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Um ano do Curso de Quenya

Um ano do Curso de Quenya
 
Hoje comemoramos o 1º ano do lançamento oficial do livro "Curso de
Quenya – A mais bela língua dos Elfos". O livro foi publicado dia 16 de
Setembro de 2004, mas foi em 26 de Outubro do ano passado que em
Curitiba-PR, às 19h na livraria FNAC do ParkShop Barigüi, ocorreu o
lançamento oficial desta obra ímpar dentre as publicações tolkienianas.

A editora Arte & Letra, juntamente com seus organizadores, tem o
privilégio de ter produzido um livro, que até onde se tem notícia, é o
único no mundo que traz um curso muito bem estruturado para aprender
uma língua criada pelo britânico J.R.R. Tolkien.

Traduzido por Gabriel O. Brum das lições de Helge K. Fauskanger, do site Ardalambion ("Línguas de Arda", existente também em sua versão Brasileira), o Curso de Quenya tem 444 páginas, capa colorida, excelente qualidade gráfica e, o mais importante, conteúdo de primeira!

Do lançamento no Brasil.

Em meados de 2004 surgiu a idéia de fazer uma apostila com o curso de Quenya,
para que todas as pessoas pudessem ter acesso a ele. Essa apostila
teria quatro cores na capa e duas no interior, ou quatro cores na capa
e o interior preto e branco, ou ainda tudo em preto e branco. Pode-se
ver por essa primeira análise, que o livro nasceu simples, sem grandes
aspirações.

Acontece que a Equipe Valinor se mostrou
extremamente capaz e conseguiu transformar essa apostila em preto e
branco num livro com a capa colorida e excelente qualidade gráfica
interior e exterior. Essa mudança de planos não foi fácil, nem simples,
mas com certeza foi recompensadora, pois hoje todos podem admirar com
orgulho o maravilhoso produto final.

Para que o livro se tornasse realidade,
primeiramente foi necessário pedir autorização à Helge Kåre Fauskanger,
o autor do curso. Com muita generosidade, o filólogo permitiu
rapidamente que seu curso fosse encadernado, não sendo, de maneira
alguma, um obstáculo à publicação.

Com a autorização necessária, era hora de correr
atrás da viabilidade de publicação, ou seja, quanto custaria para
produzir um livro de qualidade. Inicialmente esse foi um grande
empecilho, que atrasou muito o lançamento do livro, mas a parceria com a editora Arte & Letra acabou resolvendo esse problema.

Decidida a viabilidade da publicação, passou-se a
pesquisar os detalhes, como o aspecto da capa, qualidade gráfica, o
subtítulo, a sinopse, as orelhas, etc.. Para se decidir o subtítulo,
uma enquête foi feita na área de colaboração do site Valinor, afim de
que todos os colaboradores pudessem votar em opções como A Língua dos Elfos de Tolkien, Língua Élfica de Tolkien, e a vencedora A mais bela Língua dos Elfos, dentre outras.

A fonte das letras no interior do livro também foi decidida através de uma enquete, mas, ao contrário da primeira, esta foi aberta ao público.

O brilhante trabalho de capa
foi desenvolvido por Alex “Valarcan” Lima, com a ajuda de outros
membros da Equipe Valinor, como Moonsorow, Úvatar, Gabriel e, é claro,
o Deriel. No total, foram consideradas cinco capas diferentes, sendo
que a azul foi escolhida por ter mais a “cara” da Valinor. Muitos
diriam que a capa deu trabalho, mas Valarcan afirma que tudo foi muito
interessante e divertido, sendo que essa pode se considerada uma
agradável tarefa.

Seria incorreto falar que o livro do curso de
Quenya não teve repercussão na mídia, já que várias notícias foram
veiculadas sobre o tema, seja no jornal ou na internet. As comunidades
Tolkien também receberam a obra de braços abertos, como podemos ver
nesta resenha de Ronald Kyrmse.

Em suma, pode-se afirmar que a publicação da obra
de Helge Kåre Fauskanger em português e num livro de ótima qualidade, é
mais que uma prova da capacidade da Equipe Valinor, é a demonstração do
poder que a sociedade Tolkieniana brasileira pode ter.

Como é o livro?

Não se pode negar que o Curso de Quenya foi muito bem feito no decorrer
de seus capítulos, para que os estudantes pudessem se acostumar pouco a
pouco com esta língua.

O livro inicia com o prefácio feito por Fábio "Deriel" Bettega, que
fala da iniciativa para o lançamento do livro no Brasil e um pouco do
processo de criação do livro em português.

Depois temos uma longa introdução que pode ser considerada um pouco
enfadonha, mas é importante. A introdução se divide em 6 partes: A
introdução geral, A Questão de Direitos Autorais, Como é o Quenya?, As
Fontes, Uma Palavra de Advertência com Relação ao Corpus, e Convenções
Ortográficas. Em cada parte, Helge vai falando do conteúdo do livro, de
como se deu sua construção e alguns avisos aos estudantes de Quenya.

Após isso, chegamos nas lições, onde o estudo se inicia. Cada lição
possui assuntos tratados separadamente e ao final das lições há um
sumário, resumindo todo o conteúdo da lição, com exercícios e
(exceto-se pela lição 1) um vocabulário com 12 palavras, pois os elfos
preferem contar as dúzias ao invéns de nossas dezenas.

A lição 1 divide-se em 'Sons no Quenya' e 'Pronúncia e Pronuciação'.
Nesta lição introduz-se regras básicas do quenya, como encontros vogais
e consonontais possíveis e como cada letra e encontros devem ser
pronunciados e, também, sobre tonicidade das palavras.

A partir da lição 2 até a lição 20 temos a morfologia e sintaxe do
quenya, desde singular e plural até verbos irregulares e as mais
variadas excessões às regras gerais da língua. A cada lição nota-se
como a língua foi evoluindo com o passar do tempo. Como existem muitos
casos obscuros e palavras cuja a função não é totalmente esclarecida,
também revela-se a beleza da língua, como Tolkien foi cuidadoso em sua criação e como o quenya no final se tornou uma língua completa.

Cada exemplo dado no livro e cada função sintática é tratada com muito
cuidado, em casos ambíguos o autor declara sua opinião deixando claro
que não há certeza sobre a questão.

Os exercícios envolvem unicamente os assuntos tratados na lição, mas a
cada lição as frases se tornam mais complexas e é inevitável o uso dos
assuntos estudados anteriormente. E o vocabulário utilizado é formado
pelas palavras das lições anteriores e da lição em questão.

Depois das lições, chegamos nos apêndices que trata de alguns assuntos
obscuros que foram citados nas lições, mas não foram tratados com
profundidade.

No final do livro existe um dicionário quenya-português e
português-quenya, contendo todo o vocabulário nas lições e as respostas
das lições com explicações para os exercícios que possuem casos
complicados.

Assim todos os brasileiros que desejam aprender a escrever e/ou falar
quenya tem uma fonte segura de aprendizado, graças a ótima construção
do livro por Helge e um grande trabalho da equipe brasileira que fez de
tudo para que o Curso de Quenya pudesse ser lançado no Brasil com a
melhor qualidade possível.

Entrevistas:

Após conferir a entrevista da Valinor com Helge Kåre Fauskanger
(antes da publicação do livro), pode-se confirir abaixo depoimentos de
Alex "Valarcan" Lima, responsável pela arte da capa e Thiago "Ispaine"
Marés, o editor do livro.

Com Alex Lima:

Heren Quentaron (HQ): Como foi fazer o projeto da capa do Curso de Quenya?

Alex: É bom que se diga que o projeto para se fazer a capa do
livro teve a colaboração por demais importante de alguns membros da
Valinor, como o Eldaráto/Moonsorow (nunca sei quando ele é um ou quando
é outro, hehehe), o Úvatar (que me enchia a paciência com as dimensões
da Capa, pixels e mais pixels,…), o Gabriel (Tilion), e é claro, o
Deriel (que disse o sim no final das contas, hehehe)… cada um sempre
ajudando a modificar algum detalhe como cor, tamanho de fonte, e textos
até chegarmos ao desenho final da capa.

Olhando agora nos meus arquivos, verifiquei que foi apresentadas cinco
capas diferentes e inclusive existia uma versão em vermelho do desenho
final da capa (que na minha opinião havia ficado muito boa – mas sou
meio parcial com relação a cor por causa do meu Coloradismo), mas
acabamos por ficar com a azul por ser mais "a cara" da Valinor. Alguém
poderá dizer que a capa deu trabalho, mas acho que foi mais uma
diversão, antes de qualquer coisa. Adoro trabalho com imagens e foi
muito bom trabalhar neste projeto. Lembro que primeiramente apresentei
uma capa com uma imagem de uma elfa que era formada por água (mais ou
menos como a forma dos cavalos formados pelas águas em "A Sociedade do
Anel") que encontrei na internet, porém, esta imagem poderia ter
direitos autorais e a vetamos.

A segunda capa que apresentei para análise do grupo, já foi um esboço
do trabalho final, ou seja, não passamos por várias capas e as
rejeitamos, apenas trabalhamos encima deste segundo esboço, o que
facilitou e agilizou o projeto. O primeiro esboço foi apresentado em
28/06/2004 e acabamos o projeto no final de julho. O trabalho foi
rápido mesmo. A única coisa que foi bastante discutida foi o título do
livro (nome e tipo de fonte). Alguém deve se lembrar que até colocamos
um tópico com uma enquête a respeito. Mas no final, saiu o "Curso de
Quenya – A Mais Bela Língua dos Elfos", assim como todos já conhecem.
Creio que, de uma forma geral, o trabalho agradou.

Com Thiago Marés:

HQ: E depois da primeira reunião, vocês [Thiago e Fabio Bettega]
voltaram a se encontrar quantas vezes, como foram as semanas que
antecederam o lançamento?

Thiago: Acho que fomos nos encontrar somente na frente da
gráfica, quando o livro saiu. O livro foi todo feito nas conversas por
MSN e no Fórum da Valinor. E era muito legal porque todo mundo
acompanhava cada passo e dava sua opinião. Foram semanas de trabalho
intenso, mas muito divertidas.

HQ: E o que é interessante nessa história é que você como editor da A&L, também é fã de Tolkien.

Thiago: Eu entrei no projeto como fã de Tolkien e saí como editor.

Sobre as compras

Para adquirir um exempplar desse maravilhoso trabalho, bastava visitar o site da editora Arte & Letra.

O Retorno do Rei – 50 anos

Hoje, o livro “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” comemora os dourados 50 anos de publicação.
 
 
A conclusão da saga que encantou milhares de pessoas em todo o mundo é
um livro deslumbrante, e assim sendo, a Heren Quentaron não poderia
deixar de prestar sua homenagem ao aniversário de 50 anos do livro.
Coletamos algumas informações, depoimentos, ilustrações de capa das
diferentes edições, além de falarmos um pouco sobre alguns personagens
que são destaque neste livro.

 
O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei – 50 anos
As edições pelo mundo:

Das edições inglesas

É na Inglaterra e nos Estados Unidos que existem as mais diversas
edições, de diversos formatos e padrões, e com variadas ilustrações de
capa. Desde as edições "normais" à edições de luxo, para colecionadores.

Há um site que reúne todas as capas dessas edições, desde 1954. Pode-se conferir aqui, que vai até o período de 1979. Depois disso, nota-se uma clara evolução das capas, de 1980 à 1990,
quando ilustrações de artistas como Ted Nasmith começaram a figurar nas
capas. Essas edições são da editora George Allan & Unwin.

Da editora americana Harper Collins, figuram edições com ilustrações de Alan Lee, John Howe e do próprio Tolkien. São de 1991 à 1996, e as capas de O Retorno do Rei podem ser vistas na 3ª Coluna. De 1997 até 2001,
a Harper lançou edições com capa dura, e foi nesta época que surgiu a
ilustração de Geoff Taylor, que foi usada posteriormente no Brasil, e é
a mais conhecida entre os brasileiros.

Das edições brasileiras

Lançado oficialmente no Brasil, através da Martins Fontes, em agosto de 1994, O Retorno do Rei trouxe uma capa projetada pelo próprio editor Alexandre Martins Fontes. A capa de A Sociedade do Anel traz um mago e uma borda azul, As Duas Torres uma borda vermelha, e a dO Retorno do Rei uma borda de cor escura com um soldado em destaque.

A trilogia foi traduzida por Lenita Maria Rímoli Esteves, e as poesias
dos livros por Almiro Pisetta. Quem ficou de revisor e consultor foi
Ronald Kyrmse (autor de Explicando Tolkien).
Essas edições mais antigas trazem uma letra um pouco maior do que a
utilizada nas edições de 2000 pra cá, e deixam um espaço maior sobrando
nas bordas. Desse modo, o resultado são mais páginas.

A 2ª edição, feita em novembro de 2000 traz algumas diferenças. Existem
duas capas para o 3º volume da trilogia, uma ilustrada pelo próprio
J.R.R. Tolkien e outra pelo ilustrador Geoff Taylor.

Capa por Geoff Taylor
Capa por J.R.R. Tolkien, adaptada da ilustração original dele mesmo, daqui

Da edição portuguesa

Em Portugal, a editora responsável é a Europa-América, que publicou com o título de O Regresso do Rei.
A ilustração de capa é de John Howe, mostrando os soldados na
cidade-capital de Gondor, Minas Tirith. A tradução é feita por Fernando
Pinto Rodrigues, e contém 450 páginas.

O Regresso do Rei

Os Personagens na Obra:

Diz Ian Collier, membro da Tolkien Society que “as pessoas se queixaram
dos personagens: ‘Oh, eles são tão irreais’. E não o são. Os
personagens são escritos sutilmente, talvez escritos muito brevemente.
Entretanto isso funciona, pois eles devem ser míticos”. Para nos
explicar essa questão, selecionamos alguns trechos de depoimentos de
estudiosos das obras de Tolkien, apresentados no documentário “J.R.R.
Tolkien: Master of the Rings”, são eles: Roberto di Napoli, o
apresentador do documentário; Aryk Nusbacher, um acadêmico; Helen Kidd,
uma crítica literária; e, o já citado, Ian Collier.

Helen diz o seguinte: “Ele [Tolkien] não lida apenas com as funções
diárias. Ele penetra mais fundo em profundezas emocionais e
psicológicas e isso é o que é interessante nele.” Isso significa que
qualquer personagem bem desenvolvido por Tolkien, que pegarmos como
exemplo, demonstra um sentimento peculiar dentro da trama: os quatro
hobbits que partiram na Sociedade, apesar de partirem para ajudar a
salvar o mundo, ficam sentindo a falta do seu Condado enquanto estão
longe (principalmente Sam e Frodo), mas eles sabem que precisam
primeiro cumprir a Demanda para poderem retornar.

