Arquivo da categoria: Textos de J. R. R. Tolkien

vinyar tengwar

Ósanwë-kenta

Investigação acerca da Comunicação de Pensamento
(resumo da discussão de Pengolodh)
No final do Lammas, Pengolodh discute brevemente a transmissão direta de pensamento (sanwë-latya “abertura de pensamento”), fazendo várias afirmações sobre a mesma, que evidentemente são baseadas nas teorias e observações dos Eldar, tratadas em sua plenitude pelos mestres de tradição élficos. Elas estão relacionadas primeiramente com os Eldar e os Valar (incluindo os Maiar menores da mesma ordem). Os Homens não estão especialmente relacionados, exceto até aonde eles estão inclusos em declarações gerais sobre os Encarnados (Mirröanwi). Sobre eles, Pengolodh diz somente: “Os Homens têm a mesma aptidão dos Quendi, mas ela em si é mais fraca, e é mais fraca em ação devido à força do hröa, sobre o qual a maioria dos homens tem pouco controle pela vontade”.Pengolodh inclui essa questão primeiramente devido à sua conexão com a tengwesta (“linguagem”). Mas ele também está preocupado como um historiador em examinar as relações de Melkor e seus agentes com os Valar e os Eruhíni, apesar disso também ter uma conexão com a “linguagem”, uma vez que, como ele aponta, esse, o maior dos talentos dos Mirröanwi, foi tomado por Melkor para sua própria grande vantagem.

Pengolodh diz que todas as mentes (sáma, pl. sámar) são iguais em status, apesar delas se diferenciarem em capacidade e força. Uma mente, por sua natureza, percebe outra mente diretamente. Mas ela não pode perceber mais do que a existência de outra mente (como algo diferente de si própria, embora da mesma ordem) exceto pela vontade de ambas as partes (Nota 1). O grau de vontade, entretanto, não necessita ser o mesmo em ambas as partes. Se chamarmos uma mente de C (para “convidada” ou doadora) e a outra A (para “anfitriã” ou receptora), então C deverá ter completa intenção de inspecionar A ou de informá-la. Mas o conhecimento pode ser ganho ou transmitido por C, mesmo quando A não estiver procurando ou pretendendo transmitir ou aprender: o ato de C será efetivo, se A estiver simplesmente “aberta” (láta; látie “abertura”). Essa distinção, ele diz, é de suma importância.

A “Abertura” é o estado simples ou natural (indo) de uma mente que não está de outra forma ocupada (Nota 2). Na “Arda Não-Desfigurada” (isto é, em condições ideais livres do mal) a abertura seria o estado natural. No entanto, qualquer mente pode ser fechada (pahta). Isso requer um ato de vontade consciente: a Negação (avanir). Ela pode ser feita contra C, contra C e alguns outros, ou ser um isolamento total voltado para a “privacidade” (aquapahtie).

Embora em “Arda Não-Desfigurada” a abertura seja o estado natural, cada mente possui, desde sua primeira percepção como um indivíduo, o direito de fechar-se; e ela possui poder absoluto para tornar isso eficaz pela vontade. Nada pode penetrar a barreira da Negação (Nota 3).

Todas essas questões, diz Pengolodh, são verdadeiras a todas as mentes, dos Ainur na presença de Eru, ou os grandes Valar, tais como Manwë e Melkor, aos Maiar em Eä, e até aos menores dos Mirröanwi. Mas diferentes estados trazem limitações, que não são totalmente controladas pela vontade.

Os Valar entraram em Eä e no Tempo de livre vontade, e eles agora estão no Tempo, enquanto este durar. Eles não podem perceber nada fora do Tempo, salvo pela memória de sua existência antes dele começar: eles podem recordar a Canção e a Visão. Eles estão, certamente, abertos a Eru, mas eles não podem, de sua própria vontade, “ver” qualquer parte de Sua mente. Eles podem se abrir a Eru em súplica, e Ele pode então revelar Seu pensamento a eles (Nota 4).

Os Encarnados possuem pela natureza da sáma as mesmas aptidões; mas a sua percepção é obscurecida pelo hröa, pois seu fëa é ligado ao seu hröa, e seu procedimento normal é através do hröa, que é em si parte de Eä, sem pensamento. O obscurecimento é de fato duplo; pois o pensamento tem que passar do manto de um hröa e penetrar em outro. Por essa razão, nos Encarnados, a transmissão de pensamento requer fortalecimento para ser efetiva. O Fortalecimento pode ser por afinidade, por urgência, ou por autoridade.

A Afinidade pode ser devido ao parentesco; pois isso pode aumentar a semelhança de hröa para hröa, e também dos interesses e modos de pensamento dos fëar residentes; o parentesco também é normalmente acompanhado por amor e simpatia. A Afinidade pode vir simplesmente do amor e amizade, que é a semelhança ou afinidade de fëa para fëa.

A Urgência é transmitida por grande necessidade do “remetente” (como em contentamento, pesar ou medo); e se essas questões forem comuns em qualquer grau ao “receptor”, o pensamento é o mais claro recebido. A Autoridade também pode conceder força ao pensamento de alguém que possui uma responsabilidade quanto a outro, ou de qualquer governante que tenha um direito a emitir comandos ou a buscar a verdade para o bem de outros.

Essas causas podem fortalecer o pensamento para passar os véus e alcançar uma mente receptora. Mas essa mente deve permanecer aberta, e ao menos passiva. Se, estando ciente que ele é endereçado, ela então se fecha, e nenhuma urgência ou afinidade permitirá o pensamento do remetente entrar.

Por fim, a tengwesta também se torna um impedimento. Ela é nos Encarnados mais clara e mais precisa do que sua recepção direta de pensamento. Por ela eles também podem se comunicar facilmente com outros, quando nenhuma força é adicionada ao seu pensamento: como, por exemplo, quando estranhos encontram-se pela primeira vez. E, como vimos, o uso da “linguagem” logo se torna habitual, de modo que a prática do ósanwë (intercâmbio de pensamento) é negligenciada e torna-se mais difícil. Assim, vemos que os Encarnados tendem mais e mais a usar ou empenhar-se a usar o ósanwë somente em grande necessidade ou urgência, e especialmente quando a lambe é inútil. Como quando a voz não pode ser ouvida, o que acontece principalmente por causa da distância. Pois a distância em si não oferece qualquer impedimento ao ósanwë. Mas aqueles que por afinidade bem podem usar o ósanwë, usarão a lambe quando em proximidade, por hábito ou preferência. Nós também ainda podemos notar como os “afinados” podem compreender mais rapidamente a lambe que usam entre si e, realmente, tudo o que diriam não seria posto em palavras. Com menos palavras, eles chegam mais rápido a um melhor entendimento. Não pode haver dúvida que aqui o ósanwë também acontece freqüentemente; pois a vontade de conversar em lambe é uma vontade de comunicar o pensamento, e ela abre as mentes. Pode ser, certamente, que ambos que conversem já saibam parte do assunto e do pensamento do outro quanto a ele, de forma que apenas alusões ao estranho necessitam ser feitas; mas isso não é sempre assim. Os afinados alcançarão um entendimento mais rapidamente do que estranhos sobre assuntos que nenhum dos dois tenha discutido antes, e perceberão mais rapidamente a importância de palavras que, embora numerosas, bem escolhidas e precisas, permanecem inadequadas.

O hröa e a tengwesta têm um efeito inevitavelmente semelhante sobre os Valar, se esses assumem vestes corpóreas. O hröa turvará em certo grau o envio do pensamento em força e precisão, e a recepção dele, se o outro também for encarnado. Se eles tiverem adquirido o hábito da tengwesta, assim como alguns podem ter adquirido o costume de serem ordenados, então isso reduzirá a prática do ósanwë. Mas esses efeitos são em grande parte menos sentidos no caso dos Encarnados.

Pois o hröa de um Vala, mesmo tendo se tornado costumeiro, está muito mais sob o controle da vontade. O pensamento dos Valar é muito mais poderoso e penetrante. E, até onde diz respeito aos seus relacionamentos uns com os outros, a afinidade entre os Valar é maior do que a afinidade entre quaisquer outros seres; de forma que o uso da tengwesta ou da lambe nunca se fez necessário, e apenas com alguns isso se tornou um costume e uma preferência. E quanto aos seus relacionamentos com todas as outras mentes em Eä, seu pensamento freqüentemente possuía a mais alta autoridade, e a maior urgência. (Nota 5)

Pengolodh então prossegue para os abusos do sanwë. “Pois” ele diz, “aqueles que leram até aqui, podem já ter questionado meu conhecimento, dizendo: Isso não parece de acordo com as histórias. Se a sáma era inviolável pela força, como poderia Melkor ter iludido e escravizado tantas mentes? Ou não é totalmente verdadeiro que a sáma pode ser protegida por uma força maior mas também capturada por uma força superior? Razão pela qual Melkor, o maior, e possuidor da mais dura, determinada e cruel vontade, poderia penetrar as mentes dos Valar, mas se continha em relação a eles, de forma que mesmo Manwë ao lidar com ele pode nos parecer às vezes débil, descuidado e ludibriado. Não é dessa forma?”

“Digo que isso não se dá desse modo. Tais coisas podem parecer-se, mas se em gênero elas são totalmente diferentes, elas devem ser distintas. A previdência, que é a previsão, e o prognóstico, que é a opinião tomada pelo raciocínio sobre a presente evidência, podem ser idênticos em sua predição, mas são completamente diferentes em modo, e deveriam ser distinguidos por mestres de tradição, mesmo se a língua habitual, tanto de Elfos como de Homens, lhes der o mesmo nome como áreas da sabedoria”. (Nota 6)

Desse modo, a extorsão dos segredos de uma mente parece vir da leitura da mesma pela força, a despeito de sua negação, pois o conhecimento ganho (à força) pode, às vezes, mostrar-se tão completo como qualquer um que pudesse ser obtido (de livre vontade). Entretanto, ele não vem da penetração da barreira da negação.

Não há, de fato, nenhuma axan para que a barreira não devesse ser forçada, pois isso é únat, uma coisa impossível de ser ou de ser feita, e quanto maior a força exercida, maior a resistência da negação. Mas é uma axan universal que ninguém tomará de outro diretamente pela força ou indiretamente por embuste o que ele tem direito a possuir e guardar a si próprio.

Melkor repudiava todas as axani. Ele também aboliria (por si próprio) todas as únati se pudesse. Realmente, no seu princípio e nos dias de seu grande poder, as mais devastadoras de suas violências vinham então de seu esforço em ordenar Eä para que não houvesse limites ou obstáculos para sua vontade. Mas isso ele não pôde fazer. As únati permaneceram, uma lembrança perpétua da existência de Eru e Sua invencibilidade, uma lembrança também da coexistência de si mesmo com outros seres (iguais na origem, senão em poder) inexpugnável à força. Disso se origina sua incessante fúria implacável.

Ele percebeu que a aproximação aberta de uma sáma de grande poder e força de vontade era sentida por uma sáma inferior como uma imensa pressão, acompanhada por medo. Dominar por influência de poder e medo era seu deleite; mas nesse caso os considerava inúteis: o medo fechava a porta mais rapidamente. Por esse motivo ele tentou o engano e a furtividade.

Aqui ele foi auxiliado pela simplicidade daqueles inconscientes do mal, ou ainda não acostumados a se acautelarem com relação a ele. E por essa razão, foi dito acima que a distinção de franqueza e vontade ativa para entreter era de grande importância. Pois ele chegava furtivamente a uma mente aberta e incauta, esperando estudar parte de seu pensamento antes que este se fechasse, e ainda mais, implantar nele seu próprio pensamento, para enganá-lo e convencê-lo de sua amizade. Seu pensamento era sempre o mesmo, embora variasse para se adaptar a cada caso (até onde o compreendia): ele estava acima de todos benevolentes; ele era rico e poderia dar qualquer presente que desejassem a seus amigos; ele tinha uma afeição especial com aquele ao qual ele se dirigia; mas nele deviam confiar.

Deste modo ele obteve a entrada a muitas mentes, removendo sua negação, e abria a porta com a única chave, embora sua chave fosse falsificada. Mas isso não era o que ele mais desejava, a conquista dos relutantes, a escravização de seus inimigos. Aqueles que o escutavam e não fechavam a porta freqüentemente já eram inclinados à sua amizade; alguns (de acordo com seus limites) já haviam ingressado em caminhos semelhantes ao seu próprio, e lhe davam ouvidos porque esperavam aprender e receber dele ensinamentos que serviriam aos seus próprios propósitos. (Assim ocorreu com aqueles dos Maiar que primeiro e mais precocemente caíram sob sua dominação. Eles já eram rebeldes, mas desprovidos do poder de Melkor e de sua cruel vontade, admiravam-no, e viram em sua liderança a esperança de uma rebelião efetiva.) Porém, aqueles que ainda eram inocentes e não corrompidos no “coração” (Nota 7) ficaram imediatamente cientes de sua entrada, e se davam atenção ao aviso de seus corações, cessavam de escutá-lo, expulsavam-no, e fechavam a porta. Eram estes que Melkor mais desejava subjugar: seus inimigos, pois para ele todos eram inimigos que lhe resistiam à mais ínfima idéia ou reinvidicavam o que quer que fosse como pertencente a si próprios, e não a ele.

Portanto ele procurou meios de vencer a únat e a negação. E essa arma ele encontrou na “linguagem”. Pois agora falamos dos Encarnados, os Eruhíni que ele mais desejava subjugar a despeito de Eru. Seus corpos, sendo de Eä, estão sujeitos à força; e seus espíritos, sendo ligados a seus corpos em amor e solicitude, estão sujeitos ao medo em seu benefício. E sua linguagem, embora venha do espírito ou da mente, atua através e com o corpo: ela não é a sáma nem seu sanwë, mas pode expressar o sanwë ao seu modo e de acordo com sua capacidade. Sobre o corpo e sobre o espírito, portanto, tal pressão e medo podem ser exercidos para que a pessoa encarnada seja forçada a falar.

Assim Melkor ponderou em sua previdência por muito tempo antes que acordássemos. Pois nos dias antigos, quando os Valar instruíram os Eldar recém chegados à Aman a respeito do princípio das coisas e da inimizade de Melkor, o próprio Manwë disse àqueles que escutassem: “Dos Filhos de Eru, Melkor sabia menos do que seus iguais, prestando menos atenção ao que ele poderia ter aprendido, como nós fizemos, na Visão de sua Chegada. Todavia, como agora tememos, uma vez que conhecemos vocês em seu verdadeiro ser, quanto a tudo que possa auxiliar em seus propósitos, sua mente ansiava em alcançar a maestria, e seu propósito saltou adiante mais rapidamente do que o nosso, não estando ligado à nenhuma axan. Desde o princípio ele estava muito interessado na linguagem, aquele talento que os Eruhíni têm por natureza; mas nós não percebemos de imediato a malícia nesse interesse, pois muitos de nós o compartilhavam, e sobretudo Aulë. Mas descobrimos a tempo que ele criara uma linguagem para aqueles que o serviam; e ele aprendeu nossa língua com facilidade. Ele possui uma grande habilidade nessa matéria. Sem dúvida ele dominará todas as línguas, mesmo a bela fala dos Eldar. Portanto, se alguma vez falarem com ele, acautelem-se!”

“Ai de mim!”, diz Pengolodh, “Em Valinor Melkor usava o Quenya com tal maestria que todos os Eldar ficavam impressionados, pois seu uso não podia ser melhorado, raramente sequer igualado, pelos poetas e pelos mestres de tradição”.

Desse modo, por fraude, por mentiras, pelo tormento do corpo e do espírito, pela ameaça de sofrimento a outros bem amados, ou pelo terror absoluto de sua presença, Melkor sempre procurou forçar o Encarnado que caía nas mãos do seu poder, ou chegava ao seu alcance, a falar e lhe contar tudo o que soubesse. Mas sua própria Mentira gerou uma prole interminável de mentiras.

Por essses meios ele destruiu muitos, causou enormes traições, e ganhou conhecimento de segredos para sua grande vantagem e para a ruína de seus inimigos. Mas isso não era feito pela penetração da mente, ou pela leitura dela como ela é, em seu menosprezo. Não, pois embora grande o conhecimento que ele ganhara, por trás das palavras (mesmo daquelas em medo e tormento) sempre estava a sáma inviolável: as palavras não estão nela, embora possam proceder dela (como gritos por trás de uma porta trancada); elas devem ser julgadas e avaliadas pela verdade que possa nelas existir. Por esse motivo, o Mentiroso diz que todas as palavras são mentiras: todas as coisas que ele escuta são passadas adiante com fraude, evasões, significados ocultos e ódio. Nessa vasta malha ele mesmo enredou lutas e fúrias, consumido pela suspeita, incerteza e medo. Não teria sido dessa forma, se ele pudesse ter quebrado a barreira, e visto o coração como ele é em sua verdade revelada.

Se falarmos por último da “tolice” de Manwë e da fraqueza e imprudência dos Valar, tomemos cuidado ao julgar. Nas histórias, realmente, podemos nos impressionar e sofrer ao ler como (aparentemente) Melkor enganou e seduziu outros, e como mesmo Manwë mostra-se, de vez em quando, quase um ingênuo se comparado a ele: como se um pai afável, porém ignorante, estivesse tratando uma criança impertinente que seguramente perceberia na hora apropriada o erro de seus modos. Enquanto que nós, observando e sabendo a conseqüência, vemos agora que Melkor conhecia bem o erro de seus métodos, mas estava fixado neles pelo ódio e orgulho, além de qualquer retorno. Ele poderia ler a mente de Manwë, pois a porta estava aberta; mas sua própria mente era falsa e, mesmo que a porta parecesse aberta, havia portas de ferro no interior, fechadas para sempre.

Como, de outra forma, você a teria? Deveria Manwë e os Valar enfrentar segredos com subterfúgios, traição com falsidade, mentiras com mais mentiras? Se Melkor usurpasse os direitos deles, deveriam eles negar o dele? Pode ódio sobrepujar ódio? Não, Manwë era mais sábio; ou, estando sempre aberto a Eru, feito sua vontade, a qual é mais do que sabedoria. Ele estava sempre aberto porque não possuía nada a esconder, nenhum pensamento que fosse prejudicial para qualquer um ter conhecimento, se pudessem compreendê-lo. De fato Melkor conhecia sua vontade, indubitavelmente; e ele sabia que Manwë era limitado pelos comandos e injunções de Eru, e faria isso ou abster-se-ia em concordância a eles, sempre, mesmo sabendo que Melkor as quebraria (as barreiras) conforme servisse ao seu propósito. Dessa forma, o impiedoso sempre contará com a piedade, e os mentirosos fazem uso da verdade; pois se a piedade e a verdade são mantidas pelo cruel e pelo mentiroso, elas deixaram de ser respeitadas.

Manwë não poderia tentar por pressão forçar Melkor a revelar seus pensamentos e propósitos, ou (se ele usasse palavras) falar a verdade. Se ele falasse e dissesse: isto é verdade, deveriam nele acreditar até que fosse provado falso; se ele dissesse: isto eu farei, como vocês desejam, deveriam lhe permitir a oportunidade para cumprir sua promessa. (Nota 8)

A força e a restrição que foram usadas em Melkor, pelo poder reunido de todos os Valar, não foram usadas para extorquir uma confissão (que era desnecessária); nem para compeli-lo a revelar seu pensamento (o que era ilegal, mesmo que não fosse em vão). Ele foi feito prisioneiro como uma punição pelos seus atos malignos, sujeito à autoridade do Rei. Assim podemos dizer; mas seria melhor dizer que ele foi destituído por um período, estabelecido pela promessa, de seu poder para agir, de forma que ele pudesse repensar e considerar a si mesmo, e ter assim a única oportunidade para que através da piedade pudesse alcançar o arrependimento e a correção. Para a cura de Arda, de fato, mas também para sua própria cura. Melkor tinha o direito à existência, e o direito de agir e usar seus poderes. Manwë possuía a autoridade para governar e ordenar o mundo, tanto quanto pudesse, para o bem-estar dos Eruhíni; mas se Melkor se arrependesse e retornasse à sua lealdade a Eru, deveria lhe ser dada sua liberdade novamente. Ele não pode ser escravizado, nem pode ser negada sua posição. A função do Rei Mais Velho era manter todos seus assuntos em fidelidade a Eru, e nessa fidelidade mantê-los livres.

Portanto, não até o final, e não até pela ordem expressa de Eru e pelo Seu poder, fora Melkor deposto e privado para sempre de todo poder para fazer ou desfazer.

Quem entre os Eldar sustenta que o cativeiro de Melkor em Mandos (que foi alcançado pela força) fora insensato ou ilegal? Mesmo a resolução de atacar Melkor, não meramente para opor-se a ele, para reunir violência com ira para o risco de Arda, foi tomada por Manwë apenas com relutância. E considere: que bem, nesse caso, mesmo o uso ilegal da força conseguiu? Isso o removeu por um tempo e aliviou a Terra-média da pressão de sua malícia, mas isso não erradicou seu mal, pois isso não podia ser feito. A menos que, talvez, Melkor de fato tivesse se arrependido. (Nota 9) Mas ele assim não o fez, e na humilhação ele tornou-se mais obstinado: mais sutil em seu engodos, mais perspicaz em suas mentiras, mais cruel e vil em sua vingança. A mais fraca e mais imprudente de todas as ações de Manwë, como parece a muitos, foi a libertação de Melkor do cativeiro. Disso veio a maior perda e o maior dano: a morte das �?rvores, e o exílio e angústia dos Noldor. Ainda assim, através desse sofrimento também se atingiu, como talvez não pudesse se atingir de outro modo, a vitória dos Dias Antigos: a queda de Angband e a última deposição de Melkor.

Quem pode então dizer com certeza que se Melkor tivesse sido mantido aprisionado, menos mal teria se seguido? Mesmo em sua redução, o poder de Melkor está além da nossa compreensão. Ainda assim, algumas explosões devastadoras de seu desespero não são o pior que podia ter se sucedido. A libertação foi de acordo com a promessa de Manwë. Se Manwë tivesse quebrado essa promessa para seus próprios propósitos, ainda que “bons”, ele teria dado um passo em direção aos caminhos de Melkor. Esse é um passo perigoso. Naquela hora e ato, ele poderia ter deixado de ser o vice-regente do Uno, tornando-se somente um rei que toma vantagem sobre um rival que ele conquistou pela força. Teríamos então os sofrimentos que se sucedessem; ou veríamos o Rei Mais Velho perder sua honra, e então passar, talvez, para um mundo despedaçado entre dois orgulhosos governantes aspirando o trono? Disto podemos estar certos, nós, crianças de força pequena: qualquer um dos Valar poderia ter tomado os caminhos de Melkor e tornado-se como ele: mas um era suficiente.

Notas do Autor para o Ósanwë-kenta

Nota 1 – Aqui níra (“vontade”, como um potencial ou faculdade), uma vez que o requerimento mínimo é que essa faculdade não seja exercida em negação; a ação ou um ato de vontade é nirme; assim como sanwë “pensamento” ou “um pensamento” é a ação ou um ato da sáma.

Nota 2 – Ela pode ser ocupada com o pensamento e ficar desatenta a outras coisas; ela pode ser “voltada em direção a Eru”; ela pode entrar em “conversação de pensamento” com uma terceira. Pengolodh diz: “Apenas grandes mentes podem conversar com mais do que uma outra ao mesmo tempo; várias podem conferenciar, mas então, de uma vez, apenas uma transmite, enquanto as outras recebem”.

Nota 3 – “Mente alguma pode, de qualquer modo, ser fechada contra Eru, tampouco contra Sua inspeção ou contra Sua mensagem. Pode-se não estar atento a esta última, mas não se pode dizer que não a tenham recebido”.

Nota 4 – Pengolodh acrescenta: “Alguns dizem que Manwë, por uma graça especial ao Rei, podia ainda em certa medida perceber Eru; outros dizem que, mais provavelmente, ele permaneceu perto de Eru, e Eru estava na maioria das vezes pronto para ouvi-lo e responder-lhe”.

Nota 5 – Aqui Pengolodh acrescenta uma longa nota sobre o uso dos hröar pelos Valar. Em resumo, ele diz que, embora seja em origem um “auto vestir-se”, ele pode tender a se aproximar do estado de “encarnação”, especialmente com os membros inferiores daquela ordem (os Maiar). “É dito que, quanto mais tempo o mesmo hröa é usado, maior é a ligação ao hábito, e menos deseja o auto vestir-se abandoná-lo. Como vestimenta, pode logo deixar de ser um adorno, e se tornar (como é dito nas línguas tanto de Elfos como de Homens) um hábito, uma roupa costumeira. Ou se entre Elfos e Homens ela seja usada para mitigar o calor e o frio, ela logo torna o corpo vestido menos capaz de suportar tais coisas quando despido”. Pengolodh também cita a opinião de que se um “espírito” (isto é, um daqueles não encarnados pela criação) usa um hröa em auxílio a seus propósitos pessoais, ou (ainda mais) para o deleite de faculdades corpóreas, ele sente a dificuldade aumentar para operar sem o hröa. As coisas que são mais obrigatórias são aquelas que no Encarnado têm a ver com a vida do próprio hröa, seu sustento e propagação. Dessa forma, comer e beber são obrigatórios, mas não o prazer na beleza do som ou forma. A maioria das obrigações é criada ou compreendida.

