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As Bodas de Beren e Lúthien

heren.jpgCaso ainda estivessem vivos, eles estariam completando 90 anos de casados ou Bodas de Álamo hoje. A cerimônia foi em uma quarta-feira, 22 de março de 1916, em uma Igreja católica moderna no centro da cidade de Warwick, próxima de Oxford, celebrada pelo padre local Murphy. Estamos falando de J.R.R. Tolkien e Edith Bratt.
 
A história de amor que durou mais de 60 anos, começou quando Tolkien e seu irmão Hilary mudaram-se para uma grande casa onde passariam a morar na Duchess Road, em Birmingham, Inglaterra. A casa era propriedade de um tal de Sr. Faulkner, comerciante de vinhos, e amigo dos padres no Oratório – no qual Padre Francis Morgan (um guardião e segundo pai de Tolkien) fazia parte. Ao saber que um quarto ficara vago, o Padre os levou para lá. Pois os irmãos Tolkien diziam para ele que a morada na casa da Tia Beatrice (casada com o irmão caçula de Mabel Suffield, mãe falecida dos Tolkiens) mostrava-se infeliz.
 
Hilary e Ronald Tolkien ficaram no segundo andar da casa, em um quarto exatamente acima do de Edith, uma garota três anos mais velha que Ronald. Logo no primeiro dia de mudança, quando os irmãos desceram para jantar, eles descobriram que havia uma outra moradora por ali: a jovem e bela Edith de olhos cinza e cabelos pretos. No começo, a princípio, os dois somente flertavam de brincadeira pela casa. Mas com o tempo passaram a sair sozinhos passeando pelos campos próximos, e a conversarem sob à sombra das árvores sobre seus planos futuros.rnrnPor algum tempo, o namoro dos dois passou por despercebido do guardião Francis Morgan. Até que uma dona de uma casa de chá, que os amados haviam freqüentado, chamada Sra. Church, estragou o namoro e resolveu contar ao padre. Por sua vez, Morgan tratou de dar um belo de um sermão em Ronald e concluiu que ele só deveria voltar a namorá-la 3 anos depois, quando completasse a maioridade. Para piorar a situação, Tolkien foi transferido para um novo endereço perto do Oratório. E mais tarde, Edith seria mandada para morar com os parentes em Cheltenham.

Tolkien, apesar do grande amor por Edith, sabia que deveria respeitar o seu guardião. Porém chegou o dia em que Edith deveria partir, e Tolkien não poderia deixar de se despedir de forma adequada. Combinou com ela de se encontrarem bem afastado de Birmingham, em uma casa de chás que não haviam visitado antes. Lá eles fizeram juras de amor, prometendo-se um ao outro. E se presentearam por seus aniversários (em janeiro): Tolkien deu um relógio de pulso à ela e Edith uma caneta à ele.

Mas novamente este momento romântico foi, de alguma forma, descoberto por Francis. E o que ele fez? Mais um sermão, claro – só que desta vez de forma muito pesada e dura. Tolkien até tentou se explicar, mas não teve jeito. Nem por cartas ele poderia se comunicar. E assim Tolkien entrou em profunda tristeza. Passou algum tempo e ele viu que a única coisa que poderia fazer era voltar a dedicar-se aos estudos.

Os longos 3 anos passaram, e na noite do dia 2 de janeiro de 1913, às vésperas de completar 21 anos (a maioridade), Tolkien escreveu uma carta de amor reiterando seus sentimentos por Edith. No dia seguinte enviou a carta e esperou paciente por uma resposta. Entretanto a resposta despedaçou seus sentimentos temporariamente: Edith ficara noiva! Noiva de um rapaz chamado George Field. Na carta, Edith expressava que não era bem o seu desejo, mas sentia que Tolkien não estaria mais à sua disposição.

Tolkien pegou um trem rumo à Cheltenham para conversar pessoalmente com sua amada. Na plataforma, Edith esperava. E eles puderem conversar até bem avançada noite. Tolkien convenceu-a, e ela desistiu de seu noivado. Edith ignorou as más línguas dos vizinhos, e decidiu ficar com o homem à qual 3 anos antes ela prometera-se com juras de amor. Dessa forma, “Beren” e “Lúthien” se casaram três anos depois.

Esta é a história do começo do romance. Nos anos seguintes eles tiveram 4 filhos: Michael, John e dois deles ainda vivos hoje, Christopher e Priscilla. Há mais histórias e relatos de Tolkien sobre sua vida com sua esposa em cartas, que podem ser lidas no livro lançado recentemente As Cartas de J.R.R. Tolkien. Além de biografias, também.

Felicidades para estes grandes personagens, que no salão de Mandos descansam eternos.

Fontes:

Tolkien – Uma Biografia. Michael White, Ed. Imago.
As Cartas de J.R.R. Tolkien. Ed. Arte & Letra.
 
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Cobertura Especial dAs Cartas de J.R.R. Tolkien

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Já há algum tempo o fandon Tolkiendili do Brasil não tem podido se deliciar com novas obras traduzidas para o português. Felizmente o dia 21 de fevereiro de 2006 veio para mudar este fato: a partir desta data, está disponível para venda o livro “As Cartas de J.R.R. Tolkien”. Com organização de Humphrey Carpenter e assistência de Christropher Tolkien, este livro é uma coletânea de cartas escritas pelo Professor para seus fãs, amigos e familiares, que nos mostra a visão de Tolkien sobre sua própria obra e esclarece diversos pontos que não ficam explícitos nos livros.
 
Neste texto o leitor poderá conferir mais detalhes sobre o que é o livro, saber como ele chega ao Brasil, conhecer a história de produção da capa, apreciar suas edições mundo e ler entrevistas feitas com as pessoas que fizeram este livro acontecer.
 
Cobertura especial de "As Cartas de J.R.R. Tolkien"

O que é "As Cartas de J.R.R. Tolkien"?

O professor de Língua e Literatura Inglesa, J.R.R. Tolkien recebeu e trocou centenas de cartas ao longo de sua vida. Perto de seu aniversário de 80 anos, escreveu para um repórter: “Devo pedir-lhe que acredite que cartas (de qualquer tamanho) para um homem isolado são como pão para um prisioneiro morrendo de fome em uma torre¹”. Se a correção de provas, a composição de suas histórias, o professorado, lhe ocupavam tempo, a escrita de cartas também o faziam – e ele gostava disto.

São 354 cartas reunidas no livro, que vão desde o ano de 1914 até 1973. São escritas para a família, os editores, amigos, fãs, críticos, repórteres, entre outros. Nelas, Tolkien esclarece dúvidas de vários leitores em relação às obras: origens dos nomes, inspirações, fatos intrigantes… conversa com seus editores sobre o processo de composição de suas obras, como elas andam, sobre traduções que começavam a serem feitas na época. Mas também há o lado pessoal, do seu dia-a-dia com a família, de suas histórias da infância, das várias cartas que ele trocava com Christopher – só para citar alguns fatos. Há até uma carta que Tolkien trocou com um homem chamado Sam Gamgee!

As Cartas de J.R.R. Tolkien é sem dúvida um prato bem cheio para o fã que deseja saber muito mais sobre a vida e obra deste magnífico professor-escritor. Um índice (em espanhol) escrito por Helios De Rosario de todas as cartas pode ser lido em um artigo da Sociedad Tolkien Española, aqui.

Nota:
¹ – Carta nº 330, para William Cater.

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Como é o livro que chega ao Brasil:

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Número de Páginas: 471
Autor: J.R.R. Tolkien
Organização de: Humphrey Carpenter
Com assistência de: Christopher Tolkien
Editora: Arte & Letra
Fonte: Bookman Old Style
Tradutor: Gabriel Oliva Brum
Folhas: Brancas
Tamanho: 23 x 16 cm
Preço sugerido: R$ 39,90

A questão da Capa:

Lançar uma obra tão grandiosa como as Cartas requer muito trabalho e pode-se afirmar com certeza que criar a capa é um dos mais importantes. A capa de um livro influenciará na primeira impressão de consumidor, além de ser um atrativo natural para os futuros leitores.

Para a versão brasileira desta obra de Tolkien, a primeira capa a ser elaborada foi bem simples, branca, com alguns detalhes na borda lembrando uma carta internacional e poucos enfeites adicionais. Assim como ela, a segunda versão, já um pouco mais elaborada, tinha o selo colorido, e melhor distribuido os nomes do organizador e assistente.

Esta última versão foi apresentada ao público na Hobbitcon e também no fórum Valinor, mas sofreu fortes críticas e foi descartada. Até uma versão envelhecida foi elaborada. É importante ressaltar a nobre atitude da editora Arte & Letra, que consultou o fandom para tomar essa decisão tão importante e, mais do que isso, ouviu realmente a opinião dos seus consumidores.

Por fim, a editora preparou uma verdadeira obra de arte, de qual definitivamente não há o que reclamar. Com elaboração de Rafael Silveira, em tons marrons, com as letras em dourado (que não descascam), certas partes com relevo, e uma espécie de granulado que pode ser sentida ao passar os dedos, a versão final e definitiva da capa d’As Cartas de J.R.R. Tolkien conquistou os fãs brasileiros.

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Entrevistas

Desde o anúncio da tradução, no final de fevereiro de 2005, a Heren Quentaron veio conversando ao longo dos meses diversos assuntos com os dois principais envolvidos neste trabalho: o editor Thiago Marés, e o tradutor Gabriel Oliva Brum. Você acompanha aqui, com exclusividade, todo o processo de produção do livro. As frases em itálico são perguntas do grupo.

Heren Quentaron (HQ): Como surgiu a idéia de trazer as Letters para o Brasil?

Thiago: A idéia foi uma iniciativa da Arte & Letra, minha; durante o processo do Curso de Quenya vi que era possível trazer outros livros. Conversando com o Deriel [Fábio Bettega] a idéia ganhou força e aos poucos saiu do papel.

Gabriel: Bom, a idéia de certo modo foi estimulada pelo sucesso do livro do Curso de Quenya: se um livro que abrange uma parte menos "popular" da Obra de Tolkien tem esse retorno, o que dirá de um que trate das partes mais populares da obra, como as Cartas.

Era meio que o caminho natural das publicações. O livro de Quenya foi uma espécie de teste de mercado.

HQ: Depois disso, o primeiro processo tomado foi a negociação. Conte-nos um pouco.

Thiago: Eu e o Deriel c
onversamos vários vezes de como seria possível fazer isso, e ficou claro que o livro mais interessante seria o Letters. Fomos atrás dos direitos de tradução e demorou um bom tempo até eu conseguir chegar na Harper. Foram algumas meses de negociação e finalmente o contrato foi fechado.

HQ: Houve alguma certa resistência da Harper Collins[a editora inglesa]?

Thiago: Não, foi tudo tranqüilo. Sempre se mostraram muito receptivos.

HQ: (Do material para tradução)

Thiago: A Harper envia um exemplar do livro a ser traduzido e o trabalho é feito a partir deste exemplar. Como o Gabriel tinha o livro, não foi necessário enviar para ele.

HQ para Gabriel: O que você disse quando o Thiago te procurou para a tradução?

Gabriel: Acho que disse simplesmente: “é claro!!”
Imagina se eu ia negar, né?

HQ: O que você sentiu quando começou a traduzir a primeira carta, no primeiro dia de tradução.

Gabriel: Bem, vou ter que dizer aquele clichê de “foi um sonho se realizando”, porque foi mesmo. Havia algum tempo que eu pensava o quanto queria traduzir algum livro tolkieniano, e o Letters estava no topo da lista. Quando o Thiago me perguntou o que eu achava de traduzi-lo… bom, meu sorriso mal cabia no rosto.

HQ: Você tinha um dicionário sempre em mãos?

Gabriel: Sim, dicionário é o item mais básico pra isso. Tenho três dicionários inglês-port-inglês, sendo que um deles é o melhor no mercado, um da Michaelis, gigante. Tenho também dois ing-ing, um Oxford Compact (ainda não posso ter o Oxford completo, de 20 volumes… "barato" que só) e um da Random House… um monstro de mais de 260.000 verbetes. É ótimo.

Mas fiz várias consultas na internet também, quando os dicionários impressos não bastavam ou quando havia termos que precisavam de contexto.

HQ: Você usou o Guia de Nomes e outro material a mais de consulta?

Gabriel: Usei o Guide to the Names to LotR, sim. Assim como a lista de nomes usada nas edições da MF [Martins Fontes], compilada pelo Ronald Kyrmse. Procurei seguir as traduções da MF quando eu concordava com elas para manter um padrão, mas mudei algumas coisas também.

HQ: Thiago nos falou a respeito, como o “Farmer Giles of Ham”, que vocês colocarão uma nota. Já foi interpretado como “fazendeiro” aliás (Pela Livraria Martins Fontes Editora, foi traduzido como Mestre Gil de Ham).

