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Conexões Terra-média: Conhecimentos sobre os Anéis

Ponto 1: Tempo ficou parado para os Anéis de Poder

"’Quanto tempo você acha que eu devo permanecer aqui?’ disse Frodo a Bilbo quando Galdalf se foi.

‘Oh, eu não sei. Eu não consigo contar os dias aqui em Valfenda,’ disse Bilbo…"

 
 
 
Esse diálogo, anotado em "O Anel vai para o Sul",
é a primeira indicação que Frodo Bolseiro e seus amigos estavam
envolvidos pela presença de um Anel do Poder que não fosse o Um Anel
que Frodo carregou por muitos anos [desde que Bilbo deixou o Condado].
Os Anéis de Poder foram criados para conter o Tempo, ou diminuir seus
efeitos. Mas qual era o alcance de seus poderes? Exitia alguma espécie
de limite absoluto para a "cronoinibição" de cada Anel? Poderiam os
efeitos se estender apenas por essa distância e não mais além?

O curioso é que o Um Anel, o mais poderoso de todos os artefatos
concebidos para conter o Tempo, apenas inibia os efeitos do Tempo sobre
seu portador. O Condado não se tornou "sem-tempo" porque Bilbo trouxera
o Anel para lá. Bilbo de fato tornou-se "sem-tempo", e Frodo depois
dele. Como é isso, então, que ninguém mais foi afetado, enquanto que em
Valfenda e Lórien toda a terra [mas aparentemente nãos os habitantes
não-Élficos] foram preservadas?

Estudando os efeitos dos
Anéis de Poder pode revelar muitas inconsistências aparentes em como
eles funcionavam, e não "é de se estranhar que Saruman tenha ficado
louco com o desejo de possuir um [ou todos] eles.

Quando Elrond descreveu os poderes dos Anéis Élficos ele disse "mas
não foram feitos para serem usados como armas de guerra ou conquista:
não é esse o poder que têm. Aqueles que os fizeram não desejavam força,
ou dominação, ou acúmulo de riquezas; mas entendimento, ações e curas."
A descrição dele é bastante diferente da descrição dos poderes dos Anéis feita por Tolkien:

"O poder principal [de todos os anéis igualmente] é a prevenção ou
diminuição da decadência [isto é, "mudança" vista como algo
lamentável], a preservação do que é desejado ou amado, ou sua visão –
este é mais ou menos um motivo Élfico. Mas eles também aumentam os
poderes naturais do portador – dessa forma se aproximando da "mágica",
um motivo facilmente corruptível para o mal, um desejo por dominação. E
finalmente eles possuíam outros poderes, mais diretamente derivados de
Sauron ["o Necromante": assim ele é chamado pois lança uma sombra
passageira e um presságio nas páginas de O Hobbit]: como fazer
invisível o corpo material, e fazer coisas do mundo invisível visíveis.


"Os Elfos de Eregion fizeram Três anéis supremamente belos e poderosos,
quase que apenas de suas próprias imaginações, e os direcionaram para a
preservação da beleza: eles não conferiam invisibilidade…" [Letters,
No. 131].

É possível inferir que a descrição de Elrond
dos poderes dos Anéis é destinada a desviar outras inquisições
apresentando apenas exemplos de seus poderes. A natureza verdadeira dos
Anéis, de conter os efeitos do Tempo, é vista apenas no breve relato de
Elrond: "Apenas nesta hora de dúvida eu posso dizer. Eles não estão ociosos."

De fato, Elrond e Galadriel [de modo não sábio] usaram seus Anéis de
Poder durante toda a Terceira Era para preservar os reinos Élficos. A
história de Galadriel não é clara, mas ela provavelmente não viveu em
Lorien durante toda a Terceira Era. Particularmente, quando se torna
claro que todo o povo de Amroth partiria de Lorien se nada fosse feito,
ela e Celeborn foram viver entre os Elfos da Florestas que ainda não
tinham partido.

Galadriel levou com ela Nenya, o Anel de
Diamante, e ela pode ter usado seu poder para induzir os Elfos da
Floresta a premanecer em Lorien. Nós não sabemos se ela realmente
utilizou o Anel antes disso [1981 ou logo após]. Tolkien diz apenas que
"o [Um] Anel foi perdido [ao início da Terceira Era], espera-se que
para sempre; e os Três Anéis dos Elfos, empunhados por guardiães
secretos, estão operativos na preservaçào da memória da beleza de
antigamente, mantendo enclaves encantados de paz onde o Tempo parece
parado e a decadência é refreada, uma visão da glória do Oeste
Verdadeiro." [Ibid.]

A partida de Amroth, que havia sido
um vigoroso defensor do Oeste durante todo o segundo milênio da
Terceira Era, pode ter estimulado os Elfos a uma ação diferente do que
haviam feito anteriormente. Pode ser que de fato Elrond e Galadriel
finalmente decidiram ativamente utilizar seus Anéis de Poder para
evitar um êxodo em massa de Elfos da Terra-média. Se isso, eles estavam
apenas retardando o inevitável, que era o propósito destinado aos
Anéis, de qualquer forma.

Ponto 2: os Elfos não podem permanecer na Terra-média

Os Elfos estavam partindo da Terra-média há eras. A catástrofe para
eles na Terceira Era era bastante diferente daquelas de eras
anteriores. Quando os Eldar originalmente navegaram sobre o Mar fora
sob o convite dos Valar, que haviam encontrado os Elfos em sua terra
natal de Cuiviénen. Mas os Elfos foram incomodados por Melkor, que
então era, de fato, governante damaior parte de Arda. Os Valar travaram
uma terrível guerra contra Melkor e seus servidores Maiar e seres
criados, tomaram-no prisioneiro e trouxeram um fim ao seu terrível
reino. Mas desejando estar em companhia dos Elfos [cuja chegada havia
sido antecipada através de incontáveis eras], e para proporcionar a
eles um lugar seguro além do alcance dos servidores de Melkor, os Valar
chamaram os Elfos para viverem com eles em Aman, o Extremo Oeste.

Nem todos os Elfos estavam querendo deixar a Terra-média, que era sua
terra natal e o único lugar que eles conheciam. E daqueles Elfos que
aceitaram os chamados, muitos nunca cruzaram [vivos] o Mar. Ainda, as
primeiras ondas de migração para fora da Terra-média foram "saudáveis",
ou feitas quando os Elfos era jovens e fortes e ainda não estavam
cansados do mundo. tampouco eles estavam profundamente envolvidos na
Terra-média.

Quando Feanor se rebelou contra os Valar, ele
liderou a maior parte dos Noldor de volta à Terra-média [ou, melhor,
liderou a maioria deles para fora de Eldamar, e então abandonou a maior
parte de seu povo, a maioria dos quais decidiu seguir Fingolfin para a
Terra-média]. Destes exilados, a vasta maioria [e seus descendentes]
foram mortos ou escravizados por Melkor, que agora retornara à
Terra-média como um Senhor Negro. os espíritos destes Elfos mortos
retornaram a Aman onde esperaram um "renascimento" ou "reincorporação",
se tal recompensa pudesse ser merecida por seus feitos em vida.

Para os restantes, uma terrível maldição foi imposta. Não a Maldição
dos Noldor, que foi a maldição que os valar colocaram sobre eles, que
fracassassem na guerra contra Melkor. Especialmente, a eles foi dito
que "aqueles que permanecessem na Terra-média deverão cansar-se do
mundo com uma grande aflição, e deverão declinar, e tornar-se como
sombras de pesar antes da raça mais jovem que virá depois."
[Silmarillion, "Da Fuga dos Noldor"]

Esta maldição foi
aplicada, na realidade, a todos os Elfos, e foi, talvez, mais um aviso
do que um julgamente. Ao descrever os eventos da Segunda Era para
Milton Waldman [um editor que considerara O Senhor dos Anéis a certo
momento quando Tolkien tinha retirado o livro da Allen & Unwin],
JRRT escreveu "os três temas principais são A Demora dos Elfos que
hesitavam em deixar a Terra-média; o crescimento de Sauron como um novo
Senhor Negro, mestre e deus de Homens; e Numenor-Atlantis."

Após a derrota final de Morgoth na Guerra da Fúria, Eonwë [arauto de
Manwë e líder da Hoste de Valinor] viajou por toda a Terra-média,
convocando todos os Elfos mais uma vez para navegarem sobre o Mar. O
convite que anteriormente havia sido retirado, para incluir apenas os
Eldar [os Elfos originais que realmente aceitaram as convocaçoes na
primeira vez] foi agora extendido a TODOS os Elfos. Muitos dos Noldor e
Sindar de Beleriand sobreviventes responderam e deixaram a Terra-média.
Mas os remanescentes Noldor e Sindar uniram-se aos Nandor e Avari na
Terra-média. Eles "hesitaram".

Tolkien aponta que "no
primeiro [tema da Segunda Era] nós vemos uma espécie de queda ou pelo
menos "erro" dos Elfos. Não existe nada essencialmente errado em suas
hesitações em atender ao conselho, permanecendo tristemente nas terras
mortais de seus antigos feitos heróicos. mas eles queriam ter seu bolo
sem comê-lo. Queriam a paz e a bem-aventurança e memória perfeita do
"Oeste", e mesmo assim permanecer na terra ordinária onde seu prestígio
como o povo maior, sobre Elfos da florestas, Anões e Homens era maior
do que estar na base da hierarquia de Valinor. Eles então tornaram-se
obcecados com o "esvair-se", o modo pelo qual as mudanças do tempo [a
lei do mundo mortal sob o sol] eram sentidas por eles. Eles tornaram-se
tristes, e suas artes [poderíamos dizer] de antiquários, e seus
esforços eram todos uma espécie de embalsamação – mesmo que eles também
tenham mantido a antiga razão de sua espécie que eram o adorno da terra
e a cura de seus ferimentos…." [Ibid.]

Em outro lugar Tolkien reitera esta situação dizendo "os
Elfos não são completamente bons ou corretos. Não tanto por terem se
envolvido com Sauron quanto que com ou sem sua assistência eles eram
"embalsamadores"
. Eles queriam ter seu bolo e comê-lo: viver na
Terra-média mortal e histórica porque haviam se tornado apreciadores
dela [e talvez porque eles ali tinham as vantagens de uma casta
superior] e então tentaram parar suas madanças e história, parar seu
crescimento, mantê-la como um prazer, mesmo que na maior parte um
deserto, onde poderiam ser "artistas" – e eles foram sobrecarregados
com tristeza e pesar nostálgico…." [Letters, No. 154]

Sauron também hesitou na Terra-média. Tendo visto a completa derrota de
Morgoth, ele realmente se arrependeu [de acordo com Tolkien]. vendo que
os poderes da Luz realmente suplantavam o poder da Escuridão, ele
percebeu que talvez suas escolhas anteriores não eram as corretas para
ele. Mas quando Eonwë convocou-o para valinor para ser julgado pelo
Valar, Sauron recusou, e ele fugiu para esconder-se no exílio. Ou ele
temeu que poderia sofrer o mesmo destino de Melkor [que foi executado e
forçado a deixar Ea, o universo, em um estado de fraqueza terrível] ou
que ele poderia ser aprisionado por algum período de tempo
interminavelmente longo.

O Sauron "reformado" em um primeiro
momento desejou apenas ajudar a curar a terra que ele originalmente
havia auxiliado a danificar. Tolkien aponta que "seus motivos e aqueles dos Elfos pareciam caminhar parcialmente juntos: a cura das terras desoladas." [Letters, No. 131]
Mas as intenções de Sauron mudaram, e a certo tempo ele decidiu que ele
poderia "curar" melhor as terras direcionando os esforços dos Elfos, e
este tornou-se em última instância um desejo por dominação sobre os
Elfos [e através deles, sobre a Terra-média].

E então Sauron "encontrou
o ponto fraco [dos Elfos] sugerindo que, ajudando-se mutuamente, eles
poderiam fazer a Terra-média Ocidental tão bela quando Valinor. Foi
realmente um ataque velado aos deuses, um incitamento a tentar e fazer
um paraíso separado e independente. Goilgalad [sic] recusou todas as
sondagens, bem como Elrond. Mas em Eregion um grande trabalho fora
iniciado – e os Elfos chegaram o mais próximo de caírem para a "magia"
e maquinaria. Com a ajuda do conhecimento de Sauron eles fizeram os
Anéis de Poder…." [Ibid.]

Em essência, Sauron estava dizendo, "Vocês
não precisam esvair-se. Vocês não precisam navegar por sobre o Mar.
Vocês podem recriar Valinor aqui na Terra-média e usufruir todos os
benefícios que ela tem a oferecer a vocês."
A oferta era por demais
tentadora para alguns Elfos, os Noldor de Eregion. Sauron [disfarçado
de Annatar, ou Aulendil, um Maia do próprio povo de Aulë em Valinor]
estava oferecendo aos Eldar uma chance de evitar a inevitável maldição
que fora decretada para eles.

Mas o que Tolkien quis dizer quando ele fala "os Elfos chegaram o mais próximo de caírem para a "magia" e maquinaria"?

Ponto 3: Arte versus Magia

Tolkien tentou explicar seu uso de "magia" em mais de uma ocasião, e
nem sempre foi bem sucedido. "Temo que eu tenha sido muito casual sobre
"magia" eespecialmente o uso da palavra," ele escreveu em um rascunho
de complemento de uma carta que nunca foi enviado [Letters, No. 155].
"Apesar de Galadriel e outros mostrarem pela crítica ao uso "mortal" da
palavras, o pensamento sobre isto não é geralmente casual."

Em sua carta a Milton Waldman, Tolkien tentou explicar Arte e a Máquina
falando de "Queda, Mortalidade e Máquina." A história é relacionada com
"Queda inevitável, e esta ocorre de muitas maneiras. Com a Mortalidade,
especialmente como afeta a arte e a desejo criativo [quero dizer,
sub-criativo] que parece não ter função biológica, e estar à parte das
satisfações da vida ordinária comum, com a qual, em nosso mundo, está
de fato usualmente em conflito.

O desejo é imediatamente
unido a um amor apaixonado pelo mundo primário real, e então preenchido
com o senso da mortalidade e insatisfeito por ele. Existem várias
oportunidades de "Queda". Pode tornar-se possessivo, agarrado a coisas
feitas "por si mesmo", o sub-criador deseja ser Senhor e Deus de sua
criação particular. Ele irá se rebelar contra as leis do Criador –
especialmente contra a mortalidade. Ambos estes motivos [separados ou
juntos] irão conduzir a um desejo de Poder, para fazer a vontade mais
rapidamente efetiva – e então para a Máquina [ou Magia]. Mas ao final
eu pretendi que todo o uso de planos externos ou dispositivos
[apparatus] ao contrário do desenvolvimento de poderes inerentes ou
talentos – ou mesmo o uso desses talentos com o motivo corrompido de
dominar: amedrontando o mundo real, ou coagindo outras vontades. A
Máquina é nossa mais óbvia forma moderna apesar de mais próxima à Magia
do que normalmente reconhecido."

Tolkien continua para ceder
novamente [ou, de fato, anterior à sua concessão acima] que "Eu não
usei "magia" consistentemente, e realmente a Rainha Élfica Galadriel é
obrigada a advertir os Hobbits pelo seu uso confuso da palavra tanto
para os dispositivos e operações do Inimigo quanto para aqueles dos
Elfos. Eu não usei consistentemente porque não existe uma palavra para
a última [uma vez que todas as histórias humanas sofrem da mesma
confusão]. Mas os Elfos estão lá [em meus contos] para demonstrar a
diferença. Sua "mágica" é Arte, livre de muitas de suas limitações
humanas: exige menos esforço, é mais rápida, mais completa [produto e
visão em correspondência sem falhas]. E seu objetivo é Arte não Poder,
sub-criação não dominação e tirânica transformação da Criação. Os
"Elfos" são "imortais", pelo menos tão longe quanto este mundo dure: e
portanto são preocupados especialmente com os pesares e aflições da
imortalidade no tempo e nas mudanças, do que com a morte. O Inimigo em
sucessivas formas está sempre "naturalmente" preocupado com a Dominação
absoluta, e portanto é o Senhor da magia e das máquinas; mas o
problemas: o que este terrível mal pode e faz surgir de uma raiz
aparentemente boa para beneficiar o mundo e os outros – rapidamente e
de acordo com os próprios planos do benfeitor – é um motivo recorrente."

Arte então faz uso do mundo natural, e desenvolve suas tendências
naturais, enquanto que a Máquina impões uma vontade externa [não
natural] sobre o mundo, ou outras vontades. Tolkien aponta que os Elfos
de Eregion "chegaram o mais próximo de cair para a "magia" e
maquinaria." Ao criar os Anéis de Poder, eles usaram suas Artes para
criar uma Máquina, mas era uma Máquina que eles pretendiam utilizar
apenas para preservação, não alteração. Em todo caso, a contenção do
Tempo é uma ação muito séria, contrária às leis da natureza. É um ato
de rebelião "contra as leis do Criador".

Os Anéis de Poder
são, dessa forma, um paradoxo: eles proporcionam cura e restauração,
mas também uma preservação não natural. O motivo final por detrás dos
Anéis, reduzir ou evitar o inevitável esvair-se que os Elfos deveriam
sofrer, e um motivo rebelde. Os dispositivos são externos aos ambientes
que eles controlam, e os Elfos [de Eregion] não perceberam de início o
erro que estavam cometendo. Eles pagaram um terrível preço por sua
tolice. Sauron destruiu seu reino e tomou a maior parte dos Anéis para
si próprio, quando ele percebeu que seu plano para controlar os Elfos
através dos Anéis não funcionara. Deve ser enfatizado que a maioria dos
aspectos de Máquina presente nos Anéis derivam de Sauron, porque a
intenção de utilizá-los para controlar outros seres era estritamente
dele próprio.

A combinação de Arte e Magia é ao mesmo tempo
poderosa e destrutiva para os Elfos. Eles alcançaram uma pequena porção
de seu objetivo final, mas as coisas realmente nunca funcionaram como
eles pretendiam.

Ponto 4: O Produto de Arte e Máquina

Quando Sauron tomou os Sete e os Nove, Tolkien escreveu, ele retornou a
Mordor [de fato, ele foi eventualmente rechaçado para Mordor pelos
Eldar de Lindon e seus aliados Numenorianos, que a este tempo não
tinham idéia do motivo da guerra]. Lá Sauron "perverteu" os Anéis, e
ele os deu aos Anões e Homens em um novo plano pretendendo extender a
influência de Sauron sobre estas raças assim como ele pretendia
utilizá-los para controlar os Elfos.

Tolkien não diz
exatamente como Sauron perverteu os Anéis, mas seu objetivo final era
criar poderosos senhores que seriam seus escravos. Os Nove funcionaram
perfeitamente, e os nove homens que aceitaram os Anéis os utilizaram
para se tornarem grandes senhores, mas eventualmente perderam seus
livre-arbítrios e seus corpos. Eles se tornaram espectros, para sempre
invisíveis e incapazes de interagir diretamente com o mundo exceto
através de alguma forma de procedimento pela qual poderiam tomar forma
quando utilizando certas vestimentas. Eram vestimentas naturais ou
mágicas? Não sabemos.

Mas como os Nove e os Sete eram
imbuídos com as habilidades de fazer seus portadores invisíveis ou
permitir que vissem normalmente coisas invisíveis [presumivelmente
espectros, os espíritos de outros seres], segue que Sauron utilizou
estas habilidade para garantir poderes de necromancia [a prática de
comunicar-se ou controlar os mortos] aos portadores dos Anéis. Tolkien
não fala de qualquer Anão que tenha praticado necromancia. De fato, os
Anéis não podiam deixar os Anões invisíveis. parece que, portanto, os
Anéis não ofereciam nada de valor aos Anões em termos de lidar com os
mortos. Seus espíritos não devem se demorar na Terra-média quando eles
morrem.

