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	<title>Valinor&#187; Michael Martinez</title>
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		<title>Viajando na maionese de Asas e Cabelos</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Oct 2007 21:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michael Martinez</dc:creator>
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<div id="attachment_12889" class="wp-caption alignleft" style="width: 170px"><a href="http://www.valinor.com.br/files/2010/05/michael_portrait_21.jpg"><img class="size-full wp-image-12889" title="michael_portrait_21.jpg" src="http://www.valinor.com.br/files/2010/05/michael_portrait_21.jpg" alt="" width="160" height="145" /></a><p class="wp-caption-text">Michael Martinez</p></div>
<p>Novos livros de autoridade sobre a Terra-média são escassos e demandam enorme espera. Frequentemente, quando um novo livro é publicado fornecendo novas informações sobre a Terra-média, nossas queridas ideias que nutrimos por tanto tempo sofrem um sério desafio e devem ser reavaliadas.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><em>The History of Middle-earth</em> (HoME) caminha a passos tímidos para um nada profundo desfecho através das notas finais de Christopher Tolkien sobre &#8220;<a href="7441" target="_self">Tal-Elmar</a>&#8221; finalizando <em>The Peoples of Middle-earth</em>. Seu papel no longo e meticuloso processo de organizar e publicar as anotações e manuscritos de seu pai termina de forma silenciosa. Tantas questões permanecem sem resposta no 12º volume da HoME que muitas pessoas expressam uma enorme frustração com este trabalho. &#8220;Isso é tudo que há para se falar sobre a Terra-média?&#8221;, perguntam elas.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta dada então em 1996 era tanto &#8220;sim&#8221; como &#8220;não. &#8220;Sim&#8221;, pois a megalítica subestrutura dos detalhes foi cuidadosamente exposta, exceto por uma área que recebeu menor atenção. &#8220;Não&#8221;, pois Christopher prestou escassa atenção ao desenvolvimento de <em>O Hobbit</em>, uma tarefa delegada ao falecido Taum Santoski. Após o falecimento de Santoski, a responsabilidade recaiu sobre John Rateliff, que ainda tem de produzir a muito esperada história de <em>O Hobbit </em>(que em determinado momento possuiu o título provisório de Mr. Baggins ["Sr. Bolseiro"]).</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Annotated Hobbit</em>, de Douglas Anderson, revisado e atualizado em 2002, serve como a fonte primária da comunidade tolkeniana para o estudo do desenvolvimento de <em>O Hobbit</em>. Uma fonte secundária vital é o livro <em>J. R. R. Tolkien: Artist and Illustrator</em>, editado por Wayne Hammond e Christina Scull. Alguns poucos comentários feitos por Christopher e espalhados pelos livros da História da Terra-média, impõem mais limites nas já limitadas fontes à disposição para o estudo do trabalho de JRRT em <em>O Hobbit.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Muito dos materiais linguísticos restantes não-publicados de Tolkien foram colocados aos cuidados editoriais de um pequeno grupo de linguistas que trabalham com Christopher Gilson (<em>Parma Eldalamberon</em>) e Carl Hostetter (<em>Vinyar Tengwar</em>). Por conta das severas condições para o  uso desses escritos (fotocópias – os manuscritos originais não foram liberados), os materais-fonte estão presos no meio do fogo cruzado de disputas e acusações que permeiam a relativamente escassa e pequena comunidade linguística tolkeniana. Alguns dos principais lingüistas tolkenianos pressionam duro para que haja uma maior velocidade na disponibilização do material. O conflito ocasionalmente espalha-se para o domínio de discussões não-lingüísticas, mas em geral manteve-se contido dentro dos círculos de estudo linguísticos sobre Tolkien. Alguns materiais adicionais originários dos arquivos de Tolkien na Marquette University e da Bodleian Library de Oxford também fornecem aos linguistas novas informações.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos dos entusiásticos leitores Tolkien estão familiarizados com as brigas. Os mundos dos estudos tolkienianos, tanto formais quanto informais, reverberam com as palavras acaloradas de debates inflamados. Não conheço nenhum estudioso de Tolkien que já não tenha me dito em particular &#8220;Você pode encontrar uma resposta com fulano ou sicrano, mas não mencione meu nome pois isso não vai abrir portas para você&#8221;. Realmente, até eu tenho me pego dizendo coisa parecida em certas ocasiões.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém poderia pensar que, com a morte de Tolkien em 1973, já tenha passado tempo suficiente para que todo mundo tenha estudado tudo que seja possível imaginar sobre sua obra. A arte de analisar Tolkien, se não for apenas crítica barata contra Tolkien, deveria ser a esta altura uma análise bem definida e considerada quase científica. Mas a magia da arte de Tolkien é que ela continua a produzir novas descobertas, num ritmo quase anual. A última parte significativa do material lançado relacionado a Terra-média, durante a vida de Tolkien, foi provavelmente o mapa de Pauline Baines em 1969. O mapa inclui talvez meia dúzia de nomes de lugares que ninguém já tinha visto antes (tais como Edhellond, Lond Daer Ened e Framsburg).</p>
<p style="text-align: justify;">Há entrevistas que Tolkien deu entre 1965 e 1971 nas quais ele revelou pequenos detalhes sobre personagens ou aspectos particulares da Terra-média. Há o famoso comentário no qual ele compara o idioma dos Anões (Khuzdul) ao hebraico. Há a entrevista onde ele discute a história de Tarannon Falastur e a Rainha Beruthiel, comparando-os ao deus nórdico Njord e sua esposa-giganta Skadi. Mas, na verdade, após a publicação da segunda edição oficial de <em>O Senhor dos Anéis</em> e da terceira edição especial de <em>O Hobbit</em>, o desenvolvimento da Terra-média ficou paralisado pelo resto da vida de Tolkien.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente quando Christopher Tolkien publicou <em>O Silmarillion</em> em 1977 (casualmente mencionando no Prefácio que não era realmente o <em>Silmarillion</em> de seu pai) é que as informações começaram fluir livremente. Com <em>Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média </em>(publicado em 1980), Christopher liberou uma torrente de informações sobre o mundo de <em>O Senhor dos Anéis</em>. Claro que havia uma enorme quantidade de informações em <em>O Silmarillion</em>, mas era difícil lê-lo e digerir tudo. Como um amigo meu colocou &#8220;Parece que há uns 20 nomes por página que você precisará lembrar para o resto do livro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A habilidade fecunda de Tolkien em criar nomes, personagens e genealogias inspirou muitos a escreverem livros de referência, sites de internet e FAQs. A maioria deles não vale a pena em ser consultada, na minha opinião, uma vez que as chances de estarem errados é considerávelmente grande de tal forma que você quase precisa memorizar tudo para saber se os livros de referência estão certos. Eles apresentam detalhes fundamentais de forma errada com tal freqüência que não se deve confiar neles. Mesmo o <em>Complete Guide to Middle-earth</em>, escrito por Robert Foster, que é geralmente aceito como uma fonte confiável, foi denunciado como fonte de erros e confusão, e ele parou de documentar a Terra-média com<em> O Silmarillion</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro tudo isso antes de dizer que, com cada novo lançamento de material anteriormente não-publicado, a tarefa de conferir, organizar e compreender tudo que foi realmente escrito por J. R. R. Tolkien a respeito da Terra-média torna-se cada vez mais complexa e desafiadora com o lançamento de cada novo livro. No decorrer dos anos, enquanto via pessoas endossar pessoalmente um livro de referência em específico sobre o trabalho de Tolkien, fui provavelmente um dos piores críticos que imediatamente apontava os defeitos de tal obra.  E metade do tempo pessoas retrucavam indignadas: &#8220;Bem, então por que <em>você</em> não escreve um você mesmo?&#8221;; e metade do tempo pessoas me pediam encarecidamente para fazer um trabalho melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Desculpe, pessoal. Se eu achasse que poderia fazer melhor que qualquer outro, já eu teria tentado. Eu sei que cometeria enganos, e esses enganos me atormentariam pelo resto da vida, mesmo se eu fosse a única pessoa a enxergá-los. Algumas vezes você pode fazer tudo certinho e mesmo assim ainda dar errado.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, por vários anos depois que li pela primeira vez <em>O Senhor dos Anéis</em>, eu ficava me perguntando quem eram os Homens do Norte. De onde eles vinham? Porque diziam que eles estavam ligados aos Dunedain de Arnor e Gondor? Quando<em> Contos Inacabados </em>foi publicado, eu pensei que finalmente tinha a resposta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>O Senhor dos Anéis</em>, Faramir diz a Frodo: &#8220;Nossos mestres de tradição dizem que eles detêm desde tempos antigos esta afinidade conosco e que eles provêm daquelas mesmas Três Casas dos Homens, como os Numenorianos o foram no princípio: talvez não de Hardor, o Louro, Amigo-dos-Elfos, mas ainda assim de seu povo e de seus filhos que não singraram o Mar para o Oeste, recusando o chamado&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, essa foi uma declaração bem específica, e por toda sua vida foi a única pista real que Tolkien nos forneceu sobre a origem dos Homens do Norte.<em> O Silmarillion</em> de fato confirma que alguns Edain retornaram a Eriador, e nenhum dos descendentes de Hador estava entre eles. Os &#8220;filhos&#8221; a quem Faramir se referia deviam ser portanto ser considerados de forma figurativa, exatamente como os Rohirrim referiam-se a si mesmos como Eorlingas (os filhos ou povo de Eorl).</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Contos Inacabados</em> menciona os descendentes daqueles Edain que retornaram para Eriador. Eles encontraram Veantur e os Numenorianos várias centenas de anos depois. Cerca de mil anos depois, Sauron invadiu Eriador, expulsando ou matando todos os Elfos e Homens. Então, o que aconteceu com o povo de origem Edainica? Por um bom tempo, achei que eles fugiram para leste, passando pelas Montanhas Nevoentas para os Vales do Anduin. Pareceu então plausível para mim. E quando compartilhei tal idéia com outras pessoas, várias concordaram.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, em 1996, <em>The Peoples of Middle-earth </em>dissipou essa especulação. No ensaio &#8220;Anões e Homens&#8221; descobrimos que os povos Edainicos fixaram-se por Rhovanion e Eriador. Isto é, antes que quaisquer Edain tivessem alcançado Beleriand, havia assentamentos Edainicos desde Carnen (o Rio Vermelho, que flui para o sul das Colinas de Ferro) para o oeste de Baranduin. As Três Casas dos Edain eram na verdade somente subgrupos daqueles povos maiores. Os Homens do Norte da Terceira Era eram simplesmente descendentes originários dos grupos provenientes mais ao leste que os primeiros colonos Edainicos.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras de Faramir são consistentes tanto com minha interpretação dos textos e quanto com o ensaio canônico &#8220;Anões e Homens&#8221;. Esse ensaio é canônico no sentido que oferece uma explicação do próprio J. R. R. Tolkien sobre os fatos apresentados por Faramir para Frodo (e para o leitor). A Terra-média é criação dele, e assim ele decide onde as coisas devem ficar. Eu não. É claro, em uma observação anexada ao texto &#8220;Anões e Homens&#8221;, Tolkien especificamente faz referência à conversa de Faramir com Frodo. O ensaio, que ele escreveu mais ou menos em 1969, data assim de um período no final dos anos 60, quando Tolkien estava escrevendo uma enorme quantidade de &#8220;histórias de pano de fundo&#8221;. Ele estava preenchendo as lacunas, e em alguns casos, mudando de idéia sobre o que havia sido publicado 15 anos antes.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das ironias curiosas sobre o trabalho de Tolkien é aquilo que Christopher Tolkien enfatiza, especialmente em <em>The Peoples of Middle-earth</em>, de que seu pai sentia-se compelido a respeitar o que havia sido publicado. Por este motivo, quando escrevia um bom pedaço sobre o significado de &#8220;-ros&#8221; do nome de Elros, J. R. R. Tolkien teve de se controlar e parar com tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mas, infelizmente, essa explicação complica-se por um pequeno fato que passou desapercebido por meu pai, e que foi algo fatal. Ele anotou no texto que boa parte dessa explicação é falha por conta do nome Cair Andros (um nome Sindarin, como eram praticamente todos os topônimos de Gondor), a ilha do Anduin ao norte de Minas Tirith, que foi mencionada no Apêndice A (RdR, p. 334, nota de rodapé) como significando &#8220;Navio de longíneas espumas&#8221;, uma vez que a ilha tinha a forma de um enorme navio, com a proa apontando para o norte, contra a qual a espuma branca do Anduin quebrava nas escarpadas rochas. Assim, ele foi forçado a aceitar que o elemento -ros de Elros tinha de ser o mesmo que em Cair Andros, que a palavra deveria ser Eldarin e não Atanica (Beoriana) e que não devia haver qualquer relação histórica entre essa palavra e o Rothinzil Adunaico Numenoriano (The Peoples of Middle-earth, p. 371, Houghton Mifflin Co. [HMCo]) </em></p>
<p style="text-align: justify;">Tolkien encontrava-se navegando nas águas perigosas dos domínios &#8220;das histórias de fundo&#8221;, muito antes de 1969. De fato, logo após ter começado a trabalhar nos Apêndices de <em>O Senhor dos Anéis</em>, em 1950 (ele terminou o primeiro texto em 1948), Tolkien elaborou notas sobre a história dos Anões. E então a sua editora, a George Allen &amp; Unwin, surpreendeu-o com a prova tipográfica para a segunda edição de <em>O Hobbit</em>. Em 1947, Tolkien escreveu para a Allen &amp; Unwin sugerindo que se algum dia viessem a produzir uma segunda edição de <em>O Hobbit</em>, ele sentia que seria melhor revisá-lo de forma a ser compatível com <em>O Senhor dos Anéis</em> que, embora iniciado como uma seqüência de <em>O Hobbit</em> (por conta da requisição do editor), havia evoluído de forma a se tornar uma consolidação de várias histórias e mitos que previamente não estavam associados a este (Hobbits, os Eldar, os Numenorianos, etc.).</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de ler as provas tipográficas, Tolkien percebeu que teria de mudar o material em seus Apêndices em invés de lutar para conseguir mudanças substanciais em <em>O Hobbit</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O estágio de correções é considerado muito tardio para que um escritor possa reescrever uma quantidade substancial de sua obra (apesar das declarações de Tolkien sobre ter feito consideráveis edições em provas tipográficas de vários de seus livros). Os Apêndices de SdA são assim o primeiro texto pós-SdA a sofrer considerável influência de uma fonte extra-SdA. E de modo algum este é o último texto desta natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A Caçada ao Anel&#8221; é outro texto pós-SdA que foi, de fato, composto (ou ao menos iniciado) antes da publicação de <em>O Senhor dos Anéis</em> propriamente dito. Christopher Tolkien sugere que ele foi iniciado após o primeiro volume de <em>O Senhor dos Anéis</em> ter sido publicado em 1954, mas antes da publicação do terceiro volume (o que ele deduziu por conta dos conflitos de datas entre &#8220;A Caçada ao Anel&#8221; e o livro). Tencionava-se incluir a &#8220;A Caçada ao Anel&#8221; em um &#8220;volume especialista&#8221; que Tolkien mencionou em uma carta de 1956 (No. 187, <em>As Cartas de J. R. R. Tolkien</em>). Sua intenção original era produzir um glossário de topônimos a partir do livro, sendo complementado por notas lingüísticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mas os problemas (prazerosos se eu tivesse tempo) que o volume extra apresentará ficarão claros se eu lhe disser que, enquanto muitos como o senhor exigem mapas, outros desejam indicações geológicas ao invés de lugares; muitos querem gramáticas, fonologias e amostras Élficas; alguns querem métrica e prosódias &#8211; não apenas das breves amostras Élficas, mas também dos versos &#8220;traduzidos&#8221; nos modos menos familiares, tais como aqueles escritos na forma mais rígida do verso aliterativo anglo-saxão (como por exemplo o fragmento no final de Batalha de Pelennor, V vi 124). Músicos querem melodias e notações musicais; arqueólogos querem cerâmica e metalurgia. Botânicos querem uma descrição mais precisa do mallorn, da elanor, niphredil, alfirin, mallos e symbelmynë; e historiadores querem mais detalhes sobre a estrutura política e social de Gondor; questionadores gerais querem informações sobre os Carroceiros, o Harad, origens Anãs, os Mortos, os Beornings e os dois magos que faltam (dos cinco). Será um volume grande, mesmo que eu me atenha apenas às coisas reveladas à minha limitada compreensão!</em></p>
<p style="text-align: justify;">Está claro que, ao produzir <em>Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média</em>, Christopher Tolkien esperava – pelo menos até certo ponto – realizar o desejo de seu pai de publicar um volume complementar de <em>O Senhor dos Anéis</em>. Mas <em>Contos Inacabados</em> não poderia ser o livro que seu pai teria escrito mais do que <em>O Silmarillion</em> poderia ser. Ambos são apenas aproximações imperfeitas do que poderia ter sido produzido, se o Tempo e a Imaginação não tivessem escorridos das mãos de JRRT. Enquanto que com<em> O Silmarillion</em> Christopher tentou construir uma narrativa completa, ele dispensou tais intromissões editoriais consideráveis na compilação de Contos Inacabados. O segundo livro estabelece a base para o extraordinário estudo de Christopher na série <em>The History of Middle-earth</em>. <em>Contos Inacabados</em> provou que Christopher podia, até certo grau, separar sua voz da de seu pai e que podia atrair os leitores tanto no processo subcriativo quanto na análise editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Christopher cometeu erros pelo caminho. Ninguém poderia produzir estes 14 livros e não cometer erros. Ele freqüentemente anotava seus erros nos comentários iniciais de cada volume ou nas observações finais de seções especiais. Às vezes, Christopher era extremamente duro consigo mesmo, como podemos ver na página 141 de <em>The Peoples of Middle-earth</em> onde, após citar a si mesmo de um volume anterior, ele escreveu:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Esta última observação é um absurdo óbvio. A longuíssima linha de reis Numenorianos, que entrou no curso do desenvolvimento de Akallabeth, estava presente no Apêndice A (e uma olhada rápida pelos textos da obra é suficiente para mostrar, pelo simples fato de sua aparição, que eles não poderiam datar de maneira concebível de uma data tão tardia)&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">O fardo de Preciso-Estar-Certo somente aumenta para alguém como Christopher ou Wayne Hammond, com as súplicas dos leitores ao redor do mundo para que produzam evidências conclusivas a favor ou contra várias questões. Sendo o mais respeitado e conhecido bibliógrafo de Tolkien, Hammond ganhou seu espaço nos estudos tolkienianos que rivaliza com o do próprio Christopher em termos de autoridade. Poucas pessoas desejariam desafiar algum ponto fornecido por Hammond, apesar de nem Christopher Tolkien nem Wayne Hammond jamais afirmarem ter a última palavra de autoridade em qualquer assunto. Ambos de livre e espontânea vontade reconhecem as contribuições e correções de outras pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, Hammond foi a autoridade a quem apelei há não muito tempo atrás, quando alguém me perguntou por que freqüentemente eu dizia que J. R. R. Tolkien traduziu o Livro de Jó para a <em>Bíblia de Jerusalém</em>. Afinal de contas, &#8220;todo mundo sabe que foi o livro de Jonas&#8221;.* Bem, minha fonte era uma nota bibliográfica acima de qualquer contestação que Wayne Hammond e Douglas Anderson haviam publicado. A informação não foi contestada com sucesso durante quase 30 anos. Ela parecia bem confiável. Mas com o objetivo de ser o mais completo possível, eu perguntei para membros da Mythopoeic Society se havia evidência em contrário. O próprio Wayne Hammond respondeu com um longo resumo de sua recente e minuciosa pesquisa sobre o assunto. Ele chegou à conclusão que JRRT não traduziu Jó como afirmava um editor. Seu raciocínio – que é muito comprido para reproduzir aqui – convenceu-me (e a outros) a oferecer uma retratação pública pelo engano.</p>
<p style="text-align: justify;">* Ambos livros do Velho Testamento; um contando sobre as súplicas de Jó para Deus (e a resposta dEste) e outro sobre Jonas e a baleia. [N. da T.]</p>
<p style="text-align: justify;">Mas este é o motivo pelo qual não escrevo enciclopédias sobre Tolkien. Eu batalho para usar somente as fontes mais confiáveis e, além de quaisquer enganos que eu cometa de minha parte, serei ocasionalmente forçado a viver com as conseqüências pelo resto de minha vida. Outras pessoas podem achar que vale a pena tentar, e se alguém reclama ou os critica, eles podem dizer &#8220;Pelo menos eu tentei&#8221;. Talvez, mas tentar não justifica os erros. Nem Christopher Tolkien ou Wayne Hammond (ou outros cujos trabalhos eu respeito) se encolhem em um canto com uma justificativa tão medíocre.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a combinação de erros de estudo que surgem a partir de textos secundários e terciários é tanto sua própria recompensa quanto sua punição. Eu acho mais fácil revisar as obras e fornecer os esclarecimentos. Pelo menos, quando consideradas com as explicações, essas obras tornam-se mais úteis do que se ninguém dissesse nada simplesmente porque &#8220;pelo menos eles tentaram&#8221;. O A<em>tlas da Terra-Média</em> de Karen Fonstad é, em minha opinião, o melhor de vários livros que procuram documentar a cartografia da Terra-média.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer maneira, eu não concordo com todas as conclusões dela, e ela comete sérios alocamentos errôneos em alguns dos mapas (ela dá até mesmo duas localizações para Rhosgobel). Em correspondência particular, uma pessoa da família Fonstad (que achou que minha resenha do Atlas foi muito rude e crítica) reclamou que Fonstad esperava publicar uma versão revisada e corrigida do atlas, mas o editor matou a idéia pois eles não queriam mudar um livro obviamente popular (e agora altamente lucrativo).</p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, quando alguém faz o esforço de documentar algo tão complexo e com diversidade cronológica tão ampla e multifacetada como as mitologias de Tolkien, ainda assim não há garantias que as correções serão publicadas. Ou, pior ainda, elas podem ser divulgadas por uma terceira pessoa. Há um velho ditado: escolha com cuidado as batalhas que queira lutar, pois a próxima pode ser sua última. Ou pior, pela minha própria experiência, pode ser uma batalha que nunca terminará.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos dar uma olhada no livro recém publicado de Wayne Hammond e Christina Scull, <em>The Lord of the Rings: A Reader&#8217;s Companion</em>. Muitas pessoas estão curiosas em saber do que trata o livro. Eu direi do que não se trata: não é o guia definitivo que responderá cada pergunta já feita pelos leitores de Tolkien. Hammond e Scull não fingem que seu trabalho deva ser tratado desta forma, mas eles parecem cientes da inevitabilidade de ganhar esta distinção particular. Em seu Prefácio, eles convidam as pessoas a partilhar idéias e correções com eles (e reconhecem os esforços feitos por várias pessoas cujos nomes e trabalhos também apreciei).</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Reader&#8217;s Companion</em> fornece notas informativas e confiáveis sobre <em>O Senhor dos Anéis</em>. Parece que ele esclarece e explica várias palavras e citações que geralmente são obscuras para o leitor médio. O livro é um guia muito melhor que vários outros que já li ou dei uma olhada, mas não se preocupa muito em resumir os detalhes. Incluindo o glossário, minha edição em brochura tem quase 900 páginas. Os autores confessam que é o dobro do que eles originalmente pretendiam.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ajudar os leitores a entender o que repousa além das meras palavras no livro, Hammond e Scull esforçaram-se em uma das mais sérias, considerativas e detalhadas pesquisas que eu vi ser publicada até hoje. A abrangência de seu trabalho vai bem além das observações breves e comuns e de páginas de referência. Alguns tópicos ganharam vários parágrafos de discussões e citações detalhadas. E os pesquisadores tolkienianos ficarão contentes em perceber que vários textos previamente não-publicados são mencionados, e por vezes até são citados. Infelizmente, esses textos propriamente ditos permanecem fora do alcance do público comum, e é minha esperança sincera que, algum dia, alguém tenha permissão de publicá-los com um mínimo de manipulação editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Os editores precisam manipular textos. Sendo eu próprio um autor que já trabalhou com mais de um editor, entendo o processo. Algumas vezes o autor não deixa claro um assunto tão bem quanto poderia. Mas os manuscritos e notas de Tolkien estão sendo usados como fontes de autoridade para alguns dos estudos mais obscuros e intrincados que alguém poderia associar com a Terra-média. A Terra-média em si não possui o mesmo valor na pesquisa formal que a criação da Terra-média, e ainda assim a maioria das pessoas quer saber mais sobre a Terra-média e menos sobre como as coisas surgiram e o que elas podem significar na vida do autor. Há ainda muito a ser compreendido naqueles textos não-publicados que gerações inteiras de estudiosos e comentaristas de Tolkien ainda estão para nascer, gerações que terão coisas para dizer nunca antes expressadas. Não estou certo se a comunidade tolkeniana aprecia completamente a profundidade do legado dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ser honesto, há alguns tópicos abordados em <em>Reader&#8217;s Companion</em> que eu acabei enxergando sob uma nova perspectiva. Eu realmente espero ser necessário cerca de 2 anos para conseguir captar toda a profundidade deste trabalho, não apenas por conta das novas citações e referências, mas também porque eles reescreveram alguns velhos pontos de vista melhor que do eu já vi serem expressos antes. Mas, claro, o novo material fornecerá combustível considerável para reflexão nos anos que virão.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, fiquei surpreso em perceber que &#8220;Earendil era um marinheiro&#8221; (canção de Bilbo, ouvida em Valfenda, publicada em &#8220;Muitos encontros&#8221; em <em>A Sociedade Do Anel</em>) nunca apareceu em <em>O Senhor dos Anéis</em> na forma que J. R. R. Tolkien pretendia que aparecesse. Houve tantas edições do livro que presumi (erroneamente) que todos os esforços possíveis foram feitos para tornar cada nova edição fiel aos desejos de Tolkien. Porém, esse não foi o caso.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há um texto de SdA publicado que seja completamente fiel às intenções de Tolkien. A versão final do poema está publicada tanto em <em>The Treason of Isengard</em> (pp. 103-104, Houghton Mifflin Co.) e em <em>The Lord of the Rings: a Reader’s Companion</em>, mas não em qualquer edição de <em>O Senhor dos Anéis </em>propriamente dito. Mesmo assim, esse poema é bastante revelador com relação a um considerável número de pequenos detalhes na história de Tolkien e com respeito ao seu estilo de escrita. Por exemplo, uma das mais interessantes estrofes é a seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">In might the Feanorians<br />
that swore the unforgotten oath<br />
brought war into Arvernien<br />
with burning and with broken troth;<br />
and Elwing from her fastness dim<br />
then cast her in the waters wide,<br />
but like a mew was swiftly borne.</p>
<p style="text-align: justify;">Em poder os Feanorianos<br />
que prestaram o juramento jamais esquecido<br />
trouxeram consigo guerra a Arvenien<br />
com fogo e lealdade partida<br />
e Elwing em sua presteza nublada<br />
atirou-se então nos infinitos mares<br />
mas como uma gaivota* prontamente renasceu.</p>
<p style="text-align: justify;">* No original, <em>mew</em> é uma gaivota pequena, conhecida como gaivota parda no Brasil. Nome científico <em>Larus canus</em>, encontrado na Eurásia e América do Norte. [N. da T.]</p>
<p style="text-align: justify;">Há muito mais na estrofe, mas deixe-me interromper em &#8220;como uma gaivota&#8221; e mostrar minha posição. Qualquer um familiar com a história como contada em O Silmarillion sabe que quando Elwing atirou-se ao mar, Ulmo (um dos Valar) salvou-a da morte certa e transformou-a em um pássaro. E na forma de pássaro ela voou pelos mares e eventualmente encontrou o navio de Earendil (seu marido). Por conta de seu sacrifício, e pela intervenção de Ulmo, Elwing salvou a Silmaril que Beren e Luthien recuperaram da coroa de Morgoth e das garras dos filhos sobreviventes de Feanor.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão de Tolkien de reformar esta parte do poema usando &#8220;como uma gaivota&#8221; a partir de uma referência mais literal para a transformação pode não parecer significativa para muitas pessoas, mas ainda assim eu não consigo deixar de lembrar da ocasião quando alguém perguntou: Elfos têm asas? A pergunta, creio, está relacionada à clássica &#8220;Balrogs têm Asas?&#8221;, uma guerra na qual alguns dizem que têm e outros dizem que não. Ao perguntar se os Elfos de Tolkien têm asas, o inquisitivo colega revela quão insignificante é tal debate no estudo da obra de Tolkien. Mas esse assunto avança furiosa e impavidamente, sob os olhares surpresos e comentários que ele extrai das vias secundárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, &#8220;como uma gaivota&#8221; me lembra do debate sobre as Asas do Balrog, no qual os argumentos principais são feitos a partir da escolha de Tolkien pela palavra &#8220;como&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Balrog alcançou a ponte. Gandalf parou no meio do arco, apoiando-se no cajado com a mão esquerda, mas na outra mão brilhava Glamdring, fria e branca. O inimigo parou outra vez, enfrentando-o, e a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes asas. Levantou o chicote, e as correias zuniram e estalaram. Saía fogo de suas narinas. Mas Gandalf ficou firme.</em> (Extraído de &#8220;A ponte de Khazad-dum&#8221;, A Sociedade do Anel)</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A sombra à sua volta se espalhou como se duas grandes asas&#8221; é normalmente citada como prova de que o Balrog não tinha asas. O argumento sustenta que &#8220;como&#8221; cria uma similaridade, e similaridades são usadas (no uso mais estrito das palavras) na comparação de uma coisa com outra que não se parece com a primeira, de forma a enfatizar um determinado aspecto. Bem, isso é o máximo de concisão que posso fazer sobre uma explicação sobre a palavra similaridade às 3 horas da madrugada.</p>
<p style="text-align: justify;">Digamos que eu tenha um carro amarelo. Eu poderia dizer que meu carro é amarelo como uma banana. Isto significa que é realmente &#8220;amarelo-banana&#8221;? Não necessariamente, mas quando você pensar naquela cor em um carro, você visualizará algo parecido com o meu carro amarelo.</p>
