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A Incrível Conexão J.R.R. Tolkien – Peter Jackson

Se for perguntado a qualquer fã de J. R. R. Tolkien e de Peter Jackson, qual é  a conexão entre o autor inglês e o diretor neozelandês, a resposta será mais ou menos esta: Jackson é o cineasta responsável por adaptar para o cinema O Senhor dos Anéis e O Hobbit, ambas obras de Tolkien. Porém, existem outras conexões entre eles.

Tolkien e o “Tommy”

Com mais de um milhão de mortos, feridos e desaparecidos, a Batalha do Somme é considerada uma das maiores tragédias da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Uma experiência que o jovem oficial J. R. R. Tolkien nunca esqueceu, pois lá lutou contra o Exército Imperial Alemão e perdeu alguns de seus amigos mais íntimos. E é da Batalha do Somme que nos é revelada uma curiosidade, pois ainda outro jovem esteve naquele momento na França: o avô do diretor neozelandês Peter Jackson, o inglês William John Jackson.

W.J. Jackson-1915 e J.R.R. Tolkien-1916

W.J. Jackson-1915 e J.R.R. Tolkien-1916

A genealogista e historiadora Christine Clement (do site Ancestry.com.au) encontrou em sua pesquisa William John Jackson entre os combatentes do Exército Britânico na Batalha do Somme, no segundo Batalhão dos “South Wales Borderers”. Em 24 de Julho de 1916 chegou ao Somme um oficial de comunicações, o jovem segundo tenente John Ronald Reuel Tolkien. Sua unidade, o primeiro Batalhão dos “Lancashire Fusiliers” substituiu a unidade de William J. Jackson. “[William] fez um trabalho de reconhecimento por lá. O seu batalhão foi rendido pelos Lancashire Fusiliers de Tolkien”, disse Clement.  A probabilidade, portanto, de os dois terem se cruzado no acampamento britânico não é pequena, e é uma incrível coincidência que os dois estivessem na França naquele verão de 1916.

Em uma carta de 1941, endereçada a seu filho Michael, que servia no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, Tolkien revela sua simpatia pelos soldados comuns, os homens desconhecidos vindos do interior da Grã-Bretanha ou dos mais longínquos rincões do vasto Império de Sua Majestade. “[...] E somos parecidos apenas por compartilharmos uma profunda simpatia e compaixão pelo ‘tommy’ [nome dado ao soldado raso britânico], especialmente pelo soldado simples dos condados agrícolas”¹. As centenas de milhares de “tommys”, grupo do qual William Jackson era apenas mais um, foram a base para a criação do fiel hobbit Samwise Gamgi.

Os "tommys" britânicos durante a I GM - 1916

Os “tommys” britânicos durante a I GM – 1916

Dois destinos: o autor e o avô do diretor

O que talvez não seja apenas uma coincidência é o que reuniu essas duas linhas décadas mais tarde. A obra de Tolkien é fortemente influenciada por suas experiências horríveis nas trincheiras da chamada Grande Guerra. Em particular, as descrições das experiências de Frodo e Sam nos Pântanos Mortos ou em Mordor nos dão uma ideia do que o próprio Tolkien tenha experimentado no primeiro grande conflito mundial. “Os Pântanos Mortos e as proximidades do Morannon devem algo ao norte da França depois da Batalha do Somme”², revela Tolkien em uma carta.

Peter Jackson, no entanto, interessou-se pelas experiências de guerra de seu avô (que ele nunca chegou a conhecer) e pelos eventos da Primeira Guerra Mundial desde a infância. Esse interesse tornou-se uma paixão: Jackson começou com miniaturas³ (confira algumas aqui) a recriar famosas batalhas da Grande Guerra e a coletar e colecionar artefatos deste período, especialmente os relacionados à aviação de guerra. Quando o romance O Senhor dos Anéis caiu em suas mãos, ele ficou fascinado com as mesmas descrições de batalhas e imaginou que daria um bom filme se algum dia alguém decidisse filmar a história contada por Tolkien. Porém, o fato de que tanto as horríveis experiências de Tolkien na guerra, assim como as de seu avô, aconteceram no mesmo lugar, ao mesmo tempo, ele não tinha ideia. “Ele sabe sobre o seu avô ter sido condecorado, mas não que Tolkien também estivesse lá”, disse Christine Clement.

