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Senhor dos Anéis, o Filme por… J.R.R. Tolkien!!!

 
Nesses tempos de "filme, filme, filme" eu tive uma curiosidade: o que Tolkien diria sobre o filme? Quais seriam as reações dele? Nós temos pouquíssimas fontes para o assunto… uma biografia que não é de muita ajuda, um filho inacessível e nosso colega de todas as horas, senhor supremo das dúvidas tolkienianas e talvez o livro mais esclarecedor tanto sobra a obra quanto sobre o homem, nosso amado e idolatrado "Letters of J.R.R. Tolkien". Após uma pequena pesquisa consegui alguns fatos interessantes. Inúteis na prática, claro, mas bem curiosos.

Poucos dentre nós fãs sabemos, sem culpa claro, que Tolkien foi bastante famoso já em vida e que bastante cedo após o lançamento do livro o mesmo foi adaptado (ou cogitou-se adaptá-lo) para outras mídias. Em 1955 (apenas um ano após o lançamento do SdA) a BBC de Londres transmitiu uma versão radiofônica do livro, um costume bastante comum àquele tempo. Não foram muito felizes, sob a ótica de Tolkien:

"Eu acho que o livro é bastante inadequado para dramatização, e eu não gostei da radiodifusão (…)" [Carta #175, 30/nov 1955]

Ele odiou especialmente Tom Bombadil e as besteiras que foram ditas na introdução – que Fruta dOuro era filha do Tom e que o Velho Salgueiro era um aliado de Mordor. Aparentemente os próximos meses foram bastante agitados para Tolkien, pois ele alega numa carta de dezembro do mesmo ano [Carta #177] que a correspondência dele havia aumentado muito por causa de fãs furiosos com a radiodifusão e/ou com os críticos do livro (viu, caros e inflados fãs inimigos do filme do Peter Jackson… vocês não estão sozinhos – há mais de 45 anos, aliás .

Até aqui nada de muito novo ou inesperado – até chegarmos em meados de 1957. Tolkien recebe uma proposta de um cineasta americano para a produção de um desenho animado do SdA! Vou transcrever a carta na íntegra, pois vale a pena e nos revela detalhes bastante iinteressantes:

"Até o ponto em que estou interessado pessoalmente, eu deveria dar boas-vindas à idéia de um filme animado, mesmo com todo o risco de vulgarização; e assim além do brilho do dinheiro, embora a possibilidade de uma aposentadoria não ser uma possibilidade desagradável. E acredito que acharia a vulgarização menos dolorosa que a tolificação* alcançada pela B.B.C." [Carta #198, 19/jun/1957]

* sillification, no original

Ora, ora! Quanto nos é revelado em tão curtas linhas. Vamos lá:

a) Tolkien não se opunha às adaptações de sua obra, embora a achasse "inadequada à dramatização". Outra indicação disso é a venda dos direitos autorais para o cinema;

b) O brilhinho das moedas de ouro atraía nosso Bom Professor tanto quanto a Bilbo nO Hobbit. Fica a sincera impressão (por essa e outras cartas) que ele aprovaria a adapatação apenas pelo dinheiro (nada contra, acredito que todos temos o direito de usufruir do que produzimos);

c) O que incomodava Tolkien não era tanto a vulgarização da obras, mas sim que a mesma fosse mostra de forma tola ou bobinha (e disso não podemos acusar PJ!). No "On Fairie Stories" Tolkien bate bastante na tecla de que contos de fadas não devem ser tolos ou bobos… e nem são direcionados à crianças. Portanto a adaptação de Bakshi, de 1978, deveria ter provocado ascos em Tolkien;

Menos de três meses depois Tolkien recebe a primeira sinopse da animação e fica bastante contrariado por cair exatamente no que ele desejava impedir, a "tolificação". Aparentemente a animação estava muito comprimida, as pessoas "galopavam" em águias à primeira chance e Lothlórien fora transformada num castelinho de fadas com "delicados minaretes". Mas Tolkien não desiste e oferece-se pessoalmente para auxiliar com correções e conselhos – caso os produtores decidam que vale a pena.

Aparentemente ainda valia, pois em abril de 1958 Tolkien recebia um novo story line do filme… e quase surtou. A principal reclamação dele foi de que os diálogos do original não foram em nada respeitados, afirmando que o escritor do story line leu o livro rapidamente e gerou um script de lembranças pessoais, sem novas consultas ao livro, transformando Boromir em Borimor e Radagast em uma águia. Novamente fala sobre tolificação, mas, como ele afirma "eu preciso e logo deverei precisar muito mais de dinheiro" [Carta #207] e portanto se oferece pra tentar ajustar e consertar o que puder.

Mas em junho de 1958 finalmente a paciência de Tolkien se acaba e ele manda o escritor do story line praticamente às favas. Ele escreve uma longa carta, detalhando ponto por ponto o que ele não conseguia engolir… e agora é muita coisa. Dessa vez ele praticamente não aceita nenhuma alteração do que ele escreveu, embora aceite alguma compressão e adaptação. Coisas aparentemente sem maior importância, como fogos de artíficio em forma de bandeira durante a festa de Bilbo são motivos de reclamação de Tolkien. Ele reclama de tudo, desde a utilização constante das águias, passando pela incorreta utilização dos nomes chegando a canções que não deveriam ser cantadas em determinadas circunstâncias. E a Parte III "é totalmente inaceitável para mim. como um todo e em detalhes" [Carta #210]. Para finalizar, "The Doom of Tolkien": "O Senhor dos Anéis não pode ser deturpado dessa forma". [Carta #210]

E o assunto morre por aqui mesmo. É, realmente Tolkien não era muito amigo do cinema Ele odiava a Disney: "por cujos trabalhos eu tenho sincero asco" [Carta #13].

Bom, agora entramos na boataria, coisas que provavelmente nunca saberemos em detalhes. Até meados de 2000 ou 2001 existia uma "lenda" bastante difundida de que Tolkien, por necessidade de dinheiro, teria vendido os direitos de filmagem dO Senhor dos Anéis por meros U$ 10.000,00. À época da espera da filmagem e lançamento do primeiro filme da trilogia do PJ, o Tolkien Estate veio a público desmentir tal afirmação, afirmando que os direitos foram vendidos
por "algumas centenas de milhares de libras e uma percentagem na produção", pois é, de bobo Tolkien não tinha nada e garantiu em vida o bem-estar de algumas gerações de "Tolkiens".

