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[Auden, que tinha revisado A Sociedade do Anel no New York Times Book
Review and Encounter, havia recebido provas do terceiro volume, O
Retorno do Rei. Ele escreveu a Tolkien em Abril de 1955 para fazer
várias perguntas relativas ao livro. A resposta de Tolkien não foi
preservada (pois Auden normalmente jogava fora suas cartas depois de
lê-las). Auden escreveu novamente em 3 de junho para dizer que tinham
lhe requisitado que falasse sobre O Senhor dos Anéis no BBC Third
Programme em outubro. Ele perguntou a Tolkien se havia pontos que
gostaria de ouvir abordados na radiodifusão, e se ele forneceria alguns
"toques humanos" na forma de informação a respeito de como o livro veio
a ser escrito. A resposta de Tolkien sobreviveu nessa ocasião porque, e
sempre que ele subseqüentemente escreveu a Auden, ele manteve uma cópia
carbonada da qual este texto foi retirado.]
7 de junho de 1955
Caro Auden,
Fiquei muito contente por ter notícias suas, e feliz em perceber que
você não ficou entediado. Mas temo que você esteja diante de uma carta
bastante longa novamente; mas você pode fazer o quiser com esta. Em
todo o caso estou datilografando-a, para que possa ser lida
rapidamente. Realmente não penso que eu seja uma pessoa espantosamente
importante, escrevi a Trilogia¹ como uma satisfação pessoal, conduzido
a ela pela escassez de literatura do gênero que gostaria de ler (a que
havia estava, com freqüência, pesadamente adulterada). Um grande
trabalho; e como o autor do Ancrene Wisse diz ao término de seu livro:
"eu preferiria, Deus é minha testemunha, ir a pé até Roma do que
começar o trabalho novamente!". Mas ao contrário dele eu não teria
dito: "leia um pouco deste livro diariamente em seu tempo livre; espero
que, se você o ler freqüentemente, ele se torne uma experiência muito
proveitosa; caso contrário terei despendido minhas longas horas muito
mal." Eu não estava pensando muito no proveito ou no prazer dos outros;
embora ninguém realmente possa escrever ou fazer qualquer coisa de
forma completamente isolada.
Entretanto, quando a BBC emprega alguém tão importante como você para
falar publicamente sobre a Trilogia, não sem referência ao autor, o
mais modesto (ou de qualquer modo reservado) dos homens, cujo instinto
é ocultar tal autoconhecimento que ele tenha e tais apreciações da vida
como ele a entende, sob o manto mítico e lendário, não posso evitar de
pensar a respeito disso em termos pessoais - e achar isto interessante,
e difícil, também, para expressar de maneira ao mesmo tempo breve e
precisa.
O Senhor dos Anéis, como uma história, foi terminada há tanto tempo
atrás que agora•posso ter uma visão amplamente impessoal desta, e
encontro "interpretações" bastante divertidas; até mesmo aquelas que eu
mesmo poderia fazer, que são principalmente post scriptum: Tive muito
pouca intenção particular, consciente, ou intelectual em mente em
qualquer ponto(a). Exceto por algumas revisões deliberadamente
menosprezadas - tais como aquelas do Vol. II no New Statesman,³ nos
quais você e eu fomos ambos açoitados com termos tais como
"adolescente" e "infantil" - que leitores apreciativos ficaram de fora
do trabalho ou visto assim pareceu bastante justo, mesmo que eu não
concorde com isto. Sempre excluindo, naturalmente, quaisquer
"interpretações" no modo de simples alegoria: quer dizer, o particular
e tópico. Em um sentido mais amplo eu suponho que seja impossível
escrever qualquer "história" que não seja alegórica na proporção em que
esta ganha vida; uma vez que cada um de nós é uma alegoria,
personificada em um conto particular e vestida com os trajes do tempo e
lugar, verdade universal e vida perpétua.
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