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Sam, o Esperto!

Segue abaixo a descrição do terceiro parágrafo sumido (os outros
dois foram apelidados por mim de "O Anel de Saruman" e "Tom Bombadil
Gagá") de quatro encontrados até o momento e como ficaria uma possível
tradução em português.

 

 

E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma pessoa da lista, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi Solange Belba Pai D’Ouro.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual eu coloquei um parágrafo antes e um após o trecho faltante:

`Still, there may be no connection between this rider and the Gaffers stranger, said Pippin. `We left Hobbiton secretly enough, and I dont see how he could have followed us.

`What about the smelling, sir? said Sam. `And the Gaffer said he was a black chap.

- I wish I had waited for Gandalf,Frodo muttered. `But perhaps it would only have matters worse.

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

"… – Ainda assim, pode não haver ligação alguma entre o sujeito estranho do Feitor e este cavaleiro_ disse Pippin. – Saímos da Vila dos Hobbits em segredo, e eu não vejo como ele possa nos ter seguido.

- Devia ter esperado Gandalf – murmurou Frodo. – Mas talvez isso só piorasse as coisas."

Notem que a frase esperta de Sam é completamente perdida na traduçã. O parágrafo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

- E o farejar, senhor? disse Sam. `E o Feitor disse que era um tipo escuro.

Os trechos acima citados encontram-se no capítulo "Três Não é Demais".

Tamanho é Documento?

 
Bela decisão eu tomei quando semana passada eu voltei a escrever uma coluninha. Tinha esquecido o quanto é gratificante despertar algum tipo de discussão, que é o motivo da existência dessa coluna. Não exatamente a busca da polêmica como objetivo final (como o Diogo Mainardi na Veja, por exemplo), mas a expressão de uma opinião pessoal basificada gerando com isso discussões construtivas, sendo a coluna um lixo ou não. E desde que escrevi a última coluna sobre E o Futuro, a Quem Pertence? ela tem sido lido mais de 250 vezes por dia!

Pensando um pouco sobre discussões, colunas, cara-a-tapa e outros, me dei conta do quanto as danadas das versões estendidas do SdA têm sido discutidas, sobrando farpas e conclusões para todo o lado. Por que não dar uma esmiuçada em tudo, tentando traçar um painel geral atual do que está acontecendo? Temos alguns ângulos a analisar em nossa coluninha de hoje, que é publicada religiosamente sem data nenhuma marcada e sim quando me dá na veneta.

Antes de mais nada, é estendido, com "s" de sapo. Em português não existe a palavra extendido, com x de "aquela mulher cujo nome não deve ser dito mas que a cada ano adia a estréia do SdA por causa de seus filmes bobos embora a Warner alegue que não seja isso" (bom, vocês sabem de quem eu estou falando). Embora a raiz latina seja a mesma, extendere, em português temos estendida e em inglês extended, e se você faz absoluta questão de usar x eu recomendo o uso de expandida, assim todos ficaremos felizes (e gramaticalmente corretos).

Só para o caso de você, meu nobre mas avoado Leitor, ter vivido nos últimos meses em algum mosteiro no Nepal e não saiba o que são as versões estendidas do filme do Senhor dos Anéis, gasto um ou dois paragrafozinhos para explicá-las. Por mais que o PJ diga que não, as versões estendidas são "directors cut", edições do diretor ou o filme que o diretor gostaria de poder ter apresentado no cinema. A versão estendida do primeiro filme ("O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" – SdA:SdA) possui 30 min de cenas extras enquanto o segundo filme ("O Senhor dos Anéis: As Duas Torres" – SdA:ADT) possui ainda mais, 43 min e, de acordo com o que temos lido atualmente, acredito que podemos esperar uma versão estendida de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" ainda com mais cenas extras, beirando os 60 minutos.

E o que essas versões estendidas têm de mais? Podemos ter uma idéia da quantidade de cenas extras ao ler esta notícia do Kanawati sobre o conteúdo do DVD estendido de SdA:ADT. De fato são muitas cenas que, por algum motivo (discutidos mais além), não foram apresentadas no cinema.