Peter Jackson num Spitfire da IIGM

Peter Jackson num Spitfire da IIGM

William John Jackson lutou nas principais batalhas da Primeira Guerra Mundial e, assim como Tolkien, sobreviveu a ela e foi condecorado com a Medalha de Distinção e Conduta por seus esforços na Frente Ocidental. Tolkien, por sua vez, contraiu febre de trincheira no mesmo ano de 1916 e foi afastado dos campos de batalha.  Hospitalizado, começa a escrever as primeiras linhas de A Queda de Gondolin, mais tarde texto importante de O Silmarillion, o pontapé inicial de sua mitologia, da qual O Senhor dos Anéis é apenas uma parte. Com a saúde debilitada em decorrência do desgaste físico durante a guerra, W. J. Jackson morreu na Inglaterra em 1940, aos 51 anos, no momento em que a Grã-Bretanha era bombardeada pela Alemanha de Hitler (outro combatente do Somme), em preparação para uma invasão que nunca chegou a acontecer. Pouco tempo depois, em 1942, o Professor Tolkien serviu seu país como Supervisor de Ataques Aéreos, e faz referência a essa função em algumas cartas.

William John Jackson deixou cinco filhos, incluindo William “Bill” Arthur Jackson, a quem o filho, Peter Jackson, dedicou seu filme A Sociedade do Anel (2001). Enquanto Tolkien escrevia O Senhor dos Anéis, o pai de Peter Jackson também lutava pelo Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, assim como também lutaram no segundo conflito mundial os filhos do autor J. R. R. Tolkien, Michael e Christopher Tolkien.

William “Bill” Arthur Jackson na Sicília, Itália, durante a Segunda Guerra

William “Bill” Arthur Jackson na Sicília, Itália, durante a Segunda Guerra

O bisneto de Tolkien e o neto de William J. Jackson

J. R. R. Tolkien morreu em 2 de Setembro 1973, com a idade de 81 anos, deixando ao mundo uma mitologia única e que serviram de base para os épicos filmes de Peter Jackson sobre a Terra-média. Durante as filmagens da última parte da trilogia, O Retorno do Rei, o bisneto de Tolkien e neto de Michael Tolkien, Royd Allan Reuel Tolkien, participou como um ranger gondoriano nas filmagens do cerco à Osgiliath. Fã de Peter Jackson desde quando o neozelandês ainda dirigia filmes de terror trash, Royd Tolkien é sempre recebido de braços abertos pelo diretor quando vai à Nova Zelândia. O bisneto de Tolkien esteve em novembro de 2012 na premiere mundial de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, em Wellington, e visitou os sets do filme.  E, ao ir à Nova Zelândia, reuniu mais uma vez sobre o mesmo chão um Tolkien e um Jackson.

Royd Tolkien na premiere de “O Hobbit” e nas filmagens de “OSdA”

Royd Tolkien na premiere de “O Hobbit” e nas filmagens de “OSdA”

Royd Tolkien com Graham McTavish (Dwalin) e Aidan Turner (Kili), 2012

Royd Tolkien com Graham McTavish (Dwalin) e Aidan Turner (Kili), 2012

Notas: 

1: Tolkien, John Ronald ReuelAs Cartas de J.R.R. Tolkien – organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Oliva Brum. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006, p. 57

2: Idem, p.289

3: A paixão de Peter Jackson por miniaturas e recriar combates foi muito útil durante a produção da trilogia O Senhor dos Anéis, em que miniaturas foram usadas para criar os cenários da Terra-média e miniaturas de soldados de plástico ajudaram a reproduzir exércitos em pré-visualizações de cenas.

