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A Fala Negra Hoje

Alguns anos atrás, variás igrejas antigas da Noruega de grande importância cultural foram incendiadas. O homem que finalmente foi levado a julgamente por incêncio criminoso foi Varg Vikernes [1973-], comumente entitulado como um Satanista, mas mais exatamente descrito como um músico de Black Metal profundamente anti-Cristão e anti-Semita que afirma acreditar nos antigos deuses nórdicos como Odin e Thor. Embora assuma-se genericamente que ele seja realmente culpado, não existiam evidências suficientes para que ele fosse condenado. Apenas alguns dias depois ele foi preso novamente, desta vez por um dos mais brutais assassinatos já cometidos na Noruega. A corte não aceitou a história de que ele apunhalou a vítima várias vezes em legítima defesa, e ele foi condenado a 21 anos de prisão. Ele riu enquanto a sentença estava sendo lida. O motivo que o levou a cometer o crime permanece incerto; alguns dizem apenas que ele adora ver sua face nos jornais.

 

O que é interessante para nós é que ele apresentava-se como Conde Grishnáckh [sic] no tribunal, e por essa razão ele é mais conhecido como Greven [O Conde] na Noruega. Sua banda de Black Metal de um único homem era chamada Burzum [http://www.burzum.com], sendo, na Fala Negra de Mordor, a palavra para "escuridão", tirada da inscrição do Anel: …agh burzum-ishi krimpatul, "e na escuridão aprisioná-los".

O Conde possui um tratado geral da própria filosofia, Vargsmål, que foi publicada na Internet. Seu livro mostra que, embora pelos padrões comuns ele seja um fanático, ele não é estúpido. Como o Mein Kampf [livro de Hitler], Vargsmål é desafortunadamente bem escrito. A filosofia do Conde é extrema, baseada em ideias bastante afastados daqueles que são atualmente endorsados pela nossa sociedade, mas seus pensamentos formam um todo coerente. Basicamente, ele é um Neo-Nazista olhando para o passado, para um "idade de ouro" na Era Viking, esperando restaurá-la no futuro Vikernes ama todas as coisas "nórdicas" e é orgulhoso em chamar a si próprio de racista. Os Arianos seriam a única raça capaz de organizar culturas elevadas, segundo ele. Vikerness conhece um pouco de Norueuês Antigo e deseja reestabelecer as Runas como o alfabeto escandinavo [porque os Russos e Árabes podem ter sua própria escrita e nós não? argumenta ele]. Referente aos nomes Grishnákh e Burzum, ele escreve: "Grishnáckh é um nome tomado de um livro, O Senhor dos Anéis… Grishnákh [meu nome tem um C adicionado para diferenciá-lo um pouco do original] era um dos guerreiros de Sauron. Sauron pode ser interpretado como Odin, o Um Anel como Draupne [o anel de Odin], Trolls como Berserks, Orcs/Uruk-hai como Einherjers, Wargs como Ulfhednes, Barad-Dur ["a torre escura", a torre e trono de Sauron] como Hlidskjolf…"a Torre-Portão", o trono de Odin… e muito mais." Imagino de Vikerness ficou terrivelmente desapontado quando Sauron foi derrotado? Ou talvez ele tenha pulado os capítulos finais?

Ele continua: "O nome Burzum, que eu uso como um nome para as músicas que publiquei… é o plural de Burz, significando noite ou escuridão. Aqui no sentido de "escuridão e noite para os Judaico-Cristãos, e luz e dia para os reais Germânicos!" Na língua Norueguesa a terminação -um significa plural indefinido em todos os gêneros. Por esta simples razão eu usei nomes deste livro. Foi uma forma de "camuflar" seu real sentido, usando nomes que tivessem que ser interpretados antes de que sua conexão com o real significado fosse revelada. Isto foi feito para tornar tudo tão críptico e esotérico quanto possível. Apenas os mais entendidos saberão compreender sobre o que é tudo isto."

Eu realmente não consigo ver o que Norueguês Antigo tem a ver com isso, pois burzum é 100% Fala Negra de Mordor, significando "Escuridão". Talvez eu não esteja entre os mais "entendidos". Vikerness evidentemente via Burzum como um tipo de trocadilho bilingue, de alguma forma como o Orthanc de Tolkien, que significa tanto "Monte do Canino" em Sindarin como "Mente Perspicaz" em Inglês Arcaico.

As composições de Vikerness algumas vezes possuem títulos como "Um Anel para Governar" e o "O Orc Chorando". Tolkien examinou e descreveu toda a "poesia" Black Metal antes que sequer tivesse ouvido falar nela: "Muito do mesmo tipo de fala [como as dos Orcs] continuam a poder ser ouvidas entre os de mente órquica; sombria e repetitiva com ódio e desdém, há muito afastada do bem para reter mesmo o vigor verbal, exceto aos ouvidos daqueles aos quais sons esquálidos parecem fortes." [O Senhor dos Anéis, Apêndice F]

[Tradução de Fábio Bettega]

í“rquico e Fala Negra

I: Órquico

Relativo à linguagem dos Orcs nos Tempos Antigos "é dito que eles não tinham uma linguagem própria, mas tomavam o que podiam das outras línguas e pervertiam ao seu bel-prazer, mesmo assim faziam apenas jargões brutais, dificilmente suficientes mesmo para suas próprias necessidades, a menos que fosse para maldições e ofensas" (Apêndice F). Um exemplo de seu pegar "o que podiam das outras línguas e pervertiam ao seu bel-prazer" pode ser encontrado no Contos Inacabados, onde aprendemos que Golug era um nome em Órquico para os Noldor, claramente baseado no Sinarin Golodh (plural Gelydh) e aparentemente uma distorção arbitrária desta palavra Élfica.

 

Nos tempos de Frodo, a situação linguística estava a mesma: "Os orcs e goblins têm linguagens próprias, tão repugnante quanto as outras coisa de que fazem uso ou criam, e uma vez que um resto de boa vontade, pensamento livre e percepção são necessários para se mantes mesmo uma linguagem vil viva e utilizável mesmo para propósitos vis, sua língua era infinitamente diversificada na forma, como eles eram mortalmente monótonos em propósito, fluente apenas em expressões de abuso, ódio e medo". De fato "estas criaturas, sendo cheias de malícia, odiando mesmo sua própria raça, assim também era sua língua, o Órquico, de pouco uso para eles na comunicação entre tribos diferentes" (Apêndice F). Portanto não existe um único Órquico para analizarmos. A única coisa que parece ser verdadeira para todas as linguagems Orkish em todos os tempos é que eram "repugnantes e tolas e totalmente diferentes das linguagens dos Quendi". De fato, "Orcs e Trolls falavam como podiam, sem amor às palavras e às coisas" (Apêndice F). Então suas atitudes ante as Linguagens era totalmente diferente da dos Elfos, que amavam e cultivavam sua língua. Tolkien mesmo era um filólogo, e tal título literalmente implica amor ou amizade das palavras, e em seu mundo inventado, total ausência de amor pela linguagem poderia apenas ser uma carcterística do mal.

