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Sindarin, a terceira lí­ngua artificial mais falada

A revista Superinteressante deste mês de Setembro traz uma pequena matéria falando sobre os idiomas artificiais mais falados no mundo. E adivinhe? O Sindarin, criado por Tolkien está na lista, em terceiro lugar. 
 

O primeiro lugar das línguas artificiais mais faladas é do Esperanto, que conta com 200 mil falantes e foi criado em 1887 por L.L. Zamenhof com o objetivo de ser um "idioma universal" e promover a paz entre as nações. O segundo lugar fica com o Klingon, criado sob encomenda por Mark Okrand em 1982 para a série Jornada nas Estrelas e que possui 20 mil falantes. 

E em terceiro lugar temos o nosso conhecido Sindarin, que tem 10 mil falantes ao redor do globo. E eu sempre achei que o Quenya fosse mais falado. Acho que esses números – que estão mais para estimativas – são meio furados, mas tudo bem, o importante é ver um dos idiomas de Tolkien bem colocado na lista. 

Dez lí­nguas mais nerds: Tolkien na cabeça

O site da revista Wired fez uma lista com as dez línguas inventadas mais nerds do planeta e, claro, os idiomas ficcionais do professor não poderiam faltar, não é mesmo?
 

Tolkien foi lembrado pelo sindarin, considerado pelo autor do post como "a mais bonita" das línguas élficas (há controvérsias). Achei engraçado ele não levar em conta o quenya, que me parece mais conhecida e mais usada mundo afora, mas cada um é cada um, certo?

Os outros membros da lista são: esperanto (essa criada pra ser usada no mundo real), fremen (da série Duna), qwghlmian (do romance "Cryptonomicon), vampirês (dos filmes da série "Blade"), gelfling (de "O Cristal Negro"), huttês (a língua de Jabba, o Hutt em "Guerra nas Estrelas"), R’lyehian (da obra de H.P. Lovecraft), city speak (Blade Runner) e, claro, klingon.

Eu ainda acho um absurdo que o adûnaico não esteja na lista :oP

Gosta de Filologia? Então irá gostar do novo livro do Mark T. Hooker

hobbitonian.jpgO autor Mark T. Hooker acabou de publicar, no dia 17 de junho de 2009, um novo trabalho sobre a obra de JRR Tolkien. O livro “The Hobbitonian Anthology: of Articles on J. R. R. Tolkien and his Legendarium” é composto por uma série de artigos sobre Tolkien e o seu Legendarium. Este novo livro dá continuidade a sua obra anterior “A Tolkienian Mathomium”. E é uma miscelânea, em grande parte composta por artigos que versam sobre lingüística.
 
 
O livro é dividido em duas partes. A primeira parte trata sobre nomes (aqui cito-os em seu original, sem me ater à traduções, é estou fugindo de assuntos controversos): Bilbo, Bag-End, Boffin, Farmer Maggot, Puddifoot, Stoor, Huggins, Tom Bombadil, The Ivy Bush, The Golden Perch e um pequeno grupo de nomes no bairro de Evesham, o lar ancestral da família da mãe do professor, o Suffields. Ele discute os seus significados e seus análogos em inglês, tanto a partir do ponto de vista lingüístico quanto do geográfico e biográfico. 
 
Na segunda parte Hooker explora os termos bootless, nine day’s wonder, confusticate e bebother, hundredweight e leechcraft. E continua seus estudos sobre as traduções das obras do professor. Nesta parte Hooker versa sobre as traduções búlgara, bielorussa, checa, eslovaca, holandesa, alemã, polonesa, russa, sérvia e ucraniana para a obra “The Hobbit” e apresenta uma série de comparações sobre a forma com que os tradutores trataram a nomenclatura tolkieniana. Alguns desses artigos foram originalmente publicados na Beyond Bree, mas outros tantos são apresentados pela primeira vez.

Os elogios a sua obra anterior “A Tolkienian Mathomium” são tantos que é de se esperar que Hooker não decepcione e tenha a oferecer muitas análises interessantes sobre a obra tolkieniana. Os que gostam de filologia e querem aprender mais sobre o professor a partir de uma abordagem diferente vão de certo encontrar aqui muitas informações novas sobre Tolkien e sua predileção por nomes. Ainda não tenho o meu exemplar, mas já está na minha wishlist. Quero deixar claro aqui que aceito doações!

