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History of Middle-earth XII – The Peoples of Middle-earth

Pois é, tudo acaba, até as coisas que parecem inacabáveis – como a série History. Mas tudo bem, o final é em grande estilo. "The Peoples of Middle-earth" (Os Povos da Terra-média), por trás do título assumidamente genérico, traz mais testemunhos memoráveis do gênio criativo tolkieniano – a começar pela contracapa, com a reprodução de um belíssimo manuscrito, iluminado (ou seja, ilustrado) à maneira medieval pelo próprio autor.
 

Os textos voltam a "O Senhor dos Anéis", com a relato de como se desenvolveram os Apêndices da saga. Há coisas como a única genealogia conhecida dos príncipes de Dol Amroth (incluindo os filhos de Imrahil) e até uma raridade: o prefácio de "O Senhor dos Anéis" que existia na primeira edição, com um tom muito mais pessoal que o conhecido por nós (sempre reservado, Tolkien achou que devia alterar isso).

Há também uma série de interessantes ensaios filológicos e históricos. Um deles revela detalhes inéditos sobre a história dos Anões, inclusive os nomes de suas sete casas, além de uma grande aliança entre eles e os antepassados dos Rohirrim durante a Segunda Era. Outro mostra como uma simples desavença sobre a pronúncia das palavras aumentou ainda mais a rixa entre os partidários de Fëanor e os demais Noldor.

Mas as coisas mais legais são provavelmente dois textos curtos e inacabados, que deixam um terrível gostinho de "quero mais". São "The New Shadow" (A Nova Sombra, disponível na Valinor), com a continuação nunca terminada de "O Senhor dos Anéis", e "Tal-Elmar", com um raríssimo relato da chegada dos numenorianos à Terra-média vista pelos olhos dos Homens Selvagens.

The History of Middle-earth VI – The Return of the Shadow

The Return of the Shadow, sexto livro da série The History of Middle-earth, inicia uma nova fase no relato da evolução da mitologia tolkieniana. Até então, Christopher Tolkien havia apresentado os textos de seu pai que lidavam com as lendas dos Dias Antigos e da Segunda Era. Entretanto, como todos sabemos, a elaboração dessas lendas foi interrompida em 1937, quando Tolkien começou a escrever a "seqüência de O Hobbit", tão pedida por seus leitores e editores, e que iria se transformar em O Senhor dos Anéis.
 

Assim, The Return of the Shadow (A Volta da Sombra), título que chegou a ser cogitado para o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, mostra os primeiros anos da composição da obra-prima de Tolkien, durante os quais o tom grandiloqüente e épico do livro ainda não se havia firmado, e Tolkien lutava para definir o escopo da obra.

Basta dizer que a própria natureza da missão de Frodo (no início chamado Bingo Baggins, e filho de Bilbo) ainda estava incerta, e Tolkien chegou a cogitar um ataque de dragões no Condado ou até mesmo uma viagem por Mar até o Antigo Oeste como aventuras para os hobbits. Mesmo depois que o anel mágico de Bilbo se tornou o Um Anel do Senhor do Escuro, as coisas ainda estavam longe de se definir. Um exemplo é que toda a história da Última Aliança de Gil-galad e Elendil não aparece a princípio, e é um elfo anônimo que se apodera do Um Anel e acaba morto pelos orcs no Grande Rio.

Personagens que iriam se tornar importantíssimos quando o livro alcançasse sua versão final aparecem sob as formas mais insuspeitas em The Return of the Shadow. Um exemplo é Trotter (o futuro Strider ou Passolargo), a princípio um hobbit de aparência estranha, rosto moreno e que usava sapatos de madeira! O Fazendeiro Magote é um sujeito intolerante e violento, que quase tinha matado Bingo (Frodo) por invadir sua fazenda, e o próprio Barbárvore é um gigante traiçoeiro e secretamente aliado a Sauron.

O livro cobre um período que vai mais ou menos de 1937 a 1939, quando a primeira das grandes "paradas" na narrativa aconteceu; nesse momento, a história já havia chegado a Moria e ao túmulo de Balin, mas a Companhia do Anel era formada por SETE membros, dos quais cinco eram hobbits (Bingo, Sam, Merry, Odo, o futuro Pippin, e Trotter) e os demais eram Gandalf e Boromir, então "filho do rei de Ond". O Senhor dos Anéis ainda iria passar por transformações radicais antes de que alcançar sua forma definitiva.

The Return of the Shadow também inclui reproduções de alguns dos primeiros manuscritos da obra-prima de Tolkien e do primeiro mapa do Condado a ser feito pelo Professor.

Conteúdo do Livro

The First Phase O começo do Senhor dos Anéis, até "Em Valfenda". Inclui alguns rascunhos da Estrada entre o Topo dos Ventos e Valfenda. dez 1937 – outuno 1938

The Second Phase Reescrita de "Uma Festa Há Muito Esperada" até "Tom Bombadil". Outono 1938.

The Third Phase Primeira aparição de "Sobre os Hobbits" daí vai de "Uma Festa Há Muito Esperada" até a festa em Valfenda. "News uncertainties and New Projects" contém planos, questões e vários fragmentos de textos. Inverno 1938/39 e outono 1939

The Story Continued Inicia em "Na Casa de Elrond" e segue até "As Minas de Moria". Poemas incluem "Elbereth Gilthoniel" em Élfico. O mais antigo mapa das terras do sul também é incluso. Final de 1939.

Foi há um ano…

 
Introdução:

Era dia 17 de Dezembro de 2003 quando, depois de anos de espera, a última parte da trilogia que contava a Saga do Anel estreiava nos cinemas. Em pouco tempo O Retorno do Rei crescia nas posições das bilheterias da semana e logo começava a ganhar os melhores elogios.

Passavam semanas e meses e O Retorno do Rei continuava a conquistar o público. O ano de 2004 iniciava e o filme ganhava os primeiros prêmios. Logo viria o Globo de Ouro e em seguida a mais glamurosa festa de premiação do Cinema: o Oscar.

Em 29 de Fevereiro de 2004, num ano bissexto, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei se glorificou na história do Cinema, conquistando os 11 Oscar das 11 indicações. Além de ter conquistado a 2º maior bilheteria de todos os tempos. O tempo passou e hoje estamos comemorando o 1º ano desta conquista.

 

 

O Retorno do Rei comemora 1 ano dos 11 Oscar:

A 76º festa de entrega dos prêmios Oscar se aproxima do dia 29 de Fevereiro de 2004. Homens preparam os detalhes para enfeitar o local da cerimônia, o Teatro Kodak, com capacidade de 3.500 pessoas, que promete lotar. Em Hollywood, o favorito da noite é O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, que recebeu 11 indicações, disputando ao lado de filmes como Encontros e Desencontros, Mestre dos Mares e Seabiscuit – Alma de Herói.

Nesta noite a cerimônia trasBilly Crystal como apresentador principal, cerimônia esta que começa às 10 horas da noite, do horário de Brasília. Os atores que fizeram os 4 principais hobbits apareceram na festa para acompanhar a entrega das estatuetas douradas. O brasileiro Cidade de Deus concorre em quatro categorias: Fernando Meirelles por Melhor Diretor, Edição e Roteiro Adaptado ao lado de Peter Jackson e de seu Retorno do Rei, e na Fotografia contra dois fortes, Cold Mountain e Mestre dos Mares.

Como é de costume da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a festa começa com uma apresentação de montagens de cenas dos filmes principais do ano e que concorrem. Numa das cenas um Olifante pisa em cima do diretor Michael Mooore, de Tiros em Columbine e a platéia de astros solta a gargalhada.

O primeiro prêmio entregue é de Ator Coadjuvante, que vai para Tim Robins, por Sobre Meninos e Lobos. Em seguida a categoria é de Melhor Direção de Arte, no qual desbancando O Último Samurai, o filme baseado no livro de J.R.R. Tolkien ganha, é o primeiro prêmio das 11 indicações. E mais 10 estão na expectativa da equipe de Peter e de todos fãs.

Chega a hora das crianças torcerem por seus desenhos, era a vez da Melhor Animação, e Procurando Nemo ganhou o seu Oscar. Depois disso o segundo prêmio de O Retorno do Rei era entregue por Melhor Figurino, ganhando de Moça com Brinco de Pérola. As emoções dos fãs de Tolkien começavam a ficarem mais fortes.

O 5º Oscar da noite vai para Reneé Zelgeer, como a Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Cold Mountain. O 6º é de Melhor Curta Dramático, onde o Two Soldiers ganha. E também de Melhor Curta, mas de Animação, vai para Karvie Krumpt.

Após esse breve intervalo de ansiedade para quem está na espectativa, O Retorno do Rei volta a disputar em 3 categorias seguidas. Melhor Efeitos Visuais, ao invés de Especiais, sai para a empresa Weta Work Shop que trabalhou na trilogia brilhantemente. O Oscar seguinte é entregue para a Maquiagem, e neste momento o 3º filme se iguala com o 1º da série. E para a alegria de quem torce, o 5º Oscar do filme sai na categoria de Melhor Mixagem de Som.