No final o que ficou foi a impressão de que, se tratado com respeito e envolvido desde o começo da produção, por gente séria e sincera, o envolvimento Tolkien x Cinema teria sim dado certo. Teríamos um filme muito próximo do que temos hoje mas sem os pontos grosseiros de alterações radicais (como a aparição de Gil-galad, Arwen e mais umas coisinhas). Tolkien não se enquadrava no que chamamos de "afável" e o pessoal de cinema é conhecidamente difícil de lidar, mas se ultrapassassem as primeiras fases o envolvimento poderia dar certo sim. Mas poderia se tornar um porre, já que a linguagem que Tolkien conhecia era a lentidão dos livros. Bom, mas é só um exercício (saboroso!) de imaginação.

SdA:SdA – Tudo o Que Você Queria Saber sobre o DVD (Estendido ou Não)

 
Com o lançamento em DVD da versão Estendida do SdA:SdA e principalmente com o não lançamento da mesma no Brasil, surgiram uma infinidade de dúvidas técnicas sobre a mesma. Vou tentar responder as principais dúvidas (agor aincluindo dúvidas sobre as todas as versões em DVD, não apenas a Estendida)

0) É versão eXtendida ou eStendida?
Estendida, com S de sapo. A confusão acontece por em inglês se extended, com X, mas em bom português a palavra só existe com S mesmo.

1) A Versão Estendida vai sair em DVD no Brasil? Por que a Warner não lança?
Independe da Warner, que já está plenamente convencida de necessidade e viabilidade do lançamento do DVD no Brasil, o fator impeditivo é a New Line Cinema. As informações oficiais são de que a Warner ainda está em negociações. Extra-oficialmente o que temos é que no DVD normal do SdA:SdA consta o lançamento da versão estendida no Brasil para novembro de 2003 em conversas particulares com altos funcionários da Warner o sentimento é de desânimo: "a New Line não está querendo" e "eu acho que não vai sair". Portanto, apesar de algumas pessoas insistirem em dar certeza do lançamento do DVD Estendido no Brasil sem nenhum tipo de subsídio, meu conselho é: não se fie nisso. O DVD Estendido deve acabar sendo lançado no Brasil, mas como estamos em meados de julho e nada de divulgação, fica difícil lançar algo antes de setembro de 2003.

[ATUALIZADO - 23/setembro/2003] – bom, ainda não sabemos dos DVDs, mas pelo menos temos a confirmação de que assistiremos as versões estendidas de SdA:SdA e SdA:ADT nos cinemas, poucas semanas antes do lançamento nacional de SdA:RdR. A notícia pode ser conferida AQUI . E ´s sempre um bom sinal para os DVD, certo?

[ATUALIZADO - 17/julho/2003] – continuam aparecendo aquelas pessoas alardeando sem o mínimo de base que os DVD estendidos vão sair. Espero que uma hora acertem. Mas até que temos boas notícias! Contatos quentes de dentro da Warner afirmaram que existe uma certa chance de ambos os DVD Estendidos saírem em dezembro de 2003. Vamos esperar pra ver se não é mais um boato. De qualquer forma, quando um DVD é lançado, sabendo cerca de dois meses antes do mesmo entrar no emrcado, por causa da divulgação da Warner. Então, até outubro deveremos ter confirmação. Mas eu não apostaria minha vida nisso não.

2) O abaixo-assinado não deu resultado?
Sim, deu resultado sim. A Warner ficou extremamente impressionada com a resposta do público a ele e está realmente enpenhada em negociações com a New Line. Só depende da New Line agora.

3) Quantas versões do DVD Estendido existem?
Duas. Uma Edição de Colecionador, cheia de fru-frus, com 5 DVDs (os 4 do filme e mais um documentário da National Geographic) conhecida entre os fãs como Edição Argonath (veja a foto dessa gracinha) que possui de extra as estátuas dos Argonath (na verdade suporte de livros), alguns cards da Decipher e uma edição especial da Lord of the Rings Fan Club Official Movie Magazine, e uma edição mais simples (veja a foto), com apenas os 4 DVDs, bem mais barata.

4) Mas eu não quero esperar! Vou comprar importado mesmo!
Tudo bem, se você possui condições financeira para tal, não se acanhe. Mas atente para algumas coisas:

a) Região do DVD – o Brasil está na Região 4, portanto se planeja importar dos EUA (Região 1) ou Europa (Região 2) certifique-se que seu aparelho está apto a executar o DVD sem problemas. Existe um aparelho da Gradiente que é multi-região, mas aparentemente é o único no mercado nacional. Os demais devem ter o código de região "quebrado". Existem sites na internet (clique aqui) que fornecem informações de desbloqueio de região.A Oceania é Região 4 também, o que quer dizer que aparelhos nacionais devem executá-los sem problema exceto com relação ao padrão de cor (ver abaixo)

b) Língua – DVD importado da Oceania ou América do Norte não vai ter legenda em português. Se você não se entende com a língua, esqueça. DVDs da Europa (Portugal) possuem legendas em português de Portugal, mas a região (vide acima) e o sistema de cor (vide abaixo) é diferente.

c) Sistema de Cor – países possuem sistema de cor diferentes. Para uma explicação sobre sistemas de cores e quais cada país adota utilize a seguinte URL: http://www.vcolor.com.br/nova/sistemas.htm. É importante ressaltar que em geral o aparelho de DVD não tem problema em reproduzir sistemas de cor diferentes mas os aparelhos de TV sim. Consulte o manual de ambos ou vai ter uma bela (e preto & branca) surpresa. A utilização de Vídeo Componente para conexão entre o DVD e a TV soluciona o problema.

d) Preço – é caro, pra você ter uma idéia dos impostos que você pagaria, dê uma espiada em Cuidado com Compras no Exterior aqui mesmo na Valinor. Algumas importadoras nacionais estão vendendo o DVD estendido (Região 1, EUA), eliminando a necessidade de comprá-lo diretamente no exterior.

O Submarino vende a Edição Argonath por extorquivos R$ 628,90 (eles subiram o preço! Era R$ 436,00). Recomendo fortemente uma boa pesquisa antes de se decidir… o Buscapé pode ser uma boa pedida.