Cada um tem os seus conflitos internos, os seus dilemas, mas que precisam ser superados.

“Nós quase não ouvimos monólogos internos. O que ouvimos dos
personagens são falados em voz alta. Quase todos se revelam
completamente em suas ações, as escolhas que freqüentemente têm moral
vacilante e conseqüências pessoais”, justifica Roberto. “Os personagens
no primeiro plano falam em vozes que refletem qualidades essenciais. A
linguagem simples dos hobbits e seu humor rústico; a dicção elevada dos
elfos; a habilidade de personagens humanos como Aragorn e Faramir; o
auto-amortecimento de Gollum profundamente ferido; os rosnados
brutalizados de polícia dos Orcs”, acrescenta ele, dão forma a toda
genialidade com os quais os personagens são criados.

“… e em Beowulf você não sabe os problemas do Beowulf com sua mãe,
limpando seu quarto. Você não preciso disso para creditar em Beowulf
fazendo o que ele faz… e a motivação de Frodo para fazer o que ele
faz, ou Aragorn”, completa Collier. Portanto, não precisamos dos
“monólogos internos” para entender os motivos que levam os personagens
a cumprirem suas tarefas, pois sabemos que algo forte por trás deles os
move: salvar o Condado, é o motivo de Frodo.

“O homem pequeno, o soldado britânico que Tolkien viu nas trincheiras
da Batalha de Somme, o tipo de vontade dedicada que os leva a pular o
parapeito da trincheira e andar lentamente em direção às metralhadoras
alemãs. Ele [O Senhor dos Anéis] é sobre esse nível de heroísmo
individual”, finaliza Aryk Nusbacher.

Dos Personagens:

São vários os personagens que figuram em O Retorno do Rei. Poderíamos falar sobre Aragorn ou Gandalf, mas por estes serem, acreditamos, muito debatidos, optamos por comentar sobre:

Éowyn

Sobrinha do Rei Théoden, de Rohan, Éowyn não é uma donzela, que fica
esperando o seu amor voltar da guerra, como alguns romances costumam
retratar. Pelo contrário: Éowyn é a essência do lado guerreiro que
todas as mulheres possuem. Há romances que colocam as mulheres como
inferiores aos homens: infelizmente, por algum motivo, raramente se
encontram casos em que as mulheres vão lutar numa guerra. Muitas vezes
a justificativa é o famoso “rótulo” de que a mulher é um ser “frágil”.
Mas elas não o são!

O professor Tolkien nos ensina através da personagem Éowyn que não devemos ficar “presos em gaiolas”, e sim ir à luta,
como ela mesma diz: “Desejo cavalgar para a guerra (…) como o Rei
Théoden, pois ele morreu, alcançando tanto a honra como a paz”. E este
exemplo serve, também para homens, que independente das origens devemos
batalhar, desde que tenhamos um motivo, um objetivo, por “lutar”.

Boca de Sauron

Boca de Sauron está entre os personagens mais misteriosos de O Senhor
dos Anéis, principalmente por que pouco se sabe acerca dele.
Sua aparição na obra se restringe ao capítulo "O Portão Negro se abre", n'O Retorno do Rei.

Sua descrição inicial é de "um vulto maligno, montado num cavalo negro,
se aquilo era um cavalo, pois era enorme e hediondo, e sua cara uma
máscara horripilante, mais parecendo um crânio que uma cabeça viva, e
das covas de seus olhos e de suas narinas saía fogo." (O Retorno do
Rei, pg 158)

Nessa parte da tradução brasilera, porém foi omitido um detalhe, encontrado pela FTV (Força Tarefa Valinor).

O parágrafo que se inicia assim:

"Como seu líder veio cavalgando um vulto maligno…"

está assim no original em inglês:

"At its head there rode a TALL and evil shape…"

Foi omitido que o vulto era, além de maligno, ALTO.

Mesmo a apresentação de Boca é uma contradição, uma vez que ele se apresenta abertamente, dizendo "Eu sou a Boca de Sauron"
Porém, anteriormente, Aragorn fala de Sauron que "Nem usa seu nome
certo, nem permite que seja soletrado ou pronunciado" (As Duas Torres,
pg 8).

Contrariando o que Aragorn disse, Boca de sauron usa seu nome diversas
vezes normalmente. Talvez foi um erro de Tolkien, ou talvez Aragorn
estivesse enganado quanto a sua informação, que provavelmente foi
baseada na época em que Sauron ainda construia seu exército em segredo
em Dol Guldur. Naquela época Sauron realmente não queria que seu nome
fosse ouvido na Terra Média, porém na época da Guerra do Anel, isso
talvez não possuísse mais lógica.

Daquilo que sabemos de concreto sobre Boca de Sauron é que ele era o
Tenente da Torre de Barad-dûr, pertencente àqueles chamados
númenorianos negros, os renegados de sua raça.
Com seu mestre, Boca "aprendeu grandes feitiçarias, e sabia muito da
mente de Sauron; era mais cruel que qualquer orc" (O Retorno do Rei, pg
159).

Boca é literalmente o porta voz de Sauron, e como Mensageiro ele veio
ao Portão Negro, a fim de mostrar à Gandalf e à comitiva as evidências
de que Frodo e Sam estariam mortos.

Depois de debater com Gandalf e de se sentir ameaçado, Boca acaba
voltando às hostes de Sauron, e dá o sinal para o início do ataque
contra os remanescentes de Gondor.

Antes de se tornar Tenente de Sauron, Boca era o líder dos Númenorianos
Negros em Umbar, um grupo que se denominava A Irmandade de Malithôr e
que mantinha em Umbar um grupo de resistência contra o reino de Gondor,
na época do reinado de Isildur.

Não se sabe que fim levou Boca de Sauron após a derrota de Sauron. Seu
fim fica apenas no campo das cogitações, assim como a maior parte do
que o envolve.

Imrahil

Imrahil foi príncipe de Dol Amroth, uma província de Gondor. Este
humano nasceu em 2931 da 3ª Era. Conta-se que o Senhor dos Cavaleiros
Cisnes, como era chamado, possuía sangue élfico correndo em suas veias.
Ele sempre foi um sábio governante que manteve seu reino próspero. Sua
nobreza e força tornaram-se lendárias durante a batalha em Minas
Tirith. E após isso, participou do Último Debate, que só de sua parte
reuniria cerca de três mil e quinhentos homens para irem na frente do
Portão de Mordor. Sobre Imrahil, Legolas disse “… um belo senhor e um
grande capitão de homens”.

Esse príncipe também foi importante após o suicídio do Regente
Denethor, em plena batalha no Pelennor, pois ajudou Gandalf a comandar
e chefiar Gondor. Por fim, acabou assumindo a defesa das muralhas
externas de Minas Tirith.

E, sendo Dúnedain, acredita-se que Imrahil viveu por muito tempo,
morrendo no ano 120 da 4ª Era, quando foi descansar em Rath Dínen.

Os Drúedain

Pequenos homens selvagens, os Drúedain têm cerca de 1,20 metros de
altura, com pernas curtas e nádegas grandes. São atarracados, com os
olhos profundos em uma face achatada. Não têm pelos abaixo das
sobrancelhas, exceto por alguns poucos que podem se gabar de um pequeno
tufo de barba no meio do queixo.

Esse povo nunca gostou de fazer contato com nenhum dos outros povos e,
talvez por essa excêntrica atitude, seus representantes sempre foram
caçados como animais selvagens. Se os povos livres da Terra-Média
tivessem dado mais atenção aos Drúedain, poderiam ter notado seu
significante valor de combate, já que, quando irritados, é difícil
pará-los.

Suas guerras geralmente são contra Orcs, inimigos mortais desse povo.
Os seres do mal sentem prazer um capturar e torturar os pequenos homens
selvagens mais do que podem sentir guerreando contra qualquer outro
povo. Obviamente os Drúedain não são adversários fáceis, já que podem
ser considerados os melhores seguidores de trilhas de toda Arda, além
de possuir conhecimento para criar venenos poderosíssimos.

Pouco se sabe acerca de sua origem, mas provavelmente o primeiro
contato deles foi com o povo de Haleth, que constatou o não numeroso
povo vivendo em tribos na floresta. Jamais há guerras de Drúedain
contra outro representante do mesmo povo, já que existe um valioso laço
da amizade entre as tribos.

Uma das não menos valiosas especialidades desses homens é a confecção
de figuras em pedras que podem assustar orcs e confundir homens ou
elfos. Quando feitas sob semelhança de seu senhor, são chamadas de
"pedras de vigia", ou "esculturas-Pûkel" e geralmente são colocadas em
trilhas ou curvas nos caminhos da floresta, para amedrontar os
inimigos. Há quem diga que essas esculturas possuem poderes associados
à vida como visão e mobilidade.

Os Drúedain têm á habilidade de permanecer imóveis, sendo muitas vezes
confundidos com as suas "pedras de vigia". Talvez por isso seus
serviços de vigilância fossem tão cobiçados pelo povo de Haleth, que
quando não conseguia um desses homens para o serviço, tenta uma "pedra
de vigia", pensando que estas conservam parte do poder de seu criador.

Em O Retorno do Rei, Ghân-Buri-Ghân, o líder dos Drúedain, guia as
tropas de Rohan por um atalho na floresta Druadan, permitindo que estas
escapassem do enorme contingente militar de Orcs e Orientais que
guardavam a Estrada Oeste. Ghân pediu um pagamente bem simples: que o
seu povo fosse esquecido, sem nunca mais ser caçado, para ter paz.

Com o início da Era dos Homens, os Drúedain receberam seu pagamento e
foram esquecidos. Por nunca terem sido um povo numeroso, acredita-se
que eles logo se extinguiram.

Entrevista e Depoimentos:

Para este artigo especial, pedimos a opinião de dois escritores
brasileiros conhecidos entre os fãs: Rosana "Shelob" Rios (organizadora
do livro "Senhoras dos Anéis") e Thiago "Ispaine/Estus" Marés (autor do livro "O Segredo da Guerra"). Vamos conferir os depoimentos.

Rosana Rios

"Quando Tolkien começou a escrever 'O Senhor dos Anéis', ele não tinha
a menor idéia de que estava para produzir um clássico absoluto, mudar a
face da Literatura de Ficção Fantástica, e ganhar muito dinheiro. Ele
queria apenas escrever mais uma história sobre Hobbits… E, se
possível, ligá-la ao que ele considerava o trabalho de sua vida, o
compêndio de mitos e lendas que um dia seria 'O Silmarillion'.

Muito provavelmente devido à sua cultura e ao seu grande conhecimento
de obras clássicas e da matéria básica da Literatura, as Línguas, ele
possuía elementos mais do que suficientes para criar uma 'mitologia
para a Inglaterra'. Tinha talento para manipular os arquétipos que
permeiam o pensamento humano, e despertar em cada um de nós, leitores,
a emoção profunda que ocorre quando nos identificamos com os
personagens.

A identificação pode ser a chave para se entender porque 'O Senhor dos
Anéis' mexe tanto com as pessoas de todo canto do mundo. Esse livro não
aborda simplesmente uma 'luta do Mal contra o Bem', mas traz à tona
nossos sentimentos mais profundos, relacionados às duas grandes forças
que movem o ser humano: Eros e Thanatos – o Amor e a Morte.

De fato, identificamo-nos com Frodo quando ele precisa levar adiante um
fardo acima de suas pequenas forças, e para isso conta apenas com a
amizade e a lealdade de seus companheiros. Com Galadriel, quando a ela
é oferecido o Um Anel, e deve escolher entre estender a mão e abraçar o
Poder Absoluto, ou renunciar a ele, diminuir, e ir para o Oeste de onde
foi banida. Com Éowyn, quando o destino a força a optar entre ficar em
uma suposta segurança com o povo de Rohan ou partir de encontro à morte
certa por amor do tio e do irmão…

Nesses momentos-limite, sentimos na carne a dor de cada personagem, ao
ter de fazer a escolha. E é disso que fala 'O Senhor dos Anéis', de
escolhas – difíceis e pungentes, mas sempre livres. Cada indivíduo ali
é senhor de seu destino, embora às vezes possa parecer o contrário!

Talvez seja por isso, então, que tantas gerações de leitores amam e
continuarão amando essa obra. Pois vemos refletidos nela as nossas
próprias dificuldades nos momentos de escolha, os quais nunca sabemos a
que caminhos irão levar. Pois, como disse Gandalf, 'nem mesmo os mais
sábios podem ver todos os fins' ".

Thiago Marés

"Gostaria de citar uma Carta de Tolkien para a Allen & Unwin datada de 30 de Setembro de 1955:
'Quando o Vol. III provavelmente aparecerá agora? Serei morto se algo não acontecer logo.'
Acho que esta carta traduz toda a ansiedade e espectativa que existia
para a conclusão da história. E Tolkien não decepcionou seus fãs. O RdR
é soberbo, consegue reunir todos os personagens novamente com uma
coerência incrível de acontecimentos e datas. Sem mencionar os
apêndices, um material valioso que responde dezenas de perguntas e
desperta outras centenas."

Curiosidade:

É em "O Retorno do Rei" que lemos um dos trechos preferidos do próprio
Tolkien. Daphne Castell, em novembro de 1966, entrevistou o professor,
para o New Wolrd
perguntando o que ele gostava em sua própria obra. A informação é do
livro Explicando Tolkien, de Ronald Kyrmse: "… antes da batalha dos
Campos do Pellenor, Gandalf confronta-se finalmente com o Senhor dos
Espectros do Anel. Um galo canta, pouco se importanto com a batalha
iminente, e nesse momento ouvem-se, ecoando nas montanhas, as trompas
dos cavaleiros de Rohan". Curiosamente, esta é uma passagem também
adorava por muitos fãs, deste livro que hoje comemora seus 50 anos.

Parabéns professor Tolkien, pelo seu poder criativo!

Fontes:
Enciclopédia Valinor
Dúvendor
DVD J.R.R. Tolkien: Master of the Rings.
Livro: Explicando Tolkien, de Ronald Kyrmse. Martins Fontes, 2003.
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Martins Fontes.

