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O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 6

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Sexto Capítulo: O Ferreiro e o Aprendiz. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
 
 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
O FERREIRO E O APRENDIZ. O COMEÇO DOS TEMPOS

Grande era o poder dos Valar, mas também os imortais podem cansar-se dos seus trabalhos. Por isso assim foi: o Rei do Mundo reuniu os Poderes de Arda e disse a eles:

- Tal como o Único criou os Ainur, frutos do pensamento Dele, agora criaremos nos também auxiliares para si, e eles serão parte do pensamento dos Grandes. E como Ainur – ferramentas na mão do Único, cuja vocação é realizar a vontade Dele, assim eles se tornarão ferramentas em nossas mãos, e ser-lhes-á dado o nome – Maiar. E eles serão nossos servos e nossos discípulos, povo dos Valar. E que crie cada um para si Maiar à própria imagem e semelhança. E Eru colocou no meu coração que este feito será do agrado Dele, e Ele dará vida às nossas criações como antes Ele deu a vida aos Ainur.

E foi de acordo com as palavras dele.

“Vocês serão meus discípulos, mas não meus servos, e serão diferentes de mim – pois para quê criar à própria semelhança, o próprio reflexo, a própria sombra? A noite de Ea dar-lhes-á a sabedoria, Arta – a força, e eu lhes darei a alma. Que os seus corações se abram para o Canto dos Mundos, que seus olhos vejam a beleza do Universo. A sua alegria tornar-se-á a minha alegria, e sua dor – a minha dor, meu discípulos: como poderia ser diferente?..”

O Maia mais velho abriu os olhos e, ao ver o rosto daquele que se inclinava sobre ele – belo, sábio e inspirado – sorriu, estendendo as mãos para o Alado, como uma criança. E Vala, sorrindo também, colocou as mãos sobre a fronte e o peito do discípulo. Maia fechou os olhos.

“Parte do meu pensamento, parte da minha força, parte do meu coração – meus discípulos…”

…Uma onda atordoante de ódio alheiro desabou sobre ele, derrubou-o, atirou-o à cratera uivante do vazio veloz, tirando a consciência e as forças. Ele deixou de ver e ouvir, ele perdia a si; ele não lembrava nem do que houve com ele, nem de quanto durou esta tortura. Somente quando isso tudo acabou, o escuro tocou suavemente o rosto febril, e estrelas olharam nos olhos dele…

- …Você sofreu mais do que todos por causa do Inimigo, Grande Ferreiro; que agora as criações do Inimigo tornem-se seus servos, para o golpearmos com as armas dele próprio. Ou talvez, com auxílio destas criaturas, nos poderemos penetrar na mente de Melkor, nas profundezas sombrias dos planos dele, pois essas criaturas são, em essência, parte da mente dele.

- Grande é a sua sabedoria, Manwe, realmente você é o Rei do Mundo, você, o mais poderoso de nos. Que seja assim como você diz.

…As mãos de alguém deitaram sobre os ombros dele. Não aquelas – fortes e carinhosas, apesar de que essas palmas também irradiavam força. Ele abriu os olhos. E o rosto, inclinado sobre ele, era outro…

- Quem é você?

- Eu sou seu criador, senhor e mestre, eu sou Aulë, o Grande Ferreiro, senhor de tudo que é corpo de Arda.

- E onde está – aquele?

- Quem? – o olhar dos olhos escuros de Aulë tornou-se tenso, quase assustado.

- Aquele, de olhos límpidos, alado… Quem era ele?

A voz áspera do Ferreiro arranhava os ouvidos:

- Isso foi uma visão sua. Alucinação. Você imaginou. Esqueça.

O Maia respirou baixinho. “Alucinação… que pena…”

- E eu? Quem eu sou?

- Você é Maia, criação da minha mente. E dar-lhe-ei agora um nome – Aulendil, servo de Aulë. Você se tornará o meu auxiliar nos meus trabalhos e realizará a vontade o Único e dos Poderes de Arda.

…Irmãos – mas quão diferentes um do outro, pelo espírito e pelo corpo… O melhor aluno – Artano, o mais habilidoso – Curumo. Um – zombeteiro, audaz, outro – calado, aplicado e esforçado. Um – mestre, outro – artesão. O mais velho tem os olhos de Melkor, o espírito de Melkor; o mais novo é quieto, bondoso e submisso, dá até tristeza: mandaria para longe do próprio olhar, só que não tem porquê… Mas com Artano, o Ferreiro freqüentemente era severo e pouco afável: temia as perguntas estranhas, quase heréticas, do Maia, para as quais não se atrevia a procurar respostas, as dúvidas dele, a impetuosidade dos pensamentos e decisões… Gerado pelas Chamas, ele próprio também uma chama furiosa e desobediente: Artano Aulendil, Artano Aikanaro… E era apavorante pressentir que algum dia a memória adormecida no fundo dos olhos iguais a duas estrelas luminosas acordará. E então ele partirá – e o castigo do Único o alcançará, tal como alcançou o seu criador…

Um dia, Artano trouxe-lhe um punhal – o primeiro objeto que fez sozinho; e novamente o medo despertou na alma do Ferreiro. Seres flexíveis com olhos de fogo se enlaçavam sobre o cabo, lembrando dolorosamente aquela, alada, que-dança-na-chama. Aulë via a ofensa amarga nos olhos do discípulo: e ele que pensava que o mestre compartilhará a alegria dele, pois é a primeira criação… E ouviu – palavras frias e indiferentes. “Será que você compreenderá – não sou eu que falo, é o meu medo, a minha dor… Você é querido demais para mim, e eu temo por você…” Não compreendeu. Não quis. E a partir daquela hora, era como se uma muralha de isolamento se tivesse se erguido entre eles.

O próprio Aulë há muito se conformou com o destino dele; da vida anterior restou somente a amargura, saudade abafada. Ele tentava não recordar – e, provavelmente, ele até conseguiria fazer isso, se não fosse Artano…

E o Maia ainda não conseguia esquecer aquele, o primeiro que ele viu ao acordar. À toa ele procurava os traços do Alado nos rostos dos Valar; e então um pensamento estranho nasceu na sua alma – pensamento que lhe pareceu insano. Ele expulsava-o, mas o pensamento não ia embora; e um dia ele se atreveu a fazer a pergunta ao Ferreiro:

- Eu ouvi muito sobre o Inimigo, mestre, mas até agora eu não sei quem ele é e que nome leva. Como é a aparência dele? Porque ele é hostil aos Grandes?

O medo piscou nos olhos de Aulë – agora o Maia via isso claramente; as palavras soaram decoradas e artificiais:

- Ele viu, ele, que leva o nome de Melkor – o que se ergue em poder, que Arda está se transformando num maravilhoso jardim, deleite para os nossos olhos, pois as tempestades dela foram domadas. E ele viu também que os Poderes de Arda adquiriram aparências belas e nobres, semelhantes às das Crianças do Único. E a inveja estava no coração dele, e ele também tomou uma forma visível – escura e terrível como o espírito dele, pois a raiva ardia dentro dele. Assim ele entrou em Arda, ultrapassando em força e grandeza os outros Valar; mas a destruição é a força dele, o mal – o poder, e na grandeza dele há somente horror. Ele se assemelhava a uma montanha cujo pico está acima das nuvens, com um manto de gelo e coroa de chamas, e o olhar dele queimava como fogo e era penetrante como frio. No passado, grandes dádivas de poder e de sabedoria foram dadas a ele, mas ele se atreveu a se rebelar contra o Único. Inveja e ódio secaram a alma dele, e agora ele não pode criar mais nada – além de zombarias com as criações dos outros. Por isso, a alegria dele está na destruição, e é por isso que o nome dele não se enumera mais entre os nomes dos Valar.