5) Ei, qual é esse papo de o DVD do SdA:ADT ser apenas em fullscreen!
Só para esclarecer, fullscreen é aquela versão que aparece em tela cheia na sua TV, mas que pra isso causa uma perda de 30% nas imagens laterais, ou seja, chega picotada, perdendo muito da "fotografia". Widescreen apresenta o filme no formato original de cinema, mais compridinho mas que deixa faixas pretas (em cima e em baixo) na sua TV, tão odiadas por muitos.

O que acontece é que todos os lançamentos da Warner têm sid
o apenas em fullscreen (o que eu pessoalmente abomino) sem possibilidade de escolha. Novamente, segundo a Warner, é culpa da New Line: "o que eles mandarem pra gente a gente lança, é só têm mandado fullscreen". Novamente descaso conosco, fãs e consumidores.

[ATUALIZADO - 23/setembro/2003] Ufa! É Widescreen

[ATUALIZADO - 17/julho/2003] Infelizmente o parágrafo acima continua verdadeiro, mas temos indicações da Warner de que SdA:ADT estará disponível em widescreen sim. Menos mal. Eu já estou cansado de ser feito de gato e sapato, como fã e consumidor, e vocês?

[ATUALIZADO - 22/outubro/2004]
Pois então, hoje fizemos mais uma ligação para a Warner só para checar se temos novidades, e a novidade é velha.Segundo a Warner não existe previsão de lançamento para esse produto.

Para Além dO Senhor dos Anéis

 
(ou "Já Li Tudo e Agora?")

Uma das perguntas que mais ouço dos fãs brasileiros de Tolkien é: "já li tudo, e agora?". A frase na maioria absoluta das vezes se refere a tudo que já foi publicado no Brasil, ou seja, "O Hobbit" (Hob), "O Senhor dos Anéis" (SdA), "O silmarillion" (Sil) e os "Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" (Contos). Até pouco mais de dois anos não tinhamos sequer o Sil quanto mais o Contos, ou seja, já melhorou bastante a nossa situação. Muito embora não seja nem de longe o todo do que Tolkien produziu…. bom, vamos lá: os próximos passos para os fãs realmente engajados… e endinheirados (afinal, praticamente todos os livros que citarei abaixo são importados).

De forma alguma a obra de Tolkien se restringe à Terra-média, por assim dizer (entenda-se todos os textos produzidos por Tolkien de alguma forma interligados ao Hob, SdA e Sil), e se espalha entre ensaios mais técnicos e outros textos de fantasia, além claro, dos livros escritos SOBRE Tolkien, como as várias biografias e estudos de obra publicados (alguns até mesmo em português).

A primeira coisa a ser citada é, sem sombra de dúvidas, a série "The History of Middle-earth" (ou HoME, para os íntimos). Ela consiste de 12 livros contendo uma grande quantidade de material gerado por Tolkien mas nunca terminado ou publicado por ele em vida. A série foi editada e comentada pelo filho de Tolkien, Christopher Tolkien, de uma maneira mais ou menos sistemática e contínua no tempo, começando pelo "The History of Middle-earth 1 – The Book of Lost Tales 1", com textos e rascunhos de 1915/1916 até o "The History of Middle-earth 12 – The Peoples of Middle-earth" contendo textos de 1970, já no final da vida de Tolkien. O conteúdo específico de cada livro pode ser visto aqui mesmo na Valinor [ ver Bibliografia ] e devem satisfazer os fãs mais exigentes por um longo, longo tempo. Começamos com os Lost Tales e passamos pela mais primordial mitologia imaginada por Tolkien, até o volume 5. Do 6 até metade do 9 somos apresentados aos rascunhos do SdA onde ficamos sabendo que Tolkien não tinha a menor idéia do que o SdA viria a ser, e mudou de direcionamento várias e várias vezes durante a escrita do mesmo. Ainda no 9 temos o volume mais diferente, com uma história estilo "viagem no tempo" e informações sobre o Adunaico. Do 10 ao 12 são textos pós-SdA basicamente sobre a Primeira Era (e antes).

Duas ressalvas cabem aqui: a primeira é que se você acha o Contos árido, difícil ou muito acadêmico, você vai odiar os HoME; e a segunda é que os livros não existem em português, nem mesmo de Portugal (e o inglês no qual foram escritos não é tão acessível assim, principalmente os mais antigos) e não existe qualquer perspectiva de vê-los traduzidos em um futuro próximo (sem chances do último HoME aparecer traduzido por aqui antes de 2014/2015) porém com o sucesso do filme é cada vez mais comum encontrar livros importados (a preços salgados, lógico) em livrarias nacionais. É aqui, nos HoME que separam-se os fãs de Tolkien dos estudiosos de Tolkien. Só como curiosidade, os meus HoME preferidos são, sem dúvida, o 10-11-12… quem ainda não leu o "Athrabeth Finrod ar Andreth", constante do HoME 10 e traduzido pelo nosso Reinaldo "Imrahil/Cisne" Lopes aqui na Valinor não sabe o está que perdendo.

Temos ainda o "Aventuras de Tom Bombadil", do qual existe uma edição portuguesa, um livro completamente feito de poemas e rimas, tendo como pano de fundo a Terra-média e alguns de seus personagens (inclusive o Velho e Bom Tom, do título).

Apesar de muitos não saberem, a obra de Tolkien não é apenas Terra-mediana (credo, que horrível, Deriel) mas também possui alguns (bons!) livros de fantasia e infantis, a começar pela dupla "Farmer Giles of Ham" (com seu impagável cão Garm e Chrysophylax, o dragão covarde) e "Smith of Wooton Major". No âmbito infantil passamos por "Mr. Bliss" e o imperdível "Roverandom". Merece destaque, com certeza, o "Leaf by Niggle", a meu ver o livro mais tocante escrito sobre Tolkien, praticamente uma autobiografia, sobre um pintor que nunca conseguia terminar seu quadro por sempre inserir mais e mais detalhes no mesmo. Diversão pra meses, sem sombra de dúvida.

