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Análise das Trilhas Sonoras

Agora que toda a trilha sonora dos três filmes já está disponível, vamos analisar detalhadamente uma por uma, indo de “A Sociedade do Anel” até “O Retorno do Rei” que encerra a trilogia do anel.

 
A SOCIEDADE DO ANEL  [2001]

1- The Profecy
2- Concerning Hobbits
3- The Shadow of the Past
4- The Treason of Isengard
5- The Black Rider
6- At the Sign of the Prancing Pony
7- A Knife in the Dark
8- Flight to the Ford
9- Many Meetings
10- The Council of Elrond
11- The Ring Goes South
12- A Journey in the Dark
13- The Bridge of Khazad Dum
14- Lothlorien
15- The Great River
16- Amon Hen
17- The Breaking of the Fellowship
18- May it Be

A trilha sonora de “A Sociedade do Anel” é sem dúvida a mais marcante de toda a trilogia. Talvez por ter causado o impacto inicial, talvez por ter sido a trilha sonora a ganhar o Oscar, o fato é que as músicas desta trilha acompanham toda a trilogia e seguem como tema base para todos os outros discos.

A participação de Enya abrilhanta o disco, embora sua participação tenha sido controversa: alguns amam, outros odeiam, mas é impossível ficar impassível às suas performances. May it Be foi indicada ao Oscar de melhor canção e embora não tenha levado a estatueta ainda assim virou um hit Pop/ New Age de proporções inimagináveis.

Os destaques desta trilha sonora são:

Concerning Hobbits: a música se mostrou ideal ao mostrar o estilo de vida dos Hobbits com seus tons e instrumentos “alegres” e despreocupados;

The Treason of Isengard: seu ritmo sombrio, pesado e cadenciado é perfeito para mostrar a traição de Saruman e suas máquinas de guerra. O tema principal acompanha diversas músicas ao longo de todo o disco;

A Knife in the Dark: terror, puro terror é o que esta música nos passa. A sensação dos Nazgûl tentando matar os hobbits é assustadora e chega a ser sufocante. Destaque para os corais e para o trabalho de percussão nos minutos finais da música que aliado a uma doce voz trabalha perfeitamente o contraste entre bem e mal;

A Journey in the Dark: a música transmite toda a grandiosidade de Moria. A musica começa devagar e vai evoluindo e realmente impressiona no seu verso principal (quando Gandafl ilumina os salões de Moria);

The Breaking of the Fellowship: O destaque principal do Cd, é a musica base da trilogia. Várias músicas de “As Duas Torres” e de “O Retorno do Rei” seguem os versos dessa música. De quebra ainda tem a melhor interpretação do cd inteiro em In Dreams, cantado por Edward Ross. Simplesmente encantadora;

May it Be: Uma linda canção composta e interpretada por Enya e com um refrão cativante. Virou hit e teve até direito a clip musical, veiculado no mundo inteiro.

AS DUAS TORRES [2002]

1. Foundations Of Stone
2. The Taming Of Sméagol
3. The Riders Of Rohan
4. The Passage Of The Marsches
5. The Uruk-Hai
6. The King Of The Golden Hall
7. The Black Gate Is Closed
8. Evenstar
9. The White Rider
10. Treebeard
11. The Leave Taking
12. Helm´s Deep
13. The Forbidden Pool
14. Breath Of Life
15. The Hornburg
16. Forth Eorlingas
17. Isengard Unleashed
18. Samwise The Brave
19. Gollum´s Song

Talvez a trilha sonora de “As Duas Torres” seja a mais fraca de toda a trilogia. Ela possui ótimas músicas, claro, mas não é um disco uniforme. A trilha alterna entre ótimos e medianos momentos. Talvez porque muito da trilha anterior seja utilizada nas novas músicas, então fica a sensação de que nós já a ouvimos antes.

Há destaques? Claro que há, e estes são brilhantes! A participação de Emilliana Torrini quase nos faz arrepiar em Gollum´s Song; e Riders of Rohan (tema de Edoras e dos Rohirrin) possui um fraseado de violino que, de tão fiel ao espírito original de Rohan, nos emociona. Um clássico.

Destaques:

Foundations of Stone: o cd já começa bem com uma música intensa e de grande impacto. Sensacional;

The Riders of Rohan: o fraseado de violino dessa música chega a arrepiar. Transmite toda a imponência e rudeza do reino de Rohan. Rústica, bela e imponente. Impressionante;

The White Rider: a sensação que se tem quando se ouve essa música é de que algo está renascendo e ganhando poder: Gandalf, claro! E é perceptível a mudança que ocorre ao longo da música, evoluindo e deixando o final realmente poderoso com seu coral;

Breath of Life: uma música tristíssima com uma voz linda e melodiosa de Sheila Chandra. A música é quase um lamento por Haldir, morto na batalha do Abismo de Helm;

Gollum´s Song: A melhor música do cd. Uma pérola de Howard Shore interpretada por Emiliana Torrini (que possui uma voz quase idêntica a de Bjork). A música é perfeita e passa realmente a sensação de solidão de Gollum. A melhor das canções da trilogia (as outra são May it Be e Into the West). Um final espetacular para o cd.

O RETORNO DO REI – [2003]

1. A Storm Is Coming
2. Hope and Memory
3. Minas Tirith
4. The White Tree
5. The Steward of Gondor
6. Minas Morgul
7. The Ride of the Rohirrin
8. Twilight and Shadow
9. Cirith Ungol
10. Anduril
11. Shelobs Lair
12. Ash and Smoke
13. The Fields of the Pelennor
14. Hope Fails
15. The Black Gate Opens
16. The End of All Things
17. The Return of the King
18. The Grey Havens
19. Into the West

A terceira trilha sonora é também a que contém mais graves e tons pesados, tudo a ver com o filme, que contém várias batalhas e momentos de desesperança. Os ritmos são menos variados, porém são mais cadenciados que os outros cds e o apelo emocional é maior.

A participação da cantora Annie Lennox abrilhanta e encerra de forma espetacular a trilogia, falando das Terras Imortais.

Estranhamente , a maioria das faixas de destaque do cd são as ímpares. Isso dá uma sensação de altos e baixos que não chega a ser desagradável, mas parece que nunca chega ao ápice do cd…

Destaques:

Minas Tirith: é a música que acompanha o trailler do filme. Simplesmente magnífica. Impossível não visualizar a cidade branca quando se ouve essa música;

The Steward of Gondor: Billy Boyd (Pippin) canta muito bem e nos presenteia com uma boa interpretação nesta música triste que aliada com as imagens do filme, leva as platéias ao choro;

The Ride of the Rohirrin: a música é levada por percussão e
violino e realmente dá a sensação de uma marcha de cavalaria. Muito intensa;

Shelobs Lair: A música passa a sensação de caçada no escuro e chega a ser angustiante o ritmo desenfreado, quase uma correria. Remete imediatamente a filmes de terror e suspense. Perfeita para a cena;

The Return of the King: a música mais longa do cd e é também uma das mais belas de toda a trilogia. O verso narrado por Viggo Mortensen (Aragorn), Aragorn´s Coronation, se encaixa muito bem no contexto da música e toda a música resume bem o espírito da trilogia, com versos que remetem a todas as músicas principais dos cds, quase uma colcha de retalhos;

Into the West: Uma magnífica música composta e interpretada por Annie Lennox. A música encerra a trilogia de modo mais que perfeito, falando sobre Valinor e os Valar, um hit.

A trilha sonora de Howard Shore entra na história do cinema pra ficar. Quem não se lembrará do Condado ao ouvir “Concerning Hobbits”, ou de Edoras ao ouvir “The Riders Of Rohan” ou mesmo Minas Tirith ao ouvir a música de mesmo nome. Impossível. Em nossas mentes a Terra Média já tem som e Howard Shore nos ajudou a formar essas imagens que nos acompanharam por três longos anos.

A trilha sonora deve funcionar até mesmo para aqueles que não viram a trilogia e apenas leram os livros (se é que existe alguém), uma vez que a trilha foi composta com extrema sensibilidade e bom gosto. Divirta-se!

A Sociedade do Anel: 9,5
As Duas Torres: 8,5
O Retorno do Rei: 9,0

Mudanças no SdA:RdR – Refutadas

Rumores desmentidos:

 

 
Arwen Luta em Minas Tirith

FILMES: Arwen participa de uma batalha em Minas Tirith.

LIVROS: Ela não chega à Gondor até o seu casamento com Aragorn, depois que Sauron foi derrotado.

FONTES:

· TORN Spy Report 6/26/00 (primeira divulgação)

NEGADO POR:

· Ian McKellen nega a participação de Arwen nas batalhas de Minas Tirith

· Bill Weldon Interview 7/27/01 (confirmação)

CREDIBILIDADE: -3/5

Queda de Sauron

FILMES: Quando o Anel é destruído, Barad-dûr explode e Sauron é impelido para morte, sendo empalado em uma estaca.

LIVROS: Varias estruturas de Mordor são destruídas, mas Sauron vira vapor.

FONTES:

· Dark Horizons Spy Report 7/9/01 (primeira divulgação)

NEGADO POR:

· TORN Spy Report 7/18/01 (primeira divulgação)

CREDIBILIDADE: -1/5

[Tradução de Nénar]

Estranho como as notí­cias que vêm de Bri

(Nota – O texto foi publicado pelo autor Michael Martinez em 03/12/1999, antes do lançamento da Trilogia de O Senhor dos Anéis).
 
Dizem que não veremos muito Bri nos filmes de Peter Jackson. Bri é um
pequeno vilarejo ao leste do Condado, onde Frodo e seus companheiros se
encontram com Aragorn (lá conhecido como Passolargo). Espero que a
maioria das cenas de Bri explore como os Hobbits passam a viajar com o
Guardião, e assim o filme continuaria. Será que veremos Bri no Terceiro
filme? Ainda é cedo para dizer.
 
 
 
É uma pena que haverá pouco espaço para Bri no
filme, mas acredito que se alguém um dia criasse uma série televisiva
baseada nos filmes, haveria uma grande chance desta se basear em Bri. A
mini-série dos anos 80 “Anne of Green Gables�?, estrelando Megan
Follows, levou a uma seqüência de mini-séries e, finalmente uma série
televisiva, em que não aparecia nem Anne, nem Megan e nem ao menos
tinha a ver com as estórias de Anne/Green Gables. A série foi apenas
filmada na cidade onde Anne crescera.

Tal série televisiva
mostraria Bri corretamente? Infelizmente os filmes não o fazem. A Bri
de Jackson é um local pseudomedieval e ainda não está claro se a Colina
de Bri estará por perto (Esta é uma das pegadinhas lingüísticas de
Tolkien, pois “Bree�? quer dizer “Colina�?. Portanto, a cidade de Bri é
na verdade a cidade da “Colina�? – poderia esta ser a mesma sem a
Colina?).

Tolkien diz tão pouco sobre Bri que eu não me
surpreenderia ao encontrar muitas pessoas que não reparam em uma grande
parte da informação que ele providencia ao leitor. Bri dificilmente
seria considerada uma metrópole surpreendente. Tolkien diz que Bri
continha cerca de cem casas de pedra, pertencentes ao “Povo Grande�?. A
maioria dessas casas situava-se ao lado da colina e possuíam janelas
que apontavam para o Oeste (portanto eles estavam na parte oeste da
colina). O vilarejo era protegido por um dique profundo e uma cerca que
delimitava um semicírculo a partir da colina, no lado oeste. A estrada
passava pelo lado oeste da cerca e acabava na extremidade sudeste,
rodeando a colina.

Um dique e uma cerca para cem casas de
pedra. Essa descrição implica em ter existido uma grande quantia de
bens em alguma época do passado de Bri. Construções com pedras não são
difíceis de se achar aonde é fácil obter rochas, mas mesmo os Hobbits
tinham o hábito de construir casas de tijolo no Condado. Portanto, Bri,
aparentemente, tinha acesso a uma razoável quantia da grande economia
de Eriador em tempos passados, quando havia mais pessoas e certa
demanda por rochas.

A localização de Bri nos cruzamentos das
grandes estradas de Eriador provavelmente favoreceu sua sobrevivência
ao longo da Terceira Era, mais do que qualquer outro fator. As estradas
percorriam de Fornost Erain ao norte até Tharbad ao sul, e também dos
Portos Cinzentos a oeste, percorrendo todo o caminho até as Montanhas
Sombrias e além. A estrada leste-oeste aparentemente foi construída
pelos Anões, mas parece que os Númenorianos a tomaram quando fundaram
Arnor.

Os dias de glória de Bri provavelmente ocorreram a
partir dos anos 1300-1600 na Terceira Era. Esse foi o período em que os
Hobbits migraram para o oeste, de Rhudaur a Arthedain, sendo que muitos
deles se estabeleceram em Bri. Arthedain foi o mais poderoso dos três
reinos dos Dúnadan em Eriador, e seus habitantes eram os ancestrais do
povo de Aragorn. Outros povos viveram em Arthedain durante esses anos
também; alguns com certa descendência Dúnadan, alguns com descendência
dos Edain que se estabeleceram em Eriador (em sua maioria Beorianos) e
alguns descendentes dos Gwathuirim, o misterioso povo das florestas de
Enedwaith e Minhiriath, que lutaram por Sauron na guerra entre os Elfos
e Sauron. Os homens de Bri eram descendentes deste último grupo, sendo
o único grande grupo de homens (a não ser os Dúnadan) que sobreviveu à
Queda de Arnor.

Os reis de Arthedain proclamaram soberania
sobre toda a antiga Arnor a partir de 1356 e, após a Guerra de 1409,
Arthedain se tornou Arnor novamente. Mas seu povo havia diminuído em
número. Muitos pereceram nas várias guerras. Famílias inteiras e
vilarejos devem ter desaparecido na grande invasão de 1409.

Bri deve ter assumido um papel estratégico na guerra de 1409. Cardolan,
o reino sulista de Eriador, estava invadido. A maioria dos Dúnedain de
Cardolan vivia nas Colinas do Sul, uma cadeia de colinas ao sudeste de
Bri. Angmar invadiu e tomou essas colinas, matando muitas pessoas e
fazendo com que os sobreviventes migrassem na direção oeste. Alguns dos
Dúnedain se refugiaram em Tyrn Gorthad, as colinas ao sudoeste de Bri.
Nesta época não havia criaturas tumulares nas colinas e foi por muito
tempo um lar para os Dúnedain e Edain. Porém o exército de Angmar
também atacou Tyrn Gorthad e o último príncipe de Cardolan ali morreu.

Arthedain recebeu ajuda de Lindon. Círdan enviou um exército de Elfos
para ajudar os Dúnedain. Este exército deve ter unido suas forças ao
exército de Arthedain ao passar por Bri. Tal encontro ajudaria a
explicar por que o exército de Angmar não chegou ao norte, em
Arthedain. Os soldados do Rei Bruxo estavam no final de uma longa
linhagem. Eles estavam praticando uma política de destruição, enquanto
o exército dos Elfos havia surgido há pouco tempo. Elrond, que estava
sitiado em Valfenda, trouxe um exército de Lórien e ajudou a enfrentar
o exército do Rei Bruxo.

Após a guerra de 1409, Cardolan se
tornou uma parte da Arnor reunida, mas seu povo era pequeno e
dificilmente algum Dúnedain havia permanecido em Cardolan. Bri foi,
provavelmente, a primeira grande cidade ao norte de Tharbad. Devia
existir trânsito entre Fornost Erain e Tharbad, onde Arnor já havia
mantido uma guarnição ao lado de uma guarnição Gondoriana e,
provavelmente, os reis de Cardolan haviam mantido a guarnição sob seu
controle. Mas Arnor teve apenas duzentos anos para se recuperar da
guerra devastadora até a Peste Negra vir do Norte.

Além de
Tharbad, havia nas colinas ao norte de Dunland uma grande comunidade de
Grados. Alguns dos Grados viveram ali desde que seus ancestrais
cruzaram as Montanhas Sombrias por volta do ano 1150 da Terceira Era,
mas outros migraram para o Sul a partir de Rhudaur em 1300, quando
Angmar ergueu-se no norte. Os Grados de Dunland não parecem ter
estabelecido muitas interações com os Pés-Peludos e os Cascalvas de
Arthedain, mas havia algum tipo de comunicação, uma vez que muitos
Grados migraram para o Norte, quando o Condado foi fundado por Marcho e
Blanco em 1601.

É difícil imaginar como teria sido Bri antes
dos Hobbits chegarem ao oeste, a partir de Rhudaur. Provavelmente foi
uma cidade fronteiriça calma, aproveitando o fato de estar no
cruzamento entre dois reinos. Os Hobbits provavelmente devem ter dado
uma olhadinha na colina e então se apaixonaram. Muitos deles se
estabeleceram no lado leste da Colina, na cidade de Estrado. Como todos
sabemos, Estrado foi fundada nessa época.

Dentre os viajantes
que passavam por Bri devia haver Dúnedain, Anões, Elfos e vários homens
de muitos povos. O trânsito leste-oeste provavelmente era mais
utilizado por Elfos e Anões, e o trânsito norte – sul era utilizado
principalmente por Homens e Hobbits. Os Hobbits (e Homens)
provavelmente viviam ao norte da terra de Bri. As terras ao longo da
estrada ao norte devem ter sido bastante populosas.

Tudo isso
começou a mudar em 1601. Primeiro os Hobbits migraram para o Oeste, se
estabelecendo nas terras além do Rio Baranduin (Brandevin). Marcho e
Blanco partiram de Bri, mas nem todos os Hobbits de Bri saíram à
procura de novas terras. E como havia outras comunidades de Hobbits
naquele tempo, a maioria dos colonizadores deve ter vindo de fora de
Bri.

Por que os Hobbits decidiram colonizar novas terras? Tolkien escreve no prólogo que os Pés-Peludos “eram
a variedade mais comum e representativa de Hobbits, e sem dúvida a mais
numerosa. Eram os mais inclinados a se acomodar em um único lugar, e
preservaram por mais tempo o hábito ancestral de viver em túneis e
tocas�?
.