“Não sabemos as axani (leis, regras, como primeiramente originadas de Eru) que foram estabelecidas sobre os Valar com referência em particular ao seu estado, mas parece claro que não havia uma axan contra tais coisas. No entanto, parece existir uma axan, ou talvez consequência necessária que, se eles estão decididos, o espírito deve então habitar o corpo que é usado, e ficar sob as mesmas necessidades do Encarnado. O único caso que é conhecido nas histórias dos Eldar é o de Melian, que se tornou esposa do Rei Elu Thingol. Isso com certeza não foi feito com maldade ou contra a vontade de Eru, e embora tenha levado ao sofrimento, tanto Elfos como Homens foram enriquecidos”.

“Os grandes Valar não realizam tais coisas: eles não geram, nem comem ou bebem, exceto nos altos asari (festivais), como prova de sua autoridade e habitação de Arda, e para a benção do sustento dos Filhos. Apenas Melkor dentre os Grandes tornou-se por fim limitado a uma forma corpórea; mas assim o era por causa do uso que ele fez disso, no seu intento de se tornar Senhor dos Encarnados, e por causa das grandes perversidades que cometera quando em corpo visível. Ele também dissipou seus poderes nativos para o controle de seus agentes e servos, de forma que ele se tornou no final, em si mesmo e sem o apoio deles, algo enfraquecido, consumido pelo ódio e incapaz de restaurar a si próprio do estado ao qual havia caído. Mesmo a sua forma visível ele não mais podia dominar, de modo que seu horror não podia mais ser mascarado, e isso revelou a maldade de sua mente. Assim também foi com alguns de seus maiores servos, como vemos nestes dias atuais: eles se tornaram unidos às formas de seus atos malignos, e se estes corpos eram tomados deles ou destruídos, eles eram anulados, até que tivessem reconstruído uma imagem de suas habitações anteriores, com a qual eles podiam continuar os cursos malignos nos quais eles haviam se fixado”. (Pengolodh aqui se refere evidentemente a Sauron, em particular, com cuja elevação partiu, por fim, da Terra-média. Mas a primeira destruição da forma corpórea de Sauron foi registrada nas histórias dos Dias Antigos, na Balada de Leithian.)

Nota 6 – Pengolodh aqui elabora (embora não seja necessário ao seu argumento) essa questão de “previsão”. Nenhuma mente, ele afirma, conhece o que nela não está. Tudo o que fora experimentado está nela, apesar de que no caso dos Encarnados, dependendo dos instrumentos do hröa, algumas coisas podem ser “esquecidas”, não estando imediatamente disponíveis para recordação. Mas nenhuma parte do “futuro” lá está, pois a mente não pode vê-lo nem tê-lo visto: isto é, uma mente situada no tempo. Tal mente pode aprender sobre o futuro apenas a partir de outra mente que o tenha visto. Mas isso significa apenas diretamente de Eru, ou por intermédio de alguma mente que tenha visto em Eru alguma parte de Seu propósito (assim como os Ainur, que agora são os Valar em Eä). Só assim um Encarnado pode conhecer algo do futuro: por instrução derivada dos Valar, ou por uma revelação vinda diretamente de Eru. Mas qualquer mente, seja dos Valar ou dos Encarnados, pode deduzir pela razão o que pode ou irá ocorrer. Isso não é previsão, mesmo que possa parecer claro em termos e, de fato, mesmo mais preciso do que vislumbres de previsão. Nem mesmo se isso for formado por visões vistas em sonho, um meio segundo o qual a “previsão” é freqüentemente revelada à mente.

Mentes que possuem grande conhecimento do passado, do presente, e da natureza de Eä, podem predizer com grande precisão, e quanto mais próximo o futuro, mais claro ele se apresenta (exceto, sempre, pela liberdade de Eru). Portanto, muito do que é chamado “previsão”, em palavras desatentas, é apenas a dedução do sábio; e se isso for recebido, como advertência ou instrução, dos Valar, pode ser somente a dedução do mais sábio; embora isso possa às vezes, por outro lado, ser “previsão”.

Nota 7enda. Essa palavra nós traduzimos como “coração”, embora não tenha nenhuma referência física a qualquer órgão do hröa. Ela significa “centro”, e refere-se (embora pela inevitável alegoria física) ao fëa ou a própria sáma, distinto da periferia (aparentemente) de seus contatos com o hröa; autociente; favorecido com a sabedoria primordial de sua estrutura que o faz sensível a qualquer coisa hostil mesmo em seu menor grau.

Nota 8 – Razão pela qual Melkor freqüentemente falava a verdade, e de fato ele raramente mentia sem que houvesse qualquer mescla de verdade. A não ser em suas mentiras contra Eru; e foi talvez por expressar essas mentiras que lhe foi negado qualquer retorno.

Nota 9 – Alguns sustentam que, embora o mal possa então ter sido mitigado, ele não pode ter sido desfeito mesmo pelo arrependimento de Melkor; pois o poder partiu dele e não estava mais sob o controle da sua vontade. Arda foi desfigurada na sua própria existência. As sementes que a mão espalha crescerão e se multiplicarão mesmo que a mão seja removida.

Tradução de Gabriel Oliva Brum

Glorfindel

Glorfindel

No verão de 1938, quando meu pai estava refletindo sobre O Conselho de Elrond no O Senhor dos Anéis, ele escreveu: ‘Glorfindel fala de sua origem em Gondolin’ [VI.214]. Mais de trinta anos depois ele levantou a questão se Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda eram realmente um e o mesmo, e esta foi discutida em duas discussões, junto com outros escritos breves ou fragmentários associados com eles. Eu irei me referir a estes como ‘Glorfindel I’ e ‘Glorfindel II’. A primeira página de Glorfindel I está faltando, e a segunda página começa com as palavras ‘como guardas ou assistentes’. Então se segue:
Um Elfo que conhecesse a Terra-média e tivesse lutado nas longas guerras contra Melkor seria uma companhia realmente adequada para Gandalf. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel [possivelmente como um de um pequeno grupo, mais provavelmente como uma companhia única] desembarcou com Gandalf-Olórin por volta de 1000 da Terceira Era. Esta suposição pode realmente explicar o ar de poder especial e santidade que cercava Glorfindel – percebava como o Rei-Bruxo fugiu dele, enquanto todos os outros [como o Rei Eárnur] embora corajosos não conseguiam fazer seus cavalos encará-lo [Apêndice A [I, iv]]. De acordo com os registros [completamente independente deste caso] sobre a natureza Élfica dados em outro local, e suas relações com os Valar, quando Glorfindel foi morto seu espírito foi para Mandos e foi julgado, e então permaneceu nos Salões de Espera até que Manwë lhe concedesse liberdade. Os Elfos eram por natureza destinados a serem ‘imortais’, até os limites desconhecidos da vida na Terra como um mundo habitável, e seus desligamentos corporais eram mortificantes. Era o dever dos Vala, então, restaurá-los, se eles fossem mortos, para a vida encarnada, se eles assim o desejassem – a não ser por alguma razão grave [e rara]: como os feitos de grande mal, ou quaisquer feitos de malícia dos quais permanecessem obstinadamente sem arrependimento. Quando eles eram re-incorporados eles podiam permaneceer em Valinor ou retornar para a Terra-média se seu lar tivesse sido lá. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel, após a purificação ou perdão de sua parte na rebelião dos Noldor, foi liberto de Mandos e tornou-se ele mesmo novamente, mas permaneceu no Reino Abençoado – pois Gondolin foi destruída e todos ou a maioria de seus parentes tinham perecido. Nós podemos dessa forma compreender porqeu ele parecia uma figura tão poderosa e quase ‘angelical’. Pois ele tinha retornado à primitiva inocência dos Primogênitos, e tinha então vivido entre aqueles Elfos que nunca se rebelaram, e em companhia dos maiar por eras: desde os últimos anos da Primeira Era, através da Segunda Era até o final do primeiro milênio da Terceira Era: antes dele retornar à Terra-média. É também bastante provável que ele já em Valinor tenha se tornado um amigo e um seguidor de Olórin. Mesmo nos breves vislumbres dados sobre ele em O Senhor dos Anéis ele aparece como especialmente preocupado com Gandalf, e foi um [o mais poderoso, ao que parece] daqueles mandados de Valfenda quando as preocupantes notícias de que Gandalf não reaparecera para guiar ou proteger o Portador do Anel chegaram a Elrond.O segundo ensaio, Glorfindel II, é um texto de cinco páginas manuscritas que sem dúvida segui-se ao primeiro depois de um curto intervalo; mas um pedaço de papel no qual meu pai apressadamente colocou alguns pensamentos sobre a matéria presumivelmente veio entre eles, visto que ele disse ali que enquanto gandalf poderia ter vindo com Gandalf, ‘parece bem mais verossímel que ele tenha sido mandado na crise da Segunda Era, quando Sauron invadiu Eriador, para auxiliar Elrond, e embora não [ainda] mencionado nos anais relatando a derrota de Sauron ele representou um notável e heróico papel na guerra.’ Ao final desta nota ele escreveu as palavras ‘navio Numenoriano’, presumivelmente indicando como Glorfindel poderia ter cruzado o Grande Mar.Seu nome é de fato derivado do mais antigo trabalho na mitologia: A Queda de Gondolin, escrito em 1916-1917, no qual a linguagem Élfica que no final das contas tornou-se aquela do tipo conhecido como Sindarin estava em uma forma primitiva e desorganizada, e sua relação com o tipo chamado Alto Élfico [por si mesmo bastante primitivo] ainda era aleátorio. A intenção era que significasse ‘Tranças Douradas’, e foi o nome dado ao ‘Gnomo’ [Noldo] heróico, um líder de Gondolin, que na passagem de Cristhorn [‘abismo das �?guias’] lutou com um Balrog [>Demônio], a quem ele matou ao custo de sua própria vida.Seu uso em O Senhor dos Anéis é um dos casos do uso de alguma forma aleatório dos nomes encontrados nas antigas lendas, agora conhecidas como sendo O Silmarillion, e que escapou à reconsideração na versão final publicada de O Senhor dos Anéis. Isto é desafortunado, uma vez que agora o nome é difícil de encaixar no Sindarin, e possivelmente não pode ser Quenyarin. Também na agora organizada mitologia, dificuldades estão presentes nas coisas anotadas sobre Glorfindel em O Senhor dos Anéis, se Glorfindel de Gondolin é supostamente a mesma pessoa que Glorfindel de Valfenda.

Como mencionado anteriormente: ele foi morto na Queda de Gondlin ao final da Primeira Era, e se um líder daquela cidade deveria ser um Noldo, um dos Senhores Élficos na tropa do Rei Turukáno [Turgon]; de qualquer maneira quando A Queda de Gondolin foi escrito ele certamente foi pensado como um. Mas os Noldor em Beleriand eram exilados de Valinor, tendo se rebelado contra a autoridade de Manwë, supremo líder dos Valar, e Turgon fora um dos apoiadores mais determinados e sem arrependimento da rebelião de Fëanor. Não há’como escapar disso. Gondolin no O Silmarillion é dita ter sido construída e ocupada por um povo de origem quase inteiramente Noldorin. Poderia ser possível, embora inconsistente, supor que um príncipe de origem Sindarin uniu-se à tropa de Turgon, mas isto iria contradizer inteiramente o que é dito de Glorfindel em Valfenda em O Senhor dos Anéis, onde é dito ele ser um dos ‘senhores dos Eldar de além do mais distantes mares… que havia morado no Reino Abençoado.’ Os Sindar nunca haviam deixado a Terra-média.

Esta dificuldade, muito mais séria que a linguística, deve ser considerada primeiro. De qualquer modo a solução mais simples à primeira vista deve ser abandonada: aquela na qual temos uma mera duplicação de nome, e que Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda são pessoas diferentes. Esta repetição de um nome tão impressionante, embora possível, não é crível. Nenhum outro personagem de destaque nas lendas Élficas como relatadas em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis tem um nome usado por outra personalidade Élfica de importância. Também pode ser percebido que a aceitação de Glorfindel de antigamente e da Terceira Era realmente explica o que é dito dele e aprimora a história.

Quando Glorfindel de Gondolin foi morto seu espírito deveria, de acordo com as leis estabelecidas pelo Um, ser obrigado a retornar imediatamente para a terra dos Valar. Lá então ele deveria ser julgado, e permaneceria nos ‘Salões de Espera’ até que Manwë lhe concedesse perdão. Elfos foram destinados a serem ‘imortais, isto é não morrer dentro dos limites desconhecidos estabelecidos pelo Um, que no máximo seria até o fim da vida da Terra como um mundo habitável. Suas mortes – por qualquer ferimento a seus corpos que fosse tão severo que não pudesse ser curado – e o desligamento corporal de seus espíritos era um assunto ‘não-natural’ e doloroso. Era então dever dos Valar, por comando do Um, restaurá-los à vida encarnada, se assim o desejassem. Mas esta ‘restauração’ poderia ser adiada por Manwë, se o fëa enquanto vivo tivesse cometido atos malignos e recusado a se arrepender deles, ou ainda mantinha qualquer malícia contra qualquer outra pessoa entre os vivos.

Agora Glorfindel de Gondolin era um dos Noldor exilados, rebeldes contra a autoridade de Manwë, e eles estavam todos sob a proibição imposta por ele: eles não poderiam retornar em forma corpórea ao Reino Abençoado. Manwë, contudo, não estava preso à suas próprias regrasm e sendo o governante supremo do Reino de Arda poderia colocá-las de lado, quando desejasse. Pelo que é dito em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis é evidente que ele era um Elda de espírito nobre e elevado e pode-se assumir que, embora tenha deixado valinor na tropa de Turgon, então incorrendo na proibição, ele o fez relutantemente devido ao parentesco e lealdade para com Turgon , e não teve parte no fratricídio de Alqualondë.

Mais importante: Glorfindel sacrificou sua vida na defesa dos fugitivos das ruínas de Gondolin contra um Demônio saído de Thangorodrim, e assim permitindo Tuor e Idril filha de Turgon e seus filho Eärendil escapar, e buscar refúgio nas Bocas do Sirion. Apesar dele não ter sabido a importância disto [e teria defendido-os mesmo eles sendo fugitivos de qualquer nível], este feito foi de vital importância para os desígnios dos Valar. É então inteiramente para manter o propósito geral de O Silmarillion a descrição da história subsequente de Glorfindel. Após a purificação de qualquer culpa que ele tivesse assumido na rebelião, ele foi liberto de Mandos, e Manwë o restaurou. Ele tornou-se então novamente uma pessoa vivente encarnada, e foi-lhe permitido morar no Reino Abençoado; pois ele tinha recuperado a graça e inocência primordial dos Eldar. Por longos anos ele permaneceu em valinor, em reunião com os Eldar que não se rebelaram, e em companhia dos Maiar. Para estes ele tinha se tornado quase um igual, pois embora ele fosse um encarnado [para quem uma forma corporal não feita ou escolhida por si mesmo é necessária] seu poder espiritual foi grandemente aumentado pelo seu auto-sacrifício. Em algum momento, provavelmente no início de sua residência provisória em Valinor, ele tornou-se um seguido, e um amigo, de Olórin [Gandalf], que como é dito em O Silmarillion tinha um amor e preocupação especiais pelos Filhos de Ilúvatar. Aquele Olórin, como era possível a um dos Maiar, já tinha visitado a Terra-média e tinha conhecido não apenas os Elfos Sindarin e outros no âmago da Terra-média, mas também com os Homens, mas nada é [>ainda foi] dito sobre isto.

Glorfindel permaneceu no Reino Abençoado, sem dúvida a princípio por sua própria escolha: Gondolin fora destruída, e todos os seus parentes tinham perecido, e estavam nos Salões de Espera inacessíveis pelos vivos. Mas sua longa residência temporária durante os últimos anos da Primeira Era, e pelo menos vários anos na Segunda Era, sem dúvida estavam de acordo com os desejos e desígnios de Manwë.

Quanto então Glorfindel retornou para a Terra-média? Isto deve provavelmente ter ocorrido antes do final da Segunda Era, e a ‘Mudança do Mundo’ e o Afundamento de Númenor, após o que nenhuma criatura viva corpórea, ‘humana’ ou de tipos inferiores poderia retornar dos Reinos Abençoados que haviam sido ‘removidas dos Círculos do Mundo’. Isto de acordo com uma regra geral procedente de Eru; e de qualquer forma, até o final da Terceira Era, quando Eru decretou que o Domínio dos Homens deveria começar, Manwë poderia ter recebido a permissão de Eru para fazer uma exceção em seu caso, e para ter planejado alguns modos de transporte para Glorfindel até a Terra-média, isto é improvável e faria de Glorfindel ter poder e importâncias maiores do que parecia ajustar-se a ele.

Nós então podemos melhor supor que Glorfindel retornou durante a Segunda Era, antes que a ‘sombra’ se estendesse em Númenor, e enquanto os Numenorianos ainda eram saudados pelos Eldar como poderosos aliados. Seu retorno deve ter sido para o propósito de fortalecer Gil-galad e Elrond, quando crescente mal das intenções de Sauron foi finalmente percebido por eles. Poderia, então, ter sido tão cedo quanto 1200 da Segunda Era, quando Sauron veio em pessoa para Lindon e tentou ludibriar Gil-galad, mas foi rejeitado e mandado embora. Mas poderia ter sido, talvez mais provavelmente, tão tarde quanto 1600, o Ano do Terror, quando Barad-dûr foi completada e o Um Anel forjado, e Celebrimbor finalmente tomou consci6encia da armadilha em que caíra. Pois em 1200, embora cheio de ansiedade, Gil-galad sentia-se forte e capaz de lidar com Sauron com descaso. E também a este tempo seus aliados Numenorianos tinham começado a fazer portos permanentes para seus grandes navios, e também muitos deles tinham começado a morar lá definitivamente. Em 1600 tornou-se claro a todos os líderes dos Elfos e Homens [e Anões] que a guerra contra Sauron era inevitável, agora desmascarado como um novo Senhor Escuro. Eles então começaram a se preparam para seu ataque; e sem dúvida mensagens e pedidos urgente por ajuda foram recebidos em Númenor [e em Valinor].

O texto acaba aqui, sem indicação de que está incompleto, embora a ‘dificuldade linguística’ a que ele se refere não foi levantada.

Escrito ao mesmo tempo que os textos ‘Glorfindel’ existe uma discussão da reincarnação Élfica. Ele tem duas versões, uma um rascunho bastante bruto [parcialmente escritos de fato no manuscrito de Glorfindel I] em relação ao outro. Este texto não está incluído aqui, exceto sua parte conclusória, que se refere à crença dos Anões no renascimento ou reaparição de seus pais, mais notavelmente Durin. Eu entrego esta passagem na forma em que está no rascunho original. Ela foi escrita rapidamente [com pontuação omitida, e formas variantes ou frases atropelando0se umas às outras] que na versão impressa que se segue não foi de modo algum transportada; mas são anotados pensamentos emergentes de uma matéria relativa à qual muito pouco é encontrada nos escritos de meu pai.

Esta falsa noção está conectada com várias idéias estranhas que tanto Elfos quanto Homens tinham em relação aos Anões, as quais eram de fato grandemente derivadas dos próprios Anões. Pois os Anões afirmavam que os espíritos dos Sete Pais de suas raças de tempos em tempos renasciam entre seus clãs. Isto é notável principalmente no caso da raça dos barbalongas cujo antepassado primeiro era chamado Durin, um nome tomados de tempo sme tempos por um de seus descendentes, mas não por outros exceto aquels em linha direta de descendência de Durin I. Durin I, o mais antigo dos pais, ‘acordou’ a muito tempo atrás na Primeira Era [suipostamente logo após o despertar dos Homens], mas na Segunda Era vários outros Durin apareceram como reis dos barbalongas [Anfagrim]. Na Terceira Era Durin VI foi morto por um Balrog em 1980. Foi profetizado [pelos Anões], quando Daín Pé-de-Ferro assumiu a realeza em 2941 da Terceira Era [após a Batalha dos Cinco Exércitos], que na sua linha direta apareceria um dia um Durin VII – mas ele seria o último. Sobre estes Durin os Anões reportaram que eles retinham na memória suas vidas anteriores como Reis, como se fosse real, e natualmente incompleta, como se eles tivessem vivido anos consecutivos como uma única pessoa.

Como isto poderia ter chegado ao Elfos não é conhecido; nem os Anões falam muito mais sobre o assunto. Mas os Elfos de Valinor conhecem um estranho conto sobre a origem dos Anões, o qual os Noldro trouxeram para a Terra-média, e declaram que o aprenderem do próprio Aulë. Este poderá sem encontrado entre vários assuntos menores encluídos em notas dou apêndices de O Silmarillion, e não é relatado completamente aqui. Para o presente propósito é suficiente recordar que o criador direto da raça dos Anões foi o Vala Aulë.

Aqui está uma breve versão da lenda da Criação dos Anões, a qual eu omiti; meu pai escreveu no texto: ‘Não é o lugar para contar a história de Aulë e os Anões.’ A conclusão então se segue:

Os Anões acrescenta que àquele tempo Aulë conquistou para eles este privilégio que os distinguia dos Elfos e dos Homens: que os espíritos de cada um dos Pais [como Durin] poderiam, ao final da longa duração da vida destinada aos Anões, adormeceriam, e então descansariam em um túmulo de seus próprios corpos, em descanso, e ali seus cansaços e ferimento que sofreram seriam curados. Então após longos anos eles deveriam acordar e tomar sua realeza novamente.

A segunda versão é bem mais breve, e sobre a questão do ‘renascimento’ dos pais diz apenas: ‘… a reaparição, a longos intervalos, da pessoa de um dos Pais dos Anões, nas linhas de seus reis – especialmente Durin – não é, quando examinada, provavelmente um caso de renascimento, mas da preservação do corpo de um prévio Rei Durin [é dito] para o qual a certos intervalos seu espírito retorna. Mas as relações dos Anões com os valar e especialmente com o Vala Aulë são [ao que parece] bastante diferentes daquelas de Elfos e Homens.’

[Tradução de Fábio Bettega]

Luthiens_Lament_Before_Mandos

A Segunda Profecia de Mandos

Luthiens_Lament_Before_MandosExiste uma referência no Contos Inacabados, na seção Os Istari, que diz o seguinte: “Manwë não descerá da Montanha até a Dagor Dagorath, e a Chegada do Fim, quando Melkor retornará“. Christopher Tolkien fez um comentário no pé da página, ao leitor: “Esta é uma referência à Segunda Profecia de Mandos, que não aparece no Silmarillion; sua elucidação não pode ser tentada aqui, uma vez que necessita de algum explicação da história da mitologia em relação à versão publicada”.

Unfinished Tales foi publicado em 1980, e, afortunadamente, com a publicação, em 1986 do quarto volume da The History of Middle-earth, entitulado The Shaping of Middle-earth, pode-se ententer mais sobre a Segunda  Profecia de Mandos. Elas aparecem neste volume de duas formas, no primeiro Silmarillion, o Sketch of the Mythology como escrito para o primeiro professor de Tolkien, R. W. Reynolds por volta de 1926, e também no Quenta Silmarillion propriamente escrito por volta de 1930. Para a versão do primeiro Silmarillion, veja section 19, pp. 40-1 de The Shaping of Middle-earth. A segunda versão, da qual alguns trechos abaixo foram retirados, encontra-se em section 19 , pp. 163-5 do mesmo volume:”Após o triunfo dos Deuses, Earendel continuou a navegar nos mares do céu, mas o Sol o queimava e a Lua o caçava no céu… Então os Valar desceram de seu navio branco, Wingelot, para a terra de Valinor, e o enxeram com brilho e o consagraram, e o lançaram através da Porta da Noite. E por muito tempo Earendel navegou na vastidão sem estrelas, Elwing a seu lado, a Silmaril à sua fronte, navegando o Escuro atrás do mundo, uma brilhante e fugitiva estrela. E algumas vezes ele retornava e brilhava atrás dos cursos do Sol e da Lua sob a proteção dos Deuses, mais brilhante que todas as outras estrelas, o marinheiro do céu, mantendo guarda a Morgoth até os confins do mundo. Dessa forma deverá navegar até que veja a Última Batalha sendo lutada nas planícies de Valinor.