A diversidade e mutabilidade dos Órquicos são de fato um obstáculo para um Poder negro usando Orcs como soldados. Então, para o propósito de administração eficiente (leia-se totalitarismo absoluto), Sauron gastou tempo para fazer um Esperanto para seus servos – a única linguagem construída conhecida em Arda, se não contarmos a linguagem dos sinais (iglishmêk) dos Anões.

II: A Fala Negra 

"É dito que a Fala Negra foi inventada por Sauron nos Anos Escuros," Apêndice E nos informa, "e que ele desejou fazer dela uma linguagem para todos os que o serviam, mas falhou neste propósito. Da Fala Negra, contudo, foram derivadas muitas das palavras que na Terceira Era eram amplamente difundidas entre os Orcs, como ghâsh fogo, mas após a primeira derrota de Sauron esta linguagem na sua antiga forma foi esquecida por todos exceto os Nazgûl. Quando Sauron surgiu novamente, ela se tornou novamente a linguagem de Barad-dûr e dos capitães de Mordor." Mais tarde é dito que os Olog-hai, a terrível raça de Trolls criada por Sauron na Terceira Era, não conhecia outra língua a não ser a "Fala Negra" de Barad-dûr. Olog-hai é por si mesma uma palavra da Fala Negra. O termo "Fala Negra" pode não ter sido o nome dado por Sauron para sua língua, mas os invés disso um nome dado pelo desprezos de outros. Por outro lado, a Fala Negra nomeia Barad-dûr como Lugbúrz significando Torre Escura, tal como o nome Sindarin, entào talvez Sauron gostasse de ser associado com a escuridão e esta fosse sua cor oficial. Esta certamente parece ser a cor dominante no uniforme de seus soldados.

Mesmo Tolkien não gostava da Fala Negra de forma alguma. Um admirador enviou-lhe uma taça de aço, mas para seu desapontamento ele descobriu que esta estava "gravada com as terríveis palavras vistas no Anel. Claro que eu nunca bebi dela, mas a uso para cinza de tabaco" (Letters:422). Ele evidentemente dividia a opinião de Elfos e Homens da Terceira Era, que certamente não pensavam nada melhor da Fala Negra quanto das outras línguas usadas pelos orcs: "é tão cheia de sons duros e repugnantes e palavras vis que outras bocas têm dificuldade de compreender, e poucos realmente têm o desejo de fazer uma tentativa". Não existe base objetica para o que constituiria um som "duro e repugnante" ou uma palavra "vil", estas características devem ser vistas como subjetivas, refletindo um preconceito geral contra todas as coisas dos Orcs e tudo que provém de Sauron (apesar de pode-se ser argumentado que este preconceito foi milhares de vezes merecido). É difícil dizer exatamente quais são os son "duros e repugnantes". A Fala Negra possui os sons explosivos b, g, d, p, t, k, os aspirados th, gh e possivelmente f e kh, vistas apenas em nomes de Orcs), a lateral l, o vibrante r, as nasais m e n e as sibilantes s,z,sh. Esta pode não ser uma lista completa, dado nosso pequeno corpus. As vogais são a,i,o e u; a vogal o é dita ser rara, por Tolkien. A Fala Negra não parece usar o e. Osâ e û longos são existentes (este último também falado ú, mas An Introduction to Elvish p. 166-167 está provavelmente correto em assumir que esta é apenas uma simples inconsistência de escrita por parte de Tolkien). Existe pelo menos um ditongo, ai e au ocorre em nomes de Orcs (como é incerto a qual língua o nome pertence esta não mais será tratada aqui).

O que então parece desagradável aos Elfos? É declarado que os Orcs usavam um r uvular, como o r que é comum no Francês e Alemão, e os Eldar achavam este som detestável. Foi sugerido que esta era a pronúncia padrão do r na antiga Fala Negra (An Introduction to Elvish p. 166). A Fala negra também contém certos grupos consonantais que não aparecem no SIndarin moderno: sn, thr, sk inicial e rz, zg final. Seja qual for a causa, a língua é geralmente sentida como singularmente dura: Quando Gandalf citou a inscrição do Anel durante o Conselho de Elrond, "a mudança na voz do mago foi impressionante. Repentinamente ela se tornou ameaçadora, poderosa, dura como pedra. Todos tremeram, e os Elfos tamparam seus ouvidos" – que reação! A conclusão era que este fato se devia principalmente em um ódio a tudo proveniente "da Sombra" e não a alguma desagradabilidade inerente à Fala Negra.

De onde o vocabulário da Fala Negra é proveniente? Certamente Sauron não tinha mais "amor às palavras e às coisas" do que seus servos, e pode-se pensar que ele simplesmente inventou palavras arbitrariamente. Isto pode ser verdade em alguns casos, mas parece que ele também coletou palavras de outras fontes,
mesmo línguagens Élficas: "A palavra uruk que ocorre na Fala Negra, inventada (como é dito) por Sauron para servir como língua comum para seus servos, foi provavelmente tomada de línguas Élficas de tempos anteriores". Uruk pode ser similar ao Quenya urco, orco ou Sindarin orch, mas é idêntico à forma Élfica antiga *uruk (variantes *urku,*uruku, de onde vem o Quenya urco, e *urkô, de onde talvez venha o Sindarin orch). Mas como Sauron pode ter conhecido o Quenya Primitivo? Teria ele tomado conta dos Elfos que Morgoth capturou em Cuiviénen. ou talvez mesmo responsável pela "engenharia genética" que tranformou-os em Orcs? Como um Maia, ele poderia facilmente ter interpretado suas falas. Para os primeiros Elfos, Morgoth e seus servos seriam *uruki ou "horrores", pois o sentido original da palavra é vago e geral, e Sauron poder ter se deleitado dizendo ao Elfos capturados que ele mesmos se tornariam *uruki. Em sua mente, a palavra evidentemente se ficou.

Mas existiram também outras fontes para o vocabulário da Fala Negra. A palavra para "anel" era nazg, muito similar ao elemento final da palavra Valarin mâchananaÅ¡kâd "Círculo da Lei" ("the Doom-ring"). Sendo um Maia, Sauron poderia conhecer Valarin, está poderia ser mesmo sua "língua-mãe". Pode parecer blasfêmia sugerir que a língua dos Deuses pode ter sido um ingrediente para a Fala Negra de Sauorn, "cheia de sons repugnantes e duros e palavras vis", mas deve-se lembrar que de acordo com Pengolodh, "o efeito do Valarin sobre os ouvidos dos Elfos não era agradável". Morgoth, tecnicamente sendo um Vala, deveria conhecer Valarin (ou pelo menos tê-lo aprendido durante as Eras em que ficou cativo em Valinor). De acordo com o Snhor dos Anéis, ele o ensinou a seus escravos em uma forma "pervertida". Se foi assim, o Valarin naÅ¡kâd "anel" pode ter gerado nazg em um dos dialetos Órquicos da Segunda Era, do qual Sauron a copiou.