 
Detalhes do livro:
hobbitonian_contracapa.jpgTítulo: The Hobbitonian Anthology: of Articles on J.R.R. Tolkien and his Legendarium
Tipo: Brochura
Tamanho: 286p
Formato: 22,86 X 15,24 X 1,52cm
Editora: CreateSpace
Idioma: Inglês
ISBN-10: 1448617014
ISBN-13: 978-1448617012
O livro pode ser adquirido através da Amazon por $14,95.
 
 
Sobre o autor:
Mark T. Hooker é especialista em Tradução Comparativa. Seus artigos sobre Tolkien têm sido publicados em inglês na Beyond Bree, Parma Nölé, Translating Tolkien e Tolkien Studies; em holandês no Lembas (o jornal da Dutch Tolkien Society); e em russo no Palantir (o jornal da St. Petersburg Tolkien Society).
São suas as obras: Tolkien Through Russian Eyes (Walking Tree, 2003); Implied, But Not Stated (distribuído pela Slavica, 1999); The History of Holland (Greenwood, 1999) e A Tolkienian Mathomium, esta última já chegou a sua segunda edição.
 
Fonte: 
 

Novo livro trata de Tolkien, Lewis, os Inklings e Oxford

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A terra natal dos hobbits e de Narnia documentada em um novo livro de dois professores.

O mundo habitado por Tolkien e Lewis acaba de ser desbravado em mais um livro. E não se trata de nenhuma montanha altaneira, prado verdejante ou deserto indômito. O que os professores Harry Lee “Hal” Poe e Jim Veneman fizeram desde 2007 e que agora mostram em seu recém-lançado livro “The Inklings of Oxford” [sem tradução para o português] é uma descrição, por meio de imagens e palavras, da cidade de Oxford, tal qual era na década de 30, quando era habitada por CS Lewis, JRR Tolkien e seus amigos, os Inklings. 

 

Os Inklings, para aqueles que não sabem, são um grupo de escritores de Oxford, encabeçados por Tolkien, CS Lewis e o irmão deste, Warren (os únicos, aliás, que nunca deixaram o grupo). Esse grupo se reunia as terças e quintas e tinha por objetivo encorajar seus participantes a seguirem em frente com sua carreira literária, principalmente quando a literatura era fantástica.

Os encontros se realizaram por 30 anos, sendo interrompidos com a morte de Lewis em 63.

“Esse livro é uma apresentação dos escritores e suas obras através do lugar onde eles viveram”, diz Poe. “É a exploração de uma amizade que teve como resultado o encorajamento.”

“Tolkien tinha parado de escrever uma história várias vezes, mas Lewis o encorajou até que Tolkien finalmente terminou o que se tornaria a trilogia de O Senhor dos Anéis”, ele explica. “Ao mesmo tempo, Tolkien estimulava o amigo a entrar no ramo da ficção com ‘Out of the Silent Planet’ [Além do Planeta Silencioso], romance de ficção científica. A relação deles foi um ótimo negócio.”

De acordo com Veneman, Poe foi o guia turístico do duo em Oxford.

“Como nunca fui a Oxford antes e nunca vi nenhuma dessas coisas que fotografei nessa maravilhosa jornada, eu fui definitivamente conduzido por Hal”, ele diz. “Na verdade, eu fui apenas um seguidor com uma câmera.”

A relação de Poe com Oxford vem desde os seus tempos de quando fazia excursões anuais para a cidade.

“Estudei em Oxford para minha tese de doutorado”, ele diz. “Então eu conhecia a cidade como um pedestre, andando entre as construções medievais e os jardins espalhados entre as universidades. A atmosfera significava muito para mim em se tratando de conhecer esses autores.”

Armado com uma Nikon D200, Veneman tirou centenas de fotos de Oxford e de sua Universidade.

Cada dia era reservado a um tema específico: algumas vezes as fotos eram de pessoas, outras, de paisagens. Enquanto isso, Poe ia entrevistando pessoas que, assim como os Inklings, eram ligadas por fortes amizades.

“Enquanto estava lá e ouvia Hal contar história depois de história, eu podia jurar que Hal era um membro ex officio dos Inklings,” diz o fotógrafo. “Nós podíamos estar numa esquina qualquer da cidade e eu perguntava: ‘Hal, o que aconteceu aqui? ’ e ele logo me contava. Eu só ouvia história depois de história. Isso foi muito diferente de qualquer trabalho que eu já fiz.”

