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Uma resenha de O Hobbit: A Desolação de Smaug – por Fëanor

desolation_of_smaug_poster_largeEis que a segunda parte de O Hobbit finalmente estreou! Encarei a estreia em 48 fps e 3D (preferia 2D, mas não tinha opção disponível) e, com o nível da empolgação em alta pela expectativa de ver Smaug, Beorn, Esgaroth e Erebor na telona, me afundei na cadeira. As duas horas e quarenta minutos do filme passaram rápido pelos meus olhos, e saí da sala com sentimentos mistos sobre o que eu havia acabado de assistir. Destaco a seguir aqueles que considero os pontos positivos e negativos do filme para tentar fazer um balanço geral da experiência. E para fazer isso naturalmente revelarei partes do filme, ou seja: SPOILERS ABAIXO.

Começamos com um flashback de Thorin em uma Bri chuvosa. Mas antes do chegar no anão, PERAÍ! Quem é o primeiro sujeito que aparece na tela saindo de uma casa? Ninguém menos que o próprio diretor Peter Jackson, naquele que é provavelmente o cameo mais precoce da história do cinema! Ok, voltemos ao flashback. Thorin se encontra com Gandalf no Pônei Saltitante, e o mago revela ao anão que colocaram um preço em sua cabeça. Gandalf encoraja-o a recuperar Erebor. Thorin argumenta que necessita da Pedra Arken para poder reunir as forças dos reinos dos anões – e surge aí a primeira adaptação que julgo ser meio sem sentido: Thorin não é mais ou menos rei devido à pedra. Mas ok, PJ julgou que esse seria um gancho interessante para dar o motivo pelo qual Bilbo foi escolhido por Gandalf para fazer parte da comitiva: entrar em Erebor sem ser notado para recuperar a gema.

O filme volta para o momento presente. Bilbo espia orcs montados em wargs caçando a comitiva, quando repentinamente avista algo maior e ainda mais assustador: Beorn! Bilbo avisa o resto da trupe e Gandalf, adivinhando se tratar do troca-peles, conduz todos para a “casinha” do ursão, que persegue-os mas no último momento é impedido de abocanhá-los pela porta da própria residência, que é fechada pelos nossos heróis. A sequência é bacana, mas infelizmente é praticamente a única coisa que vemos de Beorn em sua forma animal em todo o filme. Depois disso ele reaparece em sua forma humanoide (que é um tanto exagerada na quantidade de pelos faciais, mas não chega a comprometer a ideia mental que eu tinha do personagem), mas também por pouco tempo. Realmente uma pena, já que era um dos personagens que mais esperei para ver. Resta agora aguardar pela participação do metamorfo no terceiro filme.

Próxima parada: Floresta das Trevas. Gandalf tem uma comunicação telepática com Galadriel (ou foi uma lembrança de uma conversa anterior? Ainda não tenho certeza, preciso rever) e decide rumar para Dol Guldur, onde forças malignas se reúnem. Para quem conhece a história do livro, ok. Já quem não conhece ficou com uma sensação de “ahn?” (assim como com praticamente toda a sequência de Gandalf na fortaleza do necromante)
A floresta ficou bem caracterizada, e as aranhas também. Gostei bastante da sequência em que elas aparecem capturando os anões e Bilbo resgata-os. E o CGI ficou muito bom, diga-se.

