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Brasil ganha novo livro sobre Tolkien nesta sexta

Qual é o significado e a importância da obra de Tolkien? Como a profunda fé cristã do autor moldou sua obra? Eu sei, eu sei, perguntinhas nada modestas, mas um pequeno porém corajoso grupo de especialistas em Tolkien, incluindo este Cisne que vos fala, tentam respondê-las em “O Evangelho da Terra-média – Leituras Teológico-Literárias da Obra de J.R.R. Tolkien” (organização do professor Carlos Ribeiro Caldas Filho), livro que está sendo lançado nesta sexta, 15/06, em São Paulo. Tenho orgulho de dizer que sou o autor do capítulo sobre filologia.

A obra de 206 págs. é um lançamento da Editora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e custa R$ 35. É claro que todos os valinoreanos estão mais do que convidados – confiram o convite oficial. Vai haver um breve  bate-papo com os autores durante o lançamento. O local é a Livraria da Vila do Shopping Higienópolis e o horário, a partir das 18h30. Espero vocês por lá!

 

Imagens perdidas do livro O Hobbit serão publicadas

De acordo com o britânico The Independent, ilustrações inéditas produzidas para O Hobbit pelo seu autor, JRR Tolkien, serão publicadas pela primeira vez esta semana. As pinturas e desenhos, que não foram usadas quando o romance saiu em 1937, foram recentemente descobertas na Biblioteca Bodleian, em Oxford.

Os desenhos a caneta e uma série de aquarelas foram descobertas por pesquisadores em material deixado pelo espólio do autor à biblioteca em 1979.

Eles estavam à procura de material para marcar o 75º aniversário do livro no próximo ano. As ilustrações, juntamente com a versão para o cinema há muito esperada, que vai estrear nos cinemas no próximo ano, provavelmente vai estimular e renovar o interesse das pessoas pelo O Hobbit.

Ao contrário dos caros efeitos especiais de US $ 500 milhões das duas partes do filme dirigido por Peter Jackson, Tolkien tinha apenas caneta, tinta e uma seleção de aquarelas à sua disposição para trazer seu mundo imaginário da Terra-média para a vida.

As imagens mostram como Tolkien usou seu estilo distinto e desenvolveu as ilustrações tão familiares que adornam as capas e páginas do seu best-seller. Especialistas dizem que ao produzir ilustrações para O Hobbit, Tolkien emprestou os traços de um livro anterior, Roverandom, que ele escreveu para seu filho Michael, que acabara de perder seu cachorro de brinquedo favorito. A imagem “The White Dragon Pursues Roverandom” tem uma clara semelhança com “The Lonely Mountain” usada mais tarde em O Hobbit.

Roverandom é um livro não tão popular e foi escrito em 1925 por Tolkien. Ele segue as aventuras de um jovem cão, Rover, que é transformado em um brinquedo por um mago. No entanto, sempre foi ofuscado pelo sucesso de O Hobbit.

O novo livro de ilustrações contará com mais de uma centena de esboços, desenhos, pinturas e mapas. David Brawn, da HarperCollins, disse:

“Na época que O Hobbit foi publicado, Tolkien estava com mais de 40 anos, então ele tinha passado boa parte de seu tempo pintando e era um artista amador. A Tolkien’s Estate recentemente doou algum dinheiro para a Bodleian e assim o espólio de Tolkien pôde ser digitalizado e catalogado pela primeira vez”.

Porém, e infelizmente, as novas imagens não foram divulgadas.

Mirkwoord

Mirkwood, de Steve Hillard

Quando leio um livro, consigo me identificar com um ou mais personagens a ponto de desejar que ele (ou ela) fosse real. Então, é óbvio que não gostaria que esse personagem (ou qualquer outro, aliás) fosse simplesmente apagado da história. Acho que a maioria das pessoas que tem na leitura um agradável passatempo pensa do mesmo jeito. Então, o que vocês fariam se um personagem favorito fosse simplesmente apagado da história? Quais os desafios que vocês topariam enfrentar para preservar a existência desse mundo secundário tão agradável? O livro de Steve Hillard gira em torno dessas questões.

O livro começa com Tolkien chegando em Manhattan. Seu objetivo é deixar sob a proteção de um velho amigo alguns papéis (de autoria desconhecida) que falam da jornada de uma heroína em um universo que serviu de inspiração para a criação da Terra-média. Quase cinqüenta anos depois, um homem é ameaçado por uma criatura maligna, mas consegue fugir. A história dá um salto de um ano, quando encontramos uma das heroínas da história, Cadence Grande, neta do homem desaparecido. Há um ano, na noite do Halloween, seu avô Jess desapareceu e Cadence está só no mundo. Ela acaba se tornando uma espécie de inventariante do avô, quando descobre entre os pertences dele uma valise repleta de documentos que parecem ser muito antigos. Mais tarde, ela percebe que o desaparecimento do avô pode estar ligado a esses misteriosos papéis. Tais escritos, em uma língua élfica muito antiga, contêm a história de Ara, a segunda heroína do livro. Então, Cadence começa uma investigação por conta própria e é a partir daí que muitas respostas serão dadas as suas perguntas e o enredo do livro começa a se desenvolver.