O que aconte ceu à Fala Negra depois da queda de Sauron? Sempre de forma mais aletrada ela pode ter continuado por um tempo entre seus antigos usuários. Mesmo hoje, ela não parece inteiramente morta (ver ensaio A Fala Negra de Mordor Atualmente).

 

 

Lí­nguas Humanas

Várias Línguas Humanas

Algumas línguas humanas são mencionadas nos trabalho de Tolkien, mas exceto no caso do Adûnaico, nosso conhecimento é fragmentário. Muitas línguas humanas foram influenciadas pelo Élfico. Quando Felagund tão rapidamente decifrou a linguagem de Bëor e seus homens, foi parcialmente porque "aqueles homens por muito tempo tiveram contato com os Elfos Escuros do leste das montanhas, e dele aprenderam muito de sua fala; e uma vez que todas as línguas dos Quendi têm uma única origem, a linguagem de Bëor e seu povo lembrava a língua Élfica em muitas palavras e artifícios" (Silmarillion cap. 17).

 

ROHIRRIC

No Senhor dos Anéis cap. 6, quando Aragorn e Legolas se aproximam do Salão Dourado de Rohan, Aragorn recita um poema em uma língua estranha. "Esta é, suponho, a língua dos Rohirrim", o Elfo comentou, "pois é como esta terra; rica e voltada para si em parte, e também dura e severa como as montanhas. Mas eu não posso imaginar o que significa, exceto que é carregada com a tristeza dos Homens Mortais".

Nós não sabemos muitos sobre o Rohirric genuíno, pois no Senhor dos Anéis, Tolkien a traduz como Inglês Antigo: Ele tentou reproduzir para os leitores ingleses seu tempero arcaixo quando relacionado à Língua Comum (representada pelo inglês moderno – mas deve ser compreendido que o Rohirric não é um ancestral da Língua Comum, da forma como o Inglês Antigo é do Inglês Moderno). Dessa forma, nomes como Éomer e frases como ferthu Théoden hál não são transcrições da palavras usadas na Terceira Era. Apesar de tudo, algumas palavras de Rohirric genuíno foram publicadas. O Apêndice F informa-nos que trahan significa "toca", correspondendo ao genuíno Hobbit trân "smial"; a linguagem dos Hobbits foi de certo modo influenciada no passado pelo Rohirric ou outra linguagem bastante aparentada. Outro exemplo é o Hobbit kast "mathom", corespondendo ao Rohirric kastu. A palavra hobbit representada pela palavra de Terceira Era kduk, uma antiga forma Hobbitica do Rohirric kûd-dûkan, "fazedor de tocas" – representada pelo Inglês Antigo holbytla no Senhor dos Anéis.

Após a publicação do The Peoples of Middle-earth nós temos algumas outras poucas palavras. De acordo com este livro, o elementro frequente éo- "cavalo" (em Éowyn, Éomer etc.) representa o genuíno Rohirric loho-, lô- evidentemente um cognato das palavras Élficas para "cavalo" (Quenya rocco, Sindarin roch) – demonstrando a influência do Élfico nas Línguas dos Homens. Éothéod, "povo dos cavalos" ou "terra dos cavalos", é uma tradução do Rohirric genuíno Lohtûr. O nome Sindarin Rohan corresponde ao antivo Lôgrad (em Inglês Antigo Éo-marc, o "marco dos cavalos"). Théoden representa tûrac-, uma antiga palavra para "king" (provém da raiz Élfica TUR-, referente a poder e domínio).

De acordo com o Unfinished Tales, a palavra Rohirric para wose (homem selvagem) era róg plural rógin.

LÍNGUAS DO NORTE

No texto do Senhor dos Anéis, os nomes de Gollum e de seu amigo aparecem como Sméagol e Déagol. De acordo com uma nota de rodapé no Apêndice F, estes nome eram "nomes na linguagem dos Homens da região próxima a Gladden". Mas mais tarde neste Apêndice, é explicado que estes não eram seus nomes reais, "mas equivalentes feitos da mesma forma para os nomes Trahald "escavando, minando" e Nahald "secreto" na línguas do Norte". A frase "da mesma forma" refere-se à substituição do Rohirric por Inglês Antigo; os nomes Sméagol e Déagol foram feitos de elementos de Inglês Antigo para servir como Ëquivalentes" dos atualmente arcaicos nomes da Terra-média Trahald e Nahald. No rascunho do Apêncice F, feito por Tolkien (onde os nomes "reais"aparecem como Trahand e Nahand), eles são traduzidos como "apto para arrastar-se em um buraco" e "apto a esconder, secreto", respectivamente. Na mesma fonte, Tolkien adiciona que "Smaug, o nome do Dragão, é uma representação em termos similares, neste caso de um personagem mais Escandinavo, do nome do Vale Trâgu, o qual é provavelmente relato com a raiz trah- no Marco e no Condado". Dessa forma, os nomes criados Sméagol (pseudo-Inglês Antigo) e Smaug (pseudo-escandinavo) envolve a mesma raiz original, representando o relacionamento entre os nomes atuais da Terra-média Trahald e Trâgu. Uma vez que Trahald é dito significar "escavando, minando" ou "apto a arrastar-se em um buraco", é interessante notar que Tolkien determinou que o nome Smaug (representando Trâgu) é "o passado do verbo germânico primitivo Smugan, apertar-se através de um buraco". (Letters:31).

DUNLENDING

Quando estava defendendo o Forte da Trombeta, Éomer não podia entender o que seus atacantes estavam gritando. Gamling explica que "existem muitos que gritam na língua de Dunland… Eu conheço aquela língua. É uma antiga fala dos Homens, e uma vez fora falada em muitos vales no oeste do Marco… eles gritam[:] Morte ao Forgoil! Morte aos cabeças-de-palha!… São os nomes que têm para nós". Apêndice F menciona forgoil "cabeças-de-palha" como uma das palavras Dunlending que aparecem no Senhor dos Anéis: talvez for-go-il "cabeças-palha-plura"? A terminação -il pode ter sido tomado do Élfico, no final das contas um cognato do partitivo plural final Quenya -li.

AS LÍNGUAS DE HARAD E KHAND

Das línguas dos Haradrim, bastante distantes ao sul, não podemos dizer muito. Um certo mago uma vez declarou que "muitos são meus nomes em muitas regiões: Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anões, Olórin eu era na minha juventude no Oeste que está esquecida, no Sul Incánus, no Norte Gandalf, para o Leste eu não vou". De acordo com o Unfinished Tales, Incánus ou Inkâ-nus, Inkâ-nush é uma palavra da língua dos Haradrim significando "Espião do Norte". Mas Tolkien não estava certo quanto a isso; ele perguntava-se se Incánus não poderia ser Quenya "mente líder". De acordo com The Peoples of Middle-earth, Tolkien declarou que os nomes Khand (a terra a sudeste de Mordor) e Variag (o povo que vivia em Khand) eram exemplos da "fala dos Homens do Leste e aliados de Sauron". Outra palavra de Khand é mûmak "elefante", plural mûmakil. A terminação plural -il é relatada àquela que ocorrer em Forgoil, ou é tomado independentemente do Élfico?

