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Manuscritos hobbits: você leu primeiro na Valinor!

manuscritos.jpgÉ com imenso prazer que este Cisne comunica a publicação do primeiro artigo acadêmico derivado da minha pesquisa de doutorado. E adivinhe só: você leu primeiro na Valinor!

 

 

Estou falando do estudo sobre os manuscritos hobbits que deram origem à Saga do Anel, uma refinada técnica literária conhecida como pseudotradução que Tolkien usou para dar mais realismo e profundidade cultural à Terra-média. A pesquisa sobre o tema acaba de ser publicada na revista Eutomia, publicação online de literatura e lingüística da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Quem quiser acessar a versão do trabalho em PDF pode clicar aqui. 

E, para não sair da Valinor, eis a versão que pusemos no ar por aqui mesmo. 

Mais uma vez, obrigado a todo mundo que leu e comentou a versão original aqui na Valinor. E podem ter certeza de que mais novidades vêm por aí!

Livro vai contar história de irmão de Tolkien

Parece que o ano realmente começou bem em termos de lançamentos tolkienianos. Depois do livro inédito do Professor sobre Sigurd, temos o anúncio de uma biografia de Hilary Tolkien, irmão do escritor, que está prestes a ser lançada.
 

Segundo o site "Fantasy Book Review", a ex-dona de livraria e fã de Tolkien Angie Gardner deve lançar o livro sobre Hilary no fim deste mês. O título é "Angie is confident Black and White Ogre: The Lost Tales of Hilary Tolkien" (Ogro Negro e Ogro Branco: Os Contos Perdidos de Hilary Tolkien).

"Hilary não é tão bem conhecido. Os ‘contos perdidos se referem a histórias que ele escreveu num antigo caderno, e algumas delas remontam às que ele e seu irmão inventavam quando eram muito jovens", disse a autora. Quem leu a biografia oficial de J.R.R. Tolkien, escrita por Humphrey Carpenter, talvez se lembre que "ogro negro e ogro branco" eram apelidos dados pelos meninos a moradores da zona rural de Birmingham, onde eles passam o começo da infância.  

Ainda segundo a biografia de Carpenter, Hilary tornou-se fazendeiro. Vai ser interessante saber mais detalhes sobre o relacionamento entre os dois irmãos.

Guillermo del Toro janta com Gandalf

As conversas entre o eterno Gandalf, Sir Ian McKellen, e o diretor Guillermo del Toro para combinar a participação do ator em "O Hobbit" já estão acontecendo, afirma o site "Killer Movies". Na semana passada, os dois se reuniram num jantar em Los Angeles para discutir o assunto.

A informação foi dada pelo próprio Sir Ian durante uma entrevista coletiva em Universal City, Califórnia. "Vocês estão perguntando sobre ‘O Hobbit’ doze horas antes do tempo", brincou o ator.

"Prometi que participaria dos filmes. E, com Guillermo del Toro na direção, sinto-me muito sortudo. Ainda por cima as filmagens vão acontecer na Nova Zelândia, um lugar que eu adoro, então é quase um trabalho ideal para mim."

 

Editora britânica de Tolkien reformula site

Enquanto o mercado brazuca de livros tolkienianos se movimenta graças ao lançamento de "As Aventuras de Tom Bombadil", os editores do Professor lá fora criam novas formas de faturar alto com a Terra-média.

 

O site tolkien.co.uk , criado pela HarperCollins originalmente apenas
para vender edições especiais limitadas dos livros do Professor, fez
tanto sucesso que faturou mais de 100 mil libras esterlinas em apenas
três meses. Aproveitando a onda, o site agora oferecerá as obras
completas de Tolkien para os internautas, incluindo edições de luxo de
todos os livros, com capa dura e outros detalhezinhos saborosos.

A idéia é que o site também incorpora material multimídia, como vídeos,
arte tolkieniana e clipes de áudio. A notícia foi dada pelo site
"mad.co.uk".

Ciência da Terra-média: imortalidade élfica

Nos idos dos anos 1950, quem era fã de SdA e tinha coisas legais a dizer dificilmente ficava sem resposta quando escrevia uma carta para Tolkien. Aliás, nem precisava escrever coisas legais: podia ser pentelhação pura mesmo. Foi o caso do gerente de uma livraria católica de Oxford, que disse ter adorado a Saga do Anel, mas que discordava do fato de que os elfos "reencarnavam" na saga, por ser "má teologia".

 

Tolkien respondeu muito educadamente, dizendo que o principal problema
do ciclo de vida élfico não era teológico, mas biológico. "Elfos e
homens são evidentemente, em termos biológicos, uma raça só, ou não
poderiam se acasalar e produzir descendentes férteis. Mas, como alguns
já afirmaram que a longevidade é uma característica biológica, você não
poderia ter elfos ‘imortais’ e homens imortais, e ainda assim
suficientemente aparentados", escreveu o Professor.