Estas versões são mais fluídas dos que as apresentadas nos cinemas mas também mais lentas. São mais fiéis à obra escrita mas talvez sejam absolutamente soporíferas para alguém que não está interessado se o filme é ou não baseado em uma obra literária (ou vice-versa) e busque apenas diversão. Minha condição de fã não me permite ter uma visão muito clara sobre isso. Algumas opiniões coletadas aqui e ali entre não-fãs variam entre "dormi", "legal mas fiquei um pouco perdido", "indispensável" e "um crime não terem saído no cinema. De meu lado afirmo tranquilamente que são infinitamente melhores do que a edição picotada e oficial.

Alguma controvérsia tem sido criada sobre as versões estendidas, acusando-as de serem meramente jogadas de marketing para aumentar os lucros com as vendas dos DVDs, uma vez que seriam vendidos DVDs com as versões normais (aquelas apresentadas nos cinemas) e outra mais cara, convenientemente lançada alguns meses após a versão normal, mas cuidadosamente colocada de forma a servir de propaganda para os filmes no cinema (até agora elas foram lançadas cerca de um mês antes da estréia do filme seguinte no cinema) e tendo algumas cenas especialmente reservadas para elas como chamariz (como Lothlórien, no caso de SdA:SdA). Outros defendem que devemos todos ser gratos por termos tais versões estendidas ao nosso alcance.

Eu acredito que a "explicação" é na verdade uma mistura de ambas as afirmações. É muita inocência acreditar que poderíamos ter nos cinemas, de forma comercialmente viável, um filme com cerca de 4 horas de duração, simplesmente porque representaria uma sessão a menos por dia. Um filme de 4 horas permite umas três sessões/dia enquanto um de 3 horas consegue ter quatro sessões/dia. Até mesmo o "intocável" Lawrence da Arábia foi picotado de 3:45 h para cerca de 3:20, para ser apresentado no cinema. A princípio ele foi cortado pelo próprio diretor, mas como os cinemas não consideraram os cortes como suficientes, cortaram um tanto também por conta própria, de forma que só tivemos a versão original, aquela de inteção do diretor, mais de 20 anos após o lançamento do filme nos cinemas. A idéia é ganhar o máximo no menor tempo possível, afinal a fila de lançamentos não pára.

O que ocorreu no caso dos "O Senhor dos Anéis" foi uma junção de interesses (do estúdio) com interesses (dos cinemas) com interesses (do diretor). Peter Jackson (PJ para os íntimos, que por sinal é o diretor dos filmes, caso nosso gentil e monástico Leitor não o saiba) é fã da obra e gostaria de apresentá-la da maneira mais "intacta" possível, como deixou bem claro várias vezes. Ele conseguiu que fossem três filmes e não um, o que é algo surpreendente, tendo-se em vista Hollywood, mas também teve que fazer concessões de marketing, afinal o filme não é simplesmente uma obra de arte de um fã abnegado, ele tem que se pagar e gerar algum lucro aos investidores. Aí que eu acho que está a boa jogada de Peter Jackson: ele joga os filmes "que ele gostaria de ver no cinema", mas que por vários motivos não é possível, em uma edição especial de DVD o que gera lucros extras para o estúdio. Lógico que é uma jogada arriscada, pois se o SdA:SdA tivesse naufragado nas bilheterias duvido muito que ouvíssemos falar de alguma versão estendida.

Portanto o mesmo mundo porco e capitalista que picota um filme para que se encaixe nos padrões de tempo e audiência dos grandes estúdios nos proporcionaram de maneira rápida a "versão do diretor", que, pra sorte nossa, é um fã da obra. E o diretor que hoje faz um filme sem já pensar de algumas forma em edições de DVD pode ter a liberdade de tacar a primeira pedra.

Só um intervalo, antes de continuarmos nossa viagem pelas versões estendidas, agora dentro do Brasil. Falando como falo dá a n&i
acute;tida impressão que sou um fã incondicional dos filmes e do Peter Jackson, não é? Bom, eu acho que me rendi, de uma certa maneira, ao considerar o livro "O Senhor dos Anéis" uma entidade à parte dos filmes "O Senhor dos Anéis". Eu escrevi um texto de certa forma defendendo o filme chamado É o Filme MALIGNO?, irmão gêmeo de outro, chamado de Queime, PJ, Queime! justamente detratando os filmes e seu diretor. Enfim, acho que cansei dessa controvérsia em particular.