<p style="text-align: justify;">O problema com a argumentação de similaridades, no entanto, é que esse argumento assume que &#8220;como&#8221; é sempre usado como uma similaridade. Se este for o caso, então Tolkien tem um sério problema. Pois, anteriormente no texto, ele escreveu:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Legolas se virou e preparou uma flecha, embora a distância fosse grande demais para seu pequeno arco. Puxou a corda do arco, mas sua mão caiu, e a flecha escorregou para o solo. Ele deu um grito de desespero e medo. Dois grandes trolls apareceram. Traziam grandes lajes que jogaram no chão para servir de passarela por cima do fogo. Mas não foram os trolls que encheram o elfo de medo. A multidão de orcs se abriu, e se amontoou do lado, como se eles próprios estivessem com medo. Alguma coisa vinha atrás. Não se podia ver o que fosse: era como uma grande sombra, no meio da qual havia uma forma escura, talvez humanóide, mas maior; poder e terror pareciam estar nela e ao seu redor. (Ibid.)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Aqui Tolkien usa &#8220;como&#8221; para introduzir a similaridade &#8220;como uma grande sombra&#8221;. Isto é, o Balrog, quando aparece pela primeira vez, é tão escuro que os membros da Sociedade do Anel mal conseguem discernir sua figura da escuridão ao redor. É somente pouco menos escuro que a escuridão que provém do fundo do salão de pedra, caminho por onde ele aproxima-se deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a regra de similaridade deve ser aplicada de forma justa e consistente, então devemos concluir que não há sombra (ou escuridão) pois ela é somente como uma sombra ou escuridão. E, portanto, se não há tal coisa, então a sombra não-existente não pode ser comparada (via similaridade) a duas enormes asas. Bem, isso é simplesmente absurdo, de modo que as asas devem estar lá. Mas isso não significa que o assunto foi encerrado de forma satisfatória. Porque se são asas, de que tipo elas são?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o Balrog se aproxima, ele salta sobre uma fenda ardente e revela que ele é imune ao fogo quando as chamas saltam para engolfá-lo. De fato, a presença do Balrog diminui a luz do fogo:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A figura veio para a extremidade do fogo e a luz se apagou, como se uma nuvem tivesse coberto tudo. Então, com um movimento rápido, pulou por sobre a fissura. As chamas bramiram para saudá-la, e se ergueram à sua volta; uma nuvem negra rodopiou subindo no ar. A cabeleira esvoaçante se incendiou, fulgurando. Na mão direita carregava uma espada como uma língua de fogo cortante; na mão esquerda trazia um chicote de muitas correias. (Ibid.)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Sombra é a ausência de luz em uma área que está cercada de luz. Quando você traz uma luz para perto de uma área que está &#8220;envolta em sombra&#8221;, as sombras fugirão da nova fonte de luz, e elas podem até desaparecer completamente. E ainda assim, quando esse Balrog que é &#8220;como uma grande sombra&#8221; aproxima-se das chamas claramente visíveis, a luz do fogo é enfraquecida em vez de fazer a escuridão retirar-se como faria uma sombra normal. Assim, mesmo que Tolkien claramente utilize a palavra &#8220;sombra&#8221; ao referir-se à escuridão que o acompanha e é aparentemente uma estensão ou uma emanação do Balrog, ele não está falando de uma sombra normal que é criada por algo que bloqueia a luz.</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas que discordam dos Balrogs alados insistem que se ele realmente tivesse asas, o Balrog poderia voar. O problema com esse argumento é que ele assume primeiro que Balrogs alados possam voar, segundo que se eles podem voar então devem usar suas asas, terceiro que havia espaço para o Balrog voar e quarto que há algum lugar para onde voar. De fato, as hipóteses podem se estender consideravelmente. Nenhuma dessas hipóteses surgiu do texto, veja bem. Elas são simplesmente objeções falsas, nascidas na forma de reformulação da história como deveria ser escrita de acordo com um padrão arbitrário de correção, convenientemente arranjado de forma a não permitir a possibilidade de que as asas dos Balrogs sejam, em qualquer sentido da palavra, reais.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, uma outra hipótese é de que as asas devam ser asas palpáveis. Isto é, as pessoas parecem pensar que se Tolkien realmente quis dizer que a Sociedade viu &#8220;asas&#8221; no Balrog, então essas asas devessem ser uma parte física de seu corpo. Essa objeção é a mais descabida, considerando-se o fato que o Balrog bufa chamas, que sua &#8220;cabeleira&#8221; pega fogo (ainda assim insistem que essa cabeleira é de cabelo ou algo parecido?) e que ele leva um bom tempo para chegar ao fundo do abismo na sua queda. Quanto tempo é &#8220;muito tempo&#8221;? Tolkien não diz. Mas se é uma distância medida em milhas ou só em milhares de pés, um homem não cairia por &#8220;um longo tempo&#8221;. Gandalf diz a Aragorn, Legolas e Gimli que ele e o Balrog caíram por muito tempo antes de atingir a água, e enquanto caíam Gandalf golpeara o Balrog com sua espada.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante notar que as pessoas não perguntam se Balrogs sangram. Não seria normal uma criatura viva gritar em agonia e sangrar um bocado se alguém a estivesse golpeando com uma espada Élfica? Então por que Gandalf não mencionou que o Balrog estava sangrando, ou qualquer outra menção da reação do corpo do Balrog com o impacto de sua espada?</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, as pessoas insistem que o Balrog morto ou agonizante poderia se salvar quando Gandalf o lançou do topo da montanha, onde &#8220;bateu-se contra as paredes da montanha em sua ruína&#8221;. Mas elas não parecem ter problemas com Smaug nem com Ancalagon, o Negro, ambos indubitavelmente dragões alados e voadores, que foram incapazes de salvarem a si próprios quando se bateram contra montanhas e lagos em suas ruínas. Parece meio injusto que o Balrog tenha de provar que é realmente capaz de voar no momento de sua morte. Não que a habilidade de voar ou de atenuar sua queda no ar deva necessariamente depender de asas para uma criatura que já tem toneladas de rochas caindo na cabeça (por Gandalf, na Câmara de Mazarbul, quando o Balrog tenta seguir a Sociedade pela porta que eles usaram como rota de fuga).</p>
<p style="text-align: justify;">Dizer que uma coisa dessas é um argumento baseado em semântica é inexato e bastante equivocado. É um argumento baseado em preferências pessoais e exclusões arbitrárias. As longas discussões sobre Balrogs e suas asas (ou a ausência delas) alcançou uma variedade enorme de textos, inclusive <em>O Silmarillion</em>. Infelizmente, devido ao trabalho editorial de Christopher, <em>O Silmarillion</em> (confessando isso pessoalmente) não retrata de forma acurada os textos originais de seu pai, ou suas intenções. Uma passagem em particular que foi apontada por ambos os lados é freqüentemente mencionada como sendo a &#8220;passagem de Hithlum&#8221;. É o parágrafo no qual os Balrogs vêm em auxílio de Morgoth quando este está lutando contra Ungoliant:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8230;Nas profundezas de lugares esquecidos, aquele grito foi ouvido. Muito abaixo dos salões destruídos de Angband, em subterrâneos aos quais os Valar, na pressa de seu ataque, não haviam descido, Balrogs ainda estavam escondidos, sempre à espera do retorno de seu Senhor. E agora, velozes, eles se ergueram e, passando por Hithlum, chegaram a Lammoth como uma tempestade de chamas&#8230; (O Silmarillion, &#8220;Da fuga dos Noldor&#8221;, p. 81, HMCo)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não há menção de asas neste texto, mas uma versão anterior do texto incluía as palavras &#8220;com velocidade alada&#8221;:<br />
<em><br />
Mas o grito de Morgoth naquele momento foi o maior e mais terrível que já fora ouvido no norte do mundo: as montanhas agitaram-se e a terra tremeu, e as rochas foram partidas em pedaços. Nos mais profundos e esquecidos recessos ouviu-se aquele grito. Muito abaixo dos salões de Angband, nos subterrâneos aos quais os Valar, na pressa de seu ataque, não haviam descido, os Balrogs ainda estavam escondidos, sempre à espera do retorno de seu senhor. Velozes eles se ergueram e com velocidade alada passaram por sobre Hithlum, e chegaram a Lammoth como uma tempestade de chamas. (&#8220;The Later Quenta Silmarillion II&#8221;, Morgoth&#8217;s Ring)</em></p>
<p style="text-align: justify;">A &#8220;velocidade alada&#8221;, no entanto, não é realmente a pista para o modo de viagem dos Balrogs. A passagem acima foi retirada de um texto datado por Christopher Tolkien como sendo de meados da década de 1950. É um texto pós-SdA, apesar de conter uma história longa e de tons variados, visto que foi baseada em uma cópia datilografada de um texto pré-SdA. JRRT escreveu várias notas e mudanças à mão naquela cópia. Na versão original (publicada em The Lost Road and Other Writings), os Balrogs somente apareciam: &#8220;Em seu auxílio vieram os Balrogs que viviam ainda nos recessos mais profundos de sua antiga fortaleza ao norte, Utumno. Com seus chicotes de chamas, os Balrogs destruíram as teias&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Tecnicamente, os Balrogs pré-SdA viajavam grandes distâncias, mas eles não eram seres flamejantes. Isto é, eles não se tornaram criaturas de &#8220;chamas e sombras&#8221; até 1940 ou 1941, quando Tolkien revisou &#8220;A Ponte de Khazad-dum&#8221;, abandonando o Balrog original de braços longos pela versão sombria e flamejante que ameaça a Sociedade. Christopher Tolkien já discutiu as datas do desenvolvimento deste capítulo em <em>The Treason of Isengard</em>, para aqueles que queiram verificar minhas justificativas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que os Balrogs chegam numa &#8220;tempestade de chamas&#8221; em Lammoth? Uma tempestade é uma tormenta, e tormentas vêm naturalmente do céu. O argumento de similaridade implica que os Balrogs vieram voando, com ou sem asas. Então será que o Balrog de Moria voava naquela hora? Não sabemos. Mas sabemos que demorou um bom tempo para chegar no fundo do precipício. É possível que o Balrog pudesse retardar sua queda. Ele não teria de depender do agitar de asas, se seu corpo fosse não-substancial de alguma forma. Ou talvez ele somente manuseou o calor e usou-o como uma espécie de propulsão de foguete natural. Tolkien não insiste nos detalhes da Longa Queda, mas ele fornece algumas pistas que podem ou não nos conduzir na direção correta de seus pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o Balrog claramente não é uma criatura de carne e osso. Nenhuma criatura desse tipo pode sobreviver sendo consumido pelo fogo, uma vez que as chamas iriam saltar para sua cabeleira e incendiá-la. E é quase certo que este Balrog queima:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A figura escura, envolvida em fogo, corria em direção a eles. Os orcs gritavam e avançavam para a passarela de pedra. Então Boromir levantou sua corneta e a tocou. Forte o desafio soou e retumbou, como o grito de muitas gargantas sob o teto cavernoso. Por um momento os orcs estremeceram e a sombra flamejante parou. Então os ecos se extinguiram de repente como uma chama apagada por um vendaval, e o inimigo avançou outra vez (Extraído de “A ponte de Khazad-dum”, A Sociedade do Anel)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Observe como Tolkien descreveu o Balrog neste ponto de seu avanço contra a Sociedade: &#8220;sombra flamejante&#8221;. O que quer que seja, não está simplesmente projetando uma sombra. Não é possível ele ser capaz de projetar uma sombra, uma vez que está em chamas. Portanto, o que é esta escuridão que Tolkien chama de &#8220;sombra&#8221;?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o Balrog enfrenta Gandalf na ponte, Tolkien escreve:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>– Você não pode passar – disse ele. Os orcs estavam quietos, e fez-se um silêncio mortal. – Sou um servidor do Fogo Secreto, que controla a chama de Anor. Você não pode passar. O fogo negro não vai lhe ajudar em nada, chama de Udun. Volte para a Sombra! Não pode passar!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Balrog não fez sinal de resposta. O fogo pareceu se extinguir, mas a escuridão aumentou. Avançou devagar para a ponte, e de repente saltou a uma enorme altura, e suas asas se abriram de parede a parede, mas ainda se podia ver Gandalf, brilhando na escuridão; parecia pequeno, e totalmente sozinho: uma figura cinzenta e curvada, como uma árvore encolhida perante o início de uma tempestade. (Ibid.)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, agora que as chamas diminuem, certamente se espera que a escuridão aumente&#8230; exceto pelo fato que agora o Balrog está bem em frente de Gandalf, cujo cajado emite luz (ou melhor, ele próprio está iluminado, pois está &#8220;brilhando na escuridão&#8221;). E há ainda o precipício em chamas atrás dele, então se esperaria que a Sociedade estivesse pisando na sombra do Balrog, e não a vendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Gandalf fala sobre o &#8220;fogo negro&#8221;, dizendo que ele não ajudará o Balrog, e chama este de &#8220;chama de Udun&#8221;. Essa criatura está claramente associada ao fogo, e ainda assim sua escuridão sobrepuja qualquer luz natural e quase oblitera a luz angelical de Gandalf.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, tratar a escuridão do Balrog como sendo uma sombra real e natural qualquer é um absurdo tão grande quanto insistir que as &#8220;asas&#8221; (aquelas extensões da escuridão que parecem ter forma de asas) devam ser asas físicas e passíveis de serem utilizadas, ou mesmo asas que tenham qualquer capacidade de erguer e sustentar o Balrog num vôo. Se nos afastarmos da cena por um momento e a reduzirmos a uma linguagem corporal simples, poderemos ver que o Balrog gradualmente aumenta a si mesmo de tamanho, expandindo sua escuridão exterior (que chamei de emanação, mas não sabemos realmente o que é) para fora e além de seu corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Sociedade recua perante o Balrog, mas em determinado momento Boromir detém-se e sopra sua corneta. O som é tão intimidador que mesmo o Balrog hesita. E assim Boromir começa uma variação das brigas que ocorrem geralmente em pátios escolares. A resposta do Balrog é tornar a avançar, agora com uma nuvem completamente estendida de escuridão, com tal poder dominante que quase engolfa Gandalf na ponte. A despeito do fogo por trás dele, e a despeito da luz emanando de Gandalf diante dele, o Balrog cria e estende uma parede de escuridão que se torna o foco da atenção de todos, mesmo que por um breve momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sombras naturais não funcionam dessa forma.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos anos atrás, quando a ansiedade pelo filme de Peter Jackson nos matava, a Batalha sobre as Asas de Balrog atingiu seu ápice. Apenas a título de curiosidade, organizei uma enquete para ver quantas pessoas achavam que os Balrogs deviam ter asas. Dentre as mais de 3 mil respostas, cerca de 74% disseram que o Balrog devia ter algum tipo de asas. Não havia no entanto consenso sobre que tipo de asas elas deviam ser. O Balrog do filme, como vimos, tinha asas de &#8220;fumaça e sombra&#8221; e talvez mais fumaça que outra coisa. Eu acho que a fumaça foi colocada para cobrir a sensação de escuridão com a qual o Balrog do livro se cercou.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, este assunto é discutido com tanta freqüência – de uma forma ou de outra – que vários fóruns hoje proíbem as discussões sobre asas de Balrog. As pessoas que levantam o tópico são tratadas com desdém na esperança que o assunto morra. Afinal de contas, como disse Rudyard Kipling &#8220;O Leste fica a leste e Oeste fica a oeste, e nunca os dois encontrar-se-ão&#8221;. As pessoas simplesmente se recusam a mudar de idéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, talvez não devêssemos ficar muito surpresos ao ver o assunto tratado, por mais breve que seja, em <em>The Lord of the Rings: a Reader&#8217;s Companion</em>, onde três frases completas são dedicadas ao assunto:</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>330 (I:344). a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes asas</strong> – esta e a declaração de dois parágrafos depois, sobre ele saltar a uma enorme altura e suas asas se abrirem de parede a parede, conduziu a várias discussões entre os leitores sobre se os Balrogs possuem asas. Como duas grandes asas no primeiro parágrafo descreve a sombra que envolve o Balrog, e o segundo ainda parece aplicável a sua sombra: à medida que o Balrog aumenta de estatura, assim também sua sombra espalha-se ainda mais. Outras evidências citadas para asas, tais como as que o os Balrogs erguem-se e passam com velocidade alada por sobre Hithlum (Morgoth&#8217;s Ring, p. 297,) podem ser geralmente interpretadas de forma figurativa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, há dois erros nesta passagem. Primeiro, a declaração que &#8220;à medida que o Balrog aumenta de estatura, assim também sua sombra espalha-se ainda mais&#8221; é inconsistente tanto com a declaração prévia feita por Hammond e Scull (onde eles reconhecem que &#8220;o Balrog em <em>O Senhor dos Anéis</em> é certamente um ser de fogo e escuridão;&#8230;&#8221;) e com a primeira passagem na qual &#8220;como duas grandes asas&#8221; surge. O Balrog não aumenta sua estatura ali, mas mesmo assim a sombra claramente se estende para o exterior. E segundo, como eu observei acima, a passagem de Hithlum não depende da &#8220;velocidade alada&#8221; para mostrar que os Balrogs possuem asas, depende da &#8220;tempestade de chamas&#8221; para mostrar que eles vêm do céu (na versão pós-SdA dos eventos).</p>
<p style="text-align: justify;">Tolkien usa &#8220;tempestade de chamas&#8221; somente em uma outra passagem (publicada), quando Morgoth libera os dragões alados (e voadores) contra as Hostes de Valinor. Os dragões claramente voam e cospem fogo, assim a comparação com tempestade é bem colocada. Foi observado que &#8220;velocidade alada&#8221; é usada para descrever a presteza com que Fingolfin cavalgou por Ard-Galen depois da Dagor Bragollach. Desta forma, &#8220;velocidade alada&#8221; não precisa significar o uso de asas, mas só porque foi usada de forma figurativa sobre a velocidade dos cavalos (para denotar velocidade em sentido metafórico) não significa que é usada somente daquela forma com relação aos Balrogs – a não ser que alguém se sinta tentado a argumentar que Balrogs são &#8220;como cavalos&#8221; de alguma maneira.</p>
<p style="text-align: justify;">O uso da similaridade por Tolkien para ilustrar uma transição de idéias vagas para idéias mais claras foi engenhoso no sentido de que deixa muito para a imaginação do leitor. Ele certamente dedicou algum tempo e esforço a essa passagem. Em 1998, outra pessoa que acreditava firmemente que Balrogs não tinham e nunca deveriam ter asas, recorreu para a voz com a maior autoridade neste assunto. Ele escreveu para Christopher Tolkien e fez uma pergunta que, até hoje, não foi revelada (para mim). Deduzi a partir do que ele compartilhou abertamente da resposta de Christopher que ele não perguntou simplesmente se Balrogs deviam ou não deviam ser vistos como seres alados. A carta foi enviada após uma longa troca de correspondência a respeito de diversas mudanças textuais que Christopher havia discutido em detalhe em The Treason of Isengard. A resposta de Christopher, como informado pelo correspondente, foi:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Geralmente não me era enviado o material tardio de Markette (sic) – os textos datilografados por meu pai – e em muitos casos nem sequer os vi&#8230; Assim, nunca li o texto datilografado final (o seguinte à cópia passada a limpo do manuscrito C (The Treason of Isengard, pp 203-33) de A Ponte de Khazad-dum (Markette n.º 3/3/25). Presumo que foi aí onde entrou a menção das asas do Balrog que se abriam de parede a parede. Você poderia pedir a Chuck Elston, o muito solícito arquivista de Markette, que lhe procure o 3/3/<em><a href="http://www.valinor.com.br/files/2010/05/michael_portrait_21.jpg"><br />
</a></em>25. Contudo, provavelmente não lhe seria muito útil, sem nenhum conhecimento preciso de quando meu pai datilografou-o: mas em uma carta de 28 de fevereiro de 1949, ele escreveu: &#8220;Estou achando o trabalho de datilografar uma cópia passada a limpo do &#8216;Senhor dos Anéis&#8217; m. grande&#8221;. Eu, pessoalmente, nunca achei que a segunda menção das asas do Balrog tenha nenhum significado diferente da primeira.<br />
</em><br />
Assim, aqui você tem uma resposta de uma autoridade maior que Michael Martinez ou Wayne Hammond ou Christina Scull. Faça dela o que achar melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Compre <em>The Lord of the Rings: A Reader&#8217;s Companion </em>para sua coleção, especialmente se você faz qualquer tipo de pesquisa sobre Tolkien (para si mesmo ou para outros). É de longe uma fonte  muito melhor que muitas outras que há por aí nas livrarias ou na Internet. Apenas pule as partes que você não gostar.</p>
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		<title>Os comerciantes da Terra-média</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Nov 2006 13:44:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pandatur</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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<strong>Os comerciantes da Terra-m&eacute;dia</strong>
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Por Michael Martinez</p>
<p>De vez em quando algu&eacute;m pergunta que moeda era usada na Terra-m&eacute;dia. &Eacute;<br />
dif&iacute;cil de encontrar evid&ecirc;ncia de moeda (dinheiro) em O Senhor dos<br />
An&eacute;is, mas existem sim algumas refer&ecirc;ncias sobre isso. Quando Gandalf<br />
chegou &agrave; Vila dos Hobbits com uma carro&ccedil;a com fogos de artif&iacute;cio para o<br />
&uacute;ltimo anivers&aacute;rio de Bilbo e Frodo juntos, crian&ccedil;as hobbits o seguiram<br />
at&eacute; Bols&atilde;o esperando por uma apresenta&ccedil;&atilde;o do mago. Ao inv&eacute;s disto,<br />
Bilbo atira para elas alguns centavos e as manda embora. Mestre Gamgi<br />
tamb&eacute;m relata que Bilbo &eacute; esbanjador em se tratando de dinheiro<br />
enquanto fala com os amigos.
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<br />
Tolkien chega a dizer no cap&iacute;tulo &ldquo;Three Is Company&rdquo;, que em portugu&ecirc;s<br />
&eacute; &ldquo;Tr&ecirc;s n&atilde;o &eacute; demais&rdquo;, que Frodo compra uma casa em &ldquo;Cric&ocirc;ncavo&rdquo; no<br />
campo al&eacute;m de Buqueburgo. Frodo, mais tarde, vende Bols&atilde;o para a<br />
fam&iacute;lia Sacola-Bolseiro, os inoportunos primos que h&aacute; tempos esperavam<br />
herdar a fortuna de Bilbo e a casa antes dele adotar Frodo. </p>
<p>A moeda aparece novamente quando os cavalos e p&ocirc;neis s&atilde;o roubados do<br />
estaleiro em Bri. Carrapicho paga a Merry 18 moedas de prata para<br />
compens&aacute;-lo pela perda dos p&ocirc;neis dos Hobbits e compra um p&ocirc;nei de Bill<br />
Samambaia por outras 12 moedas de prata, 3 vezes o que o p&ocirc;nei valia<br />
naquelas partes. Depois deste ponto, os Hobbits e seus companheiros,<br />
depois que estes se juntam, s&atilde;o providos de suprimentos e transporte<br />
pelas v&aacute;rias pessoas que os ajudam pelo caminho, logo a cita&ccedil;&atilde;o de<br />
moeda se torna por demais superficial pelo resto da hist&oacute;ria. </p>
<p>&ldquo;Pennies&rdquo; ou moedas, s&atilde;o unidades surgidas no oitavo s&eacute;culo<br />
Anglo-Sax&atilde;o, cunhadas e modeladas na contemporaneidade, mas rejeitadas<br />
mais tarde pelos Francos. Offa, Rei da M&eacute;rcia, expandiu a produ&ccedil;&atilde;o de<br />
&ldquo;penny&rdquo; depois de conquistar o reino de Kent, o qual come&ccedil;ou a cunhar a<br />
moeda por volta de 765. As primeiras &ldquo;pennies&rdquo; foram, deste modo,<br />
distintas das &ldquo;pennies&rdquo; de hoje. Elas eram feitas de prata e foram as<br />
principais moedas do reino Anglo-Sax&atilde;o do s&eacute;culo VIII em diante, assim<br />
como a &ldquo;solidus&rdquo; (moeda romana de ouro) tinha sido a principal moeda do<br />
imp&eacute;rio Romano s&eacute;culos antes. &ldquo;Pennies&rdquo; substitu&iacute;ram uma velha moeda,<br />
chamada &ldquo;sceat&rdquo;, a qual foi usada no com&eacute;rcio entre os anglo-sax&ocirc;nicos<br />
e os escandinavos. </p>
<p>A pr&eacute;via publica&ccedil;&atilde;o de &ldquo;O Senhor dos An&eacute;is&rdquo; foi for&ccedil;ada a resumir o<br />
extensivo material que ele havia preparado para os ap&ecirc;ndices. Dentre as<br />
passagens exclu&iacute;das, a qual foi somente publicada no &ldquo;The peoples of<br />
Middle-earth&rdquo; de forma breve, mas fascinante se&ccedil;&atilde;o detalhando os nomes<br />
do dinheiro usado em Gondor. O &ldquo;tharni&rdquo;, que n&oacute;s sabemos, era a moeda<br />
de prata, a quarta parte de um &ldquo;castar&rdquo;. O &ldquo;tharni&rdquo; pode, deste modo,<br />
ter sido equivalente as moedas de prata (silver pennies) de Eriador. </p>
<p>O equivalente &eacute;lfico para &ldquo;tharni&rdquo; e &ldquo;castar&rdquo; eram &ldquo;canath&rdquo; (do kanat-,<br />
&lsquo;four&rsquo;) e &ldquo;mirian&rdquo; (do mir, &lsquo;uma j&oacute;ia ou preciosidade&rsquo;). &quot;The<br />
Etymologies&quot; fornece a palavra primitiva, &ldquo;mbakh&rdquo;, significando<br />
&lsquo;troca&rsquo;, pela qual as palavras para &lsquo;com&eacute;rcio&rsquo; e &lsquo;comerciante&rsquo; s&atilde;o<br />
derivadas no Qenya (precursor do Quenya). Existiam tamb&eacute;m palavras para<br />
&lsquo;mascate&rsquo; e &lsquo;mercadoria&rsquo; em Sindarin.</p>
<p>O fato das l&iacute;nguas antigas da Terra m&eacute;dia reconhecer palavras como<br />
&lsquo;com&eacute;rcio&rsquo; e &lsquo;comerciante&rsquo; d&aacute; a entender que Tolkien chegou a pensar<br />
nas atividades econ&ocirc;micas no come&ccedil;o, entre Elfos e An&otilde;es, entretanto<br />
ele n&atilde;o providenciou detalhes destas atividades. N&oacute;s n&atilde;o sabemos na<br />
verdade se &lsquo;moedas&rsquo; eram usadas em Beleriand, por exemplo, mas C&iacute;rdan<br />
segundo boatos comercializou ou deu p&eacute;rolas para Thingol, quem<br />
abastecia destas os an&otilde;es de Ered Luin.</p>
<p>Os an&otilde;es constru&iacute;ram estradas &lsquo;do come&ccedil;o ao fim&rsquo; da Terra-m&eacute;dia no<br />
in&iacute;cio desta hist&oacute;ria. Os an&otilde;es de Ered Luin constru&iacute;ram uma ou duas<br />
estradas levando a Doriath, e a rota, eventualmente, estendia por todo<br />
caminho para Nargothrond (a qual eles ajudaram a erguer). O com&eacute;rcio<br />
an&atilde;o passava pelo Dor Caranthir, e Caranthir &eacute; dito que se tornou rico<br />
por este. Ent&atilde;o ele presumivelmente cobrou encargos de algum car&aacute;ter em<br />
troca de manter as rotas a salvo e em seguran&ccedil;a. Ele pode tamb&eacute;m ter<br />
suprido os an&otilde;es com comida, no &ldquo;The people of Middle-earth&rdquo; &eacute; contado<br />
a n&oacute;s que os an&otilde;es n&atilde;o cultivam a sua pr&oacute;pria comida.</p>
<p>Os an&otilde;es s&oacute; ajudaram a construir duas cidades em Beleriand que n&oacute;s<br />
saibamos: Menegroth e Nargothrond. Os Noldor tinham seus pr&oacute;prios<br />
pedreiros para contar e eles presumivelmente constru&iacute;ram suas torres de<br />
pedra sem a ajuda an&atilde;. Entretanto An&otilde;es e Noldor trocavam conhecimentos<br />
e forjavam produtos, ao que parece. O potencial do com&eacute;rcio &eacute; neste<br />
caso consider&aacute;vel, pelo menos mais ao leste de Beleriand.</p>
<p>Fora de Beleriand os an&otilde;es tinham um sistema de estradas se estendendo<br />
pelo menos de Ered Luin a todo o caminho para as Colinas de Ferro e<br />
aparentemente mais longe. Os an&otilde;es, como parece, se comprometeram de<br />
certo modo com o com&eacute;rcio com elfos Avari e Nandorin, bem como os<br />
Edain, mas n&oacute;s n&atilde;o sabemos se a moeda era um meio de troca ou se a<br />
troca de mercadorias e servi&ccedil;os eram os primeiros sin&ocirc;nimos de com&eacute;rcio.
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<p>Na segunda era, a civiliza&ccedil;&atilde;o Eldar se difundiu de Lindon (o &uacute;ltimo<br />
ref&uacute;gio de Beleriand), do leste e sul para Eregion e Edhellond.<br />
Edhellond era apenas um assentamento, um territ&oacute;rio de Sindarin e<br />
Nandorin, que aparentemente desejavam permanecer isolados de Gil-Galad<br />
e seus Noldor que dominavam um reino no norte. Eregion era considerado<br />
parte do reino Noldor, mas a sua popula&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;a pelo menos alguns<br />
Sindarin e/ou Nandorin. </p>
<p>Eregion tamb&eacute;m estava envolvida em alguma esp&eacute;cie de com&eacute;rcio com<br />
Khazad-d&ucirc;m, a qual o com&eacute;rcio era t&atilde;o produtivo que os an&otilde;es escavaram<br />
um t&uacute;nel por milhas atrav&eacute;s das Montanhas Nebulosas na disposi&ccedil;&atilde;o de<br />
prover os elfos com uma ponte para o seu reino subterr&acirc;neo. Antes deste<br />
tempo, os an&otilde;es tinham de passar externamente as montanhas, tamb&eacute;m ou<br />
pelo Passo do Chifre Vermelho (a qual deu a eles acesso a Eregion) ou<br />
indo ao norte para o Passo Alto onde a estrada primitiva atravessava<br />
Eriador passando perto de onde Elrond mais tarde fundou o ref&uacute;gio de<br />
Valfenda.</p>
<p>Entretanto parece ter sido virtualmente pequeno ou nulo o com&eacute;rcio<br />
entre Beleriand e as terras mais ao leste na primeira era, a segunda<br />
era se realizou um incremento em Eriador e nas Terras Ermas. Duas<br />
imigra&ccedil;&otilde;es, do leste, ocorreram no in&iacute;cio da Segunda Era, o que trouxe<br />
contato mais pr&oacute;ximo de Khazad-d&ucirc;m com a civiliza&ccedil;&atilde;o de Beleriand. A<br />
primeira migra&ccedil;&atilde;o (grande &ecirc;xodo) foi a dos an&otilde;es de Ered Luin no<br />
primeiro s&eacute;culo. As cidades mais antigas de Nogrod e Belegost foram<br />
arruinadas na Guerra da Ira. Os an&otilde;es de Belegost tamb&eacute;m pareceram ter<br />
sido perturbados pela guerra entre Doriath e Nogrod. Conseq&uuml;entemente,<br />
muitos deles partiram e foram para Khazad-d&ucirc;m, aonde eles aumentaram a<br />
popula&ccedil;&atilde;o e infundiram no povo de Durin o conhecimento que eles<br />
ganharam com os Noldor e Sindar.</p>
<p>A segunda migra&ccedil;&atilde;o foi dos elfos, quando muitos Noldor e Sindarin<br />
passaram para o leste. Alguns dos Sindar passaram as montanhas e<br />
organizaram reinos em meio a elfos da floresta nos Vales do Anduin<br />
(pelo menos dois, possivelmente mais). Estes elfos que fundaram Eregion<br />
criaram um centro de com&eacute;rcio, o qual atraiu at&eacute; mesmo os n&uacute;menorianos<br />
a estabelecer uma esp&eacute;cie de porto ou col&ocirc;nia perto &ldquo;Tharbad&rdquo; no rio<br />
&ldquo;Gwathlo&rdquo;. Entretanto n&oacute;s n&atilde;o podemos saber com certeza, o quanto<br />
extensiva era a influencia de Eregion, a regi&atilde;o estava em uma posi&ccedil;&atilde;o<br />
de com&eacute;rcio com os homens de Eriador, os elfos de Lindon e os Vales do<br />
Anduin, os an&otilde;es de Ered Luin das Montanhas Nebulosas, e N&uacute;menor.</p>
<p>Tudo isto chega a um fim, de qualquer modo, na guerra dos elfos e de<br />
Sauron. Eriador e as Terras Ermas foram devastadas e muitos da<br />
popula&ccedil;&atilde;o local foram mortos ou partiram. A grande civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute;lfica<br />
foi n&atilde;o foi destru&iacute;da, mas virtualmente se dirigiram de volta ao mar,<br />
salvos por poucas terras que sobreviveram em vales e nas profundezas<br />
das florestas. A guerra criou uma economia e pol&iacute;tica nula, a qual os<br />
n&uacute;menorianos subseq&uuml;entemente ocuparam, substituindo a velha cultura<br />
&eacute;lfica de tal modo que pelo fim da era, Adunaico, a l&iacute;ngua nativa de<br />
N&uacute;menor, deu espa&ccedil;o ao Westron, o qual substituiu o Sindarin como<br />
l&iacute;ngua comum para o noroeste da Terra-m&eacute;dia.</p>
<p>Os n&uacute;menorianos estabeleceram col&ocirc;nias por toda parte da Terra-m&eacute;dia e<br />
eles come&ccedil;aram a se acomodar largamente em Eriador bem como ao longo as<br />
margens do sul do Anduin. As duas grandes cidades deles no mundo do<br />
norte eram Lond Daer Ened na boca de Gwathlo e Pelargir na boca do<br />
Anduin. Mas novamente Tolkien n&atilde;o nos fala de com&eacute;rcio que os<br />
n&uacute;menorianos devem ter conduzido nestas regi&otilde;es. Lond Daer foi<br />
originalmente fundada como um porto sazonal de Aldarion entre o s&eacute;culo<br />
VIII e IX. Ele usou isso como base para &ldquo;armazenar&rdquo;, &ldquo;cultivar&rdquo; &aacute;rvores<br />
com as quais se constru&iacute;am navios e ele n&atilde;o parece ter compensado os<br />
habitantes nativos (os &ldquo;Gwathuirim&rdquo;, parentes distantes dos<br />
n&uacute;menorianos) de modo algum.</p>
<p>O nome Pelargir implica que o local era um porto real e uma<br />
fortifica&ccedil;&atilde;o, &lsquo;royal garth of ships&rsquo;*. Pelargir pode ter servido como<br />
uma base de opera&ccedil;&otilde;es para os N&uacute;menorianos nas guerras que se seguiram<br />
contra Sauron, por&eacute;m eles nunca montaram uma grande expedi&ccedil;&atilde;o contra<br />
Mordor partindo dali. Ao contr&aacute;rio, o local parece ter servido para<br />
manter protegidos os colonos que moravam ao longo da costa do Anduin, e<br />
os navios de Pelargir deviam estar mais envolvidos em assegurar as<br />
terras costeiras aonde &ldquo;os Gwathuirim&rdquo; viviam.</p>
<p>* &ldquo;jardim real de navios&rdquo;.</p>
<p>
O vasto Imp&eacute;rio de N&uacute;menor parece ter desenvolvido um com&eacute;rcio que<br />
beneficiou a &lsquo;terra-m&atilde;e&rsquo;, assim como o Imp&eacute;rio colonial brit&acirc;nico<br />
beneficiou a metr&oacute;pole nos s&eacute;culos XVII e XVIII. A riqueza teve um<br />
fluxo para N&uacute;menor maior que o de N&uacute;menor para suas col&ocirc;nias. Assim as<br />
col&ocirc;nias proviam mat&eacute;ria-prima, escravos e tributos aos N&uacute;menorianos,<br />
exceto quando, ocasionalmente, algum aventureiro estabelecia algum<br />
pequeno reino.</p>
<p>Ent&atilde;o o com&eacute;rcio no Noroeste da Terra-m&eacute;dia provavelmente estava<br />
fechado do tempo da Guerra dos Elfos contra Sauron ao tempo de funda&ccedil;&atilde;o<br />
de Arnor e Gondor. A chegada de Elendil e os Exilados Fi&eacute;is de N&uacute;menor<br />
seria precedida por um gradual aumento de colonos Fi&eacute;is que dependeram<br />
menos e menos da ajuda de N&uacute;menor e mais da ajuda de Elfos e An&otilde;es.<br />
Com&eacute;rcio e troca deviam ter revivido um tanto, especialmente depois que<br />
Ar-Pharaz&ocirc;n tomou Sauron para N&uacute;menor e reduziu a influ&ecirc;ncia do Senhor<br />
do Escuro na Terra-m&eacute;dia o suficiente para permitir que Gil-Galad<br />
estendesse a sua pr&oacute;pria influ&ecirc;ncia a leste e aos Vales do Anduin.<br />
Elendil, deste modo, encontrou uma grande e produtiva popula&ccedil;&atilde;o<br />
esperando por ele e seus filhos em Eriador e nos Vales do Anduin<br />
localizados mais ao sul. Estas pessoas, N&uacute;menorianos, Edain, e homens<br />
de linhagem mista, come&ccedil;aram a trabalhar construindo grandes cidades<br />
(Annuminas e Fornost Erain no Norte, Minas Anor, Minas Ithil e Osgliath<br />
no sul), imponentes fortalezas (Angrenost e Aglarond em Calenardhon), e<br />
ricos e poderosos reinos. Nos primeiros anos Arnor e Gondor se<br />
comunicavam principalmente por navios (n&atilde;o considerando as mensagens<br />
passadas atrav&eacute;s dos Palant&iacute;ri). Navios deixavam Pelargir ou Osgliath e<br />
navegavam norte para o Rio Gwathlo, aonde eles passavam rio acima para<br />
Tharbad (Lond Daer Ened estava aparentemente por agora destru&iacute;da ou a<br />
muito abandonada).