Artano pensou por muito tempo, e em seguida perguntou novamente:

- Mestre, responda, de onde há nele a raiva e o ódio? Você mesmo dizia que todos os Ainur são criações da mente do Único; e não há nada nos planos deles que não tenha Nele o seu início. Mas isso significa que o mal também fazia parte da mente de Eru…

Aulë ficou boquiaberto.

- …E conte-me, o que é que ele invejou – o mais poderoso entre os Ainur, que tinha parte nos dons de todos os seus irmãos?

O Ferreiro finalmente recuperou a fala:

- Como você se atreve a pensar algo assim! Como você se atreve a insultar o Criador de Tudo o que Existe! Ou você pensou, besta insignificante, servo indigno dos Grandes, que pode compreender toda a profundidade dos planos do Criador do Mundo?!

Maia recuou um passo involuntariamente – tão inesperado foi este acesso. A voz do Ferreiro soava irada, mas os olhos imploravam – cale-se, cale-se…

- Mas, Mestre, eu…

- Saia da minha frente!

O Maia se retirou, sem saber o que pensar; tanto essa ira demonstrativa, quanto o medo oculto eram igualmente incompreensíveis para ele. Ele entendeu: nem todo o pensamento pode ser dito em voz alta, nem toda pergunta pode ser feita – até para o mestre; e nem para todas as perguntas o mestre conhece a resposta.

E quando Artano retornou, Aulë perguntou a ele:

- Você arrependeu-se das suas palavras?

E, novamente, o Maia imaginou notar nos olhos do Ferreiro – a súplica; e cedendo à súbita compaixão, ele respondeu, baixando os olhos:

- Sim, – e adicionou, – senhor.

Senhor. Não mais mestre. “Está tudo certo – o que pode ensinar um covarde?” – com tristeza pensou o Vala, mas falou em voz alta uma outra coisa:

- Você expulsou os pensamentos rebeldes da sua alma?

- Sim, senhor, – sem levantar os olhos respondeu o Maia.

E o Ferreiro acreditou. Era apavorante demais – não acreditar.

- …O você está fazendo, Grande Ferreiro? Para que servirão estes cálices enormes?

- Assim disseram os Valar: que seja expulso do mundo o Escuro, que reine ali a Luz eterna. Por isso nos ergueremos as Lâmpadas no norte e no sul.

- Porque você não chamou nenhum de nos, seus discípulos, para que nos o auxiliássemos em seus trabalhos?

- Vocês ainda não compreenderam o suficiente a profundidade dos planos de Eru. Este é um feito para mim, os seus poderes não bastam.

- Senhor, você disse – Luz… O que é isso?

- Luz destrói o Escuro – o Mal: Luz é a vida, como o Escuro é a morte. Eru nos ordenou destruir o Escuro, para dar vida ao mundo. Como aquele que criou o Escuro foi expulso para lá dos limites de Arda, assim agora expulsaremos também o próprio Escuro, e haverá o dia eterno.

- …Veja quão belas são as Lâmpadas!

- Senhor, diga… Isso que é Luz?

- Sim, e porque você pergunta?

O próprio Artano não sabia porque duvidou das palavras de Aulë, mas não queria falar sobre as suas dúvidas. Ele desviou o olhar:

- Desculpe, senhor… Mas é que eu nunca vi a Luz…

- Sim, isso é a Luz. E agora você verá em toda a grandeza os Planos do Único!

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 5

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Quinto Capítulo: Criações da Solidão. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
 
 

PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
CRIAÇÕES DA SOLIDÃO. O COMEÇO DOS TEMPOS

…Os homens não virão até aqui – até a terra noturna das geleiras eternas, o imortal reinado do frio para onde ele se retirou, atormentado pela dor de Arta. Mundo vivo e jovem, que os Valar domavam, refazendo-o de acordo com a vontade e com os planos de Eru. Simplesmente como uma afiada faca corta o corpo de uma criança. Ele tentou falar, não o ouviam. Ele tentou mostrar-lhes – aqui, vejam, pois mundo existe, ele espera somente o toque das suas mãos, vocês estão despedaçando o vivo… Eles não viram. Ele falava – vocês estão matando a sua música, porque esta música – é a sua música! Eles não entendiam. Ele implorava – a quem – a quem ou a que vocês desejam adular? – vocês sacrificam os seus planos, o mais sagrado do santuário das suas almas?! Eles viraram-se contra ele. A guerra, na qual não havia vencedores. E ele quase não tinha mais forças.

Também os Valar não virão até aqui – às montanhas na fronteira do reino da noite eterna de inverno. Somente a Coroa no céu: sete – fragmentos de gelo, uma – chama clara.

Helgor – Montanhas de Gelo. Helgor – amargo gelo. Helgor, tristeza.

Montanhas, coroadas por torres, como talhadas no gelo da noite eterna. Somente mais tarde este primeiro refúgio do Vala Escuro será chamado de Utumno; agora ninguém sabe sobre ele, e ele vaga, solitário, pelas salas subterrâneas. Novamente – só.

Eles tornaram-se criações da sua solidão – aqueles, a quem os nórdicos mais tarde chamarão de Espíritos do Gelo. Ele deu-lhes o corpo de neblina gélida e asas de tempestade de neve, vestes de chamas de gelo cintilantes e frias estrelas dos olhos, pureza cristalina dos pensamentos e vozes semelhantes ao sussurro dos pedacinhos delicados de gelo e ao tinir dos galhos congelados. De alguma maneira, eles pareciam humanos, mesmo que a aparência e a essência deles fossem outros.

Se os Espíritos do Gelo conhecem o amor, eles deviam amavam o criador deles. Eles raramente apareciam na morada dele – mais freqüentemente ele é que ia até eles, e o estranho mundo cintilante que eles criavam e do qual faziam parte presenteava-o com breves minutos de sossego, e a solidão o atormentava menos.

Eles eram sábios e belos. Mas eles não eram humanos.

O Rei dos Mortos das Montanhas Brancas

O Grande Rei dos Homens Mortos de Dunharrow. O Rei dos Mortos fora uma vez um homem vivo e normal como todos. Ele residia nas Montanhas Brancas e era o senhor de lá. Comandava todos os homens que lá viviam e era muito temido e poderoso em seus domínios.

 

 

(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)

Os homens das montanhas brancas respeitavam e adoravam uma vez Sauron,
mas depois que o reino de Gondor foi fundado em 3320 da segunda era por
sua grandeza e majestade, o Rei das Montanhas Brancas jurou lealdade e
ajuda em guerra para Isildur filho de Elendil contra as forças de
Sauron. E na pedra de Erech, o rei fez votos e juramentos para Isildur
que conduziria a seus homens na batalha de encontro às forças de Sauron
se Isildur um dia precisasse.

Mas quando o Rei das Montanhas Brancas justamente foi chamado, e que Isildur mais precisou de sua ajuda, o rei das montanhas brancas e seus homens simplesmente quebraram seu juramento e recusaram-no ir lutar a auxilio de Isildur por temor a Sauron e medo.