Em seguida, os anões são capturados pelos elfos da floresta e encarcerados no reino de Thranduil. Aí aparecem novos personagens que já eram esperados por todos: Legolas e Tauriel. A elfa, criação pura de PJ, não chega a comprometer per se, e é bastante carismática. O problema, julgo eu, é a paixonite que Kili desenvolve pela elfa, e a maneira como ela parcialmente corresponde. Não é a mesma coisa que a relação Gimli-Galadriel que vimos em O Senhor dos Anéis e que estava muito mais para uma admiração profunda e deslumbrada do anão pela rainha de Lothlórien, bastante próxima ao que Tolkien descreve no livro. No caso “Kili S2 Tauriel” o anão realmente se apaixona pela elfa, chegando a causar ciúmes em Legolas (que também tem uma queda pela ruivinha). E Tauriel dá alguns sinais de correspondência. Me pareceu um romance forçado, uma espécie de tentativa de preencher a ausência de cenas românticas no filme, ao mesmo tempo em que parece querer passar uma mensagem de tolerância inter-racial. Para quem é minimamente familiarizado com o mundo de Tolkien, o negócio pareceu estar à beira do absurdo. Elfos e anões não se bicam. Sim, existem exceções (os já mencionados Gimli e Galadriel, bem como o próprio Gimli e Legolas), mas forçar para o lado romântico ficou meio apelativo. Se PJ queria algum romance no filme, poderia ter se limitado ao relacionamento de Tauriel com Legolas.

Após os anões lerem libertados por Bilbo, vemos uma sequência de ação mirabolante retratando a fuga nos barris pelo rio. Orcs aparecem atacando anões e elfos, Legolas e Tauriel encarnam o espírito de super heróis da Marvel e um ridículo Bombur rola para fora do rio em seu barril, derrubando dezenas de orcs pelo caminho. A comitiva escapa ilesa, exceto por Kili, acertado na perna por uma flecha de Morgul, que dará a deixa para Tauriel reaparecer posteriormente.

Paralelamente, Gandalf adentra Dol Guldur e é atacado por Azog e sua trupe de orcs. O Mago enfrenta-os, e enquanto tenta escapar da fortaleza depara-se com uma sombra que parece ser o chefão local. Os dois se enfrentam, Gandalf é subjugado e descobre de quem se trata o inimigo: Sauron, vulgo Necromante, vulgo coisa ruim.

Já Bilbo e os anões se aproximam dos domínios de Valle, e encontram Bard. O arqueiro aceita uma graninha do grupo para colocá-los dentro de Esgaroth, por onde precisam passar para continuar rumo à Erebor (e onde precisam conseguir algumas armas, já que as suas foram tomadas pelos elfos). Na Cidade do Lago, Bard é mal visto pelo Mestre da cidade, que julga-o um agitador que quer unir a população para derrubá-lo. Os anões tentam passar despercebidos até a residência de Bard e seus filhos, e chegando lá logo descobrem que as armas que o arqueiro lhes conseguiu não são nada adequadas. Enquanto isso, é contada a história do último ataque de Smaug à Valle, quando o rei Girion, ancestral de Bard, falhou em derrubar o Dragão com as imensas flechas negras atiradas de uma balestra gigante (ou uma balista). Aqui surge outra parte incômoda: é dito que somente uma dessas flechas tamanho família pode derrubar o dragão. Além de tornar o destino do lagartão previsível demais, PJ descartou a possibilidade de Bard conseguir derrubar Smaug usando um arco e uma flecha de tamanho comuns.

Em seguida, os anões decidem dar um jeito de entrar no depósito de armas da cidade para conseguir algo melhor. A missão falha graças à uma trapalhada de Kili, e os mesmos são presos e levados ante o Mestre da cidade. Thorin revela-se, e promete ao povo de Esgaroth que a cidade voltará a ser próspera caso consigam retomar Erebor. Bard intervém, relembrando a todos da desgraça que lhes acometeu outrora, culpando a ganância dos anões. Mas não parece ser o suficiente para impedir que a comitiva ganhe a simpatia da cidade e do Mestre. E com isso o grupo consegue finalmente se armar e partir para a Montanha Solitária. Kili fica para trás devido ao seu ferimento, e com ele Óin, que fica ali para cuidar do anão caçula. E ainda Bofur, que encheu a cara e perdeu a hora da partida.