Referências: 

Tolkien, John Ronald ReuelAs Cartas de J.R.R. Tolkien – organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Oliva Brum. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006

Notícias, entrevistas e artigos consultados:

*New Zealand Herald - Peter Jackson link to Tolkien revealed

*Stuff - Peter Jackson shares tribute to Anzac heroes

*Nota de Peter Jackson no Facebook: Anzac Day

*Herr Der Ringe-film - Die historische Jackson-Tolkien-Connection

*Digital Spy - ‘The Hobbit’: Q&A with Royd Tolkien

*Metro - Royd Tolkien: I was welcomed with open arms on Hobbit set

*Stuff - Sir Peter Jackson’s Anzac Day family ties

*The Telegraph - Battle of Somme: the ‘animal horror’ that inspired JRR Tolkien

Senhor dos Anéis é o melhor da década!

Deixando para trás nomes de peso como Batman – O Cavaleiro das Trevas, O Segredo de Brokeback Mountain, Gladiador, Wall-E, Moulin Rouge e Quase Famosos, o Senhor dos Anéis amealha mais esse prêmio pra estante (que já deve estar lotada.

Aí vai o que o pessoal da EW disse sobre a trilogia:

"Trazer um livro adorado para a telona? Sem drama! A trilogia de Peter Jackson – ou, como gostamos de chamá-la, nossa preciossssssa – manifestou sua atração irresistível tanto em falantes de élfico avançado quanto em neófitos."

A lista completa você pode ver aqui  

Os Sons da Terra-média – Parte II: As Duas Torres

Dando continuidade a primeira parte já publicada aqui na Valinor – OS SONS DA TERRA MÉDIA – PARTE I: A SOCIEDADE DO ANEL -, seguimos agora com a sonoplastia utilizada na segunda parte da trilogia “O Senhor dos Anéis – As Duas Torres”:

 

 

 
Segundo o próprio Peter Jackson, nenhum dos elementos utilizados nos efeitos sonoros poderiam ser produzidos em estúdio, mas sim, criados por alguém.

Era de grande importância gravar os sons em ambientes externos, possivelmente para uma maior realidade em sua finalização. Mas… Wellington é uma cidade barulhenta, então o pessoal da produção teve que encontrar lugares fora da cidade, para que não fossem constantemente interrompidos por barulhos de aviões, carros e helicópteros.

E mais ainda: para obterem sons claros, ou seja, sem realmente nenhum distúrbio sonoro, gravavam geralmente à noite. E encontraram um cemitério num distrito vizinho à Wellington, que parecia ser o local perfeito. Peter Mills, o assistente marcava os expedientes de gravação e avisava a polícia local com antecedência, para que assim comunica-se aos vizinhos do cemitério que os gritos e tiros que ouviriam deviam-se aos “malucos” de “O Senhor dos Anéis” fazendo seu trabalho.

No segundo filme é notável que as multidões são bem presentes. Portanto, como reproduzir o som de 10.000 uruk hais? Poderiam gravar as vozes de algumas pessoas e reproduzi-las inúmeras vezes até chegarem no que se poderia esperar de gritos de milhares de vozes em uníssono. Mas o dinamismo e a dimensão não seriam os mesmos de uma verdadeira multidão. Daí veio a idéia de gravarem num estádio onde acontecia uma partida de críquete. Peter Mills trabalhou em conjunto com a Liga de Críquete para preparar o evento. A multidão estava em alvoroço, porque a Nova Zelândia estava jogando e estava ganhando a partida. No intervalo, Peter intervêm e entra no meio de campo. Eles precisavam da linguagem gutural dos uruk hais. Peter explicou à multidão o que iam fazer e pediu a todos para recitarem o discurso, olham para o telão no estádio. Pediu também para baterem no peito e baterem os pés, mas como lidavam com fãs de esporte que já haviam bebido cerveja, podia-se ouvir no meio da multidão alguns palavrões ou então “Hey, Peter! Nós te amamos!”.

Por isso, só aproveitaram mesmo a cantoria (vista no filme no discurso de Saruman aos Uruk Hais antes de partirem ao ataque a Rohan).