Dessa forma falou a profecia de Mandos, que ele declarou em Valmar durante o julgamento dos Deuses, e rumores dele são sussurrados por todos os Elfos do Oeste: quando o mundo estiver velho e os Poderes cansarem-se, então Morgoth deverá retornar através da Porta para fora da Noite Eterna; e ele deverá destruir o Sol e a Lua, mas Earendel virá até ele como uma chama branca e o derrubará dos ares. Então deverá ser travada a última batalha sobre os campos de Valinor. Naquele dia Tulkas lutará com Melkor, e à sua direita estará Fionwe e à sua esquerda estará Turin Turambar, filho de Hurin, Conquistador do Destino; e será a espada negra de Turin que trará a Melkor sua morte e fim definitivo; e então as Crianças de Hurin e todos os homens estarão vingados.

 

Então as Silmarilli serão recuperadas do mar, da terra e do céu; pois Eärendil descerá e dará aquela chama a qual mantinha posse. Então Feanor utilizará as Três e com seu fogo reacenderá as Duas Árvores, e uma grande luz surgirá; a as Montanhas de Valinor serão rebaixadas, para que a luz possa atingir todo o mundo. Naquela luz os Deuses novamente sentir-se jovens, e os Elfos despertão e todos os mortos levantarão, e o propósito de Ilúvatar estará completo em relação a eles. Mas dos Homens naquele dia a profecia não fala, com excessão de  Turin apenas, e a ele o nomeia entre os Deuses.

Vinyar_Tengwar

Os Rios e Faróis das Colinas de Gondor

Rios e Fárois de Gondor, com comentários sobre os Numerais Eldarin, de um ensaio não publicado no HoME 12 por falta de espaço

Editado por Carl F. Hostetter
Com comentário e materiais adicionais
fornecidos por Christopher Tolkien
Textos de J.R.R. e Christopher Tolkien ©2001 The Tolkien Trust

Introdução
Este ensaio histórico e etimológico intitulado apenas “Nomenclatura”
por seu autor, pertencente entre outros trabalhos semelhantes que
Christopher Tolkien datou de c. 1967-69 (XII.293-94), incluindo Of
Dwarves and Men, The Shibboleth of Feanor, e The History of Galadriel
and Celeborn, e que foram publicados, por completo ou em parte, em
Contos Inacabados e The Peoples of Middle-earth. De fato, Christopher
Tolkien mostrou numerosos trechos desta composição em Contos
Inacabados. Ele preparou uma apresentação mais completa do texto para
The Peoples of Middle-earth, mas foi omitido daquele volume devido ao
tamanho.

Christopher Tolkien forneceu-me amavelmente tanto o
texto completo da composição quanto sua própria versão editada e
planejada para The Peoples of Middle-earth. Esta edição, sendo
destinada ao público em geral e feita com restrição de espaço,
naturalmente omite um número maior de passagens técnicas e/ou
filológicas discursivas e notas. Editando o texto para o público mais
especializado de Vinyar Tengwar, claro que restabeleci tal assunto
filológico todo. Eu também retive, com seu cortês consentimento, tanto
o próprio comentário de Christopher Tolkien na composição como
praticável (claramente identificado como tal ao longo dela), como provi
algum comentário adicional e notas próprios, principalmente em assuntos
lingüísticos. Além de Christopher Tolkien, eu gostaria de estender
minha gratidão a John Garth, Christopher Gilson, Wayne Hammond,
Christina Scull, Arden Smith, e Patrick Wynne, todos quem leram este
trabalho em rascunho e me apoiaram com muitos comentários úteis e
correções.

O ensaio consiste em treze páginas
datilografadas, numeradas de 1 à 13 por Tolkien. Uma rasgada pela
metade e sem número que continha uma nota manuscrita entitulada
“Complicado demais” (contendo e referindo-se a um longo, discursivo
debate do sistema numérico Eldarin, em particular a explicação do
número 5) foi colocada entre as páginas 8 e 9. Outra folha sem número
segue a última página, contendo uma nota manuscrita no nome Belfalas
(que é parafraseada em CI:281). Todas essas folhas são vários
formulários de escritório da George Allen & Unwin, com os escritos
de Tolkien limitados aos lados em branco, exceto no caso da última
folha. Aqui, o lado impresso foi usado para o rascunho manuscrito do
Juramento de Cirion em Quenya (já muito perto da versão publicada; cf.
CI:340) que foi continuado no topo (relativo à impressão) do lado em
branco. A nota em Belfalas é escrita com a folha de ponta a cabeça (do
rascunho em relação ao impresso).

Sobre a origem e data
deste ensaio, escreve Christopher Tolkien: “Em 30 de junho de 1969 meu
pai escreveu uma carta ao Sr. Paul Bibire, que havia escrito a ele uma
semana antes contando-lhe que tinha passado no exame para Bacharel de
Filosofia em Inglês Antigo em Oxford; ele demonstrava um certo
desapontamento com seu sucesso, alcançado apesar da negligência de
certas partes do curso que ele achou menos atraente, e particularmente
os trabalhos do antigo poeta inglês Cynewulf (ver Sauron Defeated, pág.
285 nota 36). Ao término de sua carta Sr. Bibire disse:
´Conseqüentemente, há algo sobre o que eu tenho desejado saber desde
que eu vi a adição relativa à segunda edição [de O Senhor dos Anéis]:
se o Rio Glanduin é o mesmo que ‘Cisnefrota’ (para a referência ver
Sauron Defeated, pág. 70 e nota 15)”. Christopher Tolkien proveu as
porções referentes a resposta de seu pai (que não foi incluída na
coleção de cartas editadas com Humphrey Carpenter):¹

Foi
amável da sua parte escrever para mim novamente. Eu estava muito
interessado em notícias suas, e muito solidário. Eu achei e acho o caro
Cynewulf um caso lamentável, porque é digno de lágrimas que um homem
(ou homens) com talento em tramar as palavras, o qual deve ter ouvido
(ou lido) tanto agora perdido, tenha gasto seu tempo compondo coisas
tão sem inspiração.² Também em mais de uma vez em minha vida eu
arrisquei minhas perspectivas por negligenciar coisas que não achei
divertidas naquela oportunidade!…

Eu sou agradecido a você
por mostrar o uso de Glanduin no Apêndice A, SdA III, pág. 319.³ Eu não
tenho nenhum índice dos Apêndices e tenho que fazê-lo. O Glanduin é o
mesmo rio que o Cisnefrota, mas os nomes não estão relacionados. Eu
noto no mapa com correções que estão para ser feitas na edição nova a
aparecer ao término deste ano que este rio está marcado por mim como
Glanduin e várias combinações com alph ´Cisne´.4 O nome Glanduin
significa ´rio da fronteira´, um nome dado desde a Segunda Era quando
ele era a fronteira meridional do Eregion, além do qual estavam os
povos hostis de Dunland. Nos primeiros séculos dos Dois Reinos,
Enedwaith (Povo do Meio) era uma região entre o reino de Gondor e o
reino de Arnor, em vagaroso estado de desaparecimento (incluiu
Minhiriath originalmente (Mesopotamia)). Ambos os reinos compartilhavam
um interesse na região, mas estavam principalmente preocupados com a
manutenção da grande estrada que era o meio principal de comunicação
com exceção do mar, e a ponte a Tharbad. O povo de origem Númenoriana
não viveu lá, exceto em Tharbad, onde uma guarnição grande de soldados
e guardiões de rio foram mantidas uma vez. Naqueles dias haviam
trabalhos de drenagem, e foram fortalecidos os bancos do Hoarwell e
Greyflood. Mas nos dias de O Senhor dos Anéis a região tinha a muito
ficado em ruínas e retornado a seu estado primitivo: um rio largo lento
correndo através uma cadeia de pântanos e charcos: o abrigo de hóspedes
como cisnes e outros pássaros aquáticos.

Se o nome Glanduin
ainda fosse lembrado ele só se aplicaria ao curso superior onde o rio
corria rapidamente para baixo, tão logo se perdesse nas planícies e
desaparecesse nos pântanos. Eu acho que eu posso manter Glanduin no
mapa para a parte superior, e marcar a parte mais baixa como os
pântanos com o nome Nîn-em-Eilph (terras aquáticas dos Cisnes) que
explicará o rio Cisnefrota adequadamente SdA III.263.5
Alph
´Cisne´ ocorre até onde eu me lembro só no SdA III, pág. 392.6 Não
poderia ser Quenya, já que ph não é usado em minha transcrição de
Quenya, e Quenya não tolera consoantes finais diferentes das dentais,
t, n, l, r depois de uma vogal.7 Quenya para ´Cisne´ era alqua (alkw�?).
O ramo “Céltico” do Eldarin (Telerin e Sindarin) mudou kw > p, mas
não, como Céltico, alterou p original.8 O tão alterado Sindarin da
Terra-Média mudou as consoantes paradas para fricativas depois de l, r,
como fez o Galês: assim *alkw�? > alpa (Telerin) > S. alf (grafado
alph em minha transcrição).

Ao término da carta Tolkien adicionou um pós-escrito:

Eu me recuperei muito – embora já tenha passado um ano que me
acidentei.9 Agora eu posso caminhar quase que normalmente, até duas
milhas ou mais (ocasionalmente), e ter um pouco de energia. Mas não
bastante para enfrentar um composição contínua e o interminável
“aprimoramento” de meu trabalho.

No cabeçalho do presente
ensaio, Tolkien escreveu “Nomenclatura”, seguido por: “Rio Cisnefrota
(SdA edição rev., III 263) e Glanduin, III Apên. A. 319 “; e então por:
“Examinado por P. Bibire (carta 23 de junho de 1969; resp. 30 de
junho). Como mais brevemente declarado em minha resposta: Glanduin quer
dizer ´rio da fronteira´”. O ensaio é deste modo visto como uma
expansão e elaboração das observações em sua resposta.

Os nomes dos Rios

O ensaio começa com o longo excerto e nota do autor dados em CI:298-99
(e assim não reproduzido aqui). Umas poucas variações entre o texto
publicado e o datilografado são dignos de nota: onde o texto publicado
tem Enedwaith, o datilografado lê Enedhwaith (esta era uma mudança
editorial feita em todos os excerto deste ensaio que contém o nome em
Contos Inacabados; cf. XII:328-29 n. 66); e onde o texto publicado tem
Ethraid Engrin, o datilografado tem Ethraid Engren (mas note (Ered)
Engrin, V.348 s.v. ANGÄ€-, V.379 s.v. ÓROT-, e muitos outros lugares).
Além disso, uma oração que se refere ao porto antigo chamada Lond Daer
Enedh foi omitida antes da última oração da nota do autor em CI:298;
lê-se: “Era a entrada principal para os Númenorianos na Guerra contra
Sauron (Segunda Era 1693-1701)” (cf. SdA:1147; e CI:268, 295-99).
Também, de encontro a discussão da aproximação para Tharbad que fecha o
primeiro parágrafo em CI:298, Tolkien forneceu a referência cruzada em
“SdA I 287,390 “.10Seguindo a passagem que termina no
início de CI:298, o ensaio continua com esta discussão etimológica, com
referência ao nome Glanduin:

glan: base (G)LAN, ´beira,
ponta, borda, fronteira, limite´. Isto é visto em Q. verbo lanya
´limitar, cercar, separar de, marcar o limite de; lanwa ´ dentro dos
limites, limitado, finito, (bem-)definido´; landa ´uma fronteira´; lane
(lani-) ´margem´; lantalka ´ posto ou marco de fronteira´; cf. também
lanka ´beirada acentuada, final súbito´, como por exemplo uma
extremidade de precipício, ou a extremidade polida de coisas feitas ou
montadas à mão, também usada em sentidos figurados, como em
kuivie-lankasse, literalmente ´na beira da vida´, de uma situação
perigosa na qual é provável resultar em morte.

É debatido se
gl- era um grupo inicial em Eldarin Comum ou era uma inovação de
Telerin-Sindarin (muito estendido em Sindarin). Neste caso, de qualquer
maneira, o gl- inicial é compartilhado por Telerin e Sindarin e é
encontrado em todos os derivado nesses idiomas (exceto em T. lanca, S.
lane, os equivalentes de Q. lanka): T. glana ´extremidade, borda´; 11
glania – ´confinar, limitar´; glanna ´limitado, confinado´; glanda ´uma
fronteira´: S. glân, ´bainha, borda´ (de tecidos e outras coisas feitas
à mão), gland > glann ´fronteira´; glandagol ‘marco de fronteira’;
12 gleina- ´fronteira, cerca, limite´. 13

Tolkien então
comenta: “Os nomes dos Rios dão algum trabalho; eles foram feitos às
pressas sem exame suficiente”, antes de embarcar sobre uma consideração
para cada nome por vez. Partes significantes desta seção do ensaio
foram fornecidas em Contos Inacabados. Não são repetidas as passagens
longas aqui, mas seus lugares estão indicados no ensaio.

Adorn

Este não está no mapa, mas é dado como o nome do rio pequeno que flui
no Isen vindo do oeste de Ered Nimrais no Apên. A, SdA III 346.14 Ele
é, como seria esperado em qualquer nome na região de origem
não-Rohanense, de uma forma adequado ao Sindarin; mas não é
interpretável em Sindarin. Deve-se supor que seja de origem
pré-Númenoriana adaptado ao Sindarin.15

Deste apontamento,
Christopher Tolkien nota: “Na ausência do nome no mapa – referindo é
claro ao meu mapa original de O Senhor dos Anéis, o qual foi
substituído muito tempo depois pelo redesenhado, feito para acompanhar
Contos Inacabados – ver CI:295, nota de rodapé “.

Gwathló

Do próximo apontamento, entitulado “Gwathlo (-ló)�?, Christopher Tolkien
escreve: “A longa discussão que surge sobre este nome é encontrada em
CI:294-95, com a passagem relativa a mudança dos homens Púkel e citada
na seção no Drúedain, CI.423-424. Na passagem posterior a oração
‘Talvez até mesmo nos dias da Guerra do Anel alguns do povo de Drú
permaneceram nas montanhas de Andrast, além da parte ocidental das
Montanhas Brancas’ contém uma mudança editorial: o texto original tem
´as montanhas de Angast (Cabo Longo)´, 16 e a forma Angast acontece
novamente mais de uma vez no ensaio. Esta mudança foi baseada na forma
Andrast comunicada por meu pai à Pauline Baynes para inclusão, com
outros novos nomes, em seu mapa ilustrado da Terra-Média; ver CI:294,
nota de rodapé”. Uma mudança editorial adicional pode ser notada: onde
o texto publicado tem Lefnui (CI:296, repetidos na nota extraída sobre
os homens Púkel, CI.423) o datilografado lê Levnui; cf. o apontamento
para Levnui está adiante.
Uma nova nota sobre “o grande
promontório… que formou o braço norte da Baía de Belfalas” lê:
“Depois ainda chamado Drúwaith (Iaur) ´(Velha) terra Pukel´, e seus
bosques escuros eram pouco visitados, nem considerado como parte do
reino de Gondor” Também, uma oração cancelada por Tolkien segue
“árvores enormes… sob as quais os barcos dos aventureiros rastejavam
silenciosamente para a terra desconhecida�?, lê: “É dito que até alguns
nesta primeira expedição vieram tão longe quanto os grandes pântanos
antes que eles retornassem, temendo ficar desnorteados em seus
labirintos.�?
A discussão continuou originalmente com a nota etimológica seguinte, cancelada ao mesmo tempo que a oração apagada:

Então era aquele o rio chamado em Sindarin Gwathlo (em Adunaico
Agathurush) ´rio da sombra´. Gwath era uma palavra Sindarin de uma base
do Eldarin Comum Wath ou Wathar estendido. Era muito usado; embora o
referente em Quenya waþar , mais tarde vasar, não estava em uso
diário.17 O elemento -lo também era de origem Eldarin Comum, derivado
de uma base (s)log: em Eldarim Comum sloga tinha sido uma palavra usada
para rios de tipos variáveis e sujeitos a alagarem seus bancos nas
estações e causarem inundações quando cheios por chuvas ou derretimento
de neve; principalmente como o Glanduin (descrito acima) que tinha sua
origem nas montanhas e desaguava à princípio rapidamente, mas era
contido nas terras mais baixas e planas, *sloga se tornou em Sindarin
lhô; mas não era em tempos mais recentes usado exceto em rios ou nomes
de pântanos. A forma Quenya teria sido hloä.

Esta passagem
contém uma nota, também cancelada, no nome Ringló, ocorrendo depois de
“Sindarin lhô” e citada na discussão daquele apontamento adiante.

A passagem apagada foi substituída por aquela dada em CI:296 começando
em “Então o primeiro nome que eles deram a ele foi ´Rio da Sombra´,
Gwath-hîr, Gwathir “. Pode ser notado que o palavra lo nesta passagem
foi corrigida no texto datilografado por lhô. Uma nota no nome Ringló,
omitida da passagem em Contos Inacabados, acontece depois das palavras
“Gwathlo, o rio sombrio dos pântanos”. Para esta nota, e seu
desenvolvimento, veja o apontamento para Ringló adiante. Depois desta
nota, uma declaração etimológica intervém antes do último parágrafo do
excerto publicado em Contos Inacabados:

Gwath era uma
palavra em Sindarin Comum para ´sombra´ ou meia-luz – não para as
sombras de objetos reais ou pessoas causadas por sol ou lua ou outras
luzes: estas eram chamadas morchaint ´formas-escuras´.18 Eram derivadas
de uma base Eldarin Comum WATH, e também aparecia em S. gwathra-
´obscureça, escureça, oculte, obscure´; gwathren (pl. gwethrin)
´sombrio, turvo´. Também relacionado era auth ‘uma forma escura,
aparição espectral ou vaga’, de *aw´tha. Esta também era encontrada no
Quenya auþa, ausa de sentido semelhante,; mas por outro lado a raiz só
era representada em Quenya pela extensão waþar, vasar ´ um véu´,
vasarya – ´velar´.

Lô foi derivado da base Eldarin Comum LOG
´molhado (e mole), ensopado, pantanoso, etc.´ A forma *loga produziu S.
lô e T. loga; e também, de *logna, S. loen, T. logna ´encharcando de
água, alagado´. Mas a raiz em Quenya, que devido a mudanças sonoras
causaram seus derivados a não combinar com outras palavras, era pouco
representada exceto na forma intensiva oloiya – ‘inundar, alagar’;
oloire uma grande enchente´.

Sobre as palavras “que devido a
mudanças sonoras causaram seus derivado a não combinar com outras
palavras” Tolkien adicionou esta nota:

Assim a forma Quenya
do S. lô teria sido *loa, idêntica a Q. loa <*lawa ´ano´; a forma de
S. loen, T. logna teria sido *lóna idêntico a lóna ´charco, lagoa´ (da
base LON também vista em londe ‘porto’, S. land, lonn).

Erui

Embora este fosse o primeiro dos Rios de Gondor, o nome não quer dizer
‘primeiro’. Em Eldarin er não era usado para contagem em série:
significava ‘um, único, sozinho’. Erui não é Sindarin habitual para
‘único, só’: que era ereb (

Sobre as palavras “o fim adjetival muito comum -ui de Sindarin” Tolkien adicionou esta nota:

Este era usado como um fim adjetival geral sem significado específico
(como por exemplo em lithui ‘de cinza’, ou ‘pálido, cor de cinza,
cinzento, empoeirado’). É de origem incerta, mas provavelmente foi
derivado do adjetival Eldarin Comum -ya que quando adicionado a
substantivos-raízes que terminam em E.C. -o, -u produziria em Sindarin
-ui. Este sendo mais distinto foi transferido então para outras raízes
gramaticais. Os produtos de �?ya > oe, e de ăya, ĕya, ĭya > ei;
�?ya, Å­ya > æ, e, não foram preservados em Sindarin.19 Mas -i que
poderia vir de Ä“ya e de Ä«ya, também permaneceu em uso(mais limitado);
cf. Semi adiante. A transferência é exemplificada nos ordinais que em
Sindarin foram formados com -ui de ‘quarto’ em diante, entretanto -ui
só estava historicamente correto em othui ‘sétimo’ e tolhui ‘oitavo’.
‘Primeiro’ era em Sindarin mais antigo e mais literário mein (Q.
minya); mais tarde minui foi substituído [cancelado: no idioma
coloquial; tadeg ‘segundo’; neleg ‘terceiro’]; então cantui (canhui)
‘quarto’, encui, enchui20 ‘sexto’, nerthui ‘nono’ [cancelado: caenui21
‘décimo’], etc. ‘Quinto’ ver adiante no nome Lefnui.

Serni

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados, mas com uma errata que nunca foi
corrigida: a palavra Sindarin para ‘seixo’ é sarn, não sern “. Na
oração de abertura lê-se: “Uma formação adjetival do S. sarn ‘pedra
pequena, seixo (como descrito acima), ou um coletivo, o equivalente em
Q. sarnie (sarniye) ‘telha, seixo de rio”. Em uma nova oração, vinda
antes de “Sua foz era bloqueada com seixos” lê-se: “Foi o único dos
cinco a entrar no delta do Anduin “.

Sirith

Isto simplesmente significa ‘um rio’: cf. tirith ‘vigiando, guardando’ da raiz tir- ‘vigiar’.

Celos

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados. No marcação errônea de Celos em meu mapa
redesenhado de O Senhor dos Anéis, ver VII:322 n. 9 “.

Gilrain

Uma
porção significante de observações neste nome de rio foi dada em
CI:274-75; mas a discussão começa com uma passagem omitida de Contos
Inacabados:

Este se assemelha ao nome da mãe de Aragorn.
Gilraen; mas a menos que haja erro na grafia, deve ter tido um
significado diferente. (Originalmente a diferença entre o Sindarin
correto ae e ai era ignorada, ai mais comum em inglês sendo usado para
ambos na narrativa geral. Assim Dairon, agora corrigido, para Daeron um
derivado do S. daer ‘amplo, grande’: E.C. *daira < P>

Sobre esta última oração Tolkien proveu uma nota etimológica:

Base
E.C. RAY ‘rede, trama, urdidura ou entrelace’; também [cancelado:
‘prender’] ‘envolver em uma rede, entrelaçar´. Cf. Q. raima ‘uma rede’;
24 rea e raita 1) ‘fazer rede ou entrelaçar´; raita 2) prender em uma
rede’; 25 [cancelado: também raiwe ´trama´;] carrea (

Desta
nota Christopher Tolkien escreve: “Compare O Senhor dos Anéis, Apêndice
E (i), pág. 393. 29 – Tressure(rede), uma rede para conter o cabelo, é
uma palavra do inglês medieval que meu pai tinha usado na tradução dele
de Sir Gawain and the Green Knight (estrofe 69): ‘as jóias claras / que
estavam entrelaçadas em sua rede(tressure) em grupos de vinte’ onde o
original tem a forma tressour.”
A anotação então conclui:

Em
Gilrain o elemento -rain embora semelhante era distinto em origem.
Provavelmente foi derivado da base RAN “vagar, errar, tomar curso
incerto�?, o equivalente do Q. ranya. Isto não pareceria adequado a
nenhum dos rios de Gondor…

A porção dada em Contos
Inacabados começa aqui (pág. 274). A oração final do primeiro extrato
da discussão de Gilrain em CI:275 omite o final; na oração inteira
lê-se: “Esta lenda [de Nimrodel] era bem conhecida em Dor-en-Ernil
(Terra do Príncipe) e sem dúvida o nome [Gilrain] foi dado como
lembrança disto, ou conferido na forma Élfica de um nome mais antigo de
mesmo significado”. Também omitido foi o parágrafo que segue essa
oração, o qual lê-se: “A viagem de Nimrodel foi datada pelos
cronologistas como 1981 da Terceira Era. Um erro no Apêndice B aparece
neste momento. Na anotação correta lia-se (ainda em 1963): “Os Anões
fogem de Moria. Muitos dos Elfos da Floresta de Lorien fogem para o
sul. Desaparecem Amroth e Nimrodel�?. Em edições ou reimpressões
subseqüentes ‘fogem de Moria…�? para ‘Elfos da Florestas foram por
razões desconhecidamente omitidas “. A leitura correta desta anotação
foi restabelecida na edição mais recente (Sda:1151). Além disso, a
primeira oração do parágrafo seguinte, introduzindo a passagem com o
qual o extrato dado em Contos Inacabados (pág. 275) recomeça, lê-se:
“Naquele momento foi Amroth, na lenda, chamado Rei de Lorien. Como isto
está de acordo com a lei de Galadriel e Celeborn, será esclarecido em
um resumo da história de Galadriel e Celeborn”. Finalmente, a última
oração do último parágrafo dado em CI:276 foi omitida; lê-se: “ A
comunicação era mantida constantemente com Lorien “.