Outro motivo que tornou esse trabalho tão diferente para Veneman foi o fato de que as fotografias eram quase sempre de lugares, não de pessoas.

“Como um fotojornalista, as imagens quase sempre giram em torno de pessoas, suas histórias e suas situações,” ele diz. “De uma forma, eram coisas semelhantes… Mas era um formato diferente para eu trabalhar. Eu sempre procurei por momentos, pela mais leve expressão. E, de repente, não tive mais que fazer isso.”

De acordo com Poe, o livro é para aqueles que, apesar de terem lido As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, não são tão familiarizados com a história dos Inklings.

Em rasgados elogios a seu fotógrafo, Poe comenta que o livro não passaria de um projeto se não fosse o olhar especial de seu companheiro.

“A fotografia está impressionante”, ele diz. “Jim é um grande artista. As imagens são importantes, especialmente para esse livro. Foi uma aula para mim ver a criatividade e o olho dele. Precisa ser um artista de verdade para tirar as fotos que estão nesse livro.”

Continuando a rasgação de seda, Veneman, que leu o rascunho de Poe várias vezes para planejar sua viagem, diz:

“Eu fiquei cativado pela maneira que Hal conta a história. Eu sabia um pouco sobre o assunto, mas havia algumas áreas que eram simplesmente um vácuo para mim. Hal escreveu com a perspectiva de um contador de histórias. Está realmente muito fácil de ler.”

“E a história é mesmo sobre um grupo de pessoas e as ligações entre eles”, diz Veneman. “Essas ligações foram fundamentais, tanto para a vida pessoal de cada um quanto para suas carreiras, em suas aventuras de escritores.”

Fonte: Jackson Sun  

Veja abaixo algumas fotos de Oxford. 

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Oxonmoot 2009

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A The Tolkien Society realiza entre os dias 25 e 27 de setembro, no Lady Margaret Hall em Oxford na Inglaterra o Oxonmoot 2009. Mas vocês devem estar se perguntando o que afinal é esse tal de Oxonmoot. Já explico.
 
Este evento é realizado regularmente pela Tolkien Society, em um fim de semana próximo ao dia 22 de setembro, para os mais esquecidos é a data do aniversário dos personagens Bilbo e Frodo. O evento inclui atividades tais como: palestras, apresentações de trabalhos acadêmicos, workshops, vendas de livros novos, usados e também de obras raras e exposições (de artistas profissionais e também de amadores). Mas não é só isso.

Para os que gostam de tranquilidade há espaços em que se pode aproveitar um bom chá para conversar com os amigos e porque não fazer novas amizades. Para os mais festeiros há o tradicional baile de máscaras (o traje é opcional). No domingo pela manhã é realizado o Enyalië, que consiste em uma visita ao túmulo do professor para prestar homenagens.

Se você se interessou e estará aí por perto nessa época, a inscrição custa £ 28 (para membros da Tolkien Society) e £ 33 (não-membros) até o dia 31 de julho. Após esta data será acrescido um valor de £ 7,50 nas taxas de inscrição. O prazo final para se inscrever é 04 de setembro.

Para fazer sua inscrição:
https://ssl121.securednshost.com/~tolkiens/oxon/2009/form.php

Se você deseja apresentar algum trabalho, uma mesa-redonda ou outra atividade educativa ou de entretenimento, você pode submeter sua proposta por meio de um formulário on-line. O prazo para o envio das propostas é até 14 de agosto. A seleção dos trabalhos leva em conta a originalidade, relevância e qualidade da proposta. Trabalhos relativos a outros autores de fantasia também são bem-vindos.


Para a submissão de trabalhos:
http://www.oxonmoot.org/call-for-papers.php

Se você tem algo a apresentar sobre a obra do professor ou mesmo tem vontade de participar das discussões e apresentações orais em eventos do tipo, não perca tempo e faça sua inscrição. Ah, se a Inglaterra não ficasse do outro lado do Atlântico.

Algumas curiosidades: 
O nome Oxonmoot surgiu da combinação de “Oxon”, uma abreviação do termo latino para Oxford, com “moot”, um termo anglo-saxônico para reunião.
A imagem que ilustra esta notícia é o emblema oficial do evento, de autoria de Denis Bridoux.
 