DRÚEDAINIC

Os homens selvagens da Floresta Drúadan usava uma língua completamente estranha à Língua Comum. em tempos antigos, sua raça era chamada Drûg pelo povo de Haleth, "sendo esta uma palavra de sua própria língua". Sua forma atual em Drúedainic é citada no Unfinished Tales como Drughu ("na qual o gh representa um som aspirado"). Suas vozes eram "profundas e guturais"; de fato a voz de Ghân-buri-Ghân é assim descrita mesmo quando ele falava Westron. Ele repetidamente usou a palavra gorgûn, evidentemente significando "Orcs".

TALISKA

Uma antiga língua dos Homens chamada Taliska é mencionada no Senhor dos Anéis; esta era a linguagem do povo de Bëor, o ancestral do Adûnaico. Esta foi influenciada pelos Elfos da Floresta (Nandorin). "Uma gramática histórica do Taliska é existente", Christopher Tolkien nos informa. Anos atrás, Vinyar Tengwar informou que um dos Elfconners estava editando a gramática Taliskan, apenas uma poucas palavras das línguas antigas dos Homens da Primeira Era são conhecidas; encontramos hal "cabeça, chefe", halbar "líder", hal(a) "vigiar, guardar", halad "guarda", haldad "cão de guarda". bor "pedra". No Silmarillion, cap. 17, é gravado que o povo de Bëor chamava o Rei Élfico Felagund de Nóm, "Sabedoria", e seu povo eles chamavam Nómin, "os Sábios". Dessa forma, sua linguagem parecer ter uma terminação plurarl -in, também encontrada no Rohirric.

Adí»naic – O Vernáculo de Númenor

Também chamado: Adunaic [assim no Relatório de Lowdham, nossa fonte principal relativo a este idioma, mas Adûnaic no appendices para LotR] e Númenórean.

 

História Interna 

Quando os Homens despertaram em Hildórien à primeira subida do Sol, eles começaram a inventar um idioma, algo semelhante ao que os elfos tinham feito a milênios em Cuiviénen. Mas como sabemos, os homens nunca foram tão criativos quanto os elfos… éramos poucos e o mundo grande e estranho. Embora fosse grande em nós o desejo de entender, aprender era difícil e a fabricação de palavras era lenta. Se um dia existiu um idioma puro e feito apenas pelos homens mortais, ele começou a ser esquecido quando tivemos o primeiro contato com os elfos de Beleriand.

Felangund não desejou aprender a língua de Bëor, pois esses homens tinham vindo a muito tempo das terras dos elfos da escuridão, e com eles tinham aprendido muitas das suas palavras, de modo que o idioma de Bëor se assemelhou muito a língua dos elfos. No Silmarillion também está o relato de que os homens entraram em contato com os Anões, e com eles aprenderam parte do Khuzdul que adaptaram para seu próprio uso.

Em Beleriand os homens aprendiam avidamente o Sindarin, mas sua própria fala não foi esquecida, pois dela veio a língua comum de Númenor. A Primeira Era terminou com a Guerra da Ira, os Valar finalmente haviam destronado Morgoth e o banido do mundo para sempre, mas em meio aos terríveis tumultos o reino de Beleriand foi totalmente destruído tragado pelo mar. porém os homens receberam uma grande recompensa por terem lutado junto com os elfos [ …a propósito, como alguém conseguiu sobreviver a destruição de Beleriand pelo mar? O Professor nunca se aborreceu em explicar isto. Morgoth não suspeitariam de algo se os inimigos dele começassem a evacuar um continente inteiro? Bem, não importa… ] os Valar elevaram uma grande ilha entre a Terra Média e o continente de Aman, e para lá partiram os Edain, foram liderados por Elros, filho de Eärendil e irmão de Elrond o meio-elfo. Nesta ilha os homens fundaram o reino Númenor. Este reino foi o mais poderoso reino dos homens em toda as Eras de Arda.

No mapa de Númenor que aparece no Silmarillion [pág. 164] os nomes estão em Quenya, mas mesmo assim é relatado que o Quenya não era falado em Númenor. Todas as cidades tinham "oficiais" que falavam e escreviam em alto-élfico, esse era o idioma dos documentos de estado e dos nomes dos reis… mas a fala diária era o Sindarin ou o Adûnaic que tinham muitas palavras de mesmo significado. Muitos dos nobres Númenoreans usavam esse idioma como fala cotidiana. Mas o vernáculo falado pelas pessoas comuns sempre foi o Adûnaic, um idioma derivado da língua dos elfos e dos anões.

Em Númenor o idioma Adûnac sofreu certas mudanças durante os três mil anos que esse reino durou. Alguns som desapareceram e outros durgiram, de forma que algumas consoantes se perderam com o tempo. Por outro lado novas vogais apareceram; originalmente o Adûnaic só possuía as vogais "I" e "U" mas depois foram acrescentados o "AI" e o "AU" e depois o "ê" longo, e o "ô" longo. Aparte estas mudanças, o idioma mudou mantendo certa similaridade com os idiomas élficos. Por exemplo, a palavra Quenya "lomë" que significa "noite" foi adaptada no Adûnaic como "lômi" e de forma curiosa a palavra manteve sua conotação em Valarin: Um lômi é uma noite justa abaixo das estrelas, e a escuridão não é percebida como algo mau ou escuro. Outras palavra élficas adaptadas foram Amân / Avradî e Melkor / Mulkhêr.

Porém, algumas palavras que podem parecer "emprestadas" do Quenya na verdade não foram. É o caso de "menel" que significa "céu" em Quenya, em Adûnaic "céu" fica como "minal". É errada imaginal que toda a cultura lingüística dos Númenoreanos foi tomada dos elfos, anões ou Valar. Eles foram um povo rico em cultura e ciência se comparando mesmo aos altos elfos nos duas dias de glória.

Muitos outros exemplos podem ser citados, eles de certa forma dão peso as palavras de Faramir em LotR, ele disse a Frodo que toda a fala dos homens descende da fala dos elfos. No caso do Adûnaic no entanto temos que levar em conta a forte influência do Khuzdul, e até mesmo uma fraca influência do Valarin. Mas apesar de sua quantia considerável de palavras élficas [quenya, sindarin] o Adûnaic é considerado um idioma próprio e separado. Apesar disso acredita-se que o Adûnaic não era tão estimado quando os idiomas élficos. A prova disso é que os nomes dos reis e os documentos oficiais de Númenor eram todos escritos em Quenya, considerada pela realeza como "a mais nobre das línguas". O sexto Rei de númenor, Aldarion, dizia preferir o Adûnaic ao Eldarin, e de fato seu nome foi registrado no idioma de Númenor e não em Quenya. O fato de apenas ele e não seus súditos manifestarem essa preferência indica que não era uma opinião normal [na sua época].