Uma outra fonte de saborosas leituras não são exatamente as obras de Tolkien, mas as *sobre* Tolkien. J.R.R.Tolkien foi uma personalidade sui generis e sua vida, suas inpirações e idéias fantásticas renderam alguns bons livros. Os dois primeiros são, claro, os clássicos "Biografia de J.R.R. Tolkien", de Humphrey Carpenter e o quase lendário "The Letters of J.R.R. Tolkien". O primeiro é uma biografia feita por alguém que teve contato pessoal com Tolkien e contém passagens muito interessantes principalmente sobre a infância/juventude de Tolkien, imperdível… mas você não vai encontrá-lo. Existe uma tradução em português do Brasil mas está esgotada e fora do prelo há anos e sinceramente duvido que a encontre em sebos (não custa tentar) e eu não vendo nem empresto a minha .

O "Letters" são uma coleção de mais de quatro centenas de cartas de Tolkien para seus familiares, editores e fãs, todas tratando de uma forma ou de outra sobre a produção literária (nada de cartas exclusivamnte pessoais). É o mais próximo que podemos chegar de uma autobiografia e nos reserva momentos tocantes, como o desânimo e quase desespero de Tolkien ao não conseguir publicar o SdA e o Sil junto, lá por 1950. É também uma fonte preciosa de informações sobre a obra, geralmente não encontradas em quaisquer outros lugares. Sem dúvida obrigatório.

Atualmente têm sido lançadas no Brasil uma série de obras tendo Tolkien como assunto, como o "O Mundo do Senhor dos Anéis", de Ives Gandra e o "Elfos, Hobbits e Magos". A qualidade dos mesmos varia de "muito boa" a "altamente duvidosa", passando pelo "meramente exploradora" e cabe a nós, leitores, julgarmos por nós mesmos e não aceitarmos passivamente qualquer besteira colocada à venda. Quantidade não é qualidade.

Apesar do Hob/SdA/Sil serem o coração de toda a obra de Tolkien e suas obras-primas, nem de longe é tudo que ele produziu. Para os interessados em se aprofundarem na obra (e, dependendo da obra, como os HoME e Letters, se aprofundarem *muito*) existe bastante material disponível, embora esteja além do alcance da maior parte dos leitores brasileiros, pois exige paciência, um inglês bem afiado e muitos reais na carteira.

[ Na parte 2 tratarei de leituras e estudos tolkienianos não diretam
ente na forma de "obra", ou seja, linguistica, mitologia... essas coisas ]

Queime, PJ, queime!

 
Ah! O doce e frio prato da vingança! Chegou a hora! Agora que todas as atenções estão voltadas para o SdA:ADT vou solenemente ignorá-lo e gastar vários e vários parágrafos xingando o PJ pelas mudanças e besteiras dos filmes. Claro que eu não vou conseguir passar completamente imune à influência do SdA:ADT, mas me concentrarei no geral e no porque PJ fez um monte de besteiras. Vamos lá, puristas, todos comigo: QUEIME NO FOGO DO INFERNO, PJ!

Claro que estamos exagerando aqui e, antes que me queimem junto, devo admitir que eu gostei muito do filme etc etc etc, mas esta coluna é dedicada ao que PJ fez de errado portanto se você ama o filme e não encontrou nenhum defeito dele, bom, é melhor parar de ler esta coluna agora e acender mais uma vela no seu altar para o PJ, que as outras 412 começaram a apagar (apenas brincando, galera!).

Eu estive pensando aqui com meus botões e me parece que a característica básica (básica, não única) dos filmes do PJ e fonte de todos os seus erros e acertos é que ele é um filme de fã, feito por um fã e com uma visão de fã. Explico, claro: ele não se esforçou para dar uma visão Tolkien do filme, uma visão que apesar de não poder ser reconstruída plenamente pode ser parcialmente vislumbrada através das esntrevistas e das cartas (sim, o "Letters"! Sempre ele!). Portanto o que temos nos filmes é uma "visão PJ das obras de Tolkien" temperada com exigências financeiras do estúdio e com a contribuição de outros fãs da produção.

Enfim, vamos xingar o Peter Jackon! Deficiências da criatura e dos filmes:

Peter Jackson possui uma deficiência muito grande como diretor, que continua a influenciá-lo desde a época dos filmes trash (momento parênteses: pra quem não sabe o PJ é um excelente diretor de filmes trash! Filmes gloriosos como "Braindead" e "Bad Taste" são do nosso amado diretor) que é não saber lidar com o bem mas sabe lidar de maneira bastante eficaz com o mal e com o incomum. Duvidam? Vamos aos filmes! Elfos, o suprassumo do bem e da beleza no final da Terceira Era (não vou entrar em disacussões filosóficas sobre os Elfos em outras Era sou oportunidades, o que interessa é a época do filme) são representados de uma forma feia e apagada, sem brilho, sem lugar, sem atrativos…. e sem sexo, em sua maioria. Excessões sejam feitas à máquina de matar Legolas (aqui entramos no incomum do PJ) e à primeira aparição da Arwen a Frodo, envolta em luz, radiante, linda, falando Sindarin "Frodo, im Arwen. Telin le thaed. Lasto beth nîn, tolo dan na ngalad" (sempre choro nessa parte).

Vamos adiante nessa mesma tecla: Lothlórien, Valfenda e Faramir (sim, vocês que ainda não assistiram SdA:ADT ficarão chocados). A representação dos dois locais élficos e do personagem de Faramir, que é uma espécie de epítome do bem e da honra em meio à loucura de Denethor e à força bruta de Boromir, deixa muito a desejar do ponto de vista da obra mesmo. Afinal, ao final da Terceira Era e antes da (… não vou contar) os Anéis de Elrond e Galadriel estavam em pleno funcionamento, contendo o tempo e mantendo Valfenda e Lórien como dois "paraísos" na Terra-média. Mais um exemplo? Quantos quiser! Gil-galad na batalha da última aliança, aparecendo como um sádico homicida, tendo imenso prazer na matança de Orcs e afins… fala sério, PJ!

Mas passando ao segundo ponto, talvez o mais discutido, a influência do estúdio (entenda-se GRANA) no todo da "obra" do PJ. Filme atualmente é um produto como outro qualquer: interessa que dê lucro. E o investimento não foi pequeno (mais de U$ 100 milhões por filme) portanto é bastante natural que o estúdio fizesse pressão para que algumas partes da obra se tornassem mais "palatável" para as massas o que não acho natural nem concordo é que PJ se submetesse a isso de maneira tão grosseira. Sim, estou falando da Arwen sim. A desculpa que o PJ dá, de que ele usou material do Apêndice para complementar o filme é desprovida de respaldo. Ele aumentou o espaço dela pra colocar umas ceninhas românticas e uns chororôs, isso sim.