Então, Isildur disse ao rei das montanhas que seria o último rei de seus domínios e amaldiçoou ele e a todos do seu povo nas montanhas brancas para viverem entre os mortos até que cumprissem seu juramento, que nunca descansariam em paz e que vagassem em vão no vazio nas covas das montanhas brancas. Ora o rei e seus homens se esconderam nas montanhas brancas até que o juramento os abatessem.

Sobre o tempo de velhice deles; estes, morreram, mas seus espíritos continuaram a vagar e assombrar as montanhas brancas e o rei das montanhas tornou-se sábio em seus domínios, e ficou chamado como o Rei dos Mortos até o seu fim. Os mortos residiram no subsolo na passagem sob as montanhas brancas, na porta sobre a montanha, na passagem do Dimholt e não permitiam que nenhuma alma viva lá entrasse.

Em 2570 da terceira era, Baldor, filho do Rei Brego de Rohan, escreveu os trajetos dos mortos em pergaminhos por meios desconhecidos. Em 08 Março de 3019, Aragorn, Legolas e Gimli entraram nos trajetos dos mortos. Aragorn foi ao encontro do Rei das Montanhas Brancas considerado agora como Rei dos Mortos e chamou-o a todos os mortos para segui-lo à pedra de Erech e assim cumprir o seu juramento para com o Herdeiro de Isildur e Alto Rei de Gondor. Na meia-noite eles vieram na pedra de Erech, Aragorn perguntou para os mortos porque tinham vindo e os mortos o responderam:

"Viemos cumprir o nosso juramento que em tempos passados não ousamos cumprir, e queremos a paz para sempre."

Aragorn revelou-se então como herdeiro de Isildur e convidou os mortos para lutar contra as forças de Sauron em Minas Tirith a Cidade e Capital de Gondor. Então os mortos seguiram Aragorn até o porto de Pelargir no Anduin, uma viagem de aproximadamente 280 milhas. Lá encontraram a frota dos corsários de Umbar que eram aliados de Sauron e iriam a auxilio do mesmo ao ataque a Minas Tirith. Ao comando de Aragorn, O Rei dos Mortos e seus homens atacaram os navios, e os corsários fugiram de medo e temor a eles. Aragorn usou mais tarde a frota para vir para Minas Tirith e depois conduziu os mortos para a batalha dos Campos de Pelennor.

Er-Mí»razí´r, o Rei dos Bruxos de Angmar

Capitão Negro, Senhor dos Úlairi, Dwimmerlaik, Senhor de Morgul, Lorde Morgul, Senhor dos Nove Cavaleiros, Capitão do Desespero, Chefe dos Espectros do Anel, Bruxo, Feiticeiro Negro.
 

(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)

Origem

O numenoriano Er-Mûrazôr ("Príncipe Negro") foi o mais dotado e poderoso de muitos dos grandes Lordes da Ocidentalidade. Embora apenas um Príncipe, seu poder era maior do quase todos os Reis de Númenor e, no final, viveu mais que qualquer Adan.

O Príncipe Negro nasceu em SE 1820, na cidade portuária de Andunië, na província de Andustar na ilha de Númenor (Andor). Como segundo filho do Rei Tar-Ciryatan ("Construtor de Barcos") e irmão mais novo de Tar-Atanamir, o Grande, sua linhagem vinha do primeiro Rei, Tar-Minyatur. Sua mãe lhe deu o nome de Tindomul ("Filho do Crepúsculo"), pois havia nascido durante um eclipse solar e seu cabelo era o mais negro jamais visto. Aqueles lordes da corte de Tar-Ciryatan que preferiam o uso do Adûnaico (significando desprezo pelos Eldar e a Proibição dos Valar) o chamavam Mûrazôr. Como seu irmão, o orgulhoso e ganancioso herdeiro do trono, o Príncipe Negro apoiava as ambições de seu pai e pregava uma maior exploração da Terra-Média. Tar-Ciryatan desejava grande riqueza e enviara sua enorme esquadra a Endor para arrancar tributo, e seus filhos aproveitaram os benefícios de sua cruel política. Ambos puxaram à queda de seu pai por coisas materiais e poder, o que não é surpreendente, à luz do fato de terem visto seu pai forçar seu avô a abdicar do trono numenoriano. Atanamir, entretanto, tinha os privilégios e atenção destinados ao herdeiro do trono Adan, e Tar-Ciryatan demonstrava por ele um amor orgulhoso, o que nunca fazia em relação a Mûrazôr. A inveja inerente na família cresceu à proporções alarmantes no coração do Príncipe Negro, fomentando o ódio e ambição extrema. Sempre agressivo e feroz, Mûrazôr decidiu deixar sua casa e fundar seu próprio império na vasta Terra-Média.

Ele juntou uma pequena frota e navegou para Endor na Primavera de SE 1880. O Príncipe de sessenta anos aportou em Vinyalondë (Lond Daer) em Eriador, na foz do Gwathló em Enedhwaith. Em poucas semanas participou em um pequeno conflito pelo domínio do porto estratégico. Seus planos de construir um reino nas férteis terras que as hordas de Sauron haviam arrasado na guerra com os Elfos (SE 1693 – 1700) falharam, forçando Mûrazôr e seus seguidores a fugir para sul.

Em SE 1882 os navios do Príncipe Negro ancoraram em Umbar, onde o lorde numenoriano proclamou-se "Rei". Embora tenha tido sucesso em tomar o poder dos colonos locais, ele governou por poucos meses. As pretensões de governo do aventureiro numenoriano encararam uma inevitável e terrível oposição de seu pai, Tar-Ciryatan, que ordenou a seu obstinado filho que voltasse à Ocidentalidade. Mûrazôr recusou-se a seguir a ordem do Rei Adan, mas não ousava permanecer em Umbar em desafio ao édito de Armenelos. O Senhor dos Anéis descobriu o descontentamento do Príncipe e ofereceu-lhe os meios para atingir seus objetivos.

Sauron percebera que Mûrazôr e seu irmão mais velho, Atanamir, procuravam manter sua juventude, e que temiam o envelhecimento mais que qualquer inimigo corpóreo. Atanamir demonstrou seu terror ante a morte ao recusar, mais tarde, a abdicar o Cetro de Númenor até morrer. O Príncipe Negro, por outro lado, exibia seu medo ao falar abertamente de seu ódio pelos elfos imortais, a quem era relacionado (através de Elros Meio-Elfo).

Sempre vigilante e perceptivo, o Senhor Negro procurou corromper Mûrazôr e levar o insatisfeito numenoriano para Mordor. O Príncipe Negro foi para Barad-dûr durante a primeira semana de SE 1883 e virou pupilo do Senhor dos Anéis. Durante os próximos centro e quinze anos, ele aumentou seu conhecimento de encantamentos e magia, tornando-se um feiticeiro muito poderoso. O conhecimento de Mûrazôr das Artes Negras era menor apenas que o de Sauron, e ele logo se transformou no mais confiável tenente do Maligno. Com suas lições aprendidas, ele submeteu seu espírito a seu Mestre, que deu-lhe um Anel de Poder em SE 1998. O primeiro dos nove nazgûl, Mûrazôr passou a ser conhecido como o Rei dos Bruxos.