Os Elfos, por outro lado, nem sempre iam
imediatamente para Mandos em Aman quando morriam [ou se esvaiam]. Eles
poderiam recusar os chamados, abandonando qualquer esperança de reobter
um corpo físico. Dessa forma faz sentido que Sauron tenha induzido os
Elfos de Eregion a incluir poderes Necromânticos em seus Anéis. Em
Aman, os Elfos estavam acostumados a viver junto aos Valar e Maiar, que
poderiam aparecer a eles em uma forma física ou em forma "espíritual"
[e os Valar e Maiar podiam controlar se seriam percebidos pelos Elfos,
quando em forma de espírito].

Espíritos Élficos podem não ser
equivalentes aos dos Valar e Maiar, mas presumivelmente os Elfos
esperavam falar com Mamãe e Papai na ocasião, desde que não tivessem
ido rapidamente para Aman quando da morte de seus corpos. Ou pode ser
que o processo de esvair-se já tivesse se iniciado ou os Elfos estavam
antecipando uma rápida transição para aos Anos do Esvair-se.

Quem seria mais provável para esvair-se? Um Elfo antigo,
presumivelmente. E quanto mais antigo o Elfo, mais provavelmente teria
vivido em Valinor [se fosse Noldor] ou ter vivido em Cuivienen. Ele ou
ela poderiam ser a cabeça de uma família. Então os Anéis de Poder foram
provavelmente criados para vários senhores Élficos, príncipes e reis.
Os Elfos mais novos, nascidos na Terra-média – mesmo na Segunda Era –
poderiam ou ter que esperar sua vez ou poderiam esperar que os Anéis os
pudessem ajudar também.

Quando Gandalf estava discutindo a
confrontação com os Nazgul no Vau de Bruinen com Frodo, Frodo
perguntou-lhe se a figura brilhante que ele vira era Glorfindel. "Sim,"
Gandalf respondeu. "Você o viu por um momento como ele é no outro lado:
um dos mais poderosos dos Primogênitos. Ele é um senhor Élfico de uma
casa de príncipes."
Um pouco antes na mesma conversa, Gandalf também aponta que Valfenda era uma casa para "os
sábios Élficos, senhores dos Eldar de além do mais distante dos mares.
Eles não temem os Espectros do Anel, pois aqueles que moraram no Reino
Abençoado vivem ao mesmo tempo em ambos os mundos, e tanto contra o
Visível como contra o Invisível eles possuem grande poder."

Desta forma, talvez os Anéis não necessartiamente seriam para os Elfos
que tinham vivido em Aman. Preferencialmente os Anéis podem ter sido
destinados a seus jovens filhos ou sobrinhos, Elfos que nasceram na
Terra-média, que não aprenderam a viver "ao mesmo tempo nos dois
mundos".

Deve ter sido importante para os Elfos possuir tal
habilidade, e talvez significasse que eles seriam menos propensos a se
esvair, uma vez que ele seriam capazes de se mover entre os dois
mundos, por assim dizer. Não se mover fisicamente, mas via suas
vontades. Eles deveriam ser capazes de perceber e interagir com
espíritos desimcorporados [espectros] em Aman, e desejariam fazer o
mesmo na Terra-média.

A interação deve ter incluído "fazer as
coisas "do mundo invisível visíveis". Poderiam os poderes restauradores
dos Anéis trazer um Elfos de volta à vida? Os Anéis poderiam ser usados
para dar aos Elfos novos corpos? Ou podiam ser utilizados simplesmente
para fazer espectros-Élficos visíveis a todos? No "Conto de Aragorn e
Arwen" Aragorn brevemenre imagina que "ele festivera tendo um sonho, ou
recebera o dom dos menestréis Élficos, que poderiam fazer as coisas que
cantavam aparecerem diante dos olhos daqueles que ouviam."

Algo desta habilidade é também colhida no conto do duelo de feitiçaria
de Finrod com Sauron na forteleza de Tol Sirion. Finrod cantou sobre
sua vida em Valinor, mas sua música se voltou contra ele quando foi
obrigado a cantar sobre o Fratricídio, e Sauron foi capaz de capitazar
a culpa e o retorno de Finrod [embora Finrod não tenha pessoalmente
participado do Fratricídio]. Esta habilidade de criar imagens visíveis
com o poder da música implica que os Elfos, com um grande esforço em
direção à Máquina, poderiam perverter sua Arte [ou pelo menos fazer mau
uso dela] para criar coisas visíveis a partir do mundo invisível.
Sauron pode ter preciso dar uma pequena ajuda a eles.

Celebrimbor fez os Três Anéis por ele mesmo, e estes Anéis não
conferiam invisibilidade a seus portadores. Presumivelmente eles não
faziam coisas invisíveis visíveis, tampouco. Os Três eram, portanto,
mais concordantes com a descrição de Elrond dos Poderes dos Anéis.

Mas continua a não responder a questão de como os Anéis trabalhavam.
Porque todos os Hobbits do Condado [ou pelo menos da Vila dos Hobbits]
não sofreram os efeitos do Um Anel?
 
 
Ponto 5: Usando a Máquina através da Arte

A resposta parece ser uma questão de vontade. Tolkien escreveu que os
Três Anéis efetivamente continham o Tempo mesmo quando não era
ativamente utilizados. Então, durante a Segunda Era, os Elfos de Lindon
aproveitaram os benefícios pretendidos para os Elfos de Eregion mesmo
não ousando usar nenhum dos Anéis. Celebrimbor deve portanto ter
conferido aos Três a habilidade natural de verdadeiramente extender
seus poderes sobre uma região. O campo de efeito não pode ser medido em
milhas, contudo, mas antes em pessoas e objetos. Isto é para dizer que
se alguém estivesse usando um dos Três, ele [ou ela] poderia ser capaz
de decidir que todos os Mallorn e todos os Elfos seriam preservados. Os
efeitos poderiam ser de alguma forma randômicos se os Anéis não fossem
ativamente usados.

Desta forma, gandalf poderia
intencionalmente reter os efeitos de contenção de tempo de Narya, o
Anel de Fogo que Cirdan lhe deu. Ou Gandalf poderia deixar que o Anel
afetasse apenas os Elfos. Cirdan disse que o Anel estava inativo quando
o deu a Gandalf, então aparentemente ele não o estava usando o Anel e
direcionando seus benefícios. Gandalf, então, nao precisaria usar Narya
usar Narya para conter o processo de esvair-se para ninguém [incluindo
a si mesmo, embora ele não corresse risco de esvair-se].

Elrond e Galadriel podem ter pego uma pista de Cirdan. Gil-galad
originalmente possuía tanto Vilya quanto Narya, e os deu a Elrond e
Cirdan perto do final da Segunda Era [talvez tendo um pouco de visão
sobre sua batalha final contrea Sauron]. Celebrimbor parece ter dado o
Anel a Galadriel.

Uma vez que Elrond e Cirdan aconselharam
Isildur a destruir o Um Anel quando Isildur o cortou da mão de Sauron,
parece estranho que eles simplesmente tenham voltado para casa e
começado a utilizar seus Anéis de Poder no mesmo momento. Talvez eles
tenham tomado seus Anéis quando compreenderam que Isildur e o Um Anel
se perderam. Mas também pode ser que os tr6es portadores tenham
mantidos seus Anéis inativos por pelo menos mil anos.

Então
Gandalf apareceu, Cirdan lhe deu Narya, e o gênio foi tirado da
garrafa. Elrond pode ter começado a usar Vilya antes, uma vez que ele
reunira muitos Alto Elfos [Noldor] em e ao redor de Valfenda. Ele
poderia ter tido em suas mãos uma porção de Elfos se esvaindo. Tolkien
não diz quando foi que os compreenderam que Elrond portava um dos
Anéis, mas parecem ter sabido isso ao final da Terceira Era. Se
lentamente o fato de que alguém não se esvaia se permanecesse em ou
perto de Valfenda se espalhava, poderia ser um sinal de que um dos Três
era mantido ali.

Muito do mesmo poderia ser verdade para
Galadriel. Ela poderia ter chegado em Lorien e oferecido para guardar
os Elfos da Floresta de se esvaírem. Eles devem ter sabido sobre os
Anéis do Poder então. Eles haviam perdido um rei, o pai de Amroth, na
guerra contra Sauron ao final da Segunda Era. E Amroth ajudara Elrond
mais de uma vez nas guerras contra Angmar. Haldir especificamente se
refere ao "poder da Senhora dos Galadrim" quando Sam menciona que se
sentia "como se dentro de uma música". Haldir parecia saber que
Galadriel estava usando um Anel. Ele pode não ter falado abertamente,
mas tanto Elrond quanto Galadriel indicavam que todos os Elfos estavam,
unidos na crença de que seria melhor perder os Três do que permitir ao
Um continuar existindo. Muitos Elfos, então, deve ter tido uma idéia
bastante boa de onde Vilya e Nenya estavam escondidos.

Mas se
os Anéis podiam ser direcionados concientemente, tanto para extender a
certos limites ou para trabalhar apenas em certas criaturas e plantas,
então faz sentido que existisse um limite físico para o poder dos Três.
No ponto em que a Sociedade do Anel penetrou no domínio do poder de
Galadriel, e este poderia ou não ser coincidente com as fronteiras
físicas de Lorien [de fato, uma vez que os Elfos retiraram-se para o
interior da florestas, poderia ser que a extensão da influência de
Nenya era consideravelmente menor que os limites da floresta].

Círculo Completo: Os Anéis, Tempo e Espectros

Então, porque o Condado não se beneficiou da presença do Um Anel?
Provavelmente porque apenas os Três agiam de alguma forma geográfica, e
embora o Um possuísse os poderes dos outros Anéis, ele pode não ter
possuído o alcance dos Três Anéis porque Sauron não estava presente
quando Celebrimbor os fez. Sauron mesmo não teria um motivo real para
criar uma valinor na Terra-média, então porque usar o Um Anel para
conter a decad6encia ao redor dele? Por outro lado, Smeagol, Bilbo e
Frodo todos ficaram sem usar o Um Anel por longos períodos de tempo.
Então ele, também, deveria ter um alcance geográfico mínimo que era,
talvez, mais ajustado a quem possuía o Anel do que qualquer outra coisa.

Os Anéis não continham realmente o tempo. Eles apenas diminuiam o seu
impacto em um corpo biológico. Para alguma coisa como uma árvore, que
não tinha espírito [Ents e Hurons não são considerados], nao existia
dano real. Um animal, de qualquer forma inteligente, também poderia se
beneficiar dos efeitos dos Anéis porque eles não possuíam um espírito.
Um Elfo, cujo espírito estava destinado a permanecer em Arda até o
final do Tempo, não se sentiria esticado, como Bilbo bem colocou.

O problema para "mortais" era que seus espíritos desejavam ir para
outro lugar. Após um certo período de tempo, Homens mortais tinham que
morrer. Eles tinham que abrir mão de seus espíritos. Um Anel de Poder
obstruía essa tendência natural. O corpo poderia continuar vivendo,
funcionando da mesma forma como no dia em que veio a possuir o Anel.
Mas o espírito estaria constantantemente se esforçando para partir.
Então, a luta entre espírito e corpo [ou espírito e Anel] deve produzir
a sensação de "esticamento" da qual Bilbo se queixou. Ele não estava
fisicamente esticado, mas dividido entre forças poderosas.

Dessa forma, quando Sauron perverteu os Sete e os Nove, ele deve ter
alterados suas tendências naturais de preservação para obter o efeito
oposto. Os Nove portadores não se tornaram espectros poque usaram os
Anéis, mas porque os possuíram. A utilização dos Anéis pode ter
acelerado o processo de esvair-se, mas provavelmente qualquer Elfo que
pudesse ter tomado um dos Nove ou Sete alterados teria se esvaído
também, e se tornado tão escravizado quanto os nove Homem eventualmente
se tornaram.

Pessoas frequentemente perguntam se um homem se
esvairia se possuísse um dos Três. Eu não acredito nisso. Eu acho que
ele apenas continuaria, dia após dia, e eventualmente perderia a conta
do tempo. Ele poderia ver o sol passar sobre sua cabeça, e talvez
notasse as fases da lua [embora a Sociedade do Anel não as tivesse
notado enquanto estavam em Lórien]. Mas para ele o tempo se tornaria,
eventualmente, uma armadilha. Seu corpo não ficaria mais velho. Ele
apenas viveria e viveria e viveria, e a vida se tornaria um tormento
constante para ele, porque ele estaria sempre em conflito com sua
própria natureza.

O mundo se arrastaria para tal alma
desafortunada, que poderia, no final das contas, não sentir nada a não
ser um profundo desejo de libertação de seu tormento.

Questões Sobre os Beornings

Beorn – John Howe

Um dos mais fascinantes personagens de “O Hobbit” é Beorn, o raivoso madeireiro que vive sozinho exceto pela companhia de seus animais encantados. Beorn era um homem, embora com um toque de mágico de acordo com Tolkien, porque ele podia mudar sua pele [tornando-se um enorme urso]. As origens de Beorn estão ocultas em mistério. Gandalf diz a Thorin e Companhia mais de uma explicação sobre a origem de Beorn, e não é claro sobre qual delas é a verdadeira.

 

 Quando Gandalf e a Companhia de Thorin foram levados com segurança até a Carrocha pelas Grandes Águias das Montanhas Nebulosas, o mago conta a seus companheiros que existiam poucos povos vivendo na região. Existiam vilas de homens mais afastadas ao sul [provavelmente além da Antiga Estrada da Floresta], nos vales das montanhas e ao longo das margens dos rios. Este povo, que era chamado de “Homens da Floresta” em “O Hobbit” estava gradualmente retornando do norte. Eles eram parentes dos Homens da Floresta de Mirkwood de acordo com Tolkien no apêndice de “O Senhor dos Anéis”, mas dentre muitos povos pergunta-se se este era o povo que Beorn um dia veio a governar.

Pode-se apenas supor, realmente, de onde os Beornings vieram ou como eles eram. Eram todos homens, embora talvez uns poucos fossem troca-peles como Beorn. Tolkien não revela se Beorn nasceu com a habilidade de falar com animais e trocar sua pele, mas ele diz que muitos dos descendentes de Beorn possuíram a habilidade de trocar de peles. Então, em algum momento, a troca de peles tornou-se hereditária ou o segredo foi passado de geração a geração.

“O Hobbit” menciona que os dragões caçaram a maioria dos homens expulsando-os das terras no norte, e isto implica que os grandes ursos das montanhas do norte desapareceram quando os gigantes apareceram algum tempo antes da história acontecer. Beorn é associado com ambos ursos e homens do norte. Se os troca-peles não se originaram com Beorn então eles devem ter vivido nas montanhas, e Gandalf que uma vez ele ouviu por acaso Beorn expressando a esperança que ele tinha de um dia retornar para as montanhas.

Bilbo encontrou realmente poucos Homens em “O Hobbit”. Sua primeira conexão com homens depois de ter cruzado as Montanhas Nebulosas foi o ataque pretendido pelo Goblins e Wargs. Gandalf ouviu por acaso os Wargs discutindo um possível ataque às vilas do sul da fortaleza Goblin do Passo Alto. A próxima conexão de Bilbo com homens foi Beorn, que protegeu e auxiliou Thorin e Companhia e sua expedição. Embora Gandalf tenha dito que poucas pessoas viviam perto da Carrocha, ele parece indicar que Beorn não era o único habitante local, e quando Bilbo e Gandalf retornaram com Beorn no próximo ano, ele convidou muitos homens a comemorar em sua casa. Então o povo de Beorn já existia ao tempo da história, apesar de poder ter sido reforçado pelos homens da floresta que estavam migrando para o norte.

Não foi antes de Bilbo e dos Anões terem alcançado a Cidade do Lago sobre Esgaroth, o Lago Extenso, que eles encontraram mais homens. Estes homens, aparentados com os antigos homens de Valle [agora há muito destruída por Smaug], eram corajosos e fortes. Estes continuavam a viver relativamente próximos à desolação do dragão e ao leste de Mirkwood. Os homens da Cidade do Lago viviam em termos amigáveis com os Elfos do norte de Mirkwood [o povo de Thranduil e Legolas] e mantinham comércio com os homens que viviam mais ao sul no Rio. De fato, o comércio se estendia tão longe quando a terra longínqua de Dorwinion, localizada nas margens noroestes do Mar de Rhun.

Embora nunca tenhamos ouvido mais sobre os homens vivendo ao sul da Cidade do Lago, quando Bard restabeleceu o reino de Valle, recrutou homens tanto do oeste quanto do sul. Mas Mirkwood ficava a oeste de Valle e da Montanha Solitária, e além de Mirkwood estavam os Beornings, que parecem ser muito poucos em número para ajudar a popular a cidade. Talvez Bard tenha recrutado homens dos Vales do Anduin, ou então existiam homens da floresta vivendo ao norte da caverna de Thranduil na calha leste da Floresta?

Quando Tolkien escreveu “O Senhor dos Anéis”, encorpou a história destes homens do norte das Terras Ermas. Os Rohirrim tornaram-se uma facção sulista dos homens do norte, que eram todos associados com a Casa de Hador, a Terceira Casa dos Edain em Beleriand, por Faramir quando ele deu a Frodo e Sam uma breve lição de história sobre Gondor. Muito mais material do que o publicado no livro tinha sido preparado por J.R.R. Tolkien, que teve que cortar uma grande parte dos Apêndices para economizar espaço. Chistopher Tolkien publicou parte do material “perdido” no Unfinished Tales, junto a alguns ensaios tardios e histórias escritos por seu pai. O restante do material “perdido” foi finalmente publicado no “The Peoples of Middle-earth”, volume XII do “The History of Middle-earth”. É possível então investigar a história dos povos do norte durante todo o tempo até a Primeira Era.

Quando Tolkien escreveu “O Senhor dos Anéis”, encorpou a história destes homens do norte das Terras Ermas. Os Rohirrim tornaram-se uma facção sulista dos homens do norte, que eram todos associados com a Casa de Hador, a Terceira Casa dos Edain em Beleriand, por Faramir quando ele deu a Frodo e Sam uma breve lição de história sobre Gondor. Muito mais material do que o publicado no livro tinha sido preparado por J.R.R. Tolkien, que teve que cortar uma grande parte dos Apêndices para economizar espaço. Chistopher Tolkien publicou parte do material “perdido” no Unfinished Tales, junto a alguns ensaios tardios e histórias escritos por seu pai. O restante do material “perdido” foi finalmente publicado no “The Peoples of Middle-earth”, volume XII do “The History of Middle-earth”. É possível então investigar a história dos povos do norte durante todo o tempo até a Primeira Era.

Os homens do norte, freqüentemente chamados de Homens dos Vales do Anduin, aparentemente dividiam-se em dois grupos. Vamos chamá-los de grupo leste e grupo oeste. Originalmente, os da Casa de Beor [a Primeira Casa dos Edain] e os Marachs [a Terceira Casa] migraram para leste ao longo do mar interior. Os Marchs eram o grupo mais ao norte e eles aparentemente se fixaram nas terras entre os rios Carnen e Celduin. Após restabelecer contato com os da Casa de Beor, alguns dos Marachs continuaram a migrar para o oeste. A maioria dos Beorians os seguiu.

Em Eriador os Beorians alcançaram os Marchs e fixaram-se por todas as amplas terras. A maioria dos Marachs continuou a jornada para o oeste, acompanhados por uma pequena parte dos Beorians. Sob seus líderes Beor e Marach, apenas uma pequena porção de ambos os povos realmente entrou em Beleriand. O resto permaneceu no leste em Eriador e por todas as Terras Selvagens.

Os Edain das Terras Selvagens eventualmente formaram uma aliança com os Anões Barbalonga, o povo de Dúrin. Esta aliança, formada no início da Segunda Era para auxiliar a expulsar os Orcs e outras criaturas que fugiram da destruição de Angband para as terras do leste, prosperou por mais de mil anos até a Guerra dos Elfos e Sauron. Naquela guerra os povos Edaínicos foram quase destruídos, e apenas pequenos enclaves sobreviveram nas Terras Selvagens, tanto em Greenwood a Grande [mais tarde chamada Mirkwood] quanto nas montanhas.