Gabriel: Sim, usei “Lavrador”; é a melhor tradução pra “farmer” nesse sentido, não "fazendeiro" que implica outras coisas que o Giles não tinha.

HQ: (Sobre o estilo de escrita do Professor e a fidelidade na hora da tradução)

Gabriel: Ah, o estilo varia de carta pra carta, o pior é isso. Tem hora que ele era BEM sucinto, outras escrevia "tratados". Mas me refiro principalmente às inversões sintáticas dentro da frase, coisa que ele faz nas próprias obras.

Mas há coisas que tive que mudar também. Se bem que por uma questão de manejo da própria língua. Coisas como em inglês se ter duas frases, separadas por um ponto final, mas que em português soariam incrivelmente estranhas e que no lugar do ponto usaríamos uma vírgula. Isso eu mudei, claro, para dar fluidez no texto e não altera em absolutamente nada o sentido. Continua tudo lá.

Só que ao invés de um ponto, há uma vírgula e a união das frases. Coisa básica de se em certas traduções.

Faço o possível para que isso seja mantido na tradução, inclusive o estilo de escrita do professor.

HQ para Thiago: Mais do que uma realização para os fãs de Tolkien que a editora está fazendo, é também uma realização pessoal de sua parte. Qual o seu sentimento?

Thiago: Acho que é uma grande realização, para a Editora e para mim. É um excelente livro, de um fantástico escritor, e confesso que me dá grande satisfação saber que fui um dos responsáveis por trazer o livro para o Brasil.

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Sobre o Guia de Nomes – e mais entrevista!

O tradutor conversou conosco sobre o surgimento do Guide to the Names in the Lord of the Rings [“Guia para os Nomes em O Senhor dos Anéis”], um texto onde há recomendações do professor para os tradutores.

Gabriel: O nome é aquele mesmo: Guide to the Names in The Lord of the Rings é um guia de tradução que o próprio Tolkien usou para ajudar os tradutores depois das inúmeras dores de cabeça que ele teve com algumas traduções do SdA, principalmente a sueca. Ele meteu o pau no tradutor sueco.

HQ: O que o coitado fez? Tem isso nas cartas?

Gabriel: Além de traduzir mal várias coisas, inventar outras, inclusive sobre a própria vida do Tolkien? Nada.
E sim, isso é relatado nas Cartas

Esse tradutor inventou de fazer uma Introdução na edição sueca do SdA [Senhor dos Anéis] com várias coisas biográficas do Tolkien. O problema é que estava praticamente tudo errado, tirado da cabeça do tradutor. Tolkien rebate cada um dos pontos em uma das cartas bem zangado.
Carta 229.

É nessa carta que Tolkien faz aquele comentário sobre o Um Anel e o Anel dos Nibelungos. O tradutor sueco tinha dito que havia similaridades entre os dois e Tolkien disse que ambos eram redondos, e a similaridade parava aí.
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As 10 cartas favoritas do tradutor Gabriel

Perguntamos para o tradudor quais são as suas 10 cartas favoritas. "Embora seja bem difícil escolher exatamente as melhores", como ele disse, aí estão elas: sobre o que elas tratam e os motivos que levaram Gabriel à gostar delas.

Carta 5: Planos de Tolkien para o TCBS à luz da morte de um deles, Rob Gilson.

Gabriel: "São reminiscências de Tolkien das reuniões que o grupo tinha e particularmente de uma das últimas que tiveram em Londres, se não me engano. É particularmente comovente justamente por mostrar como alguns sonhos e planos são destroçados pela guerra enquanto que essa mesma guerra acaba se tornando uma influência para outras metas e projetos."

Carta 30: carta a uma editor
a alemã que pedia que Tolkien declarasse se ele era "ariano" ou não, na qual ele se nega a fazer isso.

Gabriel: "Ela é importante pois ajuda a rebater aquelas acusações infundadas de que Tolkien era racista. Ele responde à editora de modo direto e contundente, e simplesmente não há como restar dúvidas quanto à posição dele com relação a ‘questões raciais’."

Carta 43: carta ao filho Michael sobre o casamento e a relação entre os sexos

Gabriel: "É importante justamente porque é a carta que melhor mostra as opiniões de Tolkien sobre o casamento, relacionamentos entre homens e mulheres, essas coisas."

Carta 131: carta a Milton Waldman, editor da Harper Collins, com uma explicação de várias questões do Silmarillion e do SdA e de como as duas obras estavam intimamente relacionadas.

Gabriel: "Esse é basicamente um ‘resumão’ do Silmarillion para o editor em questão, além de algumas informações extras sobre determinados tópicos, em especial os que envolvem Eru e imortalidade/mortalidade de seus Filhos.
Mesmo que talvez possa não trazer coisas muito novas para quem já leu o livro, é interessante ver como Tolkien explicava ‘o que a história é’."

Carta 153: questões sobre imortalidade, religião na Obra e sobre Tom Bombadil.

Gabriel: "É respondendo a uma pergunta de se TB era o Deus Único. Tolkien diz que não é.
Ele explica o modo como Tom é apresentado no livro e como é explicado (pelas palavras de Fruta D’ouro, não dele, Tolkien, como comentarista)."

HQ: E porque vc gostou da carta?

Gabriel: "Pela quantidade de informações sobre as questões que mencionei. É bem esclarecedora"

Carta 210: crítica ferrenha de Tolkien a várias partes de um roteiro para um possível filme do SdA

Gabriel: "Essa chega a ser hilária em vários pontos, pois a irritação de Tolkien com as mudanças esdrúxulas é mais do que evidente. Os trechos do roteiro que ele menciona para criticá-los logo em seguida dão uma idéia da monstruosidade que sairia dali… Disney ao extremo.
Ah, detalhe que é roteiro para um desenho de longa metragem, não um filme com pessoas reais."

Carta 214: detalhamento de vários costumes dos Hobbits até então inéditos

Gabriel: "[Essa eu mencionei na palestra também] É realmente uma enxurrada de informações inéditas sobre os Hobbits: costumes matrimoniais, de aniversário, liderança familiar, além de uma ou outra história ‘pitoresca’, como a de Lália, a Grande, carinhosamente chamada de ‘a Gorda’."

Carta 246: resposta detalhada aos comentários de uma leitora sobre o fracasso de Frodo no final do das

Gabriel: "Sim, explica bem o efeito que o Anel exercia sobre as pessoas, com alguns exemplos de personagens, particularmente o Frodo, é claro, e como ele fez o que podia dentro de suas capacidades e do que havia se disposto a fazer. Simplesmente não dá para culpá-lo pelo que aconteceu nas Sammath Naur… era inevitável devido ao curso dos eventos."

Carta 250: carta ao filho Michael sobre questões de fé e da falha desta.

Gabriel: "A carta mostra a opinião de Tolkien sobre algumas questões do estado atual (= 1963) da Igreja e da fé católica em geral, principalmente em eventuais ‘faltas de fé’ que podem acometer os fiéis.
Como o aspecto religioso sempre foi uma das principais influências na vida de Tolkien e na sua obra, essa carta é de extremo interesse."

Carta 297: questões lingüísticas relacionadas com a explicação de vários nomes, como "Legolas", "Rohan", "Moria", "Nazgûl"

Gabriel: "Essa é um prato cheio para os entusiastas da área. Mesmo que a maioria das informações já tenham sido apresentadas e explicadas em outros lugares, como em jornais lingüísticos como o Vinyar Tengwar e site como o Ardalambion, é sempre bom ler algo a respeito vindo da própria mão do Professor. Ele explica o porquê de alguns personagens terem os nomes que têm, o signicado desses nomes e a aplicação destes no contexto das obras."

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Curiosidades:

No dia 8 de Agosto de 2005 “as primeiras 50 cartas foram entregues e começou o trabalho de revisão” como disse o editor.

Foram produzidos 3 mil exemplares para a editora Arte & Letra nesta 1ª edição.

A primeira resenha oficial da edição brasileira foi escrita pelo jornalista Reinaldo "Imrahil" Lopes, e pode ser lida aqui.

Veja a euforia dos fãs ao ser divulgado a tradução, em primeiro mão na Valinor.

Saiu no Omelete a notícia da compra dos direitos autorais.

Pelo que se sabe, este interessante livro foi lançado apenas em 4 países. Nos Estados Unidos, pela editora Houghton Mifflin, na Inglaterra pela Harper Collins (a editora original), na Espanha pelas Edições Minotauro, e claro no Brasil pela Arte & Letra.

 
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Um ano do Curso de Quenya

Um ano do Curso de Quenya
 
Hoje comemoramos o 1º ano do lançamento oficial do livro "Curso de
Quenya – A mais bela língua dos Elfos". O livro foi publicado dia 16 de
Setembro de 2004, mas foi em 26 de Outubro do ano passado que em
Curitiba-PR, às 19h na livraria FNAC do ParkShop Barigüi, ocorreu o
lançamento oficial desta obra ímpar dentre as publicações tolkienianas.

A editora Arte & Letra, juntamente com seus organizadores, tem o
privilégio de ter produzido um livro, que até onde se tem notícia, é o
único no mundo que traz um curso muito bem estruturado para aprender
uma língua criada pelo britânico J.R.R. Tolkien.

Traduzido por Gabriel O. Brum das lições de Helge K. Fauskanger, do site Ardalambion ("Línguas de Arda", existente também em sua versão Brasileira), o Curso de Quenya tem 444 páginas, capa colorida, excelente qualidade gráfica e, o mais importante, conteúdo de primeira!

Do lançamento no Brasil.

Em meados de 2004 surgiu a idéia de fazer uma apostila com o curso de Quenya,
para que todas as pessoas pudessem ter acesso a ele. Essa apostila
teria quatro cores na capa e duas no interior, ou quatro cores na capa
e o interior preto e branco, ou ainda tudo em preto e branco. Pode-se
ver por essa primeira análise, que o livro nasceu simples, sem grandes
aspirações.

Acontece que a Equipe Valinor se mostrou
extremamente capaz e conseguiu transformar essa apostila em preto e
branco num livro com a capa colorida e excelente qualidade gráfica
interior e exterior. Essa mudança de planos não foi fácil, nem simples,
mas com certeza foi recompensadora, pois hoje todos podem admirar com
orgulho o maravilhoso produto final.

Para que o livro se tornasse realidade,
primeiramente foi necessário pedir autorização à Helge Kåre Fauskanger,
o autor do curso. Com muita generosidade, o filólogo permitiu
rapidamente que seu curso fosse encadernado, não sendo, de maneira
alguma, um obstáculo à publicação.

Com a autorização necessária, era hora de correr
atrás da viabilidade de publicação, ou seja, quanto custaria para
produzir um livro de qualidade. Inicialmente esse foi um grande
empecilho, que atrasou muito o lançamento do livro, mas a parceria com a editora Arte & Letra acabou resolvendo esse problema.

Decidida a viabilidade da publicação, passou-se a
pesquisar os detalhes, como o aspecto da capa, qualidade gráfica, o
subtítulo, a sinopse, as orelhas, etc.. Para se decidir o subtítulo,
uma enquête foi feita na área de colaboração do site Valinor, afim de
que todos os colaboradores pudessem votar em opções como A Língua dos Elfos de Tolkien, Língua Élfica de Tolkien, e a vencedora A mais bela Língua dos Elfos, dentre outras.

A fonte das letras no interior do livro também foi decidida através de uma enquete, mas, ao contrário da primeira, esta foi aberta ao público.

O brilhante trabalho de capa
foi desenvolvido por Alex “Valarcan” Lima, com a ajuda de outros
membros da Equipe Valinor, como Moonsorow, Úvatar, Gabriel e, é claro,
o Deriel. No total, foram consideradas cinco capas diferentes, sendo
que a azul foi escolhida por ter mais a “cara” da Valinor. Muitos
diriam que a capa deu trabalho, mas Valarcan afirma que tudo foi muito
interessante e divertido, sendo que essa pode se considerada uma
agradável tarefa.

Seria incorreto falar que o livro do curso de
Quenya não teve repercussão na mídia, já que várias notícias foram
veiculadas sobre o tema, seja no jornal ou na internet. As comunidades
Tolkien também receberam a obra de braços abertos, como podemos ver
nesta resenha de Ronald Kyrmse.

Em suma, pode-se afirmar que a publicação da obra
de Helge Kåre Fauskanger em português e num livro de ótima qualidade, é
mais que uma prova da capacidade da Equipe Valinor, é a demonstração do
poder que a sociedade Tolkieniana brasileira pode ter.

Como é o livro?

Não se pode negar que o Curso de Quenya foi muito bem feito no decorrer
de seus capítulos, para que os estudantes pudessem se acostumar pouco a
pouco com esta língua.

O livro inicia com o prefácio feito por Fábio "Deriel" Bettega, que
fala da iniciativa para o lançamento do livro no Brasil e um pouco do
processo de criação do livro em português.