Minha opinião é a de que os Hobbits estavam
sofrendo um grande aumento populacional. Todos os povos de Arnor
poderiam estar em crescimento e o rei Argeleb II deve ter achado que já
era tempo de proclamar algumas das terras perdidas e abandonadas. O
exército de Elendil sofreu graves perdas durante a Guerra da Última
Aliança (Segunda Era, 3329-41). A principal parte do exército
sobrevivente voltou a Arnor no ano 1 da Terceira Era, mas Isildur
permaneceu em Gondor até o próximo ano e, subseqüentemente, sofreu uma
emboscada junto de seus três filhos mais velhos e 200 soldados Dúnadan.
Portanto, Arnor entrou na Terceira Era com menos homens do que tinha no
começo, quando Elendil fundou o reino, no ano 3320 da Segunda Era.

Não era somente o fato de que muitas famílias não tinham pais. Muitos
homens jovens devem ter corrido antes de ter se casado, ou mesmo antes
de poder criar muitos filhos. Famílias completas devem ter morrido
dentre os Dúnedain e outros homens de Arnor. Valandil, filho mais novo
de Isildur, vivia em Annúminas, a cidade do governo de Elendil, durante
os anos de seu reinado (Terceira Era, 10-299). Mas Tolkien escreve que
seus herdeiros (presumivelmente começando com Amlaith de Fornost, filho
mais velho do último Grande Rei de Arnor e primeiro rei de Arthedain)
mudaram a residência real para Fornost Erain.

É sensato
inferir que a maioria dos Dúnedain estava, nesta época, vivendo nas
Colinas do Norte, ao leste das Colinas de Evendim. Annúminas situava-se
nas Colinas de Evendim, ao norte das terras que se tornaram o Condado.
Elendil pode ter feito um forte recrutamento nas famílias dessa região
e esses soldados podem ter formado o núcleo do seu exército. A
afirmação de que os homens das Colinas de Evendim e a conduta real
entre o Baranduin e o Lune enfrentaram a maior parte das perdas de
Arnor na Guerra sugere uma razão pela qual tal região deixou de ser
populosa.

Sabemos que os reis se mudaram para o leste em
Fornost porque não havia pessoas suficientes para habitar Annúminas.
Presumivelmente, havia poucas pessoas vivendo perto da cidade também.
Portanto a cultura Dúnadan centralizou-se nas Colinas do Norte. Outros
homens de descendência Beoriana haviam vivido nas terras baixas entre
as Colinas do Norte e Bri. Sauron invadiu essas terras durante a Guerra
dos Elfos e Sauron (Segunda Era, 1695-1701), mas se alguns dos
Beorianos sobreviveram à guerra, eles provavelmente se restabeleceram
nas terras que haviam perdido.

Devido ao fato de que os
Dúnedain possuíam as Colinas do Norte, e de que ninguém escolhera viver
nas Colinas do Vento (que formavam a fronteira entre Arnor e Angmar),
parece que os Hobbits tinham poucos lugares para cavar seus túneis. Bri
teria sido o local ideal, mas pode não ter suportado todos os Hobbits.
Desta forma, Argeleb II teve que achar uma solução para os Hobbits que
queriam viver em túneis nas colinas.

As terras além do
Baranduin eram repletas de colinas. Eram as Colinas Verdes, Colinas
Brancas e as Colinas Distantes, menores do que as grandes colinas do
leste, porém suficientes para abrigar as muitas comunidades Hobbits. O
encorajamento para os Hobbits se estabelecerem nas terras ao oeste
teria reduzido a pressão sobre os homens que viviam ao norte de Bri, se
sua própria população já estava aumentando. Argeleb e seus conselheiros
devem ter achado que o futuro de Arnor seria um tanto quanto generoso.
Sauron deve ter concluído o mesmo também.

Gondor havia passado
por uma crise (1432-48) logo após Angmar ter sido derrotada em 1409.
Mas apesar dos rebeldes Gondorianos terem fugido para Umbar e se
separado do reino sulista, Gondor permaneceu forte e foi reforçada por
muitos homens do Norte que se estabeleceram no reino. Sauron deve ter
concluído que seus esforços para enfraquecer os reinos dos Dúnadan,
através de guerra após guerra não estavam funcionando. Então ele
preparou a Peste Negra e a liberou sobre a Terra-Média. Não parecia
importar a ele que os homens que o serviam também sofreriam. Seu
objetivo parece ter sido enfraquecer os reinos Dúnadan, e nisto ele
obteve sucesso.

A Peste Negra devastou o Norte e o Oeste, e
terras atrás de terras. Os habitantes de Dunland sobreviveram porque
eles ainda eram um povo essencialmente primitivo, provavelmente ainda
vivendo em clãs e famílias espalhadas, assim como seus ancestrais
haviam feito centenas de anos antes. Mas os Grados de Dunland viviam
unidos em comunidades e morreram como resultado da Peste. Tharbad,
provavelmente, também sofreu muito, mas sendo a base para as guarnições
reais, provavelmente devia ter certo contingente de sábios e
curandeiros que poderiam ajudar a preservar a cidade.

As
pessoas infelizes de Minhiriath e ao norte de Cardolan, por outro lado,
foram devastadas.Todos os Dúnedain remanescentes de Cardolan (que nesta
altura do campeonato já deviam ser poucos) pereceram e muitos dos
outros povos, que ali viviam, morreram também. Cidades inteiras
provavelmente desaparecendo no período de uma estação. Num dado mês,
pessoas estavam cultivando os campos, vendendo mercadorias; no outro
mês elas estavam mortas ou muito doentes para continuar.

A
Peste diminuiu assim que chegou às regiões situadas mais ao norte de
Eriador, portanto os Hobbits além do Baranduin sofreram intensamente,
mas sobreviveram. No entanto, pode ser que muitos outros Hobbits que
viviam fora do Condado e de Bri tenham morrido nesta época. Bri também
devia ter sábios e curandeiros, sendo uma cidade importante, mas seu
povo deve ter sofrido tanto quanto os Hobbits.

Portanto, Arnor
sofreu um contratempo mais sério nos dias da Peste Negra do que havia
sofrido na Guerra de 1409. Arthedain emergiu da guerra como uma Arnor
renascida. Muitas pessoas morreram na Guerra, mas os Elfos ajudaram a
atacar Angmar, enquanto não puderam ser muito úteis contra a Peste
Negra, mesmo tendo dons de cura. Homens e Hobbits tiveram que deixar a
natureza seguir seu curso.

Desta forma, Bri deve ter declinado
devido à Peste Negra. Muito do tráfego do Sul deve ter desaparecido
completamente. Tharbad ainda devia mandar mensageiros ao norte, mas
Gondor havia retirado suas guarnições (se é que algum dos soldados
havia sobrevivido) e após essa época os dois reinos Dúnadan se isolaram
por muitos anos. Sem os Grados não havia mais razão de esperar trânsito
proveniente de Dunland.

O povo do Condado permaneceu próximo
do povo de Bri nos primeiros anos, no entanto havia um grande tráfego
entre Bri e o Condado. Provavelmente os Anões também mantiveram um
trânsito estável, pois isso foi antes da desgraça fazer com que os
Anões Barbas-Longas deixassem sua terra natal para partir rumo a uma
migração de centenas de anos. Os grandes dragões ainda não haviam
chegado do Norte para perturbar os Homens e os Anões. A Terra-Média
devia parecer um lugar razoavelmente seguro após a Peste Negra.

O Rei Araval tentou recolonizar Cardolan, provavelmente após ele obter
vitória sobre Angmar em 1851. O ano de 1851 marcou o começo dos
problemas de Gondor com os ferozes orientais que derrubaram os homens
do norte de Rhovanion. Sauron deve ter se sentido ameaçado por três
poderes: Os reinos de Rhovanion, Arnor e Gondor.

Rhovanion
foi destruída, Gondor havia perdido um rei e suas tropas ao leste, e
Arnor havia vencido uma breve guerra. Mas os esforços de Araval para a
colonização falharam, pois Angmar havia enviado espíritos para
enfrentar as Colinas dos Túmulos em Tyrn Gorthad, após a Peste Negra.
Ninguém podia enfrentar o terror emanado por esses monstros.


A conseqüência, portanto, é que a população de Arnor estava crescendo
novamente, apesar de não sabermos que povo Araval tentou enviar como
colonizador. Bri deve ter permanecido serena para se beneficiar do
comércio renovado com Cardolan (que, de qualquer maneira, deve ter se
recuperado um pouco após a Peste), portanto seu povo deve ter ficado
muito desapontado com o fracasso da colonização.

O fracasso de
Araval precedeu, por algumas décadas, uma renovação do combate com
Angmar. Desta vez, os ataques de Angmar começaram a implicar em perdas
significantes para Arnor. A população deve ter diminuído e sua
habilidade em manter um grande exército se tornou deficiente. O Rei
Araphant retomou a comunicação com Gondor em 1940. Tal comunicação,
presumivelmente realizada através do palantíri, não deve ter surtido
impacto sobre Bri. Notícias da guerra passavam através da cidade, mas
eram notícias antigas e defasavas quando lá chegavam.

Em 1974,
Angmar invadiu Arnor. As Colinas do Norte se renderam, Fornost Erain
foi tomada e os Dúnedain que evitaram ser assassinados, em sua maioria
fugiram para Lindon a oeste. Tolkien escreve que “o povo do Condado sobreviveu, apesar da guerra atingi-los e a maioria deles fugiu, se escondendo�?.
Onde eles se esconderiam? Provavelmente nas colinas e bosques. Suas
cidades, como a Vila dos Hobbits e Beirágua, foram provavelmente
destruídas.

Que destino teve Bri? Não sabemos, mas deve ter
sofrido por ter sido privada de suporte e comunicação com o resto de
Arnor. O povo de Bri subitamente se encontrou sozinho, e pode ter sido
atacado ou talvez até mesmo afastado. Mas acho improvável que Bri tenha
sido diretamente atacada. O Rei-Bruxo parece ter se concentrado
primeiramente na destruição do poder dos Dúnedain. O povo do Condado
deve ter sofrido somente porque a guerra havia explodido próxima a eles.

Após Gondor, Lindon e Valfenda terem destruído Angmar, as pessoas
restantes de Eriador tinham que retomar suas vidas. Mas Arnor não foi
restabelecida por Aranarth, filho de Arvedui, o último Rei de Arnor. Ao
invés disso, ele assumiu o título de Capitão dos Dúnedain do Norte. É
possível imaginar como tais notícias foram recebidas pelo povo de Bri.
Ao invés de ver seu Rei retornar ao trono e Arnor se fortalecer
novamente, eles foram, basicamente, abandonados nas terras amplas e
desoladas. O Condado permaneceu, e ainda havia Anões para viajar nas
estradas, mas provavelmente não havia outros tráfegos nesses dias.

Além disso, Khazad-Dûm havia sido destruída apenas alguns anos depois.
Com o falecimento da grande civilização dos Barbas-Longas, Eriador
provavelmente vivenciou um breve influxo de Anões e depois uma baixa no
tráfego. Tharbad permaneceu, mas nesta época deve ter sido quase uma
sombra de si mesma, sem quaisquer soldados para protege-la. O Condado
também permaneceu, agora governado por seus próprios capitães e Thain,
mas o povo do Condado estava ocupado em reconstruir suas vidas após a
guerra também, e não era provável que eles participassem de grande
comércios.

Portanto o longo declínio de Bri começou após a
guerra final com Angmar. Os Dúnedain provavelmente se estabeleceram nas
terras ao leste de Bri, pois Tolkien diz que os habitantes de Bri
sabiam ou acreditavam que os Guardiões viajavam principalmente nas
terras ao leste e sul de Bri. E também sabemos que os Guardiões
mantinham guarda sobre o Condado, mas sua guarda mais visível foi
estabelecida no Vau Sarn, na Quarta Sul. É possível que o povo de
Aranarth, ou seus descendentes, tenham se estabelecido nas Colinas do
Sul por estar perto de Valfenda e se situar entre Tharbad, Bri e o
Condado?

Os Guardiões parecem ter atribuído a si mesmos a
tarefa de limpar Eriador. O Rei-Bruxo havia preenchido Angmar com
criaturas e homens malignas, e apesar de muitos destes terem sido
destruídos quando Gondor e Lindon derrotaram o exército do Rei-Bruxo na
Batalha de Fornost, parece que o norte de Eriador nunca esteve
totalmente livre de criaturas malignas novamente.

Em “No Pônei Saltitante�?, Tolkien escreve que no final da Terceira Era, “não
havia outros homens (com exceção daqueles de Bri) que tivessem fixado
residência em ponto tão extremo do oeste, ou dentro de cem léguas do
Condado�?
. Se tomarmos uma légua para medir aproximadamente três
milhas, isto significaria que os estabelecimentos humanos mais próximos
estavam nas Montanhas Sombrias. Uma vez que não é impossível afirmar
que os Dúnedain viveram nos pés das montanhas a oeste, próximo de
Valfenda, parece que os Guardiões deveriam passar bastante tempo fora
de casa. No entanto, a maioria das atividades dos Guardiões mencionadas
por Tolkien, de fato ocorreram próximas a Valfenda.

 
Ambas as Colinas do Sul e as Montanhas Sombrias parecem se encaixar às
palavras de Tolkien, apesar de que as Colinas do Sul estão mais
próximas do Condado do que cem léguas. Então, pode ser que o povo de
Aragorn tenha mesmo se estabelecido nas Montanhas, e só mandavam
Guardiões a Eriador para manter vigilância sobre o Condado, a Terra dos
Buques e Bri.

O declínio de Bri a partir do final do século XX
deve ter sido relativamente lento e gradual. Nunca houve alguma
esperança de recuperarem o antigo status que a cidade outrora havia
vivenciado, mas permanecia no cruzamento entre oeste, leste e sul.
Tharbad, o Condado e os Anões de Ered Luin providenciavam pelo menos
algumas trocas e comércio, e traziam notícias a Bri para serem
divididas com outros povos. Os Guardiões também devem ter visitado a
cidade em suas muitas viagens. O povo de Bri devia, em principio, saber
quem eram os Guardiões, mas com o passar dos séculos eles acabaram
esquecendo a conexão e se tornaram um tanto quanto desconfiados e
desdenhosos em relação aos Guardiões.

O século XXIV vivenciou
um retorno de coisas maléficas a Eriador, assim como a fundação da
Terra dos Buques. Tolkien menciona que havia transito entre a Terra dos
Buques e Bri por muitos anos, e entre a Quarta Leste e Bri. Acho isso
curioso, uma vez que a Quarta Leste parecia ter uma ampla população de
Grados. Mas talvez os Grados foram influenciados por seus antigos
hábitos de negociações com homens, portanto eram atraídos até Bri.

Assim que Eriador tornou-se mais e mais perigosa através dos séculos,
Bri deve ter sido como uma ilha no mar para muitos viajantes. Eles
deviam encontrar alojamentos seguros após muitos dias nas terras
selvagens, ou deviam se preparar para longas jornadas ao leste e sul,
obtendo provisões para seus grupos em Bri.A alimentação e equipamento
de grupos de viajantes não deve ter proporcionado muita renda, mas deve
ter ajudado a trazer o tráfego que Eriador podia proporcionar.

O último século da Terceira Era, no entanto, deve ter sido realmente
difícil para Bri. Tharbad fora desertada em 2912 após ter sido alagada.
Qualquer transito que passava por Bri deve, então, ter diminuído ou
desaparecido completamente. O Condado e a Terra dos Buques estavam se
tornando um tanto quanto insulares, e no final do século, Saruman de
Isengard se interessou pelo Condado, o que parece ter desviado uma
grande quantidade de negócios de Bri.

Tudo o que deve ter
restado para o povo de Bri seriam Anões, Guardiões e a migração
ocasional de Elfos fugitivos. É provável que a população local tenha
diminuído constantemente através das ultimas décadas, pois não havia
comércio suficiente para sustentar uma cidade grande. Mas para onde as
pessoas foram? Será que todas morreram?

 
Provavelmente não. Se Bri sofreu um declínio, sem duvida, alguns de seu
povo estabeleceram-se em fazendas fora das vilas da Terra de Bri, mas
ainda dentro das fronteiras da Terra de Bri e (desconhecidamente)
protegidas pelos Guardiões. Ou pode ser que alguns dos habitantes de
Bri viajaram ao Sul para Minhiriath, para tentar a sorte nos ermos.

Cevado Carrapicho parece ter sobrevivido principalmente devido ao
comércio local, clientes freqüentes que comiam e bebiam no Pônei
Saltitante, mas não usavam os serviços de quarto. A estalagem
provavelmente serviu como um salão de encontros e sede em épocas
problemáticas. Cevado também cuidava do único estábulo da Vila de Bri.
Portanto, parece ter havido poucos (se é que restou algum) mercadores
no final da Terceira Era. O povo da cidade deve ter continuado seus
trabalhos, independentemente de quais eram, e provavelmente eram
moderadamente ativos em carpintaria e trabalhos de fazenda. Assim como
Cevado havia contratado ajudantes parece plausível que as fazendas
maiores contratassem moradores da vila para ajudar a plantar e colher,
limpar campos, e talvez, ocasionalmente, construir um celeiro ou casa.

Tudo o que o povo de Bri precisava deve ter sido cultivado ou feito por
eles mesmos no final da Terceira Era. Eles cultivavam sua própria
erva-de-fumo (Borda do Sul era a variedade da erva-de-fumo que Cevado
deu a Gandalf e aos Hobbits após a Guerra do Anel). Eles, de vez em
quando, provavelmente chamavam um Anão para trabalhos de ferreiro, ou
contratavam Anões para projetos especiais, mas caso contrário, parecem
ter se tornado bem independentes e auto-suficientes durante os longos
anos do final da Terceira Era.

As Guerras dos Glorfindels

J.R.R. Tolkien criou muitos personagens
"dispensáveis", personagens que aparecem para uma história ou apenas
para parte de uma história e que nunca reemergem completamente de novo.
E de todos esses personagens dispensáveis, aquele que recebe quase
tanta atenção e discussão quanto qualquer um dos personagens principais
é Glorfindel. Ou melhor, os Glorfindels. Havia um ou dois do mesmo?
Mentes indagadoras querem saber (ou querem apenas questionar para
sempre e nunca realmente saberem?).
 