Uma
nota datilografada anexada depois da primeira oração em CI:277, sobre a
frase “os pesares de Lorien, que estava agora sem monarca” e
subseqüentemente cancelada por Tolkien, lê: “Amroth nunca tomou uma
esposa. Durante longos anos ele tinha amado Nimrodel, mas tinha buscado
o amor dela em vão. Ela era da raça da Floresta e não amava os
Intrusos, os quais (ela disse) trouxeram guerras e destruíram a antiga
paz. Ela falaria só a Língua da Floresta, até mesmo depois que tivesse
caído em desuso entre a maioria dos povos. Mas quando o terror saiu de
Moria ela fugiu sem rumo, e Amroth a seguiu. Ele a achou perto dos
limites de Fangorn (os quais nesses dias ficavam muito mais próximos a
Lorien). Ela não ousou entrar na floresta, as árvores (ela disse)
ameaçaram-na, e algumas moveram-se para bloquear seu caminho. Lá eles
tiveram uma longa conversa; e no fim eles ficaram noivos, Amroth jurou
que por ela ele deixaria seu povo até em hora de necessidade e com ela
buscaria um refúgio de paz. ‘Mas não havia tal’ “. A nota cancelada
termina aqui, em meio a oração. Como Christopher Tolkien observa
(CI:274), esta passagem é a semente da versão da lenda de Amroth e
Nimrodel dada em CI:272-74.

A discussão sobre Gilrain conclui (seguindo o primeiro parágrafo dado em UT:245) com esta nota:

O
rio Gilrain se relacionado à lenda de Nimrodel tem que conter um
elemento derivado de E.C. RAN ‘vagar, errar, seguir sem rumo´. Cf. Q.
ranya ‘viagem errante’, S. rein, rain. Cf. S. randír ‘errante’ em
Mithrandir, Q. Rána nome do espírito (Máya) que dizia-se morar na Lua
como seu guardião.

Ciril, Kiril

Incerto,
mas provavelmente do KIR ‘cortar’. Ele começava em Lamedon e corria
para o oeste por algum caminho em um fundo canal rochoso.

Ringló

Para
o elemento -ló ver discussão de Gwathló acima. Mas não há registro de
qualquer pântano ou charco em seu curso. Era um rio rápido (e frio),
como o elemento ring- implica.30 Suas primeiras águas vinham de um alto
campo nevado que alimentava uma pequena lagoa gelada nas montanhas. Se
esta na estação em que a neve derretia, se espalhava em um lago raso,
isso explicaria o nome, mais um dentre muitos que se referem à nascente
de um rio.

Cf. a anotação Ringló no índice de Contos
Inacabados. Esta explicação do nome que Ringló só surgiu no curso da
composição deste ensaio; para a discussão de Gwathló que Tolkien
cancelou ele tinha adicionado esta nota originalmente:

Este
[o elemento ló] também aparece no nome Ringló, o quarto dos Rios de
Gondor. Pode ser traduzido como Rio Gelado. Descendo gelado das neves
das Montanhas das Névoas em curso rápido, depois de sua união com o
Ciril e depois com o Morthond formava pântanos consideráveis antes que
atingisse o mar, entretanto estes eram muito pequenos comparados com os
pântanos do Cisnefrota (Nîn-em-Eilph) perto de Tharbad.

Na discussão revisada de Gwathlo (CI:294) esta nota foi substituída pela seguinte:

Um
nome semelhante é achado em Ringló, o quarto dos rios de Gondor.
Nomeado como vários outros rios, como Mitheithel e Morthond (raiz
negra), depois de sua nascente Ringnen ‘água-gelada’, ele era chamado
posteriormente Ringló, uma vez que formava um pantanal perto de sua
confluência com o Morthond, entretanto este era muito pequeno comparado
com o Grande Pântano (Lô Dhaer) do Gwathló.

Tolkien cancelou
então a parte posterior desta nota (de “uma vez que formava um
pantanal�? até o fim), substituindo-a com um objetivo de considerar a
explicação final de Ringló dada acima, na qual o elemento lo não é
derivado dos pantanais perto da costa (não há de qualquer pântano ou
charco em seu curso “) mas do lago que formava a nascente do rio “na
estação em que a neve derretia”.

Morthond

Semelhantemente
o Morthond ‘Raiz Negra�?, que surge em um vale escuro nas montanhas
exatamente no sul de Edoras, chamado Mornan,31 não só por causa da
sombra das duas montanhas altas entre as quais se deita, mas porque por
ele passava a estrada do Portão dos Mortos, e os vivos não iam lá.

Levnui

Não
havia nenhum outro rio nesta região, “ao longo de Gondor”, até que
chegasse ao Levnui, o mais longo e mais largo dos Cinco. Este era
represado para ser o limite de Gondor nesta direção; para mais além
repousar no promontório de Angast e no deserto da “Velha Terra Púkel�?
(Drúwaith Iaur) a qual os Númenorianos nunca tinha tentado ocupar com
povoados permanentes, entretanto eles mantiveram uma força de guarda
Costeira e faróis no final do Cabo Angast.
É dito que Levnui
significa ´quinto´ (depois de Erui, Sirith, Semi, Morthond), mas sua
forma oferece dificuldades. (está grafado Lefnui no Mapa; e que é
preferível. Mas embora nos Apêndices seja dito que f tem o som do f
inglês, exceto quando posicionado ao término de uma palavra,32 o f mudo
não acontece medianamente antes de consoantes (em palavras ou nomes não
compostos) em Sindarin; enquanto v é evitado antes de consoantes em
inglês).33 A dificuldade é só aparente.

Tolkien embarca
então imediatamente em uma longa e elaborada discussão dos números em
Eldarin, a qual foi transferida para um apêndice adiante.

Seguindo
com esta discussão, Tolkien (continuando para o oeste no mapa de
Levnui) reapresentou o nome Adorn, e repetiu o conteúdo das observações
anteriores: “Este rio flui do Oeste de Ered Nimrais para o Rio Isen,
combina em estilo ao Sindarin, mas não tem nenhum significado naquele
idioma, e provavelmente é derivado de um dos idiomas falado nesta
região antes da ocupação de Gondor pelos Númenorianos que começou muito
tempo antes da Queda de Númenor”. Ele continuou então:

Vários
outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante. O
elemento Bel- em Belfalas não tem nenhum significado apropriado em
Sindarin. Falas (Q. falasse) significava ´litoral´ – especialmente o
exposto a grandes ondas e arrebentações (cf. Q. falma ´uma crista de
onda, onda). é possível que Eel tivesse um sentido semelhante em uma
língua estrangeira, e Bel-falas é um exemplo do tipo de nome-de-local,
não incomum quando uma região está ocupada por um novo povo no qual
dois elementos de mesmo significado topográfico são unidos: o primeiro
sendo o mais antigo e o segundo no novo idioma.34 Provavelmente porque
o primeiro foi tomado pelos Intrusos como um nome próprio. Porém, em
Gondor o litoral da foz do Anduin para Dol Amroth foi chamada Belfalas,
mas na verdade normalmente referiam-se a ele como i·Falas ´a praia da
rebentação´ (ou às vezes como Then-falas ´praia curta´,35 em contraste
à An-falas ´praia longa´, entre a foz de Morthond e Levnui). Mas a
grande baía entre Umbar e Angast (o Cabo Longo, além de Levnui) foi
chamado a Baía de Belfalas (Côf Belfalas) ou simplesmente de Bel (Côf
gwaeren Bêl ´a ventosa Baía de Bêl´).36 Então é mais possível que Bêl
fosse o nome ou parte do nome da região mais tarde chamada normalmente
de Dor-en-Ernil ´terra do Príncipe´: talvez fosse a parte mais
importante de Gondor antes da colonização Númenoriana.

Christopher
Tolkien escreve: “Com ´a ventosa Baía de Bêl´ cf. o poema The Man in
the Moon came down too soon em The Adventures of Tom Bombadil(1962),
onde o Homem na Lua desceu ´para um banho de espuma na ventosa Baía de
Bel´, identificada como Belfalas no prefácio do livro. -Esta passagem
foi cancelada, presumivelmente de imediato, uma vez que o próximo
parágrafo começa novamente “Vários outros nomes em Gondor são
aparentemente de origem semelhante�?. Uma página com manuscrito curto
encontrada com o ensaio datilografado mostra meu pai esboçando uma
origem completamente diferente para o elemento Bel-. Eu me referi a
este texto e citei-o em parte em Contos Inacabados (pág. 281),
observando que representa uma concepção completamente diferente da
estabelecida para o porto élfico norte (Edhellond) de Dol Amroth
daquela dada em Of Dwarves and Men (XII:313 e 329 n. 67), onde é dito
que a razão de sua existência era ´a navegação dos Sindar provenientes
dos portos ocidentais de Beleriand que fugiram em três navios pequenos
quando o poder de Morgoth subjugou os Eldar e os Atani´. A página
manuscrita pertence obviamente ao mesmo período que o ensaio, como é
visto tanto pelo papel no qual é escrito e quanto pelo fato de que a
mesma página carrega o rascunho para o Juramento de Cirion em Quenya
(CI:340)”. Esta página manuscrita é dada abaixo na íntegra; duas notas
que Tolkien fez ao texto estão adicionadas a seu fim:

Belfalas.
Este é um caso especial. Bel- é certamente um elemento derivado de um
nome pré-Númenoriano; mas sua origem é conhecida, e era de fato
Sindarin. As regiões de Gondor tiveram uma história complexa no passado
distante, tão antiga quanto sua população podia se dar conta, e os
Númenorianos evidentemente encontraram muitos assentamentos de povos
misturados, e numerosas ilhas de povos isolados ou que permaneciam em
velhas habitações, ou em refúgios na montanha protegidos dos invasores
(Nota 1). Mas havia um pequeno (mas importante) componente em Gondor de
um grupo bastante singular: uma colônia Eldarin.37 Pouco é conhecido de
sua história até pouco antes de seu desaparecimento; para os Elfos de
Eldarin, talvez Exilados de Noldor ou Sindar à muito enraizados, que
permaneceram em Beleriand até sua desolação na Grande Guerra contra
Morgoth,; e então se eles não foram para o Mar e vagaram rumo ao oeste
[sic; leia "ao leste "] em Eriador. Lá, especialmente próximo a
Hithaeglir (em qualquer lado), eles acharam colônias dispersas dos
Nandor, Elfos de Telerin que nunca tinham completado na Primeira Era a
jornada para as costas do Mar; mas ambos os lados reconheceram suas
linhagens como Eldar. Porém, lá parece no princípio da Segunda Era, ter
sido um grupo de Sindar que foi para o sul. Eles eram remanescentes,
parece, do povo de Doriath que ainda nutria rancor contra os Noldor e
deixaram os Portos Cinzentos por isso e todos os navios lá eram
comandados por Cirdan (um Noldo). Tendo aprendido a arte de construção
naval (Nota 2) eles viajaram por anos buscando um lugar para seus
próprios portos. Finalmente eles povoaram a foz do Morthond. Já havia
lá um porto primitivo de uma colônia de pescadores; mas estes fugiram
para as montanhas com medo dos Eldar. A terra entre Morthond e Serni
(as partes costeiras de Dor-en-Ernil).

Nota 1.
Embora nenhuma das regiões dos Dois Reinos existissem antes (ou
depois!) das colônias densamente povoadas de Númenorianos como nós
deveríamos supor.

Nota 2:
Todos os Elfos eram naturalmente hábeis na construção de barcos, mas a
arte que era fazer uma viagem longa pelo Mar, perigosa até mesmo para a
habilidade dos Elfos uma vez que a Terra Média estaria para atrás,
exigia mais perícia e conhecimento.

A página manuscrita termina aqui, incompleta, e sem chegar uma
explicação do elemento Bel-. Christopher Tolkien escreve: “Era talvez
uma extensão puramente experimental da história, imediatamente
abandonada; mas a afirmação que Cirdan era um Noldo é muito estranha.
Isto vai contra toda a tradição que concerne a ele – ainda que seja
essencial à idéia esboçada nesta passagem. Possivelmente foi sua
compreensão disto que levou meu pai a abandoná-la pela metade”.
O
texto datilografado recomeça com uma substituição da passagem rejeitada
em Belfalas (e evitando agora discussão daquele nome problemático):

Vários outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante.
Lamedon não tem nenhum significado em Sindarin (se fosse Sindarin seria
atribuída a *lambeton -, *lambetân -, mas E.C. lambe- ‘idioma’ pode
dificilmente ser considerado). Arnach não é Sindarin. Pode ser
relacionado com Arnen no lado oriental de Anduin. Arnach era empregado
aos vales no sul das montanhas e suas montanhas menores entre Celos e
Erui. Existiam muitas áreas rochosas lá, mas geralmente muito piores
que os vales mais altos de Gondor. Arnen era um rochedo distante do
Ephel Dúath, ao redor do qual o Anduin, ao sul de Minas Tirith, fazia
uma curva larga.

Sugestões dos historiadores de Gondor que arn- é um elemento em algum
idioma pré-Númenoriano que significa ´pedra´ é somente uma suposição.38
Mais provável é a visão do autor (desconhecido) de Ondonóre Nómesseron
Minaþurie (´Pesquisa sobre os Nomes de Gondor´) preservado
fragmentadamente.39 Conforme evidência interna ele viveu na época do
reinado de Meneldil, filho de Anárion-nenhum evento posterior àquele
reino é mencionado – quando recordações e registros dos primeiros dias
das colonizações agora perdidos ainda estavam disponíveis, e o processo
de nomear ainda estava em curso. Ele destaca que o Sindarin não era bem
conhecido por muitos dos colonos que deram os nomes, marinheiros,
soldados, e imigrantes, embora todos aspirassem ter um pouco de
conhecimento dele. Gondor certamente era ocupada no começo pelos Fiéis,
homens do grupo dos amigos dos Elfos e seus seguidores; e estes em
revolta contra os ´Reis Adunaicos´ que proibiram o uso das línguas
Élficas deram todo os novos nomes no reino novo em Sindarin, ou adaptou
nomes mais antigos para a maneira Sindarin. Eles também renovaram e
encorajaram o estudo do Quenya, no qual documentos importantes,
títulos, e fórmulas eram compostos. Mas era provável que enganos fossem
cometidos.40 Uma vez que um nome tivesse se tornado comum ele era
aceito pelos administradores e organizadores. Então ele pensa que Arnen
originalmente queria dizer ´ao lado da água, sc. Anduin´; mas ar- neste
sentido é Quenya, não Sindarin. Embora como no nome completo Emyn Arnen
o Emyn é plural Sindarin de Amon ´colina´, Arnen não pode ser um
adjetivo Sindarin, uma vez que um adjetivo de tal forma teria o plural
Sindarin ernain, ou ernin. O nome deve ter significado então ‘as
colinas de Arnen’. É esquecido agora, mas pode ser visto nos registros
antigos que Arnen era o nome mais antigo da maior parte da região mais
tarde chamada Ithilien. Este foi dado à faixa estreita entre o Anduin e
o Ephel Dúath, principalmente para a parte entre Cair Andros e a ponta
meridional da curva do Anduin, mas vagamente estendia-se ao norte para
o Nindalf e sul em direção à Poros. Foi quando Elendil tomou como sua
residência o Reino Norte, devido à amizade dele com os Eldar, e confiou
o Reino Sul aos seus filhos, eles então dividiram-no, como é dito em
anais antigos: “Isildur tomou como sua própria terra toda a região de
Arnen; mas Anárion tomou a terra de Erui ao Monte Mindolluin e deste em
direção oeste à Floresta do Norte”, (mais tarde chamada em Rohan a
Floresta Firien), “mas o sul de Ered Nimrais de Gondor eles controlavam
em comum “.

Arnach, se a explicação
acima for aceita, não é relacionado então a Arnen. Sua origem e fonte
estão nesse caso agora perdidas. Geralmente era chamado em Gondor
Lossarnach. Loss é Sindarin para ´neve´, especialmente a caída e a
muito acumulada. Por que razão que isto foi anteposto à Arnach é
incerto. Seus vales superiores eram famosos por suas flores, e abaixo
deles havia grandes pomares dos quais na época da Guerra do Anel ainda
vinham muitas das frutas necessárias em Minas Tirith. Embora nenhuma
menção disto seja encontrada em qualquer crônica -como é freqüente no
caso de assuntos de conhecimento comum- parece provável que a
referência seja de fato às floradas. Expedições para Lossarnach para
ver as flores e árvores freqüentemente eram feitas pelas pessoas de
Minas Tirith. (Ver índice Lossarnach adendo III 36,140;41 Imloth Melui
“vale da flor doce”, um lugar em Arnach). Este uso de ´neve´ seria
especialmente provável em Sindarin, no qual as palavras para neve caída
e flor eram muito semelhantes, embora diferentes em origem: loss e
loth, o significando(posterior) ´inflorescência, um cacho de flores
pequenas. Loth é de fato mais freqüentemente usado em Sindarin para
coletivo, equivalente a goloth; e uma única flor indicada por elloth
(er-loth) ou lotheg.42

Com Imloth Melui “vale da
flor doce�? cf. a menção de Ioreth de “as rosas de Imloth Melui”, SdA:
916. Sobre as palavras Sindarin loss e loth Tolkien fez a seguinte
nota:

S. loss é um derivado de
(G)LOS ´branco´; mas loth é de LOT. Sindarin usa loss como um
substantivo, mas forma intensiva gloss como um adjetivo ´branco
(brilhante)´, loth era o único derivado de LOT que reteve,
provavelmente porque outras formas da raiz gramatical assumiram uma
forma fonética que parecia imprópria, ou era confundível com outras
raízes (como LUT ´flutuar´): por exemplo *lod, *lûd. loth é do
diminutivo lotse e provavelmente também derivado de lotta-. Cf. Q.
losse ´neve´, lossea ´branco- neve´; e late ´uma flor´ (principalmente
aplicado as flores grandes individualmente); olóte ´buque, conjunto de
flores de uma única planta´; lilótea ´tendo muitas flores’; lotse ´uma
única flor pequena´; losta ´florescer´, (t-t em inflexão> st.)
Quenya e Sindarin mantêm para ´neve´ só a intensiva loss- uma vez que o
s mediano entre vogais sofria mudanças que o fazia inadequado ou
conflitante com outras raízes.

Os Nomes dos Faróis das Colinas

O sistema completo de faróis que ainda operava na época da Guerra do
Anel não pode ter sido anterior ao estabelecimento dos Rohirrim em
Calenardhon cerca de 500 anos antes; a sua função principal era
advertir os Rohirrim que Gondor estava em perigo ou (mais raramente) o
contrário. Quão antigos eram os nomes então usados não poderia ser
dito. Os faróis eram instalados em colinas ou nos cumes altos de
cordilheiras que corriam por fora das montanhas, mas alguns não eram
objetos muito importantes.

A primeira parte desta declaração foi citada na seção Cirion e Eorl em CI:335 n.35.

Amon Dîn

Esta anotação é dada na íntegra em CI:500 n. 51 (último parágrafo).

Eilenach e Eilenaer

Esta anotação é dada na mesma nota em Contos Inacabados, mas neste caso ligeiramente reduzida. No original a passagem começa:

Eilenach (melhor grafado Eilienach). Provavelmente um nome estrangeiro;
não Sindarin, Númenoriano, ou Idioma Comum. Na verdade eilen de
Sindarin só poderia ser derivado de *elyen, *alyen, e seria escrito
eilien normalmente. Isto e Eilenaer (nome mais velho de Halifirien:
veja isso abaixo) são os únicos nomes deste grupo que são certamente
pré-Númenorianos. Eles estão evidentemente relacionados. Ambos eram
notavelmente importantes.

O
nome e nota parentética em Eilenaer começam aqui, assim como alterações
para o texto datilografado. Christopher Tolkien escreve: “O nome
Eilenaer de fato não ocorre relacionado a Halifirien neste ensaio: meu
pai pretendeu introduzí-lo, mas antes que o fizesse ele rejeitou aquela
relação em sua totalidade, como será visto”. Ao término da descrição de
Eilenach e Nardol como dados em Contos Inacabados, onde é dito que o
fogo em Nardol poderia ser visto de Halifirien, Tolkien adicionou uma
nota:

A linha de faróis de
Nardol para Halifirien se dispunha em uma curva suave dobrando um pouco
para o sul, de forma que os três faróis intervenientes não cortassem a
visão.

As declarações seguintes dizem respeito a Erelas e Calenhad, elementos os quais foram usados no índice de Contos Inacabados.

Erelas

Erelas era um farol pequeno, como também era Calenhad. Estes não eram
sempre iluminados; a iluminação deles como em O Senhor dos Anéis era um
sinal de grande urgência. Erelas é Sindarin em estilo, mas não tem
nenhum significado satisfatório naquele idioma. Era uma colina verde
sem árvores, de forma que nem er- ´único´ nem las(s) ‘folha’ parecem
aplicáveis.

Calenhad

Calenhad era semelhante mas bastante maior e mais alto. Galen era a
palavra comum em Sindarin para ´verde´ (seu sentido mais antigo era
´brilhante´, Q. kalina). -had parece ser para sad (com mutação comum em
combinações); se não grafado erroneamente este deriva de SAT ´espaço,
lugar, sc. uma área limitada naturalmente ou artificialmente definida´
(também aplicado para identificar períodos ou divisões de tempo),
´dividir, demarcar´, visto em S. sad ´uma área limitada naturalmente ou
artificialmente definida, um lugar, marca´, etc. (também sant ´um
jardim, campo, pátio, ou outro lugar em propriedade privada, se cercado
ou não´; said ´privado, separado, não comum, excluído´; seidia – ´posto
em separado, destinado a um propósito ou dono especial´); Q. satì -
verbo, com sentido de S. seidia – (< P etc. -); [Q. adj.] satya [com
mesmo sentido] said; [Q.] asta divisão ano, ?mês? (sati Quenya tempo
espaço).44 Calenhad significaria desta simplesmente ?espaço verde?,
aplicado cume plano gramado colina. Mas had pode representar (os mapas
usam este caso onde poderiam ser envolvidos dh, menos Caradhras
omitido, Enedhwaith está grafado errado [?ened]. 45 -hadh seria então
sadh (em uso isolado sâdh) ?relva, grama? – base SAD ?pelar, esfolar,
descascar?, 46>

Halifirien

O ensaio termina (inacabado) com uma discussão longa e notável sobre
Halifirien; As notas entremeadas de Tolkien estão juntadas ao término
desta discussão. Com este relato cf. CI:334-1, 335-1.

Halifirien é um nome no idioma de Rohan. Era uma montanha com fácil
acesso ao seu ápice. Aos pés das suas encostas do norte crescia a
grande floresta chamada em Rohan a Floresta Firien. Esta se tornava
densa no terreno mais baixo solo, para o oeste ao longo do Ribeirão
Mering e em direção ao norte para a planície úmida pela qual o Ribeirão
fluía para o Entágua. A grande Estrada Oeste atravessava por uma longa
trilha ou clareira através da floresta, para evitar a terra úmida além
de seus limites. O nome Halifirien (modernizado em grafia de
Háligfirgen) significava Monte Sagrado. O nome mais antigo em Sindarin
tinha sido Fornarthan ´Farol Norte´; 47 a floresta tinha sido chamada
Eryn Fuir ´Floresta Norte´. A razão para o nome de Rohan não é
conhecida agora com certeza. A montanha era considerada com reverência
pelos Rohirrim; mas de acordo com suas tradições na época da Guerra do
Anel foi porque em seu ápice que Eorl o Jovem encontrou Cirion,
Governante de Gondor; e lá quando eles tinham examinado a terra adiante
eles fixaram os limites do reino de Eorl, e Eorl fez a Cirion o
Juramento de Eorl – “o juramento inquebrável” – de amizade perpétua e
aliança com Gondor. Desde então em juramentos da maior solenidade foram
invocados os nomes dos Valar (Nota 1) – e embora o juramento fora
chamado “o Juramento de Eorl” em Rohan também foi chamado “o Juramento
de Cirion” (para Gondor foi empenhado ajudar Rohan igualmente) e ele
usaria termos solenes em sua própria língua – isto poderia ser
suficiente para sacramentar o local.

Mas o relato em anais contém dois detalhes importantes: que havia no
lugar onde Cirion e Eorl estavam o que pareceu ser um monumento antigo
de pedras irregulares quase da altura de um homem com um topo plano; e
que naquela ocasião Cirion para o espanto de muitos invocou o Um (que é
Deus). As palavras exatas dele não estão registradas, mas elas
provavelmente tomaram a forma de termos alusivos como Faramir usou
explicando a Frodo o conteúdo da reverência “silenciosa” (antes de
refeições comunais) isso era um ritual Númenoriano, por exemplo “Estas
palavras permanecerão pela fé dos herdeiros da Terra da Estrela que
mantém os Tronos do Oeste e daquele que está acima de todos os Tronos
para sempre “.

Isto consagraria de fato o lugar por tanto tempo quanto durasse os
reinos dos Númenorianos, e não havia dúvida que a intenção era essa,
não sendo de qualquer forma uma tentativa para restabelecer a adoração
ao Um no Meneltarma (‘pilar de céu’), a montanha central de Númenor
(Nota 2), mas uma lembrança dela, e da reivindicação feita pelos
“herdeiros de Elendil�? que desde que eles nunca tinham vacilado em sua
devoção ainda era permitido a eles (Nota 3) dirigirem-se ao Um em
pensamento e oração.