O Espectro

Pelo resto da Segunda Era, o Rei dos Bruxos permaneceu em Mordor e serviu a Sauron coordenando o trabalho dos outros úlairi. Estes anos compreenderam o período de sua completa transformação no terrível espectro que possuía um excepcional controle da feitiçaria. Seu papel como Senhor dos Nazgûl testemunha sua habilidade impressionante.

Ironicamente Mûrazôr foi o único Espectro do Anel que não governara um reino próprio por um tempo considerável antes de aceitar um Anel de Poder; entretanto suas origens como um Príncipe dos Edain de Númenor lhe davam habilidades inerentes que suplantavam em muito a de seus pares mortos-vivos. O Senhor dos Anéis dera ao Capitão Negro todos os adornos de um Rei, pois, tirando o próprio Sauron, o Bruxo era o mais poderoso servo da Escuridão na hierarquia de Mordor. Ninguém, nem mesmo Gothmog, o Senhor-da-guerra Meio-Troll (e mais tarde Tenente de Morgul), ou o Boca de Sauron, tinham tanta confiança do Maligno.

A relação deles cresceu na última parte da Segunda Era, enquanto professor e aluno procuravam construir um reino inacessível e estabelecer domínio sobre os Homens. Infelizmente para os mestres de Mordor, a corrupção da Ocidentalidade que haviam planejado por tanto tempo produzira uma política de imperialismo. Os objetivos dos Reis de Númenor se tornaram uma cópia, em parte, dos do Senhor das Trevas. Os dois poderes procuravam unir os Secundogênitos sob um monarca absoluto. Inevitavelmente, esta rivalidade entre Sauron e os compatriotas numenorianos do Rei dos Bruxos desencadeou a guerra. Ar-Pharazôn, o mais forte dos últimos Reis de Númenor, liderou uma armada a Endor em SE 3261, para destruir as forças de Mordor e estabelecer a hegemonia sobre a Terra-Média. Desembarcando em Umbar, ele marchou para norte através de Harad (então disputado por Númenor e a vassala nazgûl de Mordor, Adûnaphel) e encontrou a Hoste de Mordor perto do rio Harnen no início de SE 3262. O exército do Rei Adan pareceu muito forte para o Maligno enfrentar, e então Sauron se rendeu, indo para Andor como prisioneiro de Ar-Pharazôn. A captura do Senhor Negro deixou o Rei dos Bruxos no controle do Reino da Sombra, mas a onipresença dos Edain forçou os Espectros do Anel e outros servos de Sauron a se esconder. Isto impediu o Senhor dos Nazgûl de participar de batalhas importantes na ausência de seu Mestre.

Embora o Capitão Negro e os outros úlairi tenham desafiado os avanços numenorianos em certas regiões da Terra-Média, o Rei dos Bruxos operou em silêncio até o retorno de Sauron após a Queda de Númenor em SE 3319. A reaparição do Senhor dos Anéis em Mordor em SE 3320 despertou as guerras de conquista contra os Povos Livres de Endor e trouxe os Espectros do Anel de seus esconderijos. Pelos próximos cento e nove anos, as forças da Sombra se reagruparam, cresceram, e se mobilizaram sob a liderança do Chefe dos Nazgûl. Então, em SE 3429, o Rei dos Bruxos liderou um exército para dentro de Ithilien e atacou Gondor, o recém-fundado Reino do Sul (que era, como Arnor no Norte, um dos Reinos no Exílio). Rei Anárion de Gondor (co-regente com seu irmão Isildur) defendeu com sucesso a margem ocidental do Anduin, entretanto, golpeando fortemente o plano do Capitão Negro de subjugar o Reino do Sul antes da chegada de qualquer força auxiliar dúnadan de Arnor. O impasse durou cinco anos, até que o Rei dos Bruxos foi obrigado a se retirar para Morannon, confrontado por um exército do Norte comandado por Gil-Galad e Elendil, o Alto. Apoiado pelo principal exército de Sauron, o Rei dos Bruxos combateu seus perseguidores nos campos de Dagorlad, na frente dos portões de Mordor. Lá a Última Aliança de Elfos e Homens arrasou os guerreiros do Senhor dos Nazgûl e quebrou a defesa da Terra Negra. Os vitoriosos perseguiram o restante das forças de Sauron até Barad-dûr, e então sitiaram a Torre-Negra por sete anos. Anárion morreu atingido por uma pedra atirada das ameias em SE 3440, mas sua morte foi vingada no ano seguinte. A Última Aliança finalmente entrou no domínio do Senhor dos Anéis em SE 3441, encerrando a guerra e a Segunda Era. Sauron matou Gil-Galad e Elendil, mas Rei Isildur atingiu o Maligno e cortou o Um Anel de sua mão. Assim, o Senhor das Trevas e seus nove espectros passaram para as Sombras.

Terceira Era


Os Reinos no Exílio prosperaram muito no início da Terceira Era, pois apenas em TE 1000 Sauron apareceu novamente em Arda. Gondor conquistara um grande reino, enquanto Arnor estabelecera um domínio sobre a maior parte de Eriador. A despeito das constantes guerras com Harad e da divisão do Reino do Norte em TE 861, os dúnedain tinham um poder enorme. Enquanto Gondor chegava ao apogeu de sua força em TE 1050, entretanto, os nazgûl retornavam das Sombras e começavam a reconstruir sua força na Terra-Média. Seu Senhor, o Rei dos Bruxos, foi para Dol Guldur em Rhovanion, onde Sauron se escondia sob o disfarce de Necromante. O Capitão Negro permaneceu na fortaleza do Senhor das Trevas pelos próximos dois séculos e meio.

De seu refúgio secreto, ele planejou a destruição do mais fraco dos Reinos Dúnadan. O Rei dos Bruxos percebeu que deveria ter cuidado, sabendo que a perda do Um Anel no fim da Segunda Era enfraquecera as forças da Escuridão. Por volta de TE 1300, o plano metódico para esmagar Arnor se completou, e o Senhor dos Espectros do Anel foi para o platô que se ergue entre os dois esporões setentrionais das Montanhas Nebulosas (Hithaeglir). Este planalto frio supervisionava os ermos ao longo da fronteira norte do reino que o Capitão Negro planejava destruir. Lá fundou seu próprio reino: Angmar ("Lar de Ferro"), a terra do Rei dos Bruxos.

O Senhor dos Nazgûl governou seu novo domínio da cidadela montanhosa de Carn Dûm ("Forte Vermelho"), uma gigantesca caverna-fortaleza construída no último pico do norte das Hithaeglir. Nunca revelando sua verdadeira identidade, ele reuniu duas hostes: um exército composto de mais de trinta tribos orcs comandada pelo senhor-da-guerra Olog, Rogrog; e os Angmarim, uma força de mais de dez mil homens tirados dos súditos do Senhor das Trevas em Eriador, Rhovanion e Rhûn. Estes guerreiros se espalharam em fortalezas ao longo dos limites norte da Charneca Etten e de Oiolad ("Planície Fria"). Fortes como Morkai e Monte Gram ameaçavam toda a fronteira superior do Reino do Norte, mas se concentraram inicialmente na esparsamente habitada fronteira nordeste – acima do relativamente vulnerável e rústico reino de Rhudaur ("Floresta Oriental"). A divisão de Arnor em TE 861 deixara três estados sucessores ostensivamente aliados: Arthedain no noroeste, Cardolan no sul, e Rhudaur no nordeste. Arthedain e Rhudaur ficavam próximos a Angmar, mas o último era muito mais fraco. Arthedain tinha uma grande proporção de residentes dúnedain e possuía a capital de Arnor e a maioria dos castelos do reino perdido. Rhudaur, por outro lado, tinha poucos dúnedain, e a maior parte de sua descontente população vivia nas acidentadas colinas. Era um alvo natural para os exércitos do Rei dos Bruxos, e nas primeiras cinco décadas da fundação de Angmar, as hordas do Feiticeiro Negro arrasaram a Floresta Oriental e escravizaram a população sobrevivente sob a Sombra. Rhudaur deixou de existir como uma nação independente e livre por volta do século catorze.