Agora vou dizer uma verdade que mesmo o mais revoltado fã do PJ tem receio de dizer na cara: Legolas é uma invencionice movida pelo dinheiro! Sim, sim e sim! Legolas no livro é o mais inútil dos membros da Comitiva (ah é? não concorda? Vai discutir com Tolkien, pois ele fala exatamente isso no Letters! Haha! Touché!) e foi tranformado numa incrível máquina de matar, praticamente uma metralhadora medieval. Isso se chama turbinar um personagem pra atrair público. Chega a ser… revoltante. Como não tinha ninguém "poderoso" e "guerreiro" de verdade no SdA:SdA criaram um. Escolha lógica? Legolas, o Elfo fodão. Blergh!

Seguimos em frente? Essa é da dar nó em estômago de Orc: a mania que diretores e roteirista têm de querer "reinventar" a obra que estão adaptando. Não gostam de algo no livro? Simplesmente mudam e alegam "problema na transição de mídia" ou "liberdade criativa" ou "leitura pessoal". Bah! Existe uma imensa diferença entre adaptar mídia e mudar alguma coisa só por mudar, pra que "visualmente" ou "comercialmente" fique mais adequado. Exemplos de boas adaptações? Condado. Está alterado, mas não desfigurado. Péssimas adaptações umbiguícias? Batalha da Última Aliança, Lothlórien e sua Galadriel Mun-Rá e esticando pro SdA:ADT temos o Personagem-Que-Era-Pra-Ser-Faramir e a aventurinha em Osgiliath (Céus! Quem foi o doente que deu essa idéia pra ele?) e por aí vai… praticamente todos os filmes que são adaptados de alguma obra sofrem horrores com os egos de redatores e diretores.

O filme também sofre de "JohnHowezisse" e isso fica ainda mais claro no SdA:ADT. Quem conhece um pouco mais a fundo a obra de John Howe não teve qualquer surpresa visual. Parece uma sequência infinda de desenhos do John Howe sendo mostrados na tela. Quando percebemos isso, no SdA:SdA, fica claro como serão os outros dois filmes e como será o SdA:RdR: basta procurar desenhos do John Howe e você vai saber como será a Laracna e todos os outros pequenos "detalhes secretos" do filme. Utilizar os serviços de um grande artista e talvez o mais perfeito retratador da obra de Tolkien é uma boa idéia, mas precisava ser tão óbvio?

E por último (depois dessa vou tomar um suquinho de maracujá) um problema inusitado e que passa despercebido. O maldito PJ é fã de Tolkien. Ele conhece a obra. Ele leu o SdA, e leu mais de uma vez. "Mas, mas… como isso pode ser um defeito? É uma qualidade!" diria um incauto fã. Sim, é uma qualidade, sob certos aspectos mas eu prefereria que PJ fosse MENOS fã. Todos nós, fãs, fãzinhos e fanático
s pela obra temos uma "visão" da mesma, uma "leitura" pessoal e subjetiva que muitas vezes não coincide com o que o próprio Tolkien fala, explica ou descreve. PJ logicamente tem sua própria visão pessoal da obra e não abriu mão ao dirigir. Logicamente ele, ao fazer o filme, deveria se voltar para Tolkien, procurando respostas e soluções no próprio Tolkien e não na sua opinião de fã. E isso serviria de escudo pra críticas também. E por mais que PJ buscasse em Tolkien as respostas, as perguntas são tão numerosas que ne, todos as Biografias e Letters e HoMEs do mundo poderiam responder, sobrando muito espaço pro PJ inserir sua visão pessoal da obra.

Estranho como más adaptações podem gerar excelentes filmes. E estamos presenciando mais um desses casos. Queime, PJ, queime!

Vamos Lá, Caneta no Papel (ou Dedo no Teclado)!

 
Bom, quem costuma ler meus textos em geral sabe que estou há cerca de três anos e meio criando e mantendo conteúdo tolkienianos, pra ser mais exato desde fevereiro de 2000 quando coloquei no ar a Calaquendi. Não fui o pioneiro nisso, antes da Calaquendi já existiam algumas páginas aqui e ali (dentre elas a do Barbado) mas talvez tenha direito a requisitar o dúbio título de primeira página com atualizações realmente constantes (e eram mesmo! Cerca de duas atualizações a cada três dias – e não estou contanto notícias). Meio que por ali também surgiram outros projetos constantemente atualizados.

No período mais movimentado da Valinor estivemos entre 3 atualizações a cada 2 dias e 2 atualizações por dia (céus, era muita coisa!) mas agora esse ritmo caiu – devido a vários fatores, sendo que a escassez de material original não é o menor deles – para algo confortável e perfeitamente aceitável de 2 ou 3 atualizações por semana (sem incluir fórum, Lothlórien, Ardalambion – na prática está tudo mais movimentado, mas também mais dividido).

Pois bem, uma coisa que me preocupa nesses três anos e meio mantendo páginas tolkienianas nesse marzão da internet no Brasil é a pouquíssima quantidade de textos de autores nacionais sobre o assunto. Quando eu falo de "autores" não quero dizer escritores nem nada, mas fãs mesmo, todos aqueles comoeu e você que gostamos de Tolkien e gostamos de conversar sobre o assunto. Infelizmente pouquíssimas pessoas se arriscam a colocar idéias, teorias, explicações ou análises pessoais no papel (ou na tela do computador). Antes de continuar, é bom ressaltar que não estou falando sobre ficção baseada no lengendarium tolkieniano, as fanfics, mas sim sobre textos sobre a obra.

Fico me perguntando o por que disso, afinal, é fácil observar nas listas de discussões e na Seção Tolkien do Fórum Valinor que o número de mensagens mais detalhadas, algumas de qualidade fantástica abordando de maneira criativa assuntos já comuns, não é assim tão raro. Muitas pessoas gastam muitas horas gerando mensagens bastante desenvolvidas, mas o que impede esses fãs de mudarem um pouquinho as mensagens e gerarem textos? Não sei dizer. Talvez muito de vergonha com um tanto de insegurança com um pouquinho de preguiça.

