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Maquete de Amon Sûl na Segunda Era

“Mas muito antes, nos dias do Reinado do Norte, construíram uma grande torre de observação no Topo do Vento, que chamavam de Amon Sûl. Ela foi queimada e destruída, e nada mais resta agora, a não ser um círculo em ruínas, como uma coroa grosseira sobre a cabeça da velha colina. Apesar disso, já foi alta e bonita. Conta-se que Elendil ficava ali olhando, à espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da Última Aliança”.  (Aragorn, uma faca no escuro, SdA – A Sociedade do Anel)
 

 Desde que li o trecho acima, e desde que vi as ruínas de Amon Sûl no filme A Sociedade do Anel, tentei imaginar como teria sido a grande torre de observação construída nos tempos de Elendil. Havia algum tempo eu desejava voltar a construir algo que tivesse relação com SdA. Decidi pelo que era possível no momento e que fosse curioso e interessante para mim mesmo. Optei por Amon Sûl. Como nunca vi imagens dela como uma torre por inteiro, apenas as ruínas, tudo que fiz foi fruto de minha imaginação e habilidade que se aprimora a cada trabalho. Está pronta! Espero que apreciem e que seja curioso e interessante para vocês também.

    

                                   
      
Materiais usados:
  • Cola branca
  • Peças modeladas de madeira (além de palitos de dentes e fósforos)
  • Massa F12 para restaurar madeira
  • Tinta preta para tingir massa
  • Pincel 
A torre está sobre 3 pedras (uma delas consegui na estrada de ferro Pindamonhangaba – Campos do Jordão-SP). A passagem que leva até a torre fiz com uma dessas pedras e com Durepox, uma massa acrílica. A relva verde é toda de musgo e as árvores são raízes. A torre mede 16 cm de altura e da base da pedra até o topo da torre, 25 cm. Ela está num quadro de madeira de 24×19 cm.
 

Tolkien inspira Paul Downey em desenho das tendências da WEB

Paul Downey fez um trabalho absolutamente fantástico ao elaborar um poster que representa uma série de serviços e tendências da atual WEB. Para o trabalho, houve alguma inspiração na Terra média de J. R. R. Tolkien, não deixando de ser interessante os players que foram representados em Mordor.

Paul é um membro do Osmosoft [http://osmosoft.com], uma equipe da Open Source inovadores em BT, onde ele atua como um defensor da Arquitetura da Web, bem como contribuir para o TiddlyWiki projecto. Previously, Paul was BT’s Chief Web Services Architect, Chaired the W3C XML Schema Patterns for Databinding Working Group as well as representing BT at various organisations including OASIS and the WS-I. He has also garnered minor notoriety as the artist behind “The Web is Agreement” [http://thewebisagreement.com], a series of über-doodles. Anteriormente, foi Paul BT’s Chief Architect Web Services, presidido padrões do W3C XML Schema para Databinding Grupo de Trabalho, bem como representando BT em diversas organizações, incluindo o OASIS e WS-I. Ele também tem garnered menor notoriedade como o artista por trás “A Web é Acordo “[http://thewebisagreement.com], uma série de über-Rabiscos.

 Paul Downey

Confira aqui a imagem em tamanho real.

Fonte: http://blog.uncovering.org/

Maerton – Capí­tulo 5 – Beleriand

Certo dia, Sereg avançou até as Ered Luin. Ele sentia uma vontade imensa e descontrolada de ver Beleriand. Quando estava caminhando, encontrou um exótico grupo de homens, e no meio deles um elfo tocava e cantava uma linda canção. Era Finrod, do reino de Nargothrond. O líder dos homens era Bëor. Ao ver aquilo, Sereg os seguiu, por uma trilha nas Ered Luin, até Ossiriand, onde ele andou até Doriath, e se deteve no cinturão de Melian, onde guardas o levaram até Menegroth, e ele foi apresentado a Thingol. Ali eles o levaram para o calabouço, e só então Sereg entendeu: ele era um prisioneiro. Então, reunindo todo o seu poder, se transformou em um Balrog, e matou 63 soldados, até que Melian, a Maia, o enfrentou e desmaiou-o. Então, ele tomou sua forma normal, foi muito bem preso, em uma mesa feita pelos anões. Ali ele ficou por muitos anos.