Encontrado manuscrito de Tolkien e Lewis

Você já ouviu falar em um livro chamado "Language and Human Nature" [Línguas e Natureza Humana]? Não? Bem, isso não é motivo para se envergonhar, pois esse livro não foi  nem lançado. Mas o que chama a atenção em relação a esse livro é que ele era um projeto de dois dos maiores escritores do século XX: os amigos JRR Tolkien e CS Lewis. Acontece que esse um manuscrito desse livro, que supostamente nem foi começado, foi encontrado recentemente por um professor texano.
 

A primeira menção a esse livro foi em 1944, em uma carta de Tolkien a seu filho Christopher. Um te mpo depois, um informativo de sua editora informava que ele seria lançado em 1950. Isso, porém, nunca aconteceu, o que levava a maioria dos estudiosos na obra dos dois autores a considerar que o livro nunca foi escrito.

O professor Steven Beebe, Chefe do Departamento de Estudos de Comunicação do Estado do Texas, descobriu os manuscritos na Biblioteca Bodleiana da Universidade de Oxford e documentou recentemente seu achado, indicando que o manuscrito era, na verdade, o começo do livro a quatro mãos que Tolkien e Lewis iriam escrever. Não há, entretanto, nenhuma evidência que Tolkien tenha  começado a trabalhar no projeto, já que apenas a caligrafia de Lewis está presente no rascunho.

"O que é empolgante," diz Beebe, "é que o manuscrito inclui algumas das conclusões mais precisas de Lewis sobre a natureza da linguagem e do significado. Tanto Tolkien quanto Lewis escreveram, separadamente, sobre comunicação, linguagens e significado, mas nunca publicaram nenhum trabalho colaborativo."

Beebe relatará sua descoberta ano que vem no Seven: An Anglo-American Literature Review , um publicação especializada no trabalho dos sete maiores escritores anglófonos do século XX, o que inclui Lewis e Tolkien

"Scraps" [restos, lixo]. Foi assim que Lewis intitulou o manuscrito encontrado por Beebe num pequeno caderno. Além disso, o velho caderno continha também alguns trechos das Crônicas de Nárnia O Sobrinho do Mago e A Viagem do Peregrino da Alvorada, além de algumas observações de Lewis sobre os mais diversos assuntos.

O método usado por Beebe para encontrar os textos inéditos foi um tanto quanto heterodoxo e contou com uma grande porção de sorte: tudo que ele teve que fazer foi virar o livro deo cabeça para baixo e lê-lo de trás para frente.

O texto, na verdade, foi encontrado há um bom tempo, mas foi só depois de muita pesquisa sobre a vida e obra dos amigos Tolkien e Lewis que o professor Beebe pode afirmar com certeza a natureza e a importância de seu achado. 

"Eu estava tão supreso por encontrar textos de Lewis sobre linguagem e significado,usando exemplos e ilustrações que não foram usadas em nenhum de seus trabalhos anteriores," diz Beebe. "Eu sabia que tinha encontrado algo interessante, mas, na época, não fazia ideia que se tratava de algo importante."

Na sua própria e inconfundível caligrafia, Lewis começa o livro dando sinais do que pretende fazer: discorrer sobre a natureza e a origem da linguagem. Só mais adiante, porém, é que se pode perceber a intenção de se escrever um livro colaborativo: pipocam expressões como "os autores consideram", ou "nossas anotações", ao invés da primeira pessoa do singular, que seria óbvio no caso de um livro apenas de Lewis, além de ser uma preferência dele. O livro, porém, não poderá ser admirado tão cedo, já que ele está sob copyright da  Lewis Estate. O processo para liberação dos textos, porém, já está correndo e o professor Beebe acredita que, uma vez que o texto venha a público, as ideias de Lewis sobre a natureza da linguagem, especialmente os aspectos orais, e como ocorre a significação das palavras quando os homens se comunicam, serão vistas de outra forma.

Beebe dá um curso chamado "CS Lewis: Crônicas de um Mestre em Comunicação" em uma universidade texana e começará, também, uma classe especial em Oxford que, além da tradicional dala de aula, tem seus cursos ministrados em vários outros lugares, como a própria casa de Lewis, o Colégio Magdalen e o hotel onde Lewis conheceu sua mulher.

"Meu objetivo em lecionar em Oxford é trazer Lewis de volta à vida e levar os estudantes a descobrir a aproximação de Lewis com a comunicação e o fato de descobrir ideias não-publicadas de Lewis sobre a linguagem dá maior profundidade a nossa  discussão", diz Beebe.