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Adaptação

thiago_tizzot.jpgNas últimas semanas estive envolvido com o livro do Syd Field, um dos mais respeitados conhecedores de roteiro cinematográfico de Hollywood. Em seu livro, Roteiro, ele fala sobre o roteirismoe usa alguns filmes como exemplo do que deve ser feitor e o que não deve ser feito. Para minha surpresa O Senhor dos Anéis está lá, a trilogia inteira, na categoria de bons roteiros.

 

 
É interessante observar como uma pessoa que analisa roteiros há mais de 40 anos vê um filme que considero próximo. Que conheço mais detalhes do que um espectador comum, mas é esta visão desprendida do livro que me chamou a atenção para algumas coisas. Sempre defendi que um filme e um livro não podem ser analisados em conjunto. Livro éuma coisa, filme é outra. São linguagens diferentes, públicos diferentes, uma experiência completamente diferente.

Para começo de conversa o processo de degustar um filme é quase oposto de um livro. No filme nossas emoções são sacudidas com imagens e sons, no livro as palavras são responsáveis por criarem em nossa mente imagens e sons. O impacto das coisas é diferente. Eu posso ler, "o nazgul soltava um grito horripilante, alto e estridente" que é amplamente diferente de realmente ouvirmos o nazgul gritando. Os dois tem o mesmo impacto no leitor ou espectador? Dificilmente. As palavras dependem muito mais do contexto, do clima que o escritor cria, o escritor precisa dar ao leitor o necessário para que em sua mente ele crie o grito ideal. O som real depende dele, uma coisa mais imediata. Agora, os dois podem ser aterrorizantes? Sem dúvida. Porém a diferença começa antes mesmo de chegarmos ao fim, quando o livro ou filme está pronto.

Uma das coisas que se aprende quando se está escrevendo um roteiro é que você não pode escrever nada que não possa ser filmado. E isso é uma diferença brutal para um livro. Em um livro uma boa parte da história pode acontecer apenas na mente de uma personagem. Um roteiro jamais pode ter a seguinte frase: Gandalf estava pensativo, seu pensamento vagava por entre os rostos dos soldados imaginando quando o horror iria terminar. Um roteiro seria assim: Gandalf está olhando para os soldados, sua expressão é de preocupação. É isso. Não tem como filmar que Gandalf pensava quando o horror ia terminar. É um exemplo simples, mas dá para ter uma idéia do trabalho que é adaptar um livro para o cinema. Existem livros mais fáceis, onde a ação é externa. Uma boa parte do Senhor dos Anéis é assim, mas tem muita coisa que acontece na mente das personagens e quando isso acontece o roteirista tem que ter bom senso para lidar com a coisa.

Peter Jackson teve bom senso? Em algumas situações sim, em outras não.

Ao passar a história para o cinema a adaptação no geral foi muito boa. Para um leigo em Tolkien a história ficou completa, com a dose certa de emoção e um ritmo bom. Um filme muito bem feito onde a história funciona.

Mas para nós o que interessa é os detalhes. Faltou bom senso a o PJ quando colocou os elfos no Abismo de Helm, um detalhe que não contribui em nada para a história. A participação da Arwen também é exagerada, o romance entre os dois não emplacou e ficou inacabado. A morte de Saruman é justificável, mas ele poderia ter pensado em um desfecho melhor para o mago

Ele acertou quando deixou Bombadil de fora. Seria complicado explicar para os espectadores o papel do velho Tom e analisando esta passagem ela não faz a história caminhar para frente. Infelizmente o cinema não foi feito para o Bombadil. Assim como acertou ao deixar o Expurgo de fora. Por mais que eu quisesse ver os hobbits lutando para salvar sua terra. Para o filme não funcionaria, os personagens já tinham completado sua jornada, estavam mudados, seu arco dramático estava completo. O Expurgo seria apenas uma repetição. É uma pena, mas do ponto de vista cinematográfico foi uma decisão acertada.

O filme é bom? Excelente.
O trabalho de adaptação também foi muito bem feito. Apesar de algumas falhas o resultado final ficou muito bom. Os filmes funcionam e conseguem prender o espectador.
Melhor que o livro? Não existe uma resposta para esta pergunta.

Livro é livro. Filme é filme.

O Sucesso de Frodo

thiago_tizzot.jpg"Das profundezas chegou seu último gemido, Precioso, e então ele se foi." Tolkien sempre diz que escrever o Senhor dos Anéis foi como escutar alguém contando uma história, tudo que ele tinha a fazer era anotar. Talvez assim realmente tenha sido, mas quando ele escreveu esta frase em O Retorno do Rei deve ter perdido pelo menos uma noite de sono pensando nas consequências que ela implicava.
 