Dois mil anos depois durante o reinado de Piche-Ciryatan e o seu sucessor Piche-Atanamir, os Númenóreans começaram a invejar a imortalidade dos elfos. A amizade existente entre Valinor e Númenor ficou fria, e apesar do Quenya continuar sendo considerado a mais nobre das línguas ele parou de ser ensinado as crianças de Númenor. Os reis continuaram a utilizar o Quenya em seus nomes e documentos, mas apenas porque milênios de tradição o exigiam. O décimo primeiro rei de Númenor ficou conhecido por adotar dois nomes: Piche-Calmail em alto élfico, e Belzagar em Adûnaic. Essa mudança de tradição durou até o coroamento do vigésimo rei, que passou a usar apenas o nome em Adûnaic de Ar-Adûnakhôr, que significa "o deus do oeste". Os dois próximos sucessores de Ar-Adûnakhôr seguiram seu exemplo e usaram apenas nomes em Adûnaic. porém o vigésimo quarto rei de Númenor quis restabelecer a amizade entre homens, elfos e os Valar. Ele usou o nome de Palantir, em Quenya Hipermetrope… ele foi o último a rejeitar o Adûnaic e morreu sem filhos. Míriel, sua filha, deveria ter se tornado rainha mas seu primo Pharazôn a tomou como esposa sem o seu consentimento e se tornou Rei. Pharazôn odiava o Quenya e os poderes do oeste, e como Míriel era um nome Quenya ele rebatizou sua esposa [novamente sem o seu consentimento] como Zimraphel.

Ar-Pharazôn desafiou Sauron levando uma grande armada a Terra Média, e para espanto do mundo o levou prisioneiro para Númenor. Pela astúcia ele corrompeu ainda mais os pensamento do Rei e dos nobres, de forma a eles odiarem os Valar, invejarem a imortalidade dos elfos, e temerem a morte ao invés de a verem como um presente de Ilúvatar.
Sauron convenceu Ar-Pharazôn a invadir Aman e fazer a guerra contra os poderes de Arda, ele pretendia destruir seus adversários Númeroneanos e acabar de uma vez por todas coma a amizade existente entre os mortais e os imortais.

Os Valar chamaram por Ilúvatar, e ele fez afundar em um grande cataclismo a ilha de Númenor deixando apenas uns poucos sobreviventes fugirem. Esse foi o fim do Adûnaic clássico, pois essa língua não foi bem recebida na Terra Média sendo considerada um idioma de reis rebeldes que tinham tentado suprimir as línguas élficas e tomar o lugar dos Valar. Pouco a pouco o Adûnaic se modificou e espalhou entre os homens da Terra Média, e séculos depois se tornou a "língua comum" conhecida da maioria dos povos mortais.

Não se sabe se alguns Númeroneanos Negros sobreviventes da queda de Númenor tentaram impor o uso do Adûnaic entre os povos da Terra Média, mas os Haradrim tentaram preservar a forma mais pura do Adûnaic, pelo menos como língua nobre de uso exclusivo entre eles próprios.

História Externa

Tolkien inventou o Adûnaic logo após a Segunda Guerra Mundial, ele pretendia criar um idioma com inclinações ou estilo "semítico". Esse novo idioma cresceu fora dos seus trabalhos, principalmente nos documentos de um clube literário criado por Tolkien e alguns de seus amigos. Um dos sócios deste clube fictício [inspirado pelos Inklings] supostamente "leu" Adûnaic em sonhos visionários de um passado distante. Ele escreveu um conto sobre isso no "Relatório Lowdham" publicado postumamente por Christopher Tolkien. O fato de Tolkien nunca ter terminado o "Relatório Lowdham" e ter parado justamente ao chegar aos verbos [e não ter feito nenhum trabalho adicional em Adûnaic] pode ser encarado como uma benção disfarçada. Como Christopher Tolkien declarou: "… se ele tivesse voltado ao desenvolvimento do Adûnaic, o Relatório Lowdham teria sido praticamente refeito desde suas estruturas básicas, e o Adûnaic como conhecemos hoje não seria nem de longe semelhante ao resultado final …" No caso do Adûnaic, mesmo estando incompleto uma grande instabilidade foi alcançada, e ele chega mesmo a ser contado entre os "grandes" idiomas de Arda

Porém, quando Tolkien esteveu os apêndices de LotR ele esteve a ponto de rejeitar todo o idioma especial de Númenor, mesmo apesar de todo o seu trabalho no Adûnaic iniciado uma década mais cedo. Ele brincou com a idéia de que os Edain tinham abandonado sua língua e tinham adotado em seu lugar o "Élfico-Noldorin". A idéia dos Númenoreanos falando em idiomas élficos é antiga, Tolkien quase utilizou a idéia de Sauron trazendo para Númenor o idioma Adûnaic que havia sido esquecido pelos Homens, que acabavam por adota-lo em detrimento do Quenya. Essa idéia [e várias outras] passaram muitas vezes por sua mente, e o resultado final foi que o Edain nunca foi totalmente esquecido ou usado pelos Númenoreanos.

Entês

Os Ents originalmente não tinham uma língua, mas em contato com os Elfos eles adotaram a idéia de se comunicar com sons. "Eles sempre queriam falar com tudo, os velhos Elfos" lembra Barbárvore. Os Ents amavam Quenya, mas também desenvolveram sua própria linguagem, provavelmente a mais peculiar de todas as línguas de Arda. Tolkien a descreve como "lenta, sonora, aglomerada, repetitiva, realmente prolixa; formda de uma multiplicidade de matiez vocálicas e distinções de tons e quantidade que mesmo os mestres de sabedoria dos Elfos não tentaram representar por escrito" (Apêndice F). Os Ents era aparentemente capazes de distinguir entre pequenas variações de qualidade e quantidade e usava tais distinções foneticamente. Muitos fonemas distintos dos Ents soariam como um mesmo som para homens, e mesmo para Elfos. Parece que o EnTês também empregava diferentes tons, talvez como o Chinês, na qual uma simples palavra como ma pode ter um de quatro significados (variando de "mãe" até "cavalo") – e para os chineses todas elas soam diferentes, devido à vogal a pronunciada com um tom distinto em cada caso. Entês pode ter empregado muitos mais tons do que apenas quatro.

 

A-lalla-lalla-rumba-kamanda-lindor-burúmë é nosso único exemplo de Entês genuíno, os tons não estão anotas de qualquer forma. Esta deve ser uma das razões pelas quais Tolkien descreve este único fragmento do verdadeiro Entês como "provavelmente muito inexato" (Apêndice F). Não podemos analisar este fragmento. Pode ser observado que a forma das palavras em geral parecem fortemente inspiradas em Quenya (até o ponto onde o estilo fonético vai, todos os elementos exceto burúmë podem ser Alto Élfico, Quenya não possui b nesta posição).