 
 
Por que Glorfindel é tão cool? Ele aparece próximo
do final de "Fuga para o Vau", é visto mas não ouvido em "Muitos
Encontros" (ah, Gandalf e Frodo falam sobre ele brevemente), participa
do "Conselho de Elrond" o bastante para confundir os assuntos acerca de
Bombadil e então desaparece até que Arwen chegue a Gondor para casar-se
com Aragorn em "O Regente e o Rei". A não ser por colocar Frodo em seu
élfico cavalo branco e brilhar como uma árvore de natal quando os
Nazgûl tentam atravessar o Vau do Bruinen, o que o Glorfindel faz de
tão especial? Sua verdadeira declaração de de fama aparece em uma
anedota no Apêndice A quando sua chegada com um exército élfico em
Angmar ajuda na derrota do Rei-Bruxo (no norte) de uma vez por todas.

É claro, nenhuma discussão sobre Glorfindel está completa (e poucas são
começadas) sem que alguém pergunte, "O Glorfindel de Gondolin tinha
relação com o Glorfindel de Valfenda?". Por vezes alguém é tentado a
responder com algo como "Sim, eles eram irmãos gêmeos, e o malvado
matou o bom e tomou o seu lugar na família. Os elfos teriam ainda que
compreender a verdade."

Pode ser facilmente dito que a relação
entre os dois Glorfindels não é óbvia. De fato, não é realmente claro
para muitas pessoas que estudaram o assunto por décadas. Por alguma
razão, a revelação em O Retorno da Sombra que "anos depois, muito
posteriormente à publicação de O Senhor dos Anéis" J.R.R. Tolkien
decidiu, após muito pensar, que o Glorfindel de Valfenda era de fato o
Glorfindel de Gondolin retornado dos mortos, não tem muito peso para
alguns. Por quê? Porque a decisão de ligar os dois personagens foi
feita anos depois, após a publicação de O Senhor dos Anéis. Isso
implicaria (ou seria inferido, dependendo de como você examina a
questão) que o Glorfindel de Valfenda não era originalmente concebido
como o Glorfindel de Gondolin.

Bem, isso é bom o suficiente. Na verdade, originalmente, Tolkien escreveu que "Glorfindel conta de sua origem ancestral em Gondolin",
em uma nota que esquematizava os acontecimentos do Conselho de Elrond.
Claramente J.R.R.T. tinha a intenção de conectar o Glorfindel de
Valfenda com o Glorfindel de Gondolin, embora àquela época (início dos
anos 40) dificilmente alguém que não J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis e
alguns poucos amigos íntimos tenham sabido sobre o Glorfindel de
Gondolin.

Glorfindel duramente marcou seu caminho através das
páginas da imaginação de Tolkien. Ele aparece em uma história no Livro
dos Contos Perdidos, que é "A Queda de Gondolin". Lá ele não aparece
até o início da batalha pela cidade, quando chega com o batalhão da
Casa da Flor Dourada. Sua "casa" trazia um emblema de um "sol radiante
em seus escudos", mas o próprio Glorfindel "descobriu um manto
bordado a ouro que parecia ornado de celidônias como um campo na
primavera; e suas armas também eram adornadas com delicado ouro."

Das onze casas de Gondolin (que serviam ao Rei Turgon), Glorfindel é o
único cujo emblema próprio é descrito. Glorfindel era um dos senhores
mais hábeis. Ele não se precipitou e foi morto com todos os seus
guerreiros, mas a maioria deles morreu, não obstante, defendendo
Turgon. Os guerreiros da Casa da Harpa (cujo senhor, Salgant, foi
retido pelo medo) salvaram Glorfindel e alguns de seus guerreiros
quando eles estavam quase sendo esmagados. Daquele ponto em diante
Glorfindel permaneceu próximo a Tuor, mas ele não fez muito de fato até
que Tuor começou a fugir da cidade com todas as mulheres e crianças que
ele podia manter juntos. Então Glorfindel tomou a retaguarda e
enfrentou dragões, orcs e balrogs com sua cada vez menor força de
guerreiros.

Tuor recuou da cidade para as montanhas e lá a
coluna dos exilados, aproximadamente mil resistentes, foram emboscados.
Orcs haviam sido enviados para as colinas e montanhas para prevenir
quaisquer fugas da cidade, e lançaram rochas sobre a coluna de altos
despenhadeiros enquanto tropas atacavam-na em sua parte principal e sua
retaguarda. E com o ataque na retaguarda veio o Balrog. Thorondor e
suas �?guias interromperam os orcs que estavam a lançar rochas, mas o
Balrog forçou sua passagem pelos guerreiros de Glorfindel e finalmente
o atacou sozinho. A batalha de Glorfindel com o Balrog foi breve, mas
ele a conduziu para matá-lo. Ele acabou por cair de um penhasco com a
criatura, e então ele mesmo morreu, e os elfos fizeram canções sobre
sua vitória e morte por durante muito tempo depois.

Há algo de
comovente no sacrifício de Glorfindel, e eu não posso deixar de
imaginar se Tolkien não estava projetando algo sobre seus amigos Rob
Gilson e Geoffrey Bache Smith, ambos mortos na Primeira Guerra Mundial.
Gilson morreu na batalha em La Boiselle, liderando um contingente de
soldados britânicos em batalha no dia primeiro de Julho, de acordo com
o biógrafo de Tolkien, Humphrey Carpenter. Smith escreveu uma carta a
Tolkien, ele que sobrevivera ileso a 48 horas na frente de combate em
Ovillers. Quando a companhia de Tolkien recebeu ajuda e ele retornou ao
quartel, encontrou a carta de Smith.

Ninguém pode dizer o
suficiente em algumas breves frases o que os amigos da juventude de
Tolkien significavam para ele: Tolkien, Smith, Gilson e Christopher
Wiseman formavam o coração de um pequeno clube que eles chamavam Tea
Club, Barrovian Society (T.C.B.S.) [1] quando freqüentavam a escola.
Esses quatro eram particularmente próximos, e todos eles serviram na
guerra em alguma posição. Tolkien e Wiseman sobreviveram a essa
experiência. Quando respondeu a carta de Smith sobre a morte de Gilson,
Tolkien escreveu: "Eu não me sinto um membro de um corpo completo agora. Eu, honestamente, sinto que a T.C.B.S. terminou." Smith não permitiria que aquilo acontecesse, entretanto. "A T.C.B.S. não acabou e nunca acabará.",
ele disse. Ao final daquele ano, o próprio Smith estaria morto. Em 16
de dezembro, 1916, Christopher Wiseman escreveu ao seu amigo Ronald
Tolkien: "Eu acabei de receber notícias de casa sobre G.B.S., que
sucumbiu a ferimentos de obus que sofreu, em 3 de dezembro. Não posso
dizer muito a esse respeito agora. Humildemente rogo a Deus
todo-poderoso que posso me considerar digno dele."

O
espírito de Smith deve ter sido infeccioso a Tolkien, como foi o de
Gilson. O pai de Gilson era o diretor da King Edwards Chiou em
Birmingham, e foi o veterano Gilson que encorajara Tolkien a prosseguir
no estudo de Letras Clássicas. Foi por meio da T.C.B.S. que Tolkien
tornou-se fascinado por "Beowulf", "The Pearl" ["A Pérola"], "Sir
Gawain" e "Volsungsaga". Carpenter [2] diz que Smith, membro tardio da
T.C.B.S., era tão erudito e de tamanha influência sobre os outros que
eles começaram "a despertar para a significação da poesia – como Tolkien já despertara."

Uma das últimas cartas que Smith escreveu a Tolkien dizia o seguinte:


"Meu principal consolo é que, se eu morrer hoje – vou sair em missão
daqui a alguns minutos -, ainda restará um membro da grande T.C.B.S.
para expressar o que sonhei e no que todos concordamos. Pois a morte de
um dos seus membros não pode, tenho certeza, dissolver a T.C.B.S. A
morte pode tornar-nos repugnantes e indefesos como indivíduos, mas não
pode acabar com os quatro imortais! Uma descoberta que vou comunicar a
Rob antes de sair hoje à noite. E você, escreva-a também a Christopher.
Deus o abençoe, meu caro John Ronald, e que possa você dizer as coisas
que tentei dizer, muito tempo depois de eu não estar aqui para
dizê-las, se tal for o meu destino."

No ano seguinte,
Tolkien contrairia febre de trincheiras e assim terminaria sua
participação na guerra. Mas ele imortalizaria seu senso trágico de
perda e desespero na primeira de uma série de histórias que
eventualmente viriam a ser O Livro dos Contos Perdidos: "A Queda de
Gondolin". Carpenter diz que Tolkien não criou sua história a partir de
nenhum acontecimento ou conto anterior, mas isso não é totalmente
verdade. Gondolin deve muito à história de Tróia. A idéia de uma cidade
perdida, destruída por uma força opressiva, a despeito dos esforços
heróicos dos seus defensores – fadada à traição e perfídia -, é um tema
poderoso que é raramente relido em literatura antiga. Homero de Tróia é
simbólico em relação aos desesperos e loucuras da guerra, da irritação
de Aquiles por causa da escrava à ridícula insistência de Menelau em
conseguir Helena de volta a qualquer custo.

A história de
Gondolin não é a história humana de Tróia recontada. Gondolin é uma
cidade élfica, e embora a concepção dos valores e filosofia élfica
ainda tivessem que surgir, aqueles que lamentaram pela queda de
Gondolin eram Elfos, não Homens. Gondolin é para os elfos como Tróia
era para os Homens: a inspiração para grandes canções e literatura. E é
da mesma forma para Tolkien. Muito da sua melhor prosa nos anos entre
1917-25 está em "A Queda de Gondolin", o primeiro conto élfico completo
que ele escreveu. E quando ele incorporou a história em seu livro de
Contos Perdidos, um de seus elfos narradores diz que "A Queda de
Gondolin" "é a maior das histórias dos Gnomos [os Gnomos se
tornaram os Noldor na mitologia tardia], e mesmo nessa casa é Ilfiniol,
filho de Bronweg, que conhece esses feitos com maior verdade que
qualquer outro que está hoje sobre a Terra."

[1] O nome do
grupo era uma referência às suas reuniões de leitura regadas a chá
durante as horas vagas, inicialmente na biblioteca da King Edwards
School ("Escola Rei Eduardo"), e posteriormente em uma loja chamada
Barrow (daí o nome Barrovian).

[2] Humphrey Carpenter, autor
da biografia oficial de Tolkien e editor do The Letters of J.R.R.
Tolkien ["As Cartas de J.R.R. Tolkien"]

Àquela época, não
havia na vida de Tolkien nenhuma história mais importante para a sua
nascente mitologia. "A Queda de Gondolin" representou o claro
cumprimento das longas promessas de sua juventude e das lendas
Gnômicas. O reluzente Earendel iria sobreviver à queda de Gondolin para
se tornar o salvador de elfos e Homens, semelhante a como Aeneas
sobreviveu à queda de Tróia para se tornar o antepassado de Roma.
Tolkien sobreviveu à queda da T.C.B.S., e ele começou a dedicar-se à
tarefa de garantir que seus sonhos permaneceriam vivos, exatamente como
G.B. Smith havia lhe dito anteriormente.

Mas a história de
tamanha tragédia não pode ser contada sem algum grande sacrifício.
Tolkien tinha muitos exemplos de sacrifício para escolher. Ele
precisava refinar o tema e criar um personagem que fosse intocado pela
corrupção, incólume pela perda de seu lar e casa. Um personagem que, à
despeito da intrusão da morte em sua vida, determinaria a continuidade
de Gondolin. A morte não poderia destruir Gondolin, nem mesmo o exílio.
Esta foi a contribuição de Glorfindel. Gondolin havia sido fundada
pelos Noldoli (Gnomos) que sobreviveram à Batalha das Lágrimas
Incontáveis. Quando a própria Gondolin foi destruída, um remanescente
de seu povo escapou, e eles perseveraram. Era muito parecido com a
T.C.B.S.. Geoffrey Smith havia decidido que a morte e a perda não
dissolveriam o grupo. Os sobreviventes continuariam, e ao menos um
deles iria contar grandes histórias, revitalizar a literatura inglesa
de uma forma que poucos homens poderiam esperar.

Então,
Glorfindel se torna uma figura trágica que, sozinho entre uma hoste de
personagens trágicos, é memorável. Há algo profundo e tocante no
sacrifício de Glorfindel. Ecos da batalha heróica com o Balrog iria
perpassar a trabalhos mais tardios como o "Quenta Noldorinwa" e o
"Later Annals of Beleriand" ["Anais tardios de Beleriand"]. Mas a
história de Gondolin propriamente iria desfalecer e ser deixada à
margem. Tolkien nunca voltou à batalha pela cidade, mas voltou a
Glorfindel.

Enquanto escrevia "O Conselho de Elrond", Tolkien,
em certo ponto, considerou ter Glorfindel contando (de) seu passado
antigo em Gondolin. Algo de Gondolin estava, desta maneira, sendo
levado adiante para o novo Hobbit. Mas Tolkien desistiu da idéia. O
Glorfindel de Valfenda tornou-se simplesmente Glorfindel, e não havia
referência a um Glorfindel anterior ou a uma história anterior. A
transformação de Glorfindel não deve representar nada mais do que a
necessidade de um autor de contar uma história concisa. Ele iria, no
fim das contas, remover material concernente ao romance de Aragorn e
Arwen para um apêndice.

Então o conto de Glorfindel iria
continuar e, de fato, Tolkien vezes mais tarde quando ele escreveu o
material para os apêndices. Lá agora aparecia o relato da chegada de
Glorfindel com um exército élfico ao campo de batalha, completando a
vitória de Gondor sobre o Rei-Bruxo de Angmar e, de certa forma,
replicando a vitória esmagadora de Melkor e escravidão de Gondolin.
Onde as trevas reinavam, Glorfindel trouxe luz. Mas a sua luz iria logo
cair e os elfos iriam retornar aos seus retiros para finalmente
navegarem através do Mar em grandes contingentes, deixando a
Terra-Média. Glorfindel permaneceria, mas ele era um elfo excepcional e
a exceção iria perseguir os pensamentos de Tolkien nos anos seguintes.

Quem era Glorfindel, e o que ele estava fazendo na Terra-Média? Ele não
era tão enigmático para os fãs. Em 1958 Rhona Beare perguntou a Tolkien
(em nome dos fãs) por que Asfaloth, o cavalo de Glorfindel, tinha uma
rédea e arreios "quando elfos montam sem arreios, selas ou rédeas?"
Tolkien respondeu rapidamente que ele deveria ter escrito "testeira", e
essa mudança seria conseqüentamente feita ao texto. E isso (a não ser o
pedido do uso do nome de Glorfindel em uma vaca) representa a soma
total do interesse dos fãs no mais enigmático elfo da Terra-Média.

A lenda de Glorfindel havia se acalmado. Tolkien tentou reescrever a
história de Tuor e Gondolin, mas ele apenas conseguiu prosseguir até
ter Tuor olhando através da planície de Tumladen sobre Gondolin pela
primeira vez. Glorfindel apareceu brevemente na história de Aredhel e
Maeglin como um dos senhores que Turgon indicou para escoltá-la, mas
Tolkien decidiu que Glorfindel, Egalmoth e Ecthelion eram escolhas
inapropriadas para senhores élficos que tornar-se-iam tão consternados
por Nan Dungortheb que retornariam em desespero e dessa forma perderiam
seu encargo. Ele decidiu que seria melhor não nomeá-los na história.
Essa decisão, (e) uma nota acerca da morte de elfos e a possível
ressurreição que acompanha o "Athrabeth Finrod ah Andreth", representa
uma elevação na estatura de Glorfindel no caldeirão de pensamentos de
Tolkien.

A questão sobre como o Glorfindel de Elrond deveria
ser diminuído em importância enquanto a fama do Glorfindel de Gondolin
aumentava… na mente de Tolkien. Os leitores não tinham idéia de que
essas questões existiam para o autor. Glorfindel era mais importante
para J.R.R. Tolkien do que ele era para O Senhor dos Anéis. Mas para
encontrar um lugar para Glorfindel na mitologia, Tolkien teve que ser
consistente com o que Gandalf disse sobre o elfo em "Muitos Encontros":

"Que me diz de Valfenda e dos elfos? Valfenda é um lugar seguro?"

"Sim, atualmente, até que todo o resto tenha sido conquistado. Os elfos
podem temer o Senhor do Escuro, e podem fugir de sua presença, mas
nunca mais irão escutá-lo ou servi-lo. E aqui em Valfenda ainda vivem
alguns dos maiores inimigos dele: os Sábios élficos, senhores dos
Eldar, de além dos mares mais distantes. Estes não temem os Espectros
do Anel, pois os que moram no Reino Abençoado vivem ao mesmo tempo nos
dois mundos, e têm grande poder contra os Visíveis e os Invisíveis."

"Pensei ter visto uma figura branca que brilhava e não se apagava como as outras. Então era Glorfindel?"

"Sim. Por um momento você o viu como ele é do outro lado: um dos
poderosos entre os Primogênitos. Ele é um senhor élfico de uma casa de
príncipes. Na verdade, existe um poder em Valfenda capaz de resistir à
força de Mordor, por um tempo: e em outros lugares ainda moram outros
poderes…"

Glorfindel é, então, um elfo que viveu em Aman. Então o
texto publicado faz com que seja virtualmente impossível para ele ser
descendente de um elfo de Gondolin. Ele poderia ter morado em Gondolin,
mas não poderia ter nascido lá ou após isso, entre os Exilados de
Gondolin. Conseqüentemente, a decisão de não fazer de Glorfindel um
descendente de outro Glorfindel foi, de fato, uma decisão tomada bem
cedo, anteriormente à publicação de O Senhor dos Anéis. Mas isso não
significa que Glorfindel era necessariamente o Glorfindel de Gondolin.

Apesar das freqüentes concepções errôneas, Tolkien não pretendia
reutilizar nomes entre os elfos. Embora não haja dois elfos em O Senhor
dos Anéis que tenham o mesmo nome, um (ao menos) carrega o nome de um
elfo mais antigo: Rúmil, um dos guias de Lórien, tem o mesmo nome de um
elfo noldorin que criou as primeiras Tengwar (e este Rúmil mais antigo
é mencionado no Apêndice E). Mas outro nome de Gondolin aparece no
Conselho de Elrond: Galdor, o elfo dos Portos, o emissário de Círdan.
Christopher Tolkien chega (á) à conclusão de que não pode ser o mesmo
Galdor que liderou a vanguarda da coluna de refugiados de Tuor em "A
Queda de Gondolin". O Galdor de Gondolin não apenas sobreviveu, ele
retornou ao final da Primeira Era e nunca mais voltou á Terra-Média.