Um dos grandes indicados da noite, Mestre dos Mares, ganha por sua vez o Oscar de Melhor Edição de Som, e em seguida é a vez de Melhor Curta Documentário, que vai para Chernobyl Heart. E aumentando a ansiedade por mais Oscar ao Retorno do Rei, o The Fog of War ganha de Melhor Longa Documentário.

Chega um dos prêmios mais importantes da noite, a Melhor Trilha Sonora, que embala o clima dos filmes, quem recebe? Howard Shore é quem recebe por músicas primorosas como Minas Tirith e The Grey Havens. Shore também foi responsável por trilhas sonoras de outros filmes, como Silêncios dos Inocentes e Seven – Os Sete Pecados Capitais. Howard havia levado o mesmo prêmio por A Sociedade do Anel mas não pela segunda parte, As Duas Torres.

Para a Melhor Montagem, deu O Retorno do Rei com suas 3 horas e 30 minutos de duração. Apesar disso muitos fãs reclamaram pela falta de cenas como O Expurgo do Condado, entretanto críticos avaliam que estas partes poderiam baixar o nível e clima que o filme manteve excelentemente bem conduzido.

Na categoria de Melhor Canção, O Retorno do Rei foi indicado com a música de Annie Lennox e composta com Fran Walsh, Into the West. Cold Mountain tinha dois concorrentes: You Will Be My Own True Love, do Sting, e Scarlet Tide, de T. Bone Burnett e Elvis Costello. As Bicicletas de Belleville concorria com uma música homônima, de Benoit Charest e Sylvian Chomet. A Mighty Wind tinha A Kiss at the End of the Rainbow, com Michael McKean e Annette OToole. Os artistas apresentavam suas canções no palco separadamente, ao longo da cerimônia. Por fim, entretanto, o prêmio foi para Annie Lennox, acumulando o número de Oscars para O Retorno do Rei.

 
 
Annie Lennox

As emoções continuavam fortes, já que o filme sobre a destruição do Anel havia angariado 8 Oscar das 8 indicações. E ainda faltavam 3 indicações a serem disputadas, tudo estava à favor do Retorno do Rei. Assim veio a premiação de Melhor Filme Estrangeiro, com as Invasões Bárbaras, do Canadá. Chega o mome
nto em que Cidade de Deus disputa o Oscar de Melhor Fotografia, porém o prêmio vai para Mestre dos Mares, o segundo do filme.

Finalmente chega a premiação de Melhor Roteiro Adaptado. O 19º envelope aberto da noite diz quem é o ganhador, e para a imensa alegria de muitos, O Retorno do Rei recebe mais uma estatueta. Prêmio este muito bem merecido pela adaptação de um livro complexo como o Volume 3 de O Senhor dos Anéis que contém uma imensa rede de ligações de personagens e fatos.

E para Melhor Roteiro Original a estatueta do Oscar vai para o Encontros e Desencontros de Sofia Coppola e com o ator Bill Muray, ganhando de filmes como "Procurando Nemo" e "Invasões Bárbaras". Em seguida viria o Oscar de Melhor Diretor, será que Peter Jackson ganharia este prêmio?

Quando Peter Jackson recebeu o Oscar por Melhor Diretor, ele disse: "Vocês estão nos proporcionando uma noite sensacional, e nós agradecemos muito." Era a consagração maior em reconhecimento à todo o trabalho que Peter teve. A noite era dO Retorno do Rei, e todos ali reconheciam isso. Tanto que, quando o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro foi entregue, o seguinte comentário foi feito por sua diretora: "Obrigado Deus, o Senhor dos Anéis não estava nessa categoria".

Restavam apenas duas categorias para depois chegar no mais esperado. Charlize Theron ganhou como a Melhor Atriz, por sua atuação em Monster – Desejo Assassino. E Sean Penn ganhou de Johnny Depp como Melhor Ator em Sobre Meninos e Lobos.

A maior alegria da noite, para todos os fãs de Tolkien, foi no momento em que a premiação de Melhor Filme seria entregue, e a clássica frase "And the Oscar goes to…." foi complementada por "… The Lord of The Rings: The Return of The King!"

Com a conquista em todas as categorias em que disputou, O Retorno do Rei empata com Ben Hur, e Titanic, como filme mais premiado na história do Oscar, arrebatando 11 estatuetas. E para conferir, veja a Equipe do Filme comemorando a conquista no final da festa.

Agradecimentos especiais à Dirhil pela ajuda.

Fontes:
Oscar
Cercat Cinema
Terra: Lista de Indicados 2004
Veja a lista de todos os prêmios da Trilogia até agora!

 
 
[texto do grupo Heren Quentaron] 

Os Mistérios da Terra-média

Parte do prazer de ler sobre a Terra-média está em descobrir mais a respeito de temas obscuros após estes aparecerem em algum lugar "canônico". Pegue os Druedain; Woses, como são chamados em "O Senhor dos Anéis". Quando você lê o livro pela primeira vez, vê que eles mal aparecem e conduzem os Rohirrim ao redor de um exército de Orcs e Orientais.

 

Eles têm alguma importância além desta no decorrer da história? Sim e não. Eles estão lá para dar aos Rohirrim uma passagem viável ao redor do bloqueio da tropa, e a finalidade deste bloqueio é mostrar ao leitor que Sauron é tão poderoso que pode espalhar exércitos por todo o mapa. Mas os Druedain também servem para lembrar ao leitor que a Terra-média está cheia de criaturas estranhas e misteriosas de todos os tipos.

Talvez Tolkien tenha pensado "Aqui será bom acrescentar outra raça mágica de criaturas" quando ele esboçou aquela parte da história, mas evidentemente ele não parou por aí. Muitos anos depois ele escreveu um longo ensaio o qual falava muito da história sobre os Anões e os Homens, mas também falava dos Druedain, e explicava quem eles eram, de onde eles vieram, e como eles acabaram na Floresta Druedain. A escolha do nome "Druadan" pode ter sido conveniente, ou pode ter sido intencional.

Tolkien de fato começou chamando o povo de Ghan-buri-Ghan de "homens escuros de Eilenach" e a floresta era "Floresta Eilenach". Mas então eles se tornaram os Druedain da Floresta Druadan, e no publicado Senhor dos Anéis, eles se tornaram os Woses, mas a floresta permaneceu Floresta Druadan. A associação da palavra "adan" com uma raça não-edain é muito peculiar, e confundiu muitas pessoas. Mas em 1980, Christopher Tolkien publicou muito material dos Druedain em "Contos Inacabados" e o mistério foi esclarecido.

Esta foi a quarta tribo associada aos Edain, não numerada entre as "casas" dos Edain, mas, apesar de tudo, foi dado a eles acesso a Númenor como uma recompensa por seus serviços e sofrimento em Beleriand. E na prática, não há menção deles em "O Silmarillion", porque foi somente em 1960 que Tolkien concluiu as origens e destino dos Druedain, muito depois do material do Silmarillion ter sido feito até o ponto onde Christopher o encontrou após a morte do pai.

Por sinal, Tolkien gostava da palavra "wose". Ele a usava como um dos apelidos de Túrin [Saeros o chamava de woodwose em "Narn i Hîn Húrin"] e "woodwose" é a forma moderna do Anglo-Saxão "wusu-wasa", "homens selvagens das florestas" [um dos apelidos de Túrin]. "Woses" é então destinado a ser uma tradução da atual palavra Rohirrica "Rogin" [sing. Rog], com o mesmo significado, "homens selvagens das florestas". Os Rohirrim ignoravam [assim como Tolkien, quando escreveu o Senhor dos Anéis] a antiga história dos Woses.

Há muitos mistérios confinados nas florestas da Terra-média. Tolkien amava as árvores, e ele as honrou de uma forma especial. Ele sempre achou que elas tinham recebido um amargo quinhão em compartilhar o mundo com os homens. Tolkien baseou-se na "vinda da "Grande Floresta Birnam para a alta Colina Dunsinane"", em Shakespeare, e quis que as árvores realmente marchassem para a guerra, realizando esse desejo através dos Ents.

Alguém deve perguntar como os Ents vieram a habitar a Floresta de Fangorn. Tolkien não diz claramente. O próprio Fangorn [Barbárvore] diz que vagou em Beleriand por terras há muito não molestadas por Morgoth, mesmo durante a guerra contra os elfos. Evidentemente, se os Ents sobreviveram à destruição de Beleriand no fim da Primeira Era, eles devem ter rumado para o leste, para Eriador, onde havia em tempos idos uma antiga floresta sobre a qual Elrond disse: "foi-se o tempo em que um esquilo podia ir de árvore em árvore do que é agora o Condado até a Terra Parda, a oeste de Isengard. Por aquelas terras eu viajei uma vez, e muitas coisas selvagens e estranhas eu conheci."

Deixando a viagem de Elrond à parte, alguém deve se perguntar como os esquilos [e os Ents] cruzaram o poderoso rio Gwathló. Ele era amplo e bastante profundo, pois os navios vindos do Oceano podiam navegar longe para o interior, até Tharbad, onde, possivelmente, as águas se tornavam suficientemente rasas para que os Ents pudessem atravessar.