Tolkien também descreve o Entês como "aglomerado" e "prolixo". Isto se deve ao fato de que cada "palavra" é bastante longa e uma descrição bastante detalhada da coisa em questão. Barbárvore fala que seu próprio nome Entês estava "crescendo o tempo todo, e Eu tenho vivido há muito, muito tempo; então meu nome é como uma história. Nomes reais conta a história das coisas a quem pertencem, na minha língua, no Velho Entês como você poderia dizer". Em outra ocasião Barbárvore começou a falar a designação dos Ents da palavra "Orc" diretamente na Língua Comum, então deu-se conta que isto tomaria muito tempo quando falando com espécie humanóides: "Existe um grande fluxo daqueles burárum, aqueles deolhosmalignos, – mãonegra – pernatorta – coraçãodepedra – dedoscomgarras – cascagrossa – sedentosdesangue – sincahonda, hoom, bem, uma vez que vocês são um povo rápido e o seus nomes completos são tão longos quanto anos de tormentos, essa gentalha dos Orcs". (morimaite-sincahonda é "mãonegra – coraçãodepedra" em Quenya) . Então a palavra do Entês para Orc é especialmente longa e uma descrição detalhada dos Orcs e suas características. Em alguns poucos casos, Barbárvore também utilizou elementos do Quenya e uniou-os como fazia em sua própria língua, como laurelindórenan lindelorendor malinornélion ornemalin. Em Letters:308, Tolkien explica que os elementos são are laure, ouro, não o metal mas a cor, o que poderíamos chamar de luz dourada; ndor, nor, terra, país; lin, lind-, um som musical; malina, amarelo; orne, árvore; lor, sonho; nan, nad- vale. Então ele aproximandamente diz: "O vale onde as árvores em luzes douradas cantam musicalmente, uma terra de música e sonhos; existem árovres amarelas lá, é uma terra de árvores amarelas". Outro exemplo do mesmo tipo é Taurelilómëa-tumbalemorna Tumbaletaurëa Lómeanor, que Tolkien traduz como "Florestamuitassombras-profundovaleescuro Profundovaledeflorestas Terratriste". Por este Bárbarvore quer dizer, "aproximadamente", que existe uma sombra escura nos vales profundos da floresta (Apêndice F). Este exeplos nos dão um vislumbre da sintaxe excessivamente complexa e repetitiva do Entês. O comentário "aproximadamente" é certamente justificado. No sentido mais exato, Entês é provavelmente impossível de ser reproduzido em quaisquer linguagens humanas. Uma "tradução" pode ser apenas uma sinopse bastante breve e incompleta do relato original. Jim Allan especula: "A fala em Entês, se pudesse ser compreendida por ouvidos humanos, seria talvez como uma espécie de poesia muito envolvente e loquaz. Existiriam repetições sobre repetições, com pequenas variações. Se tivesse algo que pudessemos chamar de sentença, esta prosseguiria numa espécie de padrão espiral, girando no ponto principal, e então girando novamente, tocando tudo ao longo do caminho do que já havia sido dito e do que ainda será dito" (An Introduction to Elvish p. 176).

Possuindo este conhecimento podemos entender melhor a definição de Barbárvore, do Entês: "É uma linguagem adorável, mas toma uma grande tempo para se dizer qualquer coisa nela, e para ouvir". O Ent Bregalad ganhou seu nome Entês – "Quickbeam" – quando disse sim a outro Ent antes do primeiro terminar sua questão: isto foi considerado muito "apressado" por parte dele (talvez o final da questão estivesse a uma hora ou mais ainda). Compreendemos que Entês não é uma linguagem para expressarmos "passe-me o sal". Quando escutavam as deliberações do Entebate, Pippin "encontrou-se admirando, uma vez que o Entês era uma linguagem "lenta", se eles já haviam ido além do Bom Dia, e se Barbárvore fosse fazer a chamda, quantos dias demoraria a pronúncia de seus nomes. Imagino como seria em Entês o sim e o não, ele pensou". Nós devemos assumir que as palavras em Entês para sim e não seriam longos monólogos repetitivos com o assunto "Eu concordo" ou "Eu discordo", então a "resposta rápida" de Bregalads provavelmente tomou algum tempo. Mas parece que os Ents não se comunicavam sempre em "diálogos" com cada um falando a seu tempo. Durante o Entebate, "os Ents começaram a murmurar lentamente: primeiro um se juntou depois outro, até que todos estavam cantando juntos num longo crescente e descendente ritmo, ora mais alto em um lado do círculo, ora diminuindo e crescendo até um grande bum do outro lado". Evidentemente o debate foi uma longa e pulsante sinfonia de muitas opiniões sendo expressas simultaneamente, lentamente unindo-se em uma conclusão. Isto pode explicar porque não demorou uma eternidade para o Entebate decidir um curso de ação.

Apesar de tudo, é obvio que esta não é uma linguagem para seres com a nossa percepçã
o do tempo. Estranhezas como estas são o que se poderia esperar quando se lida com a linguagem de árvores que caminham.

 

 

Valarin – Como o Brilho de Espadas

Também chamado: Valian, e [em Quenya] Valya ou Lambë Valarinwa.

 

História Interna

Os Valar fizeram sua própria Língua, indubitavelmente a mais antiga de todas a línguas de Arda. Eles não necessitavam de uma linguagem falada, eram espíritos angelicais e podiam facilmente se comunicar telepaticamente. Mas, como fala o Ainulindalë, "os Valar tomaram forma e cor" quando entraram em Eä no início do tempo. Eles tornaram encarnados. "A criação de uma lambe [linguagem] é a principal característica de um Encarnado". Pengolodh o sábio de Gondolin observou. "Os Valar, tendo-se posto desta forma, inevitavelmente durante sua residência em Arda teriam feito uma lambe para si mesmos". Não há dúvidas de que foi este mesmo o caso, pois existem referências à linguagem dos Valar nos antigos contos dos Noldor.

Quando os Eldar chegaram a Valinor, os Valar e Maiar rapidamente adotaram o Quenya e algumas vezes mesmo o utilizam entre si. Porém o Valarin não foi substituído pelo Quenya, e continuava a poder ser ouvido quando os Valar estavam tendo seus grandes debates. "As línguas e vozes dos Valar eram grandes e severas", escreveu Rúmil de Tirion, "e tambéme rápida e sutil no movimento, fazendo sons que achamos difíceis de imitar; e suas palavras são principalmente longas e rápidas, como o brilhar de espadas, como o tumulto das folhas em uma grande ventania ou a queda de pedras das montanhas". Pengolodh é mesmo lírico, e também menos cortês: "Francamente, o efeito do Valarin aos ouvidos Élficos não é agradável". Valarin empregava muitos sons que eram estranhos às línguas Élficas.