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<br />
Ambos os reinos tiveram extensivas fazendas com as quais alimentavam<br />
suas popula&ccedil;&otilde;es, mas se Arnor tivesse se empreitado a alimentar os<br />
An&otilde;es das Montanhas das N&eacute;voas, Gondor poderia ter encontrado algum<br />
benef&iacute;cio em mandar comida para o Norte tamb&eacute;m. Claro, com&eacute;rcio<br />
incluiria tamb&eacute;m itens de luxo como peles, j&oacute;ias, metais preciosos,<br />
vinhos, e tecidos especiais, tintas, e perfumes. Uma economia provida<br />
de dinheiro provavelmente existiu previamente a funda&ccedil;&atilde;o do reino no<br />
ex&iacute;lio dos D&uacute;nedain.</p>
<p>A grande riqueza que os exilados acumularam nos seus primeiros 110 anos<br />
ajudam a explicar como Elendil e seus filhos puderam construir um<br />
grande ex&eacute;rcito. Ex&eacute;rcitos precisam ser pagos, equipados, e supridos, e<br />
somente uma economia forte poderia ter suportado as imensas for&ccedil;as que<br />
Elendil e seus aliados reuniram para os 10-12 anos de guerra que eles<br />
experimentaram.</p>
<p>No tardar da Segunda Era, Arnor e Gondor estavam provavelmente isoladas<br />
do resto N&uacute;menoriano da Terra-m&eacute;dia. As terras mais ao sul controladas<br />
pelos Reis Homens, os quais se tornaram os N&uacute;menorianos-Negros,<br />
apoiadores ou Sauron e tradicionais inimigos dos Fi&eacute;is. Gondor, dessa<br />
forma, teria sido uma parceira mais jovem nas rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas entre<br />
os D&uacute;nedain Fi&eacute;is e seus aliados. Mas depois que Sauron estava<br />
derrotado e Isildur estava perdido nos Vales do Anduin, Gondor foi<br />
levada pela corrente para longe da esfera de influencia de Arnor. Como<br />
Arnor decaiu em popula&ccedil;&atilde;o, riqueza e poder, Gondor estendeu suas<br />
fronteiras ao norte, leste e sul, entrando em contato com popula&ccedil;&otilde;es as<br />
quais tinham estado fora da influ&ecirc;ncia de Gil-Galad.<br />
<br />
A mudan&ccedil;a para fora de Arnor na pol&iacute;tica de Gondor deve ter ferido a<br />
economia do Reino do Norte. Com o decl&iacute;nio de Lindon como uma das<br />
principais for&ccedil;as, Arnor tinha apenas os An&otilde;es para negociar, e Tolkien<br />
n&atilde;o conta para n&oacute;s nada sobre suas rela&ccedil;&otilde;es na Terceira Era. O influxo<br />
dos Hobbits, no in&iacute;cio do segundo mil&ecirc;nio, indubitavelmente trouxe nova<br />
riqueza para os reinos de Rhudaur e Cardolan, mas eles n&atilde;o poderiam<br />
reabilitar os D&uacute;nedain do norte &agrave; sua forma e poder. </p>
<p>A situa&ccedil;&atilde;o em Eriador deve ter sido muito confusa por v&aacute;rios s&eacute;culos.<br />
Com tr&ecirc;s reinos D&uacute;nedain, havia provavelmente tr&ecirc;s cunhagens. Ser&aacute; que<br />
Elfos e An&otilde;es tamb&eacute;m cunhavam suas pr&oacute;pria moedas? Disparidades em<br />
recursos e a constante briga e hostilidade entre os reinos D&uacute;nedain<br />
teriam, mais adiante, enfraquecido a economia do norte. Mercadores<br />
An&otilde;es provavelmente passavam com impunidade atrav&eacute;s de Eriador. Elfos<br />
provavelmente n&atilde;o eram perturbados tamb&eacute;m. Mas o povo de C&iacute;rdan e os<br />
remanescentes do reino de Gil-Galad estavam diminuindo. Esperan&ccedil;as para<br />
o com&eacute;rcio teriam sido limitadas. Os An&otilde;es ainda precisavam de comida,<br />
os D&uacute;nedain ainda precisavam min&eacute;rios e talvez pedras para constru&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>O crescimento do reino de Angmar ao norte teria, realmente, ajudado a<br />
estabilizar a situa&ccedil;&atilde;o entre os D&uacute;nedain de algumas maneiras. Rhudaur<br />
foi destru&iacute;da cedo e Cardolan t&atilde;o enfraquecida se tornou virtualmente<br />
reintegrada dentro do reino de Arnor (Arthedain). A influencia de<br />
Arthedain, deste modo, cresceu com a interven&ccedil;&atilde;o de Lindon e Valfenda<br />
(Elrond at&eacute; alistou ajuda de Lothlorien nas guerras contra Angmar). Uma<br />
&uacute;nica cunhagem D&uacute;nedain teria sido, assim, restaurada para o norte e &eacute;<br />
duvid&aacute;vel que Eriador, em algum tempo, tenha tido uma cunhagem diversa<br />
de novo. Por conseguinte, as &ldquo;pennies&rdquo; que Bilbo e Carrapicho deram<br />
eram provavelmente equivalentes em valor e forma.</p>
<p>De 1409 para diante, a economia de Eriador teria sido dominada por tr&ecirc;s<br />
regi&otilde;es: Fornost Erain, no sul, fim das Colinas do Norte; Bri, no<br />
cruzamento das grandes estradas; e Tharbad no cruzamento do rio<br />
Gwathlo. Tharbad estava em s&eacute;rio decl&iacute;nio, j&aacute; que foi originariamente<br />
um forte e um centro de com&eacute;rcio para os D&uacute;nedain. A economia e os<br />
interesses pol&iacute;ticos de Gondor no norte estavam nesse tempo em decl&iacute;nio<br />
e a &uacute;ltima guarni&ccedil;&atilde;o militar Gondoriana foi extra&iacute;da de Tharbad depois<br />
da Grande Peste de 1636.</p>
<p>O grande influxo dos Grados &agrave;s Terras Pardas por volta de 1300, o que<br />
beneficiou Tharbad economicamente, foi contrabalan&ccedil;ado pela morte da<br />
popula&ccedil;&atilde;o desses na Grande Peste. Os &uacute;nicos Grados, que sobreviveram no<br />
Oeste das Montanhas Sombrias daquele tempo em diante, eram aqueles que<br />
haviam recentemente migrado fundado o Condado al&eacute;m do rio Brandevim. A<br />
Peste tamb&eacute;m exterminou a maioria da popula&ccedil;&atilde;o de Cardolan e o<br />
organizado assentamento efetivamente rumou para um fim entre Tharbad e<br />
Bri. Tharbad foi, deste modo, isolada do resto de Eriador e sua<br />
popula&ccedil;&atilde;o provavelmente nunca se recuperou totalmente dos efeitos da<br />
Grande Peste.</p>
<p>Arnor sobreviveu outros 338 anos, mas sua popula&ccedil;&atilde;o diminuiu. O<br />
Condado, Bri, Fornost Erain, e Tharbad eram as &uacute;nicas regi&otilde;es<br />
produtivas que restavam. Fornost e o Condado foram ambas dominadas na<br />
invas&atilde;o final lan&ccedil;ada por Angmar. O Condado foi posto em ordem, mas<br />
Fornost estava finalmente abandonada pelos D&uacute;nedain que provavelmente<br />
escaparam para as profundezas das Colinas do Norte.</p>
<p>Pelo resto da Terceira Era, a atividade econ&ocirc;mica de Eriador avan&ccedil;ou<br />
com dificuldade. Poucos viajantes passavam por Bri e o Condado, mas n&atilde;o<br />
havia mais uma funda&ccedil;&atilde;o para suportar um com&eacute;rcio significante. O<br />
Condado aparentemente continuou a suprir comida para os An&otilde;es de Ered<br />
Luin, que incharam em n&uacute;mero depois que a civiliza&ccedil;&atilde;o de Khazad-d&ucirc;m foi<br />
destru&iacute;da pelo Balrog em 1980-1. Bri permaneceu como um importante<br />
ponto de parada em uma jornada atrav&eacute;s de Eriador, mas n&atilde;o era mais<br />
vital &agrave;s necessidades do reino do norte. Ent&atilde;o a pergunta quanto a quem<br />
cunhava o dinheiro que apareceu &eacute; pertinente.</p>
<p>Provavelmente os An&otilde;es de Ered Luin proviam o dinheiro para Eriador.<br />
Eles teriam precisado dele para pagar a comida comprada do Condado e<br />
isso teria beneficiado Bri a respeitar o seu uso tamb&eacute;m. Se os Elfos de<br />
Lindon e Imladris faziam uso do dinheiro ent&atilde;o faria l&oacute;gica para eles<br />
usar a moeda an&atilde; tamb&eacute;m.
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<br />
O Condado expandiu um pouco no vig&eacute;simo quarto s&eacute;culo da Terceira Era,<br />
quando o Velho Brandebuque fundou a Terra dos Buques, &ldquo;na pr&aacute;tica um<br />
pequeno e independente pa&iacute;s&rdquo; como Tolkien descreveu. N&atilde;o &eacute; claro porque<br />
o Velho Buque sentiu a necessidade de fundar uma nova terra al&eacute;m do rio<br />
Brandevim, mas &eacute; conceb&iacute;vel que a influencia e autoridade do Thain<br />
estava nesse per&iacute;odo declinando. Quando ficou claro que os D&uacute;nedain n&atilde;o<br />
restabeleceriam o reino do norte, os chefes do Condado elegeram Bucca<br />
do P&acirc;ntano para ser seu Thain, essencialmente para ser um rei local.<br />
Mas os Thain, apesar da hereditariedade, tinham pouco poder no final da<br />
Terceira Era.</p>
<p>Ent&atilde;o o Velho Buque pode ter desejado estabelecer uma terra aonde ele<br />
teria uma autoridade maior que no Condado. O efeito desta coloniza&ccedil;&atilde;o,<br />
de qualquer forma, foi um rejuvenescimento da atividade entre os<br />
Hobbits do Condado e os Hobbits de Bri. Os Brandebuques comercializavam<br />
com ambos, Condado e Bri.</p>
<p>330 anos mais tarde, Tobold Corneteiro revolucionou a economia da<br />
Quarta Sul plantando a erva-de-fumo. Entretanto os habitantes de Bri<br />
foram os primeiros a fumar a folha, a Quarta Sul eventualmente se<br />
tornou a primeira origem deste item de luxo e sua reputa&ccedil;&atilde;o se estendeu<br />
a Isengard e provavelmente al&eacute;m. An&otilde;es pegaram o h&aacute;bito do fumo dos<br />
Hobbits, e eles podem ter comprado suprimentos para enviar a parentes<br />
em terras distantes.<br />
<br />
&Eacute;, deste modo, evidente que o Condado estabeleceu uma pequena, mas<br />
prospera economia mercante com Bri, Terra dos Buques, os An&otilde;es de Ered<br />
Luin, e provavelmente Tharbad e Terras Pardas. Com&eacute;rcio com o sul<br />
provavelmente caiu em sil&ecirc;ncio, estagnou-se depois que Tharbad foi<br />
abandonada no trig&eacute;simo s&eacute;culo, mas Saruman parece ter desenvolvido uma<br />
forte conex&atilde;o com os Sacola-Bolseiros por volta de 3000 em diante.</p>
<p>A influ&ecirc;ncia de Bri decaiu firmemente durante todo o fim da Terceira<br />
Era, mas parece que os D&uacute;nedain de Eriador usavam Bri como um centro de<br />
opera&ccedil;&otilde;es. Eles podiam comprar suprimentos l&aacute; e recolher not&iacute;cias assim<br />
como organizar as atividades de seus Guardi&otilde;es, as quais parecem ter<br />
focalizado em proteger Bri, o Condado e a Terra dos Buques, e seus<br />
pr&oacute;prios lares. Em &ldquo;No P&ocirc;nei Saltitante&rdquo; Tolkien escreve que os<br />
Guardi&otilde;es viviam a leste de Bri, e a men&ccedil;&atilde;o de Cevado Carrapicho a<br />
Frodo: &ldquo;n&atilde;o d&aacute; para explicar o leste e o oeste, como dizemos aqui em<br />
Bri, referindo-nos as excentricidades dos Guardi&otilde;es e do pessoal do<br />
Condado&rdquo;, implica que os habitantes de Bri estavam consideravelmente<br />
certos de que os Guardi&otilde;es viviam nas terras orientais.</p>
<p>Aragorn menciona uma instala&ccedil;&atilde;o abandonada distante um dia de jornada a<br />
leste de Bri, implicando que este &eacute; o &uacute;ltimo sinal de uma civiliza&ccedil;&atilde;o<br />
em Eriador entre Bri e Imladris. Se for este o caso, ent&atilde;o parece<br />
improv&aacute;vel que os D&uacute;nedain de Eriador realmente moravam diretamente a<br />
leste de Bri. N&atilde;o havia muito l&aacute;, exceto pelas Colinas dos Ventos,<br />
depois do P&acirc;ntano dos Mosquitos, e Aragorn contou aos Hobbits que<br />
ningu&eacute;m vivia nas Colinas. Em outra ocasi&atilde;o, ele se arrisca ao sul de<br />
Topo do Vento para encontrar Athelas perto de um velho lugar aonde sua<br />
gente tinha acampado ou se estabelecido uma vez, logo &eacute; conceb&iacute;vel que<br />
os D&uacute;nedain moravam nas Colinas do Norte e/ou do Sul (provavelmente<br />
mudando constantemente e ent&atilde;o evitando serem detectados por espi&otilde;es de<br />
Sauron).</p>
<p>Os D&uacute;nedain n&atilde;o estavam com muito poder econ&ocirc;mico ao fim da Terceira<br />
Era, mas seu ocasional tr&aacute;fego combinado com a passagem dos An&otilde;es na<br />
estrada teria ajudado a manter a estalagem de Bri, o P&ocirc;nei Saltitante,<br />
nos neg&oacute;cios. Mas parece claro que o tr&aacute;fego era insuficiente por si<br />
s&oacute;. Carrapicho parece ter servido como o respons&aacute;vel pelos cavalos no<br />
vilarejo de Bri, j&aacute; que muitos dos cavalos locais e p&ocirc;neis eram<br />
mantidos no seu est&aacute;bulo.</p>
<p>Com&eacute;rcio existia em outra parte do mundo mais ao norte. Os homens da<br />
Cidade do Lago trocavam com os Elfos do norte da Floresta das Trevas e<br />
alguns Homens do Norte n&atilde;o nomeados vivendo mais distante ao sul, no<br />
rio Celduin. A misteriosa terra de Dorwinion nas costas ao Noroeste do<br />
interior do Mar de Rh&ucirc;n proviam essas pessoas com um bom vinho. O<br />
restabelecimento de Vale e Erebor no S&eacute;culo XXX fortaleceu a economia<br />
regional consideravelmente, mas ainda era uma grande e isolada regi&atilde;o.<br />
As ordens especiais de Bilbo para presentes de Vale e Erebor eram muito<br />
provavelmente feitas por raz&otilde;es sentimentais melhor que uma preocupa&ccedil;&atilde;o<br />
com o costume. NO Hobbit parece que Bilbo nunca tinha escutado sobre<br />
Vale e Erebor antes de Thorin contar a ele a hist&oacute;ria de como Smaug<br />
destruiu os dois reinos.</p>
<p>A despeito de todas essas vis&otilde;es de troca e com&eacute;rcio passando ao longo<br />
das estradas da Terra-m&eacute;dia, havia um limite para a economia da<br />
hist&oacute;ria do mundo de Tolkien. O Condado desenvolveu algum tipo de<br />
governo, mas aparentemente faltou riqueza para manter uma grande<br />
burocracia. Os agentes postais e condest&aacute;veis respondiam ao prefeito de<br />
Gr&atilde;-Cava que gerenciava o Servi&ccedil;o de Mensagens e Patrulha (condest&aacute;veis<br />
e fronteiros).<br />
<br />
Tolkien escreveu no Pr&oacute;logo de O Senhor dos An&eacute;is &ldquo;nessa &eacute;poca o<br />
Condado mal tinha um &lsquo;governo&rsquo;. Na maioria das vezes as fam&iacute;lias<br />
cuidavam dos seus pr&oacute;prios neg&oacute;cios. Cultivar comida e come-la ocupava<br />
a maior parte de seu tempo. Em outros assuntos eles eram, em geral,<br />
generosos e n&atilde;o gananciosos, mas satisfeitos e moderados, de modo que<br />
terras, fazendas, oficinas, e pequenos com&eacute;rcios tendiam a permanecer<br />
inalterados por gera&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</p>
<p>Entretanto o Servi&ccedil;o Postal empregava mais Hobbits que o a Patrulha,<br />
quando os convites e ordens de Bilbo para a Festa inundaram os correios<br />
da Vila dos Hobbits e Beir&aacute;gua , &ldquo;carteiros volunt&aacute;rios estavam sendo<br />
procurados&rdquo;. O fato de volunt&aacute;rios serem precisos implica que n&atilde;o havia<br />
provis&otilde;es para empregar extra (mesmo que tempor&aacute;rios) trabalhadores, e<br />
seja qual fosse a renda gerada pelo correio era insuficiente para<br />
prover os sal&aacute;rios adicionais.</p>
<p>As trocas secretas de Lotho Sacola-Bolseiro com Isengard tamb&eacute;m parece<br />
implicar que n&atilde;o haviam taxas de exporta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; claro como o Condado<br />
pagava pelos 12 condest&aacute;veis, muito menos o maior n&uacute;mero de fronteiros<br />
e agentes postais. Algum tipo de taxa ou d&iacute;zimo devia ter existido para<br />
prover sua manuten&ccedil;&atilde;o, mas eles podem n&atilde;o ter sido significantes. Sem<br />
um grande rendimento base, o &ldquo;governo&rdquo; do Condado conseq&uuml;entemente n&atilde;o<br />
era muito de fator econ&ocirc;mico, mesmo dentro do pr&oacute;prio Condado. Assim, a<br />
maior parte do dinheiro era provavelmente concentrada nas m&atilde;os de<br />
v&aacute;rias fam&iacute;lias poderosas como os T&ucirc;ks, Brandebuques, Bolseiros, etc.<br />
as quais cuidavam dos seus pr&oacute;prios neg&oacute;cios. </p>
<p>A presen&ccedil;a de est&aacute;bulos e tavernas por todo o Condado implica uma<br />
quantidade justa de atividade social e viajante. Estes locais<br />
provavelmente serviram como centros de suas vida sociais nas<br />
comunidades e provavelmente eram localizados perto de quaisquer<br />
mercados estabelecidos nas vilas. &Eacute; duvid&aacute;vel que existiam muitas<br />
pessoas de neg&oacute;cios poderosas como Lotho Sacola-Bolseiro, que comprou<br />
muitas fazendas e planta&ccedil;&otilde;es na Quarta Sul. Seus empreendimentos eram,<br />
pelo menos, em parte financiados por Saruman.<br />
<br />
Como sempre, eu tenho apenas sido capaz de tocar por cima desses<br />
assuntos, mas eu penso ser evidente que Tolkien devotou um consider&aacute;vel<br />
pensamento ao dinheiro e economia na Terra-m&eacute;dia, entretanto seria<br />
imposs&iacute;vel documentar completamente as atividades de troca de v&aacute;rias<br />
pessoas. A escala de troca era provavelmente sempre pequena, exceto no<br />
suprimento de comida para grandes ex&eacute;rcitos ou na&ccedil;&otilde;es An&atilde;s. Tolkien<br />
provavelmente n&atilde;o imaginou uma economia maci&ccedil;a, mas ele parece ter<br />
estado ciente que os comerciantes antigos vaguearam pela Europa por<br />
milhares de anos e na constru&ccedil;&atilde;o da Terra-m&eacute;dia ele permitiu uma ampla<br />
e est&aacute;vel economia.
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		<title>Contos Misteriosos da Terra-média</title>
		<link>http://www.valinor.com.br/6317/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2005 16:17:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cassiano ricardo dalberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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N&atilde;o ouvimos falar com freq&uuml;&ecirc;ncia sobre as hist&oacute;rias de fantasmas que as<br />
pessoas deviam contar umas &agrave;s outras na Terra-m&eacute;dia. O trabalho de<br />
Tolkien &eacute; permeado por lendas bem trabalhadas que possuem, geralmente,<br />
de fato um embasamento (dentro do escopo de sua pseudo-hist&oacute;ria), mas<br />
quando paramos para considerar as imensas expans&otilde;es de tempo que a<br />
pseudo-hist&oacute;ria da Terra-m&eacute;dia cobre, devemos nos perguntar qu&atilde;o<br />
artificiais essas lendas se tornaram.
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Todos j&aacute; ouviram falar da hist&oacute;ria sobre o louco<br />
que escapa de um sanat&oacute;rio e quase mata um casal jovem em uma estrada<br />
escura, deixando sua garra pendurada na porta do carro (este seria, &eacute;<br />
claro, um carro bastante antigo). Talvez essa hist&oacute;ria deva um pouco ao<br />
mito n&oacute;rdico do deus da guerra Tyr, que colocou sua m&atilde;o na boca de<br />
Fenris, deixando o lobo arranc&aacute;-la, enquanto os Aesir acorrentavam o<br />
lobo. Tyr deveria ser um tanto quanto louco para fazer isso.</p>
<p>As primeiras hist&oacute;rias de fantasmas da Terra-m&eacute;dia provavelmente foram<br />
os contos h&aacute; muito tempo esquecidos que os Elfos criaram sobre os<br />
monstros de Melkor antes de Orom&euml; descobrir sua morada em Cuivi&eacute;nen. <i>&quot;E,<br />
de fato, as can&ccedil;&otilde;es mais antigas dos Elfos, cujos ecos ainda s&atilde;o<br />
lembrados no Oeste, falam sobre formas sombrias que caminhavam nas<br />
montanhas acima de Cuivi&eacute;nen, ou passavam de repente pelas estrelas, e<br />
do Cavaleiro Negro sobre seu cavalo selvagem, que perseguia aqueles que<br />
vagavam, para tom&aacute;-los e devor&aacute;-los.&quot;</i></p>
<p> Os primeiros Elfos<br />
eram um tanto ing&ecirc;nuos, em compara&ccedil;&atilde;o aos seus sucessores Eldarin. Eles<br />
n&atilde;o sabiam nada sobre quem eram os Valar, como o mundo se tornou o que<br />
&eacute;, ou que monstros existiam (originados das criaturas inocentes de<br />
Yavanna, ou Maiar corrompidos que assumiram formas de terror). Nem seus<br />
poderes de mente e corpo estavam desenvolvidos. Ser&aacute; que os Elfos<br />
sabiam, antes de encontrar os Valar, como utilizar suas faculdades<br />
subcriacionais? Seria interessante se os primeiros menestr&eacute;is &Eacute;lficos,<br />
que, em eras posteriores podiam <i>&quot;fazer com que as coisas sobre as quais eles cantavam aparecessem em frente aos olhos daqueles que estivessem escutando&quot;</i>,<br />
tenham feito can&ccedil;&otilde;es de poder, onde suas audi&ecirc;ncias veriam novamente as<br />
terr&iacute;veis e m&iacute;sticas formas sombrias que rastejavam em seu mundo<br />
outrora agrad&aacute;vel.</p>
<p> Orom&euml; levou os Eldar para o Oeste, atrav&eacute;s<br />
de um mundo assustador, grande e desconhecido, para as margens<br />
ocidentais da Terra-m&eacute;dia, e a partir dali a maioria dos Eldar partiu<br />
para uma terra de luz. &Eacute; dif&iacute;cil imaginar os Altos-Elfos de Aman<br />
vivendo sobre os fantasmas e dem&ocirc;nios de seu passado. Eles seguiram o<br />
estudo de alta civiliza&ccedil;&atilde;o e arte e constru&iacute;ram grandes cidades e<br />
artefatos poderosos. Mas os Eldar que permaneceram na Terra-m&eacute;dia, os<br />
Sindar, foram deixados na escurid&atilde;o (ou na fraca luz das estrelas), e<br />
apesar de por longas eras eles n&atilde;o terem sido perturbados pelas<br />
criaturas de Melkor, ainda tinham raz&atilde;o para conhecer o medo.</p>
<p>Pois os Sindar eram perturbados pelos Noegyth Nibin, os An&otilde;es<br />
inferiores, exilados das grandes cidades dos An&otilde;es do Leste, que<br />
encontraram seus caminhos para Beleriand. Ali, nas Terras Selvagens<br />
antes da vinda dos Elfos, eles estabeleceram sua pr&oacute;pria cultura, da<br />
qual n&atilde;o conhecemos praticamente nada, al&eacute;m do fato que eles eram<br />
reservados e rancorosos. Os Noegyth Nibin atacaram os Elfos, que<br />
revidaram ao ca&ccedil;&aacute;-los, sem saber de fato que os Noegyth Nibin eram<br />
deca&iacute;dos de um estado mais alto de civiliza&ccedil;&atilde;o, tomando-os por animais<br />
ou pequenos monstros da escurid&atilde;o.</p>
<p> Com o tempo, os Sindar se<br />
tornaram amigos dos An&otilde;es de Nogrod e Belegost, e eles aprenderam sobre<br />
a verdadeira natureza dos Noegyth Nibin, e os povos deixaram cada um em<br />
paz. Mas os Sindar eram de vez em quando avisados pelos An&otilde;es do Leste<br />
que criaturas malignas estavam se multiplicando nas terras al&eacute;m de Ered<br />
Luin. Se os Sindar tivessem tido tempo para esquecer os antigos<br />
monstros, eles eram eventualmente lembrados, quando as criaturas de<br />
Melkor come&ccedil;aram a se rastejar por Beleriand, <i>&quot;lobos&#8230; ou criaturas que andavam em forma de lobos, e outros seres sombrios cru&eacute;is&quot;</i>.</p>
<p>Os Sindar se dividiram em dois grupos: Elfos das Florestas que se<br />
espalharam para o Norte e Oeste a partir de Doriath e os Elfos<br />
navegantes, que moravam nas terras costeiras ocidentais e se espalharam<br />
pelo Norte. Muitos destes Elfos viviam fora das cidades, mais<br />
provavelmente em cidadelas ou vilarejos que nunca apareceram em nenhum<br />
mapa. Mas estando longe dos centros de poder e sabedoria, eles estavam<br />
menos seguros em suas casas e talvez mais propensos para se perguntar<br />
sobre as coisas misteriosas que se rastejavam ao redor deles. Ser&aacute; que<br />
estes Elfos, talvez, cantavam sobre as coisas sombrias que assombravam<br />
Beleriand?</p>
<p> Ap&oacute;s o retorno dos Noldor e o come&ccedil;o da Guerra das<br />
Gemas, criaturas sombrias e terr&iacute;veis teriam se tornado bem conhecidas<br />
atrav&eacute;s de Beleriand. Imagine se um ex&eacute;rcito de goblins, vampiros e<br />
lobisomens estivesse prestes a invadir sua terra natal e permanecer<br />
pr&oacute;ximo por muitos anos. Voc&ecirc; estaria propenso a contar &quot;hist&oacute;rias de<br />
fantasmas&quot;, sabendo que os fantasmas estavam logo al&eacute;m da montanha? Os<br />
contos seriam hist&oacute;rias reais, n&atilde;o lendas. As criaturas seriam inimigos<br />
conhecidos, e n&atilde;o terrores mal&eacute;ficos misteriosos.</p>
<p> N&atilde;o seria<br />
at&eacute; ap&oacute;s o colapso dos grandes reinos que de fato se tornaram lenda<br />
novamente. Homens mortais se lembrariam das hist&oacute;rias e passariam as<br />
mesmas para a frente, mas a cada gera&ccedil;&atilde;o, as hist&oacute;rias se tornaram<br />
menos reais. Ser&aacute; que Dirhavel de Arvenien entendia sobre o que estava<br />
cantando, se ele cantou sobre o conto de Barahir e seus fora-da-lei 70<br />
anos ap&oacute;s os eventos terem se desenvolvido? Quantos dos Elfos que<br />
sobreviveram &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o dos reinos em Arvenien e Ilha de Balar eram<br />
velhos o suficiente para se lembrar das grandes batalhas ou do passado<br />
antigo? Mesmo Elrond, que j&aacute; era antigo na &eacute;poca da Guerra do Anel,<br />
teria crescido nos dias em que H&uacute;rin e T&uacute;rin eram apenas mem&oacute;rias dos<br />
homens e mulheres idosas, Hador era um ancestral distante e Cuivi&eacute;nen<br />
estava h&aacute; gera&ccedil;&otilde;es al&eacute;m de sua experi&ecirc;ncia.</p>
<p> Qu&atilde;o reais os<br />
contos do Lobo-Sauron e Drauglin, pai dos lobisomens, e Thuringwethil,<br />
a mensageira de Sauron em forma de morcego, e Gorlim, o fantasma<br />
infeliz, teriam parecido &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es de Homens e Elfos que cresceram no<br />
in&iacute;cio da Segunda Era? Seu mundo havia mudado. A maior parte de<br />
Beleriand havia sumido. Os grandes reis, que lideraram os Elfos e Edain<br />
na guerra contra Morgoth estavam todos mortos. Os Edain do Oeste<br />
navegaram para construir uma grande civiliza&ccedil;&atilde;o e os Edain do Leste<br />
retrocederam &agrave;s plan&iacute;cies e bosques onde eles lentamente esqueceram que<br />
uma vez alguns de seu povo partiram para o outro lado das montanhas.</p>
<p>E ainda ap&oacute;s Sauron ter come&ccedil;ado a tumultuar novamente na Segunda Era,<br />
reunindo mais uma vez criaturas mal&eacute;ficas sob seu controle, como<br />
evid&ecirc;ncia do retorno do mal que se movia atrav&eacute;s das Terras &Eacute;lficas, os<br />
Homens devem ter apagado as antigas lendas sobre lobisomens, vampiros,<br />
Orcs e dem&ocirc;nios, e recontaram como havia uma vez um senhor do escuro<br />
contra quem somente alguns Elfos e Homens se defenderam valentemente.</p>
<p>E ainda o mal, conseq&uuml;entemente, adquiriu um aspecto mais claro, e a<br />
Guerra dos Elfos e Sauron trouxe um fim a muitos reinos &Eacute;lficos e<br />
Humanos, e muitos s&eacute;culos de combate existiriam subseq&uuml;entemente. A<br />
Segunda Era deve ter originado novas lendas de terror, principalmente<br />
quando os Nazg&ucirc;l apareceram na Terra-m&eacute;dia, mas tamb&eacute;m pode ser, como<br />
na Primeira Era, que a Segunda Era tenha trazido o mal para muito perto<br />
de casa para as pessoas desenvolverem uma estranha fascina&ccedil;&atilde;o por ele.<br />
Somente sonhamos com vampiros e lobisomens quando sabemos que eles n&atilde;o<br />
s&atilde;o reais e n&atilde;o podem nos machucar.</p>
<p> Mas a guerra final da<br />
Segunda Era contribuiu para a funda&ccedil;&atilde;o de uma das maiores lendas de<br />
terror na Terceira Era. Isildur convocou um povo das montanhas para<br />
marchar contra Sauron, e eles recusaram, uma vez que eles outrora<br />
adoravam Sauron como um deus. A esses homens sem f&eacute;, Isildur condenou a<br />
desaparecerem como um povo. Eles definharam e morreram, perdidos e<br />
sozinhos nas terras altas, condenados a assombrar suas terras antigas<br />
at&eacute; o dia em que eles pudessem redimir seus juramentos para um Herdeiro<br />
de Isildur.</p>
<p> O audacioso povo das montanhas de Gondor vivia ao<br />
lado dos Mortos do Templo da Colina, e deve-se imaginar se eles n&atilde;o<br />
passaram longas noites de inverno trocando contos de viajantes<br />
imprudentes que se perderam nos caminhos dos Mortos, ou que encontraram<br />
uma reuni&atilde;o de fantasmas &agrave; grande pedra de Erech em tempos<br />
problem&aacute;ticos. Ningu&eacute;m sabe como a dama &Eacute;lfica Nimrodel se perdeu nas<br />
montanhas, mas ser&aacute; que o povo local a adotou como uma v&iacute;tima de suas<br />
lendas? Ser&aacute; que eles a imaginavam perdida e assustada, possu&iacute;da pelos<br />
antigos fantasmas?</p>
<p> Os caminhos dos Mortos eram famosos<br />
atrav&eacute;s das terras dos D&uacute;nedain, ao que parece. Malbeth, o vidente, que<br />
vivia em Arnor, previu que um dia um Herdeiro de Isildur caminharia<br />
naqueles caminhos e acordaria os Mortos. S&eacute;culos depois, quando os<br />
Rohirrim se estabeleceram em Calenardhon e Brego, seu segundo rei,<br />
terminou a constru&ccedil;&atilde;o do sal&atilde;o de Meduseld, ele e seus filhos passaram<br />
pelas montanhas e encontraram um homem idoso sentado na entrada do<br />
caminho dos Mortos.</p>
<p><i>  &quot;O caminho est&aacute; fechado&quot;</i>, ele disse a eles. <i>&quot;O<br />
caminho est&aacute; fechado. Foi feito por aqueles que est&atilde;o Mortos, e os<br />
Mortos o guardam, at&eacute; a hora chegar. O caminho est&aacute; fechado.&quot;</i> E<br />
ent&atilde;o ele morreu, e o pr&iacute;ncipe Baldor resolveu entrar no caminho dos<br />
Mortos e ver por si mesmo que segredos existiam ali. Ele nunca<br />
retornou, e toda Rohan se questionou sobre o que se tornou dele.</p>
<p>  Provavelmente os ossos que Aragorn encontrou dentro da passagem eram de Baldor: <i>&quot;Diante<br />
dele estavam os ossos de um homem forte. Estivera vestido de malha<br />
met&aacute;lica, e sua armadura jazia ainda inteira, pois o ar da caverna era<br />
seco como p&oacute;; sua cota era dourada. O cinto era de ouro e granadas, e<br />
rico em ouro era o elmo sobre os ossos de sua cabe&ccedil;a, ca&iacute;da com o rosto<br />
contra o ch&atilde;o. O homem tombara perto da parede oposta da caverna, pelo<br />
que se podia presumir, e diante dele havia uma porta de pedra<br />
hermeticamente fechada: os ossos de seus dedos ainda agarravam as<br />
fendas. Uma espada quebrada e chanfrada jazia ao seu lado, como se ele<br />
tivesse golpeado a rocha em seu &uacute;ltimo desespero&quot;</i>.</p>
<p> O que<br />
poderia ter acontecido dentro daquela caverna escura e solit&aacute;ria &eacute; que<br />
um dos mais bravos guerreiros de Rohan teria ficado louco e rachado a<br />
rocha em desespero? Ele deve ter sido atacado por um ex&eacute;rcito dos<br />
Mortos, e procurando uma maneira de escapar e se desviou. Ou talvez ele<br />
meramente sucumbiu ao medo e temor, estremecido a sua pr&oacute;pria alma, e<br />
irracionalmente, fugiu impetuosamente na escurid&atilde;o at&eacute; n&atilde;o poder mais<br />
encontrar seu caminho, e lentamente, tristemente, passou seus &uacute;ltimos<br />
dias ou horas em v&atilde;o, procurando admiss&atilde;o em algum ref&uacute;gio de natureza<br />
duvidosa.</p>
<p> Os Mortos do Templo da Colina n&atilde;o eram as &uacute;nicas<br />
assombra&ccedil;&otilde;es a habitar a Terra-m&eacute;dia na Terceira Era. Os Nazg&ucirc;l<br />
surgiram de Mordor no ano 2000 e sitiaram a cidade montanhosa de Minas<br />
Ithil. Ap&oacute;s 2 anos eles tomaram a cidade e a transformaram em um lugar<br />
de terror existente, e dizia-se que era a resid&ecirc;ncia de fantasmas e<br />
outros monstros. At&eacute; mesmo os Orcs que estavam posicionados ali estavam<br />
enervados pelas criaturas terr&iacute;veis com as quais os Nazg&ucirc;l haviam<br />
ocupado a cidade. Todas as terras vizinhas se tornaram desertas,<br />
conforme as pessoas fugiam para o outro lado do Anduin, e com o tempo<br />
somente as pessoas mais audaciosas de Gondor ousavam viver em Ithilien,<br />
que uma vez havia sido uma terra muito agrad&aacute;vel e bela.</p>
<p> Os<br />
Nazg&ucirc;l eram especialmente bons em acabar com as vizinhan&ccedil;as. S&eacute;culos<br />
antes o Senhor dos Nazg&ucirc;l havia rumado para o Norte para estabelecer o<br />
reino de Angmar. Homens serviam a ele, mas tamb&eacute;m Orcs, Trolls, e<br />
outras criaturas, incluindo espectros. Ele ensinou ou encorajou o povo<br />
das colinas de Rhudaur a praticar feiti&ccedil;aria, principalmente<br />
necromancia, e na guerra com Cardolan e Arthedain no ano 1409, o Senhor<br />
dos Nazg&ucirc;l enviou espectros para habitar os antigos t&uacute;mulos em Tyrn<br />
Gorthad, pr&oacute;xima a Bri. Estes esp&iacute;ritos se tornaram as Criaturas<br />
Tumulares. Eles animaram antigos ossos e ocuparam a terra com pavor e<br />
medo. Seu poder era t&atilde;o grande que, muitas gera&ccedil;&otilde;es depois, os esfor&ccedil;os<br />
do Rei Araval para recolonizar Cardolan falharam, porque as pessoas n&atilde;o<br />