Mas por que eles fariam isso? Quando eles deixaram as florestas do norte? Aparentemente, o eles fizeram antes da Guerra entre os Elfos e Sauron, e em outro texto Tolkien diz que o próprio Fangorn encontrou o Rei de Lothlórien nos primeiros anos da Segunda Era e combinaram as fronteiras de seus reinos. A migração dos elfos de Beleriand para o leste na Segunda Era levou os Ents para o leste também? Ou os ents em alguma época se tornaram tão numerosos que tinham se espalhado pelas terras? Há muitas coisas que nunca saberemos da história dos Ents, infelizmente.

Outras criaturas das florestas que têm um passado misterioso são as aranhas gigantes de Mirkwood. Onde e quando estas criaturas surgiram? Dizem ser descendentes de Ungoliant, e Mirkwood era a Grande Floresta Verde até Sauron despertar na Terceira Era e se estabelecer em Dol Guldur. Ele, sem dúvida induziu algumas da prole de Ungoliant que habitavam o norte da floresta, mas como elas chegaram lá? Não parece provável que Isildur desejasse construir uma cidade próxima a aranhas monstruosas que se alimentavam de Homens e Elfos.

Uma coisa que sempre me incomodou é quem eram aqueles misteriosos homens que comercializavam com a Cidade do Lago em "O Hobbit". Eles viviam ao sul do Lago Comprido e eram aparentados aos Homens do Norte, mas onde eles viviam? A Velha Estrada da Floresta, de acordo com o livro, "era coberta de vegetação e não utilizada no final, ao leste, e conduzia a pântanos intransponíveis onde os caminhos estavam há muito perdidos." A estrada foi originalmente feita pelos Anões. Eles usavam-na para alcançar o Celduin e, de lá, passavam para o nordeste de alguma forma até as Colinas de Ferro.

Se houvessem homens ainda vivendo ao longo do Celduin [o Rio Corrente, que vem de Erebor], por que eles não se estabeleceram no ponto onde a Velha Estrada da Floresta encontrava o rio? Ou talvez eles tivessem vivido lá por algum tempo, mas tivessem deixado o local.

Então há dúvida do por que Gandalf e Beorn decidiram levar Bilbo de volta pela borda norte de Mirkwood quando retornaram para o oeste. Havia, de fato, homens vivendo naquelas regiões em tempos antigos, e provavelmente homens ainda habitavam lá no fim da Terceira Era, mas não há indicação no mapa de "O Hobbit" ou no texto. Parece uma decisão muito e
stranha, visto que o Rei Elfo teria assegurado a sua passagem a salvo através da floresta.

Voltando ao sul, nós podemos olhar para Pelargir e perguntar que fim levou a frota de Gondor. A incursão de Aragorn a Umbar foi a última vez que navios gondorianos se moveram contra o inimigo na Terceira Era. No tempo da Guerra do Anel, a ameaça de Umbar e outros portos do sul era tão grande que Denethor desejou nove décimos das forças de Gondor nas costas, protegendo-a de ataques vindos do mar. Ele teria dispensado as frotas de Gondor após tornar-se Regente, talvez por ter sido Thorongil, seu rival, quem liderou o ataque contra a Cidade dos Corsários?

E por que ninguém tentou recolonizar Eriador depois da destruição de Angmar? A presença das Criaturas Tumulares em Tyrn Gorthad, as Colinas dos Túmulos, explica por que ninguém se estabeleceu por lá novamente. Mas e quanto às planícies ao sul de Vau Sarn que eram inabitadas? E ao redor das Colinas do Sul? O que impedia as pessoas de viverem lá? O que houve ao povo de Tharbad quando aquela foi finalmente abandonada? Eles rumaram para o norte, para o Ângulo, e se uniram aos Dúnedain que moravam lá? Pelo jeito, parece que os Dúnedain prosperaram e também muitos deles partiram para outras partes do mundo [talvez indo para o sul, até Gondor], ou muitos devem ter perecido nos ermos de Eriador.

Existem tantas perguntas sobre a Terra-média que alguém pode até descrever um "Baseado em…" durante anos, propondo teorias bizarras numa tentativa de resolver tais mistérios. Estas questões sem resposta nos fazem perceber a "profundidade" com que nós falamos da Terra-média. Elas são como um vislumbre de montanhas num horizonte distante, do qual nunca nos aproximaremos. As respostas estão lá, além de nosso alcance, para sempre perdidas.

Tradução de Fábio Bettega

Algo Perverso vem nessa direção.

A inesperada migração dos clãs dos Pequenos moradores dos vales altos do Anduin através das Montanhas Sombrias, começando no ano de 1050 da terceira era, avisados da grande sombra que se erguia em direção ao sul da Grande Floresta Verde. O Sábio não podia ter certeza de quem ou o que havia se instalado na floresta, mas eles compreendiam que algo que não tinha vivido por ali previamente tornou-se então ativo.

 

 

Em todas suas obras publicadas, JRR Tolkien apontou apenas uma observação curiosa sobre o evento intrigante. No ensaio "Anões e Homens" publicado em "As pessoas da Terra Media", Tolkien notificou: " Claramente os Hobbits tinham percebido, mesmo antes que Magos e os Eldar tivessem total conhecimento sobre isso, o despertar de Sauron e sua ocupação em Dol Guldur." Os Hobbits não eram exatamente conhecidos por terem habilidade com as coisas do mundo. O que eles poderiam ter percebido, que os recém chegados Istari e os senhores Eldar haviam deixado passar?

Por essa causa. Por que, então Sauron decidiu acomodar-se em Amon Lanc? Gondor havia ocupado Mordor com a intenção de prevenir seu retorno ao seu velho reino. Mas Sauron poderia ter se estabelecido no extremo leste ou sul, mas ele escolheu perdurar na sulista Grande Floresta Verde, perto dos inimigos. Por quê?

Embora possa parecer obvio que ele tenha sido atraído pelo anel, que na época (o 11º século da Terceira Era) ainda permanecia inexplorado algum lago ao logo do Anduin próximo aos Campos de Lis. Foi dito que primeiramente Sauron acreditava que O Um Anel havia sido destruído. Sua ressurreição nas proximidades onde se encontrava o Um Anel pode ter sido uma conseqüência natural da afinidade que Sauron retinha com o Anel, mas ele não tinha conhecimento do fato. Então o que o compelia na permanecer perto do Anel?

Se aceitarmos que o espírito de Sauron tomou forma física algum lugar próximo ao Anel, então ele deveria aparecer primeiramente ao longo dos bancos do Anduin, talvez mesmo no rio. Ou se o poder de Ulmo era muito grande para ele, repelindo a malicia de Sauron e prevenindo que ele não reconhecesse que o Anel ainda existia, então Sauron pode ter assumido sua nova forma corpórea, nas terras baixas próximas ao rio. E não necessariamente alguém deveria ter visto Sauron. Melhor que sua ressurreição tenha ocorrido em segredo fora da visão dos Elfos, Homens do Oeste e todos q eram inimigos a ele.

Mas já havia outros homens vivendo na região. Embora os primeiros 1000 anos da Terceira Era tenha provado ser relativamente estável na região Oeste da Terra Media. No ano de 1050, Anor, havia sido dividida em 3 reinos em guerra e Gondor estava preso em um conflito mortal com seus vizinhos sulistas. O ano de 1050 foi, de fato, o ano em que Hyarmendacil I derrotou os Reis de Harad (e conquistou Umbar). Todos os olhos do mundo se voltaram a Gondor, o qual atingiu o sua maior dimensão naquela época, e chegou perto de todas as nações para competir com o, há muito perdido, quase esquecido, poder de Numenor.

Numenor tinha afundado no mar há quase 1200 antes de Hyarmendacil I ganhar sua vitória final. Foi há quase 1230 anos desde que Ar-Pharazon humilhou Sauron perto de Umbar trazendo, o que foi na época, o mais forte posto do exercito de Beleriand para a Terra Media. A memória de Numenor deve ter sido ofuscada entre as outras nações, pelo (um tanto), mais recente memória da Ultima Aliança de Homens e Elfos, o qual tinha assumido o posto de maior exercito de todos os tempos e destruído o poder militar de Sauron completamente. Sauron também foi morto e seu império totalmente derrubado, o qual, efetivamente nunca mais se ergueu.

Como resultado da derrubada de Sauron, três esferas de influência emergiram ao noroeste da Terra Media. O reino Elfico antigo de Gil Galad de Lindon ainda existe, mas se tornou tão fraco que muitos de seu povo ou velejaram pelo mar ou migraram leste para viver perto de Elrond em Imladris. Os Reis Supremos de Arnor se tornaram os poderes dominantes da região norte do mundo. Mas ao leste das Montanhas Sombrias ainda perduraram ali pelo menos dois reinos Elficos, e o vasto reino dos Anões BardaComprida. E Gondor anexada, mas nunca colonizou Mordor eventualmente expandindo-se externamente.

