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Um Elfo, Um Guardião e Um Troll

Sinopse: Uma viagem de Legolas e Estel acaba por ter um incidente hilário envolvendo um troll. Aproveitem!
 
Gênero: Humor
 
Classificação: Livre
 
Disclaimer: O Senhor dos Anéis pertence aos Tolkien, mesmo que às vezes nós peguemos emprestado algumas coisas e tentemos devolver do jeito que achamos…


 

  Já passava da meia noite. Legolas e Estel estavam a oeste de Valfenda, nas Matas dos Trolls, após mais de um dia de viagem. Estel estava dormindo ao pé de uma árvore, enrolado na capa, exausto, mas Legolas estava inquieto. O elfo olhava as estrelas, cantava baixo para si mesmo, olhava a estrada, mas não conseguia se acalmar. Algo naquele lugar, algo maligno, se aproximava.
 
  Legolas se afastou do amigo, levando com ele a aljava e o arco. Quando viu o que se aproximava, voltou correndo sem fazer barulho algum e sacudiu Estel com força. "Estel, acorde!", foi o que ele disse. Estel acordou com uma cara de sono e perguntou, com a voz embolada: "O que foi, Legolas? Você disse que hoje você me deixaria dormir!" Na época, Estel era muito jovem, tinha menos de trinta anos.
 
  "Silêncio, Estel. Um troll se aproxima." Estel fechou a cara, indo para trás de uma árvore. Legolas puxou uma flecha e fez o mesmo. "Sempre tem alguma coisa atrapalhando meu descanso, Legolas." Legolas retrucou, com um tom de voz ainda suave. "Você será um guardião, precisa se acostumar com esse tipo de coisa."
 
  O troll se aproximou, correndo, usando um tronco seco como clava, perseguindo um elfo de cabelo escuro (provavelmente, seria o jantar do troll). O elfo era muito rápido, mas se Estel e Legolas não ajudassem, viraria elfo assado.
 
  "Eu vou até lá, Estel. Tenho um plano. Se der errado, ajude-me." Estel fez uma careta. "E se você for pego?" Legolas sorriu. "É que você entra." Saltando à frente e correndo para longe do esconderijo de Estel, Legolas atirou várias de suas flechas no troll, que por sua vez deixou de perseguir o elfo de cabelo escuro para atacar o elfo loiro.
 
  Legolas corria de um lado para o outro, ainda atirando no troll. O troll chegava cada vez mais perto. Estel saiu de trás da árvore e gritou uma rima inventada na hora. "Ei, velho troll! Você não é de nada! Você é muito lento, não vai me alcançar!"
 
  Agora o troll estava realmente irritado, e não fazia questão de comer elfo ou humano no jantar (embora ele claramente preferisse carne de elfo). Chegava cada vez mais perto de Estel, erguendo a clava. Legolas olhou para o amigo com um claro ar de que-rima-mais-estúpida-você-está-maluco, mas ainda preocupado. O troll golpeou Estel, que voou alguns metros e caiu no chão inconsciente.
 
  O troll agarrou um galho caído e comeria espetinho de guardião, mas Legolas, percebendo as intenções do troll, gritou uma rima. "Ei, velho troll! Não é ele seu jantar! Se quiser carne de elfo, venha me pegar!" O troll deixou Estel e o galho de lado para perseguir o elfo. Tinha comido carne de humano no dia anterior, mas fazia mais de um mês que ele comera carne de elfo. Legolas olhou para o céu. Faltavam poucos minutos até o sol nascer, mas esses minutos poderiam custar caro para seu amigo.
 
  Legolas corria de um lado a outro, parando ocasionalmente para sacudir Estel.

  "Acorda, Estel! Não é hora de ficar estatelado na grama, garoto!" Estel voltou a si quando Legolas estava do outro lado da estrada. Meio zonzo, a primeira coisa que vira foi um elfo correndo de um troll. Achou a cena absurda, mas lembrou do que estava acontecendo. O sol nasceria em poucos segundos, coisa que Estel não deixou passar despercebida.
 
  Os primeiros raios de sol surgiram por entre as folhas. Estel gritou a última coisa que o troll ouviria: mais uma rima estúpida. "Ei, velho troll! Você não vai comer! Você vai virar pedra, o sol já vai nascer!"

  Legolas parou enquanto o troll virava pedra. Aproximou-se de Estel, e entre risadas ele falou. "Mas que rimas horríveis, Estel! Onde você aprendeu a rimar?" Estel estava meio zonzo, mas conseguiu responder. "Com você, é claro! As suas foram piores que as minhas!" Legolas ajudou o amigo a ficar em pé. "Temos um longo dia de viagem até Valfenda. Vamos."

  Alguns minutos depois de recomeçarem a viagem, Estel iniciou uma frase. "Sabe de uma coisa, Legolas?" Legolas olhou para ele, calmamente. "O que, mellon nîn?"

  Estel controlou uma risada. "Sempre tem alguma coisa atrapalhando meu descanso." Legolas quase empurrou o amigo, também rindo.
 
 
FIM

As 10 Coisas Mais Travessas que Sauron Fez e Nós Nunca Soubemos

As 10 Coisas Mais Travessas que Sauron Fez e Nós Nunca Soubemos

por Prankster


 

 

10. Correu até o topo do Meneltarma e gritou "La la la!"

9. Disse, na brincadeira, para Celebrimbor adicionar 40% de zinco nos seus anéis, arruinando, dessa forma, a primeira leva.

8. "Regou a Árvore Branca", se é que você me entende.

7. Fez incontáveis, e repetidas piadas sobre a "Fenda da Perdição"

6. Escreveu "ARAGORN AMA A SRA. FROBISHER" em cada cópia do Retorno do Rei na biblioteca da escola

5. Inventou suas próprias, e bem mais quentes, letras para a Música dos Ainur

4. Começou rumores maldosos sobre a orientação sexual de Sam e Frodo que perduraram muito além da sua queda

3. Ficou fazendo sons de peido durante a Maldição de Mandos

2. Produziu uma animação do "Senhor dos Anéis" nos anos 70

E a coisa travessa número 1 que Sauron fez e nós nunca soubemos foi:

1. Deu o dedo pro Isildur

Os 10 Melhores Livros de Auto-Ajuda da Terra-média

Os 10 Melhores Livros de Auto-Ajuda da Terra-média

 por Idril Celebrindal


 

 

10. Sopa de galinha para a Alma Órquica

9. Homens que odeiam Hobbits e Mulheres que os amam

8. Zen e a Arte da Manutenção de Malhas de Mithril

7. Os Sete Hábitos de Espectros do Anel Altamente Efetivos

6. Dez Coisas Estúpidas que os Anões Fazem para Estragar as suas Vidas

5. Elfos Inteligentes, Escolhas Estúpidas: Entendendo os Noldor

4. Curando o seu Balrog Interior

3. As Regras: Segredos Testados Pelo Tempo para Capturar o Coração de um Dunedain

2. Quando Coisas Ruins Acontecem com Bons Magos

e o livro de auto-ajuda número 1 da Terra-média é:

1. Homens são de Mordor, Mulheres são de Valinor

As 10 Melhores Manchetes da Edição deste mês da Revista Cosmopolitan

As 10 Melhores Manchetes da Edição Terra-média deste mês da Revista Cosmopolitan (cuja capa é estrelada por Éowyn em uma mínima malha de ferro com um decote simplesmente lin-do)

 por Idril Celebrindal


 

 

10. Como transformar o seu Homem em um Orc na cama: O toque de dois segundos que vai levá-lo à loucura!

9. Segredos de beleza das Rainhas Numenorianas

8. Ela é ela, ou ela não é uma ela? Resolvendo os problemas de namoro entre os anões

7. "Eu me apaixonei pelos cachinhos dos seus dedões!" – O que mais excita os caras Hobbit

6. Relacionamentos Elfo-Humano: O que Lúthien, Idril, Mithrellas, e Arwen nunca te contaram

5. Faça o nosso Cosmo-Teste: Com qual herói da Primeira Era você iria pra cama, e por que?

4. Novos modelos de armaduras para a Primavera

3. Galadriel: Poder, cérebro, e beleza (Uma entrevista com uma Cosmo Celebridade)

2. Transformação para Entesposas: Tirando o máximo de proveito das suas bochechas de maçã

… e a manchete número um na Edição Terra-média da Cosmo é:

1. Sutiã de Mithril: Não é mais somente para as donzelas élficas

 

A Queda das Sete Estrelas

Prólogo

Passaram-se dois dias desde que seu marido Harry tinha partido para a guerra em Varnai. Ariel sentada na poltrona tricotava uma roupinha para o bebê que esperava. Localizava-se perto da janela de maneira que a brisa vinha correr por ali refrescando-a, pois era verão e os dias ali costumavam ser quentes.

Ela pensava em Harry quando sentiu um liquido escorrer por suas pernas. Assustada percebeu que era hora. Imediatamente parou seu tricô e gritou. Para sua sorte a vizinha Talra estava ali. Rapidamente veio correndo da copa.

Ariel, o que foi? – Talra perguntou assustada.

A bolsa rompeu – respondeu ela.

A amiga surpresa ajudou- a ir para o quarto. Lá a deitou e já colocando na posição de parto. Pediu que respirasse fundo enquanto ia buscar a parteira. Saiu do recinto ao som dos gemidos de dor de Ariel.

Nos momentos que permaneceu sozinha seus pensamentos foram para Harry. Queria ele ali para ver o bebê. Tinha certeza que sua alegria seria tanta que só de vê-lo esqueceria de toda a dor do parto. Mas o destino não quis assim. A guerra os separara. Temia tanto que não retornasse. Assim como todas em Anfalâr que tinham sido separadas de seus maridos.

A dor que sentia não era o que mais a feria e sim o medo por seu marido. Enquanto poderia estar ali junto a ela durante aquele momento, estava em lugar distante lutando, sem saber se iria voltar ou não. Isso a fazia chorar e desejar que a criança que estava para nascer não tivesse que viver num mundo onde os pais não conhecem os filhos por que estão na guerra.

Depois de alguns minutos Talra voltou com a parteira. A elfa baixinha chegou e logo preparou tudo. Assim, todas as coisas necessárias foram levadas para ali. Ariel  continuou em trabalho de parto “tranqüila”. Depois de várias horas de gritos de dor de Ariel ouviu-se choro significando o nascimento da criança.

Era um menino muito parecido com o pai, possuía os mesmo cabelos castanhos de Harry e olhos iguais aos da mãe que eram azuis.

A parteira segurou o bebê, cortou o cordão umbilical e entregou a mãe. Ariel exausta do parto ao ver a criança chorou feliz por que tudo correra bem. Olhou para o menino e viu o pai dele. Exatamente aquele que havia conquistado seu coração anos atrás. Então decidiu chama-lo de Renato. Pois para ela Harry renascia ali.

Depois daquele momento os dias foram felizes. O filho de Talra havia voltado da casa da avó. O bebê de Ariel crescia feliz e saudável. Entretanto as notícias de Varnai não chegavam preocupando as esposas dos que haviam partido.

Um ano se passou e Renato continuava a crescer forte e bem. Ele já brincava com o filho de Talra que tinha dois anos. Naquele dia ele estava na varanda da casa com o amiguinho, quando Talra entrou na casa de Ariel gritando: – Ariel, venha, eles chegaram. Nossos maridos retornaram!

Aonde estão?- perguntou ela curiosa, parando tudo o que fazia.

Estão na entrada da cidade – afirmou a vizinha.

Exatamente depois de ouvir as palavras da amiga ela saiu em disparada seguida por Talra. Chegando lá viu alguns poucos elfos marchando com as expressões desoladas no rosto. Ficou a procurar o rosto de Harry, mas não via. Começou a sentir-se apreensiva, assim como todas as outras que não encontravam seus maridos dentre os que retornavam.

Ariel não o achando perguntou para um dos que chegavam:

- Por favor poderia me dizer se esses foram os únicos que retornaram daqui?

 Sinto muito senhora não há mais nenhum sobrevivente – afirmou o elfo tentando ser o mais gentil possível.