Depois temos uma longa introdução que pode ser considerada um pouco
enfadonha, mas é importante. A introdução se divide em 6 partes: A
introdução geral, A Questão de Direitos Autorais, Como é o Quenya?, As
Fontes, Uma Palavra de Advertência com Relação ao Corpus, e Convenções
Ortográficas. Em cada parte, Helge vai falando do conteúdo do livro, de
como se deu sua construção e alguns avisos aos estudantes de Quenya.

Após isso, chegamos nas lições, onde o estudo se inicia. Cada lição
possui assuntos tratados separadamente e ao final das lições há um
sumário, resumindo todo o conteúdo da lição, com exercícios e
(exceto-se pela lição 1) um vocabulário com 12 palavras, pois os elfos
preferem contar as dúzias ao invéns de nossas dezenas.

A lição 1 divide-se em 'Sons no Quenya' e 'Pronúncia e Pronuciação'.
Nesta lição introduz-se regras básicas do quenya, como encontros vogais
e consonontais possíveis e como cada letra e encontros devem ser
pronunciados e, também, sobre tonicidade das palavras.

A partir da lição 2 até a lição 20 temos a morfologia e sintaxe do
quenya, desde singular e plural até verbos irregulares e as mais
variadas excessões às regras gerais da língua. A cada lição nota-se
como a língua foi evoluindo com o passar do tempo. Como existem muitos
casos obscuros e palavras cuja a função não é totalmente esclarecida,
também revela-se a beleza da língua, como Tolkien foi cuidadoso em sua criação e como o quenya no final se tornou uma língua completa.

Cada exemplo dado no livro e cada função sintática é tratada com muito
cuidado, em casos ambíguos o autor declara sua opinião deixando claro
que não há certeza sobre a questão.

Os exercícios envolvem unicamente os assuntos tratados na lição, mas a
cada lição as frases se tornam mais complexas e é inevitável o uso dos
assuntos estudados anteriormente. E o vocabulário utilizado é formado
pelas palavras das lições anteriores e da lição em questão.

Depois das lições, chegamos nos apêndices que trata de alguns assuntos
obscuros que foram citados nas lições, mas não foram tratados com
profundidade.

No final do livro existe um dicionário quenya-português e
português-quenya, contendo todo o vocabulário nas lições e as respostas
das lições com explicações para os exercícios que possuem casos
complicados.

Assim todos os brasileiros que desejam aprender a escrever e/ou falar
quenya tem uma fonte segura de aprendizado, graças a ótima construção
do livro por Helge e um grande trabalho da equipe brasileira que fez de
tudo para que o Curso de Quenya pudesse ser lançado no Brasil com a
melhor qualidade possível.

Entrevistas:

Após conferir a entrevista da Valinor com Helge Kåre Fauskanger
(antes da publicação do livro), pode-se confirir abaixo depoimentos de
Alex "Valarcan" Lima, responsável pela arte da capa e Thiago "Ispaine"
Marés, o editor do livro.

Com Alex Lima:

Heren Quentaron (HQ): Como foi fazer o projeto da capa do Curso de Quenya?

Alex: É bom que se diga que o projeto para se fazer a capa do
livro teve a colaboração por demais importante de alguns membros da
Valinor, como o Eldaráto/Moonsorow (nunca sei quando ele é um ou quando
é outro, hehehe), o Úvatar (que me enchia a paciência com as dimensões
da Capa, pixels e mais pixels,…), o Gabriel (Tilion), e é claro, o
Deriel (que disse o sim no final das contas, hehehe)… cada um sempre
ajudando a modificar algum detalhe como cor, tamanho de fonte, e textos
até chegarmos ao desenho final da capa.

Olhando agora nos meus arquivos, verifiquei que foi apresentadas cinco
capas diferentes e inclusive existia uma versão em vermelho do desenho
final da capa (que na minha opinião havia ficado muito boa – mas sou
meio parcial com relação a cor por causa do meu Coloradismo), mas
acabamos por ficar com a azul por ser mais "a cara" da Valinor. Alguém
poderá dizer que a capa deu trabalho, mas acho que foi mais uma
diversão, antes de qualquer coisa. Adoro trabalho com imagens e foi
muito bom trabalhar neste projeto. Lembro que primeiramente apresentei
uma capa com uma imagem de uma elfa que era formada por água (mais ou
menos como a forma dos cavalos formados pelas águas em "A Sociedade do
Anel") que encontrei na internet, porém, esta imagem poderia ter
direitos autorais e a vetamos.

A segunda capa que apresentei para análise do grupo, já foi um esboço
do trabalho final, ou seja, não passamos por várias capas e as
rejeitamos, apenas trabalhamos encima deste segundo esboço, o que
facilitou e agilizou o projeto. O primeiro esboço foi apresentado em
28/06/2004 e acabamos o projeto no final de julho. O trabalho foi
rápido mesmo. A única coisa que foi bastante discutida foi o título do
livro (nome e tipo de fonte). Alguém deve se lembrar que até colocamos
um tópico com uma enquête a respeito. Mas no final, saiu o "Curso de
Quenya – A Mais Bela Língua dos Elfos", assim como todos já conhecem.
Creio que, de uma forma geral, o trabalho agradou.

Com Thiago Marés:

HQ: E depois da primeira reunião, vocês [Thiago e Fabio Bettega]
voltaram a se encontrar quantas vezes, como foram as semanas que
antecederam o lançamento?

Thiago: Acho que fomos nos encontrar somente na frente da
gráfica, quando o livro saiu. O livro foi todo feito nas conversas por
MSN e no Fórum da Valinor. E era muito legal porque todo mundo
acompanhava cada passo e dava sua opinião. Foram semanas de trabalho
intenso, mas muito divertidas.

HQ: E o que é interessante nessa história é que você como editor da A&L, também é fã de Tolkien.

Thiago: Eu entrei no projeto como fã de Tolkien e saí como editor.

Sobre as compras

Para adquirir um exempplar desse maravilhoso trabalho, bastava visitar o site da editora Arte & Letra.

O Retorno do Rei – 50 anos

Hoje, o livro “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” comemora os dourados 50 anos de publicação.
 
 
A conclusão da saga que encantou milhares de pessoas em todo o mundo é
um livro deslumbrante, e assim sendo, a Heren Quentaron não poderia
deixar de prestar sua homenagem ao aniversário de 50 anos do livro.
Coletamos algumas informações, depoimentos, ilustrações de capa das
diferentes edições, além de falarmos um pouco sobre alguns personagens
que são destaque neste livro.

 
O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei – 50 anos
As edições pelo mundo:

Das edições inglesas

É na Inglaterra e nos Estados Unidos que existem as mais diversas
edições, de diversos formatos e padrões, e com variadas ilustrações de
capa. Desde as edições "normais" à edições de luxo, para colecionadores.

Há um site que reúne todas as capas dessas edições, desde 1954. Pode-se conferir aqui, que vai até o período de 1979. Depois disso, nota-se uma clara evolução das capas, de 1980 à 1990,
quando ilustrações de artistas como Ted Nasmith começaram a figurar nas
capas. Essas edições são da editora George Allan & Unwin.

Da editora americana Harper Collins, figuram edições com ilustrações de Alan Lee, John Howe e do próprio Tolkien. São de 1991 à 1996, e as capas de O Retorno do Rei podem ser vistas na 3ª Coluna. De 1997 até 2001,
a Harper lançou edições com capa dura, e foi nesta época que surgiu a
ilustração de Geoff Taylor, que foi usada posteriormente no Brasil, e é
a mais conhecida entre os brasileiros.

Das edições brasileiras

Lançado oficialmente no Brasil, através da Martins Fontes, em agosto de 1994, O Retorno do Rei trouxe uma capa projetada pelo próprio editor Alexandre Martins Fontes. A capa de A Sociedade do Anel traz um mago e uma borda azul, As Duas Torres uma borda vermelha, e a dO Retorno do Rei uma borda de cor escura com um soldado em destaque.

A trilogia foi traduzida por Lenita Maria Rímoli Esteves, e as poesias
dos livros por Almiro Pisetta. Quem ficou de revisor e consultor foi
Ronald Kyrmse (autor de Explicando Tolkien).
Essas edições mais antigas trazem uma letra um pouco maior do que a
utilizada nas edições de 2000 pra cá, e deixam um espaço maior sobrando
nas bordas. Desse modo, o resultado são mais páginas.

A 2ª edição, feita em novembro de 2000 traz algumas diferenças. Existem
duas capas para o 3º volume da trilogia, uma ilustrada pelo próprio
J.R.R. Tolkien e outra pelo ilustrador Geoff Taylor.

Capa por Geoff Taylor
Capa por J.R.R. Tolkien, adaptada da ilustração original dele mesmo, daqui

Da edição portuguesa

Em Portugal, a editora responsável é a Europa-América, que publicou com o título de O Regresso do Rei.
A ilustração de capa é de John Howe, mostrando os soldados na
cidade-capital de Gondor, Minas Tirith. A tradução é feita por Fernando
Pinto Rodrigues, e contém 450 páginas.

O Regresso do Rei

Os Personagens na Obra:

Diz Ian Collier, membro da Tolkien Society que “as pessoas se queixaram
dos personagens: ‘Oh, eles são tão irreais’. E não o são. Os
personagens são escritos sutilmente, talvez escritos muito brevemente.
Entretanto isso funciona, pois eles devem ser míticos”. Para nos
explicar essa questão, selecionamos alguns trechos de depoimentos de
estudiosos das obras de Tolkien, apresentados no documentário “J.R.R.
Tolkien: Master of the Rings”, são eles: Roberto di Napoli, o
apresentador do documentário; Aryk Nusbacher, um acadêmico; Helen Kidd,
uma crítica literária; e, o já citado, Ian Collier.

Helen diz o seguinte: “Ele [Tolkien] não lida apenas com as funções
diárias. Ele penetra mais fundo em profundezas emocionais e
psicológicas e isso é o que é interessante nele.” Isso significa que
qualquer personagem bem desenvolvido por Tolkien, que pegarmos como
exemplo, demonstra um sentimento peculiar dentro da trama: os quatro
hobbits que partiram na Sociedade, apesar de partirem para ajudar a
salvar o mundo, ficam sentindo a falta do seu Condado enquanto estão
longe (principalmente Sam e Frodo), mas eles sabem que precisam
primeiro cumprir a Demanda para poderem retornar.

Cada um tem os seus conflitos internos, os seus dilemas, mas que precisam ser superados.

“Nós quase não ouvimos monólogos internos. O que ouvimos dos
personagens são falados em voz alta. Quase todos se revelam
completamente em suas ações, as escolhas que freqüentemente têm moral
vacilante e conseqüências pessoais”, justifica Roberto. “Os personagens
no primeiro plano falam em vozes que refletem qualidades essenciais. A
linguagem simples dos hobbits e seu humor rústico; a dicção elevada dos
elfos; a habilidade de personagens humanos como Aragorn e Faramir; o
auto-amortecimento de Gollum profundamente ferido; os rosnados
brutalizados de polícia dos Orcs”, acrescenta ele, dão forma a toda
genialidade com os quais os personagens são criados.

“… e em Beowulf você não sabe os problemas do Beowulf com sua mãe,
limpando seu quarto. Você não preciso disso para creditar em Beowulf
fazendo o que ele faz… e a motivação de Frodo para fazer o que ele
faz, ou Aragorn”, completa Collier. Portanto, não precisamos dos
“monólogos internos” para entender os motivos que levam os personagens
a cumprirem suas tarefas, pois sabemos que algo forte por trás deles os
move: salvar o Condado, é o motivo de Frodo.

“O homem pequeno, o soldado britânico que Tolkien viu nas trincheiras
da Batalha de Somme, o tipo de vontade dedicada que os leva a pular o
parapeito da trincheira e andar lentamente em direção às metralhadoras
alemãs. Ele [O Senhor dos Anéis] é sobre esse nível de heroísmo
individual”, finaliza Aryk Nusbacher.

Dos Personagens:

São vários os personagens que figuram em O Retorno do Rei. Poderíamos falar sobre Aragorn ou Gandalf, mas por estes serem, acreditamos, muito debatidos, optamos por comentar sobre:

Éowyn

Sobrinha do Rei Théoden, de Rohan, Éowyn não é uma donzela, que fica
esperando o seu amor voltar da guerra, como alguns romances costumam
retratar. Pelo contrário: Éowyn é a essência do lado guerreiro que
todas as mulheres possuem. Há romances que colocam as mulheres como
inferiores aos homens: infelizmente, por algum motivo, raramente se
encontram casos em que as mulheres vão lutar numa guerra. Muitas vezes
a justificativa é o famoso “rótulo” de que a mulher é um ser “frágil”.
Mas elas não o são!

O professor Tolkien nos ensina através da personagem Éowyn que não devemos ficar “presos em gaiolas”, e sim ir à luta,
como ela mesma diz: “Desejo cavalgar para a guerra (…) como o Rei
Théoden, pois ele morreu, alcançando tanto a honra como a paz”. E este
exemplo serve, também para homens, que independente das origens devemos
batalhar, desde que tenhamos um motivo, um objetivo, por “lutar”.