 
A saga do Anel chegava a seu fim e deixava Tolkien com um grande problema nas mãos. A primeira vista parece que foi o acaso que fez com que o Um fosse destruído e Frodo terminasse como um não-herói. Para a estrutura do livro, e não estou levando em conta a história em si, isto é um sério problema porque poderia retirar toda a empatia que sentimos por Frodo, se o acaso tivesse realmente sido o responsável. Pior teríamos um final "deus ex machina", ou seja a situação chegou em um ponto que o escritor não sabe como resolver e de repente tudo se resolve, como mágica. Neste caso seria Gollum aparecer e cair com Um. Comum na Grécia Antiga, mas que hoje não faz mais sentido nenhum.

Não foi preciso Tolkien alterar muito do que já estava escrito, a resposta estava em seu próprio texto. Bastava dar uma polida e evidenciar certos acontecimentos. Frodo era um hobbit, um povo que nunca tinha realizado um grande feito, alguns até desconheciam sua existência, uma pessoa alegre, generosa, mas comum. Tolkien transformou Frodo em um herói ao longo da história, através de suas escolhas e atos. Boa parte da empatia que sentimos é por este fato, diante de nossos olhos está a transformação de uma pessoa comum que diante de circunstâncias que ele não pode evitar, se transforma em um herói. Diferente de Aragorn que já é um herói, Frodo tem muito que provar para nós. E rapaz, como ele faz isso.

São inúmeros os momentos que podemos ver o heroismo de Frodo, o primeiro é quando ele se oferece para ser o Portador do Anel, levá-lo até a Montanha da Perdição e destruí-lo. Apesar de Tolkien confessar na carta 181 que o hobbit tomou esta decisão porque não queria se separar do Anel, é preciso uma enorme coragem para ter falado no Conselho e aceitado a missão. Mas o momento chave é o perdão a Gollum. Tolkien diz que Frodo passou por várias provações e destaca duas. O perdão e o sacrificio.

Quando Tolkien fala em perdão, está falando sobre o misericordia que Frodo teve para com Gollum, e nosso herói conseguiu passar pela provação. E por isso quando Gollum chega e luta com Frodo pela posse do Anel e depois cai no fogo junto com seu Precioso, temos a sensação de que Frodo cumpriu a sua demanda. E de fato ele teve sucesso. E o mais importante, todos os acontecimentos são lógicos, a sequência de eventos é natural. O final é crível. E Frodo surge como um herói maior que Aragorn.

O Fracasso de Frodo

thiago_tizzot.jpgCaso você ainda não tenha lido todo o Senhor dos Anéis ou assistido aos filmes aconselho a não ler o resto deste texto. Ele discute o final, o desfecho de O Senhor dos Anéis. Em caso positivo, se você não leu os livros ou assistiu aos filmes, que diabos você está esperando para fazê-lo?

 

 
Já li algumas discussões aqui na Valinor sobre o desfecho do Senhor dos Anéis. Se Frodo alcançou seu objetivo ou não. A literatura é uma experiência muito pessoal, cada pessoa tem sua interpretação, sua leitura da história que lhe foi apresentada. Normalmente discussões sobre livros de ficção são infinitas e nunca existe o certo ou errado. Para mim Frodo fez o que era esperado, falhou. E falhou da maneira mais pessimista. Não fracassou apenas em levar o Anel até sua destruição, mas também foi corrompido. Sua vontade foi vencida pela ganância. Claro que não se pode tirar o mérito de Frodo ter conseguido chegar até o fim. Mas ainda assim não foi capaz de dar o último passo.

Quando Gandalf apoia Frodo como o portador do Anel, as vezes penso se o mago está fazendo isso porque acredita que Frodo pode resistir ao Anel ou porque previu que com Frodo o Anel seria destruído. São duas coisas diferentes, o objetivo de Gandalf era destruir o Anel, e poderia não importar se a alma de Frodo fosse perdida no processo. Não acredito que assim tenha acontecido.