O “antigo
monumento” – que foi evidentemente o significado de uma estrutura feita
antes da vinda dos Númenorianos – é um detalhe curioso, mas não há
nenhuma sustentação à opinião de que a montanha já era em algum sentido
“sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento. Se tivesse ela sido
considerada de significado “religioso�? isto teria feito de fato seu uso
impossível, a menos que pelo menos tivesse sido completamente destruída
primeiro (Nota 4). Para uma estrutura religiosa que era “antiga” só
poderia ter sido erguida pelos Homens de Escuridão, corrompidos por
Morgoth ou o criado dele Sauron. Os Povos Médios, descendentes dos
antepassados dos Númenorianos, não eram considerados como nocivos nem
inimigos inevitáveis de Gondor. Nada é registrado da religião deles ou
práticas religiosas antes que eles entrassem em contato com os
Númenorianos (Nota 5), e aqueles que se associaram ou mesclaram com os
Númenorianos adotaram seus costumes e crenças (incluído no
“conhecimento” que Faramir fala de como tendo sido aprendido pelos
Rohirrim). O “antigo monumento” não pode ter sido assim feito pelos
Rohirrim, ou reverenciado por eles como sagrado, uma vez que eles não
tinham ainda se estabelecido em Rohan na época do Juramento (logo
depois da Batalha do Campo de Celebrant), e tais estrutura em lugares
altos como lugares de adoração religiosa não fazia parte dos costumes
dos Homens, bom ou mal (Nota 6). Pode porém ter sido uma tumba.

As notas do autor ao relato de Halifirien

Nota 1: Cf. a Coroação de Aragorn.
Nota 2: Isso teria sido considerado sacrílego.
Nota 3: E, como geralmente era confiado a seus governantes, todos que
aceitassem sua liderança e recebessem suas instruções. Veja próxima
nota.
Nota 4: Para a visão Númenoriana dos habitantes anteriores
veja a conversa de Faramir com Frodo, especificamente SdA II 287.49 Os
Rohirrim eram de acordo com sua classificação os Povos Médios, e a
importância deles para Gondor em sua época dele era principalmente em
mente e modifica seu relato; a descrição dos vários homens dos “feudos�?
meridionais de Gondor, que eram principalmente de descendência
não-Númenoriana, mostrava que outros tipos de Povos Médios, descendia
de outras das Três Casas dos Edain, que permaneceram no Oeste, em
Eriador (como os Homens de Bree), ou mais adiante ao sul –
principalmente os povos de Dor-en-Ernil (Dol Amroth).

Nota 5: Porque tais assuntos tiveram pouco interesse pelos cronistas
Gondorianos; e também porque foi suposto que eles tinham em geral
permanecido fiéis ao monoteísmo dos Dúnedain, aliados e seguidores dos
Eldar. Antes da remoção da maioria dos sobreviventes das “Três Casas
dos Homens” para Númenor, não há nenhuma menção da reserva de um lugar
importante para adoração do Um e a proibição em todos os templos
construídos à mão que era característico dos Númenorianos até a sua
rebelião e que entre os Fiéis (dos quais Elendil era o líder) depois da
Queda e perda do Meneltarma tornou-se uma proibição em todos os lugares
de adoração.

Nota 6: Os Homens de
Escuridão construíram templos, alguns de grande tamanho, normalmente
cercados por árvores escuras, freqüentemente em cavernas (naturais ou
cavadas) em vales secretos de regiões montanhosas; como os corredores
terríveis e passagens sob a Montanha Assombrado além do Portão Negro
(Portão dos Mortos) em Dunharrow. O horror singular do portão fechado
antes do qual o esqueleto de Baldor foi achado provavelmente era devido
ao fato de que a porta era a entrada para um salão de um templo
maléfico para o qual Baldor tinha vindo, provavelmente sem oposição até
aquele ponto. Mas a porta estava fechada na face dele, e inimigos que o
tinham seguido em silêncio vieram e quebraram suas pernas e o deixaram
para morrer na escuridão, incapaz de descobrir algum modo de sair.

Nas palavras “Pode porém ter sido uma tumba.”. Tolkien abandonou este
texto, e (sem dúvida que imediatamente) marcando o relato inteiro de
Halifirien para cancelamento.

Christopher Tolkien escreve: ” Estas últimas palavras podem bem
significar o momento preciso a qual a tumba de Elendil em Halifirien
[cf. CI:339] entrou na história; e é interessante observar o modo de
seu aparecimento. O original ´Firien era a ´colina negra´ na qual
estavam as cavernas de Dunharrow (VIII:251); também foi chamado ´o
Halifirien´ (VIII:257, 262), e Dunharrow era ´ dito para ser um
haliern´ (inglês antigo hálig-ern ´lugar santo, santuário´) ´e para
conter alguma relíquia antiga dos velhos dias antes da Escuridão´;
enquanto Dunharrow, na palavras posteriores de meu pai, é ´uma
modernização de Rohan DÅ«nhaerg “o templo pagão na encosta”, denominado
porque este refúgio do Rohirrim… estava no local de um lugar sagrado
dos antigos habitantes (VIII:267 n. 35). O nome Halifirien foi logo
transferido para se tornar a último dos faróis-das-colinas de Gondor,
no final ocidental da cadeia (VIII:257) que tinha sido nomeado Mindor
Uilos primeiro (VIII:233); mas não há nenhuma indicação de tudo do que
meu pai tinha em mente, com respeito ao real significado expresso do
nome Halifirien, quando ele fez esta transferência. O relato dado
acima, escrito tão tarde na vida dele, parece ser a primeira declaração
no assunto; e aqui ele assumiu sem questionamento que (logo que a
colina surgiu os Sindarin a chamaram Fornarthan ‘Farol Norte’) foram os
Rohirrim que a chamaram ´a Montanha Sagrada: e eles a chamaram assim,
´de acordo com suas tradições na época da Guerra do Anel´, por causa da
profunda gravidade e solenidade do juramento de Cirion e Eorl assumido
em seu topo no qual o nome de Eru foi invocado. Ele se refere a um
registro nos anais que ‘um monumento antigo de pedras irregulares quase
da altura de um homem com um topo plano’ situado no cume de Halifirien
- mas ele imediatamente continua a discutir fortemente que sua presença
não pode ser ´nenhum apoio para a versão de que a montanha era em algum
sentido “sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento´, uma vez que
qualquer objeto antigo de significado ‘religioso’ só poderia ter sido
erguido pelos Homens de Escuridão, corrompido por Morgoth ou seu criado
Sauron´ Mas: ´Pode porém ter sido uma tumba.´

“E assim a ´consagração´ da colina (antigamente chamada Eilenaer) foi
feita dois mil e quinhentos anos atrás antes do Rohirrim se
estabelecerem em Calenardhon: já no começo da Terceira Era ela era a
Colina da Admiração, Amon Anwar dos Númenorianos, por causa daquela
tumba em seu topo. Eu não tenho nenhuma dúvida que o relato dado do
Juramento de Cirion e Eorl, com os textos intimamente relacionados, em
Contos Inacabados, seguiram muito brevemente e talvez sem intervalo a
todo o abandono deste ensaio nos nomes dos rios e faróis-das-colinas de
Gondor.

“É
assim visto que não só o trabalho presente mas toda a história do
Halifirien e a tumba de Elendil surgiu a partir do breve questionamento
do Sr. Bibire.

“Este é um lugar
conveniente para notar uma fase no desenvolvimento da história da tumba
de Elendil que não foi mencionada em Contos Inacabados. Há uma página
de rascunho rejeitada para a passagem que reconta a definição dos
limites de Gondor e Rohan por Cirion e Eorl que ligeiramente difere do
texto impresso em Contos Inacabados até o início do parágrafo: ´Por
este pacto apenas uma pequena parte da Floresta de Anwar…. ´
(CI:342). Aqui o texto rejeitado lê:

Por este acordo originalmente só uma pequena parte da Floresta à oeste
do Ribeirão Mering foi incluída em Rohan; mas a Colina de Anwar foi
declarada por Cirion para ser agora um lugar sagrado de ambos os povos,
e qualquer deles só poderia ascender agora a seu topo com a permissão
do Rei dos Éothéod ou do Governante de Gondor.
Durante o dia
seguinte depois da tomada dos juramentos Cirion e Eorl com doze homens
ascenderam a Colina novamente; e Cirion deixou abrir a tumba. “Está
correto agora afinal,” ele disse, “que os restos do pai dos reis sejam
trazidos para ficarem a salvo nos santuários de Minas Tirith.
Indubitavelmente se tivesse ele voltado da guerra sua tumba teria
estado muito longe no Norte, mas Arnor definhou, e Fornost está
desolada, e os herdeiros de Isildur entraram nas sombras, e nenhuma
palavra deles veio a nós por muitas vidas de homens “.

“Aqui meu pai parou, e tomando uma nova página escreveu o texto como
está em Contos Inacabados, adiando a abertura da tumba e a remoção dos
restos de Elendil para Minas Tirith para um ponto mais adiante na
história (CI:346).”

Apêndice: Os numerais Eldarin

O texto seguinte foi removido do apontamento para o nome do rio Levnui (S. ´quinto´) anterior à este apêndice.

As raízes dos números em Eldarin Comum (o qual até 12 concordam
exatamente nos idiomas derivados) era: 1 ´único´ (não-consecutivo) ER;
´um, primeiro de uma série´ MIN. 2 TATA, ATTA. 3 NEL, NEL-ED. De 3 à
951 as raízes eram dissílabas (Nota 1) (triconsonantal, embora duas
delas não tinham nenhuma consoante inicial, como não era raro em
Eldarin Comum neste padrão): 4 kan-at. 6 en-ek(w) (o (w) só aparece em
Quenya). 7 ot-os. 8 tol-ot. 52 9 net-er. 10 kwaya, kway-am. 11
minik(w). 12 yunuk(w). 53 5 é omitido porque é raro. Teve a raiz lepen,
e uma suposta variante lemen(mas veja mais adiante) nenhuma das quais
nunca apareceria sem a terceira consoante.

Os números, como é habitual, não são na maioria dos casos
referenciáveis a outras raízes ou bases com certeza. A forma min
provavelmente é a mesma em origem como MIN que aparece em palavras que
se aplicam às coisas imponentes isoladas, como campanários, torres
altas, cumes montanhosos proeminentes, minya ´primeiro´ tanto
significava eminente, proeminente´, cf. Q. eteminya ´proeminente´;
também minde ´torre´, aumentada em mindon ´torre alta´, minasse, S.
minas: ´forte, cidade, com uma fortaleza e torre de vigília central´.
´Cinco´ era sem dúvida primordialmente um número especial em povos de
forma de élfica/humana, sendo o número dos dedos em uma mão. Assim
lepen está sem dúvida relacionada à raiz LEP ´dedo´ (Nota 2). Também é
certo que 10 kwaya, e kwayam (-m que também é de origem plural), é
relacionado a base KWA (kwa-kwa, kwa-t) ´cheio, completo, tudo, todo”,
e significava ´tudo, o lote inteiro, todos os dez dedos’.54 Mas já em
Eldarin Comum os múltiplos de três, especialmente seis e doze, eram
considerados especialmente importantes, por razões aritméticas gerais;
e eventualmente ao lado da numeração decimal um sistema duodecimal
completo foi inventado para cálculos, alguns dos quais, como as
palavras especiais para 12 (dúzia), 18, e 144 (grossa), usado em
geral.55 Mas desde então isto aparece ter sido um desenvolvimento
relativamente recente (só começado depois do Eldarin Comum [?Período]
com exceção da palavra para 12), 56 a vaga semelhança de nel(ed),
e-nek-we, net-er provavelmente não são significantes.

Em Eldarin Comum as formas cheias com ómataima (longo ou curto)57 foram
empregadas como cardinais: como Telerin canat, Sindarin canad 4 lepne
geraria lempe sem necessidade de substituir m. Veja mais adiante em
Ordinais.
O ordinais em Eldarin Comum parecem ter sido formados
por adição de – y�? adjetival a uma raiz na qual a segunda vogal estava
ausente. Não através de síncope, mas de acordo com os modos primitivos
de derivação de bases. Em Quenya o final -ea foi generalizado para 3º,
4º, 6º, 9º inclusive. Era a forma natural para Quenya em 3º, 4º, 6º,
9º, e excluía-se o oya próprio para 7º, 8º. As formas em Quenya eram:
1º minya; 2º tatya (Nota 4) logo substituído por attea; 3º nelya,
também neldea,; 4º kantea; 5º lemenya (a forma comum; lempea só aparece
mais tarde em Quenya); 6º enquea; 7º otsea; 8º toldea; 9º nertea; 10º
quainea. As formas em Sindarin eram cardinais 1 mîn, er; 2 tâd; 3 nêl;
4 canad; 5 leben; 6 eneg; 7 odog (a forma histórica odo
Nesta
colocação as anomalias Q. lemenya e S. levnui podem ser entendidas
melhor. A forma lemenya em Quenya claramente sustenta a opinião que o
número Eldarin Comum para 5 diferiu dos outros de 3 à 9: não era
originalmente uma raiz de triconsonantal, o final nasal era um inflexo,
e não havia nenhum ómataima além dele no momento primordial quando
estes adjetivos foram inventados; o -ya adjetival foi adicionado então
direto ao nasal. O m é porém uma alteração de Quenya baseada em lempe.
Em Telerin, em contraste com Quenya e Sindarin, o ordinais, sob a
influência de minya, tatya, nelya, e lepenya, generalizaram o padrão no
qual -ya foi somado direto à consoante final da raiz: assim T. 4º
canatya, 6º enetya, 7º ototya, 8º tolodya, 9º neterya, 10º paianya,.
Pode ser observado que 5º eram lepenya; desde que o cardinal era lepen
e não havia nenhuma forma tal como Q. lempe para induzir uma mudança
para lemen-. O Telerin, embora em muitas formas a mais arcaica das
línguas dos Eldarin, não era imune a mudanças analógicas como é visto
na forma ototya (com tya em vez de sya) depois de -tya em 2º, 4º, 6º;
mas não seria razoável supor que T. lepenya tem p depois de lepen em
vez de m como em Q. lemenya; desde que o m está isolado em Quenya e
satisfatoriamente explicável de lempe, enquanto que uma raiz variante
*lemen seria obscura em suas relações para lepen que tem conexões
etimológicas confiável.

O S. levnui não
sustenta *lemen. É verdade que *lemnui feito em um padrão semelhante
para os outros números geraria levnui; mas o mesmo faria uma forma-raiz
lepn- em Sindarin. Em Sindarin paradas mudas [i.e., p, t, k] antes de
nasais tornam-se sonoras > b, d, g, e então junto com as paradas
sonoras originais nesta posição tornam-se nasais antes de nasais
homorgânicas (tn, dn> nn; pm, bm> mm), mas antes de outras nasais
tornam geralmente fricativas como medianas (pn, bn> vn; tm, dm>
ðm, depois> ðv, ðw,; kn, gn> gn> em; km, gm> gm> im>
iv, iw). Como, entretanto, Quenya e Telerin mostram claramente que a
raiz lepen não é uma raiz primordialmente distinta capaz do
deslocamento da segunda vogal, a história real da anomalia Sindarin é
provavelmente esta: a seqüência do E.C. lepenya teriam produzido
*lepein(a) [cancelado: mais provavelmente lebein(a)], mas sua anomalia
em relação a seus vizinhos teria só o apoio do distante *neil(a) 3º,
que não era uma raiz triconsonantal; era então remodelada a lepni(a)
depois de enki(a) 6º e nerti(a) 9º e o padrão semelhante das raízes em
*kantaia 4º, otsoia 7º, toltoia 8º. O lepni seguiu o desenvolvimento
Sindarin normal então para levni e subseqüentemente adotando como todos
os outros vizinhos o final ui.

Uma folha rasgada ao meio colocada entre esta discussão de números em Eldarin lê:

Complicado demais. lemenya deve ser abandonado, o reflexo do Antigo
Quenya em Vanyarin era lepenya (como em Telerin). Em Noldorin Quenya
essa anomalia era corrigida por lempea (com -ea dos outros ordinais)
derivado de lempe, e antes do Exílio esta já era a forma habitual
falada de 5º em Quenya Noldorin, embora os Noldor todos conhecessem
lepenya desde que era usado em Vanyarin e também em Telerin.

Notas do autor para o relato dos numerais Eldarin

Nota 1: As mais simples, e provavelmente mais antigas, formas
bi-consonantais ocorrem, entretanto, em formas adverbiais ou prefixos:
como AT(A) ´

A Nova Sombra (The New Shadow)

Este conto se inicia nos dias de Eldarion, filho daquele Elessar de
quem as histórias têm muito a dizer. Cento e cinco anos se passaram
desde a queda da Torre Negra, e a história daquele tempo é pouco
lembrada pela maioria do povo de Gondor; mas existiam uns poucos que
continuavam vivendo e que se lembravam da Guerra do Anel como uma
sombra sobre o começo de suas infâncias. Um desses era o velho Borlas
de Pen-arduin. Ele era o filho mais novo de Beregond, o primeiro
Capitão da Guarda do Príncipe Faramir, que se mudara com seu senhor da
Cidade para Emyn Arnen.

 
"Realmente profundas são as raízes
do Mal", disse Borlas, "e a força negra é forte nelas. Aquela árvore
nunca será morta. Deixe os homens podá-las tão freqüentemente quanto
possam, elas lançarão brotos tão logo eles virem as costas. Nem mesmo
na Festa da Derrubada deverá o machado ser pendurado na parede!"

"Claramente você pensa estar falando palavras sábias", disse Saelon.
"Suponho isso pela melancolia em sua voz, e pelo balançar de sua
cabeça. Mas sobre o que é tudo isso? Sua vida parece bastante boa
sempre, para um homem idoso que agora não vai muito longe. Onde você
encontrou um galho de sua árvore negra crescendo? Em seu próprio
jardim?"

Borlas levantou os olhos, e enquanto olhava
penetrantemente para Saelon ele imaginou repentinamente se este jovem
homem, geralmente alegre e freqüentemente meio zombeteiro, tinha mais
em sua mente do que transparecia em sua face. Borlas não tinha intenção
de abrir seu coração a ele, e tendo os pensamentos carregados falou em
voz alta, mais para si mesmo do que para seu companheiro. Saelon não
retornou seu olhar. Estava sussurrando suavemente, enquanto cortava um
apito de salgueiro verde com um afiado canivete.
Os dois homens
estavam sentados em uma árvore perto da escarpada margem leste do
Anduin, onde este corria aos pés das colinas de Arnen. Eles de fato
estavam no jardim de Borlas e sua pequena casa de pedras cinzentas
podia ser vista entre as árvores acima deles na inclinação da colina,
voltada para o oeste. Borlas olhou para o rio, e para as árvores com
suas folhas de Junho, e então longe, para as torres da Cidade sob o
brilho do final da tarde. "Não, não em meu jardim", ele disse,
ponderadamente.

"Então porque você está tão preocupado?"
perguntou Saelon. "Se um homem tem um belo jardim com muros fortes,
então ele possui tanto quando qualquer homem pode administrar para seu
próprio prazer". Ele fez um intervalo. "Enquanto mantiver a força da
vida nele", ele acrescentou. "Quando esta falha, porque se preocupar
com qualquer outro mal menor? Pois então ele deverá deixar seu jardim
para sempre em breve, e outros deverão cuidar das ervas daninhas".

Borlas suspirou, mas não respondeu, e Saelon continuou: "Mas existem
com certeza alguns que não se darão por contentes, e ao fim de suas
vidas preocuparão seus corações sobre seus vizinhos, e a Cidade, e o
Reino, e todo o amplo mundo. Você é um deles, Mestre Borlas, e sempre
tem sido, desde que eu o conheci como um garoto que você pegou em seu
pomar. Já naquele tempo você não estava contente em deixar as desgraças
em paz: me deteria com uma surra ou fortaleceria seus muros. Não. Você
ficou pesaroso e quis me melhorar. Você me recebeu em sua casa e falou
comigo.

"Eu recordo disso bem. "Trabalho de Orcs", você
disse muitas vezes. "Roubando boa fruta, bem, eu suponho que não seria
pior do que trabalho de garotos, se eles estão famintos, ou seus pais
são muito libertários. Mas destruir maçãs que não estão maduras para
estragá-las ou jogá-las! Este é um trabalho de Orc. Como você veio a
fazer tal coisa, rapaz?""

"Trabalho de Orcs! Eu estava
irritado por isso, Mestre Borlas, e muito orgulhoso para responder,
embora estivesse no meu coração para dizer em palavras de crianças: "se
é errado para um garoto roubar uma maçã para comer, também é errado
roubar uma para brincar. Mas não mais errado. Não fale para mim sobre
trabalho de Orc, ou eu poderei lhe mostrar algum!""

"Foi um
erro, Mestre Borlas. Pois eu tinha ouvido contos sobre os Orcs e seus
atos, mas eu ainda não tinha me interessado por eles. Você voltou minha
mente para eles. Eu me afastei dos pequenos roubos [meu pai não era
muito libertário], mas eu não esqueci os Orcs. Comecei a sentir ódio e
pensar na doçura da vingança. Nós brincávamos de Orcs, eu e meus
amigos, e algumas vezes eu pensei: "Deveria eu com meu bando ir e
derrubar suas árvores? Então ele iria pensar que os Orcs realmente
retornaram". Mas isso foi há muito tempo atrás", terminou Saelon, com
um sorriso.

Borlas estava assustado. Ele agora estava
recebendo confidências e não fazendo. E existia algo de inquietante no
tom do jovem, algo que o fez perguntar-se se no fundo do coração, tão
profundo quanto as raízes das árvores negras, o ressentimento infantil
não perdurava. Sim, mesmo no coração de Saelon, o amigo de seu próprio
filho, e o jovem que nos últimos poucos anos tinha mostrado a ele muita
bondade em sua solidão. De qualquer modo ele decidiu não lhe dizer mais
nada de seus próprios pensamentos.

"Ah!" ele disse, "todos
nós cometemos erros. Eu não reivindico sabedoria, meu jovem, exceto
talvez aquela pequena que alguém pode acumular com o passar dos anos.
Sei muito bem a triste verdade de que aqueles que tem boas intenções
podem causar mais mal do que aquelas pessoas que deixam as coisas
acontecerem. Sinto muito agora pelo que eu disse, se provocou ódio em
seu coração. Embora eu continue achando o mesmo: fora de hora talvez,
mas ainda verdade. Certamente mesmo um garoto precisa compreender que
fruta é fruta, e não alcança seu pleno existir até estar madura; então
fazer mau uso dela antes de madura é pior do que apenas roubá-la do
homem que a está cuidando: pois rouba o mundo, impedindo uma boa coisa
de se concretizar. Aqueles que assim o fazem estão unindo forças com
tudo que está fora de ordem, com as geadas e feridas e os ventos ruins.
E este é o estilo dos Orcs."

"E é o estilo dos homens
também," disse Saelon. "Não! Eu não quero dizer dos homens selvagens
apenas, ou aqueles que cresceram "sob a sombra", como dizem. Quero
dizer todos os Homens. Eu não faria mau uso de frutas verdes agora, mas
apenas porque eu não tenho mais nenhum uso para maçãs verdes, nem para
suas orgulhosas razões, Mestre Borlas. E realmente eu acho que suas
razões são tão enfermas quanto uma maçã que ficou muito tempo na loja.
Para as árvores todos os Homens são Orcs. Os Homens consideram a
concretização da história da vida de uma árvore antes de cortá-la? Pois
não importa o propósito: para ter espaço para lavoura, para usar sua
madeira em construções ou como combustível, ou meramente para abrir a
vista? Se as árvores fossem os juízes, poderiam colocar os Homens acima
dos Orcs, ou realmente acima das geadas e feridas? O que é mais
correto, elas poderiam perguntar, ter Homens se alimentando de sua
seiva ou as geadas?

"Um homem," disse Borlas, "que cuida de
uma árvore e a guarda das geadas e muitos outros inimigos não atua como
um Orc ou uma ferida. Se ele come sua fruta, ele não comete um dano.
Ela produz frutas mais abundantemente que suas necessidades para seu
próprio propósito: a continuação de sua própria espécie."

"Deixe-o comer a fruta então, ou brincar com ela," disse Saelon. "Mas
eu falei de matar, cortando ou queimando; e por qual direito os homens
fazem estas coisas às árvores."