Alegar que gostaria que o texto fosse discutido não é uma desculpa válida, afinal cada texto ou notícia inserido na Valinor tem automaticamente criado uma contra-parte no Fórum para permitir a discussão do mesmo e, se tudo der certo, também terá sua contra-parte nas listas de discussão da Valinor (esse trabalho de programação da Valinor é bem mais complexa do que parece a princípio, estamos com algumas dezenas de subsistemas, que embora muito bem programnados, sempre demandam um bom tempo para serem mantidos e atualizados). Portanto interação com os demais fãs é o que não falta.

Eu sinceramente acho que não há por que se temer gerer um texto um pouco maior sobre Tolkien, mesmo que não tenha lá muito jeito pra escritor ou jornalista. Eu, por exemplo, sou Analista de Sistemas (e isso fica bem claro nos textos que eu escrevo, como "escritor" sou um ótimo programador mas isso não me impede de meter a cara a tapa de vez em quando quando surge uma boa idéia. Algumas vezes quebra-se a cara feio (ainda sinto vergonha de uma análise patética sobre Meio-Elfos que fiz uns anos atrás… não este último que fiz aqui pra Coluna do Deriel, um anterior… xá pra lá) mas algumas vezes se acerta em cheio (gosto muito do resultado de um texto sobre fanfics, basta olhar como a Lothlórien anda sortida de boas histórias de ficção!) e na maioria das vezes ficamos ali equilibrados no meio-termo.

Ok, sejamos realistas e admitamos que em termos de experiência Tolkieniana estamos décadas atrás de outros países da Europa pois Tolkien só saiu do nicho de alguns poucos privilegiados para o "povão" com a edição Martins Fontes do Senhor dos Anéis ali em meados da década de 1990, mas com certeza eles também começaram de algum lugar. Se não nos esforçarmos para gerar textos críticos, discussões (que não gerem aquele chororô desgraçado só porque alguém contrariou a idéia de outrem) talvez não tenhamos nada além de textos em inglês para ler, logo. Aliás, nem isso. Na Valinor já estamos sentindo uma certa dificuldade incipente em encontrar textos tolkienianos de qualidade para serem vertidos aos português e boa parte do que temos como fonte são ensaios do Martinez, mas mesmo estes estão no fim.

Aliás, acho que o medo de encarar uma possível crítica negativa seja um dos grandes fatores que impedem o fã de escrever um texto ou mesmo de participar de uma discussão construtiva em algum lugar. Uma refutação quase sempre é encarada como uma ofensa pessoal e tratada como tal, matando a utilidade da discussão e cansando aqueles que acham que conversando se resolve. Só não recebe críticas que não se expõe, mas hoje em dia qualquer crítica é recebida como falha pessoal e falhas pessoais são fracassos em um mundo que não perdoa o mínimo deslize. Críticas sempre existirão, sejam boas ou ruins, sejam válidas ou cruéis, sejam inteligentes ou oriundas de desinformação.

Nem tudo são flores, lógico. Um texto preguiçoso e mal escrito vai ser triturado. Afinal, em uma discussão antiga e avançada como Asas de Balrogs fazer um texto superficial no mínimo é perda de tempo. Convém ter um conhecimento razoável de todo o entorno da questão antes de se lançar a tecer uma nova teoria ou mesmo resumir o que se sabe ate´o momento.

Portanto, relaxe, escolha um tema que você goste: cabelos do Legolas, aparência do Boromir, Asas de Balrog (ok, ok, esqueça essa aqui), história de algum artefato e mande ver! Claro que demanda algum esforço de pesquisa, principalmente de citações dos livros (afinal, o texto tem que sustentar em algo mais além da palavra do autor) mas vale a pena. Até hoje não me recordo de ter recusado um texto sequer na Valinor e duvido que o façamos, sendo um texto honesto. Então… por que não? A Valinor está de portas (e banco de dados) abertas a todos vocês e eu pessoalmente estou ansioso por ler novos e criativos textos.

Meio-Elfos – Desfazendo o Nó

 
Mudando um pouco o direcionamento (até agora) da minho coluna, resolvi escrever um pouco sobre a obra em si e não sobre o filme ou sobre os fãs. Afinal, um pouco de  Tolkien de verdade só faz bem! Vamos lá, rápidos e rasteiros, aos Meio-Elfos.

Uma das dúvidas que sempre ficam na cabeça após termos lido O Senhor dos Anéis e que só ficam mais complicadas após O Silmarillion e com os Contos Inacabados piora tudo é sobre os Meio-Elfos ou os raros rebentos das uniões entre Elfos e Homens. Afinal são Elfos ou Homens? Eles podem escolher a própria raça? Como é que fica? Bom, parecem questões simples com respostas fáceis, mas o problema é mais profundo do que parece.

Os Primeiros Meio-Elfos

Temos três casamentos de destaque entre Elfos e Homens.(muito embora não sejam as únicas uniões). O primeiro foi entre Lúthien e Beren, o segundo entre Tuor e Idril e o terceiro entre Aragorn e Arwen – apesar desta ser tecnicamente uma Meio-Elfa e não uma Elfa.

O filho de Beren e Lúthien foi Dior e não sabemos exatamente como enquadrá-lo, embora seja chamado de Meio-Elfo:

"Earendil was thus the second of the Pereldar (Half-elven), the elder being Dior, son of Beren and Luthien Tinuviel" [HoME 12]

"Dior Halfelven weds Lindis of Ossiriand." [HoME 11]

Aparentemente ele era considerado um Elfo e tratado como tal, pois assumiu seu lugar como herdeiro de Thingol e também se casou com uma Elfa de alta estirpe (Nimloth ou Lindis, dependendo do texto que tomarmos como base).

Dior teve três filhos mas apenas Elwin sobreviveu à Destruição de Doriath, fugindo aos portos. Não sabemos qual a posição quanto a Elwing, mas aparentemente ela era considerada uma Meio-Elfo também, assim como seu pai (o conceito patriarcal é muito presente quando tratamos de Meio-Elfos).