O poder de Arnor diminuiu, e o poder de Gondor cresceu. Mas e o poder dos Anões BarbaComprida? Seu capitólio de Khazad-dum era sua cidade chefe, mas eles reivindicaram toda a Montanhas Sombrias e as Montanhas Cinzentas até ao leste das Colinas de Ferro. Aparentemente eles tinham mais que uma cidade ou colônia. Eles mantiveram o antigo Homem-i-Naugrim, a grande estrada ao leste, a qual corrida desde a Passagem Alta até o Anduin, atravessando o rio por uma ponte de pedra viajando lesta pela Floresta Verde, e então virando noroeste estendendo-se até as Colinas de Ferro. Aquela estrada deveria servir para algum propósito útil. Não foi feita simplesmente porque os BardaComprida queriam ocupar-se de um oficio. Eles precisavam manter e a paz e estabilidade que nutria o comércio.

Lothlorien o pequeno reino Elfíco que se encontra entre Khazad-dum e o Anduin era a casa para os Elfos Noldor, Sindar e Silvan. Mas embora mantivessem um vínculo intimo com Khazad-dum e Imladris, Lothlorien parecia estar muito fraca para dominar a região. Havia Homens de descendência dos Edainic vivendo nas proximidades em ambos os lados do Anduin. Os homens da Floresta Verde tinham, de acordo com "O Desastre dos Campos de Lis", juntado-se, ou ao menos se tornaram simpatizantes, da Ultima Aliança. Eles, assim como seus parentes no norte próximos a Erebor aparentemente prosperaram nos séculos de paz, que seguiram após a ruína de Sauron.

Mas o sul da Floresta Verde não estava totalmente a salvo. Durante a Guerra da Ultima Aliança, Saurou tinha ocupado uma ou mais regiões da Floresta. Os dois mil ou mais Orcs que armaram uma emboscada para Isildur na Terceira Era, eram restantes daquelas forças ocupantes. Embora os Homens da Floresta tivessem dito que dispersaram os Orcs que sobreviveram à batalha de Isildur, alguns dos Orcs sobreviveram o ataque neutralizador dos Homens da Floresta.

Em um dos seus ensaios, Tolkien apontou que a maioria dos Orcs seria dificilmente capaz de defenderem-se após a derrubada de Sauron. O ataque a Isildur foi compelido, ele sugeriu em "O Desastre nos Campos de Lis", pela proximidade que Orcs estavam do Um Anel, os quais na época ainda estavam esperando pela volta de Sauron (obviamente pela sua impossibilidade de se juntar a ele fisicamente). Portanto depois do ataque a Isildur, aqueles poucos Orcs com habilidade de sobreviver por conta própria, devem ter retirado-se para as profundezas da floresta. Lá eles viveram sozinhos, vagarosamente desenvolvendo seu próprio senso de independência e comunidade.

Às vezes nos séculos após a morte de Sauron, os Hobbits fizeram seus caminhos até os Vales do Anduin. Eles instalaram-se próximos
a casas e vilas dos Edain e gradualmente foram se adentrando em uma co-exitência de Bri com aqueles Homens (de acordo com "Anões e Homens"). A chegado dos hobbits deve ter sido anterior a primeira invasão de Gondor pelos Easterlings no ano de 490 da Terceira Era. Naquela época Gondor teria se estendido ao longo do Anduin até os Undeeps (próximos aos Campos de Celebrant). As terras entre a Floresta Verde e Mordor não faziam parte do reino.

Estes mais prematuros Easterlings (na experiência da Terceira Era de Gondor), aparentemente viveram nas terras entre Mordo e a floresta de Turambar, filho de Romendacil I, conquistou aquelas terras algum tempo depois da morte de seu pai no ano de 541 da Terceira Era. A região inteira deve ter sido completamente hostil e impassível para os Hobbits. E embora eles possam ter passado pela Floresta Verde para atingir os Vales do Anduin, os ancestrais dos Stoods e dos Harfoots podem ter passado pela borda sulista da floresta. Os Follohides sendo o grupo do norte, são os mais cogitados em terem passado pela Floresta Verde.

Uma migração Hobbit pode ter encorajado os Homens da Floresta Verde a colonizar as terras abertas de campo ao longo do Anduin, e atravessar o rio. Os anões proveriam aos homens oportunidades de ofícios e trabalhos habilidosos em construir estradas e fortalezas. A amizade entre os Homens da Floresta e o povo de Thranduil (então morando em Emyn Duir, as montanhas no meio da floresta) assegurou uma fronteira norte para expandir população mortal. Os Homens tornaram-se uma comunidade importante na parte superior do Anduin.

E como os Homens da Floresta expandiram em direção as montanhas, eles também devem ter feito contato com Gondor. Havia muitas tribos de Homens do Norte (e um desses grupos eram os Homens da Floresta), espalhando-se ao sul, leste e oeste naqueles séculos. Eles se mudaram da Floresta Verde em ambas as direções. Após a atenção de Gondor ser direcionada ao leste, os Dunedain fizeram contato com os Homens do Norte. Amizade surgiu entre Gondor e os Homens do Norte e embora Tolkien não fale muito a respeito de sua relação, ele dá atenção ao desenvolvimento metódico dos Homens nas terras norte onde Arnor e Gondor detinham influencias.

Contudo como alguns Orcs sobreviveram durante a Terceira Era na região sul da Floresta Verde, por volta da metade do século Seis, havia Easterlings – cujos ancestrais serviram ou foram amigos de Sauron – Também vivendo dentro ou perto da região sul da floresta. E ao longe no norte perdurou Laracna, que havia se estabelecido em Ephel Duath, antes de Sauron construir Barad-Dur. De seu covil sua prole se espalhou pelo norte das montanhas. Sem duvida a Ultima Aliança de Elfos e Homens lutaram com as aranhas gigantes, as quais seriam guardiãs naturais das marchas de Sauron. Mas embora Gondor tenha assistido a marcha por mil anos, algumas aranhas manejaram-se e alcançaram a Floresta Verde ao mesmo tempo em que Sauron se instalou em Dol Guldur. Talvez ele mesmo tenha arranjado para que elas tenham sido trazidas ao norte.

Orcs, Easterlings e aranhas devem ter servido a fundação do novo reino de Sauron. Ele teria ido a floresta para revelar-se para os descendentes de seus escravos formados. Incapazes de resistir a sua vontade, os Orcs e os Easterlings (alguns mais rápidos que outros), teriam voltado a servi-lo. E eles teriam construído a fortaleza de Dol Guldur em segredo, longe dos olhos intrometidos dos Elfos, Anões, Homens, Hobbits e Magos.

Os Magos, Istari, enviados de Valinor, seriam muito novos para a Terra Media. Eles sabiam porque eles estavam lá. Eles estavam mantendo um olhar cauteloso para sinais do retorno da sombra. Mas eles não sabiam onde Sauron surgiria e se manifestaria, ou se algum outro mal antigo se ergueria em seu lugar. Eles sabiam que o mal estava vindo, mas não de onde ou quando. As grandes guerras no sul, talvez tenham levado todos a pensar que a ascendência de Gondor significaria que Sauron não poeria ainda retornar. Poderia ainda haver tempo para preparar-se.

O surgimento de Dol Guldur não poderia ter ocorrido da noite para o dia. Um pequeno castelo ou fortaleza consistindo em um pouco mais que uma torre e uma parede externa podem ser construído no espaço de alguns meses, com material e trabalhadores suficientes. Mas Dol Guldur era provavelmente uma enorme fortaleza, uma pequena cidade, desde o principio Sauron teria necessitado de uma base segura da qual lançaria suas varias campanhas. Mas ele também perseguia uma estratégia diferente da qual ele tinha na Segunda Era. Ao invés de conquistar um grande império e construir sua força militar em confrontos diretos com sos Eldar e Dunedain, Sauron, atacou seus inimigos por procuradoria.

Isto é, ele estabeleceu sua base em Dol Guldur e a fez segura o suficiente para desencorajar visitantes casuais e pequenos ataques. Mas ele também se privou de usar Dol Guldur para ativamente participar em eventos desdobrando-se em terras próximas a região sul da Floresta Verde. Em vez disso ele aumentou a população de Easterlings. "Anões e Homens" nos diz que os Hobbits começaram a fugir dos Vales do Anduin após "constante crescimento invasores do Leste … importunando os velhos ‘Atanic’ inabitados, e mesmo nos lugares ocupados, a Floresta e entrando no vale do Anduin.".

Claro, deve ter algum outro mau envolvido. Trolls podem ter sobrevivido por mil anos em Ettenmoors norte de Imladris, mas parece mais provável que eles tenham sido dirigidos para o leste de Mordor no final da Segunda Era. Como Sauron recrutou Easterlings para sua causa, ele teria trazido Troll de volta para o oeste. E como ele era conhecido como Necromante, Sauron dever ter consorciado com espíritos sem corpos. Ele deve ter criado Wargs e convocou antigos lobisomens e vampiros para servir a ele novamente.