A conquista de Cardolan ("Terra das Colinas Vermelhas") era o próximo alvo do Rei dos Bruxos. Embora muito mais forte que Rhudaur, não tinha os recursos militares e as defesas naturais de Arthedain. Sua capital e cidade principal, Tharbad, ficava nas planícies do rio Gwathló e muito de sua fronteira com Rhudaur era composta de uma sebe pouco defendida. O valor estratégico de Cardolan também convidava ao ataque, pois Tharbad ficava no meio da estrada entre Arnor e Gondor, e a captura desta artéria vital significava o isolamento de Arthedain. E o Rei dos Bruxos poderia virtualmente cercar o centro de Arthedain com a tomada de seu vizinho do sul. Estes fatores levaram a um subseqüente ataque a Cardolan. Rhudaur declarou guerra à Terra das Colinas Vermelhas pouco antes de TE 1350, e combates aconteceram ao longo do Mitheithel e próximo a Amon Sûl (Topo do Vento) pelos próximos cinqüenta e nove anos. Com a ajuda do exército Arthadan, os Príncipes Dúnedain de Cardolan venceram seus antigos aliados, e o Rei de Angmar foi obrigado a usar suas próprias tropas. Após garantir rotas de abastecimento através de Rhudaur, o Rei dos Bruxos ordenou suas forças para entrarem na guerra e atacar diretamente o dique e sebe que guardavam as fronteiras nordeste de Cardolan. Os Angmarim cruzaram as Terras Ermas e entraram nas defesas dúnadan ao sul do Topo do Vento. Cercando a grande cidadela Arnoriana que guardava uma das três Palantíri do Norte, as hostes de Angmar cortaram as forças defensoras ao meio e forçaram o Príncipe e seus seguidores para as Colinas dos Túmulos (Tyrn Gorthad) e para as bordas da Floresta Velha. O último governante de Cardolan morria enquanto Tharbad era tomada. O exército principal de Arthedain sobrevivera por pouco à batalha no Topo do Vento. Retirando-se para as colinas ao redor, com a Pedra da Visão, abandonaram a torre em Amon Sûl e marcharam de volta a Fornost.

Os Angmarim arrasaram a cidadela após ter massacrado os poucos defensores restantes – bravos soldados que lutavam para cobrir a retirada de seus companheiros. A Torre de Amon Sûl foi incendiada e completamente destruída.

Mais uma vez o Senhor dos Nazgûl prevalecera. Cardolan passara para seu domínio. Arthedain sobreviveu por quinhentos e sessenta e seis anos após o colapso de sua nação-irmã. Enfrentando forças muito maiores, os dúnedain do último reino sucessor de Arnor rechaçaram vários ataques às fronteiras leste e norte. Muito do povo combalido de Arthedain fugiu e se concentrou em Fornost ou próximo aos fortes do reino, permitindo que os Edain do Norte reagissem aos ataques. (Este êxodo deflagrou a migração dos Hobbits para o Condado de Arthedain em TE 1600-40.) A natureza também interveio, pois o crescimento das forças de Angmar em Cardolan antes de TE 1636 foi interrompido pela Grande Praga. A pestilência que chegou durante o inverno de 1636-1637 devastou os últimos dúnedain habitantes de Cardolan, mas também o exército meridional do Rei dos Bruxos. Rhudaur e Angmar também sofreram – muito mais que os dúnedain – forçando o Senhor dos Nazgûl a reconstruir suas forças destruídas. Foi nesta mesma época que as Criaturas Tumulares (espíritos malignos de Rhudaur e Angmar) foram enviadas pelo Rei dos Bruxos para os túmulos abandonados de Tyrn Gorthad para ali morar.

“Em 1974, o poder de Angmar cresceu de novo, e o Rei dos Bruxos desceu até Arthedain antes do final do inverno. Ele dominou Fornost, e expulsou a maioria dos dúnedain restantes sobre o Lûn; entre estes estavam os filhos do rei. Mas o rei Arvedui de Arthedain resistiu nas Colinas do Norte o máximo possível, e depois fugiu para o norte com com alguns membros de sua guarda; escaparam devido à rapidez de seus cavalos.

Por um tempo Arvedui se escondeu nos túneis das antigas minas dos anões, próximas ao extremo oposto das montanhas, mas por fim foi levado pela fome a procurar o auxílio dos lossoth, os Homens das Neves de Forochel. Alguns destes ele encontrou acampados na praia; mas eles não se dispuseram a ajudar o rei, pois ele não tinha nada para oferecer, exceto algumas jóias às quais os Homens das Neves não davam valor; e os lossoth tinham medo do Rei dos Bruxos, que (segundo eles) podia produzir gelo ou desmanchá-lo conforme bem quisesse. Mas em parte por pena do rei esquálido, e em parte por temerem suas armas, ofereceram-lhe um pouco de comida, e construíram abrigos de neve. Ali Arvedui foi forçado a aguardar, na esperança de alguma ajuda que viesse do sul, pois seus cavalos tinham perecido.” (SdA, p. 1103-4)

Por semanas Arvedui viveu na neve, até que um navio mandado por Círdan o resgatasse. Porém, antes de Arvedui embarcar, o chefe dos lossoth alertou: – Não monte no monstro do mar! Os homens do mar poderão nos trazer comida e outras coisas de que necessitamos, e você pode permanecer aqui até que o Rei dos Bruxos vá para casa. Pois no verão o poder dele míngua, mas agora seu hálito é mortal, e seu braço frio é comprido. – Mas Arvedui não seguiu o conselho, que, por acaso ou devido a algum poder de previsão, tinha valor. A embarcação mal havia alcançado o alto-mar quando foi engolfada por uma tempestade de vento e neve, e, arrastada de volta na direção do gelo, naufragou. Assim – em 1975 – pereceu Arvedui, o Último Rei de Arthedain, e com ele as Pedras da Visão foram sepultadas no mar. Com isso o Reino do Norte terminou, e o Rei dos Bruxos venceu uma grande batalha.

The Ring of Darkness – uma Resenha

“The Ring of Darkness” (“Кольцо Тьмы” na língua do original, “O Anel da Escuridão” em português) é uma série de livros do escritor russo Nik Perumov. Foi escrita no final dos anos 80 e publicada na sua versão final em 1995. A série é composta por três livros: “A Faca Élfica”, “A Lança Negra” e “O Diamante de Henna”. Segundo o autor, há planos para escrever um quarto livro.
 
