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O Silmarillion

Autores: Bagrong, Fëanor e Smaug.

Apresentação:

No dia de hoje, há exatos 28 anos, O Silmarillion era publicado pela George Allan & Unwin, na Inglaterra, trazendo em seu conteúdo um material muito valioso que serviria de explicações para muitos pontos soltos. É impossível imaginar o Legendário, as histórias de Arda, sem o importante Silmarillion, que graças a dedicação de Christopher Tolkien foi lançado após 4 anos da morte de J.R.R. Tolkien.

Portanto, como de costume, o grupo Heren Quentaron traz uma homenagem alternativa à este livro, que para muitos é considerado a Bíblia dos fãs.

 

 

Fëanor – alguns pontos relevantes sobre o criador das Silmarils

 

A partir do momento em que Fëanor fez as três Silmarilli, mudou-se o destino de Arda. Através do Silmarillion acompanhamos como o destino do mundo molda-se em torno dos fatos relacionados a essas pedras.

Mas por que tanto alarido em cima de três gemas feitas por aquele elfo?
Convém relatar algumas coisas então: as três gemas possuíam justamente aquilo que Melkor mais almejou possuir através dos tempos, mas não teve capacidade: a Luz. Não uma simples luz de uma tocha, mas sim a Luz primordial, fruto do labor dos Valar. E não podendo possuir tal Luz, sua única alternativa era destruí-la. Assim fez com as Lâmpadas dos Valar e com as Duas �?rvores. Também tentaria mais tarde, e sem sucesso, com o Sol, Anar.

Voltando ao assunto: Depositadas nas três gemas estava uma parcela do desejo de Melkor. E como ele, o mais poderoso vala não conseguiu tal façanha, e um “mero elfo�? sim? Essa pergunta devia remoer sua cabeça, e de presente ele também ganhou uma boa quantidade de inveja de Fëanor. E Fëanor, cabeça quente como era, acabou por ter a ousadia de bater o portão no nariz de Melkor, ao descobrir as intenções mascaradas do mesmo. E, ao fazer isso, ele agiu de maneira incisiva sobre o futuro de Arda. Ou seja: não foi simplesmente a existência das pedras que poderia mudar algo, mas sim algumas atitudes dos seres a ela relacionados de alguma maneira. E bater a porta no nariz de Melkor foi uma dessas atitudes.

Pouco mais tarde, Fëanor perde seu pai, que ele amava mais que as três pedras, e estas também. Então ele se rebela contra os Valar (ele realmente era cabeça quente), e conclama seus familiares à segui-lo para além mar, onde Melkor havia se instalado. Mais uma atitude que iria dar uma guinada brusca no curso da história. Se essa rebelião não tivesse ocorrido, nem Silmarillion haveria. As pedras estariam lá, e só.

Para aqueles que leram o Silmarillion, Fëanor lembra em primeira instância ódio, amor, loucura, magnitude. Mas o que isso pode significar? Quis Tolkien passar alguma mensagem através deste personagem?
Talvez não diretamente, mas, como a grande maioria dos personagens da grande maioria das histórias, Fëanor acaba passando uma mensagem. Uma não, várias na verdade.

Talvez a mais relevante seja a maneira de como o poder pode enlouquecer alguém. Mesmo Fëanor sendo o “maior de todos os filhos de Eru�?, ele acaba caindo na loucura, e cometendo atos repugnantes. Traça-se aí a clássica linha que divide a loucura da genialidade. A parte onde tudo as emoções são postas à prova máxima, e onde uma leve mudança de contextos altera a personalidade da pessoa. E, como dizem, quanto mais alto, maior o tombo. Mesmo Fëanor sucumbiu às emoções que sentiu, não suportando a realidade passivamente, e transcendendo para a loucura. Aqui pode-se destacar mais um ponto: o modo como as ações más podem derrubar mesmo os corações mais inabaláveis.

Pois a causa da loucura de Fëanor, foi Melkor diretamente. Primeiro, ele semeia a discórdia, plantando falsas idéias entre seus inimigos, fazendo com que eles entrem em colisão. Depois, sua cobiça e inescrupulosidade o levam a praticar o roubo dos dois maiores pertences de Fëanor: seu pai e sua maior obra. Antes disso, Melkor já era o maior inimigo do elfo. O Elfo então se deixa levar totalmente pelo ódio e desejo de vingança. Toda a sua capacidade volta-se para o objetivo de desforrar-se do Vala. Sua genialidade é deturpada por suas emoções.

Tolkien foi grandioso no desenvolvimento de seus personagens. O Silmarillion é recheado deles, e cada um pode repassar alguma mensagem, que geralmente fica a cargo da interpretação do leitor. Fëanor é um desses personagens. Ele não foi feito para ser um simplesmente um herói queridinho ou um vilão sinistro. Vê-lo como tal, significa interpretar superficialmente a obra.

 
De Beren, Lúthien, Tolkien e Edith

Dos diversos capítulos de O Silmarilion, com certeza um dos mais empolgantes e importantes é o que narra a Balada de Leithian, aonde é contada a história dos heróis Beren e Lúthien.

Beren é um homem, mortal, que sofreu muito em toda a sua vida e que, por uma brincadeira do destino, acabou superando o Cinturão de Melian e indo para em Doriath, onde encontrou a mais bela de todas as elfas: Lúthien Tinúviel.

Enquanto era o homem um sofredor, a elfa havia sido criada sob proteção e cuidado de seus pais e jamais havia enfrentado grandes perigos ou problemas que parecem não tem resolução. Ela era teoricamente frágil.

O pai de Lúthien, Thingol, decretou que sua filha só se casaria com Beren caso este o presenteasse com uma Silmaril, que estava engajada na coroa de ferro de Morgoth. Após muito sofrimento e determinação, Beren e Lúthien conseguiram entrar na fortaleza de Melkor e, ao distraí-lo com uma das belíssimas canções da elfa, roubaram-no uma pedra.

Um mortal e uma elfa conseguiram fazer com pouquíssima ajuda o que todos os mais poderosos exércitos dos elfos não conseguiram: recuperar uma Silmaril. Isso demonstra o valor que Tolkien dá ao amor e aos verdadeiros valores. Enquanto milhares de elfos deram suas vidas em uma guerra vazia de princípios, movida apenas pela cobiça e ódio, sendo mal sucedidos, um casal apaixonado consegue realizar a façanha, pois manteve-se firme com seus valores e suas convicções.

Neste ponto vale ressaltar que Beren e Lúthien nunca tiveram cobiça ou desejo pelas pedras, eles apenas queriam entregá-la ao rei para poder viver suas vidas em paz. Depois de diversos acontecimentos terríveis com o Rei de Doriath e seu povo, a pedra recuperada acabou voltando para Lúthien, já engajada no colar Nauglamîr, e ao colocá-lo, a elfa se tornou a mais bela visão em toda a história de Arda.

É interessante analisar a história dos pais de Lúthien: Thingol e Melian, pois eles são, respectivamente, um elfo e uma maia. Lúthien já nasceu da miscigenação de dois povos e depois se casou com um homem, o que faz dessa união uma mistura maior do que a normalmente notada.

Provavelmente, Tolkien gostava muito dessa história, pois, ao morrer, deixou gravado em seu túmulo "Beren" e no túmulo de sua esposa "Lúthien". Talvez haja relação entre os personagens e a vida do autor, já que este sofreu por um bom período antes de encontrar sua amada e, depois disso, foi para a guerra, separando-se dela por certo tempo.

Um texto belo que narra o amor entre Tolkien e sua esposa, Edith, pode ser conferido aqui mesmo, na Valinor: Tolkien & Edith: Um amor de 89 anos

Concluímos que o escritor se baseou no amor que sentia por Edith e na imagem que tinha dela em sua juventude para escrever uma das mais belas histórias de todos os tempos: A Balada de Leithian.

 

As diferentes edições

Da edição brasileira:

Com tradução de Waldéa Barcellos e revisão técnica de Ronald Kyrmse, o livro O Silmarillion foi publicado no Brasil em dezembro de 1999 e já está junto dos fãs brasileiros há quase 6 anos. Até março de 2003, já foram feitas 4 tiragens da 1ª edição. A capa, diferente de edições estrangeiras, é a única para O Silmarillion no Brasil.

Da edição ilustrada por Ted Nasmith:

Em 2004, uma edição muito bonita foi lançada pela Houghton Mifflin Company, com um total de 45 ilustrações até então inéditas de Ted Nasmith. A edição que também traz um mapa colorido desdobrável de Beleriand e das terras ao norte, possui 386 páginas.

No início do livro, em inglês, o leitor poderá encontrar a famosa carta 131, em que Tolkien escreve para o editor Milton Waldman, falando, na verdade, dando um resumo de O Silmarillion, com cerca de dez mil palavras! A carta não está datada, mas provavelmente é de 1951. E Milton ficou tão impressionado, que mandou fazer uma cópia desta.

O fã português Daeron (Eru, o Único), do Portal Tolkienianos, que possui esta edição, nos passou várias fotos do livro, e o grupo selecionou algumas de dar inveja:

Capa
O Silmarillion, como fica sem a capa especial
Contra-capa
Mapa desdobrável de Beleriand

Se você ficou com água na boca, possui uma boa reserva, é só passar na Amazon.com e fazer o pedido.

Das capas:

Muitas capas já foram usadas para as edições de O Silmarillion pelo mundo, e um acervo muito interessante de capas encontra-se no site Tolkien Books.
Conclusão:

Como já foi dito, O Silmarilion é um dos livros mais importantes de Tolkien, pois narra todos os acontecimentos desde o começo dos tempos. Neste texto não seria possível analisar cada aspecto, cada capítulo, cada personagem do livro, por isso selecionamos apenas dois dos mais importantes temas para comemorar a data de lançamento.

O grupo agradece pela colaboração de Eru, o Único, do Portal Tolkienianos.

Contos Misteriosos da Terra-média

Não ouvimos falar com freqüência sobre as histórias de fantasmas que as
pessoas deviam contar umas às outras na Terra-média. O trabalho de
Tolkien é permeado por lendas bem trabalhadas que possuem, geralmente,
de fato um embasamento (dentro do escopo de sua pseudo-história), mas
quando paramos para considerar as imensas expansões de tempo que a
pseudo-história da Terra-média cobre, devemos nos perguntar quão
artificiais essas lendas se tornaram.
 
 
 
Todos já ouviram falar da história sobre o louco
que escapa de um sanatório e quase mata um casal jovem em uma estrada
escura, deixando sua garra pendurada na porta do carro (este seria, é
claro, um carro bastante antigo). Talvez essa história deva um pouco ao
mito nórdico do deus da guerra Tyr, que colocou sua mão na boca de
Fenris, deixando o lobo arrancá-la, enquanto os Aesir acorrentavam o
lobo. Tyr deveria ser um tanto quanto louco para fazer isso.

As primeiras histórias de fantasmas da Terra-média provavelmente foram
os contos há muito tempo esquecidos que os Elfos criaram sobre os
monstros de Melkor antes de Oromë descobrir sua morada em Cuiviénen. "E,
de fato, as canções mais antigas dos Elfos, cujos ecos ainda são
lembrados no Oeste, falam sobre formas sombrias que caminhavam nas
montanhas acima de Cuiviénen, ou passavam de repente pelas estrelas, e
do Cavaleiro Negro sobre seu cavalo selvagem, que perseguia aqueles que
vagavam, para tomá-los e devorá-los."

Os primeiros Elfos
eram um tanto ingênuos, em comparação aos seus sucessores Eldarin. Eles
não sabiam nada sobre quem eram os Valar, como o mundo se tornou o que
é, ou que monstros existiam (originados das criaturas inocentes de
Yavanna, ou Maiar corrompidos que assumiram formas de terror). Nem seus
poderes de mente e corpo estavam desenvolvidos. Será que os Elfos
sabiam, antes de encontrar os Valar, como utilizar suas faculdades
subcriacionais? Seria interessante se os primeiros menestréis Élficos,
que, em eras posteriores podiam "fazer com que as coisas sobre as quais eles cantavam aparecessem em frente aos olhos daqueles que estivessem escutando",
tenham feito canções de poder, onde suas audiências veriam novamente as
terríveis e místicas formas sombrias que rastejavam em seu mundo
outrora agradável.

Oromë levou os Eldar para o Oeste, através
de um mundo assustador, grande e desconhecido, para as margens
ocidentais da Terra-média, e a partir dali a maioria dos Eldar partiu
para uma terra de luz. É difícil imaginar os Altos-Elfos de Aman
vivendo sobre os fantasmas e demônios de seu passado. Eles seguiram o
estudo de alta civilização e arte e construíram grandes cidades e
artefatos poderosos. Mas os Eldar que permaneceram na Terra-média, os
Sindar, foram deixados na escuridão (ou na fraca luz das estrelas), e
apesar de por longas eras eles não terem sido perturbados pelas
criaturas de Melkor, ainda tinham razão para conhecer o medo.

Pois os Sindar eram perturbados pelos Noegyth Nibin, os Anões
inferiores, exilados das grandes cidades dos Anões do Leste, que
encontraram seus caminhos para Beleriand. Ali, nas Terras Selvagens
antes da vinda dos Elfos, eles estabeleceram sua própria cultura, da
qual não conhecemos praticamente nada, além do fato que eles eram
reservados e rancorosos. Os Noegyth Nibin atacaram os Elfos, que
revidaram ao caçá-los, sem saber de fato que os Noegyth Nibin eram
decaídos de um estado mais alto de civilização, tomando-os por animais
ou pequenos monstros da escuridão.

Com o tempo, os Sindar se
tornaram amigos dos Anões de Nogrod e Belegost, e eles aprenderam sobre
a verdadeira natureza dos Noegyth Nibin, e os povos deixaram cada um em
paz. Mas os Sindar eram de vez em quando avisados pelos Anões do Leste
que criaturas malignas estavam se multiplicando nas terras além de Ered
Luin. Se os Sindar tivessem tido tempo para esquecer os antigos
monstros, eles eram eventualmente lembrados, quando as criaturas de
Melkor começaram a se rastejar por Beleriand, "lobos… ou criaturas que andavam em forma de lobos, e outros seres sombrios cruéis".

Os Sindar se dividiram em dois grupos: Elfos das Florestas que se
espalharam para o Norte e Oeste a partir de Doriath e os Elfos
navegantes, que moravam nas terras costeiras ocidentais e se espalharam
pelo Norte. Muitos destes Elfos viviam fora das cidades, mais
provavelmente em cidadelas ou vilarejos que nunca apareceram em nenhum
mapa. Mas estando longe dos centros de poder e sabedoria, eles estavam
menos seguros em suas casas e talvez mais propensos para se perguntar
sobre as coisas misteriosas que se rastejavam ao redor deles. Será que
estes Elfos, talvez, cantavam sobre as coisas sombrias que assombravam
Beleriand?

Após o retorno dos Noldor e o começo da Guerra das
Gemas, criaturas sombrias e terríveis teriam se tornado bem conhecidas
através de Beleriand. Imagine se um exército de goblins, vampiros e
lobisomens estivesse prestes a invadir sua terra natal e permanecer
próximo por muitos anos. Você estaria propenso a contar "histórias de
fantasmas", sabendo que os fantasmas estavam logo além da montanha? Os
contos seriam histórias reais, não lendas. As criaturas seriam inimigos
conhecidos, e não terrores maléficos misteriosos.

Não seria
até após o colapso dos grandes reinos que de fato se tornaram lenda
novamente. Homens mortais se lembrariam das histórias e passariam as
mesmas para a frente, mas a cada geração, as histórias se tornaram
menos reais. Será que Dirhavel de Arvenien entendia sobre o que estava
cantando, se ele cantou sobre o conto de Barahir e seus fora-da-lei 70
anos após os eventos terem se desenvolvido? Quantos dos Elfos que
sobreviveram à destruição dos reinos em Arvenien e Ilha de Balar eram
velhos o suficiente para se lembrar das grandes batalhas ou do passado
antigo? Mesmo Elrond, que já era antigo na época da Guerra do Anel,
teria crescido nos dias em que Húrin e Túrin eram apenas memórias dos
homens e mulheres idosas, Hador era um ancestral distante e Cuiviénen
estava há gerações além de sua experiência.

Quão reais os
contos do Lobo-Sauron e Drauglin, pai dos lobisomens, e Thuringwethil,
a mensageira de Sauron em forma de morcego, e Gorlim, o fantasma
infeliz, teriam parecido às gerações de Homens e Elfos que cresceram no
início da Segunda Era? Seu mundo havia mudado. A maior parte de
Beleriand havia sumido. Os grandes reis, que lideraram os Elfos e Edain
na guerra contra Morgoth estavam todos mortos. Os Edain do Oeste
navegaram para construir uma grande civilização e os Edain do Leste
retrocederam às planícies e bosques onde eles lentamente esqueceram que
uma vez alguns de seu povo partiram para o outro lado das montanhas.

E ainda após Sauron ter começado a tumultuar novamente na Segunda Era,
reunindo mais uma vez criaturas maléficas sob seu controle, como
evidência do retorno do mal que se movia através das Terras Élficas, os
Homens devem ter apagado as antigas lendas sobre lobisomens, vampiros,
Orcs e demônios, e recontaram como havia uma vez um senhor do escuro
contra quem somente alguns Elfos e Homens se defenderam valentemente.

E ainda o mal, conseqüentemente, adquiriu um aspecto mais claro, e a
Guerra dos Elfos e Sauron trouxe um fim a muitos reinos Élficos e
Humanos, e muitos séculos de combate existiriam subseqüentemente. A
Segunda Era deve ter originado novas lendas de terror, principalmente
quando os Nazgûl apareceram na Terra-média, mas também pode ser, como
na Primeira Era, que a Segunda Era tenha trazido o mal para muito perto
de casa para as pessoas desenvolverem uma estranha fascinação por ele.
Somente sonhamos com vampiros e lobisomens quando sabemos que eles não
são reais e não podem nos machucar.

Mas a guerra final da
Segunda Era contribuiu para a fundação de uma das maiores lendas de
terror na Terceira Era. Isildur convocou um povo das montanhas para
marchar contra Sauron, e eles recusaram, uma vez que eles outrora
adoravam Sauron como um deus. A esses homens sem fé, Isildur condenou a
desaparecerem como um povo. Eles definharam e morreram, perdidos e
sozinhos nas terras altas, condenados a assombrar suas terras antigas
até o dia em que eles pudessem redimir seus juramentos para um Herdeiro
de Isildur.

O audacioso povo das montanhas de Gondor vivia ao
lado dos Mortos do Templo da Colina, e deve-se imaginar se eles não
passaram longas noites de inverno trocando contos de viajantes
imprudentes que se perderam nos caminhos dos Mortos, ou que encontraram
uma reunião de fantasmas à grande pedra de Erech em tempos
problemáticos. Ninguém sabe como a dama Élfica Nimrodel se perdeu nas
montanhas, mas será que o povo local a adotou como uma vítima de suas
lendas? Será que eles a imaginavam perdida e assustada, possuída pelos
antigos fantasmas?

Os caminhos dos Mortos eram famosos
através das terras dos Dúnedain, ao que parece. Malbeth, o vidente, que
vivia em Arnor, previu que um dia um Herdeiro de Isildur caminharia
naqueles caminhos e acordaria os Mortos. Séculos depois, quando os
Rohirrim se estabeleceram em Calenardhon e Brego, seu segundo rei,
terminou a construção do salão de Meduseld, ele e seus filhos passaram
pelas montanhas e encontraram um homem idoso sentado na entrada do
caminho dos Mortos.

"O caminho está fechado", ele disse a eles. "O
caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os
Mortos o guardam, até a hora chegar. O caminho está fechado."
E
então ele morreu, e o príncipe Baldor resolveu entrar no caminho dos
Mortos e ver por si mesmo que segredos existiam ali. Ele nunca
retornou, e toda Rohan se questionou sobre o que se tornou dele.

Provavelmente os ossos que Aragorn encontrou dentro da passagem eram de Baldor: "Diante
dele estavam os ossos de um homem forte. Estivera vestido de malha
metálica, e sua armadura jazia ainda inteira, pois o ar da caverna era
seco como pó; sua cota era dourada. O cinto era de ouro e granadas, e
rico em ouro era o elmo sobre os ossos de sua cabeça, caída com o rosto
contra o chão. O homem tombara perto da parede oposta da caverna, pelo
que se podia presumir, e diante dele havia uma porta de pedra
hermeticamente fechada: os ossos de seus dedos ainda agarravam as
fendas. Uma espada quebrada e chanfrada jazia ao seu lado, como se ele
tivesse golpeado a rocha em seu último desespero"
.

O que
poderia ter acontecido dentro daquela caverna escura e solitária é que
um dos mais bravos guerreiros de Rohan teria ficado louco e rachado a
rocha em desespero? Ele deve ter sido atacado por um exército dos
Mortos, e procurando uma maneira de escapar e se desviou. Ou talvez ele
meramente sucumbiu ao medo e temor, estremecido a sua própria alma, e
irracionalmente, fugiu impetuosamente na escuridão até não poder mais
encontrar seu caminho, e lentamente, tristemente, passou seus últimos
dias ou horas em vão, procurando admissão em algum refúgio de natureza
duvidosa.

Os Mortos do Templo da Colina não eram as únicas
assombrações a habitar a Terra-média na Terceira Era. Os Nazgûl
surgiram de Mordor no ano 2000 e sitiaram a cidade montanhosa de Minas
Ithil. Após 2 anos eles tomaram a cidade e a transformaram em um lugar
de terror existente, e dizia-se que era a residência de fantasmas e
outros monstros. Até mesmo os Orcs que estavam posicionados ali estavam
enervados pelas criaturas terríveis com as quais os Nazgûl haviam
ocupado a cidade. Todas as terras vizinhas se tornaram desertas,
conforme as pessoas fugiam para o outro lado do Anduin, e com o tempo
somente as pessoas mais audaciosas de Gondor ousavam viver em Ithilien,
que uma vez havia sido uma terra muito agradável e bela.

Os
Nazgûl eram especialmente bons em acabar com as vizinhanças. Séculos
antes o Senhor dos Nazgûl havia rumado para o Norte para estabelecer o
reino de Angmar. Homens serviam a ele, mas também Orcs, Trolls, e
outras criaturas, incluindo espectros. Ele ensinou ou encorajou o povo
das colinas de Rhudaur a praticar feitiçaria, principalmente
necromancia, e na guerra com Cardolan e Arthedain no ano 1409, o Senhor
dos Nazgûl enviou espectros para habitar os antigos túmulos em Tyrn
Gorthad, próxima a Bri. Estes espíritos se tornaram as Criaturas
Tumulares. Eles animaram antigos ossos e ocuparam a terra com pavor e
medo. Seu poder era tão grande que, muitas gerações depois, os esforços
do Rei Araval para recolonizar Cardolan falharam, porque as pessoas não
poderiam viver perto de Tyrn Gorthad.