poderiam viver perto de Tyrn Gorthad.</p>
<p> Quando os &uacute;ltimos<br />
remanescentes do Reino do Norte foram arruinados, criaturas mal&eacute;ficas<br />
ocuparam sua &uacute;ltima capital, Fornost Erain, apesar de que depois de<br />
apenas alguns meses elas foram destru&iacute;das ou expulsas por um grande<br />
ex&eacute;rcito de Gondor e Lindon. Muito da terra estava limpa quando a<br />
pr&oacute;pria Angmar foi destru&iacute;da, mas as Criaturas tumulares permaneceram,<br />
e os Homens de Bri ficaram amedrontados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ru&iacute;nas de Fornost<br />
Erain, conseq&uuml;entemente, denominando-as de Dique dos Mortos, porque<br />
eles apenas podiam se lembrar do terror que brevemente havia governado<br />
ali.</p>
<p> Arnor estava quase esvaziada de pessoas, e ru&iacute;nas foram<br />
deixadas por todos os lugares: Ann&uacute;minas, Fornost, Tyrn Gorthad, as<br />
colinas de Rhudaur, Topo do Vento. Tharbad, a &uacute;ltima cidade de Arnor,<br />
declinou e se tornou uma cidade ribeirinha, e conseq&uuml;entemente foi<br />
abandonada ap&oacute;s ter sido destru&iacute;da por severas inunda&ccedil;&otilde;es. Quase toda<br />
Eriador era uma terra vazia e desolada, com cidades esquecidas e<br />
t&uacute;mulos assombrados.</p>
<p> &Eacute; um pouco estranho que os Hobbits que<br />
partiram do Condado em 3018 n&atilde;o eram muito mais amedrontados em rela&ccedil;&atilde;o<br />
ao mundo ao redor deles. Eles tinham lendas sobre a Floresta Velha, que<br />
ficava nas fronteiras da Terra dos Buques, uma terra estranha onde as<br />
&aacute;rvores podiam se mover conforme queriam e que abrigavam um antigo &oacute;dio<br />
pelos seres que caminhavam em duas pernas. Tolkien observa que <i>&quot;mesmo<br />
no Condado, o rumor sobre as Criaturas Tumulares das Colinas dos<br />
T&uacute;mulos al&eacute;m da Floresta foi ouvido. Mas n&atilde;o era um conto que qualquer<br />
Hobbit gostaria de ouvir, mesmo em frente a uma confort&aacute;vel lareira bem<br />
longe de tudo isso&quot;.</i></p>
<p> Mas Frodo e seus amigos n&atilde;o sabiam<br />
nada sobre os terrores que existiam al&eacute;m das Colinas dos T&uacute;mulos e suas<br />
criaturas, ou as lendas que ainda assombravam as terras, apesar das<br />
criaturas que geraram terror aos contos terem desaparecido h&aacute; muito<br />
tempo. Se eles tivessem ido em busca de antigas hist&oacute;rias de fantasmas,<br />
ao inv&eacute;s de buscar uma maneira de destruir o Um Anel, eles teriam<br />
encontrado lendas suficientes para encher um livro. Havia o velho<br />
monstro vivendo no alto das montanhas sobre Minas Morgul, as estranhas<br />
e agourentas &aacute;rvores da Floresta de Fangorn, o escuro e repugnante<br />
Guardi&atilde;o na &Aacute;gua, o esp&iacute;rito de fogo e sombras que assombrava as<br />
cavernas perdidas de Moria, a fria e cruel Caradhras, e coisas escuras<br />
voadoras que bloqueavam as estrelas &agrave; noite, e os pr&oacute;prios Nazg&ucirc;l.</p>
<p>A pobre e perdida Eregion se tornou a morada de lobos enfeiti&ccedil;ados e<br />
tropas amea&ccedil;adoras de Crebain, e a terra esqueceu que uma vez fora lar<br />
a um povo &Eacute;lfico que ousara mexer com a for&ccedil;a do Tempo na pr&oacute;pria<br />
Terra-m&eacute;dia. Mas quando tudo estava feito e o Senhor dos An&eacute;is<br />
destru&iacute;do, os Hobbits e seus aliados foram mais uma vez lembrados de<br />
todos os grandes e antigos temores, e eles devem ter passado muitas<br />
noites felizes trocando contos em frente &agrave; lareira, mantendo vivas as<br />
est&oacute;rias de fantasmas da Terra-m&eacute;dia.</p>
<p>  <i>[tradu&ccedil;&atilde;o: Helena &quot;Aredhel&quot; Felts]</i>
</div>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os Mistérios da Terra-média</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cassiano ricardo dalberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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Sem artigos relacionados.]]></description>
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										</div><div align="justify">
<div align="justify">Parte do prazer de ler sobre a Terra-m&eacute;dia est&aacute; em descobrir mais a respeito de temas obscuros ap&oacute;s estes aparecerem em algum lugar &quot;can&ocirc;nico&quot;. Pegue os Druedain; Woses, como s&atilde;o chamados em &quot;O Senhor dos An&eacute;is&quot;. Quando voc&ecirc; l&ecirc; o livro pela primeira vez, v&ecirc; que eles mal aparecem e conduzem os Rohirrim ao redor de um ex&eacute;rcito de Orcs e Orientais. </div>
<p class="TituloTexto">
</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<p> 
<div align="justify">Eles t&ecirc;m alguma import&acirc;ncia al&eacute;m desta no decorrer da hist&oacute;ria? Sim e n&atilde;o. Eles est&atilde;o l&aacute; para dar aos Rohirrim uma passagem vi&aacute;vel ao redor do bloqueio da tropa, e a finalidade deste bloqueio &eacute; mostrar ao leitor que Sauron &eacute; t&atilde;o poderoso que pode espalhar ex&eacute;rcitos por todo o mapa. Mas os Druedain tamb&eacute;m servem para lembrar ao leitor que a Terra-m&eacute;dia est&aacute; cheia de criaturas estranhas e misteriosas de todos os tipos.</p>
<p> Talvez Tolkien tenha pensado &quot;<em>Aqui ser&aacute; bom acrescentar outra ra&ccedil;a m&aacute;gica de criaturas</em>&quot; quando ele esbo&ccedil;ou aquela parte da hist&oacute;ria, mas evidentemente ele n&atilde;o parou por a&iacute;. Muitos anos depois ele escreveu um longo ensaio o qual falava muito da hist&oacute;ria sobre os An&otilde;es e os Homens, mas tamb&eacute;m falava dos Druedain, e explicava quem eles eram, de onde eles vieram, e como eles acabaram na Floresta Druedain. A escolha do nome &quot;Druadan&quot; pode ter sido conveniente, ou pode ter sido intencional.</p>
<p> Tolkien de fato come&ccedil;ou chamando o povo de Ghan-buri-Ghan de &quot;<em>homens escuros de Eilenach</em>&quot; e a floresta era &quot;Floresta Eilenach&quot;. Mas ent&atilde;o eles se tornaram os Druedain da Floresta Druadan, e no publicado Senhor dos An&eacute;is, eles se tornaram os Woses, mas a floresta permaneceu Floresta Druadan. A associa&ccedil;&atilde;o da palavra &quot;adan&quot; com uma ra&ccedil;a n&atilde;o-edain &eacute; muito peculiar, e confundiu muitas pessoas. Mas em 1980, Christopher Tolkien publicou muito material dos Druedain em &quot;Contos Inacabados&quot; e o mist&eacute;rio foi esclarecido.</p>
<p> Esta foi a quarta tribo associada aos Edain, n&atilde;o numerada entre as &quot;casas&quot; dos Edain, mas, apesar de tudo, foi dado a eles acesso a N&uacute;menor como uma recompensa por seus servi&ccedil;os e sofrimento em Beleriand. E na pr&aacute;tica, n&atilde;o h&aacute; men&ccedil;&atilde;o deles em &quot;O Silmarillion&quot;, porque foi somente em 1960 que Tolkien concluiu as origens e destino dos Druedain, muito depois do material do Silmarillion ter sido feito at&eacute; o ponto onde Christopher o encontrou ap&oacute;s a morte do pai.</p>
<p> Por sinal, Tolkien gostava da palavra &quot;wose&quot;. Ele a usava como um dos apelidos de T&uacute;rin [Saeros o chamava de woodwose em &quot;Narn i H&icirc;n H&uacute;rin&quot;] e &quot;woodwose&quot; &eacute; a forma moderna do Anglo-Sax&atilde;o &quot;wusu-wasa&quot;, &quot;homens selvagens das florestas&quot; [um dos apelidos de T&uacute;rin]. &quot;Woses&quot; &eacute; ent&atilde;o destinado a ser uma tradu&ccedil;&atilde;o da atual palavra Rohirrica &quot;Rogin&quot; [sing. Rog], com o mesmo significado, &quot;homens selvagens das florestas&quot;. Os Rohirrim ignoravam [assim como Tolkien, quando escreveu o Senhor dos An&eacute;is] a antiga hist&oacute;ria dos Woses.</p>
<p> H&aacute; muitos mist&eacute;rios confinados nas florestas da Terra-m&eacute;dia. Tolkien amava as &aacute;rvores, e ele as honrou de uma forma especial. Ele sempre achou que elas tinham recebido um amargo quinh&atilde;o em compartilhar o mundo com os homens. Tolkien baseou-se na &quot;vinda da &quot;Grande Floresta Birnam para a alta Colina Dunsinane&quot;&quot;, em Shakespeare, e quis que as &aacute;rvores realmente marchassem para a guerra, realizando esse desejo atrav&eacute;s dos Ents.</p>
<p> Algu&eacute;m deve perguntar como os Ents vieram a habitar a Floresta de Fangorn. Tolkien n&atilde;o diz claramente. O pr&oacute;prio Fangorn [Barb&aacute;rvore] diz que vagou em Beleriand por terras h&aacute; muito n&atilde;o molestadas por Morgoth, mesmo durante a guerra contra os elfos. Evidentemente, se os Ents sobreviveram &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de Beleriand no fim da Primeira Era, eles devem ter rumado para o leste, para Eriador, onde havia em tempos idos uma antiga floresta sobre a qual Elrond disse: &quot;foi-se o tempo em que um esquilo podia ir de &aacute;rvore em &aacute;rvore do que &eacute; agora o Condado at&eacute; a Terra Parda, a oeste de Isengard. Por aquelas terras eu viajei uma vez, e muitas coisas selvagens e estranhas eu conheci.&quot;</p>
<p> Deixando a viagem de Elrond &agrave; parte, algu&eacute;m deve se perguntar como os esquilos [e os Ents] cruzaram o poderoso rio Gwathl&oacute;. Ele era amplo e bastante profundo, pois os navios vindos do Oceano podiam navegar longe para o interior, at&eacute; Tharbad, onde, possivelmente, as &aacute;guas se tornavam suficientemente rasas para que os Ents pudessem atravessar.</p>
<p> Mas por que eles fariam isso? Quando eles deixaram as florestas do norte? Aparentemente, o eles fizeram antes da Guerra entre os Elfos e Sauron, e em outro texto Tolkien diz que o pr&oacute;prio Fangorn encontrou o Rei de Lothl&oacute;rien nos primeiros anos da Segunda Era e combinaram as fronteiras de seus reinos. A migra&ccedil;&atilde;o dos elfos de Beleriand para o leste na Segunda Era levou os Ents para o leste tamb&eacute;m? Ou os ents em alguma &eacute;poca se tornaram t&atilde;o numerosos que tinham se espalhado pelas terras? H&aacute; muitas coisas que nunca saberemos da hist&oacute;ria dos Ents, infelizmente.</p>
<p> Outras criaturas das florestas que t&ecirc;m um passado misterioso s&atilde;o as aranhas gigantes de Mirkwood. Onde e quando estas criaturas surgiram? Dizem ser descendentes de Ungoliant, e Mirkwood era a Grande Floresta Verde at&eacute; Sauron despertar na Terceira Era e se estabelecer em Dol Guldur. Ele, sem d&uacute;vida induziu algumas da prole de Ungoliant que habitavam o norte da floresta, mas como elas chegaram l&aacute;? N&atilde;o parece prov&aacute;vel que Isildur desejasse construir uma cidade pr&oacute;xima a aranhas monstruosas que se alimentavam de Homens e Elfos.</p>
<p> Uma coisa que sempre me incomodou &eacute; quem eram aqueles misteriosos homens que comercializavam com a Cidade do Lago em &quot;O Hobbit&quot;. Eles viviam ao sul do Lago Comprido e eram aparentados aos Homens do Norte, mas onde eles viviam? A Velha Estrada da Floresta, de acordo com o livro, &quot;<em>era coberta de vegeta&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o utilizada no final, ao leste, e conduzia a p&acirc;ntanos intranspon&iacute;veis onde os caminhos estavam h&aacute; muito perdidos.</em>&quot; A estrada foi originalmente feita pelos An&otilde;es. Eles usavam-na para alcan&ccedil;ar o Celduin e, de l&aacute;, passavam para o nordeste de alguma forma at&eacute; as Colinas de Ferro.</p>
<p> Se houvessem homens ainda vivendo ao longo do Celduin [o Rio Corrente, que vem de Erebor], por que eles n&atilde;o se estabeleceram no ponto onde a Velha Estrada da Floresta encontrava o rio? Ou talvez eles tivessem vivido l&aacute; por algum tempo, mas tivessem deixado o local.</p>
<p> Ent&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida do por que Gandalf e Beorn decidiram levar Bilbo de volta pela borda norte de Mirkwood quando retornaram para o oeste. Havia, de fato, homens vivendo naquelas regi&otilde;es em tempos antigos, e provavelmente homens ainda habitavam l&aacute; no fim da Terceira Era, mas n&atilde;o h&aacute; indica&ccedil;&atilde;o no mapa de &quot;O Hobbit&quot; ou no texto. Parece uma decis&atilde;o muito e<br />
stranha, visto que o Rei Elfo teria assegurado a sua passagem a salvo atrav&eacute;s da floresta.</p>
<p> Voltando ao sul, n&oacute;s podemos olhar para Pelargir e perguntar que fim levou a frota de Gondor. A incurs&atilde;o de Aragorn a Umbar foi a &uacute;ltima vez que navios gondorianos se moveram contra o inimigo na Terceira Era. No tempo da Guerra do Anel, a amea&ccedil;a de Umbar e outros portos do sul era t&atilde;o grande que Denethor desejou nove d&eacute;cimos das for&ccedil;as de Gondor nas costas, protegendo-a de ataques vindos do mar. Ele teria dispensado as frotas de Gondor ap&oacute;s tornar-se Regente, talvez por ter sido Thorongil, seu rival, quem liderou o ataque contra a Cidade dos Cors&aacute;rios?</p>
<p> E por que ningu&eacute;m tentou recolonizar Eriador depois da destrui&ccedil;&atilde;o de Angmar? A presen&ccedil;a das Criaturas Tumulares em Tyrn Gorthad, as Colinas dos T&uacute;mulos, explica por que ningu&eacute;m se estabeleceu por l&aacute; novamente. Mas e quanto &agrave;s plan&iacute;cies ao sul de Vau Sarn que eram inabitadas? E ao redor das Colinas do Sul? O que impedia as pessoas de viverem l&aacute;? O que houve ao povo de Tharbad quando aquela foi finalmente abandonada? Eles rumaram para o norte, para o &Acirc;ngulo, e se uniram aos D&uacute;nedain que moravam l&aacute;? Pelo jeito, parece que os D&uacute;nedain prosperaram e tamb&eacute;m muitos deles partiram para outras partes do mundo [talvez indo para o sul, at&eacute; Gondor], ou muitos devem ter perecido nos ermos de Eriador.</p>
<p> Existem tantas perguntas sobre a Terra-m&eacute;dia que algu&eacute;m pode at&eacute; descrever um &quot;Baseado em&#8230;&quot; durante anos, propondo teorias bizarras numa tentativa de resolver tais mist&eacute;rios. Estas quest&otilde;es sem resposta nos fazem perceber a &quot;profundidade&quot; com que n&oacute;s falamos da Terra-m&eacute;dia. Elas s&atilde;o como um vislumbre de montanhas num horizonte distante, do qual nunca nos aproximaremos. As respostas est&atilde;o l&aacute;, al&eacute;m de nosso alcance, para sempre perdidas.</p>
<p> <em>Tradu&ccedil;&atilde;o de F&aacute;bio Bettega</em></div>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Todos os Dragões se Foram?</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Bettega</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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<div align="justify">Eu semprei achei que o filme &quot;Dragonslayer&quot; era um pouco tolo e lento em algumas partes mas existe uma cena memor&aacute;vel que realmente vale o filme, eu acho, para aqueles que o assistem. &Eacute; aquela onde a cabe&ccedil;a do drag&atilde;o se eleva at&eacute; o an&atilde;o, o jovem mago que na realidade n&atilde;o tem id&eacute;ia do que est&aacute; enfrentando. </div>
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<p> Eu acho quem prop&ocirc;s a cena deve ter lido Tolkien. Na hist&oacute;ria de Turin Turambar em O Silmarillion, ap&oacute;s Galurung ter destru&iacute;do Nargothrond e remeteu Turin para o norte, para Dor-lomin em uma expedi&ccedil;&atilde;o sem esperan&ccedil;as, Morwen e Nienor deixaram a seguran&ccedil;a de Doriath. Foram alcan&ccedil;adas por Mablung e uma companhia de Elfos cavaleiros que foram, apesar de tudo, persuadidos a acompanhar as mulheres at&eacute; Nargothrond.</p>
<p> L&aacute; pelo rio Narog Galurung criou uma n&eacute;voa e dispersou a companhia de Mablung. Morwen &eacute; levada para longe por seu cavalao enlouquecido e os Elfos nunca mais tiveram not&iacute;cias dela. Mas Nienor recupera seu bom senso e retorna at&eacute; o Amon Ethir, a Colina dos Espi&otilde;es, que fica diretamente a leste de Nargothrond [atravessando o rio]. &quot;<em>E olhando para o oeste,</em>&quot; &eacute; dito na hist&oacute;ria, &quot;<em>ela olhou diretamente nos olhos de Glaurung, cuja cabe&ccedil;a descansava no topo da colina.</em>&quot;</p>
<p>  Era realmente um grande drag&atilde;o.</p>
<p> Eu acho que muitos f&atilde;s poderiam dizer que drag&otilde;es e Tolkien andavam lado a lado. Tolkien definitivamente gostava de contar hist&oacute;rias de drag&otilde;es. Mesmo que surpreendentemente ele tenha nos contado apenas duas hist&oacute;rias completas sobre drag&otilde;es. Em 1954 Naomi Mitchson perguntou a Tolkien algumas quest&otilde;es sobre a Terra-m&eacute;dia ap&oacute;s ter examinado todos os por&otilde;es de O Senhor dos An&eacute;is. Na Carta 144 ele respondeu a uma pergunta sobre drag&otilde;es com:</p>
<p>  <em>Algumas respostas desgarradas. Drag&otilde;es. Eles n&atilde;o pararam; uma vez que estiveram ativos em tempos muito mais tardios, pr&oacute;ximos do nosso. Teria dito alguma coisa para sugerir o final dos drag&otilde;es? Se sim, deve ser alterado. A &uacute;nica passagem que posso lembrar &eacute; no Vol. I p. 70: &quot;n&atilde;o existe atualmente nenhum drag&atilde;o na terra cujo fogo seja quente o suficiente&quot;. Mas isso implica, eu acho, que continuam a existir drag&otilde;es, apenas n&atilde;o da estatura primordial&#8230;</em></p>
<p> O primeiro conto sobre drag&otilde;es, de Tolkien, est&aacute; perdido desde h&aacute; muito tempo atr&aacute;s, e provavelmente n&atilde;o era muito longo, de qualquer forma. Dessa hist&oacute;ria ele p&ocirc;de se lembrar apenas um detalhe, anos mais tarde, quando escreveu para W. H. Auden na Carta 163: &quot;<em>Eu tentei escrever uma hist&oacute;ria pela primeira vez quando tinha cerca de sete anos. Era sobre um drag&atilde;o. N&atilde;o me lembro de nada dela exceto um fato filol&oacute;gico. Minha m&atilde;e n&atilde;o disse nada sobre o drag&atilde;o, mas apontou que n&atilde;o se podia dizer &quot;um verde grande drag&atilde;o&quot; [&quot;a green great dragon&quot;], mas deveria se dizer &quot;uma grande drag&atilde;o verde&quot; [&quot;a great green dragon&quot;]. Eu fiquei curioso em saber porqu&ecirc;, e ainda estou.</em>&quot;</p>
<p> Quando chegou o tempo de contar a hist&oacute;ria de um Hobbit, Tolkien precisou de um monstro maior do que todos os outros monstros. Ele tinha goblins e lobos e aranhas, mas ele queria alguma coisa mais aterrorizante, mais poderoso. Ele queria um drag&atilde;o. De todas as criaturas encontradas em O Hobbit, apenas Smaug parece invenc&iacute;vel exceto pela pequena &aacute;rea sem prote&ccedil;&atilde;o em seu peito. Pode-se muito bem imaginar Beorning desafiando o drag&otilde;es em sua forma de urso apenas para terminar queimado at&eacute; torrar. Mesmo uma grande guerreiro e her&oacute;i como Beorn era, ele n&atilde;o era desafio para um drag&atilde;o.</p>
<p> Bard o Arqueiro, por outro lado, era descendente de antigos reis cujo reino foi destru&iacute;do por Smaug. O destino estava ao seu lado, e o poder de falar com os p&aacute;ssaros. Mas talvez se Bard n&atilde;o tivesse a flecha negra que chegou a ele de seus ancentrais mesmo sua habilidade e coragem poderiam n&atilde;o ser suficientes para derrotar o grande drag&atilde;o [que n&atilde;o era verde].</p>
<p> A flecha negra fora feita pelos An&otilde;es de Erebor antes de Smaug ter destru&iacute;do seu reino. Porque seria uma arma poderoso contra drag&otilde;es? An&otilde;es n&atilde;o gostavam de drag&otilde;es, e os drag&otilde;es certamente foram uma praga para os An&otilde;es. Mas a flecha era realmente um &quot;flecha mata-drag&otilde;es&quot; ou era apenas uma flecha de qualidade excepcionalmente boa?</p>
<p> O conflito entre os An&otilde;es e os Drag&otilde;es de Tolkien extende-se desde a Primeira Era. Os An&otilde;es de Nogrod e Belegost foram aliados dos Noldor contra Morgoth. Telchar de Nogrod fez um elmo moldado &agrave; imagem de Glaurung, pai dos drag&otilde;es. Este elmo foi dado a Azaghal, senhor de Belegost, que o deu a Maedhros, que o deu a Fingon, que o deu a Hador, primeiro Senhor de Dor-lomin.</p>
<p> Enquanto Hador usou o elmo-Drag&atilde;o ele foi invenc&iacute;vel em batalha. Hador poderia n&atilde;o estar usando o elmo de drag&atilde;o quendo liderou a a&ccedil;&atilde;o de retaguarda para Fingolfin logo ap&oacute;s a Dagor Bragollach. Hador e Gundor, seu filho mais novo, ca&iacute;ram ante os muros de Eithel Sirion, a mais poderosa fortaleza que protegia ums das principais passagens sobre o Ered Wethrin para Hithlum. Galdor, o Alto, filho mais velho de Hador, herdou o elmo de drag&atilde;o junto com a nobreza de seu pai, mas &quot;Narn i Hin Hurin&quot; diz que &quot;<em>por azar Galdor n&atilde;o o usava quando defendia Eithel Sirion</em>&quot;, sete anos ap&oacute;s a morte de seu pai, &quot;<em>pois o ataque foi repentino, ele correu de cabe&ccedil;a descoberta para os muros e uma flecha &oacute;rquica atingiu seu olho.</em>&quot;</p>
<p> Hurin podia usar o elmo, mas devido &agrave; sua baixa estatura ele ficava desconfort&aacute;vel com ele, ele ele preferia olhar seus inimigos diretamente nos olhos. Ent&atilde;o o elmo ficou em Hithlum quando Hurin cavalgou para lutar na Nirnaeth Arnoediad, e Morwen, sua esposa, enviou o elmo com seu filho Turin para Doriath. Quando Turin cresceu at&eacute; a idade adulta e deixou Doriath, Beleg levou a ele o elmo de drag&atilde;o e com essa heran&ccedil;a de sua casa, Turin come&ccedil;ou a granhar fama para si mesmo. Desafortunadamente, devido ao orgulho e desafio de T&uacute;rin, Morgoth lan&ccedil;ou sua vontade contra as crian&ccedil;as de H&uacute;rin, e todos os esfor&ccedil;os de Turin tornaram-se tristezas.</p>
<p> E chegou o dia em que Turin convenceu Orodreth a cavalgar para uma batalha aberta contra os ex&eacute;rcitos de Morgoth, e Glaurung destruiu Orodreth e seu povo. Quando Turin retornou a Nargothrond ele usava o elmo e Glaurung estava com medo dele. Mas o drg&atilde;o estimulou Turin a levantar o visor, e fazendo assim, exp&ocirc;s-se ao poder de Glaurung.</p>
<p> O elmo de drg&atilde;o era, portanto, um artefato muito poderoso, e como ele Turin poderia ter tido uma chance em uma batalha contra Glaurung. Ele deveria tentar isso? Mesmo Glaurung n&atilde;o podendo enfeiti&ccedil;a-lo, o drg&atilde;o teria sido t&atilde;o vulner&aacute;vel a Turin?</p>
<p> A primeira apari&ccedil;&atilde;o de Glaurung dois s&eacute;culos antes resultou em uma vit&oacute;ria para Fingon e os arqueiros &Eacute;lficos de Hithlum. Eles cavalgaram ao redor do jovem drag&atilde;o e o furaram<br />
com muitas flechas, fazendo-o recuar para Angband. Galurung saiu-se melhor na Dagor Bragollach e indubitavelmente forjou sua vingan&ccedil;a contra os Elfos com regozijo. Mas menos de uma gera&ccedil;&atilde;o depois ele liderou um grupo de drag&otilde;es contra o ex&eacute;rcito de Maedhros na Nirnaeth Arnoediad e desta vez ele foi enfrentado pelos An&otilde;es.</p>
<p> Azaghal de Belegost foi de encontro a Glaurung e o feriu, embora este feito tenha custado a vida de Azaghal. Glaurung e suas crias recuaram do campo de batalha. Quando o drag&atilde;o reapareceu mais tarde ele parecia evitar tentar esmagar guerreiros com sua barriga, como ele tentou esamagar Azaghal, que caiu por baixo dele.</p>
<p> Na confronta&ccedil;&atilde;o final de Turin com Glaurung ele causou ao drag&atilde;o um ferimento mortal de modo quase exatamente igual ao que Azaghal feriu a besta, e a espada que Turin usou fora feita por Eol, que aprendeu muito sobre forja de metais com os An&otilde;es de Nogrod e Belegost. Glaurung era esperto e cuidadoso, mas quando ele cruzou a ravina de Teiglin, ele n&atilde;o tinha a menor id&eacute;ia de que Turin o esperava logo abaixo.</p>
<p> Quando Glaurung sentiu a dor ele pulou atrav&eacute;s da ravina e arrasou o lado mais distante, expelindo chamas at&eacute; que se tornou muito fraco para continuar. A vis&atilde;o do drag&atilde;o moribundo deve ter sido aterrorizante para qualquer um pr&oacute;ximo. Turin simplesmente caminhou pela ravina e enfiou sua espada na barriga do drag&atilde;o. E mesmo assim Galurung continuo vivo, e teve for&ccedil;a suficiente para fitar os olhos de Turin novamente, e usar o restante de seu poder para sobrepujar a vontade de Turin e faz&ecirc;-lo desmaiar.</p>
<p> Matar o velho drag&atilde;o n&atilde;o foi uma tarefa f&aacute;cil, e n&atilde;o existia guerreiro maior do que Turin, em seu tempo. Ent&atilde;o Turin poderia ter realizado o feito sem o elemento surpresa? Eu acho que n&atilde;o. Simplesmente apunhalar Glaurung na barriga n&atilde;o era o suficiente. Azaghal fez isso, mas sua l&acirc;mina era muito curta. O ferimento teria que ser profundo e duvido que a maioria das armas teria penetrado t&atilde;o profundamente. Os Noldor muito provavelmente n&atilde;o tinham drag&otilde;es em mente quando faziam suas armas.</p>
<p> Os Elfos n&atilde;o se sa&iacute;ram expecialmente mal anos mais tarde quando os drg&otilde;es ajudaram a destruir a cidade de Gondolin. O povo de Turgon tinha aprendido muito de Maeglin, o filho de Eol, sobre minera&ccedil;&atilde;o e forja de metais. mas n&atilde;o quer dizer que eles tenham matado algum drag&atilde;o. Realmente levou toda uma noite para que os drag&otilde;es, orcs e Balrogs destru&iacute;ssem a maioria do povo de Turgon. Estes drag&otilde;es provavelmente n&atilde;o estavam completamente crescidos. Mas tamb&eacute;m pode ser que Gondolin simplesmente era mais bem defendida que Nargothornd, cujo ex&eacute;rcito havia perecido principalmente em campo aberto.</p>
<p> Portanto, desde a Dagor Bragollach o placar marcava drag&otilde;es 4, elfos 0, an&otilde;es 1/2. Turin continuava como o &uacute;nico indiv&iacute;duo a ter matado um drag&atilde;o at&eacute; o final da Primeira Era. Ent&atilde;o Morgoth liberou os drag&otilde;es alados contra o Ex&eacute;rcito de Valinor. Se os drag&otilde;es terrestres era formid&aacute;veis, os alados eram devastadores, e o Ex&eacute;rcito cedeu at&eacute; que Earendil e as &Aacute;guias de Manw&euml; chegaram para a batalha.</p>
<p> Tolkien n&atilde;os nos fala quanto tempo a batalha durou, mas provavelmente n&atilde;o foi curta. Muitas &Aacute;guias devem ter perecido mas tamb&eacute;m muitos drag&otilde;es, incluindo o pr&oacute;prio Ancalagon. Ancalagon aparece apenas brevemente em O Silmarillion, mas Gandalf o menciona de forma s&aacute;bia quando estava falando com Frodo. Deduzo, a partir da afirma&ccedil;&atilde;o de Gandalf, que o grande drag&atilde;o deve ter aterrorizado o Ex&eacute;rcito de Valinor por algum tempo. Ele n&atilde;o foi apenas nomeado, mas continuava sendo lembrado com um certo medo e temor cerca de 7.000 anos mais tarde.</p>
<p> Earendil deve ter tido algumas discuss&atilde;o impressionante para obter a permiss&atilde;o de Manw&euml; para liderar um contra-ataque contra os drag&otilde;es. Ele fora proibido de retornar &agrave; Terra-m&eacute;dia, e a vontade dos Valar n&atilde;o era algo f&aacute;cil de alterar. Ent&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o em Beleriand [ou no que restou dela] deve ter sido desesperada. E pode-se perguntar como Earendil podia, de qualquer forma, lutar com drag&otilde;es a partir de um barco voador? Ele tinha a Silmaril com ele, mas seria tudo? Ou ele tinha, como Bard milhares de anos depois, envergado um arco e uma flecha de grande pot&ecirc;ncia Quem poderia ter feito o arco, o pr&oacute;prio Aul&euml;?</p>
<p> A batalha de Earendil com Ancalagon durou um dia e uma noite. A luta deve ter coberto um vasto territ&oacute;rio, ent&atilde;o apenas os Valar e Maiar poderiam ser capazes de ver o conflito final. Earendil deveria ser sido um ponto brilhante no c&eacute;u, mas seu oponente deve ter feito chover fogo ao redor dele. O reprojeto Vingilot possu&iacute;a escudos multi-fase modul&aacute;veis ou algu&eacute;m o estava protegendo Earendil. Apesar de tudo, o marinheiro no c&eacute;u deve ter sido duramente pressionado na ocasi&atilde;o. Pode n&atilde;o ter sido apenas um caso de ca&ccedil;a ao drag&atilde;o, para ele. Ele deveria conduzir o navio e calcular de onde Ancalagon atacaria da pr&oacute;xima vez.</p>
<p> A batalha de Earendil com Angalagon deve ter sido a m&atilde;e de todas as lutas drag&atilde;o-her&oacute;i, e a palavras falham ao descrever adequadamente o que pode ser vislumbrado apenas pela imagina&ccedil;&atilde;o. Mas quando Ancalagon caiu e se tornou claro que tudo estava perdido, o que aconteceu aos drag&otilde;es restantes? Teriam n&atilde;o mais de dois, um macho e uma f&ecirc;mea, sobrevivido ao ataque final? E, se asim foi, porque os drag&otilde;es n&atilde;o ressurgiram na Segunda Era?</p>
<p> Aproveitando o assunto, que diabos &eacute; um drag&atilde;o frio [cold-drake]? A &uacute;nica men&ccedil;&atilde;o de um drag&atilde;o frio &eacute; um breve fato no Ap&ecirc;ndice A de O Senhor dos An&eacute;is onde Tolkien diz que um rei An&atilde;o e um de seus filhos foram mortos por um drag&atilde;o frio em frente a seus sal&otilde;es. As pessoas se perguntaram durante os anos quais seriam as diferen&ccedil;as entre um drag&atilde;o frio e um drag&atilde;o normal. Sistemas de jogos nos dizem que os drag&otilde;es frios deve ser um drag&atilde;o que lan&ccedil;a ar frio, usando gelo como arma de sofro ao inv&eacute;s de fogo.</p>
<p> N&atilde;o estou t&atilde;o certo de que Tolkien tenha previsto v&aacute;rias armas de sopro. Os drag&otilde;es frios podem simplesmente ter sido drag&otilde;es que n&atilde;o lan&ccedil;avam fogo. Embora pare&ccedil;am um pouco desapontadores, drag&otilde;es n&atilde;o precisam lan&ccedil;ar fogo para serem terr&iacute;veis e poderosos. As pessoas t&ecirc;m problemas suficientes racionalizando como Morgoth poderia ter gerado drag&otilde;es e depois drag&otilde;es alados de drag&otilde;es n&atilde;o-alados como Glaurung. Seus tamanhos massivos, a habilidade de apenas fita-lo nos olhos e mesmeriz&aacute;-lo, sua incr&iacute;vel for&ccedil;a &#8211; seriam armamentos suficientes para o t&iacute;pico drag&atilde;o faminto. Apostando em lan&ccedil;adores de gelo, drag&otilde;es de &aacute;gua, e todas as variantes do D&amp;D trivializamos os monstros da Terra-m&eacute;dia. Os drag&otilde;es de Tolkien eram criaturas que voc&ecirc; simplesmente n&atilde;o desejaria ter que lidar. Por exemplo, ningu&eacute;m parece ter matado o misterioso drag&atilde;o frio.</p>
<p> Os &uacute;nicos dois drag&otilde;es nomeados na Terceira Era foram Scatha e Smaug. Smaug, como se percebe, &eacute; retratado de forma destacada em O Hobbit. Podemos ler muito sobre ele<br />
. Scatha, por outro lado, mal merece apenas uma nota de rodap&eacute; em um ap&ecirc;ndice e um coment&aacute;rio de &Eacute;owyn no texto principal de O Senhor dos An&eacute;is. O que se passa com ele? Scatha nem mesmo entrou no c&acirc;none at&eacute; que Tolkien estivesse revisando as provas de O Senhor dos An&eacute;is. Portanto, desafortunadamente, n&atilde;o temos muita hist&oacute;ria para contar aqui.</p>
<p> Mas n&oacute;s sabemos que Fram era filho de Frumgar, que foi Frumgar quem liderou os Eotheod para o norte, no ano de 1977, para reclamar as terras lestes do que havia sido o reino de Angmar. Os Eotheod n&atilde;o deveriam saber que existiam drag&otilde;es na &aacute;rea, ou sentiriam que n&atilde;o tinha outra chance a n&atilde;o ser partir de l&aacute;. Se Frumgar era um homem no pleno vigor no ano de 1977 ent&atilde;o ele provavelmente morreu por volta do ano 2000. Mas quando Fram morreu? Minha aposta &eacute; que foi provavelmente em algum momento depois do ano 1981. Este foi o ano no qual os An&otilde;es deixaram Khazad-dum, e muitos deles fixaram-se mas Montanhas Cinzentas, que ficavam a leste das Montanhas Nebulosas.</p>
<p> Com An&otilde;es e Homens se mudando para a regi&atilde;o, e com o legado de Angmar, um punhado de drag&otilde;es do norte devem ter sido provocados. Mas porque teria havido ali apenas uns poucos drag&otilde;es? Pode-se pensar que o Rei-bruxo de Angmar desejaria manter uma ou duas ninhadas em m&atilde;o para ajudar nas guerras. Mas n&atilde;o existem men&ccedil;&otilde;es de drag&otilde;es inquietando os Dunedain em Eriador. nem sequer existia um drag&atilde;o na guerra final de Gondor e Elfos. O amor de Tolkien pelos grandes monstros parece ter sido temperado com cautela. Como as &Aacute;guias, que ele sentia que n&atilde;o deveriam ser abusados como dispositivos liter&aacute;rios, o autor parece ter se refreado de atirar um drag&atilde;o na mistura cada vez que um grande monstro era necess&aacute;rio.</p>