 
No leste, todos da tribo Maerton, receberam nomes (até então eles não o tinham), e o herdeiro de Lómin, seu filho, foi chamado Dar-Lómin, e o filho deste, Dir-Lómin. Esta virou uma tradição dos herdeiros de Lómin. Os elfos, porém, sentiram inveja da força, agilidade, beleza e velocidade dos Maerton, e os expulsaram para Beleriand, onde passaram um ano. Eles eram lá vistos como alguns simples Moriquendi, e foram morar na terra, mais tarde nomeada Dor-Lómin, por um longo ano.

Quando já estavam a duas semanas ali, Dar-Lómin foi com seu general,Figôniel, caçar, para além das Ered Luin, e Dir-Lómin ficou como regente, em seu lugar. Nesta época, o regente nomeou aquela terra onde viviam: Dor-Lómin. Isso foi uma homenagem dupla: homenageou Lómin, pois Dor-Lómin significa terra de Lómin; e homenageou seu filho de doze anos de idade, Dor-Lómin. Quatro meses depois, um cavaleiro caindo aos pedaços se aproximou de Dor-Lómin.

 
(Capítulos Um, Dois, Três e Quatro desta fanfic) 

O Espelho de Mandos – Capí­tulo 3 – Proposta

O céu chorou todo o dia seguinte, mas durante a noite a chuva se foi,
contrariando a previsão do Sr. Nodewich de que choveria por cerca de
uma semana ou mais. Para mim isso foi uma bênção, pois eu pude
finalmente sair de casa para mostrar Lanval a toda Ugür. O elfo
continuava hospedado lá, pois ainda queria falar com minha mãe, mas
Urwen fizera um voto de silêncio e trancara-se no quarto, ficando lá
sozinha durante a maior parte do dia. Segundo os costumes de Ugür
aquilo deveria durar mais cinco dias, mas Lanval não se importou por
esperar. Na verdade parecia bastante contente enquanto todos os aldeães
se encantavam todas as noites com sua prosa, pois lhe era pedido que
contasse histórias dos elfos e dos homens, e dos Valar e de seus
inimigos e suas guerras, e Lanval fazia-o com música e discurso. A
maioria de nós se admirava com o conhecimento do elfo, e invejava sua
capacidade de viver mais que o suficiente para conhecer o mundo inteiro
e sua História. À exceção de minha mãe e Hardur, que também não saía de
casa desde o incidente na floresta, todo o vilarejo se reunia no
Mochileiro, a taverna do Sr. Pilgrim, para ouvir Lanval falar. E
durante o dia, o elfo tentava ajudar os moradores com suas tarefas
cotidianas, muito interessado em aprender tudo que pudesse sobre nossos
hábitos e costumes.

 

 
Eu também me fascinava com a beleza e o carisma daquele ser, mas estava mais interessado pelas histórias que ele sabia sobre meu pai e meu irmão, e mais ainda pelo momento da morte do primeiro e do desaparecimento do segundo. Mas sobre esse assunto específico Lanval demonstrava muita reserva, e eu encarava isso como efeito da dor de uma lembrança tão ruim. Ainda assim eu me achava no direito de saber os detalhes, pois eu já começava a me achar com a obrigação de encontrar Arameth, estivesse onde ele estivesse.

- Ele caiu das montanhas – disse ele, após uma longa hesitação. Era tarde da noite e voltávamos para casa após mais uma sessão de histórias no Mochileiro. Eu insistira em saber sobre como terminara a última missão nas encostas das Ered Gorgoroth, e agora Lanval, muito contrariado, me falava sobre meu irmão.

- E daí? Vocês não desceram pra procurar o corpo? – perguntei.

- Descemos.

- E não encontraram?

- Dungortheb é um lugar horrível, Adam. Ninguém sai vivo de lá – Lanval parecia cansado, e falava olhando para o céu.

- O que há lá? – perguntei, e ele me deu um olhar triste enquanto andava.