Apesar de tudo, o Quenya emprestou algumas palavras do Valarin, embora freqüentemente elas tivessem que ser muito alteradas para encaixar-se na fonologia restrita dos Altos Elfos. Do Silmarillion nós lembramos de Ezellohar, o Monte Verde, e Máhanaxar, o Círculo da Lei. Estas eram palavras estrangeiras em Quenya, adotadas e adaptadas do Valarin Ezellôchâr e MâchananaÅ¡kad. Os nomes dos Valar Manwë, Aulë, Tulkas, Oromë e Ulmo são emprestados do Valarin Mânawenûz, Aûlêz, Tulukastâz, Arômêz e Ulubôz [ou Ullubôz]. E também assim foi feito com o nome do Maia Ossë [OÅ¡oÅ¡ai, OÅ¡Å¡ai]. Os nomes Eönwë e possivelmente Nessa parecem também ter sido adotados do Valarin, embora a forma original dos nomes não tenha sido gravada.

Algumas vezes uma palavra em Quenya derivada do Valarin não significava exatamente o mesmo que a palavra original. O Quenya axan "lei, regra, mandamento" é derivado do verbo Valarin akaÅ¡ân, que supostamente significa "Ele disse" – "ele" sendo não outro que não Eru. Os Vanyar, que eram os mais próximos ao Valar do que os Noldor, também adotaram mais palavras de sua língua, como ulban "azul" [forma Valarin original não dada]. Mas os Valar encorajaram os Elfos a traduzir palavras Valarin em sua própria e bela língua ao invés de adotar e adaptar as formas originais Valarin. E freqüentemente eles assim o faziam: Os nomes Eru "o Um = Deus", Varda "a Sublime", Melkor "Aquele que surge em Poder" e várias outras são cem por cento Élfico, mas também traduções de nome Valarin.

Por vias misteriosas, o Valarin também influenciou outras línguas além do Quenya. É interessante notar que a palavra Valarin iniðil "lírio, ou outra flor simples e grande" aparece no Adûnaico [Numenoriano] como inzil "flor" [como em Inziladûn "Flor do Oeste"]. Como pode uma palavra em Valarin chegar ao Adûnaico? Através dos Elfos, possivelmente mesmo os Vanyar, visitando Númenor? Via Khuzdul, se Aulë pôs esta palavra na língua inventada para os Anões? Existe pouca dúvida de que a fala dos ancestrais dos Edain foi profundamente influenciada pelo Khuzdul. Não existem registros de nenhum Vala visitando os Numenorianos e falando a eles diretamente, e mesmo que um o tivesse feito, ele certamente iria usar uma linguagem que pudessem entender, e não Valarin.

Anthony Appleyard apontou que outra palavra na Fala Negra de Sauron, nazg "anel", aprece ter sido tomada do Valarin naÅ¡kad [ou anaÅ¡kad? A palavra é isolada de MâchananaÅ¡kad "Círculo da Lei", logo não podemos estar certos de sua forma exata]. Como um Maia, Sauron poderia conhecer Valarin.

O puro Valarin foi ouvido fora do Reino Abençoado? Melian a Maia poderia conhecê-lo, mas ela obviamente não teve muitas oportunidades de falá-lo durante sua longa encarnação como Rainha de Doriath. Muito mais tarde, na Terceira Era, os Istari poderiam conhecer Valarin; alguém pode especular que eles o falavam entre si. Quando Pippin tomou o Palantir do adormecido Gandalf, é dito que o mago "moveu-se em seu sono, e murmurou algumas palavras: elas pareciam ser em uma língua estranha". Poderia esta língua ser Valarin, e o Maia Olorin falando nela dormindo? [mas de um ponto de vista "externo", não é certo que Tolkien tenha previsto uma língua distinta para os Valar ao tempo da escrita do Senhor dos Anéis, ver abaixo].

História Externa 

As idéias de Tolkien sobre uma língua dos Valar mudou no decorrer do tempo. Sua concepção original era de que o Valarin seria o ancestral primário das línguas Élficas – o Élfico Primitivo surgiu quando os Elfos tentaram aprender Valarin de Oromë no Cuiviénen. Esta idéia foi rejeitada mais tarde, no Silmarillion publicado, os Elfos inventaram sua fala por si mesmos antes que Oromë os encontrasse. Por um tempo, o conceito de uma língua dos Valar foi completamente abandonado: em 1958, em uma carta a Rhona Beare, Tolkien declara que "os Valar não tinham uma linguagem própria, não precisando de uma" [Letters:282]. Mas logo depois, no ensaio "Quendi and Eldar" de cerca de 1960, o Valarin reaparece, embora agora concebido como uma linguagem bastante diferente das línguas Élficas e muito certamente não ancestral destas. Como dito acima, palavras Quenyarizadas do Valarin aparecem no Silmarillion publicado: Ezellohar, Máhanaxar.

Em fontes mais antigas, encontramos etimologias Élficas para os nomes agora explicados como tomados do Valarin. Por exemplo, o nome de Aulë, deus dos trabalhos manuais, é derivado da razi GAWA "pensar bem, planejar, idealizar" na Etimologias. O nome Valarin Aûlêz apareceu mais tarde.

Foi sugerido que a inspiração de Tolkien para o Valarin foi o Babilônico antigo; alguns sentem que o estilo geral do Valarin recorda palavras como Etemenanki, o nome das grandes torres [zigurates] da Babilônia. Contudo, estas visão são puramente conjecturais, e poder&i
acute;amos perguntar porque Tolkien usaria Babilônico como um modelo para a linguagem de seus deuses em sua mitologia. Mais provavelmente ele simplesmente dirigiu para um estilo bastante peculiar, uma vez que é suposto ser uma linguagem completamente independente da família de linguagem Élficas e além disso uma linguagem desenvolvida e falada por seres suprahumanos.

Khuzdí»l – A lí­ngua secreta dos Anões

Também chamada: Dwarvish

 

História Interna

No segundo capítulo do Silmarillion aprendemos que no momento da criação dos Anões por Aulë, já existia uma linguagem preparada pelas eles. Foi o próprio Aulë que a criou e a ensinou aos sete pais dos Anões. Esse idioma era chamado Khuzdul, e nele os Anões chamaram a si mesmos de Khazâd [que no singular poderia ser algo como Khuzd]. Mas não foi permitido a Aulë que seus filhos despertassem antes dos Elfos, e portando os pais dos Anões foram escondidos sob uma distante montanha da Terra Média por muitas Eras.  