Homens devem ter permanecido na Floresta das Trevas por uma razão muito boa. Ela tinha que se transformar rapidamente num lugar de pavor e ameaça, uma terra onde somente as tribos mais corajosas teriam ousado a viver e lutar com criaturas uma vez relegadas aos contos de fadas e folclore. Monstros tinham que andar pela terra novamente repugnando as arvores e escurecendo a floresta com uma sombra depressiva, que não tinha nada a ver com a luz do sol.

Mas o que os Hobbits, com sua falta de curiosidade mágica (exceto "o tipo comum") tinham notado, que até os Istari não tinham? Os animais do norte da Floresta Verde migraram em massa, procurando novas casas longe do mal? A chegada dos Easterlings, levou a constantes rixas e ataques entre as pessoas? Fantasmas e lobisomens caçaram nas colinas e nas margens do rio, onde os Hobbits viviam quietos e sozinhos?

O Prólogo de "O Senhor dos Anéis" nos diz que os Pés Peludos "tinham muito em comum com anões nos tempos antigos, e por muito tempo viveram nos pés das montanhas". Eles devem ter ouvido rumores de mudanças na Floresta de ambos, anões e Stoors. Os Stoors tinham permanecido perto do Anduin e provavelmente viviam mais próximos dos Campos de Lis. Os Campos de Lis haviam sido originalmente um lago que se estendia até as montanhas onde Isildur foi atacado. Através do tempo o lago se transform
ou em pântano e gradualmente o pântano secou e escasseou até o curso normal do Anduin.

Os Stoors teriam notado alguma coisa estranha acontecendo na mata além dessas montanhas. Os homens que viviam na floresta teriam se mudado quando os Homens da Floresta foram afastados pelos Easterlings, Trools, Orcs, Wargs e outras criaturas peçonhentas que iriam gradualmente sair dos contos das esposas para entrarem diretamente em suas fazendas. No espaço entre uma ou duas gerações Gaffers e Gammers, os quais lembravam de tempos melhores reclamariam de plantações perdidas, escassez de peixes, e numa má situação criada por homens desagradáveis. Seria uma transição gradual dos bons dias antigos para os maus tempos novos. A cada ano, vida se tornaria cada vez mais ansiosa. Clãs circulariam novas historias de medonhos encontros todas as temporadas.

O repertorio dos rumores e das incertezas iriam se acumular gradualmente enquanto as influncias de Sauron ocuparam as terras tranqüilas de Hobbits e Homens. O Elfos e Anões concentravam-se em suas próprias preocupações, prestariam pouca atenção a ô que aconteceu. Talvez um dia eles saberiam que uma cidade ou vila amiga tinha sido abandonada ou ocupada por forças inimigas. Mas os homens estavam sempre brigando entre si. O mapa político não mudaria muito como o mapa social. Clãs de Homens, Hobbits devem ter, simplesmente tentado mudar a algumas milhas mais ao longe. Seria um pouco diferente das outras eras, velhas tradições de cidades mandando colonizadores para construir novas cidades. Clãs teriam que, ocasionalmente, separar-se e procurar novas terras.

Mas um dia alguém importante o suficiente para ser ouvido para notar que havia Algo de Errado. Parentes não viviam mais onde eles costumavam viver. As pessoas agora olhavam através do Rio com receio. Talvez um ataque de muitos tenha saído da escuridão da floresta. Talvez o perigo de Orcs, Wargs tenha se tornado muito real e as tribos ao longo do Anduin tenham se tornado mais simpatizante da guerra e mais vigilantes do que seus avôs precisavam ser em sua juventude. Deveria haver um tipo de conselho, uma decisão em comum de o processo a seguir.

Talvez ele meramente tenha começado com um clã ficando muito assustador para ficar nos Vales do Anduin por mais tempo. Eles teriam ouvido historias sobre terras fartas além das montanhas. Um único líder de um clã levantou e disse: "Atenção todos! Estamos deixando essas terras, empacotem o que quiserem, deixem o resto." E quando seus visinhos viu o que ele estava fazendo, Eles disseram: "Nós também nos cansamos. Estamos indo com você".

Famílias, cidades, indivíduos solitários, casais jovens aventureiros fugindo do ódio de seus pais que teriam atravessado as montanhas. Isso pode ter começado como uma marcha de vagantes, atraindo alguns olhares curiosos das pessoas locais em Eriador. "Quem são essas estranhas pessoas pequenas?" Os homens devem ter se perguntado "Eles parecem crianças. Onde estão seus pais?".

E onde os Hobbits entraram Rhudaur e Cardolan, procurando novas terras para morar, Homens teriam perguntado porque eles deixaram suas terras antigas. "Há algo escuro e mal por lá". Eles responderiam. "É como se uma grande nuvem escura tivesse se desferido na floresta. Terras onde nossos antepassados se sentiam seguros, já não são livres para nós. Homens maus do leste perturbaram nossos amigos. Criaturas horríveis ameaçando nossas famílias. É como se uma grande ameaça tivesse surgido".

Rumores passariam de hospedaria para hospedaria, de cidade para cidade. Soldados, mercantes e vagantes iriam escutar igualmente, historias da transformação da Grande Floresta Verde em Floresta das Trevas. Eventualmente, príncipes, reis e magos também acabariam ouvindo sobre as mudanças no leste, na verdade isso ocorreria cinqüenta anos após os primeiros hobbits chegassem em Eriador, até o Sábio averiguar que Dol Guldur tinha se tornado um baluarte do mal.

Imagine o conselho que pode ter sido realizado. Istari, Senhores dos Eldar e talvez Reis dos Dunedain teriam juntado-se. Um relatório completo dos eventos seria dado. Batedores retornariam da Floresta das Trevas para confirmar os contos. E haveria rostos severos, trocas de olhares austeros entre os Sábios e seus amigos. E apesar de toda a vigilância que eles tinham mantido ao longo dos anos, eles não sabiam que algo estava acontecendo até ser tarde demais. Apenas os Hobbits tinha sentido algo de errado. E ironicamente somente os Hobbits iram proferir uma solução final para o problema

Tradução de Tais"Linda Sacola" Bachega

Os Elfos sonham com sono ecléctico?

J.R.R. Tolkien dedicou muito tempo e reflexão à
clara identificação do que significa ser um Elfo. Ele descreveu os
Elfos na sua carta número 144 como representando “Homens com
faculdades criativas e estéticas muito aumentadas, maior beleza e vida
mais longa, e nobreza – os Filhos mais Velhos, condenados a definhar
perante os Filhos mais Novos (Homens) e finalmente a sobreviverem
apenas através do pequeno fio do seu sangue que foi misturado com o
sangue dos Homens, para quem essa herança era a única genuína
reinvidicação a ‘nobreza’"?.
 
 
 
Mas o que é que tudo isso quer dizer? Na sua carta número 73, Tolkien menciona num àparte que os Elfos “representam a beleza e graciosidade da vida e dos artefactos�?. Na sua carta número 153, Tolkien diz que “Elfos
e Homens são representados como biologicamente semelhantes nesta
‘história’ porque os Elfos correspondem a certos aspectos dos Homens,
dos seus talentos e desejos�? e “eles têm certas liberdades e poderes
que nós gostaríamos de possuir, e a beleza e o perigo e a mágoa da
posse desses sentimentos vêm-se neles…�?

Dor e tristeza
são habitualmente associados à natureza Élvica. Os Elfos expressam
esses sentimentos tão facilmente como nós expressamos esperança ou
desejo. Quando Frodo se encontra com Gildor Inglorion no Condado,
Gildor diz-lhe que “Os Elfos têm os seus próprios trabalhos e as
suas próprias mágoas e estão pouco interessados nos costumes dos
Hobbits ou de quaisquer outras criaturas terrenas.�?
Esta é uma afirmação muito curiosa pois difere radicalmente do quadro que outros, como Gandalf ou Treebeard, pintam dos Elfos.

Gandalf diz a Frodo que alguns dos maiores inimigos de Sauron continuam
a viver em Valfenda, os sábios-Elfos, senhores dos Eldar de além-mar.
Enquanto que outros Elfos fugiram da Terra-média e alguns apenas aqui
continuam temporariamente tal como a companhia de Gildor, alguns dos
Eldar estão aqui de pedra e cal na sua determinação de se oporem a
Sauron.

E Treebeard diz a Merry e Pippin que foram os Elfos
que primeiro despertaram as árvores e lhes ensinaram a falar.
Anteriormente, os Elfos eram muito curiosos e queriam saber o mais
possível sobre o mundo em que tinham despertado.

Numa
entrevista feita para ser incluída num documentário dedicado à vida do
seu pai, Christopher Tolkien refere que os Elfos quase que se consomem
em dor. Na altura da Guerra do Anel, os Elfos já não se voltam para o
futuro. Pelo contrário, voltam-se para o passado. E, ao voltarem-se
para o passado, eles provocam o seu próprio eclipse ou crepúsculo, ou
recebem-no de braços abertos. Pois de facto o seu destino é definharem,
desaparecerem do mundo e da luz, deixando tudo o que atingiram nas mãos
implacáveis dos Homens.