Foi como se o mundo tivesse caído, suas pernas tremeram mas felizmente conseguiu segurar o baque. Porém não parou por aí, começou a se sentir sufocada no meio daquela gente, então começou a correr desesperada enquanto as lágrimas caíam. Chegou em casa pegou seu filho que brincava, entrou e o abraçou desabando a chorar. Geldan também pranteava mas não era por causa da morte do pai e sim era por que ela o havia separado de sua brincadeira. Afinal ele não podia chorar por quem não conhecia.

Ariel ficou algumas horas sentada ali soluçando, abraçada ao pequeno Geldan tentando não acreditar que aquilo era verdade. Só se levantou dali quando ouviu os gritos da amiga. Ela caiu em total desespero quando soube que seu marido jamais voltaria. Ariel deixou o filho que já dormia, em sua caminha, enxugou as lágrimas do rosto e foi ver o que se passava com Talra.

Saiu de casa correndo e deu de cara com Talra em frente à cerca, berrando:

- Não é possível, ele não pode fazer isso comigo não tem direito de me abandonar aqui sozinha.

Começou a andar em direção a sua moradia, com Ariel olhando espantada seu comportamento. Preocupada com a amiga se aproximou.

- Tudo bem com você?

Talra virou com uma cara de poucos amigos e respondeu:

- Claro que está tudo bem eu só perdi meu marido para sempre, também terei de criar meu filho sozinha além do dinheiro que terei de arranjar magicamente, mas, Ariel, claro que está tudo bem!

Concluiu suas palavras a amiga entrando pela porteira do quintal e indo para casa. Ariel ficando assustada com os dizeres de Talra temeu por ela. Então seguindo-a também atravessou a porteira no entanto quando botou a mão para abrir a porta, estava trancada. Sua mente logo pensou no pior. Desesperada Ariel gritou:

- Talra abra essa porta, vamos conversar, não faça isso. Eu sei que é difícil mas podemos passar por isso juntas!

No entanto ninguém respondeu. Quase já perdendo as esperanças começou a chorar pela amiga, quando uma idéia veio-lhe a cabeça. Quem sabe, talvez desse tempo. Levantou o vestido até o joelho para que pudesse correr melhor e disparou em direção a casa de sua outra vizinha Mariel cujo esposo havia retornado. Iria pedir a ele para ajudá-la a derrubar a porta.

 

Yuri, o marido de Mariel, prontamente decidiu ajudar. Chegando lá rapidamente pôs abaixo a porta. Ariel entrou chamando o nome da amiga com esperança de que ainda estivesse viva. No entanto suas previsões se confirmaram, encontrou Talra caída na cozinha com os pulsos cortados. Ariel desconsolada caiu de joelhos no chão, abraçou o corpo e chorou. Yuri ficou triste ao ver aquela cena. Ele se aproximou pôs a mão no ombro de Ariel e disse:

- Sinto que tenha terminado assim.

Ela nada disse, continuou a chorar a morte de Talra. Ele a deixou alguns minutos ali depois a afastou e pediu que fosse para casa. Ariel calmamente atendeu ao pedido e se retirou. Desolada caminhou pensando nos momentos bons com Talra.

Chegou em casa e viu Lucas filho da amiga sentadinho no sofá esperando que a mãe viesse busca-lo, mas mal sabia el
e que ela nunca viria. Ariel olhou e teve pena. Se aproximou, o pegou no colo.  O menino curioso, perguntou:

- Cadê mamãe?

Ariel comovida, respondeu:

- Sua mãe sou eu.

Disse isso e o levou para o quarto.

 

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Capitulo Um

Passaram-se dezessete anos desde a morte de Talra. Lucas cresceu, assim como Geldan, sendo já quase adultos.  Ambos ainda moravam com Ariel e se dependesse dela não saíram tão cedo, pois tinha medo que lhes ocorresse algo de ruim longe de sua proteção.

No entanto os dois já eram grandes e muito difíceis de se manter longe de confusão, principalmente Lucas. Desde o fim da guerra em Varnai o numero de Viúvas aumentara drasticamente no Vilarejo. Como Lucas era um belo jovem ainda mais com o sangue quente da mãe foi fácil arranjar várias amantes.

Com Geldan não acontecia o mesmo. Não querendo dizer que não fosse belo também ou não gostasse daquilo, mas o fato era que sua cabeça voava longe o fazendo ir sempre para pradarias distantes onde vivia as mais incríveis aventuras. Assim não sobrava tempo para pensar nas elfas. Mesmo assim ainda haviam aquelas que suspiravam por ele.

 Era mais difícil se meter confusão, no entanto quando se envolvia numa fazia Ariel quase arrancar o cabelos de preocupação. Como aconteceu esse ano.

Era mais ou menos por volta da meia noite e Lucas caía de bêbado na taverna da aldeia. Em vão Geldan tentava levá-lo para casa antes de passar mal. Ele, ao irmão de criação, dizia:

- Chega, Lucas, você já bebeu demais. Vamos para casa.

- Não, vou ficar e beber mais!

De repente a porta da taverna abriu e entrou um sujeito trôpego, andava semelhante a um bêbado, mas não parecia estar e sim exausto de tal forma que suas pernas mal suportavam seu peso. Ele foi adentrando no estabelecimento e começando falar.

Durante alguns dias tenho vagado pelas Aldeias dessa região em busca de ajuda para encontrar minha filha que desapareceu na floresta de Wilol.

Os ali presentes ao ouvirem o nome do lugar sentiram um frio na espinha e declinaram com a exceção de Geldan que levantou se oferecendo. Sentia dentro dele um fogo queimando, ele o empurrava para o desafio não sabia como.

É só isso que vocês podem. Um garoto é o único com coragem aqui, bando de covardes – disse vendo que o único a levantar foi Geldan.

Lucas vendo a atitude de seu irmão levantou meio torto e segurou nos ombros dele e começou a sacudi-lo gritando:

- Enlouqueceste Geldan, seu idiota, acabaste de assinar sua sentença de morte. Tu sabes bem o que há em Wilol e conhece o destino dos que lá entram!

Geldan se livrou dos braços do irmão que sacudiam.

Eu só queria ajudar – exclamou.

- E em algum momento pensou na mãe, sabe como a faz sofrer quando se mete em encrenca?

- Até parece que apenas eu a faço sofrer e você quando some porque está com aquelas piranhas velhas!

Lucas ficou vermelho feito um tomate, irado partiu para cima de Geldan. Como estava alcoolizado foi meio atabalhoado atacar. Seu irmão sóbrio desviou facilmente de sua investida e contra-atacou com um forte cruzado de esquerda derrubando-o. Ia bater mais, no entanto para a felicidade de Lucas os elfos dali o seguraram impedindo Geldan de ferir gravemente seu irmão.

O pessoal da taverna revoltado com o sujeito que provocara a briga o hostilizou. O elfo envergonhado com que causara, falou:

Não tinha a intenção de provocar nenhuma briga e sim conseguir ajuda para encontrar minha, então irei sozinho – retirando se do lugar.

Espere eu ainda vou com você – exclamou Geldan saindo do meio da confusão e indo atrás dele.

Não precisa garoto. Fique, parece que tem tantos problemas para resolver quanto eu – disse o sujeito virando e falando frente a frente com Geldan.

Não precisa se preocupar isso é normal acontecer entre eu e Lucas – esclareceu a situação.

O elfo olhou para ele comovido pela vontade de ajudar, mas com uma expressão de negação no rosto partiu deixando a aldeia. Geldan tentou ir atrás dele e continuar negociando a ida, mas Joatez o segurou impedindo que seguisse.

Joatez era como um pai para ele, desde a morte de seu pai havia assumido a responsabilidade junto a sua mãe para ajudar a criá-lo. A amizade com sua família vinha da relação que tinha com seu pai. Assim toda vez que aprontavam lá estava ele a dar bronca junto com Ariel.

Puxou-o de volta para a taverna falando:

- Meu rapaz, não gostei nada do que fez  aqui a Lucas, ele é seu irmão não pode tratá-lo como inimigo.

- Mas ele que começou falando de mim. Disse que só eu preocupava a mãe. Esquece que ele também a perturba em seu sono com seus “encontros amorosos”.

- Em vez de vocês ficarem acusando um ao outro porque não param e respeitam mais sua mãe parando de se envolver em confusão.

Ah!, não dá para ter uma boa relação com Lucas – exclamou irritado Geldan.

Claro que dá e eu vou te mostrar isso – afirmou Joatez.

Levou-o até seu irmão que estava sentado em uma mesa da taverna. Ele dormia tranqüilamente com a cabeça apoiada nela. Joatez trazendo Geldan junto parou à frente dele e disse baixinho ao pé do ouvido:

- Veja como dá, sente-se aí e converse um pouco com seu irmão e aproveite e faça as pazes.

Joatez se virou para continuar seus afazeres, pois era o dono da taverna. Assim deixando sozinho com Lucas.

Geldan sentou na mesa e o acordou. Ele olhou cheio de sono mas raiva ainda estava em seu olhar. Levantou parte do seu corpo que estava apoiada no móvel, ficando sentado direito. Fitou seu irmão com ódio e o interrogou:

- O que faz aqui, Não satisfeito com o que fez?

- Joatez me trousse aqui para fazer as pazes.

- Que pazes?

Se não quer minhas desculpas tudo bem assim me poupa trabalho e tempo, é só falar que eu vou embora! – exclamou Geldan levantado para se retirar.

Tudo bem! Tudo bem! Eu aceito suas desculpas, agora sente! – pediu Lucas

Geldan voltou para onde estava e Lucas começou a falar:

- Eu errei a falar aquilo daquele jeito para você me perdoe, mas não podia deixar se meter em encrenca. Lembra do que aconteceu com minha mãe, Talra, por causa da morte de meu pai, se alguma te ocorre Ariel não iria agüentar e eu perderia minha segunda mãe.

Geldan ficou surpreso com a confissão do seu irmão e também confessou:

- Não pude resistir quando aquele sujeito falou daquela floresta alguma coisa me empurrou tive de levantar.

- Mas, geldan, que impulso é esse que não pode agüentar?

- Sei lá, só sei que acende um fogo em meu coração quando Wilol é mencionada. Lucas tenho que ir lá, sinto algo esquisito e para  descobrir qual o  seu significado Wilol é começo.

Seu irmão ficou parado sem nada a dizer, tentando entender direito às palavras de Geldan. Depois de alguns segundos falou:

- Como assim ir lá?

- Partir rumo a Wilol – respondeu sem medo Geldan

- Está delirando, isso é loucura.

- Eu sei, mas sinto que nossas vidas dependem disso.

- Só que se formos lá aí que não teremos mais vida. Tu sabes bem aquilo é morte certa.

Mais meu coração me empurra – retrucou Geldan.

Seu coração está louco, eu digo é melhor irmos para casa que já é tarde e nada melhor do que uma noite de sono para acalmar os desvaneios de hoje – Terminou o assunto Lucas.

Assim concluíram aquela conversa e foram para casa. Despediram-se de Joatez e saíram da taverna subindo a rua em direção ao lar. Chegaram lá estava tudo apagado significando que Ariel dormia. Entraram devagarzinho para não acorda-la. Dirigiram-se ao quarto lentamente, foram caminhando pelo corredor. Ali rapidamente tiraram os sapatos para dormir. No entanto único a dormir foi Lucas por que Geldan ficou acordado pensado, até não agüentar mais e levantar, arrumar suas coisas e partir.

Saindo ele desceu a rua e tomou a direção para Wilol. Olhou para o horizonte cheio de colinas encobertas da nevoa noturna e quis ver o paredão verde da floresta.

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Capitulo Dois

Amanheceu tranqüilo na Aldeia. Como todo dia Ariel levantou cedo para preparar o café. Olhou pela janela o sol brilhar por entre as colinas, sentiu-se bem e pensou “nada como um dia novo para renovar o animo”. Estava pondo a comida na mesa quando Lucas entrou bocejando e sentou. Olhou faminto para a refeição, mas Ariel sinalizou para ele esperar o irmão. Lucas não entendendo afirmou:

- Mas ele já levantou, Ariel.

- Ainda não.

Levantou sim, não está no quarto – reafirmou Lucas

- Que estranho eu não o vi por aqui.

Deve ter tido ataque de sonâmbulo e ido dormir na sala, quer ver Lucas – concluiu Ariel indo procurar.