- Males terríveis, Adam. E você é só uma criança, não devo falar sobre isso com você.

- Que males? – insisti. – Lanval, Arameth é meu irmão! Eu tenho que saber quais são as chances de ele estar vivo, para o caso de querer tentar resgatá-lo algum dia.

Eu falei com tanta precisão que agora o olhar do elfo exprimia perplexidade e indecisão. Hoje imagino que ele deve ter reconhecido algo de adulto dentro de mim, ou alguma semelhança com o jeito do meu pai. E então ele disse. Contou-me uma história sobre Ungoliant, uma criatura que se aliara a Melkor para roubar as Silmarils e o poder das Árvores que iluminavam o continente dos Valar. Mas uma vez que chegaram à Terra-média, Ungoliant tentou tomar o tesouro que Morgoth tinha consigo, falhando em seu intento, pois os servos de fogo do Senhor do Escuro ouviram seu chamado e chegaram para ajudá-lo, expulsando Ungoliant para a região entre as montanhas e a floresta de Neldoreth. Ali o terrível monstro morava desde então, procriando e espalhando medo e dor e morte a quem quer que pisasse em seu território.

- Então Arameth provavelmente está morto no interior da barriga de alguma aranha? – perguntei, sentindo uma profunda tristeza.

- Lamento muitíssimo, Galdweth.

Continuamos andando em silêncio. Apenas as luzes da lua e das estrelas guiavam nossos passos, mas Lanval andava como se fosse dia. Eu estava frustrado, pois contara com a possibilidade de um dia resgatar o meu irmão. Comecei a pensar em minha mãe, sua tristeza e solidão, e percebi que agora ela só teria a mim, e eu precisaria ser forte para protegê-la. Já fazia cinco dias que Lanval chegara com a notícia, e mamãe ainda estava acamada.

- Não estará ela doente?

- Urwen?! Não – respondeu ele, o tom da voz voltando à naturalidade e deixando de lado a morbidez. – Todas as mulheres passam por isso quando perdem alguém que amam, Adam, até mesmo as elfas.

- Como são as elfas? – perguntei, desinteressado.

Lanval falou então sobre as mulheres do seu povo, principalmente Gilraen, sua noiva, cujos cabelos eram como rios de ouro e cujo riso era como a melodia dos Ainur. À medida que falava, encantava-me novamente com suas palavras, e eu sentia-me novamente confortado. Perguntei-me se havia no mundo criatura mais fascinante que os elfos.

Mas quando fui pra cama aquela noite, as aranhas do inferno voltaram para assombrar meu quarto e não me deixar dormir. Elas teciam suas veias de veneno pelo teto e tinham patas e presas manchadas de sangue. O sangue de meu irmão.

E enfim eu chorei.

-

No dia seguinte minha mãe mandou chamar Lanval. Eu estava novamente contente, pois o dia estava bonito e minha mãe voltara a falar. O elfo levantara e cedo e dirigira-se ao campo, onde tentava ajudar os aldeães a lavrar a terra.

- Adaman! Bom dia – fez ele, ao me ver chegando.

- Boas novas, Lanval – eu disse, um pouco cansado após subir o morro correndo, mas não pude deixar de reparar no suor que escorria de sob o lenço que envolvia a cabeça do elfo, para protegê-la do sol de quase meio-dia. – Minha mãe te chama.

- Ah! Finalmente. Espere um pouco que nós já desceremos – disse ele, e andou até o pequeno depósito de ferramentas que ficava próximo à plantação. Lá chegando, deixou sua enxada pendurada com as outras numa viga no teto, e sentou-se num banco que na verdade era um toco de árvore.

- O que está fazendo? – perguntei.

- Descansando, oras – respondeu ele, abrindo o cantil e servindo-se de água.

- Descansando?! Mas ainda nem é hora do almoço, Lanval.

- E daí? Elfos também cansam, moço.

- Aposto que nenhum deles já está cansado – apontei para os lavradores, que batiam a terra à nossa frente.

- Mas eles já estão acostumados com o serviço – ele me olhou e riu, e passou o lenço na testa para enxugar o suor. – Tudo bem, confesso que vocês, homens, têm mais força e resistência do que nós. Ou pelo menos mais que eu. Mas que calorão!