Dessa forma, há casos peculiares mesmo em O Senhor dos Anéis, quando
Tolkien reutilizou nomes élficos, e ele não foi totalmente claro sobre
onde esse uso era apropriado. Anos mais tarde, enquanto considerava a
história de Círdan, J.R.R.T. notou para si mesmo que o Galdor de
Gondolin poderia ter sobrevivido à queda e permanecido na Terra-Média,
embora nunca tivesse adquirido a sabedoria que Glorfindel obteve no
Oeste. Christopher foi ágil em apontar que seu pai expressou a
especulação de forma a indicar que ele não estava certo, e Christopher
concluiu que seu pai não poderia ter localizado o manuscrito de "A
Queda de Gondolin" para conferir e, portanto, estaria meramente
sugerindo a possibilidade a si mesmo (para futura referência, talvez).

Em The Peoples of Middle-Earth [Os Povos da Terra-Média] Christopher
publicou pela primeira vez dois ensaios acerca de Glorfindel, que seu
pai escrevera por volta de 1972. O primeiro ensaio está incompleto, sua
página inicial está faltando, mas aparentemente J.R.R.T. decidira que
alguns elfos foram enviados de volta à Terra-Média com os Istari "como
guardas ou ajudantes". Um desses seria Glorfindel, junto com Gandalf.
Esse ensaio supõe que Glorfindel, devido ao seu grande sacrifício,
havia sido liberto de Mandos em pouco tempo e restituído à inocência
original dos elfos. Vivendo com os Maiar e entre os elfos que nunca se
rebelaram, ele provavelmente se tornou um amigo de Olórin (Gandalf) e
cresceu em sabedoria e poder.

Mas após ter escrito esses
pensamentos, Tolkien mudou de idéias. Em uma nota, Christopher
refere-se ao seu pai como tendo decidido, logo após ter escrito o
primeiro ensaio sobre Glorfindel, que o elfo teria mais provavelmente
retornado à Terra-Média na Segunda Era. Em seguida, Tolkien escreveu o
segundo ensaio acerca de Glorfindel e ele decidiu finalmente que os
dois Glorfindels eram a mesma pessoa, que após ter sido expurgado de
seus pecados em Mandos, foi liberto e permitido que vivesse em Aman.
Mas então ele retornou à Terra-Média para ajudar Gil-galad a se
preparar para as batalhas contra Sauron.

O fato de o
Glorfindel de Valfenda ter vivido no reino Abençoado, de certa forma
pressionou Tolkien a considerar como ele teria estado lá. A chegada de
Glorfindel na Terra-Média não havia sido tão fortemente ordenada, mas
Tolkien não diz realmente por que Glorfindel teve de retornar na
Segunda Era, a não ser ao dizer no segundo ensaio que tal viagem dos
elfos teria sido impedida após a Queda de Númenor. Portanto, os Istari
não poderiam ter sido acompanhados pelos guardas e assistentes do
primeiro ensaio.

A restrição a viajar de Aman para a
Terra-Média é atestada em suas cartas, então Tolkien não estava apenas
adicionando um novo elemento à história para racionalizar sua escolha.
Ao contrário, ele estava assegurando que a escolha era consistente com
o que ele havia dito a outras pessoas.

A última decisão, na
qual Glorfindel aparentaria grande poder, é compartilhada com a
sugestão de que como um elfo reconstituído, ele estaria mais próximo em
poder de um Maia do que qualquer outro elfo vivente normal. O enigma
sobre o poder de Glorfindel na Terra-Média está, dessa forma,
explicado. Não seria qualquer elfo que poderia fazer os Nazgûl fugirem.
Um Nazgûl, sozinho no Condado, havia afastado anteriormente a companhia
de Gildor Inglorion (ele mesmo um Exilado). Mas os Nove reunidos
estavam determinados a enfrentar Elrond e Glorfindel juntos, caso fosse
necessário, quando, afinal, parecia certo que Frodo escaparia deles.
Então, Glorfindel ter sido enviado sozinho para encontrar Frodo foi uma
decisão que refletiu a grande confiança em suas habilidades.

Se aceitarmos que Glorfindel retornou à Terra-Média na Segunda-Era,
provavelmente ao tempo da Guerra entre Elfos e Sauron (o que Tolkien
sugere como o acontecimento mais provável para justificar o seu
retorno), então Glorfindel deve ter sido muito atuante na defesa de
Lindon e Eriador contra Mordor. Após a guerra, ele deve ter acompanhado
Galadriel e Celeborn em algumas de suas viagens, ou talvez tenha sido o
emissário de Gil-galad a outros reinos élficos (estes permaneceriam
ainda: o reino de Oropher na Floresta Verde, Amdír em Lothlórien e o
porto de Edhellond são tudo o que conhecemos com certeza).

E
então Glorfindel teria marchado com o exército de Lindon e Imladris na
Guerra da Última Aliança. Elrond era o arauto de Gil-galad, um papel
que teria-lhe deixado com pouco tempo para comandar exércitos, uma vez
que ele teria sido vital para as relações de Gil-galad com os outros
líderes da aliança, e também teria enviado declarações às forças de
Sauron. Gil-galad teria tido Celeborn, Círdan e Glorfindel para
convocar como seus capitães em suas várias forças. E é claro, outros
senhores élficos teriam servido como segundos-comandantes, capitães
menores, conselheiros, etc. Lá haveria uma horda de senhores élficos. A
posição de Glorfindel durante a Guerra da Última Aliança é, sem sombra
de dúvida, certa.

Foi ainda Glorfindel que liderou os
exércitos de Valfenda e Lothlórien para o último combate com o
Rei-Bruxo de Angmar. O seu status deveria ser aumentado muito na
Terceira Era? Por que Amroth não liderou seu próprio exército? Ele
estava mesmo presente na batalha, ou ele estava em casa em Lothlórien
para guardar o reino? Considerar que Glorfindel liderou os exércitos
combinados implica que ele era uma pessoa de grande estatura entre os
elfos, um grande e nobre senhor, sem dúvida.

Tolkien conta ao
leitor apenas o suficiente sobre Glorfindel em O Senhor dos Anéis para
demonstrar que ele era um senhor élfico muito importante, mas não diz
mais. É apenas quando vamos ao O Silmarillion e lemos sobre seu grande
sacrifício que aprendemos sobre a história trágica de Glorfindel. E
mesmo a história de Gondolin deixa algo a desejar. O conto em O
Silmarillion é um pasticho adaptado por Christopher Tolkien de "A Queda
de Gondolin" e "De Tuor e sua Chegada a Gondolin". Ele não conta
realmente os grandes eventos que "A Queda de Gondolin" pretendeu nos
transmitir. Além do comando de um dos flancos de Turgon na Nirnaeth
Arnoediad, Glorfindel não é mencionado em nenhum outro lugar d O
Silmarillion.

Ele deveria ser um dos Exilados, impelido pela
demanda de Fëanor na qual os Noldor seguiram-no de volta até a
Terra-Média. Ele provavelmente não tomou parte no Fratricídio de
Alqualondë, uma vez que da hoste de Fingolfin apenas o povo de Fingon
ajudou os feanorianos diretamente. Turgon, pode-se presumir, veio após
o grupo noldo (se) de seu pai. Então Glorfindel sobreviveu à travessia
de Helcaraxë e esteve com Fingolfin quando a maior parte dos Noldor
marchou para Angband inutilmente. E ele deve ter estado presente quando
os grandes príncipes noldor reuniram-se em assembléia após o resgate de
Maedhros por Fingon.

Glorfindel está sempre lá, no
pano-de-fundo, uma face no meio de legiões de personagens anônimos que
compõem a antiga hoste dos Noldor. O curioso é que O Silmarillion
lançou mais questões sobre o passado de Glorfindel do que sobre sua
história pessoal. Ele era um dos Vanyar? Ele era apenas parte vanyarin?
Por que ele tinha cabelos dourados, se (como Tolkien diz em O Senhor
dos Anéis) apenas os descendentes de Finarfin e Eärwen tem cabelos
dourados entre os noldor?

Cabelos dourados são, supostamente,
uma coisa rara entre os elfos, e mesmo o rei-élfico do norte da
Floresta das Trevas tem cabelos dourados em O Hobbit, um guerreiro elfo
anônimo de Lothlórien tem cabelos dourados em O Senhor dos Anéis, e
tanto Glorfindel quanto Idril Celebrindal têm cabelos dourados. Idril,
ao menos, é uma descendente de Indis, segunda esposa de Finwë, que veio
dos Vanyar, e a própria mãe de Idril, Elenwë, era dos Vanyar. As idéias
de Tolkien sobre atributos físicos dos elfos não deveriam estar
completamente desenvolvidas quando ele escreveu a frase que apenas os
descendentes de Finarfin tinham cabelos dourados entre os noldor.

Mas isso não explica a ascendência de Glorfindel. Quem eram seus pais?
Ele era parte Vanya, como Idril? Parece claro que ele deveria ter tido
algum sangue vanyarin. Muitos sentem que os Vanyar estiveram acima da
rebelião, mas a decisão de Elenwë de se unir a Turgon no exílio é uma
indicação de que eles não estiveram. Se uma esposa foi levada a seguir
seu marido, então por que não outras? E pode ser que Elenwë tenha
seguido seu marido apenas porque ela e Turgon não haviam estado casados
por muito tempo. Idril era apenas uma criança quando Elenwë foi perdida
no gelo. Então, Idril nasceu durante a residência provisória em Araman,
após o Fratricídio.

Se alguns dos noldor "antigos" partiram
para o exílio, não parecem ter sido muitos. Nerdanel, esposa de Fëanor,
não foi com ele. Assim como não foi seu pai, Mahtan, ou qualquer membro
da sua família (exceto os filhos de Fëanor e Nerdanel). Então,
Glorfindel provavelmente não deveria ser um dos "antigos" entre os
noldor ao tempo da rebelião. Ele deve ter sido o filho de um senhor
noldorin e de uma donzela vanyarin que auxiliou Turgon e, como um dos
amigos de Turgon, deve tê-lo seguido por lealdade e senso juvenil de
aventura.

Uma outra possibilidade é a de que Glorfindel fosse
o filho de um senhor vanyarin e uma esposa noldorin. Menos provável
seria alguma ascendência vanyarin remota. Poucos dos vanyar parecem ter
vivido em Tirion sobre Túna ao tempo da rebelião de Fëanor. A maioria
deles havia se mudado para o sopé de Taniquetil ou para terras
silvestres de Valinor, ou a área de Valmar. Se ele veio dos Vanyar, a
família de Glorfindel deveria, por essa razão, ter tido laços estreitos
com os Noldor.

Na última análise, Glorfindel permanece tão
misterioso quanto sempre. Não sabemos praticamente nada acerca do seu
lugar na sociedade eldarin, quem seus parentes eram, (aparentemente
todos, ou a maioria, morreram na Terra-Média, como Tolkien mencionou,
ele foi o primeiro de sua família a ser libertado de Mandos em um dos
dois ensaios sobre Glofindel), ou mesmo como era sua relação específica
com Turgon (a não ser um seguidor na hierarquia da nobreza de Gondolin).

E a história de Glorfindel está longe de estar completa. Nós podemos
apenas traçar seus movimentos de maneira geral. Talvez ele tenha gasto
um tempo razoável com Gandalf, vagando pelas terras do norte. Seria
difícil imaginar um livro que tratasse apenas de Glorfindel, apesar de
ele e Gandalf terem se envolvido em um número razoável de aventuras.
Talvez lá pelo ano de 2061 seja lançada uma série de televisão tratando
dos dois, e os fãs de Tolkien poderão finalmente explorar um pouco do
fascínio que esse personagem exerce sobre eles.

[notas do tradutor]

Conexões Terra-média: Conhecimentos sobre os Anéis

Ponto 1: Tempo ficou parado para os Anéis de Poder

"’Quanto tempo você acha que eu devo permanecer aqui?’ disse Frodo a Bilbo quando Galdalf se foi.

‘Oh, eu não sei. Eu não consigo contar os dias aqui em Valfenda,’ disse Bilbo…"

 
 
 
Esse diálogo, anotado em "O Anel vai para o Sul",
é a primeira indicação que Frodo Bolseiro e seus amigos estavam
envolvidos pela presença de um Anel do Poder que não fosse o Um Anel
que Frodo carregou por muitos anos [desde que Bilbo deixou o Condado].
Os Anéis de Poder foram criados para conter o Tempo, ou diminuir seus
efeitos. Mas qual era o alcance de seus poderes? Exitia alguma espécie
de limite absoluto para a "cronoinibição" de cada Anel? Poderiam os
efeitos se estender apenas por essa distância e não mais além?

O curioso é que o Um Anel, o mais poderoso de todos os artefatos
concebidos para conter o Tempo, apenas inibia os efeitos do Tempo sobre
seu portador. O Condado não se tornou "sem-tempo" porque Bilbo trouxera
o Anel para lá. Bilbo de fato tornou-se "sem-tempo", e Frodo depois
dele. Como é isso, então, que ninguém mais foi afetado, enquanto que em
Valfenda e Lórien toda a terra [mas aparentemente nãos os habitantes
não-Élficos] foram preservadas?

Estudando os efeitos dos
Anéis de Poder pode revelar muitas inconsistências aparentes em como
eles funcionavam, e não "é de se estranhar que Saruman tenha ficado
louco com o desejo de possuir um [ou todos] eles.

Quando Elrond descreveu os poderes dos Anéis Élficos ele disse "mas
não foram feitos para serem usados como armas de guerra ou conquista:
não é esse o poder que têm. Aqueles que os fizeram não desejavam força,
ou dominação, ou acúmulo de riquezas; mas entendimento, ações e curas."
A descrição dele é bastante diferente da descrição dos poderes dos Anéis feita por Tolkien:

"O poder principal [de todos os anéis igualmente] é a prevenção ou
diminuição da decadência [isto é, "mudança" vista como algo
lamentável], a preservação do que é desejado ou amado, ou sua visão -
este é mais ou menos um motivo Élfico. Mas eles também aumentam os
poderes naturais do portador – dessa forma se aproximando da "mágica",
um motivo facilmente corruptível para o mal, um desejo por dominação. E
finalmente eles possuíam outros poderes, mais diretamente derivados de
Sauron ["o Necromante": assim ele é chamado pois lança uma sombra
passageira e um presságio nas páginas de O Hobbit]: como fazer
invisível o corpo material, e fazer coisas do mundo invisível visíveis.


"Os Elfos de Eregion fizeram Três anéis supremamente belos e poderosos,
quase que apenas de suas próprias imaginações, e os direcionaram para a
preservação da beleza: eles não conferiam invisibilidade…" [Letters,
No. 131].

É possível inferir que a descrição de Elrond
dos poderes dos Anéis é destinada a desviar outras inquisições
apresentando apenas exemplos de seus poderes. A natureza verdadeira dos
Anéis, de conter os efeitos do Tempo, é vista apenas no breve relato de
Elrond: "Apenas nesta hora de dúvida eu posso dizer. Eles não estão ociosos."

De fato, Elrond e Galadriel [de modo não sábio] usaram seus Anéis de
Poder durante toda a Terceira Era para preservar os reinos Élficos. A
história de Galadriel não é clara, mas ela provavelmente não viveu em
Lorien durante toda a Terceira Era. Particularmente, quando se torna
claro que todo o povo de Amroth partiria de Lorien se nada fosse feito,
ela e Celeborn foram viver entre os Elfos da Florestas que ainda não
tinham partido.

Galadriel levou com ela Nenya, o Anel de
Diamante, e ela pode ter usado seu poder para induzir os Elfos da
Floresta a premanecer em Lorien. Nós não sabemos se ela realmente
utilizou o Anel antes disso [1981 ou logo após]. Tolkien diz apenas que
"o [Um] Anel foi perdido [ao início da Terceira Era], espera-se que
para sempre; e os Três Anéis dos Elfos, empunhados por guardiães
secretos, estão operativos na preservaçào da memória da beleza de
antigamente, mantendo enclaves encantados de paz onde o Tempo parece
parado e a decadência é refreada, uma visão da glória do Oeste
Verdadeiro." [Ibid.]

A partida de Amroth, que havia sido
um vigoroso defensor do Oeste durante todo o segundo milênio da
Terceira Era, pode ter estimulado os Elfos a uma ação diferente do que
haviam feito anteriormente. Pode ser que de fato Elrond e Galadriel
finalmente decidiram ativamente utilizar seus Anéis de Poder para
evitar um êxodo em massa de Elfos da Terra-média. Se isso, eles estavam
apenas retardando o inevitável, que era o propósito destinado aos
Anéis, de qualquer forma.

Ponto 2: os Elfos não podem permanecer na Terra-média

Os Elfos estavam partindo da Terra-média há eras. A catástrofe para
eles na Terceira Era era bastante diferente daquelas de eras
anteriores. Quando os Eldar originalmente navegaram sobre o Mar fora
sob o convite dos Valar, que haviam encontrado os Elfos em sua terra
natal de Cuiviénen. Mas os Elfos foram incomodados por Melkor, que
então era, de fato, governante damaior parte de Arda. Os Valar travaram
uma terrível guerra contra Melkor e seus servidores Maiar e seres
criados, tomaram-no prisioneiro e trouxeram um fim ao seu terrível
reino. Mas desejando estar em companhia dos Elfos [cuja chegada havia
sido antecipada através de incontáveis eras], e para proporcionar a
eles um lugar seguro além do alcance dos servidores de Melkor, os Valar
chamaram os Elfos para viverem com eles em Aman, o Extremo Oeste.

Nem todos os Elfos estavam querendo deixar a Terra-média, que era sua
terra natal e o único lugar que eles conheciam. E daqueles Elfos que
aceitaram os chamados, muitos nunca cruzaram [vivos] o Mar. Ainda, as
primeiras ondas de migração para fora da Terra-média foram "saudáveis",
ou feitas quando os Elfos era jovens e fortes e ainda não estavam
cansados do mundo. tampouco eles estavam profundamente envolvidos na
Terra-média.