Chegando em Erebor exatamente no Dia de Durin, a comitiva precisa encontrar a porta secreta, cuja fechadura é revelada pela última luz do dia. O sol se põe, a fechadura não aparece, e os anões perdem as esperanças. Bilbo não desiste e permanece sozinho diante da porta ainda não revelada, tentando se lembrar das palavras do mapa que indicavam como encontrá-la. E eis que surge a lua, revelando finalmente a fechadura. A porta é aberta, e Thorin revela à Bilbo sua missão: adentrar sozinho na Montanha e recuperar a Pedra Arken. Bilbo, ainda que atemorizado, decide provar seu valor e cumprir a tarefa. E isso nos leva ao momentos mais bacanas do filme, isto é, ao dragão! Mas antes de chegar nisso, vamos voltar para a Cidade do Lago.

Em Esgaroth Bard é preso, e os orcs, liderados por Bolg (filho de Azog), atacam a cidade. Tauriel aparece para salvar Kili (que tá indo dessa pra melhor por causa do veneno da flecha), e junto com Legolas expulsam os inimigos. Legolas e Bolg se enfrentam, mas sem concluir o combate: Bolg foge e o elfo vai atrás dele. Já Tauriel fica na cidade e usa de seus poderes medicinais para curar o ferimento de seu novo amor, digo, Kili.

Voltemos à Erebor: Bilbo procura pela pedra Arken, mas acaba despertando Smaug. O diálogo do hobbit com a besta é excelente e bastante fiel ao livro. O CGI do danado é impecável. E a voz poderosa ficou perfeita. Bilbo foge do dragão, mas é barrado por Thorin, que lhe pergunta sobre a Pedra Arken. Bilbo nada diz, Thorin se irrita, e é aí que chega o resto da comitiva. E também chega Smaug. O grupo foge do dragão, e seguem-se cenas de ações que, apesar de serem bastante longas, são muito bem feitas (sobretudo pelas altas doses de Smaug com que somos presenteados). O plano dos anões é meio mirabolante demais, mas ao mesmo tempo funcionou para duas coisas: criou a deixa para Smaug ir atacar Esgaroth e permitiu a deslumbrante cena final de um Smaug sacudindo o ouro do corpo e indo para o ataque, enquanto um incrédulo Bilbo se questiona: “o que nós fizemos?”

E eis que é justamente aí que o filme acaba. Provavelmente muitos ficaram descontentes com um final que foi um corte súbito na trama, sem fornecer um desfecho de fato para essa parte da história. Já eu achei bacana, justamente por isso. Na verdade eu já estava gritando internamente pelo fim do filme justamente ali, para que se criasse esse suspense em torno do ataque de Smaug, que deverá propiciar um início de terceiro filme de tirar o fôlego.

De uma maneira geral, o filme tem suas óbvias distorções e acréscimos à obra original. Entendo alguns como naturalmente necessários pela opção dos três filmes, mas outros realmente extrapolaram o limite do que seria razoável. O filme poderia ter aí uns 40 minutos a menos, cortando muita baboseira e cenas de ação demasiadamente longas (como aquela dos barris). Não bastasse a opção do PJ pelos três filmes, eles quis fazer cada um com quase 3 horas, o que me parece criar espaços demais para embromation e deslizes feios. 3 filmes de duas horas cada teria sido uma opção mais sábia.

A trilha sonora cumpriu muito bem seu papel, de uma maneira até superior ao primeiro filme. Martin Freeman foi mais uma vez incrível no papel de Bilbo, consolidando muito bem a imagem do hobbit, de personalidade ao mesmo tempo simples em sua natureza e complexa em suas reações ao Anel, aos seus companheiros e a toda uma aventura longe de seu lar. Os demais atores principais também estiveram bem: Gandalf (Ian McKellen), Thorin (Richard Armitage), Balin (Ken Stott), e também Tauriel (Evangeline Lilly). Já Legolas (Orlando Bloom) não fedeu nem cheirou, e seu pai Thranduil (Lee Pace) foi o ponto baixo dos personagens, com pouquíssimo carisma e cheio de trejeitos que não caíram bem.