 
A trilogia é uma continuação de “O Senhor dos Anéis”, falando sobre acontecimentos da Quarta Era. Conta a história de um hobbit chamado Folko que, 300 anos depois do fim da guerra dos Anéis, embarca numa viagem juntamente com alguns gnomos, viagem essa que acaba por se transformar numa perigosa jornada para salvar a Terra-Média.

the_ring_of_darkness.jpgAs avaliações dos leitores e dos críticos variam bastante, desde adoração até a não-aceitação. Entre as qualidades do livro, aponta-se principalmente a parte literária. Já o maior defeito, segundo a maioria absoluta dos fãs, é a ambientação (novos povos, territórios e forças) e a concepção moral e ética. Por outro lado, é notável uma certa semelhança do início do “Anel da Escuridão” com “A Nova Sombra” de Tolkien, planejada como uma continuação de “O Senhor dos Anéis”.

Os países do Oeste na Trilogia, mesmo sendo chamados bons, são apresentados como prepotentes e orgulhosos, ignorando os perigos crescentes nas fronteiras. Ao mesmo tempo, os antagonistas – o guerreiro Olmer e os seus aliados – não são descritos como forças do Mal, mas como pessoas comuns. Os aliados do Líder, diferentemente das hostes de Sauron, não estão totalmente desprovidos de traços positivos. Os Orcs também são mais humanos e simpáticos do que os do original. Perumov assume que, dessa forma, que tentou discutir a posição de Tolkien, que descreveu uma luta entre o Bem e o Mal absolutos.

Para os interessados em conhecer o site do autor, visitem:
http://www.perumov.com/eng/index.shtml (Inglês)
http://www.perumov.com/ (Russo)

Minha opinião sobre o livro:
“Eu gosto. É razoavelmente bem escrito e bastante interessante. Empolga, mesmo eu que não gosto muito de fireballs pipocando na tela e hobbits-guerreiros-temidos. Gostaria mais ainda do livro se não tivesse esquecido, por volta da quinta páginas, que ele se passa na Terra-Média. E, apesar da insistência do autor em me lembrar disso, nunca consegui de fato acreditar que aquilo é mesmo a Terra-Média”.

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 4

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Terceiro Capítulo: O Coração do Mundo. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.

 

 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
SOBRE AULË E YAVANNA. O COMEÇO DOS TEMPOS

- Ouça, será que você nunca teve vontade de criar algo seu, totalmente novo?

As pupilas de Yavanna dilataram-se:

- Para quê? Como pode ser possível criar algo mais belo do que o pensado pelo Único? E não é a felicidade suprema – realizar a vontade Dele, personificar os planos Dele?

- Mas não é interessante criar um animal alado ou uma criatura que poderá viver e na água, e na terra?

- Para quê? Pois isso significa – desobedecer ao Plano da Criação.

- Mas nos também fomos criados pelo Ilúvatar; e significa que não podemos criar nada contrário a vontade dele.

Yavanna falava em tom de sermão, como se explicasse algo a um Maia-aprendiz incapaz de compreender:

- Os animais devem viver na terra, ser quadrúpedes e cobertos por pêlos. No ar, vivem os pássaros, na água – os peixes, cobertos por escamas. Assim foi o Plano. Poderia isso ser de outra maneira?

- Claro! Vamos, eu lhe mostrarei!

“Isso não é bonito?” – perguntava Melkor. Yavanna acenava com a cabeça sem muita certeza, mas a sua fronte ficava cada vez mais sombria e, finalmente, franzindo a testa, ela disse:

- Isso não deve existir. Nos podemos somente realizar a vontade do Único; mas algo assim a contradiz. Nos somos uma ferramenta nas mãos Dele, e nenhum de nos pode compreender toda a profundidade dos planos Dele.

- Veja, é você mesma que fala… pode ser que essa parte da Visão não é conhecida por você.

- Não. Todos os kelar e olvar deverão ser minhas criações. A ninguém de nos foi dado intrometer-se naquilo que os outros fazem. Você, digamos: foi dado a você o poder sobre o fogo e o gelo. Você não deve criar o vivo. Fazendo isso, você desobedece à vontade do Único. Caia em si, – disse Yavanna suavemente. – Compreenda, aquilo que você faz é um pecado. Desista. Não há nada acima da vontade do Único.

- … Veja.

Aulë encolheu os ombros:

- São pedras ordinárias, nada de especial…

- Ouça atentamente, – Melkor sorriu.

Depois de um breve silêncio Aulë perguntou, surpreso:

- O que é isso? Canto… ou música… não entendo. De onde?

- Este é o Canto da Rocha. Você gosta?

O Ferreiro olhou para o Alado de forma um tanto estranha:

- Tal coisa não estava no Plano de Eru.

- Agora estará. Você não quer mesmo que seja assim? Isso não é bonito?

Algo incompreensível acontecia com o rosto de Aulë. Estava rígido como uma máscara, mas de tempos em tempos contorcia-se levemente, e a voz estava rouca quando ele disse:

- Ninguém se atreve a mudar o Plano da Criação!

- Mas você sabe que nos mesmos criávamos a Música…

- Não! Ela foi gerada pelo pensamento do Único, e ninguém poderá mudá-la contra a vontade Dele!

- Veja o que você mesmo diz. Pois Eru queria que este mundo se tornasse belo – e não foi nos dado embelezá-lo de acordo com os nossos pensamentos? E o que há de mau nisso, se nos…

- Cale-se! – gritou Aulë com desespero. – Será que você ainda não entendeu: tudo deve ser de acordo com a vontade do Único, e não como desejamos nos!..

Ele parou.

- O que? – perguntou Melkor, abalado. – O que você disse?

Aulë olhou-o apavorado.

- Nada… – a voz dele tremia. Ele inspirou convulsivamente e adicionou, nítido e rispidamente:

- Nada. Eu. Não. Falei. Você ouviu mal.

- Repita!

- Não tenho o que repetir!

- Não tenha medo. Eu entendo. Eu o ajudarei, prometo.

Melkor quis pegar a mão de Aulë, mas aquele se afastou rapidamente, protegendo-se com o braço como de um golpe:

- O que você entende?

- Sim, Eru ainda tem forças para castigar aqueles que não o obedecem. Eu sei o que é isso. Vença o medo. Eu te ajudarei. Acredite, todos juntos nos somos mais fortes do que ele. Nos somos livres. E ele verá isso. Ele vai entender – deve entender. Não tenha medo. Acredite em si mesmo. – Melkor falava suavemente, mas nos olhos escuros de Aulë havia somente horror e desespero.

- Vá embora, – respirou ele, por fim.

- Venha comigo. Então Eru não poderá atrapalha-lo.

O rosto de Aulë alterou-se dolorosamente:

- Vá embora, – pronunciou ele, rouco. – Eu peço. Eu ainda virei, virei, mas vá embora agora.

Melkor meneou a cabeça:

- Você nunca virá. E quando nos encontrarmos-nos novamente…

Ele voltou-se para o outro lado e repetiu surdamente:

- Quando nos encontrarmos-nos novamente…

- Vá embora! – gritou Aulë.

Agora ele sentava no chão, apertando a cabeça com as mãos, balançando de um lado para o outro. Depois se ergueu, e Melkor viu seus olhos vazios. A voz do Ferreiro era monótona e sem vida:

- Aquilo que contradiz os Planos do Único, não deve existir.

Ele ergueu o braço.

- Pare! Se você fizer isso, você nunca mais ouvirá a voz de Arta… Ouça-me, eu imploro!