No entanto nenhum sinal dele ali, foi no seu quarto idem, foi no quarto dos dois também nada e por foi ao quintal para ter o resultado, ou seja, nada dele em casa. Ariel voltou para cozinha e perguntou a Lucas:

- Lucas o Geldan te disse se ia sair hoje cedo?

- Não ele não falou nada.

 Ué onde se meteu esse menino? – perguntou a si mesma.

Lucas começou a suspeitar para onde Geldan, só podia ter ido a Wilol. Quando tirou essa conclusão deu um soco na mesa de raiva, afinal de tinha pedido para não ir. Acalmou suas idéias e ficou a pensar. Chegou a uma conclusão, tinha que traze-lo e para isso só havia uma coisa a fazer.

Levantou da mesa e foi até onde Ariel estava. Ela no fundo do quintal, se localizava, sentada em pedaço de troco com as mãos apoiando a cabeça. Pensava no paradeiro de seu filho quando Lucas chegou e falou:

- Ariel por que você na vai a taverna e ver se ele está lá, talvez tenha ido cedo para lá e esquecido de avisar.

Boa idéia Lucas – disse ela indo.

Deu certo em sua primeira parte agora só faltava trazer seu irmão de volta. Com falsa possibilidade dada Ariel dava tempo de pegar suas coisas e partir. Assim fez, colocou tudo necessário para uma pequena viagem em sua mochila e pé na estrada.

Geldan nem procurava pensar na reação de Ariel em casa. Não imaginavam sua tristeza quando soubesse de sua fuga. Apenas queria continuar andando e chegar o mais rápido possível a Wilol. Uma parte queria que voltasse enquanto outra o impelia para frente, naquele momento a parte rumo a Wilol ganhava.

Sozinho seguia pelos prados sempre em direção as colinas enevoadas no horizonte. Já distante de casa caminhava por entre a pradaria verde amarelada quando parou e olhou para trás em direção à aldeia. Só a linha do horizonte aparecia, estava tão longe de casa que nem a sombra de seu lar via mais. Geldan pensou na possibilidade de nunca mais voltar, sua imaginação foi direto para a imagem de sua mãe triste recebendo a noticia de sua morte, ela tentava não acreditar, mas Joatez vinha e lhe dizia que haviam achado o corpo e o tinha reconhecido. Ariel caía de joelhos chorava de jeito melancólico e extremamente triste, mas não escandaloso naquele momento a imagem foi sumindo, sendo substituída por um cemitério onde podia ver um túmulo, o seu.

Espantado com aquela visão uma lágrima escorreu pelo seu rosto e a parte que queria voltar quase venceu a que não queria. Com muito esforço deu as costas para seu lar e continuou sua estrada.

Seu caminho era ir até Dateri e depois perguntar como ia para Wilol, mas primeiro tinha de atravessar aquela planície chegando à base das colinas do horizonte, isso durava mais ou menos um dia de viagem.

Conhecia bem a estrada até Dateri, lembrava de muitas vezes quando era mais novo indo para lá. Algumas das vezes que brigava com sua mãe fugia para lá. Foi numa dessas que conheceu seu grande amigo Tergol. Esperava conseguir sua ajuda para chegar até a floresta.

Tantos pensamentos na cabeça, tantos passos dados e havia esquecido de comer. Seu estomago gritava em sua barriga. Não comia desde ontem quando jantara na taverna, por isso estava com uma fome absurda. Por esquecimento, só tinha pegado em casa algumas maçãs.

Parou e pegou duas e comeu. Elas o satisfizeram durante um tempo. Já sem fome continuou a caminhar. Agora, saindo do matagal entrou em uma pequena trilha de terra batida que poucos conheciam. Ela era um atalho para Dateri que Geldan havia descoberto numa de suas fugas. Por ele economizava um dia de viagem em relação à estrada conhecida que dava uma volta em torno das pradarias.

No entanto aquele caminho era mais perigoso, pois passava pelo pântano de Flaug um lugar cheio de poças de lodo que se pisasse era tragado rapidamente para nunca mais voltar à superfície.Essa trilha há muitos anos atrás fora feita pelo povo de Harsaiü na época da perseguição aos adoradores de Fal Rah. Era um caminho de fuga dos exércitos Harsaiürianos em caso de derrota.

Ele seguia ainda um tempo pela p
radaria até entrar nos charcos onde a trilha ia por uma sinuosa faixa de terra firme cercada de poças. Se fosse só isso seria fácil atravessar, no entanto, o problema era que como ela era muito antiga havia partes onde o trecho firme tinha afundado, ou seja, o viajante era obrigado a saltar e ainda tinha mais havia pedaços que enganavam pois parecia seguro mas não era e se pisasse já era.

Geldan estava tranqüilo sabia exatamente como cruzar aquele obstáculo, era simples nos trechos onde a distancia para saltar fosse grande era só subir numa das arvores que rodeavam a trilha e andar um pouco cima dela e depois voltar à estrada, alem disso tinha ao caminhar um galho que usava para testar o solo, assim evitando cair em pedaços enganosos.

Em poucas horas atravessou Flaug, mas a parte mais longa e cansativa da viagem apenas ia começar.  Nesse trecho a trilha saia do pântano e seguia pela base das colinas durante um bom pedaço até começar a subir. Naquela parte deixaria a trilha e adentraria no bosque das raposas onde ele achava realmente perigoso diferente de Flaug que apenas bastava conhecer o lugar. Já o bosque não era simplesmente conhecer o lugar tinha de ter uma boa dose de sorte para conseguir atravessá-lo.

Mas Geldan era corajoso e pretendia fazer aquele caminho até o anoitecer para acampar já bem perto de Dateri, faltando apenas o trecho final. Pensando assim ele começou aquela parte. Ali a trilha deixava de ser terra batida e passava a ser pavimentada com pequenas pedras de forma quadricular. Ela ia serpenteando por entre os pés das colinas até perder de vista.

Andava rapidamente queria ganhar tempo. Calculava mentalmente o tempo antes de o sol se por e chegou a conclusão de que não daria para fazer o planejado por isso aumentou o passo. No entanto parecia não dar certo, pois o dia passava rapidamente indicando em breve inicio da noite e isso era ruim. Por que se estivesse no bosque no meio da noite seria o fim. Era morte certa atravessá-lo de noite, no entanto se parasse e esperasse o próximo dia perderia o dia de vantagem e como tinha certeza que estavam a sua busca, provavelmente quando chegasse a Dateri eles o encontrariam e o mandariam de volta para casa. Não podia arriscar, de dia ou de noite entraria no bosque.

Ocorreu de chegar lá quando o sol se punha. Não havendo jeito de evitar. Saiu da trilha e pisou no gramado verde da colina deparando-se com parede verde do Bosque das Raposas. Sem medo caminhou rumo a ele, iniciando assim a parte mais difícil de sua viagem.

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Capitulo Três

Entrou no Bosque, a luz sumiu deixando o lugar em penumbra. Geldan caminhava muito atento e procurando fazer menos barulho possível.

Não havia trilhas ali, o único jeito era seguir por entre as arvores que, aliás, eram belíssimas, todas formando uma obra de arte da natureza. Bastava observar os pinheiros, os carvalhos, as bétulas e até mesmo as flores brancas do chão balançando com o vento.

No entanto existia um pesar ali, a Gangue Garbaloiü. Conta a história que o bando era um povo habitante do norte há muito tempo atrás, na época da unificação em Anfalâr. O primeiro Hazur com interesse em suas terras atacou e os expulsou para as Colinas e Bosque das Raposas. Revoltados eles formaram um grupo armado e começaram a atacar aqueles que passassem, roubando e algumas vezes até matando. Com o passar dos anos e com os freqüentes ataques aos viajantes de Anfalâr surgiram histórias de que fossem servos de Fal Rah com missão de atormentar os filhos de Al Litüe, mas tudo não passava de uma mentira.

Infelizmente como quase todo mundo, Geldan acreditava nesses boatos. Isso viria a complicar muito sua vida.

Com o sol já posto, sem quase luminosidade nenhuma, a não ser pela luz da lua que penetrava raramente no teto negro do bosque. Geldan continuava sua trajetória. Agora com muita dificuldade pela escuridão. Andava sempre em busca de clareiras onde procurava sempre encontrar a melhor visão para caminhar.

Agora andava rumo a uma a quinhentos metros a sua frente. Ia tateando as arvores tentando sempre evitar colisões. Mas no meio do caminho esbarrou em alguma coisa e caiu, olhou para ver o que era, viu uma forma negra parada a sua frente,no entanto não conseguia identificar direito o que realmente era. Então tolamente gritou:

- Servo da escuridão deixe-me passar!

 Levantando-se e indo a direção a forma ataca-la. Ela muito rapidamente deu um passo para o lado esquivando-se e voltando-se para ele pegando-o de costas. Antes que pudesse fazer algo a forma o imobilizou, falando:

- Se tentar alguma coisa morre.

Geldan ouviu e se espantou. Era uma voz feminina. Será que aquela forma era uma mulher? Ia falar quando recebeu uma pancada na cabeça e desmaiou.

Acordou com uma tremenda dor de cabeça e o sol na cara. Foi tentar proteger os olhos com a mão mas não pode pois ela estava amarrada também não podia mexer o corpo por que estava todo amarrado.

Localizava-se preso a um tronco fincado no chão em meio de uma clareira. Naquele momento sozinho, mas logo apareceu alguém. Era um dos integrantes do bando usava uma capa longa cor marrom meio acinzentada, ela possuía uma gola grande que tapava o rosto deixando apenas aparecer os olhos. O individuo possuía longos cabelos loiros e olho azul, armado com uma faca curta e um arco longo.

O sujeito se aproximou e começou a falar:

Comece a falar o que fazia aqui, antes que os outros do meu bando apareçam e você tenha um desagradável interrogatório.

Geldan reconhecia essa voz. Era aquela de ontem. Tinha o mesmo tom feminino.

Quem é você? – indagou Geldan.

- Não importa. Diga longo o que fazia aqui?

- Não sabia que na Gangue de Garbaloiü havia mulheres.

- Tudo bem se não quer responder minha pergunta, vou embora e deixar que os outros cuidem de você, a escolha foi sua.

A elfa de rosto coberto foi embora. Geldan ficou sozinho mais um tempo até aparecerem três sujeitos vestidos do mesmo jeito que ela. No entanto traziam um brilho diferente nos olhos. Algo de tom cruel. Entretanto quando um se aproximou reconheceu seu rosto, baixou a mascara e falou:

- Geldan, que faz aqui?

Ele também reconhecendo o sujeito exclamou:

- Tergol?

Tergol virou para seus companheiros ordenando:

- Soltem-no imediatamente.

Os dois sem questionar foram até Geldan e cortaram as cordas. Caiu de joelhos chão  assim que foi solto, mas imediatamente se levantou avançando para Tergol gritando:

- Seu traidor mentiu para mim, é um servo de Fal Rah!

Não está enganado, nos não somos servos dele. – disse Tergol espantado com fúria de Geldan que se não fosse pela presença dos companheiros do outro teria o atacado.

- Então se n&a
tilde;o são o que fazem aqui atacando os viajantes?

- Nós não atacamos mais os viajantes inocentes.

- Por que me atacaram?

- Porquê achamos que fosse um inimigo.

- Que inimigo está falando? – indagou Geldan intrigado.

- Harsaiürianos.

- Mas eles não sumiram há muitos anos?

- Não totalmente, e agora estão crescendo novamente. Por isso capturamos você achando que fosse um deles. Pois ultimamente muitos têm circulado por aqui.

Geldan mais calmo perguntou:

- Mas o rei deles não tinha morrido na segunda batalha?

- Sim, no entanto seu espírito maligno sobreviveu de alguma forma se escondendo em Wilol, Agora ele se revelou novamente para seus servos. Já reconstruindo sua Antiga fortaleza de Artua.

De repente bateu em Geldan um desejo crescente de ir até Wilol. Dentro de sua cabeça ouvia cada vez mas alto uma voz o chamado:

- Venha meu fiel servo, siga a escura estrada e chegue a mim.