<p> Os drag&otilde;es podem ter sido para Melkor o que as &Aacute;guias eram para Manw&euml;: emiss&aacute;rios especiais com uma miss&atilde;o espec&iacute;fica. Mas Melkor foi removido do mundo e sua vontade maligna diminu&iacute;da. Alguns aspectos de Melkor [ou Morgoth] permaneceram em Arda, na Terra-m&eacute;dia em particular, porque ele infundiu uma parte de sua for&ccedil;a, seu esp&iacute;rito, porto todo o mundo e suas criaturas. Drag&otilde;es, em particular, devem ter tido uma grande parte de seus esp&iacute;rito maligno. Isto faria deles criaturas &quot;m&aacute;gicas&quot; e bastante poderosas [bem como totalmente malignas - ent&atilde;o n&atilde;o existe esperan&ccedil;a de encontrar um drag&atilde;o bom na Terra-m&eacute;dia]. Tolkien parece relembrar isso em &quot;Narn i Hin Hurin&quot;:</p>
<p> Embora andando por suposi&ccedil;&atilde;o [Nienor] encontrou a colina [de Amon Ethir], que estava de fato bem pr&oacute;xima, pela eleva&ccedil;&atilde;o do terreno aos seus p&eacute;s; e lentamente ele escalou o caminho que conduzia para cima, a partir do leste. Enquanto subia a n&eacute;voa tornava-se mais fina, at&eacute; que ela finalmente pode sair dela para a luz do sol no pico nu. Ent&atilde;o ela adiantou-se e olhou para o oeste. E l&aacute; logo na frente dela estava a cabe&ccedil;a de Galurung, que havia se arrastado para cima pelo outro lado; e antes dela estar ciente de ter olhado em seus olhos, que eram terr&iacute;veis, sendo preenchidos com o cruel esp&iacute;rito de Morgoth, seu mestre.</p>
<p>  Quando Turin pediu aos Homens de Brethil que o ajudassem na luta contra o drag&atilde;o ele disse: &quot;<em>Eu conhe&ccedil;o algo sobre ele. Seu poder est&aacute; especialmente no esp&iacute;rito maligno que reside nele do que em seu corpo, embora grande ele seja.</em>&quot; Eu por muito tempo pensei no que essas passagens poderiam significar. Morgoth teria aprisionado ou embutido algum esp&iacute;rito no corpo do drag&atilde;o? Se sim, de onde ele veio? Apenas Iluvatar poderia criar um esp&iacute;rito, e Tolkien era preocupado com a id&eacute;ia de que Iluvatar poderia criar alguma coisa que ele sabia que se voltaria para o mal, que deveria se tornar maligno. Claro, Iluvatar deveria saber que Melkor eventualmente se tornaria maligno. Ent&atilde;o, de alguma forma &eacute; razo&aacute;vel dizer que se existe liberdade de escolha para o esp&iacute;rito, ent&atilde;o Iluvatar poderia cri&aacute;-lo. Mas existe liberdade de escolha para monstros como os drag&otilde;es?</p>
<p> Uma explica&ccedil;&atilde;o alternativa destas passagen &eacute; mais simples: o esp&iacute;rito mencionado &eacute; literalmente o esp&iacute;rito de Morgoth. N&atilde;o a vontade prim&aacute;ria de Morgoth, sua aten&ccedil;&atilde;o ou consci&ecirc;ncia, se desejar, mas simplesmente uma parte de seu poder, sua for&ccedil;a. O Um Anel proporciona um exemplo de como, quando o poder de um grande ser &eacute; parcialmente externalizado, a coisa parece ter uma vontade e cosci&ecirc;ncia como se fosse pr&oacute;pia. O Um Anel tentava retornar para Sauron, e de muitas maneiras ele tentava corromper e controlar aqueles que o usavam, ou aqueles que potencialmente poderiam tom&aacute;-lo e us&aacute;-lo. Atrav&eacute;s dos anos muitas pessoas tentaram racionalizar como este Anel poderia agir por si mesmo se ele n&atilde;o era de fato um objeto consciente. Analogias com computadores foram formuladas, mas eu acho que tais analogias n&atilde;o entendem bem o ponto.</p>
<p> A energia primordial de um esp&iacute;rito Ainu &eacute; uma for&ccedil;a encarnada. Il&uacute;vatar deu vontade a estas for&ccedil;as, mas as vontades era apenas aspectos. Um esp&iacute;rito &eacute; uma coisa em si mesmo, mas Melkor e Sauron mostraram que eles podiam difundir seus esp&iacute;ritos, dividir suas ess&ecirc;ncias entre m&uacute;ltiplas cascas f&iacute;sicas. Sauron p&ocirc;s uma grande parte de si no Anel, mas ele permaneceu em sua forma encarnada, seu corpo. Era no corpo que ele continua residindo. E mesmo assim Sauron era capaz de perceber eventos e seres atrav&eacute;s do Anel, mesmo que de uma forma grosseira. Quando Frodo pos o Anel e usou a Alto Trono no Amon Hen, ele olhou para Barad-dur na vis&atilde;o que se estendeu ante ele e Sauron ficou consciente dele instantaneamente. Tolkien registra que Sauron estava ligado ao Anel enquanto este existisse, mas ele n&atilde;o estava em comunica&ccedil;&atilde;o com ele. Ser separado do Anel seria como ter um bra&ccedil;o dormente, talvez, embora continuemos a sentir formigamento nos dedos &#8211; mesmo na escurid&atilde;o da noite &#8211; n&atilde;o podemos ter certeza de onde o m&atilde;o est&aacute;.</p>
<p> Em &quot;Myths Transformed&quot; explica este processo com mais detalhes, em um ensaio que explora a natureza dos Valar e Ainur em geral:</p>
<p>  <em>Melkor &quot;encarnou&quot; a si pr&oacute;prio [como Morgoth] permanentemente. Ele assim o fez para controlar o hroa, a &quot;carne&quot; ou mat&eacute;ria f&iacute;sica, de Arda. Ele tentou identificar-se com ele. Um procedimento mais vasto e mais perigoso, embora de similar esp&eacute;cie &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de Sauron com os An&eacute;is. Portanto, fora do Reino Aben&ccedil;oado, toda &quot;mat&eacute;ria&quot; provavelmente possui um &quot;ingrediente Melkor&quot;, e aqueles que possuem corpos, nutridos pelo hroa de Arda, possui como que uma tend&ecirc;ncia, maior ou menor, em dire&ccedil;&atilde;o a Melkor: n&atilde;o existe nenhum deles totalmente livre em suas formas encarnadas, e seus corpos possuem um efeito sobre seus esp&iacute;ritos.</em><br /> <em> </em><br /> <em> </em><br />  Tolkien, mais al&eacute;m, explica que:</p>
<p>  <em>&#8230;Al&eacute;m disso, a erradica&ccedil;&atilde;o final de Sauron [como um poder direcionando o mal] foi alcan&ccedil;ada pela destrui&ccedil;&atilde;o do Anel. Tal erradica&ccedil;&atilde;o de Morgoth n&atilde;o era poss&iacute;vel, uma vez que seria necess&aacute;rio a completa desintegra&ccedil;&atilde;o da &quot;mat&eacute;ria&quot; de Arda. O<br />
 poder de Sauron n&atilde;o estava [por exemplo] no outo como tal, mas em um aspecto ou forma particular de uma por&ccedil;&atilde;o particular do ouro total. O poder de Morgoth estava disseminado atrav&eacute;s de todo o Ouro, se em nenhuma parte absoluto [pois ele n&atilde;o criara o Ouro] em nenhuma parte estava ausente. [Era este elemento Morgoth na mat&eacute;ria, de fato, que era o pr&eacute;-requisito para a &quot;m&aacute;gica&quot; e outras perversidades que Sauron praticou com ele e sobre ele.]</em></p>
<p> Drag&otilde;es t&ecirc;m uma afinidade por ouro. Eles gostam de reuni-lo em um grande monte e deitar sobre ele. A justificativa de Tolkien poderia ser que que eles eram, dessa forma, nutridos pelo elemento Morgoth que est&aacute; presente no ouro, uma vez que ele &eacute; realmente mais forte no ouro do que em outras subst&acirc;ncias [como prata e &aacute;gua]. Isto poderia explicar como drag&otilde;es eram capazes de persistir por grandes per&iacute;odos de tempo sem comer nada. O ouro os sustentava, e &eacute; t&atilde;o importante para eles como comida seria para um homem faminto em uma olha deserta. Poderia tamb&eacute;m explicar porque os drag&otilde;es experimentaram um per&iacute;odo de decl&iacute;nio. Seus poderes seriam diminu&iacute;dos sem Morgoth para control&aacute;-los, e at&eacute; que pudessem acumular novos tesouros eles estariam muito fracos.</p>
<p> Pode ser que os drag&otilde;es, quando fugiram de Beleriand, tiveram de fugir para as vastid&otilde;es norte porque eles estavam simplesmente muito fracos para lidar com An&otilde;es, Elfos e Homens. Eles tinham se exaurido no suporte a Morgoth e sobreviveram com dificuldade. E uma depend&ecirc;ncia por ouro e pelo esp&iacute;rito de Morgoth pode explicar porque aparentemente existiam t&atilde;o poucos drag&otilde;es at&eacute; perto do final da Terceira Era. Eles poderiam precisar de ouro para procriar. Morgoth certamente n&atilde;o deveria carecer de ouro em Angband, onde ele poderia minar as profundezas da terra por quaisquer minerais e metais que desejasse. E como os tesouros &Eacute;lficos eram levados para ele, Morgoth seria capaz de gerar ainda mais drag&otilde;es, maiores e mais poderosos do que as primeiras gera&ccedil;&otilde;es.</p>
<p> Drag&otilde;es seriam, dessa forma, essencialmente artefatos vivos. Especula-se como Morgoth poderia criar drag&otilde;es. Isto &eacute;, que criaturas ele teria unido em um programa controlado de procria&ccedil;&atilde;o para produzir drag&otilde;es? Eu n&atilde;o acho que era isso que Tolkien intencionava, tampouco. Particularmente pode ser que ele anteviu Morgoth iniciando com poucas criaturas, digamos lagartos ou cobras, exercendo sua vontade sobre seus corpos. Seu objetivo poderia ter sido produzir uma prole que seriam os drag&otilde;es. Glaurung era, ent&atilde;o, um experimento, um prot&oacute;tipo, e Ancalagon era o modelo de produ&ccedil;&atilde;o final. Cada ninhada de drag&otilde;es ent&atilde;o produzidos teria sido imbu&iacute;da com parte do poder de Morgoth. Eles tinham &quot;vontades&quot;, mas n&atilde;o necessariamente vontades independentes. Eles eram mais do que fantoches mas menos do que criaturas verdadeiramente sencientes.</p>
<p> Sem a ajuda de interven&ccedil;&atilde;o direta de Morgoth, a procria&ccedil;&atilde;o para os drag&otilde;es pode ter se tornado uma tarefa grande e onerosa. De fato, deixados por si mesmos, os drag&otilde;es parecem ter sido menos eficientes do que quando liderando os ex&eacute;rcitos de Morgoth. Glaurung levou um longo tempo para fazer seu caminho de Nargothrond para Brethil. Ele aparentemente queimou um caminho atrav&eacute;s da paisagem, queimando &aacute;rvores e tudo mais, de vez em quando deitando e dormindo. A turbul&ecirc;ncia de fogo poderia ser apenas uma express&atilde;o da mal&iacute;cia do drag&atilde;o, ainda que isto provavelmente asseguraria que ningu&eacute;m permaneceria por perto para perturb&aacute;-lo durante as sonecas. Mas deve ter representado um incr&iacute;vel gasto de energia. Em &quot;Narn i Hin Hurin&quot;, Glaurung envia um ex&eacute;rcito para atacar Brethil e Turin destr&oacute;i o ex&eacute;rcito. O drag&atilde;o aguardou v&aacute;rios meses antes de se movimentar contra os homens da floresta pessoalmente. Ele poderia estar recarregando as baterias, por assim dizer, construindo suas reservas de energia.</p>
<p> Tal limita&ccedil;&atilde;o torna os drag&otilde;es incapazes de tomar o mundo sem um grande poder por detr&aacute;s deles. E tamb&eacute;m torna poss&iacute;vel que pessoas vivam relativamente pr&oacute;ximo aos drag&otilde;es [como os Homens do Lago Comprido e os Elfos de Mirkwood Norte] sem ter que procurar prote&ccedil;&atilde;o a cada dia. Os drag&otilde;es, enquanto n&atilde;o fossem perturbados, poderiam sustentar-se em seus tesouros dourados at&eacute; que fossem movidos &agrave; a&ccedil;&atilde;o por algum motivo. Eles deveriam ter pouco instinto de reprodu&ccedil;&atilde;o, e talvez existisse um conflito entre a necessidade de reproduzir e a de simplesmente existir. Um drag&atilde;o que tivesse uma cria poderia enfraquecer a si mesmo, talvez at&eacute; mesmo morrer, a menos que tivesse um tesouro de ouro muito muito grande. Smaug parece ter sido o maior e mais bem sucedido drag&atilde;o de sua gera&ccedil;&atilde;o. Mas se os tesouros de Erebor e Valle eram mais vastos do que qualquer coisa que sua esp&eacute;cie tenha acumulado desde o final da Primeira Era, ele pode ter ficado de certo modo embriagado com o poder, muito confuso para procurar uma parceira.</p>
<p> Uma deped&ecirc;ncia pelo ouro e a for&ccedil;a de sobrepujar todas menos a mais poderosas das vontades tamb&eacute;m explica porque o Rei-Bruxo de Angmar seria incapaz de controlar ou criar drag&otilde;es. Ele poderia simplesmente ser muito fraco para executar a tarefa. Sauron poderia ter sido capaz de exercer sua vontade plena e tomar controle dos drag&otilde;es. Gandalf certamente temia muito isto de acordo com Tolkien, mas Sauron aparentemente recobrou quase toda a sua for&ccedil;a perto do final da Terceira Era [menos a por&ccedil;&atilde;o armazenada no Anel]. Quando Angmar surgiu por volta do ano 1300, Sauron continuava fraco e se escondendo em Mirkwood. Ele poderia n&atilde;o ser capaz de lidar com os drag&otilde;es at&eacute; muito mais tarde.</p>
<p> Mas o ressurgimento dos drag&otilde;es no norte no s&eacute;culo 26 pode ter sido uma indica&ccedil;&atilde;o de que Sauron estava fazendo alguma coisa com eles. Ele retornou a Dol Guldur em 2460 &quot;pode poder aumentado&quot;, de acordo com o Conto dos Anos no Ap&ecirc;ndice B de o Senhor dos An&eacute;is. Os drag&otilde;es reapareceram no norte por volta do ano 2570. Coincid&ecirc;ncia? Sauron certamente poderia ter arranjado para os drag&otilde;es alguns poucos carregamentos de ouro. De fato, ele poderia ter come&ccedil;ado a trabalhar em um programa de cria&ccedil;&atilde;o de drag&otilde;es logo ap&oacute;s ter deixado Dol Guldur em 2063 em prepara&ccedil;&atilde;o para seu eventual retorno.</p>
<p> Ent&atilde;o parece que a hist&oacute;ria de Scatha foi um pouco casual. Os drag&otilde;es seriam incapazes de causar destrui&ccedil;&atilde;o entre os povos do norte at&eacute; que os An&otilde;es come&ccedil;aram a se fixar em grandes n&uacute;meros nas Montanhas Cinzentas. Alguma col&ocirc;nia de An&otilde;es pode ter acordado Scatha e ele os matou, tomando seu tesouro. Uns poucos sobreviventes podem ter espalhado a hist&oacute;ria de que um drag&atilde;o estaria vivendo nas montanhas. Ent&atilde;o, o que trouxe Fram para a hist&oacute;ria? Teria ele partido para matar o drag&atilde;o esperando ficar com o tesouro? Isto parece t&atilde;o estranho para os her&oacute;icos Rohirrim e seus ancestrais, os Eotheod que ajudaram Gondor. Fram pode ter sido um homem orgulhoso e arrogante, com pouco amor pelos An&otilde;es, mas eu acho que n&atilde;o seria caracter&iacute;stico dele ser &aacute;vido e pretencioso o suficiente para ir &agrave; ca&ccedil;a de drag&atilde;o. Scatha deve<br />
ter parecido uma amea&ccedil;a real aos Eotheod.</p>
<p> Se, abastecido por um pequeno tesouro de An&otilde;es, Scatha decidiu procurar sua sorte no mundo, ele poderia ter entrado em conflito com os Eotheod. Como um Senhor, Fram deveria ter que tomar uma a&ccedil;&atilde;o contra o lagarto, assim como Turin fez contra Glaurung na Primeira Era e Bard faria mais tarde contra Smaug. Homens bravos n&atilde;o saem procurando drag&otilde;es a menos que sejam tolos ou desesperados. Scatha era chamado de &quot;o grande drag&atilde;o das Ered Mithrin&quot;, ent&atilde;o ele deve ter sido o mais poderoso dos drag&otilde;es de seu tempo. Se ele acumulou um tesouro e ficou mais forte com ele, sua mal&iacute;cia pode t&ecirc;-lo levado a um alcance cada vez maior.</p>
<p> A aventura de Fram pode ter sido similar &agrave; de Turin. Ele poderia ter recrutado uns poucos bravos companheiros para ajud&aacute;-lo a ca&ccedil;ar o drag&atilde;o. Talvez tenha havido mais de um encontro. Pode ter ficado apenas entre Scatha e Fram no final, tendo os companheiros de Fram morrido ou fugido em terror. Fram deve ter planejado algumas formas de matar o drag&atilde;o, mais provavelmente perfurando-o por baixo. O confronto final deve ter sido uma batalha corajosa, de consequ&ecirc;ncias incertas. As montanhas devem ter ecoado com os urros do drag&atilde;o, e a noite deve ter se acendido por milhas ao redor com as chamas do drag&atilde;o. Os Eotheod podem ter se aconchegado em suas casas e cantados can&ccedil;&otilde;es para acalmar seus filhos. Os An&otilde;es teriam posto de lado seus martelos e harpas, e escutado a rocha de seus sal&otilde;es ressoar com o som do homem confrontando o drag&atilde;o.</p>
<p>  Ao final Fram derrotou o drag&atilde;o, e viveu para ostentar o feito. E Tolkien escreveu que &quot;<em>as terras do norte ficaram em paz das grandes lagartos ap&oacute;s isto</em>&quot;. Os drag&otilde;es devem ter sofrido um golpe devastador com a perda de Scatha. Como quando Azaghal feriu Glaurung e os drag&otilde;es recuaram para Angband com medo, assim os grandes lagartos devem ter voltado para a Urze Seca al&eacute;m das montanhas. Seria medo a &uacute;nica raz&atilde;o de evitarem os Homens? Ou seria o fato de que Scatha possu&iacute;a o maior poder, e com sua morte aquele poder foi perdido para os drag&otilde;es? Poderiam eles dividir for&ccedil;as para sobreviver, e se um drag&atilde;o morria longe dos outros eles se tornavam mais fracos?</p>
<p> A partida de Smaug do norte pode explicar porque os drag&otilde;es tornaram-se uma amea&ccedil;a menor e n&atilde;o maior. Enquanto estavam juntos eles eram fortes. Mas quando o mais forte dentre eles partiu, seu total de for&ccedil;a deve ter diminu&iacute;do. Sua for&ccedil;a soletiva tinha sido sustentada e nutrida por longos s&eacute;culos de ac&uacute;mulo e roubo de ouro dos An&otilde;es. Os An&otilde;es estiveram fugindo das montanhas por gera&ccedil;&otilde;es, de qualquer forma. Qual o sentido de permanecer em uma terra onde &eacute; prov&aacute;vel que voc&ecirc; seja assasinado por um drag&atilde;o? Se n&oacute;s supusermos que Sauron estava por tr&aacute;s do ressurgimento dos drag&otilde;es, ent&atilde;o ele deve ter fica satisfeito com a conquista de valle e Erebor por Smaug. E como consequ&ecirc;ncia da morte de Smaug teria havido a perda de grande parte do poder-drag&atilde;o do norte.</p>
<p> &Eacute; dito que quando Augustus Cesar soube que Quintillius Varus tinha sido derrotado pelos Alem&atilde;es em Teutoberg Wald, e que tr&ecirc;s legi&otilde;es romans foram massacradas, Augustus irrompeu pelo pal&aacute;cio gritando &quot;<em>Varus! Devolva minhas legi&otilde;es!</em>&quot; Sauron pode ter sentido raiva e desespero similares quando soube da morte de Smaug. Ele n&atilde;o necessariamente tinha imbu&iacute;do nos drag&otilde;es alguma parte de sua for&ccedil;a [a qual, sem o Anel, era preciosa e pouca]. Mas ele poderia ter gastado uma grande quantidade de recursos nutrindo-os. Tal retrocesso pode ter mudado radicalmente os planos de Sauron. Sua esperan&ccedil;a de enviar tropas inrrompendo atrav&eacute;s do norte do munto teria diminu&iacute;do.</p>
<p> A vit&oacute;ria sobre Smaug, portanto, anunciava algo mais do que a chance de restaura&ccedil;&atilde;o dos An&otilde;es Barbalongas &agrave; sua gl&oacute;ria anterior. Assinalava a &uacute;ltima vez na qual os drag&otilde;es poderiam estar em alian&ccedil;a com um poder encarnado maior do que si mesmos. Sauron vou vencido menos de 100 anos mais tarde, e embora os drag&otilde;es tenha sobrevivido sem ele eles estavam completamente por si mesmos. Ele podem ter come&ccedil;ado o longo e lento processo de reconstruir suas for&ccedil;as sem ajuda. Mas eles nunca produziram novamente um Smaug ou Scatha, ou qualquer lagarto capaz de destruir um reino inteiro. No m&aacute;ximo eles podiam aterrorizr o campo ou assustar pequenas tribos. E eles estariam sem um prop&oacute;sito real. Embora alguma coisa da vontade de Morgoth tenha sobrevivido neles, n&atilde;o exestiria dire&ccedil;&atilde;o externa atrav&eacute;s de poderes como Sauron e n&atilde;o existia harmonia ou um senso real de comunidade entre eles.</p>
<p> Os dias dos drag&otilde;es estariam ent&atilde;o contados, e eventualmente se tornaria poss&iacute;vel para os homens ca&ccedil;&aacute;-los e pegar seus tesouros. E estando sem tesouros eles eventualmente dormiriam para nunca acordar, e as &uacute;ltimas criaturas encantadas de Morgoth estariam restritas a um passado distante, folclore e lendas.  </div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Cuidado com o Padeiro na Cozinha!</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michael Martinez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>
		<category><![CDATA[Orcs]]></category>

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Sem artigos relacionados.]]></description>
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<p class="CorpoTexto" style="text-align: justify;">Não há nada como um bom vilão de Tolkien e, desafortunadamente, há tão poucos deles. Agora, antes que me enforquem, deixe-me explicar porque eu acho que Tolkien intencionalmente manteve seus bons vilões a um mínimo. Povos realmente malignos eram raros porque eles estariam corrompendo e manipulando todos os demais em direção ao mal. Nem Melkor nem Sauron iriam tolerar um Senhor do Escuro rival. Quase todos os outros caras eram apenas seus servos. É debatível se o Balrog de Moria estaria realmente servindo a Sauron na Terceira Era.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">Mas o mal de Tolkien é diferente do mal da maioria das histórias. Ele não está focalizado no mal em seres humanos. Ele está focalizado no mal externo, o qual ele chama algumas vezes de Mal Encarnado. Quase pode-se ouvir estas palavras reverberando quando ele as fala. Trovões ressoariam nos céus, e nuvens bloqueariam o sol. Melkor e Sauron podem ter sido bons no início, mas eles percorreram aquele caminho sombrio que existe à frente de todos. Oras! Melkor abriu o caminho e Sauron o ampliou.</div>
<p style="text-align: justify;">Existe mal humano na Terra-média: ambição, avareza, orgulho e assim por diante. Reis e heróis podem facilmente enlouquecer e deixar o caminho da Bondade e Luz. Tolkien produz sua tragédia a partir deste personagens humanos. Mas nem Melkor nem Sauron são trágicos, embora pudessem ser. Isto é, não existe retorno para a queda destes dois seres anteriormente notáveis e impressionantes. Eles eram Ainur, anjos, filhos do pensamento de Ilúvatar antes de existir um Tempo, antes dos Filhos de Ilúvatar terem sido trazidos à existência. Eles nem sempre foram da escuridão, antigamente eram da luz. E mesmo assim as escolhas que eles fizeram conduziram-nos à destruição. Suas corrupções não possuíam uma conclusão decidida de antemão.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, não há mal menor em Tolkien. Ninguém fica louco em sua vila e envenena o pão, por assim dizer, em um pequeno ato de vingança por zombarias e insultos. Todos os atos de maldade são universalmente desprezados. As pessoas possuem um senso do que é certo e do que é errado, e elas geralmente tentam viver por ele. Exceto por &#8220;aqueles outros caras&#8221;, os inimigos. Em cada guerra, os vencedores sãos os bons rapazes em sua própria visão. Então os seguidores de Sauron sem dúvida aproveitaram o sucesso que experimentaram porque estavam do lado certo. Eram os malignos Elfos e tirânicos Dunedain que precisariam ser destruídos.</p>
<p style="text-align: justify;">De outra forma, alguém pode apressar-se em apontar, quem poderia pensar que os Orcs são &#8220;gente boa&#8221;? Mesmo os Orcs pareciam desprezar a si mesmos. Sim e não. Nós definimos bem e mal pelo valores que nos são ensinados ou com os quais crescemos. Os Orcs foram corrompidos. O que eles poderiam considerar bom não necessariamente faria sentido para nós, mas faria sentido para eles. &#8220;Quais são as melhores coisas da vida?&#8221; &#8220;Esmagar seus inimigos. Vê-los correr de você. Ouvir a lamentação de suas mulheres&#8221;. Não é exatamente um diálogo clássico de Tolkien, mas reflete os valores dos guerreiros na imaginação de algumas pessoas. [Nota do Tradutor: apesar de Martinez não citar a fonte, é um diálogo do filme "Conan"]</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, no sentido do que é o melhor para a comunidade, também existia entre os Orcs. Aragorn apontou que eles poderiam viajar grandes distâncias para vingar um capitão assassinado. Porque? O Orc estava morto, apesar de tudo, certo? O que existia para que os Orcs sobreviventes arriscassem suas vidas tentando se vingar de alguém que matou seu capitão o qual eles provavelmente odiavam? Orgulho. Mas não apenas orgulho. Eles deveriam ter um senso de bando, um sentimento tribal que daria suporte a todos os inevitáveis abusos. O rosnar e lutar e resmungar eram parte de seu sistema social de bando. Galinhas determinam uma hierarquia social e também os Orcs. Este é simplesmentemente o modo como as coisas são. E daí se o principal Orcs matou outros cinco chefes Orc para tomar o poder da tribo?</p>
<p style="text-align: justify;">Os Orcs eram leais a seus mestres. Eles lutavam e morriam aos milhares por Melkor, Sauron e Saruman. Muitos deles devem ter perdido suas vontades próprias, mas mesmo Melkor [Tolkien fala isso em um de seus ensaios] não poderia controlar diretamente todos eles. Eles odiavam seus mestres mas os temiam. E mais, alguns dos Orcs pareciam ter orgulho de seus serviços. Shagrat, por exemplo, estava ferozmente determinado em ver Frodo entregue a Barad-dur. Porque? Gorbag e seus rapazes não pareciam tão determinados. Mesmo quando foi falado a Shagrat que um guerreiro Élfico havia ultrapassado suas defesas, ele insistia em enviar o prisioneiro para Lugburz [embora ao final apenas a cota de mithril de Frodo tenha sido levada]. Shagrat era um &#8220;bom Orc&#8221;. Ele seria o tipo de Orc que você gostaria de ter a seus serviço se você controlasse orcs. Gorbag não era assim tão bom.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas isso não quer dizer que os valores dos Orcs estariam lado a lado com o dos Elfos e Dunedain. Os Orcs viviam suas vidas de acordo com a vontade de seus mestres. Eles poderiam não saber que existia um padrão absoluto de bem e mal, derivados, em última instância, dos valores de Ilúvatar. Seriam os valores Dele que prevaleceriam sobre todos, e eles poderiam não necessariamente coincidir com o de Elfos e Homens. Ilúvatar, por exemplo, permitia ao mal existir. Porque? Esta é a mesma questão feita pela comunidade Judaica-Cristã há muito tempo. Porque Deus permite ao mal existir?</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta do Novo Testamente é que, se Deus fosse acabar com o mal hoje, então quase todos no mundo iriam perecer. Ele adia seu julgamento para dar às pessoas tanto tempo quanto Ele achar razoável para que reflitam sobre seus pecados e se afastem deles. Os propósitos de Ilúvatar não são tão claramente explicados. De fato, Tolkien estava perturbado pelas implicações de se extender aquele princípio a Ilúvatar. Ele reconhecia que os Orcs eram seres racionais encarnados, como Homens e Elfos, então Ilúvatar estaria criando espíritos que estariam condenados a liver vidas malignas. Porque Ilúvatar faria isso? Não eram tanto a predestinação quanto as circunstâncias que fariam o destino dos Orcs.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta transtornou Tolkien. Ele decidiu apenas que Ilúvatar sabia o que estava fazendo, mas se os Orcs eram seres racionais encarnados, de alguma forma serviam aos propósitos de Iluvatar. Pode-se facilmente perguntar, contudo, porque Ilúvatar permitiria que um filho nascesse para crescer e se tornar Ar-Pharazon. Qual é a diferença entre o Rei de Numenor que se tornou maligno e os Orcs que foram criados malignos, exceto que aos Orcs não é dada escolha? Gandalf parece estar falando dos Orcs quando diz a Denethor, &#8220;<em>E eu, tenho piedade até de seus [de Sauron] escravos</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">O mal existia nos dois lados da guerra. Então mal não era<br />
realmente sobre &#8220;nós&#8221; e &#8220;eles&#8221;. É sobre as escolhas feitas dentro dos limites da vida de cada um. Uma escolha órquica de armar emboscadas e roubar pessoas é maligna. Sauron provavelmente não permitia assaltos nas estradas de seu reino. Todos os bens pertenciam a ele e servia a suas necessidades. Coitado do Orc que roubasse uma de suas caravanas de suprimento!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se o mal pode ser encontrado em todo lugar, também é assim com o bem? Esta questão é mais difícil de responder. Os Orcs, em sua maioria, agiam em conformidade com as leis de Sauron. Eles o temiam e temiam a consequencias da desobediência. Mas um Orc cumpridor das leis seria &#8220;bom&#8221;? Vejamos de outra forma, um Homem vivendo sob o governo de Sauron [muitos viviam] e agindo da mesma forma que os Orcs seria menos maligno por ser um Homem? Seria melhor? Eu acho que não. Ele teria a vantagem da casta, talvez, mas apenas se os Homens em geral fossem tratados melhor que os Orcs, por Sauron. Pode ser que os Orcs tivessem um tratamento melhor [mas provavelmente todo mundo era mal tratado da mesma forma].</p>
<p style="text-align: justify;">Saruman tentou colocar-se como um novo senhor escuro, e ele representa o que Sauron deve ter atingido num estágio bem anterior, antes da Guerra entre Elfos e Sauron. Sauron teve que começar como um Maia solitário em algum momento da Segunda Era. Deve ter levado bastante tempo para acumular seguidores e escravos. E até que se fixasse em Mordor, muito depois de fazer o Um Anel, quão efetivo era seu controle sobre outras criaturas? Quantas outras criaturas ele era capaz de subjugar sob sua vontade?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Sauron começou a dominar os antigos servos de Melkor, ele deveria ser apenas um pouco pior que uma padeiro furioso. Isto é, seus pecados na Primeira Era foram, sem dúvida, numerosos, mas ele desitiu por um tempo. Um longo tempo. Pode ter levado séculos até que Sauron retornasse a seus desígnios malignos. Teria sido apenas um simples momento de fúria que levou-o a retornar ao mal e à escuridão? Teria sido assim que Saruman começou a trilhar o caminho?</p>
<p style="text-align: justify;">A busca pelo mal na Terra-média é quase tão longa como a busca por redenção, aparentemente. Melkor esteve dividido durante o Ainulindale e aparentemente irritou Iluvatar, mas ele foi realmente mau? Quando Melkor entrou em Ea com os outros Valar, ele parece ter trabalhado bastante para ajudá-los a dar forma e substância ao universo. Não existiu nenhuma briga real até que começaram a trabalhar na região que seria conhecida como Arda. Então ele a clamou para si mesmo, ação à qual ele nào tinha direito. Quão longas foram as incontáveis Eras das Estrelas nas quais Melkor [e Sauron, e todos os outros Maiar não nomeados que eventualmente seguiram Melkor ao mal] ainda não tinha se tornado maligno?</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma escala menor, quanto tempo levou para os Noldor cairem nas mãos do mal? Eles não eram malignos quando alcançaram Aman. Eles ainda não tinham sucumbido ao pecado do orgulho ao qual Melkor os induziu após ser libertado. Eles não continuavam essencialmente um povo bom no dia em que Melkor foi solto de Mandos? Como aquele dia deve ter sido? E se Fëanor, que colocou-se à parte da Casa de seu pai, já estivesse sucumbindo ao orgulho [que foi sua queda] Melkor teria sentindo a marca de outro mal em Valinor?</p>
<p style="text-align: justify;">Passou-se um longo tempo antes que Melkor de fato atingisse alguma coisa no sentido de corromper os Noldor. E embora Fëanor tenha rejeitado Melkor, os Valar acreditavam que Melkor fora de alguma forma responsável pelo temperamento de Fëanor. Se Melkor não tivesse destruído as Duas Árvores, além de Finwë, Fëanor poderia ter sido um pouco rude, mas ele não teria ultrapassado o limite. Mas fica claro que, quando ele subiu a colina de Tuna em desafio aos Valar e falou a seu povo, Fëanor tinha finalmente cruzado a linha, e os Noldor logo o seguiriam.</p>
<p style="text-align: justify;">É difícil imaginar como os Noldor lentamente caíram pelo pecado do orgulho. Eles tornaram-se arrogantes e abertamente desconfiados uns dos outros. Devem ter havido argumentos e disputas , mas aparentemente nada chegou a brigas e espadas. Os padeiros ocasionalmente furam os bolos dos outros? Qual seria a tendência de um povo que poderia ser tão facilmente [aparentemente] dirigidos contra seus vizinhos [os Teleri de Alqualonde]? Como aconteceu isso, quando Fëanor ordenou a seu povo que roubasse os navios dos Teleri, ninguém perguntou porque Deus precisaria de uma espaçonave [ou, mais apropriadamente, porque Fëanor pensava que tinha o direito de tomar os navios]?</p>
<p style="text-align: justify;">Seria muito tarde para divergências nas fileiras? Mesmo o bem intencionado Fingon foi correndo à batalha sem conhecer as causas justas e injustas dos combatentes e mesmo procurar conhecê-las. Seu ataque irresponsável e precipitado, originado da lealdade, parece ter condenado todo o seu povo. O que teria acontecido se Fingon primeiro tivesse perguntado o que estava acontecendo? O que aconteceria se ele tivesse se recusado a apoiar o roubo dos barcos por Fëanor? Teriam ainda os Noldor se lançado ao exílio ou apenas uma pequena fração do povo seria condenada?</p>