Criar o mundo sonoro de Fangorn antes de lidarem com Barbárvore faz parte da história também. Quiseram torná-la um lugar úmido e ameaçador, sem revelar demais o que os esperava na floresta. Mas é notável o som de algumas árvores ao longe. E nada melhor que o som de vaca para isso. Uma vaca em tons graves. John Rhys Davies faria a voz de Barbárvore. E pensaram em várias hipóteses para dar-lhe um efeito arbóreo, por assim dizer: construíram uma caixa de madeira, de 1,80m de comprimento x 1m de diâmetro. Construíram refletores dentro para que o som pudesse viajar por vários lados da caixa. Inseriam a voz com os diálogos, gravavam, acrescentavam o som e gravavam novamente. Obtinham, assim, várias camadas do que nomearam “ressonâncias arbóreas”.

Todos os sons possíveis de árvores foram gravados, até mesmo do pai de um dos sonoplastas que estava cortando árvores em sua casa de campo. Foram até lá e cortaram 50 árvores, o que serviu para a concepção dos passos de Barbárvore e dos Ents. Vale lembrar, pessoal, que árvores de reflorestamento podem ser cortadas, pois outras serão plantadas no local. Ou mesmo se a propriedade for privada, corte de árvores devem ter a permissão do órgão responsável pelo meio ambiente, geralmente a Guarda Florestal. Não entrem em pânico, pois nada foi feito ilegalmente na obra cinematográfica de Peter Jackson.

Para a cena em que Gandalf reaparece, eles não queriam que o público, logo de cara, soubesse que ali o Mago havia retornado como O Branco. Peter queria duas vozes, as de Gandalf e de Saruman fundidas numa só. Pediram então a Christopher Lee e Ian McKellen que lessem o mesmo diálogo. Pediram também para que Ian tentasse ler como se fosse Christopher falando e Christopher imitando Ian, para ficar mais convincente. Sobrepuseram as duas vozes e fazendo uso do gráfico de volume do Pro Tools conseguiram aumentar umas das vozes e diminuir a outra, fazendo com que se fundissem. Bom… O resultado é realmente fantástico! Vale à pena rever!

O ataque dos wargs não foi tão complicado. Na verdade, Peter Jackson queria mais ouvir mais cães latirem e mais barulho ao fundo. Como precisavam terminar no dia marcado, Dave Farmer passou horas montando o som de cães enraivecidos. Ele mesmo latia e gravava os sons produzidos. Diz que se não podem conseguir os sons, eles mesmos têm que produzi-los.

O som da criatura alada usada pelos Nazgûl, desde o começo, foi decidido como o zurrar de um burro. Se deslocaram até uma fazenda com burrinhos e gravaram os “ió ió” dos mesmos. Como não poderiam utilizar este som, usaram alguns outros sons que os burros conseguem reproduzir. Ou seja: o que se escuta quando o Nazgûl alado sobrevoa os Pântanos, nada mais é que um burro reclamando e aperfeiçoado pela tecnologia.

O som que se ouve quando o mesmo sobrevoa Osgiliath nada mais é que um ralador de queijo atado á uma corda e rodado por uma pessoa, produzindo o som do rabo.

Em breve, a última parte de “Os Sons da Terra Média – Parte III – O Retorno do Rei”.

Os Sons da Terra-média – Parte I: A Sociedade do Anel

Nas edições estendidas da trilogia “O Senhor dos Anéis” encontramos inúmeras informações à respeito de todo o processo de produção.

 

 

 

É um prato mais do que cheio para todo fã ardoroso de Tolkien (cheio até demais! É praticamente impossível “comer com os olhos” tanta informação em poucos dias! Eu demorei um mês pra finalizar, enfim… são quase seis horas de centenas e centenas de informações sobre a produção dos filmes. E um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a produção da sonoplastia. É inacreditável como os caras tiveram que se desdobrar para conseguir os sons perfeitos, que Peter Jackson tanto exigia, pois o mesmo queria que o público fosse transportado para a Terra Média. Neste primeiro artigo, abordaremos como foram concebidos os sons para o filme “A Sociedade do Anel”.