Quando os últimos
remanescentes do Reino do Norte foram arruinados, criaturas maléficas
ocuparam sua última capital, Fornost Erain, apesar de que depois de
apenas alguns meses elas foram destruídas ou expulsas por um grande
exército de Gondor e Lindon. Muito da terra estava limpa quando a
própria Angmar foi destruída, mas as Criaturas tumulares permaneceram,
e os Homens de Bri ficaram amedrontados em relação às ruínas de Fornost
Erain, conseqüentemente, denominando-as de Dique dos Mortos, porque
eles apenas podiam se lembrar do terror que brevemente havia governado
ali.

Arnor estava quase esvaziada de pessoas, e ruínas foram
deixadas por todos os lugares: Annúminas, Fornost, Tyrn Gorthad, as
colinas de Rhudaur, Topo do Vento. Tharbad, a última cidade de Arnor,
declinou e se tornou uma cidade ribeirinha, e conseqüentemente foi
abandonada após ter sido destruída por severas inundações. Quase toda
Eriador era uma terra vazia e desolada, com cidades esquecidas e
túmulos assombrados.

É um pouco estranho que os Hobbits que
partiram do Condado em 3018 não eram muito mais amedrontados em relação
ao mundo ao redor deles. Eles tinham lendas sobre a Floresta Velha, que
ficava nas fronteiras da Terra dos Buques, uma terra estranha onde as
árvores podiam se mover conforme queriam e que abrigavam um antigo ódio
pelos seres que caminhavam em duas pernas. Tolkien observa que "mesmo
no Condado, o rumor sobre as Criaturas Tumulares das Colinas dos
Túmulos além da Floresta foi ouvido. Mas não era um conto que qualquer
Hobbit gostaria de ouvir, mesmo em frente a uma confortável lareira bem
longe de tudo isso".

Mas Frodo e seus amigos não sabiam
nada sobre os terrores que existiam além das Colinas dos Túmulos e suas
criaturas, ou as lendas que ainda assombravam as terras, apesar das
criaturas que geraram terror aos contos terem desaparecido há muito
tempo. Se eles tivessem ido em busca de antigas histórias de fantasmas,
ao invés de buscar uma maneira de destruir o Um Anel, eles teriam
encontrado lendas suficientes para encher um livro. Havia o velho
monstro vivendo no alto das montanhas sobre Minas Morgul, as estranhas
e agourentas árvores da Floresta de Fangorn, o escuro e repugnante
Guardião na Água, o espírito de fogo e sombras que assombrava as
cavernas perdidas de Moria, a fria e cruel Caradhras, e coisas escuras
voadoras que bloqueavam as estrelas à noite, e os próprios Nazgûl.

A pobre e perdida Eregion se tornou a morada de lobos enfeitiçados e
tropas ameaçadoras de Crebain, e a terra esqueceu que uma vez fora lar
a um povo Élfico que ousara mexer com a força do Tempo na própria
Terra-média. Mas quando tudo estava feito e o Senhor dos Anéis
destruído, os Hobbits e seus aliados foram mais uma vez lembrados de
todos os grandes e antigos temores, e eles devem ter passado muitas
noites felizes trocando contos em frente à lareira, mantendo vivas as
estórias de fantasmas da Terra-média.

[tradução: Helena "Aredhel" Felts]

Está tudo em famí­lia: Os Finwënianos

O papel central da mitologia de Tolkien está designado à família de Finwë, o primeiro rei dos Noldor. Ao contrário dos Minyar (Primeiros), todos aqueles que migraram para Valinor e se tornaram conhecidos como os Vanyar, os Tatyar (segundos) e Nelyar (Terceiros), se dividiram em dois grupos. Aqueles Tatyar que se comprometeram a realizar a Grande Jornada se tornaram os Teleri, e Elwë e Olwë eram seus líderes. Portanto, Finwë, Elwë e Olwë eram somente reis dos membros de seus clãs que os seguiram na Grande Jornada. Os Elfos remanescentes, conhecidos coletivamente como os Avari, eram chefiados por outros (inominados) capitães.

O significado dessa distinção é que o isolamento de Finwë dos Tatyarin Avari fortalece a visão emergente de Tolkien que Finwë deveria ser um Elfo da primeira geração. Apesar de Tolkien nunca ter afirmado isso, deveria ser respeitável por parte da primazia de Fimwë, se todos os Tatyar aceitaram sua decisão de ir a Aman. Uma vez que Ingwë, Finwë e Elwë tiveram que persuadir seu povo para realizar a jornada, nós sabemos que eles não tinham o poder autocrático dos reis Eldarin, enquanto todos os Elfos viviam em Cuiviénen. A estrutura social da primitiva cultura élfica deve, portanto, ter sido substancialmente diferente daquela dos reinados Eldarin em eras posteriores. Fëanor também tentou persuadir os Noldor a segui-lo, mas ele estava fazendo um apelo emocional durante um tempo de crise, enquanto ele ainda estava sob a banição dos Valar. Sua legitimidade como rei era questionável, uma vez que Fingolfin ainda estava agindo tecnicamente como rei em Tirion. Na Terra-Média, Turgon não parece ter tido que persuadir seu povo para segui-lo quando ele se deslocou de Nevrast para Gondolin. Ele simplesmente fez essa decisão e todo o reino se mudou.

É desta maneira evidente que havia ali um processo de evolução na autoridade dos líderes Eldarin. É certamente discutível que uma sociedade menos sofisticada pode não ter providenciado aos Elfos mais velhos o poder dos monarcas. Mas se é esse o caso, então a suposição de que Finwë deve ter se identificado com Tata, o mais velho dos Tatyar, é mais adiante enfraquecida. Tal identificação não necessita ser limitada com a identificação de caráter com caráter. Não é aparente que Finwë deve ser um descendente de Tata e Tatië. Ele poderia ter vindo de qualquer família e ascendido à proeminência através de sua coragem e sabedoria.

No entanto, os Noldor, mais que qualquer outro povo élfico cuja cultura Tolkien escrevera, mantiveram um sistema muito patriarcal. Os reis Noldorin alcançaram uma autoridade quase absoluta sobre seu povo, bem como a autoridade que Melkor exercera sobre seus próprios assuntos. De um modo, os Noldor se tornaram uma paródia daquilo que eles mais desprezavam: o reino de Morgoth. Sua estrutura social deve ter sido compelida para tal autocracia por antigos costumes mais do que por experimentação. De fato, é sensato inferir a partir dos nomes de vários grupos Avarin que os Tatyar eram mais propensos a divisões que os Nelyar. Se for assim, então a habilidade de Finwë em reter a total lealdade de seu povo em Aman foi extraordinária. Fëanor era bem menos popular que seu pai.

Então, a autoridade autocrática dos últimos reis Noldorin indica que eles devem ter herdado uma autoridade primária de Tata. A personalidade de Finwë deve ter participado de um papel maior em estabelecer a autoridade, mais do que sua herança. Isto é, para os Noldor, descender de Finwë seria mais importante do que descender de Tata. Sem falar que os capitães originais dos Tatyar não devem ter descendido de Tata. Faz sentido que, se Ilúvatar selecionou Tata para ser o primeiro a acordar entre os Elfos, ele deveria ter as qualidades de um líder natural que Ilúvatar sentira que os Tatyar necessitariam. Tata deveria (se ele fosse um bom pai) criar seus filhos para serem bons líderes também. Liderança deveria ter se tornado o papel natural da família simplesmente porque a família exercia liderança. Portanto, se Finwë teve irmãos ou primos que decidiram não ir para Valinor, eles devem ter se tornado os líderes dos Tatyarin Avari.

A questão se Finwë tinha outros parentes é interessante, apesar de não ser necessariamente crucial para o entendimento da cultura Noldorin. Havia outras casas principescas entre os Noldor. Elas devem ter compartilhado uma aliança com a casa real através de descendência comum de Tata, mas Tolkien nunca explora o assunto em nenhuma obra publicada. Havia príncipes em Gondolin, como Glorfindel (de quem Gandalf comenta com Frodo que Glorfindel descende de uma casa de príncipes). Infelizmente, a história dos textos de Gondolin faz com que seja impossível determinar quantos príncipes havia em Gondolin, ou qual deveria ter sido sua relação (se é que havia) com os Finwënianos. Voronwë reinvidicou aliança com a Casa de Fingolfin. Um descendente comum de Tata pode explicar essa aparente discrepância. Um descendente através de uma filha de Fingolfin (um daqueles que foi ao exílio) deve também explicar a reinvidicação de Voronwë. Mas algumas pessoas discutem que a declaração de Voronwë pode somente explicar uma relação entre sua família e a família de Fingolfin.

Então Gondolin não nos oferece qualquer insight sobre as complexas hierarquias sociais dos Noldor. No entanto, Nargothrond é uma história diferente. Há pelo menos uma casa de príncipes que (aparentemente) não reinvidica aliança com os Finwënianos. Essa é a família de Guilin, cujo filho Gwindor iniciou a responsabilidade de chefe por lançar o desastroso ataque que iniciou a Nirnaeth Arnoediad. Gwindor também trouxe Túrin a Nargothrond, o que posteriormente levou ao fim daquele reino. Tolkien fala que Gwindor é “um príncipe muito valioso”. Em qualquer outro lugar, Gwindor é “um senhor de Nargothrond”. Seu posto é, no entanto, nobre, mas ele não é um Finwëaniano. Se a família de Guilin foi considerada nobre de tempos antigos ou foi elevada a esse status por Finwë ou um dos reis de Nargothrond, é um mistério.

O que podemos ter certeza é que, no entanto, os Finwënianos derivaram seu status especial do próprio Finwë. A monarquia Noldorin começou com Finwë e todos os reis legítimos dos Noldor exigiram a descendência dele. Mais ainda, nenhum príncipe Noldorin de fora da família já tinha estabelecido um domínio próprio. A estima cuja família de Finwë teve por seu povo foi forte o suficiente, tanto que eles limitaram sua escolha de reis somente para seus descendentes. Portanto, até mesmo se todos os capitães Tatyarin fossem descendentes de Tata, tal patrimônio era insuficiente para justificar um prestígio real.

O carisma de Finwë é também evidente pelo fato de que mais de uma mulher élfica o amava. Em “Leis e Costumes entre os Eldar” (“Morgoth’s Ring”, pg 207-253), Tolkien escreve: “Os Eldar casavam somente uma vez na vida, e por amor, ou pelo menos por livre arbítrio de ambas as partes…Casamento, exceto por raras chances ou destinos estranhos, era o curso natural da vida de todos os Eldar…Aqueles que deveriam depois se tornar casados, deveriam se escolher cedo na juventude, até mesmo quando crianças (e de fato isso acontecia de vez em quando em dias de paz)…”

Se o curso natural dos Eldar os levou a se casar somente uma vez na vida, então a habilidade de Finwë de atrair e amar mais que uma mulher era extremamente fora do comum. Sua personalidade deveria ser extremamente carismática. Não é justo falar que alguma coisa deva ter acontecido para Indis amar Finwë até mesmo quando ele estava casado com Míriel. Seu amor era sem dúvida puro e natural. Não há nunca uma dica de qualquer sinal de sombra ou corrupção em ambos Finwë ou Indis nas estórias relacionadas ao seu casamento. Até certo ponto, seu casamento é reconhecido como um sinal de cura para o pesar de Finwë sobre a morte de Míriel e a recusa de retornar à vida. Apesar da narrativa dizer que as coisas seriam melhores para os Noldor em geral se Finwë não se casasse novamente, o amor que ele e Indis compartilhavam parece ter sido tão forte e natural como o amor que seria encontrado em qualquer primeiro casamento entre os Eldar.

A personalidade distinta de Finwë deve, portanto, ter sido expressada em todos os seus filhos de uma maneira ou outra. Crescer em uma família de um líder que as pessoas devem ter idolatrado deve ter imbuído as crianças de Finwë com um senso de prestígio. Mas ver seu pai interagir com seu povo como um líder, e sem dúvida ouvi-lo palestrar sobre como governar ou liderar o povo deve ter providenciado uma educação espetacular a Fëanor, Fingolfin e Finarfin no equivalente Noldorin de uma pessoa culta. Finwë deve ter sido muito bom em julgar os humores dos outros e descobrir o que ele queria. Os Noldor assim desenvolveram um relacionamento muito próximo com seu rei, muito mais próximo (parecia) do que aquele entre os Vanyar e Ingwë ou entre os Teleri e Elwë e Olwë.

No entanto, Tolkien adicionou um pouco de divisão política lingüisticamente inspirada ao ambiente que produziu os Finwënianos. Isto é, em “The Shibboleth of Fëanor”, Tolkien documenta a transição consciente que a maioria dos Noldor incumbiram em seu diálogo entre o uso de um som (chamado Thorn, foneticamente relacionado à th) e outro (que tomava o lugar do som antigo). Os Vanyar, que aderiram à prática antiga, retiveram o antigo som. Fëanor aderiu ao antigo som como um símbolo de seu amor para com sua mãe. Finwë, por outro lado, tomou a nova pronúncia, talvez como um sinal de que ele estaria prosseguindo com sua vida. Indis também tomou a nova pronúncia, pois ela sentiu que estando unida aos Noldor, deveria falar como eles.

A intransigência de Fëanor derivou-se em parte da natureza teimosa que ele tinha herdado de sua mãe. Mas a decisão dos Valar de proibir o retorno de Míriel à vida para permitir que Finwë e Indis se casassem levou Fëanor a concluir que Indis era a fonte de sua infelicidade. Ele aparentemente não comparecera ao conselho onde os Valar debateram sobre os prós e contras de permitir que Finwë tivesse uma segunda esposa, então ele não entendia que foi a intransigência de Míriel que levou ao grande problema. Os Valar queriam somente o que era justo, e à vista deles (particularmente de Manwë), Míriel estava sendo muito egoísta. Ela tinha, portanto, perdido seus direitos como um ser vivo encarnado. Tudo o que Fëanor vira era o fato de que ele nunca falaria com sua mãe novamente, o que pareceria (em seu luto e raiva) uma promessa quebrada dos Valar. Apesar de tudo, os Elfos supostamente viveriam com a vida de Arda. Míriel deveria ter sido restaurada à vida por fim. Esse era o natural a acontecer com um Elfo.

Assim, quando Finwë e Indis se casaram, o ressentimento de Fëanor da intrusão de Indis na família assegurou que ele iria se isolar da família de Finwë. Quando Fëanor criou seus filhos, estes questionaram por que seus tios e tias falavam de uma maneira diferente da deles. Ele e sua família respeitavam a língua de sua amada mãe. Fëanor fez disso uma questão pessoal, e dessa forma alienou os contadores de estória Noldorin que iriam de outra forma ter aceitado e suportado seus argumentos contra a mudança lingüística. Como comparação, considere como (no idioma americano), muitas pessoas hoje utilizam o pronome “myself” incorretamente (de acordo com as regras antigas). Quando falamos de outra pessoa e de si mesmo, devemos usar “me” no objetivo e “I” no subjetivo. No entanto, muitas pessoas têm sido repreendidas por professores e parentes por usar “me” quando deveriam usar “I”, então acabaram substituindo “myself” por “me”.

Em outras palavras, ao invés de falar “They were speaking to my sister and me”, a maioria das pessoas fala “They were speaking to my sister and myself”. “Myself” é, de acordo com as regras gramaticais, um pronome reflexivo. Deve ser precedido somente por “I” ou “me”, e não utilizado sozinho. Agora, imaginem se o Príncipe Charles fosse lançar uma cruzada pessoal para corrigir cada pessoa que utiliza o “myself” incorretamente! Quanto tempo levaria antes que as pessoas decidissem que ele é arrogante o bastante para se respeitar? E imagine que enquanto o Príncipe Charles faz campanha contra o idioma vulgar, sua mãe, a Rainha, começa a usar o “myself” incorretamente. O amor e o respeito do povo para com uma monarca popular continuará intacto, porque ela estaria falando como eles e não faria tempestade em copo d´água acerca de uma questão tão pequena. No entanto, esse amor e respeito não seriam transferidos ao seu filho.

Fëanor assim elevou um desentendimento erudito ao status de ordem política. Todos aqueles Noldor que usavam a pronúncia nova eram contra ele, e todos aqueles que retiveram a pronúncia Thorn o apoiavam. Ironicamente, Fëanor ignorou os Vanyar, que eram praticantes da pronúncia Thorn, enquanto ele possuía uma aliança com os teleri, cuja fala era radicalmente diferente do Quenya falado pelos Noldor e Vanyar. Mais ainda, Finarfin reteve a pronúncia Thorn por motivos próprios. O “Shibboleth” diz que Galadriel mudou para a nova pronúncia, em parte devido a sua animosidade para com Fëanor.

Todas essas mudanças ameaçadoras de vida na pronúncia, desta maneira, simbolizavam a polarização das lealdades dos Noldorin. Porém, ainda mais importante, elas enfatizaram a transição entre a autoridade primitiva dos capitães Élficos e a autocracia dos reis Noldorin. Fëanor estava fazendo sua linguagem de seu modo, e ele reuniu com ele todos aqueles que se sentiram reunidos. Mas devido ao fato de ele ter sido uma pessoa tão maestral, ele chegou a dominar as decisões de seus seguidores. A transição de seus seguidores a quase autômatos políticos foi completada por suas participações voluntárias no ataque de Alqualondë. Eles devem ter pensado que estavam apenas roubando navios, mas quando a luta começou a ficar sangrenta, nenhum dos Fëanorianos pareceu ficar de lado e falado: “Esperem um pouco! O que estamos fazendo?”.

Em uma menor extensão, a divisão sobre a pronúncia deve ter influenciado os outros Noldor, não meramente para suportar Finwë e Fingolfin. A divisão deve tê-los forçado a ter um pensamento do tipo “nós e eles”. Alguns seguiram Fëanor e outros seguiram Finwë e Fingolfin. Subseqüentemente, o prestígio de Finwë entre os Noldor deve ter diminuído. Ele tinha, apesar de tudo, desonrado seu próprio filho ao não apoiar Fëanor. Deve ter sido um momento de orgulho para os Fëanorianos quando Finwë partira de Tirion para viver com seu filho em exílio. Apesar do papel de Finwë na disputa entre Fëanor e Fingolfin ser silencioso, seria somente um pequeno salto de imaginação retrata-lo controvertido, como quando ele tenta restaurar a paz entre seus filhos e descobre que os Valar tinham chegado para proferir sua própria justiça. Então, para adicionar ferida ao insulto, eles exilaram seu filho, não considerando tudo o que ele possa ter falado em nome de Fëanor (sem mencionar a tentativa de reconciliação de Fingolfin). Evidentemente, empunhar uma espada contra seu irmão em público é algo bem desagradável. Mas a autoridade de Finwë estava comprometida. Ele não podia dispensar a justiça dentro de sua família, muito menos entre seu próprio povo.

O ato da rebelião de Finwë foi o começo real da rebelião de Fëanor, apesar de todos os conflitos que precederam tal rebelião. A intromissão de Melkor deve ter inflamado o orgulho dos Noldor, mas era, no fim, a própria decisão de exilar Fëanor de Tirion, que ocasionou a seqüência final dos eventos em andamento. O que não é dizer que a rebelião deva ter ocorrido de outra forma. Fëanor deve, por fim, ter sido empurrado da beira apesar do que aconteceu. O assassinato de Finwë por Melkor jogou Fëanor numa profunda depressão final, que resultou no que pode ser caracterizado como sua loucura. Fëanor perdera toda a sua perspectiva racional, e devido a ele ter aperfeiçoado seus poderes de persuasão durante anos e devido ao fato de que os Noldor eram uma nação em luto pela morte inesperada de seu Rei e pela perda das Duas “rvores, Fëanor tinha esse como o momento perfeito para infectar seu povo com sua loucura.

A dinâmica da personalidade culta dos Finwënianos do modo como era, foi assim, fundada sobre um forte laço emocional entre os reis e o povo. Fëanor havia alienado a maioria dos Noldor quando Melkor assassinara Finwë, mas a miséria ama companhia, e Fëanor tinha muita companhia após Melkor e Ungoliant terem matado as Duas “rvores e atacaram Formenos. Todas as decisões justas e populares de Finwë através do equivalente de centenas de anos haviam preparado o caminho para o apelo emocional de Fëanor. Ele deve ter tido os poderes de um incrível locutor motivador para começar, mas Fëanor provavelmente não poderia ter influenciado os Noldor a unirem-se a ele em qualquer outra época da história. A morte de Finwë e o modo como Melkor capturara os Valar completamente sem guarda em seu próprio reino deve ter abalado a fé dos Noldor em Manwë e Varda.

No entanto, Fëanor não tinha nada a seu favor. Fingolfin, igualmente em luta por seu pai, e muito amado e respeitado pelos Noldor, discutiu contra Fëanor. O debate durou um longo tempo. Deveriam ter trocado palavras amargas e duras. O sarcasmo e ridicularização devem ter sido jorrados da língua de Fëanor rápida e furiosamente. Fingolfin deve ter parado de se conter por um tempo, e simplesmente descarregou tudo em Fëanor. Tudo o que nos é contado é que palavras violentas despertaram, e então mais uma vez a ira chegou próxima a beira das espadas. O que estava em jogo não era simplesmente o destino da nação Noldorin, nem mesmo a aliança dos Noldor. Questões pessoais estavam pressionando para frente e ambos Fëanor e Fingolfin estavam investigando (ou tinham investigado) eles próprios em questões de prestígio e poder pessoal. Isto é, Fingolfin nessa época sentia que ele deveria ser rei dos Noldor. Ele era, de certa maneira, quase orgulhoso e arrogante como seu irmão.

As ambições maquiavélicas de Fingolfin foram despertadas pelas mentiras de Melkor, que gerou dissensão entre os Noldor. Foi quando Fingolfin fez um apelo emocional ao seu pai para reprimir Fëanor por ter empunhado sua espada sobre Fingolfin. Fëanor acusou Fingolfin de abrigar ambição real. Pode ser que Fëanor estava lendo os desejos de seu irmão corretamente. Fingolfin, apesar de tudo, não falava estranhamente como Fëanor falava. Ele também não ficava por aí com espadas, ameaçando parentes na frente do rei e seu povo. Ele deve ter se julgado um candidato melhor para o reinado que seu irmão (apesar de que, naquela época, não havia razão para ninguém ficar pensando sobre quem deveria suceder ao seu pai). “Deixem que o melhor príncipe governe” era a ordem do dia, mas Fingolfin não era aparentemente melhor em evitar as manipulações de Melkor que Fëanor. Portanto, quando Finwë desistiu de sua coroa para compartilhar do exílio de Fëanor, Fingolfin não tinha outra escolha a não ser aceitar humildemente a pesada responsabilidade de governar a maioria dos Noldor em Tirion.