“Não dá para fazer nada pela força, impossível… O abuso do poder gera o mal. Ele deve entender!..”

- Não precisa ter medo, está ouvindo? Acredite-me, ninguém pode nos proibir de criar. Mas se você começar a destruir, justificando isso com o “assim mandou Eru”, a fronteira entre o bem e o mal deixara de existir para você. Sobrará somente a vontade de Eru, e você realmente se transformará numa ferramenta cega na mão Dele… E você deixará de ser um Criador! – expirou Melkor furiosamente.

- Cale-se… eu não devo escutá-lo! Vá embora! Está me ouvindo, vá embora!

…O fogo irrompeu das rachaduras da terra, e em alguns minutos no lugar do vale havia somente uma lagoa de chamas – como uma ferida inflamada. E pareceu a Aulë – ele ouviu ou um suspiro, ou um gemido da própria terra.

E depois veio o silêncio ensurdecedor.

E o Ferreiro escondeu o rosto nas mãos, sem forças para suportar o olhar de Melkor, porque nos olhos do Alado não havia nada, alem de dor e compaixão.

… E mesmo assim, ele existe em algum lugar – o vale da Rocha Cantante. Os homens do Oriente contam sobre ele, e havia Elfos que o viram e ouviram o Canto da Rocha. Se bem que, as lendas dos Elfos não falam sobre isso. Mas o eco da memória vive no nome do reino élfico de Gondolin – Terra das Rochas Cantantes…

…Mas mesmo assim, Melkor mais uma vez foi até os Valar. Até a Valië Yavanna. Ela encontrou-o receosa.

- Ouça-me, – pediu Melkor. – Vocês querem criar um mundo que desconhece a morte?

- Sim. Pela vontade do Único, esse mundo será um jardim em flor, e belos animais vão vagar sob as cúpulas das arvores… – sorriu Kementári, sonhadora.

- Vamos supor. Os animais, sem conhecer a morte, vão proliferar e se multiplicar, e muito em breve, acredite, os alimentos deixarão de ser suficientes. E então?

Yavanna respirou fundo:

- Para isso existe o Grande Caçador Oromë…

- Certo. Caça é a alegria e diversão para ele, ele não conhece o cansaço… Mas mesmo assim – é improvável que ele poderá dar um jeito em todos os animais. E depois – ali, está vendo dois veados? Como você acha, o qual deles Oromë vai matar?

- Não sei.

- Eu te responderei. Aquele que é mais forte e mais rápido: que alegria há em perseguir um animal fraco e doente? O fraco deixará descendentes; sobreviverão – os mais fracos dos fracos, e isso é degeneração.

- Sim… – pronunciou Yavanna, confusa.

- E se tentar de um outro jeito?

- Como seria?

A criatura que saiu de traz das arvores por um sinal pouco notável de Melkor movia-se suavemente e silenciosamente, flutuava sobre o solo; somente os músculos rolavam sob o pelo macio, cinza prateado com manchas escuras de mármore. Olhos verdes pareciam luzir com luz própria: leopardo das neves.

- Bonito?

- Sim… Que maravilha… – suspirou maravilhada a Valië.

Melkor sorriu ironicamente:

- Só que não é de graminha que ele se alimenta. Ele necessita de carne para sobreviver. Olha, que caninos!

- Que horror, – Yavanna recuou.

- Não mais do que as diversões de Oromë. Só que este não vai matar por diversão. Somente o necessário para ele mesmo sobreviver. E em primeiro lugar – os fracos e os doentes. Sobreviverá aquele, cujas pernas são mais fortes, cuja respiração é melhor, cujo coração bate com mais ritmo – para fugir da perseguição. Sobreviverá aquele que tem uma visão mais aguçada, e o ouvido mais apurado – ele perceberá o inimigo a tempo. Sobreviverá aquele que tem chifres mais afiados, os cascos mais duros – ele poderá defender-se. E o predador que não conseguir chegar perto da presa despercebido ou alcançá-la, não poderá existir. Equilíbrio.

- Mas… Isso é cruel!

- Falo novamente: não mais que as diversões de Oromë.

- E você quer que esses vivam em todos os lugares?

- Não. Esses – nas montanhas; nas florestas e nas planícies – totalmente diferentes.

- Você… Você é cruel! Sim, sim, cruel! Você quer trazer a morte ao mundo!

- A morte e a vida são os dois lados da existência. Morte chegará ao mundo ela mesma. Alias, já chegou. E não há nisso nem minha culpa, nem meu mérito. Será que você não vê?

Yavanna ergueu-se bruscamente:

- Cale-se. Vá embora daqui. Eu não quero ouvi-lo.

Melkor também se levantou:

- Eu peço, pense. Ouça…

- Eu lamento ter lhe dado permissão para falar. Vá embora! É certo o que falam de você: você é o inimigo, o impiedoso mal cego!

- Você mesma verá que eu falei a verdade, – respondeu Melkor surdamente.

- Eu não quero ver nada! Vá embora! Vá, está ouvindo?!

Khamûl

Nos textos de J. R. R. Tolkien Khamûl é o único Nazgûl cujo nome é revelado. É dito ser o segundo em poder, atrás apenas do Rei-Bruxo.
 
 
(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)
 
Khamûl, o Easterling (Komûl; Sombra do Leste; o Easterling Negro; Komûl I, Hionvor de Wom Shryac; Mûl Komûl; o Senhor dos Dragões; o Segundo)
 
Nascido em Laeg Goak, no extremo leste de Endor em SE 1744, Komûl era o filho mais velho de Mûl Tanûl, o Grande Senhor ("Hionvor") dos Womaw. Sua mãe, Klea-shay, era popular, apesar de sua linhagem Shay, mas morreu quando o jovem herdeiro tinha apenas sete anos; a consorte Élfica de Tanûl, Dardarian, criou Komûl e serviu como sua principal conselheira até que este assumiu o trono de Womawas Drus em SE 1844. O relacionamento de Komûl com a manipuladora Dardarian corrompeu seus ideais e levou à sua incessante busca por imortalidade.

Como Hionvor e Mûl ("Rei") do reino Womaw, Komûl I presidia sobre o mais poderoso reino no leste da Terra-Média. Seu povo descendia da Primeira Tribo de Cuiviénen ("Águas do Despertar"), a mesma linhagem que produziu os Edáin de Endor ocidental. Sangue élfico corria nas veias dos Hiona ("Senhores", sing. Hion) Womaw, e a maestria destes sobre Homens se devia em parte à sua longevidade. Muito influenciado pelos Avari, os Womaw do tempo de Khamûl praticavam magia da Floresta e da Palavra e desfrutavam dos benefícios de uma tradição cultural rica e prática. Sua sofisticação política e militar os permitira dominar as costas leste da Terra-Média por milhares de anos. Esta hegemonia resistiu seu maior teste no meio da Segunda Era, mas Komûl I perdeu-se no conflito.

Os distantes primos Númenóreanos dos Womaw eram o único grupo de Homens que poderia desafiar a supremacia de Womawas Drus, e no início de SE 900, os Dúnedain estabeleceram embaixadas comerciais nas terras controladas pelos Womaw. Durante os próximos 650 anos, os Númenóreanos conseguiram apoio de muitos dos vizinhos meridionais dos Womaw e construíram colônias fortificadas nas ilhas do sudeste da Terra-Média. Os Homens da Ocidentalidade forçaram concessões dos Womaw e ameaçaram a estabilidade do reino oriental. Por volta do ano 150 do reinado militarista e tempestuoso de Komûl I (SE 1994), Womawas Drus parecia ter aceitado a dominação externa e muitos dos Hiona Womaw renunciaram sua aliança com o Grande Senhor. Orgulhoso e desesperado, Komûl procurou ajuda com sua antiga aliada Dardarian.