Ele olhou em volta a procura de quem partia à voz, mas não viu ninguém que tivesse dito aquilo.  No entanto continuava desesperadamente a olhar em volta e nada sempre. Quando tudo começou a girar e escurer. Foi quando perdeu a consciência.

Entres flashes de imagens indistinguíveis, viu sua mãe gritando e pedindo para voltar que ele não era assim antes, era bom.

continua…

Correntes

 

Sinopse: Legolas e Faramir passaram muitos anos juntos dentro das fronteiras de Ithilien. Como eles vieram a dividir o poder? Legolas, Faramir, e um pouco de Aragorn..

Gênero: Drama

Classificação: Livre

Disclaimer: O Senhor dos Anéis pertence a Tolkien. Esta estória foi feita sem interesses comerciais.

Original em Inglês: Chains


 


"Legolas, venha à frente."


Ele o fez, movendo-se deliberadamente ao centro da caverna escondida nos profundos recessos da Henneth Annun, iluminada apenas pela luz tremulante de tochas. Escuro, úmido, e antigo era como esse lugar parecia ser ao elfo. Ele não gostava de estar abaixo do solo, o peso de incontáveis toneladas de rocha e terra suspensas acima dele, as paredes debruçando-se sobre si, mas ainda assim estava lá. Ele podia ir embora, e sabia disso, mas jamais seria-lhe permitido que retornasse.

"Retire suas roupas."

Ainda demonstrando a confiança exterior que todos os elfos parecem possuir, ele retirou os sapatos, cinto, túnica e malha, e, após uma hesitação quase que imperceptível, as suas roupas de baixo. Ele ficou de pé, exposto, na luz tremulante, ele próprio brilhando levemente, um ser de pureza, radiante, preso na iluminação âmbar. Até mesmo os seus cabelos dourados pareciam rivalizar com as chamas. Dez homens estavam de pé ao seu redor, nenhum falhando em apreciar a visão de uma beleza tão selvagem, apesar de apenas dois deles terem a percepção de ler o crescente desconforto do ser do reino da floresta.

"Ajoelhe-se."

Isso era o mais difícil. Nudez não era algo extraordinário entre os elfos, e não era algo muito difícil para eles tolerarem; até mesmo o morar sob a superfície quando as circunstâncias o ditavam, como dentro do palácio de seu pai, mas se ajoelhar perante estranhos era um gesto íntimo de submissão que não vinha facilmente. Mesmo perante senhor e rei, protocolo ordenava ao suplicante que dobrasse apenas um joelho. Ambos os joelhos diminuía a dignidade e subtraía a força, falava de uma inferioridade e necessidade implícitas. A terra macia do chão da caverna foi de pouco consolo.

Um dos homens veio à frente e sussurrou suavemente ao ouvido do arqueiro élfico: “Você não precisa fazer isso. Os Primogênitos não se submetem a ninguém.”

“E se eu não o fizer? Você pensará que sou um covarde?” As palavras duras falaram de sua ansiedade, pois elfos não são nada senão graciosos. “Eu farei o que for necessário, merecerei o meu lugar como qualquer outro. Ou você acha que isso está além de mim?” A cabeça dourada erguida, os olhos azuis brilhando, desafiando o homem que o negasse.

“Não, é claro que não.” A figura suspirou, correndo uma mão pelos seus cabelos castanhos, tirou algo escuro de seu cinto.

“Você confia em mim, Legolas?” Isso era importante. O ritual dependia disso, não poderia prosseguir sem a confiança incondicional do elfo. “Eu não prosseguirei em face da sua dúvida.”

Legolas fechou os olhos e inclinou sua cabeça brevemente, se em impaciência ou apreensão não estava claro, e então acenou com a cabeça uma vez. “Sim, eu confiei em você do momento em que o vi”.

Com um sorriso gentil, Faramir prosseguiu a colocar a venda, mergulhando o elfo da floresta em uma escuridão ainda maior.


Cinco dias atrás, Legolas estava viajando pela floresta, saltando de galho em galho, rindo com seu escolte, encaminhando-se à recém construída casa do primeiro príncipe de Ithilien. Ele conhecia Faramir apenas de passagem, mas já estava impressionado com a profundidade de seus conhecimentos, a sua perspicácia, a sua força interior e a sua calma compaixão. Poucos homens conseguiam atrair a atenção dos Eldar desta forma; Aragorn, é claro, e um ou dois dos seus guardiões. O príncipe Imrahil era um homem interessante, e havia algo sobre Théoden que fazia alguém olhá-lo novamente, mas Faramir era especial. Talvez fosse a sua criação trágica, a perda de seu irmão, ou do amor de seu pai antes mesmo disso, ou da morte prematura de sua mãe no início da sua infância. Ou talvez simplesmente ter crescido à sombra de Mordor. Tanta dor e perda. Ao invés de tornar-se amargo como faria a muitos, parecia ter temperado a sua alma como a mithril finamente forjado; delicado, e ao mesmo tempo forte. Legolas decidiu que gostaria de conhecer mais dele.

Ele encontrou o rei presente ao chegar, visitando o seu regente, segundo ele, mas todos sabiam que ele estava mesmo era escapando do calor recalcitrante da cidade no meio do verão. Não era por acaso que Ithilien era chamada de Jardim de Gondor. De qualquer forma, Legolas estava feliz em ver ambos os homens; o primeiro, um antigo amigo, o segundo, simplesmente um amigo sobre o qual havia muito que se descobrir.

Quanto mais Legolas observava Faramir, mais ele ficava fascinado por ele. Cabelos negros, olhos cinzentos, o mesmo físico básico que o seu povo ao norte, alto, sem ser musculoso, mas sem também ser magro. Ele puxara ao seu pai, diziam, no intelecto e estudos, e na habilidade de ver dentro do coração de outros. Estranho então que Boromir, que de todas as formas era surpreendentemente diferente de seu pai, ser o preferido. Talvez, como o herdeiro aparente, Denethor pode ter pensado em investir mais de si mesmo no seu primogênito, mas não fazia sentido negligenciar o seu filho caçula completamente. Acidentes não eram incomuns, o ‘sobressalente’ era quase tão provável de chegar ao governo quanto o primeiro na linha de sucessão. E dizia-se que a negligência de Denethor não era apenas em longo prazo, mas ocasionalmente abusiva. Estava claro para Legolas que ele entendia muito pouco dos costumes dos Homens. Para os elfos, todas as crianças eram preciosas.

A noite foi passada agradavelmente, cada um recontando os seus vários papéis na Guerra do Anel, e a conclusão triunfante a qual Faramir quase tão terrivelmente perdera. O Regente estava particularmente interessado no interlúdio da Sociedade entre os elfos. Ele não se cansava de ouvir sobre a Senhora Galadriel, cujo nome não era desconhecido em Minas Tirith, nem a casa de Elrond. Como fora tornar-se adulto no Vale Escondido? Foram os filhos do Peredhil que o ensinaram o uso da espada? Ele realmente conhecia Glorfindel, o matador de Balrogs? Por que Lothlórien era chamada de Floresta Dourada? E sobre os anéis Élficos, agora que o Um anel estava destruído?

Oh, ele havia visto muitos senhores e nobres élficos no casamento de Aragorn, é claro, mas estava tão embasbacado que não conseguira tirar muita vantagem da grande oportunidade que se apresentou naquele momento. Sim, a Senhora da Luz era realmente magnífica (apesar de ele particularmente concordar com Éomer de que a Lady Arwen era mais bela); a sabedoria de Elrond brilhava de sua fronte como um farol, os seus filhos de pé por trás dele como avatares dos Valar; e Celeborn, profundo e misterioso, assistia com seriedade enquanto a sua neta se entregava a um rei mortal. Foi um momento saído de lendas, e profundamente intimidante para alguém que sempre vivera na sombra do seu sempre celebrado irmão.

Mas agora, neste pequeno encontro íntimo da realeza, era a sua oportunidade de descobrir o que a sua reticência tinha-lhe negado antes. Quando ele havia exaurido tudo que acontecera dentro da jornada da Sociedade, ele voltou-se então para a Floresta das Trevas, um reino élfico pouco comentado nestes últimos séculos. A reputação de Thranduil, ambas terrível e grandiosa, era quase como se os homens do Sul não conseguissem decidir se o reverenciavam ou se o temiam. Todos sabiam que cavalgar além dos Campos de Lis era convidar a morte, apesar de que se isso era devido ao rei élfico ou aos vários habitantes de Dol Guldur nunca ficara muito claro.

Legolas levou algum tempo detalhando as maravilhas do seu lar, como os Elfos da Floresta haviam lutado uma guerra incessante contra o mal incansável para manter pelo menos as fronteiras norte limpas e iluminadas, e como o seu pai lutara contra as forças de Mordor, Orientais e Orcs, ao mesmo tempo em que o Senhor do Escuro atacara com malícia ainda maior sobre Rohan e Gondor. Se não fosse pela necessidade de Sauron de lutar contra ambos Lórien e a Floresta das Trevas, era improvável que o mundo dos Homens tivesse sobrevivido, apesar dos maiores esforços do portador do Anel.

Foi no segundo dia, enquanto os amigos estavam jantando tarde e especulando sobre o futuro glorioso que agora se revelava, que o mensageiro chegou. Ele fez uma breve reverência ao rei e ao convidado élfico do seu senhor, e então implorou a Faramir por um momento a sós. Não demorou muito para que anfitrião retornasse.

“Meu Senhor, uma questão surgiu e que requer a minha atenção imediata. Eu estarei fora por alguns dias, mas, por favor, continuem a gozar da minha hospitalidade por quanto tempo desejarem.” Apesar de suas palavras, Faramir parecia estar mais chateado que contrito, levando o rei a perguntar se havia algo que ele pudesse fazer.

“É uma questão de Guardiões, Senhor. Nós geralmente mantemos essas coisa entre nós mesmos.”

Aragorn franziu o cenho. “Eu devo saber o que ocorre em meu reino. E eu sou um guardião, apesar de ser se uma ‘casa” diferente, se assim desejar.”

“Sim, mas o Senhor Legolas não é. Esta é uma coisa para Homens.” Faramir olhou para Legolas como se pedindo perdão enquanto falava, não querendo ofender o seu novo amigo, mas sabendo que os seus próprios seguidores não permitiriam que um forasteiro presenciasse os seus mistérios internos.

Legolas tentou reprimir a repentina decepção e sentimento de rejeição que ele sentiu, e ficou surpreendido pela força dos seus próprios sentimentos. Que importância esse assunto dos guardiões tinha para ele? Ele podia sentir os olhos conhecedores de Aragorn sobre si e resistiu à vontade de fechar a cara para ele. Aragorn tinha visto o interesse do seu velho amigo no filho mais jovem de Denethor e podia dizer que, apesar do desconforto visível de Faramir, o elfo ainda assim se sentiu ignorado. Após passar uma grande parte da sua vida adulta sendo considerado pouco mais que um filhote por sua família adotiva, especialmente seus irmãos, ele não pôde deixar de sentir-se ao menos um pouco convencido. Sim, meu amigo, nós também temos segredos.

Faramir sentiu facilmente a afronta do príncipe. O entristecia pensar que esta situação pudesse agora tornar-se um empecilho entre eles. O Elfo era mais maravilhoso que o jovem pudera imaginar. Muitas horas ele havia passado lendo na biblioteca de seu pai, sonhando com o Belo Povo, em discutir história e folclore da sua própria gente com seres que haviam realmente testemunhado os acontecimentos, mas, agora, aquilo que mal havia começado poderia já estar perdido, e Faramir não sabia como aquecer o repentino gelo que ele sentiu no ar. Relutantemente, ele permitiu que o rei o conduzisse até um canto para conversar. Legolas saiu para checar o seu cavalo, que estava muito bem, mas qualquer desculpa servia.

“Não fique consternado, caro Regente, pois Legolas ainda é jovem entre o seu povo e facilmente sente a dor da exclusão.” Aragorn sorriu com compreensão. “Eu acho que talvez ele deseje conhecê-lo melhor e veja isso como uma barreira, tanto para a sua recém-forjada amizade, como para o desejo de dividir os fardos da liderança com você.”

“Mas o que eu posso fazer? Meus homens se oporiam vigorosamente à presença de um não-iniciado em nossos assuntos. O homem em questão seria humilhado.”