Boca de Sauron

Boca de Sauron está entre os personagens mais misteriosos de O Senhor
dos Anéis, principalmente por que pouco se sabe acerca dele.
Sua aparição na obra se restringe ao capítulo "O Portão Negro se abre", n'O Retorno do Rei.

Sua descrição inicial é de "um vulto maligno, montado num cavalo negro,
se aquilo era um cavalo, pois era enorme e hediondo, e sua cara uma
máscara horripilante, mais parecendo um crânio que uma cabeça viva, e
das covas de seus olhos e de suas narinas saía fogo." (O Retorno do
Rei, pg 158)

Nessa parte da tradução brasilera, porém foi omitido um detalhe, encontrado pela FTV (Força Tarefa Valinor).

O parágrafo que se inicia assim:

"Como seu líder veio cavalgando um vulto maligno…"

está assim no original em inglês:

"At its head there rode a TALL and evil shape…"

Foi omitido que o vulto era, além de maligno, ALTO.

Mesmo a apresentação de Boca é uma contradição, uma vez que ele se apresenta abertamente, dizendo "Eu sou a Boca de Sauron"
Porém, anteriormente, Aragorn fala de Sauron que "Nem usa seu nome
certo, nem permite que seja soletrado ou pronunciado" (As Duas Torres,
pg 8).

Contrariando o que Aragorn disse, Boca de sauron usa seu nome diversas
vezes normalmente. Talvez foi um erro de Tolkien, ou talvez Aragorn
estivesse enganado quanto a sua informação, que provavelmente foi
baseada na época em que Sauron ainda construia seu exército em segredo
em Dol Guldur. Naquela época Sauron realmente não queria que seu nome
fosse ouvido na Terra Média, porém na época da Guerra do Anel, isso
talvez não possuísse mais lógica.

Daquilo que sabemos de concreto sobre Boca de Sauron é que ele era o
Tenente da Torre de Barad-dûr, pertencente àqueles chamados
númenorianos negros, os renegados de sua raça.
Com seu mestre, Boca "aprendeu grandes feitiçarias, e sabia muito da
mente de Sauron; era mais cruel que qualquer orc" (O Retorno do Rei, pg
159).

Boca é literalmente o porta voz de Sauron, e como Mensageiro ele veio
ao Portão Negro, a fim de mostrar à Gandalf e à comitiva as evidências
de que Frodo e Sam estariam mortos.

Depois de debater com Gandalf e de se sentir ameaçado, Boca acaba
voltando às hostes de Sauron, e dá o sinal para o início do ataque
contra os remanescentes de Gondor.

Antes de se tornar Tenente de Sauron, Boca era o líder dos Númenorianos
Negros em Umbar, um grupo que se denominava A Irmandade de Malithôr e
que mantinha em Umbar um grupo de resistência contra o reino de Gondor,
na época do reinado de Isildur.

Não se sabe que fim levou Boca de Sauron após a derrota de Sauron. Seu
fim fica apenas no campo das cogitações, assim como a maior parte do
que o envolve.

Imrahil

Imrahil foi príncipe de Dol Amroth, uma província de Gondor. Este
humano nasceu em 2931 da 3ª Era. Conta-se que o Senhor dos Cavaleiros
Cisnes, como era chamado, possuía sangue élfico correndo em suas veias.
Ele sempre foi um sábio governante que manteve seu reino próspero. Sua
nobreza e força tornaram-se lendárias durante a batalha em Minas
Tirith. E após isso, participou do Último Debate, que só de sua parte
reuniria cerca de três mil e quinhentos homens para irem na frente do
Portão de Mordor. Sobre Imrahil, Legolas disse “… um belo senhor e um
grande capitão de homens”.

Esse príncipe também foi importante após o suicídio do Regente
Denethor, em plena batalha no Pelennor, pois ajudou Gandalf a comandar
e chefiar Gondor. Por fim, acabou assumindo a defesa das muralhas
externas de Minas Tirith.

E, sendo Dúnedain, acredita-se que Imrahil viveu por muito tempo,
morrendo no ano 120 da 4ª Era, quando foi descansar em Rath Dínen.

Os Drúedain

Pequenos homens selvagens, os Drúedain têm cerca de 1,20 metros de
altura, com pernas curtas e nádegas grandes. São atarracados, com os
olhos profundos em uma face achatada. Não têm pelos abaixo das
sobrancelhas, exceto por alguns poucos que podem se gabar de um pequeno
tufo de barba no meio do queixo.

Esse povo nunca gostou de fazer contato com nenhum dos outros povos e,
talvez por essa excêntrica atitude, seus representantes sempre foram
caçados como animais selvagens. Se os povos livres da Terra-Média
tivessem dado mais atenção aos Drúedain, poderiam ter notado seu
significante valor de combate, já que, quando irritados, é difícil
pará-los.

Suas guerras geralmente são contra Orcs, inimigos mortais desse povo.
Os seres do mal sentem prazer um capturar e torturar os pequenos homens
selvagens mais do que podem sentir guerreando contra qualquer outro
povo. Obviamente os Drúedain não são adversários fáceis, já que podem
ser considerados os melhores seguidores de trilhas de toda Arda, além
de possuir conhecimento para criar venenos poderosíssimos.

Pouco se sabe acerca de sua origem, mas provavelmente o primeiro
contato deles foi com o povo de Haleth, que constatou o não numeroso
povo vivendo em tribos na floresta. Jamais há guerras de Drúedain
contra outro representante do mesmo povo, já que existe um valioso laço
da amizade entre as tribos.

Uma das não menos valiosas especialidades desses homens é a confecção
de figuras em pedras que podem assustar orcs e confundir homens ou
elfos. Quando feitas sob semelhança de seu senhor, são chamadas de
"pedras de vigia", ou "esculturas-Pûkel" e geralmente são colocadas em
trilhas ou curvas nos caminhos da floresta, para amedrontar os
inimigos. Há quem diga que essas esculturas possuem poderes associados
à vida como visão e mobilidade.

Os Drúedain têm á habilidade de permanecer imóveis, sendo muitas vezes
confundidos com as suas "pedras de vigia". Talvez por isso seus
serviços de vigilância fossem tão cobiçados pelo povo de Haleth, que
quando não conseguia um desses homens para o serviço, tenta uma "pedra
de vigia", pensando que estas conservam parte do poder de seu criador.

Em O Retorno do Rei, Ghân-Buri-Ghân, o líder dos Drúedain, guia as
tropas de Rohan por um atalho na floresta Druadan, permitindo que estas
escapassem do enorme contingente militar de Orcs e Orientais que
guardavam a Estrada Oeste. Ghân pediu um pagamente bem simples: que o
seu povo fosse esquecido, sem nunca mais ser caçado, para ter paz.

Com o início da Era dos Homens, os Drúedain receberam seu pagamento e
foram esquecidos. Por nunca terem sido um povo numeroso, acredita-se
que eles logo se extinguiram.

Entrevista e Depoimentos:

Para este artigo especial, pedimos a opinião de dois escritores
brasileiros conhecidos entre os fãs: Rosana "Shelob" Rios (organizadora
do livro "Senhoras dos Anéis") e Thiago "Ispaine/Estus" Marés (autor do livro "O Segredo da Guerra"). Vamos conferir os depoimentos.

Rosana Rios

"Quando Tolkien começou a escrever 'O Senhor dos Anéis', ele não tinha
a menor idéia de que estava para produzir um clássico absoluto, mudar a
face da Literatura de Ficção Fantástica, e ganhar muito dinheiro. Ele
queria apenas escrever mais uma história sobre Hobbits… E, se
possível, ligá-la ao que ele considerava o trabalho de sua vida, o
compêndio de mitos e lendas que um dia seria 'O Silmarillion'.

Muito provavelmente devido à sua cultura e ao seu grande conhecimento
de obras clássicas e da matéria básica da Literatura, as Línguas, ele
possuía elementos mais do que suficientes para criar uma 'mitologia
para a Inglaterra'. Tinha talento para manipular os arquétipos que
permeiam o pensamento humano, e despertar em cada um de nós, leitores,
a emoção profunda que ocorre quando nos identificamos com os
personagens.

A identificação pode ser a chave para se entender porque 'O Senhor dos
Anéis' mexe tanto com as pessoas de todo canto do mundo. Esse livro não
aborda simplesmente uma 'luta do Mal contra o Bem', mas traz à tona
nossos sentimentos mais profundos, relacionados às duas grandes forças
que movem o ser humano: Eros e Thanatos – o Amor e a Morte.

De fato, identificamo-nos com Frodo quando ele precisa levar adiante um
fardo acima de suas pequenas forças, e para isso conta apenas com a
amizade e a lealdade de seus companheiros. Com Galadriel, quando a ela
é oferecido o Um Anel, e deve escolher entre estender a mão e abraçar o
Poder Absoluto, ou renunciar a ele, diminuir, e ir para o Oeste de onde
foi banida. Com Éowyn, quando o destino a força a optar entre ficar em
uma suposta segurança com o povo de Rohan ou partir de encontro à morte
certa por amor do tio e do irmão…

Nesses momentos-limite, sentimos na carne a dor de cada personagem, ao
ter de fazer a escolha. E é disso que fala 'O Senhor dos Anéis', de
escolhas – difíceis e pungentes, mas sempre livres. Cada indivíduo ali
é senhor de seu destino, embora às vezes possa parecer o contrário!

Talvez seja por isso, então, que tantas gerações de leitores amam e
continuarão amando essa obra. Pois vemos refletidos nela as nossas
próprias dificuldades nos momentos de escolha, os quais nunca sabemos a
que caminhos irão levar. Pois, como disse Gandalf, 'nem mesmo os mais
sábios podem ver todos os fins' ".

Thiago Marés

"Gostaria de citar uma Carta de Tolkien para a Allen & Unwin datada de 30 de Setembro de 1955:
'Quando o Vol. III provavelmente aparecerá agora? Serei morto se algo não acontecer logo.'
Acho que esta carta traduz toda a ansiedade e espectativa que existia
para a conclusão da história. E Tolkien não decepcionou seus fãs. O RdR
é soberbo, consegue reunir todos os personagens novamente com uma
coerência incrível de acontecimentos e datas. Sem mencionar os
apêndices, um material valioso que responde dezenas de perguntas e
desperta outras centenas."

Curiosidade:

É em "O Retorno do Rei" que lemos um dos trechos preferidos do próprio
Tolkien. Daphne Castell, em novembro de 1966, entrevistou o professor,
para o New Wolrd
perguntando o que ele gostava em sua própria obra. A informação é do
livro Explicando Tolkien, de Ronald Kyrmse: "… antes da batalha dos
Campos do Pellenor, Gandalf confronta-se finalmente com o Senhor dos
Espectros do Anel. Um galo canta, pouco se importanto com a batalha
iminente, e nesse momento ouvem-se, ecoando nas montanhas, as trompas
dos cavaleiros de Rohan". Curiosamente, esta é uma passagem também
adorava por muitos fãs, deste livro que hoje comemora seus 50 anos.

Parabéns professor Tolkien, pelo seu poder criativo!

Fontes:
Enciclopédia Valinor
Dúvendor
DVD J.R.R. Tolkien: Master of the Rings.
Livro: Explicando Tolkien, de Ronald Kyrmse. Martins Fontes, 2003.
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Martins Fontes.

A arte que você vê no início do artigo é uma montagem feita por
Ariadne "Idril" Rodrigues, especialmente para este texto. Uma versão
maior pode ser conferida através deste link,
basta clicar na imagem para ampliá-la. Trata-se de uma montagem feita
com 3 ilustrações: Minas Tirith (Ted Nasmith), em destaque; Éowyn vs
Nazgûl (John Howe), sobreposto sobre a principal; e as incrições do Um
Anel (J.R.R. Tolkien) nas bordas.

O grupo agradece pela colaboração de Ariadne Rodrigues, Roger
"Daeron" Lee (do Portal Tolkienianos), Rosana Rios e de Thiago Marés,
para a construção deste artigo.

2ª HobbitCon – 2005

Autores: Smaug; Fëanor
 

Apresentação:

Dois membros da Heren Quentaron estiveram presentes na 2ª edição da
HobbitCon, que se realizou no dia 15 de novembro de 2005, na Casa de
Bruxa, em Santo André-SP. Por estarem presentes, puderam acompanhar as
palestras, as apresentações de músicas celtas, conferir os sorteios, as
exposições e muito mais.

Achamos que seria uma oportunidade legal de contar como foi este
evento, especialmente para aqueles que não puderam ir, e portanto
produzir um artigo. Mas para não ficar só na escrita, também temos
várias fotos deste evento Tolkieniano que são citadas ao longo do
artigo.

Ah, este especial também é o artigo de número 50 do grupo. Esperamos que gostem, boa leitura!