<p style="text-align: justify;">O caminho para a escuridão parece ter muitas armadilhas, mas também existem algumas interrupções. Existem pontos onde pode-se avaliar o que foi feito e voltar atrás. A redenção de Boromir é um exemplo de como alguém poderia começar a trilha o caminho da escuridão mas não fazer a jornada completa. Ele continuou tendo que pagar com a vida por tentar se apoderar do Anel, mas sua morte foi uma morte nobre. Ele sacrificou-se tentando salvar seus dois companheiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz-se que mesmo Ar-Pharazon hesitou quando Sauron encorajou-o a cortar a Árvore Branca de Númenor. Foi o valente esforço de Isilidur em salvar a fruta antes da Árvore ser destruída que finalmente empurrou Ar-Pharazon para além dos limites. Pode ser afirmado que, mesmo Isildur não fazendo nada, o rei eventualmente concordaria com a sugestão de Sauron. Sauron não demonstrava piedade em seus esforços para corromper e destruir os Numenorianos. Em todo caso, a ação de Isildur estimulou a reação de Ar-Pharazon, e Ar-Pharazon retomou sua jornada na escuridão.</p>
<p style="text-align: justify;">Earnur, o último Rei de Gondor da Linha de Anárion, não tornou-se exatamente mau, mas sucumbiu ao orgulho. E também sua queda foi atrasada. Na primeira vez que o Senhor dos Nazgul lançou um desafio ao rei, o Regente Mardil foi capaz de conter Earnur. Earnur teve uma pausa, mas a certa hora ele retomou seu percurso de auto-destruição. Ele respondeu ao segundo desafio.</p>
<p style="text-align: justify;">Não era fácil para alguém tornar-se maligno, na Terra-média. Os Orcs não foram sempre malignos. Em algum momento em suas origens eles foram bons, tão bons quanto qualquer um. Eles não eram de fato Orcs. Então eventualmente chegou um dia em que eles puderam ser chamados Orcs, mas como foi o processo de transição? E eles teriam ido tão longe no caminho escuro que mesmo que desejassem de todo coração não poderiam retornar? A questão da redemibilidade dos Orcs perturbou Tolkien e incomodou muitos de<br />
seus leitores. Muitas pessoas assumem que os Orcs foram todos destruídos na Guerra do Anel, mas não foi o caso. O Epílogo [que Tolkien foi persuadido a não publicar] indicava que os Orcs continuavam por aí. Sam especulou se os Orcs seriam, em algum momento, completamente destruídos e durante a Segunda Guerra Mundial Tolkien frequentemente fazia referência aos &#8220;Orcs&#8221; no exército britânico em cartas a seu filho.</p>
<p style="text-align: justify;">Orcs, então, não seriam tão completamente malignos a ponto de sempre poderem ser distinguidos dos Homens. Ou talvez os Homens não seriam sempre tão bons a ponto de poderem ser distinguidos dos Orcs. A desobediência dos Elfos não foi universal como foi a desobediência dos Homens. Os Elfos foram capazes de aprender o erro de seus caminhos e rejeitar o caminho da escuridão. Os Homens tiveram que esperar por outra forma de redenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia nós vemos o bem e o mal na Terra-média principalmente pelos olhos dos Hobbits. Existiram algums Hobbits malvados e Hobbits que serviram de livre vontade a Saruman. Mas em geral, os Hobbits possuiam uma inocência, uma fidelidade ao bem, que todos os Homens e Elfos uma vez dividiram. Isto não quer dizr que os Hobbits não partilharam da Queda dos Homens. Eles devem ter sido [como Tolkien disse] um ramo da raça Humana. Mas ele desistiram das trevas e nunca voltaram completamente para ela. Poucos, como Sméagol e Lotho Sacola-Bolseiro, seguiram o caminho e desapareceram no esquecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os Hobbits, os Elfos eram bons e os Orcs eram maus. Este pensamento era ao mesmo tempo correto [pois os Hobbits julgavam Elfos e Orcs com base em suas ações] e errado [pois os Hobbits não olhavam mais profundamente em suas próprias experiências]. O que Sam pensava da rebelião de Fëanor? Bem, estaria tudo no passado para ele, sem dúvida. Seria um assunto há muito tempo resolvido. Mas ele teria entendido que os Orcs não eram de fato verdadeiramente culpados por suas naturezas? Ele compreendia por que Gandalf tinha piedade mesmo dos escravos de Sauron, e por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, Hobbits eram geralmente de uma natureza gentil. Eles não batiam em seus filhos, aparentemente não sofriam de alcoolismo, e aparentemente não tinham muitos problemas com assalto a bancos, assassinatos e sequestros. O que um sequestrador Hobbit pediria como resgate, de qualquer forma? Uma carroça de erva-de-fumo? O orgulho e ira que derrubaram outros povos de fato não tinham muito a ver com os Hobbits. Eles eram um povo que tinham grande resistência, mas também falta de ambição. E todos os problemas dos Elfos e Homens parecem ter surgido da ambição. Ou desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aparentemente o mais ambicioso ato que um Hobbit de fora da família Sacola-Bolseiro poderia expressar seria roubar cogumelos ou conhecer tantas tavernas quanto possível. A ambição de Lotho em tornar-se o Chefe trouxe sobre ele um final triste e patético. Paladin II, o pai de Pippin, ficou horrorizado que alguém pudesse querer se estabelecer como governante do Condado, mas ele não fez nada para contestar Lotho. Os Tuks simplesmente esperaram fora da tormenta em suas próprias terras ao invés de marcharem para a guerra contra os Rufiões. Não parecia importante o suficiente para que Paladin iniciasse uma guerra que poderia resultar na morte de muitos Hobbits.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suas atividades de vilão, Lotho realmente parece não ter conseguido muito. No momento em que o leitor fica sabendo o que ele fez para o Condado, traindo-o para Saruman, ele já estava morto. Ele mesmo teve a desculpa de ser reconhecido como um tolo que foi além de suas capacidades. De uma certa forma, Grima Língua-de-Cobra também foi desculpado. Seu mal é mais prontamente reconhecido por Gandalf. Grima queria Eówyn. Mas ele também espera dividir o poder com Saruman. E quando Saruman é humilhado assim também é Grima, que o acompanha como um cão fiel, mas um cão cheio de amargura.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe uma hierarquia completa de caras maus que saqueiam os postos inferiores de alguma forma. Sauron permanece no topo, poderoso e vão, imutável. Abaixo dele ficam vários comandantes como Sauron e o Senhor dos Nazgul, poderosos à sua própria maneira, mas muito fracos para prevalecer sobre os Homens. Abaixo de Saruman ficavam servos como Grima e Lotho, criatura pequenas mas ambiciosas com pouco poder real. E mesmo assim ambos causaram grande mau a seus povos. E abaixo de Lotho estão rufiões como Bill Ferny, criminosos brutais sem ambições reais exceto serem maus e mesquinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem muitas faces do mal nO Senhor dos Anéis, e graus de maldade e mesquinharia. Existe pouca redenção verdadeira. Boromir poderia ter sido muito pior do que Lotho e Grima. Ele poderia ter rivalizado Saruman, talvez, pois ele já era um príncipe de uma grande nação. Mas quase a totalidade dos que caem permanecem caídos. Mesmo o sábio velho Denethor, que quase voltou da beirada ao final, sofreu o destino que sua loucura decretou. Ele cedeu ao desespero.</p>
<p style="text-align: justify;">O único personagem que Tolkien realmente desculpa completamente é Frodo. Frodo cede ao Anel no final, mas levou meses de tormento demoníaco para que Frodo reclamasse o Anel para si. A exigência não nasceu do orgulho e arrogância, não da ambição de se tornar um grande e poderoso senhor. Foi essencialmente um ato de insanidade, uma insanidade ocasionada pela ruptura de sua mente. Frodo é, de vários modos, reduzido ao estado de um Orc. Não um Orc maligno, mesquinho, cruel, sanguinário. Mas antes um Orc que teve sua livre vontade retirada, suas escolhas negadas. Ele não é melhor do que escravos Orcs que inicialmente cederam às vontade de Melkor e Sauron.</p>
<p style="text-align: justify;">E se existe redenção para Frodo, e perdão, então deve haver redenção e perdão para os Orcs?</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tradução de Fábio Bettega</em></p>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A ponta do iceberg: novas informações sobre a Terra-Média</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Bettega</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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Sem artigos relacionados.]]></description>
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										</div><div align="justify">
<div align="justify">Por aproximadamente um ano, discuss&otilde;es online sobre o mundo de Tolkien vem sido apimentadas &#8212; em alguns lugares &#8212; com refer&ecirc;ncias a um obscuro estudo chamado &quot;Osanw&euml;-Kenta&quot;. Este ensaio foi publicado pela primeira vez em Vinyar Tengwar M&ordm; 39, o exemplar de Julho de 1998 do jornal oficial da Elvish Linguistic Fellowship (Sociedade Da Lingu&iacute;stica &Eacute;lfica), um grupo de interesse da Mythopoeic Society. &quot;Osanw&euml;-Kenta&quot; (&quot;Acerca da comunica&ccedil;&atilde;o de pensamentos&quot;) foi premiada como um dos textos de Tolkien mais reveladores daqueles que n&atilde;o foram publicados. Eu acho que &quot;Osanw&euml;-Kenta&quot; deve ser colocado de lado, pois h&aacute; um texto mais interessante. Se chama &quot;Os Rios e Vales de Gondor&quot;.</div>
</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<p> 
<div align="justify"> Os dois estudos s&atilde;o importantes na pesquisa sobre Tolkien, e os aspectos lingu&iacute;sticos n&atilde;o s&atilde;o necessariamente prim&aacute;rios. Voc&ecirc; pode perceber detalhes interessantes sobre a filosofia e hist&oacute;ria do povo de Aman em &quot;Osanw&euml;-Kenta&quot;. &quot;Rios e Vales de Gondor&quot; tamb&eacute;m nos fornecem nova informa&ccedil;&atilde;o e revela&ccedil;&otilde;es sobre a hist&oacute;ria de Gondor e os povos que l&aacute; moram. Supondo que mais pessoas querem saber sobre os eventos na Terceira Era que eventos do come&ccedil;o de Aman, eu acho que &quot;Rios e Vales de Gondor&quot; prova ser o mais importante.</p>
<p> Vinyar Tengwar &eacute; primeiramente preocupado com material lingu&iacute;stico, de onde restam um imenso n&uacute;mero de ensaios e notas n&atilde;o publicados. As reflex&otilde;es lingu&iacute;sticas de Tolkien por&eacute;m, geralmente incluem apartes, muitas vezes grandes ensaios sobre as hist&oacute;rias e filosofias das principais ra&ccedil;as. O material lingu&iacute;stico &eacute; ent&atilde;o de interesse especial para pesquisadores que estudam a constru&ccedil;&atilde;o do mundo de Tolkien, sua pseudo-hist&oacute;ria e filosofias artificiais.</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<div align="justify">Christopher Tolkien publicou fragmentos do &quot;Rios e Vales de Gondor&quot; no Contos Inacabados. Infelizmente, Vinyar Tengwar tamb&eacute;m publica apenas fragmentos. Assim como a situa&ccedil;&atilde;o com &quot;Narn i H&icirc;n H&uacute;rin&quot; (A Hist&oacute;ria dos Filhos de H&uacute;rin), que foi publicado em peda&ccedil;os no Contos Inacabados e no Silmarillion, precisamos juntar o trabalho inteiro junto. Se o suficiente das duas escrituras foram publicadas nessas duas partes, cabe &agrave; HarperCollins publicar um volume com os Trabalhos Completos de JRR Tolkien, combinando-os. Tal livro seria uma marca na tentativa de fazer uma representa&ccedil;&atilde;o coerente de algo escrito fora o Hobbit e o Senhor dos An&eacute;is.</p>
<p> As passagens relevantes do Contos Inacabados s&atilde;o encontrados no cap&iacute;tulo da hist&oacute;ria de Galadriel e Celeborn, especificamente nos ap&ecirc;ndices tratando de Amroth e Nimrodel, e o porto de Lond Daer. Algum material tamb&eacute;m foi publicado na se&ccedil;&atilde;o &quot;Notas sobre os Druedain&quot; no cap&iacute;tulo sobre os Druedain. Aquela se&ccedil;&atilde;o do Contos Inacabados tamb&eacute;m come&ccedil;a com um fragmento sobre os Druedain que Christopher Tolkien tirou do &quot;Sobre os An&otilde;es e os Homens&quot;, cuja maioria foi publicada no Peoples of Middle-Earth (Povos da Terra-M&eacute;dia). Na maioria dos casos, n&atilde;o veremos os textos inteiros publicados juntos, mas ainda podemos sonhar com a oportunidade.</p>
<p> Na carta que acompanha o &quot;Rios e Vales de Gondor&quot;, Vinyar Tengwar lan&ccedil;a uma cascata de min&uacute;sculas revela&ccedil;&otilde;es que vai nos for&ccedil;ar a refazer muitas teorias sobre a Terra-M&eacute;dia. Por exemplo, Tolkien escreve:</p>
<p> &quot;<em>&#8230;No primeiros s&eacute;culos dos Dois Reinos Enedwaith foi uma regi&atilde;o entre o reino de Gondor e o pequeno reino de Arnor (originalmente inclu&iacute;a Minhiriath (Mesopot&acirc;mia)). Os dois reinos tinham interesse na regi&atilde;o, mas eram mais preocupados com a manuten&ccedil;&atilde;o, sua principal fonte de informa&ccedil;&atilde;o exceto pelo mar e pela ponte de Tharbad. Povos de origem numenoreana n&atilde;o viviam ali, exceto em Tharbad, onde um grande n&uacute;mero de soldados e guardi&otilde;es do rio era mantido. Naqueles dias eles praticavam drenagem, e as margens do Hoarwell e Greyflood eram refor&ccedil;ados. Mas nos dias do Senhor dos An&eacute;is a regi&atilde;o tinha sido arruinada e voltou para um estado primitico: um rio largo e lento que corria por uma rede de p&acirc;ntanos e lagos: um lugar assombrado por cisnes mortos e outros p&aacute;ssaros aqu&aacute;ticos.</em>&quot;</p>
<p> &quot;Mesopot&acirc;mia&quot; &eacute; uma velha palavra para &quot;terra entre rios&quot;, e Tolkien estava sem d&uacute;vida fazendo uma pequena piada sugerindo a tradu&ccedil;&atilde;o de &quot;Mesopotamia&quot; para &quot;Minhiriath&quot; (que significa a mesma coisa&quot;). Voc&ecirc;s podem imaginar o quanto essa tradu&ccedil;&atilde;o vai chatear os ge&oacute;grafos que fazem correla&ccedil;&otilde;es precisas entre o mapa da Terra-M&eacute;dia de Tolkien e mapas da Europa e &Aacute;sia.</p>
<p> Mas, para mim, o coment&aacute;rio mais interessante &eacute; a refer&ecirc;ncia indireta para &quot;guardi&otilde;es do rio&quot;. A que Tolkien estaria se referindo? Seriam aqueles homens que atravessavam os rios para cima e para baixo, prendendo piratas e ladr&otilde;es? Ou seriam aqueles que faziam viagens de um lado para outro do rio? Seriam os guardi&otilde;es de Tharbad os engenheiros que mantinham os trabalhos de drenagem&quot; e as margens refor&ccedil;adas dos rios Hoarwell e Greyflood? E, se n&atilde;o haviam numenoreanos na regi&atilde;o, porque as margens eram refor&ccedil;adas?</p>
<p> Tharbad j&aacute; &eacute; um lugar curioso. No Contos Inacabados aprendemso que a grande ponte e os cais da cidade foram constru&iacute;dos por Arnor e Gondor, aparentemente para substituir o destru&iacute;do porto de Lond Daer Ened. E ainda, Tar-Aldarion diz que encontra Galadriel em Tharbad numa nota acompanhando o texto &quot;Aldarion e Erendis&quot;. Em outro lugar, a segunda hist&oacute;ria de Galadriel e Celeborn, Tharbad diz ter defendido Eriador contra a invas&atilde;o de Sauron em 1695 SE. Pode ser que Tharbad seja originalmente uma col&ocirc;nia &eacute;lfica, talvez um entreposto estabelecido por C&iacute;rdan para facilitar o com&eacute;rcio e comunica&ccedil;&atilde;o com Eregion. Os numenoreanos tamb&eacute;m podem ter sido o primeiro povo a fortificar Tharbad (em prepara&ccedil;&atilde;o para a guerra contra Sauron, eles tamb&eacute;m fortificaram os rios Baranduin/Brandevin e Luin).</p>
<p> Outro nome que merece aten&ccedil;&atilde;o especial &eacute; &quot;Gilrain&quot;, o nome de um rio em Gondor. Tolkien o compara a &quot;Gilraen&quot;, o nome da m&atilde;e de Aragorn. &quot;<em>O significado de Gilraen &eacute; um nome feminino sem d&uacute;vida. Significava &acute;Aquela que &eacute; decorada com um conjunto de pequenas j&oacute;ias em uma malha&acute;, como o tesouro de Arwen descrito no SdA I 239.</em>&quot; (Este tesouro &eacute; a &quot;<em>touca de renda prateada, enredada com pequenas pedras, de um brilho branco</em>&quot; que Arwen usa no banquete dado em honra de Frodo em Valfenda.)</p>
<p> Tolkien sugere que Gilraen poderia ter conseguido esse nome como um apelido, mas &quot;<em>provavelmente era seu verdadeiro nome, j&aacute; que tornou-se um nome dado &agrave;s mulheres de seu povo, as remanescentes dos numenoreanos do Reino do Norte, de sangue puro. As mulheres dos Eldar estavam acostumadas a usar tais j&oacute;ias; mas entre os outros povos, eram usadas apenas por mulheres de alto n&iacute;vel entre os Guardi&otilde;es, descendentes d<br />
e Elros, como diziam. Nomes como Gilraen, e outros de significado similar, virariam ent&atilde;o nomes pessoais dados &agrave;s crian&ccedil;as nobres da fam&iacute;lia dos &acute;Senhores dos Dunedain&acute;</em>&quot;.</p>
<p> Uma forte implica&ccedil;&atilde;o dessa passagem &eacute; que os Guardi&otilde;es eram um subgrupo de um povo maior, e que eles eram todos de sangue nobre, descendendo de Elros, e provavelmente os &uacute;nicos Dunedain de sangue puro restantes em Arnor. Mas se aquele foi o intento de Tolkien ou uma nota mal-escrita, n&atilde;o podemos dizer.</p>
<p> Numa nota secund&aacute;ria, Tolkien revela que a raiz de -raen, em Gilraen, vinha do trabalho de tric&ocirc; e que o adorno que Arwen e outras donzelas &eacute;lficas &#8212; assim como as mulheres nobres do povo de Aragorn &#8212; usavam foi feita com um &uacute;nico fio.</p>
<p> A hist&oacute;ria de Amroth e Nimrodel &eacute; um pouco mais elaborada, tamb&eacute;m. E descobrimos a extens&atilde;o completa da nota que sugere que Edhellond pode ter sido estabelecida por antigos Doriathrim que deixaram Mithlond (Portos Cinzentos). Foi abandonado no meio pois, como Christopher Tolkien opinou, seu pai percebeu que, sua disserta&ccedil;&atilde;o sobre C&iacute;rdan ser um Noldo do qual os Sindar queriam se afastar, era totalmente inconsistente com os outros textos. Ent&atilde;o, a lenda de Edhellond ter sido fundada pelos primeiros elfos de Doriath deve ser descartada. O porto deve ter sido fundado por outros motivos, e talvez a lenda a respeiro de Brithombar e Eglarest &eacute; a mais prov&aacute;vel de todas.</p>
<p> Apesar de tudo, a nota abandonada concorda com outra fonte publicada no Silmarillion dizendo onde os Nandor se estabeleceram em Eriador. Quer dizer, o fragmento de nota diz que os Eldar de Lindon &quot;<em>encontraram acampamentos abandonados dos Nandor</em>&quot; nos dois lados das Montanhas Nevoentas. O Silmarillion inclui um passagem em &quot;Dos Sindar&acute; onde os an&otilde;es dizem &agrave; Thingol que &quot;<em>seu antigo povo que l&aacute; mora [na terra &agrave; leste das montanhas] est&atilde;o voando das plan&iacute;cies para os vales.</em>&quot; Parece, ent&atilde;o, que as criaturas de Melkor mandaram os Nandor em dire&ccedil;&atilde;o ao leste e para as Montanhas Nevoentas antes que Melkor retornasse para a Terra-M&eacute;dia.</p>
<p> Muitos peda&ccedil;os situam-se al&eacute;m desses, e as implica&ccedil;&otilde;es para os historiadores de Tolkien s&atilde;o extensivos. A Terra-M&eacute;dia revela mais uma face &#8212; ali&aacute;s, muitas outras &#8212; para n&oacute;s. O significado do tesouro de Arwen pode implicar em algum tipo de refer&ecirc;ncia &agrave; Varda. &Eacute; Arwen, afinal, que aparentemente canta o hino a Elbereth &agrave; medida que Frodo e Bilbo saem do Sal&atilde;o do Fogo em Valfenda. Gilraen e outras mulheres de sua fam&iacute;lia devem ter dividido tal rever&ecirc;ncia &eacute;lfica &agrave; Varda.</p>
<p> A id&eacute;ia de que povos com apenas parte do sangue numenoreano continuaram a viver em Eriador &eacute; aterrorizante. Apesar de sabermos que n&atilde;o poder&iacute;amos ter comunidades dos homens a oeste de Mitheithel, isto n&atilde;o d&aacute; novo sentido &agrave;s palavras de Elrond no conselho, onde ele diz que poucos do povo de Aragorn ainda vivem? Estava Elrond talvez omitindo alguma refer&ecirc;ncia &aacute; um povo maior governado pelo cl&atilde; de Aragorn? Aquelas pessoas que se perguntavam onde Aragorn achou tantos guerreiros para retomar Eriador t&ecirc;m agora raz&atilde;o o suficiente para argumentar que um grande povo vivia perto de Valfenda no &Acirc;ngulo.</p>
<p> Mais revela&ccedil;&otilde;es nos aguardam, especialmente sobre os primeiros anos de Arnor e Gondor. Tamb&eacute;m veremos que os elfos tinham um sistema decimal e duodecimal. Ent&atilde;o, todos est&atilde;o certos. Todos n&oacute;s ganhamos de novo. E &eacute; s&oacute; a ponta do iceberg&#8230;</div>
<div align="justify"> <em>Tradu&ccedil;&atilde;o de Aarakocra</em></div>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma História da íšltima Aliança de Elfos e Homens, Parte 3</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>
		<category><![CDATA[Última Aliança]]></category>

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Notas</p>
<p> 1. O Silmarillion, p&aacute;g. 365. &ldquo;<em>Sauron descobriu que os Homens eram os mais f&aacute;ceis de influenciar dentre todos os povos da Terra; mas por muito tempo procurou convencer os Elfos a lhe prestarem servi&ccedil;o, pois sabia que os Primog&ecirc;nitos tinham maior poder. E andava livremente em meio a eles, e sua apar&ecirc;ncia ainda era de algu&eacute;m belo e s&aacute;bio.</em>&rdquo;
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2. Contos Inacabados, p&aacute;g. 266. &ldquo;<em>&#8230;A nota prossegue dizendo que Galadriel n&atilde;o foi enganada, pois aquele Aulendil n&atilde;o pertencia ao s&eacute;q&uuml;ito de Aul&euml; em Valinor&#8230;.</em>&rdquo; Esta e todas as refer&ecirc;ncias subseq&uuml;entes &agrave; Galadriel e Celeborn fazem uso do ensaio &ldquo;Acerca de Galadriel e Celeborn&rdquo;, fornecido no Contos Inacabados, que na maior parte encaixa-se com os eventos detalhados em outras obras de Tolkien. Entretanto, esta narrativa determina que Amroth era filho deles, uma id&eacute;ia que Tolkien posteriormente abandonou, cuja decis&atilde;o &eacute; aceita e incorporada nesta obra.</p>
<p>
 3. Ibid., p&aacute;g. 229. &ldquo;<em>Uma nova sombra ergue-se no Leste&#8230;</em>&rdquo; A carta que Gil-galad escreveu para Tar-Meneldur foi composta em 882 S.E. Uma vez que Tolkien declara em outro lugar Sauron come&ccedil;ara a movimentar-se novamente por volta de 500 S.E., &eacute; poss&iacute;vel que Gil-galad estivesse ciente de algum mal crescente bem antes do final do nono s&eacute;culo.</p>
<p>
 4. Ibid., p&aacute;g. 268-69. &ldquo;<em>&#8230;Finalmente os atacantes irromperam em Eregion com ru&iacute;na e devasta&ccedil;&atilde;o, e capturaram o principal objeto do ataque de Sauron&#8230;Ent&atilde;o Celebrimbor foi torturado&#8230;Acerca dos Tr&ecirc;s An&eacute;is, Sauron nada p&ocirc;de saber por Celebrimbor; e mandou mat&aacute;-lo.</em>&rdquo;</p>
<p> Apesar de outras partes desta hist&oacute;ria divergirem de algumas das fontes, esta concorda em muito com &ldquo;Dos An&eacute;is de Poder e da Terceira Era &ldquo; em O Silmarillion (p&aacute;g. 367), o qual indica que Celebrimbor morrera l&aacute;.</p>
<p> 5. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1147. &ldquo;O Conto dos Anos&rdquo; relata apenas que os N&uacute;menorianos come&ccedil;aram a construir portos permanentes por volta do ano 1800 S.E. O Contos Inacabados revela algo de Lond Daer (Vinyalond&euml;) nas se&ccedil;&otilde;es sobre N&uacute;menor e a Hist&oacute;ria de Galadriel e Celeborn. Umbar e Pelargir s&atilde;o mostrados em v&aacute;rias fontes, e outros portos sem nome s&atilde;o ditos terem sido constru&iacute;dos mais ao sul e ao leste.</p>
<p> 6. O Silmarillion, p&aacute;g. 340. &ldquo;<em>Sauron, por&eacute;m, sempre fora astuto. E o que se diz &eacute; que, entre aqueles que ele apanhou na armadilha dos Nove An&eacute;is, tr&ecirc;s eram grandes senhores da ra&ccedil;a n&uacute;menoriana.</em>&rdquo; Uma vez que Sauron n&atilde;o visitou N&uacute;menor anteriormente ao seu &ldquo;aprisionamento&rdquo; l&aacute;, ele teria que ter seduzido os tr&ecirc;s N&uacute;menorianos na Terra-m&eacute;dia. &Eacute; interessante que ele fora capaz de fazer isto em relativamente pouco tempo ap&oacute;s a Guerra dos Elfos e Sauron. Talvez eles j&aacute; fossem muito velhos para sua ra&ccedil;a quando aceitaram os An&eacute;is.</p>
<p> O Contos Inacabados (p&aacute;g. 251) indica que a Sombra primeiro caiu sobre N&uacute;menor nos dias de Tar-Atanamir, mas seu pai, Tar-Ciryatan, foi o primeiro rei &ldquo;voluntarioso&rdquo;, e seu registro em &ldquo;A Linhagem de Elros&rdquo; sugere que a Sombra pode ter ca&iacute;do em sua &eacute;poca. Ent&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel que os N&uacute;menorianos estivessem se tornando desconfort&aacute;veis com sua mortalidade na &eacute;poca da Guerra dos Elfos e Sauron e, logo, tr&ecirc;s idosos senhores N&uacute;menorianos poderiam ser facilmente seduzidos por Sauron.</p>
<p> 7. O Silmarillion., p&aacute;g. 343. &ldquo;<em>&#8230;Pois Pharaz&ocirc;n, filho de Gimilkh&acirc;d&#8230;muitas vezes viajara como l&iacute;der nas guerras que os N&uacute;menorianos iniciavam ent&atilde;o na regi&atilde;o litor&acirc;nea da Terra-m&eacute;dia&#8230;Pois ele soubera na Terra-m&eacute;dia da for&ccedil;a do reino de Sauron, e de seu &oacute;dio por Ponente. E agora lhe chegavam os mestres de navios e comandantes que voltavam do leste, a relatar que Sauron vinha demonstrando seu poder desde que Ar-Pharaz&ocirc;n deixara a Terra-m&eacute;dia e estava investindo contra as cidades litor&acirc;neas&#8230;.</em>&rdquo;</p>
<p> 8. Ibid., p&aacute;g. 370. &ldquo;<em>&#8230;L&aacute; [Sauron] descobriu que o poder de Gil-galad se tornara imenso nos anos de sua aus&ecirc;ncia; e agora cobria vastas regi&otilde;es do norte e do oeste, tendo ultrapassado as Montanhas Nevoentas e o Grande Rio at&eacute; chegar aos limites da Grande Floresta Verde, e se aproximava dos locais fortificados onde no passado ele se sentia seguro.</em>&rdquo;</p>
<p> 9. Contos Inacabados, p&aacute;g. 276. &ldquo;<em>&#8230;Mais tarde ele [o Glanduin], juntamente com o Gwathl&oacute;, que era formado por sua conflu&ecirc;ncia com o Mitheithel, representou o limite sul do Reino do Norte.</em>&rdquo;</p>
<p> 10. O Silmarillion diz de Elendil que &ldquo;<em>seu povo habitava muitos lugares em Eriador, junto aos cursos do L&ucirc;n e do Baranduin; mas sua cidade principal era Ann&uacute;minas, &agrave;s margens do Lago Nenuial. Em Fornost, nas Colinas do Norte, tamb&eacute;m moravam os N&uacute;menorianos; assim como em Cardolan e nas Colinas de Rhudaur&#8230;</em>&rdquo; (p&aacute;g. 370).</p>
<p> 11. Contos Inacabados, p&aacute;g. 277. &ldquo;<em>&#8230;Antes da decad&ecirc;ncia do Reino do Norte&#8230;ambos os reinos tinham um interesse compartilhado nessa regi&atilde;o [Enedwaith], e juntos constru&iacute;ram e mantiveram a Ponte de Tharbad bem como os longos diques que levavam a estrada at&eacute; ela, de ambos os lados do Gwathl&oacute; e do Mitheithel, atravessando os p&acirc;ntanos das plan&iacute;cies de Minhiriath e Enedwaith&#8230;.</em>&rdquo;</p>
<p> 12. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1193. &ldquo;<em>&#8230;Tamb&eacute;m estranha, ou apenas remotamente aparentada, era a l&iacute;ngua dos habitantes da Terra Parda. Estes eram remanescentes dos povos que haviam habitado os vales das Montanhas Brancas em &eacute;pocas passadas. Os Mortos do Templo da Colina eram da sua estirpe. Mas nos Anos Escuros outros haviam se mudado para os vale meridionais das Montanhas Sombrias, e de l&aacute; alguns haviam migrado para as terras vazias ao norte, at&eacute; as Colinas do T&uacute;mulos. Deles descendiam os Homens de Bri&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 13. Ibid., p&aacute;g. 1104. &ldquo;<em>Este [Lossoth] &eacute; um povo estranho e hostil, remanescente dos Forodwaith.</em>&rdquo; Onde os Forodwaith realmente viviam no final da Segunda Era &eacute; mat&eacute;ria de especula&ccedil;&atilde;o, na medida em que Tolkien realmente n&atilde;o nos conta nada de sua hist&oacute;ria. Cf. nota 14 abaixo.</p>
<p> 14. The War Of The Jewels, p&aacute;g. 61. &ldquo;<em>N&atilde;o era sabido que o povo de Ulfang j&aacute; estavam secretamente a servi&ccedil;o de Morgoth antes que chegassem a Beleriand. Assim n&atilde;o era com o povo de B&oacute;r, que era um povo valoroso e lavradores da terra. Deles, &eacute; dito, vieram os mais antigos dos Homens que habitavam o norte de Eriador na Segunda Era e posteriormente.</em>&rdquo;</p>
<p> A conex&atilde;o entre o Povo de B&oacute;r (e Ulfang) e os homens mais setentrionais de Eriador na Segunda Era indica que os Lossoth (e, portanto, os Forodwaith, dos quais os Lossoth eram &ldquo;remanescentes&rdquo;) eram de fato os descendentes destes cl&atilde;s.</p>
<p> 15. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1099. &ldquo;<em>&#8230;Elendil tornou-se o Alto Rei e morava no norte, em Ann&uacute;minas; o governo do sul foi entregue a seus filhos, Isildur e An&aacute;rion. Ali eles fundaram Osgiliath, entre Minas Ithil e Minas Anor, n&atilde;o muito longe das fronteiras de Mordor. Acreditavam que pelo menos uma coisa boa resultara da ru&iacute;na, que Sauron tamb&eacute;m perecera.</em>&rdquo;</p>
<p> 16. O Silmarillion, p&aacute;g. 371. &ldquo;<em>&#8230;A principal cidade desse reino meridional era Osgiliath, que era cortada ao meio pelo Grande Rio&#8230;</em>&rdquo; De fato, a narrativa n&atilde;o faz tal conex&atilde;o. Mas por que Isildur e An&aacute;rion contruiriam suas cidades ao norte de Pelargir e Emyn Arnen? O fato de que a narrativa menciona Herumor e Fuinur indica que eles eram de algum modo significantes para os historiadores de Gondor.</p>
<p> 17. Ibid., p&aacute;g. 371. &ldquo;<em>&#8230;e a oeste, Minas Anor&#8230;como um escudo contra os homens selvagens das v&aacute;rzeas&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> Tolkien diz muito pouco sobre as &ldquo;tribos&rdquo; que compunham esta ra&ccedil;a. O grupo que quebrou seu juramento a Isildur prestou-o em Erech mas assombrava a Senda dos Mortos, no lado setentrional das montanhas. Havia provavelmente outras tribos no que se tornou Lamedon, uma habitando os vales superiores na fonte do Lefnui, outra morando pr&oacute;xima ao Adorn, outra ao norte do Isen, e outra tribo morando em Calenardhon. Obviamente outros grupos viviam ao norte daquela regi&atilde;o at&eacute; Bri.</p>
<p> 18. O Silmarillion diz &ldquo;<em>outras constru&ccedil;&otilde;es fortes e maravilhosas [os N&uacute;menorianos] realizaram na Terra nos tempos de seu poder, nas Argonath, e em Aglarond, assim como no Erech. E no c&iacute;rculo de Angrenost&#8230;</em>&rdquo; (p&aacute;g. 371). Nenhuma data espec&iacute;fica &eacute; dada para quando essas obras foram erguidas, embora o contexto indique os primeiros anos da hist&oacute;ria de Gondor.</p>
<p> Contudo, O Retorno do Rei diz que Minalcar &ldquo;<em>construiu os pilares dos Argonath e a entrada para Nen Hithoel</em>&rdquo; (p&aacute;g. 1108), enquanto &eacute; dito que Isildur erigiu a pedra em (p&aacute;g. 826). Tamb&eacute;m sabemos que um dos Palant&iacute;ri, dados a Amandil pelos Eldar de Tol Eress&euml;a e levadas para a Terra-m&eacute;dia por Elendil e seus filhos, foi colocado em Orthanc, em Angrenost; logo, a fortaleza deve ter sido constru&iacute;da n&atilde;o muito depois do in&iacute;cio do reino de Gondor.</p>
<p> Se Angrenost e Aglarond eram mais antigas do que Gondor, ent&atilde;o talvez foram constru&iacute;das como uma defesa contra Mordor; mas se Isildur e An&aacute;rion constru&iacute;ram a fortaleza, eles as teriam usado para proteger Calenardhon contra os Terrapardenses (os quais por muito tempo haviam sido inamistosos aos D&uacute;nedain), j&aacute; que os D&uacute;nedain pensavam que Sauron havia perecido na Queda de N&uacute;menor.</p>
<p> 19. O Silmarillion, p&aacute;g. 193. Tolkien diz aqui que somente (ap&oacute;s a morte de Fingolfin) &ldquo;<em>seu jovem filho Ereinion (que mais tarde foi chamado de Gil-galad) [Fingon] enviou para os Portos.</em>&rdquo; &ldquo;<em>Jovem</em>&rdquo; indica que Ereinion ainda n&atilde;o era um Elfo completamente adulto. O Morgoths Ring afirma que os Elfos precisavam de cerca de cinq&uuml;enta anos (do Sol) para atingir a maturidade completa (p&aacute;g. 210). Assim, Ereinion provavelmente nasceu algum tempo ap&oacute;s o ano 405 P.E. (supondo que a Dagor Bragollach e a morte de Fingolfin ocorreram em 455 P.E.).</p>
