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A Terra Média como válvula de escape

banner_lothloryen_p.jpgDando uma pausa na seção Tolkien + Rock n’ Roll, retorno a esse precioso espaço para falar um pouco sobre os propagadores do mundo de Tolkien e sua real conotação na atualidade. Esse fenômeno que tem se tornado cada vez mais crescente no Brasil e acredito eu no mundo todo, inclui não somente aqueles que de certa forma lucram com a divulgação da obra (como editoras, produtoras de filmes etc), mas principalmente pelos fiéis admiradores e seguidores do legado deixado pelo mestre.
 
 
Nos nossos shows ano passado, tive a oportunidade de tocar em alguns lugares que não eram só eventos voltados ao Heavy Metal e sim verdadeiras feiras de fantasia, conhecidas como ANIME, onde encontramos desde óbvias comunidades de anime, cosplay, rpg, até o próprio Conselho Branco, comunidade Tolkieniana que o pessoal do Valinor conhece bem.

Nesses eventos o que pude notar é que o nome Tolkien (mais do que a marca) tem sem sombra de dúvidas, se tornado um imã dessa juventude  ávida por mergulhar em um mundo de fantasia e fugir dos seus problemas contemporâneos do mundo real.

Muitas vezes, não posso negar, que a primeira impressão em ver uma comunidade Tolkieniana em um evento de Anime me soou um tanto estranha  e destoante das outras comunidades, sem muitas conexões óbvias, afinal a cultura Anime se baseia em histórias e heróis criados pelos escritores japoneses e as histórias à primeira vista não se encaixam muito ao que já conhecemos do mundo da Terra Média.

Porém, em mais de um evento percebi essa clara presença Tolkieniana em meio a tantos heróis japoneses atuais e isso acabou por chamar um pouco mais minha atenção, pois comecei a buscar a conexão que para mim não parecia nada óbvia.

A conclusão clara e cristalina e da qual também nós nos beneficiamos é que, esse peculiar ramo da cultura Teen tão necessitada de viver fantasias, não segrega idéias e tão pouco formas diferentes de manifestações da fantasia. Ao contrário, ela tem propagado e levantado a bandeira de tudo o que evoca uma forma diferente de vida, sob outros códigos de conduta, uma opção ainda que utópica de se viver em outros mundos e se criar algo diverso ao que temos que enfrentar no dia a dia. É nesse ponto que fica mais fácil de entender o porquê de a Terra Média estar tão em voga a cada dia que se passa, com cada vez mais admiradores e “pregadores” dessa forma de literatura fantástica. Afinal, o mundo de Tolkien ganha força na atualidade pois além de sua óbvia genialidade, nos serve como válvula de escape e alternativa a já fadigada sociedade contemporânea atual, praticamente soterrada em seus problemas e ao matrix que lhe cerceia.

É nóis!!!

Tolkien n' Roll – Parte IV

banner_lothloryen_p.jpgHey Folks

Dando prosseguimento ao assunto Tolkien + rock n’ Roll eis que surge a hora de abordar um pouco da vasta influência que as obras da Terra Média exercem em bandas clássicas de rock n’roll.
Para começar, resolvi me ater nessa coluna à talvez maior representante do Rock clássico de todos os tempos: O Led Zeppelin.

 

Este grupo para quem não conhece ou não viveu na Terra nos últimos 30
anos pelo menos, é uma banda de rock britânica conhecida mundialmente
por sua discografia lançada entre fins dos anos 60 e toda a década
seguinte. Se essa referência é pouca, talvez a palavra “Stairway to
Heaven” traga alguma lembrança aos leitores.

Como muitos sabem, o Led possui em sua discografia algumas referências claras ao mundo Tolkieniano. Essas influências podem ser claramente notadas em músicas como Ramble On e  Battle of Evermore, como sugerem os trechos abaixo:

Ramble On:

 “a minha é uma história que não pode ser contada
Minha liberdade eu guardo com apreço
Como nos anos passados, em dias de outrora
Quando a magia enchia o ar
Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor
Conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, aquele maligno, se aproximou sorrateiramente
E fugiu com ela, ela, ela… .yeah”

Battle of Evermore:

“ dor da guerra não pode exceder
A aflição da seqüela
Os tambores irão sacudir as muralhas do castelo
Os espectros do anel cavalgam de preto
Seguem cavalgando”

Apesar de os dois exemplos trazerem referências claras, o que mais me chamou atenção foi a mistureba lírica de Ramble On. Ao analisar a letra, fiquei extremamente maravilhado com a capacidade que os caras tiveram de  entrelaçar um tema tão denso quanto Mordor e Gollum com seus arroubos de paixonite aguda por uma garota atraente (e o melhor de tudo é que o Gollum ainda sai como o garanhão cafajeste). Diante de uma junção de temas tão díspares, me recordei de uma das perguntas feitas pelos leitores do Valinor ao Lothlöryen que era mais ou menos assim: “Vocês não acham que é uma ambigüidade a banda se chamar Lothlöryen e tocar Metal?”