2ª HobbitCon – 2005
 
O que é HobbitCon?

HobbitCon (Con de Convenção) é um evento que visa reunir vários fãs de
Tolkien, para participar de palestras, concursos, ouvir histórias,
entre outras coisas, organizado pela Federação Tolkiendili Brasileira.
Opa, mas o que é essa FTB? Esse órgão é composto de 8 comunidades e
sociedade Tolkienianas: Valinor, Dúvendor, O Pônei Saltitante, O Condado, Heren Hyarmeno, Amon Hen, O Conselho Branco, e Sociedade Tolkien Brasileira. Portanto, é um evento para todos os fãs do professor Tolkien, desde os admiradores dos filmes até os mais estudiosos.

Até o momento são 2 edições, a primeira foi em 17 de janeiro de 2004,
que reuniu quase 800 pessoas na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em
São Paulo – SP, e a 2ª ocorreu há pouco, em 15 de novembro de 2005,
reunindo cerca de 250 pessoas. Como entrada ou "ingresso", é necessário
levar 1 kg de alimento não perecível. Tudo o que é arrecadado, é
revertido para instituições.

Palestras

As três palestras da HobbitCon se realizaram na Sala do Mago, a
primeira à direita de quem entra, na Casa de Bruxa. Como era pequena e
um tanto abafada, algumas pessoas chegaram a acompanhar pela janela, no
lado de fora! Mesmo assim, as conversas dos palestrantes com o público
presente foram muito agradáveis e interessantes, pois todos são grandes
conhecedores de Tolkien, e foi impossível não sair de lá sem ter
acrescentado algo em seu conhecimento “tolkieniano”, ou “celta”, como o
caso da palestra de Cláudio Quintino. Vamos a elas:

As Cartas de J.R.R. Tolkien

A primeira palestra do dia foi sobre o novo livro de Tolkien, que chega
ao Brasil em breve, pela editora Arte & Letra “As Cartas de J.R.R.
Tolkien”. Conduzida por ninguém mais que o seu próprio tradutor,
Gabriel O. Brum, e com a participação especialíssima do jornalista
Reinaldo “Imrahil” Lopes.

Gabriel iniciou falando da idéia da tradução, de sua “estupefação com o
convite para o trabalho”, como conta em seu blog, proposto por Thiago
Marés (o editor), e disse que aceitou fazê-la “após recolhido o
queixo”, como disse na palestra. Explicou das negociações com a Harper
Collins, a editora inglesa do Tolkien, e desse processo inicial. E
seguiu falando de uma maneira geral como foi a tradução, a diferença da
escrita e linguagem de carta para carta, de algumas dificuldades quando
Tolkien usava gírias ou expressões antigas, e assim por diante.

O palestrante trouxe o seu exemplar The Letters of J.R.R. Tolkien
numa pasta, e até comentou que agora encontra-se em estado deplorável
de tanto manuseio. E deixava um ar de suspense para os futuros leitores
a cada vez que terminava de comentar algo de curioso das cartas,
dizendo “bom, vocês verão isso nas cartas”. Mas este relatório vai
antecipar algumas coisas, como dois nomes “hobbitescos” que irão
figurar na carta 214, por exemplo.

Depois do conhecido “Onzenta e um” (111), o novo nome que segue este estilo é “Anoante”. Em inglês é escrito byrding, e Gabriel esclarece: “Ela vem do anglo-saxão byrd, que significa ‘nascimento’ (e daí o birth
em inglês moderno). Ou seja, byrding nada mais é do que
‘aniversariante’, mas dito da maneira habitualmente tosca que um Hobbit
empregaria”. Significa então que Anoante é uma palavra empregada pelos hobbits para dizer quando uma pessoa está fazendo aniversário.

E que tal o novo sobrenome de uma família hobbit que se chama
“Lombarreiro”? Mas como assim? Vamos explicar: este nome vem do inglês Clayhanger,
que pode ser decomposto em dois: “Clay” = barro + “hanger” = cabide.
Tolkien certamente não se prendeu ao significado mais banal da palavra,
e usou o seu estilo mais arcaico, que poderia ser entendido como
“declividade embarrada e com árvores”. Porém, como o tradutor explicou,
é um sobrenome no mínimo bizarro, e ele precisava descobrir algo mais
apropriado para ficar “hobbit”. Evidente que o pessoal da sala deu
risadas. Mas a decisão final foi omitir o “árvores” que não ocorre
visualmente no nome, e trocar “declividade” por “lomba” somando com
“barreiro” (ao invés de barro ou barroso, nomes comuns no português).

E até podemos dizer que esta foi uma feliz escolha, assim como o caso
“Valfenda” que seria um “Vale na Fenda”, mas virou uma palavra só. Ah
sim, a hobbit que terá esse sobrenome é Lália. E até foi contada a
história que acontece com ela, narrada nas cartas, que é muito curiosa
e engraçada, porém demoraria para descrever, por isso como diria o
palestrante, “vocês verão isso nas cartas”.

Passando para outra curiosidade, Gabriel disse que mudou Ranger,
que nas traduções da Martins Fontes é “Guardião” para “Andarilho”. Ele
explicou que ‘Andarilho’ se encaixa melhor ao contexto da Obra e ao
papel dos Dúnedain, e que ‘Guardião’ só deveria ser usado no caso de um
sentido puramente inglês, onde um indivíduo protege um parque real ou uma floresta.

Mas como o tempo estava acabando, a vez foi passada para o jornalista
Reinaldo Lopes que leu uns trechos das Cartas. Uma delas foi escrita 1
dia depois da explosão da bomba atômica, em que Tolkien comentava sobre
racismo e nazismo. Nela, podemos observar um lado bastante pessoal do
professor, chocado com a guerra, mas sem perder as esperanças.

Fotos:
Gabriel palestrando.
Palestra das “Cartas”.
Gabriel palestrando, 2.
Reinaldo lê um trecho engraçado das cartas.
Smaug (da Heren Quentaron) com o tradutor Gabriel.
Reinaldo, Marreco (Thain da Toca ES) e Gabriel.

Mitologia Celta e Tolkien

A segunda palestra do dia foi com Cláudio ‘Crow’ Quintino, que, como
disse Reinaldo Lopes, “sem dúvida é o maior especialista de mitologia
celta do país”. Ele é autor de "O Livro da Mitologia Celta", e fez um
show de palestra mostrando relações da mitologia celta com as obras de
Tolkien. Foram muitas informações passadas aos ouvintes, portanto aí
vão algumas.

Cláudio começou explicando o que é mitologia. Disse que as pessoas
associam mitologia com mito e que como um mito seria algo falso,
mitologia também o é. Mas na verdade ele frisou que mitologia é a
história de um povo contada sob o ponto de vista de um outro povo, e
que portanto não deve ser interpretada como uma história falsa. Contou
que, para os celtas, a natureza era algo da maior importância. Eles
davam valor para tudo que existia nela, como os cursos dos rios, e
comentou como um celta se sentiria “mal” nos dias de hoje ao ver tanta
poluição. E após uma breve introdução sobre “mitologia”, perguntou se
até aí estava entendido o assunto, como ninguém questionou, ele
prosseguiu.

Quintino comentou que leu O Senhor dos Anéis com 15 anos e
que durante um bom tempo só lia esta obra, pois sempre que terminava
ele começava novamente. Brincou que não precisamos ser “fanáticos”,
embora ele mesmo tenha admitido que fazer tatuagens com nem 20 anos de
um livro que recém conheceu, e escondido dos pais, talvez seja um tanto
“fanatismo”. (Cláudio tem uma tatuagem da árvore de Gondor no braço
esquerdo). E muitos caíram na graça.

Mas aí fez uma abordagem da relação do rei Arthur com o rei Aragorn.
Mostrou como as histórias dos personagens são semelhantes: no início
são simples, mas com o tempo precisam reconhecer o seu valor e resgatar
suas espadas para conquistar um reinado. E no meio disso, rola o
romance de Arthur com Guinevere, assim como Aragorn com Arwen. A espada
de Arthur estava fincada na pedra, e só ele poderia tirá-la dali, do
mesmo modo que só Aragorn poderia empunhar a espada Narsil/Andúril
restaurada e enfrentar Sauron.

O palestrante, num certo ponto, contou uma história celta que lembra
muito Númenor, e que poderia ter inspirado Tolkien. Pois na mitologia
celta há uma ilha muito além das terras firmes, à oeste do continente
europeu, onde vivem pessoas, que se chama Breasil – inclusive, como
comentou, pode ser uma origem lingüística para o nome “Brasil”, ao
invés da conhecida história do “pau Brasil”.

Cláudio também falou que a primeira palestra que ele deu foi em 1989,
que tinha como tema “Tolkien e Música”. Mas o tempo foi se esgotando,
pois logo em seguida haveria a palestra sobre “Sexo e Amor na
Terra-média”, então ele disse que foi um prazer estar ali e recebeu uma
salva de palmas.

Fotos:
Quintino Palestrando.
E a palestra continua…
Smaug (da Heren) com Cláudio.
Marreco e Claudio.

Sexo e Amor na Terra-média

E a terceira e última do dia foi sobre um tema muito curioso nas obras
do professor: Sexo e Amor. Os palestrantes foram Reinaldo Lopes, João
“Mandos”, e Gabriel Brum, sentados em cadeiras ao lado de Rosana
“Shelob” Rios (uma das organizadoras do evento) que tecia alguns
comentários. Foi estabelecido 10 minutos para cada um, para que todos
tivessem chance de falar.

Reinaldo começou falando sobre a “ciência” na Terra-média. De como
seria se tentássemos explicar as relações entre os sexos, e o
comportamento de determinadas raças deste continente imaginário, usando
a ciência do nosso mundo. Na certa realidade com fantasia
dariam em algo no mínimo bizarro ou curioso. E deu. A primeira raça
analisada foram os terríveis Orcs. Oras, pelas explicações de Reinaldo,
eles bem que poderiam ser fêmeas! Claro, basta analisarmos a
semelhança com a organização “social” deles com insetos como as
formigas. Estes pequenos insetos dividem-se em ‘trabalhadoras’, as
‘formigas-soldado’ e a ‘formiga-rainha’.

Se isso não convenceu, vale uma lida na matéria do próprio palestrante
que saiu na revista Galileu de outubro, que trata do mesmo assunto. E
agora algo que deixaria o anão Gimli furioso: seria ele uma “Gimla”?
Se for outra idéia absurda, o jornalista explica: na raça dos anões,
tanto os homens quanto as mulheres têm barba (por incrível que pareça),
e possuem características físicas quase idênticas. Reinaldo também
comentou que a relação das famílias Anãs poderia ser “poliândrica”
(quando uma mulher tem vários maridos), visto que a maioria dos
personagens anões são machos.

Feitas as explicações do Reinaldo, João “Mandos” assumiu a palestra.
Sua fala se deu em cima das “Leis e Costumes entre os Eldar”, ou seja,
da relação amorosa entre os elfos. Comentou que uma característica que
predomina nas obras de Tolkien é o fato de um casamento élfico ser para
toda vida, com a exceção de Finwë e Míriel. Assim como o casamento não
era obrigado, só se casavam aqueles que realmente se amavam.

A palestra chegou na reta final, e a vez foi do Gabriel, que
fundamentou suas falas nas opiniões do próprio Tolkien. Citou a carta
43, em que o professor fala ao filho Michael sobre sexo.
E também comentou sobre algumas críticas da época em que o Senhor dos
Anéis foi lançado, como a reclamação ao fato de não haver sexo ou a
vontade dos personagens de fazê-lo. Explicou que para o contexto da
obra, não era necessário mostrar cenas de sexo, e as relações amorosas
eram demonstradas através do “amor cortês”, característico das novelas
de cavalaria.

Deixou claro que sexo não era um tabu para Tolkien, pois o próprio
chegava a dizer “que o casamento era o melhor modo de ‘temperança
sexual’, comparando-o com um bom vinho que deve ser desfrutado aos
poucos, e não abusado em ‘bebedeiras’”, como explica Gabriel.

E foi isso. O tema “Sexo e Amor” foi lançado, cada um dos palestrantes
contou um pouco sob os seus pontos de vista. Após isso, foi aberto o
espaço para as perguntas e discussão.

Foto:
Os palestrantes e o público.

No evento…

Casa de Vairë

Um dos destaques da HobbitCon ficou por conta da Casa De Vairë, evento
do Conselho Branco onde há contação de histórias. O local escolhido
para sediar a Casa de Vairë foi uma árvore que oferecia uma sombra
aconchegante, como pode ser visto nessa foto: aqui.

Foram contadas oito histórias, onde teve-se a prensença de contadores
veteranos e novatos, sendo que uma das histórias foi contada por duas
pessoas simultaneamente ("As aventuras de Frodo, Sam, Merry e Pippin na
Terra-média" , por Luthúriel e Elfhelm).