O rei ponderou sobre isso por um momento antes de encarar os olhos cinzentos.

“Você espera permitir ao filho único do Rei Thranduil compartilhar o governo de Ithilien, não espera?” Após a rápida afirmativa de Faramir, ele continuou, “Então seria sensato que você lhe dê acesso a todos os assuntos dentro destas fronteiras. É inevitável que, com o passar do tempo, talvez mais cedo do que você pensa, os assuntos dos homens e os dos elfos se encontrem, e talvez até conflitem.” Aragorn virou a cabeça admoestado-o. “Caberá a vocês dois trabalharem juntos para resolver essas questões.”

“Mas, Senhor,” Faramir começou ansiosamente, “meus homens…”

Com um aceno da sua mão, Aragorn o interrompeu. “Sim, eu sei bem da secritude inflexível dos guardiões! Só há uma coisa a fazer – você terá que iniciá-lo você mesmo.”

Foi algo fortuito o fato do guardião do norte ser maduro nos seus anos ou ele não teria sido capaz de esconder o seu divertimento ao ver a cor quase roxa que se espalhou pelo rosto do regente. Ou era verde? Havia muito tempo desde que os homens de Gondor tiveram que lidar com outras raças senão orcs. Os outros Povos Livres da Terra-média eram fábulas de tempos antigos ou, no máximo, habitantes de lugares distantes, não dispostos a se intrometerem nos assuntos dos homens. Mas como isso havia mudado! O novo rei tinha marchado para dentro da Cidade Branca com um elfo e um anão ao seu lado. Os reinos do Oeste haviam sido salvos por hobbits. Magos e Ents e águias eram assunto comum entre todos os homens. Como então manter divisões entre raças que lutaram e morreram juntas contra a Sombra? Faramir logo viu o absurdo da sua objeção já meio-formada.

E, afinal de contas, os seus homens eram uma casta acima do patrulheiro gondoriano comum. Uma pessoa não se embrenha no mato com uma espada e um escudo, esperando acabar com um inimigo que, de nove entre dez vezes, está em número muito maior que o seu. Guardiões eram guerreiros de tocaia, tendo o arco e a flecha como os seus maiores aliados, juntamente com a capacidade de se confundir com o ambiente com tanta naturalidade quanto um cervo. Eles não tinham reforços, ou estoque de suprimentos, ou uma posição fortificada para defender. Guardiões tinham de ser fortes, espertos e, acima de tudo, inquestionavelmente leais, uns aos outros e ao seu líder.

Estes homens não eram recrutados nas ruas. Muitos dos guardiões de Faramir eram soldados há muito no serviço, ávidos por contribuir com mais; alguns estavam dispostos a sacrificar tudo para vingar a morte de um irmão, ou pai perdido para o Inimigo; e alguns eram filhos sem tanta importância dos nobres, sabendo que não seguiriam os passos de seus pais, mas ainda assim querendo fazer suas vidas valer algo. Homens fortes com mentes flexíveis era o que o filho de Denethor havia atraído para o seu serviço. E era com eles que o futuro de Legolas, o ainda não nascido elfo-guardião, estava para ser decidido.


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Dois homens aproximaram-se carregando uma extensão de uma corrente leve. Faramir a pegou em silêncio – na verdade, nenhuma palavra havia sido proferida desde que Legolas falara de sua confiança – e posicionou-se atrás do príncipe. Cuidadosamente, ele levantou os cabelos sedosos, indicando a um terceiro homem que os prendesse frouxamente fora do caminho, e então trouxe o meio da corrente atravessando pela frente do longo e fino pescoço. Cruzando uma vez a nuca, ele a trilhou até o meio das costas do elfo, e então puxou as suas mãos para trás e para cima, amarrando-as na corrente logo abaixo de suas escápulas. Legolas arqueou-se para trás levemente, levantando sua cabeça e suas mãos para tirar a pressão de seu pescoço. Não era tão desconfortável, mas requeria atenção constante para não relaxar e constringir a sua respiração. Faramir enrolou as pontas da corrente nos tornozelos de Legolas, impedindo-o de inclinar-se para frente.

O elfo da floresta achou a escuridão desconcertante. Ele não conseguia ver o que estava por vir, tinha que se esforçar para não se encolher a cada toque inesperado e ante a dureza fria da corrente. Viu-se aguçando os seus ouvidos por pistas, mas os guardiões eram quase silenciosos. Faramir, particularmente, parecia quase indetectável. Normalmente ele conseguia ouvir a respiração de outras raças (anões especialmente!), até mesmo hobbits, silenciosos como eles sabiam ser, mas Faramir, assim como Aragorn, era muito habilidoso para o prover esse tipo de garantia. Legolas pensou brevemente se o homem o estava fazendo de propósito ou se já era simplesmente sua segunda natureza. De qualquer forma, ele sentiu finos traços de suor aparecer no seu lábio superior, ciente de ser o centro das atenções de muitos pares de olhos velados.

Depois de alguns minutos, outros dois homens vieram à frente carregando outra extensão de corrente, mas esta era mais pesada, os elos maiores e menos flexíveis. Faramir a enrolou por sobre o elfo com a ajuda de um outro homem, passando pelo ombro, de volta para cima por entre as pernas, por cima do outro ombro, para baixo através das pernas, apertada o suficiente para tocar, mas não machucar. Então eles retornaram aos seus lugares em silêncio novamente.

Mais uma vez e escuridão o envolveu, fazendo-o se concentrar nas sensações do seu corpo, e não na audiência que ele sabia ainda estar lá. O metal estava esquentando vagarosamente, pressionando os seus ombros, roçando a sua virilha, batendo em seu peito e nas mãos amarradas ao menor movimento. O silêncio era pesado, isolante, fazendo-o perder a noção de tempo e espaço. Cada pequeno desconforto era ampliado, a corrente através do seu torso parecia arrastar-se por sobre ele, o impedindo de se esticar apesar de não ter se encurvado em momento algum enquanto a colocavam. Os seus ombros doíam por manterem suas mãos elevadas, a frente da corrente parecia apertar a sua garganta, apesar de ele saber que na realidade não estava. Quando tempo ele deveria ficar assim? A resistência dos elfos era lendária. Ele podia, se necessário, manter essa posição por toda a noite. Eles o abandonariam? Ele sequer saberia? A idéia de ser deixado amarrado e sozinho nas profundezas da terra brincou com alguns dos medos mais profundos da sua raça.

Faramir observava Legolas da lateral da caverna. Era óbvio para ele que o elfo estava lentamente ficando mais agitado, imaginando coisas que poderiam acontecer ou que não estavam ali, as correntes ficando cada vez mais pesadas do que elas realmente seriam em circunstâncias diversas. Realmente, o peso não era nada para alguém como o elfo, a sua posição forçada sendo apenas estranha, e não dolorosa. Isso viria depois.

Ele olhou brevemente para o homem de pé ao fundo da câmara, mas a sua atenção estava voltada totalmente para o arqueiro, seu amigo. Se em algum momento Faramir falhasse em julgar a situação corretamente, causasse muito dano ao que estava ajoelhado em uma confiança vacilante, o seu rei iria encerrar tudo imediatamente. Elfos eram criaturas estranhas, incrivelmente fortes e resistentes, mas com fraquezas não imaginadas pelos homens. Aragorn era o único com a experiência necessária para supervisionar uma coisa como essa.

Faramir sorriu silenciosamente. Isso iria provavelmente confortar o elfo, saber que o seu melhor amigo estava lá com ele, mas por fim, esse não era o objetivo, era?

Legolas sentiu o início de um medo irracional. Ele não sabia nada sobre esses homens, mesmo Faramir, de quem ele instintivamente gostara, era pouco mais do que uma incógnita. A história entre Homens e Elfos havia sido, na melhor das hipóteses, superficial durante essa última era; muitos tinham razão para desconfiar, e até odiar os Que Chegaram Depois. Alguns haviam feito aliança com um mal indescritível para guerrear contra o seu próprio povo! Onde estava a razão nisso? E aqui ele havia espontaneamente (ou estupidamente?) se colocado à sua mercê. Talvez isso não fosse um rito ao final de tudo; talvez isso fosse apenas um jogo doentio. Talvez Faramir o enganara para participar dessa diversão pervertida e todos os homens eram realmente como o seu pai dissera. Pela primeira vez, Legolas começou a pensar seriamente em resistir enquanto a sua compreensão intelectual da situação desaparecia.

Do outro lado do cômodo, Aragorn viu a sutil mudança na postura de Legolas, e sinalizou a Faramir para continuar. Faramir aquiesceu e deu um passo a frente. Mais homens juntaram-se a ele.

Um clangor pesado veio aos ouvidos de Legolas enquanto ele ouviu um repentino mover de pés e respirações fortes. O que eles estão fazendo? Ele se assustou levemente ao sentir uma mão no seu ombro direito. Ela foi substituída um momento depois por um acolchoado grosso de algum tipo de material macio e aveludado.

“Segure-se,” foi o único aviso que ele recebeu antes que uma pequena extensão da corrente mais grossa que ele jamais imaginara existir ser colocada por sobre seu ombro. Ele supôs ser o tipo de corrente similar à usada para levantar a grade do portão principal de Mina Tirith (antes de Grond o esmagar). Essa corrente não podia ter menos que 40 quilos, fazendo-o grunhir suavemente em surpresa. Felizmente para o seu equilíbrio, ou sua costa, ela foi logo acompanhada por sua gêmea no seu outro ombro. Agora o chão da caverna não parecia mais tão macio aos seus joelhos e os acolchoados não faziam nada para amortecer o primeiro par de correntes agora se enterrando em sua carne. Uma dor genuína logo afastou da sua mente os medos produzidos pela escuridão, para substituí-los por uma vontade incerta de suportar. Ai, mas ele não iria se entregar perante esses homens! Todos eles haviam passado por isso, não haviam? Ajoelhados onde ele estava agora? Ele não iria envergonhar os seus antepassados com uma demonstração de fraqueza. Ele mostraria a eles a fibra dos elfos.

Faramir poderia ter-lhe dito que as correntes usadas nos homens eram consideravelmente menos pesadas, mas ele não o fez.

As novas correntes tentaram levá-lo ao chão, mas aquela através de sua garganta não permitiu. Quando a sua costa curvou-se, a corrente que ia de seus tornozelos ao seu pescoço apertava, forçando-o a ou endireitar-se ou engasgar-se. O sangue correu para sua cabeça quando a corrente cortou ambos o seu ar e a sua circulação, e com a sua costa e os seus ombros gritando em protesto, ele conseguiu erguer-se o suficiente para fazer desaparecer os pontos negros que começaram a se formar por trás da venda. Instintivamente ele tentou libertar as suas mãos para ajudar a suportar o peso adicional, mas conseguiu apenas machucar os seus pulsos. Em um momento, os seus pés deixaram o chão e ele se sentiu tombando para frente sem poder fazer nada, e teve certeza de que ele estava preste a bater com o nariz no nem-um-pouco-macio chão da caverna, quando uma mão na sua testa o empurrou para o seu lugar novamente. Ele não sabia se agradecia ou amaldiçoava o homem.
Faramir observou o elfo lutando com uma crescente preocupação. O destruía por dentro ser o responsável pela figura exausta, trêmula e agonizante à sua frente, e era um dos Primogênitos. Já era difícil o suficiente fazer isso a um homem, mas homens pareciam de alguma forma serem feitos para esse tipo de situação. Elfos estavam acima dessas basicidades, desses testes. Um elfo deveria ser cuidado, protegido, e não esmagado sob quase 100 quilos de aço frio. Mas Legolas havia concordado com isso, havia deixado claro que faria o que quer que fosse para unir-se em parceria completa com o seu vizinho. Então lá ele se ajoelhou, sofrendo, por causa de homens, dos seus homens. Faramir sentiu seu estômago apertar e ficou feliz pelo jantar ter passado há muito. Graças a Deus, havia apenas mais uma corrente.

Legolas finalmente conseguiu encontrar o equilíbrio interior que lhe permitiu suportar a dor, manter-se relativamente parado, e respirar ao mesmo tempo. Não iria durar muito, ele sabia, mas por hora ele estava suportando. Tão concentrado estava no seu próprio estado que ele não ouviu as palavras faladas ao seu ouvido esquerdo. Somente quando Faramir as repetiu, é que ele escutou.