Enfim, apesar de pecar novamente em vários pontos e tomar liberdades que nada acrescentaram (pelo contrário!) à trama, PJ entregou um filme que diverte e que é visualmente muito bom. Não é o tipo de filme que vá agradar puristas, nem mesmo àqueles que esperam algo ao mesmo nível de O Senhor dos Anéis. Mas é um filme que ainda assim garante seus momentos de empolgação e de encher os olhos. E agora é esperar pela conclusão da saga em 2014, que também nos permitirá saber se PJ realmente perdeu a mão para filmar a Terra-média ou se ele ainda é capaz de nos entregar uma trilogia que, no fim das contas, seja satisfatória para a maior parte do público e dos fãs.

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Tauriel e outras mudanças do filme: análise na Folha

482425_10151813687829821_764774952_nPra quem não teve paciência de ler minha gigantesca resenha do filme ou ficou com medo dos spoilers, de repente vale a pena dar uma lida abaixo na análise da comparação livro versus filme que fiz pra edição de hoje da Folha de S.Paulo.

Sinceramente, recuso o rótulo de purista — tanto que gostei da Tauriel e até cito os precedentes pro papel dela na obra. Bem, vejam por si mesmos, gente bonita.

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REINALDO JOSÉ LOPES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em “A Desolação de Smaug”, o time de roteiristas liderado por Peter Jackson, basicamente o mesmo que trabalhou nos três filmes da série “O Senhor dos Anéis”, acabou criando a narrativa que, por enquanto, mais se distancia dos livros de J.R.R. Tolkien quando comparada aos outros capítulos das duas trilogias.

Por incrível que pareça, a mudança mais comentada e lamentada pelos fãs dos livros, a “invenção” da elfa guerreira Tauriel, está longe de ser a mais intrusiva. O professor de literatura americano Corey Olsen, especialista na obra de Tolkien, costuma brincar que dois cromossomos X não são vistos juntos em nenhum momento do livro “O Hobbit” (é sério: não há nenhuma mulher, elfa ou anã na ação da obra), e a criação de Tauriel para o cinema decerto foi vista como uma concessão inevitável para o público feminino.

Para quem torceu o nariz para as proezas bélicas da moça, vale lembrar que há precedentes nos textos do próprio Tolkien – no livro póstumo “Contos Inacabados”, por exemplo, ele retrata a elfa Galadriel, a etérea rainha de “O Senhor dos Anéis”, pegando em armas para defender seu povo. E outro aparente sacrilégio (atenção para o spoiler!), o flerte entre Tauriel e o “anão gatinho” Kili (Aidan Turner), tem ecos da paixão platônica – quase adoração, na verdade – que o anão Gimli nutre pela própria Galadriel na Saga do Anel.

Por que dizer, então, que este é o filme no qual Jackson e companhia mais tomaram liberdades com a sua fonte? Em grande parte, trata-se de uma questão de tom. O segundo filme captura relativamente pouco do bom humor do livro (e, quando a ideia é ser engraçado, Jackson opta pelo pastelão, no lugar da comédia mais sutil de Tolkien).

Outro ponto importante é como “A Desolação de Smaug” retrata a transformação do hobbit Bilbo em herói. Na obra literária, o leitor sabe o tempo todo que a coragem de Bilbo está muito mais ligada à sua disposição de fazer a coisa certa mesmo morrendo de medo, enquanto os filmes não conseguem resistir à tentação de transformar o hobbit em espadachim, mesmo quando a coisa fica inverossímil.

Coisa parecida se dá com o príncipe anão Thorin, um sujeito muito mais calculista e menos heroico no livro (exceto quando chega o gran finale do personagem). No geral, talvez o problema de Jackson seja que ele confia muito menos do que Tolkien na capacidade do espectador/leitor de captar sutilezas.

Se há algo que compensa esses escorregões, é o magnífico dragão Smaug – não por acaso, o personagem cujas falas mais se aproximam do texto original.

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Já assistimos “O Hobbit: A desolação de Smaug”!