A arte que você vê no início do artigo é uma montagem feita por
Ariadne "Idril" Rodrigues, especialmente para este texto. Uma versão
maior pode ser conferida através deste link,
basta clicar na imagem para ampliá-la. Trata-se de uma montagem feita
com 3 ilustrações: Minas Tirith (Ted Nasmith), em destaque; Éowyn vs
Nazgûl (John Howe), sobreposto sobre a principal; e as incrições do Um
Anel (J.R.R. Tolkien) nas bordas.

O grupo agradece pela colaboração de Ariadne Rodrigues, Roger
"Daeron" Lee (do Portal Tolkienianos), Rosana Rios e de Thiago Marés,
para a construção deste artigo.

2ª HobbitCon – 2005

Autores: Smaug; Fëanor
 

Apresentação:

Dois membros da Heren Quentaron estiveram presentes na 2ª edição da
HobbitCon, que se realizou no dia 15 de novembro de 2005, na Casa de
Bruxa, em Santo André-SP. Por estarem presentes, puderam acompanhar as
palestras, as apresentações de músicas celtas, conferir os sorteios, as
exposições e muito mais.

Achamos que seria uma oportunidade legal de contar como foi este
evento, especialmente para aqueles que não puderam ir, e portanto
produzir um artigo. Mas para não ficar só na escrita, também temos
várias fotos deste evento Tolkieniano que são citadas ao longo do
artigo.

Ah, este especial também é o artigo de número 50 do grupo. Esperamos que gostem, boa leitura!

2ª HobbitCon – 2005
 
O que é HobbitCon?

HobbitCon (Con de Convenção) é um evento que visa reunir vários fãs de
Tolkien, para participar de palestras, concursos, ouvir histórias,
entre outras coisas, organizado pela Federação Tolkiendili Brasileira.
Opa, mas o que é essa FTB? Esse órgão é composto de 8 comunidades e
sociedade Tolkienianas: Valinor, Dúvendor, O Pônei Saltitante, O Condado, Heren Hyarmeno, Amon Hen, O Conselho Branco, e Sociedade Tolkien Brasileira. Portanto, é um evento para todos os fãs do professor Tolkien, desde os admiradores dos filmes até os mais estudiosos.

Até o momento são 2 edições, a primeira foi em 17 de janeiro de 2004,
que reuniu quase 800 pessoas na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em
São Paulo – SP, e a 2ª ocorreu há pouco, em 15 de novembro de 2005,
reunindo cerca de 250 pessoas. Como entrada ou "ingresso", é necessário
levar 1 kg de alimento não perecível. Tudo o que é arrecadado, é
revertido para instituições.

Palestras

As três palestras da HobbitCon se realizaram na Sala do Mago, a
primeira à direita de quem entra, na Casa de Bruxa. Como era pequena e
um tanto abafada, algumas pessoas chegaram a acompanhar pela janela, no
lado de fora! Mesmo assim, as conversas dos palestrantes com o público
presente foram muito agradáveis e interessantes, pois todos são grandes
conhecedores de Tolkien, e foi impossível não sair de lá sem ter
acrescentado algo em seu conhecimento “tolkieniano”, ou “celta”, como o
caso da palestra de Cláudio Quintino. Vamos a elas:

As Cartas de J.R.R. Tolkien

A primeira palestra do dia foi sobre o novo livro de Tolkien, que chega
ao Brasil em breve, pela editora Arte & Letra “As Cartas de J.R.R.
Tolkien”. Conduzida por ninguém mais que o seu próprio tradutor,
Gabriel O. Brum, e com a participação especialíssima do jornalista
Reinaldo “Imrahil” Lopes.

Gabriel iniciou falando da idéia da tradução, de sua “estupefação com o
convite para o trabalho”, como conta em seu blog, proposto por Thiago
Marés (o editor), e disse que aceitou fazê-la “após recolhido o
queixo”, como disse na palestra. Explicou das negociações com a Harper
Collins, a editora inglesa do Tolkien, e desse processo inicial. E
seguiu falando de uma maneira geral como foi a tradução, a diferença da
escrita e linguagem de carta para carta, de algumas dificuldades quando
Tolkien usava gírias ou expressões antigas, e assim por diante.

O palestrante trouxe o seu exemplar The Letters of J.R.R. Tolkien
numa pasta, e até comentou que agora encontra-se em estado deplorável
de tanto manuseio. E deixava um ar de suspense para os futuros leitores
a cada vez que terminava de comentar algo de curioso das cartas,
dizendo “bom, vocês verão isso nas cartas”. Mas este relatório vai
antecipar algumas coisas, como dois nomes “hobbitescos” que irão
figurar na carta 214, por exemplo.

Depois do conhecido “Onzenta e um” (111), o novo nome que segue este estilo é “Anoante”. Em inglês é escrito byrding, e Gabriel esclarece: “Ela vem do anglo-saxão byrd, que significa ‘nascimento’ (e daí o birth
em inglês moderno). Ou seja, byrding nada mais é do que
‘aniversariante’, mas dito da maneira habitualmente tosca que um Hobbit
empregaria”. Significa então que Anoante é uma palavra empregada pelos hobbits para dizer quando uma pessoa está fazendo aniversário.

E que tal o novo sobrenome de uma família hobbit que se chama
“Lombarreiro”? Mas como assim? Vamos explicar: este nome vem do inglês Clayhanger,
que pode ser decomposto em dois: “Clay” = barro + “hanger” = cabide.
Tolkien certamente não se prendeu ao significado mais banal da palavra,
e usou o seu estilo mais arcaico, que poderia ser entendido como
“declividade embarrada e com árvores”. Porém, como o tradutor explicou,
é um sobrenome no mínimo bizarro, e ele precisava descobrir algo mais
apropriado para ficar “hobbit”. Evidente que o pessoal da sala deu
risadas. Mas a decisão final foi omitir o “árvores” que não ocorre
visualmente no nome, e trocar “declividade” por “lomba” somando com
“barreiro” (ao invés de barro ou barroso, nomes comuns no português).

E até podemos dizer que esta foi uma feliz escolha, assim como o caso
“Valfenda” que seria um “Vale na Fenda”, mas virou uma palavra só. Ah
sim, a hobbit que terá esse sobrenome é Lália. E até foi contada a
história que acontece com ela, narrada nas cartas, que é muito curiosa
e engraçada, porém demoraria para descrever, por isso como diria o
palestrante, “vocês verão isso nas cartas”.

Passando para outra curiosidade, Gabriel disse que mudou Ranger,
que nas traduções da Martins Fontes é “Guardião” para “Andarilho”. Ele
explicou que ‘Andarilho’ se encaixa melhor ao contexto da Obra e ao
papel dos Dúnedain, e que ‘Guardião’ só deveria ser usado no caso de um
sentido puramente inglês, onde um indivíduo protege um parque real ou uma floresta.

Mas como o tempo estava acabando, a vez foi passada para o jornalista
Reinaldo Lopes que leu uns trechos das Cartas. Uma delas foi escrita 1
dia depois da explosão da bomba atômica, em que Tolkien comentava sobre
racismo e nazismo. Nela, podemos observar um lado bastante pessoal do
professor, chocado com a guerra, mas sem perder as esperanças.

Fotos:
Gabriel palestrando.
Palestra das “Cartas”.
Gabriel palestrando, 2.
Reinaldo lê um trecho engraçado das cartas.
Smaug (da Heren Quentaron) com o tradutor Gabriel.
Reinaldo, Marreco (Thain da Toca ES) e Gabriel.

Mitologia Celta e Tolkien

A segunda palestra do dia foi com Cláudio ‘Crow’ Quintino, que, como
disse Reinaldo Lopes, “sem dúvida é o maior especialista de mitologia
celta do país”. Ele é autor de "O Livro da Mitologia Celta", e fez um
show de palestra mostrando relações da mitologia celta com as obras de
Tolkien. Foram muitas informações passadas aos ouvintes, portanto aí
vão algumas.

Cláudio começou explicando o que é mitologia. Disse que as pessoas
associam mitologia com mito e que como um mito seria algo falso,
mitologia também o é. Mas na verdade ele frisou que mitologia é a
história de um povo contada sob o ponto de vista de um outro povo, e
que portanto não deve ser interpretada como uma história falsa. Contou
que, para os celtas, a natureza era algo da maior importância. Eles
davam valor para tudo que existia nela, como os cursos dos rios, e
comentou como um celta se sentiria “mal” nos dias de hoje ao ver tanta
poluição. E após uma breve introdução sobre “mitologia”, perguntou se
até aí estava entendido o assunto, como ninguém questionou, ele
prosseguiu.

Quintino comentou que leu O Senhor dos Anéis com 15 anos e
que durante um bom tempo só lia esta obra, pois sempre que terminava
ele começava novamente. Brincou que não precisamos ser “fanáticos”,
embora ele mesmo tenha admitido que fazer tatuagens com nem 20 anos de
um livro que recém conheceu, e escondido dos pais, talvez seja um tanto
“fanatismo”. (Cláudio tem uma tatuagem da árvore de Gondor no braço
esquerdo). E muitos caíram na graça.

Mas aí fez uma abordagem da relação do rei Arthur com o rei Aragorn.
Mostrou como as histórias dos personagens são semelhantes: no início
são simples, mas com o tempo precisam reconhecer o seu valor e resgatar
suas espadas para conquistar um reinado. E no meio disso, rola o
romance de Arthur com Guinevere, assim como Aragorn com Arwen. A espada
de Arthur estava fincada na pedra, e só ele poderia tirá-la dali, do
mesmo modo que só Aragorn poderia empunhar a espada Narsil/Andúril
restaurada e enfrentar Sauron.

O palestrante, num certo ponto, contou uma história celta que lembra
muito Númenor, e que poderia ter inspirado Tolkien. Pois na mitologia
celta há uma ilha muito além das terras firmes, à oeste do continente
europeu, onde vivem pessoas, que se chama Breasil – inclusive, como
comentou, pode ser uma origem lingüística para o nome “Brasil”, ao
invés da conhecida história do “pau Brasil”.

Cláudio também falou que a primeira palestra que ele deu foi em 1989,
que tinha como tema “Tolkien e Música”. Mas o tempo foi se esgotando,
pois logo em seguida haveria a palestra sobre “Sexo e Amor na
Terra-média”, então ele disse que foi um prazer estar ali e recebeu uma
salva de palmas.

Fotos:
Quintino Palestrando.
E a palestra continua…
Smaug (da Heren) com Cláudio.
Marreco e Claudio.

Sexo e Amor na Terra-média

E a terceira e última do dia foi sobre um tema muito curioso nas obras
do professor: Sexo e Amor. Os palestrantes foram Reinaldo Lopes, João
“Mandos”, e Gabriel Brum, sentados em cadeiras ao lado de Rosana
“Shelob” Rios (uma das organizadoras do evento) que tecia alguns
comentários. Foi estabelecido 10 minutos para cada um, para que todos
tivessem chance de falar.

Reinaldo começou falando sobre a “ciência” na Terra-média. De como
seria se tentássemos explicar as relações entre os sexos, e o
comportamento de determinadas raças deste continente imaginário, usando
a ciência do nosso mundo. Na certa realidade com fantasia
dariam em algo no mínimo bizarro ou curioso. E deu. A primeira raça
analisada foram os terríveis Orcs. Oras, pelas explicações de Reinaldo,
eles bem que poderiam ser fêmeas! Claro, basta analisarmos a
semelhança com a organização “social” deles com insetos como as
formigas. Estes pequenos insetos dividem-se em ‘trabalhadoras’, as
‘formigas-soldado’ e a ‘formiga-rainha’.

Se isso não convenceu, vale uma lida na matéria do próprio palestrante
que saiu na revista Galileu de outubro, que trata do mesmo assunto. E
agora algo que deixaria o anão Gimli furioso: seria ele uma “Gimla”?
Se for outra idéia absurda, o jornalista explica: na raça dos anões,
tanto os homens quanto as mulheres têm barba (por incrível que pareça),
e possuem características físicas quase idênticas. Reinaldo também
comentou que a relação das famílias Anãs poderia ser “poliândrica”
(quando uma mulher tem vários maridos), visto que a maioria dos
personagens anões são machos.

Feitas as explicações do Reinaldo, João “Mandos” assumiu a palestra.
Sua fala se deu em cima das “Leis e Costumes entre os Eldar”, ou seja,
da relação amorosa entre os elfos. Comentou que uma característica que
predomina nas obras de Tolkien é o fato de um casamento élfico ser para
toda vida, com a exceção de Finwë e Míriel. Assim como o casamento não
era obrigado, só se casavam aqueles que realmente se amavam.

A palestra chegou na reta final, e a vez foi do Gabriel, que
fundamentou suas falas nas opiniões do próprio Tolkien. Citou a carta
43, em que o professor fala ao filho Michael sobre sexo.
E também comentou sobre algumas críticas da época em que o Senhor dos
Anéis foi lançado, como a reclamação ao fato de não haver sexo ou a
vontade dos personagens de fazê-lo. Explicou que para o contexto da
obra, não era necessário mostrar cenas de sexo, e as relações amorosas
eram demonstradas através do “amor cortês”, característico das novelas
de cavalaria.

Deixou claro que sexo não era um tabu para Tolkien, pois o próprio
chegava a dizer “que o casamento era o melhor modo de ‘temperança
sexual’, comparando-o com um bom vinho que deve ser desfrutado aos
poucos, e não abusado em ‘bebedeiras’”, como explica Gabriel.

E foi isso. O tema “Sexo e Amor” foi lançado, cada um dos palestrantes
contou um pouco sob os seus pontos de vista. Após isso, foi aberto o
espaço para as perguntas e discussão.

Foto:
Os palestrantes e o público.

No evento…

Casa de Vairë

Um dos destaques da HobbitCon ficou por conta da Casa De Vairë, evento
do Conselho Branco onde há contação de histórias. O local escolhido
para sediar a Casa de Vairë foi uma árvore que oferecia uma sombra
aconchegante, como pode ser visto nessa foto: aqui.

Foram contadas oito histórias, onde teve-se a prensença de contadores
veteranos e novatos, sendo que uma das histórias foi contada por duas
pessoas simultaneamente ("As aventuras de Frodo, Sam, Merry e Pippin na
Terra-média" , por Luthúriel e Elfhelm).

A maioria dos contadores eram da Toca-SP, o que não siginfica que o
evento não contou com gente mais do que especial de outro estado. Aqui
o destaque fica pra Cláudia "Nísire", Coordenadora da CdV da Toca-RJ,
que contou com maestria a passagem de Aragorn, Gimli e Legolas pela
Senda dos Mortos.