Mas como é que os Elfos se enredaram
tão profundamente na dor? Qual é a diferença entre a natureza Élvica e
a natureza Humana que leva as raças Élvicas a viver na dor?

Em
numerosas ocasiões, Tolkien escreveu ou tornou claro que os Elfos eram
imortais durante o tempo em que a Arda existisse, mas que não eram
eternos. Era uma das suas características existirem como seres vivos
enquanto o próprio Tempo durasse, Tempo esse medido pela “vida da
Arda�?. E, no entanto, a Arda não tinha existido desde o princípio do
Tempo e o seu destino não era necessariamente existir até ao fim do
Tempo. A Arda pode acabar e Eä, o resto do universo, pode continuar.
Mas, por outro lado, Eä é identificado através do Tempo e do Espaço.
Então, se os Elfos sobrevivem até a Arda acabar, será que a Arda acaba
simultaneamente com o Tempo e, vice-versa, o Tempo com a Arda, ou será
que o Tempo continua até ter um outro fim?

Os Elfos não sabiam
a resposta a esta pergunta. Nem se conseguiam aperceber de, ou prever,
qual era o seu destino final para lá da conclusão inevitável da sua
existência. Num comentário incluído em "Athrabeth Finrod ah Andreth"
(Debate entre Finrod e Andreth), Tolkien especifica que “a
‘imortalidade’ Élvica�? está limitada a uma parte do Tempo (a que
[Finrod] chamaria a História de Arda), e por isso estritamente deveria
ser antes chamada de ‘longevidade em série’, o limite máximo da qual é
a duração da existência da Arda…"
O seu corolário é que o fëa
(‘espírito’) Élvico está também limitado ao Tempo da Arda, ou pelo
menos está aí preso e não o pode deixar enquanto ele existir.

Ao tentar elucidar melhor este aspecto, Tolkien disse que “o
pensamento Élvico não podia penetrar para lá do ‘Fim da Arda’, e não
havia quaisquer instruções específicas… Parecia-lhes óbvio que os
seus [corpos] tinham de acabar, e portanto qualquer tipo de
reincarnação seria impossível…
" Todos os Elfos iriam pois
‘morrer’ no Fim da Arda. Eles não sabiam o que isso significava. Diziam
então que os Homens tinham uma sombra atrás deles, mas os Elfos tinham
uma sombra à sua frente. Agora, a sombra atrás dos Homens era a sombra
da sua Queda, enquanto que a sombra à frente dos Elfos era a sombra do
seu Fim. Na percepção dos Elfos, aos Homens tinha sido permitido
libertarem-se da vida, da ligação ao mundo que para eles Elfos se tinha
tornado um fardo pesado. Era-lhes difícil perceber que os Homens
quizessem tanto ficar no mundo, pois o que eles queriam era ter a
certeza de que continuavam para lá do mundo. Era como a tripulação dum
navio prestes a afundar-se a observar admirada os passageiros a
saltarem de volta dos salva-vidas para o barco condenado.

O
desejo Élvico de libertação não fazia necessariamente parte do seu
estado natural. Quando os Valar descobriram que os Elfos viviam em
Cuivienen, já eles tinham sido importunados por Melkor e seus lacaios.
Alguns dos Elfos tinham desaparecido e como o próprio Mandos
aparentemente não sabia nada do seu destino, eles devem ter sido
encarcerados por Melkor em Utumno ou noutra temível prisão. Os Elfos
perderam assim a sua inocência original ainda antes de se terem
encontrado com os Valar.

A perda da inocência foi o primeiro
passo na longa via dolorosa, uma estrada cheia de sofrimento e perda.
Mas dor e sofrimento não eram sinónimos para os Elfos. Aparentemente, o
sofrimento passava, enquanto a dor não. O sofrimento podia avolumar-se
e tornar-se dor, mas para a maior parte da raça Élvica parece ter-se
simplesmente transformado em dor. Ultrapassar o sofrimento era uma
coisa que eles faziam muitas e muitas vezes.

Por exemplo, Tolkien explica na Carta 212 (de facto um rascunho para a continuação da Carta 211 que nunca foi enviado) que “nas
lendas Élvicas há registo dum caso estranho de um Elfo (Míriel, a mãe
de Fëanor) que tentou morrer, o que teve consequências desastrosas e
levou à ‘Queda’ dos Elfos Superiores (Elfos da Luz)… Míriel queria
deixar de existir…�?

A morte de Míriel era tão pouco
habitual que os Eldar tiveram de inventar uma palavra nova para a
descrever. Eles já tinham antes sentido morte física, quando membros da
sua raça sucumbiram a sofrimento ou violência e os seus corpos
morreram. Mas os Eldar aprenderam em Aman que os seus espíritos eram
supostos passar para os Salões de Mandos e, depois de um período de
reflexão durante o qual seriam curados dos seus sofrimentos, eles
podiam e deviam ser readmitidos no número dos vivos.

Míriel
não queria viver de novo. Ela queria morrer, morrer de verdade, e não
ter mais nada a ver com o mundo. A escolha, ou teimosia, de Míriel
levou a um debate importante entre os Valar e à aprovação duma lei que
alterou a evolução natural do destino dos Elfos. Ilúvatar deu aos Valar
o poder de administrar a morte permanente a um Elfo durante a vida da
Arda. Isto é, eles podiam recusar-se a deixar um Elfo viver de novo.


Míriel recusou-se a aceitar a vida apesar de ter sido praticamente
obrigada a viver de novo. Então, relutantemente, os Valar confinaram-na
aos Salões de Mandos até ao fim do Tempo da Arda. O seu marido Finwe
tornou-se assim livre para procurar uma nova esposa. Mas, depois de ter
sido assassinado por Melkor, o espírito de Finwe ficou em comunhão com
o de Míriel em Mandos, um acontecimento aparentemente raro. Quando
Míriel soube de tudo o que tinha acontecido ao seu povo, ela
arrependeu-se da sua decisão de ficar morta e apelou aos Valar. Finwe
aceitou então ficar morto porque não podia voltar à vida e ter duas
esposas, uma situação que os Elfos achavam anormal.

A decisão
de Míriel foi tomada pelo menos em parte como resultado da dor. E
apesar de lhe ser permitido viver de novo, ela escolheu não viver com o
seu povo, os Elfos, mas em vez disso foi aceite no serviço dum dos
Valar. A partir dessa altura, Míriel documentou os feitos do seu povo.
Em vez de fazer novas coisas ou procurar novos conhecimentos, ela
concentrou-se a registar os acontecimentos da história do seu povo.
Assim, Míriel foi o primeiro Elfo, pelo menos entre os Eldar, a
sucumbir à dor , escolhendo viver de novo por causa da dor e talvez
devotando a sua vida a lembrar essa dor.

Alguns dos revoltosos
Noldor deixaram-se derrotar pela dor antes de avançarem demais na
estrada do Exílio. Estes Noldor comandados por Finarfin voltaram à sua
cidade de Tirion e foram perdoados pelos Valar pela sua parte na
revolta. Mas a maioria dos Noldor continuaram resolutamento no seu
caminho, talvez principalmente por causa da determinação de Fëanor.

Na Terra-média a maior parte dos Noldor tentou voltar-se para o futuro
apesar da inutilidade da guerra contra Melkor. Mas Turgon, que foi
inspirado a construir a maior cidade de sempre, parece ter-se atolado
na dor. Gondolin foi modelada em Tirion e o povo de Turgon raramente
partiu para a guerra. Ulmo avisou-o de que a altura chegaria em que
Turgon teria que desistir de tudo para salvar o seu povo, mas quando
esse momento chegou, Turgon não quiz fazer esse sacrifício. Em vez de
guiar o seu povo a abandonar Gondolin em segurança, Turgon confiou nas
defesas naturais da cidade. Ele queria preservar o seu modo de vida
mesmo arriscando-se a assim perder a vida.

Depois da queda de
Gondolin, os Noldor desperdiçaram os seus recursos nos conflitos azedos
sobre a posse do Silmaril que Beren e Luthien tinham recuperado a
Melkor. Os filhos de Fëanor, incapazes de recuperar as outras jóias,
destruíram primeiro Doriath e depois Arvernien em tentativas
infrutíferas de capturar aquela jóia. Eles já não pensavam em vingar as
mortes do seu pai e do seu avô nem em recuperar os Silmarils. Em vez
disso, só queriam saber daquilo que achavam que era seu por direito,
não percebendo que tinham perdido esse direito devido aos seus delitos.
Os seus espíritos estavam presos num passado que não podia ser
recuperado.

Depois da Primeira idade, os Noldor começaram de
raíz. Gil-galad criou um reino no que tinha sido Ossiriand e alguns dos
Noldor emigraram para leste e criaram Eregion. Mas com o passar dos
séculos os Elfos sucumbiram à preocupação sobre o seu definhar. E
quando Sauron disfarçado lhes ofereceu uma oportunidade para parar ou
atrasar os efeitos do Tempo, os Noldor de Eregion decidiram actuar
contra esse definhar.