Zemanta Related Posts ThumbnailQuerido povo valinoreano, é com a voz trovejante de Smaug/Benedict Cumberbatch ainda ressoando em meus ouvidos que sento para escrever mais uma das nossas tradicionais resenhas de filmes tolkienianos.

Quem já leu esses textos escritos pela Equipe Valinor por aqui sabe que a minha tendência é ser detalhista até o nível do paroxismo (hehehe) e não babar em demasia o ovo de Peter Jackson e companhia. Pra variar, vamos ter esses dois elementos nesta resenha de “O Hobbit – A Desolação de Smaug”. Preparem-se, portanto, pra SPOILERS E MAIS SPOILERS EM LETRAS GARRAFAIS nos parágrafos a seguir.

Resumindo muito resumidamente o que vou explicar com spoilers e requintes de crueldade depois, eu diria que, do ponto de vista de quem é fã dos livros como eu (e, desculpaê, mas eu aposto o meu toba no truco que as obras de arte realmente perenes e que devem ser levadas a sério são os livros, não os filmes), minha sensação geral depois de assistir a “Desolação” é de ambivalência. Continue lendo

A história de “O Hobbit”: como tudo começou

Tudo o que me lembro sobre o início de O Hobbit é de sentar para corrigir provas para o Certificado Escolar no cansaço interminável daquela tarefa anual imposta sobre acadêmicos sem dinheiro e com filhos. Em uma folha em branco rabisquei: ‘Numa toca no chão vivia um hobbit’. Não sabia e não sei por quê.”

J.R.R. Tolkien, Carta 163

 

Assim começa uma das mais empolgantes histórias já vistas no mundo. O Hobbit foi o um sucesso de vendas, e abriu a caminho para a publicação de outras obras famosas de Tolkien, como O Senhor dos Anéis. O livro foi traduzido para mais de 35 línguas, de Armênio a Ucraniano, passando por Catalão, Esperanto e Chinês.

Tolkien começou a escrever O Hobbit por volta de 1930, e o lia para seus filhos à noite. Não eram raras as paródias do livro escritas pelas quatro crianças da casa. É evidente que John, Michael, Christopher e a pequena Priscilla tiveram um papel fundamental na composição da história.

O papel em que Tolkien rascunhou a primeira frase não sobreviveu. O fragmento mais antigo de O Hobbit que sobreviveu foi um manuscrito de seis páginas (três folhas). É um pedaço da festa inesperada. Não tem “começo” nem “fim”, indicando que fazia parte de um manuscrito maior, que se perdeu.

É um texto muito próximo do Uma Festa Inesperada que conhecemos hoje. Mas muitos dos nomes eram diferentes. Que tal ler uma história em que o anão Gandalf e seus companheiros tentam recuperar um tesouro do terrível dragão Pryftan, ajudados pelo mago Bladorthin, que tem um mapa feito pelo avô de Gandalf, Fimbulfambi?

Uma das páginas do manuscrito contém um adendo interessante: o mapa de Fimbulfambi, a primeira versão do que viria a ser o Mapa de Thrór. Confiram abaixo:

O mapa de Fimbulfambi – a primeira versão do mapa de Thrór

Tolkien, na mesma época, fez uma cópia datilografada do manuscrito, mas que cobria uma parte maior: começava na famosa frase ‘Numa toca no chão vivia um hobbit’, mas termina logo depois do mago Bladorthin revelar a localização da porta secreta.

Tolkien não avançou mais na escrita por um longo tempo. Quando resolveu retomá-la, recomeçou exatamente do mesmo ponto onde a cópia datilografada termina. A intrigante abertura foi se transformando numa história completa. O Professor produziu nessa época 155 páginas manuscritas. Embora ele fizesse várias pequenas pausas, para produzir rascunhos e planejar o que estava por vir, foi uma escrita constante de um modo geral. Ele costumava escrever nos intervalos entre os semestres de Oxford.