"Não, você não falou. Você
falou do julgamento das árvores nesses assuntos. Mas árvores não são
juízes. Os filhos do Único são os mestres. Meu julgamento como um deles
você já conhece. Os males do mundo não estavam a princípio no grande
Tema, mas entraram com as desarmonias de Melkor. Os Homens não surgiram
com estas desarmonias; eles entraram depois como uma coisa nova,
diretamente de Eru, o Único, e então ele foram chamados Seus filhos, e
como tudo que estava no Tema eles possuem, para seu próprio bem, o
direito de usar todas as coisas corretamente, sem orgulho ou malícia,
mas com reverência.

"Se o menor dos filhos de um lenhador
sente o frio do inverno, a mais orgulhosa árvore não ficará ofendida se
for ordenada a ceder sua madeira para aquecer com fogo uma criança. Mas
a criança não pode estragar a árvore com brincadeiras ou malvadezas,
cortar sua casca ou quebrar seus galhos. E o bom lavrador usará
primeiro, se ele puder, madeira morta ou uma árvore velha; ele não
derrubará uma árvore jovem e a deixará apodrecer, sem outra razão a não
ser em seu prazer em lidar com o machado. Isto é Órquico!"

"Mas é sempre como eu disse: as raízes do Mal são profundas, e de longe
vem o veneno que trabalha em nós; por isso, tantos fazem estas coisas
de vez em quando, e tornam-se então realmente como os servos de Melkor.
Mas os Orcs fazem estas coisas todo o tempo; ferem com prazer todas as
coisas que podem sofrer, e são refreados apenas pela falta de poder,
não por prudência ou piedade. Mas já falamos o suficiente sobre isto."

"Por quê!" disse Saelon. "Nós apenas começamos. Não era sobre seu
pomar, nem suas maçãs, nem sobre mim que você estava pensando quando
falou do reaparecimento da árvore negra. Sobre o que você estava
pensando, Mestre Borlas, eu posso adivinhar, apesar de tudo. Eu tenho
olhos e ouvidos, e outros sentidos, Mestre." Sua voz diminuiu e
dificilmente podia ser ouvida sobre o murmúrio de um repentino vento
frio nas folhas, enquanto o sol se punha além de Mindolluin. "Você
então ouviu o nome?" Com pouco mais que um sopro ele formou as
palavras. "De Herumor?"

Borlas olhou para ele com surpresa e medo. Sua boca fez alguns movimentos trêmulos de fala, mas nenhum som veio dela.

"Vejo que ouviu," disse Saelon. "E você parece supreso ao perceber que
eu ouvi sobre ele também. Mas você não está mais surpreso do que eu ao
ver que este nome chegou até você. Pois, como eu digo, eu tenho olhos e
ouvidos aguçados, mas os seus estão agora turvos mesmo para o uso
diário, e o assunto tem sido mantido tão secreto quanto os perspicazes
conseguem."

"Quais perspicazes?" disse Borlas, repentina e
impetuosamente. A visão de seus olhos poderia ser turva, mas eles agora
queimavam com fúria.

"Por quê, aqueles que ouviram o
chamado do nome, claro," respondeu Borlas sem se perturbar. "Eles não
são muitos ainda, para or contra todo o povo de Gondor, mas o número
está aumentando. nem todos estão contentes desde que o Grande Rei
morreu, e alguns agora estão com medo."

"Então, como eu
supus," disse Borlas, "e este é o pensamento que esfria o calor do
verão em meu coração. Pois um homem pode ter um jardim com muros
fortes, Saelon, e mesmo assim não encontrar paz ou satisfação ali.
Existem alguns inimigos que tais muros não manterão afastados; pois seu
jardim é apenas parte de um reino protegido, apesar de tudo. É para os
muros do reino que devemos olhar para sua defesa verdadeira. Mas qual é
o chamado? O que ele poderiam fazer?" ele clamou, colocando sua mão no
joelho do jovem.

"Irei fazer uma pergunta antes de
responder a sua," disse Saelon; e agora ele olhava de forma penetrante
para o velho homem. "Como você, que senta-se aqui no Emyn Arnen e
raramente sai mesmo para a Cidade – como você ouviu os sussuros do nome
dele?"

Borlas olhou para o chão e prendeu duas mãos entre
os joelhos. Por algum tempo ele não respondeu. Finalmente ele olhou
para cima novamente; sua face tinha se enrijecido e seus olhos estavam
mais desconfiados. "Eu não responderei esta pergunta, Saelon," ele
disse. "não antes de eu ter feito a você outra pergunta. Primeiro me
diga," disse ele lentamente, "você é uma daqueles que atenderam ao
chamado?"
Um estranho sorriso tremeluziu pela boca do jovem.
"Ataque é a melhor defesa," ele responder, "ou pelo menos assim nos
ensinou o Capitão; mas quando ambos os lados utilizam este conselho
existe um confronto de batalha. Portanto irei contra você. Não
responderei a você, Mestre Borlas, até que você me diga: você é uma
daqueles que atendeu ao chamado, ou não?"

"Como pode pensar isso?" gritou Borlas.

"E como você pode pensar isso?" perguntou Saelon.

"Quanto a mim," disse Borlas, "todas as minhas palavras não te deram a resposta?"

"Mas quando a mim, você poderia dizer," disse Saelon, "minha palavras
me fazem duvidável? Porque eu defendi um pequeno menino que jogou maçãs
verdes em seus companheiros de jogo em nome de Orcs? Ou porque eu falei
do sofrimento das árvores nas mãos dos homens? Mestre Borlas, não é
sábio julgar o coração de um homem pelas palavras ditas em argumento
sem respeito pelas suas opiniões. Ela podem ter sido ditas para
perturbá-lo. Arrogante talvez, mas possivilmente melhor do que mera
imitação. Eu não duvido que muitos daqueles que falam usam palavras tão
solenes quanto as suas, e falam reverentemente do Grande Tema e tais
coisas – na sua presença. Então, quem deverá responder antes?"

"O mais jovem deverá fazê-lo em cortesia ao idoso," disse Borlas; "ou
entre homens considerados iguais, aquele a quem foi perguntado
primeiro. Você é ambos."

Saelon sorriu. "Muito bem," ele
disse. "Deixe-me ver: a primeira questão que você fez e ficou sem
resposta foi: o que é o chamado, o que eles podem fazer? Você não pode
encontrar nenhuma resposta no passado com toda sua idade e
conhecimento? Eu sou jovem e menos instruído. Contudo, se você
realmente deseja saber, eu talvez possa fazer os sussuros mais claros a
você."

Ele se levantou. O sol tinha se posto por trás das
montanhas; as sombras estavam se aprofundando. O muro oeste da casa de
Borlas no lado da colina estava amarelado no vermelhidão do pôr-do-sol,
mas o rio estava escuro. Ele olhou para o céu, e então para o Anduin.
"É uma bela e tranquila tarde," ele disse, "mas o vento está mudando
para o leste. Existirão nuvens cobrindo a lua esta noite."

"Então, porque tudo isso?" disse Borlas, tremendo um pouco enquanto o
ar esfriava. "A menos que você apenas queira dizer a um velho homem
para se apressar para dentro de casa e poupar seus ossos da dor." Ele
levantou-se e viou-se para o caminho da casa, pensando que o jovem não
tinha intenção de dizer mais nada; mas Saelon parou junto a ele e
pousou uma mão em seu braço.

"Eu te previno para se vestir
bem após o anoitecer," ele disse. "Isto é, se você deseja aprender
mais; pois se deseja, virá comigo em uma jornada esta noite. Eu irei
encontrá-lo no portão leste, atrás da sua casa; ou pelo menos deverei
passar por aquele caminho tão logo esteja completamente escuro, e você
poderá vir comigo ou não, como quiser. Eu estarei vestido de preto, e
qualquer um que vá comigo deve estar vestido da mesma maneira. Adeus
por agora, Mestre Borlas! Aconselhe-se consigo mesmo enquanto a luz
perdura."

Por algum tempo depois de Saelon ter ido embora,
Borlas permaneceu parado, com os olhos fechados e descansando sua testa
contra a casaca de uma árvore ao lado do caminho. Enquanto permanecia
parado procurava em sua mente como esta estranha e alarmante conversa
tinha começado. O que ele faria após o cair da noite ele inda não
considerara.

Ele não estiva de bom humor desde a primavera,
embora suficientemente bem de corpo para sua idade, que o
sobrecarregava menos que sua solidão. Desde que seu filho, Berelach,
tinha se ido novamente em abril – ele estava nos Navios, e agora vivia
a maior parte do tempo perto de pelargir, onde seu trabalho estava -
Saelon tinha sido mais atencioso, a qualquer hora que estivesse em
casa. Ele viaja muito pelo reino atualmente. Borlas não estava certo de
seus negócios, embora ele compreendesse que, entre outros interesses,
ele negociava com madeira. Ele trouxera notícias de todo o reino para
seu velho amigo. Ou para o velho pai de seu amigo; pois Berelach tinha
sido sua constante companhia a certo tempo, embora aparentemente se
encontravam raras vezes hoje em dia.

"Sim, é isso," Borlas
disse para si mesmo. "Eu falei para Saelon de Pelargir, citando
Berelach. Ocorreram algumas pequenas inquietações no Ethir: alguns
marinheiros desapareceram, e também uma pequena embarcação da Esquadra.
Nada demais, de acordo com Berelach.
"A paz torna as coisas
frouxas," ele disse, eu me lembro, na voz de um sub-oficial. "Bem, eles
se foram em alguma brincadeira de si próprios, eu suponho – amigos em
um dos portos mais ocidentais, talvez – sem permissão e sem um piloto,
e afundaram. Serviu muito bem para eles. Nós temos tão poucos
marinheiros de verdade nestes dias. Peixe é mais rentável. Mas pelo
menos todos sabem que as costas ocidentais não são seguras para os
amadores."

"E foi tudo. mas eu falei disso para Saelon, e
perguntei se ele tinha ouvido alguma coisa disso no sul. "Sim," ele
disse, "Eu ouvi. Poucos ficaram satisfeitos com a visão oficial. Os
homens não eram amadores; eram filhos de pescadores. E não tem havido
tempestades fora do litoral há muito tempo.""

Enquanto
ouvia Saelon dizendo isto, repentinamente Borlas lembrou os outros
rumores, os rumores de que Othrondir falara. Era ele que costumava usar
a palavra "ferida". E então, meio que para si mesmo, Borlas falou em
voz alta sobre a �?rvore Negra.

Ele abriu seus olhos e
acariciou o formoso tronco da árvore onde tinha se apoiado, olhando
para cima para suas folhas sombrias contra o claro céu pálido. Uma
estrela brilhou por entre os galhos. Suavemente ele falou novamente,
como se para a árvore.

"Então, o que será feito agora?
Claramente Saelon está envolvido. Mas isto é claro? Existia o som de
zombaria em suas palavras, e escórnia da vida ordenada dos Homens. Ele
não responderia uma questão direta. As roupas negras! E ainda – porque
me convidar para ir com ele? Não para converter o velho Borlas!
Imprestável. Inútil tentar: ninguém poderia esperar vencer um homem que
se lembrava do Mal de antigamente, não importa quão distante. Inútil se
tiver sucesso: o velho Borlas não possui mais uso como ferramenta para
nenhuma mão. Saelon pode estar tentando bancar o espião, procurando
encontrar o que se esconde por detrás dos murmúrios. Preto pode ser um
disfarce, ou um auxílio para se esconder à noite. Mas novamente, o que
poderei fazer para ajudar em qualquer segredo ou missão perigosa? Eu
estaria melhor fora do caminho."

Com isso um pensamento
gélido tocou o coração de Borlas. Colocar fora do caminho – seria isso?
Ele seria atraído para algum lugar onde ele poderia desaparecer, como
os marinheiros? O convite para ir com Saelon foi dado apenas depois de
ter se assustado em revelar que sabia sobre os murmúrios – tendo até
mesmo ouvido o nome. E ele havia declarado sua hostilidade.

Este pensamento decidiu Borlas, e ele sabia que ele estava decidido
agora a fica de pe, vestido de preto, no portão, à primeira escuridão
da noite. Ele fora desafiado, e aceitaria. Ele bateu a palma de sua mão
contra a árvore. "Eu não estou caduco ainda, Neldor," ele disse; "mas a
morte não está tão longe que eu vá perder muitos bons anos, se eu
perder o jogo".

Ele aprumou suas costas e ergue a cabeça, e
caminhou pelo caminho, lenta mas firmemente. O pensamento cruzou sua
mente antes de pisar na soleira da porta: "talvez eu tenha sido
preservado por tanto tempo para este propósito: aquele que deve
continuar vivo, saudável em mente, que lembra o que se pasosu antes da
Grande Paz. O olfato possui uma longa memória. Eu acho que eu poderia
sentir o cheiro do antigo Mal, e conhecê-lo pelo que ele é."

A porta sob a varanda estava aberta; mas a casa atrás estava na
escuridão. Aparentemente não havia nenhum dos sons costumeiros do
anoitecer, apenas um silêncio frágil, um silêncio morto. Ele entrou, um
pouco surpreso. Ele chamou, mas não houve resposta. Ele parou na
estreita passagem que passava através da casa, e parecia que ela estava
envolvida em escuridão: nenhum vislumbre do crepúsculo do mundo lá fora
permanecia aqui. Repentinamente ele sentiu, ou assim pareceu, pois
vinha como se fosse de além dos sentidos: ele sentiu o cheiro do antigo
Mal e o conheceu pelo que ele era.

 
[tradução de Fábio 'Deriel' Bettega] 
The History of Middle-earth X

Comentário sobre o Athrabeth Finrod ah Andreth

[Em um destes papéis meu pai adicionou: "Deveria ser o último item em um apêndice" (isto é, para O Silmarillion). Este comentário ele mesmo datilografou, no alto de uma cópia e de um carbono, com algumas correções subseqüentes quase idênticas em ambos. Após o comentário estão notas numeradas que acabam tendo mais importância do que o próprio comentário, uma vez que algumas delas constituem curtos ensaios. Distingo estas das minhas próprias notas numeradas do texto pelas palavras "Nota do Autor". – Christopher Tolkien]

Este texto não é apresentado como um argumento de qualquer irrefutabilidade para os homens na presente situação destes (ou na que eles acreditam estar), embora possa ter algum interesse para os homens que partem de crenças ou suposições similares àquelas sustentadas pelo rei élfico Finrod.

Ele é, na realidade, simplesmente parte do retrato do mundo imaginário do Silmarillion, e um exemplo da espécie de assunto que, ao indagar as mentes em ambos os lados, o élfico ou o humano, deve ser dito um para outro após tornarem-se familiarizados. Vemos aqui a tentativa de uma mente élfica generosa de aprofundar as relações entre elfos e homens e o papel que lhes fora designado representar no que ele teria chamado de Oienkarmë Eruo (A produção perpétua do Um), que pode ser traduzido como “A administração de Deus do Drama”.

Há certas coisas neste mundo que precisam ser aceitas como “fatos”. A existência de elfos: isto é, de uma raça de seres intimamente aparentados com os homens, tão intimamente que eles devem ser considerados pelas características físicas (ou biológicas) simplesmente como ramos da mesma raça. Os elfos apareceram na Terra primeiro, mas não (mitologicamente ou geologicamente) muito antes; eles eram “imortais”, e não “morriam” exceto por acidente. Os homens, quando entraram em cena (isto é, quando encontraram os elfos), eram, contudo, como são agora: eles “morriam”, mesmo se escapassem de todos os acidentes, por volta da idade de 70 a 80 anos. A existência dos Valar: isto é, de certos Seres angelicais (criados, mas no mínimo tão poderosos quanto os “deuses” de mitologias humanas), cujo líder ainda residia em uma parte física real da Terra. Eles eram os agentes e vice-regentes de Eru (Deus). Eles haviam estado ocupados por eras imemoriais com um trabalho demiúrgico finalizando, segundo o propósito de Eru, a estrutura do Universo (Eä); mas estavam agora concentrados na Terra para o principal Drama da Criação: a guerra dos Eruhín (Os Filhos de Deus), elfos e homens, contra Melkor. Melkor, originalmente o mais poderoso dos Valar, tornara-se um rebelde, contra seus irmãos e contra Eru, e foi o primeiro Espírito do Mal.

Com respeito ao rei Finrod, deve-se compreender que ele inicia com certas crenças básicas, as quais ele diria serem derivadas de uma ou mais de uma destas fontes: sua natureza criada; instrução angelical; pensamento; e experiência.

1. Existe Eru (o Um); isto é, Um Deus Criador, que criou (ou mais estritamente, projetou) o Mundo, mas não é Ele próprio o Mundo. Este mundo, ou Universo, ele chama de , uma palavra élfica que significa “É”, ou “Que Seja”.

2. Há na Terra criaturas “encarnadas”, elfos e homens: estes são feitos de uma união de hröa e fëa (aproximadamente, mas não exatamente, equivalentes a “corpo” e “alma”). Este, ele diria, era um fato conhecido a respeito da natureza élfica e, portanto, poderia ser deduzido quanto à natureza humana a partir do parentesco próximo de elfos e homens.

3. Hröa e fëa, diria ele, são completamente distintos, e não no “mesmo plano de derivação de Eru”, (Nota do Autor 1) mas designados um para o outro, para permanecer em harmonia perpétua. O fëa é indestrutível, uma identidade única que não pode ser desintegrada ou absorvida por qualquer outra identidade. O hröa, entretanto, pode ser destruído e dissolvido: este é um fato de experiência. (Em tal caso, ele descreveria o fëa como “exilado” ou “desabrigado”.)

4. A separação de fëa e hröa não é “natural”, e acontece não pelo propósito original, mas pela “Desfiguração de Arda”, que deve-se às operações de Melkor.

5. A “imortalidade” élfica está restringida dentro de uma parte do Tempo (que ele chamaria A História de Arda) e, logo, deveria ser chamada preferencialmente de “longevidade seqüencial”, cujo limite máximo é a extensão da existência de Arda. (Nota do Autor 2) A conseqüência disto é que o fëa élfico também está limitado ao Tempo de Arda ou pelo menos confinado dentro dele e incapaz de deixá-lo enquanto este dure.

6. A partir disto seguiria-se pensando, se não fosse um fato de experiência élfica, que um fëa élfico “desabrigado” deve ter o poder ou oportunidade de retornar à vida encarnada, se ele possui o desejo ou vontade para assim fazê-lo. (Na verdade, os elfos descobriram que seus fëar não possuíam este poder neles próprios, mas que a oportunidade e os meios eram fornecidos pelos Valar, pela permissão especial de Eru para a correção do estado não natural do divórcio. Não era permitido aos Valar forçar um fëa a retornar; mas eles podiam impor condições e julgar se o retorno deveria ser realmente permitido e, em caso afirmativo, de que modo ou após quanto tempo.) (Nota do Autor 3)

7. Visto que os homens morrem, sem acidente e querendo eles ou não fazê-lo, seus fëar devem possuir uma relação diferente com o Tempo. Os elfos acreditavam, embora não possuíssem qualquer informação exata, que os fëar dos homens, caso desencarnados, deixavam o Tempo (mais cedo ou mais tarde), e jamais retornavam. (Nota do Autor 4)

Os elfos notaram que todos os homens morriam (um fato confirmado pelos homens). Deduziram, então, que isto era “natural” aos homens (isto é, o era pelo desígnio de Eru), e supunham que a brevidade da vida humana devia-se à esta característica do fëa humano: que ele não estava destinado à permanecer muito tempo em Arda. Enquanto que seus próprios fëar, estando designados a permanecer em Arda até o fim desta, impunham uma longa resistência sobre seus corpos; pois eles possuíam (como um fato de experiência) um controle muito maior sobre eles. (Nota do Autor 5)

Além do “Fim de Arda”, o pensamento élfico não podia penetrar, e eles ficaram sem qualquer instrução. (Nota do Autor 6) Parecia-lhes claro que seus hröar devem ao final cessar e, portanto, qualquer tipo de reencarnação seria impossível. (Nota do Autor 7) Todos os elfos então “morreriam” no Fim de Arda. O que isto significava eles não sabiam. Diziam, portanto, que os homens possuíam uma sombra atrás de si, mas os elfos possuíam uma sombra à frente de si próprios.

Seu dilema era este: o pensamento da existência apenas como fëar lhes era revoltante, e achavam difícil de acreditar que isto era natural ou designado a eles, uma vez que eram essencialmente “habitantes em Arda” e, por natureza, completamente apaixonados por Arda. A alternativa: que seus fëar também deixariam de existir “ao Fim” parecia ainda mais intolerável. Tanto a aniquilação absoluta como o cessar da identidade consciente eram completamente repugnantes ao pensamento e ao desejo. (Nota do Autor 8 )

Alguns argumentavam que, embora completo e único (como Eru, de quem eles procediam diretamente), cada fëa, estando criado, era finito, e portanto também poderia ser de duração finita. Ele não era destrutível dentro do seu período determinado mas, quando este era alcançado, passava a ser; ou deixava de ter quaisquer outras experiências, e “residia apenas no Passado”.

Mas eles viram que isto não fornecia nenhuma saída. Pois mesmo se um fëa élfico fosse capaz de “conscientemente” de habitar no Passado ou contemplá-lo, esta seria uma condição completamente insatisfatória ao seu desejo. (Referência à Nota do Autor 8 ) Os elfos possuíam (como eles próprios diziam) um “grande talento” para a memória, mas esta tendia para o pesar ao invés da alegria. Por mais longa que a História dos elfos pudesse se tornar antes que terminasse, ela também seria um objeto de alcance muito limitado. Estar eternamente “aprisionado em um conto” (como diziam), mesmo se este fosse um conto muito grande que terminasse de forma triunfante, tornaria-se um tormento. Pois maior do que o talento da memória era o talento élfico para a criação, e para descobertas. O fëa élfico fora, sobretudo, designado a criar coisas em cooperação com seu hröa.

Portanto, em última instância, os elfos eram obrigados a contar com a “estel nua” (como diziam): a confiança em Eru de que, seja o que for que Ele tenha designado para além do Fim, isto seria reconhecido por cada fëa como (no mínimo) completamente satisfatório. Provavelmente inclui-se aí alegrias imprevisíveis. Mas eles mantinham a crença de que isto permaneceria em uma relação inteligível com sua natureza e desejos atuais, partindo deles e incluindo-os.

Por estas razões os elfos eram menos solidários do que os homens esperavam em relação à falta de esperança (ou estel) nos homens diante da morte. Os homens eram, é claro, em geral inteiramente ignorantes quanto à “Sombra Adiante” que condicionava o pensamento e sentimentos élficos, e simplesmente invejavam a “imortalidade” élfica. Mas os elfos eram, por sua vez, geralmente ignorantes quanto à persistente tradição entre os homens de que os homens também eram imortais por natureza.

Como é visto no Athrabeth, Finrod fica profundamente emocionado e impressionado ao descobrir esta tradição. Ele descobre uma tradição concomitante de que a mudança na condição dos homens em relação ao seu desígnio original foi devido a um desastre primordial, sobre o qual a tradição humana é incerta, ou pelo menos Andreth está relutante em dizer mais. (Nota do Autor 9) Ele mantém, entretanto, a opinião de que a condição dos homens antes do desastre (ou, como poderíamos dizer, do homem não caído) não poderia ter sido a mesma dos elfos. Isto é, sua “imortalidade” não poderia ter sido a longevidade dentro de Arda dos elfos; senão eles teriam sido simplesmente elfos, e sua posterior introdução separada no Drama, feita por Eru, não teria qualquer função. Ele pensa que a noção dos homens de que, inalterados, eles não teriam morrido (no sentido de deixar Arda), deve-se à deturpação humana de sua própria tradição, e possivelmente à comparação invejosa de si mesmos com relação aos elfos. Primeiramente, ele não acha que isto se encaixa, como poderíamos dizer, nas “peculiaridades observáveis da psicologia humana”, conforme comparadas com os sentimentos élficos com respeito ao mundo visível.

Logo, ele supõe que é o medo da morte o resultado do desastre. Ela é temida por agora estar ligada com a separação de hröa e fëa. Mas os fëar dos homens devem ter sido designados a deixarem Arda de boa vontade ou de fato pelo desejo de fazê-lo – talvez após um tempo maior do que a atual vida humana média, mas ainda assim em um tempo muito curto comparado às vidas élficas. Assim, baseando seu argumento no axioma de que a separação de hröa e fëa não é natural e é contrária ao seu desígnio, ele chega (ou se preferir, precipita-se) à conclusão de que o fëa de um homem não caído levaria consigo seu hröa ao novo modo de existência (livre do Tempo). Em outras palavras, esta “suposição” era o fim natural de cada vida humana, embora, até onde sabemos, este foi o fim do único membro “não caído” da humanidade.* Ele tem então uma visão dos homens como os agentes da cura da “desfiguração” de Arda, não meramente ao desfazer a desfiguração ou o mal perpetrado por Melkor, mas ao produzir uma terceira coisa, Arda Refeita – pois Eru jamais simplesmente desfaz o passado, mas gera algo novo, mais magnífico do que o “primeiro desígnio”. Em Arda Refeita elfos e homens encontrarão separadamente alegria e contentamento, uma amizade recíproca, um elo que será o Passado.