Tolkien disse sobre esta segunda “Queda�? que os “Elfos queriam ao mesmo tempo ter o bolo na mão e comê-lo�?.
Eles queriam permanecer na Terra-média durante o resto do Tempo em vez
de atravessar o mar para evitar um destino pior do que a morte. Em vez
de manufacturar nova beleza, os Elfos voltaram a sua atenção para a
preservação da antiga beleza da Terra-média e para a cicatrização das
suas feridas. Por isso eles criaram os Aneis do Poder. Mas mesmo depois
dos Elfos terem descoberto a perfídia de Sauron, eles não tiveram a
força para eles próprios destruírem os Aneis, que Sauron claramente
queria usar contra eles.

A dor a que Gildor aludia começou sem
dúvida com o conflicto entre os Elfos e Sauron na Segunda Idade. Pois
eles não só perderam muitos Aneis de Poder, como também perderam a
maior parte das terras que tentavam conservar. Casas Élvicas com todas
as suas recordações e artefactos especiais devem ter-se esvaído em fumo
em grandes áreas de centenas de kilómetros (milhas). Os Elfos não
teriam preservado nada do seu mundo antigo, no qual, como Tolkien
afirma, eram uma casta superior.

A tristeza devia ter
consumido os Elfos não só pelo que eles perderam, mas também pelo que
eles tinham feito. Traição e perda vão de mãos dadas ao longo da
história Élvica, e a sua traição da ordem natural na Segunda idade fez
com que perdessem quase tudo. Os Elfos que sobreviveram a guerra,
especialmente aqueles que nada sabiam sobre os Aneis do Poder, devem
ter seguramente questionado o que tinha originado o conflito.

Nos finais da Terceira idade Frodo arreliou Gildor repetindo um dizer
sobre os Elfos que era popular entre os Hobbits: não peças conselhos
aos Elfos, pois eles dirão tanto que sim como que não. E Gildor riu-se,
dizendo que “os Elfos raramente dão conselhos irreflectidos pois,
mesmo entre os sábios, aconselhar é um presente perigoso e todos os
caminhos podem sair mal.�?
Todas as escolhas históricas feitas pelos
Elfos, talvez tomadas depois de longas deliberações entre os seus
líderes mais sábios, parecem tê-los levado por caminhos cheios de dor e
sofrimento. Assim, pelo menos na Terceira idade, os Elfos parecem
ter-se tornado relutantes a aconselhar outros.

Na Terceira
idade os Eldar concentraram-se a manter os seus domínios, sem pensar em
expandir o seu poder e influência. Enquanto que os Homens se tornavam
mais numerosos, os Elfos refugiaram-se em enclaves. Na sua seclusão, os
Elfos só podiam aperfeiçoar os seus dotes para a poesia e a música,
celebrando acontecimentos do passado e as glórias da sua juventude, e
antecipando o seu regresso a Valinor. Os Elfos não estavam tanto a
olhar para o futuro, mas antes para o passado. O seu futuro tornou-se
um movimento reaccionário para o além-mar.

Enquanto que na
Segunda idade os Eldar tinham esperado exercer a sua arte sobre toda a
Terra-média, ou pelo menos grande parte dela, na Terceira idade eles
escolheram restringir a sua arte a pequenas áreas protegidas pelos três
Aneis do Poder que ainda controlavam. Os Elfos da Terceira idade
relembravam todos os grandes contos que os Elfos das Primeira e Segunda
idades tinham criado.

A transição entre criar o passado e
relembrar o passado foi sem dúvida lenta. Os Elfos não decidiram
simplesmente dum dia para o outro não procurar realizar mais nada. Pelo
contrário, devem-se ter acomodado aos poucos a gozar a vida e a
celebrar os seus êxitos. Mas à medida que o mundo se tornava escuro e
solitário, os Elfos escolheram não se expandir, não comunicar com os
outros. Durante um curto período, os Elfos Cinzentos de Lothlórien
tornaram-se os maiores campeões da liberdade no Ocidente, mas com a
partida e subsequente morte do Rei Amroth, recolheram-se `a sua
floresta e pouco mais se ouviu falar deles.


Todas as escolhas feitas pelos Elfos estavam cheias de gravíssimos
perigos. Tudo o que faziam, tudo em que tocavam, acabava por ser
consumido pelas consequências das suas acções. Eles tentaram evitar
sofrer o destino que lhes estava marcado. Em vez de destruir os Aneis
do Poder, na Terceira idade os Eldar usaram-nos. E quando o O Anel foi
finalmente destruído, tudo o que os Eldar tinham conseguido em termos
de preservação e cura foi desfeito. Eles não mais conseguiam pensar em
termos de contruir um futuro. Só queriam preservar um passado que para
eles era ideal.

A sombra que os Eldar viam no seu horizonte
deve, nos finais da Terceira idade, ter parecido pairar enorme e
disforme sobre todos eles. A ascenção e retorno de Sauron a Mordor eram
inevitavelmente o resultado do falhanço dos Elfos em resolverem os seus
conflictos do passado. A mudança de poder e estrutura da Terra-média
era mais uma lança apontada contra eles. ‘A corda estava a chegar ao
fim.’ Apesar dos seus melhores esforços para travar a mudança, eles não
a tinham podido conter. Ela continuava sem eles. A partir do momento em
que os Aneis saíram do caminho, o Tempo puxou simplesmente os Elfos de
novo para a via da evolução natural dos acontecimentos.

E
assim que os Aneis do Poder desapareceram, os Elfos não tinham outra
alternativa senão enfrentar o seu futuro, futuro esse que a eles
parecia um não futuro. Para um Homem mortal, a incerteza da
imortalidade seria uma oportunidade para criar novos contos. Mas para
um Elfo imortal, a certeza do fim dessa imortalidade significava que
havia cada vez menos tempo para celebrar os grandes contos do passado.
Esvaziá-los de conteúdo para criar novos contos só lhes ia retirar a
sua audiência de direito. Ou, pior, viver um novo conto poderia trazer
mais dor e sofrimento e assim aumentar o fardo da dor que se tornava
mais pesado de ano para ano.

Tudo estava dependente de
escolhas: as escolhas que tinham feito, as escolhas que tinham de
fazer. Os Elfos estavam mesmo sobrecarregados pela necessidade de fazer
escolhas, pois queriam escolher ambas as opções. Para um Elfo, o Tempo
na Terceira idade era só uma maneira de adiar a escolha última. Tolkien
sugere que muitos escolheram permanecer na Terra-média e definhar,
vivendo perto dos lugares que tinham amado em vida, relembrando os
acontecimentos que lhes eram mais queridos.

Talvez no fundo,
os únicos Elfos que de facto se libertaram do passado foram os que
finalmente resolveram deixar a Terra-média para sempre. Era um destino
melhor do que a morte e um destino da sua própria escolha. Para serem
coerentes com a sua própria natureza, os Elfos perceberam que tinham de
escolher entre a certeza do passado com toda a sua grandeza conhecida e
a incerteza do futuro com todo o seu grande desconhecido. A viagem
além-mar era pois o grande passo para ultrapassar a dor e a tristeza.

[Tradução de Isabel Castro]

Indiana Jones e os Tesouros da Terra-média

A notícia é que Harrison Ford finalmente concordou em fazer um quarto
filme do Indiana Jones. Não consigo imaginar nada a não ser de qual
fantástico artefato perdido ele irá atrás neste momento; mas acho que
poderia ser natural se Lucas e Spielberg enviassem o pseudo-arqueólogo
mais renomado e cheio de recursos de Hollywood atrás de alguma coisa da
Terra-média.
 
 
 
Tal filme poderia ser a expressão final de ficção
de fãs de Tolkien, até ser sobrepujado por alguma coisa no futuro do
cinema e da história.

O que seria importante o suficiente para
atrair o interesse de Jones, contudo? No primeiro filme ele foi atrás
da Arca da Aliança na esperança de mantê-la fora do alcance das mãos
dos Nazistas. O segundo colocou o Dr. Jones contra um revivido culto
Thuggi que estava roubando as cinco pedras de Shiva [e quatro delas,
desafortunadamente, foram derrubadas em um rio cheio de crocodilos]. O
terceiro filme tinha os rapazes Jones lutando contra os Nazistas uma
vez mais pelo controle sobre o Santo Graal.

A Terra-média
proporciona alguns artefatos interessantes que não foram completamente
explicados. Os primeiros grandes artefatos foram as Silmarils. Estas
jóias, criadas por Fëanor em Valinor, preservavam a luz das Duas
Árvores dos Valar, e eram por si mesmas abençoadas pelos Valar. Os
Noldor lutaram sua longa e desesperada guerra contra Morgoth pelas
Simarils, mas eles falharam. Beren e Lúthien recuperaram uma das
pedras, e apenas esta gema, das três, foi preservada, retornando aos
Noldor em Valinor por meio de Earendil e Elwing.

As outras
duas Silmarils foram perdidas. Maedhros jogou-se com uma das pedras em
um vulcão ou uma fissura que irrompeu durante as lutas entre o exército
de Morgoth e o exército de Valinor. Seu irmão Maglor jogou a outra jóia
no mar e passou a errar a esmo.