Essa segunda fase da composição cobre a história que vai até mais ou menos o atual capítulo XIV (Fogo e Água). É praticamente a história que conhecemos hoje, embora haja algumas diferenças na nomenclatura, – o mago Bladorthin só passou a se chamar Gandalf no fim do processo de composição dessa fase – embora haja algumas diferenças no enredo. Por exemplo, em um dos rascunhos Bilbo entra secretamente na Montanha Solitária e mata Smaug.

Depois de outra longa pausa, Tolkien retoma a história, do ponto onde a havia abandonado, e a termina. Essa última seção, que vai do meio do capítulo XIV até o fim do livro, foi certamente escrita entre dezembro de 1932 e janeiro de 1933.

Esse não é o livro que conhecemos hoje. Tolkien fez cópias datilografadas e várias revisões posteriormente. Mas foi basicamente essa história que chegou às mãos de um editor em Londres, que a transformou em um sucesso literário. Mas essa é outra história.

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Resultado da Promoção O Hobbit – Uma jornada inesperada

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Uau, essa promoção surpreendeu. Vocês participaram em peso e enviaram um monte de respostas bacanas pra gente (foram quase 100!) e acabamos demorando mais do que o esperado para avaliar e divulgar. Os ganhadores deveriam enviar a resposta para a pergunta:

No primeiro filme da trilogia O Hobbit, junto com Gandalf e Bilbo, os anões começaram uma grandiosa e arriscada jornada atras de um objetivo – resgatar o próprio lar. E você? O que faria você se arriscar em uma jornada emocionante?

 

Sem mais enrolação, vamos aos quatro ganhadores da promoção  O Hobbit – Uma jornada inesperada.

 

Letícia
Eu não me arriscaria, aventuras são desconfortáveis e atrasam o jantar!

 

Bráulio Lopes (enviado via Facebook)
Eu sair da minha toca de hobbit, ou seja, sair do conforto?
Acompanhar anões ignorantes, enfrentar um dragão e com isso atrasar meu lanche?
Acho que está procurando aventureiros no lugar errado…
Falando em aventuras tenho lembranças de meus parentes Tûks, hobbits não muito respeitados devido à frequentes problemas, envolvendo aventuras..
Aventuras com seus temperos viravam grandes histórias.
Histórias com elfos.. ah os elfos, eles e suas construções, belezas tiradas da terra por anões, grandes cidades de homens, e os elfos…
Quando partimos?!

 

Leonardo Venzon
Resposta: Eu costumava pensar que eu precisava de pelo menos 13 anões e um mago para conseguir me tirar de casa para uma aventura, mas no mes passado eu descobri que minha esposa está grávida do nosso primeiro filho. Para garantir um lar para minha nova família eu seria capaz de enfrentar qualquer fera, inclusive Azog, o Profanador ou Smaug, o Terrível!

 

Emiliano Kelm
Resposta: O que me levaria a sair em uma grande jornada inesperada seria a certeza de que, quando retorná-se, eu não seria mais o mesmo. Tampouco minha casa e meu ambiente familiar seria o mesmo, pois apenas saindo do lar aprendemos a vê-lo de uma outra perspectiva. Apenas saindo aprendemos a valorizar o que possúimos, e então encontrar nosso lugar no mundo. Bem como Bilbo refeltiu: “Sou apenas uma criaturinha pequena nesse mundo gigante…ainda bem”.

 

Os ganhadores devem enviar e-mail para ttone@valinor.com.br com o Assunto “Resultado da Promoção O Hobbit – Uma jornada inesperada” contendo nome completo e endereço para envio do DVD. Parabéns! :D

Que tal ganhar o dvd de O Hobbit – Uma jornada inesperada?

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Então você adorou a primeira parte de O Hobbit nos cinemas e gostaria de ter o dvd? E se for de graça, então? Moleza!