Agora eu devo entrar por um assunto infeliz e cansativo, embora inescapável. E nós aqui no Brasil, cadê nossas versões estendidas? Essa maldita questão (em todos os variados sabores que esta palavra pode assumir) tem mais de ano e já era tão batida em dezembro de 2002 que eu me vi forçado a criar um textos sobre ela, que ainda se encontra de certa forma atual, SdA:SdA – Tudo o Que Você Queria Saber sobre o DVD (Estendido ou Não) que se tornou, lamentavelmente, o texto mais lido da história da Valinor. Agora mesmo me surpreendo em verificar que já em setembro constava nele a notícia da apresentação cinematográfica da versões estendidas no Brasil… que coisa!

Ao ler esta presente coluna talvez a encontre-a desatualizada, pois as notícias mais atuais que temos neste momento são que as versões estendidas serão apresentadas em poucos cinemas de poucas cidades durante pouco tempo (nenhum desses "poucos" foi definido pela Warner Bros. até o momento) a partir do dia 12 de dezembro de 2003. Já as versões estendidas em DVD não nos dão qualquer esperança. Não temos sequer uma palavra mesmo que extra-oficial da Warner Bros. com relação a elas (repare que em setembro já tínhamos boatos sobre as apresentações cinematográficas).

Por que, raios trovões largartos e morcegos, por que, malditos sejam para toda a eternidade, por que, crias de Morgoth, não temos essas versões estendidas em DVD no Brasil? O mais cruel de tudo é que não se sabe a resposta real e definitiva. Desde final de 2002 temos os profetas do apocalipse afirmando a altos brados que "no mês que vem sai" e "tenho informações quentíssimas de um primo dum amigo dum porteiro dum funcionario da Warner" mas infelizmente até agora nada. O que a Warner afirma, de maneira bastante tímida há mais de um ano é que a "New Line não liberou" e/ou "problemas de licenciamento impedem o lançamento no Brasil" o que, no final das contas, são a mesma desculpa.

A Warner já foi acusada de tudo pelos fãs, passando de "burra" por perder negócio tão bom não lançando os DVDs a "monstra" (por, segundo alguns, intencionalmente nos torturar não os lançando no Brasil) mas o que sabemos é que até agora, nada de DVDs e nada de boatos sobre os DVDs, embora o lançamento das estendidas nos cinemas tenha dado uma nova esperança, totalmente desprovida de basificação oficial ou boatérica, devo ressaltar, do lançamento dos DVDs. Eu por mim não sei mais o que dizer ou o que pensar. Acho que os DVDs ainda saem, mas não me surpreenderia se não saíssem. Acho que a Warner não mente ao afirmar que a culpa não é dela, mas não me surpreenderia se ficasse claro que mentiu. Acho que a Warner não é burra, mas não me surpreenderia se o fosse. Fica só minha grande esperança de que os DVDs saiam e o que saiam o quanto antes. Eu por mim fico aqui na minha (agora) quieta ansiedade, espiando mensalmente a revista de lançamentos da Warner destinada às locadoras, na qual constam os lançamentos em DVD com uma antecedência de dois meses.

Infelizmente essa minha coluna será majoritariamente discutida (se o for) apenas tendo como base esses dois ou três últimos parágrafos, mas não cabe o autor decidir sob que aspecto um texto será discutido pelos leitores do mesmo. O que me resta é fazer uma conclusão, se possível com uma frase engraçadinha ou espirituosa, e portanto lá vai: após ter assistido a ambos os DVDs estendidos a única certeza que fica é que sim, o tamanho influi no prazer proporcionado (ok, podem atirar agora).

Tom Bombadil, o Gagá?

 
Depois da discussão sobre o parágrafo faltante na tradução brasileira do SdA, estão pipocando novos problemas. Tomei a decisão de dedicar um texto em separado para cada parágrafo faltante (até agora, quatro). Desta vez é o "Parágrafo do Tom Bombadil Gagá"

Segue abaixao a descrição do parágrafo sumido e como ficaria uma possível tradução em português. E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma pessoa da lista, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi a Solange Belba Pai DOuro.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual eu coloquei um parágrafo antes e um após o trecho faltante:

"_ Tell us, Master,he said, `about the Willow-man. What is he? I have never heard of him before.