Mas então qual foi o destino de Dior e seus dois filhos? Não temos como saber exatamente pois Dior foi morto com uma idade compatível tanto com Elfos quanto com Homens e seus filhos morreram ainda criança mas temos uma indicação indireta sobre o fato que são a comparaçao entre as datas de nascimento e casamento de Dior. Ele nasceu por volta do ano 475 da Primeira Era e se casa já a 497 , com cerca de 24 ou 25 anos de idade, que é uma idade bastante adequada para o casamento de um Homem mas completamente imprópria para o casamento de um Elfo, que se casavam logo após os cinquenta anos (ver Leis e Costumes dos Eldar, HoME 10). Sim, é uma indicação pequena, mas aparentemente Dior era um Homem que aos 24 anos já atingira o máximo de seu vigor físico e se casou. Quantos aos filhos de Dior, nunca saberemos exatamente, mas se a regra dos Meio-Elfos fossem retroativas (ver abaixo!) filhos de Homens são sempre Homens mesmo que sua mãe seja uma Elfa ou Meio-Elfa, portanto ambos seriam Homens também.

O segundo casal, Tuor e Idril, teve um filho apenas, Earendil o Marinheiro chamado de Meio-Elfo e, por uma dessas “coincidências cantadas” dO Silmarillion, acaba se casando com Elwing neta de Dior, o primeiro Meio-Elfo. É o primeiro e único casamento entre Meio-Elfos da história e talvez seja o motivo da escolha dada a eles em Aman.

Elwin e Earendil se casam e através do poder da Silmarill conseguem atingir Aman e lá confundem até mesmo os Valar que decidem por não decidirem nada e deixar a escolha entre os dois:

"E esta é minha sentença com relação a eles: Eärendil e Elwing, bem como seus filhos, terão permissão cada um de escolher livremente a que família seus destinos serão vinculados, e de acordo com que família serão julgados”. [“O Silmarillion", Capítulo 24]

Este é o ponto divisor e junto ao casamento de dois Meio-Elfos o que faz diferença entre outros relacionamentos Elfos x Homens posteriores. Só a partir deste momento é que os Meio-Elfos e seus descendentes poderiam escolher a própria raça.

Os Filhos de Earendil e Elwing e o Problema de Arwen

Depois de um intervalo de alguns milênios chegamos ao romance de Arwen e Aragorn. Sendo Arwen filha de Elrond Meio-Elfo, o filho de Earendil, o que ela seria? Humana? Elfa? Teria direito a escolha?

Uma corrente bastante ampla a considera uma Elfa pura, pois só nasceu após seu pai ter escolhido pertencer aos Elfos. Mãe Elfa, pai que escolheu os Elfo, seria lógico esperarmos filhos Elfos, certo? Apesar de ser lógico, está errado. Arwen e seus dois irmãos são Meio-Elfos e teriam que escolher a raça:

“Arwen não era um elfo, mas sim um dos meio-elfos que abandonaram seus direitos élficos.” [Carta #345]

“Elrohir, Elladan: estes nomes, dados por Elrond a seus filhos, se referem ao fato de que eles eram ‘meio-elfos’: eles possuíam tanto ancestrais mortais quanto Élficos de ambos os lados; Tuor pelo lado de seu pai e Beren pelo lado de sua mãe”. [Carta #211]

“O final de seus filhos, Elladan e Elrohir, não é contado: eles atrasaram suas escolhas e permaneceram por um tempo”. [Carta #153]

Portanto Arwen, Elrohir e Elladan, como filhos de Elrond, tinham o direito de escolher. O problema é que os filhos de Elros, irmão de Elrond, não tinham:

"A idéia é que os Meio-elfos tem um poder (irrevogável) de escolha, que pode ser atrasado mas não permanentemente, do destino de qual raça partilhariam. Elros escolheu ser um Rei e ‘longevo’ porém mortal, portanto todos os seus descendentes são mortais, e de uma raça especialmente nobre, porém com uma longevidade mingüando (…) Elrond escolheu estar entre dos Elfos. Seus filhos (…) devem fazer suas escolhas." [Carta #153]

Afinal das contas, como ficava esse embrulho todo? Aparentemente o direito ou não de escolha era patriarcal, o que seu pai era é o que decide o que você será.

Outras Uniões?

Além das três uniões discutidas sabemos de pelo menos mais uma e temos indicações indiretas de possivelmente muitas mais. O antepassado do Príncipe Imrahil, Imrazor de Dol Amroth, um Numenoriano, tomou Mithrellas, uma Elfa companheira de Nimloth, como esposa (aparentemente à força). Dessa união nasceram dois filhos após o que Mithrellas desaparece (ou foge). Assim, a Casa de Dol Amroth ficou conhecida pela beleza devido à sua ascendência élfica, mas nenhuma referência sobre “escolha” ou “Meio-Elfo”, quando se referencia a Casa de Dol Amroth (Príncipe Imrahil incluso). Mais uma evidência que corrobora a tese da influência paterna sobre essas casos.

Temos também a ciração de um envolvimento amoroso (embora não consumado) entre Andreth, uma Humana, e Aegnor, Filho de Fëanor, relatado de passagem ao final do excelente “Da Morte e dos Filhos de Eru, e da Desfiguração dos Homens – O Diálogo de F
inrod e Andreth” contido no HoME 10. Neste caso, o único relatado entre um Elfo e uma Mulher, Aegnor abre mão do relacionamento não querendo sofrer as consequências do mesmo.

Aparentemente estes relacionamentos não eram completamente incomuns. Raros, porém não incomuns. O que parece ter sido extremamente raro é que alguns tenham sido levados às últimas consequências, e por isso merecem destaque.

Conclusão

Afinal das contas, depois disso tudo o que temos? Todos os indícios apontam uma influência paterna total (embora não intencional e/ou ativa) sobre os filhos. De maneira bem resumida seria assim: se seu pai é Meio-Elfo e escolheu ser Elfo, você vai poder escolher mas se ele era Meio-Elfo e escolheu ser Homem, você será Homem quer queira ou não, sem escolha. Se seu pai era Homem, você será Homem mesmo que sua mãe seja Elfa ou Meio-Elfa (temos exemplos disso com o caso de Mithrellas e Arwen) mesmo que seja chamado Meio-Elfo (seria o caso de Dior e seus dois filhos?). Se seu pai era um Elfo puro, bom, não temos como afirmar nada, pois não temos nenhum casos registrado sobre esse assunto, embora a lógica aqui aponte que ele seria um Elfo.