A Valinor, em parceria com a Warner, está sorteando 4 dvds de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada! Para participar basta responder:

No primeiro filme da trilogia O Hobbit, junto com Gandalf e Bilbo, os anões começaram uma grandiosa e arriscada jornada atras de um objetivo – resgatar o próprio lar. E você? O que faria você se arriscar em uma jornada emocionante? As melhores respostas podem ganhar um DVD do sucesso de bilheteria O Hobbit – Uma jornada inesperada.

 

Para concorrer, você deve deixar a sua resposta aqui mesmo nos comentários da notícia ou no post da notícia na nossa página no Facebook  O resultado sai dia 10 de Maio, aqui mesmo na Valinor, no Facebook e também no nosso Twitter.

Gostou? Dá um curtir na nossa página, siga a gente no Twitter e boa sorte!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - Poster Oficial

Um review de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – por Fëanor

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - Poster OficialApós 9 anos do fim da trilogia do SdA, aquela sensação de novo: entrar numa sala de cinema para ver as criações de Tolkien tomando forma na tela. E novamente pelas mãos de Peter Jackson. Como não manter altas expectativas?

Então vou trazer a pergunta que deveria estar no final de um review normal aqui para o começo: as expectativas foram atendidas?
E a minha resposta é: em grande parte sim. Naturalmente tenho minhas ressalvas, e vou fazê-las abaixo, pontuando algumas partes do filme. Se você ainda não o assistiu, não leia (i.e., spoilers ahead!).

A introdução é de tirar o fôlego. Talvez a melhor parte do filme, com cenários muito bem construídos, uma Erebor magnífica e a ótima sacada de não mostrar Smaug: apenas partes do lagartão aparecem, deixando todo mundo com altas expectativas, que deverão aguentar até os próximos filmes. Primeiro ponto pra você, PJ!

A transição do Bilbo velho contando a história para o Bilbo novo à porta de casa é bem bacana, e o diálogo com Gandalf ficou excelente. A discussão sobre o significado do “bom dia” arrancou boas risadas do público.

A reunião dos Anões em Bolsão também é muito bem retratada, e é possível sentir a perturbação de um Bilbo que nunca recebeu tais companhias para um jantar daqueles em seu lar. E as canções? Ótimas! Misty Mountains foi de arrepiar. PJ scores again.

Pulando para a parte em que Balin conta a história de Thorin: essa foi a primeira grande mudança que não me agradou muito. Azog maneta que fica vivo? Para quem não lembra das obras, Azog foi morto na Batalha de Azanulbizar por Dáin. Quem deveria aparecer mais tarde na história seria seu filho, Bolg. Mas essa escolha por um segundo antagonista para os filmes bagunçou um pouco a história. Por um lado, eu entendo o PJ: sustentar um filme de quase 3 horas sem um antagonista presente seria dureza. Para não cair no marasmo, a escolha foi dar ao filme várias cenas de ação, e nesse aspecto Azog tem um papel importante. Ok, vilão justificado. Mas ainda assim não curti muito. Talvez eu ainda mude de opinião com os demais filmes. Veremos. Aqui você não pontuou comigo, PJ.

Chegamos aos trolls e numa parte que eu julgava delicada: como retratá-los de modo a não parecerem tão bobos a ponto de descaracterizar os trolls que vimos na trilogia do Anel, mas ao mesmo tempo mantendo aquele elemento mais “infantil”? Seria preciso uma boa dose de sutileza. E acho que no fim das contas o PJ conseguiu dosar bem a mão. Outro ponto pro baixinho na direção.
Quanto ao Radagast: a caracterização visual dele me agradou, mas não o personagem em si. Ele passou mais um ar de lunático do que de um mago preocupado com a natureza. E aquele trenó puxado por coelhos foi um tanto quanto, hm, forçado. O Radagast que tem minha simpatia nos livros não a conseguiu na tela. Pô, PJ!