- Lá em Himring é muito frio?

- Neva quase o ano todo! Dizem que elfos não sentem frio, mas tem dias que até mesmo nós precisamos nos agasalhar.

- Eu gostaria de ir a Himring.

- Você irá – disse ele, e eu o olhei, incrédulo. – Você e sua mãe. Eu vou levá-los lá.

Encarei-o, boquiaberto.

- Você quer dizer, agora? – perguntei, cheio de entusiasmo. – Foi pra isso que você ficou, Lanval? Era isso que você queria dizer à minha mãe?

- Sim, mas é claro que ela precisa aceitar. Acho que já podemos ir, vamos andando.

- Mas quando é que vamos pra lá?

- Quando sua mãe achar que devemos.

Descemos a colina e dirigimos-nos à minha casa, onde minha mãe nos aguardava. Lanval não respondia mais às minhas perguntas, só ria e fazia comentários misteriosos. Minha empolgação era indescritível. Conhecer Himring e suas montanhas, os elfos, suas moradias, suas artes, seus costumes!

- Olá, Lanval – fez minha mãe quando chegamos, a mesa posta onde a refeição principal era peixe, já que o elfo não comia carne. Ela fez um gesto para que sentássemos. – Desculpe minha falta de cortesia para com você todo esse tempo.

- Não se preocupe, senhora, eu a compreendo – respondeu ele, com seu sotaque difícil.

- Agora eu gostaria de saber o que você ainda deseja comigo.

Eu observava a conversa com tanta ansiedade que esquecera de me servir. Lanval pegou uma migalha de peixe e um pouco de caldo, além de algumas verduras e água. Ele jamais comia mais do que isso, e mesmo essa pequena refeição era suficiente para mantê-lo cheio até o dia seguinte.

- Senhora, meu senhor Maedhros enviou-me para informar o que eu já informei, para apresentar nossos pêsames, e mais duas coisas. Entregar-lhe uma recompensa em ouro por todos os serviços prestados pela vossa família e fazer um convite: venha morar conosco em Himring.

Mamãe olhou-o séria, e pediu-lhe um tempo para analisar a proposta. Fiquei com medo que ela recusasse, mas depois que ela viu o prêmio que Lanval trouxera, sua resposta foi quase imediata.

- De fato, eu gostaria de visitar os elfos, e se é lá que está o corpo de meu marido, é lá que devo ficar.

O Espelho de Mandos – Capí­tulo 2 – Lanval

No início havia Eru, o Único, e ele criou Arda e os Ainur. Destes, quinze desceram ao mundo, dentre eles o Senhor do Escuro, Morgoth, contra quem lutavam todas as criaturas de Ilúvatar. Diz-se que os Valar, aqueles Ainur que deram forma à essência de Arda em tempos imemoriais, habitam terras magníficas no Oeste distante, onde o mundo tem fim. Mas sabemos que eles ainda vagam pela Terra-média, às vezes sem suas roupagens corpóreas, apenas em suas formas espirituais, a fim de interceder por homens e elfos contra os males do Norte. E sabemos que, dentre eles, Ulmo, o Senhor das Águas, tem um carinho especial pelos homens, principalmente os habitantes de Estolad, abençoando a água que dá vida a nossos campos.

 
Gratos a ele, nossos avós erigiram em sua homenagem a capela que dera origem a todo o povoado de Ugür. E ainda nos meus tempos de infância, os habitantes da aldeia e suas redondezas se reuniam todo mês na capela para festejar por Ulmo, nosso querido padroeiro. Os adultos costumavam preparar grandes refeições com frutas, carne de javali, bolos e cerveja, e as crianças costumavámos usar nossas melhores roupas.

- Eu o vi voltando para casa à noite – comentou, empolgado, Silas, filho do prefeito de Ugür. Era Dia de Ulmo, e Silas sempre se unia ao nosso grupo em eventos assim, embora durante quase todo o restante do mês não lhe fosse permitido ficar com a gente. Ele tinha professores e era obrigado a estudar o dia todo, e quase não lhe sobrava tempo para brincar. Apesar de ter roupas e brinquedos melhores que os nossos, sentíamos pena da vida que ele levava. – Ele tropeçava no escuro como um rato manco, achando que não estava sendo visto sob a lua cheia.