 • O Vigia do Lago: Peter Jackson não queria o monstro com muitos efeitos vocais, mas sim que os sons deveriam vir de seus movimentos. David Farmer, um dos produtores sonoros, disse que teve a brilhante idéia de ir até um riacho perto de sua casa e colocou-se a brincar com um desentupidor de pia. Ele o mergulhou na água e alí saiu um som estranho de sucção. Num segundo momento, os caras foram até um estacionamento e puseram-se a balançar tapetes de automóveis molhados e batê-los em coisas. Depois juntaram ambos os sons (o da sucção e dos tapetes molhados sendo batidos) e o resultado foi surpreendente. O som vocal de dor que ele produz (quando Boromir corta um de seus tentáculos ou quando Legolas lhe atira uma flecha) foi conseguido com o som de uma morsa.

Os Orcs de Moria: Diferentemente das outras criaturas monstruosas da Terra Média, a dificuldade em produzir o som dos orcs, é o fato de que eles são muito humanóides. Optaram por captar sons de pequenos animais ferozes, além de imitá-los com suas próprias vozes, ou seja: além de captar o som destes animais, os próprios produtores os imitaram, para mesclarem lá na frente e dar o som que conhecemos dos orcs. Um dos animais usados foi um porco guinchando. Para produzirem o som apavorante de vários orcs juntos se movimentando, Peter Jackson queria que eles se inspirassem no aspecto “barata” dos orcs, e tudo o que eles tentavam não ficava legal. Até que um dia, quando sentaram para tomar uma cerveja, e viram nada mais, nada menos que uma barata em cima do balcão. Acreditem se quiser, mas a equipe teve a brilhante (e nojenta) idéia de pregar baratas em uma tábua, amarrar nos sapatos e sair caminhando e esmagando-as, fazendo aqueles barulhos craquelentos.

O Troll das Cavernas: É uma mistura de morsa, tigre e lince. Eles tiveram que imitar a inspiração e a expiração destes animais também (para aquela farejada do troll na cena em que o mesmo procura por Frodo). Para o som emitido pelo troll quando o mesmo é mortalmente atingido pela flecha de Legolas, os sons foram totalmente modificados, passando do agressivo ao cansado, para um som triste de uma morsa mortalmente ferida.

• Balrog: Peter Jackson deu a seguinte descrição do Balrog para a equipe: “Não é uma criatura física, mas basicamente chama e sombra, feito de rocha e lava, e por isso precisa ser muito natural, rochoso e orgânico ao toque.” Então o pessoal pensou em uma rocha grande caindo de uma altura generosa, para gerar um som opressivo e perverso. E gravaram também sons de blocos de cimento sendo arrastados num chão de madeira. Mesclando os dois sons, deu-se o som terrível do Balrog. Mas não para por aí! Para dar a impressão que o som saía realmente de uma mina, eles foram até uns túneis antigos, construídos numa colina em Wellington. Nestes túneis os ecos não acabavam jamais. Levaram para lá o som do Troll das Cavernas, passando do computador para os auto-falantes, obtendo-se, desta forma, o som desejado. E assim prosseguiram com o som do Balrog e dos orcs.

• Os Espectros do Anel: Um grito da Fran Walsh gerou tudo aquilo! Levaram a mesma até um palco, que inspirou profundamente e gritou o mais que pôde. E dizem que foram os gritos mais arrepiantes que já escutaram na vida. Acabou por tornar-se um dos elementos vitais dos espectros.

• O Um Anel:
No script, o Anel era tido como um personagem, com força, poder e energia. Tinha várias tonalidades: para uma pessoa poderia ser sedutor, para outra, apaixonado, etc. E acabou por tornar-se um ator que manteve a coerência da voz ao longo do filme. Alan Howard gravou narrações do que Phillipa e Fran escreviam. Decorou uma série de frases da Língua Negra e ele mesmo acabou por gravá-las.

A Grande Famí­lia

Todos os fãs que acompanharam a produção da trilogia O Senhor dos Anéis já ouviram dezenas de histórias sobre a amizade que surgiu nos sets de filmagem, sendo a mais conhecida aquela da tatuagem do "9" simbolizando a união dos membros do elenco principal (se você AINDA não conhece a história, pode conferir neste artigo aqui).