Estes homens que fugiram para as montanhas parecem ser os ancestrais dos Beornings e dos homens do norte que foram para o leste. O grupo leste fixou-se perto da área norte de Greenwood, e no começo da Terceira Era começaram a migrar para o sul ao longo da borda da floresta. Foi destes homens que os povos de Valle, Cidade do Lago e o reinado de Rhovanion descenderam. Em “O Hobbit” parece que os recrutas oeste de Bard podem ter vindo de uma comunidade de homens da floresta vivendo ao norte do reino de Thranduil. Não existe indicação que aqueles homens tinham parado de viver no nordeste da floresta.

Os Beornings e Homens da Floresta, contudo, não são necessariamente um povo “puro”. No “The Disaster of the Gladden Fields” [publicado no Unfinished Tales], o sobrevivente solitário da companhia de Isildur foi auxiliado por homens da floresta vivendo nas bordas oeste de Greenwood, perto de Amon Lanc [mais tarde Dol Guldur]. Estes homens da floresta parecem ser alguns daqueles povos Edaínicos que fugiram para a Floresta durante a Guerra entre os Elfos e Sauron.

Em “Cirion and Eorl” [também publicado no Unfinished Tales], Tolkien relata a parte mais tardia da história do Reino de Rhovanion. Este reino, situado ao leste do sul de Mirkwood, foi destruído pelos Carroceiros em 1860 da Terceira Era. O exército de Rhovanion foi destruído, mas alguns de sua cavalaria escaparam e fugiram para os Vales do Anduin. Mais tarde, muitos foras-da-lei vindo através da Floresta se juntaram a eles. Estes eram os ancentrais dos Eotheod. Embora seja possível que os foras-da-lei incluíssem muitas mulheres e crianças, parece altamente provável que os homens da cavalaria tiveram que casar com mulheres das vilas locais – eles misturaram-se com os homens da floresta que viviam em Mirkwood ou ao longo do rio.

Cerca de 100 anos mais tarde, logo após o reino nortista de Angmar ter sido destruído, os Eotheod migraram para o norte, para os vales onde os rios formadores do Anduin corriam. Lá eles se fixaram por várias centenas de anos. Eles assim o fizeram, Tolkien nos conta no Apêndice dO Senhor dos Anéis, porque os homens estavam aumentando nos Vales do Anduin. Nem todos eram Homens do Norte. Alguns eram leais a Sauron, Orientais, aparentados aos Carroceiros. Os outros homens poder ter sido dos homens da floresta e possivelmente os ancestrais dos Beornings.

Quando Eorl o Jovem conduziu os Eotheod para o sul cinco séculos mais tarde, alguns de seu povo permaneceram no norte. Estes cavaleiros escolheram – seja qual for a razão – não seguir Eorl? Possivelmente, mas se isso realmente ocorreu eles não deram origem a uma grande nação de guerreiros montados. Ao contrário, desapareceram na história e foram esquecidos. O que aconteceu com eles?

Beorn como Urso na Batalha dos Cinco Exércitos

Retornando aO Hobbit, devemos recordar que Gandalf mencionou os dragões como tendo expulso homens do norte. Como Smaug e Valle, os dragões podem facilmente ter destruído muitas cidades e vilas. O primeiro dragão conhecido no norte foi Scatha, mas este dragão foi morto por Fram, filho de Frumgar, o líder que conduziu os Eotheod para o norte por volta do ano 1977. De acordo com o Conto dos Anos em O Senhor dos Anéis, os dragões não começaram a se multiplicar novamente até cerca do ano 2570. A entrada declara especificamente que os dragões começar a afligir os Anões. Eorl tinha conduzido seu povo para o sul cerca de 60 anos antes, então poderia não restar muitos homens no norte distante. Mesmo que existissem alguns, estes deveriam ter sido expulsos para o sul pelos dragões.

Nós também devemos considerar que uma das principais razões pelas Gondor pediu ajuda a Eorl e os Eotheod em 2509/10 era que os Vales sul do Anduin estavam se tornando perigosos para Gondor e seus aliados. Os Balchoth, ou povo Oriental aparentado aos Carroceiros, estavam então vivendo ao longo da borda sul da Floresta. Eles podem, portanto, ter destruído ou expulso muitos dos Homens do Norte restantes, então talvez apenas os Homens da Floresta restaram.

Com os dragões vindo do norte e os Balchoth mantendo o sul, os Homens do Norte dos Vales do Anduin foram fortemente pressionados a encontrarem um local seguro para viver. Eles devem ter entrado em um longo período de declínio a este tempo, e não foi antes do trigésimo século que eles começaram a recuperar suas terras perdidas. Os Orcs começaram a colonizar as Montanhas Nebulosas no final do século 25, e eles foram uma ameaça significativa até a Guerra dos Anões e Orcs [2793-99].

Em algum momento de todos esses anos e guerras, os Beornings devem ter se ramificado dos outros Homens do Norte. É concebível que eles fossem descendentes tanto dos Eotheod remanescentes quanto dos Homens das Florestas que foram para o norte antes que os dragões começassem a inquietar a região. Os cavalos e pôneis de Beorn não são apenas extraordinários [assumindo que o conto de Bilbo foi apenas levemente enfeitado com o objetivo de contá-lo], ele possuía um grande amor por eles – o qual lembrava a devoção dos Rohorrim a seus cavalos. É portanto concebível que os Beornings tenham mantido a tradição da montaria à cavalo.

Da mesma forma que os Rohirrim viviam nas Ered Nimrais e pastoreavam seus rebanhos e manadas nos amplos campos gramados de Calenardhon, então, também os Beornings podem ter morado nas montanhas e pastoreado seus cavalos nas terras baixas. Então segue-se que se Beorn desejava retornar para as montanhas, ele deve ter sido expulso de lá pelos Orcs, e seu povo em geral pode ter sido destruído ou expulso pelos Orcs. Um guerra anterior com os Orcs poderia explicar o pouco número dos Beornings quando Bilbo e Gandalf os visitaram, mas as enormes perdas sofridas pelos Orcs das Montanhas Nebulosas na Batalha dos Cinco Exércitos poderia ter dado os homens do Vale do Anduin uma tão necessária trégua.

Beorn poderia, portanto, ter recrutado novos seguidores dentre os Homens da Floresta que estavam migrando para o norte para ampliar os números de seu povo, e uma vez que Gloin contou a Frodo que os Beornings mantiveram a Passagem Alta aberta ao tempo da Guerra do Anel, os Beornings parecem ter se tornado fortes o suficiente para terem retornado às montanhas.

A cultura dos Beornings pode então lembrar aquela dos Rohirrim, mas em alguns modos deveria ser similar àquela dos Homens da Floresta. Quanto aos Homens da Floresta, contudo, não temos evidências diretas sobre seus modos de vida e costumes. Porém Tolkien descreveu um outro grupo de Homens da Floresta, na Primeira Era: o Povo de Haleth, que vivia de modo similar ao dos Beornings. Como Beorn, o Povo de Haleth freqüentemente vivia sozinho, ou apenas com poucas pessoas juntas. Eles construíam grandes cercas ao redor de suas casas, e a maioria vivia dentro da floresta, na floresta de Brethil.

Tais similaridades podem ser apenas superficiais, Tolkien pode não ter previsto nenhum paralelo próximo entre as culturas do Povo de Haleth e o povo de Beorn; mas por outro lado, ele parece ter enfatizado o relacionamento entre os Rohirrim e os outros Homens dos Vales do Anduin. Fazendo isso, ele poderia estar sugerindo que as culturas de Rohan e dos Beornings não eram muito distanciadas.

[Tradução de Fábio 'Deriel' Bettega]

Estratégias de Sauron – Passos para a Derrota (Parte II)

Na Primeira Era, Morgoth tentou
derrotar seus inimigos Eldarin jogando tudo o que fosse possível contra
eles. Logo, seus exércitos conseguiam sucesso misto. Mesmo a Nirnaeth
Arnoediad provou ser uma vitória tão cara que Morgoth não pode
conseguir a vitória definitiva dos exércitos élficos e seus aliados.
Ele tomou controle de Hithlum e da Marcha de Maedhros, restaurou suas
tropas em Dorthonion, e tomou controle total sobre a parte superior do
Sirion. Mas Falas, Nargothrond, Doriath (e Brethil, que tecnicamente
era parte de Doriath), e Gondolin tiveram que ser tratadas
separadamente.

 

 

 
Na Segunda Era, Sauron tentou duplicar os sucessos
dúbios de Morgoth com ataques repentinos, tentando adquirir grandes
vitórias militares. Ainda, ele não tinha as vantagens de Morgoth.
Apesar de que muito da Terra-Média esteve sobre o controle de Morgoth,
Sauron teve que continuar a manter seu império. E apesar de que a
fortaleza-chefe de Morgoth, Angband, estava perto de seus aliados,
Sauron posicionou-se em Mordor com a intenção de lançar agentes que
trabalhassem ao mesmo tempo para os eldar no norte e os numenoreanos no
sul.

A colonização numenoreana não avançou para o extremo
norte já que Sauron forjou o Um Anel por volta do ano 1600. As grandes
fortalezas do Pelargir, no baixo Anduin, e Umbar não seriam
estabelecidas em menos de 600 anos. O poder numenoreano era no máximo
uma ameaça futura distante de conflito. Mas quando Gil-galad chamou
Númenor para ajudar na guerra iminente, os numenoreanos investiram
perto de 100 anos fortificando posições perto dos rios Gwathlo e Lhûn.
Enquanto Sauron começava a mover suas forças para o Norte, seus
inimigos tinham linhas múltiplas de defesa.

Mas não quer dizer
que Sauron foi derrotado. As histórias deixam claro que Sauron dominou
Tharbad e abriu caminho sobre Eregion com relativa facilidade.
Ost-en-Edhil foi possuída por algum tempo, possivelmente em torno de um
ano. Os esforços de Elrond de reforçar Eregion falharam e ele teve que
se retirar para o norte. Sauron mandou em exército para tirar Elrond do
caminho. E, aparentemente, ao mesmo tempo em que ele estava destruindo
Eregion, sauron mandou um exército para o leste das Montanhas Nevoentas
para expulsar os povos Eldar e Edain, o último desses que foram grandes
aliados dos anões Barbalonga.

Então, Sauron não somente deu a
seus inimigos grande tempo para se preparar para a guerra, ele espalhou
bem suas forças quando lançou a guerra. Gil-galad foi capaz de
consolidar muitas de suas forças sobreviventes no Lhûn depois de ser
empurrado do rio Baranduin. Sauron derrotou Eriador, mas Tolkien nota
que Sauron matou ou expulsou os homens e elfos vivendo na região. Os
expulsos alcançaram o acampamento de Elrond em Imladris ou o reino de
Gil-galad. As duas regiões foram reforçadas pela campanha crescente de
Sauron.

No final das contas, foi precisa uma intervenção
massiva de Númenor para derrotar Sauron, mas a lição que ele aprendeu
da guerra foi que Númenor ia dar mais trabalho que Lindon. Tolkien nos
diz que a guerra entre os elfos e Sauron nunca acabou depois daquele
dia, apesar de Sauron ter alterado seus objetivos estratégicas. Ele
começou conquistando mais territórios no leste. E, gradualmente,
enquanto Sauron estendia seu poder para o sul ele entrou em confronto
com colônias numenoreanas ao longo das costas meridionais da
Terra-Média. Númenor vinha colonizando a Terra-Média desde o ano 1200,
mas por todo o ano 1800 os numenoreanos começaram a estabelecer
fortalezas, cobrar tributo dos povos locais, e conquistando terras
ocupadas. Númenor virou um poder rival que Sauron tinha que conter. Em
fato, provou-se ser impossível para este derrotar Númenor no campo de
batalha, e ele finalmente os derrotou através de um subterfúgio que
trouxe destruição para Númenor e a morte de grande parte de seu povo.

E ainda, apesar da queda de Númenor, Sauron não tinha se livrado ainda
da ameaça numenoreana. Elendil e seus Dunedain Fiéis exilados
estabeleceram reinos em Arnor e Gondor, na Terra-Média setentrional.
Apesar de ser apenas um resto da nação poderosa que fora e que
humilhava Sauron militarmente, os Dunedain Fiéis eram poderosos demais
para serem aniquilados rapidamente. Sauron entendeu isso quando tomou
Minas Ithil e foi empurrado para fora de Osgiliath. Vocês podem até
ouvi-lo pensando: "Opa, isto estava fora dos planos". Se ele esperasse
mais 100 anos, Arnor e Gondor teriam ficado mais poderosos, mas Sauron
teria restabelecido total controle sobre sua rede de aliados e assuntos
de estado. Ele teria muito mais recursos à disposição do que possuía
quando atacou Gondor em 3429.

Esperando demais, atuando cedo
demais — esses eram os erros que Sauron cometeu na Segunda Era. Ele
permitiu a seus inimigos o tempo para crescer fortes enquanto ele mesmo
dispersou suas forças e criou guerra em muitas frentes. Depois de sua
derrota, Sauron teve 1000 anos para refletir sobre suas falhas e
fraquezas. E quando ele ficou forte o bastante para reencarnar, ele
entendeu que para conseguir tomar controle da Terra-Média, ele tinha
que trabalhar vagarosa e cuidadosamente. Ele tinha que aumentar seus
poderes enquanto acabava com seus inimigos.

O primeiro passo
era escolher um porto seguro. Mordor foi ocupada por Gondor, que no 11º
século da Terceira Era quase chegou ao topo de sue poder. Não tinha
chance de lutar pelo controle de Mordor com os Dunedain nesta era. E
ainda, Sauron precisava estar perto de seus inimigos. A Grande Floresta
Verde, porém, oferecia uma posição atrativa. As densas florestas
ofereciam uma privacidade relativa e alguma defesa, e a região de Amon
Lanc, por muito tempo abandonada pelos elfos, seria fácil de se
fortificar.

Sendo o Necromante de Dol Guldur (o novo nome que
os elfos deram para Amon Lanc), Sauron construiu um grupo de servos do
mal que se espalharam pela floresta. A Grande Floresta Verde ficou tão
aterrorizante que os homens a renomearam Floresta das Trevas. E à
medida que Orcs, Trolls, Wargs, aranhas e outras criaturas se juntavam
em Dol Guldur, Sauron renovou seus contatos com alguns servos orientais
que serviram a ele no passado. Induzindo alguns dos Orientais a migrar
para o sul da Floresta das Trevas, Sauron começou uma onda de migrações
que aconteceram em Eriador. Os Hobbits, criando moradia nos Vales do
Anduin por muitos anos, cresceram com medo já que o influxo de
Orientais ameaçava seus vizinhos, e começaram a ir para terras mais
seguras, no oeste.

Perto do ano 1300, Sauron mandou o Rei dos
Nazgûl para o norte, a fim de estabelecer o reino de Angmar. Angmar
serviu a dois propósitos. Primeiro, era uma base remota de operações
que trabalhava contra os povos de Arnor que viviam nas proximidades.
Sauron não precisava se preocupar em estabelecer e proteger longas
linhas de suprimentos. Segundo, Angmar pareceria somente mais uma terra
inimiga aos elfos e dunedain. Um único inimigo implacável traria muita
atenção. Mas se reinos hostis surgissem em vários lugares, ninguém
teria certeza do que estaria acontecendo. Havia Sauron retornado, ou
seus servos apenas ficaram mais ambiciosos e poderosos? Inspirar a
dúvida e a demora em seus inimigos deu tempo para que Sauron crescesse
em força.

Mas apesar de Angmar ter vantagem sobre as divisões
que nasceram em Arnor (dividida em três reinos menores pelos Dunedain
em 863), Dol Guldur ficou isolada do leste. Enquanto Sauron contemplava
o que poderia fazer com os reinos do norte, Minalcar estabeleceu as
diferenças entre os homens do Norte e os Orientais atacando as terras
perto do lado sul da Floresta Das Trevas, terras que Gondor clamou há
muito tempo, mas viraram moradia dos Orientais e de muitos homens do
Norte. Minalcar destruiu ou mandou embora os Orientais perto do mar de
Rhûn, e se aliou com o reino de Rhovanion, leste da Floresta das
Trevas, comandado por Vidugavia.

A falha de Minalcar em atacar
Dol Guldur é curiosa. Possivelmente, Sauron estava usando seus
Orientais como uma farsa, e o Necromante de Dol Guldur acabou com
Minalcar como se fosse uma pequena ameaça (ou ameaça nenhuma) para
Gondor. Ainda, Sauron tinha que esperar que seus Orientais recuperassem
seus números. Mas pode ser que ele sentiu que um novo tipo de cultura
oriental foi criada. Nos últimos séculos, Tolkien nos disse, haveria
guerras entre os Orientais. O controle de Sauron sobre os povos do
leste poderia não estar completo, ou então ele sentiu que os melhores
guerreiros seriam aqueles que sobreviveram a grandes contendas e
guerras.

Mas Gondor também era poderosa. Mesmo quando os
Fratricidas morreram, e os Eldacar levaram seus inimigos para o sul,
Sauron não tinha como ter vantagem no conflito. Estava muito longe de
Umbar, onde os rebeldes procuraram abrigo, para fazer contato com os
dissidentes. Apesar de ser um porto seguro, Dol Guldur era bem
confinante. A Grande Praga de 1636, que Sauron lançou no leste e
direcionou para o oeste, abriu novas oportunidades para ele. Gondor
perdeu tanta gente que não poderia mais sustentar os exércitos em
Mordor. Quando os dunedain saíram, orcs e outras criaturas entraram.
Mas ao invés de se mudar para lá, Sauron meramente usou Mordor como
corredor para expansão. Ele provavelmente mandou agentes para o sul
para fazer alianças com os haradrim.

200 anos após a Grande
Praga, os Carroceiros atacaram os homens do norte e Gondor. Os povos do
oeste foram derrotados e Sauron conseguiu domínio da Floresta das
Trevas e de Mordor. O Lorde dos Nazgûl trouxe então a derrota final à
Arthedain, o últimos dos reinos dos Dunedain. Mas apesar de Lindon e
Imladris continuarem no norte, e os dois terem papéis significantes na
derrota de Angmar, Sauron tornou sua atenção para Gondor, suja
intervenção foi responsável pela derrota de Angmar. Os reinos do norte
foram destruídos, mas eles eram a menor das ameaças.

Assim,
quando os anões de Khazad-dûm acordaram o Balrog em 1980, eles
inesperadamente mudaram o balanço de poder no norte. Apesar de
Khazad-dûm não ter tido (aparentemente) um papel importante nas guerras
contra Angmar, ele estava na Última Aliança de Homens e Elfos contra
Sauron, e então enfrentou Sauron novamente. A destruição da civilização
anã efetuada pelo Balrog, e a fuga subseqüente de muitos elfos de
Lothlórien, virtualmente asseguraram que Sauron não tinha quase nenhum
inimigo de poder significante no norte. Tolkien sugere que foi por
causa da presença do Necromante no sul da Floresta das Trevas que
Galadriel resolveu intervir em Lothlórien. Se ela e Celeborn não
tivessem restaurado a ordem ao reino élfico, não teria ninguém para
opor Dol Guldur exceto por alguns homens das florestas e alguns povos
pequenos chamados Eotheod, o restante do outrora poderoso reino de
Rhovanion, Vidugavia. O reino de Thranduil no norte da Floresta das
Trevas continuou forte, mas ele não participou de nenhuma grande guerra
desde a Segunda Era.

O século XX da Terceira Era provou ser um
período tumultuado para Sauron e seus aliados. A perda de Arthedain e
Khazad-dûm deveria ter alarmado os eldar e os Istari. As perdas de
Gondor para os Orientais e a fuga final dos Eotheod para os Vales do
Anduin assegurou que o oeste não tinha força para impulsionar o fluxo
de guerreiros para a Floresta das Trevas e Mordor. E o problema com os
Nazgûl em 2002, quando eles atacaram Minas Ithil, que durou apenas dois
anos, foi um sinal que o mal derrotado no norte sofreu pouco.