Quando finalmente os Elfos despertaram, os sete pais dos Anões se moveram e a câmara de pedra onde estavam se quebrou. Eles ficaram cheios de temor ao sair e ver o mundo pela primeira vez, mas o primeiro contato entre os Anões e os Elfos só ocorreu muito depois do despertar de ambas as raças. Os Anões se orgulham por sua língua ainda ser compreendia por todos os seus parentes da Terra Média, pois quase não sofreu alterações com o passar das Eras. Como disseram eles: "comparar o Khuzdul com a línguas élficas ou a dos homens é como comparar o desgaste da pedra com o derreter da neve". Pengolodh comenta: "a tradição da língua criada por Aulë é tão grande que os Anões não lhe faziam mudanças substanciais, mas um idioma paralelo criado por eles chamado Iglishmêk era mais mutável".

O Khuzdul era guardado como um segredo dos Anões, e foram muito poucas as pessoas fora da sua raça a quem ele tenha sido ensinado. Teorias dizem que eles sentiam que o Khuzdul pertencia a sua própria raça, e que nenhum outro povo tinha o direito de falar seu idioma. Quando havia a necessidade de se comunicar [quase sempre por motivo de comércio] os eram os Anões que aprendiam o idioma dos vizinhos. Mais tarde algumas antigas histórias disseram que em Valinor Aulë tinha se afeiçoado a Fëanor e lhe ensinado o idioma secreto dos Anões, mas Fëanor nunca foi visto se expressando em Khuzdul e esses boatos continuam apenas como lendas.

Os Elfos da Terra Média nunca se interessaram muito pelos Anões e nem pensaram am aprender o Khuzdul, sendo assim não podiam entender nem uma única palavra da língua dos Naugrim [anões]. Para os ouvidos dos elfos esse idioma era áspero e duro, sem qualidade musical e seco como o vento do deserto. É claro que isso não é totalmente verdadeiro, mas sem dúvida o Khuzdul era menos belo e elaborado que o Quenya ou o Sindarin.

Uma das raras ocasiões em Khuzdul entraram primeiro em Beleriand, e uma amizade especial surgiu entre as duas raças… isso porque os homens como cavaleiros experientes podiam oferecer aos Anões ajuda e proteção contra os orcs. Embora os homens tenham sido instruídos no Khuzdul, o aprendizado foi difícil. Aprendiam principalmente palavras isoladas, muitas das quais acabaram adaptando no seu próprio idioma. Nisso parece que o Khuzdul influenciou a estrutura básica do idioma de Númenor, o Adûnaic, onde várias palavras guardam semelhança com o idioma dos anões.

Dos poucos elfos que se interessaram pelo Khuzdul o maior foi Curufin, sendo também o único dos Noldor a ganhar amizade dos Naugrim. Foi dele que os antigos mestres de lendas obtiveram seus parcos conhecimentos do Khuzdul, e pelo menos uma palavra deste idioma foi utilizada em Sindarin: "kheled" que significa "copo". No Quenya a palavra "Khazâd" foi adaptada para "Casar", e no Sindarin como Hadhod [os anões foram chamados Hadhodrim]. Reciprocamente os anões podem ter pego do Sindarin a palavra "kibil" que significa "prata" e pode ter sido descoberta com a ajuda dos elfos cinzentos.

Na segunda Era, os Anões relutantemente instruíram alguns mestres de lendas élficos no Khuzdul, eles aprenderem sobre o interesse puramente estudioso dos Noldor em seu idioma e permitiram que aprendessem parte dele, e a alguns dos mestres de lendas posteriores a esses foi permitido um aprendizado mais profundo. Foram estes elfos que nas Eras que se seguiram contiveram a arrogância de seus irmãos em relação aos Anões e ajudaram a manter o contato entre as duas raças.

Em um ponto porém, os Anões sempre foram extremamente reservados. Por razões que os Elfos e Homens nunca entenderam eles não revelavam nenhum nome pessoal a pessoas de outra família, nem mesmo depois de dominarem a arte de escrever. Eles tinham nomes públicos pelos quais poderiam ser conhecidos entre seus aliados, mas seu nomes verdadeiros, em Khuzdul, eram secretos. Conseqüentemente os nomes Balin e Fundin que aparecem em um contexto de Khuzdul na laje em cima da tumba de Balin não são em Khuzdul. Eles são nomes substitutos que Balin e seu pai Fundin usaram enquanto não-anões estavam presentes.

No Silmarillion aparece um Anão chamado Azaghâl, o Senhor de Belegost. Este sem dúvida é um título que foi utilizado no lugar de seu nome verdadeiro, provavelmente significa "o guerreiro" sendo relacionado ao verbo Númeroneano "azgarâ" que significa "guerra". Também há o nome de Gamil Zirak, um anão-ferreiro de Nogrod. Acredita-se que esse também é um nome alternativo para ocultar seu nome verdadeiro, mas outros dizer ser este seu nome em Khuzdul que para seu grande e duradouro pesar foi descoberto por não-anões. Mas ocorreu pelo menos um caso em que um Anão revelou seu nome verdadeiro, no Silmarillion Túrin captura o Anão Mîn, que não apenas revela seu verdadeiro nome mas também o dos seus filhos Khîm e Ibun.

Os Anões não sentiram que era algo impróprio revelar nomes de lugares. Gimli por sua próprio iniciativa revelou a Companhia do Anel os nomes em Khuzdûl de diversos locais e da própria Moria: "Eu sei os nomes deles, Khazad-dûm, lá está Barazinbar, e além dele Silvertine que nós chamamos Zirakzigil…" Eles não ficavam ofendidos se outros povos soubessem alguns nomes e expressões em Khuzdul. Quando Gimli veio a Lórien, ainda zangado por ter sido vendado pelos Elfos Galadriel disse a ele: "Escura é a água de Kheled-zâram, e frias são as fontes de Kibil-nâla, e grandes são os muitos pilares e corredores de Khazad-dûm em dias mais velhos que o outono e de Reis mais poderosos que viveram debaixo da pedra. Gimli ouvindo os nomes pronunciados em sua própria língua observou os olhos de Galadriel, e lá encontrou amor. Então ele sorriu em resposta. Assim Gimli percebeu que o uso de Galadriel do Khuzdul foi um gesto amigável.

Na primeira Era, Mîn se referiu a montanha onde vivia como: "Amon Rûdh é
aquela montanha, isso desde que os Elfos mudaram todos os nomes."
– sugerindo que isto o irritou. 

História Externa  

Relativo ao Khuzdul: Não existem informações precisas sobre a criação do idioma dos anões, mas Tolkien declarou que esta língua foi esboçada com poucos detalhes e contando com um vocabulário muito pequeno. Tolkien sempre se inspirava em uma língua já existente para criar uma outra a ser usada nas suas histórias. O Khuzdul foi utilizado para criar os nomes Khazad-dûm e Gabilgathol ainda muito cedo, nos primeiros esboços de O Silmarilion. No inicio a montanha dos anões foi chamada de Khuzûd, e depois a palavra foi modificada para Khazad. O nome de Khazad-dûm foi dado primeiro a cidadela de Nogrod, e não a Moria. É interessante notar que Nogrod já existia neste momento da criação da história.