 

 

Mas o que poucos sabem é que a idéia de união foi muito mais além na produção: em certo momento foram tantos parentes envolvidos que não seria incorreto chamar o elenco de "uma grande família". Todos tiveram uma brechinha para participar não só atrás, mas também na frente das câmeras. Duvida? Pois confira só esta lista de parentes e outros envolvidos na produção que acabaram fazendo uma "ponta" na trilogia.

(clique nas imagens para vê-las em tamanho maior) 

Alan Lee e John Howe

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Conhecidos ilustradores das obras de Tolkien, foram convidados para serem os "artistas conceituais" no filme, responsáveis pela criação de cenários e afins. Aparecem já no prólogo de A Sociedade do Anel como os reis que receberam os anéis de Sauron (Howe é o segundo à esquerda, Lee o segundo à direita).

 

Billie e Katty Jackson 

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Os filhos de Peter Jackson e Fran Walsh, aparecem mais de uma vez no filme. Primeiro, na festa de Bilbo (creditados como "Cute Hobbit Child" no IMDb, que em português ficaria "Criança hobbit fofinha"), depois em As Duas Torres (como "Cute Rohan Refugee Child", algo como "Crianças rohirrim fofinhas refugiadas").

 

Hanna Wood 

hannawood

Irmã da Elijah Wood, também fazendo uma pontinha em As Duas Torres

 

Royd Tolkien 

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Bisneto de J.R.R. Tolkien, dá as caras no filme e mostra que nem todo mundo do clã é contra a produção. 

 

Callum Gittins 

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Filho da roteirista Phillipa Boynes, aparece em As Duas Torres como Haleth, filho de Háma. 

 

Henry Mortensen

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Filho do ator Viggo Mortensen (Aragorn), é creditado no IMDb como "Reluctant Rohan Child Warrior", ou "Relutante criança guerreira rohirrim".

 

Dan Hennah

hennah

Responsável pela supervisão da direção de arte, aparece junto com Alan Lee (primeiro à esquerda) em As Duas Torres

 

Sadwyn Brophy 

 sadwyn

Eldarion, o filho de Aragorn e Arwen que vemos em O Retorno do Rei, é na vida real filho de Jed Brophy, o ator que interpretou o orc Snaga. 

 

Christian Rivers

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Um dos responsáveis pelos efeitos visuais, faz uma ponta em O Retorno do Rei

 

Rick Porras 

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O co-produtor da trilogia aparece como um dos guardas de Minas Tirith, no filme O Retorno do Rei.

 

Jane Abbott 

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Dublê de Liv Tyler, aqui aparece como uma das "damas de companhia" da elfa já no final de O Retorno do Rei.

 

Alexandra Astin

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Filha de Sean Astin, aparece em O Retorno do Rei como Elanor Gamgi, filha de Sam e Rosinha.

 

Maisie McLeod

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Filha da atriz Sarah McLeod, aparece no final de O Retorno do Rei como… "Bebê Gamgi"? 

 

Peter Jackson 

peter1

peter2

peter3

O diretor também aparece, e nos três filmes. Na ordem, as "participações especiais" de PJ em A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei:  

 
 

Fonte: sagralisse.mediawood.net 

  

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Tatuagens do Elenco de O Senhor dos Anéis

Todos já sabem que os atores que interpretaram os personagens da  Sociedade do Anel fizeram tatuagens para celebrar a amizade e a união  que surgiram entre eles durante as filmagens. Vamos agora aos detalhes  que estão por trás desta história…
A idéia surgiu ainda no começo das gravações, mas alguns dos atores  estavam relutantes em concretizá-la, pois, não sabiam como os  produtores iriam reagir. Decidiram então esperar e as tatuagens foram  deixadas de lado por algum tempo. No último mês das filmagens o assunto  surgiu novamente. O pessoal da Weta (empresa de efeitos especiais de  Peter Jackson) criou para eles várias formas de escrever o número nove  . De acordo com Orlando “Legolas” Bloom (que se gaba de ter sido o  autor da idéia) foi Alan Lee, o ilustrador dos livros de Tolkien, quem  desenhou o modelo escolhido.