Apesar de tudo, Dol Guldur, mesmo com má reputação, parece não ter
feito muito neste período. Os reis de Arnor e Gondor concluíram no meio
do século XX que uma vontade única estava orquestrando suas quedas para
um propósito desconhecido. Pelo século XXI, os Sábios (lordes dos Eldar
e Istari) concluíram que o poder de Dol Guldur era o candidato mais
provável para Inimigo-Mor. Mas quem era o Necromante? Os Sábios
suspeitavam ser um Nazgûl. Apesar de tudo, o Lorde dos Nazgûl era o Rei
Bruxo de Angmar. Os Nazgûl dominaram Minas Ithil. Nazgûl obviamente
estavam ativos na Terra-Média. Mas alguns, provavelmente incluindo
Galadriel e Gandalf, temiam que o Necromante fosse Sauron. Logo, em
2063, Gandalf investigou Dol Guldur e Sauron fugiu para o leste.

Pelos próximos 400 anos, que os Sábios diziam ser a Paz Vigilante,
Sauron preparou novas forças. Os Balchoth, parecidos com os
Carroceiros, cresceram em proeminência no leste. Os Uruks nasceram em
Mordor. Umbar, destruída por Gondor no século XIX, foi recriada com
novas forças totalmente leais a Sauron, e ele finalmente começou a
desafiar o controle numenoreano dos mares. A influência de Sauron entre
os Haradrim aumentou.

Quando ele viu ser a hora certa, em 2460
Sauron retornou para Dol Guldur com novas forças, e Minas Ithil lançou
os Uruks contra Ithilien. Sauron mandou Orcs e Trolls para colonizar as
Montanhas Nevoentas. E os Corsários de Umbar começaram a atacar Gondor.
O retorno à Dol Guldur, porém, implica que Sauron ainda temia a união
de seus inimigos. Os Anões Barbalonga estavam fortes novamente. Os
Eotheod ficaram mais numerosos, e havia outros povos humanos nos Vales
do Anduin que se aliavam com Gondor. Lothlórien virou uma marca do
poderio élfico, e Thranduil controlava o norte da Floresta das Trevas.
Sauron provavelmente procurou deixar seus inimigos do norte
desbalanceados enquanto o Nazgûl, os Balchoth e Corsários acabavam com
os recursos de Gondor.

Mas Sauron também voltou para Dol
Guldur por outro motivo: o Um Anel. Ele acreditava que este fora
destruído. Até ele perceber que não era bem assim. Ele investiu grande
parte de sua força no Anel. Se ele fosse destruído, provavelmente ele
teria ficado fraco demais para ficar poderoso de novo. Sua força
continuou a voltar, porém, e século após século ele conseguiu enxertar
sua vontade sobre mais pessoas e criaturas. Em alguns pontos, a
sobrevivência do Anel virou um fato óbvio para Sauron. Sauron não
apenas sobreviveu à derrota, como estava se recuperando do anel.

E então virou um dever de Sauron recuperar o Anel antes que seus
inimigos o encontrassem e o usassem contra ele. Ele nunca imaginou que
alguém pudesse destruir o Anel, mas havia na Terra-Média Eldar
poderosos que, se viessem a ter o Anel, poderiam usá-lo para construir
exércitos contra ele novamente: Círdan, Elrond, Galadriel, Celeborn.
Eram todos parentes dos antigos reis elfos, e tinham alto conhecimento
e força. E o que Sauron sabia ou suspeitava dos Istari? Com certeza
eles eram imortais. Eles já vagueavam por mais de 1000 anos.

Quando Sauron soube do fim de Isildur, ele se posicionou em Dol Guldur
para ganhar controle sobre os Campos de Lis para que seus servos
pudessem procurar pelo Anel. Mas Sauron não entenderia por muitos
séculos que o Anel estava bem do outro lado do rio, ou que ele foi
encontrado, muito antes dele ter começado a procurar, por um Grado
chamado Déagol, cujo primo Sméagol o assassinou e roubou o Anel.

O ataque dos Balchoth contra o norte de Gondor em 2510 teve dois
propósitos: primeiro, acabar com as forças de Gondor; segundo, limpar o
caminho para a procura de Sauron pelo Anel. A borda norte de Gondor
ficava perto demais de Dol Guldur para que eles mantivessem o segredo.
Os objetivos de Sauron sofreram um revés, porém, quando Eorl liderou um
exército de Eotheod para o norte, em auxílio de Gondor. A Batalha nos
Campos de Celebrant não foi uma derrota ameaçadora para os Balchoth.
Eles continuaram uma efetiva força guerreira para Sauron, mas o
controle sobre os Meandros passou de Gondor para os Eotheod, ao invés
de para Sauron. Gondor e Lothlórien continuaram, então, a ser uma
grande ameaça aos seus planos.

Ainda, quando Cirion cedeu
Calernadhon para Eorl e seu povo, Sauron teve que alterar sua
estratégia uma vez mais. Cirion consolidou suas forças em Anórien e
Ithilien, e Calenardhon veio a ser controlada por um forte povo do
norte, que Sauron percebeu não poder controlar. Os Rohirrim, como o
povo de Eorl veio a ser chamado, não poderia ser simplesmente ignorado.
E a oportunidade de cuidar deles veio no 28º século. Helm, rei de Rohan
(como Calernadhon veio a ser chamado), consolidou seu poder sobre as
terras ocidentais matando Lorde Freca e destruindo sua família. O filho
de Freca, Wulf, se aliou com os Terrapardenses, cujos ancestrais
serviram Sauron na Segunda Era.

Em 2758, Wulf lançou um ataque
à Rohan de Dunland. Ao mesmo tempo, Corsários de Umbar e outras partes
de Harad atacaram o lado oeste de Rohan, e os Balchoth ou outros
Orientais atacaram Rohan do leste. Até mesmo Gondor foi atacada,
ficando então bloqueada de ajudar Rohan. Os Rohirrim foram derrotados
em campo aberto e fugiram para as montanhas. Wulf tomou posse da
maioria das terras. Sauron com certeza planejou o ataque, e o extenso
período de frio, chamado o Longo Inverno, assegurou que o povo de Rohan
(e Eriador) sofreriam terrivelmente. Mas se o objetivo de Sauron era
destruir os Rohirrim neste conflito, ele falhou. Apesar de Helm ter
perecido no Longo Inverno, seu sobrinho Frealaf derrotou Wulf e seus
aliados, na primavera, com a ajuda de Gondor, que reprimiu os ataques
do sul. Mas o conflito produziu outro problema, que Sauron preferiu
ignorar.

Em 2590, os Anões Barbalonga re-estabeleceram o Reino
sobre a montanha de Erebor, que ficava a leste da parte norte da
Floresta Das Trevas. Enquanto Erebor não era ameaça para Dol Guldur,
ele se aliou ao Reino de Valle. Os dois reinos cresceram em riqueza,
fama e poder. Em 2770 o dragão Smaug veio do distante norte e destruiu
Erebor e Dale. Os anões sobreviventes se exilaram e a família real foi
parar em Terra Parda. Em 2990, Thror, que era rei sobre a Montanha,
decidiu retornar para o leste. Foi assassinado por Azog, chefe dos Orcs
em Khazad-Dûm, que decapitou Thror e mutilou a cabeça do Rei-Anão.

Thrain, filho de Thror, fez uma aliança entre todos os povos anões por
uma guerra de 7 anos contra os Orcs das Montanhas Nevoentas. Apesar dos
anões sofrerem grandes perdas, eles quase exterminaram os Orcs. O
controle de Sauron sobre as Montanhas Nevoentas foi efetivamente
destruído na guerra. Junto com sua falha de destruir ou tomar controle
sobre Rohan, perder as Montanhas Nevoentas diminuiu as chances de
Sauron de destruir Lothlórien ou achar o Um Anel.

Para não
ficar totalmente frustrado, Sauron começou então a recuperar os outros
Anéis do Poder que ele cedeu na Segunda Era. Os Anões tinham os Sete e
os Nazgûl tinham os Nove. Mandar os Nazgûl devolverem seus anéis não
era problema. Mas Sauron tinha que caçar os Reis-Anões um a um e pegar
os Anéis deles. E, desses reis, apenas três tinham anéis. Quatro dos
Anéis foram aparentemente destruídos por dragões. Thrain foi o último
Portador Do Anel a cair nas mãos de Sauron. Apesar de Tolkien não
explicar porque Sauron pegou os Anéis de volta, podemos concluir que
era para aumentar sua própria força. Ou então pretendia, futuramente,
distribuí-los para novos escravos. Glóin reportou para o Conselho de
Elrond em 3018 que Sauron ofereceu 3 Anéis para o Rei Dain II, apesar
de não podermos dizer que Sauron devolveu os Anéis para os anões.

Ao que o Conselho Branco corria, no qual Galadriel se juntou aos Istari
e lordes elfos depois que a Paz Vigilante acabou, Gandalf retornou para
Dol Guldur em 2851. Foi lá, então, confirmado que o Necromante
realmente era Sauron, e Gandalf descobriu que Sauron estava juntando os
Anéis de Poder novamente, assim como procurava pelo Um Anel. Tais
notícias alarmaram Saruman, que tinha ido morar na fortaleza gondoriana
de Isengard depois do Longo Inverno. Saruman, neste momento, percebeu
que o Um Anel poderia, sim, ser encontrado, e ele o queria para si. Ele
começou a recrutar Orcs e Terrapardenses para servi-lo, e mandou
espiões para procurar pelo Anel nos Campos de Lis.

Apesar de
Saruman apresentar uma ameaça pequena para Sauron, a procura pelo Anel
descobriu outro problema. Enquanto Arnor foi completamente destruída
(ou assim Sauron acreditava – ele não percebeu que descendentes de
Isildur sobreviveram no norte), Gondor provava ser muito mais forte e
resiliente, graças à aliança com os Rohirrim. O crescimento de um poder
rival em Isengard poderia complicar, mas se Sauron pudesse encontrar o
Um Anel ele poderia rapidamente conseguir controle sobre muitas pessoas.

Em 2941, Sauron provavelmente se convenceu que o Um Anel não estava
mais na região dos Campos de Lis. O Conselho Branco moveu-se contra ele
e ele fugiu de Dol Guldur. Dizem que a Floresta das Trevas ficou um
lugar mais calmo por um tempo. Tal transição implica que Sauron não
fugiu simplesmente de Dol Guldur. Ele sugere que foi uma grande
migração de orcs, homens e outras criaturas sobre seu controle.
Enquanto alguns argumentam que a ação do Conselho Branco foi um tipo de
ataque mágico, é mais provável que Lothlórien mandou um exército contra
a Floresta das Trevas. Os Istari e os senhores elfos desafiaram o poder
de Necromante diretamente, mas Sauron retraiu-se e então preservou
grande parte de suas forças.

A fuga sugere que Sauron não
estava mais a fim de arriscar seus exércitos principais em combate
aberto. Por outro lado, no norte, Bolg (filho de Azog) lançou uma
campanha contra um pequeno grupo de anões liderados por Thorin, filho
de Thrain, que retornou a Erebor. Após a morte de Smaug, elfos, homens,
anões e orcs se convergiram para a montanha, para recuperar o tesouro
que Smaug guardou à 170 anos. Estava Bolg seguindo ordens de Sauron, ou
Sauron perdeu o controle sobre os orcs das Montanhas Nevoentas? Se
Sauron aprovasse ou permitisse à Bolg lançar o ataque, então ele o
supriria com recursos o suficiente para executar uma ação que, além de
segurar uma base no norte, poderia ser usada para atacar Thranduil. Mas
isso também deixaria Sauron sem ajuda próxima das Montanhas Nevoentas.
Se Bolg ganhasse controle sobre Erebor, Sauron estaria em posição para
acabar com Thranduil e trazer reforços para atacar Lothlórien num
minuto. Mas quando Bolg retirou os exércitos órquicos, Lothlórien tinha
uma oportunidade única de ação.

Se Bolg fosse o comandante de
Sauron no norte, Sauron poderia retornar para Mordor com todas as
forças de Dol Guldur. Ao invés de espalhar seus recursos pelas três
maiores bases (Mordor, Dol Guldur e Erebor), Sauron poderia consolidar
sua força em duas regiões bem protegidas, que poderiam ser suprimidas e
reforçadas pelo leste. Então, por não ter arriscado tudo, a derrota de
Bolg em Erebor somente atrasou os planos de Sauron. Tolkien diz que
três quartos dos Orcs do norte pereceram na Batalha dos Cinco
Exércitos. Levaria décadas para que eles pudessem se recuperar
totalmente. Enquanto isso, enquanto os homens do Norte refaziam o Reino
de Dale e os Anões Barbalonga reconstruíam o reino de Erebor, Sauron
retornou para Mordor.

Sauron se declarou abertamente em 2951.
Ele agora se sentia confiante o bastante, apesar de sua falha em
recuperar o Anel, para agüentar qualquer ataque que o Oeste lançasse
sobre ele. O efeito psicológico do "Estou de volta" sobre os elfos não
deve ser subestimado. Muitos dos elfos simplesmente perderam a fé.
Talvez muitos deles acreditassem que Sauron tinha recuperado o Um Anel,
ou que estava quase encontrando. Pelo ano 3000 anões começaram a se
mover para o oeste, e trouxeram do leste relatos de movimentos de
povos, guerras predatórias e o poder crescente de Sauron. Muitos dos
eldar restantes fizeram uma onda massiva de migração para o Mar,
deixando a Terra-Média para sempre. Os Elfos Silvan continuaram
decididos, mas Lindon e Imladris nunca mais puderam reconstruir
exércitos.

À medida que os orcs das Montanhas Nevoentas
recuperavam seus números, novos inimigos ameaçavam a borda leste de
Dale. Mordor forjou novas alianças com os Orientais e os Haradrim, e
Saruman caiu no encanto de Sauron quando o mago usou o Palantír que
encontrou em Isengard para espiar Mordor. Apesar da fidelidade de
Saruman para com o oeste já ter se esvaecido, até agora ele se opunha a
Sauron. Foi útil para Saruman ajudar o Conselho Branco a livrar Dol
Guldur em 2941. Ele queria procurar pelo Anel livremente. Perto da
Guerra do Anel, Saruman encontrou os restos de Isildur, mas não o Anel
(que, com certeza, foi levado para o Condado).

Gondor
continuava a decair ante os repetidos ataques de Mordor e Harad, mas a
força militar de Gondor já não era vital para a estratégia de Sauron. O
Anel virou a prioridade-mor de Sauron. Ele finalmente soube de Sméagol
do destino do Anel, e em 3018 ele mandou os Nazgûl para o Condado para
recuperar o Anel e trazê-lo de volta. Apesar dele estar se preparando
para a guerra, e que ninguém acreditava que ele podia perder, Sauron
precisava ter certeza que seus inimigos não usariam o Anel contra ele
antes que ele lançasse a guerra. Seus capitães poderiam mudar de lado
caso alguém poderoso o bastante para usar o Anel aparecesse e tomasse
posse deste.

A grande lista de reinos e tribos que Sauron
juntou assegurava-o de qualquer vitória em qualquer guerra em que
ninguém usasse o Anel. A recuperação do Anel o assegurava, então, de um
controle indisputável sobre a Terra-Média. Os elfos que sobraram não
eram fortes o bastante para desafiá-lo. Os Dunedain definharam e eram
poucos demais para chegar a ter os poderosos exércitos que comandavam
no auge de seu poder. E os homens do norte, apesar de fortes em lugares
como Dale, os Vales do Anduin, e Rohan, estavam divididos em reinos
demais e incapazes de formar uma aliança forte o bastante para
desafiá-los.

Em 3018, Sauron esteve preste a atacar Dale e
Erebor, passando pela Floresta das Trevas, e limpar os Vales do Anduin
dos homens, elfos e anões. Mesmo Lothlórien provavelmente não
sobreviveria por muito tempo. Gondor, por outro lado, possuía força o
suficiente, especialmente se reforçado por Rohan, para agüentar ao
menos um ataque massivo. O dever de Saruman ele prevenir ou adiar o
reforço de Rohan. Os orcs das Montanhas Nevoentas poderiam atacar os
Beornings, os Homens das Florestas, Lothlórien, e sem dúvida alguma
Imladris e Eriador. Dol Guldur, agora reconstruída, poderia deixar
Thranduil dificultado. Não tinha chance dos povos do norte formarem uma
aliança no último minuto e chegar em auxílio de Gondor. Todas as peças
estavam no lugar. Vitória era certa. O Senhor do Escuro estava se
divertindo.

A análise de Gandalf das intenções e prioridades
de Sauron (revelada no Conselho de Elrond em 3018 e no último debate
dos capitães do Oeste em 3019) oferece um discernimento das estratégias
mutantes de Sauron na Terceira Era. Quando ele acordou e assumiu uma
força física uma vez mais, Sauron acreditou que ele fora ferido pela
destruição do Um Anel. Determinado a se vingar de seus inimigos, e
talvez reconquistar o controle sobre a Terra-Média, ele começou o
trabalho de dividir e enfraquecer seus inimigos. Seus tenentes
trouxeram a destruição de Arnor. O Balrog (direcionado por Sauron, ou
mesmo por pura sorte) destruiu Khazad-dûm e grande parte de Lothlórien.
Os Orientais e Haradrim enfraqueceram Gondor, reduzindo-o de um império
extremamente poderoso a um estado murcho, ainda orgulhoso mas temeroso
e com uma paranóia de ameaça e derrota. E muitos dos elfos restantes
fugiram da Terra-Média quando viram que a batalha final estava para
começar

Descartando problemas ocasionais, em 3019 Sauron
estava confiante de sua habilidade de adquirir vitória suprema sobre a
oposição. Ele sabia que o Um Anel ainda existia, e ele sabia quem o
possuía. Ele temia que alguém mais tomasse o Anel e usasse contra ele.
O grande perigo, ao ver de Sauron, estava na possibilidade que a
divisão e as brigas poderiam surgir entre seus exércitos. As forças que
ele conseguiu poderiam se virar contra ele. Aragorn e Gandalf
concluíram, então, que a chance de Frodo em concluir a sua missão
dependia do medo de Sauron. Eles fizeram Sauron acreditam que um novo
Senhor do Anel, presumavelmente Aragorn, estava aparecendo.
Penetrantemente atento ao que o atraso custou a ele na Segunda Era (e
talvez fazendo-o sentir que não estava agindo tão cedo), Sauron lançou
um ataque massivo contra Gondor na esperança de capturar o Anel. E
quando esse ataque falhou, ele lançou tudo o que ele tinha num assalto
selvagem que ele acreditava que iria trazer rapidamente o Anel para ele.

Como deve ter sido devastante para Sauron a verdade, quando Frodo
clamou o Anel na cova de Sammath Naur, que ele, o mestre da
manipulação, foi um tolo. Todo seu planejamento cuidadoso e manobras
sagazes por dois mil anos foram para nada. Força massiva, poder
impressionante, e as estratégias mais sutis foram sabotados pela
completa equivocação de Sauron quanto aos fatos que ele descobriu. Ele
acreditava que seus inimigos queriam ser como ele. Se ele entendesse
que eles simplesmente queriam se livrar dele e de todos os Lordes
Negros para sempre, ele teria ficado mais retraído. Em tal mundo,
Sauron estaria sem ação por um tempo. Ele ainda teria que temer que
alguém tomasse o Anel e o usasse contra ele. Mas ele também temeria que
eles o destruíssem. Ele teria que refazer sua estratégia. Não devemos
duvidar que ele deveria ter feito isso, e que o Conselho de Elrond
acertou no ponto quando concluiu que eles tinham uma única chance de
derrotar Sauron.

gimli-lord-of-the-rings

Eles, os Anões (Parte II)!

Guerreiro Anão, por Alan Lee

A maior parte do que conhecemos a respeito da cultura e costumes dos Anões deriva dos escritos de Tolkien sobre o Povo de Durin, os Anões Barbas-longas de Khazad-dûm, Erebor e as Colinas de Ferro. O Povo de Durin foi possivelmente o mais sociável de todos os povos anões, interagindo com Elfos, Homens e hobbits, em menor ou maior grau. Os Anões de Ered Luin (os Barbas-de-Fogo e Vigas-largas) também estavam intimamente associados com Elfos e provavelmente interagiram com Homens na Segunda e Terceira Eras, da mesma forma que os hobbits do Condado na Terceira Era, mas parece que, numericamente, eles se tornaram relativamente poucos após a Primeira Era.