Dardarian encontrou Komûl na Ilha do Nascente, o ponto mais oriental da Terra-Média. Lá, a Rainha Élfica seduziu seu filho adotivo, usando sua grande beleza, charme e, mais importante, uma oferta de imortalidade. Komûl concordou com a aliança entre Womaw e o reino Avar de Dardarian em Helkanen. A união levou à concessões Númenórianas (sob o Primeiro Acordo) no ano seguinte, abrindo mão de qualquer conquista e restringindo os interesses Dúnadan a centros comerciais, e não a pontos estratégicos.

Infelizmente para os Womaw, o pacto de Dardarian levou à queda de seu Hionvor. Sem que Komûl I soubesse, Dardarian servia a Sauron de Mordor. Em SE 1996, apenas um ano após o Primeiro Acordo, Komûl aceitou o instrumento que lhe conferiria o presente prometido por sua amante. Tomando um dos Nove Anéis dos Homens, Komûl se tornou o escravo imortal do Senhor dos Anéis. Seu reinado sobre Womawas Drus terminara abruptamente.

Komûl I desapareceu de Laeg Goak na primavera de SE 1997, após quase sete meses de virtual isolamento de seu povo e sua corte. Estes sete meses foram marcados por intrigas no palácio e uma sangrenta transição para uma nova ordem. Mais de três dúzias dos conselheiros do Hionvor foram eliminados na matança que quase arruinou o reino. Os Hiona começaram a preparar uma revolta, e Komûl partiu, abdicando em nome da facção apoiada pelos Númenóreanos liderada por seu primo Aon. Quase ninguém percebeu a natureza crítica da abdicação do Rei, mas o destronamento de Komûl I provavelmente salvou Womaw da Sombra. O monarca deposto pouco mais pôde fazer que jurar vingança, uma maldição que ele colocaria em prática mais de um milênio depois.
Khamûl, o Espectro do Anel

Komûl apareceu em Barad-dûr, em Mordor, por volta de SE 2000. Ele passou a ser conhecido a partir daí como Khamûl, de acordo com a pronúncia na Língua Negra de seu nome. Enquanto na Torre Negra, serviu Sauron como Mestre da Casa, e suas responsabilidades incluíam a administração da cidadela até 3350, quando Ûrzahil de Umbar tornou-se o Boca de Sauron e Tenente da Torre.

Khamûl fugiu de Mordor quando Sauron foi capturado em SE 3262. Recolhendo-se ao Leste, ele primeiro foi para Nûrad e, após uma breve estada, ele prosseguiu para as terras Shay do povo de sua mãe. Ele ficou entre os Shay até SE 3319, criando uma rede de servos, cuja ambição causou a separação das Cinco Tribos. Esta corrupção continuou após Khamûl ter voltado à Terra Negra, e por volta de SE 3400, o agente de Khamûl, Monarlan, trouxe três das tribos para a Sombra.

O Easterling permaneceu em Mordor durante a Guerra da Última Aliança (SE 3429 – 3441), liderando a campanha de Ithilien que abriu o conflito. Durante os primeiros quatro anos e meio, ele viveu em Lug Ghûrzun ("Torre da Terra Negra") em Nûrn ("Ghûrzun") oriental; mas em SE 3434 o exército da Última Aliança de Elfos e Homens forçou passagem por Ûdun, e Khamûl voltou para o lado de seu Mestre. O Espectro do Anel esgueirou-se para dentro de Barad-dûr na noite em que se iniciou o cerco.

Quando a Torre Negra caiu em SE 3441, o Nazgûl enfrentou a vanguarda da hoste Élfica e lutou uma batalha longa e brutal. Desprotegido, Sauron foi forçado a lutar com seus inimigos pessoalmente. Isto provou ser desastroso pois, embora tenha matado Elendil, o Alto, e Gil-Galad, o Maligno perdeu o Anel Um (e seu dedo) no conflito, e seu espírito passou para o Mundo da Sombra.
A Terceira Era

Com o banimento do Senhor dos Anéis, os Nove perderam a habilidade de manter sua forma. Eles seguiram o Senhor das Trevas para a Sombra com o fim da Segunda Era. Seu exílio coincidiu com o de Sauron e durou mais de mil anos. O primeiro a retornar reassumiu sua forma em Endor por volta de TE 1050, quase cinqüenta anos após o reaparecimento de Maligno.

Diferente de seus companheiros, Khamûl habitou rapidamente com Sauron na cidadela de Dol Guldur no sul da Floresta Tenebrosa. O Senhor Negro escondeu-se sob o disfarce de "Necromante" e lentamente recuperou sua força. Então, por volta de TE 1300, ele reiniciou sua luta contra os Povos Livres, enviando o Rei-Bruxo a Angmar no noroeste das Montanhas Nebulosas, na esperança de esmagar os estados sucessores de Arnor.

Khamûl deixou seu posto de comandante da guarnição de Dol Guldur com a partida do Rei-Bruxo, e pelos próximos trezentos e quarenta anos o Easterling viveu em Sart e Mang, nas Montanhas do Vento. Destas duas fortalezas rochosas procurou ganhar poder sobre os povos do sudeste da Terra-Média. Trabalhando sempre em uníssono com Dwar de Waw, Khamûl lutou contra a influência dos Istari Alatar e Pallando sobre a região. Seu sucesso foi apenas parcial, mas por volta de TE 1635, o Senhor das Trevas estava satisfeito e ordenou que o Segundo dos Úlairi retornasse para Dol Guldur.

A chegada de Khamûl coincidiu com a Grande Praga que arrasou o noroeste de Endor, e pelos próximos quatro anos ele permaneceu em Rhovanion como o principal servo de Sauron. Ele era o Guardião da Colina da Feitiçaria e permaneceu lá até o fim da Vigia de Mordor, em TE 1640.
Aparência e Família

Khamûl tinha 1,87 m de altura, médio para padrões Womaw. Originalmente pesava 88 quilos, tinha pele branca, sem barba, olhos azuis acinzentados, e cabelo liso, longo e negro. Esta aparência descrevia um Womaw de alta linhagem. Ele usava um Elmo e Armadura Dragão azuis escuros, feitos de pele de Dragão.

Ninguém entre os Womaw era melhor caçador que Khamûl. Mesmo quando criança ele podia correr como uma corça, movendo-se em silêncio pelas escuras florestas de sua fria terra. Seu senso de olfato era excepcional, e bardos falavam jocosamente de sua "herança de cão de caça". Sombrio, solitário, e esperto, ele era imbatível em disputas de sutileza e furtividade. Estas qualidades o serviram bem nos complexos problemas que enfrentou como Hionvor, e fizeram dele uma admirável opção como o principal trilhador do Senhor das Trevas e guardião da cidadela de Sauron em Dol Guldur.

A esposa Womaw de Khamûl, Komiis, deu à luz três filhos: uma menina, Womiis, e dois filhos, Womûl e Komon. Dos três, apenas Womiis parecia com seu pai.