Viggo ” Aragorn” Mortensen teria  ligado para um salão de tatuagem em Wellington e perguntado se seria  possível fazer as tatuagens num domingo. Diante da resposta negativa do  tatuador, Viggo teria aparecido no salão vestido como Aragorn (com  espada e tudo) e explicado que eles faziam parte do elenco do Senhor  dos Anéis. Diante de um argumento tão forte, Roger Ingerton (o dono do  salão) resolveu atender ao pedido e as tatuagens foram feitas numa  manhã de domingo. Nem todos os atores foram tatuados naquele dia. Sean  Bean, que terminou as filmagens mais cedo, não estava lá e teve a sua  feita em Nova Iorque.

Para cada um dos atores a tatuagem representou uma experiência diferente:

Sean Astin (Samwise): “Eu  levei minha esposa e minha filha que estavam me visitando. Foi um dia  incrível! Minha filha estava embaixo da mesa e sussurrou papai, se doer  demais você pode ficar aqui embaixo comigo “.

Dominic Monaghan (Merry): “Nós  nos divertimos muito juntos e queríamos algo para lembrar a  experiência. A princípio, nós falamos sobre um anel e, depois, chegamos  à tatuagem. Foi uma grande festa, estávamos tirando fotos uns dos  outros e tudo mais”.

Elijah Wood (Frodo): “Minha mãe não gostou muito disso Eu não sei como escolhi este lugar (no abdome, lado  direito, logo  abaixo da cintura). Simplesmente achei que era o lugar  erto. Tudo o  que eu posso te dizer é que quando ela estava sendo feita  doeu pra  car…”

Sean Bean (Boromir): “Era tarde da  noite, todos já tinham bebido um pouco e parecia uma boa idéia. Eu fui  o último, Orlando Bloom e Elijah me arrastaram até um pequeno salão em  Nova Iorque, tirei a camisa e ela foi feita como uma lembrança  permanente da nossa sociedade”.

Orlando Bloom (Legolas): “Nós  todos escolhemos colocá-las em lugares diferentes. Eu  oloquei a minha  no pulso porque sou um arqueiro. Fui realmente  bençoado por fazer  parte desse projeto. Toda a experiência foi incrível, morar na Nova  Zelândia, trabalhar com um elenco e uma equipe desse calibre e com meus  amigos à minha volta. Foi um trabalho de amor, e com a tatuagem, a  realidade disso vai estar para sempre na minha pele”.

Ian McKellen (Gandalf): “Era  para ser o nosso segredinho, mas tem um jeito de você ver   minha: eu  estou em Dance of Death na Broadway e tiro a camisa em  ma das cenas.  Minha tatuagem fica exposta, mas isso vai custar setenta  ólares pelo  ingresso”.

Algo que pouca gente sabe é que os atores não  foram os únicos a fazerem tatuagens. De acordo com Orlando Bloom  durante o lançamento do filme na Nova Zelândia, o diretor Peter  Jackson, o produtor Barrie Osborne, o executivo da New Line Mark Ordesky e o diretor da Weta Richard Taylor tatuaram o número dez. Foram os próprios atores da Sociedade que fizeram os arranjos para a  “tatuagem dos dez”. A idéia era transformar o pessoal da produção no  décimo membro da Sociedade.

A história toda deveria ser um  segredo, porém, alguém deixou escapar. Alguns dos atores ainda relutam  em mostrar suas tatuagens, mas Sean Austin já exibiu a sua (feita no  tornozelo) em um programa de TV. Em entrevista para o “Regis &  Kelly” Orlando Bloom disse que não poderia mostrar a sua para as  câmeras: “O filme é para todo mundo, mas a tatuagem é só para nós”.  Mesmo assim, observadores atentos puderam notar a tatuagem no antebraço  direito do ator, uma vez que as mangas de sua camisa estavam dobradas.