Bom, diante do exemplo de elasticidade lírica (mas que diabos de expressão é essa!!!) apresentado pelo Led Zeppelin, acho que cabe dizer que tanto o Rock n’ Roll (e o metal como uma de suas vertentes) e a mitologia de Tolkien tem justamente como pontos fortes essa desenvoltura ao fundir temas que parecem tão distantes, mas que acabam casando perfeitamente.


Concluindo, acho que não existe ambigüidade dentro do Rock e bandas que se prendem a estilos específicos estão fadadas à repetição de sua obra em exaustão, o que com o tempo leva ao fracasso (com exceção do ACDC, é claro!!!).


O Led Zeppelin tem como ponto forte de sua carreira justamente a forma como exploravam elementos de estilos musicais tão diferentes ao rock n’ roll como música celta, havaiana, country, reggae etc., sempre agregando tudo isso de forma magistral ao seu estilo musical principal que sempre foi o Rock n’ Roll. Do ponto de vista lírico, só se entende a força de uma influência Tolkieniana ao contexto do Zeppelin, justamente se antes o ouvinte conseguir captar a proposta de liberdade musical que permeia toda a carreira do grupo.


Com certeza o Zeppelin é o maior exemplo de Rock “helenístico” da história pois soube agregar outras culturas musicais ao seu próprio som e em contrapartida influenciar toda uma geração de bandas que surgiram após eles, assim como Tolkien o fez em sua área.

É nóis!!!

 

Tolkien n’ Roll – Parte III

Hey Folks, lothloryen.jpg

De volta com a explosiva mistura Tolkien mais Rock n’ Roll, peço licença aos leitores desta coluna para abordar alguns aspectos da influência da Terra Média na temática e  modo de composição do Lothlöryen.

Para os que não estão tão habituados ao som, o Lothlöryen é a banda de Folk Metal em que participo como compositor e guitarrista desde seu início em 2002.

Como todos podem perceber, o próprio nome do grupo já carrega uma forte influência Tolkieniana, influência essa, crucial para a concepção da sonoridade contida nas músicas da banda.

Mas até que ponto a  Terra Média de fato influencia na sonoridade e temática de uma banda, no caso o Lothlöryen?

 
Resolvi abordar esse tema já nessa coluna, devido às questões que nos foram direcionadas pelos leitores da Valinor durante o mês de outubro, assim como os questionamentos que tem se repetido em várias entrevistas realizadas com a banda ao longo do ano e as afirmações que encontramos em resenhas sobre nosso trabalho. Tudo isso me despertou uma imensa vontade de tentar esclarecer a forma como abordamos o mundo de Tolkien em nosso próprio universo.

Vamos lá: Desde que comecei a escrever essa coluna tenho procurado me aprofundar mais em relação ao universo das Tolkien-based bands, que é a maneira como comumente tem sido citadas aqui as bandas que se utilizam da mitologia de J.R. em seu som. Nessa pesquisa pude notar no trabalho de várias dessas bandas a tentativa de recriar histórias contidas nos livros de Tolkien, como por exemplo, o Blind Guardian, Summoning, Battlelore entre tantas outras. Porém, percebi também, que algumas dessas bandas consideradas Tolkien-based simplesmente citaram alguns personagens da obra aleatoriamente em algumas de suas canções de sua extensa discografia, como no caso do Led Zeppelin ou do próprio Burzum, banda que abordei na coluna passada, considerada Tolkien-based muito mais pelo nome e influência da obra tolkieniana na vida de seu mentor, do que propriamente na musicalidade e temática abordada pelo “grupo”.