Dez anos de reinado devem representar uma estabilidade muito dependente. Fingolfin deve ter restituído a coroa para seu pai, mas ele não desejava renunciá-la a Fëanor. Quando Melkor assassinou Finwë, o reinado Noldorin entrou em disputa imediata. Apesar dos Valar não terem ainda restabelecido seu local entre os Noldor, Fëanor entrou em Tirion e convocou Finwë. Tal intimação era uma clara usurpação da autoridade real. Mais encolerado, Fëanor se declarou como o legítimo Rei dos Noldor. Fingolfin não abdicara sua própria autoridade, embora temporariamente isso era destinado a ocorrer. Como Finwë havia enfrentado os Tatyar muito tempo atrás e ofereceu a eles uma nova vida em Aman, Fëanor agora enfrentava os Noldor e propunha uma oferta similar de vida nova na Terra-Média. A antiga estrutura social não estava trazendo sentido. Fingolfin tinha que responder a Fëanor, mas se sua esperança era restaurar o reinado de Finwë através de suas próprias leis, isso provou ser inútil. A maioria dos Noldor não queria mais nada com os Valar e Valinor. Alguns deles foram convencidos a se unir à rebelião, apesar da afeição por Valinor. E uma menor parte da nação recusou a aceitar ambos Fëanor ou Fingolfin se eles estavam determinados a liderar os Noldor ao exílio, mesmo se Fingolfin somente concordasse em ir apenas para ter certeza de que Fëanor não deixaria que ninguém fosse morto.

No fim, Finarfin provou ser o único filho de Finwë com qualquer bom senso real. Ele aparentemente nunca caiu nas mentiras que Melkor semeara entre os Noldor. Quando um grande mentiroso espalha confusão, normalmente há algumas pessoas que ficam acima da discórdia, e Finarfin era esse tipo de indivíduo. Ele, também, tentou persuadir os Noldor a não seguir Fëanor ao exílio. E assim como Fingolfin, ele concordou em ir relutantemente, em maior parte porque seus filhos queriam tentar a sorte na Terra-Média, e porque ele temia o que poderia acontecer com as pessoas se elas fossem deixadas à mercê da liderança de Fëanor. Quando os Noldor atacaram Alqualondë e os Valar os condenaram a um destino terrível, Finarfin silenciosamente retirou-se da rebelião e procurou o perdão dos Valar (e, esperançosamente, dos Teleri, seu povo por casamento). No fim, o reinado foi outorgado a Finarfin, cujas mãos não eram manchadas de sangue e cujo coração tinha a menor ambição dentre os filhos de Finwë.

Outros membros da família de Finwë que receberam praticamente nenhuma atenção ao longo dos anos foram as filhas de Finwë com Indis. Finwë tinha filhas? Bem, isso é o que “The Shibolleth of Fëanor” nos passa. Findis foi, de fato, a filha primogênita de Finwë e Indis. Ela era aparentemente muito parecida com a sua mãe em temperamento. Indis ficou em Tirion quando Finwë se uniu a Fëanor em Formenos. Ela não participou de nenhuma parte no governo dos Noldor, parecia, e Findis parece ter permanecido próxima de sua mãe. Quando a notícia da morte de Finwë chegou a elas, ambas partiram e retornaram aos Vanyar.

Originalmente, Finwë teria três filhas com Indis. Christopher Tolkien menciona que, de 1959 até 1968, foi a época que seu pai preparara várias genealogias para os Finwënianos. No entanto, a segunda filha, Faniel, nunca é mencionada em “The Shibboleth”, e pode ser que Tolkien pretendia tira-la da família. Como dito no Shiboleth, Irien (originalmente chamada Irimë, a terceira filha) nasceu entre Fingolfin e Finarfin. Ela era também chamada de Lalwendë, e foi o nome que em Sindarin se tornou Lalwen. Fingolfin e Lalwen eram muito próximos, e ela o acompanhou no exílio. Não sabemos mais nada sobre ela, mas algumas pessoas se perguntavam se Aranwë, pai de Voronwë, não poderia ser o marido ou filho de Lalwen. Presumivelmente, Lalwen permaneceu em Hithlum e deve ter sido morta ou capturada após a Nirnaeth. E uma vez que ela era próxima a Fingolfin, ela deve ter ativamente apoiado suas reinvidicações para o reinado.

Fingolfin afirmou sua realeza ao usar seu nome paterno. Finwë nomeou seus três filhos a partir de seu nome: Curufinwë (Fëanor), Nolofinwë (Fingolfin) e Aranfinwë (Finarfin). Fingolfin, ao que parece, iniciou o costume de usar o nome de seu pai como um símbolo de autoridade real. Portanto, ele se autodenominava Finwë Nolofinwë, talvez durante o debate com Fëanor em Tirion, mais provavelmente após o ataque em Alqualondë. O Shibboleth diz: “Fingolfin prefixou o nome Finwë a Nolofinwë antes dos Exílios alcançar a Terra-Média. Isto foi devido a dedicação a sua reinvidicação de ser o capitão de todos os Noldor após a morte de Finwë, e então enraiveceu Fëanor de tal forma que essa foi sem dúvida uma das razões para de sua traição ao abandonar Fingolfin a roubar todos os navios.”

Finafin não usou o nome Finwë. Curiosamente, o Shibboleth fala que Finrod criou o nome “Finwë Arafinwë”, ou Finarfin, após a morte de Fingolfin, numa época em que os Noldor se dividiram em reinados separados. Apesar de que essa afirmação pareceria contradizer “O Silmarillion” (que menciona explicitamente os reis dos Noldor anteriores à morte de Fingolfin), as intenções de Tolkien não são claras. Contudo, o uso do nome de Finwë como um prefixo se tornou uma prerrogativa real. De alguma forma, o nome de Finwë deve ter se tornado um sinônimo da palavra-título rei, e seria apropriado falar do governador dos Noldor como “O Finwë”. Após a Primeira Era, Gil-Galad teria sido o “Finwë” na Terra-Média.

As esposas dos filhos de Finwë receberam pouca atenção de Tolkien. A esposa de Fëanor, Nerdanel, era filha de um ferreiro chamado Mahtan em “O Silmarillion”. A família de Mahtan possuía cabelo castanho-avermelhado e ele deve ter sido o líder de uma comunidade de Noldor que morava perto dos salões de Aulë. Nerdanel tinha uma tez avermelhada, cujo filho Caranthir herdara. Numa nota adicionada ao “The Shibboleth of Fëanor”, o pai de Nerdanel é chamado Aulendur e Urundil, e fala-se que Aulendur suplantou Mahtan, que, no entanto, foi o nome que Christopher utilizou para ele em “O Silmarillion”. Outro nome para sua personagem, do qual Christopher não tem muita certeza, deve ter sido “Sarmo”. Ele usava uma auréola de cobre em volta de sua cabeça e gostava muito de cobre. Maedhros era aparentemente muito parecido com ele em temperamento e aparência, e também usava uma auréola de cobre. Quando Fëanor se tornou beligerante demais a ponto de Nerdanel não suporta-lo mais, ela retornou para a casa de seu pai. Aulë persuadiu Aulendur e sua família para não seguir Fëanor ao exílio. Nerdanel pediu que Fëanor deixasse os filhos mais novos em Aman, mas ele recusara. Ela então previu que os mais novos nunca chegariam a Terra-Média.

A esposa de Fingolfin era Anairë. Ela era uma Noldo, mas tudo o que sabemos é que ela era amiga de Eärwen (esposa de Finarfin) e que ela recusou a seguir Fingolfin ao exílio “em grande parte devido a sua amizade com Earwën”. Earwën era filha de Olwë de Alqualondë. Ela tinha cabelos prateados como outros membros de sua família. Numa primitiva história de Galadriel publicada em “Contos Inacabados”, Tolkien escreveu que Finrod “tinha também de sua mãe Teleri um amor pelo mar e sonhos de terras longínquas que ele jamais vira” Não está claro se Eärwen era antiga o bastante para ter nascido na Terra-Média, mas o texto parece dar a entender que os Teleri de Alqualondë (ou pelo menos Eärwen), não eram totalmente alheios a Terra-Média. Os Teleri haviam passado grande parte de seu tempo vivendo na ilha de Tol Eresseä antes de Ulmo comandar Ossë a ensina-los a arte da construção de barcos para que eles pudessem finalmente navegar até Aman e se unir aos Eldar ali.

Fëanor e Nerdanel tiveram sete filhos, como O Silmarillion nos fala: Maedhros, Maglor, Celgorm, Curufin, Caranthir, Amrod e Amras. O Shibboleth fala que seus nomes paternos (dados em Quenya) eram Nelyafinwë (“Finwë Terceiro”, como em Finwë III, Finwë o Terceiro), Karafinwë, Kurufinwë (Curufinwë no Silmarillion), Morifinwë, Pityafinwë (“Pequeno Finwë”) e Telunfinwë (“Último Finwë”). Fala-se que Maedros era o mais belo dos filhos, e Curufin era o favorito do pai porque ele era o mais parecido com Fëanor em espírito e habilidade. Curufin também parecia com sua mãe mais do que os outros filhos. Seus nomes maternos eram Maitimo, Makalaure, Tyelkormo, Atarinke (“Pequeno Pai”), Carnistir (“Cara Avermelhada”), Ambarusso e Ambarusso. Os dois Ambarussos eram gêmeos e Fëanor pedira a Nerdanel para dar a um deles um nome diferente. Ela escolhera Umbarto (“Destinado”), que Fëanor mudara para Ambarto (“Exaltado”), e ele deu esse nome ao mais novo.

“The Shibboleth of Fëanor” conta que Nerdanel pedira a Fëanor para deixar os gêmeos com ela, ou pelo menos um deles, quando ele estava preparando para a liderança dos Noldor ao exílio. Ele recusou, repreendendo-a por seguir o conselho de Aulë ao invés da vontade de seu marido, e Nerdanel profetizou que um de seus filhos não chegaria a Terra-Média. Quando Fëanor queimou os navios roubados em Losgar, ele reuniu seus filhos na costa e encontrou somente seis deles. Então Ambarussa contou a ele que Ambarto havia dormido em seu navio. “Aquele navio eu destruí primeiro”, Fëanor respondeu. “Então certo você estava em nomear o mais novo dos seus filhos”, Ambarussa respondeu, “e Umbarto o Destinado era a sua forma verdadeira”. Uma nota final diz que o nome de Ambarussa se tornou Amros em Sindarin (e não Amrod, como registrado no Silmarillion). Onde quer que o Silmarillion fale de Amros e Amras após a queima em Losgar, é mais correto entender que somente Amros estava presente.

Dos filhos de Fëanor e Nerdanel, somente três tiveram esposas: Maglor, Curufin e Caranthir. Na nota sete, adicionada ao ensaio “Dos Anões e Homens” (“The Peoples of Middle-Earth”, pp. 295-330), Christopher cita uma nota que seu pai fez em 1966 após a segunda edição de Senhor dos Anéis ter sido publicada. Nela, Tolkien decidiu que Celebrimbor (chamado senhor de Eregion nos apêndices) deve ser o filho de Curufin, pois Maedhros e os gêmeos não tiveram esposas. Curufin, herdando a maior parte da habilidade paterna dentre os sete, passou sua habilidade (e provavelmente muita história) para Celebrimbor, que desaprovou o comportamento de seu pai em Nargothrond. Celebrimbor ficou para trás. A mulher de Curufin escolheu não seguir seu marido no exílio, então ela permaneceu em Aman dentre as pessoas governadas por Finarfin (e era, portanto, provavelmente uma Noldo). Não há menção de quaisquer outros netos de Fëanor e Nerdanel, e os destinos das esposas de Maglor e Caranthir não são dados.

Fingolfin e Anairë tiveram quatro filhos: Findekano (Fingon), Turukano (Turgon), Irissë (Aredhel) e Arakano (Argon). Apesar de Anairë ter permanecido em Valinor quando Fingolfin foi ao exílio, todos seus filhos seguiram Fingolfin. Fingon liderou a vanguarda da multidão de Fingolfin, e ele foi acompanhado de sua mulher, Elenwë dos Vanyar. Irissë era próxima a Turgon como sua tia Irien (Lalwen) era próxima a Fingolfin. Irissë permanecera com o povo de Turgon até persuadir que ele a deixasse visitar Fingon em Hithlum. Em vez disso, após deixar Gondolin, ela fugiu de sua escolta e vagou ao leste em Nan Elmoth. Ali ela casou-se com Eöl e teve um filho, Maeglin, com quem ela retornou a Gondolin muitos anos depois.

Arakano surgiu relativamente atrasado, provavelmente após a segunda edição de Senhor dos Anéis ter sido publicada. Ele é descrito como “o mais alto dos irmãos e o mais impetuoso”. Tolkien achou difícil designa-lo um papel na história completa em geral, e primeiro ele criou mortes para Arakano em Aman. Mas por fim Tolkien decidiu que a multidão de Fingolfin seria atacada por um exército de Orcs quando os Noldor passassem ao sul ao longo da costa da Terra-Média. Ali Arakano distinguiria e se sacrificaria por seu povo:

Quando o começo do ataque dos Orcs pegou a multidão desprevenida como se ela estivesse marchando ao sul e as fileiras dos Eldar estavam abrindo caminho, ele saltou e cortou um caminho através dos inimigos, amedrontando por sua estatura e pela terrível luz de seus olhos, até chegar o capitão Orc e ele render-se. Então apesar de estar cercado e morto, os Orcs estavam consternados, e os Noldor os perseguiram com matança.

O nome de Arakano assim nunca foi formalmente transformado para o Sindarin, “mas a forma Sindarim Argon foi mais para frente por vezes utilizada como um nome pelos Noldor e Sindar em memória de seu valor” (“Peoples of Middle-Earth”, p.345).

Fingon também era impetuoso. Ele não apenas se apressou para ajudar Fëanor, ele liderou os ataques opostos contra as forças de Morgoth, quando quer que Hithlum fosse atacada. E quando Gwindor liderou sua companhia de soldados Nargothrondianos contra o exército de Morgoth na Nirnaeth, Fingon não podia mais se conter. Ao invés de esperar por Maedhros, como ele devia, ele pôs seu capacete, montou em seu cavalo, e encarregou-se para a glória, morte e derrota. Fingon era sem dúvida um dos maiores guerreiros dos Eldar, pois foi preciso mais do que um Balrog para mata-lo no fim, e suas realizações pessoais registradas no campo de batalha superaram àquelas de outros príncipes Élficos.

Turgon era sem dúvida o mais sábio dos filhos de Fingolfin, e por uma razão não revelada, ele era um dos favoritos de Ulmo entre os príncipes Noldorin. Pode ser que, uma vez que Turgon tomou o governo sobre os Elfos Sindarin de Nevrast, Ulmo sentiu que Turgon seria o único rei Noldorin a encomendar a construção de navios com o propósito de procurar ajuda para Aman. O Shibboleth registra que a mulher de Turgon, Elenwë, pereceu em Helcaraxë. Ela e sua filha, Itaril se renderam, e Turgon resgatara Itaril, mas Elenwë foi esmagada pelo gelo. Parecia, através de uma observação enigmática no Shibboleth, que Irissë e Elenwë eram amigas muito próximas.

Quando Fingolfin nomeou Findekano, ele não necessariamente usou o termo originário de “Finwë”, um antigo nome Élfico dado em uma época quando nomes eram outorgados a alguém conforme eles soavam. Nem, o Shibboleth nos conta, deve ter sido necessário. O uso de uma palavra similar honrava o nome ancestral. Findekano é descrito usando “seu longo cabelo escuro em grandes tranças amarradas com ouro”. Tolkien tinha várias considerações sobre a vida pessoal de Findekano. Apesar do Silmarillion nos contar que Gil-Galad era seu filho, Christopher Tolkien admite em ambas as obras “The War of The Jewels” e “The Peoples of Middle-Earth” que ele estava errado quando incorporou Gil-Galad no livro como um filho de Fingon. Christopher menciona que todas as tabelas genealógicas mostram Fingon com uma esposa não nomeada e dois filhos: Ernis (mais tarde Erien) e Finbor. Mas sua família foi retirada da genealogia final e Tolkien escreveu uma nota dizendo que Fingon “não tivera mulher ou filhos”.

Deveria ser, sem dúvida, necessário interpretar algum destino deprimente para ambos Erien e Finbor, uma vez que Finbor seria o herdeiro de Fingon. Serviu para o propósito de Tolkien mover Gil-Galad para a família de Finarfin. Então, o Alto Reinado passou de Fingon, que não tinha filhos, para Turgon, e então para a família de Fingolfin (a linhagem masculina que terminava com Turgon) para a família de Finarfin.

Os filhos de Finarfin e Eärwen eram Findarato Ingoldo (Finrod), Angarato (Angrod), e Newendë Artanis (mais tarde chamada Altariel, Galadriel). O Silmarillion coloca Orodreth (Artaher ou Arothir) entre os filhos de Finarfin, mas a decisão final foi que ele fosse filho de Angrod e Eldalote (Edhellos em Sindarin). Ela era uma Noldo, e Arothir nascera em Aman. O Silmarillion fala que Orodreth ficou ao lado de Finarfin quando este defendeu com os Noldor a decisão de não seguir Fëanor para o exílio.Seria totalmente inconsistente com a genealogia final para Arothir manter esse papel. Ele era um rei guerreiro relutante e somente gradualmente ele se permitiu influenciar pelas medidas agressivas de Túrin.

A decisão final de Tolkien acerca de Finrod é intrigante. Em agosto de 1965, ele escreveu uma breve explicação sobre a descendência de Gil-Galad. O texto diz “Finrod deixou sua mulher em valinor e não teve nenhum filho no exílio”. A esposa de Finrod (não nomeada aqui) deve ser Amarie dos Vanyar. Mas a frase pode significar uma das três coisas: que Finrod e Amarië tiveram filhos que permaneceram em Valinor, que eles não tiveram filhos, ou que eles tiveram filhos após os Valar terem restaurado sua vida. É tentador racionalizar a afirmação de Gildor Inglorion, quem Frodo, Sam e Pippin conheceram no Condado, com sua declaração um tanto quanto ambígua. Isto é, Gildor contou a Frodo que ele era “da casa de Finrod”. Até aonde sabemos, havia somente um Finrod. Originalmente, o nome Finrod foi dado ao pai, e o príncipe que fundou o reino de Nargothrond foi chamado de Inglor. Mas ao revisar O Senhor dos Anéis para a segunda edição, Tolkien modificou Finrod para Finarphir (mais tarde se tornou Finarphin, Finarfin) e Inglor para Finrod. Mas ele não mudou o nome de Gildor.

Se Gildor é realmente um descendente de Finrod, ele deve ter nascido em Valinor. Mas se é esse o caso, como ele chegou na Terra-Média, e quando? Tolkien parece ter omitido Gildor completamente. E as pessoas são rápidas a notar que Gildor nomeia a si mesmo como um Exilado (ou, melhor, ele diz, “Nós somos Exilados”). Como Gildor poderia ser um Exilado se ele nasceu após Finrod ter sua vida restaurada? A resposta para essa questão é simples: qualquer filho dos Noldor que foi para o exílio, e que estava vivendo na Terra-Média, seria um Exilado (um subgrupo dos Noldor) tanto quanto ainda era um Noldor. No entanto não há nenhum texto que associa Gildor com o renomeado Finrod/Finarfin ou o renomeado Inglor/Finrod (exceto seu próprio nome, que significa “parente de Inglor”).

Uma nova dificuldade surgindo da conexão de Gildor com Finrod é que, se ele estava vivo na Terra-Média quando Gil-Galad perecera, não deveria ele ser apto para reinvidicar a Alta Soberania sobre os Noldor? Pode ser que tal reinvidicação seria julgada inválida, uma vez que o reinado passara para a linhagem de Orodreth (assim como passara da linhagem de Fëanor para a de Fingolfin e depois para a de Finarfin). O reinado poderia descer, mas não subir. No entanto isso é insatisfatório. Poderia ser também que Gildor tenha chegado com um dos Istari, apesar de ser falado que apenas Glorfindel chegou a Terra-Média após a Queda de Númenor. De fato, há uma frase associada ao Shibboleth que afirma que “pouco foi ouvido na Terra Média sobre Aman após a partida dos Noldor. Aqueles que retornaram para aquela direção nunca mais voltaram, desde a mudança do mundo. Eles foram para Númenor muitas vezes em seus primeiros dias, mas pequena parte das lendas e histórias de Númenor sobreviveram a sua Queda”.

Novamente temos aqui uma frustrante frase ambígua. “Aqueles que retornaram (para Aman) nunca voltaram, desde a mudança do mundo”. O que seria a mudança do mundo, senão o evento no qual Ilúvatar transformara o mundo, removendo Aman dos círculos do mundo e destruindo Númenor? A frase a seguir parece indicar que os Noldor (de Tol Eressëa) somente navegaram para o leste como para Númenor em seus anos primordiais. Mais ainda, a passagem não descarta completamente uma travessia para o leste por alguém de uma geração mais nova. De fato, em uma de suas últimas notas sobre Glorfindel, Tolkien decidiu que ele realmente retornou a Terra-Média por meio de Númenor em meados da Segunda Era, quando Gil-Galad estava se preparando para o ataque de Sauron no século XVII (A Guerra entre os Elfos e Sauron durou de 1695 a 1701).

Qualquer que seja a verdadeira relação de Gildor com os Finwënianos, ele não pode ser um descendente de Finwë que passou para o exílio com Fëanor e Fingolfin. Ele também nem pode ser um filho de Finrod nascido na Terra-Média. Se ele fosse um descendente de Finrod, apesar de que ele pode originalmente ter sido um filho de Finrod, seu nome, como preservado no cânone de Senhor dos Anéis indica que deveria haver um Inglor, que poderia talvez ser filho de Finrod e Amarië, nascido em Valinor após Finrod ter voltado à vida. Mas tais especulações não vão longe, faltando apoio textual.

A história de Galadriel é tão intrigante e complicada quanto à ancestralidade de Gildor. Tolkien mudou sua história mais de uma vez e, fazendo tais mudanças, Tolkien alterou suas relações com ambos Celebrimbor e Celeborn. Celeborn era originalmente um elfo da floresta, mas como o tempo ele foi modificado para ser um Elfo Sindarin com parentesco com Elwë, através de um irmão mais novo, Elmo. Porém, no último ano de sua vida, Tolkien decidiu que Celeborn deveria ser um neto de Olwë, nascido em Alqualondë. Parece que Tolkien esqueceu (em períodos de sua vida) as antigas restrições Eldarin contra o casamento entre dois primos de primeiro grau. (cujo princípio é referido na estória de Maeglin, apesar de, como publicado em “O Silmarillion”, essa estória é em maior parte trabalho de edição de Christopher e redução de materiais mais antigos).

Apesar disso, podemos ter certeza de que Galadriel era filha de Finarfin e Eärwen, e que ela nunca se deu bem com Fëanor. No entanto, ela compartilhou dos sonhos de Finrod de outras terras, e ela era ambiciosa. Ela desejava governar seu próprio reino. Apesar de quer ela tenha seguido para o exílio com Fëanor ou (como conta a última estória de 1972) precedeu ele com Celeborn, Galadriel foi levada para o destino dos Noldor. Como seu povo, ela estava proibida de retornar a Aman. Também permanece certo que Galadriel, de alguma forma, se tornou proximamente ligada a Melian em Doriath por um tempo, e que ela e Celeborn passaram por Ered Lindon antes de Nargothrond e Gondolin terem sido destruídas.

A partida de Galadriel de Beleriand não é mencionada no Silmarillion. Eu suspeito que isso teria acontecido em alguma ocasião entre a Dagor Bragollach (455) e a Nirnaeth Arnoediad (473). Muitos Sindar do norte fugiram para o leste através de Ered Lindon durante ou imediatamente em seguida a Dagor Bragollach. A melhor oportunidade para Galadriel e Celeborn de partir seria quando esses Sindar estavam abandonando a guerra. Galadriel e Celeborn teriam sido acolhidos entre eles, e a desaprovação de Galadriel das medidas Noldorin deve ter induzindo-a a sair de Beleriand enquanto estava tudo bem.

