigo imaginar como seria a primavera aqui, se é que ela atinge este lugar."
 
 
A equipe de Richard Taylor (da WETA Workshop) precisou criar a Floresta de Fangorn que vemos no filme, uma vez que o diretor Peter Jackson decidiu que nenhuma floresta real seria capaz de reunir todos os elementos descritos por Tolkien em seus livros. Para conseguir o efeito desejado, foi o Departamento de Miniaturas da WETA quem ficou encarregado criação de Fangorn.

Para que a floresta tivesse as árvores retorcidas e exóticas que Jackson queria, a equipe utilizou troncos de tojo. Essa planta foi originalmente importada para a Nova Zelândia pelos escoceses para ser usada como cerca-viva. Mas infelizmente, se espalhou e criou florestas impenetráveis, se transformando em uma verdadeira praga. Por isso, não é difícil entender a alegria dos fazendeiros que venderam os tojos para a produção, já que ao mesmo tempo se livraram das plantas indesejadas e ainda foram pagos. :) Para compor a copa das árvores foi utilizada uma outra planta nativa, com folhas bem menores, já que tudo estava sendo construído em pequena escala.

Uma vez que as árvores estavam prontas, era hora de construir a floresta. A equipe de Taylor fez isso colocando as árvores sobre plataformas móveis que permitiam que posicionassem as árvores como quisessem. Eles então prepararam o chão da floresta usando grama de verdade. Por último, espalharam pela floresta um tipo de palha obtido de forma no mínimo curiosa: eles desfiaram sacos de chá comprados de fornecedores chineses e indianos!
 
Barbárvore "Descobriram-se olhando para um rosto extraordinário. Pertencia a uma figura semelhante a um homem, quase semelhante a um troll, de pelo menos quatro metros e meio de altura, muito robusta, com uma cabeça alta e quase sem pescoço. Se estava coberta por alguma coisa semelhante a uma casca de árvore verde e cinzenta, ou se aquilo era couro, era difícil dizer. De qualquer forma, os braços, numa pequena distância do tronco, não eram enrugados, mas cobertos de uma pele lisa e castanha. Cada um dos pés tinha sete dedos. A parte inferior do rosto comprido estava coberta por uma vasta barba cinza, cerrada, quase dura como galhos na raiz, fina feito musgo nas pontas. Mas naquela hora os hobbits notaram pouca coisa além dos olhos. Uns olhos profundos, lentos e solenes, mas muito penetrantes. Eram castanhos, carregados de uma luz esverdeada. Tempos depois, freq?entemente Merry tentou descrever a primeira impressão que teve deles." O maior desafio da WETA para dar vida aos Ents foi criar personagens que mantivessem características próprias de árvores e, ao mesmo tempo, pudessem ter movimentos e interagir com os atores de verdade.

Barbárvore, o mais velho dos ents foi criado por Daniel Falconer (da WETA Digital), Grant Major e Alan Lee. " Eu acredito que Barbárvore se tornará um belo e sensível personagem nas telas. Uma criatura muito diferente de tudo o que já vimos no cinema. Ele é um personagem com uma história imensa e rico em sabedoria." Explica Richard Taylor.

A WETA Workshop construiu maquetes de Barbárvore até que Peter Jackson ficasse satisfeito com o desing. O próximo passo foi construir um modelo animado de Barbárvore com 15 pés de altura para interagir com Merry e Pippin no set. Usando esse modelo como base, foi criada uma versão em computação gráfica para dar vida aos movimentos, principalmente os da face. Uma das maiores dificuldades foi juntar o modelo real e a versão digital de forma que não fosse possível perceber qual é qual.

"É uma língua adorável, mas leva muito tempo para se dizer qualquer coisa nela, porque não dizemos nada nela a não ser que valha a pena gastar um longo tempo para dizer, e para escutar."

Quem emprestou a voz para Barbárvore foi o ator John Rhys Davies, que interpreta Gimli nos filmes. Rhys-Davies explica: "Se você fizer seu trabalho direito, quando as pessoas lerem o livro elas vão ouvir sua voz. Vão ver o seu Gimli e ouvir o seu Barbárvore. E se você não fizer direito, eles ainda vão imaginar suas próprias vozes."

Foram necessárias duas semanas, com sessões de três horas, para concluir o processo. Depois de experimentarem várias misturas de sons Jackson decidiu que queria que a voz de Barbárvore fosse a própria voz de Rhys-Davies, mas usando técnicas diferentes em cada parte da fala dos Ents. Para fazer os sons dos ents conversando entre si foram usados barulhos que lembram o canto das baleias.

"A sensação era como se houvesse um poço enorme atrás deles, cheio de eras de memória e de um pensamento constante, longo, lento; mas a superfície faiscava com o presente: como o sol tremeluzindo nas folhas externas de uma imensa árvore, ou nas ondas de um lago muito fundo. Não sei, mas parecia que alguma coisa que crescia na terra - adormecida, pode-se dizer, ou apenas percebendo-se a si mesma como algo entre a extremidade de uma raiz e a ponta de uma folha, entre a terra funda e o céu - despertara de repente, e estava observando você com o mesmo cuidado lento que tinha dedicado às suas próprias preocupações por anos intermináveis."

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