Quando Feanor se rebelou contra os Valar, ele
liderou a maior parte dos Noldor de volta à Terra-média [ou, melhor,
liderou a maioria deles para fora de Eldamar, e então abandonou a maior
parte de seu povo, a maioria dos quais decidiu seguir Fingolfin para a
Terra-média]. Destes exilados, a vasta maioria [e seus descendentes]
foram mortos ou escravizados por Melkor, que agora retornara à
Terra-média como um Senhor Negro. os espíritos destes Elfos mortos
retornaram a Aman onde esperaram um "renascimento" ou "reincorporação",
se tal recompensa pudesse ser merecida por seus feitos em vida.

Para os restantes, uma terrível maldição foi imposta. Não a Maldição
dos Noldor, que foi a maldição que os valar colocaram sobre eles, que
fracassassem na guerra contra Melkor. Especialmente, a eles foi dito
que "aqueles que permanecessem na Terra-média deverão cansar-se do
mundo com uma grande aflição, e deverão declinar, e tornar-se como
sombras de pesar antes da raça mais jovem que virá depois."
[Silmarillion, "Da Fuga dos Noldor"]

Esta maldição foi
aplicada, na realidade, a todos os Elfos, e foi, talvez, mais um aviso
do que um julgamente. Ao descrever os eventos da Segunda Era para
Milton Waldman [um editor que considerara O Senhor dos Anéis a certo
momento quando Tolkien tinha retirado o livro da Allen & Unwin],
JRRT escreveu "os três temas principais são A Demora dos Elfos que
hesitavam em deixar a Terra-média; o crescimento de Sauron como um novo
Senhor Negro, mestre e deus de Homens; e Numenor-Atlantis."

Após a derrota final de Morgoth na Guerra da Fúria, Eonwë [arauto de
Manwë e líder da Hoste de Valinor] viajou por toda a Terra-média,
convocando todos os Elfos mais uma vez para navegarem sobre o Mar. O
convite que anteriormente havia sido retirado, para incluir apenas os
Eldar [os Elfos originais que realmente aceitaram as convocaçoes na
primeira vez] foi agora extendido a TODOS os Elfos. Muitos dos Noldor e
Sindar de Beleriand sobreviventes responderam e deixaram a Terra-média.
Mas os remanescentes Noldor e Sindar uniram-se aos Nandor e Avari na
Terra-média. Eles "hesitaram".

Tolkien aponta que "no
primeiro [tema da Segunda Era] nós vemos uma espécie de queda ou pelo
menos "erro" dos Elfos. Não existe nada essencialmente errado em suas
hesitações em atender ao conselho, permanecendo tristemente nas terras
mortais de seus antigos feitos heróicos. mas eles queriam ter seu bolo
sem comê-lo. Queriam a paz e a bem-aventurança e memória perfeita do
"Oeste", e mesmo assim permanecer na terra ordinária onde seu prestígio
como o povo maior, sobre Elfos da florestas, Anões e Homens era maior
do que estar na base da hierarquia de Valinor. Eles então tornaram-se
obcecados com o "esvair-se", o modo pelo qual as mudanças do tempo [a
lei do mundo mortal sob o sol] eram sentidas por eles. Eles tornaram-se
tristes, e suas artes [poderíamos dizer] de antiquários, e seus
esforços eram todos uma espécie de embalsamação – mesmo que eles também
tenham mantido a antiga razão de sua espécie que eram o adorno da terra
e a cura de seus ferimentos…." [Ibid.]

Em outro lugar Tolkien reitera esta situação dizendo "os
Elfos não são completamente bons ou corretos. Não tanto por terem se
envolvido com Sauron quanto que com ou sem sua assistência eles eram
"embalsamadores"
. Eles queriam ter seu bolo e comê-lo: viver na
Terra-média mortal e histórica porque haviam se tornado apreciadores
dela [e talvez porque eles ali tinham as vantagens de uma casta
superior] e então tentaram parar suas madanças e história, parar seu
crescimento, mantê-la como um prazer, mesmo que na maior parte um
deserto, onde poderiam ser "artistas" – e eles foram sobrecarregados
com tristeza e pesar nostálgico…." [Letters, No. 154]

Sauron também hesitou na Terra-média. Tendo visto a completa derrota de
Morgoth, ele realmente se arrependeu [de acordo com Tolkien]. vendo que
os poderes da Luz realmente suplantavam o poder da Escuridão, ele
percebeu que talvez suas escolhas anteriores não eram as corretas para
ele. Mas quando Eonwë convocou-o para valinor para ser julgado pelo
Valar, Sauron recusou, e ele fugiu para esconder-se no exílio. Ou ele
temeu que poderia sofrer o mesmo destino de Melkor [que foi executado e
forçado a deixar Ea, o universo, em um estado de fraqueza terrível] ou
que ele poderia ser aprisionado por algum período de tempo
interminavelmente longo.

O Sauron "reformado" em um primeiro
momento desejou apenas ajudar a curar a terra que ele originalmente
havia auxiliado a danificar. Tolkien aponta que "seus motivos e aqueles dos Elfos pareciam caminhar parcialmente juntos: a cura das terras desoladas." [Letters, No. 131]
Mas as intenções de Sauron mudaram, e a certo tempo ele decidiu que ele
poderia "curar" melhor as terras direcionando os esforços dos Elfos, e
este tornou-se em última instância um desejo por dominação sobre os
Elfos [e através deles, sobre a Terra-média].

E então Sauron "encontrou
o ponto fraco [dos Elfos] sugerindo que, ajudando-se mutuamente, eles
poderiam fazer a Terra-média Ocidental tão bela quando Valinor. Foi
realmente um ataque velado aos deuses, um incitamento a tentar e fazer
um paraíso separado e independente. Goilgalad [sic] recusou todas as
sondagens, bem como Elrond. Mas em Eregion um grande trabalho fora
iniciado – e os Elfos chegaram o mais próximo de caírem para a "magia"
e maquinaria. Com a ajuda do conhecimento de Sauron eles fizeram os
Anéis de Poder…." [Ibid.]

Em essência, Sauron estava dizendo, "Vocês
não precisam esvair-se. Vocês não precisam navegar por sobre o Mar.
Vocês podem recriar Valinor aqui na Terra-média e usufruir todos os
benefícios que ela tem a oferecer a vocês."
A oferta era por demais
tentadora para alguns Elfos, os Noldor de Eregion. Sauron [disfarçado
de Annatar, ou Aulendil, um Maia do próprio povo de Aulë em Valinor]
estava oferecendo aos Eldar uma chance de evitar a inevitável maldição
que fora decretada para eles.

Mas o que Tolkien quis dizer quando ele fala "os Elfos chegaram o mais próximo de caírem para a "magia" e maquinaria"?

Ponto 3: Arte versus Magia

Tolkien tentou explicar seu uso de "magia" em mais de uma ocasião, e
nem sempre foi bem sucedido. "Temo que eu tenha sido muito casual sobre
"magia" eespecialmente o uso da palavra," ele escreveu em um rascunho
de complemento de uma carta que nunca foi enviado [Letters, No. 155].
"Apesar de Galadriel e outros mostrarem pela crítica ao uso "mortal" da
palavras, o pensamento sobre isto não é geralmente casual."

Em sua carta a Milton Waldman, Tolkien tentou explicar Arte e a Máquina
falando de "Queda, Mortalidade e Máquina." A história é relacionada com
"Queda inevitável, e esta ocorre de muitas maneiras. Com a Mortalidade,
especialmente como afeta a arte e a desejo criativo [quero dizer,
sub-criativo] que parece não ter função biológica, e estar à parte das
satisfações da vida ordinária comum, com a qual, em nosso mundo, está
de fato usualmente em conflito.

O desejo é imediatamente
unido a um amor apaixonado pelo mundo primário real, e então preenchido
com o senso da mortalidade e insatisfeito por ele. Existem várias
oportunidades de "Queda". Pode tornar-se possessivo, agarrado a coisas
feitas "por si mesmo", o sub-criador deseja ser Senhor e Deus de sua
criação particular. Ele irá se rebelar contra as leis do Criador -
especialmente contra a mortalidade. Ambos estes motivos [separados ou
juntos] irão conduzir a um desejo de Poder, para fazer a vontade mais
rapidamente efetiva – e então para a Máquina [ou Magia]. Mas ao final
eu pretendi que todo o uso de planos externos ou dispositivos
[apparatus] ao contrário do desenvolvimento de poderes inerentes ou
talentos – ou mesmo o uso desses talentos com o motivo corrompido de
dominar: amedrontando o mundo real, ou coagindo outras vontades. A
Máquina é nossa mais óbvia forma moderna apesar de mais próxima à Magia
do que normalmente reconhecido."

Tolkien continua para ceder
novamente [ou, de fato, anterior à sua concessão acima] que "Eu não
usei "magia" consistentemente, e realmente a Rainha Élfica Galadriel é
obrigada a advertir os Hobbits pelo seu uso confuso da palavra tanto
para os dispositivos e operações do Inimigo quanto para aqueles dos
Elfos. Eu não usei consistentemente porque não existe uma palavra para
a última [uma vez que todas as histórias humanas sofrem da mesma
confusão]. Mas os Elfos estão lá [em meus contos] para demonstrar a
diferença. Sua "mágica" é Arte, livre de muitas de suas limitações
humanas: exige menos esforço, é mais rápida, mais completa [produto e
visão em correspondência sem falhas]. E seu objetivo é Arte não Poder,
sub-criação não dominação e tirânica transformação da Criação. Os
"Elfos" são "imortais", pelo menos tão longe quanto este mundo dure: e
portanto são preocupados especialmente com os pesares e aflições da
imortalidade no tempo e nas mudanças, do que com a morte. O Inimigo em
sucessivas formas está sempre "naturalmente" preocupado com a Dominação
absoluta, e portanto é o Senhor da magia e das máquinas; mas o
problemas: o que este terrível mal pode e faz surgir de uma raiz
aparentemente boa para beneficiar o mundo e os outros – rapidamente e
de acordo com os próprios planos do benfeitor – é um motivo recorrente."

Arte então faz uso do mundo natural, e desenvolve suas tendências
naturais, enquanto que a Máquina impões uma vontade externa [não
natural] sobre o mundo, ou outras vontades. Tolkien aponta que os Elfos
de Eregion "chegaram o mais próximo de cair para a "magia" e
maquinaria." Ao criar os Anéis de Poder, eles usaram suas Artes para
criar uma Máquina, mas era uma Máquina que eles pretendiam utilizar
apenas para preservação, não alteração. Em todo caso, a contenção do
Tempo é uma ação muito séria, contrária às leis da natureza. É um ato
de rebelião "contra as leis do Criador".

Os Anéis de Poder
são, dessa forma, um paradoxo: eles proporcionam cura e restauração,
mas também uma preservação não natural. O motivo final por detrás dos
Anéis, reduzir ou evitar o inevitável esvair-se que os Elfos deveriam
sofrer, e um motivo rebelde. Os dispositivos são externos aos ambientes
que eles controlam, e os Elfos [de Eregion] não perceberam de início o
erro que estavam cometendo. Eles pagaram um terrível preço por sua
tolice. Sauron destruiu seu reino e tomou a maior parte dos Anéis para
si próprio, quando ele percebeu que seu plano para controlar os Elfos
através dos Anéis não funcionara. Deve ser enfatizado que a maioria dos
aspectos de Máquina presente nos Anéis derivam de Sauron, porque a
intenção de utilizá-los para controlar outros seres era estritamente
dele próprio.

A combinação de Arte e Magia é ao mesmo tempo
poderosa e destrutiva para os Elfos. Eles alcançaram uma pequena porção
de seu objetivo final, mas as coisas realmente nunca funcionaram como
eles pretendiam.

Ponto 4: O Produto de Arte e Máquina

Quando Sauron tomou os Sete e os Nove, Tolkien escreveu, ele retornou a
Mordor [de fato, ele foi eventualmente rechaçado para Mordor pelos
Eldar de Lindon e seus aliados Numenorianos, que a este tempo não
tinham idéia do motivo da guerra]. Lá Sauron "perverteu" os Anéis, e
ele os deu aos Anões e Homens em um novo plano pretendendo extender a
influência de Sauron sobre estas raças assim como ele pretendia
utilizá-los para controlar os Elfos.

Tolkien não diz
exatamente como Sauron perverteu os Anéis, mas seu objetivo final era
criar poderosos senhores que seriam seus escravos. Os Nove funcionaram
perfeitamente, e os nove homens que aceitaram os Anéis os utilizaram
para se tornarem grandes senhores, mas eventualmente perderam seus
livre-arbítrios e seus corpos. Eles se tornaram espectros, para sempre
invisíveis e incapazes de interagir diretamente com o mundo exceto
através de alguma forma de procedimento pela qual poderiam tomar forma
quando utilizando certas vestimentas. Eram vestimentas naturais ou
mágicas? Não sabemos.

Mas como os Nove e os Sete eram
imbuídos com as habilidades de fazer seus portadores invisíveis ou
permitir que vissem normalmente coisas invisíveis [presumivelmente
espectros, os espíritos de outros seres], segue que Sauron utilizou
estas habilidade para garantir poderes de necromancia [a prática de
comunicar-se ou controlar os mortos] aos portadores dos Anéis. Tolkien
não fala de qualquer Anão que tenha praticado necromancia. De fato, os
Anéis não podiam deixar os Anões invisíveis. parece que, portanto, os
Anéis não ofereciam nada de valor aos Anões em termos de lidar com os
mortos. Seus espíritos não devem se demorar na Terra-média quando eles
morrem.

Os Elfos, por outro lado, nem sempre iam
imediatamente para Mandos em Aman quando morriam [ou se esvaiam]. Eles
poderiam recusar os chamados, abandonando qualquer esperança de reobter
um corpo físico. Dessa forma faz sentido que Sauron tenha induzido os
Elfos de Eregion a incluir poderes Necromânticos em seus Anéis. Em
Aman, os Elfos estavam acostumados a viver junto aos Valar e Maiar, que
poderiam aparecer a eles em uma forma física ou em forma "espíritual"
[e os Valar e Maiar podiam controlar se seriam percebidos pelos Elfos,
quando em forma de espírito].

Espíritos Élficos podem não ser
equivalentes aos dos Valar e Maiar, mas presumivelmente os Elfos
esperavam falar com Mamãe e Papai na ocasião, desde que não tivessem
ido rapidamente para Aman quando da morte de seus corpos. Ou pode ser
que o processo de esvair-se já tivesse se iniciado ou os Elfos estavam
antecipando uma rápida transição para aos Anos do Esvair-se.

Quem seria mais provável para esvair-se? Um Elfo antigo,
presumivelmente. E quanto mais antigo o Elfo, mais provavelmente teria
vivido em Valinor [se fosse Noldor] ou ter vivido em Cuivienen. Ele ou
ela poderiam ser a cabeça de uma família. Então os Anéis de Poder foram
provavelmente criados para vários senhores Élficos, príncipes e reis.
Os Elfos mais novos, nascidos na Terra-média – mesmo na Segunda Era -
poderiam ou ter que esperar sua vez ou poderiam esperar que os Anéis os
pudessem ajudar também.

Quando Gandalf estava discutindo a
confrontação com os Nazgul no Vau de Bruinen com Frodo, Frodo
perguntou-lhe se a figura brilhante que ele vira era Glorfindel. "Sim,"
Gandalf respondeu. "Você o viu por um momento como ele é no outro lado:
um dos mais poderosos dos Primogênitos. Ele é um senhor Élfico de uma
casa de príncipes."
Um pouco antes na mesma conversa, Gandalf também aponta que Valfenda era uma casa para "os
sábios Élficos, senhores dos Eldar de além do mais distante dos mares.
Eles não temem os Espectros do Anel, pois aqueles que moraram no Reino
Abençoado vivem ao mesmo tempo em ambos os mundos, e tanto contra o
Visível como contra o Invisível eles possuem grande poder."

Desta forma, talvez os Anéis não necessartiamente seriam para os Elfos
que tinham vivido em Aman. Preferencialmente os Anéis podem ter sido
destinados a seus jovens filhos ou sobrinhos, Elfos que nasceram na
Terra-média, que não aprenderam a viver "ao mesmo tempo nos dois
mundos".

Deve ter sido importante para os Elfos possuir tal
habilidade, e talvez significasse que eles seriam menos propensos a se
esvair, uma vez que ele seriam capazes de se mover entre os dois
mundos, por assim dizer. Não se mover fisicamente, mas via suas
vontades. Eles deveriam ser capazes de perceber e interagir com
espíritos desimcorporados [espectros] em Aman, e desejariam fazer o
mesmo na Terra-média.

A interação deve ter incluído "fazer as
coisas "do mundo invisível visíveis". Poderiam os poderes restauradores
dos Anéis trazer um Elfos de volta à vida? Os Anéis poderiam ser usados
para dar aos Elfos novos corpos? Ou podiam ser utilizados simplesmente
para fazer espectros-Élficos visíveis a todos? No "Conto de Aragorn e
Arwen" Aragorn brevemenre imagina que "ele festivera tendo um sonho, ou
recebera o dom dos menestréis Élficos, que poderiam fazer as coisas que
cantavam aparecerem diante dos olhos daqueles que ouviam."

Algo desta habilidade é também colhida no conto do duelo de feitiçaria
de Finrod com Sauron na forteleza de Tol Sirion. Finrod cantou sobre
sua vida em Valinor, mas sua música se voltou contra ele quando foi
obrigado a cantar sobre o Fratricídio, e Sauron foi capaz de capitazar
a culpa e o retorno de Finrod [embora Finrod não tenha pessoalmente
participado do Fratricídio]. Esta habilidade de criar imagens visíveis
com o poder da música implica que os Elfos, com um grande esforço em
direção à Máquina, poderiam perverter sua Arte [ou pelo menos fazer mau
uso dela] para criar coisas visíveis a partir do mundo invisível.
Sauron pode ter preciso dar uma pequena ajuda a eles.

Celebrimbor fez os Três Anéis por ele mesmo, e estes Anéis não
conferiam invisibilidade a seus portadores. Presumivelmente eles não
faziam coisas invisíveis visíveis, tampouco. Os Três eram, portanto,
mais concordantes com a descrição de Elrond dos Poderes dos Anéis.

Mas continua a não responder a questão de como os Anéis trabalhavam.
Porque todos os Hobbits do Condado [ou pelo menos da Vila dos Hobbits]
não sofreram os efeitos do Um Anel?
 