Angarato (Angrod) trouxe sua esposa, Eldalote, e seu filho, Arothir (Orodreth), para o exílio. Eles se estabeleceram em Dorthonion com Aikanaro (Aegnor), que nunca se casou. Angrod possuía uma grande força e ele ganhou o apelido de “Angamaite” (mãos de ferro). Angrod pereceu na Dagor Bragollach, mas Arothir escapou e fugiu para o sul para se juntar a Finrod na Nargothrond.

Conta-se que Aikanaro (Aegnor) foi “renomado como um dos mais valentes dos guerreiros, muito temido pelos Orcs: em ira ou batalha a luz de seus olhos eram como chamas, apesar de que, de outra maneira, ele era de natureza generosa e nobre. Mas no começo da juventude a luz ardente podia ser observada; enquanto seu cabelo era notável: dourado como o de seus irmãos e irmãs, mas forte e duro, erguendo-se de sua cabeça como chamas”. Aegnor não teve esposa, mas emerge em “Athrabeth Finrod ah Andreth” (“Morgoth´s Ring) que ele se apaixonou por Andreth, uma sábia mulher Beoriana, enquanto ela era um tanto jovem. Apesar de ele desejar casar com ela, ele aparentemente confiou a Finrod (ou Finrod entendeu implicitamente) o fato de que ele previra sua própria morte em batalha, e ele não desejava deixa-la viúva, ou qualquer criança que ela poderia ter com ele órfã. Andreth viveu até envelhecer e deve ter vivido até a Dagor Bragollach, apesar da data de sua morte não ser registrada.

A genealogia dos Finwënianos envolve alguns nomes espalhados nas gerações seguintes: Celebrimbor, filho de Curufin; Idril (Itaril), filha de Turgon; Arothir (Orodreth), filho de Angrod e Eldalote; e Celebrian, filha de Galadriel e Celeborn. Idril se casou com Tuor e teve um filho dele, Eärendil. Ela era sábia o bastante para prever a necessidade de um caminho escondido para escapar de Gondolin, e seu cabelo era tão dourado quanto o de sua mãe Vanyarin. Arothir (Orodreth) permaneceu próximo de Finrod e estava entre os poucos nobres que apoiaram Finrod quando ele se sentiu obrigado a pagar sua dívida a Beren. Finrod fez de Arothir seu capataz em Nargothrond, e quando se ouviu falar da morte de Finrod, Arothir guiou Celegorm e Curufin fora do reino.

Arothir casou com uma dama Sindarin do norte, apesar de seu nome não ser registrado. Seus filhos foram Erenion (descendente de reis) e Finduilas. Finduilas era loira, e o próprio Arothir devia ter sido loiro. Apesar de que ela amava Gwindor, quando ela conheceu Túrin, ela não podia fazer nada além de se apaixonar por ele. E, no entanto, Túrin não correspondera aos seus sentimentos. Finduilas foi aprisionada quando Nargothrond rendeu-se a Glaurung e seus Orcs, mas os Orcs mataram-na e também os outros prisioneiros quando eles caíram numa cilada armada pelos Homens de Brethil.

Ereinion escapou do saque de Nargothrond e seguiu seu caminho ao sul para a desembocadura do Sirion. Dali ele chegou a Círdan na ilha de Balar e foi nomeado Alto Rei dos Noldor no Exílio. Sua mãe nomeou-o Gil-Galad.

A autoridade real de Finwë terminou com Gil-Galad. Mas a ambição dos príncipes Finwënianos parece ter parado com Gil-Galad também. Pois apesar dele ter estabelecido um reino poderoso em Lindon, que durara mais de 3000 anos, ele, aparentemente não teve uma esposa. Eärendil deixara a Terra-Média para sempre, e as ambições de seus ancestrais parecem somente ter sido realizadas por seu filho Elros, quem dada a oportunidade entre escolher a mortalidade e o reino dos Elfos, escolheu ser Rei de Númenor, porém mortal. Seu irmão Elrond escolheu ser do povo dos Elfos, mas nunca estabelecera seu próprio reino. Ele governara Imladris como um posto avançado do reino de Gil-Galad na Segunda Era e manteve-o como uma fortaleza do poder Eldarin na Terra-Média. Mas Elrond nunca teve o título de rei. Pode ser que, legalmente, ele sentia que não podia exigir um reinado, uma vez que Eärendil era filho de um homem mortal e não de um Rei Élfico.

Mas talvez Elrond reconheceu que o tempo dos Finwënianos Élficos tinha vindo e acabado. Por quatro mil anos eles governaram reinos poderosos na Terra-Média, e opuseram-se aos seus inimigos. Apesar de suas falhas, os Finwënianos forneceram grande sabedoria aos Homens, e através do casamento de Idril com Tuor eles outorgaram um antigo e nobre patrimônio às grandes casas de Númenor e seus reinos sucessores. Enquanto os príncipes Eldarin desapareciam, um por um, seus primos Númenoreanos ascenderam à cena principal e assumiram o papel central na obra em andamento da história da Terra-Média.

[Tradução de Helena ´Aredhel´ Felts]

Valinor resenha O Retorno do Rei

[ Este texto foi publicado em formato de três notícias na Valinor e agora seu conteúdo foi unificado em um texto único e longo. A formatação e piadinhas foram mantidas para não prejudicar o texto original do autor. As notícias originais podem ser vistas em:

Valinor resenha "O Retorno do Rei" - parte I

Valinor resenha "O Retorno do Rei" - parte II
Valinor resenha "O Retorno do Rei" - parte III ]
 
 
É exatamente o que vocês estão pensando, pessoal. Hoje (aliás, ontem, porque já passou da meia-noite), tive a alegria e o privilégio de assistir a pré-estréia de imprensa de "O Retorno do Rei", das 9h45 às 13h. Esta a primeira parte das minhas impressões (e descrições!) sobre o filme – peço desculpas a todos pela demora, mas o dia foi pesado pra burro!

Bem, antes de mais nada, é bom avisar: SPOILERS E MAIS SPOILERS À FRENTE!

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OLHA OS SPOILERS!

Não digam que eu não avisei! Vamos à cena então.

Pra começar, sintomático da loucura circundando esses filmes e da dimensão gigantesca que a Trilogia do Anel ganhou foi que a gente não conseguiu assistir a cópia definitiva do filme, que, segundo a Warner, acabou ficando presa na alfândega e não foi liberada a tempo. A nossa versão era uma "cópia de trabalho" com marcas dágua – WB Brazil no canto esquerdo superior e Marcia Sandy (não me perguntem quem é!) no canto direito inferior. Por sorte, foi possível se habituar a essas marcas e assistir o filme decentemente.

Nossa história começa com uma minhoca se debatendo – não, não é arte conceitual, apenas o flashback da dupla Sméagol e Déagol preparando as iscas de seus anzóis nos Campos de Lis. Finalmente podemos ver Andy Serkis com seu verdadeiro rosto interpretando o hobbit. Os dois estão no seu barquinho quando um peixe dos grandes arrasta Déagol para o fundo do rio e ele agarra o Anel, trazendo-o para a margem.

A coisa é extremamente bem-feita e quase uma cópia da descrição dada por Gandalf em "A Sombra do Passado". Estranha, no entanto, é a voz de Sméagol – já idêntica à que ele tem como Gollum. "Dê ele pra nós, Déagol, meu amor", sussurra o hobbit – e uma luta violenta, tensa e muito bem-feita tem início. A gente já sabe o resultado – Sméagol estrangula seu parente e toma seu Precioso.

A sucessão é assustadora – em poucos minutos, presenciamos toda a transformação horrenda do hobbit em Gollum, com direito a peixxxe devorado vivo, e a fuga dele para o interior das Montanhas Sombrias. Andy Serkis dá um show mais uma vez, com maquiagem, o que faz pensar que o cara teria segurado perfeitamente a barra do personagem sem o computador.

Voltamos para o Gollum do presente ao lado de Frodo e Sam. Os hobbits estão se encaminhando para Minas Morgul e além e Sam tenta fazer com que Frodo coma um pouco de lembas. O detalhe do pão-de-viagem élfico logo vai se tornar importante – vocês vão ver por que em breve.

Corta para uma floresta estranha, meio fora de lugar, embaralhada – na verdade, parece ser a "mata" artificial de huorns que Théoden, Aragorn, Gandalf e os demais cruzam para chegar à Isengard. "O Retorno do Rei", o título, finalmente aparece na tela enquanto todos se aproximam de Merry e Pippin, comendo e bebendo em meio aos despejos. "Bem-vindos, meus senhores, à Isengard", diz Merry – a dupla parece ter bebido um pouquinho a mais e agora está aproveitando seu cachimbo.

Gandalf aproveita para deixar Isengard e Saruman nas mãos de Barbárvore, dizendo que o mago não é mais uma ameaça. Confesso que não senti falta do confronto entre os dois Istari. Pippin vê, no fundo do "lago" que cerca Orthanc, o palantír brilhando e o pega, mas Gandalf logo retoma o artefato. Dá pra ver na cara do jovem Tûk, no entanto, que ele está louco para dar uma nova olhada.

Voltamos para Edoras. As imagens são lindas. Théoden pede que todos "honrem os mortos vitoriosos" no Abismo de Helm e Rohan celebra o triunfo, enquanto Éowyn leva uma taça para Aragorn – "Waesthu hál!", diz ela. Merry e Pippin não se fazem de rogados e dançam em cima de uma mesa, cantando uma canção sobre a famigerada taverna do Dragão Verde no Condado!

Enquanto todos estão dormindo, Pippin se prepara para fazer besteira. Ele pega o palantír dos braços de Gandalf, olha e dá de cara com o Olho. O efeito, para ser bem sincero, é meio tosco: é como se Pippin tivesse segurado um fio desencapado e estivesse levando um choque da pedra. Ele começa a gritar e o barulho acorda os outros. Aragorn tenta tirar o palantír e leva o mesmo "choque", deixando a pedra cair – é aí que Gandalf intervém cobrindo-a com um manto e resolvendo o problema.

O incidente faz com que um conselho de guerra se reúna. Peter Jackson parece mesmo teimar em exibir um Théoden relutante, que diz não ter certeza de que valeria a pena mandar ajuda para Gondor… De qualquer maneira, Gandalf decide partir para falar com Denethor e leva o pobre Pippin junto com ele. A despedida dele e Merry é de partir coração de pedra.

Nisso, temos dois fios narrativos paralelos rolando. Um é Osgiliath: Faramir tenta impedir que a velha cidade seja retomada por orcs de Mordor. O combate é emocionante, mas os Dúnedain do Sul não têm a menor chance e acabam tendo que recuar. Detalhe: o líder dos orcs é a cara do Slot, de "Goonies"! Talvez seja uma homenagem de PJ.

A outra trama, claro, é a de Frodo, Sam e Gollum. As discussões esquizofrênicas do hobbit corrompido recomeçaram enquanto Frodo e Sam dormem, só que dessa vez Sam o escuta e parte para cima dele. Sam é violento em demasia e chega a arrancar um pouco de sangue da testa de Gollum – um exagero, na minha opinião. Sméagol, é claro, nega, e Frodo o defende. Fica claro que Gollum está usando toda a sua malícia para envenenar lentamente Frodo contra Sam, mas nada sério acontece – ainda.

A cena agora é uma floresta por onde um cortejo élfico passa – são os elfos de Valfenda escoltando Arwen para os Portos! Undómiel, no entanto, têm uma visão do futuro que poderia haver se ela ficasse – o pequeno Eldarion, seu filho, brincando ao lado de Aragorn. Confesso que derramei as primeiras lágrimas nesse ponto – e a elfa volta para Valfenda e tenta convencer Elrond a reforjar Narsil para ajudar seu amado.

O senhor de Valfenda continua pessimista, mas de repente Arwen sofre uma tontura – e a maior forçação de barra desta adaptação acontece. Elrond segura a mão da filha e
diz "a vida dos Eldar a está deixando! Enquanto o poder de Sauron cresce, sua força diminui!". HEIN??? COMO ASSIM??? Na ânsia de consertar a própria cagada (um Elrond não só relutante, mas covarde e totalmente pessimista que não quer ajudar), a equipe de produção precisou achar uma razão irrefutável para que o meio-elfo concordasse em ajudar na luta contra Sauron, e se saiu com essa. Desnecessário dizer que não faz o menor sentido. Mas tudo bem, finalmente a espada de Elendil é reforjada; nasce Andúril, a Chama do Oeste.

Ufa! Por enquanto chega! Até Tolkien-repórteres precisam dormir. Mais no decorrer do domingo, pessoal!

Estamos de volta, amigos da Valinor! Antes que alguém queira me amaldiçoar até a octagésima geração, esclareço que precisei dar uma palestra de manhã e trabalhar que nem louco a tarde inteira na Folha. Cisne sofre…

Mas vamos à cena. Que agora se volta outra vez para Mordor (o vaivém é comum, mas não se torna irritante, graças a Eru). Os hobbits e Gollum escalam o caminho tortuoso até Torech Ungol e recomeça o lento "envenenamento" de Frodo contra seu fiel escudeiro. "O hobbit gordo vai pedir o Anel do mestre para carregá-lo", diz o pérfido Gollum. Frodo faz uma cara incrédula, mas fica claro que vem merda pelo caminho.

Pra aliviar um pouco o clima, Gandalf e Pippin chegam à Cidade Branca. Minas Tirith é lindíssima, e a fidelidade do cenário em relação à descrição que vemos no livro é absurda; há até o veio de pedra que corta todos os níveis, o Pátio da Fonte e a Árvore Branca perto da Torre de Ecthelion. Detalhe: ao olhar no palantír, Pippin diz ter visto a Árvore sendo destruída, e ele a reconhece agora. Antes de entrarem, um pouco de alívio cômico: Gandalf diz "Pippin, Denethor é o Regente, o pai de Boromir. É melhor não mencionar a morte dele. Também não diga nada sobre Frodo e o Anel. Ah, e não mencione Aragorn também… pensando bem, é melhor você não abrir a boca de jeito nenhum". Hilário!

Começa então outro problema sério do filme: Denethor. Mais uma vez a equipe mostra que tem dificuldade com sutilezas e retrata o sujeito como alguém completamente escroto, sem nobreza. Mesmo depois da oferta de serviço de Pippin (que Gandalf, aliás, até empurra para que ele pare!), ele NÃO aceita a ajuda do mago, diz que JÁ está sabendo de Aragorn e que não vai aceitá-lo (as frases, aliás, vêm direto do livro; pelo menos isso). Ah, e que NÃO vai acender os faróis pra pedir a ajuda de Rohan. O exagero é patente: tudo bem, Denethor era arrogante, mas só virou suicida no último momento.

Não vemos a transição, mas sabemos que Pippin acaba sendo aceito porque ele aparece numa sacada olhando a roupa de Guarda da Cidadela. "Eles não vão querer que eu lute realmente, não é, Gandalf?". O mago logo tira as ilusões de Pippin, mas confia ao Pequeno uma tarefa valorosa: acender os faróis!

A cena não está no livro e é até bastante inverossímil, mas as imagens compensam. Pippin escala furtivamente a torre onde está a madeira que inicia o sinal e consegue pôr fogo nela. Pronto: o farol de Amon Dîn se acende em resposta! E lá se vão eles, Erelas, Nardol e os demais, chama saltando de montanha em montanha em socorro de Gondor – é arrepiante só de lembrar! Aragorn vê de Edoras a última chama e corre, até perdendo o fôlego, para avisar Théoden. "Gondor pede ajuda!". Suspense e…. "E Rohan vai atender!". Ufa!

A reunião das tropas da Marca dos Cavaleiros começa. Éowyn prepara seu cavalo e Aragorn estranha. "É costume das mulheres da corte dizer adeus para os cavaleiros", disfarça ela. Aragorn vê, no entanto, que tem uma espada debaixo da sela, mas fica quieto. Éomer grita: "Juramentos vocês fizeram, agora o cumpram todos a senhor e terra" – outra frase idêntica ao do livro, faltou só o "a liga de amizade". Eles partem para o Templo da Colina.

Nisso, a retirada de Osgiliath começa a se aproximar dos muros de Minas Tirith. Os Nazgûl estão no encalço deles e as Bestas Cruéis chegam a arrancar cavaleiros da sela, ou até cavalos inteiros do chão. Gandalf põe Pippin sobre Scadufax (por que cargas dágua, só PJ sabe) e corre ao socorro dos cavaleiros. A luz de seu cajado afasta os Espectros e Faramir consegue voltar para dentro da cidade. Ele conta a Gandalf sobre a derrota e de repente vê Pippin. "Esse não é o primeiro Pequeno que você viu, não é?". Ele então conta a Gandalf sobre a ida de Frodo e Sam para o vale de Morgul e…

Corta de novo para as vizinhanças de Torech Ungol. Gollum tem a manha de pegar o lembas que sobrou durante o sono de Sam, espalhar migalhas no manto do hobbit e jogar o resto nas montanhas. Sam acorda, depois de algum tempo vê a merda que aconteceu e começa a estapear – aliás, a esmurrar com fúria – Gollum, diante do atônito Frodo. Gollum diz que Sam fica comendo escondido e, distraídamente, diz: "Oh! O que é isso?", apontando para uma migalha na capa de Sam. O coitado nega tudo. Pede para ajudar Frodo a carregar o Anel e aí a casa cai – Frodo diz que Sam não pode mais continuar a Demanda. O pobre hobbit chora amargamente enquanto Frodo e Gollum seguem em frente.

De volta para Minas Tirith, Pippin faz seu juramento de fidelidade – usando o belo texto tolkieniano – enquanto Denethor cobra de Faramir a derrota. Diz, na cara do filho, que preferiria que ele tivesse morrido no lugar de Boromir, e exige que ele tente retomar a cidade. Faramir sofre terrivelmente mas concorda. "Quando eu voltar, no entanto, pense melhor a meu respeito, pai". "Isso dependerá da maneira do seu retorno". O peixe morre pela boca…

Mais uma cena que me fez chorar convulsivamente: os cavaleiros liderados por Faramir partem passando pelas ruas de Minas Tirith e o povo joga flores no caminho deles; um ou outro guerreiro até pega as flores na mão. Lembrei de uma passagem do Evangelho, quando Jesus diz que lhe passaram perfume para prepará-lo para a sepultura – essas flores são a mesma coisa!

De volta à Torre Branca, Denethor come como um cachação (porco velho, pra quem não sabe) e pede que Pippin cante para ele. Ele obedece com relutância e a bela voz de Billy Boyd serve de fundo para o ataque suicida diante de milhares de orcs arqueiros – enquanto tomatinhos ficam estourando na boca do Regente e ele baba o sumo como se fosse sangue. Disgusting.

Claro que é um alívio voltar pra Rohan. Merry experimenta suas armas de cavaleiro incentivado por Éowyn, enquanto Éomer não bota a menor fé que o hobbit pode ajudá-los em batalha. Os cavalos estão inquietos pela proximidade da Dwimorberg, a Montanha Assombrada dos Mortos. Seis mil lanças se reuniram para ajudar Théoden – pouco contra a força de Mordor.

Aragorn é desperta
do no meio da noite por um mensageiro de Théoden. Ele chega à tenda do rei que, sem jeito, se despede, deixando-o a sós com um sujeito encapuzado. É Elrond! Ele conta sobre a doença de Arwen (blergh!), aconselha-o sobre as Sendas dos Mortos e sobre o exército que o herdeiro de Isildur pode granjear lá – e lhe passa Andúril! Dá para ler as belas runas na lâmina enquanto Aragorn a desembainha.

Ele tenta partir sozinho, mas Legolas e Gimli o seguem. Passando no meio dos incrédulos Rohirrim, eles atravessam a bruma em direção ao desfiladeiro onde está a Porta Proibida. Os cavaleiros chegam mesmo a dizer que não adianta lutar e se perguntam porque Aragorn está fugindo antes da batalha, mas Théoden diz que Aragorn está fazendo o que deve ser feito. "Podemos não ser capazes de vencer Mordor, mas os encontraremos em batalha mesmo assim". Uau!

Acompanhamos então os Três Caçadores em sua jornada até a Porta. "O caminho está fechado. Foi feito pelos mortos e os mortos o guardam!", diz Legolas. "Eu não temo a morte!", diz Aragorn, resoluto, e entra. Legolas o segue e fica Gimli. "Essa é uma coisa nunca ouvida antes, que um elfo entre debaixo da terra quando um anão não o ousa!", diz Gimli, e entra também.

Os três vão parar numa estranha construção de pedra quando os Mortos aparecem! O visual é fantástico: as criaturas usam armaduras, seu Rei é coroado, mas estão só ossadas, decadência à mostra. Desafiam Aragorn e ele brande Andúril – que se mostra capaz de "materializar" o Rei dos Mortos! Aragorn pede que eles lutem a seu lado e recuperem sua honra. Depois de certo suspense, eles topam.

Voltamos para Mordor. Agora, Gollum entra com Frodo na toca de Laracna e logo começa a se esconder nos corredores paralelos, desorientando o hobbit. Teias de aranha estão por toda parte (não diga, Cisne!) e Frodo caminha, um tanto perdido, até que de repente surge a filha de Ungoliant. Todas as palmas para PJ e o pessoal da Weta: o monstro é tudo o que você sonhou (ou seria "pesadelou"?) e mais. Frodo se apóia ofegante na parede, lembra-se do frasco de Galadriel e enfrenta o monstro com espada, coragem e Quenya: Aiya Eärendil elenion ancalima, sussurra. Começa a correr, se enreda num lugar cheio de teias, consegue cortar tudo com Ferroada e se esgueira para fora.

Gollum está lá fora esperando e Frodo pula para cima dele. Sméagol dá um jeito de embromar o pobre hobbit mais uma vez e Frodo poupa sua vida, caminha mais alguns passos e cai desmaiado. Numa visão, ele está em Lórien e Galadriel lhe estende a mão, sorrindo. Ele a pega com força e se levanta de novo, caminhando. Sente o perigo de novo à sua volta, mas é tarde demais – do alto das pedras, Laracna preparara seu golpe de ferrão e atordoa o hobbit, enrolando-o instantaneamente num casulo numa cena pavorosa.

Eis que chega Sam, que tomou Ferroada em suas mãos (o frasco na outra) e luta de forma emocionante com o monstro. Por um triz, ele consegue feri-la nos olhos e na barriga. Ela foge. Sam acha que Frodo está morto – é desesperador. Ouve a voz dos orcs, que acabam revelando que ele está só atordoado. Eles o carregam para a torre de Cirith Ungol.

Pessoal, aguardem para a próxima e última parte o final da saga. Ou "Como deixar os olhos de um sujeito inchados de tanto chorar". Vai valer a pena esperar, tenham certeza!

Bem, amigos da Valinor, estamos de volta para a sensacional última parte da nossa resenha de "O Retorno do Rei". Preparem-se para MEGA-SPOILERS!!!

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Todo mundo aí ainda, hein? Pois vamos lá.