Vale a pena lembrar o grande destaque da Casa De Vairë, que ficou para
o veterano Mandos: um pedido inusitado de casamento que ele fez à
Sheila "Vairë", logo após contar a história de Beren e Lúthien.

Histórias contadas e seus contadores:

* As aventuras de Lúthien e Beren – A busca pelas Silmaril – João "Mandos"
* A queda de Melkor – Nilda "Alcarinquë" Azevedo
* As aventuras das Águias na Terra-média – Thingol
* As aventuras de quatro hobbits na Floresta Velha – Sara "Gythien" Souza
* As aventuras de Frodo e Sam – Luana "Luthúriel" Navarro e Elfhelm
* As aventuras de Pipin e Merry – Luana "Luthúriel" e Elfhelm
* Aventuras nas Sendas dos Mortos – Claudia "Nísire" Mazza
* A batalha de Pelennor – Luana "Luthúriel"

Concurso de Fantasias

Uma das características dos fãs de carteirinha, como os de Tolkien, é
de quando admiram as vestes de um personagem (retratado tanto em filmes
como em ilustrações ou no seu imaginário), ele resolve confeccionar e
vestir uma fantasia o mais semelhante possível do original. É o que
aconteceu neste evento. Foi um concurso onde fãs se vestiram desde
altos elfos, passando por hobbits, até arqueiros, como o pequeno Manwë.

Mas os ganhadores foram Douglas Costa, vestido de Thranduil, o rei da
Floresta das Trevas, e Cláudia “Nísirë”, fantasiada de viúva do
Boromir. Os ganhadores receberam um kit de prêmios, entre eles, actions
figures da Gulliver.

Arena de Eva: A Luta de Espadas:

Durante a HobbitCon, nos fundos da Casa da Bruxa, foi construído um
verdadeiro campo de duelos, onde batalhas épicas entre homens, elfos e
orcs aconteciam: a Arena de Eva.

O pessoal duelava usando espadas de espuma, simulando um combate real.
As regras eram simples: toque nas pernas ou nos braços perdia um ponto.
No tronco perdia dois. Se perdesse dois pontos, era considerada uma
vida. Se tocasse na cabeça ou nos "países baixos", o ponto era
revertido pra quem tomou o golpe.

O pessoal se divertiu a valer duelando com as espadinhas. O único
problema é que do outro lado tinha um verdadeiro samurai, que descia
lenha em todo mundo, e meio que monopolizava uma das espadas, já que
ele era inderrotável (se é que essa palavra existe de fato). Mas o que
valeu, no fim das contas, foi a diversão.

Apresentação de Música Celta

A Hobbitcon contou com o show de Música Celta da banda Olam Ein Sof. O
dueto, composto pelo casal Marcelo Miranda e Fernanda Ferreti,
apresentou-se diversas vezes, com um belo repertório, ao som de
violões, vocal e percussão. O público assistiu as apresentações
maravilhado com a qualidade e beleza das músicas. A banda Olam Ein Sof,
cujo nome significa "Mundo dos infinitos" já possui dois álbuns. Para
quem quiser dar um conferida e saber mais obre a banda, o site oficial
deles é: http://www.olameinsof.com/.

Estandes Temáticos

Haviam também diversos estandes, disponibilizando produtos relacionados
à temática Tolkienana, como cartazes de filmes, miniaturas, livros de
RPG, e até fantasias para os mais ousados. Desde uma varinha de Harry
Potter, até uma espada orc podiam ser comprados por lá. Para quem tinha
algum dinheiro guardado, foi uma ótima oportunidade para aumentar a sua
coleção, ou quem sabe até mesmo para iniciar uma.

Sorteio de Brindes:
Durante o dia, vários sorteios, desde a parte da manhã até o
encerramento, foram realizados. Cada visitante recebia um número na
entrada pelo qual concorria. Os brindes eram vários: cards importados,
chaveiros de personagens dos filmes, livros de RPG, jogos, CDs de
bandas (como a "The Hobbeats"), entre outros. Destacam-se uma espada
Orc, o machado anão de Gimli, e um escudo de Rohan, todos réplicas
muito bem feitas das usadas nos filmes. Lembrando que os brindes foram
conseguidos graças as doações dos associados e empresas, como a Sci-Fi
News ou a editora Devir. O anúncio no microfone era feito pela
simpática Rosana "Shelob" Rios. Com certeza os ganhadores sairam
felizes, e quem não ganhou também, pois o clima foi muito alegre.

Veja também:

Relatório de 2 palestras no blog de Gabriel O. Brum.
Breve relatório da HobbitCon, por Reinaldo Lopes.
Álbum de fotos da HobbitCon.
1ª HobbitCon, no site da Devir.

Agradecemos à colega Ariadne "Idril" Rodrigues, que colaborou com a parte das contações de histórias da Casa de Vairë!

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capí­tulo Final

Autores: Smaug; Mith; Bagrong
 

Apresentação

Este é o sétimo e último capítulo do "Lá e de Volta Outra Vez". Ao
longo destes capítulos, apresentamos biografias de personagens,
descrevemos os locais e as regiões que a Comitiva passou, listamos
variadas ilustrações, fizemos estudos e explicações de diversos temas,
enfim: foi um verdadeiro estudo de O Hobbit.

Para finalizar, esta conclusão traz 2 "estudos": a história do Livro
Vermelho, que Bilbo e outras pessoas usaram para escrever e contar as
grandes aventuras da Terceira e da Quarta Era e o que aconteceu com os
anões da Comitiva de Thorin após a reconquista do reino de Erebor, como
Balin, Nori e Glóin. Também temos números e curiosidades que foram
pesquisados especialmente para este encerramento.

Sobre o concurso de ilustrações, que haviamos proposto, onde a
ilustração vencedora figuraria neste último capítulo: não recebemos
qualquer trabalho artístico. Portanto não haverá ilustrações no artigo.

Uma boa leitura, e até uma próxima!

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capítulo Final

Das datas e dos acontecimentos

Seguiam atrás do Rei Élfico, quando chegaram na borda da floresta e
resolveram se separar. Gandalf preferiu contornar a extremidade norte
da floresta, pois os orcs próximos às Montanhas Cinzentas foram
derrotados, e ainda poderia haver algum perigo na trilha da floresta.
Bilbo foi junto, Beorn acompanhando. Levaram cerca de 1 mês para
chegarem na casa do homem-urso, quando já haviam contornado as bordas
da floresta, e aí se deu o solstício de inverno e o fim do ano.

Começou o ano de 2942. O hobbit e o mago ficaram com Beorn durante uma
estação inteira, até que a linda primavera chegou, e era hora de se
despedir. Foram voltando pela trilha onde meses antes haviam enfrentado
os Orcs, nas Montanhas Nebulosas¹,
quando chegaram em Valfenda no dia 1º do mês de Maio. Ali ficaram com
Elrond, contando e escutando as mais variadas histórias – não só as de
Erebor. Uma semana depois partiram.

Finalmente Bilbo retornou para sua confortável toca no dia 22 de junho,
no Condado. Chegou em meio a um leilão, na sua toca! Estavam vendendo
todos os seus móveis e objetos, pois imaginavam que o hobbit estivesse
morto. No final das contas, precisou comprar sua própria mobília de
volta!

Algum tempo se passou e em 2949, Gandalf e Balin foram visitar Bilbo em
Bolsão. Ele estava com 59 anos. Ficaram conversando sobre os
acontecimentos dos últimos anos, e compartilhando de suas vasilhas de
fumo. E, assim, a história relatada em 'O Hobbit' se encerrou, mas
novas aventuras estariam por vir.

Nota:
1: O leitor irá encontrar no mapa do livro “O
Hobbit”, na versão brasileira, “Montanhas Sombrias”. O curioso é que no
Glossário de “O Silmarillion”, Hithaeglir (a forma sindarin
para o nome da cordilheira) significa “Montanhas Nebulosas” ou
“Montanhas Enevoadas”, mas não há citações para “Montanhas Sombrias”
(!). Portanto, uma nota para esclarecer o uso de “Mont. Nebulosas” no
texto. Mais sobre essa nomenclatura, veja no capítulo 2 deste projeto.

O Livro Vermelho do Marco Ocidental

Os hobbits costumavam ser seres pacatos demais para criar um livro
acerca de grandes aventuras e perigos fantásticos. Por sorte Bungo
Bolseiro e Belladonna Tûk se conheceram e, mais que isso, se casaram e
tiveram um filho. O filho, Bilbo, certo dia sairia de sua casa sem nem
ao menos um lenço para uma aventura comparada a que poucos hobbits
viveriam.

Bilbo felizmente se safou de todos os perigos e pôde voltar para o
Condado para viver uma vida pacata por mais alguns anos. Neste período
sem aventuras o hobbit começou a narrar suas antigas proezas num grande
livro com capa de couro vermelho.

Passado o tempo, Bilbo envelhece e parte para uma última aventura,
aonde revê a Montanha Solitária e muito do que conheceu da primeira
vez. Mas Bilbo não volta para sua toca no Condado, ele para sua viagem
em Valfenda, onde passa a residir. Durante todo o tempo em que ficou na
casa de Elrond, o pequeno Hobbit trabalhou cuidadosamente em seu livro.

Chega o dia em que Frodo Bolseiro destrói o Um Anel e retorna para o
Condado, mas não sem antes passar por Valfenda. Nesse momento, Bilbo
sente que é chegada a hora de passar adiante seu trabalho e deixa Frodo
encarregado de narrar sua participação na história da Terra-Média.

Frodo volta para Bolsão e escreve sobre os acontecimentos da Guerra do
Anel, iniciando mais uma parte daquele que seria o mais completo e
importante relato da Terceira Era.

Com a partida de Frodo para Valinor, Sam fica encarregado de continuar
o livro, tarefa que cumpre com primor. Mais tarde, o hobbit parte num
barco solitário tendo a terra dos Valar como destino e deixa o valioso
livro para sua filha, Elanor, a Bela.

Elanor casa-se com Fastred de Ilhaverde e vai morar no Marco Ocidental,
região situada à Oeste do Condado que passou a pertencer aos hobbits
por um decreto do rei Elessar. Desse casal descendem os Lindofilhos das
Torres, herdeiros da obra que passa a ser chamada de Livro Vermelho do
Marco Ocidental.

A versão final desta relíquia continha as Aventuras de Bilbo durante a
retomada de Erebor; um relato da Guerra do Anel e os eventos do final
da Terceira Era, conforme vistos pelos Hobbits; numerosas notas
inseridas por outros autores e, em anexo, os três volumes das Traduções
do Élfico de Bilbo e um volume das genealogias e outros assuntos do
Condado compilado por um dos descendentes de Sam.

Infelizmente a versão original deste livro se perdeu, mas diversas
cópias foram feitas ao longo dos anos, sendo a primeira o Livro do
Thain. Encomendada pelo rei Aragorn, essa cópia lhe foi entregue por
Peregrin Tûk, quando este se mudou para Gondor. Sua importância reside
no fato de que esta é uma cópia integral, sendo que nenhum detalhe do
livro original foi perdido.

Outro aspecto importante da reprodução é que esta recebeu novas
anotações e correções, principalmente nas palavras e citações de
línguas élficas. Além disso, uma abreviação do texto acerca da
“História de Aragorn e Arwen”, escrito por Barahir, filho de Faramir,
também foi inserida no livro.

Já a mais importante cópia foi feita por Findegil em 172 da Quarta Era,
provavelmente por um pedido do bisneto de Peregrin, e mantida nos
Grandes Smials, a residência dos Tûks no Condado. Nesta cópia havia a
nota "Findegil, Escriba do Rei, terminou esta obra em IV 172. É uma
cópia exata do Livro do Thain de Minas Tirith. Esse livro era uma
cópia, escrita a pedido do Rei Elessar, do Livro Vermelho dos
Periannath, e foi levado a ele pelo Thain Peregrin, quando este se
retirou para Gondor em IV 64.".

As duas versões de Livro Vermelho do Marco Ocidental citadas acima são
as únicas a conter toda informação presente nele, mais o que lhe foi
adicionado e corrigido em Gondor. Na verdade, apenas o livro de
Findegil continha o anexo “Traduções do Élfico” de Bilbo Bolseiro, por
isso sua importância.

Curiosidade:

Apenas como curiosidade, vale lembrar que Tolkien afirmava ser um mero
tradutor do Livro Vermelho. Nesta história ele teria encontrado a obra
e a traduzido para o inglês. Talvez por isso a soma dos capítulos de O
Hobbit e O Senhor dos Anéis seja 81, já que Frodo entregou o Livro à
Sam contendo 80 capítulos e sendo o último inacabado. Provavelmente, de
acordo com o mito criado pelo professor, Sam teria acabado o octogésimo
capítulo e escrito o seguinte.

O Hobbit, 19 capítulos.
O Senhor dos Anéis:
A Sociedade do Anel, 22 cap.
As Duas Torres, 21 cap.
O Retorno Rei, 19 cap.
Soma: 81 capítulos.

Números da Demanda de Erebor

Na história/livro:

  • São 33 personagens principais, salvo engano, fora os vários
    “elfos, anões, wargs, orcs, corvos, aranhas, esquilos negros, águias”
    entre outros, que são citados em bandos, em grandes ou pequenas
    quantidades, sem terem algum nome em específico. A lista dos
    personagens principal é:

Lista de Personagens de O Hobbit

  • Dez personagens morrem. São eles: os trolls Tom, Bert e
    William. Os anões Fili, Kili e Thorin. E os restantes: Smaug, Grão-Orc,
    Bolg, e o Senhor da Cidade do Lago. Sem contar os elfos, orcs, wargs, e
    outros, que morreram em batalhas ou lutas.
  • Mais de 10
    lugares e/ou reinos são visitados pela Comitiva de Thorin. Na ordem:
    Condado; Mata dos Trolls; Valfenda; Montanhas Nebulosas (Caverna dos
    Orcs e Caverna do Gollum); Carrocha; Casa de Beorn; Floresta das Trevas
    (Trilha dos elfos e os Salões do Rei Élfico); Lago Comprido e Esgaroth;
    e Erebor, a Montanha Solitária.
  • Algumas lutas,
    batalhas e encontro com inimigos são travados no livro. E ocorrem na:
    Mata dos Trolls (com 3 trolls); Montanhas Nebulosas (com vários orcs e
    com Gollum – e posteriormente com os wargs, nas raízes da cordilheira);
    Floresta das Trevas (com as grandes aranhas); Montanha Solitária,
    Erebor (com Smaug e novamente com os wargs e orcs).
  • Bilbo
    fica fora de casa 420 dias. Ele sai de sua toca no dia 27 de abril de
    2941, às 10h50min da manhã e retorna no dia 22 de junho de 2942, perto
    do almoço. Os meses do Calendário do Condado possuem 30 dias, mas ainda
    há 5 dias especiais, portanto a duração é igual ao calendário que
    usamos.