Figurinos

A difícil tarefa de desenhar o figurino do Senhor
dos Anéis ficou nas mãos de Ngila Dickson, que já havia trabalhado com
o diretor Peter Jackson e recentemente esteve envolvida na série de TV
neozelandesa Xena – A Princesa Guerreira.
 
 
 
Buscando transformar cada
ingresso de cinema em uma passagem de primeira classe rumo à Terra
Média, Dickson demonstrou atenção meticulosa à pequenos detalhes.
Abusando de cores e materiais inusitados, criou peças de uma riqueza
impressionante. A intenção de Dickson não era que suas criações se
destacassem, mas que fizessem parte da composição de cada personagem. "Quanto
menos pessoas notarem os detalhes do figurino melhor terá sido o nosso
trabalho, pois isso significa que os figurinos ajudaram na completa
imersão do público na história"
. Ela não estava sozinha nessa
tarefa, na verdade, trabalhou com mais de 40 alfaiates, desenhistas,
sapateiros, bordadores e ourives.


A equipe de Ngila enfrentou muitos desafios. Entre eles, o de criar a
mesma roupa em tamanhos diferentes, mas em mesma escala para serem
usadas pelos atores e seus dubles. Logo depois de serem feitas, muitas
das peças tinham que ser literalmente "destruídas", para parecerem
envelhecidas e desgastadas (alguns dos atores eram cobertos de lama
antes de gravarem suas cenas). Ao mesmo tempo, era preciso que fossem
duráveis para resistirem ao longo período de filmagens.

A
designer contou com a colaboração dos atores durante todo o processo,
mesmo quando era preciso abrir mão do conforto em troca do resultado
desejado pelo diretor (Peter Jackson e Alan Lee [ilustrador dos livros
de Tolkien] queriam que os figurinos fossem bastante reais) . Viggo
Mortensen (Aragorn) recebeu elogios. Ele teria levado as roupas para
casa, usado e se oferecido para lavar e efetuar pequenos reparos como o
próprio Aragorn teria feito. "Ele simplesmente deu vida ao seu figurino".

As roupas dos hobbits, que de acordo com Tolkien "vestiam-se com cores vivas, gostando notadamente de verde e amarelo"
foram as primeiras a serem confeccionadas, sendo inspiradas na Europa
do século XVIII. Ngila usou pequenos truques para que as roupas dos
hobbits ajudassem na miniaturização e tivessem um ar divertido. Ela
colocou os bolsos em uma posição mais alta do que o normal, usou botões
(feitos de latão) grandes e um pouco desalinhados. O comprimento das
calças, assim como o das mangas era curto. Os colarinhos eram
desproporcionalmente grandes. Foram empregados tecidos pesados com
cores naturais – amarelos, verdes e tons de marrom.

O chapéu de Gandalf representou um desafio à parte. Os primeiros modelos pareciam, de acordo com Dickson "grandes navios na cabeça de Ian MacKellen". Trabalhando em conjunto com Peter Jackson, ela conseguiu chegar a um chapéu que fosse ao mesmo tempo "impressionante, antigo e mágico".

Para Ngila, "Os elfos são altos, esbeltos e elegantes".
Para criar um figurino à altura destes personagens, foram utilizados
tecidos especiais como veludo de seda e brocado de seda indiana (que
foi lavado para realçar os fios metálicos). As peças de veludo
receberam tratamento especial. Foram gravadas com ácido formando
desenhos de folhas no estilo Art Nouveau. Em seguida, eram bordadas e
recebiam acabamento manual com fios de seda e fios metálicos. As mangas
eram enroladas nos braços dos atores e eram feitas em formato de folhas
(um dos mais belos detalhes da roupa de Legolas). Ourives
confeccionaram botões e fivelas de cinto em forma de flores e folhas.

As peças feitas para o anão Gimli (John Rhys-Davies) incluíam cotas de malha e elmo com incrível riqueza de detalhes.

Merecidamente Ngila Dickson recebeu uma indicação para o Oscar de
melhor figurino por seu trabalho em O Senhor dos Anéis. Agora é só
torcer para que sua dedicação e seu trabalho sejam reconhecidos quando
os prêmios da academia forem entregues no dia 24 de Março.