 
Ponto 5: Usando a Máquina através da Arte

A resposta parece ser uma questão de vontade. Tolkien escreveu que os
Três Anéis efetivamente continham o Tempo mesmo quando não era
ativamente utilizados. Então, durante a Segunda Era, os Elfos de Lindon
aproveitaram os benefícios pretendidos para os Elfos de Eregion mesmo
não ousando usar nenhum dos Anéis. Celebrimbor deve portanto ter
conferido aos Três a habilidade natural de verdadeiramente extender
seus poderes sobre uma região. O campo de efeito não pode ser medido em
milhas, contudo, mas antes em pessoas e objetos. Isto é para dizer que
se alguém estivesse usando um dos Três, ele [ou ela] poderia ser capaz
de decidir que todos os Mallorn e todos os Elfos seriam preservados. Os
efeitos poderiam ser de alguma forma randômicos se os Anéis não fossem
ativamente usados.

Desta forma, gandalf poderia
intencionalmente reter os efeitos de contenção de tempo de Narya, o
Anel de Fogo que Cirdan lhe deu. Ou Gandalf poderia deixar que o Anel
afetasse apenas os Elfos. Cirdan disse que o Anel estava inativo quando
o deu a Gandalf, então aparentemente ele não o estava usando o Anel e
direcionando seus benefícios. Gandalf, então, nao precisaria usar Narya
usar Narya para conter o processo de esvair-se para ninguém [incluindo
a si mesmo, embora ele não corresse risco de esvair-se].

Elrond e Galadriel podem ter pego uma pista de Cirdan. Gil-galad
originalmente possuía tanto Vilya quanto Narya, e os deu a Elrond e
Cirdan perto do final da Segunda Era [talvez tendo um pouco de visão
sobre sua batalha final contrea Sauron]. Celebrimbor parece ter dado o
Anel a Galadriel.

Uma vez que Elrond e Cirdan aconselharam
Isildur a destruir o Um Anel quando Isildur o cortou da mão de Sauron,
parece estranho que eles simplesmente tenham voltado para casa e
começado a utilizar seus Anéis de Poder no mesmo momento. Talvez eles
tenham tomado seus Anéis quando compreenderam que Isildur e o Um Anel
se perderam. Mas também pode ser que os tr6es portadores tenham
mantidos seus Anéis inativos por pelo menos mil anos.

Então
Gandalf apareceu, Cirdan lhe deu Narya, e o gênio foi tirado da
garrafa. Elrond pode ter começado a usar Vilya antes, uma vez que ele
reunira muitos Alto Elfos [Noldor] em e ao redor de Valfenda. Ele
poderia ter tido em suas mãos uma porção de Elfos se esvaindo. Tolkien
não diz quando foi que os compreenderam que Elrond portava um dos
Anéis, mas parecem ter sabido isso ao final da Terceira Era. Se
lentamente o fato de que alguém não se esvaia se permanecesse em ou
perto de Valfenda se espalhava, poderia ser um sinal de que um dos Três
era mantido ali.

Muito do mesmo poderia ser verdade para
Galadriel. Ela poderia ter chegado em Lorien e oferecido para guardar
os Elfos da Floresta de se esvaírem. Eles devem ter sabido sobre os
Anéis do Poder então. Eles haviam perdido um rei, o pai de Amroth, na
guerra contra Sauron ao final da Segunda Era. E Amroth ajudara Elrond
mais de uma vez nas guerras contra Angmar. Haldir especificamente se
refere ao "poder da Senhora dos Galadrim" quando Sam menciona que se
sentia "como se dentro de uma música". Haldir parecia saber que
Galadriel estava usando um Anel. Ele pode não ter falado abertamente,
mas tanto Elrond quanto Galadriel indicavam que todos os Elfos estavam,
unidos na crença de que seria melhor perder os Três do que permitir ao
Um continuar existindo. Muitos Elfos, então, deve ter tido uma idéia
bastante boa de onde Vilya e Nenya estavam escondidos.

Mas se
os Anéis podiam ser direcionados concientemente, tanto para extender a
certos limites ou para trabalhar apenas em certas criaturas e plantas,
então faz sentido que existisse um limite físico para o poder dos Três.
No ponto em que a Sociedade do Anel penetrou no domínio do poder de
Galadriel, e este poderia ou não ser coincidente com as fronteiras
físicas de Lorien [de fato, uma vez que os Elfos retiraram-se para o
interior da florestas, poderia ser que a extensão da influência de
Nenya era consideravelmente menor que os limites da floresta].

Círculo Completo: Os Anéis, Tempo e Espectros

Então, porque o Condado não se beneficiou da presença do Um Anel?
Provavelmente porque apenas os Três agiam de alguma forma geográfica, e
embora o Um possuísse os poderes dos outros Anéis, ele pode não ter
possuído o alcance dos Três Anéis porque Sauron não estava presente
quando Celebrimbor os fez. Sauron mesmo não teria um motivo real para
criar uma valinor na Terra-média, então porque usar o Um Anel para
conter a decad6encia ao redor dele? Por outro lado, Smeagol, Bilbo e
Frodo todos ficaram sem usar o Um Anel por longos períodos de tempo.
Então ele, também, deveria ter um alcance geográfico mínimo que era,
talvez, mais ajustado a quem possuía o Anel do que qualquer outra coisa.

Os Anéis não continham realmente o tempo. Eles apenas diminuiam o seu
impacto em um corpo biológico. Para alguma coisa como uma árvore, que
não tinha espírito [Ents e Hurons não são considerados], nao existia
dano real. Um animal, de qualquer forma inteligente, também poderia se
beneficiar dos efeitos dos Anéis porque eles não possuíam um espírito.
Um Elfo, cujo espírito estava destinado a permanecer em Arda até o
final do Tempo, não se sentiria esticado, como Bilbo bem colocou.

O problema para "mortais" era que seus espíritos desejavam ir para
outro lugar. Após um certo período de tempo, Homens mortais tinham que
morrer. Eles tinham que abrir mão de seus espíritos. Um Anel de Poder
obstruía essa tendência natural. O corpo poderia continuar vivendo,
funcionando da mesma forma como no dia em que veio a possuir o Anel.
Mas o espírito estaria constantantemente se esforçando para partir.
Então, a luta entre espírito e corpo [ou espírito e Anel] deve produzir
a sensação de "esticamento" da qual Bilbo se queixou. Ele não estava
fisicamente esticado, mas dividido entre forças poderosas.

Dessa forma, quando Sauron perverteu os Sete e os Nove, ele deve ter
alterados suas tendências naturais de preservação para obter o efeito
oposto. Os Nove portadores não se tornaram espectros poque usaram os
Anéis, mas porque os possuíram. A utilização dos Anéis pode ter
acelerado o processo de esvair-se, mas provavelmente qualquer Elfo que
pudesse ter tomado um dos Nove ou Sete alterados teria se esvaído
também, e se tornado tão escravizado quanto os nove Homem eventualmente
se tornaram.

Pessoas frequentemente perguntam se um homem se
esvairia se possuísse um dos Três. Eu não acredito nisso. Eu acho que
ele apenas continuaria, dia após dia, e eventualmente perderia a conta
do tempo. Ele poderia ver o sol passar sobre sua cabeça, e talvez
notasse as fases da lua [embora a Sociedade do Anel não as tivesse
notado enquanto estavam em Lórien]. Mas para ele o tempo se tornaria,
eventualmente, uma armadilha. Seu corpo não ficaria mais velho. Ele
apenas viveria e viveria e viveria, e a vida se tornaria um tormento
constante para ele, porque ele estaria sempre em conflito com sua
própria natureza.

O mundo se arrastaria para tal alma
desafortunada, que poderia, no final das contas, não sentir nada a não
ser um profundo desejo de libertação de seu tormento.

Questões Sobre os Beornings

Beorn – John Howe

Um dos mais fascinantes personagens de “O Hobbit” é Beorn, o raivoso madeireiro que vive sozinho exceto pela companhia de seus animais encantados. Beorn era um homem, embora com um toque de mágico de acordo com Tolkien, porque ele podia mudar sua pele [tornando-se um enorme urso]. As origens de Beorn estão ocultas em mistério. Gandalf diz a Thorin e Companhia mais de uma explicação sobre a origem de Beorn, e não é claro sobre qual delas é a verdadeira.

 

 Quando Gandalf e a Companhia de Thorin foram levados com segurança até a Carrocha pelas Grandes Águias das Montanhas Nebulosas, o mago conta a seus companheiros que existiam poucos povos vivendo na região. Existiam vilas de homens mais afastadas ao sul [provavelmente além da Antiga Estrada da Floresta], nos vales das montanhas e ao longo das margens dos rios. Este povo, que era chamado de “Homens da Floresta” em “O Hobbit” estava gradualmente retornando do norte. Eles eram parentes dos Homens da Floresta de Mirkwood de acordo com Tolkien no apêndice de “O Senhor dos Anéis”, mas dentre muitos povos pergunta-se se este era o povo que Beorn um dia veio a governar.

Pode-se apenas supor, realmente, de onde os Beornings vieram ou como eles eram. Eram todos homens, embora talvez uns poucos fossem troca-peles como Beorn. Tolkien não revela se Beorn nasceu com a habilidade de falar com animais e trocar sua pele, mas ele diz que muitos dos descendentes de Beorn possuíram a habilidade de trocar de peles. Então, em algum momento, a troca de peles tornou-se hereditária ou o segredo foi passado de geração a geração.

“O Hobbit” menciona que os dragões caçaram a maioria dos homens expulsando-os das terras no norte, e isto implica que os grandes ursos das montanhas do norte desapareceram quando os gigantes apareceram algum tempo antes da história acontecer. Beorn é associado com ambos ursos e homens do norte. Se os troca-peles não se originaram com Beorn então eles devem ter vivido nas montanhas, e Gandalf que uma vez ele ouviu por acaso Beorn expressando a esperança que ele tinha de um dia retornar para as montanhas.

Bilbo encontrou realmente poucos Homens em “O Hobbit”. Sua primeira conexão com homens depois de ter cruzado as Montanhas Nebulosas foi o ataque pretendido pelo Goblins e Wargs. Gandalf ouviu por acaso os Wargs discutindo um possível ataque às vilas do sul da fortaleza Goblin do Passo Alto. A próxima conexão de Bilbo com homens foi Beorn, que protegeu e auxiliou Thorin e Companhia e sua expedição. Embora Gandalf tenha dito que poucas pessoas viviam perto da Carrocha, ele parece indicar que Beorn não era o único habitante local, e quando Bilbo e Gandalf retornaram com Beorn no próximo ano, ele convidou muitos homens a comemorar em sua casa. Então o povo de Beorn já existia ao tempo da história, apesar de poder ter sido reforçado pelos homens da floresta que estavam migrando para o norte.

Não foi antes de Bilbo e dos Anões terem alcançado a Cidade do Lago sobre Esgaroth, o Lago Extenso, que eles encontraram mais homens. Estes homens, aparentados com os antigos homens de Valle [agora há muito destruída por Smaug], eram corajosos e fortes. Estes continuavam a viver relativamente próximos à desolação do dragão e ao leste de Mirkwood. Os homens da Cidade do Lago viviam em termos amigáveis com os Elfos do norte de Mirkwood [o povo de Thranduil e Legolas] e mantinham comércio com os homens que viviam mais ao sul no Rio. De fato, o comércio se estendia tão longe quando a terra longínqua de Dorwinion, localizada nas margens noroestes do Mar de Rhun.

Embora nunca tenhamos ouvido mais sobre os homens vivendo ao sul da Cidade do Lago, quando Bard restabeleceu o reino de Valle, recrutou homens tanto do oeste quanto do sul. Mas Mirkwood ficava a oeste de Valle e da Montanha Solitária, e além de Mirkwood estavam os Beornings, que parecem ser muito poucos em número para ajudar a popular a cidade. Talvez Bard tenha recrutado homens dos Vales do Anduin, ou então existiam homens da floresta vivendo ao norte da caverna de Thranduil na calha leste da Floresta?

Quando Tolkien escreveu “O Senhor dos Anéis”, encorpou a história destes homens do norte das Terras Ermas. Os Rohirrim tornaram-se uma facção sulista dos homens do norte, que eram todos associados com a Casa de Hador, a Terceira Casa dos Edain em Beleriand, por Faramir quando ele deu a Frodo e Sam uma breve lição de história sobre Gondor. Muito mais material do que o publicado no livro tinha sido preparado por J.R.R. Tolkien, que teve que cortar uma grande parte dos Apêndices para economizar espaço. Chistopher Tolkien publicou parte do material “perdido” no Unfinished Tales, junto a alguns ensaios tardios e histórias escritos por seu pai. O restante do material “perdido” foi finalmente publicado no “The Peoples of Middle-earth”, volume XII do “The History of Middle-earth”. É possível então investigar a história dos povos do norte durante todo o tempo até a Primeira Era.

Quando Tolkien escreveu “O Senhor dos Anéis”, encorpou a história destes homens do norte das Terras Ermas. Os Rohirrim tornaram-se uma facção sulista dos homens do norte, que eram todos associados com a Casa de Hador, a Terceira Casa dos Edain em Beleriand, por Faramir quando ele deu a Frodo e Sam uma breve lição de história sobre Gondor. Muito mais material do que o publicado no livro tinha sido preparado por J.R.R. Tolkien, que teve que cortar uma grande parte dos Apêndices para economizar espaço. Chistopher Tolkien publicou parte do material “perdido” no Unfinished Tales, junto a alguns ensaios tardios e histórias escritos por seu pai. O restante do material “perdido” foi finalmente publicado no “The Peoples of Middle-earth”, volume XII do “The History of Middle-earth”. É possível então investigar a história dos povos do norte durante todo o tempo até a Primeira Era.

Os homens do norte, freqüentemente chamados de Homens dos Vales do Anduin, aparentemente dividiam-se em dois grupos. Vamos chamá-los de grupo leste e grupo oeste. Originalmente, os da Casa de Beor [a Primeira Casa dos Edain] e os Marachs [a Terceira Casa] migraram para leste ao longo do mar interior. Os Marchs eram o grupo mais ao norte e eles aparentemente se fixaram nas terras entre os rios Carnen e Celduin. Após restabelecer contato com os da Casa de Beor, alguns dos Marachs continuaram a migrar para o oeste. A maioria dos Beorians os seguiu.

Em Eriador os Beorians alcançaram os Marchs e fixaram-se por todas as amplas terras. A maioria dos Marachs continuou a jornada para o oeste, acompanhados por uma pequena parte dos Beorians. Sob seus líderes Beor e Marach, apenas uma pequena porção de ambos os povos realmente entrou em Beleriand. O resto permaneceu no leste em Eriador e por todas as Terras Selvagens.

Os Edain das Terras Selvagens eventualmente formaram uma aliança com os Anões Barbalonga, o povo de Dúrin. Esta aliança, formada no início da Segunda Era para auxiliar a expulsar os Orcs e outras criaturas que fugiram da destruição de Angband para as terras do leste, prosperou por mais de mil anos até a Guerra dos Elfos e Sauron. Naquela guerra os povos Edaínicos foram quase destruídos, e apenas pequenos enclaves sobreviveram nas Terras Selvagens, tanto em Greenwood a Grande [mais tarde chamada Mirkwood] quanto nas montanhas.

Estes homens que fugiram para as montanhas parecem ser os ancestrais dos Beornings e dos homens do norte que foram para o leste. O grupo leste fixou-se perto da área norte de Greenwood, e no começo da Terceira Era começaram a migrar para o sul ao longo da borda da floresta. Foi destes homens que os povos de Valle, Cidade do Lago e o reinado de Rhovanion descenderam. Em “O Hobbit” parece que os recrutas oeste de Bard podem ter vindo de uma comunidade de homens da floresta vivendo ao norte do reino de Thranduil. Não existe indicação que aqueles homens tinham parado de viver no nordeste da floresta.

Os Beornings e Homens da Floresta, contudo, não são necessariamente um povo “puro”. No “The Disaster of the Gladden Fields” [publicado no Unfinished Tales], o sobrevivente solitário da companhia de Isildur foi auxiliado por homens da floresta vivendo nas bordas oeste de Greenwood, perto de Amon Lanc [mais tarde Dol Guldur]. Estes homens da floresta parecem ser alguns daqueles povos Edaínicos que fugiram para a Floresta durante a Guerra entre os Elfos e Sauron.

Em “Cirion and Eorl” [também publicado no Unfinished Tales], Tolkien relata a parte mais tardia da história do Reino de Rhovanion. Este reino, situado ao leste do sul de Mirkwood, foi destruído pelos Carroceiros em 1860 da Terceira Era. O exército de Rhovanion foi destruído, mas alguns de sua cavalaria escaparam e fugiram para os Vales do Anduin. Mais tarde, muitos foras-da-lei vindo através da Floresta se juntaram a eles. Estes eram os ancentrais dos Eotheod. Embora seja possível que os foras-da-lei incluíssem muitas mulheres e crianças, parece altamente provável que os homens da cavalaria tiveram que casar com mulheres das vilas locais – eles misturaram-se com os homens da floresta que viviam em Mirkwood ou ao longo do rio.

Cerca de 100 anos mais tarde, logo após o reino nortista de Angmar ter sido destruído, os Eotheod migraram para o norte, para os vales onde os rios formadores do Anduin corriam. Lá eles se fixaram por várias centenas de anos. Eles assim o fizeram, Tolkien nos conta no Apêndice dO Senhor dos Anéis, porque os homens estavam aumentando nos Vales do Anduin. Nem todos eram Homens do Norte. Alguns eram leais a Sauron, Orientais, aparentados aos Carroceiros. Os outros homens poder ter sido dos homens da floresta e possivelmente os ancestrais dos Beornings.

Quando Eorl o Jovem conduziu os Eotheod para o sul cinco séculos mais tarde, alguns de seu povo permaneceram no norte. Estes cavaleiros escolheram – seja qual for a razão – não seguir Eorl? Possivelmente, mas se isso realmente ocorreu eles não deram origem a uma grande nação de guerreiros montados. Ao contrário, desapareceram na história e foram esquecidos. O que aconteceu com eles?