No caso do Lothlöryen, o mundo de Tolkien tem sido sim um companheiro valoroso de nossas canções, porém, não inseparável. Temos abordado ao longo de nossos álbuns aspectos da Terra Média como a força perturbadora (e magnética) do olho de Sauron, a cobiça pelo Um Anel ou a forma como viviam e celebravam os Hobbits muito mais como metáforas para outros assuntos do que propriamente uma tentativa de se recriar uma história já existente. A Terra Média nos oferece um pano de fundo incrível para tratarmos de assuntos inerentes ao ser humano e o mundo real como por exemplo: A Pertubação mental e o inferno psicológico gerado por ela ( o olho de Sauron e Mordor), a insanidade em sua forma mais poética( a cobiça pelo Um Anel) a apologia pela necessidade de se sonhar e não se apegar tanto ao materialismo (os Hobbits e seu modo de vida) etc.

Porém, como disse, o mundo de Tolkien é um companheiro valoroso, mas não inseparável. Já abordamos em nossa pequena (ainda) discografia temas como Inquisição, a visão da Igreja Medieval sob o aspecto humanista de Erasmo de Rotterdam, a teoria dos Whormholes(ou buracos de minhoca) abordadas na física quântica entre tantos outros temas abstratos como tristeza, loucura, coragem etc.

O que é preciso deixar claro é que apesar de o Lothlöryen não ser a primeira nem a última banda a explorar essa temática tão rica, temos tentado fazê-la de uma maneira diferente, criando nossa própria linguagem a partir dela e não apenas reproduzindo o que centenas de outros grupos já tem feito ao longo das últimas décadas.

Aos que chegaram até essa linha, agradeço pela licença concedida para falar de nossa temática. Não é intenção dessa coluna vender o peixe mas sim enquadrar corretamente o Lothlöryen como uma banda Tolkien-based com sua devida liberdade poética de expressão.
Até a próxima coluna.

É nóis!!!

Link: www.myspace.com/lothloryenband

Tolkien n’ Roll – Parte II

lothloryen.jpgSaudações Folks

Dando prosseguimento ao tema abordado na coluna anterior, resolvi me concentrar nessa semana em um exemplo extremo de como a obra de Tolkien pode influenciar um estilo de música à primeira vista tão díspar de tudo o que representa a mitologia Tolkieniana, mas ao mesmo tempo, totalmente conexo à relação de bem e mal tão difundida ao longo dessas obras. Trata-se da banda de Black Metal norueguesa Burzum. 

 
 

Para os que não possuem conhecimento avançado sobre esse estilo de música, basta nos atermos ao fato de que o Black Metal surgiu nos anos 80, propagado principalmente por bandas como Venom e Bathory que cansadas da ideologia “Sexo, drogas e Rock n’ Roll”, passaram a concentrar suas letras em temas baseados no satanismo e  na mitologia nórdica pagã.

O Burzum surge na década de 90, e pertence a chamada segunda onda do Black Metal que teve como palco dominante a fria e soturna Noruega. Ideologicamente o Burzum não é uma banda satânica, pois seu mentor e único membro, Varg Vikernes (ou Count Grishnáckh) credita a figura de Satã a uma criação cultural judaico-cristã, cultura essa combatida pelo Burzum.
 
Varg exalta a mitologia nórdica e cultua Odin como seu Deus. Também é adepto das idéias neo-nazistas de superioridade racial. Em suas entrevistas Vikernes sempre deixou clara  sua atração pela obra de Tolkien e a influência que as forças sombrias da Terra Média possuem sobre seu ser e sua obra.

Na parte lírica, ao contrário da maioria das bandas Tolkien-based, não se nota grandes referências à obra de J.R. A única música que faz menção a Tolkien é The Crying Orc, uma canção instrumental.
A influência tolkieniana na obra obscura do Burzum fica mais clara quando analisamos a origem do nome da banda criada por Varg. Burzum é a tradução para escuridão na língua negra contida na inscrição do Um anel: “…agh burzum-ishi krimpatul", "e na escuridão aprisioná-los".

Como senão bastasse, Varg Vikernes após matar Euronymous, um ex-companheiro de banda, se apresentou no seu julgamento com o nome de Conde Grishnáckh, nome de um dos Orcs ajudantes de Sauron, a quem Varg considerava como uma representação do próprio Odin.