 
 
As pessoas vêem os Anões como reservados e até certo ponto xenófobos, mas isto não é completamente correto. Tolkien disse, de fato, que “eles são uma raça dura, teimosos em sua maioria, reservados, trabalhadores, que retêm lembranças de insultos e ferimentos (e de boas ações), amantes da pedra, de pedras preciosas, e de coisas que tomam forma nas mãos dos artesãos, mais do que as coisas que vivem por meio de sua própria vida”. Então, o quão reservados eram eles? Tolkien nos diz que os Anões de Nogrod e Belegost compartilhavam seu conhecimento livremente com os Sindar, em troca dos ensinamentos de Melian, e eles também compartilharam conhecimento, mais tarde, com os Noldor. Por outro lado, os Anões-pequenos eram tão reclusos e hostis aos Sindar que pareciam animais violentos que deveriam ser caçados.

 

A extensão da natureza reservada dos Anões é percebida por meio de sua língua, que ensinavam a poucos, masTolkien não diz que eles a ensinaram a alguém (embora Gandalf faça uma declaração nesse sentido diante do Portão Oeste de Moria em “Uma Jornada no Escuro”, o autor está geralmente em desacordo com seus personagens sobre “fatos”, em relação aos quais ele é o árbitro-mor). Alguns Elfos, de fato, estudaram a língua dos Anões, e aprenderam tanto quanto puderam ou o que os Anões estiveram dispostos a ensinar (se é que havia tais limites). O estudioso de maiores recursos sobre o qual Tolkien escreveu foi Pengolod, um Elfo meio Noldo, meio Sinda de Gondolin, que se juntou aos Lambengolmor, Mestres das Línguas, que era uma escola de mestres de tradições fundada por Fëanor em Aman e que aparentemente juntou-se à rebelião dos Noldor, embora Fëanor tivesse cessado de trabalhar com línguas há muito tempo.

Sabemos pouco da história do Lambengolmor. Eles estudaram sindarin e provavelmente um pouco dos dialetos nandorin e avarin em Beleriand, mas muito do conhecimento deles se perdeu quando os reinos noldorin começaram a cair. Aqueles dos Lambengolmor que sobreviveram à destruição no norte estabeleceram-se por fim em Avernien, e mais tarde mudaram-se para a Ilha de Balar com Círdan e Gil-galad, ou então permaneceram seguidores dos filhos de Fëanor. Na Segunda Era, Pengolod estabeleceu-se em Eregion, e foi provavelmente lá que ele (e possivelmente outros) estudaram o khuzdul, a língua dos anões. Pengolod foi o único mestre de tradições dos Lambengolmor a sobreviver à catastrófica Guerra dos Elfos e Sauron, e quando as batalhas terminaram, ele tomou um navio em Mithlond e deixou a Terra-média para sempre, último de seu grupo a agraciar a Terra-média.

Dentre os segredos que os Anões não estavam dispostos a contar estavam seus verdadeiros nomes interiores, dados em khuzdul e usados apenas entre eles próprios. Todos os Anões de O Hobbit e O Senhor dos Anéis usam nomes “humanos”, de acordo com seus costumes. Pelo menos esse era o costume entre os Anões Barbas-longas da Segunda Era em diante, se não antes. Outros Anões, no entanto, usavam nomes em khuzdul. Os Anões de Nogrod e Belegost atendiam por nomes dados em khuzdul: Azaghal, senhor de Belegost, Telchar de Nogrod e Gamil Zirak, o Velho, o mestre que ensinou Telchar.

Os Anões de Ered Luin podem ter desenvolvido a civilização mais sofisticada dentre sua raça durante a Primeira Era, devido à amizade deles com os Elfos de Beleriand, cuja civilização era a mais elevada e mais avançada cultura da Terra-média. Grande riqueza fluía através de Ered Luin, e esses Anões não olhavam apenas para o oeste. Eles negociavam com vários dos Homens que se estabeleceram em Eriador, e também com os Nandor e Avari que ali moravam. É talvez um fato curioso, no entanto, que os Edain (pelo menos os maracheanos, a Terceira Casa dos Edain) tenham retido algumas tradições de discórdia ou luta com Anões que migraram do oeste. Tolkien não diz o que aconteceu, mas quando Túrin e seus foras-da-lei capturaram Mim, o anão-pequeno, um dos homens de Túrin (ele próprio um dos homens de Marach) disse de si mesmo: “Androg não gosta de Anões. O povo dele trouxe poucas boas histórias dessa raça saída do Leste”.

Bom, as histórias do povo de Androg podem ou não refletir o relacionamento entre seu povo e os Anões. Tais eventos repousam em várias gerações antes dele (esta conversa ocorreu por volta do ano 484 da Primeira Era, e o povo dele adentrou Beleriand em 314; eles haviam começado a se estabelecer em Dor-lómin mais de 100 anos antes que Angrod vivesse). Não sabemos com quais Anões o povo de Angrod teve problemas, mas eles eram provavelmente Barbas-longas, Barbas-de-fogo, ou Vigas-largas. Nenhum outro povo dos Anões parece ter vivido nas proximidades da linha migratória dos Edain, que passou em linha reta através das Terras Ermas (Rhovanion) e os Vales do Anduin, onde os Barbas-longas tinham o controle, e além do Ered Luin.

Depois que os Edain alcançaram Beleriand, as relações entre Anões e Homens melhoraram fora de Beleriand, mesmo que tenham permanecido frias no oeste. O Povo de Bór, únicos Orientais a permanecerem fiéis aos Eldar na Quinta Grande Batalha, a Nirnaeth Arnoediad, era um povo sedentário (agrícola), apenas uma das várias tribos ou clãs a migrar para Eriador no fim do Século V. Estes povos se estabeleceram nas terras setentrionais em torno das Colinas de Vesperturvo, e eram amigáveis aos Anões. De fato, o Povo de Bór dirigiu-se para o norte, contornando Ered Luin, até entrar em terras dos Eldar, e eles passaram a morar nas terras ao norte das colinas onde o povo de Maedhros residia.

Na época em que Thangorodrim caiu, a maioria (mas não todos) dos seguidores de Morgoth que haviam sido destruídos pelas forças do extremo oeste fugiram quando Morgoth foi derrotado e espalharam-se por toda a Terra-média. Alguns dos orcs aparentemente tomaram o Monte Gundabad e infestaram as montanhas do norte das Terras Ermas. Os Anões Barbas-longas passaram a defender duramente a si próprios do ataque. Eles já haviam começado a trocar serviços por comida com os Edain das Terras Ermas, mas naquele momento eles estabeleceram uma aliança com os homens, a fim de tentar expulsar os orcs das montanhas. Esta aliança única está documentada apenas em The Peoples of Middle-earth, no ensaio “Dos Anões e Homens”, que foi escrito algum tempo depois de junho de 1969 (de acordo com Christopher Tolkien).

Tolkien diz que os Barbas-longas, “embora fossem os mais orgulhosos dos sete povos, eram também os mais sábios e os mais previdentes”. Ele prossegue dizendo que “os Homens tinham grande admiração e estavam muito desejosos de aprender com eles; e os Barbas-longas estavam muito interessados em usar os Homens para seus próprios propósitos”. Esses propósitos eram dois: prover alimentação para os Anões e ajudá-los nas guerras contra os orcs. A conhecida reserva dos Anões havia sido então abandonada, graças à necessidade e o desejo de comércio com outros povos tanto em Beleriand quanto em Rhovanion. Mas parece que a reserva seria recuperada no fim.

Os Anões Barbas-longas foram os primeiros a usar nomes “exteriores”, emprestados das línguas dos Homens próximos. Tolkien escreve que os Anões estavam dispostos a ensinar sua língua aos homens, mas os Homens a consideraram difícil de aprender, e ainda assim nem todos os Anões estavam dispostos a informar seus nomes verdadeiros aos não-Anões. Dessa forma, para facilitar a aliança, os Barbas-longas aprenderam a língua dos Homens das Terras Ermas (assim como os Anões de Ered Luin aprenderam sindarin) e adotaram seus nomes “exteriores” nesta língua. Foi durante o início da Segunda Era que os Anões começaram a acumular uma lista de nomes que a tradição por fim uniu apenas à raça deles. “Durin” é a tradução que Tolkien oferece para o nome “de homem” que significava “rei”, e era mais um título do que um nome, que por fim tornou-se um nome de fato. “Narvi” seria outro exemplo da criação de nomes baseada na linguagem do norte (essencialmente um dialeto do adunaico, a língua falada pelos maracheanos).

Com o auxílio dos Homens, os Barbas-longas foram capazes de restabelecer o controle sobre aquelas regiões que eles consideravam suas por direito. Essa aliança ajudou a pavimentar o caminho para a aliança final entre os Barbas-longas e os Elfos de Eregion, mas parece que há outro pré-requisito: a migração dos Anões de Belegost para Khazad-dûm. Esses Anões não haviam participado da guerra entre Nogrod e Doriath e, portanto, não possuíam inimizade direta com os Elfos (embora Tolkien diga que a lembrança da guerra “envenenou o relacionamento entre Elfos e Anões durante eras”, ainda que quase não forneça evidências de tais relações envenenadas).

Quando o mithril foi descoberto pelos Barbas-longas, os Noldor de Lindon ficaram interessados em seus recursos, e vários deles instalaram-se nas terras a oeste de Khazad-dûm, criando o reino de Eregion. A cidade principal era Ost-in-Edhil, e eles iniciaram uma amizade e aliança muito próxima com os Barbas-longas, que durou mil anos. No fim dessa época, os Barbas-longas foram atraídos para a Guerra dos Elfos e Sauron. Eles buscaram ajudar os Eldar de Eregion, que estavam em dificuldade, e vários Elfos (inclusive Pengolod) escaparam através de Khazad-dûm até o reino oriental de Lothlórien, mas o exército de Durin IV foi empurrado de volta para as montanhas por Sauron, e o Portão Oeste foi fechado para evitar uma possível invasão. As coisas também não foram bem no leste. Sauron enviou exércitos de orcs de Mordor e instigou as tribos orientais de Homens a invadir as Terras Ermas.

Os povos dos Edain foram aniquilados e empurrados de volta para as montanhas ou para bem dentro das florestas (e foi provavelmente neste momento que os Homens da Grande Floresta Verde apareceram pela primeira vez). Os próprios Barbas-longas perderam o controle de Gundabad novamente, as Montanhas Cinzentas estavam infestadas de orcs e a comunicação com as Colinas de Ferro foi cortada por algum tempo. Quando Sauron foi finalmente derrotado, Khazad-dûm parecia uma ilha no meio de um mar vazio, cujo único vizinho amigável era, aparentemente, Lothlórien. Elrond havia estabelecido o refúgio de Imladris ao norte de Eriador, mas embora ele fosse amigável aos Anões na Terceira Era, não há indicação que ele tenha interagido muito com eles na Segunda Era.

Mîm e os anões-pequenos – Alan Lee

 Os Barbas-longas não abandonaram sua velha amizade com os Elfos, mas conforme Tolkien diz, ela diminuiu. No fim da Segunda Era, Durin V estava disposto e pronto a se juntar ao Exército da última Aliança de Elfos e Homens, então seu povo marchou contra Gondor. Mas depois parece que eles não participaram muito dos grandes assuntos da Terra-média. Por quase dois mil anos, Khazad-dûm continuou a desfrutar de grande prosperidade. As Montanhas Nevoentas e Cinzentas ficaram indubitavelmente livres de orcs, trolls e dragões por muitos séculos, e a comunicação entre Khazad-dûm e outras comunidades anãs foi assegurada.

Mas quando Sauron começou a se manifestar novamente, passados mil anos da Terceira Era, ele parece ter buscado a política de afastar seus velhos inimigos uns dos outros. Sempre que uma oportunidade se apresentava, ele destruía uma nação, ou levava vantagens sobre a queda de um inimigo. Os Anões Barbas-longas iniciaram um período de declínio quando eles acidentalmente despertaram um Balrog, aparentemente o último dos grandes demônios de fogo e sombra de Morgoth. O Balrog destruiu a civilização em Khazad-dûm, matando dois de seus reis e vários de seu povo. Os sobreviventes fugiram para o norte e leste, mas nunca recuperaram suas forças por completo. Logo depois, Amroth, rei de Lórien, liderou uma migração de Elfos para o sul, e o despertar de um grande (embora não-identificado) mal nas montanhas, assim como a partida de vários Anões, inspirou os Elfos de Lórien a proibir a entrada de qualquer Anão em suas terras.

Tolkien não diz exatamente como os Anões se dispersaram. Os reis dos Barbas-longas mudaram-se para a Montanha Solitária, a noroeste. Mas alguns dos Anões que viviam nas Montanhas Nevoentas ou nas Montanhas Cinzentas brigaram com Fram, um senhor dos Éothéod, a respeito do tesouro de Scatha, o Verme. Por fim, os Anões mataram Fram depois que ele recusou-se a entregar o tesouro. Os Anões de Belegost podem ter retornado para seus parentes em Ered Luin. Mas por fim os Barbas-longas colonizaram as Montanhas Cinzentas em grande número, onde chamaram a atenção de dragões e foram conduzidos para o sul, em Erebor novamente. Dessa vez um dos dragões, Smaug, o Dourado, seguiu-os e conquistou Erebor em 2770. Pelos 171 anos seguintes os Barbas-longas não tiveram residência permanente, exceto por uma colônia que sobreviveu nas Colinas de Ferro e algumas colônias não nomeadas nas montanhas do norte.

Ao fim da Terceira Era, as fortunas de três das sete famílias haviam caído. O povo de Nogrod havia sido maciçamente destruído na guerra com Doriath no final da Terceira Era. A maior parte do povo de Belegost deixou as Ered Luin no início da Segunda Era porque sua cidade havia sido destruída. Os Anões que permaneceram nas Ered Luin parecem ter sido poucos, mas mantiveram o controle sobre uma região de terra entre os Elfos e Homens no norte de Eriador. Estes Anões provavelmente viveram com seus vizinhos num relacionamento similar ao das grandes alianças de Khazad-dûm, mas eles eram poucos numericamente e não eram seriamente ameaçados pelos orcs ou dragões, portanto eles não têm nenhuma participação nas grandes guerras da Segunda Era. Tolkien dá a entender que eles não marcharam com a Última Aliança, pois diz ele que poucos Anões lutaram em ambos os lados naquela guerra.

A difusão do costume de adotar nomes exteriores nas línguas dos homens, dos Barbas-longas para as outras raças, provavelmente ocorreu na Terceira Era, talvez logo depois da queda de Khazad-dûm. Naquele tempo, os Barbas-longas teriam começado a vagar pelas terras, e alguns certamente estabeleceram-se entre outros Anões. Se houve de fato o retorno dos descendentes dos Anões de Belegost para as Ered Luin, eles teriam levado o costume com eles, se é que este já não os precedesse.

Tolkien fala pouco sobre as quatro casas orientais. Ele sugere que elas (ou pelo menos as duas mais orientais) podem ter tornado-se “más” de alguma forma, mas elas não apoiaram Sauron no final da Segunda Era. O relacionamento entre Sauron e os Anões é peculiar. Tendo falhado ao tentar seduzir os Elfos com os Anéis do Poder, Sauron tomou o maior número de Anéis Élficos que conseguiu durante sua guerra com os Elfos, e levou-os de volta para Mordor. Ali ele os perverteu de alguma maneira, com a intenção de usá-los para controlar os grandes senhores de outros povos. Sauron conseguiu dar sete Anéis para os Anões, presumivelmente um para cada um dos senhores das sete casas (embora isso não seja uma certeza). Se for esse o caso, então a observação de Tolkien de que, segundo a tradição, cada um dos antigos tesouros dos Anões foi criado a partir de um anel, dá a entender que os senhores de Belegost jamais deixaram Ered Luin. Parece improvável que tivessem seu tesouro em Khazad-dûm.

A situação dos Sete Anéis parece dizer algo a respeito da história dos Anões. Sauron, por fim, decidiu tomar de volta os Anéis (em algum momento no fim da Terceira Era) e teve que ir ao encalço deles. No processo, ele apenas adquiriu três dos Anéis; dragões consumiram os outros quatro, de acordo com Gandalf. Dos três que Sauron tomou de volta, sabemos que um pertencia aos reis dos Barbas-longas. Esse Anel ele tomou de Thráin em 2845, “o último dos Sete”. Portanto, a quem pertencia os outros dois Anéis, e quando Sauron conseguiu-os?

Parece que Sauron não visitou Eriador na Terceira Era. Ele enviou o Senhor dos Nazgûl para o norte, por volta do ano 1300, para fundar o reino de Angmar, e esse reino do mal buscou a destruição de Arnor, o reino do norte dos Dúnedain. Angmar estava situada a nordeste em Eriador, longe das Ered Luin, mas efetivamente no controle de Gundabad. Pode ser que Gundabad, libertada na Segunda Era, tenha sido tomada por Angmar, ou talvez abandonada pelos Anões. Ou pode ser que Gundabad tenha resistido, o que parece improvável.

Não obstante, Angmar existiu por quase 700 anos e, no entanto, jamais foi capaz de atacar as Ered Luin. Também não há menção de dragões afligindo os Anões das Ered Luin ao longo da Terceira Era. Portanto, parece improvável que Sauron tivesse recuperado os dois Anéis dos Anões de Ered Luin, enquanto o reino de Arnor existia. E embora Arnor tenha caído em 1974, o próprio reino de Angmar foi destruído por Gondor, Lindon e Valfenda no ano seguinte. O Senhor dos Nazgûl, então, fugiu para o sul e só ouviu-se falar dele novamente no ano de 2002, quando os Nazgûl tomaram a cidade de Minas Ithil, em Gondor. O próprio Sauron fugiu para o leste em 2063, quando Gandalf entrou em Dol Guldur para tentar descobrir quem o Necromante realmente era, e Sauron não retornou para o oeste até 2460.

É provável, portanto, que Sauron não tenha feito nenhuma tentativa de recuperar os Anéis dos Anões ocidentais antes de 2460. Num período de cem anos, Sauron começou a colonizar as Montanhas Nevoentas com orcs, e dragões começaram a reaparecer no norte, atacando os Anões. Os Anões Barbas-longas fugiram para Erebor ou para as Colinas de Ferro. Pode ser que os dragões também começaram a afligir as quatro casas orientais, e que nos dois séculos seguintes todos os grandes reinos orientais dos Anões sofreram uma sina similar aos de Erebor. Isso explicaria as obscuras referências em O Hobbit e O Senhor dos Anéis sobre os infortúnios dos Anões, especialmente quando se tratava de dragões.

Se Sauron estava alarmado pela perda dos quarto Anéis no leste, pode ter agarrado a oportunidade de tomar os Anéis ocidentais no 28º século. Orcs começaram a invadir Eriador por volta de 2740 e, pelos idos de 2758, Sauron estava pronto a lançar um ataque maciço contra Gondor, Rohan e, aparentemente, até mesmo Eriador. Este foi o ano em que o Inverno Longo começou, e os orcs foram capazes de avançar a oeste até o Condado. É concebível que os Anões de Ered Luin tenham sofrido muito, tanto quanto outros povos naquele tempo, e que seus reis tenham sido atraídos para fora e capturados por orcs. Embora puramente especulativo, o período de tempo que Sauron teve para as atividades de busca pelos Anéis está limitado a um século. Tolkien não diz quando Sauron tomou de volta os Anéis dos Nazgûl, mas ele provavelmente só recebeu esses Anéis depois que seu poder estava mais seguro, o que teria ocorrido logo depois do fim da Paz Vigilante.

Com seus objetivos conquistados, ou seus recursos exauridos, Sauron parece ter desconsiderado Eriador depois do Inverno Longo. Não houve mais incursões maciças de seres malignos no noroeste, e por volta de 2845, ele havia recuperado tantos Anéis de Poder quanto possível. Os infortúnios dos Anões estavam, dessa forma, chegando ao fim, e suas fortunas (pelo menos as dos Barbas-longas) voltaram a aumentar.