- Vocês deixaram-no nu, seus irresponsáveis! – disse Elanor, tentando parecer séria, mas também incapaz de conter o riso. Elanor era alguns meses mais velha que eu, tinha cabelos negros curtos e cacheados, além de pequenas covinhas nos cantos da boca. Sua pele, de tão branca, era quase rosa, e a maioria de nós éramos encantados com ela, mas sabíamos que seus pais em breve arranjariam um pretendente de berço nobre para ela, coisa que ninguém em Ugür era. – Já imaginaram o que os pais dele podem fazer ao descobrirem quem fez isso com ele?

- Nós já assumimos o risco – fez Camus, cujo olho inchara e agora estava quase do tamanho de uma pêra. – Nada pode ser pior do que o que eu passei ontem quando voltei pra casa. Vou ficar uns bons dias sem poder cavalgar.

Todos rimos de seu comentário. Estávamos reunidos no estábulo do Sr. Pilgrim, o dono da hospedaria de Ugür, que ficava ao lado da capela, onde nossos pais preparavam o banquete que serviria de almoço para todos nós. Fazia mais um belo e quente dia de verão, embora o Sr. Nodewich, nosso vidente do tempo, tivesse previsto o início da temporada de chuvas para aquela noite.

- O mesmo digo eu – disse eu, em meio aos risos. – Mas é melhor que ficar uns bons dias sem poder sair de casa sem ser alvo de risada de toda a aldeia.

- Vocês tinham que ver o medo do primo dele – tornou Camus, apontando para o pequeno grupo de Bête, que estava reunido nos degraus de entrada da capela, todos cochichando entre si sérios, olhando de longe para nós –, principalmente enquanto eu corria atrás dele.

- Você foi muito corajoso, Camus – agora foi a vez de Mardoc, cujas roupas pareciam apertadas demais em seu corpo gordo -, mas Adam foi mais. Conte-nos como você enfrentou o Stripa sozinho, Adam.

Todos os olhos se voltaram para mim, e eu me senti meio desconfortável.
- Eu não o enfrentei, muito menos sozinho, lamento decepcioná-los – olhei para os lados antes de continuar, certificando-me de que não havia ninguém de fora que pudesse me ouvir. Além de nós, só havia no estábulo os cavalos e um sujeito que dormia encostado na outra parede, a metros de distância, com um chapéu sobre o rosto. – Havia um homem na floresta, um sujeito de armadura preta, que me ajudou – sussurrei.

- Um sujeito de armadura?! – repetiu Silas, impressionado.

- Fale baixo, Silas – sussurrou Elanor.

- Silas, se os adultos descobrirem que andamos perambulando pela floresta e que há uma pessoa estranha lá, jamais voltarão a nos deixar sair de casa – adverti, sério.

- Eu sei, eu sei – respondeu ele -, desculpem.

- Será que era Eöl? – perguntou Mardoc, traduzindo o pensamento de todos ali.

- Eu perguntei seu nome – respondi -, mas ele só riu, me ajudou a levantar e em seguida partiu.

- Então não deve ser ele – disse Mardoc, que era o que mais se interessava por histórias sobre o estranho ser que habitava o coração de Nan Elmoth. – Se fosse ele, teria te amarrado e carregado para seu cativeiro.

- Mas dizem que de fato ele possui uma armadura negra – fez Esdras, que costumava falar pouco.

- Não parecia galvorn – disse eu, que conhecia o metal por causa de uma cota que meu pai possuía -, parecia algo mais pesado. Na verdade, cada peça parecia pesar uma tonelada.

- Crianças – tivemos um sobressalto ao ouvir uma voz, mas ao olharmos em sua direção vimos Nenar, a irmã mais velha de Mardoc, que nos acenava da porteira. – Os adultos vos chamam, é hora da bóia!