Beorn como Urso na Batalha dos Cinco Exércitos

Retornando aO Hobbit, devemos recordar que Gandalf mencionou os dragões como tendo expulso homens do norte. Como Smaug e Valle, os dragões podem facilmente ter destruído muitas cidades e vilas. O primeiro dragão conhecido no norte foi Scatha, mas este dragão foi morto por Fram, filho de Frumgar, o líder que conduziu os Eotheod para o norte por volta do ano 1977. De acordo com o Conto dos Anos em O Senhor dos Anéis, os dragões não começaram a se multiplicar novamente até cerca do ano 2570. A entrada declara especificamente que os dragões começar a afligir os Anões. Eorl tinha conduzido seu povo para o sul cerca de 60 anos antes, então poderia não restar muitos homens no norte distante. Mesmo que existissem alguns, estes deveriam ter sido expulsos para o sul pelos dragões.

Nós também devemos considerar que uma das principais razões pelas Gondor pediu ajuda a Eorl e os Eotheod em 2509/10 era que os Vales sul do Anduin estavam se tornando perigosos para Gondor e seus aliados. Os Balchoth, ou povo Oriental aparentado aos Carroceiros, estavam então vivendo ao longo da borda sul da Floresta. Eles podem, portanto, ter destruído ou expulso muitos dos Homens do Norte restantes, então talvez apenas os Homens da Floresta restaram.

Com os dragões vindo do norte e os Balchoth mantendo o sul, os Homens do Norte dos Vales do Anduin foram fortemente pressionados a encontrarem um local seguro para viver. Eles devem ter entrado em um longo período de declínio a este tempo, e não foi antes do trigésimo século que eles começaram a recuperar suas terras perdidas. Os Orcs começaram a colonizar as Montanhas Nebulosas no final do século 25, e eles foram uma ameaça significativa até a Guerra dos Anões e Orcs [2793-99].

Em algum momento de todos esses anos e guerras, os Beornings devem ter se ramificado dos outros Homens do Norte. É concebível que eles fossem descendentes tanto dos Eotheod remanescentes quanto dos Homens das Florestas que foram para o norte antes que os dragões começassem a inquietar a região. Os cavalos e pôneis de Beorn não são apenas extraordinários [assumindo que o conto de Bilbo foi apenas levemente enfeitado com o objetivo de contá-lo], ele possuía um grande amor por eles – o qual lembrava a devoção dos Rohorrim a seus cavalos. É portanto concebível que os Beornings tenham mantido a tradição da montaria à cavalo.

Da mesma forma que os Rohirrim viviam nas Ered Nimrais e pastoreavam seus rebanhos e manadas nos amplos campos gramados de Calenardhon, então, também os Beornings podem ter morado nas montanhas e pastoreado seus cavalos nas terras baixas. Então segue-se que se Beorn desejava retornar para as montanhas, ele deve ter sido expulso de lá pelos Orcs, e seu povo em geral pode ter sido destruído ou expulso pelos Orcs. Um guerra anterior com os Orcs poderia explicar o pouco número dos Beornings quando Bilbo e Gandalf os visitaram, mas as enormes perdas sofridas pelos Orcs das Montanhas Nebulosas na Batalha dos Cinco Exércitos poderia ter dado os homens do Vale do Anduin uma tão necessária trégua.

Beorn poderia, portanto, ter recrutado novos seguidores dentre os Homens da Floresta que estavam migrando para o norte para ampliar os números de seu povo, e uma vez que Gloin contou a Frodo que os Beornings mantiveram a Passagem Alta aberta ao tempo da Guerra do Anel, os Beornings parecem ter se tornado fortes o suficiente para terem retornado às montanhas.

A cultura dos Beornings pode então lembrar aquela dos Rohirrim, mas em alguns modos deveria ser similar àquela dos Homens da Floresta. Quanto aos Homens da Floresta, contudo, não temos evidências diretas sobre seus modos de vida e costumes. Porém Tolkien descreveu um outro grupo de Homens da Floresta, na Primeira Era: o Povo de Haleth, que vivia de modo similar ao dos Beornings. Como Beorn, o Povo de Haleth freqüentemente vivia sozinho, ou apenas com poucas pessoas juntas. Eles construíam grandes cercas ao redor de suas casas, e a maioria vivia dentro da floresta, na floresta de Brethil.

Tais similaridades podem ser apenas superficiais, Tolkien pode não ter previsto nenhum paralelo próximo entre as culturas do Povo de Haleth e o povo de Beorn; mas por outro lado, ele parece ter enfatizado o relacionamento entre os Rohirrim e os outros Homens dos Vales do Anduin. Fazendo isso, ele poderia estar sugerindo que as culturas de Rohan e dos Beornings não eram muito distanciadas.

[Tradução de Fábio 'Deriel' Bettega]

Estratégias de Sauron – Passos para a Derrota (Parte II)

Na Primeira Era, Morgoth tentou
derrotar seus inimigos Eldarin jogando tudo o que fosse possível contra
eles. Logo, seus exércitos conseguiam sucesso misto. Mesmo a Nirnaeth
Arnoediad provou ser uma vitória tão cara que Morgoth não pode
conseguir a vitória definitiva dos exércitos élficos e seus aliados.
Ele tomou controle de Hithlum e da Marcha de Maedhros, restaurou suas
tropas em Dorthonion, e tomou controle total sobre a parte superior do
Sirion. Mas Falas, Nargothrond, Doriath (e Brethil, que tecnicamente
era parte de Doriath), e Gondolin tiveram que ser tratadas
separadamente.

 

 

 
Na Segunda Era, Sauron tentou duplicar os sucessos
dúbios de Morgoth com ataques repentinos, tentando adquirir grandes
vitórias militares. Ainda, ele não tinha as vantagens de Morgoth.
Apesar de que muito da Terra-Média esteve sobre o controle de Morgoth,
Sauron teve que continuar a manter seu império. E apesar de que a
fortaleza-chefe de Morgoth, Angband, estava perto de seus aliados,
Sauron posicionou-se em Mordor com a intenção de lançar agentes que
trabalhassem ao mesmo tempo para os eldar no norte e os numenoreanos no
sul.

A colonização numenoreana não avançou para o extremo
norte já que Sauron forjou o Um Anel por volta do ano 1600. As grandes
fortalezas do Pelargir, no baixo Anduin, e Umbar não seriam
estabelecidas em menos de 600 anos. O poder numenoreano era no máximo
uma ameaça futura distante de conflito. Mas quando Gil-galad chamou
Númenor para ajudar na guerra iminente, os numenoreanos investiram
perto de 100 anos fortificando posições perto dos rios Gwathlo e Lhûn.
Enquanto Sauron começava a mover suas forças para o Norte, seus
inimigos tinham linhas múltiplas de defesa.

Mas não quer dizer
que Sauron foi derrotado. As histórias deixam claro que Sauron dominou
Tharbad e abriu caminho sobre Eregion com relativa facilidade.
Ost-en-Edhil foi possuída por algum tempo, possivelmente em torno de um
ano. Os esforços de Elrond de reforçar Eregion falharam e ele teve que
se retirar para o norte. Sauron mandou em exército para tirar Elrond do
caminho. E, aparentemente, ao mesmo tempo em que ele estava destruindo
Eregion, sauron mandou um exército para o leste das Montanhas Nevoentas
para expulsar os povos Eldar e Edain, o último desses que foram grandes
aliados dos anões Barbalonga.

Então, Sauron não somente deu a
seus inimigos grande tempo para se preparar para a guerra, ele espalhou
bem suas forças quando lançou a guerra. Gil-galad foi capaz de
consolidar muitas de suas forças sobreviventes no Lhûn depois de ser
empurrado do rio Baranduin. Sauron derrotou Eriador, mas Tolkien nota
que Sauron matou ou expulsou os homens e elfos vivendo na região. Os
expulsos alcançaram o acampamento de Elrond em Imladris ou o reino de
Gil-galad. As duas regiões foram reforçadas pela campanha crescente de
Sauron.

No final das contas, foi precisa uma intervenção
massiva de Númenor para derrotar Sauron, mas a lição que ele aprendeu
da guerra foi que Númenor ia dar mais trabalho que Lindon. Tolkien nos
diz que a guerra entre os elfos e Sauron nunca acabou depois daquele
dia, apesar de Sauron ter alterado seus objetivos estratégicas. Ele
começou conquistando mais territórios no leste. E, gradualmente,
enquanto Sauron estendia seu poder para o sul ele entrou em confronto
com colônias numenoreanas ao longo das costas meridionais da
Terra-Média. Númenor vinha colonizando a Terra-Média desde o ano 1200,
mas por todo o ano 1800 os numenoreanos começaram a estabelecer
fortalezas, cobrar tributo dos povos locais, e conquistando terras
ocupadas. Númenor virou um poder rival que Sauron tinha que conter. Em
fato, provou-se ser impossível para este derrotar Númenor no campo de
batalha, e ele finalmente os derrotou através de um subterfúgio que
trouxe destruição para Númenor e a morte de grande parte de seu povo.

E ainda, apesar da queda de Númenor, Sauron não tinha se livrado ainda
da ameaça numenoreana. Elendil e seus Dunedain Fiéis exilados
estabeleceram reinos em Arnor e Gondor, na Terra-Média setentrional.
Apesar de ser apenas um resto da nação poderosa que fora e que
humilhava Sauron militarmente, os Dunedain Fiéis eram poderosos demais
para serem aniquilados rapidamente. Sauron entendeu isso quando tomou
Minas Ithil e foi empurrado para fora de Osgiliath. Vocês podem até
ouvi-lo pensando: "Opa, isto estava fora dos planos". Se ele esperasse
mais 100 anos, Arnor e Gondor teriam ficado mais poderosos, mas Sauron
teria restabelecido total controle sobre sua rede de aliados e assuntos
de estado. Ele teria muito mais recursos à disposição do que possuía
quando atacou Gondor em 3429.

Esperando demais, atuando cedo
demais — esses eram os erros que Sauron cometeu na Segunda Era. Ele
permitiu a seus inimigos o tempo para crescer fortes enquanto ele mesmo
dispersou suas forças e criou guerra em muitas frentes. Depois de sua
derrota, Sauron teve 1000 anos para refletir sobre suas falhas e
fraquezas. E quando ele ficou forte o bastante para reencarnar, ele
entendeu que para conseguir tomar controle da Terra-Média, ele tinha
que trabalhar vagarosa e cuidadosamente. Ele tinha que aumentar seus
poderes enquanto acabava com seus inimigos.

O primeiro passo
era escolher um porto seguro. Mordor foi ocupada por Gondor, que no 11º
século da Terceira Era quase chegou ao topo de sue poder. Não tinha
chance de lutar pelo controle de Mordor com os Dunedain nesta era. E
ainda, Sauron precisava estar perto de seus inimigos. A Grande Floresta
Verde, porém, oferecia uma posição atrativa. As densas florestas
ofereciam uma privacidade relativa e alguma defesa, e a região de Amon
Lanc, por muito tempo abandonada pelos elfos, seria fácil de se
fortificar.

Sendo o Necromante de Dol Guldur (o novo nome que
os elfos deram para Amon Lanc), Sauron construiu um grupo de servos do
mal que se espalharam pela floresta. A Grande Floresta Verde ficou tão
aterrorizante que os homens a renomearam Floresta das Trevas. E à
medida que Orcs, Trolls, Wargs, aranhas e outras criaturas se juntavam
em Dol Guldur, Sauron renovou seus contatos com alguns servos orientais
que serviram a ele no passado. Induzindo alguns dos Orientais a migrar
para o sul da Floresta das Trevas, Sauron começou uma onda de migrações
que aconteceram em Eriador. Os Hobbits, criando moradia nos Vales do
Anduin por muitos anos, cresceram com medo já que o influxo de
Orientais ameaçava seus vizinhos, e começaram a ir para terras mais
seguras, no oeste.

Perto do ano 1300, Sauron mandou o Rei dos
Nazgûl para o norte, a fim de estabelecer o reino de Angmar. Angmar
serviu a dois propósitos. Primeiro, era uma base remota de operações
que trabalhava contra os povos de Arnor que viviam nas proximidades.
Sauron não precisava se preocupar em estabelecer e proteger longas
linhas de suprimentos. Segundo, Angmar pareceria somente mais uma terra
inimiga aos elfos e dunedain. Um único inimigo implacável traria muita
atenção. Mas se reinos hostis surgissem em vários lugares, ninguém
teria certeza do que estaria acontecendo. Havia Sauron retornado, ou
seus servos apenas ficaram mais ambiciosos e poderosos? Inspirar a
dúvida e a demora em seus inimigos deu tempo para que Sauron crescesse
em força.

Mas apesar de Angmar ter vantagem sobre as divisões
que nasceram em Arnor (dividida em três reinos menores pelos Dunedain
em 863), Dol Guldur ficou isolada do leste. Enquanto Sauron contemplava
o que poderia fazer com os reinos do norte, Minalcar estabeleceu as
diferenças entre os homens do Norte e os Orientais atacando as terras
perto do lado sul da Floresta Das Trevas, terras que Gondor clamou há
muito tempo, mas viraram moradia dos Orientais e de muitos homens do
Norte. Minalcar destruiu ou mandou embora os Orientais perto do mar de
Rhûn, e se aliou com o reino de Rhovanion, leste da Floresta das
Trevas, comandado por Vidugavia.

A falha de Minalcar em atacar
Dol Guldur é curiosa. Possivelmente, Sauron estava usando seus
Orientais como uma farsa, e o Necromante de Dol Guldur acabou com
Minalcar como se fosse uma pequena ameaça (ou ameaça nenhuma) para
Gondor. Ainda, Sauron tinha que esperar que seus Orientais recuperassem
seus números. Mas pode ser que ele sentiu que um novo tipo de cultura
oriental foi criada. Nos últimos séculos, Tolkien nos disse, haveria
guerras entre os Orientais. O controle de Sauron sobre os povos do
leste poderia não estar completo, ou então ele sentiu que os melhores
guerreiros seriam aqueles que sobreviveram a grandes contendas e
guerras.

Mas Gondor também era poderosa. Mesmo quando os
Fratricidas morreram, e os Eldacar levaram seus inimigos para o sul,
Sauron não tinha como ter vantagem no conflito. Estava muito longe de
Umbar, onde os rebeldes procuraram abrigo, para fazer contato com os
dissidentes. Apesar de ser um porto seguro, Dol Guldur era bem
confinante. A Grande Praga de 1636, que Sauron lançou no leste e
direcionou para o oeste, abriu novas oportunidades para ele. Gondor
perdeu tanta gente que não poderia mais sustentar os exércitos em
Mordor. Quando os dunedain saíram, orcs e outras criaturas entraram.
Mas ao invés de se mudar para lá, Sauron meramente usou Mordor como
corredor para expansão. Ele provavelmente mandou agentes para o sul
para fazer alianças com os haradrim.

200 anos após a Grande
Praga, os Carroceiros atacaram os homens do norte e Gondor. Os povos do
oeste foram derrotados e Sauron conseguiu domínio da Floresta das
Trevas e de Mordor. O Lorde dos Nazgûl trouxe então a derrota final à
Arthedain, o últimos dos reinos dos Dunedain. Mas apesar de Lindon e
Imladris continuarem no norte, e os dois terem papéis significantes na
derrota de Angmar, Sauron tornou sua atenção para Gondor, suja
intervenção foi responsável pela derrota de Angmar. Os reinos do norte
foram destruídos, mas eles eram a menor das ameaças.

Assim,
quando os anões de Khazad-dûm acordaram o Balrog em 1980, eles
inesperadamente mudaram o balanço de poder no norte. Apesar de
Khazad-dûm não ter tido (aparentemente) um papel importante nas guerras
contra Angmar, ele estava na Última Aliança de Homens e Elfos contra
Sauron, e então enfrentou Sauron novamente. A destruição da civilização
anã efetuada pelo Balrog, e a fuga subseqüente de muitos elfos de
Lothlórien, virtualmente asseguraram que Sauron não tinha quase nenhum
inimigo de poder significante no norte. Tolkien sugere que foi por
causa da presença do Necromante no sul da Floresta das Trevas que
Galadriel resolveu intervir em Lothlórien. Se ela e Celeborn não
tivessem restaurado a ordem ao reino élfico, não teria ninguém para
opor Dol Guldur exceto por alguns homens das florestas e alguns povos
pequenos chamados Eotheod, o restante do outrora poderoso reino de
Rhovanion, Vidugavia. O reino de Thranduil no norte da Floresta das
Trevas continuou forte, mas ele não participou de nenhuma grande guerra
desde a Segunda Era.

O século XX da Terceira Era provou ser um
período tumultuado para Sauron e seus aliados. A perda de Arthedain e
Khazad-dûm deveria ter alarmado os eldar e os Istari. As perdas de
Gondor para os Orientais e a fuga final dos Eotheod para os Vales do
Anduin assegurou que o oeste não tinha força para impulsionar o fluxo
de guerreiros para a Floresta das Trevas e Mordor. E o problema com os
Nazgûl em 2002, quando eles atacaram Minas Ithil, que durou apenas dois
anos, foi um sinal que o mal derrotado no norte sofreu pouco.

Apesar de tudo, Dol Guldur, mesmo com má reputação, parece não ter
feito muito neste período. Os reis de Arnor e Gondor concluíram no meio
do século XX que uma vontade única estava orquestrando suas quedas para
um propósito desconhecido. Pelo século XXI, os Sábios (lordes dos Eldar
e Istari) concluíram que o poder de Dol Guldur era o candidato mais
provável para Inimigo-Mor. Mas quem era o Necromante? Os Sábios
suspeitavam ser um Nazgûl. Apesar de tudo, o Lorde dos Nazgûl era o Rei
Bruxo de Angmar. Os Nazgûl dominaram Minas Ithil. Nazgûl obviamente
estavam ativos na Terra-Média. Mas alguns, provavelmente incluindo
Galadriel e Gandalf, temiam que o Necromante fosse Sauron. Logo, em
2063, Gandalf investigou Dol Guldur e Sauron fugiu para o leste.

Pelos próximos 400 anos, que os Sábios diziam ser a Paz Vigilante,
Sauron preparou novas forças. Os Balchoth, parecidos com os
Carroceiros, cresceram em proeminência no leste. Os Uruks nasceram em
Mordor. Umbar, destruída por Gondor no século XIX, foi recriada com
novas forças totalmente leais a Sauron, e ele finalmente começou a
desafiar o controle numenoreano dos mares. A influência de Sauron entre
os Haradrim aumentou.