É noite no Templo da Colina e Théoden se despede de Éowyn. Pede que ela cuide de Edoras: "Por muito tempo você a defenderá, se a batalha andar mal". A jovem tem uma tristeza de morte recobrindo seu rosto por causa de Aragorn, mas diz: "O que mais gostaria que eu fizesse, senhor?". Théoden se aproxima dela, carinhoso: "Gostaria que sorrisse novamente, e não chorasse por aqueles para quem a hora chegou. E nada mais de desespero", diz ele, tocando a testa contra a dela.

Os cavaleiros montam. Merry pede para seguir Théoden, em vão. "Cavalguem agora, cavalguem! Cavalguem para Gondor!", grita o rei. Um cavaleiro veloz agarra o hobbit e o coloca sobre seu corcel. "Minha senhora!", diz Merry – claro, é Éowyn. Não há o suspense em relação à identidade de "Dernhelm", mas, convenhamos, ia ficar difícil de fazer isso no cinema de forma crível. As roteiristas mandaram bem desta vez!

Voltamos para Gondor. As forças de Mordor, imensas, já cobrem o Rammas Echor, e à frente delas vai um cavaleiro solitário, ferido de flecha, arrastado por seu cavalo – é Faramir! Os gondorianos abrem rápido o portão e o pobre capitão de Gondor entra, sendo levado para o Pátio da Fonte. Denethor entra completamente em parafuso e começa a se lamuriar. Ordena que os homens abandonem seus postos (!!!). E aí vem mais uma falta de sutileza absurda da adaptação: Gandalf, emputecido (ok, com razão) dá TRÊS CAJADADAS NA CABEÇA DO REGENTE DE GONDOR e ainda faz uma cara do tipo "Humpf! Que viado esse sujeito!". Denethor se estatela no chão. O mago chama os soldados e organiza a resistência da cidade. Gandalf, pra todos os efeitos, agora é o general de Minas Tirith (nada de Imrahil. Snif!).

O exército de Mordor está perto do indescritível, tamanho é o horror que carrega. Imensas torres de guerra de madeira aproximam-se dos portões, orcs de todos os tipos urram e balançam suas armas (liderados por Gothmog-Slot, claro!) e trolls, muitos trolls horrendos e bem-armados empurram catapultas. Slot diz: "Não vamos deixá-los sofrendo lá dentro pensando nos prisioneiros. Homens, libertem-nos!".

E aí, meus caros, taí o que vocês queriam, como diria Galvão Bueno: cabeças dos Dúnedain mortos em Osgiliath, ainda com os belos capacetes de Gondor, voam para dentro das muralhas, instaurando o horror. E logo são seguidas por pedras imensas, que começam a esmigalhar as muralhas de Minas Tirith como se fossem de gesso. Muitos morrem. Gandalf logo reorganiza a resistência e Minas Tirith esmaga parte do exército e das torres com suas catapultas.

Voltamos para Mordor. Os orcs da torre remexem nos pertences de Frodo e brigam entre si, enquanto Sam se aproxima. No fim, só sobraram quatro nêgos ali dentro, e o pequeno hobbit consegue se aproximar. Ele mata os quatro – "Este é pelo sr. Frodo! Este é pelo Condado! E este é pelo MEU VELHO FEITOR!" – e conta a Frodo que conseguiu salvar o Anel. A dupla veste-se como orcs e inicia o longo caminho para a Montanha da Perdição.

No Pelennor, ntram em ação os Nazgûl, que, com seus gritos horrendos, põem os guerreiros de Gondor em pânico e derrubam muitos deles das muralhas, quebrando até as catapultas. Ao longe, monstros que lembram búfalos africanos deformados arrastam atrás de si Grond, o Aríete d
e Sauron, na forma de um lobo como descrito no livro. Os portões começam a ser martelados. Projéteis em chamas queimam parte da cidade. O portão cede e muitos orcs entram.

Nisso, Pippin, que já havia ajudado na defesa e matado um orc, corre para avisar Gandalf: Denethor quer queimar Faramir e a si mesmo! "Nada de longo sono de morte embalsamada para Faramir e Denethor!", diz o enlouquecido Regente – as falas vêm direto do livro. Gandalf e Pippin conseguem entrar em Rath Dínen. "Parem essa loucura!", grita o mago, enquanto Denethor e Faramir já estão encharcados de óleo e o fogo já começou a lamber a pira. Pippin não se faz de rogado: salta sobre a pira e arrasta Faramir consigo para fora. E aí vem outra cagada do filme: Denethor tenta enfrentar Gandalf, Scadufax empina e dá um coice com as patas dianteiras e lança Denethor sobre o fogo. Este sai correndo, em chamas, e se joga das muralhas – é quase como se Gandalf tivesse matado o Regente, meu Eru!

Os gondorianos tiveram que recuar até o segundo nível da cidade. Pippin e Gandalf, lado a lado, falam sobre a morte, e o mago usa palavras belíssimas para dizer ao hobbit que esta não é o fim de tudo – usando a mesma descrição de Valinor que aparece na chegada de Frodo no fim de "O Senhor dos Anéis" – um distante país verde sob um rápido nascer do sol. É lindo.

Mas, no meio desse desespero todo, um chifre soa! ROHAN CHEGOU! Lá no alto, perto da entrada do Pelennor, o sol nasce enquanto a hoste dos Rohirrim, imensa, se prepara para a batalha. Éowyn encoraja Merry. Théoden dispõe suas tropas. Discursa, como no livro, e o meu coração quer se despedaçar de alegria: "Lança será sacudida, escudo estilhaçado! Um dia de espada, um dia vermelho, antes de o sol raiar! Cavalguem agora, cavalguem para a ruína e para o fim do mundo!" Ele passa em revista os soldados, batendo sua espada contra as lanças deles: "Morte! Morte! MORTE!", ele grita três vezes, e Merry e Éowyn entram no coro. Esses sujeitos estão diante da morte certa e não a temem – mas a abraçam. Outro chifre é soado, seguido por milhares de outros…

… e o ataque de Rohan naquela hora foi como relâmpago na planície e trovão nas montanhas, e as hostes de Mordor gritaram, e o terror as tomou, e elas gritaram, e fugiram, e os cascos da ira cavalgaram sobre elas. Parece que os Cavaleiros vão chegar até o portão e acabar com o cerco, mas um grito selvagem faz com que eles virem suas cabeças. Mûmakil! Os selvagens homens de Harad chegaram com seus monstros imensos, e Théoden hesita. Mas isso não dura muito: os Rohirrim refazem sua linha de combate e ATACAM OS OLIFANTES num rompante sem igual de coragem suicida. Muitos morrem, pisoteados ou flechados pelos Haradrim, mas Éomer ordena que todos flechem as cabeças e os olhos dos monstros e a situação se reverte. Na confusão, Éowyn acaba perdendo Merry de vista.

Nesse momento chega o Rei Bruxo, e só Théoden ousa resistir a ele – em vão. Um golpe da Besta Cruel é suficiente para jogar Snawmana sobre o rei. O Nazgûl diz para o monstro: "Delicie-se com a carne dele!", mas eis que Éowyn grita: "Eu o mato se tocar nele!". "Seu tolo! Nenhum homem vivo pode me matar", diz o Rei Bruxo. Éowyn não se faz de rogada: três golpes de espada arrancam a cabeça da montaria alada do Espectro, que cai ao chão. Ele ergue sua maça, quebra o escudo da guerreira, mas Merry o atinge. Éowyn grita: "Eu não sou homem nenhum!" e enfia sua espada elmo adentro do monstro. Um grande mal parte da Terra-média.

Éowyn se aproxima do tio ferido. "Reconheço seu rosto! Éowyn!", ele diz, sorrindo. Ela quer curá-lo, mas ele replica: "Vou agora para junto dos meus pais, em cuja poderosa companhia não me sentirei agora tão envergonhado", e fecha os olhos para sempre. Palmas para os adaptadores que confiaram na força e emoção do texto tolkieniano.

De repente, vemos o rio Anduin atrás da cidade, e barcos com velas negras (os Corsários, que já tinham sido mencionados por Gandalf) aportam no Harlond. "Piratas nojentos, sempre atrasados", diz Slot. Mas quem salta do navio é Aragorn, filho de Arathorn, usuário da Espada Reforjada, o herdeiro de Elendil! Atrás dele vêm os Mortos trazendo terror aos orcs e seus aliados, não deixando ninguém no caminho. Legolas e Gimli matam inimigos aterrorizados à vontade e continuam a velha competição "quem mata mais".

De repente, um Mûmak se aproxima e Aragorn grita: "Legolas, acabe com ele!". E aí vem a forçada de barra mais divertida de toda a Trilogia: Legolas vai escalando o bicho como quem sobe uma escada, mata um por um TODOS os Haradrim que estão em cima dele, dirige-se à cabeça e acerta três flechas no côco do bicho, que despenca. Lépido, Legolas salta ao chão. Gimli olha com aquela cara e comenta: "Esse aí continua contando como um só!". Hilário!

Gandalf caminha pelo campo de batalha e Pippin encontra Merry. Aragorn libera os Mortos de seu fardo e todos partem para um conselho de guerra na Torre Branca. A decisão é unânime: atacar Mordor para distrair Sauron e permitir que Frodo cumpra sua missão.

Diante do Portão Negro, Aragorn, Legolas com Gimli na garupa, Gandalf com Pippin na garupa e Éomer com Merry na garupa desafiam Sauron. "Apareça! Que o senhor da Terra Negra apareça! Justiça há de ser feita com ele!", grita Aragorn. A única resposta é a abertura dos portões para revelar uma multidão incontável de inimigos.

Aragorn recua e organiza seu exército num círcula, como num livro, e discursa: "Vejo em seus olhos o mesmo medo que tiraria a coragem de mim. Um dia pode vir no qual a força dos homens falhe, no qual abandonemos nossos amigos e esqueçamos todos os laços do companheirismo, mas não é este o dia! Uma hora de lobos e escudos quebrados, na qual a Era dos Homens se despedace, mas não é este o dia! Por tudo o que vocês prezam nesta boa Terra, eu os conclamo a resistir, HOMENS DO OESTE!!!". E eu choro, choro, choro e acredito no que aquele bando de poucos e corajosos acreditam naquele momento.

"Por Frodo!", grita Aragorn – e ataca. Eles sofrem com o excesso de inimigos, reforçados pelos Nazgûl. Mas eis que chega Gwaihir, o senhor dos ventos! "As Águias! As Águias estão chegando", grita Pippin. Tudo agora é suspense.

Frodo e Sam vêem que Mordor está se esvaziando e conseguem seguir caminho. Começam a escalada. Perto das Sammath Naur, Gollum os ataca de novo mas Sam consegue impedi-lo. Frodo entra nas Fendas da Perdição, Sam pouco atrás. "O que está esperando?", diz o pobre escudeiro, enquanto Frodo hesita. Ele finalmente diz "O Anel é meu!" e desaparece! Gollum então salta sobre Sam e começa desesperadora luta com seu inimigo invisível. Morde seu dedo e o arra
nca. Enquanto olha maravilhado para o Anel, Frodo o ataca de novo, os dois se desequilibram e Gollum cai na lava ainda olhando maravilhado para o Anel, enquanto Frodo se segura na borda de pedra. Sam o puxa de volta.

Barad-dûr e o Olho caem em ruínas. O Portão Negro se despedaça. Todos gritam "Frodo", enquanto este e Sam escapam até um lugar cercado de lava, esperando o próprio fim. "Estou feliz que você esteja comigo – aqui, no fim de todas as coisas, Sam". As luzes se apagam na tela…

…mas não é o fim. Ouvimos alguns momentos depois o grito das águias que levam os hobbits e os salvam. Frodo acorda, em Minas Tirith, diante de um amoroso Gandalf. Toda a Sociedade reaparece e se abraça.

E vemos a coroação do rei Elessar, que canta a frase que Elendil disse ao chegar à Terra-média nas asas do vento: Et Eärello Endorenna utúlien! Sinome maruvan ar Hildinyar tennambar-metta! Arwen é trazida por Elrond até ele e os dois se beijam. Todos se curvam diante do rei, que chega até os hobbits. Aragorn fica atônito: "Meus amigos! Vocês não se curvam a ninguém!". E TODO O PÁTIO DA FONTE, lotado de generais, nobres e guerreiros élficos e humanos, se curva diante dos quatro viajantes do Condado. É lindo.

Um voice-over de Frodo conta rapidamente a volta deles para o Condado. No Dragão Verde, eles brindam juntos e Sam reencontra Rosinha, e se casa com ela. Frodo não consegue retomar sua velha vida, mas apenas escreve o livro. E num dia de outono, Gandalf chega ao Bolsão carregando numa charrete o bom e velho Bilbo. Todos os hobbits o acompanham até os Portos Cinzentos, onde Galadriel, Elrond, Círdan e Celeborn o esperam.

Eles sobem no barco e só então Sam e os outros percebem que Frodo está indo também. Eles se abraçam e choram, e Frodo dá um beijo na testa de Sam, passando-lhe também o livro: "As últimas páginas são para você". Eles partem para o Oeste e Sam volta para casa, ouvindo ainda a voz de Frodo: "Você não pode continuar sempre dividido em dois Sam. Tem tanto ainda para aproveitar, e fazer – e ser". Sam abre o portão, Rosinha, Elanor e sua outra filhinha esperando por ele. Ele suspira: "Bem, estou de volta". E a porta se fecha atrás de nós. E eu, ao invés de chorar, sorrio.

O que dizer depois desse carrossel de emoções? Só posso ser grato, apesar das muitas falhas do filme, que existem, pelo espírito ter se mantido tão fiel, ao menos nesse capítulo final. E por ter vivido para ver uma das maiores histórias de todos os tempos ganhar vida. A força emocional de quem acredita no que está sendo dito e contado – essa é a dádiva de "O Senhor dos Anéis", e dos filmes que o livro fez nascer.

Nai Anar caluva tielyanna,

Reinaldo/Imrahil.

Prêmios da Trilogia

Aqui vai a lista de todas as indicações que a trilogia já recebeu, se estiver marcada com esse anel ( ) significa que O Senhor dos Anéis foi vencedor nessa categoria.

Até agora temos um total de prêmios contabilizados:
O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel: 61 prêmios
O Senhor dos Anéis – As Duas Torres: 44 prêmios
O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei: 102 prêmios
Total: 207 prêmios

 

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

PRÊMIO AFIS – AMERICAN FILMS INSTITUTE

 Artista de Efeitos Especiais do ano – Jim Rygiel

 Filme do Ano

 Designer de Produção do Ano – Grant Major

Compositor do Ano – Howard Shore

PRÊMIO ASCAP – MÚSICA EM FILME E TELEVISÃO

 Filme campeão de bilheteria – Howard Shore


OSCAR – ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Richard Taylor e Mark Stetson

 Melhor Maquiagem – Peter Owen e Richard Taylor

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Filme

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

Melhor Direção de Arte – Grant Major e Dan Hennah

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Edição – John Gilbert

Melhor Música – Enya, Nick Ryan e Roma Ryan (pela música May It Be)

Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Gethin Creagh e Hammond Peek

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson

SATURNO – ACADEMIA DE FILMES DE FICÇÃO FANTASIA E TERROR

 Melhor Filme de Fantasia

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

 Melhor DVD em Edição Especial (pela versão estendida)

Melhor Figurino – Ngila Dickison e Richard Taylor

Melhor Maquiagem – Peter Owen e Richard Taylor

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Radall W. Cook, Richard Taylor e Mark Stetson

Melhor Roteiro – Frances Walsh, Phillpia Boyens e Peter Jackson

Prêmio Face do Futuro (masculino) – Orlando Bloom


EDDIE – AMERICAN CINEMA EDITORS

Melhor Edição em Filme Drama – John Gilbert


PRÊMIO ASC – ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE DIRETORES DE FOTOGRAFIA

Execução em Fotografia em Lançamento de Cinema – Andrew Lesnie

ASSOCIAÇÃO DOS DIRETORES DE ARTE

Prêmio Excelência em Desing de Produção em Filme de Época ou de Fantasia – Grant Major

PRÊMIO AFI – AUSTRALIAN FILMS INSTITUTE

 Melhor Filme Estrangeiro

PRÊMIOS DA ACADEMIA JAPONESA

Melhor Filme Estrangeiro


BAFTA – ACADEMIA BRITÂNICA

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Maquiagem – Peter Owen, Peter King e Richard Taylor

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Richard Taylor, Alex Funke, Randall W. Cook e Mark Stetson

 Prêmio da Audiência

Melhor Ator – Ian McKellen

Melhor Design de Produção – Grant Major

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Fotografia – Andrew Leslie

Melhor Figurino – Ngila Dickison

Melhor Edição – John Gilbert

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillippa Boyens e Peter Jackson

Melhor Som – David Farmer, Hammond Peek, Christopher Boyes, Gethin Creagh, Michael Semanick, Ethan Van der Rhyn e Mike Hopkns

PRÊMIO BODIL (DINAMARCA)

 Melhor Filme Americano

PRÊMIO BOGEY (ALEMANHA)

 Bogey Award in Titan

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE BOSTON

2º Lugar: Melhor Diretor – Peter Jackson

3º Lugar: Melhor Filme

PRÊMIO BRAM STOKER

Roteiro – Frances Walsh, Phillippa Boyens e Peter Jackson


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE RÁDIOS

 Melhor Compositor – Howard Shore

 Melhor Música – Enya (por “May It Be”)

Melhor Filme


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE CHICAGO

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Filme

Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO CAS – CINEMA AUDIO SOCIETY

 Mixagem de Som Para Filme – Christopher Boyes, Michael Semmanick, Gethin Creagh e Hammond Peek

CZECH LIONS (REPÚBLICA TCHECA)

Melhor Filme de Língua Estrangeira

PRÊMIOS "DVD PREMIERE"

 Melhor Edição Especial do Ano (pela versão estendida)

 Melhores Comentários em Áudio – Peter Jackson, Frances Walsh e Phillippa Boyens (na versão estendida)

 Melhores Cenas Extras/Reconstruídas – Peter Jackson (pelas cenas extras da versão estendida)

 Melhores Extras – Michael Pellerin (pela versão estendida)

 Documentário Original – Michael Pellerin (pelos extras “From Book to Vision” e “From Book to Reality” da versão estendida)

Melhores Comentários em Áudio – Elijah Wood, Ian McKellen, Livh Tyler e elenco (na versão estendida)

Melhor Menu Principal

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE DALLAS E FORTH WORTH

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

DIRECTORS GUILD OF AMERICA (ASSOCIAÇÃO DE DIRETORES)

Execução em Direção em Filme – Peter Jackson

PRÊMIO EMPIRE (INGLATERRA)

 Melhor Filme

 Melhor Ator – Elijah Wood

 Melhor Estreante – Orlando Bloom

Melhor Ator – Viggo Mortensen

Melhor Ator Britânico – Sean Bean

Melhor Ator Britânico – Ian McKellen

Melhor Estreante – Billy Boyd

Melhor Estreante – Dominic Monaghan

Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DA FLÓRIDA

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Atriz Coadjuvante – Cate Blanchett (também citada por Vida Bandida, The Man Who Cried e Chegadas e Partidas)

GLOBO DE OURO

Melhor Filme Drama

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Música – Enya (por May It Be)

SATÉLITE DE OURO

 Melhor Filme

 Melhor Edição – John Gilbert

 Melhor Som – Gethin Creagh, Christopher Boyes, Michael Semmanick e Hammond Peek

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Richard Taylor, Alex Funke e Randall W. Cook

 Melhor DVD

Melhor Direção de Arte – Grant Major e Dan Hennah

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Ator Coadjuvante/Drama – Ian McKellen

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillipa Boyens e Peter Jackson

Melhor Extra de DVD (para as faixas de comentários)

PRÊMIO HUGO

 Melhor Apresentação Dramática

PRÊMIOS DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DAS CIDADES DE KANSAS

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson


PRÊMIO SIERRA (ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE LAS VEGAS)

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhor Canção – Enya (por May It Be)

 Melhores Efeitos Visuais – Richard Taylor

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE LOS ANGELES

 Melhor Trilha Sonora – Howa
rd Shore

MTV MOVIE AWARDS

 Melhor Filme

 Melhor Estreante Masculino – Orlando Bloom

Melhor Sequência de Ação – Moria

Melhor Luta – Ian McKellen contra Christopher Lee

Melhor Ator – Elijah Wood

Melhor Vilão – Christopher Lee


MOTION PICTURES SOUND EDITORS

 Melhor Edição de Som – Suzana Peric, Nancy Allen, Michael Price, Andrew Dudman, John Kurlander, Peter Cobbin, Jonathan Allen, Mick Gormalley, Susan Shufro e Gethin Creagh

NBR – NATIONAL BOARD OF REVIEW

 Melhor Atriz Coadjuvante – Cate Blanchett (também por Chegadas e Partidas e The Man Who Cried)

 Melhor Design de Produção e Direção de Arte – Grant Major, Joe Blearkley, Dan Hennah, Phillip Ivey, Rob Outterside, Mark Robbins, Tanea Chapman, Alan Lee e Victoria McKenzie

 Prêmio Especial pela Realização – Peter Jackson

OFCS – ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS ONLINE

Melhor Filme

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillippa Boyens e Peter Jackson

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Conjunto

Melhor Trilha Sonora – Howad Shore

PGA GOLDEN LAUREL AWARDS

Filme do Ano


FESTIVAL ROBERT (DINAMARCA)

 Melhor Filme Americano

SAG – SCREEN ACTORS GUILD (SINDICATO DOS ATORES)

 Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

Melhor Elenco – Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boyd, Ian Holm, Christopher Lee, Ian McKellen, Dominic Monaghan, Viggo Mortenses, John Rhys-Davies, Andie Serkis, Liv Tyler, Hugo Weaving e Elijah Wood

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DO SUDOESTE (EUA)

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillippa Boyens e Peter Jackson

2º Lugar – Melhor Filme

USC SCRIPTER AWARD

Melhor Livro Adaptado para o Cinema

PRÊMIO WORLD SOUNDTRACK

Melhor Trilha Sonora Original do Ano Orquestrada – Howard Shore

Compositor do Ano – Howard Shore


WGA – WRITERS GUILD OF AMERICA (ASSOCIAÇÃO DE ROTEIRISTAS)

Melhor Roteiro Baseado em Material Previamente Produzido ou Publicado – Frances Walsh, Phllippa Boyens e Peter Jackson


PRÊMIO JOVEM ARTISTA (EUA)

Melhor Filme Drama

O Senhor dos Anéis – As Duas Torres


OSCAR – ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS

 Melhor Edição de Som – Ethan Van der Ryan e Mike Hopkins

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke

Melhor Filme

Melhor Direção de Arte – Grant Major, Dan Hannah e Alan Lee

Melhor Edição – Michael Horton

Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammons Peek


SATURNO – ACADEMIA DE FILMES DE FICÇÃO FANTASIA E TERROR

 Melhor Filme de Fantasia

 Melhor Ator Coadjuvante – Andy Serkis

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Maquiagem – Peter Owen e Peter King

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Ator – Viggo Mortensen

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Ator Jovem – Elijah Wood

Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke

Melhor Roteiro – Frances Walsh, Phillippa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson

EDDIE – AMERICAN CINEMA EDITORS

Melhor Edição em Filme Dramático – Michael Horton


ASSOCIAÇÃO DOS DIRETORES DE ARTE

 Prêmio Excelência em Desing de Produção em Filme de Época ou de Fantasia – Grant Major, Dan Hennah, Joe Bleakley, Rob Outterside, Phllip Ivey, Mark Robins, Jules Cook, Ross McGarva e Jacqui Allen

BAFTA – ACADEMIA BRITÂNICA

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Filme

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Edição – Michael Horton e Jabez Olssen

Melhor Maquiagem – Peter Owen, Peter King e Richard Taylor

Melhor Design de Produção – Grant Major

Melhor Som – Ethan Van der Ryan, David Farmer, Mike Hopkins, Hammond Peek, Christopher Boyes, Michael Semanick e Michael Hedges

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE RÁDIO

 Melhor Perfomance Digital – Gollum

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE CHICAGO

Melhor Filme

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

PRÊMIO CAS – CINEMA AUDIO SOCIETY

Execução de Mixagem de Som Para Filme – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek

CEC – PRÊMIO DO CÍRCULO DE ESCRITORES DE CINEMA (ESPANHA)

Melhor Filme Estrangeiro


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE FIGURINISTAS

Excelência em Figurinos para Filme de Época/Fantasia – Ngila Dickson


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE DALLAS E FORTH WORTH

 Melhor Diretor – Peter Jackson

DIRECTORS GUILD OF AMERICA (ASSOCIAÇÃO DE DIRETORES)

Execução em Direção em Filme – Peter Jackson

PRÊMIO EMPIRE (INGLATERRA)

 Melhor Filme

GLOBO DE OURO

Melhor Filme Drama

Melhor Diretor – Peter Jackson

SATÉLITE DE OURO

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke

 Prêmio Especial Pela Realização do Filme

Melhor Filme Drama

Melhor Diretor – Peter Jackson

Melhor Ator Coadjuvante – Viggo Mortensen

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Edição – Michael Horton

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillippa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson

Melhor Som – Hammond Peek, Christopher Boyes, Michael Semanick e Michael Hedges

TRAILER DE OURO

 Melhor Trailer de Ação

PRÊMIO DOS CABELEREIROS E MAQUIADORES DE HOLLYWOOD

 Melhor Penteado de Personagem – Peter Owen e Peter King (pela Arwen)

 Melhor Maquiagem de Personagem – Peter Owen e Peter King (pelo Frodo)

 Melhores Efeitos Especiais em Maquiagem – Gino Acevedo, Jason Docherty e Richard Taylor (pelo Frodo)


PRÊMIO HUGO

Melhor Apresentação Dramática

SINDICATO NACIONAL DE CRÍTICOS ITALIANOS

 Melhor Dublagem – Pino Insegno (também por Era do Gelo)

PRÊMIOS DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DAS CIDADES DE KANSAS

 Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO SIERRA (ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE LAS VEGAS)

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Edição – Michael Horton e Jabez Olssen

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke


MTV MOVIE AWARDS

 Melhor Filme

 Melhor Sequência de Ação – Batalha no Abismo de Helm

 Melhor Equipe – Elijah Wood, Sean Astin e Andy Serkis

 Melhor Performance Virtual – Gollum

Melhor Ator – Viggo Mortensen

MOTION PICTURES SOUND EDITORS

Melhor Edição de Som – Mike Hopkins, Ethan Van der Ryan, David Farmer, Brent Burge, David Whitehead, John McKay, Kyrsten Mate Comoglio, Craig Tomlinson, Hayden Collow, Jason Canovas, Ray Beentjes, Poly McKinnon, Nigel Stone e Mark Franken

Melhor Edição de Músicas – Michael Price, Andrew Dudman, Steve Price, Mark Willsher, Malcolm Fife, Nigel Scott, Jonathan Schultz, Rebecca Gatrell e Raphael Mouterde

OFCS – ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS ONLINE

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Edição – Michael Horton e Jabez Olssen

 Melhor Realização

 Melhor Som – Ethan Van der Ryan e Mike Hopkins

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel

Melhor Direção de Arte

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Phillipa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson

Melhor Ator Coadjuvante – Andy Serkis

PGA GOLDEN LAUREL AWARDS

Produtores do Ano – Barrie M. Osborne, Peter Jacks
on e Frances Walsh

SAG – SCREEN ACTORS GUILD (SINDICATO DOS ATORES)

Melhor Elenco – Sean Astin, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boyd, Brad Douriff, Bernard Hill, Christopher Lee, Ian McKellen, Dominic Monaghan, Viggo Mortensen, Miranda Otto, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Liv Tyler, Hugo Weaving, David Wenham e Elijah Wood

USC SCRIPTER AWARD

Melhor Livro Adaptado Para o Cinema


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE EFEITOS VISUAIS

 Melhores Efeitos Visuais – Steve Ingram, Blair Foord, Rich E. Cordobes e Scott Harens

 Melhor Personagem em Live Action – Richard Baneham, Eri Saindon, Ken McGaugh e Bay Raitt

 Melhor Composição – Mark Lewis, G.G. Heitmann Demers, Alex Lenke e Alfred Mürrle

 Melhores Efeitos Visuais em Cenários – Alan Lee, Jeremy Bennett, Christian Rivers e Gino Acevedo

 Melhores Modelos e Miniaturas – Richard Taylor, Paul Van Ommen e Matt Aitken

 Melhor Performance em Filme de Efeitos – Andy Serkis, Elijah Wood e Sean Astin

 Melhores Efeitos Visuais em Fotografia – Alex Funken, Brian Van’t Hul e Richard Bluck

 Melhores Efeitos Visuais em Cenas de Movimento – Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall W. Cook e Alex Funke

Melhor Pintura Digital – Yannick Dusseault, Max Denninson, Roger Kupelian e Mathieu Raynault

PRÊMIO JOVEM ARTISTA (EUA)

 Melhor Filme Drama

O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

PRÊMIO ASCAP – MÚSICA EM FILME E TELEVISÃO

 Filme Campeão de Bilheteria – Howard Shore

OSCAR – ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS

 Melhor Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

 Melhor Maquiagem – Peter King e Richard Taylor

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Direção de Arte – Grant Major, Dan Hennah e Alan Lee

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Edição – Jamie Selkirk

 Melhor Música – Frances Walsh, Howard Shore e Annie Lennox (pela música “Into the West”)

 Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek

 Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson

SATURNO – ACADEMIA DE FILMES DE FICÇÃO FANTASIA E TERROR

 Melhor Filme de Fantasia

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Ator – Elijah Wood

 Melhor Maquiagem – Peter King e Richard Taylor

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

 Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson

 Melhor Ator Coadjuvante – Sean Astin

Melhor Ator – Viggo Mortensen

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

Melhor Ator Coadjuvante – Andy Serkis

Melhor Atriz Coadjuvante – Miranda Otto

EDDIE – AMERICAN CINEMA EDITORS

 Melhor Edição em Filme Drama – Jamie Selkirk

PRÊMIO ASC – ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE DIRETORES DE FOTOGRAFIA

Execução em Fotografia em Lançamento de Cinema – Andrew Lesnie

ASSOCIAÇÃO DOS DIRETORES DE ARTE

 Prêmio Excelência em Desing de Produção em Filme de Época ou de Fantasia – Grant Major

BAFTA – ACADEMIA BRITÂNICA

 Prêmio da Audiência

 Melhor Filme

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

 Melhor Fotografia – Andrew Leslie

 Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Edição – Jamie Selkirk

Melhor Maquiagem – Peter Owen, Peter King e Richard Taylor

Melhor Ator Coadjuvante – Ian McKellen

Melhor Design de Produção – Grant Major

Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek

Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO BODIL (DINAMARCA)

Melhor Filme Americano


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE BOSTON

2º Lugar – Melhor Diretor – Peter Jackson


BROADCAST FILM CRITICS ASSOCIATION AWARDS

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Compositor – Howard Shore

 Melhor Elenco – Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boyd, Bernard Hill, Ian Holm, Ian McKellen, Dominic Monaghan, Viggo Mortenses, John Noble, Miranda Otto, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Karl Urban, Liv Tyler, Hugo Weaving, David Wenham e Elijah Wood

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE CHICAGO

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Trilha – Howard Shore


PRÊMIO CAS – CINEMA AUDIO SOCIETY

Mixagem de Som Para Filme – Christopher Boyes, Michael Semmanick, Michael Hedges e Hammond Peek

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE FIGURINISTAS

 Excelência em Figurinos para Filme de Época/Fantasia – Ngila Dickson

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE DALLAS E FORTH WORTH

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie


PRÊMIO DO SINDICATO DOS DIRETORES – DIRECTORS GUILD OF AMERICA

 Execução em Direção em Filme – Peter Jackson


PRÊMIO DO SINDICATO DOS DIRETORES – DIRECTORS GUILD OF GREAT BRITAIN

 Execução em Direção em Filme Estrangeiro – Peter Jackson

PRÊMIO EMPIRE (REINO UNIDO)

 Melhor Filme

Melhor Ator Britânico – Andy Serkis

 Cena do Ano – Cavalgada dos Rohirrim

Melhor Ator – Viggo Mortensen

Melhor Ator – Sean Astin

Melhor Ator Britânico – Orlando Bloom

Melhor Ator Britânico – Ian McKellen

Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DA FLÓRIDA

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

GLOBO DE OURO

 Melhor Filme Drama

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhor Música – Annie Lennox, Frances Walsh e Howard Shore (por Into the West)

SATÉLITE DE OURO

 Melhor Direção de Arte – Grant Major, Dan Hennah e Alan Lee

Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

Melhor Edição – Jamie Selkirk

Melhor Filme – Drama

Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek

Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

PRÊMIO TRAILER DE OURO

 Melhor Trailer de Drama – Pelo primeiro trailer do Retorno do Rei


PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DOS CABELEREIROS E MAQUIADORES DE HOLLYWOOD

 Melhor Maquiagem de Personagem – Peter Owen e Peter King

 Melhores Efeitos Especiais em Maquiagem – Gino Acevedo, Jason Docherty e Richard Taylor

PRÊMIO HUGO

 Melhor Apresentação Dramática


PRÊMIOS DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DAS CIDADES DE KANSAS

 Melhor Filme

 Melhor Diretor – Peter Jackson


PRÊMIO SIERRA (ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE LAS VEGAS)

 Melhor Direção de Arte – Grant Major, Dan Hennah e Alan Lee

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Filme

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

 Melhor Ator Coadjuvante – Sean Astin

ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE LOS ANGELES

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Design de Produção – Grant Major


MTV MOVIE AWARDS

 Melhor Filme

 Melhor Seqüência de Ação – Batalha de Gondor

MOTION PICTURES SOUND EDITORS

Melhor Edição de Som

Melhor Edição de Som – Categoria Música

NATIONAL BOARD OF REVIEW

 Melhor Elenco – Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boyd, Bernard Hill, Ian Holm, Ian McKellen, Dominic Monaghan, Viggo Mortenses, John Noble, Miranda Otto, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Karl Urban, Liv Tyler, Hugo Weaving, David Wenham e Elijah Wood

CÍRCULO DE CRÍTICOS DE NOVA YORK

 Melhor Filme

OFCS – ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS ONLINE

 Melhor Direção de Arte – Grant Major, Dan Hennah e Alan Lee

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhor Figurino – Ngila Dickson e Richard Taylor

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Filme

 Melhor Trilha Sonora – Howard Shore

 Melhores Efeitos Visuais – Jim Rygiel, Randall W. Cook, Joe Letteri e Alex Funke

 Melhor Som – Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek

 Melhor Roteiro Adaptado – Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson

Melhor Ator Coadjuvante – Sean Astin

Melhor Ator Coadjuvante – Andy Serkis

PGA GOLDEN LAUREL AWARDS

 Produtores do Ano – Barrie M. Osborne, Peter Jackson e Frances Walsh

SOCIEDADE DOS CRÍTICOS DE PHOENIX

 Melhor Filme

FESTIVAL ROBERT (DINAMARCA)

Melhor Filme Americano

SOCIEDADE DOS CRÍTICOS DE SAN DIEGO

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Design de Produção – Grant Major

CÍRCULO DE CRÍTICOS DE SÃO FRANCISCO

 Melhor Diretor – Peter Jackson

SAG – SCREEN ACTORS GUILD (SINDICATO DOS ATORES)

 Melhor Elenco – Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boyd, Bernard Hill, Ian Holm, Ian McKellen, Dominic Monaghan, Viggo Mortenses, John Noble, Miranda Otto, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Karl Urban, Liv Tyler, Hugo Weaving, David Wenham e Elijah Wood

PRÊMIO DOS CRÍTICOS DE SEATTLE

 Melhor Fotografia – Andrew Lesnie

 Melhor Ator Coadjuvante – Sean Astin

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DO SUDOESTE (EUA)

 Melhor Diretor – Peter Jackson

 Melhor Filme


TEEN CHOICE AWARDS

Melhor Filme – Drama / Ação / Aventura

Melhor Ator Drama / Ação / Aventura – Elijah Wood

Melhor Ator Drama / Ação / Aventura – Orlando Bloom (junto com Tróia)

Melhor Atriz Drama / Ação / Aventura – Liv Tyler

Melhor Seqüência de Ação / Luta

Melhor Mentiroso – Gollum

Melhor Sacana – Gollum

ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE TORONTO

 Melhor Diretor – Peter Jackson

USC SCRIPTER AWARD

Melhor Livro Adaptado para o Cinema

CÍRCULO DOS CRÍTICOS DE VANCOUVER

 Melhor Diretor – Peter Jackson

PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE EFEITOS VISUAIS

 Melhor Personagem em Live Action

 Melhores Modelos e Miniaturas

 Melhor Performance num Filme de Efeitos – Sean Astin

 Melhores Efeitos Visuais em Cenas de Movimento

Melhores Efeitos Visuais em Fotografia

Melhor Composição

Melhor Pintura Digital

Melhores Efeitos Visuais do Ano

WGA – WRITERS GUILD OF AMERICA (ASSOCIAÇÃO DE ROTEIRISTAS)

Melhor Roteiro Baseado em Material Previamente Produzido ou Publicado – Frances Walsh, Phllippa Boyens e Peter Jackson

PRÊMIO JOVEM ARTISTA (EUA)

 Melhor Filme Familiar – Drama (junto com Peter Pan)

PRÊMIO AFI – AUSTRALIAN FILMS INSTITUTE

 Melhor Filme Estrangeiro

PREMIAÇÃO IRLANDESA DE CINEMA E TELEVISÃO – JAMESON PEOPLES CHOICE AWARD

 Melhor Filme Estrangeiro

GRAMMY AWARDS

 Melhor canção para filme, televisão ou outra mídia visual – Into the West

 Melhor trilha sonora para filme, televisão ou outra mídia visual

[Organizado por Danilo "Mith" Alves]

Estratégias de Sauron – Passos para a Derrota (Parte II)

Na Primeira Era, Morgoth tentou
derrotar seus inimigos Eldarin jogando tudo o que fosse possível contra
eles. Logo, seus exércitos conseguiam sucesso misto. Mesmo a Nirnaeth
Arnoediad provou ser uma vitória tão cara que Morgoth não pode
conseguir a vitória definitiva dos exércitos élficos e seus aliados.
Ele tomou controle de Hithlum e da Marcha de Maedhros, restaurou suas
tropas em Dorthonion, e tomou controle total sobre a parte superior do
Sirion. Mas Falas, Nargothrond, Doriath (e Brethil, que tecnicamente
era parte de Doriath), e Gondolin tiveram que ser tratadas
separadamente.

 

 

 
Na Segunda Era, Sauron tentou duplicar os sucessos
dúbios de Morgoth com ataques repentinos, tentando adquirir grandes
vitórias militares. Ainda, ele não tinha as vantagens de Morgoth.
Apesar de que muito da Terra-Média esteve sobre o controle de Morgoth,
Sauron teve que continuar a manter seu império. E apesar de que a
fortaleza-chefe de Morgoth, Angband, estava perto de seus aliados,
Sauron posicionou-se em Mordor com a intenção de lançar agentes que
trabalhassem ao mesmo tempo para os eldar no norte e os numenoreanos no
sul.

A colonização numenoreana não avançou para o extremo
norte já que Sauron forjou o Um Anel por volta do ano 1600. As grandes
fortalezas do Pelargir, no baixo Anduin, e Umbar não seriam
estabelecidas em menos de 600 anos. O poder numenoreano era no máximo
uma ameaça futura distante de conflito. Mas quando Gil-galad chamou
Númenor para ajudar na guerra iminente, os numenoreanos investiram
perto de 100 anos fortificando posições perto dos rios Gwathlo e Lhûn.
Enquanto Sauron começava a mover suas forças para o Norte, seus
inimigos tinham linhas múltiplas de defesa.

Mas não quer dizer
que Sauron foi derrotado. As histórias deixam claro que Sauron dominou
Tharbad e abriu caminho sobre Eregion com relativa facilidade.
Ost-en-Edhil foi possuída por algum tempo, possivelmente em torno de um
ano. Os esforços de Elrond de reforçar Eregion falharam e ele teve que
se retirar para o norte. Sauron mandou em exército para tirar Elrond do
caminho. E, aparentemente, ao mesmo tempo em que ele estava destruindo
Eregion, sauron mandou um exército para o leste das Montanhas Nevoentas
para expulsar os povos Eldar e Edain, o último desses que foram grandes
aliados dos anões Barbalonga.

Então, Sauron não somente deu a
seus inimigos grande tempo para se preparar para a guerra, ele espalhou
bem suas forças quando lançou a guerra. Gil-galad foi capaz de
consolidar muitas de suas forças sobreviventes no Lhûn depois de ser
empurrado do rio Baranduin. Sauron derrotou Eriador, mas Tolkien nota
que Sauron matou ou expulsou os homens e elfos vivendo na região. Os
expulsos alcançaram o acampamento de Elrond em Imladris ou o reino de
Gil-galad. As duas regiões foram reforçadas pela campanha crescente de
Sauron.

No final das contas, foi precisa uma intervenção
massiva de Númenor para derrotar Sauron, mas a lição que ele aprendeu
da guerra foi que Númenor ia dar mais trabalho que Lindon. Tolkien nos
diz que a guerra entre os elfos e Sauron nunca acabou depois daquele
dia, apesar de Sauron ter alterado seus objetivos estratégicas. Ele
começou conquistando mais territórios no leste. E, gradualmente,
enquanto Sauron estendia seu poder para o sul ele entrou em confronto
com colônias numenoreanas ao longo das costas meridionais da
Terra-Média. Númenor vinha colonizando a Terra-Média desde o ano 1200,
mas por todo o ano 1800 os numenoreanos começaram a estabelecer
fortalezas, cobrar tributo dos povos locais, e conquistando terras
ocupadas. Númenor virou um poder rival que Sauron tinha que conter. Em
fato, provou-se ser impossível para este derrotar Númenor no campo de
batalha, e ele finalmente os derrotou através de um subterfúgio que
trouxe destruição para Númenor e a morte de grande parte de seu povo.

E ainda, apesar da queda de Númenor, Sauron não tinha se livrado ainda
da ameaça numenoreana. Elendil e seus Dunedain Fiéis exilados
estabeleceram reinos em Arnor e Gondor, na Terra-Média setentrional.
Apesar de ser apenas um resto da nação poderosa que fora e que
humilhava Sauron militarmente, os Dunedain Fiéis eram poderosos demais
para serem aniquilados rapidamente. Sauron entendeu isso quando tomou
Minas Ithil e foi empurrado para fora de Osgiliath. Vocês podem até
ouvi-lo pensando: "Opa, isto estava fora dos planos". Se ele esperasse
mais 100 anos, Arnor e Gondor teriam ficado mais poderosos, mas Sauron
teria restabelecido total controle sobre sua rede de aliados e assuntos
de estado. Ele teria muito mais recursos à disposição do que possuía
quando atacou Gondor em 3429.

Esperando demais, atuando cedo
demais — esses eram os erros que Sauron cometeu na Segunda Era. Ele
permitiu a seus inimigos o tempo para crescer fortes enquanto ele mesmo
dispersou suas forças e criou guerra em muitas frentes. Depois de sua
derrota, Sauron teve 1000 anos para refletir sobre suas falhas e
fraquezas. E quando ele ficou forte o bastante para reencarnar, ele
entendeu que para conseguir tomar controle da Terra-Média, ele tinha
que trabalhar vagarosa e cuidadosamente. Ele tinha que aumentar seus
poderes enquanto acabava com seus inimigos.

O primeiro passo
era escolher um porto seguro. Mordor foi ocupada por Gondor, que no 11º
século da Terceira Era quase chegou ao topo de sue poder. Não tinha
chance de lutar pelo controle de Mordor com os Dunedain nesta era. E
ainda, Sauron precisava estar perto de seus inimigos. A Grande Floresta
Verde, porém, oferecia uma posição atrativa. As densas florestas
ofereciam uma privacidade relativa e alguma defesa, e a região de Amon
Lanc, por muito tempo abandonada pelos elfos, seria fácil de se
fortificar.

Sendo o Necromante de Dol Guldur (o novo nome que
os elfos deram para Amon Lanc), Sauron construiu um grupo de servos do
mal que se espalharam pela floresta. A Grande Floresta Verde ficou tão
aterrorizante que os homens a renomearam Floresta das Trevas. E à
medida que Orcs, Trolls, Wargs, aranhas e outras criaturas se juntavam
em Dol Guldur, Sauron renovou seus contatos com alguns servos orientais
que serviram a ele no passado. Induzindo alguns dos Orientais a migrar
para o sul da Floresta das Trevas, Sauron começou uma onda de migrações
que aconteceram em Eriador. Os Hobbits, criando moradia nos Vales do
Anduin por muitos anos, cresceram com medo já que o influxo de
Orientais ameaçava seus vizinhos, e começaram a ir para terras mais
seguras, no oeste.

Perto do ano 1300, Sauron mandou o Rei dos
Nazgûl para o norte, a fim de estabelecer o reino de Angmar. Angmar
serviu a dois propósitos. Primeiro, era uma base remota de operações
que trabalhava contra os povos de Arnor que viviam nas proximidades.
Sauron não precisava se preocupar em estabelecer e proteger longas
linhas de suprimentos. Segundo, Angmar pareceria somente mais uma terra
inimiga aos elfos e dunedain. Um único inimigo implacável traria muita
atenção. Mas se reinos hostis surgissem em vários lugares, ninguém
teria certeza do que estaria acontecendo. Havia Sauron retornado, ou
seus servos apenas ficaram mais ambiciosos e poderosos? Inspirar a
dúvida e a demora em seus inimigos deu tempo para que Sauron crescesse
em força.

Mas apesar de Angmar ter vantagem sobre as divisões
que nasceram em Arnor (dividida em três reinos menores pelos Dunedain
em 863), Dol Guldur ficou isolada do leste. Enquanto Sauron contemplava
o que poderia fazer com os reinos do norte, Minalcar estabeleceu as
diferenças entre os homens do Norte e os Orientais atacando as terras
perto do lado sul da Floresta Das Trevas, terras que Gondor clamou há
muito tempo, mas viraram moradia dos Orientais e de muitos homens do
Norte. Minalcar destruiu ou mandou embora os Orientais perto do mar de
Rhûn, e se aliou com o reino de Rhovanion, leste da Floresta das
Trevas, comandado por Vidugavia.