Camus e Silas urraram de alegria e correram à frente, loucos para serem os primeiros a atacar a mesa com o vasto banquete. Nenar virou-se em seguida e acompanhou-os, enquanto o restante do grupo andava um pouco atrás.

- Será que ela nos ouviu? – perguntou Elanor, preocupada.

- Aposto que não – respondeu Mardoc. – Se ela tivesse ouvido, já teria deixado isso bem claro, tentando nos chantagear para que não a deixemos contar aos nossos pais. Eu a conheço.

Dirigimos-nos, então, alegres à capela, para comer e cantar e orar ao Senhor das Águas.

Mas minha alegria iria durar pouco.

-

A noite daquele mesmo dia se aproximava, e com ela as primeiras nuvens de chuva vindas do leste.O vento já uivava alto, e os trovões chegavam a nós como rugidos de feras distantes. À luz das lamparinas, eu e minha mãe costurávamos, eu um pequeno ferimento na orelha de Borges, meu cachorro de estimação, e minha mãe as roupas rasgadas do meu pai e do meu irmão. Meu pai chamava-se Arameth, era um guerreiro que prestava serviços aos elfos no norte e voltava para casa uma vez por ano. Lembro-me que ele tinha cabelos compridos e ruivos, mas agora não mais me recordo de seu rosto, talvez porque em sua imagem mais nítida que há na minha mente, ele usa um elmo cobrindo-o todo, à exceção dos olhos azuis. Mas imagino que sua face tenha sido marcada por diversas cicatrizes, como é a maior parte dos guerreiros que passam a maior parte de suas vidas treinando e lutando.

Arameth era também o nome do meu irmão, que no último verão fizera dezessete anos e partira para o norte com meu pai, juntando-se ao exército de Maedhros, um dos príncipes élficos que enfrentavam todas as criaturas que desciam da nefasta fortaleza no extremo norte, uma montanha gigantesca chamada Angband. Enquanto eu parecia mais com minha mãe, herdando sua pele e seus cabelos negros, Arameth era mais parecido com meu pai. Lembro-me dele como sendo extremamente alto, mais até que meu pai, e sendo muito belo de rosto. Toda a população de Ugür (à exceção das famílias dos demais guerreiros, que eram poucos e não tinham qualquer contato com os elfos, mas serviam Haldad no leste) admirava meu pai e meu irmão por passarem seus dias com seres de raça tão elevada como os eldar. Além disso, era sabido que meu irmão era excepcionalmente hábil com a espada e poderia se tornar um grande herói a ser clamado por gerações e gerações, pois com apenas quinze anos ganhara vários torneios de habilidades marciais em Balan. Eu mesmo invejava sua capacidade, e sonhava em um dia me tornar alguém como ele, ou mesmo como meu pai, que era um homem dedicado e, segundo o que me contaram depois, com uma inteligência na guerra fora do comum.

Era novamente verão e com as chuvas se aproximava o tempo em que eles deveriam voltar, pois já estavam a quase um ano longe do lar. Como a chuva nos obrigava a ficar em casa, nessa época do ano minha mãe costumava se dedicar muito à preparação da casa para a volta de seu marido. Lustrava as armas e armaduras que serviriam a ele durante sua próxima ausência, engraxava suas botas, consertava suas roupas velhas e comprava novas, limpava toda a casa, deixando-a impecável, e agora eu sabia que durante os próximos dias ela ia se ocupar muito com isso, passando a maior parte de seu serviço caseiro para mim.

Mas eu estava enganado.

Ouvimos duas batidas na porta e nos entreolhamos. Estava escurecendo e não era comum os habitantes de Ugür fazerem visitas à noite, ainda mais uma que prometia um belo temporal. Mamãe fez um gesto mandando-me atender quem quer que fosse, e eu me levantei, incapaz de imaginar quem era. Não poderia ser meu pai, pois ele sempre batia três vezes quando chegava, e ele nunca chegava de noite.

Abri uma brecha e olhei um rapaz magro, segurando um cavalo pelo cabresto, com roupas surradas de viagem e um cabelo sujo que esvoaçava com o vento.