Do livro:

  • Contém 19 capítulos, 13 ilustrações e mais uma em preto e
    branco do Smaug, 2 mapas, e cerca de 300 páginas (varia de edição para
    edição).
  • Quase 70 anos de publicação do livro (lançado em 1937).
  • Segundo
    o livro "The Annotated Hobbit" de Douglas Anderson, Tolkien detestou a
    edição portuguesa de Portugal, que foi lançada em 1962. Àquela altura,
    "O Hobbit" se chamava "O Gnomo".
  • Em 1989 "O Hobbit"
    ganhou uma excelente adaptação em quadrinhos, feita por Charles Dixon e
    Sean Demming e com arte de David Wenzel. É a única adaptação de alguma
    obra de Tolkien para os quadrinhos.

Do que aconteceu com os anões
 

O sucesso da demanda de Erebor não significou o fim das aventuras dos
anões. Após a retomada do Reino sob a montanha, muita coisa aconteceu
com esse curioso povo.

Dain-pé-de-ferro, o novo Senhor da Montanha Solitária, foi um justo e
próspero rei que governou até o ano de 3019 da terceira Era, quando
tombou em batalha contra as forças de Sauron. Diz-se que a resistência
do anão ao lado do corpo do rei Brand foi um gigantesco feito, sendo
que ele pôde brandir seu machado até o cair da noite, mesmo estando na
avançada idade de 252 anos.

Outro anão que teve destaque dentre os remanescentes dos aliados de
Thorin Escudo-de-carvalho foi Balin, já que este possuiu coragem o
suficiente para travar uma batalha a fim de reconquistar Moria, a mina
dos anões. Infelizmente essa empreitada foi mal sucedida, pois o anão
morreu, assim como todos os que o seguiram.

A Missão de Balin começou no ano 2989 da terceira era (o mesmo ano em
que Bilbo adotou Frodo), quando a comitiva liderada por ele deixou
Erebor, e viu seu fim no ano de 2994, com a morte de todos os Anões de
Moria. Foi um curto período de cinco anos, mas que serviu para provar
que ainda restava esperança entre os anões.

A verdadeira retomada deste antigo reino só se deu na quarta Era,
séculos depois que Gandalf matara o Balrog. Pouco se sabe acerca de
como tudo ocorreu, já que isso só aparece em rascunhos dos apêndices de
O Senhor dos Anéis, mas acredita-se que Durin VII foi quem liderou a
definitiva reconquista de Khazad-dûm e que esse reino voltou a ser
próspero e rico até o mundo ficar velho e os dias do povo de Durin
terminarem.

Dos outros membros da Demanda de Erebor, pouco se sabe ou pouco
fizeram, a não ser por Bilbo, que têm suas aventuras futuras bem
conhecidas. Dentre os anões, sabe-se que Óin pereceu em Moria, junto de
Balin; que Nori passou o resto dos seus anos residindo em Erebor e que
Glóin, pai de Gimli, participou do Conselho de Elrond.

Consultas

Livros:
O Hobbit, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Silmarillion, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, J.R.R. Tolkien. Martins Fontes.
O Atlas da Terra-média, Karen Wynn Fonstad. Editora Martins Fontes, 2004.

Sites:
Enciclopédia Valinor.
The Encyclopedia of Arda.
Tolkienianos.

Agradecimentos aos usuário Daeron, do Portal Tolkienianos, e à Marreco pelas colaborações com curiosidades.

Lá e de Volta Outra vez: As Férias de um Hobbit – Capí­tulo 6

Autores: Smaug; Proview; Fëanor ¥; Bagrong
 

Apresentação:

O penúltimo capítulo do projeto "Lá e de Volta Outra Vez", finalmente
está no ar. Seguindo a mesma linha dos anteriores, este traz novas
informações sobre o livro "O Hobbit", com imagens e muitas curiosidades.

Desta vez contaremos a trajetória de Bilbo e dos Anões, um texto
explicativo acerca da Batalha dos Cinco Exércitos e detalhes
impressionantes sobre o magnífico tesouro de Erebor, com destaque para
a pedra Arken.

Leia e confira, boa leitura!

Lá e de Volta Outra vez: As Férias de um Hobbit – Capítulo 6

Das datas e dos acontecimentos

Logo a notícia da morte de Smaug espalhou-se aos quatro ventos, e em
pouco tempo formaram-se legiões em busca do tesouro supostamente
desprotegido. Orcs e lobos iniciaram a marcha para a Montanha, sendo
vigiados sem saber pelas Águias.

O rei dos elfos da Floresta das Trevas também começou a se dirigir para
lá, mas a pedido de Bard, mudou o rumo e voltou-se para a Cidade do
Lago, e após 11 dias eles tomavam o rumo da Montanha reunidos.

Porém Thorin não ficou parado. Ali na Montanha ele acabou se
encontrando com Röac, chefe dos corvos e filho de Carc, que outrora
fora seu amigo. Estava renovada a amizade dos anões e dos corvos, e tão
logo Thorin recebeu a notícia da morte de Smaug, ele enviou corvos com
mensagens para seus parentes, entre eles Dain, seu primo das Colinas de
Ferro, avisando do ocorrido e pedindo reforços contra os prováveis
“invasores”. Se apressaram em construir uma fortificação de grandes
pedras quadradas, assentadas a seco.

Os primeiros a alcançar a Montanha nessa “corrida do ouro” foram os
exércitos de Bard e do rei élfico, no anoitecer do dia 15 de novembro.
Thorin porém não permitiu que adentrassem em seu reino, fazendo com que
os recém chegados acabassem por sitiar a Montanha no dia seguinte. A
situação estava tensa, e Bilbo decidiu tomar uma atitude. De posse da
Pedra Arken, que ele encontrara na Montanha em segredo, dirigiu-se ao
acampamento dos homens e elfos, e ali resolveu entregá-la a Bard, para
que pudesse negociar com Thorin. Antes de retornar ao seu posto,
encontrou-se com Gandalf, que ali estava. Apesar da felicidade
momentânea, não podia desviar sua atenção da real situação dos eventos,
e retirou-se.

No dia seguinte Gandalf se apresentou a Thorin, tentando uma
negociação. Bilbo confessou ter entregado a pedra, sendo expulso por
Thorin da Montanha. O mesmo decidiu que entregaria a parte de Bilbo
para homens e elfos em troca da Pedra. E combinou-se que no dia
seguinte a troca seria realizada.

Thorin porém esperava a chegada de Dain, para que tentasse obter a
Pedra sem dar nada em troca, e através dos corvos lhe informou a
situação. E na manhã seguinte Dain chegou, mas Bard se colocou entre
ele e a Montanha, pretendendo permitir a passagem dos Anões apenas após
a troca.

A batalha entre anões e os exércitos de Bard e do rei élfico estavam
prestes a começar, quando os orcs chegaram, acompanhados de lobos e
wargs. Rapidamente anões, homens e elfos se uniram contra o inimigo
comum, mas a desvantagem numérica, porém, continuava. Assim se iniciou
a Batalha dos Cinco Exércitos[1].
E logo a batalha complicou-se para os três povos. Os exércitos de Dain,
Bard e do rei élfico recuavam, perdendo terreno, quando Thorin saiu da
montanha, chamando todos seus aliados, avançando contra o exército
inimigo até atingir a guarda pessoal de Bolg, o chefe dos orcs. Porém
eles acabaram sendo cercados, e viram-se em apuros. Bem neste momento,
as Águias chegaram, precipitando-se sobre os orcs, liberando a Montanha
e renovando as esperanças por um breve momento, pois logo a
superioridade numérica dos orcs e dos lobos voltou a mostrar a
diferença.

Por fim, Beorn surgiu, não se sabe de onde, na forma de um urso.
Avançou sobre os exércitos dos oponentes, aniquilando os que ousassem
ficar em seu caminho. Alcançou Thorin, que havia caído após ser
atingido por lanças, e o retirou dali. Logo voltou, e sua ira era
incontrolável. Sozinho ele derrotou a guarda pessoal de Bolg, e matou o
mesmo. Os orcs, vendo seu líder morto, fugiram desesperados, correndo
para todas as direções [2].
Homens, elfos e anões aproveitaram para matar os orcs que tentavam
fugir, sendo que poucos efetivamente saíram da Batalha com vida.

Depois disso, Bilbo foi encontrado entre as rochas por um homem. Foi
levado até o acampamento no vale onde encontrou-se com Thorin em seu
leito de morte. Era dia 23 de novembro. Ali, eles puderam conversar, e
Thorin retirou as ofensas contra o hobbit, que agradeceu por ter
partilhado dos perigos, e lamentou pelo fim amargo. Porém, o anão o
consolou com belas palavras, e partiu.

No seu enterro, Bard depositou a Pedra Arken sobre o seu peito e o Rei
Thranduil colocou a espada Orcrist sobre o túmulo do anão, que havia
sido tomada quando eles passaram por suas cavernas. Feito isso, Bard,
Bilbo e os anões fizeram a divisão de suas partes de direito do
tesouro. O hobbit não tinha como carregar tanto ouro e prata, por isso
encheu apenas 2 arcas que um pônei poderia levar no lombo.

Na despedida, Bilbo saudou cada anão e ainda virou-se para a montanha
dizendo adeus à Thorin e a Fili e Kili, que infelizmente haviam tombado
em batalha. O exército dos elfos foi partindo, em número menor, mas com
a certeza de que dias mais calmos e felizes viriam. Os anões ficaram
ali, para restabelecer o Reino sob a Montanha. Balin, filho de Fundin,
deixou seu convite à Bilbo: caso voltasse um dia, os salões estariam
prontos para um esplêndido banquete.

E foi assim que as aventuras da Demanda de Erebor chegaram ao fim, com
a aproximação do inverno. Mas havia mais uma viagem a fazer: a viagem
de volta. Lá e de volta outra vez. Bilbo retornaria para sua amada
toca, em Bolsão. Era final de novembro, e, ele, Gandalf e Beorn
trilhavam agora o caminho de volta. Ainda há algumas considerações a
fazer sobre esse último percurso, por isso convidamos os leitores para
o último capítulo dessa jornada, dia 30 de dezembro. Até lá!

A Batalha dos Cinco Exércitos

Durante a longa viagem para reconquista do Reino Sob a Montanha,
algumas ações de Thorin, Bilbo e sua trupe desagradaram certos povos da
Terra Média, criando um sentimento revanchista contra os heróis, o que
culminaria na Batalha dos Cinco Exércitos, aonde os Anões, Elfos,
Homens, com a ajuda das Águias e de Beorn, batalharam contra Orcs e
Wargs, que eram assistidos por Morcegos.

Os orcs, principais representantes do lado do mal, partiram para a
guerra pois tiveram seu líder, o grão-orc, assassinado durante a fuga
dos anões e Bilbo em suas cavernas. Além disso, Bolg, filho do Orc
Azog, que matou Thror e foi morto por Dain, guiava outra grande quantia
desses seres malignos para vingar a morte de seu pai. Liderados por
Bolg, os orcs atacavam cheios de fúria e maldade.

Já os Wargs, outro povo que lutava no lado do mal, também tiveram
motivos fortes para entrar nessa batalha. Algum tempo atrás, a comitiva
que partira para Erebor acampara numa clareira aonde os Wargs se
reuniriam. Com a chegada dos lobos, todos os imprudentes heróis subiram
em árvores a fim de tentar escapar. Para combater esses lobos, Gandalf
usou uma de suas magias, colocando fogo nas plantas e também em muitos
Wargs, inclusive em seu Senhor, isso os fez extremamente rancorosos.

Ao contrário do que a união entre os exércitos que batalharam contra os
servos de Morgoth os nos faz pensar, eles não começaram o conflito
lutando lado a lado. Inicialmente, os Anões foram capturados pelo Rei
Élfico, sendo insolentes a ele e depois fugiram de seus calabouços, o
que gerou tensão entre os dois povos.

Continuando em sua jornada, a comitiva chegou até Erebor e lá conseguiu
irritar profundamente o Dragão Smaug, que saiu de sua fortaleza para
matar, mas acabou sendo morto por Bard, de Esgaroth. A queda do Dragão
morto destruiu a Cidade do Lago e possibilitou a retomada de Erebor
parte dos Anões. Os homens que tiveram suas casas esmigalhadas por
Smaug, requisitaram aos Anões uma parte de seu tesouro, como recompensa
pela morte do dragão, para que pudessem reconstruir seus lares. Thorin
e seus avarentos colegas não lhes derem uma moeda sequer, o que os
levou a se aliar aos elfos e partir em investida contra Erebor.

Acontece que Thorin era um nobre e, portanto, muito bem relacionado.
Ele convocou seu primo, Dain Pé de Ferro, para lutar em seu favor,
tornando a situação ainda mais complicada. Estando homens e elfos
frente a frente com os anões, chegaram inesperadamente Orcs e Wargs,
sedentos por vingança, atacando a todos. Como conseqüência disso, todos
os exércitos inimigos dos servos da escuridão se uniram para rechaçar
os ataques sofridos.

Paralelamente a esses fatos as Águias vieram para a Batalha, atraídas
pela grande movimentação de Orcs na Terra-Média. O lado do bem ainda
contou com a valiosa ajuda de Gandalf e Beorn, que esmagou Bolg, o orc.

Ao término dessas lutas, os Orcs e Wargs saíram derrotados, sendo que
os poucos sobreviventes foram caçados ou fugiram de volta para casa. Os
outros povos também tiveram grande perda, já que Thorin
escudo-de-carvalho tombou junto de Fili e Kili, além de muitos outros
guerreiros dos homens, elfos e anões.

Após a paz ter sido restabelecida, Dain passa a governar Erebor. Sendo
um rei muito justo, ele entrega uma parte do tesouro a todos os que a
mereciam: Bard levou um catorze avos da fortuna, Bilbo recebeu uma arca
de ouro e outra de Prata, além de um pônei para carregá-las e até ao
Rei Élfico teve sua parte: as esmeraldas de Girion, suas pedras mais
amadas.

Terminada a batalha, homens, elfos e anões passaram de inimigos a
aliados, as águias voltaram para seus ninhos, mas não sem antes serem
recompensadas com muito ouro e Bilbo Bolseiro pode retornar para o
Condado. No final das contas, mais valeu as alianças formadas durante a
guerra do que os atritos criados antes dela.