<p> 20. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 364. Esta entrada no &ldquo;Conto dos Anos&rdquo; concorda com a decri&ccedil;&atilde;o dada no Contos Inacabados em &ldquo;Acerca de Galadriel e Celeborn&rdquo;, que descreve a guerra detalhadamente publicada at&eacute; esta data.</p>
<p> 21. O Silmarillion, p&aacute;g. 137. Na Mereth Aderthad, Tolkien escreve, os Elfos fizeram juramentos de alian&ccedil;a. C&iacute;rdan era um dos senhores que estavam presentes na festa. Ele subsequentemente ajudou os Noldor em v&aacute;rias ocasi&otilde;es (p&aacute;gs. 157-58, 201 e 247).</p>
<p> 22. Contos Inacabados., p&aacute;gs. 193, 196. &ldquo;<em>&#8230;Mas existiam armadores entre eles que haviam sido formados pelos Eldar&#8230;</em>&rdquo; e &ldquo;<em>&#8230;Diz-se que seu atraso [de Aldarion] foi devido &agrave; sua avidez em aprender de C&iacute;rdan tudo o que pudesse, tanto na feitura e manejo dos navios quanto na constru&ccedil;&atilde;o de muralhas que resistissem &agrave; &acirc;nsia do mar.</em>&rdquo;</p>
<p> 23. A Sociedade do Anel, p&aacute;g. 252. &ldquo;<em>&#8230;Fazia-me recordar da gl&oacute;ria dos Dias Antigos e das tropas de Beleriand, nas quais tantos pr&iacute;ncipes importantes e capit&atilde;es foram reunidos. E, mesmo assim, nem tantos, e nem t&atilde;o belos como na ocasi&atilde;o em que as Thangorodrim foram quebradas&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 24. Contos Inacabados, p&aacute;g. 269. Como com o destino de Celebrimbor, parece razo&aacute;vel usar &ldquo;Acerca de Galadriel e Celeborn&rdquo; como uma fonte com respeito a outros indiv&iacute;duos, tais como Elrond. A funda&ccedil;&atilde;o deThe Imladris &eacute; certamente confirmada no &ldquo;Conto dos Anos&rdquo;. Cf. nota 20 acima.</p>
<p> 25. Ibid, p&aacute;g. 290. &ldquo;<em>&#8230;Oropher&#8230;retirara-se para o norte, al&eacute;m dos Campos de Lis. Fez isto para livrar-se do poder e das transgress&otilde;es dos An&otilde;es de Moria&#8230;e tamb&eacute;m se ressentia das intrus&otilde;es de Celeborn e Galadriel em L&oacute;rien.</em>&rdquo; Os motivos e a hist&oacute;ria de Oropher, como os de Galadriel e Celeborn, cont&ecirc;m algumas inconsist&ecirc;ncias. Cf. tamb&eacute;m p&aacute;gs. 291-2.</p>
<p> 26. Ibid. Na verdade, a passagem afirma que &ldquo;<em>os Elfos Silvestres eram vigorosos e valentes, mas mal equipados com coura&ccedil;as ou armas em compara&ccedil;&atilde;o com os Eldar do Oeste. Eram tamb&eacute;m independentes e n&atilde;o estavam dispostos a se submeter ao comando supremo de Gil-galad.</em>&rdquo;</p>
<p> 27. O nome deste Rei-elfo &eacute; duvidoso. Em uma narrativa ele &eacute; chamado Amd&iacute;r e em outra Malgalad (Contos Inacabados, p&aacute;g. 272, 276, 291). Christopher Tolkien &eacute; incapaz de estabelecer qual nome seu pai preferia para este personagem; assim, adotei a conven&ccedil;&atilde;o de me referir a ele como Amd&iacute;r Malgalad, ou simplesmente Amd&iacute;r, que &eacute; usado mais freq&uuml;entemente e &eacute; compat&iacute;vel com o estilo de Amroth, o nome de seu filho.</p>
<p> 28. O Silmarillion, p&aacute;g. 367. &ldquo;<em>Daquela &eacute;poca em diante, a guerra nunca mais cessou entre Sauron e os Elfos&#8230;.</em>&rdquo; Sendo o mais perto de Mordor de todos os reinos &eacute;lficos, o reino de Amd&iacute;r em Lorinand deve ter suportado o impacto deste per&iacute;odo prolongado do conflito, e o fluxo de Noldor e Sindar vindos de Eregion ap&oacute;s a queda daquele reino &eacute;lfico teria fornecido impulso para uma amizade entre o povo de Amd&iacute;r e os An&otilde;es, embora certamente n&atilde;o uma t&atilde;o pr&oacute;xima como existia entre Eregion e Khazad-d&ucirc;m.</p>
<p> 29. Ibid, p&aacute;g. 347. &ldquo;<em>&#8230;Pois [Isildur] entrou sozinho e disfar&ccedil;ado em Armenelos e chegou aos p&aacute;tios do Rei, acesso que agora era proibido aos Fi&eacute;is. Foi ao local da &Aacute;rvore, que era interditado a todos por ordens de Sauron; e a &Aacute;rvore era vigiada dia e noite por guardas a seu servi&ccedil;o&#8230;E Isildur passou pelos guardas, tirou da &Aacute;rvore um fruto que dela estava suspenso&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 30. Ibid, p&aacute;g. 373. &ldquo;<em>Portanto, quando Sauron julgou chegada a hora, investiu com for&ccedil;a enorme contra o novo reino de Gondor, tomou Minas Ithil&#8230;Contudo, Isildur escapou&#8230;e, velejando, partiu das Fozes do Anduin &agrave; procura de Elendil. Enquanto isso, An&aacute;rion resistia em Osgiliath contra o Inimigo, e por algum tempo conseguiu recha&ccedil;&aacute;-lo para as montanhas&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 31. Ibid, p&aacute;g. 294. Sustentar que este rei era realmente chamado Durin pode ser err&ocirc;neo. A passagem diz apenas: &ldquo;<em>Dos An&otilde;es, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro. Mas a linhagem de Durin de Moria combateu Sauron.</em>&rdquo; Se ele fosse chamado Durin, ent&atilde;o ele n&atilde;o poderia ter sido Durin III, porque este era o Durin que se op&ocirc;s a Sauron a Guerra dos Elfos e Sauron (Contos Inacabados, p&aacute;g. 269). Assim, ou ele era Durin IV, ou Durin V. Preferi cham&aacute;-lo Durin IV pela falta de qualquer informa&ccedil;&atilde;o acerca dos dois.</p>
<p> Tamb&eacute;m &eacute; estranho que Tolkien diga &ldquo;<em>&#8230;a linhagem de Durin&#8230;</em>&rdquo; ao se referir a estes An&otilde;es. Em outro lugar ele escreve que a maioria dos An&otilde;es de Nogrod e Belegost migrou para Khazad-d&ucirc;m no in&iacute;cio da Segunda Era. Eles parecem ter mantido suas linhagens distintas at&eacute; o final da Teceira Era como o Ap&ecirc;ndice em O Retorno do Rei diz &ldquo;<em>Bifur, Bofur e Bombur descendiam dos An&otilde;es de Moria mas n&atilde;o eram da linhagem de Durin</em>&rdquo; (p&aacute;g. 1144).</p>
<p> 32. O Silmarillion, p&aacute;g. 373. Tamb&eacute;m, O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1148.</p>
<p> 33. O Silmarillion, p&aacute;g. 373. Cf. nota 30 acima.</p>
<p> 34. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 826. &ldquo;<em>&#8230;Pois em Erech se ergue uma pedra negra&#8230;e ela foi colocada sobre uma colina, e sobre ela o Rei das Montanhas jurou fidelidade a ele [Isildur] no in&iacute;cio do reino de Gondor. Mas, quando Sauron retornou e ficou outra vez poderoso, Isildur convocou os Homens das Montanhas para que cumprissem seu juramento, e eles n&atilde;o cumpriram: tinham adorado Sauron durante os Anos Escuros.</em>&rdquo;</p>
<p> 35. The Treason Of Isengard, p&aacute;g. 310. Este passo era a nascente do rio Harnen nas montanhas meridionais de Mordor.</p>
<p> 36. O Silmarillion, p&aacute;g. 374. A exist&ecirc;ncia de tal conselho &eacute; especulativa. A passagem diz apenas &ldquo;<em>Ora, Elendil e Gil-galad examinaram juntos a quest&atilde;o&#8230;</em>&rdquo; Entretanto, &eacute; improv&aacute;vel que uma decis&atilde;o t&atilde;o s&eacute;ria fosse tomada apenas por esses dois.</p>
<p> 37. Deduzi que Gildor e Glorfindel podem ter se envolvido na &Uacute;ltima Alian&ccedil;a. A hist&oacute;ria de Gildor s&oacute; &eacute; mostrada a partir do ano 3001 da Terceira Era, quando Bilbo diz adeus ao povo de Gildor no Condado (A Sociedade do Anel, p&aacute;g. 82). Contudo, ele era o senhor de uma companhia de Noldor e seu sobrenome, Inglorion, significa &ldquo;filho de Inglor&rdquo;. Inglor era o nome original de Finrod Felagund. Gildor tamb&eacute;m disse ser &ldquo;da Casa de Finrod&rdquo;, e Finrod era o nome original de Finarfin. Parece que Tolkien originalmente pretendia uma conex&atilde;o entre a fam&iacute;lia de Gildor e Galadriel, mas esta conex&atilde;o n&atilde;o foi mantida quando revis&otilde;es foram feitas a&rsquo;O Senhor dos An&eacute;is. Logo, Gildor &eacute; enigmatico, mas supondo que ele estivesse cansado das terras mortais ao final da hist&oacute;ria, conclu&iacute; que ele devia ser muito velho no final da Terceira Era.</p>
<p> Glorfindel &eacute; mais provavelmente um participante na guerra. De acordo com Christopher Tolkien, seu pai &ldquo;<em>chegou &agrave; conclus&atilde;o de que o Glorfindel de Gondolin, que caiu para morte em combate com um Balrog ap&oacute;s o saque da cidade, e o Glorfindel de Valfenda eram a mesma pessoa; ele foi liberado de Mandos e retornou &agrave; Terra-m&eacute;dia na Segunda Era</em>&rdquo; (The Return Of The Shadow, p&aacute;gs. 214-5). A implica&ccedil;&atilde;o profunda dessa conclus&atilde;o &eacute; que Glorfindel desempenhou algum papel na Guerra da &Uacute;ltima Alian&ccedil;a, embora talvez um n&atilde;o t&atilde;o grande como &eacute; aqui pressuposto.</p>
<p> 38. O Silmarillion, p&aacute;g. 374. &ldquo;<em>&#8230;Criaram portanto aquela liga que &eacute; chamada de &Uacute;ltima Alian&ccedil;a, e marcharam para o leste, para o interior da Terra-m&eacute;dia, reunindo um imenso ex&eacute;rcito de Elfos e Homens&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 39. A Sociedade do Anel, p&aacute;g. 192. &ldquo;<em>&#8230;Conta-se que Elendil ficava ali [na torre de Amon S&ucirc;l] olhando, &agrave; espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da &Uacute;ltima Alian&ccedil;a.</em>&rdquo;</p>
<p> 40. O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1156. &ldquo;O Conto dos Anos&rdquo; indica apenas a dura&ccedil;&atilde;o da estada em Imladris. Realmente n&atilde;o h&aacute; algum texto que conte como Gil-galad convenceu Oropher e Amd&iacute;r a se unirem &agrave; Alian&ccedil;a.</p>
<p> 41. Sauron de fato enviou tropas para o norte, pois os Orcs que emboscaram Isildur v&aacute;rios anos mais tarde eram de tal grupo. Contudo, o ex&eacute;rcito pressuposto aqui &eacute; admitido como sendo uma for&ccedil;a qualquer que se dirigiu para o sul e entrou na Batalha de Dagorlad.</p>
<p> 42. Em algum ponto durante a guerra, Isildur enviou seus filhos Aratan e Ciryon para defender Minas Ithil contra a fuga de Sauron: &ldquo;<em>Todos os tr&ecirc;s [filhos de Isildur] haviam combatido na Guerra da Alian&ccedil;a, mas Aratan e Ciryon n&atilde;o haviam estado na invas&atilde;o de Mordor e no cerco a Barad-d&ucirc;r, pois Isildur os enviara para guarnecer sua fortaleza de Minas Ithil, para que Sauron n&atilde;o escapasse a Gil-galad e Elendil e tentasse for&ccedil;ar uma passagem atrav&eacute;s de Cirith Duath&#8230;</em>&rdquo; (Contos Inacabados, p&aacute;g. 484).</p>
<p> 43. The Letters of J.R.R. Tolkien, p&aacute;g. 179. &ldquo;<em>Eu penso que as Entesposas desapareceram para sempre, sendo destru&iacute;das com seus jardins a Guerra da &Uacute;ltima Alian&ccedil;a&#8230;quando Sauron insistiu em uma pol&iacute;tica de terra queimada e incendiou sua terra contra o avan&ccedil;o dos Aliados descendo o Anduin&#8230;.</em>&rdquo;</p>
<p> 44. Os D&uacute;nedain parecem n&atilde;o ter usado a cavalaria nesta &eacute;poca. O Contos Inacabados (p&aacute;g. 305, Cf. nota 7) diz que a maioria do cavalos usados pelos D&uacute;nedain na guerra foram mortos, mas se os animais eram usados por emiss&aacute;rios ou para mover arqueiros mais leves, os D&uacute;nedain provavelmente n&atilde;o possu&iacute;am uma for&ccedil;a de cavalaria efetiva.</p>
<p> Lindon, por outro lado, representava a &uacute;ltima grande na&ccedil;&atilde;o Noldorin na Terra-m&eacute;dia, e Gil-galad provavelmente ainda possu&iacute;a muitos cavalos &eacute;lficos. &Eacute; poss&iacute;vel que os Elfos vivendo em e perto de Imladris tamb&eacute;m tenham contribu&iacute;do para tal for&ccedil;a.</p>
<p> Em O Hobbit, o Rei-&eacute;lfico cavalga para ca&ccedil;ar v&aacute;rias vezes, mas ele n&atilde;o usa cavalos na Batalha dos Cinco Ex&eacute;rcitos; logo, n&atilde;o parece prov&aacute;vel que Oropher possu&iacute;sse uma cavalaria. O ex&eacute;rcito de Amd&iacute;r era pequeno, mas possu&iacute;a Noldor e Sindar de Eregion. Apesar disso, os poucos fatos publicados sobre a guerra n&atilde;o indicam que Lorinand tinha cavalaria.</p>
<p> 45. Contos Inacabados, p&aacute;g. 290. <em>&ldquo;&#8230;Malgalad e mais da metade de seus seguidores pereceram na grande batalha de Dagorlad, pois foram apartados da hoste principal e expulsos para os P&acirc;ntanos Mortos.</em>&rdquo; Os sobreviventes podem ter sido subseq&uuml;entemente incorporados ao ex&eacute;rcito de Oropher, mas talvez tenham sido mantidos na reserva as batalhas seguintes.</p>
<p> 46. Ibid., p&aacute;g. 280. A suposi&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o de Edhellond na guerra &eacute; sustentada apenas por uma passagem em &ldquo;Dos an&eacute;is de poder e da Terceira Era&rdquo;: &ldquo;<em>Naquele dia, todos os seres vivos estavam divididos; e alguns de cada esp&eacute;cie, mesmo entre os animais selvagens e as aves, eram encontrados dos dois lados, &agrave; &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o dos Elfos. Somente eles n&atilde;o se dividiram e seguiram a lideran&ccedil;a de Gil-galad</em>&rdquo; (O Silmarillion, p&aacute;g. 374).</p>
<p> A suposi&ccedil;&atilde;o de que ainda outros reinos &eacute;lficos (isto &eacute;, Avari) estavam envolvidos &eacute; vagamente sustentada por uma passagem anterior descrevendo como Sauron eventualmente seduziu os Elfos de Eregion (Cf. nota 1 acima).</p>
<p> 47. O Silmarillion, p&aacute;g. 374. &ldquo;<em>Dos An&otilde;es, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro&#8230;</em>&rdquo; Tolkien n&atilde;o oferece nenhuma explica&ccedil;&atilde;o de quem eram esses An&otilde;es ou por que eles lutaram por Sauron. Pode ser que ele fosse capaz de influenciar um ou dois de seus reis atrav&eacute;s de um Anel de Poder, a despeito de sua incapacidade de domin&aacute;-los completamente como ele dominou os Nazg&ucirc;l. Ou pode ser que houvesse um grupo malicioso de An&otilde;es que escolheram ficar ao lado do Senhor do Escuro.</p>
<p> 48. As Duas Torres, p&aacute;g. 659. Sam, Frodo, e Gollum viram as faces dos Homens, Orcs e Elfos mortos nos p&acirc;ntanos. Os Orcs obviamente serviam Sauron, mas talvez tamb&eacute;m os Homens. Cf. nota 45 acima.</p>
<p> 49. A Sociedade do Anel, p&aacute;g. 252. &ldquo;<em>&#8230;Estive na Batalha de Dagorlad diante do Port&atilde;o Negro de Mordor, onde vencemos: pois &agrave; Lan&ccedil;a de Gil-galad e &agrave; Espada de Elendil, Aiglos e Narsil, ningu&eacute;m podia resistir&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 50. Contos Inacabados, p&aacute;g. 290. &ldquo;<em>&#8230;Oropher foi morto no primeiro ataque a Mordor, precipitando-se &agrave; frente de seus guerreiros mais audazes antes que Gil-galad tivesse dado o sinal para avan&ccedil;ar.</em>&rdquo;</p>
<p> 51. Ibid. &ldquo;<em>Seu filho Thranduil sobreviveu; mas, quando a guerra terminou&#8230;ele levou de volta para casa menos de um ter&ccedil;o do ex&eacute;rcito que marchara para a guerra.</em>&rdquo;</p>
<p> 52. O Silmarillion, p&aacute;g. 374. &ldquo;<em>Ent&atilde;o Gil-galad e Elendil entaram em Mordor e cercaram o reduto de Sauron. Sitiaram a fortaleza por sete anos e sofreram graves perdas pelo fogo, por lan&ccedil;as e por setas do Inimigo, e Sauron fez muitas investidas contra eles.</em>&rdquo;</p>
<p> 53. Ibid. &ldquo;<em>&#8230;Ali, no vale de Gorgoroth, An&aacute;rion, filho de Elendil, foi morto, al&eacute;m de muitos outros.</em>&rdquo;</p>
<p> 54. Morgoths Ring, p&aacute;g. 420. &ldquo;<em>Mas Sauron conseguiu em tempo unir a todos em &oacute;dio irracional a elfos e aos homens que se associaram a eles; enquanto que os orcs de seus pr&oacute;prios ex&eacute;rcitos treinados estavam t&atilde;o completamente sob sua vontade que sacrificariam a si mesmos, sem hesita&ccedil;&atilde;o, ao seu comando.</em>&rdquo;</p>
<p> O Retorno do Rei, p&aacute;g. 1006. &ldquo;<em>&#8230;Como formigas que vagam sem destino e sem prop&oacute;sito, para depois morrerem exauridas, quando a morte golpeia o ser inchado e incubante que habita o formigueiro e a todas mant&eacute;m sob controle, da mesma maneira as criaturas de Sauron, orcs ou trolls ou animais escravizados por encantamento, corriam de um lado para o outro sem rumo; alguns se matavam ou se jogavam em abismos, ou ainda fugiam gemendo para se esconderem em buracos e lugares escuros e sem luz, distantes de qualquer esperan&ccedil;a.</em>&rdquo;</p>
<p> 55. Ibid., &ldquo;<em>&#8230;Mas os Homens de Rh&ucirc;n e Harad, Orientais e Sulistas, viram a destrui&ccedil;&atilde;o de sua guerra e a grande majestade e gl&oacute;ria dos Capit&atilde;es do Oeste. E aqueles que havia mais tempo estavam mais envolvidos na servid&atilde;o maligna, odiando o oeste, e contudo eram homens altivos e corajosos, por sua vez se ajuntaram numa resist&ecirc;ncia desesperada.</em>&rdquo;</p>
<p> 56. O Silmarillion, p&aacute;g. 375. &ldquo;<em>A Torre Escura caiu ao ch&atilde;o, arrasada, mas seus alicerces permaneceram, e ela n&atilde;o foi esquecida. Os N&uacute;menorianos com efeito montaram guarda sobre a terra de Mordor&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> 57. Ibid., p&aacute;g. 379. &ldquo;<em>Em Eriador, Imladris era a principal morada dos Altos-Elfos; mas nos Portos Cinzentos de Lindon vivia tamb&eacute;m um remanescente do povo de Gil-galad, o Rei &eacute;lfico.</em>&rdquo; C&iacute;rdan de fato manteve Elfos suficientes, ou seus n&uacute;meros recuperaram-se o suficiente, para ajudar os D&uacute;nedain de Arnor em pelo menos tr&ecirc;s ocasi&otilde;es na Terceira Era, mas ele nunca foi capaz de erguer um ex&eacute;rcito como o de Gil-galad.</p>
<p> Bibliografia:</p>
<p> Tolkien, J.R.R.. O Senhor dos An&eacute;is, vol. &uacute;nico, Martins Fontes Editora, 2001.</p>
<p> Carpenter, Humphrey. The Letters Of J.R.R. Tolkien, Houghton Mifflin Company, 1981.</p>
<p> Tolkien, Christopher, ed.<br />
 Contos Inacabados, Martins Fontes Editora, 2002.<br />
 Morgoths Ring, Houghton Mifflin Company, 1993.<br />
 O Silmarillion, Martins Fontes Editora, 1999.<br />
 The Return Of The Shadow, Houghton Mifflin Company, 1988.<br />
 The Treason Of Isengard, Houghton Mifflin Company, 1990.<br />
 The War Of The Jewels, Houghton Mifflin Company, 1994.</p>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ele deverá ser como uma árvore plantada ao longo de rios de água</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Bettega</dc:creator>
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<div align="justify">As &aacute;rvores da Terra M&eacute;dia revelam o profundo amor de Tolkien pelos graciosos gigantes da natureza. Mas apesar de os Ents defenderem a causa das &aacute;rvores num mundo de lenhadores de duas pernas, eles parecem ter revelado um pouco mais sobre eles. Devemos aumentar as palavras de Tolkien com nossas imagina&ccedil;&otilde;es, uma vez que estamos prestes a contemplar todas as &aacute;rvores dos silenciosos e selvagens bosques. </div>
</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<p></p>
<div align="justify"> Como os Ents foram parar na Floresta Fangorn? Como, e quando, eles fizeram a jornada atrav&eacute;s da Terra M&eacute;dia para o extremo sul das Montanhas Cinzentas? E por que eles se moveram por todo esse caminho at&eacute; l&aacute;? Fangorn conta a Merry e Pippin que ele uma vez vagou pelos prados de salgueiro de Tasarinan. Prados de salgueiro &eacute; uma express&atilde;o curiosa, uma vez que &aacute;rvores n&atilde;o crescem em prados. Por&eacute;m, Tolkien adorava espalhar salgueiros por toda a Terra M&eacute;dia, ao longo de rios e lagos. E salgueiros realmente crescem junto de rios e lagos.</p>
<p> O salgueiro h&aacute; muito tempo tem sido usado como um s&iacute;mbolo de arrependimento e amor perdido na literatura Inglesa. Quando Fangorn conta sobre sua juventude em Beleriand, ele come&ccedil;a com os prados de salgueiro de Tasarinan (Nan-Tathren no mapa de Beleriand, uma regi&atilde;o entre as fozes do Sirion e seus Port&otilde;es, para o sul de Doriath). Quando Frodo e Sam vagam por Mordor e est&atilde;o com sede, Sam pensa melancolicamente, onde eles pararam em sua jornada, em salgueiros ao lado de rios. E quando Th&eacute;oden conduz os Cavaleiros de Rohan fora de Harrowdale, eles passam por salgueiros ao longo do Riacho de Neve..<br /> A mais po&eacute;tica descri&ccedil;&atilde;o de salgueiros na Terra M&eacute;dia &eacute; provavelmente a descri&ccedil;&atilde;o de Voronw&euml;, de Nan-Tathren, para Tuor em &ldquo;De Tuor e sua chegada a Gondolin&rdquo;:</p>
<p>  &ldquo;<em>&#8230;Naquela terra o Narog se une ao Sirion, e os dois n&atilde;o mais se apressam, mas seguem largos e silenciosos atrav&eacute;s de prados cheios de vida; e em toda a volta do rio reluzente h&aacute; l&iacute;rios como um bosque em flor, e a relva &eacute; repleta de flores, como pedras preciosas, como sinos, como chamas de vermelho e ouro, como uma extens&atilde;o de estrelas multicoloridas em um firmamento verde. Por&eacute;m o mais belo de tudo s&atilde;o os salgueiros de Nan-Tathren, de um verde-p&aacute;lido, ou prateados ao vento, e o farfalhar de suas in&uacute;meras folhas &eacute; um encanto de m&uacute;sica: o dia e a noite passavam palpitando, sem conta, enquanto eu ainda me detinha, submerso em relva at&eacute; os joelhos, a escutar. L&aacute; fui encantado, e esqueci o Mar em meu cora&ccedil;&atilde;o&#8230;</em>&rdquo;</p>
<p> Apesar de toda sua beleza e felicidade, no entanto, Nan-Tathren parece nunca ter atra&iacute;do uma popula&ccedil;&atilde;o &eacute;lfica permanente. Tuor e Idril conduziram os exilados de Gondolin para a regi&atilde;o e permanecerem ali por um tempo, realizando banquetes e fazendo can&ccedil;&otilde;es de arrependimento e m&aacute;goa por Gondolin, e para lembrar a coragem de Glorfindel. Mas eles n&atilde;o continuaram por muito tempo na regi&atilde;o.</p>
<p> A can&ccedil;&atilde;o de Fangorn para os Hobbits fala que ele ficaria em Nan-Tathren (Tasarinan &ndash; ele preferia usar Quenya) na primavera, e dali passar ao leste para Ossiriand, para vagar pelos bosques de olmo. No outono ele vagaria em Neldoreth, uma das florestas de Doriath, e dali passaria ao norte para Dorthonion no inverno.</p>
<p> &Eacute; f&aacute;cil inferir que os Ents rodearam Beleriand durante a Primeira Era, mas tamb&eacute;m deve-se perguntar como ou quando. Doriath era supostamente impenetr&aacute;vel, por&eacute;m os Sindar podiam passar livremente para dentro e fora. Talvez Melian, sabendo quem e o que os Ents eram, permitiram que eles passassem livremente. Mas a antiga can&ccedil;&atilde;o dos Ents n&atilde;o deve realmente retratar um modelo ou rota que qualquer Ent deve ter vagado em Dorthonion depois da Dagor Bragollach, quando Sauron conduziu um ex&eacute;rcito de Angband at&eacute; a regi&atilde;o mencionada.</p>
<p> Em todas as probabilidades, os Ents devem ter se retirado para Ossiriand. Ali, aliados com os elfos verdes e talvez com alguns dos fe&auml;norianos, eles teriam ajudado a manter a regi&atilde;o livre do poder de Morgoth. Os Ents estavam, desta maneira, dispon&iacute;veis a ajudar a destruir o ex&eacute;rcito de Nogrod quando retornou de Doriath, embora a est&oacute;ria da destrui&ccedil;&atilde;o de Doriath nunca foi totalmente desenvolvida para o Silmarillion. Por que os Entes deveriam ajudar a destruir um ex&eacute;rcito de an&otilde;es? Tolkien n&atilde;o d&aacute; nenhuma resposta, apesar de que pode-se supor que no saque de Doriath muitas &aacute;rvores teriam sido destru&iacute;das, acordando a raiva dos Ents.</p>
<p> Ossiriand teria se tornado populosa com anteced&ecirc;ncia na Segunda Era, no entanto. N&atilde;o somente moravam os elfos verdes ali, como tamb&eacute;m os Sindar e Noldor, e por um tempo alguns dos Edain moraram na regi&atilde;o. Os Ents devem ter se retirado para o leste do outro lado das montanhas para Eriador a fim de encontrar um pouco de paz. &Eacute; claro, havia alguns Sindar que os haviam precedido, mas j&aacute; havia muitos elfos Nandorin e Homens tamb&eacute;m.</p>
<p> Fangorn fala de um tempo onde uma enorme floresta se estendeu a partir das Montanhas Sombrias para as Montanhas Azuis (Ered Luin): &ldquo;<em>&#8230; Aqueles foram dias grandiosos! Houve um tempo em que eu podia caminhar e cantar o dia todo e escutar apenas o eco de minha pr&oacute;pria voz nas concavidades das colinas. As florestas eram como a floresta de Lothl&oacute;rien, apenas mais densas, mais fortes, mais jovens. E o aroma de ar! Eu costumava passar uma semana s&oacute; respirando.</em>&rdquo;</p>
<p> Os Ents parecem ter gostado de sua privacidade, de seu tempo quieto nos bosques. Ent&atilde;o eles naturalmente evitaram o abarrotamento da civiliza&ccedil;&atilde;o. At&eacute; os Elfos eram grandes construtores de cidades, e os marinheiros de C&iacute;rdan eram lenhadores que necessitavam de madeira para seus navios. Especialmente os Ents n&atilde;o estavam muito contentes com os Falathrim ou quaisquer Elfos que usavam madeira extensivamente.</p>
<p> Por outro lado, as Entesposas eram muito organizadas, e at&eacute; certo ponto em suas andan&ccedil;as, elas se dispersaram dos Ents. &Eacute; imposs&iacute;vel dizer quando a separa&ccedil;&atilde;o dos Ents e das Entesposas come&ccedil;ou, mas &eacute; bem poss&iacute;vel que tenha come&ccedil;ado depois dos Ents terem se estabelecido nos bosques que se tornaram a Floresta Fangorn. E quando os Ents se estabeleceram nesse local? Provavelmente por volta desta &eacute;poca os Sindar estavam migrando em dire&ccedil;&atilde;o ao leste e estabelecendo reinos nos Vales do Anduin. &ldquo;Os limites de L&oacute;rien&rdquo; (Ap&ecirc;ndice C de &ldquo;A Hist&oacute;ria de Galadriel e Celeborn&rdquo; em Contos Inacabados) conta que &ldquo;<em>Pois a lenda relatava que o pr&oacute;prio Fangorn se encontrara com o Rei dos Galadhrim em dias antigos, e Fangorn dissera: &#8211; Conhe&ccedil;o o meu, e voc&ecirc; conhece o seu; que nenhum dos lados moleste o que &eacute; do outro. Mas se um elfo desejar caminhar na minha terra por prazer, ser&aacute; bem vindo; e se um ent for avistado na sua terra n&atilde;o tema nenhum mal.</em>&rdquo;</p>
<p> Por que havia necessidade de Fangorn estabelecer limites sobre os Elfos, e dividir as terras? A resposta deve ser que os Ents vivenciaram certo atrito at&eacute; mesmo com os Elfos, e esse atrito deveu-se ao uso de &aacute;rvores. Os Elfos de L&oacute;rien usavam as &aacute;rvores assim como a maior parte das pessoas as utiliza: eles constroem casas, m&oacute;veis e barcos.<br />
Os Ents devem ter percebido que at&eacute; certo ponto n&atilde;o podiam mais contes os Elfos e Homens em Eriador, ent&atilde;o eles retiraram-se para os bosques ao sul e estabeleceram um acordo aonde as &aacute;rvores poderiam crescer livres e selvagens.</p>
<p> Mas Fangorn tamb&eacute;m conta a Merry e Pippin que havia lugares na floresta onde as &aacute;rvores eram antigas, algumas at&eacute; mais velhas que ele, e a sombra nunca aterrisou sobre elas. A sombra, ou escurid&atilde;o, a qual ele se refere parece ser de Morgoth e n&atilde;o Sauron. Fangorn fala de um tempo onde os Elfos come&ccedil;aram a fugir para o Mar. Isso s&oacute; pode se referir ao per&iacute;odo ap&oacute;s a Guerra dos Elfos e Sauros. Mas desde que ele pr&oacute;prio vagou por Beleriand, e relembrou de Tasarinan, ele era mais velho que a guerra. Portanto, as &aacute;rvores que eram mais velhas que ele estiveram vivas por s&eacute;culos, talvez mil&ecirc;nios, antes que Sauron invadisse Eriador.</p>
<p> Tamb&eacute;m, se os Ents estiveram presentes em Eriador quando Sauron queimou as florestas, eles deveriam relembrar a cat&aacute;strofe e se opor a Sauron diretamente. Ao inv&eacute;s disso, Fangorn somente sabe que as florestas foram destru&iacute;das. Ele e seu povo parecem ter estado habitando pr&oacute;ximos ao fim das Montanhas Sombrias quando Sauron invadiu Eriador. Ent&atilde;o a migra&ccedil;&atilde;o Ent ocorreu primariamente &agrave; Guerra dos Elfos e Sauron, e dessa forma parece l&oacute;gico que os Ents procuraram uma terra onde eles poderiam obter algum benef&iacute;cio (dissipando a escurid&atilde;o antiga das &aacute;rvores ou evitando que as &aacute;rvores m&aacute;s machucassem inocentes e espalhassem o mal), assim como estabelecendo um ref&uacute;gio onde as &aacute;rvores pudessem ser protegidas e alimentadas.</p>
<p> De sua parte, as Entesposas parecem ter morado pr&oacute;ximo do extremo sul das Montanhas Sombrias dos primeiros dias. Fangorn conta a Merry e Pippin que as Entesposas cruzaram o Anduin &ldquo;<em>quando a escurid&atilde;o veio para o Norte</em>&rdquo;. O evento o qual se refere s&oacute; pode ser o retorno de Morgoth a Terra-M&eacute;dia, e o estabelecimento de Angband. O poder de Morgoth se estendeu atrav&eacute;s de toda a Terra M&eacute;dia, mas ap&oacute;s os Noldor retornarem &agrave; Terra M&eacute;dia, ele come&ccedil;ou a concentrar sua aten&ccedil;&atilde;o em Beleriand. Ent&atilde;o deve ter havido um breve per&iacute;odo em que Morgoth encontrou os jardins das Entesposas e as amea&ccedil;ou ou as importunou.</p>
<p> Mas a situa&ccedil;&atilde;o das Entesposas levanta uma interessante quest&atilde;o: o que elas estavam fazendo ali em primeiro lugar? A resposta deve ser que a Floresta Fangorn representa n&atilde;o apenas o &uacute;ltimo ref&uacute;gio dos Ents na Terceira Era, mas tamb&eacute;m a terra de sua origem. Fangorn diz que os Elfos originalmente acordaram os Ents e os ensinou linguagem. Os elfos poderiam ter feito isso em Cuivi&eacute;nen, mas Fangorn nunca menciona Cuivi&eacute;nen, e Ents nunca est&atilde;o associados com Cuivi&eacute;nen. Tamb&eacute;m, a Grande Jornada marca o in&iacute;cio da real expans&atilde;o e curiosidade &Eacute;lfica. Pode ser que alguns dos Eldar, ou talvez alguns dos Nandor, acordaram os primeiros Ents, logo que os Elfos cruzaram o Anduin.</p>
<p> Quando os Elfos passaram para o oeste, ou se dispersaram atrav&eacute;s de outras terras, os Entes devem ter se movido, para aprender mais sobre o mundo. As Entesposas ficaram em casa, e o eventual separatismo entre os dois sexos dos Ents come&ccedil;ou logo cedo. Os Ents retornavam para as Entesposas de tempos em tempos, mas os dois grupos gradualmente foram &agrave; deriva. Finalmente, as Entesposas cruzaram o Anduin. A passagem deve ter sido facilmente alcan&ccedil;ada nos vaus, e as Entesposas se estabeleceram nas terras ao sul da Floresta das Trevas, e ent&atilde;o a leste de sua floresta original. Elas deviam estar pr&oacute;ximas dos Elfos e dos Homens, mas elas poderiam ter permanecido relativamente intactas.</p>
<p> Na Segunda Era, como os Ents se retiraram para o leste de sua antiga morada, eles acharam antigos bosques infectados pelos mal e que as Entesposas haviam partido. Mas eles continuaram tendo contato com as Entesposas durante um tempo. A separa&ccedil;&atilde;o final deve ter sido o resultado final de Guerra dos Elfos e Sauron. Os Ents observaram enquanto o mundo revolvia-se em tumultos ao redor deles. Pois Sauron n&atilde;o apenas invadiu Eriador, ele mandou ex&eacute;rcitos de Mordor para marchar ao norte para destruir as pessoas Eda&iacute;nicas das Terras Selvagens, assim como quaisquer reinos &Eacute;lficos que pudessem alcan&ccedil;ar. Provavelmente, os Ents permaneceram na Floresta Fangorn pelo resto da Segunda Era. Eles prestaram pouca aten&ccedil;&atilde;o quando a &Uacute;ltima Alian&ccedil;a dos Elfos e Homens marchou ao sul contra Mordor. Mas um dia Fangorn decidiu visitar seu antigo amor Fimbrethil, e passando ao leste atrav&eacute;s dos Vaus ele chegou a uma terra devastada pela guerra. As Entesposas haviam partido, e seus jardins haviam sido destru&iacute;dos.</p>
<p> E ent&atilde;o come&ccedil;ou uma aventura que deve ter durado mil anos. De vez em quando os Ents arriscavam-se para adiante e perguntavam &agrave;s pessoas se haviam visto as Entesposas. Certamente, os Ents nunca encontraram as Entesposas. Quando questionado sobre elas por um leitor, Tolkien respondeu:</p>
<p>  <em>Eu acredito que de fato as Entesposas desapareceram pelo bem, sendo destru&iacute;das com seus jardins na Guerra da &Uacute;ltima Alian&ccedil;a (Segunda Era 3429-3441), quando Sauron lutou por uma pol&iacute;tica de terra seca e queimou a terra delas contra o avan&ccedil;o dos Aliados abaixo do Anduin (vol.II p.79 refere-se a isso). Elas sobreviveram somente na &ldquo;agricultura&rdquo; transmitida aos Homens (e Hobbits). Algumas, &eacute; claro, devem ter escapado para o leste, ou at&eacute; se tornado escravizadas: tiranos mesmo em tais contos devem ter um fundo econ&ocirc;mico e agricultural para seus soldados e metal&uacute;rgicos. Se alguma ent&atilde;o sobreviveu, elas estariam bem diferentes dos Ents, e alguma reaproxima&ccedil;&atilde;o seria dif&iacute;cil &ndash; a n&atilde;o ser que a experi&ecirc;ncia da agricultura militarizada e industrializada tenha as tornado um pouco mais an&aacute;rquicas. Eu espero que sim. Eu n&atilde;o sei. (Letter 144)</em></p>