A falha de Minalcar em atacar
Dol Guldur é curiosa. Possivelmente, Sauron estava usando seus
Orientais como uma farsa, e o Necromante de Dol Guldur acabou com
Minalcar como se fosse uma pequena ameaça (ou ameaça nenhuma) para
Gondor. Ainda, Sauron tinha que esperar que seus Orientais recuperassem
seus números. Mas pode ser que ele sentiu que um novo tipo de cultura
oriental foi criada. Nos últimos séculos, Tolkien nos disse, haveria
guerras entre os Orientais. O controle de Sauron sobre os povos do
leste poderia não estar completo, ou então ele sentiu que os melhores
guerreiros seriam aqueles que sobreviveram a grandes contendas e
guerras.

Mas Gondor também era poderosa. Mesmo quando os
Fratricidas morreram, e os Eldacar levaram seus inimigos para o sul,
Sauron não tinha como ter vantagem no conflito. Estava muito longe de
Umbar, onde os rebeldes procuraram abrigo, para fazer contato com os
dissidentes. Apesar de ser um porto seguro, Dol Guldur era bem
confinante. A Grande Praga de 1636, que Sauron lançou no leste e
direcionou para o oeste, abriu novas oportunidades para ele. Gondor
perdeu tanta gente que não poderia mais sustentar os exércitos em
Mordor. Quando os dunedain saíram, orcs e outras criaturas entraram.
Mas ao invés de se mudar para lá, Sauron meramente usou Mordor como
corredor para expansão. Ele provavelmente mandou agentes para o sul
para fazer alianças com os haradrim.

200 anos após a Grande
Praga, os Carroceiros atacaram os homens do norte e Gondor. Os povos do
oeste foram derrotados e Sauron conseguiu domínio da Floresta das
Trevas e de Mordor. O Lorde dos Nazgûl trouxe então a derrota final à
Arthedain, o últimos dos reinos dos Dunedain. Mas apesar de Lindon e
Imladris continuarem no norte, e os dois terem papéis significantes na
derrota de Angmar, Sauron tornou sua atenção para Gondor, suja
intervenção foi responsável pela derrota de Angmar. Os reinos do norte
foram destruídos, mas eles eram a menor das ameaças.

Assim,
quando os anões de Khazad-dûm acordaram o Balrog em 1980, eles
inesperadamente mudaram o balanço de poder no norte. Apesar de
Khazad-dûm não ter tido (aparentemente) um papel importante nas guerras
contra Angmar, ele estava na Última Aliança de Homens e Elfos contra
Sauron, e então enfrentou Sauron novamente. A destruição da civilização
anã efetuada pelo Balrog, e a fuga subseqüente de muitos elfos de
Lothlórien, virtualmente asseguraram que Sauron não tinha quase nenhum
inimigo de poder significante no norte. Tolkien sugere que foi por
causa da presença do Necromante no sul da Floresta das Trevas que
Galadriel resolveu intervir em Lothlórien. Se ela e Celeborn não
tivessem restaurado a ordem ao reino élfico, não teria ninguém para
opor Dol Guldur exceto por alguns homens das florestas e alguns povos
pequenos chamados Eotheod, o restante do outrora poderoso reino de
Rhovanion, Vidugavia. O reino de Thranduil no norte da Floresta das
Trevas continuou forte, mas ele não participou de nenhuma grande guerra
desde a Segunda Era.

O século XX da Terceira Era provou ser um
período tumultuado para Sauron e seus aliados. A perda de Arthedain e
Khazad-dûm deveria ter alarmado os eldar e os Istari. As perdas de
Gondor para os Orientais e a fuga final dos Eotheod para os Vales do
Anduin assegurou que o oeste não tinha força para impulsionar o fluxo
de guerreiros para a Floresta das Trevas e Mordor. E o problema com os
Nazgûl em 2002, quando eles atacaram Minas Ithil, que durou apenas dois
anos, foi um sinal que o mal derrotado no norte sofreu pouco.

Apesar de tudo, Dol Guldur, mesmo com má reputação, parece não ter
feito muito neste período. Os reis de Arnor e Gondor concluíram no meio
do século XX que uma vontade única estava orquestrando suas quedas para
um propósito desconhecido. Pelo século XXI, os Sábios (lordes dos Eldar
e Istari) concluíram que o poder de Dol Guldur era o candidato mais
provável para Inimigo-Mor. Mas quem era o Necromante? Os Sábios
suspeitavam ser um Nazgûl. Apesar de tudo, o Lorde dos Nazgûl era o Rei
Bruxo de Angmar. Os Nazgûl dominaram Minas Ithil. Nazgûl obviamente
estavam ativos na Terra-Média. Mas alguns, provavelmente incluindo
Galadriel e Gandalf, temiam que o Necromante fosse Sauron. Logo, em
2063, Gandalf investigou Dol Guldur e Sauron fugiu para o leste.

Pelos próximos 400 anos, que os Sábios diziam ser a Paz Vigilante,
Sauron preparou novas forças. Os Balchoth, parecidos com os
Carroceiros, cresceram em proeminência no leste. Os Uruks nasceram em
Mordor. Umbar, destruída por Gondor no século XIX, foi recriada com
novas forças totalmente leais a Sauron, e ele finalmente começou a
desafiar o controle numenoreano dos mares. A influência de Sauron entre
os Haradrim aumentou.

Quando ele viu ser a hora certa, em 2460
Sauron retornou para Dol Guldur com novas forças, e Minas Ithil lançou
os Uruks contra Ithilien. Sauron mandou Orcs e Trolls para colonizar as
Montanhas Nevoentas. E os Corsários de Umbar começaram a atacar Gondor.
O retorno à Dol Guldur, porém, implica que Sauron ainda temia a união
de seus inimigos. Os Anões Barbalonga estavam fortes novamente. Os
Eotheod ficaram mais numerosos, e havia outros povos humanos nos Vales
do Anduin que se aliavam com Gondor. Lothlórien virou uma marca do
poderio élfico, e Thranduil controlava o norte da Floresta das Trevas.
Sauron provavelmente procurou deixar seus inimigos do norte
desbalanceados enquanto o Nazgûl, os Balchoth e Corsários acabavam com
os recursos de Gondor.

Mas Sauron também voltou para Dol
Guldur por outro motivo: o Um Anel. Ele acreditava que este fora
destruído. Até ele perceber que não era bem assim. Ele investiu grande
parte de sua força no Anel. Se ele fosse destruído, provavelmente ele
teria ficado fraco demais para ficar poderoso de novo. Sua força
continuou a voltar, porém, e século após século ele conseguiu enxertar
sua vontade sobre mais pessoas e criaturas. Em alguns pontos, a
sobrevivência do Anel virou um fato óbvio para Sauron. Sauron não
apenas sobreviveu à derrota, como estava se recuperando do anel.

E então virou um dever de Sauron recuperar o Anel antes que seus
inimigos o encontrassem e o usassem contra ele. Ele nunca imaginou que
alguém pudesse destruir o Anel, mas havia na Terra-Média Eldar
poderosos que, se viessem a ter o Anel, poderiam usá-lo para construir
exércitos contra ele novamente: Círdan, Elrond, Galadriel, Celeborn.
Eram todos parentes dos antigos reis elfos, e tinham alto conhecimento
e força. E o que Sauron sabia ou suspeitava dos Istari? Com certeza
eles eram imortais. Eles já vagueavam por mais de 1000 anos.

Quando Sauron soube do fim de Isildur, ele se posicionou em Dol Guldur
para ganhar controle sobre os Campos de Lis para que seus servos
pudessem procurar pelo Anel. Mas Sauron não entenderia por muitos
séculos que o Anel estava bem do outro lado do rio, ou que ele foi
encontrado, muito antes dele ter começado a procurar, por um Grado
chamado Déagol, cujo primo Sméagol o assassinou e roubou o Anel.

O ataque dos Balchoth contra o norte de Gondor em 2510 teve dois
propósitos: primeiro, acabar com as forças de Gondor; segundo, limpar o
caminho para a procura de Sauron pelo Anel. A borda norte de Gondor
ficava perto demais de Dol Guldur para que eles mantivessem o segredo.
Os objetivos de Sauron sofreram um revés, porém, quando Eorl liderou um
exército de Eotheod para o norte, em auxílio de Gondor. A Batalha nos
Campos de Celebrant não foi uma derrota ameaçadora para os Balchoth.
Eles continuaram uma efetiva força guerreira para Sauron, mas o
controle sobre os Meandros passou de Gondor para os Eotheod, ao invés
de para Sauron. Gondor e Lothlórien continuaram, então, a ser uma
grande ameaça aos seus planos.

Ainda, quando Cirion cedeu
Calernadhon para Eorl e seu povo, Sauron teve que alterar sua
estratégia uma vez mais. Cirion consolidou suas forças em Anórien e
Ithilien, e Calenardhon veio a ser controlada por um forte povo do
norte, que Sauron percebeu não poder controlar. Os Rohirrim, como o
povo de Eorl veio a ser chamado, não poderia ser simplesmente ignorado.
E a oportunidade de cuidar deles veio no 28º século. Helm, rei de Rohan
(como Calernadhon veio a ser chamado), consolidou seu poder sobre as
terras ocidentais matando Lorde Freca e destruindo sua família. O filho
de Freca, Wulf, se aliou com os Terrapardenses, cujos ancestrais
serviram Sauron na Segunda Era.

Em 2758, Wulf lançou um ataque
à Rohan de Dunland. Ao mesmo tempo, Corsários de Umbar e outras partes
de Harad atacaram o lado oeste de Rohan, e os Balchoth ou outros
Orientais atacaram Rohan do leste. Até mesmo Gondor foi atacada,
ficando então bloqueada de ajudar Rohan. Os Rohirrim foram derrotados
em campo aberto e fugiram para as montanhas. Wulf tomou posse da
maioria das terras. Sauron com certeza planejou o ataque, e o extenso
período de frio, chamado o Longo Inverno, assegurou que o povo de Rohan
(e Eriador) sofreriam terrivelmente. Mas se o objetivo de Sauron era
destruir os Rohirrim neste conflito, ele falhou. Apesar de Helm ter
perecido no Longo Inverno, seu sobrinho Frealaf derrotou Wulf e seus
aliados, na primavera, com a ajuda de Gondor, que reprimiu os ataques
do sul. Mas o conflito produziu outro problema, que Sauron preferiu
ignorar.

Em 2590, os Anões Barbalonga re-estabeleceram o Reino
sobre a montanha de Erebor, que ficava a leste da parte norte da
Floresta Das Trevas. Enquanto Erebor não era ameaça para Dol Guldur,
ele se aliou ao Reino de Valle. Os dois reinos cresceram em riqueza,
fama e poder. Em 2770 o dragão Smaug veio do distante norte e destruiu
Erebor e Dale. Os anões sobreviventes se exilaram e a família real foi
parar em Terra Parda. Em 2990, Thror, que era rei sobre a Montanha,
decidiu retornar para o leste. Foi assassinado por Azog, chefe dos Orcs
em Khazad-Dûm, que decapitou Thror e mutilou a cabeça do Rei-Anão.

Thrain, filho de Thror, fez uma aliança entre todos os povos anões por
uma guerra de 7 anos contra os Orcs das Montanhas Nevoentas. Apesar dos
anões sofrerem grandes perdas, eles quase exterminaram os Orcs. O
controle de Sauron sobre as Montanhas Nevoentas foi efetivamente
destruído na guerra. Junto com sua falha de destruir ou tomar controle
sobre Rohan, perder as Montanhas Nevoentas diminuiu as chances de
Sauron de destruir Lothlórien ou achar o Um Anel.

Para não
ficar totalmente frustrado, Sauron começou então a recuperar os outros
Anéis do Poder que ele cedeu na Segunda Era. Os Anões tinham os Sete e
os Nazgûl tinham os Nove. Mandar os Nazgûl devolverem seus anéis não
era problema. Mas Sauron tinha que caçar os Reis-Anões um a um e pegar
os Anéis deles. E, desses reis, apenas três tinham anéis. Quatro dos
Anéis foram aparentemente destruídos por dragões. Thrain foi o último
Portador Do Anel a cair nas mãos de Sauron. Apesar de Tolkien não
explicar porque Sauron pegou os Anéis de volta, podemos concluir que
era para aumentar sua própria força. Ou então pretendia, futuramente,
distribuí-los para novos escravos. Glóin reportou para o Conselho de
Elrond em 3018 que Sauron ofereceu 3 Anéis para o Rei Dain II, apesar
de não podermos dizer que Sauron devolveu os Anéis para os anões.

Ao que o Conselho Branco corria, no qual Galadriel se juntou aos Istari
e lordes elfos depois que a Paz Vigilante acabou, Gandalf retornou para
Dol Guldur em 2851. Foi lá, então, confirmado que o Necromante
realmente era Sauron, e Gandalf descobriu que Sauron estava juntando os
Anéis de Poder novamente, assim como procurava pelo Um Anel. Tais
notícias alarmaram Saruman, que tinha ido morar na fortaleza gondoriana
de Isengard depois do Longo Inverno. Saruman, neste momento, percebeu
que o Um Anel poderia, sim, ser encontrado, e ele o queria para si. Ele
começou a recrutar Orcs e Terrapardenses para servi-lo, e mandou
espiões para procurar pelo Anel nos Campos de Lis.

Apesar de
Saruman apresentar uma ameaça pequena para Sauron, a procura pelo Anel
descobriu outro problema. Enquanto Arnor foi completamente destruída
(ou assim Sauron acreditava – ele não percebeu que descendentes de
Isildur sobreviveram no norte), Gondor provava ser muito mais forte e
resiliente, graças à aliança com os Rohirrim. O crescimento de um poder
rival em Isengard poderia complicar, mas se Sauron pudesse encontrar o
Um Anel ele poderia rapidamente conseguir controle sobre muitas pessoas.

Em 2941, Sauron provavelmente se convenceu que o Um Anel não estava
mais na região dos Campos de Lis. O Conselho Branco moveu-se contra ele
e ele fugiu de Dol Guldur. Dizem que a Floresta das Trevas ficou um
lugar mais calmo por um tempo. Tal transição implica que Sauron não
fugiu simplesmente de Dol Guldur. Ele sugere que foi uma grande
migração de orcs, homens e outras criaturas sobre seu controle.
Enquanto alguns argumentam que a ação do Conselho Branco foi um tipo de
ataque mágico, é mais provável que Lothlórien mandou um exército contra
a Floresta das Trevas. Os Istari e os senhores elfos desafiaram o poder
de Necromante diretamente, mas Sauron retraiu-se e então preservou
grande parte de suas forças.

A fuga sugere que Sauron não
estava mais a fim de arriscar seus exércitos principais em combate
aberto. Por outro lado, no norte, Bolg (filho de Azog) lançou uma
campanha contra um pequeno grupo de anões liderados por Thorin, filho
de Thrain, que retornou a Erebor. Após a morte de Smaug, elfos, homens,
anões e orcs se convergiram para a montanha, para recuperar o tesouro
que Smaug guardou à 170 anos. Estava Bolg seguindo ordens de Sauron, ou
Sauron perdeu o controle sobre os orcs das Montanhas Nevoentas? Se
Sauron aprovasse ou permitisse à Bolg lançar o ataque, então ele o
supriria com recursos o suficiente para executar uma ação que, além de
segurar uma base no norte, poderia ser usada para atacar Thranduil. Mas
isso também deixaria Sauron sem ajuda próxima das Montanhas Nevoentas.
Se Bolg ganhasse controle sobre Erebor, Sauron estaria em posição para
acabar com Thranduil e trazer reforços para atacar Lothlórien num
minuto. Mas quando Bolg retirou os exércitos órquicos, Lothlórien tinha
uma oportunidade única de ação.

Se Bolg fosse o comandante de
Sauron no norte, Sauron poderia retornar para Mordor com todas as
forças de Dol Guldur. Ao invés de espalhar seus recursos pelas três
maiores bases (Mordor, Dol Guldur e Erebor), Sauron poderia consolidar
sua força em duas regiões bem protegidas, que poderiam ser suprimidas e
reforçadas pelo leste. Então, por não ter arriscado tudo, a derrota de
Bolg em Erebor somente atrasou os planos de Sauron. Tolkien diz que
três quartos dos Orcs do norte pereceram na Batalha dos Cinco
Exércitos. Levaria décadas para que eles pudessem se recuperar
totalmente. Enquanto isso, enquanto os homens do Norte refaziam o Reino
de Dale e os Anões Barbalonga reconstruíam o reino de Erebor, Sauron
retornou para Mordor.

Sauron se declarou abertamente em 2951.
Ele agora se sentia confiante o bastante, apesar de sua falha em
recuperar o Anel, para agüentar qualquer ataque que o Oeste lançasse
sobre ele. O efeito psicológico do "Estou de volta" sobre os elfos não
deve ser subestimado. Muitos dos elfos simplesmente perderam a fé.
Talvez muitos deles acreditassem que Sauron tinha recuperado o Um Anel,
ou que estava quase encontrando. Pelo ano 3000 anões começaram a se
mover para o oeste, e trouxeram do leste relatos de movimentos de
povos, guerras predatórias e o poder crescente de Sauron. Muitos dos
eldar restantes fizeram uma onda massiva de migração para o Mar,
deixando a Terra-Média para sempre. Os Elfos Silvan continuaram
decididos, mas Lindon e Imladris nunca mais puderam reconstruir
exércitos.

À medida que os orcs das Montanhas Nevoentas
recuperavam seus números, novos inimigos ameaçavam a borda leste de
Dale. Mordor forjou novas alianças com os Orientais e os Haradrim, e
Saruman caiu no encanto de Sauron quando o mago usou o Palantír que
encontrou em Isengard para espiar Mordor. Apesar da fidelidade de
Saruman para com o oeste já ter se esvaecido, até agora ele se opunha a
Sauron. Foi útil para Saruman ajudar o Conselho Branco a livrar Dol
Guldur em 2941. Ele queria procurar pelo Anel livremente. Perto da
Guerra do Anel, Saruman encontrou os restos de Isildur, mas não o Anel
(que, com certeza, foi levado para o Condado).

Gondor
continuava a decair ante os repetidos ataques de Mordor e Harad, mas a
força militar de Gondor já não era vital para a estratégia de Sauron. O
Anel virou a prioridade-mor de Sauron. Ele finalmente soube de Sméagol
do destino do Anel, e em 3018 ele mandou os Nazgûl para o Condado para
recuperar o Anel e trazê-lo de volta. Apesar dele estar se preparando
para a guerra, e que ninguém acreditava que ele podia perder, Sauron
precisava ter certeza que seus inimigos não usariam o Anel contra ele
antes que ele lançasse a guerra. Seus capitães poderiam mudar de lado
caso alguém poderoso o bastante para usar o Anel aparecesse e tomasse
posse deste.

A grande lista de reinos e tribos que Sauron
juntou assegurava-o de qualquer vitória em qualquer guerra em que
ninguém usasse o Anel. A recuperação do Anel o assegurava, então, de um
controle indisputável sobre a Terra-Média. Os elfos que sobraram não
eram fortes o bastante para desafiá-lo. Os Dunedain definharam e eram
poucos demais para chegar a ter os poderosos exércitos que comandavam
no auge de seu poder. E os homens do norte, apesar de fortes em lugares
como Dale, os Vales do Anduin, e Rohan, estavam divididos em reinos
demais e incapazes de formar uma aliança forte o bastante para
desafiá-los.

Em 3018, Sauron esteve preste a atacar Dale e
Erebor, passando pela Floresta das Trevas, e limpar os Vales do Anduin
dos homens, elfos e anões. Mesmo Lothlórien provavelmente não
sobreviveria por muito tempo. Gondor, por outro lado, possuía força o
suficiente, especialmente se reforçado por Rohan, para agüentar ao
menos um ataque massivo. O dever de Saruman ele prevenir ou adiar o
reforço de Rohan. Os orcs das Montanhas Nevoentas poderiam atacar os
Beornings, os Homens das Florestas, Lothlórien, e sem dúvida alguma
Imladris e Eriador. Dol Guldur, agora reconstruída, poderia deixar
Thranduil dificultado. Não tinha chance dos povos do norte formarem uma
aliança no último minuto e chegar em auxílio de Gondor. Todas as peças
estavam no lugar. Vitória era certa. O Senhor do Escuro estava se
divertindo.

A análise de Gandalf das intenções e prioridades
de Sauron (revelada no Conselho de Elrond em 3018 e no último debate
dos capitães do Oeste em 3019) oferece um discernimento das estratégias
mutantes de Sauron na Terceira Era. Quando ele acordou e assumiu uma
força física uma vez mais, Sauron acreditou que ele fora ferido pela
destruição do Um Anel. Determinado a se vingar de seus inimigos, e
talvez reconquistar o controle sobre a Terra-Média, ele começou o
trabalho de dividir e enfraquecer seus inimigos. Seus tenentes
trouxeram a destruição de Arnor. O Balrog (direcionado por Sauron, ou
mesmo por pura sorte) destruiu Khazad-dûm e grande parte de Lothlórien.
Os Orientais e Haradrim enfraqueceram Gondor, reduzindo-o de um império
extremamente poderoso a um estado murcho, ainda orgulhoso mas temeroso
e com uma paranóia de ameaça e derrota. E muitos dos elfos restantes
fugiram da Terra-Média quando viram que a batalha final estava para
começar

Descartando problemas ocasionais, em 3019 Sauron
estava confiante de sua habilidade de adquirir vitória suprema sobre a
oposição. Ele sabia que o Um Anel ainda existia, e ele sabia quem o
possuía. Ele temia que alguém mais tomasse o Anel e usasse contra ele.
O grande perigo, ao ver de Sauron, estava na possibilidade que a
divisão e as brigas poderiam surgir entre seus exércitos. As forças que
ele conseguiu poderiam se virar contra ele. Aragorn e Gandalf
concluíram, então, que a chance de Frodo em concluir a sua missão
dependia do medo de Sauron. Eles fizeram Sauron acreditam que um novo
Senhor do Anel, presumavelmente Aragorn, estava aparecendo.
Penetrantemente atento ao que o atraso custou a ele na Segunda Era (e
talvez fazendo-o sentir que não estava agindo tão cedo), Sauron lançou
um ataque massivo contra Gondor na esperança de capturar o Anel. E
quando esse ataque falhou, ele lançou tudo o que ele tinha num assalto
selvagem que ele acreditava que iria trazer rapidamente o Anel para ele.

Como deve ter sido devastante para Sauron a verdade, quando Frodo
clamou o Anel na cova de Sammath Naur, que ele, o mestre da
manipulação, foi um tolo. Todo seu planejamento cuidadoso e manobras
sagazes por dois mil anos foram para nada. Força massiva, poder
impressionante, e as estratégias mais sutis foram sabotados pela
completa equivocação de Sauron quanto aos fatos que ele descobriu. Ele
acreditava que seus inimigos queriam ser como ele. Se ele entendesse
que eles simplesmente queriam se livrar dele e de todos os Lordes
Negros para sempre, ele teria ficado mais retraído. Em tal mundo,
Sauron estaria sem ação por um tempo. Ele ainda teria que temer que
alguém tomasse o Anel e o usasse contra ele. Mas ele também temeria que
eles o destruíssem. Ele teria que refazer sua estratégia. Não devemos
duvidar que ele deveria ter feito isso, e que o Conselho de Elrond
acertou no ponto quando concluiu que eles tinham uma única chance de
derrotar Sauron.