E aí vem o pulo-do-gato, revelando que Tolkien sabia um bocado mais
sobre biologia teórica do que a gente poderia esperar. "Eu poderia
responder [a essa objeção] que essa ‘biologia’ não passa de teoria, e
que a moderna ‘gerontologia’, ou como você quiser chamá-la, sugere que
o ‘envelhecimento’ é algo bem mais misterioso, e menos claramente
inevitável em corpos de estrutura humana." Boa, Professor. Na mosca,
diriam muitos biólogos.

Dano acumulado
Parece loucura? Pois, ao menos em parte, parece ser verdade. O que
acontece é que o envelhecimento não é um processo exatamente idêntico
às outras fases do ciclo de vida dos animais, como o nascimento, o
crescimento e a chegada à maturidade sexual. Em outras palavras, o
consenso científico atual indica que envelhecemos e morremos
basicamente por causa do acúmulo de danos aleatórios às bases do nosso
metabolismo, até que chega um momento no qual ele perde a
funcionalidade de forma definitiva.

Desse ponto de vista, a morte é, em parte, um mistério, principalmente
do ponto de vista da seleção natural. Pode-se imaginar que indivíduos
imortais teriam uma vantagem reprodutiva sobre os que morrem, uma vez
que seriam capazes de gerar descendentes indefinidamente; dessa forma,
passariam a "imortalidade" a sua prole, de maneira que, no longo prazo,
só restariam membros imortais daquela espécie em dado ambiente.

Acontece, porém, que as coisas não são nem de longe tão simples. No
mundo real, os recursos não são infinitos, nem os ambientes são
totalmente hospitaleiros. É preciso fazer "escolhas" (normalmente
inconscientes, ditadas pela dinâmica do organismo, claro): a energia
que poderia ser gasta para preservar um corpo pelos séculos dos séculos
compete com a que precisa ser investida na produção de bebês.

E é aí que o bicho pega. Uma vez garantida a reprodução, as demandas da
seleção natural ficam enfraquecidas: não faz mais muita diferença o
organismo entrar em colapso se ele já garantiu a geração futura. Aliás,
há indícios de que os genes que favorecem a fertilidade muitas vezes
podem estar envolvidos com os problemas da velhice. É por isso que a
natureza "prefere" majoritariamente as espécies que se reproduzem
loucamente e morrem cedo às que são muito longevas e têm poucos filhos.

Cláusula élfica
Você já deve estar roendo as unhas, perguntando-se onde diabos os elfos
entram nessa história. Bem, digamos que há uma espécie de "cláusula
élfica" capaz de subverter, ao menos em parte, a lógica inescapável do
envelhecimento. A espécie "Matusalém" precisa ter um determinado
conjunto de características — e os elfos se dão impressionantemente
bem nesse quesito, coincidência ou não.

Em síntese, a pressão para se reproduzir — e envelhecer — diminui
muito se você tem tamanho (relativamente) grande, poucos inimigos
naturais, crescimento lento e quantidade reduzida de filhotes.

Ora, todos esses requisitos são preenchidos de forma perfeita pelos
elfos tolkienianos. Vejamos: o tamanho equivalente ao dos seres humanos
é de grande porte para mamíferos (e, oras, elfos são mamíferos); poucos
seres de Arda são capazes de fazer frente aos elfos (fora exceções
malévolas sobrenaturais, tipo balrogs e lobisomens da vida); sabemos
que eles só chegam à maturidade aos 100 anos; e o único elfo a ter sete
filhos na história é Fëanor (a regra é três ou menos rebentos, mesmo
que o elfo em questão viva milhares de anos).

Essas características são as mesmas de seres de vida muito longa no
mundo real, como grandes árvores ou tartarugas marinhas. Ciclos de vida
como os desses seres parecem permitir uma manutenção altamente
eficiente das funções do organismo, sem os malefícios advindos de uma
reprodução desenfreada. Como último indício, poderíamos acrescentar
outro dado empírico: animais que comem pouco, num regime de restrição
calórica (mas sem ficarem desnutridos), parecem ganhar
surpreendentemente em longevidade. Talvez seja esse o conceito por trás
dos pequenos bocados de lembas capazes de sustentar os Eldar por
longuíssimos períodos.

Razão literária
Para encerrar, voltemos à carta de Tolkien. É claro que todos os
elementos citados acima até hoje não foram suficientes para criar uma
espécie não apenas longeva, mas capaz de durar "enquanto Arda durar",
que parece ser o caso dos elfos tolkienianos. O Professor, continuando
seu raciocínio, lembra que seu principal propósito foi literário e
filosófico, e não científico.

"Elfos e homens são representados como biologicamente aparentados nesta
história porque os elfos são certos aspectos dos homens, e de seus
talentos e desejos, encarnados em meu pequeno mundo. Eles possuem
certas liberdades e poderes que gostaríamos de ter, e a beleza e o
perigo e a tristeza da posse dessas coisas é exibida neles."E no próximo "Ciência da Terra-média": dragões e seus genes!