* A referência é à Virgem Maria.

Andreth diz que, neste caso, o desastre foi aterrador para os homens; pois esta recriação (se esta de fato era a função apropriada dos homens) não pode ser alcançada agora. Finrod evidentemente mantém a esperança de que ela será alcançada, embora ele não diga como isso poderia acontecer. Ele agora vê, porém, que o poder de Melkor era maior do que havia sido compreendido (mesmo pelos elfos, que na verdade viram-no em uma forma encarnada): se ele fora capaz de modificar os homens e assim destruir o plano.

Em um sentido mais exato, ele diria que Melkor não “modificou” os homens, mas os “seduziu” (tornando-os leais a ele) nos primórdios de sua história, de modo que Eru modificou o “destino” deles. Pois Melkor podia seduzir mentes e vontades individuais, mas não podia tornar isso hereditário, ou alterar (contrária à vontade e ao desígnio de Eru) a relação de todo um povo com o Tempo e com Arda. Mas o poder de Melkor sobre as coisas materiais evidentemente era vasto. A totalidade de Arda (e, de fato, provavelmente muitas outras partes de Eä) foi desfigurada por ele. Melkor não era apenas um Mal local na Terra, nem um Anjo Guardião da Terra que desencaminhou-se: ele era o Espírito do Mal, erguendo-se mesmo antes da criação de Eä. Sua tentativa de dominar a estrutura de Eä, e de Arda em particular, e alterar os desígnios de Eru (que regiam todas as atividades dos Valar fiéis), introduziu o mal, ou uma tendência à aberração a partir do desígnio, em toda a matéria física de Arda. Foi por esta razão, sem dúvida, que ele foi totalmente bem sucedido com os homens, mas apenas parcialmente com os elfos (que permaneceram como um povo “não caído”). Seu poder foi exercido sobre a matéria e através dela. (Nota do Autor 10) Mas os fëar dos homens eram por natureza mais fracos no controle de seus hröar, diferente do que acontecia no caso dos elfos. Os elfos como indivíduos poderiam ser seduzidos a um tipo de “melkorismo” menor: desejando serem seus próprios mestres em Arda e possuírem as coisas a seu próprio modo levando, em casos extremos, à uma rebelião contra a tutela dos Valar; mas ninguém jamais ficou a serviço ou tornou-se leal ao próprio Melkor, nem jamais negou a existência e a supremacia absoluta de Eru. Algumas coisas horríveis dessa espécie, Finrod adivinha, os homens devem ter cometido, como um todo; mas Andreth não revela quais eram as tradições dos homens sobre esse assunto. (Referência à Nota do Autor 9)

Finrod, contudo, compreende agora que, do modo como se davam as coisas, nenhuma criatura ou ser criado em Arda, ou em todo Eä, era poderoso o suficiente para contrapor ou curar o Mal: isto é, subjugar Melkor (em sua presente pessoa, reduzida como estava) e o Mal que ele havia dissipado e enviado de si mesmo para o interior da própria estrutura do mundo.

Apenas o próprio Eru poderia fazer isto. Portanto, uma vez que era inconcebível a idéia de que Eru abandonaria o mundo à dominação e triunfo absolutos de Melkor (que poderia significar sua ruína e redução ao caos), Eru deve, em determinado momento, vir a se opor a Melkor. Mas Eru não poderia entrar completamente no mundo e na sua história que, apesar de grande, é apenas um Drama finito. Como Autor, Ele deve permanecer sempre “fora” do Drama, mesmo que esse Drama dependa de Seu desígnio e de Sua vontade para seu início e continuação, em cada detalhe e momento. Finrod, por esse motivo, crê que Ele, quando vier, terá que ficar tanto “fora” como “dentro”; e assim ele vislumbra a possibilidade de complexidade ou de distinções na natureza de Eru que, apesar de tudo, O caracterizam como “O Um”. (Nota do Autor 11)

Uma vez que Finrod já adivinhara que a função redentora fora originalmente designada especialmente aos homens, ele provavelmente prosseguiu para a expectativa de que “a vinda de Eru”, se acontecesse, estaria primeira e especialmente relacionada com os homens: isto é, a uma suposição ou visão imaginativa de que Eru viria encarnado em forma humana. Isto, contudo, não aparece no Athrabeth.

O argumento não é, claro, apresentado no Athrabeth nestes termos, ou nesta ordem, ou tão precisamente. O Athrabeth é uma conversa, na qual muitas suposições e etapas de pensamento têm que fornecidas pelo leitor. Na verdade, embora o texto trate de coisas como a morte e as relações de elfos e homens com o Tempo e Arda, e uns com os outros, seu verdadeiro propósito é dramático: exibir a generosidade da mente de Finrod, seu amor e piedade por Andreth, e as trágicas situações que devem surgir do encontro de elfos e homens (na época da juventude dos elfos). Pois, como finalmente torna-se evidente, Andreth havia se apaixonado na juventude por Aegnor, irmão de Finrod; e embora ela soubesse que ele retribuía seu amor (ou assim poderia ter feito, caso se dignasse a isso), ele não o havia declarado, e a deixara – e ela acreditou que havia sido rejeitada por ser muito inferior a um elfo. Finrod (embora ela não soubesse disso) sabia sobre essa situação. Por esta razão ele compreendeu e não se ofendeu com a amargura com a qual ela falava dos elfos, e mesmo dos Valar. Ele foi bem sucedido no final ao fazer com que ela compreendesse que ela não havia sido “rejeitada” por desprezo ou por arrogância élfica; mas que a partida de Aegnor deu-se por motivos de “sabedoria”, ao custo de grande dor para Aegnor: ele era igualmente vítima da tragédia.

No evento, Aegnor pereceu logo após essa conversa, quando Melkor rompeu o Cerco de Angband na desastrosa Batalha das Chamas Repentinas, e a destruição dos reinos élficos em Beleriand fora iniciada. Finrod refugiou-se na grande fortaleza meridional de Nargothrond; mas não muito depois sacrificou sua vida para salvar Beren Maneta. (É provável, embora não seja afirmado em nenhum lugar, que a própria Andreth tenha perecido nessa época, pois todo o reino do norte, onde Finrod e seus irmãos e o Povo de Bëor habitavam, foi devastado e conquistado por Melkor. Mas ela seria então uma mulher muito idosa.)

Finrod foi assim morto antes que os dois casamentos entre elfos e homens acontecessem, apesar de que, sem sua ajuda, o casamento de Beren e Lúthien não teria ocorrido. O casamento de Beren certamente realizou sua previsão de que tais casamentos ocorreriam apenas por algum propósito elevado do Destino, e que o destino menos cruel seria o fato de que a morte logo os encerraria.

Notas do Autor sobre o “Comentário”

Nota 1

Porque acreditava-se que os fëar foram criados diretamente por Eru, e “enviados para dentro” de Eä; enquanto que Eä fora concluído por intermédio dos Valar.

De acordo com o Ainulindalë, houve cinco estágios na Criação. a) A criação dos Ainur. b) A comunicado de Eru sobre o seu Desígnio aos Ainur. c) A Grande Música, que era como se fosse um ensaio, e que permaneceu no estágio de pensamento ou imaginação. d) A “Visão” de Eru, que era novamente apenas uma amostra de possibilidade e estava incompleta. e) A Realização, que ainda está em andamento.

Os Eldar acreditavam que Eru era e é livre em todos os estágios. Esta liberdade foi mostrada na Música por Sua introdução, após o surgimento das dissonâncias de Melkor, de dois novos temas, representando a chegada de elfos e homens, que não estavam no Seu primeiro comunicado. Portanto Ele pode, no estágio 5, introduzir diretamente coisas que não estavam na Música e que assim não são realizadas através dos Valar. Não obstante, isto continua em geral verdadeiro no que diz respeito a Eä como concluído através da intervenção deles.

As adições de Eru, contudo, não serão “estranhas”; elas serão ajustadas à natureza e ao caráter de Eä e daqueles nele habitam; elas podem realçar o passado e enriquecer seu propósito e sua importância, mas o passado estará contido nelas e não será destruído.

Assim, a “novidade” dos temas dos Filhos de Eru, elfos e homens, consistia da associação dos fëar com (ou da “habitação” deles nos) hröar pertencentes a Eä, de tal modo que os primeiros estariam incompletos sem os últimos e vice-versa. Mas os fëar não eram espíritos de um tipo completamente diferente dos Ainur; enquanto que os corpos eram de um tipo mais parecido com os corpos de seres vivos já na idéia primordial (mesmo se adaptados à sua nova função, ou modificados pelos fëar residentes).

Nota 2

Arda, ou “O Reino de Arda” (como estando diretamente sob o governo do vice-regente de Eru, Manwë) não é fácil de se traduzir, uma vez que nem “terra” nem “mundo” são inteiramente adequadas. Fisicamente Arda era o que chamamos de Sistema Solar. Presumivelmente os Eldar poderiam ter tido informações tão numerosas quanto precisas a respeito disso, de sua estrutura, origem e sua relação com o resto de Eä (o Universo) como podiam compreender. Provavelmente aqueles que se interessavam adquiriram este conhecimento. Nem todos os Eldar se interessavam por tudo; a maioria deles concentrava sua atenção na (ou, como eles diziam, “estavam apaixonados pela”) Terra.

As tradições mencionadas aqui passaram dos Eldar da Primeira Era para os elfos que nunca conheceram diretamente os Valar e para os homens que receberam os “ensinamentos” dos elfos, mas que possuíam mitos, lendas cosmogônicas e suposições astronômicas próprios. Porém não há nada nelas que entre seriamente em conflito com as noções humanas atuais do Sistema Solar e de seu tamanho e posição relativos ao Universo. Deve ser lembrado, contudo, que isto não implica necessariamente que a “Informação Verdadeira” a respeito de Arda (tal como os antigos Eldar podem ter recebido dos Valar) deva condizer com as atuais teorias dos homens. Além disso, os Eldar (e os Valar) não estavam sobrecarregados ou mesmo principalmente impressionados pelas noções de tamanho e distância. Seu interesse, certamente o interesse do Silmarillion e de todas as questões relacionadas, podem ser chamado de “dramático”. Lugares ou mundos eram interessantes ou importantes pelo o que acontecia neles.

Certamente é o caso, com as tradições élficas, de que a parte principal de Arda era a Terra (Imbar, “A Habitação”), como a cena do Drama da guerra dos Valar e dos Filhos de Eru com Melkor: de modo que, usada livremente, Arda parece com freqüência significar a Terra; e que, deste ponto de vista, a função do Sistema Solar era tornar possível a existência de Imbar. Com respeito à relação de Arda com Eä, a afirmação de que os principais Ainur demiúrgicos (os Valar), incluindo o originalmente maior de todos, Melkor, fixaram sua “residência” em Arda desde o seu estabelecimento, também implica que, a todo instante, Arda era dramaticamente o ponto principal em Eä.

Essas visões não são matemáticas ou astronômicas, ou mesmo biológicas, e portanto não se pode dizer que elas necessariamente entram em conflito com as teorias de nossas ciências físicas. Não podemos dizer que “deve” haver em algum outro lugar em Eä outros sistemas solares “como” Arda, e ainda menos que, caso existam, eles ou qualquer um deles possua um paralelo a Imbar. Não podemos sequer dizer que estas coisas são matematicamente muito “prováveis”. Mas mesmo se a presença de “vida” biológica em outro lugar de Eä fosse demonstrável, isto não invalidaria a visão élfica de que Arda (pelo menos enquanto essa durar) é o centro dramático. A demonstração de que existira Encarnados em outro lugar, paralelamente aos Filhos de Eru, certamente modificaria quadro, mas não o invalidaria. A resposta élfica provavelmente seria: “Bem, há outro Conto. Não é o nosso Conto. Eru sem dúvida pode permitir mais de um. Nem tudo é descrito no Ainulindalë; ou o Ainulindalë pode possuir uma referência mais ampla do que conhecemos: outros dramas, semelhantes em gênero mas diferentes em processo e resultado, podem ter continuado em Eä, ou ainda podem continuar”. Mas certamente eles acrescentariam: “Mas eles não estão acontecendo agora. O drama de Arda é o interesse atual de Eä”. De fato a visão élfica é claramente a de que o Drama de Arda é único. Não podemos presentemente afirmar que isto é falso.

Os elfos estavam, é claro, primeira e profundamente (mais profundamente do que os homens) preocupados com Arda, e com Imbar em particular. Eles parecem acreditar que o universo físico, Eä, teve um início e teria um fim: que ele era limitado e finito em todas as dimensões. Eles certamente acreditavam que todas as coisas ou “estruturas”, isto é, construídas (embora simples e incipientemente) a partir da matéria básica, que eles chamavam erma, eram impermanentes dentro de Eä. Logo, eles preocuparam-se muito mais com o “Fim de Arda”. Sabiam que eles próprios estavam limitados à Arda; mas a duração de sua existência eles parecem não terem conhecido. Possivelmente os Valar não sabiam. Muito provavelmente eles não foram informados pela vontade ou desígnio de Eru, que na tradição élfica parece exigir duas coisas de Seus Filhos (de ambas as raças): acreditar Nele e, partindo disto, ter esperança ou confiar Nele (fato que era chamado pelos Eldar de estel).

Mas em qualquer caso, quer descrito na Música ou não, o Fim poderia ser ocasionado por Eru a qualquer momento através de uma intervenção, de modo que ele certamente não poderia ser previsto. (Uma intervenção menor deste tipo e aparentemente prenunciada foi a catástrofe na qual Númenor foi destruída e a residência física dos Valar em Imbar terminou.) A concepção élfica do Fim de fato era catastrófica. Eles não acreditavam que Arda (ou, de qualquer modo, Imbar) iria simplesmente estagnar-se em uma inanição sem vida. Mas esta concepção não foi incorporada por eles em qualquer mito ou lenda. Ver Nota 7.

Nota 3

Na tradição élfica sua reencarnação era uma permissão especial concedida por Eru a Manwë, depois que Manwë consultou-O diretamente na época do debate a respeito de Finwë e Míriel. (Míriel “morreu” em Aman ao se recusar a não mais viver no corpo, e desse modo levantou toda a questão da separação não natural de um fëa élfico e seu hröa, e da privação de elfos que ainda viviam: Finwë, seu esposo, foi deixado solitário.) Os Valar, ou Mandos como o porta-voz de todas as ordens e, em muitos casos, seu executor, receberam poder para convocar, com total autoridade, todos os fëar desabrigados de elfos à Aman. Lá lhes era dada a escolha de permanecerem desabrigados ou (se desejassem) serem realojados na mesma forma e aspecto que possuíam. Não obstante, geralmente eles devem permanecer em Aman. Portanto, se habitassem na Terra-média, a sua privação em relação aos amigos e parentes, e a privação destes, não era corrigida. A morte não era completamente curada. Mas como Andreth observou, esta certeza a respeito de seu futuro após a morte, e o conhecimento de que eles pelo menos seriam capazes (caso desejassem), como encarnados, de fazer e criar coisas e continuar sua experiência de Arda, tornava a morte para os elfos algo totalmente diferente da como essa era vista pelos homens.

A eles era dada uma escolha, pois Eru não permitia que seu livre-arbítrio lhes fosse retirado. De modo similar, os fëar desabrigados eram convocados, e não trazidos, a Mandos. Eles poderiam recusar as invocações, mas isto indicaria que de algum modo eles foram maculados, ou não desejariam recusar a autoridade de Mandos: a recusa tinha graves conseqüências, procedendo inevitavelmente da rebelião contra a autoridade.

Eles “geralmente permaneciam em Aman”. Simplesmente porque eles ficavam, quando realojados, mais uma vez em seus verdadeiros corpos físicos, e retornar à Terra-média era, portanto, muito difícil e arriscado. Além disso, durante o período do Exílio dos Noldor, os Valar haviam momentaneamente cortado todas as comunicações (por meios físicos) entre Aman e a Terra-média. Os Valar certamente poderiam ter arranjado a transferência, se houvesse uma razão suficientemente grave. A privação de amigos e parentes aparentemente não era considerada uma razão suficiente. Provavelmente sob a instrução de Eru. De qualquer forma, no que diz respeito aos Noldor, estes, como um povo, isolaram-se da misericórdia; eles deixaram Aman exigindo liberdade absoluta para serem seus próprios mestres, para prosseguirem com sua guerra contra Melkor com seu próprio valor desassistido, e para enfrentar a morte e suas conseqüências. O único caso de um arranjo especial registrado nas Histórias é o de Beren e Lúthien. Beren foi morto logo após seu casamento, e Lúthien morreu de tristeza. Ambos foram realojados e enviados de volta à Beleriand; mas ambos tornaram-se “mortais” e posteriormente morreram de acordo com a longevidade humana normal. A razão para isso, que deve ter sido realizado por uma permissão expressa de Eru, não ficou completamente aparente até tempos depois, mas certamente fora de um peso único. A tristeza de Lúthien era tão grande que, de acordo com os Eldar, levou à piedade até mesmo Mandos, o Inabalável. Beren e Lúthien juntos realizaram o maior de todos os feitos contra Melkor: a recuperação de uma das Silmarils. Lúthien não era dos Noldor, mas filha de Thingol (dos Teleri), e sua mãe Melian era “divina”, uma Maia (um dos membros inferiores da raça espiritual dos Valar). Desse modo, da união de Lúthien e Beren, que foi possível devido ao seu retorno, ocasionou-se a infusão tanto de uma linhagem “divina” como de uma élfica na humanidade, fornecendo um elo entre a humanidade e o Mundo Antigo, após o estabelecimento do Domínio dos Homens.

Nota 4

Mais cedo ou mais tarde: porque os elfos acreditavam que os fëar dos homens mortos também iam para Mandos (sem escolha quanto a isso: seu livre-arbítrio com respeito à morte era retirado). Lá esperavam até que fossem entregues a Eru. A verdade disto não é assegurada. Nenhum homem vivo tinha permissão de ir a Aman. Nenhum fëa de um homem morto jamais retornou à vida na Terra-média. Para todos os semelhantes decretos e afirmações havia sempre algumas exceções (por causa da “liberdade de Eru”). Eärendil alcançou Aman, mesmo na época do Banimento; mas ele carregava a Silmaril recuperada por sua ancestral Lúthien, e ele era meio-elfo, e não lhe foi permitido retornar à Terra-média. Beren retornou à vida de fato, por pouco tempo; mas ele na verdade jamais foi visto novamente por homens vivos.

A passagem “sobre o mar” para Eressëa (uma ilha à vista de Aman) era permitida, e de fato encorajada, a todos os elfos remanescentes na Terra-média após a queda de Morgoth em Angband. Isto realmente marcou o início do Domínio dos Homens, embora houvesse (na nossa visão) um longo período de crepúsculo entre a queda de Morgoth e a derrocada final de Sauron: isto é, continuando no decorrer da Segunda e Terceira Eras. Mas ao final da Segunda Era veio a grande Catástrofe (por uma intervenção de Eru que prenunciava, aparentemente, o Fim de Arda): a aniquilação de Númenor e a “remoção” de Aman do mundo físico. Portanto, a passagem de mortais “sobre o mar” após a Catástrofe – que é registrada nO Senhor dos Anéis – não é exatamente a mesma coisa. Esta foi, de qualquer modo, uma graça especial. Uma oportunidade para morrer de acordo com o plano original para os não caídos: eles chegavam a um estado onde poderiam adquirir um conhecimento e paz de espírito maiores, e estando curados de todos os ferimentos, tanto de mente como de corpo, por fim poderiam finalmente entregarem-se: morrer de livre vontade, e mesmo de desejo, em estel. Uma coisa que Aragorn alcançou sem qualquer tipo de auxílio.

Nota 5

Eles assim eram capazes de esforços físicos maiores e mais prolongados (em busca de algum objetivo dominante em suas mentes) sem fadiga; não estavam sujeitos à doenças; curavam-se rápida e completamente após ferimentos que teriam se mostrados fatais aos homens; e podiam suportar grandes dores físicas por longos períodos. Seus corpos não podiam, entretanto, sobreviver a ferimentos vitais ou a violentos ataques à sua estrutura; nem podiam substituir membros perdidos (tais como uma mão decepada). Por outro lado, os elfos podiam morrer, e morriam, por vontade própria; como, por exemplo, por causa de grande tristeza ou privação, ou por causa da frustração de seus desejos e propósitos dominantes. Esta morte intencional não era considerada imoral, mas era uma falta que indicava alguma deficiência ou mácula no fëa, e àqueles que chegavam a Mandos por estes meios poderia ser recusado uma outra vida encarnada.

Nota 6

Porque os Valar não possuíam tal informação; ou porque a informação era negada. Ver Nota 2 [quinto parágrafo].

Nota 7

Ver Nota 2. Os elfos esperavam que o Fim de Arda fosse catastrófico. Eles acreditavam que isto aconteceria pelo menos pela dissolução da estrutura de Imbar, se não de todo o sistema. O Fim de Arda não é, obviamente, a mesma coisa que o fim de Eä. Sobre isso sustentavam que nada poderia ser conhecido, exceto que Eä era derradeiramente finito. É digno de nota o fato de que os elfos não possuíam mitos ou lendas que tratassem do fim do mundo. O mito que aparece ao final do Silmarillion é de origem númenoreana; ele evidentemente foi criado por homens, embora os homens tivessem conhecimento da tradição élfica. Todas as tradições élficas são apresentadas como “histórias”, ou como relatos do que acontecera.

Estamos lidando aqui com o pensamento élfico em um período inicial, quando os Eldar ainda eram completamente “físicos” em forma corpórea. Muito mais tarde, quando o processo (já vislumbrado por Finrod) chamado “minguar” ou “desvanecer” tornou-se mais efetivo, suas opiniões a respeito do Fim de Arda, até onde os afetavam, devem ter sido modificadas. Mas existem poucos registros de quaisquer contatos do pensamento humano com o élfico em dias posteriores. Eles finalmente tornaram-se alojados, se isto pode ser assim chamado, não em hröar verdadeiramente visíveis e tangíveis, mas apenas na memória do fëa de sua forma corpórea e de seu desejo por ela; e, portanto, não dependentes da mera existência sobre o material de Arda. Mas eles parecem ter acreditado, e de fato ainda acreditam, que este desejo pelo hröa mostra que sua condição posterior (e atual) não lhes é natural, e permanecem na estel de que Eru irá curá-la. “Não natural”, ou devido completamente, como pensavam inicialmente, ao enfraquecimento do hröa (derivado da debilidade introduzida por Melkor na substância de Arda, sobre a qual ele deve se nutrir), ou devido parcialmente ao trabalho inevitável de um fëa dominante sobre um hröa material no decorrer de muitas eras. (No último caso, “natural” pode referir-se apenas a um estado ideal, no qual a matéria imaculada poderia suportar eternamente a habitação de um fëa perfeitamente adaptado. Não pode referir-se ao real desígnio de Eru, uma vez que os Temas dos Filhos foram introduzidos após o surgimento das dissonâncias de Melkor. O “minguar” dos hröar élficos deve ser, portanto, parte da História de Arda como contemplada por Eru, e modo pelo qual os elfos abririam caminho para o Domínio dos Homens. Os elfos consideravam sua substituição pelos homens um mistério, e um motivo de tristeza; pois eles diziam que os homens, pelo menos quanto a serem amplamente governados pelo mal de Melkor, possuem cada vez menos amor por Arda em si, e estão por demais ocupados em destruí-la na tentativa de dominá-la. Eles acreditam ainda que a cura de Eru de todos os pesares de Arda agora virá pelos ou através dos homens; mas a parte dos elfos na cura ou redenção será principalmente na restauração do amor de Arda, para o qual contribuirão suas memórias do Passado e compreensão do que poderia ter sido. Arda, dizem eles, será destruída pelos homens maliciosos (ou pela malícia nos homens), mas será curada pela bondade nos homens. A malícia, a dominante falta de amor, os elfos compensarão. Pela santidade dos homens bons – a ligação direta destes com Eru, anterior e acima de todas as obras de Eru – os elfos podem ser livrados do último de seus pesares: a tristeza; a tristeza que deve vir mesmo do amor altruísta de qualquer coisa abaixo de Eru.)