- Boa noite, a Sra. Urwen se encontra? – disse ele, com o sotaque mais estranho que eu já ouvira em toda minha vida. Urwen era o nome de minha mãe.

- Quem é? – perguntei, desconfiado.

- Meu nome é Lanval – ele fez uma leve mesura -, e sou um amigo de Arameth.

Olhei para mamãe, que ouvira a breve conversa. Em resposta, ela me olhou de volta com uma sobrancelha levantada, mas se levantou e andou em direção à porta.

- Posso ajudar? – fez ela, abrindo mais a porta para poder ver o homem.

- Sinto muito incomodá-los, senhora, mas eu gostaria de conversar. Venho em nome de seu marido – ele fez novamente a mesura, o que era um gesto considerado demasiadamente educado em Ugür.

- Eu não te conheço – respondeu minha mãe, que era pouco dada a acreditar em estranhos. – O que você quer dizer? Está tudo bem por lá, não está?

- Sinto muito, senhora, mas não – Lanval pareceu meio sem jeito para continuar. – sinto informá-la que seu marido faleceu há três dias, no dia quinze de maio no calendário dos noldor.

Minha mãe empalideceu na hora, e eu senti algo apertar minha garganta.

- Desculpe, eu não compreendi – disse ela, quase incapaz de respirar.

- Seu marido, o Sr. Arameth, faleceu em batalha há três dias, e seu filho desapareceu nos vales das Ered Gorgoroth.

Precisei de rapidez e força para segurar minha mãe, que caíra para trás e quase perdera a consciência.

- Mamãe, mamãe? – tentei reanimá-la, mas ela estava mole e pesada como uma grande carpa que eu pescara outro dia. Lanval tentava ajudar, mas ao se abaixar para tocá-la ela se ergueu num pulo, se apoiando na porta para não cair novamente.

- Senhora, está tudo bem? Sinto muito pelo que houve, mas eu tive ordens de trazer-lhe a notícia.

Minha mãe tentava se recompor, articulando as palavras devagar:

- Garoto, espero que isso não seja uma brincadeira de mau gosto. Você pode provar o que diz?

- Este é o cavalo de Arameth – respondeu ele rapidamente, e olhamos a montaria que ele trazia pelo cabresto. De fato era Aracar, o alazão de meu pai, e ao olhar para ele veio-me uma dor súbita no coração e uma imensa vontade de chorar. Minha mãe também reconheceu o animal, e com os olhos cheios de lágrimas e uma exclamação agoniada correu para dentro de casa, deixando-me sozinho com o rapaz. Um trovão mais próximo ressoou e as primeiras gotas começaram a cair do céu, como se o mundo começasse a chorar a morte de meu pai. Mas eu seria mais forte e não faria o mesmo.

- Você pode entrar, se quiser – disse eu, enquanto o homem me encarava em silêncio -, enquanto eu guardo Aracar.

- Eu vou com você – respondeu ele. – Mas depois eu gostaria de entrar, sim. Apesar de sua mãe provavelmente me odiar.

Não respondi, pois sabia que se respondesse algo naquele momento, o choro iria chegar. Apenas peguei o cabresto de sua mão e guiei Aracar para a parte de trás da casa, onde havia um pequeno celeiro onde o cavalo ficava em dias de chuva. Nesse momento começou a chover mais forte, e as gotas estavam frias, por isso me apressei para abrir a porta da pequena e alta construção.

Entramos, e eu guiei Aracar até o pequeno monte de feno que sobrara do ano anterior e que estava com um aspecto desagradavelmente ruim. O capim mais novo estava reunido no armazém maior do Sr. Elfrar, um mercador amigo dos meus pais, e não seria possível ir até lá para recolhê-lo. Aracar deveria contentar-se com o que havia, pelo menos até o próximo dia.

A água caía do céu como uma torrente, e ao bater no telhado de madeira do celeiro produzia um som monótono e alto. Lanval olhava para mim sem ter o que dizer, sabendo da minha dor. Eu parei para acariciar o pêlo de Aracar, enquanto ainda tentava digerir a morte de meu pai, forçando-me a segurar as lágrimas, quando de repente lembrei-me de algo.