Quando ele viu ser a hora certa, em 2460
Sauron retornou para Dol Guldur com novas forças, e Minas Ithil lançou
os Uruks contra Ithilien. Sauron mandou Orcs e Trolls para colonizar as
Montanhas Nevoentas. E os Corsários de Umbar começaram a atacar Gondor.
O retorno à Dol Guldur, porém, implica que Sauron ainda temia a união
de seus inimigos. Os Anões Barbalonga estavam fortes novamente. Os
Eotheod ficaram mais numerosos, e havia outros povos humanos nos Vales
do Anduin que se aliavam com Gondor. Lothlórien virou uma marca do
poderio élfico, e Thranduil controlava o norte da Floresta das Trevas.
Sauron provavelmente procurou deixar seus inimigos do norte
desbalanceados enquanto o Nazgûl, os Balchoth e Corsários acabavam com
os recursos de Gondor.

Mas Sauron também voltou para Dol
Guldur por outro motivo: o Um Anel. Ele acreditava que este fora
destruído. Até ele perceber que não era bem assim. Ele investiu grande
parte de sua força no Anel. Se ele fosse destruído, provavelmente ele
teria ficado fraco demais para ficar poderoso de novo. Sua força
continuou a voltar, porém, e século após século ele conseguiu enxertar
sua vontade sobre mais pessoas e criaturas. Em alguns pontos, a
sobrevivência do Anel virou um fato óbvio para Sauron. Sauron não
apenas sobreviveu à derrota, como estava se recuperando do anel.

E então virou um dever de Sauron recuperar o Anel antes que seus
inimigos o encontrassem e o usassem contra ele. Ele nunca imaginou que
alguém pudesse destruir o Anel, mas havia na Terra-Média Eldar
poderosos que, se viessem a ter o Anel, poderiam usá-lo para construir
exércitos contra ele novamente: Círdan, Elrond, Galadriel, Celeborn.
Eram todos parentes dos antigos reis elfos, e tinham alto conhecimento
e força. E o que Sauron sabia ou suspeitava dos Istari? Com certeza
eles eram imortais. Eles já vagueavam por mais de 1000 anos.

Quando Sauron soube do fim de Isildur, ele se posicionou em Dol Guldur
para ganhar controle sobre os Campos de Lis para que seus servos
pudessem procurar pelo Anel. Mas Sauron não entenderia por muitos
séculos que o Anel estava bem do outro lado do rio, ou que ele foi
encontrado, muito antes dele ter começado a procurar, por um Grado
chamado Déagol, cujo primo Sméagol o assassinou e roubou o Anel.

O ataque dos Balchoth contra o norte de Gondor em 2510 teve dois
propósitos: primeiro, acabar com as forças de Gondor; segundo, limpar o
caminho para a procura de Sauron pelo Anel. A borda norte de Gondor
ficava perto demais de Dol Guldur para que eles mantivessem o segredo.
Os objetivos de Sauron sofreram um revés, porém, quando Eorl liderou um
exército de Eotheod para o norte, em auxílio de Gondor. A Batalha nos
Campos de Celebrant não foi uma derrota ameaçadora para os Balchoth.
Eles continuaram uma efetiva força guerreira para Sauron, mas o
controle sobre os Meandros passou de Gondor para os Eotheod, ao invés
de para Sauron. Gondor e Lothlórien continuaram, então, a ser uma
grande ameaça aos seus planos.

Ainda, quando Cirion cedeu
Calernadhon para Eorl e seu povo, Sauron teve que alterar sua
estratégia uma vez mais. Cirion consolidou suas forças em Anórien e
Ithilien, e Calenardhon veio a ser controlada por um forte povo do
norte, que Sauron percebeu não poder controlar. Os Rohirrim, como o
povo de Eorl veio a ser chamado, não poderia ser simplesmente ignorado.
E a oportunidade de cuidar deles veio no 28º século. Helm, rei de Rohan
(como Calernadhon veio a ser chamado), consolidou seu poder sobre as
terras ocidentais matando Lorde Freca e destruindo sua família. O filho
de Freca, Wulf, se aliou com os Terrapardenses, cujos ancestrais
serviram Sauron na Segunda Era.

Em 2758, Wulf lançou um ataque
à Rohan de Dunland. Ao mesmo tempo, Corsários de Umbar e outras partes
de Harad atacaram o lado oeste de Rohan, e os Balchoth ou outros
Orientais atacaram Rohan do leste. Até mesmo Gondor foi atacada,
ficando então bloqueada de ajudar Rohan. Os Rohirrim foram derrotados
em campo aberto e fugiram para as montanhas. Wulf tomou posse da
maioria das terras. Sauron com certeza planejou o ataque, e o extenso
período de frio, chamado o Longo Inverno, assegurou que o povo de Rohan
(e Eriador) sofreriam terrivelmente. Mas se o objetivo de Sauron era
destruir os Rohirrim neste conflito, ele falhou. Apesar de Helm ter
perecido no Longo Inverno, seu sobrinho Frealaf derrotou Wulf e seus
aliados, na primavera, com a ajuda de Gondor, que reprimiu os ataques
do sul. Mas o conflito produziu outro problema, que Sauron preferiu
ignorar.

Em 2590, os Anões Barbalonga re-estabeleceram o Reino
sobre a montanha de Erebor, que ficava a leste da parte norte da
Floresta Das Trevas. Enquanto Erebor não era ameaça para Dol Guldur,
ele se aliou ao Reino de Valle. Os dois reinos cresceram em riqueza,
fama e poder. Em 2770 o dragão Smaug veio do distante norte e destruiu
Erebor e Dale. Os anões sobreviventes se exilaram e a família real foi
parar em Terra Parda. Em 2990, Thror, que era rei sobre a Montanha,
decidiu retornar para o leste. Foi assassinado por Azog, chefe dos Orcs
em Khazad-Dûm, que decapitou Thror e mutilou a cabeça do Rei-Anão.

Thrain, filho de Thror, fez uma aliança entre todos os povos anões por
uma guerra de 7 anos contra os Orcs das Montanhas Nevoentas. Apesar dos
anões sofrerem grandes perdas, eles quase exterminaram os Orcs. O
controle de Sauron sobre as Montanhas Nevoentas foi efetivamente
destruído na guerra. Junto com sua falha de destruir ou tomar controle
sobre Rohan, perder as Montanhas Nevoentas diminuiu as chances de
Sauron de destruir Lothlórien ou achar o Um Anel.

Para não
ficar totalmente frustrado, Sauron começou então a recuperar os outros
Anéis do Poder que ele cedeu na Segunda Era. Os Anões tinham os Sete e
os Nazgûl tinham os Nove. Mandar os Nazgûl devolverem seus anéis não
era problema. Mas Sauron tinha que caçar os Reis-Anões um a um e pegar
os Anéis deles. E, desses reis, apenas três tinham anéis. Quatro dos
Anéis foram aparentemente destruídos por dragões. Thrain foi o último
Portador Do Anel a cair nas mãos de Sauron. Apesar de Tolkien não
explicar porque Sauron pegou os Anéis de volta, podemos concluir que
era para aumentar sua própria força. Ou então pretendia, futuramente,
distribuí-los para novos escravos. Glóin reportou para o Conselho de
Elrond em 3018 que Sauron ofereceu 3 Anéis para o Rei Dain II, apesar
de não podermos dizer que Sauron devolveu os Anéis para os anões.

Ao que o Conselho Branco corria, no qual Galadriel se juntou aos Istari
e lordes elfos depois que a Paz Vigilante acabou, Gandalf retornou para
Dol Guldur em 2851. Foi lá, então, confirmado que o Necromante
realmente era Sauron, e Gandalf descobriu que Sauron estava juntando os
Anéis de Poder novamente, assim como procurava pelo Um Anel. Tais
notícias alarmaram Saruman, que tinha ido morar na fortaleza gondoriana
de Isengard depois do Longo Inverno. Saruman, neste momento, percebeu
que o Um Anel poderia, sim, ser encontrado, e ele o queria para si. Ele
começou a recrutar Orcs e Terrapardenses para servi-lo, e mandou
espiões para procurar pelo Anel nos Campos de Lis.

Apesar de
Saruman apresentar uma ameaça pequena para Sauron, a procura pelo Anel
descobriu outro problema. Enquanto Arnor foi completamente destruída
(ou assim Sauron acreditava – ele não percebeu que descendentes de
Isildur sobreviveram no norte), Gondor provava ser muito mais forte e
resiliente, graças à aliança com os Rohirrim. O crescimento de um poder
rival em Isengard poderia complicar, mas se Sauron pudesse encontrar o
Um Anel ele poderia rapidamente conseguir controle sobre muitas pessoas.

Em 2941, Sauron provavelmente se convenceu que o Um Anel não estava
mais na região dos Campos de Lis. O Conselho Branco moveu-se contra ele
e ele fugiu de Dol Guldur. Dizem que a Floresta das Trevas ficou um
lugar mais calmo por um tempo. Tal transição implica que Sauron não
fugiu simplesmente de Dol Guldur. Ele sugere que foi uma grande
migração de orcs, homens e outras criaturas sobre seu controle.
Enquanto alguns argumentam que a ação do Conselho Branco foi um tipo de
ataque mágico, é mais provável que Lothlórien mandou um exército contra
a Floresta das Trevas. Os Istari e os senhores elfos desafiaram o poder
de Necromante diretamente, mas Sauron retraiu-se e então preservou
grande parte de suas forças.

A fuga sugere que Sauron não
estava mais a fim de arriscar seus exércitos principais em combate
aberto. Por outro lado, no norte, Bolg (filho de Azog) lançou uma
campanha contra um pequeno grupo de anões liderados por Thorin, filho
de Thrain, que retornou a Erebor. Após a morte de Smaug, elfos, homens,
anões e orcs se convergiram para a montanha, para recuperar o tesouro
que Smaug guardou à 170 anos. Estava Bolg seguindo ordens de Sauron, ou
Sauron perdeu o controle sobre os orcs das Montanhas Nevoentas? Se
Sauron aprovasse ou permitisse à Bolg lançar o ataque, então ele o
supriria com recursos o suficiente para executar uma ação que, além de
segurar uma base no norte, poderia ser usada para atacar Thranduil. Mas
isso também deixaria Sauron sem ajuda próxima das Montanhas Nevoentas.
Se Bolg ganhasse controle sobre Erebor, Sauron estaria em posição para
acabar com Thranduil e trazer reforços para atacar Lothlórien num
minuto. Mas quando Bolg retirou os exércitos órquicos, Lothlórien tinha
uma oportunidade única de ação.

Se Bolg fosse o comandante de
Sauron no norte, Sauron poderia retornar para Mordor com todas as
forças de Dol Guldur. Ao invés de espalhar seus recursos pelas três
maiores bases (Mordor, Dol Guldur e Erebor), Sauron poderia consolidar
sua força em duas regiões bem protegidas, que poderiam ser suprimidas e
reforçadas pelo leste. Então, por não ter arriscado tudo, a derrota de
Bolg em Erebor somente atrasou os planos de Sauron. Tolkien diz que
três quartos dos Orcs do norte pereceram na Batalha dos Cinco
Exércitos. Levaria décadas para que eles pudessem se recuperar
totalmente. Enquanto isso, enquanto os homens do Norte refaziam o Reino
de Dale e os Anões Barbalonga reconstruíam o reino de Erebor, Sauron
retornou para Mordor.

Sauron se declarou abertamente em 2951.
Ele agora se sentia confiante o bastante, apesar de sua falha em
recuperar o Anel, para agüentar qualquer ataque que o Oeste lançasse
sobre ele. O efeito psicológico do "Estou de volta" sobre os elfos não
deve ser subestimado. Muitos dos elfos simplesmente perderam a fé.
Talvez muitos deles acreditassem que Sauron tinha recuperado o Um Anel,
ou que estava quase encontrando. Pelo ano 3000 anões começaram a se
mover para o oeste, e trouxeram do leste relatos de movimentos de
povos, guerras predatórias e o poder crescente de Sauron. Muitos dos
eldar restantes fizeram uma onda massiva de migração para o Mar,
deixando a Terra-Média para sempre. Os Elfos Silvan continuaram
decididos, mas Lindon e Imladris nunca mais puderam reconstruir
exércitos.

À medida que os orcs das Montanhas Nevoentas
recuperavam seus números, novos inimigos ameaçavam a borda leste de
Dale. Mordor forjou novas alianças com os Orientais e os Haradrim, e
Saruman caiu no encanto de Sauron quando o mago usou o Palantír que
encontrou em Isengard para espiar Mordor. Apesar da fidelidade de
Saruman para com o oeste já ter se esvaecido, até agora ele se opunha a
Sauron. Foi útil para Saruman ajudar o Conselho Branco a livrar Dol
Guldur em 2941. Ele queria procurar pelo Anel livremente. Perto da
Guerra do Anel, Saruman encontrou os restos de Isildur, mas não o Anel
(que, com certeza, foi levado para o Condado).

Gondor
continuava a decair ante os repetidos ataques de Mordor e Harad, mas a
força militar de Gondor já não era vital para a estratégia de Sauron. O
Anel virou a prioridade-mor de Sauron. Ele finalmente soube de Sméagol
do destino do Anel, e em 3018 ele mandou os Nazgûl para o Condado para
recuperar o Anel e trazê-lo de volta. Apesar dele estar se preparando
para a guerra, e que ninguém acreditava que ele podia perder, Sauron
precisava ter certeza que seus inimigos não usariam o Anel contra ele
antes que ele lançasse a guerra. Seus capitães poderiam mudar de lado
caso alguém poderoso o bastante para usar o Anel aparecesse e tomasse
posse deste.

A grande lista de reinos e tribos que Sauron
juntou assegurava-o de qualquer vitória em qualquer guerra em que
ninguém usasse o Anel. A recuperação do Anel o assegurava, então, de um
controle indisputável sobre a Terra-Média. Os elfos que sobraram não
eram fortes o bastante para desafiá-lo. Os Dunedain definharam e eram
poucos demais para chegar a ter os poderosos exércitos que comandavam
no auge de seu poder. E os homens do norte, apesar de fortes em lugares
como Dale, os Vales do Anduin, e Rohan, estavam divididos em reinos
demais e incapazes de formar uma aliança forte o bastante para
desafiá-los.

Em 3018, Sauron esteve preste a atacar Dale e
Erebor, passando pela Floresta das Trevas, e limpar os Vales do Anduin
dos homens, elfos e anões. Mesmo Lothlórien provavelmente não
sobreviveria por muito tempo. Gondor, por outro lado, possuía força o
suficiente, especialmente se reforçado por Rohan, para agüentar ao
menos um ataque massivo. O dever de Saruman ele prevenir ou adiar o
reforço de Rohan. Os orcs das Montanhas Nevoentas poderiam atacar os
Beornings, os Homens das Florestas, Lothlórien, e sem dúvida alguma
Imladris e Eriador. Dol Guldur, agora reconstruída, poderia deixar
Thranduil dificultado. Não tinha chance dos povos do norte formarem uma
aliança no último minuto e chegar em auxílio de Gondor. Todas as peças
estavam no lugar. Vitória era certa. O Senhor do Escuro estava se
divertindo.

A análise de Gandalf das intenções e prioridades
de Sauron (revelada no Conselho de Elrond em 3018 e no último debate
dos capitães do Oeste em 3019) oferece um discernimento das estratégias
mutantes de Sauron na Terceira Era. Quando ele acordou e assumiu uma
força física uma vez mais, Sauron acreditou que ele fora ferido pela
destruição do Um Anel. Determinado a se vingar de seus inimigos, e
talvez reconquistar o controle sobre a Terra-Média, ele começou o
trabalho de dividir e enfraquecer seus inimigos. Seus tenentes
trouxeram a destruição de Arnor. O Balrog (direcionado por Sauron, ou
mesmo por pura sorte) destruiu Khazad-dûm e grande parte de Lothlórien.
Os Orientais e Haradrim enfraqueceram Gondor, reduzindo-o de um império
extremamente poderoso a um estado murcho, ainda orgulhoso mas temeroso
e com uma paranóia de ameaça e derrota. E muitos dos elfos restantes
fugiram da Terra-Média quando viram que a batalha final estava para
começar

Descartando problemas ocasionais, em 3019 Sauron
estava confiante de sua habilidade de adquirir vitória suprema sobre a
oposição. Ele sabia que o Um Anel ainda existia, e ele sabia quem o
possuía. Ele temia que alguém mais tomasse o Anel e usasse contra ele.
O grande perigo, ao ver de Sauron, estava na possibilidade que a
divisão e as brigas poderiam surgir entre seus exércitos. As forças que
ele conseguiu poderiam se virar contra ele. Aragorn e Gandalf
concluíram, então, que a chance de Frodo em concluir a sua missão
dependia do medo de Sauron. Eles fizeram Sauron acreditam que um novo
Senhor do Anel, presumavelmente Aragorn, estava aparecendo.
Penetrantemente atento ao que o atraso custou a ele na Segunda Era (e
talvez fazendo-o sentir que não estava agindo tão cedo), Sauron lançou
um ataque massivo contra Gondor na esperança de capturar o Anel. E
quando esse ataque falhou, ele lançou tudo o que ele tinha num assalto
selvagem que ele acreditava que iria trazer rapidamente o Anel para ele.

Como deve ter sido devastante para Sauron a verdade, quando Frodo
clamou o Anel na cova de Sammath Naur, que ele, o mestre da
manipulação, foi um tolo. Todo seu planejamento cuidadoso e manobras
sagazes por dois mil anos foram para nada. Força massiva, poder
impressionante, e as estratégias mais sutis foram sabotados pela
completa equivocação de Sauron quanto aos fatos que ele descobriu. Ele
acreditava que seus inimigos queriam ser como ele. Se ele entendesse
que eles simplesmente queriam se livrar dele e de todos os Lordes
Negros para sempre, ele teria ficado mais retraído. Em tal mundo,
Sauron estaria sem ação por um tempo. Ele ainda teria que temer que
alguém tomasse o Anel e o usasse contra ele. Mas ele também temeria que
eles o destruíssem. Ele teria que refazer sua estratégia. Não devemos
duvidar que ele deveria ter feito isso, e que o Conselho de Elrond
acertou no ponto quando concluiu que eles tinham uma única chance de
derrotar Sauron.