Para mim o fracasso de Frodo torna O Senhor dos Anéis genial. O quadro tem tudo para ser um clichê, um herói que surge do Condado, um local que jamais iria se imaginar que surgisse o salvador da Terra-média, sem treinamento ou experiência enfrentando o maior dos inimigos. Não seria a primeira vez que veriamos que o herói apensar das dificuldades e com a ajuda dos amigos triunfa. Volta para sua vida cotidiana mudado para melhor. Uma das tramas clássicas. Mas não é isso que Tolkien nos conta. Sam tem o clichê, mas ele não é o protagonista. O herói falha, ele não consegue realizar a tarefa que lhe foi dada. De fato, ele faz o que deveria se esperar de um hobbit do Condado, ele cede as tentações do Anel. Um fim coerente com a personagem. E as mudanças que ocorrem com Frodo são divididas, algumas coisas são positivas e outras não. Frodo é infeliz no Condado, ele não consegue se ajustar ao seu cotidiano e sofre. Isso contribui muito para que tenhamos um heroi profundo e complexo, uma personagem construida quase a perfeição. E ao final, é difícil não ficar na mente com a ideia de que Frodo é um herói completo e o fato de no último instante ele ter falhado é insignificante.

Tolkien foi um grande construtor de mundos, mas também foi um genial criador de personagens.

Livros Perdidos

thiago_tizzot.jpgEstive lendo estes dias um livro chamado “O livro dos livros perdidos”. O autor, Stuart Kelly, relata uma séria de livros que foram perdidos [o autor morreu e não pode terminar, os manuscritos se perderam, tudo foi perdido em um incêndio] desde os tempos da antiga Grécia até um século passado. Um livro interessante, mas que no seu final fica um pouco cansativo.

 

 
A leitura dos textos me fez pensar em duas coisas. Era muito comum no século 19 após a morte de um escritor famoso surgirem livros que supostamente seriam de sua autoria que logo depois eram desmascarados como fraudes. Hoje em dia isto seria muito difícil de acontecer. O negócio do livro está muito mais profissional, bem como as leis que protegem os direitos autorais.

Entretanto no caso do Tolkien talvez a coisa não fosse tão absurda. Existe uma certa obscuridade sobre os espólios de Tolkien. Abordei estes dias em meu blog um assunto que pode ser chamado de lenda entre os estudiosos, os papéis deixados por Tolkien, e guardados por seu filho Christopher, contem muito mais informações e textos do que foi publicado ou revelado para os leitores. Não estou dizendo que os livros publicados após a morte de Tolkien não são de sua autoria, não sou maluco a este ponto. Apenas o que quero dizer é que se [insisto no terreno da possibilidade aqui] Christopher publicasse um livro chamado A Infância de Tom Bombadil por JRR Tolkien, alegando que o livro é um antigo manuscrito que apareceu entre os papéis de seu pai. Ninguém iria questionar a autoria. Mesmo que o verdadeiro autor fosse o Christopher. Afinal, temos a lenda dos papéis herdados guardados a sete chaves.

Vale lembrar que nos idos anos 60 Tolkien foi vítima de uma fraude impensável hoje. O Senhor dos Anéis ganhou uma versão clandestina, ou não-autorizada, nos EUA. A edição Ace Books. Uma edição barata que vendeu que foi uma beleza. Claro que a coisa foi descoberta. Porém Tolkien foi obrigado a fazer revisões e tentou alterar alguma coisa no texto para que a edição oficial fosse diferente da pirata. Dizem alguns que foi graças a edição da clandestina que O Senhor dos Anéis virou um sucesso nos EUA. O engraçado é que acho que se hoje alguém estivesse vendendo a edição da Ace, ganharia um belo dinheiro.

A outra idéia que me ocorreu é o número de livros perdidos que Tolkien tem. O Silmarillion é um catálogo de livros perdidos. Livros inacabados que nunca saberemos o seu final ou a forma definitiva que Tolkien gostaria de dar. Ao longo de todo o HoME temos anotações, esquemas, fragmentos e idéias que não foram desenvolvidas.

No HoME The Lays of Beleriand, logo na explicação sobre a data que Tolkien iniciou a escrita do poema, uma frase me chamou a atenção. "… which he [Tolkien] begun according to his diary in the summer of 1925." [… que ele começou de acordo com seu diário no verão de 1925] Perai, Tolkien tinha um diário? Eu sei que podem existir outras interpretações para a palavra diary, poderia ser um caderno de anotações apenas ou uma agenda. Mas imagine por um instante se no espólio de Tolkien estivessem cadernos e mais cadernos com anotações de suas tarefas, trabalhos e impressões da vida. O que estes cadernos poderiam guardar? Preciosas informações. Para nós, colegas de Valinor, o maior livro predido da história é, sem dúvida nenhuma, Os Diários de JRR Tolkien.

Mooreeffoc

thiago_tizzot.jpgFantasia é uma coisa complicada de se entender. Estava conversando com minha mulher e ela me perguntou por que você gosta de Fantasia?