Mapa:

Acompanhe a movimentação dos exércitos no mapa de Karen Fonstad: A Batalha dos Cinco Exércitos.

O grande Tesouro de Erebor

Dentre os fatores que desencadearam a busca pela reconquista de Erebor,
com certeza um dos mais importantes era a quantia de tesouros que havia
sob a montanha. Durante todo o longo percurso narrado em O Hobbit, os
heróis sonhavam com sua parte da riqueza, o que não seria pouca coisa.
Apenas como padrão de comparação, o um catorze avos que pertenceria à
Bilbo foi dado para Bard, que conseguiu reconstruir sua cidade e ainda
dar uma parte para seu Senhor.

De que, então, seria composto este magnífico tesouro? Algumas das
respostas são óbvias: ouro, prata e outras pedras preciosas. Isso é
verdade, havia ouro bruto e trabalhado, assim como nos outros metais e
a quantia de pedras preciosas dos mais variados tipos e tamanhos era
incalculável. Mas não só esses minérios formavam a fortuna de Smaug, lá
também havia diversas peças criadas pelos talentosos artesões de
outrora.

Nos artefatos mais simples, podemos citar a presença de cálices e
outros utensílios domésticos extremamente luxuosos. Na primeira visita
à caverna de Smaug, Bilbo levou consigo uma grande taça de ouro com
duas alças que era tão pesada quanto ele podia carregar. Nesta mesma
visita ele viu grandes jarros e vasos, provavelmente muito valiosos,
que estavam cheios de riquezas. Mais tarde, Fili e Kili encontraram
penduradas muitas harpas de ouro com cordas de prata que ainda estavam
afinadas.

Outro ponto forte deste tesouro eram os maravilhosos artefatos de
guerra. Em sua visita solitária ao covil do dragão, Bilbo viu
pendurados na parede cotas de malha, elmos, machados, espadas e lanças.
Noutra excursão pelos salões de Erebor, Thorin presenteou o hobbit com um colete de mithril,
um cinto de pérolas e cristais e um elmo leve de couro estampado,
reforçado com aros de aço na base, com pedras brancas incrustadas na
borda.

O própio Thorin armou-se muito bem, com uma cota de anéis folheados de
ouro e um machado com cabo de prata num cinto incrustado de pedras
escarlates. Todos os anões se vestiram com o que encontraram no
tesouro, cotas, elmos, armaduras, tudo tinha grande valor.

Havia também um Arco de Chifre, utilizado por Escudo de Carvalho para
disparar uma flecha que carregava um recado até o mensageiro da Cidade
do Lago. Não se sabe a verdadeira origem deste arco, pois os anões não
tinham tradição de luta com este tipo de arma. Vendo a localização de
Erebor, pode-se pensar que o arco é influência dos orientais, já que os
homens do lago usavam arcos longos. Há também a possibilidade de ser
apenas uma arma especial dos anões.

Outros objetos encontrados tinham valor ainda mais significativo, como
é o caso das esmeraldas de Girion, as pedras mais amadas do Rei Élfico,
e da própia Pedra Arken, o coração da montanha.

Pedra Arken

Uma jóia encontrada pelos anões de Erebor na época de Thráin I, também conhecida como Coração da Montanha.

Os anões, então, usaram de suas hablidades para lapidar a gema, que não
apenas possuia luz própria, mas também captava toda luz que a atingia e
transformava em 10 mil faíscas de brilho branco, tocados pelas cores do
arco-íris. Era uma jóia pesada e não era grande, mas não era pequena a
ponto um hobbit pegá-la com a mão fechada.

Depois de sua descoberta, a Pedra Arken se tornou herança da linhagem
de Dúrin e foi levada para as Monatnhas Cinzentas por Thorin I e depois
trazida de volta para Montanha solitária por seu descedente, Thrór.

Após a destruição do reino sob a montanha pelo dragão Smaug, o Dourado,
a Pedra Arken passou a fazer parte do tesouro do dragão até a morte
deste em 2941 TE, quanda Bilbo Bolseiro usou a Pedra para ganhar a sua
liberdade e a dos anões que estavam sitiados pelos homens de Esgaroth
(que havia sido destruida por Smaug) e pelos elfos da floresta. Ambos
queriam parte de seu tesouro que Smaug havia juntado ao tesouro dos
anões.

Após a Batalha dos Cinco Exércitos, Thorin II, Escudo de Carvalho,
primeiro Rei Sob a Montanha desde a morte de Smaug, morreu devido aos
graves ferimentos, então Bard, Senhor do Valle, colocou a Pedra Arken
junto ao corpo de Thorin, para que ambos fossem enterrados bem fundo
abaixo da montanha. Veja: Enterro de Thorin.

Galeria de Imagens

A Porta Secreta – "… ouviu um estalido agudo atrás de si."
"O sol descia casa vez mais, e todos perdiam as esperanças. Afundou
atrás de um cinturão de nuvens avermelhadas e desapareceu. Os anões
resmungavam, mas, mesmo assim, Bilbo ficou ali, quase sem se mover. A
pequena lua mergulhava na direção do horizonte. A noite chegava. Então,
de repente, quando quase não restava mais esperança, um raio vermelho
do sol escapou como um dedo através de um rasgo de nuvem. Um fulgor de
luz atravessou a abertura…". (Cap. XI)

Roäc, filho de Carc – "Faz cento e cinqüenta e três anos que saí do ovo…"
"Logo ouviu-se um bater de asas, e lá vinha o velho tordo e, com ele,
vinha um outro pássaro, extremamente decrépito. Estava ficando cego,
mal podia voar, e o topo de sua cabeça era calvo. Era um corvo idoso,
de grande tamanho. Pousou no chão diante deles, bateu as asas devagar e
fez uma mesura para Thorin". (Cap. XV)

Roäc – "… e escutassem as notícias do corvo"
"Thorin então explodiu em ódio: – Nossos agradecimentos, Roäc, filho de
Carc. Você e seu povo não serão esquecidos. Mas nenhuma parte de nosso
ouro será levada por ladrões ou carregada por violentos enquanto
estivermos vivos". (Cap. XV)

Atrás da muralha – "… o portão já estava bloqueado com uma parede de pedras quadradas."
"Havia buracos pelo quais poderiam olhar (ou atirar), mas nenhuma
entrada. Eles entravam e saíam por meio de escadas, e içavam as coisas
com cordas. Para a passagem do rio haviam preparado um pequeno arco
baixo sob a nova parede…". (Cap. XV)

A Batalha dos Cinco Exércitos – "Assim começou uma batalha que ninguém esperava…"
"No contraforte sul, nas encostas mais baixas e nas rochas aos seus
pés, ficaram os Elfos; no contraforte leste ficaram homens e anões. Mas
Bard e alguns dos homens e elfos mais agéis subiram até o topo da
saliência ao leste para ter uma visão do norte. Logo puderam ver as
terras diante do sopé da Montanha enegrecidas por uma multidão que
corria". (Cap. XVII)

A morte de Thorin – "Adeus, meu bom ladrão!"
"Bilbo ajoelhou-se, cheio de tristeza. – Adeus, Rei sob a Montanha! -
disse ele. – Esta é uma aventura amarga, se deve terminar deste modo, e
nem uma montanha de ouro pode consertá-la. Mas fico feliz por ter
partilhado os seus perigos. Foi muito mais do que qualquer Bolseiro
merece".

Crédito das Imagens:
Alan Lee
John Howe
J.R.R. Tolkien

Notas:

1. Os Cinco Exércitos

Os exércitos que participaram dessa batalha foram, do lado inimigo ou
“mal”: orcs e lobos (os wargs); e do lado do “bem”: elfos, anões e
homens. Mas também figuraram nesse palco um mago (Gandalf), um hobbit
(Bilbo), as águias (Gwaihir e companhia), e até os corvos, como Roäc,
que ajudavam com as notícias. Se contarmos as “raças” que participaram
dos eventos de Erebor, o nosso número vai para nove. Talvez uma das
mais “diversificadas”, em termos de espécies/raças, batalhas que
ocorreram na Terra-média!

2. “Ciência” pode explicar esse motivo.

E que tal se os orcs fossem na verdade um bando de fêmeas? Calma aí,
podemos explicar com a ajuda da matéria de Reinaldo “Imrahil” Lopes,
citada anteriormente no capítulo 5:

“…o esquisito é a sua capacidade quase infinita de reprodução (…).
Gee tem uma hipótese intrigante sobre isso: e se os orcs se
reproduzissem por partenogênese? Esse palavrão significa “nascimento
virgem” (…) zangões nascem assim, por exemplo. De quebra, isso
explicaria por que os orcs tendem a se comportar como formigas tontas
quando seus líderes são destruídos. (…) Se a teoria for verdadeira,
todos aqueles machões são na verdade, um bando de fêmeas”.


Consultas:

Livros:
O Hobbit, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Atlas da Terra-média, Karen Wynn Fonstad. Editora Martins Fontes, 2004.

Revistas:
Galileu. Outubro de 2005, nº 171. Matéria de Reinaldo Lopes “A Ciência da Terra-média”, pág. 51. Editora Globo.

Páginas na Web:
Encyclopedia of Arda.
Enciclopédia Valinor.
Armas e Armaduras na Terra-média – ensaio na Valinor.

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capí­tulo 5

Apresentação:

Chegamos ao 5º Capítulo do "Lá e de Volta Outra Vez". O que trazemos desta vez?

 

Além da continuação da saga de Bilbo e os Anões, vocês encontrarão um
ótimo texto sobre as runas usadas em O Hobbit, imagens sensacionais na
galeria, e textos sobre Smaug, Bard e o reino dos Anões em Erebor. Não
deixem de conferir as surpresas deste capítulo, as curiosidades e a
morte de Smaug!
Boa leitura!

Lá e de Volta Outra Vez: As Férias de um Hobbit – Capítulo 5

Das datas e dos acontecimentos

Depois de Thorin, os seis primeiros a sair foram Dwalin, Balin, Bifur,
Bofur, Fili e Kili. Estes dois últimos, por serem os mais jovens do
grupo de anões, ajudaram Bilbo a resgatar os restantes, Bombur, Dori,
Nori, Ori, Oin e Glóin. Estavam famintos e sujos, a primeira opção foi
irem à Cidade do Lago. Sendo conduzidos pelos guardas, a Comitiva
entrou num grande salão onde ocorria um banquete. Ali, encontrava-se o
Senhor da cidade. Thorin se apresentou e quando os moradores ouviram
“… Rei sob a Montanha”, começaram a cantar e a festejar[1].

Mesmo o Senhor, não sabendo se aquele anão sujo e molhado era de fato o
“Rei”, acabou acatando os pedidos do povo. Ao lado dele, na mesa
principal, sentaram-se Fili, Kili, Thorin e Bilbo, que puderam
desfrutar do banquete.

O Senhor da cidade tratou de arranjar uma grande casa onde os
aventureiros pudessem ficar. Durante pouco mais de 2 semanas eles
puderam gozar de ótimas refeições, além de terem roupas novas de
tecidos finos. O único infeliz era o Sr. Bolseiro, que andara gripado
durante os 3 primeiros dias, tossindo e espirrando muito.

Por volta do dia 9 de outubro eles partiram, com três grandes barcos,
com muitas provisões e com o auxílio de remadores de Esgaroth. Pela
margem, iam alguns pôneis e cavalos, para que pudessem usá-los depois
na cavalgada até a Montanha. Bilbo continuava infeliz. Nos corredores
externos da cidade, pessoas se despediam e cantavam.

Dois dias depois saíram do Lago Comprido e entraram no Rio Corrente. A
correnteza era contrária à eles, por isso a navegação tornava-se lenta
e cansativa. Foi no final do terceiro dia que encostaram na margem
ocidental e desembarcaram. Nessa altura, os pôneis já haviam chegado.
Era noite do dia 12 de outubro, quando começaram a cavalgada. Apesar de
estar escuro, os homens que haviam vindo auxiliando, preferiram não
seguir junto, e voltaram remando.

O grupo seguia para o noroeste, distanciando-se do Rio Corrente. A
jornada até a montanha era acompanhada de desgastante melancolia. Não
haviam risos, tampouco canções. Quando finalmente atingiram a Montanha,
encontraram as terras desoladas, tornadas áridas pela ação do Dragão.
Escura e silenciosa, erguia-se sobre eles a Montanha Solitária, que
possuia cerca de 16 quilômetros de diâmetros e mil metros de altura.

O outono transformava-se em inverno, e o hobbit ainda era o que
mantinha maiores doses de ânimo no grupo. E graças a esse ânimo que a
porta secreta que dava entrada à Montanha foi encontrada, em uma
saliência oculta da Montanha. Era o décimo nono dia de Outubro, e os
aventureiros decidiram mudar seu acampamento para o novo local. Porém,
encontrar a porta não significa entrar, uma vez que a mesma estava
trancada. E ali esperaram, até que o Dia de Durin [2]
chegasse, permitindo que a porta fosse aberta, quando, no final da
tarde, um último raio do sol a atingiu, fazendo com que uma lasca se
abrisse para que a chave (que estava com o mapa) ali fosse colocada. A
passagem estava aberta.

Um túnel dava seqüência à porta, estendendo-se por aproximadamente 3
quilômetros até atingir a câmara onde Smaug dormia, o mais profundo
porão da Montanha. Este salão devia ter ao menos 50 metros de diâmetro,
o suficiente para abrigar um Dragão que devia possuir seus 20 metros de
comprimento. Bilbo chegara até ali, suplantando seus temores. E na
tentativa de roubar uma pequena taça pertencente ao tesouro acabou por
despertar Smaug. Bilbo somente se salvou por estar invisível graças ao
Anel, e assim ele conseguiu escapar da ira do Dragão, que por pouco
também não pega os Anões em sua caça ao invasor. Todos refugiaram-se no
túnel secreto protegendo-se da ira do dragão. Smaug não conseguiu
capturar ninguém do grupo, mas ele jamais se esqueceria de castigar
quem roubou algo de seu tesouro.

No dia seguinte, Bilbo retornou ao covil do dragão, novamente invisível
(claro!). Smaug logo percebeu a presença do hobbit, e iniciou uma
conversa. Em meio a tal conversa, Bilbo descobriu que o lagarto possuía
um ponto fraco em seu dorso, que era recoberto por um colete de
diamantes.