Algumas coisas me chamaram bastante atenção:

1- Certos capítulos relatam alguns encontros dos Inklings. Foi ótimo ver retratado como poderiam ter sido as conversas entre os integrantes do grupo. As discussões giram em torno de vários assuntos, e as que mais gostei foram aquelas sobre a mitologia de Tolkien (que estava tomando forma) e o papel feminino nas histórias que aqueles renomados autores criaram.

2- Caramba, como eu queria saber desenhar. Um livro ilustrado, mesmo que sejam poucos os desenhos, faz toda a diferença na hora de imaginar determinado acontecimento. Os tons em preto e branco caíram bem com o clima de mistério da história.

3- Algumas passagens do livro assemelham-se sutilmente a certos episódios d’O Senhor dos Anéis. Logo no início, percebi algumas palavras emprestadas (um Espectro a serviço do Senhor do Escuro, a heroína da história faz parte do povo dos Pequenos, uma hobbit, dentre outros).

4- O autor acertou em cheio ao colocar como pano de fundo a principal discussão de Tolkien: sobre a realidade contida nos contos de fadas, sobre o mundo secundário (de fantasia) ser passível de realidade pela perspectiva do leitor.

5- Ao contrário do que se possa pensar, Mirkwood não é uma versão romanceada da vida de Tolkien. Apesar de retratar encontros do Inklings, o enredo da história gira em torno de uma (simples e fictícia) decisão de Tolkien.

Fonte: Meu Cantinho Literário

“A Game of Thrones” e “O Silmarillion”

Vamos deixar as coisas claras: a série de TV “A Game of Thrones” é sensacional. Assim como “A Song of Ice and Fire”, a série de livros que a inspirou. Mas tá enchendo o saco a comparação malfeita das obras com o universo de Tolkien, por gente que não entende picas de nenhum dos dois mundos mas acha que o mais recente é coisa pra macho e Tolkien é pra mariquinhas.

Tentei corrigir um pouco essa percepção estapafúrdia num texto recente que escrevi para a Folha de S.Paulo e que compartilho com a galera da Valinor abaixo. Ainda devo postar mais meditações sobre o novo fenômeno da literatura de fantasia nos próximos dias.

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OPINIÃO

Livro que deu origem à série bebeu na fonte de J.R.R. Tolkien

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Comparar “Game of Thrones” com “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, é coisa de quem não tem o menor olho para sacar como as coisas funcionam na literatura de fantasia.
O paralelo correto para o best-seller de Martin na obra de Tolkien é “O Silmarillion”, bem mais obscuro, mas nem por isso menos genial.
Ambas as histórias não passam de competentes atualizações das sagas escandinavas, obcecadas como são por laços de sangue e pelos vários tipos de caquinha que as pessoas (sejam elfos, humanos ou mestiços) fazem por causa deles.
São meditações sobre o entrelaçar de hereditariedade e ambiente que arrasta os personagens para seu destino, por mais que esperneiem. E são profundamente pessimistas, por mais que críticos ceguetas gostem de rotular Tolkien como “ingênuo”.
É claro que esses temas existenciais cativam, mas outro elemento importantíssimo presente nas obras de mestre e discípulo é a extremamente bem bolada ilusão de profundidade cultural.
Com referências cuidadosamente plantadas aqui e ali, que o narrador faz questão de não explicar de cara, o leitor se sente capaz de entrever uma estrutura histórica “de verdade” por trás do texto (às vezes porque o autor realmente a criou e talvez a publique um dia, ou só porque é muito hábil em sugeri-la sem criá-la para valer).
A sensação é a de que a trama é o topo de uma cebola temporal e que basta uma descascadinha para alcançar as outras camadas e ter uma visão ainda mais majestosa do “mundo secundário” inventado, como dizia Tolkien, por oposição ao nosso, o mundo “primário”.
Martin pode colocar quantas doses de lascívia quiser no seu caldeirão: no essencial, ele e Tolkien são parecidíssimos. Certas predileções vocabulares em “Game of Thrones” não me deixam mentir: “lordling” (lordezinho) e “lesser men” (homens inferiores) vieram direto do dicionário tolkieniano.