Delírios à parte, fica claro que a gama de personagens justapostos em lados obscuros ou iluminados acaba por criar uma quantidade inesgotável de inspiração e identificação por parte dos leitores, o que muitas vezes leva a interpretações inusitadas, porém, válidas da obra de Tolkien. No ramo da música, essas interpretações ficam ainda mais claras quando escutamos os sons provenientes de tais interpretações. Se para muitos, a obra do Burzum não passa de criações de uma mente visivelmente perturbada ou disprovida de maiores talentos, para outros pode simbolizar o verdadeiro estampido dos tambores de orcs que marchavam em direção à conquista da Terra Média e a sobreposição da luz pela escuridão. Fato é que, quanto a esse tipo obscuro de intrepretações, o próprio Tolkien previu: "Em geral, pode-se ainda ouvir o mesmo tipo de fala [como a dos orcs] entre os que têm mentes de orcs; enfadonha e repetitiva, cheia de ódio e desprezo, há demasiado tempo afastada do bem para manter até mesmo o vigor verbal, exceto aos ouvidos daqueles para quem somente o sórdido soa vigoroso". (SdA, Apêndice F)

Vídeo: Burzum – The Crying Orc

 
É nóis!!!

 Referências:  http://www.ardalambion.com.br/

Tolkien n’ Roll

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Na coluna passada ressaltei a importância da obra de Tolkien para a cultura contemporânea atual. É fato que a Terra Média e seus habitantes tem influenciado a arte em todos os seus aspectos, desde desenhos, livros, cinema, música etc.
 
 
 
Como não sou um profundo entendedor de todos os ramos artísticos, resolvi me ater ao legado que a mitologia de Tolkien tem deixado para a música pesada, seja Rock n’ Roll ou o Metal em geral, desde seus primórdios.

Em aspectos gerais é evidente que essa influência do mundo tolkieniano tem se mantido firme nas letras, conceitos e visual de várias bandas nesses últimos 40 anos. Mas a questão principal a que me proponho discutir nessa coluna é: Por que? Qual seria o elo de ligação entre a Terra Média e o Rock que tanto tem atraído a atenção dos músicos ao longo dessas quatro décadas?

É óbvio que não tenho a mínima pretensão de desvendar aqui todos os segredos em relação a esse casamento tão bem sucedido, porém, nas próximas colunas pretendo abordar em aspectos gerais os prováveis motivos dessa atração perdurar e até aumentar durante todos esses anos.

O primeiro ponto que não pode passar despercebido é o fato de a mitologia de Tolkien ser tão vasta e cheia de alternativas.Tem pra todos os gostos. É quase impossível algum leitor (ou telespectador) não se identificar ao menos com algum dos povos ou lugares da Terra Média. E isso ao meu ver se explica pelo simples fato de que se encontra de tudo nesse mundo paralelo, desde seres de luz, místicos como os Elfos, seres alegres tão identificáveis aos beberrões como os Hobbits ou seres obscuros, “demoníacos” como os Nazgul ou os Orcs. Isso se amplia quando falamos da vastidão de lugares encantados e também sombrios que existem na Terra Média. Nesse ponto vamos de um pólo ao outro com lugares tão belos e inocentes como o Condado e outros tão grotescos e intimidantes como Mordor ou as cavernas de Utumno.

E o que isso tem haver com o rock n’ roll e metal? Tudo. Afinal de contas, não existe estilo de música tão diversificado e cheio de nuâncias como o Rock n’ Roll. O próprio Metal é apenas uma das vertentes vindas dessa fonte inesgotável de facetas. Poderia ficar dando exemplos aqui da diversidade de sonoridades que se encontram dentro do mesmo estilo, mas basta dizer que o rótulo Rock n’ Roll é tão vasto que hoje em dia é usado até para denominar bandas que nada tem haver com o estilo, vide grupos como Charlie Brown Jr., Jota Quest,astros como Madonna(sim, ela já foi chamada de Rockeira), Michael Jackson (haha, até ele) etc.

Posto isso é óbvio que a atração pela diversidade advinda dessas duas fontes artísticas (Tolkien e o Rock n´ Roll) só poderia resultar em um explosivo e majestoso matrimônio.

Bom, como diria o Pernalonga, por hoje é só pessoal. Nas próximas colunas vou abordar mais afundo sobre os vários pontos de vista na interpretação da obra de Tolkien e como essas interpretações são incorporadas às diversas bandas Tolkien-based da cena Rock em geral, algumas com êxito e outras, nem tanto.

É nóis!!!

O Indescrití­vel Terror Indefinitivo

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Vazio. Certamente essa é a palavra que mais tem me perseguido nesses
últimos dias. O total abandono de minha mente pelos outrora habituais
sussurros de inspiração me fez recorrer aos mais diversos métodos de
abastecimento criativo conhecidos por mim, na tentativa de podermos
iniciar logo nossa longa (assim espero) troca de idéias que teremos
daqui por diante.