Durante a noite, uma vez mais Smaug tentou atacá-los, mas por sorte
eles haviam acabado de entrar na montanha. Fracassado, Smaug lembrou-se
da conversa que tivera com Bilbo. “Montador de Barril?
– Não foi difícil para ele juntar as peças e descobrir que o hobbit e
seus companheiros haviam passado pela cidade do Lago. E para lá ele
direcionou sua ira, alçando vôo, flamejante.

Ao longe, muitos na cidade acreditaram que o Rei sob a Montanha
novamente forjava ouro, mas logo suas esperanças transformaram-se em
pavor. A população agitou-se ao avistar Smaug. Ele chegara à cidade,
cuspindo fogo. Poucos tinha coragem para enfrentá-lo, e dentre esses
poucos estava Bard. Ele instigava os homens à luta, mas as flechas não
feriam Smaug, enquanto ele destruía a cidade, arremetendo-se sobre ele
seguidas vezes.

Uma última companhia de arqueiros permanecia resistindo, quando Smaug
os atacou. Seu líder, Bard, envergava o arco, quando um tordo pousou em
seu ombro, e lhe revelou o ponto fraco de Smaug, o qual ele ouvira
Bilbo comentando com os anões. Então Bard esticou seu arco, e disparou
sua flecha negra. Ela voou em direção ao dorso do dragão, atingindo o
vazio em seu peito e desaparecendo por completo dentro da carne do
mesmo. Smaug caiu em cima da cidade. A cidade estava destruída, mas o
dragão fora morto.

As Runas

Um pouco de História:

Quando Tolkien escreveu “O Hobbit”, ainda não havia criado as Angerthas
(as runas – élficas e anãs) que seriam usadas posteriormente em O Senhor dos Anéis. Por isso nota-se uma clara diferença entre as runas usadas em O Hobbit, como no Mapa de Thror, para O Senhor dos Anéis,
como no Túmulo de Balin, por exemplo. Mas ambos os livros usam runas na
forma inscrita, entalhada na rocha, e não em pedras soltas, como usadas
em mitologias ou até mesmo em jogos.

Runas são caracteres rúnicos, relativos aos mais antigos alfabetos
escandinavos (uma denominação ao norte da Europa, que agrega 5 países,
como a Noruega e Finlândia) e germânicos, constituídos de sinais
entalhados na pedra e na madeira. O alfabeto rúnico nórdico ou recente
foi usado na Escandinávia entre os séculos IX e XV, e é este que
Tolkien pega emprestado para usá-los em O Hobbit, também conhecidos
como as Runas Inglesas.

Percebemos que as Runas Inglesas são todas, em sua formação, uma união
de linhas retas, ao contrário das Angerthas que Tolkien criou, em que
há casos que aparecem linhas em curva.

Falando em mitologia, também vale destacar as utilidades e os usos das
runas: em tempos primitivos, nos povos nórdicos, usavam-se as runas
para prever o futuro; eles “embaralhavam” as pedras e depois tentavam
fazer as adivinhações. Runas também tinham finalidades mágicas em
muitos casos, tanto para malignas quanto benignas. Mas foi em épocas
posteriores que passaram a ser empregadas com mais freqüência em
epitáfios de túmulos.

As Runas de O Hobbit:

Vamos voltar para o nosso O Hobbit. No prefácio do livro,
o editor explica o que significa cada trecho de runas no Mapa da Thror,
isso é, a “tradução” para a nossa língua, ou pelo menos para a língua
inglesa. Com a ajuda de uma tabela, as runas podem ser facilmente decodificadas e lidas.

Mas como para tudo existem regras, nesta tabela podemos observar o uso
de uma mesma runa para as letras U e V; e para I e J. Há casos em que
uma única runa corresponde a duas letras, como em th, ng, ee, ea e st.
Prova disso são as “assinaturas” que os anões deixam no Mapa de Thror,
já que seus nomes começam com “Th”, Thror e Thrain. Assim como na
ilustração “Conversa com Smaug”, em que Tolkien usou a runa inglesa (th) para mostrar que os barris cheios de ouro foram um dia dos anões.

Quando duas letras iguais aparecem numa palavra, com a intenção de
indicar um único fonema (dígrafo), como no português, “peSSoas”, não
precisa-se usar a runa S duas vezes, podemos optar pelo uso de uma runa
só. Porém, se repetir a runa, não estará errado. Só é mais prático.

A primeira inscrição no Mapa de Thror, que aparece debaixo de uma mão,
é a seguinte, em inglês: “Five feet high the door and three may walk
abreast”, que no português significa: “Cinco pés de altura tem a porta,
e três podem passar lado a lado”. Repare que a regra de uma runa para
duas letras é utilizada, e ocorre nas palavras que seguem abaixo entre
[ ]. Acompanhe no mapa: aqui

F[ee]t: ee =
[Th]e: th =
D[oo]r: oo =
[Th]r[ee].

Outro trecho em runas, um pouco mais extenso encontra-se no centro do
Mapa. Escrito em letras-da-lua na forma inglesa, corresponde a: “Stand
by the grey stone when the thrush knocks and the setting with last
light of Durin’s day will shine upon the keyhole”. Sua tradução é:
“Fique ao lado da pedra cinzenta, quando o tordo bater e o Sol poente,
com a última luz do Dia de Durin, brilhará sobre a fechadura”. Todas as
palavras em inglês que têm “th”, neste trecho, fizeram o uso de somente
uma runa. Curiosamente, o ST em “stand”, “stone” e “last” não foi
substituído pela runa (st), mas sim pelas somas de (S) + (T). A única novidade é na palavra abaixo:

Setti[ng]: ng =

Acompanhe essa análise na arte do Mapa: aqui.

De Erebor

Após cavar muito profundamente para procurar Mithril, os anões que
habitavam em Moria libertaram um grande demônio dos tempos antigos: um
Balrog de Morgoth, que atacou com fúria os despreparados anões e matou
seu líder, o Rei Durin além de seu filho Náim e muitos outros de sua
prole.

Alguns anões ainda conseguiram fugir do local e vagaram errantes por
anos, até que em 1999 da terceira Era, Thráin I, filho de Náim, fundou
o Reino de Erebor, localizado ao leste da Floresta das Trevas e ao
oeste das Colinas de Ferro, com os sobreviventes do povo de Moria que
lhe acompanhavam.

A primeira crise veio no ano de 2210 da mesma Era, quando o senhor de
Erebor, Thorin, guiou seu povo para residir nas Montanhas Cinzentas,
por ter a esperança de encontrar muitos outros anões sobreviventes de
Moria, tornando a região da montanha solitária quase deserta. Ali,
Thorin foi aceito como rei e pode usar seu anel do poder para fazer a
região prosperar novamente. Após o reinado de Thorin, seu filho Gróin,
reinou, e depois Óin, Náin II e Dáin I.

Com o sucesso do novo reino desses anões, a prosperidade financeira
tornou-se absoluta, sendo que a fama do ouro desse local passou a ser
muito grande. Aconteceu, então, que alguns dragões atacaram o reino,
matando muitos anões e expulsando os outros das Montanhas Cinzentas. Em
2590, o filho de Dáin I, Thrór, uniu alguns dos sobreviventes das
Montanhas Cinzentas e os guiou de volta para o Reino de Erebor, os
outros seguiram seu irmão, Grór, para as Colinas de Ferro.

Estando novamente este povo estabelecido, a prosperidade foi mais uma
vez alcançada, pois havia grande atividade comercial entre os Anões,
Homens de Valle e de Esgaroth e os Elfos de Mirkwood. Com Erebor no
auge de sua riqueza, a fama de suas vitórias, conquistas e
principalmente de seus tesouros, espalhou-se por muitas milhas,
chegando aos ouvidos do temível dragão Smaug, que atacou e dominou a
cidade em 2770, numa investida furiosa onde grande parte da população
local foi assassinada e outra parte fugiu, possibilitando um reinado
tranqüilo do dragão.

Alguns dos anões que novamente foram expulsos de seu lar buscaram
refúgio nas Colinas de Ferro, os outros seguiram o Rei Thrór, seu filho
Thrain II, e seu neto Thorin II, em companhias vagantes. Neste período,
Thror foi assassinado por Orcs em Moria, que o decapitaram e enviaram
sua cabeça para seu povo. Os anões não suportaram mais esse insulto
cruel e todas as casas desse povo se uniram numa gigantesca batalha que
ficou conhecida como "Guerra dos Anões e orcs" e durou sete anos.

Nesta guerra, os Anões atacaram cada moradia de Orcs que conseguiram
encontrar, até que finalmente atingiram o portão leste de Moria, aonde
travaram a Batalha de Azanulbizar.
Mesmo vitoriosos, não havia motivos para comemorar, pois grande parte
da população perecera na guerra, Moria continuava nas mãos do Balrog e
o Reino sob a montanha tinha Smaug como seu senhor.

Após o termino da guerra, Thráin II e seu filho, Thorin II (agora
chamado Escudo-de-Carvalho) fundaram um pequeno reino nas Montanhas
Azuis, mas nem lá encontraram a paz, pois Sauron capturou Thráin II,
tomou-lhe o seu Anel do Poder e o torturou até a morte.

Aconteceu, porém, que Thorin Escudo de Carvalho, ficou descontente em
seu reino, mas lá continuou, pois não sabia o que havia acontecido com
seu pai e ainda o esperava. Mesmo com o crescimento do reino nas
Montanhas azuis, Thorin ainda desejava retornar para Erebor e isso só
foi possível quando se encontrou com Gandalf, o cinzento, que lhe
contou o destino de seu pai e o ajudou a tramar a retomada do Reino sob
a Montanha, narrada em ‘O Hobbit’.

Com o sucesso da nova empreitada, Erebor voltou ao domínio dos Anões e
Smaug foi morto, mas a paz ainda não reinou no local, pois ainda foi
necessário lutar na Batalha dos Cinco Exércitos, aonde Orcs e Lobos
lutaram contra Anões, Homens e Águias. As criaturas malignas foram
derrotadas, mas muitos homens e anões também morreram, inclusive o
própio Thorin, o que passou o reinado de Erebor para as mãos de Dáin
II.

Lendo o "O Hobbit", talvez não seja possível notar a importância da
empreitada em questão, mas é interessante perceber como a fundação e a
história de Erebor estão envolvidos em fatos muito mais complexos e
profundos do que um simples Reino sob a Montanha.[/quote]

Dos Personagens

Bard

Capitão da Guarda de Esgaroth, Bard era descendente de Girion o Senhor
do Valle na época em que esté local foi destruido por Smaug.

No ano de 2941 da T.E. Smaug atacou Esgaroth, a cidade do lago, e Bard
o matou com sua flecha negra, atingindo-o no ponto fraco do dragão, que
lhe foi revelado pelo corvo Röac.
A cidade de Esgaroth havia sido destruida, então Bard lembrou-se da
riqueza de Girion que estava misturada ao tesouro de Thror e que agora
estava sem guardião (pois Smaug havia morrido), e partiu com o exército
de Esgaroth para reclamá-la.

Bard participou da batalha dos Cinco Exércitos, ao lado dos elfos da
Floresta das Trevas, os Anões da recém conquistada Erebor e das Colinas
de Ferro, das Águias, além de Bilbo, Gandalf e Beorn contra Orcs e
Wargs.
Depois da batalha, Bard reconstriu o Valle, onde passou a viver no pé
da Montanha Solitária em aliança a Dain pé-de-ferro, Rei sob a
montanha.
Não se sabe a data de sua morte, mas supõe-se que Bard tenha falecido
em 2977 da T.E., ano em que seu filho Bain se tornou Rei do Valle.

Sobre Smaug, o magnífico.

Smaug é o último dos grandes dragões da Terra-média, e é o vilão
principal de “O Hobbit”. Instalou-se em Erebor, a Montanha Solitária,
no ano de 2770 da Terceira Era, 771 anos depois da fundação dos Reis
“sob-a-Montanha”. Foi para lá atraído pelos rumores da riqueza desta
montanha, construído pelo povo de Thror, avô de Thorin II, Escudo de
Carvalho. E ali viveu durante quase 2 séculos, causando destruição e
desolação ao seu redor, de modo que os anões tiveram que esperar 171
anos para poderem se vingar, quando em 2941 foi morto por Bard, senhor
de Valle.

O nome ‘Smaug’, conforme diz Tolkien, foi “uma piada filóloga sem
graça” ao brincar com o significado “espremer-se por um buraco”, que
vem do passado do verbo germânico primitivo smugon.
Originalmente, o dragão que figura nesta história, chamava-se
“Pryfton”. E, numa primeira versão, Bilbo entraria furtivamente no
covil para esfaquear o dragão. Mas, a versão final, que temos hoje,
coloca Bilbo “roubando” uma taça do grande tesouro, que muito lembra um
episódio de Beowulf.

No poema épico Beowulf, a mais antiga obra literária em
inglês, um “ladrão tinha entrado na caverna do dragão e levado uma
parte do seu tesouro. Cheio de ódio, o dragão devastou o país, com a
intenção de castigar a família do ladrão” (Guerreiros Lendários, pág.
113). Este poema muito inspirou o Professor Tolkien na composição de O Hobbit (e também O Senhor dos Anéis), principalmente nesta cena da fúria de Smaug. Conforme disse: “Beowulf está entre minhas fontes mais valiosas”.

E quanto a origem de Smaug, de onde ele veio? Suspeita-se que tenha
surgido em Angband, junto com os outros dragões-de-fogo, no final da
Primeira Era, como fruto da maldade de Melkor. Ele é dividido como
“dragão-de-fogo” pois, analisando grosseiramente, “cospe fogo” (óbvio),
ou porque tem aptidão de cuspir fogo. Já “dragões frio” podem ser
interpretados como aqueles que não têm a capacidade de “cuspir fogo”.

Isso é ficção, mas analisando de uma forma realista, o que faria Smaug
cuspir fogo? Há quem analise esse tipo de particularidade nas obras do
Professor, como o caso de Henry Gee, um biólogo britânico, editor de
uma das mais importantes revistas científicas do mundo, a “Nature”, e
autor de The Science of Middle-earth
(“A Ciência da Terra-média”, inédito no Brasil). Para entendermos isso,
o parágrafo que segue abaixo é um trecho da matéria escrita por
Reinaldo “Imrahil” Lopes, para a revista Galileu do mês passado:

  • Que tal éter dietílico? A substância, especula Gee em seu
    livro, poderia ser produzida por glândulas salivares modificadas, com a
    ajuda de bactérias – coisa que acontece em vários animais reais. Ao ser
    ejetada com pressão da boca do bicho, queimaria em contato com o ar. De
    quebra, a produção de éter explicaria outra capacidade dos dragões
    tolkienianos: “hipnotizar” a vítima. Como se sabe, o éter é um
    anestésico dos bravos.