- O senhor disse que era amigo de meu pai? – perguntei.

- Lutamos várias vezes juntos, e seu pai era um grande homem. Seu irmão também.

- Quer dizer então que você é um elfo? – perguntei, impressionado.

- Oh, me desculpe – disse ele, surpreso -, sim, sou um elfo. Falhei ao me apresentar.

- Um elfo! Alguém mais sabe que o senhor está aqui?

- Bom, meu senhor Maedhros sabe, e mais alguns amigos que moram comigo em Himring. Da tua aldeia, ninguém – ele respondeu com um singelo sorriso, adivinhando meus pensamentos. De repente eu notei nele uma certa luz própria, e ele pareceu-me incrivelmente belo, mesmo naquela penumbra que beirava a escuridão.

- Então eu tenho que te mostrar aos meus amigos! Eles não vão acreditar! – eu estava tão empolgado que não parecia que acabara de perder um pai.

A chuva afinou por alguns segundos, e nós aproveitamos para correr de volta pra casa, onde minha mãe chorou toda a noite e Lanval me contou as maravilhas de seu mundo ao norte, as famosas guerras do passado, e os grandes feitos de meu pai nas montanhas geladas de Maedhros.

Maerton – Capí­tulo 4 – O despertar

Quando acordaram, os Maerton se sentiam como se tivessem dormido por
uma noite. Eles estavam presos dentro da “pedra da espada”. Foi aí que
o filho único de Lómin, agora com tanto status como Gil, foi arrebentar
a pedra, para poderem sair. Aconteceu, pois, que ele, com um chute, mal
rachou a pedra. Foi aí, que os Maerton perceberam: estavam bem mais
fracos que antes! Todos se enfureceram com os Valar, que os havia
reunido ali. 
 
 
Porém, o herdeiro do senhor dos guerreiros, pegou em uma
mão Ravena, e na outra Manestríndil. Então ele atacou a rocha com tudo,
e, sete horas depois, conseguiu sair. Mas ele se cansou, e com isso os
Maerton perceberam: estavam bem mais fatigantes do que antes. Foi então
que o ódio aos Valar se inflamou realmente: Seregorr não estava na
rocha!

Eles, então, viram de repente, um ser na sua frente, mais
fraco que eles, mas falava uma língua diferente. Aos poucos os Maerton
foram aprendendo aquela língua, o Sindarin. Mas nenhum Maerton Ousava
ir até Beleriand, pois, daqueles lados, eles acreditavam vir os Valar.
A tribo rumava sempre para o leste, mais um deles tinha um desejo
enorme de rumar para o oeste, e para Beleriand. Este era Sereg, o mago.
 
(Capítulos Um, Dois e Três desta fanfic)

Maerton – Capí­tulo 3 – Durante o sono

Enquanto os Maerton dormiam, várias coisas aconteceram. Os Valar
limitaram suas forças, pois sentiram medo deles, Seregorr foi confiada
a Eonwë, o arauto de Manwë, que a guardou em Taniquetil. Melkor foi
derrotado e preso nos palácios de Mandos, por três eras. Os
primogênitos de Eru, os elfos, nasceram, em Cuiviénen, e Oromë os
conduziu até Valinor. Muitos, porém, não chegaram à terra imortal, e
ficaram na terra-média: os Moriquendi. Alguns destes foram os Sindar,
que criaram o idioma Sindarin, falado em Beleriand.
 

Melkor foi
libertado, com um juramento de lealdade, e ele foi até Ungoliant, na
terra de Avathar, o extremo sul, e os dois “atacaram” Valinor.
Destruíram Laurelin e Telperion, como também os poços de água e luz, de
Varda, mataram Finwë e roubaram as Silmarils. Isso gerou a nova
proteção de Valinor, com as Pelóri mais altas que nunca, e a deixa dos
Noldor (resultado de tragédias), que, quando estavam chegando a
Beleriand, admiraram o sol e a lua pela primeira vez. Foi nesse
instante que os homens nasceram, longe, perto de Cuiviénen. E os
Maerton despertaram mais uma vez!

(Capítulos Um e Dois desta fanfic)