Teoria diz que C.S. Lewis era 'igual' de Tolkien

As comparações entre J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis sempre foram inevitáveis — a começar pela predileção da dupla de amigos por abreviar seus nomes. Um novo livro, escrito por um pesquisador britânico, diz ter descoberto a "chave" por trás do fascínio da série "As Crônicas de Nárnia" e argumenta que a inspiração medieval da obra faz de Lewis um autor tão sofisticado e criativo quanto Tolkien.
 

O livro em questão é "Planet Narnia – The Seven Heavens in the
Imagination of C.S. Lewis" (Planeta Nárnia – Os Sete Céus na Imaginação
de C.S. Lewis", assinado pelo reverendo Michael Ward. A rede de TV
britânica BBC planeja exibir um documentário sobre esse "código de
Nárnia" na Páscoa do ano que vem.

Ward afirma que cada um dos sete livros de Nárnia se baseiam na
astrologia medieval — mais especificamente, nos aspectos atribuídos a
cada um dos sete "planetas" (que incluíam, além de Mercúrio, Vênus,
Marte, Júpiter e Saturno, também o Sol e a Lua, no pensamento
medieval). O primeiro livro, por exemplo, seria regido por Júpiter –
mencionado num poema de Lewis como o astro "dos invernos passados/e da
culpa perdoada", dois temas realmente importantes em "O Leão, a
Feiticeira e o Guarda-Roupa".

Segundo o produtor do documentário da BBC, Norman Stone, trata-se da
melhor explicação para os sentidos ocultos dos livros de Lewis até
hoje.

"Os críticos de Lewis diziam que seu jeito de escrever era descuidado.
Tolkien, por exemplo, afirma que os personagens de Nárnia eram uma
bagunça. Mas esse terceiro nível de sentido mostra que os livros não
eram simplistas. De fato, colocar todas essas idéias complexas dentro
de um romance deve ter sido uma espécie de xadrez tridimensional. Lewis
era um grande medievalista — um verdadeiro especialista nesse período.
Tinha grande interesse por astrologia e adorava a visão medieval do
mundo. E sua visão sobre a fé [cristã] também era cósmica. Essas
descobertas vão ajudar a mudar a imagem que temos de Lewis e torná-lo
um igual de Tolkien, seja como escritor, seja como pensador", declarou
Stone ao jornal britânico "Daily Telegraph".

Sinceramente, não acredito que esse tipo de comparação faça bem a
qualquer um dos escritores. Cada obra literária é única e precisa ser
apreciada dentro de seu próprio contexto. De qualquer maneira, nunca é
demais lembrar a influência mútua de Tolkien e Lewis — seja no nível
artístico, seja na grande amizade que unia os dois.

Livro fala sobre galês inspirando Tolkien

Nos últimos anos do século 19, um menino inglês que crescia nos arredores de Birmingham se apaixonou pela primeira vez — um amor que durou a vida inteira. E a paixão era por uma língua estranha registrada em vagões cheios de carvão, em frases singelas como adeiladwyd 1887 — "construído em 1887". A língua era o galês e o menino era J.R.R. Tolkien, como conta um novo livro sobre a obra de Tolkien lançado por uma pesquisadora da Universidade de Cardiff, no País de Gales.

 

As informações são do site "WalesOnline", que teve acesso ao livro "Tolkien, Race and Cultural History: From Fairies to Hobbits" (Tolkien, Raça e História Cultural: De Fadas a Hobbits), de autoria de Dimitra Fimi. A pesquisadora de Cardiff mostra como a obra do Professor foi influenciada por sua paixão pelo galês, idioma que serviu como principal inspiração para o sindarin, a língua élfica mais usada no SdA e no legendarium da Terra-média como um todo.

Já adulto, após o lançamento do SdA, o Professor reconheceu numa palestra o profundo impacto do galês sobre sua obra e declarou seu amor a essa língua céltica: "É o idioma nativo ao qual, com um desejo inexplorado, ainda queremos retornar", afirmou ele.

Fimi, que é de origem grega mas vive e trabalha em Gales, reafirma a importância dos idiomas inventados para entender a obra de Tolkien. "Eles abrem uma porta diferente para a mente do autor. Para mim, não dá para separar o SdA das línguas que são faladas naquele mundo", declarou.

Para ela, a criação de línguas artificiais era um fenômeno relativamente comum durante a juventude de Tolkien. "Quando ele começou a criar a primeira língua élfica havia o esperanto, bem como cerca de 150 outros projetos desse tipo. Era tudo muito idealista, mas então chega a Primeira Guerra Mundial e joga por terra todos esses ideais", conta.

De acordo com Fimi, Tolkien via uma beleza intrínseca no galês, "algo antigo que precisava ser preservado e passado adiante". "A visão dele era que os sons se encaixam com o sentido das palavras de forma ideal. O som da linguagem seria quase como música na maneira como satisfaz o ouvido humano". Se alguém quiser comprar o livro de presente de Natal pra mim na Amazon, vou estar aceitando ;-)