“Legolas.” Faramir falou claramente, com firmeza, como alguém que lê os votos do matrimônio. “Você confia em mim?”

A pergunta que ele havia respondido tão rápida e facilmente quando fora feita há menos de uma hora fez com que o elfo quisesse rir agora, se ele fosse capaz. Confiar? Neste circo demente de torturadores? Ele estava louco? Sim, ele deveria estar para ter concordado com isso. Ele confiava em Faramir? Confiava? Ele não tinha a menor idéia agora.

Faramir esperou com incerteza, convencido de que Legolas iria implorar para ser libertado deste tormento, apenas para torcer silenciosamente que isso não acontecesse. Ele não conhecia o elfo há muito tempo, tendo apenas o encontrado na coroação de Aragorn, no casamento do rei com Arwen e no seu próprio casamento com Éowyn. Mas agora que tudo isso estava acontecendo, é que ele percebeu o quando desejava a amizade de Legolas e a sua confiança. Um elfo! Há nem um ano atrás, eles eram apenas conhecidos em lendas e livros de história, e agora aqui estava um pronto para viver com ele em Ithilien, estabelecer uma colônia desses seres maravilhosos logo aqui, e o que ele estava fazendo? Pedindo a esta criatura etérea que desse um salto de fé enquanto se ajoelhava perante o Regente de Gondor em dor e medo.

Aragorn também esperava, curioso a respeito da resposta pendente de Legolas. No seu lugar, Aragorn teria ordenado que Faramir o soltasse e que depois fosse para o inferno, mas ele também sabia que o filho de Thranduil estava longe de atingir o seu limite. Aragorn não achava que ele desistiria, não na frente de todos esses homens. Ainda assim, como qualquer líder aprende, não é o corpo que primeiro sucumbe, mas a mente.

Legolas desejava ver, precisava olhar dentro dos olhos de Faramir para julgar a sua intenção, se ele realmente queria que a sua vítima tivesse êxito ou se estava simplesmente divertindo-se com a sua dor. Mas ele não podia. Visão, julgamento, eram-lhe negados. Ele podia apenas confiar em seus próprios instintos, e estes, ele estava começando a temer, não valiam um tostão furado no mercado agora. Sobre o que ele devia embasar a sua resposta? Se Aragorn estivesse no lugar de Faramir e pedisse por sua confiança, Legolas a teria dado instintivamente, até ao ponto que Aragorn poderia matá-lo, mas Faramir não havia merecido tal lealdade de sua parte. Elfos são fiéis até a morte, mas não a qualquer um.

Ele pensou novamente sobre o homem cuja respiração ainda soava em seu ouvido, esperando por uma resposta. Ele lembrou de como aqueles rasos olhos cinzentos haviam enchido com interesse à sua chegada, brilhado com alegria quando o elfo aceitou a sua oferta de amizade, e escurecido de preocupação quando ele sugeriu a Legolas que se submetesse a este teste. Aragorn já não o tinha aceitado como uma espécie de irmão há muito perdido? Se eles realmente quisessem o seu mal, certamente ele já não estaria gravemente ferido, se não morto? E eles, muito menos, precisariam pedir a sua permissão para continuar.

Enquanto Legolas se ajustava mais à sua posição e à dor nos seus ombros e joelhos, a sua capacidade de pensar e analisar se restabeleceram. Só por que ele estava enterrado nas entranhas da terra, cercado por estranhos, vulnerável e em dor, não era razão para entrar em pânico, era? Ele quase riu novamente. O que o seu pai diria? O chamaria de perturbado, muito provavelmente. E talvez ele estivesse certo. Ainda assim, não havia como retroceder agora. A escolha era simples na realidade, se alguém considerasse as alternativas: fugir ou prosseguir. Orcs fugiam; elfos, não.

Através dos dentes cerrados veio a sua resposta. “Sim, Faramir. Eu confio em você… por que eu preciso.”

Não surpreendentemente, Faramir achou tal declaração não muito reconfortante ou gratificante. Aragorn quase sorriu em face da sua expressão caída. Talvez ele se sentisse melhor se Aragorn lhe contasse as distâncias que teve de percorrer para assegurar a amizade do elfo, mas isso teria que esperar alguma outra hora. Legolas estava prosseguindo com isso até o seu fim, por razões que não estavam totalmente claras para o rei, mas que eram definitivamente fascinantes de se assistir.

“Muito bem.” Faramir sinalizou a outro dos homens que viesse à frente.

A última corrente era bastante fina e bem curta, nem seque um metro, e em cada ponta havia uma pequena argola. Faramir passou a corrente por uma das argolas para fazer uma volta, como alguém faria para prender um cachorro, e então passou pela cabeça de Legolas. Ele pôs um corte de tecido macio no seu pescoço, e depois ajustou a volta sobre ele, deixando que o restante ficasse pendurado nas suas costas.

Virando-se, ele pegou várias esferas pequenas, pesando meio quilo cada, de um homem, indicando a ele que voltasse para perto da parede. Faramir pendurou o primeiro peso na argola que descansava parcialmente sobre as costas do elfo.

Meio quilo de pressão faz muito pouco para homem ou elfo, mas a tira apertada ao redor do pescoço de Legolas tinha o seu valor. Novamente, ele foi lembrado da sua vulnerabilidade perante essas pessoas. Eles podiam fazer qualquer coisa com ele, ele estava totalmente incapacitado para resistir. Certamente ele poderia debater-se um pouco, cair, até implorar por misericórdia (que os Valar sejam amaldiçoados se ele fizesse isso!), mas no fim das contas, ele era deles. E isso era aterrorizante.

Faramir pendurou outro peso, e depois outro. Logo todos os homens na caverna podiam ouvir a respiração estrangulada do elfo, o seu pânico crescente tornando-se óbvio a todos. Essa era sempre a parte mais difícil do ritual. O orgulho levava muitos a este ponto, como havia acontecido hoje, mas poucos eram capazes de ir adiante, enfrentando um teste que lhes poderia clamar a vida. Era verdadeiramente uma demonstração de fé, não de coragem ou resistência. Qualquer homem podia ser forte e corajoso; de fato, Gondor estava repleta destes homens, e mesmo havendo muito que se admirar neles, um Capitão de Guardiões exigia mais.

Legolas lutou para sustentar-se em face da montante pressão. O sangue voltara aos seus ouvidos, a sua respiração arranhando pra dentro e para fora de sua boca aberta. Ele tentou engolir, mas viu que isso era difícil, a corrente movendo-se por cima da sua garganta quando o seu pomo de adão flexionava por baixo da faixa constritora. Ele começou a lutar genuinamente. Não conseguia respirar. Grandes pontos brilhantes dançavam perante seus olhos fechados enquanto o sangue corria alto o suficiente para afogar todos os outros sons. A sua língua foi forçada para frente da sua boca, quase por sobre a parte inferior da sua mandíbula, enquanto o espaço disponível a ela diminuiu.

Os pontos tornaram-se maiores e mais brilhantes, a sua respiração alta e, mesmo assim, conseguindo pouco volume de ar, a sua mente girando enquanto ele balançava com a tontura trazida pela falta de oxigênio no seu cérebro. Vieram imagens de homens, homens perversos, maliciosos, humilhando um elfo preso na sua armadilha. Realmente, os homens na caverna poderiam estar rindo ou até gritando nesse momento que ele não os ouviria. Elfo tolo. Elfo estúpido. Eles o matariam agora, desfrutando os seus esforços moribundos, e depois contariam vantagem do feito em algum daqueles buracos de cerveja e fumaça que eles tanto gostavam. Ninguém mais se interessava por vinho?

Cada vez com mais velocidade os seus pensamentos giravam, desconjuntados, em pânico, afundando-se na escuridão. Se ele conseguisse simplesmente cair para o lado, ele de repente se deu conta, os pesos bateriam no chão e cessariam de estrangulá-lo. Ele tentou mover-se para um lado, apenas para começar a debater-se genuinamente em terror ao sentir mãos segurando os seus braços, mantendo-o ereto – matando-o.

Então, inesperadamente, ele sentiu um toque em seu rosto, palavras suaves sussurradas em seu ouvido, “Confie em mim, Legolas. Por favor… confie em mim. Eu não vou falhar.” A voz de Faramir, suas palavras, tão quietas, tão tranqüilizantes. O Elda agonizante quase não o escutava. Faramir? Ele ainda estava lá? Por alguma razão isso o surpreendeu. Depois ele se lembrou da caverna, dos guardiões, do seu propósito nesta noite. Apesar da escuridão que se aproximava dos limites da sua mente, ele se forçou a parar e escutar.

“Eu estou com você, Legolas,” a voz continuou, macia e íntima ao seu lado, e ainda assim forte, poderosa. “Nunca irei abandoná-lo, nunca você terá razão para me temer. Eu valorizarei a sua vida como eu valorizo a minha própria vida.” Faramir foi para o outro lado, fazendo o caminho da fina corrente que prendia o pescoço do elfo com a sua mão. “Todos os guardiões são agora seus irmãos. Todos darão suas vidas para protegê-lo. Você não fará o mesmo por eles?”

Aragorn reconheceu as palavras do Juramento dos Guardiões. Seu próprio teste no Norte havia tido uma forma um quê diferente, mas o objetivo tinha sido idêntico: unir mentes semelhantes em uma aliança inquebrável de irmandade. No caso de Aragorn, houvera tons de laços sanguíneos e também devoção ao novo senhor, mas estas eram questões irrelevantes nesta reunião. Ele encontrou-se hipnotizado pela visão de um amigo semiconsciente ajoelhado perante outro no momento crucial deste teste.

Faramir esperou com a respiração presa. Tudo se resumia a esse momento, esta entrega de corpo e alma. Ele sabia que Legolas o faria por Aragorn sem qualquer tipo de hesitação. Era fácil de se ver o amor que o seu rei compartilhava com o arqueiro élfico, mas Faramir não tinha qualquer ilusão reconfortante sobre o seu próprio valor. Ele não era um rei de homens para despertar tal estima em um príncipe dos Primogênitos. Ele não era nada além de um regente, de uma terra rica e poderosa certamente, mas ainda assim de uma linhagem menor, de uma estatura menor. No fim, sua família havia falhado na confiança que fora a eles depositada de entregar um reino são e próspero ao seu governante por direito. Faramir considerava-se mais um sobrevivente do que um herdeiro, e agradecia a nobreza de Aragorn e a sua mentalidade justa por ele ter um lugar nessa nova Gondor. E que ele também havia assegurado um lugar no coração de seu amigo.

A luz do mundo estava se esvaindo rapidamente para Legolas agora, enquanto ele se ajoelhava perante o seu torturador (Salvador?) e tentava entender o que estava acontecendo a ele. Como Faramir havia se transformado de assassino para protetor tão rapidamente? Ele não estava por fim prestes a morrer?E como isso era sobre irmãos? Na sua confusão e aflição, ele quase perdeu o significado do momento, mas então subitamente a escolha posta à sua frente tornou-se clara. Dar a sua vida a Faramir, o seu irmão-guardião, ou tomá-la de volta e romper completamente os laços que poderiam se formar entre eles esta noite. De qualquer forma, ele agora sabia que não morreria; ninguém ali estava tentando matá-lo. Para entrar nesta irmandade ele deveria dar a eles tudo que ele era ou permanecer para sempre um forasteiro. Tudo parecia tão simples. Como ele havia perdido o seu caminho?

Faramir estava falando de novo. “Eu sei que você não pode responder com palavras, mas se você deseja o que lhe é oferecido, mantenha-se parado. Aceite a escuridão, sabendo que nós o traremos de volta. Se você não deseja continuar, caia para o seu lado e nós o soltaremos. Ninguém o está segurando agora.”

Era verdade. Legolas não podia mais sentir as mãos nos seus braços ou sequer a respiração de Faramir no seu rosto. Ele estava isolado no meio da caverna enquanto os homens esperavam por sua decisão. Ele sabia o que significava estar onde o elfo estava agora; a confusão, a dor, a quase total inabilidade de pensar com clareza e sabendo que você deve confiar em si mesmo para reagir sem a devida consideração. Era quase um teste de fé em si mesmo como de fé nos outros.