As Duas Torres – parte 2/2

We are hobbits of the Shire. Frodo Baggins is my name and this is Samwise Gamgee.
FARAMIR
Your bodyguard?
SAM
His gardener.
FARAMIR
And where is your skulking friend? That gangrel creature. He had an ill-favoured look.
 
 
[Scene cuts to Faramir approaching Sam and Frodo in the cave]
FARAMIR
My men tell me that you are orc spies.
SAM
Spies! Now wait just a minute.
FARAMIR
Well if you’re not spies, then who are you? Speak!
FRODO
FRODO
There was no other. We set out from Rivendell with seven companions. One we lost in Moria. Two were my kin. A dwarf there was also. And an elf. And two men. Aragorn, son of Arathorn and Boromir of Gondor.
FARAMIR
You were a friend of Boromir?
FRODO
Yes. For my part.
FARAMIR
It would grieve you then to learn that he is dead?
FRODO
Dead? How? When?
FARAMIR
As one of his companions, I had hoped you would tell me. He was my brother.
GON
Captain Faramir.
[Faramir takes Frodo to the entrance of the Forbidden Pool. Gollum can be seen below]
FARAMIR
You must come with me.
[Scene changes to Faramir and Frodo, standing on the edge on the rock, looking down at Smeagol]
FARAMIR
Now. Down there. To enter the Forbidden Pool bears the penalty of death.
[Faramir points to four other men holding bow and arrow at Smeagol]
FAMARIR
They wait for my command. Shall they shoot?
GOLLUM
Rock and pool is nice and cool, so juicy sweet. I only wish to catch a fish, so juicy sweet!
FRODO
Wait. This creature is bound to me. And I to him. He is our guide. Please, let me go down to him.
[Faramir nods slightly]
[Camera goes down to Smeagol as Frodo appears behind him]
FRODO
Smeagol. Master is here. Come, Smeagol. Trust master. Come.
GOLLUM
We must go now?
FRODO
Smeagol, you must trust master. Follow me, come on. Come. Come, Smeagol. Nice Smeagol. That’s it. Come on.
[As Smeagol edges closer and closer to Frodo, Faramir’s men grab him]
FRODO
Don’t hurt him! Smeagol don’t struggle! Smeagol listen to me.
GOLLUM
Master!
[The men put a sack over Smeagol]
[Scene cuts to inside, with Smeagol lying on the floor and Faramir standing over him]
FARAMIR
Where are you leading them? Answer me!
GOLLUM
Smeagol. Why does it cry, Smeagol?
SMEAGOL
Frodo hurts us. Master tricked us.
GOLLUM
Of course he did. I told you he was tricksy. I told you he was false.
SMEAGOL
Master is our friend… our friend.
GOLLUM
Master betrayed us.
SMEAGOL
No, but it’s business. Leave us alone.
GOLLUM
Filthy little hobbites. They stole it from us.

[page]

SMEAGOL
No.
FARAMIR
What did they steal?
GOLLUM
My…..[Shouts] precioussss!!!
The Confrontation
[Scene cuts Frodo and Sam, in the cave area]
SAM
We have to get out of here. You go. Go. Now. You can do it. Use the Ring, Mr. Frodo. Just this once. Put it on. Disappear.
FRODO
I can’t. You were right, Sam. You tried to tell me. I’m sorry. The Ring’s taking me, Sam. If I put it on, he’ll find me. He’ll see.
SAM
Mr. Frodo.
[Suddenly Faramir enters, and draws a sword on Frodo]
FARAMIR
So… this is the answer to all the riddles. Here in the wild I have you. Two haflings and a host of men at my call. And the ring of power within my grasp. A chance for Faramir, captain of Gondor, to show his quality.
[Frodo suddenly pushes the blade away and runs into the corner]
FRODO
No!
SAM
Stop it! Leave him alone! Don’t you understand?! He’s got to destroy it. That’s where we’re going. To Mordor. To the Mountain of Fire.
GON
Osgiliath is under attack. They call for reinforcements.
SAM
Please. It’s such a burden. Will you not help him?
GON
Captain?
FARAMIR
Prepare to leave. The Ring will go to Gondor.

[Scene cuts to Aragorn, weakly riding upon Brego. Aragorn sees the Uruks marching and makes his way to Helm’s Deep]
ARAGORN
[in elvish to Brego]
[Aragorn finally arrives at Hems Deep. He dismounts from Brego]
GIMLI: [Shoving his way through] Get out of my way! Im going to kill him! You are the trickiest, the luckiest, most reckless man I ever knew! Bless you, laddie!
ARAGORN
Where is the king?
[Aragorn runs into Legolas]
LEGOLAS
[in elvish] You’re late. You look terrible.
ARAGORN
[in elvish] Thank you.
THEODEN
A great host, you say?
ARAGORN
All Isengard is emptied.
THEODEN
How many?
ARAGORN
Ten thousand strong at least.
THEODEN
Ten-thousand?
ARAGORN
It is an army bred for a single purpose: to destroy the world of Men. They will be here by nightfall.
THEODEN
Let them come.
THEODEN
I want every man and strong lad able to bear arms, to be ready for battle by nightfall. We will cover the causeway and the gate from above. No army has ever breached the deeping wall or set foot inside the Hornburg.
GIMLI
This is no rabble of mindless orcs. These are Uruk-Hai. There armour is thick and their shields broad.
THEODEN
I have fought many wars, Master Dwarf. I know how to defend my own keep. They will break upon this fortress like water on rock. Saruman’s hordes will pillage and burn, we’ve seen it before. Crops can be resown. Homes rebuilt. Within these walls, we will outlast them.
ARAGORN
They do not come to destroy Rohan’s crops or villages. They come to destroy its people. Down to the last child.

[page]

THEODEN
What would you have me do? Look at my men. Their courage hangs by a thread. If this is to be our end, then I would have them make such an end as to be worthy of remembrance!
ARAGORN
Send out riders, my lord. You must call for aid.
THEODEN
And who will come. Elves? Dwarves? We are not so lucky in our friends as you. The old alliances are dead.
ARAGORN
Gondor will answer.
THEODEN
Gondor? Where was Gondor when the Westfold fell? Where was Gondor when our enemies closed in around us? Where was – No, my lord Aragorn, we are alone. Get the women and children into the caves.
GAMLING
We need more time to lay provisions for a siege, lord –
THEODEN
There is no time. War is upon us!
GAMLING
Secure the gate.

[Scene cuts to a clearing in the forest. More and more Ents appear]
TREEBEARD: The ents have not troubled about the wars of men and wizards for a very long time. But now something is about to happen that has not happened for an age… ent moot.
MERRY
What’s that?
TREEBEARD
A gathering.
MERRY
A gathering of what?
TREEBEARD
Beech, oak, chestnut, ash. Good, good, many have come. Now we must decide if the ents will go to war.

[Scene cuts to all the ‘soldiers’ collecting their weapons and armour, Aragorn, Legolas and Gimli look on]
ARAGORN
Farmer, fairies, stable boys. These are no soldiers.
GIMLI
Most have seen too many winters.
LEGOLAS
Or too few. Look at them. They’re frightened. I can see it in their eyes. (Boe a hûn: neled herain dan caer menig.) And they should be. 300 against 10,000?
ARAGORN
[Si beriach a hýn. Amar na ned Edoras.] They have a better chance here than in Edoras.
LEGOLAS: [Aragorn, men i ndagor. Hýn ú-gâr ortheri. Natha daged aen.] Every one will die tonight.
ARAGORN
Then I shall die as one them!
[Aragorn storms off]
GIMLI
Let him go, lad. Let him be.

[Scene goes to Theoden, s
tanding inside, with Gamling behind him, with the kings armour]
GAMLING
Every villager able to wield a sword has been sent to the armoury. My lord?
THEODEN
Who am I, Gamling?
GAMLING
You are our king, sire.
THEODEN
And do you trust your king?
GAMLING
You’re men, my lord, will follow you to whatever end.
THEODEN
To whatever end. Where is the horse and the rider. Where is the horn that was blowing. They have passed like rain on the mountains. Like wind in the meadow. The days have gone down in the west. Behind the hills, into shadow. How did it come to this.
[Scene cuts to Aragorn, sitting outside on some steps. He watches a young lad, fully armoured carrying his sword, with a frightened look on his face]
ARAGORN
Give me your sword. What is your name?
HALETH
Haleth, son of Hama, my lord. The men are saying that we will not live out the night. They say that it is hopeless.

[page]

ARAGORN
This is a good sword, Haleth, son of Hama. There is always hope.
[Scene cuts to Aragorn inside, putting on his armour. As he is going to pick up his sword, Legolas hands it to him]
LEGOLAS
We have trusted you this far and you have not led us astray. Forgive me. I was wrong to despair.
ARAGORN
Ú-moe … There is nothing to forgive, Legolas.
GIMLI
We’ve tried to get this adjusted. It’s a little tight across the chest.
[A horn can be heard from outside]
LEGOLAS
That is no orc horn.
[A procession of smartly dressed elves can be seen marching up to Helms Deep]
ROH
Send for the king. Open the gate!
THEODEN
How is this possible?
HALDIR
I bring word from Elrond of Rivendell. An alliance once existed between elves and men. Long ago we fought and died together. We come to honor that allegiance.
ARAGORN
You are most welcome.
[Aragorn gives Haldir a big hug. At first Haldir is shocked but then hugs Aragorn as well]
HALDIR
We are proud to fight alongside men, once more.
[Scene cuts to Helms Deep. The walls are filled with soldiers, men and elf. The camera flows too and fro along the frontline of soldiers, then to the approaching enemies in the distant. Once again the camera goes along the line of soldiers behind the wall, stopping when it gets to Legolas and the top of a helmet, worn by Gimli]
GIMLI
You could have picked a better spot. Well lad, the luck you live by, let’s hope it lasts the night.
LEGOLAS
You’re friends are with you, Aragorn.
GIMLI
Let’s hope they last the night.
[The Uruk Hai and co finally arrive and stop about 50 yards away from the wall, growling as the go]
ARAGORN
[Ba-ráe-d-o-?hîn! [?] Ú-danno i failad a thi; an úben tannatha le failad. [?]] Show them no mercy! For you shall receive none!
[The Uruk Hai and co start banging their spears against the ground, making a loud drumming noise. Scene goes back to Gimli and Legolas. Gimli is impatiently jumping up and down, trying to see]
GIMLI
What’s happening out there?
LEGOLAS
Shall I describe it to you? Or would you like me to find you a box?
GIMLI
Hehehehe!!
ARAGORN
[in elvish] Hold!
THEODEN
So it begins.
ARAGORN
[in elvish] Ready arrows!
LEGOLAS
[Hai(n)- ... di na lanc a núrath?] Their armor is weak at the neck and under the arms.
ARAGORN
[in elvish] Fire!
GIMLI
Anybody hit anything?
THEODEN
Give them a volley.
HAMA
Fire!
ARAGORN
[in elvish] Keep firing.
GIMLI
Come on! Send them to me!
ARAGORN
[Pendraid!] Ladders!
GIMLI
Good!

[page]

GIMLI
Legolas, two already!
LEGOLAS
I’m on seventeen!
GIMLI
I’ll have no pointy-ear outscoring me!
LEGOLAS
Nineteen!.

[Scene cuts to Ent Moot]
PIPPIN
Merry.
TREEBEARD
We have just agreed.
[Treebeard dozes off]
MERRY
Yes?
TREEBEARD
I have told your names to the Ent moot and we have agreed: you are not orcs.
PIPPIN
Well that’s good.
MERRY
And what about Saruman? Have you come to a decision about him.
TREEBEARD
Now don’t be hasty, Master Meriadoc.
MERRY
Hasty? Our friends are out there. They cannot fight this war on their own.
TREEBEARD
War, yes. It affects us all. But you must understand, young hobbit. It takes a long time to say anything in old entish and we never say anything unless it is worth taking a long time to say.

[Scene cuts to battle]
GIMLI
Seventeen. Eighteen. Nineteen. Twenty. Twenty-one. Twenty-two.
ARAGORN
[in elvish]
THEODEN
Is this it? Is this all you can conjure, Saruman.
[Uruk Hai’s come with two, large spiked balls and bang both at the culvert before retreating. Suddenly a Berserker comes charging at the culvert]
ARAGORN
Legolas, stop him! Kill him!
[Legolas shoots two arrows at him. The Berserker flinches but carries on]
THEODEN
Hold them! Stand fast!
[The Berserker throws himself at the culvert. The wall explodes, massive chunks of rock flying into the Uruk Hai army. Aragorn gets thrown with it and lands on the floor below. Gimli jumps from where he stands onto the approaching Uruk Hai, and battles with them once more]
ARAGORN
Gimli! Prepare to charge! Charge!

[Scene cuts to the Ent gathering]
TREEBEARD
The Ents cannot hold back this storm. We must weather such things as we have always done.
MERRY
How can that be your decision?
TREEBEARD
This is not our war.
MERRY
But your part of this world, aren’t you. You must help. Please. You must do something.
TREEBEARD
You are young and brave, master Merry. But your part in this tale is over. Go back to your home.
PIPPIN
Maybe Treebeard’s right. We don’t belong here, Merry. It’s too big for us. What can we do in the end? We’ve got the Shire. Maybe we should go home.
MERRY
The fires of Isengard will spread. And the woods of Tuckburough and Buckland will burn. And all that was once green and good in this world will be gone. There won’t be a Shire, Pippin.

[Scene cuts back to Helms Deep]
THEODEN
Aragorn, fall back to the gate!

[page]

ARAGORN
Haldir, fall back.
[Legolas and someone else run by, carrying Gimli away from the battle]
GIMLI
What are you doing? Stop it!
[As Haldir prepares to retreat, he gets stabbed in his arm. As he experiences the shock of the pain, another Uruk hai raises his axe and stabs him hard in his back. Haldir sways as his life leaves him, looking at all the dead on the ground.]
ARAGORN
Haldir!
[Aragorn goes down to him and as Haldir falls back into his arms, he sees he is dead]
[Scene cuts to the gate]
HAM
Brace the gate.
THEODEN
To the gate! Draw your swords!
HAM
We can’t hold much longer.
THEODEN
Hold them!
ARAGORN
How long do you need?
THEODEN
As long as you can give me!
ARAGORN
Gimli!
[Both Aragorn and Gimli sneak out through the secret entrance, and spy on the Uruk Hai as they try to break through the gate]
GIMLI
Come on. We can take ‘em!
ARAGORN
It’s a long way.
GIMLI
Toss me.
ARAGORN
What?
GIMLI
I cannot jump the distance so you have to toss me. Don’t tell the elf.
ARAGORN
Not a word.
THEODEN
Shore up the door! Gimli, Aragorn! Get out of there!
LEGOLAS
Aragorn!
THEODEN
Pull everybody back. Pull them back.
GAMLING
Fall back! Fall back!
ARAGORN
They’ve broken through! Come, to the keep!
GAMLING
Retreat! Retreat!
ARAGORN
Inside! Get them inside!

[Scene cuts to Treebeard ca
rrying Merry and Pippin through the forest once again]
TREEBEARD
I will leave you at the western borders of the forest. You can make your way north to your homeland from there.
PIPPIN
Wait! Stop! Stop! Turn around. Turn around. Take us south!
TREEBEARD
South? But that will lead you past Isengard.
PIPPIN: Yes. Exactly. If we go south we can slip past Saruman unnoticed. The closer we are to danger, the farther we are from harm. It’s the last thing he’ll expect.
TREEBEARD
Mmmm. That doesn’t make sense to me. But then, you are very small. Perhaps your right. South it is then. Hold on, little Shirelings. I always like going south. Somehow it feels like going down hill.
MERRY
Are you mad, we’ll be caught.
PIPPIN
No we won’t. Not this time.

[Scene cuts to Faramir still leading the hobbits, on the outskirts of Osgiliath]
GON
Look. Osgiliath burns.

[page]

FRODO
The Ring will not save Gondor. It has only the power to destroy. Please, let me go.
FARAMIR
Hurry.
FRODO
Faramir, you must let me go!

[Scene cuts to Treebeard, walking south through the forest. He is in the middle of telling Merry and Pippin a tale, when he reaches outside and sees stumps where there used to be trees]
TREEBEARD
And a little family of field mice that climb up sometimes and they tickle me awfully. They’re always trying to get somewhere – Many of these trees were my friends. Creatures I had known from nut and acorn.
PIPPIN
I’m sorry, Treebeard.
TREEBEARD
They had voices of their own. Saruman. A wizard should know better. There is no curse in elvish, entish or the tongues of men for this treachery. My business is with Isengard tonight. With a rock and stone.
MERRY
Yes.
[From behind, about a hundred more Ents appear from the forest]
TREEBEARD
Come my friends. The ents are going to war. It is likely that we go to our doom. The last march of the ents.

[Faramir arrives at Osgiliath, with Frodo and Sam. Gon runs up to them]
GON
Faramir, orcs have taken the eastern shore. Their numbers are too great. By nightfall we’ll be overrun.
SAM
Mr. Frodo!
FRODO
It’s calling to him, Sam. His eye is almost on me.
SAM
Hold on, Mr. Frodo.
FARAMIR
Take them to my father. Tell him Faramir sends a mighty gift. A weapon that will change our fortunes in this war.
SAM: You want to know what happened to Boromir? You want to know why your brother died? He tried to take the Ring from Frodo. After swearing an oath to protect him. He tried to kill him. The Ring drove your brother mad. Mr. Frodo?
FRODO
They’re here. They’ve come.
FARAMIR
Nazgul! Stay here. Keep out of sight. Take cover!
Forth Eorlingas

[Back at Helms Deep]
THEODEN
The fortress is taken. It is over.
ARAGORN
You said this fortress would never fall while your men defend it. They still defend it. They have died defending it! Is there no other way for the women and children to get out of the caves? Is there no other way?
GAMLING
There is one passage. It leads into the mountains. But they will not get far. The uruk-hai are too many.
ARAGORN
Send word for the women and children to make for the mountain pass. And barricade the entrance.
THEODEN
So much death. What can men do against such reckless hate.
ARAGORN
Ride out with me. Ride out and meet them.
THEODEN
For death and glory?
ARAGORN
For Rohan. For your people.
GIMLI
The sun is rising.
GANDALF
Look to my coming at first light on the fifth day. At dawn look to the East.
THEODEN
Yes. Yes. The horn of Helm Hammerhand shall sound in the deep one last time.
GIMLI
Yes!

[page]

THEODEN
Let this be the hour when we draw swords together. Fell deed awake. Now for wrath. Now for ruin. And the red dawn! Forth Eorlingas!
ARAGORN
Gandalf.
GANDALF
Theoden, king, stand not alone.
EOMER
Not alone. Rohirrim!
THEODEN
Eomer!
EOMER
To the king!

[The Ents enter Isengard, destroying as they go and throwing rocks[
TREEBEARD
A hit. A fine hit.
TREEBEARD
Break the dam! Release the river.
[Water rushes out of the damn, flooding Isengard]
MERRY
Pippin, hold on!
TREEBEARD
Hold on, gentle hobbits.

[Back In Gondor, Frodo, in a trance, wanders away and up the stairs.]
SAM
What are you doing? Where are you going!
[At the top, he hold out the ring towards the Witch King. Just as the Fell Beast is about to grasp the ring, Sam runs and jumps on Frodo making both fall down the steps. Frodo rolls Sam over once at the bottom, placing Sting against Sams throat]
SAM
It’s me. It’s your Sam. Don’t you know your Sam?
[Frodo realises what he is doing and collapses back, off Sam, and leans against the wall]
FRODO
I can’t do this, Sam.
SAM
I know. It’s all wrong. By rights we shouldn’t even be here. But we are. It’s like in the great stories, Mr. Frodo. The ones that really mattered. Full of darkness and danger they were. And sometimes you didn’t want to know the end. Because how could the end be happy. How could the world go back to the way it was when so much bad had happened.
[As Sam makes his speech, the picture changes to Merry and Pippen as they triumph over destroying Isengard, and to Aragorn, Legolas, Gimli etc as the win their battle]
THEODEN
Victory!
SAM
But in the end, it’s only a passing thing, this shadow. Even darkness must pass. A new day will come. And when the sun shines it will shine out the clearer. Those were the stories that stayed with you. That meant something. Even if you were too small to understand why. But I think, Mr. Frodo, I do understand. I know now. Folk in those stories had lots of chances of turning back only they didn’t. Because they were holding on to something.
FRODO
What are we holding on to, Sam?
SAM
There’s some good in this world, Mr. Frodo. And it’s worth fighting for.
FARAMIR
I think at last we understand one another, Frodo Baggins.
GON
You know the laws of our country. The laws of your father. If you let them go, your life will be forfeit.
FARAMIR
Then it is forfeit. Release them.

[Epilogue]

GANDALF
Sauron’s wrath will be terrible, his retribution swift. The battle for Helm’s Deep is over. The battle for Middle Earth is about to begin. All our hopes now lie with two little hobbits. Somewhere in the wilderness.
SAM
I wonder if we’ll ever be put into songs or tales.
FRODO
What?

[page]

SAM
I wonder if people will ever say, ‘let’s hear about Frodo and the Ring.’ And they’ll say ‘yes, that’s one of my favorite stories. Frodo was really courageous, wasn’t he, dad.’ ‘yes, my boy, the most famousest of hobbits. And that’s saying alot.’
FRODO
You left out one of the cheif characters. Samwise, the Brave. I want to hear more about Sam. Frodo wouldn’t have got far without Sam.
SAM
Now Mr. Frodo, you shouldn’t make fun. I was being serious.
FRODO
So was I.
SAM
Samwise the Brave.
FRODO
Smeagol!
SAM
We’re not gonna wait for you. Come on.
SMEAGOL
Master looks after us. Master wouldn’t hurt us.
GOLLUM
Master broke his promise.
SMEAGOL
Don’t ask Smeagol. Poor Smeagol.
GOLLUM
Master betrayed us! Wicked, tricksy, false. We ought to ring his filthy little neck. Kill him! Kill him! Kill them both. And then we take the precious and we be the master.
SMEAGOL
The fat hobbit. He knows. He’s always watching.
GOLLUM
Then we stabs them out. Put out his eyeses. And then make him crawl.
SMEAGOL
Yes! Yes! Yes!
GOLLUM
Kill them both.
SMEAGOL
Yes! No. No. It’s too risky, it’s too risky.
SAM
Where’s he gone? Hey Gollum, where are you?
FRODO
Smeagol.
GOLLUM
We could let her do it. Yes. She could do it. Yes, precious she could. And then we takes it once they’re dead. Once they’re dead.
SMEAGOL
Come on, hobbits. Long ways to go yet. Smeagol will show you the way.
GOLLUM
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