`No, dont said Merry and Pippin together, sitting suddenly upright, `Not now! Not until the morning!

`That is right! said the old man. `Now is the time for resting. Some things are ill to hear when the worlds in shadow."…

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

"- Conte-nos, Senhor, sobre o Salgueiro-homem. O que é ele? Já ouvi alguma coisa a respeito antes.

– Está certo – disse o velho – Agora está na hora de descansar. Não é bom ouvir certas coisas quando as sombras caem sobre o mundo. …"

Notem que Tom Bombadil parece ser meio gagá, pois ao mesmo tempo em que concorda em contar sobre o Salgueiro-homem para o Frodo, também diz que não é bom falar sobre isso à noite.

O parágrafo suprimido ficaria, em português e segundo minha (Deriel) tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

Não conte, disseram Merry e Pippin juntos, subitamente sentando eretos, Não agora! Não até a manhã!

Os trechos acima citados encontram-se no capítulo "Na Casa de Tom Bombadil".

[Agradecimento especial à Solange Belba Pai DOuro]

Onde está o Anel de Saruman?

 
Alguns dias atrás estávamos discutindo sobre o Anel de Saruman, na Lista de Discussão Valinor, o que causou uma certa confusão. Uma citação feita por mim da edição em inglês do SdA não foi encontrada de forma alguma na edição nacional. Hoje, em uma verdadeira força tarefa, vasculhamos todas as edições nacionais já lançadas da obras – com a exceção da edição pirata da Artenova, de 1976 – à procura do texto perdido. E de fato, o danado não se encontrava lá. Que fique registrado que a maior responsável por tal descoberta foi a Mel da lista Valinor Obras.

Segue abaixao a descrição do parágrafo sumido e como ficaria uma possível tradução em português. E registro que a discussão e descoberta foi obra de um grupo de pessoas da lista, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foram eles: Mel descobridora original do parágrafo faltante), Lasgalen, Ricardo Bittencourt e Ispaine.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo crucial do Conselho de Elrond. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual eu coloquei um parágrafo antes e um após o trecho faltante:

Late one evening I came to the gate, like a great arch in the wall of rock; and it was strongly guarded. But the keepers of the gate were on the watch for me and told me that Saruman awaited me. I rode under the arch, and the gate closed silently behind me, and suddenly I was afraid, though I knew no reason for it.

But I rode to the foot of Orthanc, and came to the stair of Saruman and there he met me and led me up to his high chamber. He wore a ring on his finger.

"So you have come, Gandalf," he said to me gravely; but in his eyes there seemed to be a white light, as if a cold laughter was in his heart.

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

- Uma noite, bem tarde, cheguei a esse portão, semelhante a um grande arco na muralha de rochas. Estava fortemente guardado. Mas os guardas estavam vigiando, à minha espera, e me disseram que Saruman me esperava. Passei por baixo do arco, e o portão se fechou silenciosamente atrás de mim; de repente senti medo, embora não conhecesse motivo para isso.

– "Então você veio, Gandalf", disse-me ele num tom grave; mas em seus olhos parecia haver uma luz branca, como se um riso frio estivesse em seu coração.

O parágrafo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

Porém eu cavalguei até a base de Orthanc e fui até a escada de Saruman onde ele me encontrou e me conduziu até a câmara alta. Ele usava um anel em seu dedo.

Perde-se continuidade, pois o encontro de Saruman e Gandalf não é citado. Perde-se a informação de que Saruman usava um anel, perde-se um pouco de confiança na tradução nacional. Esta última, aliás, por mais um motivo, pois é dito que Gandalf chega a Orthanc "Uma noite, bem tarde" quando no original encontramos "Late one evening" que seria algo como "ao final do entardecer".

Os trechos acima citados encontram-se no capítulo "O Conselho de Elrond", que é se encontra no Volume I, Livro II, Capítulo II.

