Como nasceu "O Hobbit"

Nunca imaginei que o termo "autoplágio" fosse a melhor descrição da gênese de uma das obras mais queridas de Tolkien, mas ele se encaixa à perfeição com o que sabemos sobre "O Hobbit".

 

Que o nobre leitor da Valinor modere seu impulso de me cobrir de pancada. O "autoplágio" de Tolkien, como mostra o livro "The History of The Hobbit", do pesquisador americano John D. Rateliff, na verdade ajudou o Professor a ancorar de forma profunda o mundo de Bilbo nas eras anteriores da Terra-média, modificando ligeiramente conceitos que já tinham sido explorados nas versões mais antigonas de "O Silmarillion" e, em última instância, permitindo o surgimento de "O Senhor dos Anéis" décadas depois.

Por exemplo, você tinha ideia de que Beren e Lúthien são mencionados nos mais antigos manuscritos de "O Hobbit"? E qual a relação entre o Rei dos Elfos (que conhecemos como Thranduil, pai de Legolas) e o poderoso Thingol de Doriath, de "O Silmarillion"?

A obra de Rateliff, que analisou os manuscritos originais de "O Hobbit" e publicou esses fragmentos e uma análise deles em dois volumes, lança luz sobre todas essas questões fascinantes da origem de Bilbo e sua saga. Rateliff também aproveita para publicar esboços dos desenhos bonitões, do próprio punho de Tolkien, que todos nós aprendemos a amar em "O Hobbit".

Mas não é só isso. O pesquisador americano também publica pela primeira vez as tentativas de Tolkien de REESCREVER completamente a obra nos anos 1960, dando a ela um tom muito mais sombrio e próximo de "O Senhor dos Anéis".

Nas próximas semanas, minha intenção é trazer para o público da Valinor os dados interessantíssimos levantados por Rateliff nos dois volumes de sua obra. Este foi só um aperitivo. Fiquem ligados!