Como Organizar seu Próprio Encontro Tolkieniano – Parte 1

 
Seguem algumas dicas que podem ajudar a construir um grande grupo de amigos-fãs. O primeiro encontro é sempre o mais nervoso, geralmente ninguém se conhece e tá todo mundo rindo amarelo até se soltar. Existe uma série de dicas que podem ser importantes (ou não, é aquela velha história do "se conselho fosse bom ninguém dava, vendia"). Num próximo texto eu vou tentar abranger encontros maiores (em parques, por exemplo), com muita mistura etária e envolvendo pessoas de outras cidades. Por enquanto, o temido Primeiro Encontro:

Comece devagar ==> não precisa começar com um encontro pra 200 pessoas. Geralmente entre 8 e 15 pessoas é um ótimo começo.

Antecedência ==> dez a quinze dias de antecedência costumam ser adequados. Espalhe seu encontro. Listas da Valinor (pedindo sempre permissão aos Moderadores, antes), Fórum Valinor (sessão Regional) e a própria Valinor (no caso de encontros maiores) são grandes pontos de divulgação.

Um Responsável ==> especifique ou seja o responsável. Alguém que possa ser procurado em caso de problemas, informações ou desencontros. Em geral uma pessoa com 18 anos ou mais provida de de celular costuma ser mais do que suficiente. Divulgue a forma de contato com o responsável com antecedência também.

Tente focar um grupo etário ==> encontros onde todo mundo, de 13 a 80 se divirtam são apenas os realmente grandes, com muita gente, em locais que o permitam. Misturar adultos e adolescentes em grupos pequeno não costuma funcionar muito em um primeiro momento. A dica é: escolha um local que a "seleção" se fará automaticamente. Um encontro num shopping atrairá muito mais adolescentes do que adultos, da mesma forma que um encontro em um bar atrairá muito mais adultos do que adolecentes. Mas logicamente use o bom senso e não mande mensagens excludentes ("Encontro só para adultos").

Não tente direcionar o encontro ==> não invente moda, criando temas de discussão, atividades ou coisa que o valha. Deixe o pessoal interagir, conversando, inicie conversas quando a coisa tiver muito silenciosa e assim por diante. Piadinhas curtas e inocentes sobre SdA e seus personagens costuma funcionar bem como iniciadores de assunto e quebra de gelo. Assuntos pertinentes à lista de discussão (ou fórum ) em comum que o pessoal frequentar também funcionam.

Escolha o lugar com bastante cuidado ==> Nem sempre aquele seu boteco preferido é o melhor lugar. Num primeiro momento opte por locais:

- razoavelmente bem iluminados, afinal estão se conhecendo;
com som ambiente baixo ou sem som, o que importa é o bate-papo, a troca de idéias e som alto dificulta isso. E nem todos gostam dos mesmo ritmos e bandas;
sem entrada ou consumação, esse tipo de coisa afasta algumas pessoas com pouco dinheiro ou sem intenção de gastar;
– com lugar pra sentar, de novo, pra conversa fluir. Cadeiras, bancos, banquinhos… o que for. Pro pessoal ficar à vontade;
de fácil acesso. A maioria não vai ter carro ou carona de amigos/pais. Locais razoavelmente próximos de linhas de ônibus e/ou metrô são essenciais;
– quanto mais você facilitar para todos, mais despreocupados estarão e melhor a interação acontece;
NÃO faça o(s) primeiro(s) em sua casa ou apartamento. As pessoas podem ficar inibidas de comparecer e você também nunca sabe que tipos estranhos aparecerão. Campo neutro na primeira vez;
evite cinemas. É difícil conciliar o gosto de todos, e pode dar separação entre o pessoal. Além, claro de ser de extremo mau gosto ficar batendo papo dentro da sala de projeção;

Horário ==> Tente pegar um horário tal que não prejudique quem trabalha e que permita os mais novos irem. Minha sugestão seria por volta das 19:00. Claro que em finais de semana isso pode ser mais cedo, mas minhas experiências pessoas recomendam que não sejam marcados antes das 15:00 (afinal, você nunca sabe quando as pessoas almoçam). Não esqueça que na maioria das cidade o transporte coletivo não funciona após um certo horário, geralmente meia-noite. E também não esqueça que alguns locais apesar de seguros durante o dia, costumam ser bastante perigosos logo que a noite cai (provocando 6d6 de dano em todos… desculpa, piada RPGística, não resisti .

Encontrando o pessoal ==> esqueça esse negócio de "estarei de camiseta preta do Blind Guardian" ou "estarei com o SdA na mão", não funciona (atualmente todo mundo tem camiseta do Blind e livro do SdA embaixo do braço). Foto também não funciona. Se for um encontro em um lugar que reserva mesas, reserve e coloque em nome de TOLKIEN (não no seu próprio). Se for em shoppings ou locais abertos, leve uma folhinha escrito TOLKIEN e deixe colocada num local visível. Ah! Nada de vergonha ou timidez, esse negócio de pagar mico só existe na sua cabeça

Encontros com RPG ==> evite RPG em encontros genéricos ou se for um encontro só pra RPG deixe isso BEM explícito. Nada mais chato do que estar fora do grupo que joga… o que causa divisões entre o pessoal (meia dúzia joga e o resto vai fazer alguma outra coisa). Não tente forçar os que não jogam a jogarem.

Fantasias ==> esqueça isso pro primeiro encontro. Deixe isso pra parques/locais abertos

Evite bebidas alcoólicas ==> problemas, só problemas. Deixe pra outros encontros (caso você faça muita questão). E não esqueça que é proibido por lei o consumo de bebibas alcoólicas por menores de 18 anos. Claro que eu sei que ninguém quase respeita isso, mas nada impede que você encontre o policial mais caxias do mundo ou o dono de bar mais chato e acabe melando seu encontro. E também não esqueça que você não conhece ninguém e não sabe como se comportaram "mais altos", além da terrível pentelhação de levar alguém bêbado pra casa (que você nem sabe onde é).

Peça ajuda/conselhos ==>mande um e-mail aqui pra Valinor, que a gente vai fazer o possível pra te ajudar (mas é claro que não podemos organizar o encontro por você). Alguns de nós da Valinor participam de encontros desse tipo há mais de 8 anos;

Organizar um encontro parece difícil, mas não é, basta muita boa vontade e uma grande dose de bom senso. Geralment
e os encontros geram muitas amizades duradouras e sinceras, afinal, são pessoas com basicamente os mesmos gostos em comum. E não se esqueça de aproveitar o encontro também!