A maioria dos contadores eram da Toca-SP, o que não siginfica que o
evento não contou com gente mais do que especial de outro estado. Aqui
o destaque fica pra Cláudia "Nísire", Coordenadora da CdV da Toca-RJ,
que contou com maestria a passagem de Aragorn, Gimli e Legolas pela
Senda dos Mortos.

Vale a pena lembrar o grande destaque da Casa De Vairë, que ficou para
o veterano Mandos: um pedido inusitado de casamento que ele fez à
Sheila "Vairë", logo após contar a história de Beren e Lúthien.

Histórias contadas e seus contadores:

* As aventuras de Lúthien e Beren – A busca pelas Silmaril – João "Mandos"
* A queda de Melkor – Nilda "Alcarinquë" Azevedo
* As aventuras das Águias na Terra-média – Thingol
* As aventuras de quatro hobbits na Floresta Velha – Sara "Gythien" Souza
* As aventuras de Frodo e Sam – Luana "Luthúriel" Navarro e Elfhelm
* As aventuras de Pipin e Merry – Luana "Luthúriel" e Elfhelm
* Aventuras nas Sendas dos Mortos – Claudia "Nísire" Mazza
* A batalha de Pelennor – Luana "Luthúriel"

Concurso de Fantasias

Uma das características dos fãs de carteirinha, como os de Tolkien, é
de quando admiram as vestes de um personagem (retratado tanto em filmes
como em ilustrações ou no seu imaginário), ele resolve confeccionar e
vestir uma fantasia o mais semelhante possível do original. É o que
aconteceu neste evento. Foi um concurso onde fãs se vestiram desde
altos elfos, passando por hobbits, até arqueiros, como o pequeno Manwë.

Mas os ganhadores foram Douglas Costa, vestido de Thranduil, o rei da
Floresta das Trevas, e Cláudia “Nísirë”, fantasiada de viúva do
Boromir. Os ganhadores receberam um kit de prêmios, entre eles, actions
figures da Gulliver.

Arena de Eva: A Luta de Espadas:

Durante a HobbitCon, nos fundos da Casa da Bruxa, foi construído um
verdadeiro campo de duelos, onde batalhas épicas entre homens, elfos e
orcs aconteciam: a Arena de Eva.

O pessoal duelava usando espadas de espuma, simulando um combate real.
As regras eram simples: toque nas pernas ou nos braços perdia um ponto.
No tronco perdia dois. Se perdesse dois pontos, era considerada uma
vida. Se tocasse na cabeça ou nos "países baixos", o ponto era
revertido pra quem tomou o golpe.

O pessoal se divertiu a valer duelando com as espadinhas. O único
problema é que do outro lado tinha um verdadeiro samurai, que descia
lenha em todo mundo, e meio que monopolizava uma das espadas, já que
ele era inderrotável (se é que essa palavra existe de fato). Mas o que
valeu, no fim das contas, foi a diversão.

Apresentação de Música Celta

A Hobbitcon contou com o show de Música Celta da banda Olam Ein Sof. O
dueto, composto pelo casal Marcelo Miranda e Fernanda Ferreti,
apresentou-se diversas vezes, com um belo repertório, ao som de
violões, vocal e percussão. O público assistiu as apresentações
maravilhado com a qualidade e beleza das músicas. A banda Olam Ein Sof,
cujo nome significa "Mundo dos infinitos" já possui dois álbuns. Para
quem quiser dar um conferida e saber mais obre a banda, o site oficial
deles é: http://www.olameinsof.com/.

Estandes Temáticos

Haviam também diversos estandes, disponibilizando produtos relacionados
à temática Tolkienana, como cartazes de filmes, miniaturas, livros de
RPG, e até fantasias para os mais ousados. Desde uma varinha de Harry
Potter, até uma espada orc podiam ser comprados por lá. Para quem tinha
algum dinheiro guardado, foi uma ótima oportunidade para aumentar a sua
coleção, ou quem sabe até mesmo para iniciar uma.

Sorteio de Brindes:
Durante o dia, vários sorteios, desde a parte da manhã até o
encerramento, foram realizados. Cada visitante recebia um número na
entrada pelo qual concorria. Os brindes eram vários: cards importados,
chaveiros de personagens dos filmes, livros de RPG, jogos, CDs de
bandas (como a "The Hobbeats"), entre outros. Destacam-se uma espada
Orc, o machado anão de Gimli, e um escudo de Rohan, todos réplicas
muito bem feitas das usadas nos filmes. Lembrando que os brindes foram
conseguidos graças as doações dos associados e empresas, como a Sci-Fi
News ou a editora Devir. O anúncio no microfone era feito pela
simpática Rosana "Shelob" Rios. Com certeza os ganhadores sairam
felizes, e quem não ganhou também, pois o clima foi muito alegre.

Veja também:

Relatório de 2 palestras no blog de Gabriel O. Brum.
Breve relatório da HobbitCon, por Reinaldo Lopes.
Álbum de fotos da HobbitCon.
1ª HobbitCon, no site da Devir.

Agradecemos à colega Ariadne "Idril" Rodrigues, que colaborou com a parte das contações de histórias da Casa de Vairë!

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capí­tulo Final

Autores: Smaug; Mith; Bagrong
 

Apresentação

Este é o sétimo e último capítulo do "Lá e de Volta Outra Vez". Ao
longo destes capítulos, apresentamos biografias de personagens,
descrevemos os locais e as regiões que a Comitiva passou, listamos
variadas ilustrações, fizemos estudos e explicações de diversos temas,
enfim: foi um verdadeiro estudo de O Hobbit.

Para finalizar, esta conclusão traz 2 "estudos": a história do Livro
Vermelho, que Bilbo e outras pessoas usaram para escrever e contar as
grandes aventuras da Terceira e da Quarta Era e o que aconteceu com os
anões da Comitiva de Thorin após a reconquista do reino de Erebor, como
Balin, Nori e Glóin. Também temos números e curiosidades que foram
pesquisados especialmente para este encerramento.

Sobre o concurso de ilustrações, que haviamos proposto, onde a
ilustração vencedora figuraria neste último capítulo: não recebemos
qualquer trabalho artístico. Portanto não haverá ilustrações no artigo.

Uma boa leitura, e até uma próxima!

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capítulo Final

Das datas e dos acontecimentos

Seguiam atrás do Rei Élfico, quando chegaram na borda da floresta e
resolveram se separar. Gandalf preferiu contornar a extremidade norte
da floresta, pois os orcs próximos às Montanhas Cinzentas foram
derrotados, e ainda poderia haver algum perigo na trilha da floresta.
Bilbo foi junto, Beorn acompanhando. Levaram cerca de 1 mês para
chegarem na casa do homem-urso, quando já haviam contornado as bordas
da floresta, e aí se deu o solstício de inverno e o fim do ano.

Começou o ano de 2942. O hobbit e o mago ficaram com Beorn durante uma
estação inteira, até que a linda primavera chegou, e era hora de se
despedir. Foram voltando pela trilha onde meses antes haviam enfrentado
os Orcs, nas Montanhas Nebulosas¹,
quando chegaram em Valfenda no dia 1º do mês de Maio. Ali ficaram com
Elrond, contando e escutando as mais variadas histórias – não só as de
Erebor. Uma semana depois partiram.

Finalmente Bilbo retornou para sua confortável toca no dia 22 de junho,
no Condado. Chegou em meio a um leilão, na sua toca! Estavam vendendo
todos os seus móveis e objetos, pois imaginavam que o hobbit estivesse
morto. No final das contas, precisou comprar sua própria mobília de
volta!

Algum tempo se passou e em 2949, Gandalf e Balin foram visitar Bilbo em
Bolsão. Ele estava com 59 anos. Ficaram conversando sobre os
acontecimentos dos últimos anos, e compartilhando de suas vasilhas de
fumo. E, assim, a história relatada em 'O Hobbit' se encerrou, mas
novas aventuras estariam por vir.

Nota:
1: O leitor irá encontrar no mapa do livro “O
Hobbit”, na versão brasileira, “Montanhas Sombrias”. O curioso é que no
Glossário de “O Silmarillion”, Hithaeglir (a forma sindarin
para o nome da cordilheira) significa “Montanhas Nebulosas” ou
“Montanhas Enevoadas”, mas não há citações para “Montanhas Sombrias”
(!). Portanto, uma nota para esclarecer o uso de “Mont. Nebulosas” no
texto. Mais sobre essa nomenclatura, veja no capítulo 2 deste projeto.

O Livro Vermelho do Marco Ocidental

Os hobbits costumavam ser seres pacatos demais para criar um livro
acerca de grandes aventuras e perigos fantásticos. Por sorte Bungo
Bolseiro e Belladonna Tûk se conheceram e, mais que isso, se casaram e
tiveram um filho. O filho, Bilbo, certo dia sairia de sua casa sem nem
ao menos um lenço para uma aventura comparada a que poucos hobbits
viveriam.

Bilbo felizmente se safou de todos os perigos e pôde voltar para o
Condado para viver uma vida pacata por mais alguns anos. Neste período
sem aventuras o hobbit começou a narrar suas antigas proezas num grande
livro com capa de couro vermelho.

Passado o tempo, Bilbo envelhece e parte para uma última aventura,
aonde revê a Montanha Solitária e muito do que conheceu da primeira
vez. Mas Bilbo não volta para sua toca no Condado, ele para sua viagem
em Valfenda, onde passa a residir. Durante todo o tempo em que ficou na
casa de Elrond, o pequeno Hobbit trabalhou cuidadosamente em seu livro.

Chega o dia em que Frodo Bolseiro destrói o Um Anel e retorna para o
Condado, mas não sem antes passar por Valfenda. Nesse momento, Bilbo
sente que é chegada a hora de passar adiante seu trabalho e deixa Frodo
encarregado de narrar sua participação na história da Terra-Média.

Frodo volta para Bolsão e escreve sobre os acontecimentos da Guerra do
Anel, iniciando mais uma parte daquele que seria o mais completo e
importante relato da Terceira Era.

Com a partida de Frodo para Valinor, Sam fica encarregado de continuar
o livro, tarefa que cumpre com primor. Mais tarde, o hobbit parte num
barco solitário tendo a terra dos Valar como destino e deixa o valioso
livro para sua filha, Elanor, a Bela.

Elanor casa-se com Fastred de Ilhaverde e vai morar no Marco Ocidental,
região situada à Oeste do Condado que passou a pertencer aos hobbits
por um decreto do rei Elessar. Desse casal descendem os Lindofilhos das
Torres, herdeiros da obra que passa a ser chamada de Livro Vermelho do
Marco Ocidental.

A versão final desta relíquia continha as Aventuras de Bilbo durante a
retomada de Erebor; um relato da Guerra do Anel e os eventos do final
da Terceira Era, conforme vistos pelos Hobbits; numerosas notas
inseridas por outros autores e, em anexo, os três volumes das Traduções
do Élfico de Bilbo e um volume das genealogias e outros assuntos do
Condado compilado por um dos descendentes de Sam.

Infelizmente a versão original deste livro se perdeu, mas diversas
cópias foram feitas ao longo dos anos, sendo a primeira o Livro do
Thain. Encomendada pelo rei Aragorn, essa cópia lhe foi entregue por
Peregrin Tûk, quando este se mudou para Gondor. Sua importância reside
no fato de que esta é uma cópia integral, sendo que nenhum detalhe do
livro original foi perdido.

Outro aspecto importante da reprodução é que esta recebeu novas
anotações e correções, principalmente nas palavras e citações de
línguas élficas. Além disso, uma abreviação do texto acerca da
“História de Aragorn e Arwen”, escrito por Barahir, filho de Faramir,
também foi inserida no livro.

Já a mais importante cópia foi feita por Findegil em 172 da Quarta Era,
provavelmente por um pedido do bisneto de Peregrin, e mantida nos
Grandes Smials, a residência dos Tûks no Condado. Nesta cópia havia a
nota "Findegil, Escriba do Rei, terminou esta obra em IV 172. É uma
cópia exata do Livro do Thain de Minas Tirith. Esse livro era uma
cópia, escrita a pedido do Rei Elessar, do Livro Vermelho dos
Periannath, e foi levado a ele pelo Thain Peregrin, quando este se
retirou para Gondor em IV 64.".

As duas versões de Livro Vermelho do Marco Ocidental citadas acima são
as únicas a conter toda informação presente nele, mais o que lhe foi
adicionado e corrigido em Gondor. Na verdade, apenas o livro de
Findegil continha o anexo “Traduções do Élfico” de Bilbo Bolseiro, por
isso sua importância.

Curiosidade:

Apenas como curiosidade, vale lembrar que Tolkien afirmava ser um mero
tradutor do Livro Vermelho. Nesta história ele teria encontrado a obra
e a traduzido para o inglês. Talvez por isso a soma dos capítulos de O
Hobbit e O Senhor dos Anéis seja 81, já que Frodo entregou o Livro à
Sam contendo 80 capítulos e sendo o último inacabado. Provavelmente, de
acordo com o mito criado pelo professor, Sam teria acabado o octogésimo
capítulo e escrito o seguinte.