Nota 8

Desejo. Os elfos insistiam que os “desejos”, especialmente desejos fundamentais como são tratados aqui, deviam ser considerados como indicações das naturezas reais dos Encarnados, e da direção na qual sua satisfação imaculada deve se situar. Eles faziam distinção entre o desejo do fëa (percepção de que alguma coisa certa ou necessária não está presente, levando ao desejo ou esperança por ele), o desejo, ou vontade pessoal (o sentimento da falta de alguma coisa, a força que primeiramente diz respeito a si próprio, e que pode ter pouca ou nenhuma referência à adequação geral das coisas) e a ilusão, a recusa de reconhecer que as coisas não são como deveriam ser, levando à ilusão de que elas são como alguém desejaria que fossem, quando elas não são dessa forma. (O último poderia ser chamado agora de “pensamento desejoso”, legitimamente; mas este termo, diriam os elfos, é absolutamente ilegítimo quando aplicado ao primeiro. O último pode ser refutado por referência aos fatos. O primeiro não. A não ser que acredite-se que o desejo seja sempre ilusório e a única base para a esperança de correção. Mas os desejos do fëa podem ser freqüentemente mostrados como sendo razoáveis por argumentos não ligados ao desejo pessoal. O fato de que eles estão de acordo com o “desejo”, ou mesmo com a vontade pessoal, não os invalida. De fato, os elfos acreditavam que o “alívio do coração” ou a “instilação da alegria” (à qual eles freqüentemente referem-se), que podem acompanhar a declaração de uma proposição ou de um argumento, não é uma indicação de sua falsidade, mas sim do reconhecimento da parte do fëa de que ele está no caminho da verdade.)

Nota 9

É provável que Andreth na verdade estivesse relutante em dizer mais. Em parte por um tipo de lealdade que impedia os homens de revelarem aos elfos tudo o que sabiam sobre a escuridão em seu passado; e em parte porque ela sentiu-se incapaz de decidir-se quanto às conflitantes tradições humanas. Versões mais longas do Athrabeth, evidentemente editadas sob influência númenoreana, fazem-na dar, sob pressão, uma resposta mais precisa. Algumas são muitos breves, outras são mais longas. Contudo, todas concordam em tornar a causa do desastre a aceitação de Melkor como rei (ou rei e deus) pelos homens. Em uma versão, uma lenda completa (resumida na escala temporal) é fornecida explicitamente como uma tradição númenoreana, pois ela faz Andreth dizer: Este é o Conto que Adanel da Casa de Hador me contou. Os númenoreanos em sua maioria, e suas tradições não élficas principalmente, descendiam do Povo de Marach, do qual a Casa de Hador era líder. A lenda possui certas semelhanças quanto às tradições númenoreanas no que diz respeito ao papel desempenhado por Sauron na queda de Númenor. Mas isto não prova que ela seja completamente uma ficção dos dias pós-queda. Ela sem dúvida é derivada de tradições verdadeiras do Povo de Marach, completamente independente do Athrabeth. [Nota adicionada: Nada é afirmado, por meio desta, a respeito de sua "verdade", história ou não.] as atividades de Sauron natural e inevitavelmente assemelhavam-se àquelas de seu mestre ou repetiam-nas. É triste que um povo de posse de tal lenda ou tradição tenha sido posteriormente iludido por Sauron mas, geralmente em vista da história humana, não é incrível. De fato, se peixes possuíssem tradições e sábios entre eles, o trabalho dos pescadores provavelmente quase não seria impedido.

Nota 10

A “Matéria” não é considerada má ou oposta ao “Espírito”. A matéria era completamente boa em origem. Ela permaneceu uma “criatura de Eru” e ainda boa em grande parte, e de fato autocurativa, quando não perturbada: isto é, quando o mal latente introduzido por Melkor não era despertado deliberadamente e usado por mentes malignas. Melkor concentrou sua atenção na “matéria” porque os espíritos só podiam ser completamente dominados pelo medo; e o medo era mais facilmente empregado através da matéria (especialmente no caso dos Encarnados, aos quais ele mais desejava subjugar). Por exemplo, pelo medo de que as coisas materiais que eram amadas pudessem ser destruídas, ou o medo (nos Encarnados) de que seus corpos pudessem ser feridos. (Melkor também usou e perverteu para seus propósitos o “medo de Eru”, completa ou vagamente compreendido. Mas isto foi mais difícil e perigoso, e exigiu mais astúcia. Espíritos inferiores poderiam ser atraídos pelo amor ou admiração dele próprio e de seus poderes, e conduzidos assim a uma postura de rebelião contra Eru. Seu medo Dele poderia então ser obscurecido, de modo que eles aderissem a Melkor, como um capitão e protetor, tornando-se por fim aterrorizados demais para retornarem à lealdade a Eru, mesmo após terem descoberto quem Melkor era e terem começado a odiá-lo.)

Nota 11

Na verdade isto já havia sido vislumbrado no Ainulindalë, no qual é feita referência à “Chama Imperecível”. Isto parece querer dizer a atividade Criativa de Eru (em certo sentido distinta Dele ou de dentro Dele), pela qual as coisas poderiam receber uma existência (embora derivativa e criada) “real” e independente. A Chama Imperecível é enviada a partir de Eru, para residir no coração do mundo e o mundo então É, no mesmo plano dos Ainur, e eles podem entrar nele. Mas isto, claro, não é o mesmo que a reentrada de Eru para derrotar Melkor. Isto refere-se ao mistério da “autoria”, pela qual o autor, apesar de permanecer “fora” e independente de seu trabalho, também “reside” nele, em seu plano derivativo, abaixo daquele de seu próprio ser, como a fonte e garantia de seu ser.

Mitos Transformados – ARDA

O texto final, entitulado Aman, é um manuscrito claro, escrito com
pouca hesitação ou correção. Eu o tomei como um ensaio independente, e
em dúvida do melhor lugar para inseri-lo deixei-o para o final; mas
quando este livro já estava completo e preparado para publicação me dei
conta de que ele de fato tem um relacionamento muito próximo ao
manuscrito de Athrabeth Finrod ah Andreth
[Nota do Tradutor] O texto em itálico a seguir e
de Christopher Tolkien. O texto normal é de J.R.R. Tolkien. O livro a
que se refere C. Tolkien no parágrafo abaixo é o The History of Middle-earth 10 e o final a que ele se refere é o final da seção Myths Transformed.
O
manuscrito inicia com uma seção introdutória, começando com a afirmação
de que alguns homens acreditavam que seus hroar não tinham vida curta
por natureza, mas assim tornou-se pela malícia de Melkor. Eu não
percebi a relevância de algumas linhas no cabeçalho da primeira página
do Athrabeth, que meu pai riscou: estas linhas começam com as palavras
“o hroa, e ele poderia continuar a viver, um corpo sem mente, nem mesmo
uma besta mas sim um monstro”, e terminava “… a própria Morte, tanto
em agonia quanto em terror, entraria pessoalmente em Aman com os
Homens”. Esta passagem é virtualmente idêntica à conclusão do texto
atual, cuja última página começa precisamente no mesmo ponto.

Fica claro, portanto, que Aman originalmente ficava no Athrabeth, mas
meu pai o removeu para uma forma estanque e copiou a passagem final em
uma folha em separado. Ao mesmo tempo, presumivelmente, ele deu ao
restante (o Athrabeth e sua introdução) os títulos de “Da Morte e dos
Filhos de Eru, e da Desfiguraçãodos Homens e A Conversa de Finrod e
Andreth[1].
Seria preferível colocar Aman com o
Athrabeth na Parte Quatro, mas eu acredito que seja desnecessário em
tal estágio tardio iniciar uma mudança ampla na estrutura do livro, e
assim o deixei aqui em separado.

Aman
Em Aman as coisas eram bastante diferentes da Terra-média. Mas elas
lembravam o modo de vida dos Elfos, assim como os Elfos se pareciam
mais com os Valar e Maiar do que os Homens.Em Aman a duração
da unidade de “ano” era a mesma da dos Quendi. Mas por uma razão
diferente. Em Aman esta duração era estipulada pelos Valar para suas
próprias necessidades e era relacionada ao processo que pode ser
chamado de “Envelhecimento de Arda”. Pois Aman estava em Arda e
portanto no Tempo de Arda (o qual não era eterno, seja ArdaDesfigurada
ou não). Portanto Arda e todas as coisas nela precisam envelhecer,
embora lentamente, enquanto parte do início para o fim. Este
envelhecimento pode ser percebido pelos Valar aproximadamente naquele
período de tempo (proporcional à duração total de Arda) ao qual eles
chamaram Ano; mas não em menor período[2].Mas para os
próprios Valar e também para os Maiar em certo grau: eles poderiam
viver em qualquer velocidade de pensamento ou movimento que eles
escolhessem ou desejassem[3] *.

* Eles podiam se mover para
frente ou para trás em pensamento, e retornar tão rapidamente que para
aqueles que estavam em suas presenças eles não pareceriam ter se
movido. Tudo que era passado podia ser totalmente percebido; mas
existindo agora no Tempo, o futuro eles apenas poderiam perceber ou
explorar tanto quanto fora feito claro a eles na Música, ou, tanto
quanto cada um deles estava especialmente interessado nesta ou naquela
parte dos desígnios de Eru, sendo Seu agente ou Subcriador. Nesta forma
de percepção eles não podiam prever nenhum dos atos dos Filhos, Elfos e
Homens, em cuja concepção e introdução em Eä nenhum Valar tomou
qualquer parte; em relação aos Filhos eles apenas podiam deduzir
chances, da mesma forma que os próprios Filhos, embora com muito maior
conhecimento dos fatos e dos eventos contribuintes no passado, e com
muito mais inteligência e sabedoria. Mas mesmo assim sempre restava
alguma incerteza sobre as palavras e feitos dos Elfos e Homens no
Termpo ainda não realizado.

A unidade, ou Ano dos Valar, não
era, portanto, relacionado às taxas normais de “crescimento ” de
nenhuma pessoa ou coisas que ficava em Aman. O tempo em Aman era o
tempo real, não apenas um modo de percepção. Assim, digamos, 100 anos
se passavam na Terra-média como parte de Arda e também 100 anos se
passavam em Aman, como parte de Arda. Foi, contudo, devido ao fato de
que a velocidade de “crescimento” dos Elfos estava de acordo com a
unidade de tempo Valariana + que tornou possível para os Valar levarem
os Elfos a residirem em Aman.

(+ não pelos desígnios dos
Valar, mas sem dúvida não por acaso. Ou seja, pode ser que Eru, ao
criar a natureza dos Elfos e Homens e suas relaçoes uns com os outros e
com os Valar ordenou que o “crescimento” dos Elfos deveria se dar de
acordo com a percepção Valariana da progressão ou envelhecimento de
Arda, assim os Elfos seriam capazes de co-habitar com Valar e Maiar.
Uma vez que os Filhos apareceram na Música, e também na Visão, os Valar
conheciam ou intuiam muito da natureza dos Elfos e Homens antes deles
virem a existir. Eles certamente conheciam que os Elfos deveriam ser
“imortais” ou de vida muito longa, e os Homens de vida curta. Mas foi
provavelmente apenas durante a viagem de Oromë entre os pais dos Quendi
que os Valar descobriram precisamente qual era o mode de suas vidas com
relação ao passar do Tempo).

Em um Ano dos Valar os Eldar
morando em Aman cresciam e se desenvolviam de maneira muito parecida
com os mortais em um ano na Terra-média. Aos registrar os eventos em
Aman, portanto, nós podemos fazer como os Elfos e utilizar a unidade
Valariana[4], mas não devemos esquecer que dentro de tal “ano” os Eldar
experimentavam uma imensa série de delícias e realizações que mesmo o
mais hábil dos Homens não poderia alcançar em doze vezes doze anos
mortais[5]. De qualquer forma os Eldar “envelheciam” à mesma velocidade
em Aman do que em seu surgir na Terra-média.

Mas os Eldar não
eram nativos de Aman, a qual não fora feita, pelos Valar, para eles. Em
Aman, antes da chegada deles, moravam apenas os Valar e seus parentes
menores, os Maiar. Mas para ser prazer e uso existiam em Aman também
uma grande quantidade de criaturas, sem medo, de vários tipos: animais
ou criaturas que se moviam, plantas que eram estáticas. Lá,
acredita-se, existiam contra-partes de todas as criaturas que existiam
ou haviam existido na terra, e outras feitas apenas para Aman. E cada
tipo tinha, como na Terra, sua própria natureza e velocidade natural de
crescimento.

Uma vez que Aman foi feita para os Valar, para
que pudessem ter paz e prazer, a todas as criaturas que foram
transplantadas ou treinadas ou criadas ou trazidas a existir com o
propósito de habitar em Aman foi dada uma velocidade de crescimento tal
que um ano de vida natural de suas espécies na Terra deveria ser um Ano
dos Valar em Aman.

Para os Eldar esta era uma fonte de
prazer. Pois em Aman o mundo parecia a eles como a Terra parecia aos
Homens, mas sem a sombra da morteà espreita. E na Terra para ele todas
as coisas em comparação a eles mesmos estavam murchando, rapidamente
mudando e morrendo, em Aman elas permanceiam e não enganavam tão cedo o
amor com suas mortalidades. Na Terra enquanto uma criança élfica
simplesmente cresce para tornar-se um adulto, em uns 3000 anos,
forestas surgem e somem, e toda a aparência da terra pode mudar,
enquanto inumeráveis flores e pássaros poderiam nascer e morrer dia
após dia sob o sol.

E por isso tudo Aman é também chamada o
Reino Abençoado, e nisso encontra sua benção: na saúde e na felicidade.
Por em Aman nenhuma criatura sofre nenhuma doença ou desordem em suas
naturezas; nem existe nenhum decair ou envelhecer além do da própria
Arda. Então todas as coisas chegam à sua forma completa e virtualmente
permanecem nesse estado, alegremente, envelhecendo e cansando-se da
vida não mais rapidamente do que os próprios Valar. E esta benção
também foi garantida aos Eldar.

Na terra os Quendi não
sofriam de doenças e a saúde de seus corpos era mantida pela força de
seu fëar longevo. Mas seus corpos, sendo da matéria de Arda, não era
tão resistente quanto seus espíritos; pois a longevidade dos Quendi era
derivada primariamente de seus fëar, cuja natureza ou “destino” era
habitar Arda até seu fim. Portanto, após a vitalidade do hröa ter se
expandido e alcançado o crescimento pleno ele começava a enfraquecer ou
ficar cansado. Muito lentamente, de fato, mas perceptivelmente para
todos os Quendi. Por um tempo ele seria fortificado e mantido pelo seu
fëa incansável e então sua vitalidade começaria a decair e seu desejo
pela vida física e felicidade nela passam cada vez mais rápido. Então
um Elfo poderia começar (como eles dizem agora, pois estas coisas não
apareceram completamente nos Dias Antigos) a “esvair-se”, até que o fëa
consumisse o hroa até que permanecesse apenas no amor e na memória do
espírito que o habitara.

Mas em Aman, uma vez que suas
bençãos se derramavam sobre o hroar dos Eldar, como sobre todos os
corpos, os hroar envelheciam junto com os fear e os Eldar que
permaneciam no Reino Abençoado aproveitavam na maturidade plena em em
pleno poder de corpo e espírito unidos por eras além de nossa
compreensão mortal.

Aman e os Homens Mortais[6]
Se
é assim em Aman, ou era antes da Mudança do Mundo, e nela os Eldar
tinham saúde e felicidade duradouras, o que podemos dizer dos Homens?
Nenhum homem jamais colocou os pés em Aman ou pelo menos nenhum
retornou após ter posto; pois os Valar proibiram. Por que? Para os
Numenorianos eles disseram que assim o fizeram porque Eru proibiu-os de
receber Homens no Reino Abençoado; edeclararam também que lá os Homens
não seriam abençoados(como imaginavam) mas amaldiçoados e poderiam ” se
apagar tão rapidamente como uma chama muito brilhante”.Além
dessas palavras não podemos ir a não ser em suposições. Mesmo assim
vamos considerar o assunto. Os Valar não foram apenas proibidos por Eru
de tentar, eles sequer podiam alterar a natureza ou “destino” de Eru,
de qualquer um dos Filhos, no qual estava inclusa a velocidade de seu
crescimento (relativamente ao total da vida de Arda) eà duração de suas
vidas. Mesmo os Eldar permaneceram imutáveis neste aspecto.Vamos
supor que os Valar também tivessem admitido em Aman alguns dos Atani, e
(assim podemos considerar toda a vida de um Homem em tal estado) que
crianças “mortais” lá nasceram, assim como os filhos dos Eldar. Então,
mesmo em Aman, uma criança mortal deveria crescer para sua maturidade
em cerca de vinte anos do Sol, e o período natural de sua vida, o
período de coesão de hroa e fea, não seria mais do que, digamos, 100
anos. Não muito mais, mesmo que seu corpo não sofresse de doenças ou
desordens em Aman, onde tais males não existiam (a menos que os Homens
levassem tais males consigo – por que não? Mesmo os Eldar levaram ao
Reino Abençoado alguma coisa da Sombra sobre Arda sob a qual eles
surgiram).

Mas em Aman tal criatura seria uma coisa
passageira, a de mais rápida passagem entre todas. Pois toda a sua vida
duraria pouco mais do que metade de um ano, e enquanto todas as outras
coisas vivas pareceriam a ela dificilmente mudar,permanecendo estáticas
em vida e felicidade com esperança não reduzida de anos infindos, ele
iria surgir e sumir – assim como na Terra a gramasurge na primavera e
murcha no inverno. Então ele se tornaria cheio de inveja, tomando-se
como vítima de uma injustiça, não tendo as graças concedidas a todos os
outros seres. Ele não daria valor ao que tem,sentindo que está entre a
menor e menos valorosa de todas as criaturas, cresceriam rapidamente
até se tornarem adultos, e odiariam àqueles mais bem dotados de
benções. Ele não poderia escapar do medo e tristeza de sua rápida
mortalidade que é seu quinhão sobre a Terra, na Arda Desfigurada, mas
seria assediado por eles até a perda de todo o prazer.

Mas
alguém poderia perguntar: porque a benção da longevidade não poderia
ser dada a ele, como a é para os Eldar? Isto deve ser respondido.
Porque isto traz felicidade aos Eldar, sendo sua natureza diferente da
dos Homens. A natureza de um fea Élfico é permanecer no mundo até seu
fim, e um hroa Élfico é também longevo por natureza; assim um fea
Élfico percebendo que seu hroa permanece com ele, também incansável e
permanecendo descansado em felicidade corporal, teria uma felicidade
maior e mais duradoura. De fato alguns dos Eldar duvidam que alguma
graça ou benção especial foi reservada a eles, além da entrada em Aman.
Pois eles afirmam que a falha de seus hroar em permanecerem em
incansável vitalidade tanto quanto seus fear – um processo não
observado até eras tardias – é devido ao Desfigurar de Arda, e veio com
a Sombra e a mancha de Melkor que toca toda a matéria (ou hroa)[7] de
Arda, se não toda Eä. Então tudo que aconteceria em Aman é que a
fraqueza do hroar Élfico não se desenvolveria à saúde de Aman e à Luz
das �?rvores.

Mas vamos supor que a “benção de Aman” também
fosse garantida aos Homens*. Então o que? Teria um grande bem sido
feito a eles? Seus corpos continuariam a atingir a maturidade
rapidamente. Na sétima parte de um ano um homem nasceria e se tornaria
adulto, tão rápido quanto um pássaro nasceria e voaria do ninho em
Aman. Mas então ele não iria enfraquecer ou envelhecer mas permaneceria
vigoroso e em felicidade de uma criatura corpórea. Mas e sobre o fea
desse Homem? Sua natureza ou “destino” não poderia ser mudada, nem pela
saúde de Aman nem pela vontade do próprio Manwë. Mesmo assim (como os
Eldar sustentam) é sua natureza e destino sob a vontade de Eru que ele
não permaneça em Arda por muito tempo, mas parta para algum outro
lugar, talvez retornando diretamente aEru para outro destino ou
propósito que está além do conhecimento ou suposição dos Eldar.

Muito
rapidamente então o fea e hroa de um Homem em Aman não mais estariam
unidos em paz, mas se oporiam, para grande dor de ambos. Sendo o hroa
pleno de vigor e felicidade da vida oprimiria o fea, uma vez que sua
partida traria a morte; e contra a morte ele se revoltaria como se
revoltaria uma grande besta cheia de vida contra o caçador ou partiria
selvagemente sobre ele. Mas a fea estaria como em uma prisão,
tornando-se mais e mais cansada de todos os prazeres do hroa, até
desgostar deles, desejando mais e mais ter partido, até que mesmo
aqueles assuntos de seu pensamento recebidos através do hroa e seus
sentidos se tornassem sem sentido. O Homem então não seria abençoado,
mas amaldiçoado; e ele amaldiçoaria os Valar e Aman e todas as coisas
de Arda. E ele não deixaria Aman de livre vontade, pois significaria
morte rápida, e com violência tentaria permancer. Mas se ele
permanecesse em Aman[8], o que ele se tornaria, até que Arda finalmente
se completasse e ele encontrasse alívio?

Ou o fea seria
completamente dominado pelo hroa e ele se tornaria mais como uma besta,
embora uma atormentada por dentro, ou, se seu fea fosse forte, ele
poderia deixar o hroa. Então uma de duas coisas ocorreria: ou isto
seria conseguido em ódio, através de violência, e o hroa, em plena
vida, seria rendido e morreria em súbita agonia; ou o fea desertaria o
hroa rapidamente e sem piedade, que continuaria a viver, um corpo sem
mente, nem mesmo uma besta e sim um monstro, um trabalho próprio de
Melkor no meio de Aman, que os os próprios Valar iriam destruir.

(*
Ou (como alguns homens sustentam) que seus hroar não eram naturalmente
de vida curta, mas assim se tornou através da malícia de Melkor sobre e
além da Desfiguração geral de Arda e esta ferida poderia ser curada e
desfeita em Aman).

Mas estas coisas não são nada além
suposições, e podem-ser; pois Eru e os Valar sob Ele não permitiram aos
Homens como eles são [9] que residissem em Aman. Pode ser que os Homens
em Aman não pudessem escapar das garras da morte, mas a teria em grau
maior e por longas eras. E além disso, parece provavel que a própria
morte, tanto em agonia e horror, poderia, com os Homens, adentrar a
própria Aman.

A este ponto Aman, como originalmente
escrito continuava com a aspalavras “Alguns Homens defendiam que seus
hroar não tinham por natureza, vida curta…” que são o começo da
passagem introdutória do Athrabeth.

Notas de Christopher Tolkien

[1] O número III e título adicional “O Desfigurar dos Homens” (os
outros títulos permaneceram) foi dado à segunda parte, enquanto Aman
foi numerada II. Nenhum escrito numerado I foi encontrado.

[2] Será visto que, como consequência da transformação do “mito
cosmogônico”, uma concepção inteiramente nova do “Ano Valariano”
surgiu. A elaborada computação do Tempo no Annals of Aman foi
baseada no “ciclo” ou “as Duas Árvores que cessaram de existir em
relação ao moviumento diruno do Sol que tinha surgido – surgiu um “novo
calendário”. Mas o “Anos dos Valar” é agora, como parece, uma “unidade
de percepção” da passagem do Tempo de Arda, derivada da capacidade dos
Valar perceberem tais intervalos do processo do envelhecer de Arda, do
seu começo ao seu fim. Ver nota 5.

[3] Meu pai escreveu a seguinte passagem (“Eles podiam se mover para
frente ou para trás em pensamento…”) no corpo do manuscrito a este
ponto, mas em uma pequena letra itálica, e eu preservei esta forma no
texto impresso; similarmente à passagem que interrompe o texto
principal às palavras “unidade de tempo Valariana”.

[4] “Nós podemos… utilizar a unidade Valariana”: em outras palavras,
presumivelmente, a antiga estrutura de datas na crônica de Aman poderia
ser mantida, mas o significado daquelas datas em termos de Terra-média
seriam radicalmente diferentes. Ver nota 5.

[5] Existe agora uma vasta discrepância entre os Anos dos Valar e os
“anos mortais”; ver também “toda a sua vida duraria pouco mais do que
metade de um ano” e “na sétima parte de um ano um homem nasceria e se
tornaria adulto”. Em notas não dadas neste livro, nas quais meu pai
estava calculando tendo como base o Despertar dos Homens, ele expressa
que 144 Anos do Sol = 1 Ano dos Valar (em conexão a isto ver Apêndice D
dO Senhor dos Anéis: “Parece claro que os Eldar na Terra-média…
contavam longos períodos, e apalavra Quenya yen… realmente
significava 144 de nossos anos”) colocando o evento “após ou à mesma
época do saque a Utumno, Ano dos Valar 1100″, um gigantesco intervalo
de tempo poderia ser visto agora entre o “surgir” dos Homens e sua
primeira aparição em Beleriand.

[6] O subtítulo Aman e Homens Mortais foi uma adição posterior.

[7] Com este uso da palavra hroa ver “o hroa, a “carne” ou matéria física, de Arda” (texto VIII do Mitos Transformados).

[8] Esta passagem, a partir de “E ele não deixaria Aman de livre vontade…” foi uma adição posterior. Quando o texto foi escrito ele continuava de “todas as coisas de Arda” para “o que ele se tornaria”

[9] As palavras “como eles são” são uma adição posterior, ao mesmo tempo que aquele da nota 6 e 8.