<p> A procura dos Ents pelas Entesposas inspirou muitas m&uacute;sicas e can&ccedil;&otilde;es, e at&eacute; mesmo Aragorn parecia saber algo da longa procura dos Ents, pois ele disse a Fangorn que novas terras seriam abertas a ele. Fangorn naquela altura tinha pouca esperan&ccedil;a de encontrar sua amada Fimbrethil novamente, e ele pode nunca ter deixado seus bosques na Quarta Era. Os Ents parecem se contentar em permanecer no bosque selvagem, e vigiar Orthanc, para assegurar que o mal nunca retornar&aacute; &agrave;quela regi&atilde;o.</p>
<p> Naturalmente, as pessoas rapidamente notam que os Ents ou criaturas do tipo moravam pr&oacute;ximos do Condado. E quando Fangorn questiona Merry e Pippin sobre sua terra, ele concluiu que seria uma terra favor&aacute;vel para as Entesposas. Mas n&atilde;o havia Entesposas no Condado, e &eacute; improv&aacute;vel que elas j&aacute; tenham se estabelecido l&aacute;. A famosa &aacute;rvore andante de Sam, que &eacute; reportada por seu primo Hal, poderia de fato ser uma &aacute;rvore andando e n&atilde;o um Ent. As &aacute;rvores da Floresta Velha podiam se mover, o que Frodo e seus companheiros aprenderam quando perderam seu caminho em meio aos bosques zangados. Mas n&atilde;o havia Ents na Floresta. Apenas &aacute;rvores antigas como o Velho Salgueiro e outras curiosas, perigos inominados. &Aacute;rvores podiam acordar por si pr&oacute;prias, por raz&otilde;es inexplicadas. Fangorn descreveu o processo para Merry e Pippin:</p>
<p>  &ldquo;<em>As &aacute;rvores e os Ents &ndash; disse Barb&aacute;rvore. &ndash; Eu mesmo n&amp;ati<br />
lde;o entendo tudo o que est&aacute; acontecendo, por isso n&atilde;o posso lhes explicar. Alguns de n&oacute;s ainda somos ents verdadeiros, e bastante vivos &agrave; nossa pr&oacute;pria maneira, mas muitos est&atilde;o ficando sonolentos, ficando arvorescos, por assim dizer. A maioria das &aacute;rvores s&atilde;o &aacute;rvores verdadeiras, &eacute; claro; mas muitas est&atilde;o semi-acordadas. Outras est&atilde;o bastante acordadas, e algumas est&atilde;o, bem, ah, bem, ficando entescas. Isso est&aacute; acontecendo o tempo todo.</em>&rdquo;</p>
<p>  &ldquo;<em>Quando isso acontece a uma &aacute;rvore, voc&ecirc; descobre que algumas t&ecirc;m cora&ccedil;&otilde;es maus. N&atilde;o tem nada a ver com a madeira: n&atilde;o quero dizer isso. Vejam, eu conheci alguns bons salgueiros velhos, descendo o Ent&aacute;gua, que se foram h&aacute; muito tempo, infelizmente! Estavam bem ocos, na verdade estavam caindo aos peda&ccedil;os, mas eram tranq&uuml;ilos e falavam suavemente como uma folha jovem. E tamb&eacute;m h&aacute; algumas &aacute;rvores nos vales sob as montanhas, vendendo sa&uacute;de e totalmente m&aacute;s. Esse tipo de coisa parece estar se espalhando. Costumava haver umas partes muito perigosas neste lugar. Ainda h&aacute; alguns trechos muito negros.</em>&rdquo;</p>
<p> Numa carta para o Daily Telegraph Tolkien explicou a diferen&ccedil;a entre as florestas na Terra M&eacute;dia. Um artigo associou tristeza e escurid&atilde;o com os bosques de Tolkien e ele deu exce&ccedil;&otilde;es para a compara&ccedil;&atilde;o:</p>
<p> <em> Com refer&ecirc;ncia ao Daily Telegraph de 29 de Junho, p&aacute;gina 18, eu sinto que n&atilde;o &eacute; justo usar meu nome associado &agrave; tristeza e escurid&atilde;o, especialmente num contexto lidando com &aacute;rvores. Em todos os meus trabalhos, eu assumo a parte das &aacute;rvores contra todos os seus inimigos. Lothl&oacute;rien &eacute; linda porque as &aacute;rvores s&atilde;o amadas; em outros lugares as &aacute;rvores s&atilde;o representadas como o despertar para a consci&ecirc;ncia delas pr&oacute;prias. A Floresta Velha era hostil com criaturas de duas pernas devido &agrave;s mem&oacute;rias de antigas feridas. A Floresta Fangorn era antiga e bela, mas naquele momento tenso da est&oacute;ria, com hostilidade porque estava amea&ccedil;ada por um inimigo amante das m&aacute;quinas. A Floresta das Trevas declinou diante da domina&ccedil;&atilde;o do Poder que odiou todos os seres vivos, mas foi restaurada e se tornou a Floresta das Trevas antes do final da est&oacute;ria.</em></p>
<p> &Eacute; dif&iacute;cil pensar em Beren encantado pela beleza e gra&ccedil;a de L&uacute;thien em uma floresta triste e escura, ou em Finrod olhando os ancestrais de Beren dormindo numa floresta esquecida, condenada e cheia de &oacute;dio. Os bosques de Doriath, Ossiriand, e at&eacute; os do Condado s&atilde;o amistosos e locais abertos. Seus habitantes devem ser insulares e protetores de suas terras e vidas, mas eles n&atilde;o s&atilde;o possu&iacute;dos pela mal&iacute;cia. A Floresta Velha e a Floresta Fangorn herdaram alguns toques do mal dos dias de Morgoth. Mas ao passo que os Ents retornaram a Fangorn para purificar ou vigiar seus bosques ancestrais, a Floresta Velha foi roendo a si mesma com mal&iacute;cia, pelo menos at&eacute; que Tom Bombadil decidiu se estabelecer por ali. Gandalf observou no Conselho de Elrond que Bombadil havia se &ldquo;<em>retirado para uma regi&atilde;o pequena, dentro de limites que ele mesmo fixou, embora ningu&eacute;m consiga enxerga-los, talvez esperando uma mudan&ccedil;a dos dias, e n&atilde;o sai dali.</em>&rdquo; Bombadil contou a Frodo e seus companheiros que ele, Bombadil, nunca poderia sair de sua terra, pois ele deveria vigia-la. O mal da Floresta Velha e das Colinas dos T&uacute;mulos havia se tornado t&atilde;o grande que Bombadil se sentia obrigado a checa-la constantemente.</p>
<p> Mas apesar de que as Colinas dos T&uacute;mulos terem sido mandadas para infestar os antigos montes dos Dunedain por ambos Sauron ou o Senhor dos Nazgul, por que a Floresta Velha se tornou escura e amea&ccedil;adora? Tolkien notifica que os bosques mantinham &ldquo;<em>a mem&oacute;ria de muitas feridas</em>&rdquo;. O que eram essas feridas? N&oacute;s podemos apenas ter certeza de algumas. A queimada das florestas de Eriador por Sauron deve ter come&ccedil;ado o vagaroso processo. De algum modo, poucos lugares como A Floresta Velha e Eryn Vorn sobreviveram &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o provocada pela guerra. Mas ao passo que alguns dos Gwathuirim (homens relacionados ao Dunlendings e os Homens de Brethil em Beleriand) se retiraram a Eryn Vorn, e sem sombra de d&uacute;vida deram seu amor aos bosques como os melhores homens s&atilde;o capazes, nenhum homem se retirou &agrave; Floresta Velha.</p>
<p> Milhares de anos antes, homens se refugiaram na Floresta Velha. Na Guerra de 1409 na Terceira Era, o reino de Angmar invadiu Cardolan. Os Dunedain se retiraram para o oeste de suas casas nas Colinas do Sul. Alguns dos Dunedain resistiram nos montes de Tyrn Gorthad, mas alguns fugiram para a Floresta Velha. Ali a luta foi violenta, e talvez muitas &aacute;rvores foram perdidas ou feridas. Um retiro similar deve ter ocorrido quando Angmar finalmente destruiu o reino de Arnor. Muito do povo de Arnor foi destru&iacute;do, mas alguns fugiram para se esconder. A Floresta Velha pode provavelmente ter servido de ref&uacute;gio. E s&eacute;culos depois, os Buqueburgos cruzaram o rio Brandevin a partir do Condado e colonizaram uma faixa de terra adjacente &agrave; Floresta Velha. Os hobbits e as &aacute;rvores entraram em conflito, e Merry conta que houve uma batalha de resolu&ccedil;&atilde;o. Os Hobbits queimaram muitas &aacute;rvores e cresceram o feno para ser uma barreira entre sua terra e a Floresta. Mas Hobbits ainda ocasionalmente arriscam-se a entrar na Floresta Velha. Ali ainda podem acontecer alguns poucos acidentes.</p>
<p> Sem Ents para vigi&aacute;-la, e com Bombadil apenas checando o mal, procurando nem destruir nem domina-la, a Floresta Velha se ferveu com mal&iacute;cia e a &ldquo;mem&oacute;ria de muitas feridas&rdquo;. Algumas das &aacute;rvores se tornaram Entescas, como Fangorn diz. E sem d&uacute;vida alguma, de quando em quando, algumas delas, saiu vagando por terras selvagens. Talvez elas acharam um bom peda&ccedil;o de terra e por fim se estabeleceram. Talvez elas foram destru&iacute;das por terr&iacute;veis criaturas de duas pernas ou pior. Mas ainda havia uma pequena esperan&ccedil;a de que os Ents encontrassem as Entesposas novamente, ent&atilde;o deveria haver uma pequena esperan&ccedil;a de uma reconcilia&ccedil;&atilde;o da Floresta Velha com as criaturas de duas pernas. Finalmente, Tom Bombadil desistiria de sua fun&ccedil;&atilde;o e prosseguiria com sua vida.</p>
<p> Se existia algum povo que mantinha grandes esperan&ccedil;as de qualquer coisa relacionada &agrave;s &aacute;rvores, este seria os Elfos. Fangorn observa que os Ents e os Elfos cresceram &agrave; parte. Mas no final da Terceira Era e no come&ccedil;o da Quarta Era, a cultura &Eacute;lfica era substancialmente diferente do que das Eras iniciais. As s&aacute;bias civiliza&ccedil;&otilde;es Eldarin foram reduzidas a alguns encraves. Os Elfos Silvan de Floresta das Trevas eram o maior e mais poderoso grupo. E muitos dos Noldor haviam ambos se tornado nativos, para falar, como Galadriel, ou estavam apenas permanecendo na prazerosa mem&oacute;ria dos dias passados, como o povo de Gildor. Quando Legolas e Gimli visitaram a Floresta Fangorn ap&oacute;s a Guerra do Anel, pode ser que uma fase final de amizade e entendimento tenha come&ccedil;ado entre os Ents e os Elfos, e at&eacute; mesmo entre os Ents e os An&otilde;es.</p>
<p> Mas tais tr&eacute;guas ou retomadas de amizades poderiam apenas ser tempor&aacute;rias. N&atilde;o h&aacute; dicas sobre o que fez-se dos Ents e das Entesposas, salvo apenas em uma can&ccedil;&atilde;o &Eacute;lfica em que Fangorn lem<br />
brou com prazer para dividir com Merry e Pippin. A can&ccedil;&atilde;o tentava representar a divis&atilde;o do povo Entes, mas Fangorn notou que era &ldquo;<em>&Eacute;lfica, &eacute; claro: alegre, com poucas palavras e curta.</em>&rdquo; Ap&oacute;s descrever a diferen&ccedil;a entre os Ents e as Entesposas, a can&ccedil;&atilde;o oferecia uma esperan&ccedil;a de reconcilia&ccedil;&atilde;o. <em>Juntos pegaremos a estrada de leva ao Oeste, e ao longe encontraremos uma terra onde ambos nossos cora&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o descansar.</em>  </div>
<p align="justify"> Esse Oeste s&oacute; pode ser Aman, e como tal, representa uma esperan&ccedil;a &Eacute;lfica, ou melancolia. Galadriel, em sua separa&ccedil;&atilde;o com Fangorn, o avisa que eles n&atilde;o voltar&atilde;o a se encontrar &ldquo;at&eacute; que as terras que est&atilde;o embaixo das ondas estar&atilde;o levantadas novamente&rdquo;. Ela n&atilde;o considerava a passagem de nenhum Ent pelo Mar. E n&atilde;o deveria passar nenhum. Il&uacute;vatar criou os Ents para vigiar as &aacute;rvores da Terra M&eacute;dia. Em Aman eles n&atilde;o seriam necess&aacute;rios, apesar de que talvez seus esp&iacute;ritos, ap&oacute;s morrerem, pode ter sido reunido ali por Namo. N&atilde;o h&aacute; realmente nada de misticismo Ent em nenhuma das discuss&otilde;es de Fangorn com as pessoas. N&atilde;o sabemos se para eles existe uma outra vida, ou preocupa&ccedil;&otilde;es espirituais. Mas eles eram encarnados racionais, como Tolkien mesmo colocou, e eles entendiam o arrependimento, a perda e at&eacute; mesmo a esperan&ccedil;a. Ent&atilde;o talvez, quando Elrond, Galadriel, Gildor, Frodo, Bilbo e Gandalf rumaram para o Mar no fim da Terceira Era, no momento em Sam, Merry e Pippin observaram eles desaparecem na dist&acirc;ncia na Estrada para os Portos Cinzentos, havia olhos antigos vigiando a partir das &aacute;rvores, dando silenciosas despedidas &agrave;s antigas amizades e v&iacute;nculos.</p>
<p> E talvez, apenas talvez, os Elfos e os Hobbits plantaram salgueiros em Lindon e no Condado, ao longo das margens gramadas dos rios, em mem&oacute;ria dos antigos bosques e seus orgulhosos pastores. At&eacute; mesmo as Entesposas teriam gostado, apesar de que nada poderia ser comparado &agrave; beleza dos prados de salgueiro de Tasarinan na Primavera. <em>A vanimar, vanimalion nostari. Namarie!</em></p>
<p align="justify"><em><br /><em> Tradu&ccedil;&atilde;o de Helena &acute;Aredhel&acute; Felts</em></em></p>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Viajando em Carroças com Hobbits</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2005 09:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Bettega</dc:creator>
				<category><![CDATA[Michael Martinez]]></category>

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										</div><div align="justify">
<div align="justify">Provavelmente nunca haver&aacute; um filme do tipo Dias de Trov&atilde;o celebrando as corridas de carro&ccedil;a entre a Vila dos Hobbits e Beir&aacute;gua. Hobbits s&atilde;o por natureza um povo caseiro, cujos riscos mais selvagens tendem a ser roubar cogumelos e entrar e sair de botes. &Eacute; claro, alguns ocasionais T&ucirc;ks rumam para o Mar, mas at&eacute; Gandalf ter ati&ccedil;ado Bilbo e Frodo Bolseiro a vagarem pela Terra M&eacute;dia, Hobbits provavelmente n&atilde;o passavam muito tempo fora de suas pr&oacute;prias terras por mais de mil anos. </div>
<p></div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<p> </p>
<div align="justify">Havia uma certa propriedade que acompanhava o Hobbit &ldquo;literal&rdquo;, um senso de que &ldquo;tudo estava bem at&eacute; este momento&rdquo;. E este era um falso sentido de propriedade. Os Hobbits, como os Elfos, tinham seus pr&oacute;prios arrependimentos e preocupa&ccedil;&otilde;es. O povo do Condado tinha esquecido (ou parecia fingir ter esquecido) que eles uma vez viveram em Bri, que era agora uma terra estrangeira. E antes de morarem em Bri, eles viveram em terras ao leste das Colinas do Vento, ou ao sul do rio Gwathlo.</p>
<p> Est&oacute;rias de Hobbits n&atilde;o se tornam interessantes a n&atilde;o ser que algu&eacute;m agite suas vidas. Todos os dias, durante muitos anos, Hobbits viveram calmamente em suas colinas e jardins, e ent&atilde;o algu&eacute;m viria e tiraria sua inoc&ecirc;ncia. Poderia ser devido a um Necromante, que transforma a Grande Floresta Verde na Floresta das Trevas. Ou poderia ser devido a um Rei-Bruxo que desencadeia uma devastadora s&eacute;rie de guerras. Ou poderia ser um mago andarilho que decide ajustar alguns erros e percebe que os Hobbits podem escapar pr&oacute;ximos ao escrut&iacute;nio o suficiente para alcan&ccedil;ar algumas coisas.</p>
<p> Qualquer que seja a causa, chega um dia na vida de um Hobbit em que ele p&otilde;e a fam&iacute;lia em uma ou mais carro&ccedil;as e ruma para o interior. Tais migra&ccedil;&otilde;es, ou fugas, devem ser dif&iacute;ceis para todos. Os l&iacute;deres dos antigos Helvetii, um grupo de tribos celta que vive nos Alpes, a leste da G&aacute;lia (Fran&ccedil;a), for&ccedil;ava seu povo a queimar suas casas e vilarejos. Os Helvetii e seus aliados entraram na G&aacute;lia sem nada al&eacute;m de suas carro&ccedil;as e os animais que puderam trazer com eles. N&atilde;o havia como voltar atr&aacute;s.</p>
<p> A decis&atilde;o de deixar suas terras nos Alpes tem sido muito debatida. Os Helvetii n&atilde;o poderiam simplesmente partir por capricho. Alguns eruditos, ao longo dos anos, sugeriram &ndash; de fato, insistiram &ndash; que os Helvetii seguiam uma antiga pr&aacute;tica celta chamada ver sacrum,uma expans&atilde;o ritual das tribos dentro de novos territ&oacute;rios. Os celtas do Norte da It&aacute;lia dividiam nomes tribais com os celtas da regi&atilde;o Alpina e com os celtas da G&aacute;lia.</p>
<p> Os Helvetii e seus aliados afirmaram que estavam fugindo para o oeste para escapar das tribos Germ&acirc;nicas e Eslavas. J&uacute;lio C&eacute;sar usou a migra&ccedil;&atilde;o dos Helvetii como uma desculpa para estabelecer uma base de poder na G&aacute;lia, e uma vez que ele derrotou os Helvetii, for&ccedil;ando-os a retornar aos Alpes, ele seguiu com a conquista de toda a G&aacute;lia. As campanhas para a conquista da G&aacute;lia de C&eacute;sar desencadearam uma migra&ccedil;&atilde;o celta final, da G&aacute;lia do Norte para a Bretanha.</p>
<p> Durante todo o tempo em que os antigos celtas se moviam ou expandiam, arranjos pol&iacute;ticos regionais chegavam a Utumno numa cesta de m&atilde;o. Qualquer que fosse o reino ou cidade que estivesse no caminho da migra&ccedil;&atilde;o, estava normalmente cal&ccedil;ado, mas os inimigos dessas pessoas infelizes muitas vezes encontravam novos aliados nos celtas quando viajavam pelas terras. O costume do ver sacrum era disputado, apesar de ser mencionado apenas por antigos escritores. Mas arque&oacute;logos e historiadores, em geral, aceitam que os celtas e os germ&acirc;nicos estavam provavelmente seguindo uma antiga pr&aacute;tica de mandar embora os colonizadores assim que suas popula&ccedil;&otilde;es come&ccedil;assem a aumentar.</p>
<p> O registro arqueol&oacute;gico de comunidades agricultoras Europ&eacute;ias sugere que, h&aacute; aproximadamente 8000 anos, fazendeiros foram para a Europa a partir da Gr&eacute;cia. Sabe-se que eles pressionaram os cl&atilde;s mais velhos e vagantes para o leste e norte. Os fazendeiros trouxeram com eles animais domesticados, ferramentas superiores, armas, e um conhecimento sobre agricultura que os possibilitou formar maiores fam&iacute;lias, viver em maiores comunidades e viver por mais tempo.</p>
<p> A agricultura e a pecu&aacute;ria aumentaram o poder dos cl&atilde;s, para por fim se tornarem tribos e na&ccedil;&otilde;es. Mas a tecnologia era insuficiente para suportar grandes popula&ccedil;&otilde;es. Ent&atilde;o, a cada poucas gera&ccedil;&otilde;es, os vilarejos tinham que exilar parte de suas popula&ccedil;&otilde;es. As fazendas locais estavam consumindo toda a terra com a sua tradicional tecnologia de &ldquo;cortar e queimar&rdquo;, que proporcionou breves per&iacute;odos de boa agricultura antes que os agricultores tivessem que se mudar. Fazendeiros da Am&eacute;rica do Sul est&atilde;o destruindo milhares de acres de Floresta Tropical todos os anos atrav&eacute;s de pr&aacute;tica similar.</p>
<p> Apesar desse tipo de agricultura requerer que novas terras sejam abertas de tempos em tempos, os fazendeiros podem deslocar-se dentro da mesma regi&atilde;o geral, de forma que seu n&uacute;mero total n&atilde;o se modifique. Mas a agricultura alimenta muitas bocas famintas, e as pessoas tinham tend&ecirc;ncia de ter muitos filhos. Apesar de que a maioria das crian&ccedil;as n&atilde;o chegava &agrave; maturidade (por uma s&eacute;rie de raz&otilde;es), as comunidades agricultoras gradualmente se expandiram para o leste e para o norte por aproximadamente 3000 anos.E ent&atilde;o novos povos, que chamamos de Indo-Europeus, come&ccedil;aram a ir para a Europa, e iniciaram o processo de expans&atilde;o novamente.</p>
<p> Os Indo-Europeus n&atilde;o eram simplesmente agricultores. Eles eram guerreiros, n&ocirc;mades e inventores. Eles projetaram carro&ccedil;as que eram eficientes, f&aacute;ceis de construir e manter,e capazes de transportar muitas mercadorias. O projeto de carro&ccedil;a dos Indo-Europeus permaneceu essencialmente inalterado at&eacute; o s&eacute;culo XIX, quando pioneiros americanos e vassalos russos usavam vag&otilde;es que se pareciam muito com os seus antecessores de 5000 anos antes, para abrir terras em dois continentes.</p>
<p> Esses povos Indo-Europeus que se mudaram para a Europa se estabeleceram entre os fazendeiros nas terras densamente plantadas e adotaram um pouco de seu estilo de vida. Um desses costumes era a tradicional pr&aacute;tica de cortar e queimar. De acordo com Tacitus, que escreveu sobre eles no s&eacute;culo I DC, os Germ&acirc;nicos, um grupo ao norte dos Indo-Europeus, adotaram o costume de obrigar as fam&iacute;lias a sair de suas fazendas todos os anos. Tacitus tinha a impress&atilde;o de que as tribos germ&acirc;nicas de certa forma aglomeravam-se no interior, queimando suas casas e reconstruindo-as a cada ano.</p>
<p> Tais medidas devem ter sido extraordin&aacute;rias, e eles devem ter tido motivos pol&iacute;ticos por tr&aacute;s de tudo. A Arqueologia nos mostra que existiam cidades fortificadas no norte da Europa, conectadas por estradas e rotas comerciais ao longo de estu&aacute;rios at&eacute; antes de 1400 AC. Os Germ&acirc;nicos Ocidentais, dos quais vieram os Sax&otilde;es, Francos e Borgonheses da primitiva Hist&oacute;ria Medieval, eram possivelmente as tribos mais primitivas do n<br />
orte. Mas eles, no entanto, tinham suas pr&oacute;prias cidades grandes e podiam reunir respeit&aacute;veis ex&eacute;rcitos capazes de destruir legi&otilde;es Romanas experientes, incluindo as malfadadas tr&ecirc;s legi&otilde;es de Quinctilius Varus no come&ccedil;o do primeiro s&eacute;culo DC.</p>
<p> Todos esses fazendeiros b&aacute;rbaros viajantes provavelmente mais forneceram a Tolkien em esquema para as migra&ccedil;&otilde;es dos Hobbits. Os Hobbits n&atilde;o gostavam de guerras. Eles n&atilde;o conquistavam imp&eacute;rios. Ao inv&eacute;s disso, eles achavam suas pr&oacute;pria terras confort&aacute;veis e se fixavam por tanto tempo quanto &agrave;s pol&iacute;ticas locais permitiam. Assim como os Celtas e os Germ&acirc;nicos, que divergiram das mesmas subculturas ancestrais Indo-Europ&eacute;ias em algum tempo no fim do terceiro ou segundo mil&ecirc;nio AC, os Hobbits se dividiram em duas popula&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s terem entrado em Eriador.</p>
<p> Agora, muitas pessoas ser&atilde;o r&aacute;pidas ao apontar que havia tr&ecirc;s grupos de Hobbits: P&eacute;s-peludos, Grados e Cascalvas. Sim, isso mesmo. Mas os Cascalvas e os P&eacute;s-peludos permaneceram no Norte. Eles cruzaram as Montanhas Sombrias atrav&eacute;s da Passagem Alta (acima de Valfenda &ndash; a mesma passagem onde Thorin e a Companhia foram capturados por Orcs em O Hobbit) e estabeleceram-se em Rhudaur, provavelmente entre o Mitheithel e as Colinas do Vento.</p>
<p> Os Grados cruzaram as Montanhas Sombrias pela passagem do Chifre Vermelho e se dividiram em dois grupos. Alguns foram ao norte para o Angle e ficaram em Cardolan. Os outros se estabeleceram em Terra Parda, ao sul da fronteira de Cardolan. N&atilde;o &eacute; apenas uma coincid&ecirc;ncia que as fam&iacute;lias de Hobbits que descendiam dos Grados da Terra Parda tinham nomes c&eacute;lticos, enquanto fam&iacute;lias de Hobbits que descendiam de grupos do norte tinham nomes germ&acirc;nicos. Muitos leitores observaram ao longo dos anos como os Terra-pardenses parecem ser um pouco &ldquo;celtas&rdquo;.</p>
<p> De fato, todo o povo de Bri tem nomes relacionados a motivos populares celtas (Macieira, Carrapicho, etc). Isto &eacute;, s&atilde;o nomes relacionados &agrave; natureza. Quer estejam certas ou erradas, as pessoas t&ecirc;m &ndash; desde o final do s&eacute;culo XVIII &ndash; cada vez mais associado os celtas e os druidas com &agrave; adora&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza e uma esp&eacute;cie de anti-pastorialismo em cidades. Na realidade, os celtas eram grandes e ativos construtores de cidades. Mas nos lembramos deles principalmente por seus fortes em colinas, migra&ccedil;&otilde;es e por seus misteriosos druidas.</p>
<p> A identifica&ccedil;&atilde;o c&eacute;ltica de Tolkien para com os Terra-pardenses e seus parentes &eacute; estabelecida principalmente atrav&eacute;s de nomes de lugares, como por exemplo, para a terra de Bri. Bri (Bree) &eacute; uma palavra brit&acirc;nica para colina e Archet, Coombe e Staddle s&atilde;o todos nomes derivados da antiga l&iacute;ngua Brit&acirc;nica (Celta). A animosidade entre os Terra-pardenses &ndash; &eacute; dirigida de sua terra natal pelos Rohirrim &ndash; e os Rohirrim tamb&eacute;m se assemelham aos Contos Arturianos dos Celtas contra os Sax&otilde;es.</p>
<p> O pr&oacute;prio Tolkien indicou a conex&atilde;o celta no ap&ecirc;ndice F de Senhor dos An&eacute;is:</p>
<p> &ldquo;<em>&#8230;Os nomes dos habitantes da Terra dos Buques eram diferentes daqueles do resto do Condado. As pessoas do P&acirc;ntano e seus descendentes da margem oposta do Brandevin eram estranhos em v&aacute;rios sentidos, como se disse. Foi sem d&uacute;vida do antigo idioma dos Grados do Sul que herdaram muitos de seus estranh&iacute;ssimos nomes. Normalmente deixei-os inalterados, pois, se agora s&atilde;o esquisitos, j&aacute; eram esquisitos em sua pr&oacute;pria &eacute;poca. Possu&iacute;am um estilo que talvez devamos, vagamente, considerar como &ldquo;c&eacute;ltico</em>&rdquo;.</p>
<p> Como a sobreviv&ecirc;ncia de vest&iacute;gios da antiga l&iacute;ngua dos Grados e dos Homens de Bri se assemelha &agrave; sobreviv&ecirc;ncia de elementos c&eacute;lticos na Inglaterra, minha tradu&ccedil;&atilde;o &agrave;s vezes imita estes &uacute;ltimos. Assim, Bri, Archet e a Floresta Chet s&atilde;o baseados em rel&iacute;quias da nomenclatura Brit&acirc;nica, escolhidos de acordo com o sentido: Bree &ldquo;colina&rdquo;, chet &ldquo;floresta&rdquo;. Mas somente um nome de pessoa foi assim alterado. Meriadoc foi escolhido para refletir o fato de que o nome abreviado desse personagem, Kali, significa, em westron, &ldquo;alegre&rdquo;, &ldquo;jovial&rdquo;, apesar de ser na verdade uma contra&ccedil;&atilde;o do nome Kalimac, da Terra dos Buques, sem significado na &eacute;poca.&rdquo;</p>
<p> Podemos falar sobre quatro per&iacute;odos da migra&ccedil;&atilde;o dos Hobbits dentro das hist&oacute;rias estabelecidas por Tolkien: A) sua migra&ccedil;&atilde;o original para os Vales do Anduin, que o ensaio &ldquo;An&otilde;es e Homens&rdquo; em The Peoples of Middle-Earth indica ter ocorrido no in&iacute;cio da Terceira Era; B) suas migra&ccedil;&otilde;es para Eriador, que o ap&ecirc;ndice B de Senhor dos An&eacute;is diz ter ocorrido nos s&eacute;culos XI e XII da Terceira Era; C) suas migra&ccedil;&otilde;es para o oeste, para Arthedain, ou para o leste, de volta aos Vales do Anduin e D) suas migra&ccedil;&otilde;es para o Condado.</p>
<p> O Condado, &eacute; claro, se expandiu alguns s&eacute;culos depois para a Terra dos Buques, e muitos s&eacute;culos depois para o Marco Ocidental. Mas essas expans&otilde;es parecem ser diferentes do que as volkvanderungs* dos per&iacute;odos iniciais. Cl&atilde;s inteiros deixavam suas terras natais, talvez queimando suas casas para desencorajar seus pr&oacute;prios retiros, e passaram por vastas regi&otilde;es at&eacute; alcan&ccedil;ar novas terras onde deveriam come&ccedil;ar novamente. Tudo o que uma fam&iacute;lia Hobbit auto-suficiente tinha deveria ir na mudan&ccedil;a, em suas costas, ou em carro&ccedil;as puxadas por p&ocirc;neis e/ou gado pequeno.</p>
<p> Todas as tr&ecirc;s primeiras migra&ccedil;&otilde;es ocorreram por raz&otilde;es similares: guerra, ou a amea&ccedil;a da guerra, tirou os Hobbits de suas terras, assim como os Helvetii e seus aliados deixaram a Helvetia (aproximadamente a mesma regi&atilde;o ocupada pela Su&iacute;&ccedil;a) no s&eacute;culo I DC devido a uma amea&ccedil;a de guerra a partir do leste e do norte. A Quarta migra&ccedil;&atilde;o se diferenciou das migra&ccedil;&otilde;es porque, pela primeira vez, os Hobbits migraram em tempos pac&iacute;ficos. Isso era mais ou menos como um ver sacrum dos povos celtas. Os chefes dos Hobbits, Marcho e Blancho, reuniram o m&aacute;ximo de pessoas que poderiam segui-los e partiram para a terra real de antigamente, al&eacute;m do rio Brandevin.</p>
<p> Devido a raz&otilde;es desconhecidas a n&oacute;s, os Hobbits dividiram sua nova morada em quatro partes, as quatro Quartas. A divis&atilde;o provavelmente n&atilde;o ocorreu de imediato. At&eacute; certo ponto, deve ter sido estabelecida ap&oacute;s a queda de Arnor, depois de Angmar ter sido derrotada e os Hobbits poderem voltar para sua terra natal. Suas casas provavelmente haviam sido destru&iacute;das, e os Hobbits teriam que construir tudo novamente. Foi somente quando Aranath (aparentemente anunciado que Aranath) n&atilde;o reestabeleceu o acordo com o rei que os chefes do Condado come&ccedil;aram a organizar quest&atilde;o por conta pr&oacute;pria.</p>
<p> Os Hobbits do Condado se estabeleceram em pequenos povoados constru&iacute;dos ao redor de cl&atilde;s de lideran&ccedil;a, que, ao longo de mil anos, em sua maioria fracassavam. Algumas das antigas fam&iacute;lias conservavam suas distintas tradi&ccedil;&otilde;es de cl&atilde;s, mas muitos se tor<br />
naram homogeneizados em uma sociedade totalmente sedent&aacute;ria.</p>
<p> Eles abriram novas terras, para ser exato, mas somente uma &uacute;nica grande migra&ccedil;&atilde;o &eacute; mencionada antes do retorno da autoridade real na Quarta Era. Os Oldbucks deixaram o Condado (ou alguns deles deixaram) e se estabeleceram na Terra dos Buques. Por que um Thain escolheria desistir de sua autoridade &eacute; um mist&eacute;rio, mas pode ser que a fam&iacute;lia Oldbuck havia se tornado t&atilde;o numerosa que eles simplesmente precisavam de uma terra pr&oacute;pria. Nesse caso, as antigas migra&ccedil;&otilde;es dos celtas ecoam vagamente na &uacute;ltima grande jornada Hobbit da Terceira Era.</p>
<p> Os Fazendeiros Celtas eram bem avan&ccedil;ados para o seu tempo. Eles eram, de fato, melhores fazendeiros que os Romanos (de acordo com algumas opini&otilde;es). Os Celtas usavam arados de ferro e desenvolveram a rota&ccedil;&atilde;o da safra. Ent&atilde;o, apesar de sua reputa&ccedil;&atilde;o de vagar por todos os lugares, os Celtas tentavam permanecer no mesmo local o tanto quanto fosse poss&iacute;vel. As migra&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consideradas uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema de popula&ccedil;&atilde;o crescente.</p>
<p> Os Hobbits, sendo pessoas diminutas, n&atilde;o requeriam tanta terra quanto homens de tamanho normal, mas eles ainda assim deveriam invadir novas terras a cada algumas gera&ccedil;&otilde;es. O Condado deve ter sido uma regi&atilde;o muito grande para as popula&ccedil;&otilde;es iniciais, evidentemente reduzida em 1636 (A Grande Praga) e 1974 (A Queda de Arnor). Como os Oldbucks cruzaram o Brandevin, os T&ucirc;ks devem ter mandado colonizadores para o norte ap&oacute;s a Batalha dos Greenfields (2747), uma vez que Bandobras T&ucirc;k tinha muitos descendentes na parte norte do Condado.</p>
<p> As comunidades mais velhas estariam assim est&aacute;veis e auto-suficientes, constantemente mandando um fluxo de colonizadores &agrave;s comunidades mais jovens, que, em troca, teria dado origem &agrave;s novas comunidades pr&oacute;ximas &agrave;s beiras do Condado. O presente de Aragorn do Marco Oeste para o povo do Condado no come&ccedil;o da Quarta Era demonstrou a necessidade de expans&atilde;o mais uma vez. O estabelecimento do Marco Oeste teria sido um evento importante. Por todo o antigo Condado, fam&iacute;lias de Hobbits estavam enchendo as carro&ccedil;as, dizendo adeus aos seus amados e partindo &agrave; procura de uma nova vida.</p>
<p> Abrir novas terras e encarar os perigos que elas podem trazer (tais como as &aacute;rvores zangadas da Floresta Velha) n&atilde;o s&atilde;o aparentemente aventuras para os Hobbits e sim feitos nascidos da necessidade. Armados com machados, escavadeiras, martelos e picaretas, os Hobbits come&ccedil;avam a tarefa &aacute;rdua de conquistar novas terras, cujos habitantes anteriores haviam fugido. Portanto, eles n&atilde;o tinham necessidade de se tornar os grandes guerreiros de que os Celtas eram t&atilde;o renomados por ser. Um fazendeiro Hobbit somente precisava defender sua safra contra as incurs&otilde;es dos filhos famintos do vizinho.</p>
<p> Mas se as pessoas imaginam para onde os Hobbits foram, a resposta deve ser &oacute;bvia. Houve um tempo onde as invas&otilde;es dos Homens eram demasiado amea&ccedil;adoras. Os antigos limites haviam sido quebrados ou esquecidos. Ent&atilde;o, eles encheram suas carro&ccedil;as, junto com seus p&ocirc;neis e pequenas vacas e partiram pela estrada, seguindo para o oeste. De algum modo, eles n&atilde;o foram para o Mar, mas eles continuaram se movendo. E agora eles ainda est&atilde;o na estrada. Crian&ccedil;as, carro&ccedil;as e tudo.</p>
<p> <em>* volkvanderungs: migra&ccedil;&otilde;es dos povos, em alem&atilde;o.</em></div>
<p align="justify"><em><br /> Tradu&ccedil;&atilde;o de Helena &acute;Aredhel&acute; Felts</em> </p>
<p>Sem artigos relacionados.</p>]]></content:encoded>
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