Eu devo salientar que Sauron pode ter tido outra oportunidade de tomar dois dos Anéis dos Anões: a Guerra dos Anões e Orcs, de 2793 a 2799. Todas as sete casas concentraram seus exércitos para a guerra de vingança contra os Orcs das Montanhas Nevoentas. Embora Tolkien não diga que outro senhor além de Thráin (herdeiro de Durin, rei dos Barbas-longas) tenha participado diretamente da guerra, não é impossível que pelo menos dois tenham liderado tropas para ajudar Thráin, e eles poderiam ter sido capturados ou mortos, e seus corpos levados. Nesse caso, Sauron poderia ter recuperado os Anéis dessa maneira.

Apesar de seu declínio nas terras ocidentais, os Anões continuaram a viajar através de Eriador e sem dúvida através das Terras Ermas, realizando sua jornada entre Ered Luin e Erebor, ou Ered Luin e as Colinas de Ferro, e talvez viajando até as terras orientais dos Anões. Os objetivos de tais jornadas são raramente declarados. Quando Thorin e Thráin se estabeleceram nas Ered Luin depois da Guerra dos Anões e Orcs, vários dos Barbas-longas ficaram sabendo de seu novo lar e foram se juntar a eles, portanto deve ter havido um constante porém pequeno fluxo de trânsito a oeste.

Em “A Busca de Erebor” (no Contos Inacabados), Christopher Tolkien colocou fragmentos de textos que seu pai havia escrito numa tentativa de explicar (principalmente por meio de Gandalf) como a expedição de Thorin e Companhia para Erebor foi organizada em 2941. Durante uma discussão, Gandalf repreende Glóin por fazer pouco do povo do Condado, só porque os Anões jamais venderam armas para eles. Alguém pode concluir, a partir dessa observação, que os Anões estavam de fato vendendo armas a alguém, mas Tolkien não indica para quem. Talvez os Elfos precisassem de armas, mas eles deveriam ser capazes de fazer as suas próprias. Parece mais provável que os Anões tenham fornecido armas aos Dúnedain de Eriador. Os Guardiões parecem ser um incomum grupo bem equipado de soldados para ser totalmente sustentado por um “povo errante”. Se os Dúnedain precisassem recorrer a alguém para o suprimento de itens artesanais, os Anões pareceriam uma escolha lógica.

Porém, à medida que os centros populacionais de Eriador foram decaindo ao longo do final da Terceira Era, ficou cada vez mais difícil para os Anões terem uma vida lucrativa. Os Dúnedain continuavam a diminuir. Enquanto Thráin e seu pequeno grupo viveram na Terra Parda, eles provavelmente negociaram com o povo de Tharbad, porém esta foi abandonada em 2912, depois que o Inverno Mortal resultou em enchentes severas. A relutância dos povos em reconstruir sua cidade implica que havia simplesmente poucas razões econômicas para fazê-lo. Bri também passou por um período de declínio, possivelmente na mesma época, embora pareça que isso dependeu mais do trânsito na estrada leste-oeste do que do trânsito vindo do sul.

Assim, houve diminuição dos mercados para o artesanato dos Anões, no último século da Terceira Era: o Condado, a Terra dos Buques, Bri, e alguns poucos e espalhados Dúnedain. Possivelmente alguns Elfos também negociaram com eles. A restauração do Reino sob a Montanha em Erebor, em 2941, significou que os Barbas-longas provavelmente partiram logo depois para se juntarem Dáin II no leste. Isto teria reduzido a competição para os negócios, mas o subseqüente retorno de Sauron para Mordor em 2951 e a eventual migração para oeste de vários Anões deve ter prejudicado consideravelmente a economia dos mesmos. Quem eram esses Anões, viajando a partir das tumultuadas terras orientais? Não parece tratarem-se de Barbas-longas, que tinham um reino forte em Erebor e provavelmente mantinham as Colinas de Ferro sob controle. Parece mais provável que fossem das casas orientais, cujas terras podem ter sido devastadas ou ameaçadas por grandes guerras na preparação para os ataques de Sauron no oeste. Dessa forma, no final da Terceira Era, pode ter havido um fluxo de Anões orientais para ajudar a rejuvenescer as Ered Luin.

A vitória sobre Sauron, poucos anos depois, levou à restauração do Reino de Arnor e à expansão do Condado. Os Anões de Ered Luin devem ter sido finalmente beneficiados pelo fluxo de colonos vindos do sul, por meio da extensão da autoridade de Rohan sobre a Terra Parda e do crescimento do Condado. Pode ser que, quando Durin VII finalmente restabeleceu Khazad-dûm no início da Quarta Era, os Anões de Ered Luin também experimentaram uma forma de renascimento, seu último desabrochar antes da final e triste diminuição e desaparecimento de sua raça.

O Conto de Um Hobbit Caí­do (Sméagol/Gollum)

“Nas profundezas da água escura viveu o velho
Gollum, uma criatura pequena e repugnante. Eu não sei da onde veio, nem
o que era. Ele era um Gollum tão escuro quanto a própria escuridão,
exceto pelos grandes olhos pálidos na sua face magra. Ele tinha um
barquinho, e ele navegava silenciosamente pelo lago, já que esse lago
era grande, fundo e mortalmente frio. Ele remava com seus pés grandes
pendendo pelos lados do barco, mas ele nunca criou uma onda sequer…"?
 
 
 
A nossa primeira impressão de Gollum não nos
remete à fisionomia dos Hobbits. Quando nós o conhecemos, ele nos
pareceu um monstrinho horrível, predando peixes cegos e goblins nas
profundezas escuras da terra, determinado a matar o respeitável Bilbo
Bolseiro. J.R.R. Tolkien diz, “Eu não sei da onde ele veio, nem quem ou o que ele era." A criatura, ele continua, é um “Gollum". Dali por diante, O Gollum se tornou, simplesmente “Gollum".


“…e lá vivia nas margens do Grande Rio perto de uma terra selvagem
pessoas de mãos leves e pés silenciosos. Eu acho que eles eram da
espécie dos Hobbits: parentes dos pais dos pais dos Stoors, “Gandalf
diz ao sobrinho e herdeiro de Bilbo, Frodo Bolseiro muitos anos depois:
“Havia entre eles uma família de alta reputação,"
ele continua. “Os
mais inquisidores e curiosos daquela família era chamado Sméagol. Ele
estava interessado nas raízes e no início de tudo; ele cavava poços
profundos; se enfiava sob árvores e plantas crescidas; criava túneis em
barragens; se recusava a olhar para os topos das montanhas, ou para as
folhas nas árvores, ou para as flores desabrochando no ar: sua cabeça e
olhos miravam sempre para baixo."

Smeágol era uma criatura
miserável enquanto viveu: ninguém o queria, era infeliz, amargo e
invejoso. Ele virou as costas para o mundo e seu próprio povo muito
tempo antes de ser gravemente expulso. As profundezas de seu coração se
tornaram negras de cheias de ódio muito antes de sua aparência externa
se tornar hedionda. Seu espírito pouco lembrava o de um Hobbit.

Existiam três grandes tribos Hobbit: Harfoots, os mais numerosos;
Fallowhides, os mais aventureiros; e os Stoors. Os Stoors viviam nas
margens dos rios, mas eles eram muito mais dedicados ao comércio e à
viagens. Eles freqüentemente se associavam aos anões e aprenderam muito
com eles. Os Stoors eram os mais duros e territorialistas dentre os
Hobbits, isso antes deles encontrarem um lar seguro.

Os
Hobbits viveram nos vales do Anduin por muito tempo. Eles provavelmente
se instalaram por lá perto do fim da Segunda Era, errantes ou
refugiados vindos de terras orientais distantes nos dias em que os
exércitos de Sauron conquistavam vastas regiões no oriente da
Terra-Média. Os Hobbits fizeram amigos entre os Edain de Rhovanion, os
Homens Livres do Norte, de onde depois veio a linhagem dos Beornings,
os Homens do Vale e Long Lake, e os Rohirrim. Nesses primeiros anos os
Hobbits procuraram pelos homens e se instalaram perto de suas cidades,
ou compartilharam cidades, como Bri na Terceira Era.

Muitos
Hobbits – Harfoots e Fallowhides – devem ter migrado para o norte, pois
os Edain foram empurrados para as montanhas e terras distantes durante
a grande guerra entre os elfos e Sauron. Isso deve ter ocorrido muitos
e muitos anos antes deles se tornarem suficientemente numerosos para
colonizar as terras do sul próximas a Lothlórien. Mas enquanto os
homens se multiplicavam e migravam lentamente para o sul, aparentemente
foram deixando os Hobbits para trás. Exceto os Stoors. Esse povo
parecia ter se estabelecido perto do Rio Gladden, originalmente, onde
eles poderiam estar próximos dos anões de Khazad-dûm, onde estariam
relativamente protegidos pelo poder de Khazad-dûm e Lothlórien.

Perto do ano 1000 da Terceira Era, Sauron começou a tomar forma
novamente, e descobriu que Mordor estava suficientemente fortificada
para o seu retorno que se deu nas planícies de Amon Lanc no sul da
grande Greenwood. A colina um dia foi o coração de um reino élfico, mas
desde que os elfos migraram para o norte não há nada na floresta que se
oponha a Sauron. Ele construiu uma grande fortaleza na colina, que
passou a ser conhecida como Dol Guldur [a colina da bruxaria]. E Sauron
começou a colonizar as terras do sul de Greenwood e os vales do sul do
Anduin com as suas criaturas: Orcs, Trolls, Lobisomens, Wargs e homens.
Criaturas orientais sempre foram fontes de problemas para o grande
reino de Gondor, mas agora as tribos chegaram e se assentaram nos vales
do Anduin e os rumores da força negra no sul se espalharam pelo norte.

Os Harfoots, talvez lembrando seu passado ou histórias contadas sobre
as guerras entre os elfos e os antigos poderes negros, passaram pelas
montanhas sombrias indo para Eriador, para nunca mais retornar. Os
Fallowhides os seguiram 100 anos depois, e ao mesmo tempo que os Stoors
abandonaram sua terra natal no rio Gladden atravessando Redhorn para o
antigo reinado élfico de Eregion. De lá os Stoors foram para o norte,
para uma terra chamada Angle, que ficava entre os rios Mitheithel e
Bruinen, ou passaram para o sudoeste até as fronteiras de Dunland.

Os Stoors do Angle viviam sob as leis dos Dunadain de Rhudaur. Os
Hobbits aumentaram o poder desse reino, mas menos de 200 anos depois o
reino de Angmar cresceu nonorte e ameaçou Rhudaur. Os Hobbits deixaram
seus lares mais uma vez. Os Stoors do Angle se dividiram: alguns
migraram de volta pelas montanhas sombrias para os vales do Anduin. O
terror de Angmar parecia maior que o de Dol Guldur. E ao menos nos
vales do Anduin eles estariam próximos de reinos poderosos dos anões e
elfos.

Então, por mais de 1000 anos os Stoors viveram
relativamente em paz. Os Edain que viviam nas proximidades aparentavam
ser amistosos com relação à eles, ou simplesmente não queriam arrumar
problemas com esse povo. Durante esses anos remanescentes de um reino
dos homens ao norte do que hoje seria Mirkwood se alojaram no vale do
Anduin próximo aos Stoors. Esses eram os pais do Éothéod, o povo
cavalo, que migrou para extremo norte anos depois. Mas esse povo
lembrava os Stoors, a quem chamavam cava-buracos, e eles levaram
memórias como essa com eles quando Lord Eorl os levou para o sul e
fundou o reino de Rohan.

No 25o. século da Terceira Era, não
muito depois do nascimento de Eorl, Sméagol o Stoor e seu primo Déagol
foram fazer uma expedição de barco. Era o aniversário de Sméagol.
Déagol pulou na água, talvez para pegar um peixe e achou um anel
dourado caído no meio da lama. Ao emergir, mostrou o anel para Sméagol,
que o ordenou que o desse como presente. “Mas eu já lhe dei o meu presente", Déagol respondeu. “Eu o encontrei e vou ficar com ele."

Mas o desejo pelo anel consumou Sméagol, pois era o Um Anel, o anel
mestre de Sauron, que há muito tempo atrás Isildur cortou da mão de
Sauron e o manteve para si. No final, o anel traiu Isildur, que
resultou na sua morte nas águas do Anduin, e agora o anel foi desperto
pela malícia de Sauron e desejava retornar para seu mestre. Sméagol
matou seu primo e pegou para si o anel. Com o tempo ele aprendeu que,
enquanto usasse o anel ele não poderia ser visto. Ele passou a usar o
anel para benefício próprio e logo se tornou impopular entre seu povo.
Foi então que ele começou a resmungar consigo mesmo “gollum….
gollum", e os Stoors o apelidaram de Gollum.

Um dia, os Stoors
expulsaram Gollum e ele nunca mais foi visto entre seu povo. Ele vagou
pelas terras, só e miserável, até que resolveu ir para as montanhas e
descobrir suas raízes e segredos. Assim ele desapareceu do mundo da luz
e se perdeu na escuridão da terra e levou consigo o Um Anel. Por mais
de 500 anos ele vagou na escuridão, predando Orcs e peixes. O anel
extendeu a vida de Gollum, mas ao invés de garantir-lhe mais vigor,
lentamente o drenou e o escravisou. Ele estava consumido pelo anel, com
quem ele falava constantemente e o chamava de Precioso. Na sua mente, o
Precioso era seu por direito, não por assassinato. O anel o procurou. E
mesmo assim, não lhe deu nenhuma alegria, e não tinha nenhum conforto
ou consolo na sua solidão.

Quando Bilbo entrou na caverna de
Gollum por acidente, os primeiros pensamentos que vieram à mente de
Gollum foram de comida e assassinato, porém, logo depois vieram
memórias de sua juventude, de coisas que costumava gostar. Por uns
momentos, Gollum chegou a gostar do jogo de charadas que mantinha com
Bilbo, até que ele confundiu a preocupação de Bilbo com o que havia em
seu bolso com uma charada de verdade. Nas regras do jogo, Gollum
perdeu, e aceitou a derrota. Mas ao retornar à sua ilha, descobriu que
o se querido anel havia desaparecido.

Bilbo encontrara o anel,
e Gollum descobriu que era ele que estava no bolso do Hobbit. A partir
daquele momento, Gollum foi tomado pela necessidade de reaver o anel.
Ele caçou Bilbo sem sucesso, pois o Hobbit descobriu o poder do anel e
se escondeu da vil criatura. Depois da saída de Bolseiro, Gollum brigou
consigo mesmo na escuridão, com medo da luz, mas com a dor de ter
perdido seu Precioso. Com o tempo ele se lançou ao ar livre e começou a
procura por seu tesouro perdido.

Muitos anos passaram até que
Gollum finalmente encontrou o Um anel. Na época Sauron envocou todas as
criaturas malignas, pois o Senhor do Escuro havia retornado para seu
antigo domínio e começou a reconstruir Barad-dûr. E Gollum, que até
então estava obstinado em sua caça por Bilbo Bolseiro e pelo Anel
acabou por obedecer ao chamado. Ele rumou em direção a Mordor, onde foi
aprisionado e levado à frente de Sauron, onde falou tudo o que ocorrera
com o anel após a morte de Isildur.

Solto por Sauron por algum
propósito oculto, Gollum se tornou um peão num jogo mortal entre os
poderes da Terra Média. Ele logo foi capturado por Aragorn, capitão dos
Dúnedais do norte e levado aos elfos de Mirkwood. Lá ele foi
interrogado por Gandalf, que aprendeu com ele tanto quanto Sauron
havia. Mas, com o tempo, Gollum escapou e rumou para o sudoeste, até
chegar a Moria. Incapaz de escapar, Gollum permaneceu lá na miséria e
esperando morrer [ou talvez querendo morrer]. Em vez disso, a sorte
pareceu sorrir para ele, pois um dia os portões do oeste, que ele não
tinha forças para abrir, se abriram e nove aventureiros entraram: o
mago Gandalf, Aragorn e seus companheiros: a sociedade do anel.

Daquele momento em diante, Gollum perseguiu o anel desesperadamente,
levado por sua malícia e poder. Quando a sociedade foi dividida no
ataque dos orcs, Gollum seguiu Frodo e Sam pelo Anduin, e no vale de
Emyn Muil os interceptou. Mas Frodo e Sam o derrotaram, e o fizeram
prisioneiro, e forjaram uma perigosa parceria com ele.

A
jornada de Gollum com Frodo praticamente o redimiu. Com a gentileza e
sabedoria de Frodo, Gollum passou a se ver novamente como um indivíduo,
e se lembrou de quando ainda era Sméagol, e como era viver e amar
outras criaturas.Mas o servo de Frodo, Sam, impediu sua total redenção.
No momento crucial da redenção de Gollum, Sam não quis ajuda-lo, dando
suas costas para ele. Em retorno, Gollum endureceu seu coração e traiu
Frodo e Sam.

Ainda assim, havia uma grande maldição associada
ao anel e a todos que o desejasse. Escravizado pelo anel, e seguindo
Frodo para onde quer que ele fosse, Gollum não pode dar as costas e
procurar por terras mais seguras. Ele caminhou pelo coração de Mordor e
tentou novamente recuperar o anel. Mas agora ele estava fraco, e o
espírito de Frodo estava muito forte. Mas além disso, o poder do anel
havia crescido também, já que se aproximava da mão de seu mestre e do
local de sua forja.

“Saia!" gritou uma voz vinda do anel.
“E não me importune mais! Se você me tocar novamente, será lançado no
fogo da Montanha da Perdição!"

E era no fogo da perdição,
o Sammath Naur, onde um milênio antes Sauron forjara o anel, que Frodo
pretendia joga-lo. Lá ele esperava lança-lo nas chamas e então
destruí-lo e acabar com as forças de Sauron, pois esse depositou grande
parte de seu poder no anel. Gollum agora entendera o objetivo de Frodo,
e ao tentar desesperadamente impedir a destruição de seu Precioso, ele
passou por cima de Sam na Montanha da Perdição e seguiu Frodo até a
borda. Lá ele atacou Frodo novamente e, na briga, arrancou o dedo e o
anel de Frodo.

No júbilo de sua vitória, Gollum pulou alto e
dançou em êxtase, mas errou ao não notar a proximidade que estava da
borda, e assim, tropeçou e caiu nas profundezas do vulcão. E com ele
foi o anel, e quando o fogo destruiu o anel do poder de Sauron, seu
reino maligno caiu. Sauron ficou tão fraco que seu corpo foi destruído
quando as ruínas de sua fortaleza negra ruiu sobre ele, e seu espírito
negro desapareceu, impotente.

A história da relação de Gollum com Frodo é longa e comovedora. “Para mim," Tolkien escreveu para seu filho Christopher, “eu
estava particularmente comovido pela descrença de Sam na história, e,
na cena em que Frodo adormece em seu colo, e a tragédia de Gollum que,
naquela hora veio com um sinal de arrependimento, freado por uma
palavra dura proferida por Sam."

A história de Gollum e
seu relacionamento com o anel é trágica e patética, ainda que Tolkien
nota que o anel não era a causa da natureza ruim de Gollum:


“A dominação do anel foi muito forte para a alma má de Sméagol. Mas ele
não teria sentido-a se não tivesse se tornado um ladrão quando o anel
chegou até ele. A necessidade nunca havia cruzado o seu caminho? A
necessidade de algo perigoso nunca atravessou nenhum de nossos
caminhos? A resposta para isso pode ser encontrada ao tentar imaginar
Gollum superando a tentação. A história teria sido bem diferente!
Contemporizando, sem arrumar a semi-corrompida vontade de Sméagol, ele
ruma para a bondade com os bons tratos de Frodo e se enfraquece,
perdendo a chance, quando o amor dirigido a ele por Frodo é amargado
pela inveja de Sam na cova de Laracna. Depois disso ele se perdeu."