Legolas sabia como ter fé em si mesmo. Ele concentrou toda a sua força de vontade para permanecer ereto o maior tempo possível, e então lentamente escorregou ao chão quando a escuridão o envolveu.

continua…

Uma Longa Jornada

Sinopse: Durante uma viagem há muito planejada, Aragorn e Legolas encontram sério problemas, e acabam endo que enfrentar alguém que ele jamais esperavam.

Gênero: Drama / Humor

Classificação: Livre

Disclaimer: Não… o Senhor do Anéis não é meu… é dos Tolkien.


 

 

Capítulo I

"Eu nunca vi Glorfindel com tanta raiva como naquele dia!” Aragorn disse, sua voz quase não saindo por causa das risadas. “Eu verdadeiramente temi pela vida do Elladan!”

"Ah, mas eu tenho certeza que tudo não passou de um acidente! Ele jamais faria aquilo de propósito,” Legolas conseguiu dizer, tentando se fazer entender entre gargalhadas.

“É claro que foi um acidente…” Aragorn respondeu com um sorriso. “Sempre é um acidente…”

Isso causou outro acesso de riso nos dois amigos.

Legolas e Aragorn já vinham tentando fazer essa viagem há bastante tempo. Os últimos dois anos haviam sido muito difíceis na Floresta das Trevas, não permitindo ao seu exército se privar de qualquer um de seus guerreiros, os quais estavam constantemente envolvidos em intermináveis patrulhas, lutando para combater o crescente mal que se espalhava por aquelas matas. E Aragorn, por sua vez, havia começado a sua vida como um guardião. Quase nunca voltando para casa, na sua luta constante contras as criaturas do Senhor do Escuro que ousavam cruzar o seu caminho, para mantê-los afastados das vilas e aldeias do Norte.

Mas agora finalmente, após muitos planos, aqui estavam eles, nas planícies de Harlindon, simplesmente desfrutando da companhia um do outro, conversando, caçando, fumando… Aragorn pelo menos, apesar dos muitos protestos por parte do elfo.

Depois que os risos esvaíram-se, os dois amigos permaneceram deitados na relva, olhando as estrelas que agora enfeitavam o céu como um cobertor cintilante de sonhos, tendo Eärendil como a sua mais brilhante jóia.

“A noite está linda,” Aragorn disse em um suspiro, satisfação evidente em sua voz.

"Aye. Elbereth tem sido graciosa esta noite,” respondeu o elfo, concordando com as palavras do guardião. “Já faz muito tempo desde a última vez que eu estive nesta região… mas agora eu recordo o porquê.”

“E qual seria o porquê, mellon nîn?" o jovem humano perguntou, desviando seus olhos do céu para melhor ver o seu amigo.

O elfo apenas deu de ombros. “Fora as estrelas, não há nada de mais pra se ver por aqui.”

O guardião voltou seus olhos para o céu, seus risos recomeçando.

“Eu estou falando sério, humano”, o elfo continuou, tentando soar ameaçador, mas incapaz de manter a seriedade na voz. “Da próxima vez que nós formos viajar, eu farei o planejamento.”

“Como desejar, Vossa Alteza,” Aragorn retrucou curvando de leve a cabeça e fazendo um movimento floreado com sua mão, na melhor imitação de uma reverência jocosa que ele conseguiu ainda deitado, e um grande sorriso estampado em seu rosto.

Legolas apenas expirou dramaticamente, balançando sua cabeça. “Guardiões…”

Aragorn estava para responder quando teve as suas intenções frustradas por um grande bocejo que lhe escapou dos lábios.

Legolas olhou para o seu amigo e sorriu. “É melhor que você descanse um pouco, Estel,” Disse o elfo, pondo-se de pé. “Eu ficarei com a primeira vigília”.

“Tem certeza? Você já ficou com a última. E a anterior,” Aragorn perguntou, não querendo sobrecarregar o amigo.

"Aye. Não se preocupe. Você sabe que caminhar sob as estrelas e por entre estas árvores é descanso suficiente para mim.”
Aragorn consentiu, aceitando com gratidão a chance de dormir e descansar um pouco. Mesmo depois de viver quase toda a sua vida entre elfos, ele jamais poderia entender como alguém poderia deixar de lado uma boa noite sono. Era um dos grandes prazeres da vida.

Ele ainda tinha os olhos fixos na figura de Legolas que se afastava quando percebeu uma mudança repentina na postura do elfo, que se tornou subitamente tensa, em alerta.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ele ouviu a voz de Legolas num sussurro urgente, confirmando as suas suspeitas.

"Aragorn, nad no ennas." /Aragorn, algo se aproxima/

O humano ficou de pé em uma fração de segundos, ficando ao lado de seu amigo em instante. "Man cenich?" /O que você vê?/

Legolas ficou calado por um momento, seus olhos perscrutando a escuridão, estudando atentamente os seus arredores.

E assim que ele reconheceu a ameaça, a palavra saiu de sua boca como veneno. "Yrch." /orcs/

Aragorn imediatamente levou a mão para sua espada, pronto para desembainhá-la e ficar pronto para a iminente batalha, mas Legolas o deteve, dizendo em um tom baixo, não escondendo a sua preocupação.

"Eles são muitos. Precisamos partir. Não seria sábio enfrenta-los em tamanha desvantagem.”

Ao ouvir tais palavras, Aragorn soube que seria tolice sequer tentar lutar. Para Legolas estar sugerindo que eles não enfrentassem esses inimigos, só poderia significar que certamente estava além de suas possibilidades.

Recolhendo rapidamente os seus poucos pertences, eles começaram a correr o mais rápido que seus pés conseguiam os levar, rumando para a direção oposta àquela de onde os sons vinham.

Eles estavam correndo há apenas alguns momentos, quando Legolas de repente parou, fazendo o humano quase tropeçar por cima dele.

"Por que estamos parando? Nós ainda estamos dentro do alcance deles. Nós temos que…”

Legolas ergueu uma de suas mãos, pedido silêncio, seu rosto uma máscara de concentração.

Quando ele falou de novo, o elfo foi incapaz de esconder a profunda preocupação que permeava a sua voz. “Mais orcs estão vindo dessa direção,” ele disse, virando-se para observar a área, franzindo o cenho. Ele puxou seu arco, rapidamente preparando uma flecha, e finalmente anunciou. “Estamos cercados”

Aragorn ainda estava desembainhando a sua espada quando Legolas começou a atirar flecha após flecha na direção das árvores, cada uma seguida por um grito grotesco, certificando a mira certeira do elfo.

Logo os orcs chegaram e uma batalha desesperada começou. Legolas deixara o seu arco de lado, manejand
o as suas adagas com uma precisão mortal. Aragorn brandia a sua espada, fazendo cair inimigo após inimigo com uma força incansável.

O número de orcs era surpreendente, forçando os dois amigos a lutarem com vigor, indo além dos seus próprios limites, e além do que eles próprios acreditavam serem capazes.

Legolas estava terminando com alguns orcs que o haviam cercado quando, ao olhar pra cima, seus olhos testemunharam o momento exato em que uma flecha afundou-se no peito de Aragorn, levando o homem aos seus joelhos.

Legolas sentiu como se tivesse recebido um soco no estômago. Ele tentou chamar por seu amigo, mas nada saiu de sua boca, tamanho o desespero que se apoderou de sua mente.

Mas esse momento de distração foi a sua desgraça. De repente, ele sentiu uma dor aguda no seu lado, seguida por outra cortando as suas costas.

O que aconteceu depois, o elfo não conseguiu entender exatamente. O que ele pode perceber claramente foi ver-se no chão, sem poder levantar, com uma daquelas bestas de Udûn curvando-se sobre ele. Viu, então, a criatura levantar um grande porrete, e em seguida trazê-lo com velocidade em direção à sua cabeça. Depois disso, mais nada.

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Capítulo II

Aragorn acordou com um susto, levantando-se rapidamente. Ele olhou para o seu peito, apalpando de cima a baixo só para descobrir que não havia nada de errado com ele.
O guardião franziu o cenho, achando isso tudo muito estranho… ele tinha certeza de ter sido atingido por pelo menos duas flechas antes de cair, e ver um orc com um porrete levantado pronto para ferir Legolas e…

“Legolas!”

Ele olhou à sua volta, tentando encontrar o amigo, mas quando a sua mente por fim processou o que seus olhos estavam vendo ao seu redor, ele congelou.

Ele não estava mais em Harlindon. Na realidade, ele não tinha a mínima idéia de que lugar era esse. Não era nada parecido com qualquer coisa ou lugar que ele já tivesse visto antes. O teto era quase tão alto quanto uma montanha, e o piso… este era feito do mais belo artesanato, com desenhos intrincados por toda a sua extensão. O lugar todo parecia resplandecer com uma espécie de poeira brilhante, como se alguém tivesse pegado milhares de estrelas e as espedaçado, espalhando o seu pó por todo o recinto.

Ele ficou parado por um momento, boquiaberto, tentando lembrar-se de que ainda tinha que respirar. Foi então que os seus olhos caíram na figura de Legolas, não distante de onde ele agora estava.

O elfo estava de pé, observando com olhos arregalados um dos pontos distantes daquela espécie de sala onde agora se encontravam e, assim que Aragorn alcançou o seu lado, ele pode ver finalmente o que o arqueiro estivera olhando, e pôde entender a expressão embasbacada, quase que de choque que seu amigo tinha no rosto.

“Legolas? É aquele quem eu acho que seja?” perguntou o humano hesitante, não querendo acreditar nos seus próprios olhos.

Legolas levou ainda um momento até finalmente responder. “Eu espero que não, Aragorn. Pois se for quem nós achamos que é, então nós estamos mortos… literalmente!”

Do outro lado do cômodo, falando com alguns outros que pareciam estar tão perdidos quanto eles mesmos, via-se uma figura incrivelmente alta, apoiada sobre um de seus joelhos a fim de ficar mais próxima dos outros muito menores seres. A sua aparência era austera, porém não desprovida de uma grande beleza. Longos cabelos prateados cobriam-lhe a cabeça, e olhos azuis claros adornavam o seu rosto. Apesar de manter a sua voz em um tom baixo, ela carregava um ar de autoridade que era inconfundível. Este era verdadeiramente um dos Valar.

O Vala levantou-se, permitindo a todos que vissem a sua total estatura, e por um instante Legolas e Aragorn conheceram um momento de medo, mas que logo se esvaiu quando ambos viram no rosto sério, a retidão e a justiça dos Cantores da Criação.

Quando o ser celestial se aproximou, Legolas e Aragorn ajoelharam-se, sem saber ao certo como agir perante um dos Ainur.

“Sejam bem vindos aos meus Palácios, ó viajantes cansados. Me chamo Námo, conhecido por muitos como Mandos, por conta de meus Salões. Vocês estão aqui para serem julgados pelos feitos e ações que realizaram no curso de suas vidas, e então, serem enviados ao seu destino final. Digam-me, agora, os seus nomes.”

“Eu sou Aragorn, filho de Arathorn, meu Senhor”, falou o guardião tentando ao máximo manter a voz sem tremer.

“E eu sou Legolas, filho de Thranduil, excelência,” disse o elfo, tendo a mesma dificuldade que o seu amigo.

“Aragorn e Legolas?”

Em face do inesperado tom áspero de incredulidade e exasperação que eles ouviram vindo do ser sagrado, ambos olharam para cima, a tempo de vê-lo passando uma das mãos por sobre o seu rosto em uma clara demonstração de que ele não estava nem um pouco satisfeito em vê-los ali.

“Vocês poderiam me explicar o que estão fazendo em meus Palácios?”

Eles foram pegos de surpresa pela pergunta. O que ele queria dizer com aquilo? Se eles estavam ali, era por que, provavelmente, os orcs haviam conseguido matá-los, e eles estavam agora, basicamente, mortos! De que outra forma eles poderiam possivelmente ter chegado aqui?