 
Nessa Odisséia em busca de um primeiro tema para esta coluna, recorri a tudo que estava ao meu alcance: Desde as palavras de Tolkien, velhas e prestativas companheiras de meus anseios, até as místicas melodias metafísicas de Sgt. Peppers, Houses of the Holy e Nightfall in Middle Earth.Tudo isso no intuito único de encontrar ali o pote de ouro de minhas antigas idéias outrora tão vastas. Nada funcionou.

Na esperança de preencher a vastidão mental que se assolara sobre mim, resolvi então apelar ao mais transcendental dos métodos de inspiração existente, aquele em que tanto homens, elfos, hobbits ou antigos deuses recorrem, estejam eles no Olimpo, no Condado ou em Almaren: A bebida!

Hidromel com gelo e limão, Elixir de Cevada, Néctar de Cristal destilado, enfim, o esforço foi enorme, porém, em vão. O vazio de idéias insistia em permanecer no lugar de meu ofício de criação.

Foi então que tive uma óbvia revelação através dos sinais que me rodeavam: “ Se esse vazio insiste em permanecer é porque clama por atenção, portanto, vou escrever exatamente sobre esse vácuo que tem me perseguido.”

E eis que de um momento de iluminação, surgiu o tema desta primeira coluna: Bloqueio de Criatividade.

Com certeza, este é um mal que afeta todos os artistas em determinado momento de suas vidas criativas (alguns são afetados a vida inteira, vide Latino, Kelly Key, etc). É o que o poeta Samuel T. Coleridge  chamou um dia de "indescritível terror indefinitivo".

Passaram por esse bloqueio no mundo artístico, gênios como Rimbaud, Victor Hugo, Balzac, Beethoven, entre tantos outros que sofreram ou sofrem deste inferno mental disfarçado do mais gélido vazio.

Eu poderia ficar aqui enumerando os motivos pelos quais um artista chega a este estado de consciência, porém, os fatores variam de pessoa para pessoa, mente para mente. Tudo depende a meu ver das formas de concepções artísticas de cada indivíduo e da cobrança externa em relação a um resultado imediato de sua arte.

Em alguns artigos que li sobre o assunto, o grande ponto destacado é o hiato que o bloqueio criativo causa entre uma obra e outra. Porém, eu entendo que esse hiato é benéfico, se comparado ao principal estrago que a falta de criatividade pode trazer: a desastrosa construção da obra pela obra. Sim! A concepção de se criar algo simplesmente pela necessidade de se criar pode ser catastrófica quando o criador em questão passa por esse processo de bloqueio mental.

O caráter comercial que a arte assume nos dias de hoje e a padronização da indústria cultural acaba por favorecer à propagação desta falta de inspiração tão nítida hoje em dia nos produtos culturais que a mídia nos apresenta. Seja em programas televisivos sem o mínimo de conteúdo, canções pop com fórmulas repetidas a exaustão para vender mais, livros de fantasia genéricos e sem atrativos, enfim, é a escravidão da criatividade em prol da padronização dos estereótipos.

Esse vazio de concepções e novas abordagens faz com que muitas vezes os próprios artistas recorram à obras já feitas e como um dos exemplos maiores, posso citar a importância do que Tolkien criou e sua influência no mundo artístico atual.

Seja inspirando livros, filmes, músicas ou jogos, esse universo mitológico criado por J.R. tem sido amigo inseparável dos artistas contemporâneos que agradecem todos os dias pela infinidade criativa e possibilidades de exploração que a Terra Média e seus habitantes nos oferecem.

Se é saudável? Eu mesmo sou suspeito para dizer, pois sou um grande “beberrão” dessa fonte Tolkieniana inesgotável. Porém, na minha concepção, acredito que toda inspiração é bem vinda, desde que se crie algo novo e de qualidade a partir dela, e se propague a fonte criativa para que outros artistas e admiradores futuramente também possam se embriagar de suas águas (ou seria seu elixir?).

O que não é benéfico é a simples repetição de fórmulas já criadas, repetidas à exaustão, envoltas em versões distorcidas e genéricas, embaladas em algo convincente e pronto para consumo. Enfim, a propagação da obra pela obra, o estímulo ao bloqueio criativo através da cópia em detrimento da criação, deixando cada vez mais de lado a importância mística e quase transcendental de se conceber algo autêntico e honesto, se tornando um problema que atinge grande parte de nossos artistas contemporâneos, com os pés tão fincados no mundo real e sem tempo para o sempre inesgotável mundo da imaginação.

É nóis!!!

 
 
 
(Leko Löryen é Wesley Martins Soares, guitarrista da banda Lothlöryen e colunista da Valinor)