É uma pergunta difícil de responder e eu nunca tinha pensado sobre uma razão para eu gostar. Voltando um pouco mais atrás, estávamos comentando sobre o ensaio “Sobre contos de fadas” do Tolkien, um texto que acabo sempre voltando. Talvez para tentar entender um pouco mais sobre o próprio Tolkien, entretanto acho que o principal é porque para mim, um escritor em começo de carreira, é reconfortante ver um dos maiores escritores de Fantasia dizendo que o negócio é difícil pacas.

 

A fuga da realidade é uma das críticas mais constantes a Fantasia,
ir para um mundo imaginário, onde nada é verdadeiro para ignorar a
realidade. É a maior besteira que já ouvi. Qualquer história de ficção
é um mundo imaginário, seja no Brasil, Japão ou em qualquer outro país
o que você está lendo é a visão de um escritor que imaginou [vejam só]
personagens e lugares. Porém o mais importante é que os confrontos
humanos são os mesmos. Decidir ajudar ou não um amigo, é uma decisão
que em algum ponto de sua vida você precisa tomar. Assim Sam o fez.
Aceitar realizar uma tarefa por mais que você não queria acontece
sempre. Frodo passou por isso também. Poderia ser em Valfenda ou no
prédio de escritórios ali da esquina. E foi ai que minha esposa me
pegou. Mas por que a Fantasia se o que faz uma história não é o local,
mas os dilemas e decisões que as personagens tomam?

Tentei responder de alguma forma lógica, mas não consegui. Minha saída
foi a seguinte: Digamos que o diretor de uma grande companhia está
jogando sujo para roubar o emprego do presidente e assumir o comando da
empresa. Pode ser interessante? Claro. Mas digamos que o conselheiro do
Rei está fazendo o mesmo jogo para usurpar o trono. De repente a coisa
fica muito mais interessante. O conflito é o mesmo, ganância, poder.
Mas sou muito mais a versão do Rei.

Para terminar gostaria de citar mais uma vez o texto “Sobre contos de
fadas”. Em determinado momento Tolkien usa a palavra Mooreeffoc. A
história por trás desta palavra é que Dickens estava em um café e viu
na porta de vidro escrito Mooreeffoc. Que nada mais é do que
coffee-room de trás para frente. Porém seu significado é um pouco mais
profundo, esta palavra nos lembra de que existem milhares de coisas
novas quando vemos as coisas por uma outra perspectiva. Isto é
Fantasia. E talvez seja por isso que a coisa toda me atrai tanto. 

A Terra-média é realmente vasta?

thiago_tizzot.jpgUma das coisas que mais me impressionou na obra de Tolkien desde a primeira vez que a li foi a Terra-média. Sua vastidão e como era possível apenas uma pessoa ter escrito e criado tanto sobre um mundo imaginário. A história de seus povos, a geografia, mitologia, linguistica. Por Eru está tudo lá. Pequenos detalhes que fazem uma diferença brutal para o leitor. Impressão que tenho é a seguinte:

 

 

"A Lua já vinha alta no céu quando o professor Tolkien colocou as provas corrigidas de lado, socou o fumo no cachimbo e o acendeu. A fumaça subia lentamente e enchia o ar do pequeno escritório, seus olhos ardiam de sono, mas a mente fervilhava. Não poderia dormir agora. Ainda precisava para o Anel. Pegou seus manuscritos. Os hobbits tinham escapada de Bri com a ajuda de Aragorn e seguiam viagem. Caminhavam por uma trilha quando de repente uma colina surgiu no horizonte. De repente Tolkien parou. Puxou a fumaça de seu cachimbo e depois exalou-a. Pensou, que colina seria esta? Consultou seu mapa, resgatou da memória sua mitologia e a resposta apareceu clara como uma manhã sem nuvens.Topo do Vento. O volta sua atenção para o papel e escreve. Os homens do Oeste não viveram aqui, embora nos seus últimos dias tenham defendido as colinas por um período, contra o mal que vinha de Angmar. Esta trilha foi feita para servir os fortes ao longo das muralhas. Mas muito antes, nos dias do Reinado do Norte, construíram uma grande torre de observação no Topo do Vento, que chamavam de Amon Sûl. Ela foi queimada e destruída, e nada mais resta agora, a não ser um círculo em ruínas, como uma coroa grosseira sobre a cabeça da velha colina. Conta-se que Elendil ficava ali olhando, à espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da Última Aliança. O professor Tolkien guardou o manuscrito e foi deitar-se, era tarde e amanhã seria um dia difícil."