De fato, algo bastante incomum e do qual tanto a tradutora quanto a editora estão sendo comunicados do problema. E fica aqui registrado para todo mundo que sim, Saruman fez um anel para si.

[Agradecimento especial a toda a galera da Lista Valinor]

Você troca seu colete por todo o Condado? SIM!

 
Segue abaixo a descrição do quarto parágrafo sumido (os outros três foram apelidados por mim de "O Anel de  Saruman", "Tom Bombadil Gagá" e "Sam, o Esperto") de cinco encontrados até o momento e como ficaria uma possível tradução em português. E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma pessoa do Fórum Valinor, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi o ex.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual foi colocado um parágrafo antes e um após o trecho faltante:

What? cried Gimli, startled out of his silence. A corselet of Moria-silver? That was a kingly gift!

Yes, said Gandalf. I never told him, but its worth was greater than the value of the whole Shire and everything in it.

Frodo said nothing, but the put his hand under his tunic and touched the rigns of his mail-shirt. (…)

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

- O quê? – gritou Gimli, despertando do silêncio em que se encontrava. – Um colete de prata de Moria? Foi um presente de rei!

Frodo não disse nada, mas colocou a mão embaixo da túnica e tocou os anéis de seu colete de malha. (…)

O parágrafo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

Sim, disse Gandalf. Eu nunca contei a ele, mas seu valor e maior que o do COndado e de tudo que está nele.

Coletezinho valioso, não? É interessante ressaltar que esta frase consta literalmente no filme feito pelo Peter Jackson! Os trechos acima citados encontram-se no capítulo IV do livro II, "Uma Jornada no Escuro".

[Agradecimento especial ao "ex"]

Fanfics!

 
Quem já teve o (des)prazer de me encontrar em alguma das listas de discussão que frequento deve saber que eu tenho um verdadeiro ódio pelo Fëanor e pelo Túrin. Lógico que não como personagens literários, pois a história de ambos é interessante, rica e importante para o todo. Odeio-os do fundo do meu coração por suas atitudes, idéias e reações. Sempre quando (re)leio o Silmarillion fico torcendo para que o Fëanor caia de cabeça numa quina de um meio-fio qualquer em Túna e desapareça em Mandos antes de criar as Silmarilli ou que Túrin descubra uma inesperada veia artística e se torne um bardo meio efeminado ao invés de guerreiro… mas é claro que isso nunca vai acontecer. Mas e se acontecesse?

Também já fiquei por horas e horas e horas pensando, imaginando, teorizando sobre os Primeiros Elfos, aqueles três primeiros que acordaram em Cuiviénen antes de todos os outros e que deram origem à Três Famílias… mas não passam de conjecturas pois Tolkien não deixou nada específico escrito (afora o Cuivienyarma, claro) sobre esse fato. Mas e se tivesse escrito?

Como eu muitos dos fãs (senão todos) possuem essas mesmas dúvidas e questões na cabeça: "mas e se ao invés de assim as coisas tivessem acontecido de outra maneira?" e "como Tolkien descreveria tais e tais fatos, que ficaram sem maiores explicações?". Essas duas questões são a base do que chamamos "Ficção de Fã" ou simplesmente "FanFic" que são, em poucas palavras, histórias feitas por fãs utilizando personagens, histórias e localizações criadas por outra pessoa (no nosso caso específico, Tolkien).

É bastante divertido e desafiador escrever fanfics (eu prometo que ainda vou escrever sobre como seria se Túrin virasse um bardo meio efeminado) e os fãs realmente as adoram. É divertido nos transvestirmos de Tolkien por algumas horinhas e encarnar os personagens e mundos do Velho Professor.