Um caso muito claro de “hipnose” ocorre com Nienor/Niniel em O Silmarillion
quando esta conversa com Glaurung, o pai dos dragões, e cai em total
encanto. Um exemplo que pode passar por despercebido na nossa história,
mostra Bilbo quase sendo hipnotizado por Smaug na conversa com o
dragão. No trecho a seguir, o Sr. Bolseiro por pouco não é descoberto
pela criatura:

  • (…) o hobbit tremia, e era tomado por um desejo incontrolável
    de se revelar e dizer a verdade a Smaug. Na verdade, estava correndo o
    perigo terrível de ser subjugado pelo encanto do dragão. Mas, criando
    coragem, falou de novo.

(O Hobbit, cap. XII)

Semelhanças entre Glaurung e Smaug

As histórias de Glaurung, o pai dos dragões, e Smaug, o magnífico, contadas em O Silmarillion e O Hobbit (respectivamente) são semelhantes em vários pontos. Fizemos uma lista de algumas dessas curiosidades:

- Smaug foi morto quando Bard acertou a Flecha Negra na sua barriga.
Glaurung foi morto quando Túrin enfiou a Espada Negra em sua barriga.

- Muitas vidas teriam sido salvas se a ponte de Nargothrond tivesse
sido destruída antes do ataque de Glaurung. A ponte da Cidade do Lago
foi destruída antes do ataque de Smaug, o que salvou muitas vidas.

- Ambos foram mortos por homens de cabelos negros.

- Ambos possuíram, por um tempo, um tesouro mantido em uma caverna.

- Tanto Bard quanto Túrin foram dados como mortos após matarem os dragões, embora estivessem vivos.

 

Galeria de Imagens:

A Montanha Solitária – "Era uma jornada cansativa…"
"A Montanha erguia-se diante deles, escura e silenciosa, cada vez mais
alta. Acamparam pela primeira vez no lado ocidental do grande
contraforte sul, que terminava numa elevação chamada Morro do Corvo".
(Capítulo. XI)

O Portão de Erebor – "Havia pouca grama…"
"Ali o rio, depois de fazer uma ampla curva contornando o desfiladeiro
de Valle, afastava-se da Montanha em seu caminho para o Lago, rápido e
ruidoso". (Cap. XI)

O Portão Dianteiro – "Atingiram as fraldas da Montanha"
"A margem assomava estéril e rochosa, alta e íngreme sobre a correnteza". (Cap; XII)

As Ruínas de Valle – "Ali está o que resta de Valle…"
"… olhando por sobre a margem do rio estreito, espumando e
chocando-se com os rochedos, podiam ver, no amplo vale à sombra dos
braços da Montanha, as ruínas cinzentas de antigas casas, torres e
muralhas". (Cap. XI)

Smaug – "O clarão de Smaug!"
"Lá estava ele, um enorme dragão vermelho-dourado, ferrado no sono; um
ruído palpitante vinha de suas narinas e mandíbulas, junto com tufos de
fumaça, mas, no sono, o fogo estava arrefecido". (Cap. XII)

Smaug dormindo – "… uma ameaça medonha mesmo dormindo."
"Embaixo dele, sob os membros e a grande cauda enrolada, e em torno
dele, por todos os lados, espalhando-se pelo chão invisível, jaziam
incontáveis pilhas de objetos preciosos, ouro trabalhado e ouro bruto,
pedras e jóias, e prata, que a luz rubra tingia de vermelho". (Cap. XII)

Bilbo observa Smaug – "Ficou observando durante o que pareceu um século…
"Lá estava Smaug, as asas recolhidas como as de um morcego
incomensurável, virado parcialmente para um lado, de modo que o hobbit
podia ver a parte inferior de seu corpo, a barriga comprida e clara
cravejada de pedras e fragmentos de ouro, de passar tanto tempo sobre o
leito tão precioso". (Cap. XII)

Conversação com Smaug – "… e também sou o Montador de Barril."
"- Na verdade, canções e histórias não estão à altura da realidade, ó,
Smaug, a Maior e Mais Importante das calamidades. – respondeu Bilbo.
- Você tem boas maneiras para um ladrão e um mentiroso. – disse o
dragão. – Parece estar familiarizado com o meu nome, mas eu tenho a
impressão de não ter sentido o seu cheiro antes (…)". (Cap. XII)

Vasculhando a Montanha – "Caçar por toda a montanha até capturar o ladrão…"
"Saiu portão afora, as águas erguendo-se num vapor feroz e sibilante,
subiu em chamas pelos ares e foi pousar no topo da montanha, um jato
flamejante verde e escarlete". (Cap. XII)

Smaug destrói o portão – "Ele se ergueu em chamas…"
"O dragão partira as rochas em pedaços, esmagando parede e penhasco com
as chicotadas de sua enorme cauda, até que o pequeno trecho elevado
onde haviam acampado, o capim chamuscado, a pedra do tordo (…) e tudo
o mais desapareceram numa confusão de pequenos fragmentos, e uma
avalanche de pedras partidas caiu por sobre o penhasco no vale lá
embaixo". (Cap. XII)

Smaug sobrevoa os céus de Esgaroth – "… e foi para o sul, na direção do Rio Corrente"
"Depois de extravassar sua raiva dessa forma, sentiu-se melhor e pensou
consigo que, daquela direção, não seria mais incomodado. Enquanto isso,
tinha mais do que se vingar. – Montador de Barril – bufou ele – …
eles vão me ver e lembrar quem é o verdadeiro Rei sob a Montanha!".
(Cap. XII)

A Fúria de Smaug – "Durante algum tempo ele voou em círculos acima deles…"
"O fogo subia dos tetos de palha e das pontas das vigas de madeira
quando o dragão arremetia e passava, embora tudo tivesse sido
encharcado com água antes que ele viesse. Mais uma vez uma centena de
mãos jogava água sempre que uma centelha aparecia". (Cap. XIV)

Bard – "… a quem seus amigos tinham acusado de profetizar enchentes…"
"… Bard, de voz e rosto sombrios (…) Era descendente distante de
Girion, Senhor de Valle, cuja esposa e filho haviam escapado da ruína
descendo o Rio Corrente num passado distante". (Cap. XIV)

O fim de Smaug – "O grande arco zuniu"
"A flecha negra voou da corda, direto para o vazio no lado esquerdo do
peito, perto de onde saía a pata dianteira. Ali entrou e sumiu, farpa,
haste e pena, tão violento foi o seu vôo". (Cap. XIV)

Smaug morto – "… virou-se e caiu das alturas, derrotado."
"Caiu bem em cima da cidade. Seus últimos espasmos transformaram-se em
centelhas e brasas. O lago invediu-a com um rugido. Uma grande massa de
vapor subiu ao céu, um branco repentino na escuridão sob a lua.
Ouviu-se um chiado, um rodamoinho borbulhante, e, depois, silêncio. E
esse foi o fim de Smaug e de Esgaroth, mas não o de Bard". (Cap. XIV)

Os Ossos de Smaug – "Ele nunca mais retornaria ao seu leito de ouro…"
"Ali, durante era, seus enormes ossos podiam ser vistos quando o tempo
era bom, em meio às pilastras arruinadas da velha cidade. Mas poucos
ousavam atravessar o ponto amaldiçoado, e ninguém atrevia-se a
mergulhar na água gelada ou resgatar as pedras preciosas que caíam de
sua carcaça putrefata". (Cap. XIV)

Crédito das Imagens:

Alan Lee
Daniel Govar
David Wyatt
John Howe
J.R.R. Tolkien
Stephen Blanda
Ted Nasmith

Notas

1. Rei sob a Montanha

A história de que a tal Montanha estava toda recheada de ouro era
conhecida por muitos, praticamente por todos habitantes daquela região,
mas pouquíssimos arriscavam-se a investigar (ou conferir de perto, se
preferirem), já que a lenda de que o velho dragão habitava-a era um
tanto recente. No livro, vemos que os mais velhos de Esgaroth diziam
ter visto o dragão sobrevoando a região nos seus dias de juventude. Os
mais novos, porém, não acreditavam, achavam que eles estavam é pirando:
a explicação é que o dragão raramente saia de seu covil.

Portanto, os bardos do local logo começaram a cantar alguns versos:

Sua riqueza jorra em fontes,

Rios de ouro palpitam.




Felizes correm riachos,


Queimam os lagos brilhando,


Não há pranto nem tristeza


Porque o Rei está voltando!

Como se o simples retorno de um herdeiro do Rei, e não o
próprio Rei (Thorin era neto de Thror), significasse que Smaug
estivesse morto ou “partido em pedacinhos” (O Hobbit, pág. 193). Não
ainda. E basicamente este foi o motivo de toda essa agitação, no qual
eles tanto ansiavam.

2. Dia de Durin

O Dia de Dúrin nos é apresentado por Karen Fonstad como sendo em 30 de
outubro, aproximadamente. Porém não há certeza absoluta quanto à essa
data. Segundo Andreas Moehn, no entanto, é possível calcular qual era a
data exata do Dia de Dúrin com uma precisão razoável, como sendo 22 de
outubro.

Essa diferença nas datas ocorre por que os Anões possuíam um calendário
lunar, que foi substituído mais tarde por um calendário solar. Assim,
um ano solar não correspondia à um número exato de ciclos lunares,
gerando uma diferença de alguns dias entre um calendário e outro.
Portanto, fica um tanto difícil calcular um feriado do calendário lunar
no calendário solar.

Andreas calcula a data, sabendo-se que em 22 de setembro o grupo
chegara de barril à Esgaroth, permanecendo lá duas semanas. Assim, o
Dia de Dúrin ocorreria dois dias após a lua nova de outubro,
precisamente no primeiro dia da última semana de outono. Como as datas
n’O Hobbit são dadas segundo o Registro do Condado, haveria apenas um
modo de relacionar essa data, sendo que o dia de Dúrin teria ocorrido
então precisamenente em 22 de outubro, numa segunda-feira, dois dias
após a lua nova, no dia 20

Consultas

Livros:
O Hobbit, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Atlas da Terra-média, Karen Wynn Fonstad. Editora Martins Fontes, 2004.
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
O Silmarillion, J.R.R. Tolkien. Editora Martins Fontes.
Guerreiros Lendários: Os grandes heróis da Mitologia e da História, Daniel Mersey, capítulo 4 “Beowulf”. Editora Ediouro, 2005.
O Mundo Mágico do Senhor dos Anéis, David Colbert. Editora Sextante, 2002.

Revistas:
História Viva: Mitologia – Volume 3. Duetto Editorial, 2005. Cap. XL –
Caracteres Rúnicos, página 104 e 105. Versão em revista para o Livro de Ouro da Mitologia, da editora Ediouro.
Galileu. Outubro de 2005, nº 171. Matéria de Reinaldo Lopes “A Ciência da Terra-média”, pág. 51. Editora Globo.

Sites:
Enciclopédia Valinor – sobre personagens.
Valinor – diversos artigos.
Las Runas de El Hobbit.
Durin's Day (indicação de Ronald Kyrmse, tradutor do "Atlas da Terra-média").

The History of Middle-earth IV – The Shaping of Middle-earth

The Shaping of Middle-earth (A Formação da Terra-média), quarto livro da série The History of Middle-earth, revela aos leitores uma fase fundamental da evolução da mitologia tolkieniana. Com efeito, é nos textos desse livro, escritos em geral no decorrer dos anos 30, que o ciclo de lendas que hoje conhecemos como parte de O Silmarillion assumiu, em linhas gerais, a forma atual.

 

Um dos primeiros textos a ser apresentado é o chamado "Rascunho da mitologia", um esboço feito por Tolkien de seu projeto para transformar e completar as histórias dos Lost Tales. Baseando-se nesse esboço, Tolkien escreveu, em 1930, o Quenta Noldorinwa ou "A História dos Noldoli", a única versão das lendas dos Dias Antigos que chegou a ser efetivamente completada. Para se ter uma idéia, a versão da queda de Gondolin publicada em O Silmarillion foi fortemente baseada no relato do Quenta Noldorinwa.

Ao mesmo tempo, é nessa versão que povos e personagens importantes ganham um caráter mais definido, e outros fazem sua primeira aparição, como a Casa de Haleth (que era chamado de Haleth, o Caçador – pasmem, Haleth era um homem!). O Quenta Noldorinwa se encerra com a misteriosa Segunda Profecia de Mandos, na qual é pressagiado o Final dos Tempos.

Outros textos muito interessantes também integram The Shaping of Middle-earth: um dos melhores é o Ambarkanta ou "A Forma do Mundo", uma bela descrição cosmológica que mostra como Tolkien concebia a estrutura de seu mundo nesse momento.

Muito interessantes são também os Anais de Valinor e os Anais de Beleriand, que dão uma estrutura cronológica aos acontecimentos do Quenta. Um fato curioso é que, nesse estágio da mitologia, Tolkien havia definido um período muito curto, de cerca de 200 anos, entre a chegada dos Noldoli (Noldor) e o fim do Cerco de Angband. The Shaping of Middle-earth contém também o primeiro mapa detalhado de Beleriand desenhado por Tolkien.

Conteúdo do Livro

Prose fragments following the Lost Tales Três breves textos sobre Tuor e Gondolin e sobre a partida dos Noldor de Aman e sua chegada na Terra-média. 1920

The Earliest Silmarillion (The Sketch of the Mitology) Uma sinopse breve e condensada da mitologia escrita para acompanhar "The Lay of the Children of Húrin". 1926

The Quenta [Noldorinwa] Um versão retrabalhada e expandida do "Sketch". Inclui o poema "The Horns of Ylmir". Também inclui "AElfwines translation of the Quenta into Old English". c. 1930

The First Silmarillion Map Mapa de trabalho por muitos anos, foi muito trabalhado e alterado. 1926

The Ambarkanta Um pequeno tratado sobre a forma do munedo, acompanhado de mapsa. Meados dos anos 1930.

The Earliest Annals of Valinor
Anais dos eventos de Valinor e outro local do começo das coisas até a chegada dos Noldor na Terra-média. Inclui "AElfwines translation of the Annals of Valinor into Old English". 1930

The Earliest Annals of Beleriand Anais dos eventos de Beleriand desde o surgimento do Sol e da Lua até a grande batalha contra Morgoth. Inclui "AElfwines translation of the Annals of Beleriand into Old English". 1930