Vamos à Valfenda. A última casa amiga continua deslumbrante aos olhos. Temos uma pequena dose da antipatia entre elfos e anões, mas que logo se resolve com comida. E temos também o encontro de Gandalf com os demais membros do Conselho Branco: Elrond, Galadriel e Saruman. Em relação à trilogia do Anel Elrond pareceu-me exatamente igual, Galadriel teve um up no visual e Saruman causou-me uma estranheza inicial, possivelmente graças a uma barba um pouco mais escura. Nada que prejudicasse a sensação de ver quatro fodões da Terra-média juntos num debate.

Próxima parada: montanhas. Começando com uma cena que realmente não gostei: os gigantes. Talvez não seja nem pelo fato de que PJ resolveu interpretar literalmente aquilo que tinha sentido figurado (e eu não vou me aprofundar sobre esse ponto aqui), mas pela dimensão que ele deu à coisa. Gigantes do tamanho de montanhas envolvidos em um conflito que desde o começo parece completamente sem sentido e que torna a sobrevivência dos anões algo extremamente improvável. Sinceramente, pura encheção de linguiça pra ver se ganha mais uns pontinhos pra levar a estatueta de efeitos visuais.

Dentro da montanha, um misto de coisas boas e ruins. Por um lado, a representação da cidade dos orcs é muito boa, e eu gostei do Grão-orc-da-papada-grotesca – o feioso ficou muito parecido com a imagem mental que eu tinha do livro. Por outro, a fuga dos anões é recheada de momentos inverossímeis. Não dá pra engolir aquelas quedas abismais que não causam sequer um arranhão na companhia. Não é por se tratar de uma obra de ficção fantástica que você pode sair por aí extrapolando sem critérios o limite do que é real. Mesmo em uma obra de tom mais infantil como é O Hobbit, Tolkien tem um cuidado todo especial com esse tipo de coisa. Mas nosso amigo PJ, nesse ponto, perdeu a mão.

Ainda na montanha, também não me agradou a maneira como Bilbo encontra o Anel. Custava deixar igual à descrição dada no livro, que por sinal é igual àquela que vemos em A Sociedade do Anel? Não teria alterado em nada a compreensão dos leigos, e funcionaria como mais um elo entre os dois filmes (além da introdução). PJ vacilão!

Mas ao menos essa falha é compensada na sequência com um dos pontos altos do filme: as adivinhas no escuro entre Bilbo e Gollum. Gollum está ótimo, e ele fazendo lanchinho de orc foi uma sacada muito boa para dar ao contexto do personagem um tom mais sinistro. A dupla se sai muito bem na parte das adivinhas em si, e a parte final, quando Bilbo poupa a vida de Gollum, é o ápice. Claro que na hora todo lembrou da frase de Gandalf, mas o mais tocante é o close na cara do Gollum – quem não ficou com pena ao ver aquele olhar?

Por fim, a companhia sai da frigideira para o fogo, perseguidos por Azog e sua tropa de orcs e wargs, e temos mais uma cena saída da cabeça do PJ, mas que não ficou ruim. Não, eu não concordei com o Azog no filme como já disse, mas já que o orc albino é o principal antagonista desta primeira parte, então foi uma boa dar-lhe mais vulto usando-o nesse final – se PJ não o fizesse teria falhado em falhar.  Thorin leva uma surra do orc (ou seria do warg?) e quanto tá todo ferrado, surgem as águias. É um momento de êxtase ver as aves gigantes chegando pra acabar com a farra dos orcs e salvar a companhia. E nem preciso dizer que elas ficaram belíssimas, né?

No fim das contas, o filme me agradou bastante (eu não senti as quase 3 horas passarem!), apesar de algumas falhas que me causaram desconforto. E ainda tem um ponto que não mencionei, mas merece destaque: a trilha sonora. Howard Shore fez mais um trabalho impecável, conseguindo recuperar a magia sonora que já nos deliciou na trilogia anterior, mas ao mesmo tempo imprimindo uma característica própria para essa nova. Toda vez que surgia o leitmotif da companhia eu me arrepiava!

Agora é esperar mais um ano para ver o que mais nos aguarda. Quem aí não está louco para ver Smaug, Beorn, a Cidade do Lago?

Minha nota: 8/10