Mas é claro que nem tudo são flores, pois entre o querer e o escrever existem mil dificuldades. A principal é que a maioria de nós não é nem tem lá muito traquejo para escritor, o que algumas vezes nos faz desistir antes mesmo de começarmos. Como já disse alguém certa vez, escrever bem depende de um certo treino e uma certa experiência (o talento é o tempero) e nunca vamos aprender a escrever se não escrevermos, certo? Portanto, não se deixe levar por preguiça ou desânimo e ponha-se a escrever. Os primeiros textos podem parecer meio simplórios, bobos ou até mesmo simplesmente uma droga, mas com certeza a gente vai melhorando e aprendendo aos poucos (eu espero algum dia saber escrever, enquanto isso vocês sofrerão com minhas Colunas

Um segundo ponto de inibição são as críticas, e escrever fanfics pode gerar críticas mais enérgicas que o normal, afinal você está escrevendo ao estilo de um autor renomado e de qualidade (Tolkien) gerando inevitáveis comparações. Também está usando personagens e locações do autor, o que pode gerar críticas de "quebra de lógica interna" na qual o autor afirma uma coisa mas você afirma outra em sua pequena obra. O conselho é batido, mas essencial: utilize as críticas para crescer e não para desistir.

Mas apesar das dificuldades (sempre existentes em tudo que se queira realizar)•é uma área muito legal de ser explorada pelos fãs… afinal, é a maneira que temos de explorar áreas inexploradas e explicar fatos inexplicados. O que aconteceu com as Entesposas? O que os dois Magos Azuis fizeram no leste da Terra-média e pq fracassaram? Qual teria sido o desfecho do inacabado "A Nova Sombra"? Como era a vida em Númenor? Quais seriam as canções dos Vanyar? As possibilidades são inesgotáveis! Ainda mais se quisermos entrar na área obscura do "e se…". Afinal, e se…
* Boromir não tivesse morrido?
* Gandalf tivesse pego o Um Anel?
* Fëanor tivesse aberto mão das Silmarilli?
* Fingolfin não tivesse acompanhado a Revolta dos Noldor?
* Ungoliant não tivesse se unido a Melkor?
* Os Valar demorassem mais a encontrar os Elfos?
* Frodo tivesse morrido no covil de Laracna?
* O Um Anel fosse levado a Minas Tirith?
* O Balrog de Moria tivesse obtido o Um Anel?

A Valinor mesmo tem dois espaços para fanfics que podem ser bastante úteis. No Fórum Valinor (http://forum.valinor.com.br) existe o "Clube dos Escritores" um local onde você pode colocar seus textos para serem comentados e criticados (no bom sentido da palavra). Para fazer parte dele é só entrar no Fórum e se cadastrar no Clube (peça ajuda ao V – sim, aquele mesmo do "V de Vingança" – que é o responsável pelo mesmo). E temos a Lothlorien (http://www.lothlorien.com.br), uma página da Valinor exclusivamente dedicada aos fãs e à produção dos fãs, como desenhos e, claro, fanfics. Se você for lá e der uma espiada vai reparar que temos algumas dúzias de fanfics, dos mais diversos estilos, sendo a maioria referente ao Concurso de aniversário da Valinor (por isso o tema "Valinor" na maioria delas). Repare que a grande vencedora é um conto de excepecional qualidade… impressionante mesmo! Caso queira disponibilizar alguma fanfic sua na Lothlorien ou maiores informações sobre o assunto, basta utilizar nosso velhor e conhecido valinor@valinor.com.br, ok?

Bom, mãos à obra e asas à imaginação! Quem sabe você não tem um escritor de grande qualidade escondindo aí dentro?

Onde há fumaça… há batalha!

 
O quinto e último parágrafo dos parágrafos faltantes (até agora) encontrados em todas as edições da tradução brasileira de SdA está publicado no texto abaixo. Os outros três foram apelidados por mim de "O Anel de  Saruman", "Tom Bombadil Gagá", "Sam, o Esperto" e "Você troca seu colete por todo o Condado? SIM! ". E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma colega da lista de discussão Valinor Obras, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi a Paula.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual foi colocado um parágrafo antes do trecho faltante:

"I see a great smoke", said Legolas. "What may that be?"

"Battle and war!" said Gandalf. "Ride on!"

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

- Vejo uma grande fumaça – disse Legolas – Que pode ser aquilo?

E o capítulo termina assim, sem a resposta de Gandalf. Estranho não?

O parágrafo final do capítulo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

"Batalha e guerra!" disse Gandalf. "Cavalguemos!"

A frase é exatamente o final do capítulo V do livro III, "O Cavaleiro Branco".

[Agradecimento especial à Paula]