Existe uma dualidade na natureza da tragédia: Gollum se redime porque
existe algo nele que pode ser redimido, e Sam falha ao perceber ou
apreciar esse fato. “Para mim o momento mais trágico na história é quando Sam falha ao notar a completa mudança no tom de voz e aspecto de Gollum",
Tolkien escreveu para um fã. Sua recuperação é interrompida e toda a
piedade de Frodo é [de certa forma] desperdiçada. A toca de Laracna
parecia inevitável.

Isso é devido, claro, ao curso lógico da
história. Sam dificilmente teria agido de forma diferente. [Ele chega
ao ponto da piedade, mas tarde demais para Gollum.] Se tivesse sido
antes, o que teria acontecido? O caminho da entrada para Mordor e a
luta para chegar à Montanha da Perdição teria sido diferente, assim
como o final. O interesse teria sido redirecionado à Gollum, eu creio,
e a batalha seria travada entre seu arrependimento e seu novo amor de
um lado, e o anel de outro. Apesar de que o amor seria fortificado
dia-a-dia, ele não seria páreo para a vontade de ser o senhor do anel.
Eu acho que de alguma forma Gollum teria tentado [talvez não
conscientemente] satisfazer os dois lados. Certamente em algum ponto
não muito antes do fim, ele teria roubado o anel, ou tomado-o por meios
violentos [como acontece na história original]. Mas tendo satisfeita a
necessidade da “posse", eu creio que ele teria se sacrificado em nome
de Frodo e voluntariamente se jogado nas chamas do vulcão.

Mas
da forma como ocorreu, a redenção de Gollum nunca aconteceu. Sam
endureceu seu coração, destruindo com uma palavra toda a mudança que
Frodo operou em Gollum. Frodo perdeu todo o interesse pela Terra Média
por causa do Um anel, mas apesar de que, através de seu sacrifício a
Terra Média foi salva e Frodo encontrou a paz no extremo oeste. Gollum,
por sua vez, fez o maior dos sacrifícios: ele perdeu sua alma.

Os Elfos sonham com sono ecléctico?

J.R.R. Tolkien dedicou muito tempo e reflexão à
clara identificação do que significa ser um Elfo. Ele descreveu os
Elfos na sua carta número 144 como representando “Homens com
faculdades criativas e estéticas muito aumentadas, maior beleza e vida
mais longa, e nobreza – os Filhos mais Velhos, condenados a definhar
perante os Filhos mais Novos (Homens) e finalmente a sobreviverem
apenas através do pequeno fio do seu sangue que foi misturado com o
sangue dos Homens, para quem essa herança era a única genuína
reinvidicação a ‘nobreza’"?.
 
 
 
Mas o que é que tudo isso quer dizer? Na sua carta número 73, Tolkien menciona num àparte que os Elfos “representam a beleza e graciosidade da vida e dos artefactos�?. Na sua carta número 153, Tolkien diz que “Elfos
e Homens são representados como biologicamente semelhantes nesta
‘história’ porque os Elfos correspondem a certos aspectos dos Homens,
dos seus talentos e desejos�? e “eles têm certas liberdades e poderes
que nós gostaríamos de possuir, e a beleza e o perigo e a mágoa da
posse desses sentimentos vêm-se neles…�?

Dor e tristeza
são habitualmente associados à natureza Élvica. Os Elfos expressam
esses sentimentos tão facilmente como nós expressamos esperança ou
desejo. Quando Frodo se encontra com Gildor Inglorion no Condado,
Gildor diz-lhe que “Os Elfos têm os seus próprios trabalhos e as
suas próprias mágoas e estão pouco interessados nos costumes dos
Hobbits ou de quaisquer outras criaturas terrenas.�?
Esta é uma afirmação muito curiosa pois difere radicalmente do quadro que outros, como Gandalf ou Treebeard, pintam dos Elfos.

Gandalf diz a Frodo que alguns dos maiores inimigos de Sauron continuam
a viver em Valfenda, os sábios-Elfos, senhores dos Eldar de além-mar.
Enquanto que outros Elfos fugiram da Terra-média e alguns apenas aqui
continuam temporariamente tal como a companhia de Gildor, alguns dos
Eldar estão aqui de pedra e cal na sua determinação de se oporem a
Sauron.

E Treebeard diz a Merry e Pippin que foram os Elfos
que primeiro despertaram as árvores e lhes ensinaram a falar.
Anteriormente, os Elfos eram muito curiosos e queriam saber o mais
possível sobre o mundo em que tinham despertado.

Numa
entrevista feita para ser incluída num documentário dedicado à vida do
seu pai, Christopher Tolkien refere que os Elfos quase que se consomem
em dor. Na altura da Guerra do Anel, os Elfos já não se voltam para o
futuro. Pelo contrário, voltam-se para o passado. E, ao voltarem-se
para o passado, eles provocam o seu próprio eclipse ou crepúsculo, ou
recebem-no de braços abertos. Pois de facto o seu destino é definharem,
desaparecerem do mundo e da luz, deixando tudo o que atingiram nas mãos
implacáveis dos Homens.

Mas como é que os Elfos se enredaram
tão profundamente na dor? Qual é a diferença entre a natureza Élvica e
a natureza Humana que leva as raças Élvicas a viver na dor?

Em
numerosas ocasiões, Tolkien escreveu ou tornou claro que os Elfos eram
imortais durante o tempo em que a Arda existisse, mas que não eram
eternos. Era uma das suas características existirem como seres vivos
enquanto o próprio Tempo durasse, Tempo esse medido pela “vida da
Arda�?. E, no entanto, a Arda não tinha existido desde o princípio do
Tempo e o seu destino não era necessariamente existir até ao fim do
Tempo. A Arda pode acabar e Eä, o resto do universo, pode continuar.
Mas, por outro lado, Eä é identificado através do Tempo e do Espaço.
Então, se os Elfos sobrevivem até a Arda acabar, será que a Arda acaba
simultaneamente com o Tempo e, vice-versa, o Tempo com a Arda, ou será
que o Tempo continua até ter um outro fim?

Os Elfos não sabiam
a resposta a esta pergunta. Nem se conseguiam aperceber de, ou prever,
qual era o seu destino final para lá da conclusão inevitável da sua
existência. Num comentário incluído em "Athrabeth Finrod ah Andreth"
(Debate entre Finrod e Andreth), Tolkien especifica que “a
‘imortalidade’ Élvica�? está limitada a uma parte do Tempo (a que
[Finrod] chamaria a História de Arda), e por isso estritamente deveria
ser antes chamada de ‘longevidade em série’, o limite máximo da qual é
a duração da existência da Arda…"
O seu corolário é que o fëa
(‘espírito’) Élvico está também limitado ao Tempo da Arda, ou pelo
menos está aí preso e não o pode deixar enquanto ele existir.

Ao tentar elucidar melhor este aspecto, Tolkien disse que “o
pensamento Élvico não podia penetrar para lá do ‘Fim da Arda’, e não
havia quaisquer instruções específicas… Parecia-lhes óbvio que os
seus [corpos] tinham de acabar, e portanto qualquer tipo de
reincarnação seria impossível…
" Todos os Elfos iriam pois
‘morrer’ no Fim da Arda. Eles não sabiam o que isso significava. Diziam
então que os Homens tinham uma sombra atrás deles, mas os Elfos tinham
uma sombra à sua frente. Agora, a sombra atrás dos Homens era a sombra
da sua Queda, enquanto que a sombra à frente dos Elfos era a sombra do
seu Fim. Na percepção dos Elfos, aos Homens tinha sido permitido
libertarem-se da vida, da ligação ao mundo que para eles Elfos se tinha
tornado um fardo pesado. Era-lhes difícil perceber que os Homens
quizessem tanto ficar no mundo, pois o que eles queriam era ter a
certeza de que continuavam para lá do mundo. Era como a tripulação dum
navio prestes a afundar-se a observar admirada os passageiros a
saltarem de volta dos salva-vidas para o barco condenado.

O
desejo Élvico de libertação não fazia necessariamente parte do seu
estado natural. Quando os Valar descobriram que os Elfos viviam em
Cuivienen, já eles tinham sido importunados por Melkor e seus lacaios.
Alguns dos Elfos tinham desaparecido e como o próprio Mandos
aparentemente não sabia nada do seu destino, eles devem ter sido
encarcerados por Melkor em Utumno ou noutra temível prisão. Os Elfos
perderam assim a sua inocência original ainda antes de se terem
encontrado com os Valar.

A perda da inocência foi o primeiro
passo na longa via dolorosa, uma estrada cheia de sofrimento e perda.
Mas dor e sofrimento não eram sinónimos para os Elfos. Aparentemente, o
sofrimento passava, enquanto a dor não. O sofrimento podia avolumar-se
e tornar-se dor, mas para a maior parte da raça Élvica parece ter-se
simplesmente transformado em dor. Ultrapassar o sofrimento era uma
coisa que eles faziam muitas e muitas vezes.

Por exemplo, Tolkien explica na Carta 212 (de facto um rascunho para a continuação da Carta 211 que nunca foi enviado) que “nas
lendas Élvicas há registo dum caso estranho de um Elfo (Míriel, a mãe
de Fëanor) que tentou morrer, o que teve consequências desastrosas e
levou à ‘Queda’ dos Elfos Superiores (Elfos da Luz)… Míriel queria
deixar de existir…�?

A morte de Míriel era tão pouco
habitual que os Eldar tiveram de inventar uma palavra nova para a
descrever. Eles já tinham antes sentido morte física, quando membros da
sua raça sucumbiram a sofrimento ou violência e os seus corpos
morreram. Mas os Eldar aprenderam em Aman que os seus espíritos eram
supostos passar para os Salões de Mandos e, depois de um período de
reflexão durante o qual seriam curados dos seus sofrimentos, eles
podiam e deviam ser readmitidos no número dos vivos.

Míriel
não queria viver de novo. Ela queria morrer, morrer de verdade, e não
ter mais nada a ver com o mundo. A escolha, ou teimosia, de Míriel
levou a um debate importante entre os Valar e à aprovação duma lei que
alterou a evolução natural do destino dos Elfos. Ilúvatar deu aos Valar
o poder de administrar a morte permanente a um Elfo durante a vida da
Arda. Isto é, eles podiam recusar-se a deixar um Elfo viver de novo.


Míriel recusou-se a aceitar a vida apesar de ter sido praticamente
obrigada a viver de novo. Então, relutantemente, os Valar confinaram-na
aos Salões de Mandos até ao fim do Tempo da Arda. O seu marido Finwe
tornou-se assim livre para procurar uma nova esposa. Mas, depois de ter
sido assassinado por Melkor, o espírito de Finwe ficou em comunhão com
o de Míriel em Mandos, um acontecimento aparentemente raro. Quando
Míriel soube de tudo o que tinha acontecido ao seu povo, ela
arrependeu-se da sua decisão de ficar morta e apelou aos Valar. Finwe
aceitou então ficar morto porque não podia voltar à vida e ter duas
esposas, uma situação que os Elfos achavam anormal.

A decisão
de Míriel foi tomada pelo menos em parte como resultado da dor. E
apesar de lhe ser permitido viver de novo, ela escolheu não viver com o
seu povo, os Elfos, mas em vez disso foi aceite no serviço dum dos
Valar. A partir dessa altura, Míriel documentou os feitos do seu povo.
Em vez de fazer novas coisas ou procurar novos conhecimentos, ela
concentrou-se a registar os acontecimentos da história do seu povo.
Assim, Míriel foi o primeiro Elfo, pelo menos entre os Eldar, a
sucumbir à dor , escolhendo viver de novo por causa da dor e talvez
devotando a sua vida a lembrar essa dor.

Alguns dos revoltosos
Noldor deixaram-se derrotar pela dor antes de avançarem demais na
estrada do Exílio. Estes Noldor comandados por Finarfin voltaram à sua
cidade de Tirion e foram perdoados pelos Valar pela sua parte na
revolta. Mas a maioria dos Noldor continuaram resolutamento no seu
caminho, talvez principalmente por causa da determinação de Fëanor.

Na Terra-média a maior parte dos Noldor tentou voltar-se para o futuro
apesar da inutilidade da guerra contra Melkor. Mas Turgon, que foi
inspirado a construir a maior cidade de sempre, parece ter-se atolado
na dor. Gondolin foi modelada em Tirion e o povo de Turgon raramente
partiu para a guerra. Ulmo avisou-o de que a altura chegaria em que
Turgon teria que desistir de tudo para salvar o seu povo, mas quando
esse momento chegou, Turgon não quiz fazer esse sacrifício. Em vez de
guiar o seu povo a abandonar Gondolin em segurança, Turgon confiou nas
defesas naturais da cidade. Ele queria preservar o seu modo de vida
mesmo arriscando-se a assim perder a vida.

Depois da queda de
Gondolin, os Noldor desperdiçaram os seus recursos nos conflitos azedos
sobre a posse do Silmaril que Beren e Luthien tinham recuperado a
Melkor. Os filhos de Fëanor, incapazes de recuperar as outras jóias,
destruíram primeiro Doriath e depois Arvernien em tentativas
infrutíferas de capturar aquela jóia. Eles já não pensavam em vingar as
mortes do seu pai e do seu avô nem em recuperar os Silmarils. Em vez
disso, só queriam saber daquilo que achavam que era seu por direito,
não percebendo que tinham perdido esse direito devido aos seus delitos.
Os seus espíritos estavam presos num passado que não podia ser
recuperado.

Depois da Primeira idade, os Noldor começaram de
raíz. Gil-galad criou um reino no que tinha sido Ossiriand e alguns dos
Noldor emigraram para leste e criaram Eregion. Mas com o passar dos
séculos os Elfos sucumbiram à preocupação sobre o seu definhar. E
quando Sauron disfarçado lhes ofereceu uma oportunidade para parar ou
atrasar os efeitos do Tempo, os Noldor de Eregion decidiram actuar
contra esse definhar.

Tolkien disse sobre esta segunda “Queda�? que os “Elfos queriam ao mesmo tempo ter o bolo na mão e comê-lo�?.
Eles queriam permanecer na Terra-média durante o resto do Tempo em vez
de atravessar o mar para evitar um destino pior do que a morte. Em vez
de manufacturar nova beleza, os Elfos voltaram a sua atenção para a
preservação da antiga beleza da Terra-média e para a cicatrização das
suas feridas. Por isso eles criaram os Aneis do Poder. Mas mesmo depois
dos Elfos terem descoberto a perfídia de Sauron, eles não tiveram a
força para eles próprios destruírem os Aneis, que Sauron claramente
queria usar contra eles.

A dor a que Gildor aludia começou sem
dúvida com o conflicto entre os Elfos e Sauron na Segunda Idade. Pois
eles não só perderam muitos Aneis de Poder, como também perderam a
maior parte das terras que tentavam conservar. Casas Élvicas com todas
as suas recordações e artefactos especiais devem ter-se esvaído em fumo
em grandes áreas de centenas de kilómetros (milhas). Os Elfos não
teriam preservado nada do seu mundo antigo, no qual, como Tolkien
afirma, eram uma casta superior.

A tristeza devia ter
consumido os Elfos não só pelo que eles perderam, mas também pelo que
eles tinham feito. Traição e perda vão de mãos dadas ao longo da
história Élvica, e a sua traição da ordem natural na Segunda idade fez
com que perdessem quase tudo. Os Elfos que sobreviveram a guerra,
especialmente aqueles que nada sabiam sobre os Aneis do Poder, devem
ter seguramente questionado o que tinha originado o conflito.

Nos finais da Terceira idade Frodo arreliou Gildor repetindo um dizer
sobre os Elfos que era popular entre os Hobbits: não peças conselhos
aos Elfos, pois eles dirão tanto que sim como que não. E Gildor riu-se,
dizendo que “os Elfos raramente dão conselhos irreflectidos pois,
mesmo entre os sábios, aconselhar é um presente perigoso e todos os
caminhos podem sair mal.�?
Todas as escolhas históricas feitas pelos
Elfos, talvez tomadas depois de longas deliberações entre os seus
líderes mais sábios, parecem tê-los levado por caminhos cheios de dor e
sofrimento. Assim, pelo menos na Terceira idade, os Elfos parecem
ter-se tornado relutantes a aconselhar outros.

Na Terceira
idade os Eldar concentraram-se a manter os seus domínios, sem pensar em
expandir o seu poder e influência. Enquanto que os Homens se tornavam
mais numerosos, os Elfos refugiaram-se em enclaves. Na sua seclusão, os
Elfos só podiam aperfeiçoar os seus dotes para a poesia e a música,
celebrando acontecimentos do passado e as glórias da sua juventude, e
antecipando o seu regresso a Valinor. Os Elfos não estavam tanto a
olhar para o futuro, mas antes para o passado. O seu futuro tornou-se
um movimento reaccionário para o além-mar.

Enquanto que na
Segunda idade os Eldar tinham esperado exercer a sua arte sobre toda a
Terra-média, ou pelo menos grande parte dela, na Terceira idade eles
escolheram restringir a sua arte a pequenas áreas protegidas pelos três
Aneis do Poder que ainda controlavam. Os Elfos da Terceira idade
relembravam todos os grandes contos que os Elfos das Primeira e Segunda
idades tinham criado.

A transição entre criar o passado e
relembrar o passado foi sem dúvida lenta. Os Elfos não decidiram
simplesmente dum dia para o outro não procurar realizar mais nada. Pelo
contrário, devem-se ter acomodado aos poucos a gozar a vida e a
celebrar os seus êxitos. Mas à medida que o mundo se tornava escuro e
solitário, os Elfos escolheram não se expandir, não comunicar com os
outros. Durante um curto período, os Elfos Cinzentos de Lothlórien
tornaram-se os maiores campeões da liberdade no Ocidente, mas com a
partida e subsequente morte do Rei Amroth, recolheram-se `a sua
floresta e pouco mais se ouviu falar deles.


Todas as escolhas feitas pelos Elfos estavam cheias de gravíssimos
perigos. Tudo o que faziam, tudo em que tocavam, acabava por ser
consumido pelas consequências das suas acções. Eles tentaram evitar
sofrer o destino que lhes estava marcado. Em vez de destruir os Aneis
do Poder, na Terceira idade os Eldar usaram-nos. E quando o O Anel foi
finalmente destruído, tudo o que os Eldar tinham conseguido em termos
de preservação e cura foi desfeito. Eles não mais conseguiam pensar em
termos de contruir um futuro. Só queriam preservar um passado que para
eles era ideal.

A sombra que os Eldar viam no seu horizonte
deve, nos finais da Terceira idade, ter parecido pairar enorme e
disforme sobre todos eles. A ascenção e retorno de Sauron a Mordor eram
inevitavelmente o resultado do falhanço dos Elfos em resolverem os seus
conflictos do passado. A mudança de poder e estrutura da Terra-média
era mais uma lança apontada contra eles. ‘A corda estava a chegar ao
fim.’ Apesar dos seus melhores esforços para travar a mudança, eles não
a tinham podido conter. Ela continuava sem eles. A partir do momento em
que os Aneis saíram do caminho, o Tempo puxou simplesmente os Elfos de
novo para a via da evolução natural dos acontecimentos.

E
assim que os Aneis do Poder desapareceram, os Elfos não tinham outra
alternativa senão enfrentar o seu futuro, futuro esse que a eles
parecia um não futuro. Para um Homem mortal, a incerteza da
imortalidade seria uma oportunidade para criar novos contos. Mas para
um Elfo imortal, a certeza do fim dessa imortalidade significava que
havia cada vez menos tempo para celebrar os grandes contos do passado.
Esvaziá-los de conteúdo para criar novos contos só lhes ia retirar a
sua audiência de direito. Ou, pior, viver um novo conto poderia trazer
mais dor e sofrimento e assim aumentar o fardo da dor que se tornava
mais pesado de ano para ano.

Tudo estava dependente de
escolhas: as escolhas que tinham feito, as escolhas que tinham de
fazer. Os Elfos estavam mesmo sobrecarregados pela necessidade de fazer
escolhas, pois queriam escolher ambas as opções. Para um Elfo, o Tempo
na Terceira idade era só uma maneira de adiar a escolha última. Tolkien
sugere que muitos escolheram permanecer na Terra-média e definhar,
vivendo perto dos lugares que tinham amado em vida, relembrando os
acontecimentos que lhes eram mais queridos.