Pessoas familiarizadas com a
Bíblia podem relembrar que Pedro encontrou uma jóia na boca de um
peixe. Embora eu não esteja sugerindo que a jóia de Pedro fosse uma
Silmaril, é igualmente plausível que algum peixe eventualmente tenha
engolido a Silmaril. Por milhares de anos esta jóia passou através das
vísceras de peixe após peixe por várias razões, ocasionalmente
encontrando seu caminho de volta para as profundas águas escuras.
Eventualmente, poderia encontrar seu caminho de volta para a terra
através dos auspícios de um pescador muito afortunado.

E então
as aventuras poderiam começar. A jóia poderia passar por vários donos
através dos séculos, recebendo menção em um ou dois tomos perdidos, até
que finalmente algum rico capitalista com atração por jóias que podem
prover poder ilimitado decide que ele absolutamente precisa ter a
Silmaril. Isto poderia ser maior do que a bomba atômica. Mas agora, ao
invés dos Nazistas, Jones deveria lutar com os Comunistas, que também
estariam desesperadamente procurando pelo artefato perdido como um meio
de derrotar a Alemanha nazista.

Jones deveria descobrir todas
as pistas vitais que levariam à antiga pedra dos Elfos sem deixá-la
cair não mãos dos capitalistas malignos os comunistas desencaminhados.
E, claro, alguns Nazistas podem estar procurando a solução final para
seus próprios problemas de energia. Que a Silmaril estivesse escondida
em um antigo templo Inca nos Andes não seria nenhuma surpresa para a
audiência, porque todo mundo sabe que foi dado ao Dalai Lama o cuidado
da jóia sagrada gerações atrás, e ele a enviou para o último refúgio
dos Elfos na Terra.

Claro, toda esta intriga pode parecer
demais para uma Silmaril. Talvez o artefato perdido seja um Palantir.
Imagine o que sua agência local de espionagem poderia fazer com um
desses bebês, e sabe-se que dois são sabidos terem sobrevivido
sobreviveram à Terceira Era. Um, é claro, estava completamente
inutilizável exceto por alguém de vontade muito forte e autoridade
absoluta, mas o outro Palantir [a Pedra de Orthanc] foi preservado
intacto. Aragorn a usou para manter a ordem em seu reino e descobrir
onde no mundo ele deixou seus chinelos.

O Reino Reunificado de
Arnor e Gondor permaneceu por muitas gerações após a morte de Aragorn.
Seus descendentes, embora de vida longa, gradualmente perderam sua
longevidade ao estilo do Gênesis e eventualmente tornaram-se
indistinguíveis dos outros Homens. Os herdeiros de Eldarion foram reis
por 100 gerações dos Homens [cerca de 2500 anos], e a Quarta Era
provavelmente terminou quando o último rei foi retirado de seu trono em
algum canto perdido e há muito esquecido do norte do mundo.

O
Palantir e o jovem filho do rei poderiam ter sido levados em segurança
por servos leais e um número limitado de Elfos da Floresta que eram
incapazes de construir navios para navegar cruzando o Mar. Os Elfos da
Floresta recuaram para as altas montanhas e educaram o garoto para
ser… o primeiro VERDADEIRO Dalai Lama [alguém que viveu séculos antes
de Sonam Gyatso, que foi apontado o primeiro Dalai Lama em 1578].
Incapazes de continuar suas vidas no mundo físico, os Elfos entregaram
a guarda do Palantir ao Verdadeiro Dalai Lama e seus seguidores, que
mantiveram o Palantir em segredo por mil anos antes de atreverem-se a
usá-lo novamente.

Finalmente, um descendente dos Altos Reis e
verdadeiro Herdeiro de Eldarion [de uma linha jovem da antiga família
real] reivindicou o Palantir e levou-o dos monges Tibetanos para buscar
por fortuna e restaurar seu reino, mas ele deparou-se com os inimigos
de Buddha e foi destruído. O Palantir foi perdido e os monges do Tibet
dispersos. Aos subseqüentes Dalai Lamas foi dado o nobre propósito de
governar o Tibet, mas eles não eram mais guardiões da Orbe Sagrada.

Em sua insana busca por poder sobre o mundo todo, Napoleão encontrou o
Palantir no Egito [onde estava escondido no nariz da Grande Esfinge, e
ele ordenou aos soldados que a liberassem atirando no nariz
repetidamente]. Napoleão levou o Palantir à França e com este ele
tornou-se o homem mais poderoso do mundo, mas um descendente de
Eldarion surgiu nas fileiras dos exércitos de Napoleão para tornar-se
um Marechal da França, e ele reivindicou o Palantir, levando-o para a
Suécia [sim, Marechal Bernadotte, que tornou-se Rei da Suécia e inimigo
jurado de Napoleão].

Percebendo que o Palantir era perigoso e
que não poderia ser protegido do mundo moderno, o governante Sueco
enviou-o através do mar para ficar escondido por décadas em um antigo
monastério Espanhol controlado por um braço secreto da ordem Jesuíta.
Contudo, enquanto o poder e a influência dos papas declinava, um monge
renegado começou a usar o Palantir para fazer fortuna ao tempo da
Primeira Guerra Mundial. Ele retornou para a França em 1914 e quando se
preparava para liberar seu terrível poder do conhecimento sobre o
mundo, os Alemães bombardeiam a vila na qual ele estava. O monge foi
morto e seu furtivo e esperto servo escapa com o Palantir, sem saber o
que a pedra faz, mas supondo que ela possui algum valor intrínseco
acima da riqueza normal.

30 anos depois, durante a Segunda
Guerra Mundial, o antigo assistente do monge renegado é agora
responsável por uma organização de espiões super-secreta que está
vendendo informações para ambos o lados da guerra. O governo dos
Estados Unidos suspeita da dupla traição, mas não pode arriscar seu
relacionamento com a organização de espiões. Então ele contrata o Dr.
Jones para investigar uma antiga ruína no Norte da África que parecer
ser a localização do esconderijo dos espiões. Jones chega à escavação
apenas para descobrir que os espiões já sabiam de sua chegada. Eles o
jogam em um poço com cobras e…

Por outro lado, o artefato
não precisa necessariamente ser Élfico. A Pedra Arken, por exemplo,
poderia ser uma fonte bastante poderosa de energia a seu próprio modo.
Indiana e Marcus Brody poderiam estar vagabundeando na antiga Casa dos
Arqueólogos e escutar algum conto fantástico sobre uma jóia lapidada
por antigos Anões. "Anões!" Brody poderia dizer. "Que besteira!
Certamente você não acredita neste conto fantástico, acredita, Indy?"

"Nah, Marcus. Mas existe um grão de verdade dentro de cada fantasia.
Existe algum tipo de jóia lá fora. Ela poderia salvar o museu."

"Você acha? Nós poderíamos pagar a hipoteca e evitar o fechamento do museu!"

"Yeah, Marcus, mas existe apenas um problema. A única pessoa que sabe onde encontrar a Pedra Arken é… o Dalai Lama."

E claro, existiriam Anões vagabundeando por aí e eles estariam
guardando com muito ciúme o segredo da Pedra Arken em sua fortaleza
secreta nos Andes. A estrada para a fortaleza subterrânea é guardada
por estátuas estranhas que parecem estar vivas, Druedain acocorados.
Estes homens humildes de boa natureza vivem primitivamente nas
florestas tropicais das montanhas Andinas, guardando o caminho de todos
os intrusos. Mas eles possuem um teste sagrado que irá revelar se
alguém é um herdeiro verdadeiro de Eldarion. Se ele puder passar pelas
Sete Estátuas os Anões saberão que ele é verdadeiramente digno de
herdar a Pedra Arken.

Então Indiana encontra o caminho na
encosta da montanha, vencendo uma estátua mágica após a outra e
descobrindo pouco a pouco que ele é o verdadeiro herdeiro de Eldarion,
encontrado pelo destino para restaurar os antigos tesouros da
Terra-média para um mundo que precisa desesperadamente de suas
virtudes…

Ou, poderia existir uma companhia de lenhadores
que procura o aposentado Indiana Jones para perguntar a ele sobre
algumas estranhas árvores que eles encontraram vivendo na floresta
tropical da África. Enquanto Jones escuta o seu fantástico relato sobre
como as árvores parecem ter vida e defender a floresta contra todas as
tentativas de cortar a madeira da floresta, ele se lembra de uma
aventura de seus dias de juventude, quando ele estava procurando a
coroa perdida de Gondor na Etiópia e subseqüentemente encontra um
caminho para o centro da África. Lá, em uma cidade cercada por árvores
que se movem vivia uma bela rainha Élfica cujo povo era ameaçado por
trolls e orcs.

Claro, pode ser também que eles apenas enviem
Harrison para procurar por um artefato pré-histórico do espaço, uma
espécie de arma, uma espada de luz, que foi usada muito tempo atrás em
uma galáxia muito, muito distante…

[Tradução de Fábio 'Deriel' Bettega]