“Sem qualquer intenção de faltar-lhe com o devido respeito, hir hîn,” Legolas disse, soando ambos nervoso e confuso, “mas eu não acho que qualquer um que venha para os seus Salões, o faça por vontade própria.” Ele não estava conseguindo entender por que, logo após as suas – se isso realmente não era um sonho – logo após as suas mortes, eles ainda estariam recebendo uma reprimenda por parte do Vala que deveria ajudá-los a ir para onde quer que eles devessem ir dali.

Mandos deu um profundo suspiro.

“Não era para vocês estarem aqui”, ele disse finalmente, como quem apenas relata um fato óbvio. “Os planos de Ilúvatar para vocês dois vão além desta data.”

Ele novamente fez uma breve pausa, cruzando os braços por sobre o peito, estudando o homem e o elfo agora de pé à sua frente por mais um instante. Então, ele de repente ergueu sua cabeça e disse para aparentemente ninguém, em um tom que traduzia uma ira quase incontida. “Como isso aconteceu e por que eu não fui informado imediatamente?”

Neste momento, um ser – que eles só conseguiriam descrever como uma espécie de espectro de luz – materializou-se perante o Vala, conversando com ele em uma língua estranha e musical que nenhum deles jamais ouvira.

Lentamente, os traços de raiva desapareceram de sua face, permanecendo apenas a mesma indiferença e calma
estóica com as quais ele portara-se desde o início.

“Eu regressarei”, Mandos disse com dureza, e com essas duas palavras, partiu.

Aragorn olhou para Legolas com os olhos maiores que uma lua-cheia. “O que acabou de acontecer aqui?”

“Por que você está perguntando isso de mim? Eu nunca morri antes. Isso é tudo bem novo para mim também”, ele exclamou, ainda um pouco abalado pela conversa que ele acabara de ter com um dos altos seres.

“Isso tem que ser um sonho. É isso. Isso é um sonho ruim, e logo eu vou acordar e você vai estar provavelmente fazendo alguma coisa irritante como você normalmente faz”, Aragorn concluiu, desesperadamente tentando achar algum sentindo em toda aquela bagunça.

“Primeiro, nada do que eu faço é irritante”, eu elfo começou indignado, “e segundo, eu não acho que você esteja sonhando… pois eu nunca dantes ouvi falar de sonhos em grupo. E, caso você não tenha percebido, eu também estou aqui.”

Aragorn olhou ao seu redor mais uma vez, como que para se certificar de que ele realmente estava nos Palácios de Mandos, e mesmo que seus olhos estivessem lhe mostrando isso, ele ainda estava tendo dificuldades em aceitar. “E o que ele estava falando? O que aquilo tudo deve significar? Primeiro ele nos dá as boas vindas… e então nos diz que nós não devíamos estar aqui… que nós não podemos ficar…”

Ele ponderou por um minuto, antes de virar-se para Legolas com os olhos cheios de esperança. “Você acha que ele vai nos mandar de volta?”

Legolas deixou escapar um suspiro… ele não tinha mais certeza de nada naquele momento, e isso era algo que deixava o elfo da floresta muito nervoso. “Eu não sei,” disse ele ao jovem guardião. “Mas eu sei que se eu ficar aqui pensando sobre o que pode e o que não pode acontecer em uma situação sobre a qual eu obviamente não tenho nenhum controle, eu vou acabar enlouquecendo”. E com isso ele começou a se afastar.

“Aonde você está indo?” Aragorn perguntou, seguindo o seu amigo.

“Eu nunca estive em Valinor antes, e já que nós estamos aqui mesmo, podemos explorar um pouco”, o elfo afirmou simplesmente.

“Eu não acho que a gente possa deixar a área dos Palácios…” Aragorn disse, pensativo.

“Você já parou para olhar esses Salões? Eles são gigantescos. Levaria dias para ver tudo o que existe por aqui sem jamais termos que dar um passo fora.”

Aragorn não podia negar a verdade. O lugar era realmente colossal, e incrivelmente belo. E não era como se eles pudessem ir para qualquer outro lugar.

Os dois amigos começaram a caminhar lado a lado, simplesmente admirando a arquitetura à mostra. Logo eles saíram da sala onde haviam acordado, adentrando um longo corredor. Havia quadros enormes adornando as paredes, representando ou belas paisagens, tanto da Terra-média como do que eles supunham ser Valinor, ou o que pareciam ser momentos cruciais na história de Arda. Legolas ficou particularmente atraído por uma pintura que mostrava Menegroth e suas milhares de cavernas, enquanto Aragorn estava hipnotizado por outra que mostrava a coroação de Elros, alto rei de Númenor.

Ao continuarem, eles perceberam que o corredor terminava em uma floresta… em uma imensa e bela floresta que tinha uma montanha solitária em seu meio, toda cercada pelos prédios que faziam parte do complexo arquitetônico que eram os Palácios de Mandos.

“Esse lugar é absolutamente nada do que eu jamais imaginei que fosse.” Legolas disse impressionado, olhando admirado para as mais altas Mallorns que ele já vira.

“Essas árvores… elas brilham como se fossem feitas de ouro,” Aragorn sussurrou, ainda sem ar por conta da incrível vista. “Se Valinor é de fato tão bela como são esses Salões, eu o invejo, meu amigo, quando você decidir atravessar o Belegaer”, ele terminou com um sorriso terno.

O sorriso que Legolas tinha em seu rosto diminui ao ouvir este último comentário. “Agora, eis um problema…,” ele disse, virando-se para encarar Aragorn, “nós já estamos mortos, lembra?”

“Oh… é verdade,” foi a resposta quase inaudível de Aragorn. Por um momento ele havia esquecido da sua nova ‘condição’, e agora, depois do primeiro choque de ver este novo lugar impressionante e de descobrir onde isso era e o que significava, as coisas começaram a se organizar em sua mente. Ele pensou em Arwen, e na vida que eles jamais teriam juntos, e sobre o fato de que a sua morte era o fim da linhagem dos Reis, e da esperança de reunir os reinos dos homens sob uma só bandeira, e isso partiu seu coração. Ele não podia partir agora… não quando ainda havia tanto que ele precisava fazer, tantas batalhas para se travar, tanta esperança para se restaurar.

Legolas pareceu notar o desespero do seu amigo, e colocou uma mão sobre o ombro do humano, apertando levemente. “Não encha a sua mente com pensamentos de desespero, mellon nîn. Mandos ainda não anunciou o nosso destino. Ele ainda pode mudar.”

Aragorn sorriu ao seu amigo, agradecido por ter o elfo ao seu lado, reconfortando-se nas suas palavras.

Tentando tirar os pensamentos do guardião de todo esse assunto, ele sugeriu. “Nós poderíamos pegar esse tempo e ver se a gente consegue ter uma visão melhor desta terra de cima daquela montanha. O que você acha?”
Aragorn olhou para a montanha e, pelo que ele pode perceber, parecia simplesmente impossível de se escalar. As suas laterais eram como que de várias paredes totalmente verticais, sem lugares para que pudessem se sustentar.

“Eu não sei, Legolas. Por alguma razão a idéia de escalar essa montanha não me parece muito apelativa,” ele disse, tentando dissuadir o elfo dessa idéia.

“Aragorn, qual o pior que pode acontecer a esse ponto? Cair? Eu realmente não acho que nós possamos morrer de novo.”

Aragorn se engasgou em uma risada com esse último comentário. Essa situação toda estava ficando cada vez mais surreal.

Mas antes que ele pudesse discutir mais, Mandos apareceu perante eles, ajoelhando-se para ficar mais perto dos dois, e pronto para anunciar os seus destinos.

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Capítulo III

Aragorn sentiu o seu coração acelerar, se é que aquilo era realmente o seu coração batendo. Ele viu quando Legolas ficou sobre um joelho, curvando a cabeça, aguardando o julgamento do Vala, e fez o mesmo.

“Manwë falou, e a sua palavra deverá ser cumprida,” Mandos começou, sua voz profunda e severa, como a de um juiz experiente pronunciando a sentença final de seus réus. “
A vocês foi concedida a graça de retornar à Terra-média, e cumprir o destino que foi traçado pelas mão do próprio Criador.”

Aragorn e Legolas sentiram uma incrível sensação de alegria e exultação enchendo os seus corações, e profunda gratidão a Eru e aos Valar.

Mandos então olhou diretamente dentro dos olhos do humano e do elfo com um olhar mais penetrante que a mais afiada de todas as lâminas, e disse vagarosa e austeramente, como que para se certificar de que ambos entenderiam o verdadeiro significado de cada palavra que estava proferindo. “Entendam isso. Um segunda chance para retornar não é algo dado levianamente pelo Súlimo, e tudo que ele pede a vocês em troca é que a usem com sabedoria. Muito depende de você, Elessar, pois levas em ti a última esperança para o mundo dos homens. E você, Thranduillion, deves auxiliá-lo neste caminho para alcançarem a vitória sobre as forças da escuridão”.

Com isso, Mandos se levandou, estendendo suas mãos sobre eles. “Vão em paz, filhos de Eru. E que a graça de Ilúvatar os proteja.”

 

 

Legolas acordou com o vil odor do campo de batalha agredindo as suas narinas. Abriu os seus olhos vagarosamente, e a primeira coisa que viu foram os corpos de inúmeros orcs espalhados ao seu redor.

De súbito, tudo voltou a sua mente… a viagem com Aragorn, o ataque dos orcs, os dois lutando números infinitos de inimigos, seu amigo caindo atingido por uma flecha, e a dor aguda na sua costa e flanco.
Percebendo que não sentia qualquer tipo de dor, levou suas mãos aos locais onde recebera os ferimento, mas tudo o que encontrou foram as suas vestes rasgadas com longos cortes,  a pele e os músculos abaixo, porém, estavam intactos.

Com a sua cabeça funcionando a mil, ele olhou ao seu redor e viu Aragorn caído de bruços no chão, não muito distante dele, imóvel.

Correndo para o lado de seu amigo, ele o virou cuidadosamente, com a preocupação de não machucar ainda mais o humano já ferido.

Mas, para sua supresa, não havia flechas, ou cortes, ou arranhões… nada. Ele fitou, espantado, os orifícios e os talhos na roupa de seu amigo, constatando que, verdadeiramente, era tudo o que havia.

Aragorn foi despertado pelos movimentos do elfo enquanto este o checava, buscando qualquer indício de ferimentos.

“O que você está fazendo?” Aragorn perguntou, sentando-se e empurrando para longe as mãos do amigo.

“Eu vi você sendo atingido por uma flecha… eu sei que eu vi…” a voz do elfo soou distante, enquanto fitava o seu amigo milagrosamente são. Ele não podia expressar em palavras o alívio que sentia naquele momento, assim como a sua total incompreensão de como isso viera a ocorrer.

Foi então que Aragorn finalmente se lembrou da batalha travada contra os orcs, as suas mãos indo instintivamente para onde lembrava ter sido atingido pelas flechas. Ele olhou ao seu redor para se certificar de que a luta não tinha sido apenas um pesadelo, porém os corpos dos orcs eram a prova suficiente de que ela ocorrera.

“E eu fui…” ele finalmente disse. “Eu não entendo.”

“Eu também não, mellon nîn. Mas agradeço aos Valar por este milagre,” disse o elfo, levantando-se e estendendo a sua mão para ajudar o amigo a pôr-se de pé. “Acho melhor voltarmos. Não sabemos se ainda há mais orcs desse bando espalhados por estas planícies, e eu não quero abusar da boa vontade dos Valar,” ele concluiu com um sorriso.

“Aye,” Aragorn respondeu, ainda muito espantado para conseguir formular uma resposta mais eloqüente.

Os amigos, após empilharem e queimarem os corpos dos orcs, começaram o seu retorno para Valfenda.

“Você acha que alguém vai acreditar se contarmos o que ocorreu hoje?”

Legolas pensou um pouco, sem desviar os olhos do caminho, e respondeu com um sorriso. “Não… não acho que alguém iria acreditar… eu estava lá e ainda não acredito no que aconteceu…”

“É… foi o que eu pensei.”, Aragorn respondeu, rindo-se, já que ele mesmo não entendia o que acontecera.

“Mas uma coisa eu posso afirmar, mellon nîn…” disse o elfo, virando-se para encarar o humano, olhando-o bem nos olhos.

“Sim, Legolas?”

“Da próxima vez que nós formos viajar, eu farei o planejamento.”

FIM