Talvez no fundo,
os únicos Elfos que de facto se libertaram do passado foram os que
finalmente resolveram deixar a Terra-média para sempre. Era um destino
melhor do que a morte e um destino da sua própria escolha. Para serem
coerentes com a sua própria natureza, os Elfos perceberam que tinham de
escolher entre a certeza do passado com toda a sua grandeza conhecida e
a incerteza do futuro com todo o seu grande desconhecido. A viagem
além-mar era pois o grande passo para ultrapassar a dor e a tristeza.

[Tradução de Isabel Castro]

Algo Perverso vem nessa direção.

A inesperada migração dos clãs dos Pequenos moradores dos vales altos do Anduin através das Montanhas Sombrias, começando no ano de 1050 da terceira era, avisados da grande sombra que se erguia em direção ao sul da Grande Floresta Verde. O Sábio não podia ter certeza de quem ou o que havia se instalado na floresta, mas eles compreendiam que algo que não tinha vivido por ali previamente tornou-se então ativo.

 

 

Em todas suas obras publicadas, JRR Tolkien apontou apenas uma observação curiosa sobre o evento intrigante. No ensaio "Anões e Homens" publicado em "As pessoas da Terra Media", Tolkien notificou: " Claramente os Hobbits tinham percebido, mesmo antes que Magos e os Eldar tivessem total conhecimento sobre isso, o despertar de Sauron e sua ocupação em Dol Guldur." Os Hobbits não eram exatamente conhecidos por terem habilidade com as coisas do mundo. O que eles poderiam ter percebido, que os recém chegados Istari e os senhores Eldar haviam deixado passar?

Por essa causa. Por que, então Sauron decidiu acomodar-se em Amon Lanc? Gondor havia ocupado Mordor com a intenção de prevenir seu retorno ao seu velho reino. Mas Sauron poderia ter se estabelecido no extremo leste ou sul, mas ele escolheu perdurar na sulista Grande Floresta Verde, perto dos inimigos. Por quê?

Embora possa parecer obvio que ele tenha sido atraído pelo anel, que na época (o 11º século da Terceira Era) ainda permanecia inexplorado algum lago ao logo do Anduin próximo aos Campos de Lis. Foi dito que primeiramente Sauron acreditava que O Um Anel havia sido destruído. Sua ressurreição nas proximidades onde se encontrava o Um Anel pode ter sido uma conseqüência natural da afinidade que Sauron retinha com o Anel, mas ele não tinha conhecimento do fato. Então o que o compelia na permanecer perto do Anel?

Se aceitarmos que o espírito de Sauron tomou forma física algum lugar próximo ao Anel, então ele deveria aparecer primeiramente ao longo dos bancos do Anduin, talvez mesmo no rio. Ou se o poder de Ulmo era muito grande para ele, repelindo a malicia de Sauron e prevenindo que ele não reconhecesse que o Anel ainda existia, então Sauron pode ter assumido sua nova forma corpórea, nas terras baixas próximas ao rio. E não necessariamente alguém deveria ter visto Sauron. Melhor que sua ressurreição tenha ocorrido em segredo fora da visão dos Elfos, Homens do Oeste e todos q eram inimigos a ele.

Mas já havia outros homens vivendo na região. Embora os primeiros 1000 anos da Terceira Era tenha provado ser relativamente estável na região Oeste da Terra Media. No ano de 1050, Anor, havia sido dividida em 3 reinos em guerra e Gondor estava preso em um conflito mortal com seus vizinhos sulistas. O ano de 1050 foi, de fato, o ano em que Hyarmendacil I derrotou os Reis de Harad (e conquistou Umbar). Todos os olhos do mundo se voltaram a Gondor, o qual atingiu o sua maior dimensão naquela época, e chegou perto de todas as nações para competir com o, há muito perdido, quase esquecido, poder de Numenor.

Numenor tinha afundado no mar há quase 1200 antes de Hyarmendacil I ganhar sua vitória final. Foi há quase 1230 anos desde que Ar-Pharazon humilhou Sauron perto de Umbar trazendo, o que foi na época, o mais forte posto do exercito de Beleriand para a Terra Media. A memória de Numenor deve ter sido ofuscada entre as outras nações, pelo (um tanto), mais recente memória da Ultima Aliança de Homens e Elfos, o qual tinha assumido o posto de maior exercito de todos os tempos e destruído o poder militar de Sauron completamente. Sauron também foi morto e seu império totalmente derrubado, o qual, efetivamente nunca mais se ergueu.

Como resultado da derrubada de Sauron, três esferas de influência emergiram ao noroeste da Terra Media. O reino Elfico antigo de Gil Galad de Lindon ainda existe, mas se tornou tão fraco que muitos de seu povo ou velejaram pelo mar ou migraram leste para viver perto de Elrond em Imladris. Os Reis Supremos de Arnor se tornaram os poderes dominantes da região norte do mundo. Mas ao leste das Montanhas Sombrias ainda perduraram ali pelo menos dois reinos Elficos, e o vasto reino dos Anões BardaComprida. E Gondor anexada, mas nunca colonizou Mordor eventualmente expandindo-se externamente.

O poder de Arnor diminuiu, e o poder de Gondor cresceu. Mas e o poder dos Anões BarbaComprida? Seu capitólio de Khazad-dum era sua cidade chefe, mas eles reivindicaram toda a Montanhas Sombrias e as Montanhas Cinzentas até ao leste das Colinas de Ferro. Aparentemente eles tinham mais que uma cidade ou colônia. Eles mantiveram o antigo Homem-i-Naugrim, a grande estrada ao leste, a qual corrida desde a Passagem Alta até o Anduin, atravessando o rio por uma ponte de pedra viajando lesta pela Floresta Verde, e então virando noroeste estendendo-se até as Colinas de Ferro. Aquela estrada deveria servir para algum propósito útil. Não foi feita simplesmente porque os BardaComprida queriam ocupar-se de um oficio. Eles precisavam manter e a paz e estabilidade que nutria o comércio.

Lothlorien o pequeno reino Elfíco que se encontra entre Khazad-dum e o Anduin era a casa para os Elfos Noldor, Sindar e Silvan. Mas embora mantivessem um vínculo intimo com Khazad-dum e Imladris, Lothlorien parecia estar muito fraca para dominar a região. Havia Homens de descendência dos Edainic vivendo nas proximidades em ambos os lados do Anduin. Os homens da Floresta Verde tinham, de acordo com "O Desastre dos Campos de Lis", juntado-se, ou ao menos se tornaram simpatizantes, da Ultima Aliança. Eles, assim como seus parentes no norte próximos a Erebor aparentemente prosperaram nos séculos de paz, que seguiram após a ruína de Sauron.

Mas o sul da Floresta Verde não estava totalmente a salvo. Durante a Guerra da Ultima Aliança, Saurou tinha ocupado uma ou mais regiões da Floresta. Os dois mil ou mais Orcs que armaram uma emboscada para Isildur na Terceira Era, eram restantes daquelas forças ocupantes. Embora os Homens da Floresta tivessem dito que dispersaram os Orcs que sobreviveram à batalha de Isildur, alguns dos Orcs sobreviveram o ataque neutralizador dos Homens da Floresta.

Em um dos seus ensaios, Tolkien apontou que a maioria dos Orcs seria dificilmente capaz de defenderem-se após a derrubada de Sauron. O ataque a Isildur foi compelido, ele sugeriu em "O Desastre nos Campos de Lis", pela proximidade que Orcs estavam do Um Anel, os quais na época ainda estavam esperando pela volta de Sauron (obviamente pela sua impossibilidade de se juntar a ele fisicamente). Portanto depois do ataque a Isildur, aqueles poucos Orcs com habilidade de sobreviver por conta própria, devem ter retirado-se para as profundezas da floresta. Lá eles viveram sozinhos, vagarosamente desenvolvendo seu próprio senso de independência e comunidade.

Às vezes nos séculos após a morte de Sauron, os Hobbits fizeram seus caminhos até os Vales do Anduin. Eles instalaram-se próximos
a casas e vilas dos Edain e gradualmente foram se adentrando em uma co-exitência de Bri com aqueles Homens (de acordo com "Anões e Homens"). A chegado dos hobbits deve ter sido anterior a primeira invasão de Gondor pelos Easterlings no ano de 490 da Terceira Era. Naquela época Gondor teria se estendido ao longo do Anduin até os Undeeps (próximos aos Campos de Celebrant). As terras entre a Floresta Verde e Mordor não faziam parte do reino.

Estes mais prematuros Easterlings (na experiência da Terceira Era de Gondor), aparentemente viveram nas terras entre Mordo e a floresta de Turambar, filho de Romendacil I, conquistou aquelas terras algum tempo depois da morte de seu pai no ano de 541 da Terceira Era. A região inteira deve ter sido completamente hostil e impassível para os Hobbits. E embora eles possam ter passado pela Floresta Verde para atingir os Vales do Anduin, os ancestrais dos Stoods e dos Harfoots podem ter passado pela borda sulista da floresta. Os Follohides sendo o grupo do norte, são os mais cogitados em terem passado pela Floresta Verde.

Uma migração Hobbit pode ter encorajado os Homens da Floresta Verde a colonizar as terras abertas de campo ao longo do Anduin, e atravessar o rio. Os anões proveriam aos homens oportunidades de ofícios e trabalhos habilidosos em construir estradas e fortalezas. A amizade entre os Homens da Floresta e o povo de Thranduil (então morando em Emyn Duir, as montanhas no meio da floresta) assegurou uma fronteira norte para expandir população mortal. Os Homens tornaram-se uma comunidade importante na parte superior do Anduin.

E como os Homens da Floresta expandiram em direção as montanhas, eles também devem ter feito contato com Gondor. Havia muitas tribos de Homens do Norte (e um desses grupos eram os Homens da Floresta), espalhando-se ao sul, leste e oeste naqueles séculos. Eles se mudaram da Floresta Verde em ambas as direções. Após a atenção de Gondor ser direcionada ao leste, os Dunedain fizeram contato com os Homens do Norte. Amizade surgiu entre Gondor e os Homens do Norte e embora Tolkien não fale muito a respeito de sua relação, ele dá atenção ao desenvolvimento metódico dos Homens nas terras norte onde Arnor e Gondor detinham influencias.

Contudo como alguns Orcs sobreviveram durante a Terceira Era na região sul da Floresta Verde, por volta da metade do século Seis, havia Easterlings – cujos ancestrais serviram ou foram amigos de Sauron – Também vivendo dentro ou perto da região sul da floresta. E ao longe no norte perdurou Laracna, que havia se estabelecido em Ephel Duath, antes de Sauron construir Barad-Dur. De seu covil sua prole se espalhou pelo norte das montanhas. Sem duvida a Ultima Aliança de Elfos e Homens lutaram com as aranhas gigantes, as quais seriam guardiãs naturais das marchas de Sauron. Mas embora Gondor tenha assistido a marcha por mil anos, algumas aranhas manejaram-se e alcançaram a Floresta Verde ao mesmo tempo em que Sauron se instalou em Dol Guldur. Talvez ele mesmo tenha arranjado para que elas tenham sido trazidas ao norte.

Orcs, Easterlings e aranhas devem ter servido a fundação do novo reino de Sauron. Ele teria ido a floresta para revelar-se para os descendentes de seus escravos formados. Incapazes de resistir a sua vontade, os Orcs e os Easterlings (alguns mais rápidos que outros), teriam voltado a servi-lo. E eles teriam construído a fortaleza de Dol Guldur em segredo, longe dos olhos intrometidos dos Elfos, Anões, Homens, Hobbits e Magos.

Os Magos, Istari, enviados de Valinor, seriam muito novos para a Terra Media. Eles sabiam porque eles estavam lá. Eles estavam mantendo um olhar cauteloso para sinais do retorno da sombra. Mas eles não sabiam onde Sauron surgiria e se manifestaria, ou se algum outro mal antigo se ergueria em seu lugar. Eles sabiam que o mal estava vindo, mas não de onde ou quando. As grandes guerras no sul, talvez tenham levado todos a pensar que a ascendência de Gondor significaria que Sauron não poeria ainda retornar. Poderia ainda haver tempo para preparar-se.

O surgimento de Dol Guldur não poderia ter ocorrido da noite para o dia. Um pequeno castelo ou fortaleza consistindo em um pouco mais que uma torre e uma parede externa podem ser construído no espaço de alguns meses, com material e trabalhadores suficientes. Mas Dol Guldur era provavelmente uma enorme fortaleza, uma pequena cidade, desde o principio Sauron teria necessitado de uma base segura da qual lançaria suas varias campanhas. Mas ele também perseguia uma estratégia diferente da qual ele tinha na Segunda Era. Ao invés de conquistar um grande império e construir sua força militar em confrontos diretos com sos Eldar e Dunedain, Sauron, atacou seus inimigos por procuradoria.

Isto é, ele estabeleceu sua base em Dol Guldur e a fez segura o suficiente para desencorajar visitantes casuais e pequenos ataques. Mas ele também se privou de usar Dol Guldur para ativamente participar em eventos desdobrando-se em terras próximas a região sul da Floresta Verde. Em vez disso ele aumentou a população de Easterlings. "Anões e Homens" nos diz que os Hobbits começaram a fugir dos Vales do Anduin após "constante crescimento invasores do Leste … importunando os velhos ‘Atanic’ inabitados, e mesmo nos lugares ocupados, a Floresta e entrando no vale do Anduin.".

Claro, deve ter algum outro mau envolvido. Trolls podem ter sobrevivido por mil anos em Ettenmoors norte de Imladris, mas parece mais provável que eles tenham sido dirigidos para o leste de Mordor no final da Segunda Era. Como Sauron recrutou Easterlings para sua causa, ele teria trazido Troll de volta para o oeste. E como ele era conhecido como Necromante, Sauron dever ter consorciado com espíritos sem corpos. Ele deve ter criado Wargs e convocou antigos lobisomens e vampiros para servir a ele novamente.

Homens devem ter permanecido na Floresta das Trevas por uma razão muito boa. Ela tinha que se transformar rapidamente num lugar de pavor e ameaça, uma terra onde somente as tribos mais corajosas teriam ousado a viver e lutar com criaturas uma vez relegadas aos contos de fadas e folclore. Monstros tinham que andar pela terra novamente repugnando as arvores e escurecendo a floresta com uma sombra depressiva, que não tinha nada a ver com a luz do sol.

Mas o que os Hobbits, com sua falta de curiosidade mágica (exceto "o tipo comum") tinham notado, que até os Istari não tinham? Os animais do norte da Floresta Verde migraram em massa, procurando novas casas longe do mal? A chegada dos Easterlings, levou a constantes rixas e ataques entre as pessoas? Fantasmas e lobisomens caçaram nas colinas e nas margens do rio, onde os Hobbits viviam quietos e sozinhos?

O Prólogo de "O Senhor dos Anéis" nos diz que os Pés Peludos "tinham muito em comum com anões nos tempos antigos, e por muito tempo viveram nos pés das montanhas". Eles devem ter ouvido rumores de mudanças na Floresta de ambos, anões e Stoors. Os Stoors tinham permanecido perto do Anduin e provavelmente viviam mais próximos dos Campos de Lis. Os Campos de Lis haviam sido originalmente um lago que se estendia até as montanhas onde Isildur foi atacado. Através do tempo o lago se transform
ou em pântano e gradualmente o pântano secou e escasseou até o curso normal do Anduin.

Os Stoors teriam notado alguma coisa estranha acontecendo na mata além dessas montanhas. Os homens que viviam na floresta teriam se mudado quando os Homens da Floresta foram afastados pelos Easterlings, Trools, Orcs, Wargs e outras criaturas peçonhentas que iriam gradualmente sair dos contos das esposas para entrarem diretamente em suas fazendas. No espaço entre uma ou duas gerações Gaffers e Gammers, os quais lembravam de tempos melhores reclamariam de plantações perdidas, escassez de peixes, e numa má situação criada por homens desagradáveis. Seria uma transição gradual dos bons dias antigos para os maus tempos novos. A cada ano, vida se tornaria cada vez mais ansiosa. Clãs circulariam novas historias de medonhos encontros todas as temporadas.

O repertorio dos rumores e das incertezas iriam se acumular gradualmente enquanto as influncias de Sauron ocuparam as terras tranqüilas de Hobbits e Homens. O Elfos e Anões concentravam-se em suas próprias preocupações, prestariam pouca atenção a ô que aconteceu. Talvez um dia eles saberiam que uma cidade ou vila amiga tinha sido abandonada ou ocupada por forças inimigas. Mas os homens estavam sempre brigando entre si. O mapa político não mudaria muito como o mapa social. Clãs de Homens, Hobbits devem ter, simplesmente tentado mudar a algumas milhas mais ao longe. Seria um pouco diferente das outras eras, velhas tradições de cidades mandando colonizadores para construir novas cidades. Clãs teriam que, ocasionalmente, separar-se e procurar novas terras.

Mas um dia alguém importante o suficiente para ser ouvido para notar que havia Algo de Errado. Parentes não viviam mais onde eles costumavam viver. As pessoas agora olhavam através do Rio com receio. Talvez um ataque de muitos tenha saído da escuridão da floresta. Talvez o perigo de Orcs, Wargs tenha se tornado muito real e as tribos ao longo do Anduin tenham se tornado mais simpatizante da guerra e mais vigilantes do que seus avôs precisavam ser em sua juventude. Deveria haver um tipo de conselho, uma decisão em comum de o processo a seguir.

Talvez ele meramente tenha começado com um clã ficando muito assustador para ficar nos Vales do Anduin por mais tempo. Eles teriam ouvido historias sobre terras fartas além das montanhas. Um único líder de um clã levantou e disse: "Atenção todos! Estamos deixando essas terras, empacotem o que quiserem, deixem o resto." E quando seus visinhos viu o que ele estava fazendo, Eles disseram: "Nós também nos cansamos. Estamos indo com você".

Famílias, cidades, indivíduos solitários, casais jovens aventureiros fugindo do ódio de seus pais que teriam atravessado as montanhas. Isso pode ter começado como uma marcha de vagantes, atraindo alguns olhares curiosos das pessoas locais em Eriador. "Quem são essas estranhas pessoas pequenas?" Os homens devem ter se perguntado "Eles parecem crianças. Onde estão seus pais?".

E onde os Hobbits entraram Rhudaur e Cardolan, procurando novas terras para morar, Homens teriam perguntado porque eles deixaram suas terras antigas. "Há algo escuro e mal por lá". Eles responderiam. "É como se uma grande nuvem escura tivesse se desferido na floresta. Terras onde nossos antepassados se sentiam seguros, já não são livres para nós. Homens maus do leste perturbaram nossos amigos. Criaturas horríveis ameaçando nossas famílias. É como se uma grande ameaça tivesse surgido".

Rumores passariam de hospedaria para hospedaria, de cidade para cidade. Soldados, mercantes e vagantes iriam escutar igualmente, historias da transformação da Grande Floresta Verde em Floresta das Trevas. Eventualmente, príncipes, reis e magos também acabariam ouvindo sobre as mudanças no leste, na verdade isso ocorreria cinqüenta anos após os primeiros hobbits chegassem em Eriador, até o Sábio averiguar que Dol Guldur tinha se tornado um baluarte do mal.

Imagine o conselho que pode ter sido realizado. Istari, Senhores dos Eldar e talvez Reis dos Dunedain teriam juntado-se. Um relatório completo dos eventos seria dado. Batedores retornariam da Floresta das Trevas para confirmar os contos. E haveria rostos severos, trocas de olhares austeros entre os Sábios e seus amigos. E apesar de toda a vigilância que eles tinham mantido ao longo dos anos, eles não sabiam que algo estava acontecendo até ser tarde demais. Apenas os Hobbits tinha sentido algo de errado. E ironicamente somente os Hobbits iram proferir uma solução final para o problema

Tradução de Tais"Linda Sacola" Bachega