Você só pode estar brincando. De onde ele tira tudo isso? Um diálogo trivial de A Sociedade do Anel, poderia ser apenas mais uma colina, mas não para Tolkien. Tudo tem uma história, é assim em um mundo real. E a coisa não para por ai, Angmar, Elendil, Gil-galad, Última Aliança. Todas estas referências tem uma longa história. Tudo documentado e desenvolvido. E nem vou entrar em detalhes do trecho de poema que Sam recita logo depois da fala de Aragorn.

Tolkien realmente é único.

Realizaremos agora um teste nesta coluna para comprovar se a habilidade de Tolkien em criar mundo era tal genial como dizem. Este teste terá a ajuda do Dr. Robert Foster e seu “The Complete Guide to Middle-Earth”. O teste consiste em abrir o livro aleatoriamente e escolher o primeiro verbete que aparecer. A partir deste verbete iremos constatar em quantos verbetes seguiremos em frente. Por exemplo:

Frodo: hobbit sobrinho de Bilbo… -> que nos leva a Bilbo: hobbit que viajou com Thorin Escudo de Carvalho… -> que nos leva a Thorin: anão que lutou na batalha de Azanulbizar… -> que nos leva a Azanulbizar e assim por diante.

O objetivo é descobrir quantas vezes é possível fazer esta relação, comprovando o quanto é desenvolvido a Terra-média.

Vejamos, abro o livro em Frumgar.

Frumgar: Homem, Chefe dos Éothéod. Em 1977 da Terceira Era ele liderou os Éothéod para o norte a partir de suas terras natais entre o Gladden e a Carrock para a terra chamada de Éothéod.

Vejamos para onde iremos daqui da próxima vez. 

Meu Primeiro Tolkien

thiago_tizzot.jpgThiago Marés Tizzot é editor da Arte & Letra e autor do livro O Segredo da Guerra lançado em junho de 2005, um dos responsáveis pelo
lançamento do Curso de Quenya – A Mais Bela Língua dos Elfos e do As Cartas de J.R.R. Tolkien
A coluna "Old Toby" sem dúvida vai ter Tolkien como tema principal, mas
você vai poder encontrar um pouco de literatura e cinema, e
eventualmente alguma outra coisa que eu ache que vale a pena ser lido.

 

 

Meu Primeiro Tolkien

O avião ia sair a poucos instantes e eu queria comprar um livro para
ler durante o vôo. Como estava indo para o EUA queria um livro em
inglês, uma língua que eu ainda estava aprendendo, fui diretamente a
estante de livros de bolso. Naquela época eram os únicos livros
importados que se poderia encontrar por aqui. A internet ainda dava
seus primeiros passos. Procurei alguma coisa que fosse de meu
interesse, demorou um tempo até que me deparei com uma bela ilustração
de um dragão deitado sobre uma enorme pilha de moedas de ouro e outros
tesouros. 

The Hobbit. JRR Tolkien. Era o que tinha na capa. O dragão chamou minha atenção e peguei o livro para dar uma olhada. Virei para ver o que dizia atrás e tinha a foto de um simpático velhinho com seu cachimbo. Resolvi arriscar. Meu irmão também comprou um livro do tal JRR Tolkien. Chamava-se The Silmarillion.

Aqui é preciso dizer que dei uma baita sorte. Se tivesse escolhido o Silmarillion era possível que não tivesse me encantado com a Terra-média. Foi o caso com meu irmão que na época não conseguiu ler o Silma.

Mas eu peguei o Hobbit, confesso que na época não consegui compreender todos os detalhes da história. Meu conhecimento do idioma era pequeno. Também não foi preciso, eu adorei o livro e todos os seus personagens. Fiquei fascinado com o universo e precisava ler outras coisas daquele velhinho simpático. Tentei o Silma, mas era impossível. O idioma era uma barreira e o número de nomes,, datas e outras coisas era enorme. Ainda mais sem ter lido o Senhor dos Anéis.

Procurei por outros livros, mas somente alguns anos depois, para minha satisfação, encontrei O Senhor dos Anéis em português. Três volumes. Cheios de páginas. Fantástico. Devorei as palavras e ao final de O Retorno do Rei li tudo que tinha direito. Apêndices A, B, C, D, E e F. Nota a edição brasileira. Todos os textos do livro. Queria ler tudo que aquele simpático velhinho tinha escrito. Li muita coisa que ele escreveu, tive a sorte de poder publicar suas cartas, mas sempre volto aquele texto. O Hobbit. Meu primeiro Tolkien