O Hobbit, 19 capítulos.
O Senhor dos Anéis:
A Sociedade do Anel, 22 cap.
As Duas Torres, 21 cap.
O Retorno Rei, 19 cap.
Soma: 81 capítulos.

Números da Demanda de Erebor

Na história/livro:

  • São 33 personagens principais, salvo engano, fora os vários
    “elfos, anões, wargs, orcs, corvos, aranhas, esquilos negros, águias”
    entre outros, que são citados em bandos, em grandes ou pequenas
    quantidades, sem terem algum nome em específico. A lista dos
    personagens principal é:

Lista de Personagens de O Hobbit

  • Dez personagens morrem. São eles: os trolls Tom, Bert e
    William. Os anões Fili, Kili e Thorin. E os restantes: Smaug, Grão-Orc,
    Bolg, e o Senhor da Cidade do Lago. Sem contar os elfos, orcs, wargs, e
    outros, que morreram em batalhas ou lutas.
  • Mais de 10
    lugares e/ou reinos são visitados pela Comitiva de Thorin. Na ordem:
    Condado; Mata dos Trolls; Valfenda; Montanhas Nebulosas (Caverna dos
    Orcs e Caverna do Gollum); Carrocha; Casa de Beorn; Floresta das Trevas
    (Trilha dos elfos e os Salões do Rei Élfico); Lago Comprido e Esgaroth;
    e Erebor, a Montanha Solitária.
  • Algumas lutas,
    batalhas e encontro com inimigos são travados no livro. E ocorrem na:
    Mata dos Trolls (com 3 trolls); Montanhas Nebulosas (com vários orcs e
    com Gollum – e posteriormente com os wargs, nas raízes da cordilheira);
    Floresta das Trevas (com as grandes aranhas); Montanha Solitária,
    Erebor (com Smaug e novamente com os wargs e orcs).
  • Bilbo
    fica fora de casa 420 dias. Ele sai de sua toca no dia 27 de abril de
    2941, às 10h50min da manhã e retorna no dia 22 de junho de 2942, perto
    do almoço. Os meses do Calendário do Condado possuem 30 dias, mas ainda
    há 5 dias especiais, portanto a duração é igual ao calendário que
    usamos.

Do livro:

  • Contém 19 capítulos, 13 ilustrações e mais uma em preto e
    branco do Smaug, 2 mapas, e cerca de 300 páginas (varia de edição para
    edição).
  • Quase 70 anos de publicação do livro (lançado em 1937).
  • Segundo
    o livro "The Annotated Hobbit" de Douglas Anderson, Tolkien detestou a
    edição portuguesa de Portugal, que foi lançada em 1962. Àquela altura,
    "O Hobbit" se chamava "O Gnomo".
  • Em 1989 "O Hobbit"
    ganhou uma excelente adaptação em quadrinhos, feita por Charles Dixon e
    Sean Demming e com arte de David Wenzel. É a única adaptação de alguma
    obra de Tolkien para os quadrinhos.

Do que aconteceu com os anões
 

O sucesso da demanda de Erebor não significou o fim das aventuras dos
anões. Após a retomada do Reino sob a montanha, muita coisa aconteceu
com esse curioso povo.

Dain-pé-de-ferro, o novo Senhor da Montanha Solitária, foi um justo e
próspero rei que governou até o ano de 3019 da terceira Era, quando
tombou em batalha contra as forças de Sauron. Diz-se que a resistência
do anão ao lado do corpo do rei Brand foi um gigantesco feito, sendo
que ele pôde brandir seu machado até o cair da noite, mesmo estando na
avançada idade de 252 anos.

Outro anão que teve destaque dentre os remanescentes dos aliados de
Thorin Escudo-de-carvalho foi Balin, já que este possuiu coragem o
suficiente para travar uma batalha a fim de reconquistar Moria, a mina
dos anões. Infelizmente essa empreitada foi mal sucedida, pois o anão
morreu, assim como todos os que o seguiram.

A Missão de Balin começou no ano 2989 da terceira era (o mesmo ano em
que Bilbo adotou Frodo), quando a comitiva liderada por ele deixou
Erebor, e viu seu fim no ano de 2994, com a morte de todos os Anões de
Moria. Foi um curto período de cinco anos, mas que serviu para provar
que ainda restava esperança entre os anões.

A verdadeira retomada deste antigo reino só se deu na quarta Era,
séculos depois que Gandalf matara o Balrog. Pouco se sabe acerca de
como tudo ocorreu, já que isso só aparece em rascunhos dos apêndices de
O Senhor dos Anéis, mas acredita-se que Durin VII foi quem liderou a
definitiva reconquista de Khazad-dûm e que esse reino voltou a ser
próspero e rico até o mundo ficar velho e os dias do povo de Durin
terminarem.

Dos outros membros da Demanda de Erebor, pouco se sabe ou pouco
fizeram, a não ser por Bilbo, que têm suas aventuras futuras bem
conhecidas. Dentre os anões, sabe-se que Óin pereceu em Moria, junto de
Balin; que Nori passou o resto dos seus anos residindo em Erebor e que
Glóin, pai de Gimli, participou do Conselho de Elrond.

Consultas

Livros:
O Hobbit, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Silmarillion, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, J.R.R. Tolkien. Martins Fontes.
O Atlas da Terra-média, Karen Wynn Fonstad. Editora Martins Fontes, 2004.

Sites:
Enciclopédia Valinor.
The Encyclopedia of Arda.
Tolkienianos.

Agradecimentos aos usuário Daeron, do Portal Tolkienianos, e à Marreco pelas colaborações com curiosidades.

Lá e de Volta Outra vez: As Férias de um Hobbit – Capí­tulo 6

Autores: Smaug; Proview; Fëanor ¥; Bagrong
 

Apresentação:

O penúltimo capítulo do projeto "Lá e de Volta Outra Vez", finalmente
está no ar. Seguindo a mesma linha dos anteriores, este traz novas
informações sobre o livro "O Hobbit", com imagens e muitas curiosidades.

Desta vez contaremos a trajetória de Bilbo e dos Anões, um texto
explicativo acerca da Batalha dos Cinco Exércitos e detalhes
impressionantes sobre o magnífico tesouro de Erebor, com destaque para
a pedra Arken.

Leia e confira, boa leitura!

Lá e de Volta Outra vez: As Férias de um Hobbit – Capítulo 6

Das datas e dos acontecimentos

Logo a notícia da morte de Smaug espalhou-se aos quatro ventos, e em
pouco tempo formaram-se legiões em busca do tesouro supostamente
desprotegido. Orcs e lobos iniciaram a marcha para a Montanha, sendo
vigiados sem saber pelas Águias.

O rei dos elfos da Floresta das Trevas também começou a se dirigir para
lá, mas a pedido de Bard, mudou o rumo e voltou-se para a Cidade do
Lago, e após 11 dias eles tomavam o rumo da Montanha reunidos.

Porém Thorin não ficou parado. Ali na Montanha ele acabou se
encontrando com Röac, chefe dos corvos e filho de Carc, que outrora
fora seu amigo. Estava renovada a amizade dos anões e dos corvos, e tão
logo Thorin recebeu a notícia da morte de Smaug, ele enviou corvos com
mensagens para seus parentes, entre eles Dain, seu primo das Colinas de
Ferro, avisando do ocorrido e pedindo reforços contra os prováveis
“invasores”. Se apressaram em construir uma fortificação de grandes
pedras quadradas, assentadas a seco.

Os primeiros a alcançar a Montanha nessa “corrida do ouro” foram os
exércitos de Bard e do rei élfico, no anoitecer do dia 15 de novembro.
Thorin porém não permitiu que adentrassem em seu reino, fazendo com que
os recém chegados acabassem por sitiar a Montanha no dia seguinte. A
situação estava tensa, e Bilbo decidiu tomar uma atitude. De posse da
Pedra Arken, que ele encontrara na Montanha em segredo, dirigiu-se ao
acampamento dos homens e elfos, e ali resolveu entregá-la a Bard, para
que pudesse negociar com Thorin. Antes de retornar ao seu posto,
encontrou-se com Gandalf, que ali estava. Apesar da felicidade
momentânea, não podia desviar sua atenção da real situação dos eventos,
e retirou-se.

No dia seguinte Gandalf se apresentou a Thorin, tentando uma
negociação. Bilbo confessou ter entregado a pedra, sendo expulso por
Thorin da Montanha. O mesmo decidiu que entregaria a parte de Bilbo
para homens e elfos em troca da Pedra. E combinou-se que no dia
seguinte a troca seria realizada.

Thorin porém esperava a chegada de Dain, para que tentasse obter a
Pedra sem dar nada em troca, e através dos corvos lhe informou a
situação. E na manhã seguinte Dain chegou, mas Bard se colocou entre
ele e a Montanha, pretendendo permitir a passagem dos Anões apenas após
a troca.

A batalha entre anões e os exércitos de Bard e do rei élfico estavam
prestes a começar, quando os orcs chegaram, acompanhados de lobos e
wargs. Rapidamente anões, homens e elfos se uniram contra o inimigo
comum, mas a desvantagem numérica, porém, continuava. Assim se iniciou
a Batalha dos Cinco Exércitos[1].
E logo a batalha complicou-se para os três povos. Os exércitos de Dain,
Bard e do rei élfico recuavam, perdendo terreno, quando Thorin saiu da
montanha, chamando todos seus aliados, avançando contra o exército
inimigo até atingir a guarda pessoal de Bolg, o chefe dos orcs. Porém
eles acabaram sendo cercados, e viram-se em apuros. Bem neste momento,
as Águias chegaram, precipitando-se sobre os orcs, liberando a Montanha
e renovando as esperanças por um breve momento, pois logo a
superioridade numérica dos orcs e dos lobos voltou a mostrar a
diferença.

Por fim, Beorn surgiu, não se sabe de onde, na forma de um urso.
Avançou sobre os exércitos dos oponentes, aniquilando os que ousassem
ficar em seu caminho. Alcançou Thorin, que havia caído após ser
atingido por lanças, e o retirou dali. Logo voltou, e sua ira era
incontrolável. Sozinho ele derrotou a guarda pessoal de Bolg, e matou o
mesmo. Os orcs, vendo seu líder morto, fugiram desesperados, correndo
para todas as direções [2].
Homens, elfos e anões aproveitaram para matar os orcs que tentavam
fugir, sendo que poucos efetivamente saíram da Batalha com vida.

Depois disso, Bilbo foi encontrado entre as rochas por um homem. Foi
levado até o acampamento no vale onde encontrou-se com Thorin em seu
leito de morte. Era dia 23 de novembro. Ali, eles puderam conversar, e
Thorin retirou as ofensas contra o hobbit, que agradeceu por ter
partilhado dos perigos, e lamentou pelo fim amargo. Porém, o anão o
consolou com belas palavras, e partiu.

No seu enterro, Bard depositou a Pedra Arken sobre o seu peito e o Rei
Thranduil colocou a espada Orcrist sobre o túmulo do anão, que havia
sido tomada quando eles passaram por suas cavernas. Feito isso, Bard,
Bilbo e os anões fizeram a divisão de suas partes de direito do
tesouro. O hobbit não tinha como carregar tanto ouro e prata, por isso
encheu apenas 2 arcas que um pônei poderia levar no lombo.

Na despedida, Bilbo saudou cada anão e ainda virou-se para a montanha
dizendo adeus à Thorin e a Fili e Kili, que infelizmente haviam tombado
em batalha. O exército dos elfos foi partindo, em número menor, mas com
a certeza de que dias mais calmos e felizes viriam. Os anões ficaram
ali, para restabelecer o Reino sob a Montanha. Balin, filho de Fundin,
deixou seu convite à Bilbo: caso voltasse um dia, os salões estariam
prontos para um esplêndido banquete.

E foi assim que as aventuras da Demanda de Erebor chegaram ao fim, com
a aproximação do inverno. Mas havia mais uma viagem a fazer: a viagem
de volta. Lá e de volta outra vez. Bilbo retornaria para sua amada
toca, em Bolsão. Era final de novembro, e, ele, Gandalf e Beorn
trilhavam agora o caminho de volta. Ainda há algumas considerações a
fazer sobre esse último percurso, por isso convidamos os leitores para
o último capítulo dessa jornada, dia 30 de dezembro. Até lá!

A Batalha dos Cinco Exércitos

Durante a longa viagem para reconquista do Reino Sob a Montanha,
algumas ações de Thorin, Bilbo e sua trupe desagradaram certos povos da
Terra Média, criando um sentimento revanchista contra os heróis, o que
culminaria na Batalha dos Cinco Exércitos, aonde os Anões, Elfos,
Homens, com a ajuda das Águias e de Beorn, batalharam contra Orcs e
Wargs, que eram assistidos por Morcegos.

Os orcs, principais representantes do lado do mal, partiram para a
guerra pois tiveram seu líder, o grão-orc, assassinado durante a fuga
dos anões e Bilbo em suas cavernas. Além disso, Bolg, filho do Orc
Azog, que matou Thror e foi morto por Dain, guiava outra grande quantia
desses seres malignos para vingar a morte de seu pai. Liderados por
Bolg, os orcs atacavam cheios de fúria e maldade.

Já os Wargs, outro povo que lutava no lado do mal, também tiveram
motivos fortes para entrar nessa batalha. Algum tempo atrás, a comitiva
que partira para Erebor acampara numa clareira aonde os Wargs se
reuniriam. Com a chegada dos lobos, todos os imprudentes heróis subiram
em árvores a fim de tentar escapar. Para combater esses lobos, Gandalf
usou uma de suas magias, colocando fogo nas plantas e também em muitos
Wargs, inclusive em seu Senhor, isso os fez extremamente rancorosos.

Ao contrário do que a união entre os exércitos que batalharam contra os
servos de Morgoth os nos faz pensar, eles não começaram o conflito
lutando lado a lado. Inicialmente, os Anões foram capturados pelo Rei
Élfico, sendo insolentes a ele e depois fugiram de seus calabouços, o
que gerou tensão entre os dois povos.

Continuando em sua jornada, a comitiva chegou até Erebor e lá conseguiu
irritar profundamente o Dragão Smaug, que saiu de sua fortaleza para
matar, mas acabou sendo morto por Bard, de Esgaroth. A queda do Dragão
morto destruiu a Cidade do Lago e possibilitou a retomada de Erebor
parte dos Anões. Os homens que tiveram suas casas esmigalhadas por
Smaug, requisitaram aos Anões uma parte de seu tesouro, como recompensa
pela morte do dragão, para que pudessem reconstruir seus lares. Thorin
e seus avarentos colegas não lhes derem uma moeda sequer, o que os
levou a se aliar aos elfos e partir em investida contra Erebor.

Acontece que Thorin era um nobre e, portanto, muito bem relacionado.
Ele convocou seu primo, Dain Pé de Ferro, para lutar em seu favor,
tornando a situação ainda mais complicada. Estando homens e elfos
frente a frente com os anões, chegaram inesperadamente Orcs e Wargs,
sedentos por vingança, atacando a todos. Como conseqüência disso, todos
os exércitos inimigos dos servos da escuridão se uniram para rechaçar
os ataques sofridos.

Paralelamente a esses fatos as Águias vieram para a Batalha, atraídas
pela grande movimentação de Orcs na Terra-Média. O lado do bem ainda
contou com a valiosa ajuda de Gandalf e Beorn, que esmagou Bolg, o orc.

Ao término dessas lutas, os Orcs e Wargs saíram derrotados, sendo que
os poucos sobreviventes foram caçados ou fugiram de volta para casa. Os
outros povos também tiveram grande perda, já que Thorin
escudo-de-carvalho tombou junto de Fili e Kili, além de muitos outros
guerreiros dos homens, elfos e anões.

Após a paz ter sido restabelecida, Dain passa a governar Erebor. Sendo
um rei muito justo, ele entrega uma parte do tesouro a todos os que a
mereciam: Bard levou um catorze avos da fortuna, Bilbo recebeu uma arca
de ouro e outra de Prata, além de um pônei para carregá-las e até ao
Rei Élfico teve sua parte: as esmeraldas de Girion, suas pedras mais
amadas.

Terminada a batalha, homens, elfos e anões passaram de inimigos a
aliados, as águias voltaram para seus ninhos, mas não sem antes serem
recompensadas com muito ouro e Bilbo Bolseiro pode retornar para o
Condado. No final das contas, mais valeu as alianças formadas durante a
guerra do que os atritos criados antes dela.

Mapa:

Acompanhe a movimentação dos exércitos no mapa de Karen Fonstad: A Batalha dos Cinco Exércitos.

O grande Tesouro de Erebor

Dentre os fatores que desencadearam a busca pela reconquista de Erebor,
com certeza um dos mais importantes era a quantia de tesouros que havia
sob a montanha. Durante todo o longo percurso narrado em O Hobbit, os
heróis sonhavam com sua parte da riqueza, o que não seria pouca coisa.
Apenas como padrão de comparação, o um catorze avos que pertenceria à
Bilbo foi dado para Bard, que conseguiu reconstruir sua cidade e ainda
dar uma parte para seu Senhor.

De que, então, seria composto este magnífico tesouro? Algumas das
respostas são óbvias: ouro, prata e outras pedras preciosas. Isso é
verdade, havia ouro bruto e trabalhado, assim como nos outros metais e
a quantia de pedras preciosas dos mais variados tipos e tamanhos era
incalculável. Mas não só esses minérios formavam a fortuna de Smaug, lá
também havia diversas peças criadas pelos talentosos artesões de
outrora.

Nos artefatos mais simples, podemos citar a presença de cálices e
outros utensílios domésticos extremamente luxuosos. Na primeira visita
à caverna de Smaug, Bilbo levou consigo uma grande taça de ouro com
duas alças que era tão pesada quanto ele podia carregar. Nesta mesma
visita ele viu grandes jarros e vasos, provavelmente muito valiosos,
que estavam cheios de riquezas. Mais tarde, Fili e Kili encontraram
penduradas muitas harpas de ouro com cordas de prata que ainda estavam
afinadas.

Outro ponto forte deste tesouro eram os maravilhosos artefatos de
guerra. Em sua visita solitária ao covil do dragão, Bilbo viu
pendurados na parede cotas de malha, elmos, machados, espadas e lanças.
Noutra excursão pelos salões de Erebor, Thorin presenteou o hobbit com um colete de mithril,
um cinto de pérolas e cristais e um elmo leve de couro estampado,
reforçado com aros de aço na base, com pedras brancas incrustadas na
borda.

O própio Thorin armou-se muito bem, com uma cota de anéis folheados de
ouro e um machado com cabo de prata num cinto incrustado de pedras
escarlates. Todos os anões se vestiram com o que encontraram no
tesouro, cotas, elmos, armaduras, tudo tinha grande valor.

Havia também um Arco de Chifre, utilizado por Escudo de Carvalho para
disparar uma flecha que carregava um recado até o mensageiro da Cidade
do Lago. Não se sabe a verdadeira origem deste arco, pois os anões não
tinham tradição de luta com este tipo de arma. Vendo a localização de
Erebor, pode-se pensar que o arco é influência dos orientais, já que os
homens do lago usavam arcos longos. Há também a possibilidade de ser
apenas uma arma especial dos anões.

Outros objetos encontrados tinham valor ainda mais significativo, como
é o caso das esmeraldas de Girion, as pedras mais amadas do Rei Élfico,
e da própia Pedra Arken, o coração da montanha.

Pedra Arken

Uma jóia encontrada pelos anões de Erebor na época de Thráin I, também conhecida como Coração da Montanha.

Os anões, então, usaram de suas hablidades para lapidar a gema, que não
apenas possuia luz própria, mas também captava toda luz que a atingia e
transformava em 10 mil faíscas de brilho branco, tocados pelas cores do
arco-íris. Era uma jóia pesada e não era grande, mas não era pequena a
ponto um hobbit pegá-la com a mão fechada.

Depois de sua descoberta, a Pedra Arken se tornou herança da linhagem
de Dúrin e foi levada para as Monatnhas Cinzentas por Thorin I e depois
trazida de volta para Montanha solitária por seu descedente, Thrór.

Após a destruição do reino sob a montanha pelo dragão Smaug, o Dourado,
a Pedra Arken passou a fazer parte do tesouro do dragão até a morte
deste em 2941 TE, quanda Bilbo Bolseiro usou a Pedra para ganhar a sua
liberdade e a dos anões que estavam sitiados pelos homens de Esgaroth
(que havia sido destruida por Smaug) e pelos elfos da floresta. Ambos
queriam parte de seu tesouro que Smaug havia juntado ao tesouro dos
anões.

Após a Batalha dos Cinco Exércitos, Thorin II, Escudo de Carvalho,
primeiro Rei Sob a Montanha desde a morte de Smaug, morreu devido aos
graves ferimentos, então Bard, Senhor do Valle, colocou a Pedra Arken
junto ao corpo de Thorin, para que ambos fossem enterrados bem fundo
abaixo da montanha. Veja: Enterro de Thorin.

Galeria de Imagens

A Porta Secreta – "… ouviu um estalido agudo atrás de si."
"O sol descia casa vez mais, e todos perdiam as esperanças. Afundou
atrás de um cinturão de nuvens avermelhadas e desapareceu. Os anões
resmungavam, mas, mesmo assim, Bilbo ficou ali, quase sem se mover. A
pequena lua mergulhava na direção do horizonte. A noite chegava. Então,
de repente, quando quase não restava mais esperança, um raio vermelho
do sol escapou como um dedo através de um rasgo de nuvem. Um fulgor de
luz atravessou a abertura…". (Cap. XI)

Roäc, filho de Carc – "Faz cento e cinqüenta e três anos que saí do ovo…"
"Logo ouviu-se um bater de asas, e lá vinha o velho tordo e, com ele,
vinha um outro pássaro, extremamente decrépito. Estava ficando cego,
mal podia voar, e o topo de sua cabeça era calvo. Era um corvo idoso,
de grande tamanho. Pousou no chão diante deles, bateu as asas devagar e
fez uma mesura para Thorin". (Cap. XV)

Roäc – "… e escutassem as notícias do corvo"
"Thorin então explodiu em ódio: – Nossos agradecimentos, Roäc, filho de
Carc. Você e seu povo não serão esquecidos. Mas nenhuma parte de nosso
ouro será levada por ladrões ou carregada por violentos enquanto
estivermos vivos". (Cap. XV)

Atrás da muralha – "… o portão já estava bloqueado com uma parede de pedras quadradas."
"Havia buracos pelo quais poderiam olhar (ou atirar), mas nenhuma
entrada. Eles entravam e saíam por meio de escadas, e içavam as coisas
com cordas. Para a passagem do rio haviam preparado um pequeno arco
baixo sob a nova parede…". (Cap. XV)

A Batalha dos Cinco Exércitos – "Assim começou uma batalha que ninguém esperava…"
"No contraforte sul, nas encostas mais baixas e nas rochas aos seus
pés, ficaram os Elfos; no contraforte leste ficaram homens e anões. Mas
Bard e alguns dos homens e elfos mais agéis subiram até o topo da
saliência ao leste para ter uma visão do norte. Logo puderam ver as
terras diante do sopé da Montanha enegrecidas por uma multidão que
corria". (Cap. XVII)

A morte de Thorin – "Adeus, meu bom ladrão!"
"Bilbo ajoelhou-se, cheio de tristeza. – Adeus, Rei sob a Montanha! –
disse ele. – Esta é uma aventura amarga, se deve terminar deste modo, e
nem uma montanha de ouro pode consertá-la. Mas fico feliz por ter
partilhado os seus perigos. Foi muito mais do que qualquer Bolseiro
merece".

Crédito das Imagens:
Alan Lee
John Howe
J.R.R. Tolkien

Notas:

1. Os Cinco Exércitos

Os exércitos que participaram dessa batalha foram, do lado inimigo ou
“mal”: orcs e lobos (os wargs); e do lado do “bem”: elfos, anões e
homens. Mas também figuraram nesse palco um mago (Gandalf), um hobbit
(Bilbo), as águias (Gwaihir e companhia), e até os corvos, como Roäc,
que ajudavam com as notícias. Se contarmos as “raças” que participaram
dos eventos de Erebor, o nosso número vai para nove. Talvez uma das
mais “diversificadas”, em termos de espécies/raças, batalhas que
ocorreram na Terra-média!

2. “Ciência” pode explicar esse motivo.

E que tal se os orcs fossem na verdade um bando de fêmeas? Calma aí,
podemos explicar com a ajuda da matéria de Reinaldo “Imrahil” Lopes,
citada anteriormente no capítulo 5:

“…o esquisito é a sua capacidade quase infinita de reprodução (…).
Gee tem uma hipótese intrigante sobre isso: e se os orcs se
reproduzissem por partenogênese? Esse palavrão significa “nascimento
virgem” (…) zangões nascem assim, por exemplo. De quebra, isso
explicaria por que os orcs tendem a se comportar como formigas tontas
quando seus líderes são destruídos. (…) Se a teoria for verdadeira,
todos aqueles machões são na verdade, um bando de fêmeas”.


Consultas:

Livros:
O Hobbit, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Atlas da Terra-média, Karen Wynn Fonstad. Editora Martins Fontes, 2004.

Revistas:
Galileu. Outubro de 2005, nº 171. Matéria de Reinaldo Lopes “A Ciência da Terra-média”, pág. 51. Editora Globo.

Páginas na Web:
Encyclopedia of Arda.
Enciclopédia Valinor.
Armas e Armaduras na Terra-média – ensaio na Valinor.